Prévia do material em texto
Sangramentos da 1ª metade da gestação Igor Mecenas Doença Hemolítica Perinatal Também conhecida como Eritroblastose Fetal, é a destruição de eritrócitos fetais pelo desenvolvimento e migração transplacentária de anticorpos anti-D gerados pela exposição de uma gestante RhD-negativo a sangue com células RhD-positivo. • A manifestação clínica varia de anemia fetal leve assintomática, hidropsia fetal com anemia grave e icterícia até óbito fetal. • No final da década de 1960 foi desenvolvida a imunoglobulina anti-D. Incidência • 1960 (antes da imunoglobulina): 1%, risco de sensibilização de 13% • 1980 (depois): 0,2%, risco de sensibilização de 0,16% Doença Hemolítica Perinatal Igor Mecenas Exposição a antígenos eritrocitários não compatíveis: • Transfusão de sangue incompatível • Uso de drogas intravenosas • Transplante • Hemorragia feto-materna em gestação de feto positivo e mãe negativa. • Teste de Kleihauer: Adição de solução ácida de pH 3 a 3,5 desnatura os eritrócitos maternos, mas não os fetais. 75% das gestantes apresentam hemorragia feto-materna no decorrer da gestação, a chance aumenta com a evolução da gestação: • 60% têm volume < 0,1 mL; • 1% < 5mL; • 0,25% ≥ 30 mL. A sensibilização pode ocorrer em situações ou procedimentos que provocam hemorragia feto- materna: ameaça de abortamento, descolamento prematuro de placenta, trauma materno, biópsia de vilosidades coriônicas, amniocentese, cordocentese, transfusão intrauterina e manipulação obstétrica. • Aloimunização pode ocorrer também na gravidez ectópica e gestação molar Etiologia Igor Mecenas 98% ocorrem por aloimunização devido a incompatibilidade ABO e RhD. 2% por anticorpos atípicos, principalmente contra antígenos Kell, C e E. Hemólise por incompatibilidade ABO é rara (<2%) e a anemia, quando ocorre, é leve. 1. Produção inicial de IgM: não atravessa a barreira placentária. 2. Segunda exposição com produção de IgG: ultrapassa a barreira. 3. Adesão à membrana dos eritrócitos e ativação do sistema reticuloendotelial, principalmente no baço, onde ocorre hemólise e fagocitose. 4. Os produtos da hemólise são metabolizados no fígado materno. Anemia fetal → aumenta a eritropoese → aumento da circulação de eritrócitos jovens = “Eritroblastose fetal” • Agravamento: hipoalbuminemia, hepatoesplenomegalia, hipertensão portal, ascite, derrame pericárdico e pleural, insuficiência cardíaca, alteração na circulação e na função placentária e óbito. • Hidropsia fetal (aumento da espessura e alteração da ecotextura placentária) por sobrecarga cardíaca. Gera acidose metabólica, edema tissular, alterações ventilatórias, imaturidade pulmonar, diminuição da complacência da parede torácica e instabilidade da função cardíaca. Fisiopatologia Igor Mecenas A primeira etapa é a solicitação, no início do pré-natal, da tipagem sanguínea e a pesquisa da anticorpos irregulares (PAi) de todas as gestantes. • O Coombs indireto indica a presença de algum anticorpo antieritrocitário, enquanto a PAi identifica e titula os anticorpos presentes. Caso a gestante seja RhD-negativo, deve-se determinar a tipagem sanguínea do parceiro. Diagnóstico Igor Mecenas História Prévia • Acometimento leve (Hb>11g/dL, BT<20mg/dL); • Moderado (Hb<9g/dL, BI elevada e pode causar encefalopatia); • Grave (Hb<7g/dL). Títulos de anticorpos Determinam o risco, mas não predizem a gravidade. Devem ser determinados entre 16-18 semanas e posteriormente a cada 4 semanas. • 10% para títulos de 1:16; • 25% para 1:32; • 50% para 1:64; • 75% para 1:128. Acompanhamento Igor Mecenas Parâmetros ultrassonográficos fetais Sinais de anemia • Placenta hiperecoica (precoce); • aumento da espessura (tardio); • Derrame pericárdico; • Cardiomegalia; • Aumento de líquido amniótico; • Ascite fetal; • Edema subcutâneo generalizado; • Derrame pleural. Parâmetros Ultrassonográficos Igor Mecenas Parâmetros Dopplervelocimétricos Fetais Nos fetos anêmicos ocorre diminuição da viscosidade sanguínea e aumento do débito cardíaco, levando a um estado hiperdinâmico. A resistência ao fluxo sanguíneo nas artérias uterinas e umbilicais está normal. O fluxo está aumentado na maioria dos vasos fetais, sendo a A. cerebral média a que tem melhor resultado. Cardiotocografia Padrão sinusoidal. Acompanhamento Igor Mecenas Gestantes não sensibilizadas: PAi mensal e profilaxia com imunoglobulina Gestantes sensibilizadas sem histórico de DHPN e Títulos <16: determinação mensal Títulos >16: encaminhamento para setor especializado para pesquisa de anemia fetal. • Ausência de suspeita: retorno em 3-4 semanas, retorno imediato em caso de redução da movimentação fetal. • Presença: Cordocentese com dosagem de Hb e transfusão intrauterina; Plasmaférese materna; Imunoglobulina intravenosa (0,4 g/kg por 3 dias consecutivos, repetir a cada 3 semanas); Parto entre 34 e 37 semanas nos que foram tratados com transfusão intrauterina. Conduta Igor Mecenas 300µg de imunoglobulina anti-D é suficiente para neutralizar uma hemorragia feto-materna grave. Deve ser administrada, quando o parceiro for RhD-positivo, em: • Gestantes RdD-negativo não sensibilizadas com 28 semanas de gestação • Pós-parto de recém-nascido RhD-positivo ou D-fraco (até 72h) • Abortamento • Gravidez molar • Gestação ectópica • Óbito intrauterino • Após procedimento invasivo • Síndromes hemorrágicas durante a gestação • Trauma abdominal • Versão cefálica externa • Após transfusão de sangue incompatível Prevenção Igor Mecenas