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Resumo sobre Distócia de Ombros A distócia de ombros é uma complicação obstétrica que ocorre durante o parto, caracterizada pela dificuldade na saída do corpo do feto após a cabeça ter sido expelida. Essa condição é identificada quando há um intervalo de pelo menos 60 segundos entre a saída da cabeça e a do restante do corpo, e é frequentemente associada à impactação do ombro fetal anterior atrás da sínfise púbica materna. O diagnóstico é feito quando o corpo do feto não emerge com tração moderada ou com o auxílio do puxo materno. Um sinal clínico importante é o "sinal da tartaruga", onde a cabeça do feto sai e depois recua, indicando a dificuldade na progressão do parto. Incidência e Fatores de Risco A incidência de distócia de ombros varia conforme a apresentação e o peso do feto. Em fetos em apresentação cefálica, a incidência é de 0,6 a 1,4%. Para fetos com peso superior a 4500 gramas, a incidência em gestantes não diabéticas varia de 9,2 a 24%, enquanto em gestantes diabéticas, essa taxa aumenta para 19,5 a 50%. É importante notar que mais de 50% das distócias de ombro ocorrem em fetos com peso normal, desafiando a ideia de que apenas fetos grandes estão em risco. Os fatores de risco associados à distócia de ombros incluem: Macrossomia fetal : fetos com peso elevado. Diabetes Mellitus (DM) : especialmente em gestantes diabéticas. Obesidade materna : que pode complicar o parto. Multiparidade : histórico de múltiplas gestações. Pós-datismo : gestação que ultrapassa o termo. Histórico de macrossomia e/ou distócia de ombro : em gestações anteriores. Indução do trabalho de parto : que pode alterar a dinâmica do parto. Anestesia peridural : que pode afetar a força de contração. Uso de fórceps e vácuo-extrator : que podem aumentar o risco de complicações. Períodos de dilatação e expulsão prolongados : que podem levar a complicações. Baixa estatura materna : que pode limitar o espaço pélvico. Anomalias anatômicas da pelve : que podem dificultar a passagem do feto. Complicações e Manobras As complicações maternas da distócia de ombros incluem hemorragia pós-parto (11%), lacerações de 4º grau (3,8%), diástase da sínfise púbica, neuropatia femoral transitória e até ruptura uterina. Para o recém-nascido, as complicações podem ser ainda mais graves, incluindo lesões do plexo braquial, fraturas da clavícula e do úmero, encefalopatia hipóxico-isquêmica e, em casos extremos, óbito neonatal. Para lidar com a distócia de ombros, várias manobras podem ser empregadas, sendo algumas benéficas e eficazes, enquanto outras devem ser evitadas. As manobras nocivas, como a pressão fúndica e a tração da cabeça fetal, podem agravar a situação e predispor a rupturas uterinas. Em contraste, as manobras recomendadas visam aumentar o tamanho funcional da pelve e diminuir o diâmetro biacromial do bebê. Exemplos de manobras eficazes incluem: Manobra de McRoberts : envolve a flexão das coxas e o alinhamento vertical da pelve. Manobra de Rubin I : pressão suprapúbica que, quando combinada com a McRoberts, tem uma taxa de resolução de 60%. Manobra de Rubin II : adução e rotação interna do ombro impactado. Manobra de Woods Reversa : adução do ombro posterior seguida de rotação. Manobra de Jacquemier : remoção do ombro posterior para diminuir o diâmetro biacromial. Manobra de Gaskin : posicionamento da paciente em quatro apoios para facilitar a saída do feto. Um mnemônico útil para lembrar as manobras a serem realizadas é o "ALEERTA", que inclui ações como levantar as pernas (McRoberts), realizar episiotomia, manobras externas (Rubin I), remover o braço posterior, realizar manobras internas (Rubin II, Woods), e alterar a posição da paciente (Gaskin). Em situações extremas, manobras de última instância podem ser necessárias, como fratura proposital da clavícula ou cirurgia abdominal. Destaques A distócia de ombros ocorre quando há dificuldade na saída do corpo do feto após a cabeça ter sido expelida. A incidência varia de 0,6 a 1,4% em fetos em apresentação cefálica, aumentando em fetos com peso elevado. Fatores de risco incluem macrossomia fetal, diabetes, obesidade materna e indução do trabalho de parto. Complicações podem afetar tanto a mãe quanto o recém-nascido, incluindo hemorragias e lesões neonatais. Manobras eficazes, como McRoberts e Rubin, são essenciais para resolver a distócia de ombros, enquanto manobras nocivas devem ser evitadas.