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Anamnese Dados Pessoais • Idade: Pode ser importante para as causas prováveis de um problema neurológico. Queixa Principal • Confusão: pode incluir distúrbios de memória, perder-se facilmente, dificuldade de compreender ou produzir linguagem, problemas com números, julgamento inadequado, alteração de personalidade. • Tontura: pode ser vertigem (objetiva ou subjetiva), desequilíbrio (instabilidade por déficit extrapiramidais, vestibulares, cerebelares ou sensoriais) ou pré-síncope (obnubilação por hipoperfusão cerebral). • Fraqueza: fadiga generalizada, letargia ou perda de força decorrente de distúrbios motores. • Alteração do movimento: tremor, coreia, atetose, mioclonia ou fasciculação. • Dormência: hipoestesia, hiperestesia ou parestesia. • Visão turva: diplopia, oscilações oculares, redução da acuidade ou perda de campo visual. • Crises: sintomas episódicos que podem ser repetitivos como na epilepsia ou síncope. História da Doença Atual • Qualidade • Localização • Grau • Evolução • Fatores desencadeantes • Fatores de piora • Fatores de melhora • Sintomas associados • Tratamento IS neurológico • Cefaleia, Obnubilação, Estado de coma, Torpor, Tontura, Vertigem, Automatismos mentais, Convulsões, Amnésia, Zumbidos; • Paresias, Parestesias, Anestesia, Hiperestesia, Hipoestesia, Analgesia, Hiperalgesia, Hipoalgesia, Paralisia; • Monoplegia, Displegia, Hemiplegia, Paraplegia, Tetraplegia; • Insônia, Sonolência, Pesadelos, Terror noturno, Sonilóquios, Sonambulismo, Bruxismo, Movimentos rítmicos com a cabeça, Mioclonia noturna; • Discalculia, Disartria/Dislalia, Disritmolalia, Dislexia, Disgrafia, Déficit de atenção, Gaguismo; • Agnosia auditiva, Estereagnosia, Prosoagnosia, Autoprosoagnosia; • Escotomas, Orientação de espaço e tempo, Apraxia, Jargonofasia, Alodínia; Antecedentes Pessoais • Doenças: hipertensão, diabetes, doença cardíaca, câncer, HIV e outras podem predispor a doenças neurológicas. • Cirurgias: • História Obstétrica: A gestação pode piorar a epilepsia pela alteração da metabolização dos fármacos anticonvulsivantes, crises de enxaqueca podem aumentar ou diminuir, predispõe à hipertensão craniana benigna e a neuropatias de aprisionamento (Síndrome do túnel do carpo e meralgia parestésica). • Medicações: efeitos neurológicos adversos. • Imunização: Previnem doenças neurológicas como poliomielite, difteria, tétano, raiva e meningite meningocócica. Podem ter como neurologia: semiologia neurológica Igor Mecenas efeito adverso encefalite, mielite ou neurite autoimune. Antecedentes Familiares Herança genética: Doença de Huntington, Doença de Wilson, Distrofia muscular progressiva de Duchenne. Hábitos de Vida • Dieta: Deficiência de vitamina B1 (tiamina) causa Síndrome de Wernicke-Kosakoff e polineuropatia em alcoólicos. Deficiência de B3 (niacina) causa pelagra. Ingestão excessiva de B6 (piridoxina) causa polineuropatia. B12 (cobalamina) leva a doença de sistemas combinados (degeneração dos tratos corticoespinais e das colunas posteriores da medula) e à demência. Ingestão inadequada de vitamina E (tocoferol) também pode levar à degeneração da medula. Vitamina A pode levar a hipertensão intracraniana. O consumo excessivo de gorduras é um fator de risco para AVE. Alimentos inapropriadamente conservados levam ao botulismo. • Tabaco, álcool e outras drogas: relação com câncer metastático, convulsões por abstinência, polineuropatias, complicações infecciosas ou vasculíticas. • Hábitos Sexuais • Viagens Exame Físico Fácies • Atípica/Normal • Parkinsoniana: Cabeça inclinada para a frente e imóvel nessa posição, olhar fixo, supercílios elevados com fronte enrugada. • Leonina: Pele espessa, com lepromas confluentes, queda dos supercícios, nariz espesso e largo, lábios grossos e proeminentes, bochechas e mento deformados. • Pseudobulbar: Súbitas crises de choro ou riso involuntárias, mas conscientes. O paciente tenta contê-las, criando um aspecto espasmódico. • Da Paralisa Facial Periférica: Assimetria da face, impossibilidade de fechar a pálpebra, repuxamento da boca para o lado são e apagamento do sulco nasolabial. • Da Paralisia Facial Central: Alterações no território facial inferior • Sindrômica: Na síndrome de Down. Crânio e nariz pequenos, fronte estreita, olhos pouco oblíquos com epicanto, zigomáticos proeminentes, cabelos espessos e boca entreaberta. • Do deficiente mental: Traços faciais apagados, grosseiros, boca entreaberta, pode haver hipertelorismo e estrabismo, olhar desprovido de objetivo, olhos sempre móveis. • Miastênica/de Hutchinson: Oftalmoplegia, ptose palpebral e enrugamento frontal. • Wilsoniana: Boca entreaberta, hipersalivação e riso estereotipado (sardônico) • Distrofia miotônica: Aspecto alongado, ptose palpebral incompleta bilateral, atrofia dos masseteres e esternocleidomastoideos. • Doença de Crouzon: Nariz de base alargada, prognatismo do maxilar inferior, lábio superior curto. • Sturge-Weber: Mancha vinho do porto ou hemangioma seguindo a distribuição do nervo trigêmeo (principalmente oftálmico e maxilar). • Esclerose Tuberosa: Adenoma sebáceo • Claude Bernard Horner: Semiptose e miose • Paralisia Supranuclear Progressiva: Aspecto de máscara e expressão de espanto. Pode haver distonia facial com cenho franzido e alargamento das fissuras palpebrais (Sinal do Ômega). • Doença de Machado-Joseph: Ataxia, paresia do olhar conjugado para cima e sinal de Collier (retração palpebral) • Mucopolissacaridose: Face grosseira, mandíbula proeminente. • Atrofia Hemifacial: Assimetria evidente com atrofia cutânea, de tecido subcutâneo, músculos, cartilagens e ossos. Pode haver alteração de pigmentação e rarefação de fâneros. • Schwartz-Jampel: fácies enrugada, estreitamento anormal da fenda palpebral (blefarofimose), baixa implantação das orelhas, micrognatismo e microstomia. • Andersen-Tawil: Dismorfismo facial representado por baixa implantação das orelhas, ptose palpebral, hipertelorismo e fronte ampla. Marcha e Postura Avaliar usando o Timed Get Up And Go: O paciente inicia sentado, levanta, caminha 3 metros, vira, caminha de volta e se senta. O tempo deve ser cronometrado e deve-se observar a estabilidade postural, marcha, largura dos passos e balanço. Pacientes que demoram mais que 12 segundos têm maior risco de queda. Os valores de corte também variam com a idade e a condição física do avaliado. • Helicópode/ceifante/hemiplégica/de Todd Cotovelo fletido 90º, em adução, mão fechada e leve pronação. Membro inferior arrasta no chão em semicírculo e o joelho não flexiona. Paciente com hemiplegia (AVC). • Escarvante Toca com a ponta do pé no chão e tropeça, levanta acentuadamente o membro inferior. Paralisia de flexão dorsal do pé. • Cerebelar/de Ébrio/Atáxica cerebelar Anda em zigzag. Lesão cerebelar. • Tabética/Talonante/Atáxica sensorial Olhar fixo no chão, membros inferiores levantados abrupta e explosivamente, calcanhares tocam o chão intensamente. Com os olhos fechados a marcha piora ou se torna impossível. Lesão da coluna posterior da medula (perda de propriocepção) na tabes dorsalis. • Parkinsoniana Anda em bloco, sem movimento automático dos braços, cabeça inclinada para a frente, passos pequenos e rápidos. • Anserina/ de pato/ de Trendelenburg/ Miopática Acentua a lordose lombar e inclina o tronco para os lados. Doenças musculares com diminuição da força dos músculos pélvicos e das coxas. • De pequenos passos Passos curtos e arrastando os pés, às vezes não sai do lugar. Paralisia pseudobulbar e doenças extrapiramidais. • Em tesoura/Espástica Membros inferiores semifletidos, os pés arrastam e as pernas se cruzam. Paralisia cerebral espástica. • Claudicante Manca para um lado. Insuficiência arterial periférica oulesões do aparelho locomotor. • Do idoso Alentecida, passos curtos, diminuição dos movimentos dos braços, alteração do equilíbrio, coordenação, sensibilidade e força. • Do sapo Caminha de cócoras, apoiado nas mãos, impossibilitado de bipidestação. Miopatias avançadas. • Apráxica Semelhante a uma criança que dá os primeiros passos, com dificuldade na ignição da marcha, na virada e parece que os pés estão presos ao solo. Hidrocefalia de pressão normal e demência vascular. Sinais Vitais • Pressão Arterial • Pulso • Frequência Respiratória • Temperatura • Dor Pele • Icterícia: doença hepática pode causar estado confusional ou distúrbio de movimento. • Manchas café com leite: Podem aparecer na neurofibromatose • Neurofibromas: nódulos e tumores de pele de tamanho variável. Neurofibromatose. • Mancha Vinho do Porto e Hemangiomas: Pode estar relacionada à Síndrome de Sturge- Weber. • Manchas hipocrômicas ou de bordas avermelhadas: Hanseníase • Erupção de vesículas em faixa: Herpes- zóster. • Pilificação lombar: Pode ser sinal de espinha bífida oculta. • Meningocele: Cisto contendo meninges. Espinha bífida cística. • Mielomeningocele: Cisto contendo meninges e parte da medula espinal ou nervos. Cabeça Sinal de Battle: Hematoma pós-auricular. Fratura de base de crânio. Olhos de Guaxinim: Hematoma periorbital. Fratura de base de crânio. Olhos Anéis de Kayser-Fleischer: Pigmentação na córnea/ Doença de Wilson. Manchas de Roth: Hemorragias retinianas. Endocardite bacteriana. Coluna Vertebral Inspeção: Com o paciente de costas, observar o alinhamento das escápulas, dos ilíacos, das fossas poplíteas e dos processos espinhosos. Observar a musculatura paravertebral, hipercifoses, hiperlordoses, escolioses, implantação de pelos, lesões, cicatrizes e presença de espasmos musculares. Palpação/digitopressão: Pressionar cada processo espinhoso com o polegar, observando o alinhamento e a presença de dor, e as articulações sacroilíacas. Palpar com os polegares a musculatura paravertebral. Percussão: Percutir os processos espinhosos com um dedo e a musculatura paravertebral de cada lado com a face ulnar do punho fechado. A percussão não deve desencadear espasmo muscular ou sensibilidade na região. Movimentação Ativa: Flexão (75-90°), extensão (30°), rotação (45°) e lateralização (30-35°). Observar dor ou limitação dos movimentos. Movimentação Passiva Coluna Cervical Inspeção: observar, na posição anterior e posterior, o alinhamento da cabeça em relação aos ombros e a simetria das pregas cutâneas e dos músculos. Deve haver uma pequena lordose. Movimentação ativa: flexão até encostar o queixo no tórax (pelo menos 45°), extensão (45°), inclinação para ambos os lados (40°) e rotação (70° ou sobre o ombro). Testar o NC XI. Palpação: esternocleidomastoideo, hioide (C3), cartilagem tireóidea (C4), cartilagem cricoide (C5), glândula tiredoide (C6), pulso carotídeo. Protuberância occipital, musculatura paravertebral, tender points (fibromialgia), trigger points (dor miofascial). Exame Neurológico: Testes Especiais • Teste da deglutição: testa disfagia por osteófitos. • Teste da Artéria Vertebral: Com o paciente em posição supina, mantê-lo por 30 segundos em extensão cervical, rotação para ambos os lados e repetir o movimento com o pescoço estendido (a rotação para um lado pode afetar a artéria vertebral contra lateral). Os sintomas de estenose são tonturas, sensação de cabeça vazia e nistagmo. Testes de Compressão Radicular • Manobra de Spurling: Paciente sentado e examinador atrás do paciente. Faz-se uma compressão axial sobre a cabeça do paciente, seguida de uma flexão lateral. O teste é positivo para radiculopatia quando ocorre exacerbação dos sintomas nas extremidades. • Teste da distração: paciente sentado, o examinador põe uma mão no queixo e a outra na região posterior da cabeça e realiza a distração. A manobra abre os forames neurais (alivia a dor consequente à compressão radicular). • Manobra de Lhermitte: usado para diagnóstico de irritação meníngea e esclerose múltipla. Consiste em uma flexão passiva da cabeça em direção ao tórax, com o paciente sentado e em flexão do quadril (sensibiliza o teste). É positivo quando o paciente refere dor ou parestesia. Sinais de irritação meníngea • Sinal de Brudzinski: Ao tentar fletir a cabeça do paciente em decúbito dorsal, há flexão involuntária da perna sobre a coxa e da coxa sobre a pelve. Coluna Torácica Inspeção: Observar a simetria dos ombros e das escápulas (pode pedir para elevar os MMSS). A coluna torácica deve apresentar uma cifose. Marcar e medir a distância de C7-T12, pedir para movimentar. A distância maior deve ser <4,5 cm. • Teste de Adams: Avalia escoliose. Com o paciente em posição ortostática, pede-se que faça uma flexão da coluna com os membros inferiores estendidos e as mãos juntas para a frente. Observa-se se há rotação vertebral e a presença de gibosidade pela posição das escápulas. • Teste de Expansão torácica: Fita métrica no nível dos mamilos. Expansão deve ter variação >3cm. • Teste de Rotação: Decúbito lateral, um braço sobre a cabeça e o outro cruzando o corpo. Rotação de 45°. Exame Neurológico: T4 na altura dos mamilos, T7 no processo xifoide, T10 na cicatriz umbilical, T12 na virilha. Coluna Lombar Inspeção: Observar a simetria das cristas ilíacas. A coluna lombar deve apresentar uma lordose. Fazer os movimentos. Exame Neurológico • Teste de Schober: Com o paciente em pé, marcar um ponto 10cm acima da linha que liga as espinhas posterossuperiores. Pedir ao paciente que realize uma flexão da coluna e medir a distância ao ponto. O normal é que a distância aumente mais de 5cm. Na espondilite anquilosante o aumento é menor. Sinais de Radiculopatia • Manobra de Valsalva: Tossir, soprar com a mão na boca, fazer força. A exacerbação da dor ou sua irradiação até o pé pode significar que exista compressão radicular. • Manobra de Lasègue: o exame deve ser feito com o paciente em decúbito supino, a mão esquerda do examinador deve imobilizar o ilíaco e a mão direita elevar-lhe o membro inferior segurando-o na altura do tornozelo. O teste é considerado positivo se houver irradiação ou exacerbação da dor no dermátomo de L4-L5 ou L5-S1 em um ângulo de 35° a 70°. Em hérnias extrusas ou volumosas pode ser positiva abaixo de 35°. Dor acima de 70° resulta em teste é negativo, isto é, não existe compressão radicular. • Manobra de Bragard: deve-se proceder como na manobra de Lasègue: ao iniciar a dor, dobra- se o joelho (flexão); se a dor diminuir ou desaparecer significa que o teste é positivo. Também pode-se sensibilizar a manobra de Lasègue pela dorsiflexão ao elevar o membro. • Sinal de Bowstring: Com o paciente em decúbito dorsal faz a flexão do joelho e quadril na elevação do membro inferior (o membro fica no ombro do examinador), aplicando pressão sobre o nervo tibial na fossa poplítea. Deve-se evitar a rotação da bacia. Isso avalia a presença de sintomas radiculares. • Teste de Kernig: Paciente em posição supina com quadril e joelhos fletidos, realiza a extensão do joelho. O teste é positivo quando os sintomas aparecem durante a extensão do joelho e são aliviados com sua flexão. • Sinal de De Sèze: Andar no calcanhar (dorsiflexão do tornozelo), se não consegue há compressão da raiz de L4 ou L5. Andar na ponta dos pés (flexão plantar do tornozelo), se não consegue há compressão da raiz de S1. • Teste de Hoover: examinador segura os calcanhares do paciente, que deve estar em posição supina, elevando um dos pés. Se houver dor, o paciente tende a realizar uma força pra baixo com o membro oposto ao que está elevado. A ausência dessa força sugere simulação. Padrões Posturais Observar a postura adotadaem diferentes posições (inclinação, rotação, flexão, extensão, desvios). Observar: Cabeça, Ombros, Cotovelos, Punhos, Mãos, Tronco, Pelve, Joelhos, Tornozelos e Pés. Função Motora Aspecto Muscular • Verificar massa muscular e atrofia (sugere lesão de neurônios inferiores ou do próprio músculo); • Fasciculações: contrações espontâneas causando espasmos irregulares visíveis na superfície do músculo afetado. Sugere lesão do neurônio inferior (frequentemente no corno anterior). • Espasmos flexores ou extensores em distúrbios do neurônio motor superior. Motricidade Voluntária Pedir para o paciente abrir e fechar as mãos, estender/fletir os antebraços, abduzir/aduzir os braços, fletir/estender as coxas. • Praxia é a aplicação do aprendizado • Apraxia é a incapacidade de realizar tarefas previamente aprendidas (pedir pra demonstrar como usar objetos do cotidiano). Tônus Muscular Resistência do músculo à movimentação passiva de uma articulação. • Observação das extremidades em repouso • Palpação do ventre muscular • Determinação da resistência ao estiramento passivo e ao movimento. Hipertonia: • Espasticidade: MMSS aumentado nos flexores e adutores, MMII aumentado nos extensores. Fenômeno do canivete. Maior resistência em movimentos rápidos. • Rigidez: aumento da resistência a um movimento passivo para todos os grupos musculares (em cano de chumbo ou em roda dentada). Geralmente disfunção extrapiramidal (núcleos da base). Hipotonia: Pode decorrer de lesão no neurônio motor inferior, distúrbios musculares primários, interrupção da perna aferente do arco-reflexo, doença cerebelar, distúrbios extrapiramidais e fase aguda de uma lesão piramidal. Paratonia: Incapacidade de relaxar o membro, mesmo quando instruído. O tônus pode ser normal quando movido lentamente e aumentado quando rapidamente. Ocorre especialmente em pacientes com doença do lobo frontal ou doença cerebral difusa. Testes (Reflexos Tônicos): • Tônus de Babinski Com o ombro abduzido, fazer uma flexão do cotovelo. Na hipotonia há aumento da flexibilidade e da mobilidade, os cotovelos podem ser fletidos em um ângulo menor que o normal. A hipertonia causa o inverso. • Teste de Queda da Cabeça Decúbito dorsal, sem travesseiro, totalmente relaxado, com os olhos fechados. Levantar a cabeça do paciente rapidamente e deixar cair (deixar uma mão para segurar). Pacientes com rigidez extrapiramidal têm queda tardia, lenta e suave. • Movimento de pêndulo das pernas (Pêndulo de Wartenberg) Sentado com as pernas pendentes, levanta-se as pernas até ficarem estendidas, soltando depois. Observa-se o movimento em pêndulo que diminui progressivamente e desaparece em 6 ou 7 oscilações. Na rigidez extrapiramidal o tempo de balanço diminui, na espasticidade os movimentos são espasmódicos e irregulares, na hipotonia há aumento de amplitude e tempo. • Teste de balanço dos ombros: Sacudir os ombros do paciente vigorosamente para frente e para trás, observar o movimento recíproco dos braços. Em doenças extrapiramidais há diminuição da amplitude da oscilação do lado afetado, na hipotonia há aumento da amplitude. • Teste de queda do braço: Elevar subitamente os braços do paciente até a altura dos ombros e soltar. Atraso na descida na espasticidade faz o membro ficar brevemente suspenso no ar (Sinal de Bekhterew), na hipotonia a queda é mais abrupta. • Posição da mão Observar a postura das mãos. Na hipotonia há flexão dos punhos e hiperextensão dos dedos (posição em colher). Força Muscular Fazer os mesmos movimentos da motricidade voluntária aplicando resistência. Comparar a força com o contralateral. • Lesões do neurônio superior levam à fraqueza caracteristicamente dos extensores e abdutores nos MMSS e os flexores nos MMII. • Lesões do neurônio inferior produzem fraqueza nos músculos inervados. • Em um paciente com déficit motor em todos os membros e que não decorre de lesão do neurônio superior, o envolvimento proximal da fraqueza sugere distúrbio miopático. Quando predominantemente distal, sugere distúrbio do neurônio inferior. • Grande variação na gravidade e na distribuição da fraqueza durante o dia sugere miastenia grave (distúrbio da transmissão neuromuscular). • Em distúrbios psicogênicos o musculo antagonista se contrai quando o paciente é solicitado a ativar o agonista, além de ser mais grave durante o exame que na vida diária do paciente. Manobras Deficitárias São usadas para diferenciar o grau 4 do 5 de força. • Braços estendidos: decúbito dorsal, braços estendidos e dedos em leque, fechar os olhos. Pode ser feito sentado. • Raimiste: decúbito dorsal, cotovelos a 90º e dedos em leque, fechar os olhos. • Mingazzini: decúbito dorsal, membros inferiores em tríplice flexão (quadril, joelho e calcanhar), fechar os olhos. • Queda dos membros inferiores em abdução: decúbito dorsal, flexão dos joelhos com os pés apoiados na maca e próximos um do outro (posição de M), fechar os olhos. • Barré: decúbito ventral, joelho fletido a 90º, fechar os olhos. Coordenação • Sinal de Romberg Paciente em posição ereta, pés unidos e olhos fechados. É positivo se houver oscilações ou queda. Pode ser sensibilizado colocando um pé na frente do outro. O examinador deve estar preparado para segurar o paciente antes que ele caia. • Dedo-nariz Toca o nariz e então o dedo do examinador, que o muda de posição. • Calcanhar-joelho-tíbia O paciente deitado faz o movimento com o calcanhar, começando no joelho e seguindo a tíbia. • Movimentos rapidamente alternados (diadococinesia) Bater a palma da mão no dorso da outra ou sobre o joelho. Parafusar uma lâmpada imaginária no teto. Esfregar, em movimentos circulares, cada dedo da mão no dorso da outra. • Dedo com dedo Movimentos de oposição, tocando cada dedo com o polegar de forma ordenada. • Pular de um pé só Dismetria Diferença de tamanho de membros. Automatismos Observar a presença de movimentos involuntários. Sincinesias Aparecimento de contrações musculares involuntárias ao praticar movimentos voluntários. Reflexos Clônicos Arreflexia: Inexperiência do examinador (fazer manobra de Jendrassik) ou perda de continuidade estrutural ou funcional do arco reflexo. Hiperreflexia: lesão do neurônio motor superior, fisiológico ou tensão emocional. Assimetria: lateralizadas (neurônio superior ou inferior do lado que apresenta menor reflexo), déficits focais (raízes nervosas, plexo ou dos nervos periféricos) ou perda dos reflexos distais (polineuropatias). Reflexos Superficiais • Cutâneo abdominal (T7-Lombares inferiores): de lateral para medial, em 3 pontos, dos dois lados. • Cutâneo plantar (L5, S1): observar o sinal de Babinski. • Cremastérico (L1-L2): face medial da coxa, estímulo cranial, a bolsa escrotal se enruga. Reflexos Profundos • Bicipital (C5, C6): apoiar o antebraço do paciente no do examinador, comprimir o tendão do bíceps braquial com o polegar e percutir com o martelo no polegar. Deve haver flexão. • Tricipital (C8, T1): com o braço apoiado no do examinador e o antebraço livre, percutir com o martelo 2 cm acima do cotovelo. Deve haver extensão. • Braquiorradial (C5, C6): braço em leve pronação, percutir o processo estilóide do rádio. Supinação e flexão. • Flexor dos dedos (C8, T1): percutir os tendões dos flexores com ou sem interposiação do polegar • Patelar (L2-L4): com o paciente sentado, percutir o ligamento da patela. Deve haver extensão; • Aquileu (S1): percutir o ligamento do calcâneo. O paciente pode estar ajoelhado em uma cadeira ou em decúbito ventral com a perna fletida. Deve haver flexão plantar. Os seguintes só estão presentes no paciente com hiperreflexia: • Reflexo Peitoral: Percutir o tendão do peitoral maior na linha axilar anterior com o braço ligeiramenteabduzido e interposição de um dedo. • Reflexo dos Adutores: Percutir os tendões dos adutores na face medial distal da coxa com ela levemente abduzida e com interposição de um dedo. Reflexos Patológicos • Sinal de Hoffman: Segurar a mão do paciente relaxada; com a mão dominante segurar o dedo médio do examinado entre o dedo indicador e médio (como um cigarro); com o polegar comprimir a unha e liberar rapidamente. O sinal está presente se há adução e flexão do polegar com flexão do indicador. • Sinal de Tromner: Segurar a mão do paciente pela falange média do dedo médio; com a mão dominante golpear de baixo para cima a falange distal. A resposta é a mesma de Hoffman. • Sinal de Babinski: dorsiflexão dos dedos (especialmente do hálux), após estimulação da pele da superfície lateral da planta do pé com um objeto rombo. Pode também ser acompanhada de abertura em leque dos quatro artelhos laterais. É sinal de lesão piramidal. Sucedâneos de Babinski: geram o mesmo efeito. • Chaddock: Estímulo da face lateral do dorso do pé, do maléolo lateral ao 5º pododáctilo. Alguns autores afirmam ser mais sensível que o de Babinski. • Gordon: Compressão da musculatura da panturrilha. • Oppenheim: Pressão com o polegar e o indicador sobre a face medial da tíbia, da região infrapatelar até o tornozelo. • Shaefer: Compressão do tendão aquileu. • Austregésilo: Compressão do músculo quadríceps na região distal da coxa. Clono e Trepidações Epileptóides • Pé: Dorsiflexão súbita e sustentada do pé com o joelho em ligeira flexão. • Mão: Extensão. • Patela: Segurar com o indicador e o polegar e fazer um movimento rápido e agudo para baixo. Função Sensorial Objetiva Superficial Deve ser testada em cada dermátomo, com olhos fechados e demonstrando antes o que deve ser interpretado como um estímulo. Pode ser necessário o uso de contra-prova. • Tátil: objeto rombo, pincel ou algodão • Térmica: quente e frio • Dolorosa: objeto pontiagudo Objetiva Profunda • Vibratória: Diapasão (128Hz) colocado em uma proeminência óssea. • Cinético-postural (propriocepção): usar alguma extremidade (tipicamente o hálux quando testando MMII). Demonstrar as posições (neurtra, cima, baixo), pedir para fechar os olhos, colocar a articulação em uma posição e perguntar em qual foi colocado. • Pressão: Comprimir gradualmente o local. • Dolorosa Profunda: Comprimir a panturrilha. Cortical • Estereagnosia: reconhecer um objeto com as mãos. • Discriminação de dois pontos: diminuir a distância, medir quando para. • Extinção: Tocar pontos simétricos (por exemplo, as bochechas), retirar o estímulo de um lado. • Grafestesia: Escrever sem interrupção. Nervos Cranianos Olfatório Verificar se as narinas estão pérvias. Olhos fechados, ocluir uma narina e oferecer cheiros conhecidos. Testar a outra narina com um cheiro diferente. Óptico • Acuidade: tabela de Snellen a 6 metros e ao nível dos olhos do paciente ou Cartão de Rosenbaum a 36 cm. Mantém o óculos. Um olho de cada vez. Normal até 0,7 ou 20/20. Apertar o olho, lacrimejar, errar mais da metade de cada fileira são sinais para encaminhamento. • Campimetria: teste por confrontamento. 1 metro, fechar o olho (paciente e examinador). • Fundoscopia: Dilatar a pupila, reconhecer retina, mácula e vascularização. • Oculomotor, Troclear e Abducente • Motilidade extrínseca: Paciente com a cabeça fixa. O examinador pede que ele siga seu dedo ou uma caneta com os olhos enquanto faz um asterisco ou um H no ar. • Motilidade intrínseca: Realizar a busca dos reflexos fotomotor e consensual. Incidir rapidamente uma luz sobre o olho (trazendo a lanterna de lateral para medial) e observar se há miose em ambos (pupilas isocóricas e fotorreagentes), realizar também no olho contralateral. O teste é melhor realizado em ambiente de pouca luz e deve-se ocluir a passagem da luz com uma mão. • Teste de Acomodação: Pedir para que o paciente observe a ponta do dedo ou uma caneta; aproximar do nariz e observar o estrabismo convergente e a miose; afastar e observar a resolução do estrabismo e a midríase. Testa motilidade extrínseca e intrínseca. • Cover test: Manter o olhar em um ponto fixo, ocluir um olho e observar se olho que não está ocluído se move. Pode haver esotropia, exotropia, hipertropia, hipotropia e outros. Trigêmeo • Sensibilidade das regiões de inervação dos três ramos (oftálmico, maxilar e mandibular). • Reflexo córneo-palpebral: olhar para um lado, colocar a ponta de um algodão entre a córnea e a esclera. • Palpação da língua. Pedir para serrar os dentes ou morder o abaixador de língua, palpar o masseter e o temporal. Abrir a boca e palpar o pterigoideo lateral (pedir para morder o dedo). Facial • Mímica: Enrugar a testa, franzir os supercílios, fechar as pálpebras (tentar abrir), sorrir, inflar a boca (estourar). • Gustação: 2/3 anteriores da língua (doce). Vestibulococlear Raiz Coclear • Diminuir gradativamente a intensidade da voz natural • Voz cochichada • Atrito das polpas digitais • Teste de Rinne: cronometrar diapasão no processo mastoide e na frente da orelha. A condução aérea deve ser o dobro da óssea. • Teste de Webber: diapasão em um ponto médio (vértice da cabeça, glabela, mento). Em caso de lesão de condução, o som é maior no lado acometido. Raiz Vestibular • Pesquisa de nistagmo (Manobra de Dix- Hallpike ou Nylen/Bárány): Paciente sentado com a cabeça estendida e rotacionada 45° para um lado; colocá-lo rapidamente em posição supina, com a cabeça fora da maca com 45° de extensão. Deve ser deixado dessa forma por 30 segundos e observar o aparecimento de nistagmo, tipicamente vertical. Repetir com rotação para o outro lado. • Sinal de Romberg Glossofaríngeo e Vago • Abaixador de língua no terço posterior da língua (reflexo do vômito, IX). • Pedir para dizer “aaa” ou “eee”, verificar a posição da úvula e elevação do palato (X). • Verificar a deglutição (IX). Acessório • Teste do esternocleidomastóideo: rotação resistida da cabeça para os dois lados. • Teste do trapézio: Elevação resistida dos ombros. Hipoglosso • Movimentação da língua. • Repetição das letras L, T, D e N. Estado Mental Nível de Consciência • Normal: acordado, alerta, orientado; • Anormal/Rebaixado: de uma sonolência até a ausência completa de responsividade e incapacidade de acordar. Função Cognitiva Funções Bifrontais (Difusas) • Atenção: Repetir uma série de algarismos • Concentração: Contagem regressiva a partir de 100 • Percepção e Julgamento: Listar semelhanças e diferenças entre objetos, interpretar provérbios, descrever o que faria em uma situação hipotética • Base de Conhecimento: Informações que presumivelmente uma pessoa da idade e nível cultural tenha. • Emoção, Humor: Conversa, postura, fácies. • Ilusões: são uma interpretação perceptual alterada resultante de um estímulo externo real. • Alucinações: são experiências semelhantes à percepção sensorial que ocorrem na ausência de estimulação externa do órgão sensorial envolvido (auditiva, visual, tátil, olfatória ou gustativa). As que ocorrem no estado de sonolência (hipnagógicas) e no estado semiconsciente que precede ao despertar (hipnopômpicas) não são necessariamente patológicas. Memória Imediata: Semelhante ao teste de atenção (listar). Recente: Repetir a mesma lista depois de 3 a 5 minutos. Remota: Perguntar dados do passado (pessoais, familiares, históricos de maior importância). Linguagem Devem ser avaliados: compreensão, repetição, fluência, nominação, leitura e escrita. Afasias São distúrbios de linguagem que afetam a capacidade de comunicação (capacidade de expressão, compreensão da linguagem verbal e escrita e capacidade deescrever). Motora (de Broca, de Expressão): Lesão no córtex frontal motor associativo esquerdo. Fala não fluente, compreensão preservada e repetição perdida. Sensorial (de Wernicke, Receptiva): Lesão do lobo temporal posterior esquerdo. Fala fluente, compreensão e repetição perdidas. Global: Lesão maciça dos lobos temporal e frontal esquerdos. Fala não fluente, compreensão e repetição perdidas. de Condução: Lesão do fascículo arqueado esquerdo. Fala fluente, compreensão preservada e repetição perdida. Anômica: Lesão do lobo temporal inferior esquerdo. Fala fluente, compreensão e repetição preservadas. Apresenta dificuldade na evocação das palavras (anomia). Motora Transcortical: Lesão do lobo frontal anterior ou superior à áres de Broca. Fala não fluente, compreensão e repetição preservadas. Sensorial Transcortical: Lesão da juncão dos lobos temporal, parietal e occipital, posterior ou inferior à área de Wernicke. Fala fluente, compreensão perdida e repetição preservada. Fala • Disartria: Perda da capacidade de articular palavras de forma normal • Disfonia: Distúrbios da laringe alteram o volume, qualidade ou timbre da voz (rouquidão). • Afonia: Perda total de voz. • Diplofonia: som pronunciado em duas frequências desiguais. • Rinolalia: fala anasalada por fraqueza do palato mole. • Espasmofemia: Gagueira. Escala RASS Richmond Agitation Sedation Scale. Escala de Coma de Glasgow Dentre as atualizações de 2018 foi acrescentada a avaliação da reatividade pupilar (Glasgow-P). Se ambas estão reativas, o resultado continua o mesmo; se apenas uma está reativa, se reduz 1 ponto da escala; se nenhuma está reativa, se reduz 2 pontos. A Glasgow-P indica pior prognóstico para pacientes sem reatividade pupilar, no entanto, para a decisão de intubação (Glasgow ≤8) ainda é utilizado o cálculo sem levar em consideração a reatividade pupilar, segundo o ATLS.