Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Nódulos tireoidianos (NT) são um achado clínico 
comum, com prevalência de 3 a 7% com base na 
palpação. 
 
À ultrassonografia (US), a prevalência de NT na 
população geral é estimada em 20 a 76%, percentual 
similar ao relatado em estudos de necropsia. Além 
disso, em 20 a 48% dos pacientes com um nódulo 
tireoidiano palpável, são encontrados outros nódulos na 
investigação por US. Os NT são mais comuns em 
pessoas idosas, em mulheres, em indivíduos com 
deficiência de iodo e naqueles com história de 
exposição à radiação. 
A grande importância no manuseio dos NT, apesar de a 
maioria representar lesões benignas, é descartar a 
possibilidade de câncer da tireoide, que ocorre em 5 a 
10% dos casos em adultos e em até 26% em crianças. 
Esses percentuais não diferem significativamente se a 
glândula apresentar um nódulo único ou múltiplos 
nódulos. Causas de NT: 
• Bócio coloide ou adenomatoso 
• Cistos simples ou secundários a outras lesões 
da tireoide 
• Tireoidites (Hashimoto, linfocítica, 
granulomatosa, aguda ou de Riedel) 
• Doenças granulomatosas 
• Neoplasias: adenomas, carcinomas, linfomas, 
tumores raros, lesões metastáticas 
• Doença tireoidiana policística 
As causas mais frequentes de NT são cistos 
coloides e tireoidites (80% dos casos), além de 
neoplasias foliculares benignas (10 a 15%) e carcinoma 
(5 a 10%). O mecanismo de formação de NT é 
pobremente entendido. Embora o TSH seja o principal 
estimulador da função celular tireoidiana normal, seu 
papel como fator de crescimento na doença nodular é 
controverso. Outros fatores de crescimento atuam 
diretamente nas células foliculares, porém a relação 
entre esses fatores e o TSH é complexa e ainda pouco 
compreendida. Parece que tais fatores estão também 
envolvidos em mutações que, em muitos casos, 
determinariam o surgimento da doença nodular 
tireoidiana. 
 
Diagnóstico 
NT mostram-se, em geral, de evolução insidiosa e 
assintomática, sendo frequentemente descobertos em 
exame clínico de rotina, ou acidentalmente, em 
avaliações por imagens da região cervical anterior, 
caracterizando os chamados incidentalomas 
tireoidianos. Estes últimos são, geralmente, não 
palpáveis e têm diâmetro < 1 cm. 
Quando se detecta um nódulo na tireoide, qualquer que 
seja o modo de identificação inicial, é fundamental 
descartar a possibilidade de neoplasia maligna e 
caracterizar o status funcional e anatômico da glândula. 
Essa investigação inclui uma história clínica completa e 
um exame clínico cuidadoso, além dos testes de função 
tireoidiana, exames de imagem e, se necessário, 
punção aspirativa com agulha fina (PAAF). 
Fatores que interferem no risco para malignidade: 
Moderada suspeita 
• Idade < 20 anos ou > 70 anos 
O câncer da tireoide é mais comum em crianças (10 a 
26% dos nódulos são malignos) e pessoas idosas, mas 
a maioria das lesões nodulares nessa faixa etária é 
benigna. 
• Sexo masculino 
Embora nódulos sejam oito vezes mais comuns em 
mulheres, o risco de malignidade no sexo masculino é 
duas a três vezes maior. 
• História de radioterapia de cabeça ou pescoço 
• Nódulo > 4 cm 
• Presença de sintomas compressivos 
Sintomas como rápido crescimento do nódulo, 
rouquidão persistente ou mudança da voz e, mais 
raramente, disfagia e dor podem indicar invasão tissular 
local por um tumor. Entretanto, pacientes com Ca de 
tireoide em geral evoluem sem sintomas. Lesões 
benignas mais vascularizadas podem apresentar rápido 
crescimento e dor em decorrência de hemorragia 
intranodular, achado mais frequente em neoplasias 
benignas, como os adenomas. A disfunção do nervo 
recorrente laríngeo, em 17 a 50% dos casos, resulta de 
patologias tireoidianas sem malignidade 
Alta suspeita 
• História familiar de carcinoma medular ou 
neoplasia endócrina múltipla 
• Prévia radioterapia de cabeça ou pescoço 
• Crescimento rápido, especialmente durante a 
terapia supressiva com L-tiroxina 
• Nódulo muito firme ou endurecido 
• Fixação do nódulo às estruturas adjacentes 
• Paralisia das cordas vocais 
• Linfadenopatia satélite 
endocrinologia: 
nódulos tireoidianos
Igor Mecenas 
• Metástase a distância 
Doenças associadas: embora os dados da literatura 
sejam controversos sobre o tema, existem evidências 
de maior prevalência de nódulos tireoidianos e Ca de 
tireoide em pacientes com doença de Graves, em 
comparação à população geral. Da mesma forma, foi 
relatado que um nódulo em paciente com tireoidite 
autoimune teria um risco significativamente maior de ser 
maligno. Uma possível explicação seria o fato de que 
TSH e TRAb têm efeitos mitogênicos e antiapoptóticos 
sobre as células foliculares tireoidianas. Por outro lado, 
a maioria dos casos do raro linfoma primário da tireoide 
ocorre em pacientes com TH17. 
Outros fatores: história familiar de Ca de tireoide ou 
síndromes hereditárias como neoplasia endócrina 
múltipla (MEN) do tipo 2, síndrome de Cowden, 
síndrome de Pendred, síndrome de Werner, polipose 
adenomatosa familiar, radioterapia externa do pescoço 
durante a infância ou adolescência. 
Em um estudo foi relatado que, quanto mais elevado o 
TSH, maior o risco de o nódulo ser maligno. 
A avaliação de um paciente com um ou mais NT deve 
incluir o exame detalhado do pescoço, com especial 
ênfase para algumas características do nódulo 
(tamanho, consistência, mobilidade e sensibilidade) 
e adenopatia cervical. Nódulo solitário, de consistência 
endurecida, pouco móvel à deglutição e associado à 
linfadenomegalia regional representa um achado 
bastante sugestivo de câncer, embora essas 
características sejam pouco específicas. 
Na interpretação do exame físico cervical, algumas 
considerações são importantes: 
• A consistência do nódulo pode ser enganosa, 
uma vez que alguns adenomas hemorrágicos ou 
calcificados têm aparência suspeita à palpação, 
e carcinomas papilíferos eventualmente se 
apresentam com consistência cística. 
• A palpação da tireoide tem baixa sensibilidade 
para identificar nódulos, assim como determinar 
o número real de nódulos presentes. Na 
realidade, a US detecta nódulos (um terço dos 
quais com mais de 2 mm) em pacientes com 
exame cervical normal. Além disso, não 
raramente, a palpação pode indicar a existência 
de nódulos que, posteriormente, não são 
confirmados pela US, bem como 
frequentemente subestimar a quantidade de 
nódulos. 
• A tireoidite de Hashimoto (TH) pode parecer 
aderente às estruturas locais, e a rara tireoidite 
de Riedel tem consistência pétrea, além de ser 
localmente invasiva. Doença benigna da tireoide 
já foi demonstrada em 30% de nódulos 
endurecidos ou com aparente fixação às 
estruturas locais. 
• Linfonodos cervicais são encontrados em cerca 
de 25 a 33% dos pacientes com Ca papilífero, 
mas já foram relatados em igual percentual de 
pacientes com doenças benignas. 
 
Avaliação Laboratorial 
A dosagem de TSH e T4 livre deve obrigatoriamente 
fazer parte da avaliação inicial. A maioria dos 
pacientes com Ca de tireoide se apresenta eutireóidea. 
O achado de hipertireoidismo em paciente com bócio 
nodular é um forte indicativo contra o diagnóstico de 
neoplasia maligna. 
Anticorpos antitireoperoxidase (anti-TPO), em títulos 
elevados, confirmam o diagnóstico de TH, mas não 
descartam a concomitância de uma neoplasia 
tireoidiana. 
A elevação da calcitonina sérica (sCT) é o achado 
mais característico do Ca medular da tireoide (CMT). A 
mensuração de rotina da sCT em todos os pacientes 
com nódulos tireoidianos (NT) não selecionados ainda 
é motivo de debate, principalmente devido à raridade do 
CMT. Ela é, contudo, realizada na Europa, onde os 
estudos demonstram que o diagnóstico mais precoce do 
CMT possibilita um melhor prognóstico. Dosagem da 
sCT é imperativa em pacientes com histórico ou 
suspeita clínica de CMT familiar ou MEN-2. Também é 
recomendada se os resultados citológicos das amostras 
obtidas por PAAF forem sugestivos de CMT, em casos 
de amostras citológicas insatisfatórias e em pacientes 
com bócio nodular a serem submetidos à tireoidectomia,para evitarmos que o paciente se submeta a uma 
abordagem cirúrgica menos extensa do que a 
necessária (p. ex., lobectomia, em vez de tireoidectomia 
total). Vale a pena salientar que os níveis de calcitonina 
podem estar aumentados em pacientes com tumores 
endócrinos do pâncreas e pulmão, insuficiência renal, 
doença autoimune tireoidiana ou hipergastrinemia (p. 
ex., resultante da terapia com inibidores da bomba de 
prótons). Outros fatores que provocam aumento de 
calcitonina são consumo de álcool, tabagismo, sepse, 
bem como anticorpos heterofílicos anticalcitonina. Além 
disso, sexo, idade, peso, aumento dos níveis de cálcio 
e o ensaio em si também afetam a concentração sérica 
da calcitonina. 
 
Avaliação por Imagem 
Cintilografia 
A cintilografia com radioiodo ou tecnécio tem pouco 
valor para distinguir lesões malignas de benignas. 
A maior parte dos nódulos mostra-se hipocaptante 
(frios) ou normocaptante à cintilografia (> 90%), porém 
não mais do que 15% dos nódulos “frios” são malignos. 
Em contrapartida, é excepcional o achado de 
malignidade em nódulos “quentes” ou hipercaptantes (1 
a 2%). 
 
Devido a sua baixa especificidade, a cintilografia deve 
ser reservada para algumas situações específicas. A 
principal indicação seria a patologia nodular associada 
ao hipertireoidismo, para um preciso diagnóstico do 
adenoma tóxico ou do bócio multinodular tóxico. Em 
caso de nódulo normo ou hipocaptante, deverá ser 
seguido o protocolo de investigação com PAAF, mesmo 
quando detectado em pacientes com a doença de 
Graves. Nos casos com diagnóstico citológico de 
neoplasia folicular ou suspeito de neoplasia folicular, a 
cintilografia com radioiodo ou tecnécio poderá ser 
realizada na tentativa de se identificar um adenoma 
hipercaptante autônomo, o que afastaria a malignidade. 
Deve-se também considerar a utilização da cintilografia 
para descartar autonomia de nódulo(s) tireoidiano(s) em 
pacientes com TSH suprimido, bem como diante da 
suspeita de tecido tireoidiano ectópico ou bócio 
retroesternal. É preciso estar igualmente atento à 
ocorrência de hemiagenesia tireoidiana congênita que 
pode simular a presença de bócio nodular (devido ao 
aumento compensatório do lobo único) e que, à 
cintilografia, pode se manifestar com um nódulo 
autônomo. A associação de hemiagenesia tireoidiana 
com doença de Graves, tireoidite de Hashimoto ou Ca 
de tireoide já foi relatada. 
 
 
Ultrassonografia 
A US da tireoide é o melhor exame de imagem para a 
detecção de nódulos, com sensibilidade de 
aproximadamente 95%, superior a outros métodos mais 
sofisticados, como a TC e a RM. Além disso, não 
raramente, ela modifica a conduta clínica baseada 
apenas no exame da palpação tireoidiana. A US torna 
possível a visualização de nódulos não palpáveis, avalia 
com precisão as características desses nódulos 
(volume, número) e diferencia cistos simples, que têm 
baixo risco de malignidade, de nódulos sólidos ou 
mistos. 
Além disso, a US pode também servir como guia para 
procedimentos diagnósticos (p. ex., PAAF) e 
terapêuticos (p. ex., aspiração de cistos, injeção de 
etanol e terapia com laser), assim como o 
monitoramento de crescimento do nódulo. 
A grande maioria (82 a 91%) dos cânceres de tireoide 
são sólidos ou com pouco conteúdo cístico. A presença 
do artefato “cauda de cometa” (seta) indica benignidade 
para o nódulo. 
 
De acordo com a ecogenicidade, os nódulos sólidos 
podem ser classificados como isoecoicos (com 
amplitude de ecos igual à do parênquima tireoidiano 
normal), hipoecoicos (com amplitude de ecos menor do 
que o parênquima tireoidiano normal) ou hiperecoicos 
(amplitude de ecos maior do que o parênquima 
tireoidiano normal). A baixa ecogenicidade isolada é 
uma característica ultrassonográfica importante, com 
valor preditivo positivo para malignidade de 50 a 63%. 
Os nódulos sólidos isoecoicos, que representam 3 a 
25% dos nódulos, são malignos em 7 a 25% dos casos. 
Já os nódulos sólidos hiperecoicos, que representam 
20% das lesões nodulares, são malignos em 1,3 a 4% 
dos casos. 
Os carcinomas bem diferenciados totalmente sólidos 
são hipoecoicos em 55 a 95% dos casos. Além de 
hipoecogenicidade, outras características 
ultrassonográficas são associadas a maior risco de 
malignidade. De fato, as especificidades relatadas para 
prever malignidade foram de 41,4 a 92,2% para 
marcante hipoecogenicidade; 44,2 a 95% para 
microcalcificações; 48,3 a 91,8% para margens 
infiltrativas, irregulares ou microlobuladas; e cerca de 
80% para o arranjo caótico ou imagens vasculares 
intranodulares. Outros achados são fluxo sanguíneo 
intranodular aumentado ao Doppler colorido, aumento 
do diâmetro anteroposterior em relação ao transverso e, 
particularmente, a presença de adenomegalia regional 
suspeita. 
TI-RADS 
Composição: 
• 0 = Cístico ou quase completamente cístico 
• 0 = Espongiforme: Predominantemente (>50%) 
de pequenos espaços císticos. 
• 1 = Mista cística e sólida: Pontuar a partir do 
componente predominante 
• 2 = Sólido ou quase completamente sólido 
• Dar 2 pontos se a composição não puder ser 
determinada por causa de calcificação. 
Ecogenicidade: 
• 0 = Anecoico: Nódulos císticos ou quase 
completamente císticos 
• 1 = Hiperecoico ou isoecoico: Comparado ao 
parênquima adjacente 
• 2 = Hipoecoico 
• 3 = Muito hipoecoico: mais hipoecoico que os 
músculos infratireoideos 
• Dar 1 ponto se a ecogenicidade não puder ser 
determinada 
Formato: Na imagem transversa com medidas 
paralelas à onda sonora para altura e perpendiculares 
para a largura. 
• 0 = Mais largo que alto 
• 3 = Mais alto que largo 
Margens: 
• 0 = Lisa 
• 0 = Pouco definida 
• 2 = Lobulada (protrusões para dentro do tecido 
adjacente) ou irregular (denteado, espiculado ou 
com ângulos agudos) 
• 3 = Extensão extra-tireoidena: Invasão óbvia = 
malignidade 
• Dar 0 pontos se as margens não podem ser 
determinadas 
Foco ecogênico: 
• 0 = Nenhum ou grandes artefatos em cauda de 
cometa: Formato de V, >1 mm, em 
componentes císticos 
• 1 = Macrocalcificações: Causa sombra acústica 
• 2 = Calcificações periféricas: Completas ou 
incompletas ao longo da margem 
• 3 = Foco ecogênico pontual: Pode ter pequenos 
artefatos em cauda de cometa 
SOMAR OS PONTOS DE TODAS AS CATEGORIAS 
PARA DETERMINAR O NÍVEL TI-RADS: 
• 0 = TR1 = Benigno 
• 2 = TR2 = Sem suspeitas 
• 3 = TR3 = Baixa suspeita. PAAF se ≥ 2,5 cm, 
seguir se ≥ 1,5 cm 
• 4 a 6 = TR4 = Moderadamente suspeito. PAAF 
se ≥ 1,5 cm, seguir se ≥ 1 cm. 
• 7 ou mais = TR5 = Altamente suspeito. PAAF se 
≥1 cm, seguir se ≥0,5 cm (discutir possibilidade 
de microcarcinoma papilar) 
Chammas 
A classificação proposta por Chammas et al. separa os 
nódulos em cinco padrões, de acordo com os achados 
do Doppler colorido: 
• Padrão I: Ausência de vascularização 
 
• Padrão II: Apenas vascularização periférica 
 
• Padrão III: Vascularização periférica maior ou 
igual à central 
 
 
• Padrão IV: Vascularização central maior do que 
a periférica 
 
• Padrão V: Apenas vascularização central. 
 
Os padrões I e II são característicos das lesões 
benignas, enquanto os padrões IV e V têm maior 
probabilidade de malignidade. Em estudo brasileiro, os 
padrões IV e V de Chammas mostraram sensibilidade 
de 16,7%, especificidade de 97,6% e acurácia de 
92,1%. Em outros estudos, o Doppler quantitativo 
apresentou sensibilidade e especificidade em torno de 
90% na distinção entre nódulos benignos e malignos. 
É importante ressaltar que: 
(1) os achados ultrassonográficos citados 
anteriormente não possibilitam distinguir com 
certeza as lesões benignas das malignas; 
(2) calcificações são também encontradas no 
bócio adenomatoso, tireoidite de Hashimoto 
e neoplasias benignas; 
(3) embora a maioria das neoplasias malignas 
tenha fluxo central aumentado, esse achado 
também é encontrado em lesões benignas. 
No entanto, a presença de um nódulo sólido hipoecoico, 
com contornos irregulares e microcalcificações em seu 
interior é altamentesugestivo de malignidade. Em uma 
série brasileira, o conjunto desses achados teve 
sensibilidade de 47,2% e especificidade de 97%. 
Classicamente, nódulos císticos são considerados 
benignos. Contudo, a presença de vegetação sólida, 
vascularizada, de localização intracística pode indicar 
malignidade em cerca de 50% dos casos. Além disso, 
aproximadamente 25% dos carcinomas papilíferos 
contêm elementos císticos em seu interior. 
Na exploração dos linfonodos cervicais, a configuração 
de sua forma e o seu padrão ecotextural podem auxiliar 
na identificação de lesões suspeitas de malignidade. 
Linfonodos com diâmetro > 5 mm que apresentem 
calcificações finas e/ou degeneração cística em seu 
interior têm quase sempre uma etiologia maligna. Na 
ausência dessas características, o achado de forma 
arredondada, ausência de hilo e contornos irregulares 
ou espiculados são também fortes indicativos de 
malignidade. Em contrapartida, a detecção de 
linfonodos de forma alongada com mediastino 
ecogênico indica benignidade. A análise do fluxo 
sanguíneo pelo Doppler ajuda no diagnóstico 
diferencial, revelando hipervascularização periférica ou 
mista nos casos malignos 
 
Punção Aspirativa com Agulha 
Fina 
A PAAF é o melhor método para diferenciação entre 
lesões benignas e malignas da tireoide, sendo 
tecnicamente simples e de fácil execução ambulatorial. 
 
A PAAF representa o procedimento mais sensível e 
específico para o diagnóstico etiológico dos 
nódulos tireoidianos, com sensibilidade de 68 a 98% 
(média de 83%), e especificidade de 72 a 100% (média 
de 92%). A taxa média relatada de falso-negativos em 
PAAF guiadas por palpação variou de 1 a 11% (média 
de 5%). No entanto, com o uso da PAAF guiada por US 
(US-PAAF), essa proporção baixa para 
aproximadamente 1 a 2% e diminui ainda mais com 
repetidas US-PAAF. Os erros mais comuns ocorrem em 
lesões > 4 cm ou < 1 cm, assim como nos nódulos 
císticos. A incidência relatada de resultados falso-
positivos varia de menos de 1 a 7,7%. 
A PAAF tem como principal limitação diagnóstica a 
distinção das neoplasias foliculares e as de células de 
Hürthle quanto a sua natureza benigna ou maligna. 
Entre as lesões malignas, o carcinoma papilífero é o 
mais comum e o mais facilmente diagnosticado pela 
citologia, com raríssimos resultados falso-negativos. 
Na indicação para PAAF deve-se levar em conta o 
tamanho do nódulo e, sobretudo, seu aspecto 
ultrassonográfico. Nódulos <1 cm, a princípio, não 
devem ser puncionados, exceto em indivíduos com 
padrão ultrassonográfico de alto risco ou se houver 
adenomegalia cervical de aspecto não reacional. Tal 
abordagem se baseia nas dificuldades técnicas para a 
adequada coleta da amostra (maior risco de falso-
negativo ou amostra insatisfatória) e, sobretudo, no 
habitual bom prognóstico do microcarcinoma tireoidiano 
(< 1 cm). 
Sistema Bethesda 
Nos últimos anos, de uma forma mais ampla, passou-
se a adotar em nosso país o sistema Bethesda para a 
classificação dos laudos citopatológicos, o qual propicia 
maior uniformidade dos mesmos, além de permitir uma 
estimativa do risco de malignidade (RM). 
I. Amostra não diagnóstica (1 a 4%) 
II. Benigno (0 a 3%) 
III. Atipia de significado indeterminado (AUS) ou lesão 
folicular de significado indeterminado (FLUS) (5 a 
15%) 
IV. Neoplasia folicular (FN) ou suspeito de neoplasia 
folicular (SFN) (15 a 30%) 
V. Suspeito para malignidade (60 a 75%) 
VI. Maligno (97 a 99%) 
 
Conduta 
Condutas na avaliação de um nódulo tireoidiano variam 
de um serviço a outro. No entanto, hoje é consenso que 
a PAAF representa o principal exame de investigação e, 
sempre que possível, deve ser guiada por US. A 
conduta por nós adotada está esquematizada na Figura: 
 
Inicialmente, solicitamos TSH, T4 livre e US. Na 
ausência de hipertireoidismo, todo nódulo sólido ou 
predominantemente sólido ≥ 1 cm (ou ≥ 1,5 cm, se for 
de baixo risco) deve ser puncionado. No caso de 
nódulos menores (≥ 0,6 e < 1 cm), só indicamos PAAF 
se houver imagens ultrassonográficas suspeitas de 
malignidade no nódulo ou em um ou mais linfonodos 
cervicais. Na dependência do laudo citopatológico, o 
caso será assim conduzido: 
• Categoria VI (maligno): 
Indicamos tireoidectomia total (TT), na grande maioria 
das vezes seguida de ablação do tecido tireoidiano 
remanescente com iodo radioativo, 8 a 12 semanas 
após cirurgia. 
• Categoria V (suspeito de malignidade): d 
Deve-se repetir a PAAF e, mantendo-se o diagnóstico, 
a conduta é sempre cirúrgica devido ao estimado risco 
de 60 a 75% para malignidade. Em alguns estudos, 
esse risco foi confirmado em até 87% das vezes à 
histopatologia. 
• Categoria IV (FN/SFN): 
Deve-se repetir a PAAF e, diante da manutenção do 
resultado, costumamos indicar cirurgia, sobretudo nos 
pacientes com aspectos ultrassonográficos de maior 
risco, e cujo nódulo não seja hipercaptante à 
cintilografia. Nesta categoria, o risco estimado de 
malignidade é de 15 a 30% e, entre os pacientes 
submetidos à cirurgia, situou-se entre 16 e 33% (média 
de 26%). Se disponíveis, os testes genéticos podem ser 
muito úteis na decisão cirúrgica. De fato, nódulos 
citologicamente classificados como AUS/FLUS ou 
FN/SFN, e que sejam positivos para mutações de 
BRAFV600E, RET/PTC ou PAX8/PPARc, têm um risco 
estimado de malignidade > 95% e devem, pois, ser 
considerados como categoria similar a carcinoma da 
tireoide citologicamente confirmado. No entanto, um 
achado negativo não exclui malignidade (44 a 100% de 
sensibilidade). 
• Categoria III (AUS/FLUS): 
Deve-se repetir a PAAF e, diante da manutenção do 
resultado, costumamos indicar cirurgia, na dependência 
dos fatores de risco, aspectos ultrassonográficos e 
preferência do paciente. Nesta situação, entre 
pacientes submetidos à cirurgia, o risco de malignidade 
variou de 6 a 48% (média de 16%). Uma outra opção 
bastante interessante, se disponível, seriam os testes 
moleculares. 
• Categoria II (benigno): 
O seguimento do paciente poderá ser feito com US, 
inicialmente a cada ano e depois em intervalos maiores. 
Costumamos repetir a PAAF uma vez, após 12 meses 
(particularmente, nos pacientes com aspecto de maior 
suspeita à US). As recentes diretrizes da ATA 
recomendam repetir a PAAF apenas diante da detecção 
de crescimento nodular > 20% em pelo menos duas 
dimensões, aumento no volume total > 50% ou 
aparecimento de características ultrassonográficas 
sugestivas de malignidade. Se a segunda amostra 
citológica for benigna, as chances de falso-negativo 
para malignidade são praticamente nulas e não há 
necessidade de avaliações ultrassonográficas 
posteriores 
• Categoria I (não diagnóstico ou insatisfatório): 
Submetemos o paciente à nova PAAF (sempre guiada 
por US), que possibilitará a definição diagnóstica em 
cerca de 60 a 80% dos casos, sobretudo quando o 
componente cístico for < 50%. Persistindo a indefinição, 
indicamos a cirurgia para os pacientes considerados de 
alto risco pela avaliação clínica e ultrassonográfica (p. 
ex., presença de sintomas compressivos; nódulos ≥ 4 
cm ou nódulos menores que apresentem aspectos de 
suspeita maior para malignidade à US). Os demais 
pacientes poderão ser acompanhados clinicamente, 
com seguimento periódico por meio de US. 
 
No caso de nódulos puramente císticos, não está 
indicada PAAF, exceto quando são muito 
volumosos ou quando está programada 
alcoolização. Indicamos cirurgia para os cistos 
recidivantes e mais volumosos, bem como para aqueles 
em que haja uma vegetação sólida intracística à US. 
Seguem-se clinicamente, pela US, cistos menores, 
aqueles que permaneceram colabados ou que foram 
tratados com etanol. 
 
Referências: 
VILAR – Endocrinologia Clínica

Mais conteúdos dessa disciplina