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2016
Gestão de Custos no
setor PúbliCo
Prof. José Alfredo Pareja Gomez de La Torre
Copyright © UNIASSELVI 2016
Elaboração:
Prof. José Alfredo Pareja Gomez de La Torre
Revisão, Diagramação e Produção:
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri
UNIASSELVI – Indaial.
Impresso por:
658.1552
T689g Torre, José Alfredo Pareja Gomez de La
Gestão de custos no setor público/ José Alfredo Pareja
Gomez de La Torre. Indaial : UNIASSELVI, 2016.
196 p. : il.
ISBN 978-85-7830-951-0
1. Análise de Custos - Controle.
I. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.
III
ApresentAção
A gestão de custos para qualquer atividade econômica, seja privada
ou pública, é uma ferramenta fundamental de análise e controle do uso de
recursos para as diversas atividades das organizações. No âmbito público
não é diferente, uma gestão de custos eficaz traz clareza e transparência à
gestão das entidades ao serviço do cidadão, podendo se observar e analisar
tanto a eficiência como a eficácia na aplicação do gasto público.
Desde a implantação do Plano Real e controle das despesas públicas,
a análise de custos teve grandes mudanças e inovações, principalmente,
desde a inclusão da gestão de custos nos artigos da Lei de Responsabilidade
Fiscal. Assim, a qualidade do gasto público é uma questão que todo gestor
público deve levar em conta nas suas atividades, principalmente se levarmos
em consideração que o funcionário público é responsável pelo patrimônio de
todos os brasileiros, cabe ao cidadão reclamar seus direitos e exigir sempre
qualidade do gasto da gestão pública.
Neste Caderno de Estudos, convido você a ter um aprendizado sobre
a análise de custos. Na primeira unidade estudaremos como os custos estão
estruturados e como são interpretados no setor público. Na unidade 2 iremos
estudar como os custos são apurados nas entidades públicas, assim como
analisaremos quais são os sistemas de custos mais usados nas entidades
públicas. Na última unidade abordaremos como a análise de custos ajuda a
tomar decisões importantes no que tange à geração de resultados econômicos,
eficiência em custos e eficácia na gestão pública.
Estes conhecimentos, com certeza, vão lhe trazer competências
profissionais que serão de grande ajuda nas suas projeções como profissional
da área pública, inclusive em áreas profissionais do setor privado, que
possuam algum tipo de vínculo com o setor público.
Caro acadêmico! Fique à vontade e aproveite o aprendizado deste
caderno e do material de apoio postado na Trilha de Aprendizagem de
seu Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Desejo-lhe sucesso no
estudo desta disciplina, na busca de seu projeto de vida, de se formar como
profissional competente da gestão pública.
Bons estudos!
Prof. José Alfredo Pareja Gomez de La Torre
IV
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apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
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UNI
V
VI
VII
UNIDADE 1 – ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO ........................... 1
TÓPICO 1 – ESTRUTURA GOVERNAMENTAL ............................................................................. 3
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 3
2 ESTRUTURA DA GESTÃO GOVERNAMENTAL ....................................................................... 4
2.1 GESTÃO PARA OFERECER SERVIÇOS PÚBLICOS ................................................................. 5
2.2 GESTÃO DO SETOR PÚBLICO .................................................................................................... 6
3 CONTABILIDADE GOVERNAMENTAL ....................................................................................... 8
3.1 A CONTABILIDADE GOVERNAMENTAL E SUA ESTRUTURA .......................................... 9
3.2 ESTRUTURA DO PLANO DE CONTAS DO SETOR PÚBLICO .............................................. 10
3.3 SISTEMA CONTÁBIL GOVERNAMENTAL .............................................................................. 13
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 14
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 15
TÓPICO 2 – TERMINOLOGIA DA ESTRUTURA DE CUSTOS .................................................. 17
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................................... 17
2 CONSUMO DE RECURSOS .............................................................................................................. 19
2.1 PROCESSO PRODUTIVO .............................................................................................................. 21
2.2 CONSUMO DE RECURSOS COMO CUSTOS ............................................................................ 22
2.3 CONSUMO DE RECURSOS COMO DESPESA .......................................................................... 23
2.4 INVESTIMENTO ............................................................................................................................. 23
3 APLICAÇÃO DOS CUSTOS E DAS DESPESAS .......................................................................... 25
3.1 CUSTOS DIRETOS .......................................................................................................................... 25
3.1.1 Custo direto de insumos ........................................................................................................ 26
3.1.2 Custo direto de mão de obra ................................................................................................. 26
3.2 CUSTOS INDIRETOS ...................................................................................................................... 27
3.2.1 Custos indiretos gerais ...........................................................................................................27
3.2.2 Custos indiretos de mão de obra .......................................................................................... 28
4 GESTÃO DE ESTOQUES ................................................................................................................... 29
4.1 AVALIAÇÃO DE ESTOQUES ........................................................................................................ 29
4.2 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES ............................................................................ 30
4.2.1 Classificação ABC dos estoques ............................................................................................ 31
4.2.2 Classificação dos materiais a serem estoqueados .............................................................. 32
4.3 A GESTÃO DOS ESTOQUES E O FLUXO DOS CUSTOS ......................................................... 33
4.4 CRITÉRIOS DE RATEIO PARA DISTRIBUIÇÃO DE CUSTOS INDIRETOS ......................... 34
4.4.1 Aplicação do rateio ................................................................................................................. 36
5 ESTRUTURA DOS CUSTOS E GASTOS ........................................................................................ 41
5.1 CUSTOS VARIÁVEIS E FIXOS ...................................................................................................... 41
5.2 DINÂMICA DOS CUSTOS VARIÁVEIS E FIXOS ...................................................................... 42
5.3 CUSTO UNITÁRIO MÉDIO .......................................................................................................... 43
5.3.1 Comportamento dos custos na oferta de um serviço ........................................................ 44
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 46
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................................. 47
sumário
VIII
TÓPICO 3 – CONTEXTO HISTÓRICO DOS CUSTOS DO SETOR PÚBLICO ......................51
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................51
2 EVOLUÇÃO DA ANÁLISE DE CUSTOS NO CONTEXTO GOVERNAMENTAL .............52
2.1 LEGISLAÇÃO DE CUSTOS DO SETOR PÚBLICO .................................................................53
3 GESTÃO DE CUSTOS NA ESTRUTURA FEDERATIVA DO BRASIL ..................................53
3.1 MARCO GERAL DOS CUSTOS DO SETOR PÚBLICO ..........................................................54
3.2 GOVERNO FEDERAL, ESTADOS E MUNICÍPIOS .................................................................55
3.4 COMPARATIVO DE ESTRUTURA DE CUSTOS FEDERAL DOS ESTADOS UNIDOS ....58
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................60
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................62
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................63
UNIDADE 2 – SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO .................................................65
TÓPICO 1 – ANÁLISE DA ESTRUTURA DE CUSTOS ................................................................67
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................67
2 DEPARTAMENTALIZAÇÃO E CENTRO DE CUSTOS ............................................................67
2.1 DEPARTAMENTALIZAÇÃO POR ÁREAS FUNCIONAIS ....................................................70
3 SISTEMAS DE CUSTOS APLICADO AO SETOR PÚBLICO ..................................................71
3.1 ACUMULAÇÃO DE CUSTOS .....................................................................................................72
3.2 PREDETERMINAÇÃO DE CUSTOS ..........................................................................................73
3.3 MÉTODOS DE CUSTEIO .............................................................................................................74
3.4 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE) .............................................74
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................76
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................77
TÓPICO 2 – MÉTODOS DE CUSTEIO . ...........................................................................................79
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................79
2 MÉTODO DE CUSTEIO POR ABSORÇÃO .................................................................................80
2.1 CRITÉRIO DO MÉTODO POR ABSORÇÃO .............................................................................80
2.2 EXEMPLIFICAÇÃO DO MÉTODO POR ABSORÇÃO ...........................................................82
3 MÉTODO DE CUSTEIO VARIÁVEL .............................................................................................86
3.1 DEFINIÇÃO DA MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO .................................................................87
3.2 OS CUSTOS E SUA DINÂMICA NA ANÁLISE DOS CUSTOS VARIÁVEIS E FIXOS ......88
3.3 ANÁLISE DOS CUSTOS PELO MÉTODO DE ABSORÇÃO E PELO
MÉTODO VARIÁVEL ...................................................................................................................91
3.3.1 Variações nos volumes vendidos e produzidos ...............................................................94
4 MÉTODO DE CUSTEIO ABC E SUA APLICABILIDADE NO SETOR PÚBLICO ..............97
4.1 CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADES (ABC) ........................................................................98
4.2 IDENTIFICAÇÃO DE CUSTOS E CONSUMO DE RECURSOS POR ATIVIDADES .........100
4.2.1 Atividades ..............................................................................................................................100
4.2.2 Direcionadores de custos .....................................................................................................101
4.2.3 Diferenças entre o método abc e o método por absorção ...............................................103
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................105
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................106
TÓPICO 3 – PONTO DE EQUILÍBRIO NA ESTRUTURA DE CUSTOS
DO SETOR PÚBLICO ....................................................................................................109
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................109
2 PONTO DE EQUILÍBRIO .................................................................................................................109
IX
2.1 EXEMPLIFICAÇÃO DO PONTO DE EQUILÍBRIO .................................................................110
2.2 PONTO DE EQUILÍBRIO OPERACIONAL (PEO) ..................................................................111
2.2.1 A margem de contribuição unitária e o PEO ....................................................................113
2.2.2 O deslocamento do PEO para um novo patamar ............................................................114
3 OS RISCOS DE MUDANÇAS NO PEO E MARGENS DE SEGURANÇA ............................115
3.1 DINÂMICA DO RISCO DE GERAR LUCRO COM QUEDA NAS RECEITAS ...................116
3.2 MARGENS DE SEGURANÇA .....................................................................................................1203.3 PONTO DE EQUILÍBRIO COM MAIS DE UM PRODUTO ...................................................121
4 PONTO DE EQUILÍBRIO ECONÔMICO – PPE..........................................................................125
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................128
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................130
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................131
UNIDADE 3 – APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO.......................133
TÓPICO 1 – ESTRUTURA DE PREÇOS NAS LICITAÇÕES E
DESEMPENHO ECONÔMICO ...................................................................................135
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................135
2 ELEMENTOS BÁSICOS PARA COMPRAS E CONTRATAÇÕES ..........................................136
2.1 O PROJETO BÁSICO .....................................................................................................................137
2.2 TERMO DE REFERÊNCIA ...........................................................................................................138
3 ESTRUTURAÇÃO DE PREÇO BASE PARA LICITAÇÕES ......................................................139
3.1 AQUISIÇÕES DE MATERIAIS E SERVIÇOS ............................................................................139
4 ESTRUTURA DE PREÇO E DRE ECONÔMICO DO SETOR PÚBLICO ...............................141
4.1 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO DE EXERCÍCIO - DRE
ECONÔMICO .................................................................................................................................141
4.2 RECEITA ECONÔMICA DO SERVIÇO PÚBLICO ..................................................................142
4.3 PROCURA DA EFICIÊNCIA NA GERAÇÃO DE CUSTOS NOS
SERVIÇOS PÚBLICOS ..................................................................................................................144
4.4 DESEMPENHO E O RESULTADO ECONÔMICO ..................................................................145
RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................148
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................149
TÓPICO 2 – PLANEJAMENTO DOS CUSTOS E DETERMINAÇÃO
DO ORÇAMENTO PÚBLICO ......................................................................................151
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................151
2 O PLANEJAMENTO DOS CUSTOS NO ORÇAMENTO GOVERNAMENTAL .................151
2.1 O CUSTO PLENO E O ORÇAMENTO ......................................................................................153
2.2 O CUSTO-PADRÃO E O ORÇAMENTO...................................................................................154
3 OS CUSTOS E A GESTÃO DO ORÇAMENTO BASE ZERO ...................................................158
3.1 DEFINIÇÃO DO ORÇAMENTO BASE ZERO .........................................................................159
3.2 APLICAÇÕES E VANTAGENS DO ORÇAMENTO BASE ZERO .........................................159
4 ANÁLISE DE CUSTO TOTAL E O ORÇAMENTO ....................................................................161
4.1 ANÁLISE PRÁTICA DOS CUSTOS DE UM SERVIÇO PÚBLICO ........................................162
4.2 ANÁLISE PRÁTICA DOS CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS DE
UM SERVIÇO PÚBLICO...............................................................................................................163
RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................168
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................169
X
TÓPICO 3 – AVALIAÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO DO SERVIÇO PÚBLICO .......171
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................171
2 GESTÃO PÚBLICA POR RESULTADOS ......................................................................................171
3 O RESULTADO ECONÔMICO NO FORNECIMENTO DE SERVIÇOS PÚBLICOS .........174
3.1 EFICIÊNCIA OPERACIONAL E ECONÔMICA E EFICÁCIA DE GESTÃO ......................175
3.2 APRIMORAMENTO E CUSTO DE OPORTUNIDADE NA ÁREA DE SERVIÇOS............178
4 A AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO...............................................................................................183
4.1 A GESTÃO PÚBLICA POR RESULTADOS ...............................................................................184
4.1.1 Desempenho e eficiência econômica ..................................................................................186
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................190
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................193
AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................194
REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................195
1
UNIDADE 1
ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO
SETOR PÚBLICO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade, você será capaz de:
• identificar e ter uma perspectiva da dinâmica da administração pública;
• conhecer como está estruturada a contabilidade governamental;
• diferenciar custo, despesa e investimento;
• identificar quais são custos diretos e quais custos são indiretos, bem como
saber incorporar custos e despesas indiretas;
• saber sobre a evolução dos custos na gestão governamental, bem como os
desafios atuais desta.
Esta unidade está dividida em três tópicos e no final de cada um deles, você
poderá fazer as autoatividades respectivas, que, com certeza, irão ajudar a
fixar o conhecimento estudado.
TÓPICO 1 – ESTRUTURA GOVERNAMENTAL
TÓPICO 2 – TERMINOLOGIA DA ESTRUTURA DE CUSTOS
TÓPICO 3 – CONTEXTO HISTÓRICO DOS CUSTOS DO SETOR PÚBLICO
2
3
TÓPICO 1
UNIDADE 1
ESTRUTURA GOVERNAMENTAL
1 INTRODUÇÃO
Abordar o tema da análise de custos no setor público deve sempre levar
em conta tanto o aprimoramento de processos como a qualidade dos gastos,
visando sempre melhorar os serviços oferecidos pelo Estado à sociedade. Isso já é
feito em quase todas as nações modernas, mas desde uma perspectiva brasileira,
a administração pública está passando por profundas mudanças que demandam
a atenção de todos os cidadãos. Mudanças que visam melhorar a qualidade do
serviço público, assim como também fazer um combate aberto à corrupção.
O marco inicial dessas mudanças começou no final do século passado, com
a Emenda Constitucional nº 19, do ano de 1998, que coloca os princípios e normas
administrativas, com a função fundamental de fazer um controle das finanças
públicas, objetivando uma gestão eficiente com um gasto fiscal responsável e de
qualidade.
É neste ponto de gasto responsável e marco de lei que a administração
pública precisa de uma contabilidade de custos transparente e eficiente. Com isso
a análise de custos vem sendo uma ferramenta de apoio à tomada de decisões, ao
controle e transparência das atividades públicas.
Apesar de que a contabilidade de custos é uma necessidade de gestão para
qualquer organização, seja pública ou privada.No Brasil, os gestores públicos,
muitas vezes, não utilizam as informações de custos como base da gestão diária
de suas atividades, nesse sentido:
[...] não há uma preocupação com os dispositivos legais, como os da
Lei Federal nº 4.320, que desde 1964 já legisla a respeito e impôs no
artigo 99 que os serviços públicos manterão contabilidade especial
para determinação dos custos, ingressos e resultados, sem prejuízo da
escrituração patrimonial e financeira comum (MAUSS; SOUZA, 2008,
p. 3).
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
4
Como expressam os autores, no setor público, não há uma cultura de gestão
de custos como existe nas diversas necessidades do setor privado. Assim, não existe
um grande embasamento teórico. Por isso, entre outros motivos administrativos,
existem as diretrizes da Gestão Orçamentária do Estado. Nesse sentido, na Lei
Federal nº 4.320 e no Decreto-lei nº 200 estabelecem que a Administração Pública deve
manter sistemas de custos que possam permitir as avalições e acompanhamentos
necessários às atividades do Estado. Tudo isso por meio da gestão orçamentária,
financeira e patrimonial dos bens do Estado, ou seja, de todos os brasileiros.
Com essa base da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) ficou estabelecida
a necessidade e objetivo de exigir um controle de qualidade dos gastos incorridos
na atividade da gestão pública, assim como ficou clara a necessidade de
transparência das informações da administração do Estado.
No âmbito público os gestores devem se focar no resultado econômico
dos produtos e serviços oferecidos à sociedade. Isso quer dizer uma correta
diferenciação entre a receita e a somatória dos gastos em função da área pública
em questão, sendo assim:
As entidades públicas são legalmente obrigadas a apurar o seu
resultado e disponibilizar tais informações aos órgãos fiscalizadores
e para a sociedade como um todo. Eis o grande desafio para a
contabilidade e para o gestor público, imposto pela Lei Federal nº
4.320, artigos 83 e 85: organizar-se de forma a permitir a evidenciação
desse resultado (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 4).
Observando o exposto pelos autores, fica clara a necessidade de demonstrar
o resultado econômico com fins de mostrar-se uma gestão pública responsável, assim
como garantir à sociedade o equilíbrio das contas públicas. É nesse contexto do âmbito
público que vamos abordar os diversos tópicos que abrangem a teoria e prática da
gestão de custos desde uma ótica governamental, e para fazer isso devemos começar
conhecendo a Estrutura da Gestão Governamental.
2 ESTRUTURA DA GESTÃO GOVERNAMENTAL
O Estado como um todo possui a obrigação de prestar serviços públicos
de necessidade coletiva à comunidade. Em contrapartida, os cidadãos possuem a
obrigação de respeitar as leis promulgadas pelo Estado e obedecê-las, assim como
têm a obrigação fundamental de pagar todos os tributos exigidos pelo Estado.
Para poder entender a gestão governamental vinculada aos custos
gerados pelo Estado devemos observar quais os papéis desempenhados, sendo
estes agrupados em três grandes funções:
TÓPICO 1 | ESTRUTURA GOVERNAMENTAL
5
• A Executiva é representada pelo Poder Executivo, cuja função e de executar
e implementar as leis segundo as necessidades do Estado, visando sempre ao
bem comum da sociedade. Além disso, é responsável pela gestão do patrimônio
público, objetivando prestar serviços à sociedade. Como o Brasil é um país
de tamanho continental, o Poder Executivo divide-se em: Federal, Estadual e
Municipal.
• A Normativa ou Legislativa é representada pelo Poder Legislativo, cuja função
é de revisar as leis e gerar novas leis em função das necessidades conjunturais
e estruturais. Além disso, compete ao Poder Legislativo fiscalizar o Poder
Executivo.
• A Disciplinadora é representada pelo Poder Judiciário, cuja função é de julgar,
em função das leis criadas pelo Poder Legislativo e das regras constitucionais
do Estado.
Nesse contexto, enquanto o Poder Legislativo fica com a responsabilidade
de revisar e fazer leis, o Poder Executivo as executa. E o Poder Judiciário possui a
obrigação de julgar conflitos que vão surgindo nas atividades públicas, privadas
e do cidadão comum.
Assim, os três poderes são como uma grande equipe que deve se manter
independente para assim poder manter um balanço entre os poderes do Estado,
evitando, assim, o abuso de poder em si, tão comum nas ditaduras. Destes três
poderes, quem fica responsável pela administração do patrimônio público? O Poder
Executivo, portanto, cabe a este poder a execução da gestão de custos do Estado.
2.1 GESTÃO PARA OFERECER SERVIÇOS PÚBLICOS
Antes de entrar na questão da gestão de custos, é importante visualizar
a dinâmica dos serviços públicos. Como foi exposto anteriormente, quem fica
responsável pela oferta de serviços públicos à sociedade como um todo é o Poder
Executivo. Quais são esses serviços?
Como questão fundamental, os serviços do Estado vão dar segurança
à população, proteger as fronteiras, alfândegas e manter relações diplomáticas
com outros países. Além disso, o Estado fornece o sistema monetário necessário
à economia nacional. Esses serviços, pode se dizer, vem a ser os serviços básicos,
fundamentais. Mas além destes existe uma série de serviços importantes à sociedade
que o setor privado não estaria com vontade de fornecer, tais como:
• Educação e saúde para todos, principalmente para quem não possui renda
para bancar a educação e saúde.
• Previdência Social, administrado pelo Ministério da Previdência Social e por
meio da Caixa Econômica.
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
6
• Logística de comunicação básica (correios), estradas e portos internacionais.
• Plano de desenvolvimento estratégico à sociedade e à economia como um todo,
aqui podemos observar algumas empresas públicas com parceria privada, tais
como a Petrobras e o Banco do Brasil.
Enfim, como você acabou de observar existe uma série de atividades e
serviços inerentes ao Estado, e outras que demandam ter uma parceria com o
setor privado. Todas essas atividades demandam de uma gestão eficiente e
transparente dos recursos públicos, ou seja, gasto de qualidade.
2.2 GESTÃO DO SETOR PÚBLICO
Todo serviço, por mais simples que seja, gera gasto, assim, no setor público
existem diversas atividades, desde a alimentação dos pacientes de um hospital
até a manutenção de todas as necessidades das Forças Armadas. Assim, dentro
da administração pública existe uma classificação geral dos serviços, que são:
• Serviços Essenciais – Estes são serviços considerados essenciais para os
cidadãos e não podem ser interrompidos: segurança nacional, se desdobrando
em polícia militar, federal e municipal; serviços de saúde, assistência médica
e hospitalar; educação básica; abastecimento de energia, elétrica, gás e
combustíveis; transporte coletivo; tratamento de esgoto, entre outros.
O artigo 11 da Lei nº 7.783/89 nos informa que os serviços essenciais “São
necessidades inadiáveis da comunidade aquelas que, não atendidas, coloquem
em perigo iminente a sobrevivência, a saúde ou a segurança da população”.
• Serviços de utilidade pública – Como o nome diz, são serviços a serem usados
pela comunidade e que são oferecidos pelo Estado. Exemplo disto temos o
abastecimento de energia elétrica, de água potável, de esgoto, entre outros.
• Prestação de serviços mistos – São serviços prestados pelo Estado, mas para
sua execução é necessária a parceria do setor privado. Um exemplo disso é a
rede de estradas federais e estaduais, que, aliás, são de responsabilidade do
Estado, mas para sua construção e manutenção pode se delegar as licitações
públicas ao setor privado.
• “Prestação de serviços mista é aquela prestada pela administração, por seu
dever de Estado e, entretanto, pode ser executada também por pessoa física ou
jurídica de caráter privado, independente de delegação para tanto” (KOHAMA,
2010, p. 6).
Com essa visão da classificaçãogeral da gestão dos serviços públicos,
agora podemos abordar a questão como são administrados esses serviços. Ou seja,
vamos estudar a governança do Estado por meio de gestão e execução eficiente
das necessidades coletivas da sociedade. Segundo Meirelles (2011, p. 65), a
administração pública pode ser interpretada como um:
TÓPICO 1 | ESTRUTURA GOVERNAMENTAL
7
[...] conjunto de órgãos instituídos para consecução dos objetivos do
governo; em sentido material, é o conjunto das funções necessárias aos
serviços públicos em geral; em acepção operacional, é o desempenho
perene e sistemático, legal e técnico, dos serviços do próprio Estado ou
por ele assumidos em benefício da coletividade. Numa visão global,
a administração pública é, pois, todo o aparelhamento do Estado
preordenado à realização de seus serviços, visando à satisfação das
necessidades coletivas.
Agora, essa administração, em termos de execução, pode ser direta ou
indireta, tudo fica em função da estrutura e necessidade de serviço a se oferecer à
sociedade. Observe que, o Estado possui diversos serviços em diferentes áreas de
atuação, assim, para poder atender às necessidades específicas de cada situação
foi definida a execução direta ou indireta, sendo que a Administração Direta,
como o nome diz, é executada sem intermediários (diretamente) pelo Estado,
segundo Kohama (2010, p. 14):
[...] é aquela ligada e integrada na estrutura organizacional diretamente
com o Poder Executivo. A administração direta é a constituída dos
serviços integrados na estrutura administrativa da Presidência da
República e dos Ministérios, no âmbito federal, e do Gabinete do
Governador e Secretarias de Estado, no âmbito estadual.
Seguindo essa lógica, a administração municipal é definida pela mesma
estrutura exposta por Kohama. Exemplos de entidades de Administração Pública
Direta:
• Presidência da república: Casa Civil, Secretaria Geral, Núcleo de Assuntos
Estratégicos, Secretaria de Relações Institucionais, Secretaria de Comunicação
Social, Gabinete Pessoal e Gabinete de Segurança Institucional.
• Ministérios federais: no ano 2015, 39 ministérios da união.
• Prefeituras: espalhadas por todos os estados da União.
Administração Indireta, nessa situação, o Estado encaminha a
administração para outra organização criada pelo mesmo Estado ou para
organizações autorizadas pelo setor público. Segundo Kohama (2010, p. 15)
uma gestão indireta pode ser definida como a “[...] atividade administrativa,
caracterizada como serviço público ou de interesse público, transferida ou
deslocada do Estado para outra entidade por ele criada ou cuja criação é por
ele autorizada”. Nesta situação se encaixam as instituições que prestam serviços
autônomos especializados e as sociedades de economia mista e fundações que
devem ser representadas por órgãos de fiscalização.
Sendo assim, as entidades, cuja administração seja indireta, possuem um
vínculo com o Ministério afim à área de atuação da entidade, ou seja, vinculam-
se ao ministério, ou secretaria, em função da área de competência de sua
atividade. Estas entidades possuem personalidade jurídica própria, autonomia
administrativa, patrimônio próprio, vínculo às entidades de administração
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
8
direta. Além disso, na situação de parcerias com o setor privado, estas entidades
– indiretas – estão sujeitas à licitação da Lei 8.866/1993.
Dentro do leque destas entidades existe uma série de instituições públicas,
e mistas, que se encaixam como indiretas, podendo ser classificadas da seguinte
maneira em função da necessidade de serviço público:
• Autarquia possui personalidade jurídica de direito público, executando
atividades do Estado sem fins lucrativos e imunes à cobrança de impostos,
exemplo: Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS, Banco Central do
Brasil – BACEN.
• Fundação Pública, definida em função de sua área de atuação por meio de lei
complementar, executando atividades pouco comuns ao Estado e sem fins
lucrativos, imunes à cobrança de impostos, exemplos: Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada – IPEA e Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE.
• Empresa Pública, com estrutura jurídica de direito privado, podendo gerar
lucro, seu capital é exclusivo do Estado – da União. Exemplos: Caixa Econômica
Federal – CAIXA e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – EMBRAPA.
• Empresa Mista, com estrutura jurídica de direito privado, podendo gerar
lucro, seu capital deve estar constituído de, pelo menos, 50% mais uma ação
por parte do Estado. Exemplos: Petrobras e Banco do Brasil.
Como seguramente você observou, existem diversos tipos de entidades,
órgãos e empresas a serem administrados pelo Estado. Eis a necessidade de uma
gestão de custos diferenciada e aplicada ao setor público, para assim podermos
ter uma administração eficiente, aliás, patrimônio de todos os brasileiros.
3 CONTABILIDADE GOVERNAMENTAL
Para podermos entrar no estudo da contabilidade governamental, temos
que visualizar qual é a grande diferença entre a contabilidade privada e a pública.
A diferença é na aplicação diferenciada e específica das atividades públicas em
função de fornecer um serviço sem fins de lucro, entretanto, nas privadas procura-
se a apuração dos custos em função da geração de lucro.
Temos que observar que a contabilidade governamental procura gerar
e apresentar informações sobre a execução dos orçamentos, sobre as normas do
lançamento contábil e sobre o registro da mutação patrimonial da entidade pública,
assim, segundo Mauss e Souza (2008, p. 7):
[...] a contabilidade governamental pode ser conceituada como o ramo
da contabilidade geral que estuda, orienta, controla e demonstra a
organização e execução das entradas e saídas dos recursos públicos
que afetam e fazem variar o patrimônio de uma entidade pública.
TÓPICO 1 | ESTRUTURA GOVERNAMENTAL
9
Levando isso em consideração, a contabilidade pública no Brasil é
normatizada pela Lei Federal nº 4.320/64, sob a qual se podem agrupar duas
grandes técnicas de gestão para a tomada de decisão e controle público, a gestão
do orçamento e a gestão desde uma perspectiva contábil. Assim a perspectiva da
gestão do orçamento público reflete:
[...] o resultado do planejamento operacional, discriminando quais
projetos e atividades deverão ser executados para a realização dos
programas governamentais, ele também pode ser considerado como
uma ferramenta de ligação entre os instrumentos de planejamento e
de finanças, para tornar possível a operacionalização dos planos de
governo e o controle institucional (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 8).
Como se pode observar, sob a Lei Federal nº 4.320/64, a contabilidade
governamental foca no controle orçamentário e econômico da gestão pública,
restringindo um controle eficiente do patrimônio público. Levando em
consideração isso no ano de 1998, o Conselho Federal de Contabilidade (CFC)
estabeleceu a Norma Brasileira de Contabilidade Aplicada ao Setor Público
(NBCASP).
A partir de aplicação da NBCASP a contabilidade pública gradualmente
começou a utilizar práticas contábeis que sejam convergentes às Normas
Internacionais de Contabilidade praticadas no setor público, alinhadas às
publicações da International Federation of Accountants (IFAC).
A atual contabilidade pública leva em consideração tanto o controle
orçamentário como o controle do patrimônio. Assim, hoje, a contabilidade pública
faz controle tanto da receita (impostos principalmente) como da fixação das
despesas, que foram previamente estabelecidas no Orçamento Público aprovado
para o exercício. Assim, em cada exercício (ano) existe um controle da execução
orçamentária das receitas e das despesas versus a projeção orçamentária, com
isso se consegue fazer um controle mais eficiente do crédito, da dívida ativa, das
obrigações e das variações patrimoniais dos bens do Estado.
3.1 A CONTABILIDADE GOVERNAMENTAL E SUA ESTRUTURA
Qual é a diferençaentre a estrutura contábil de uma organização
privada e pública? A pública apresenta um sistema contábil estruturado por
subsistemas orçamentários, patrimoniais, de custos e de compensação. Assim,
esses subsistemas oferecem informações diferentes em função das necessidades
de informação da gestão pública do caso. A seguir, podemos visualizar esses
subsistemas e seu vínculo à contabilidade gerencial pública.
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
10
QUADRO 1 – BASE DO SISTEMA E SUBSISTEMAS DE INFORMAÇÃO CONTÁBIL PÚBLICO
FONTE: Disponível em: <http://www.scielo.br/img/revistas/rap/v48n1/a08fig01.jpg>. Acesso em:
16 dez. 2015.
Segundo o Manual de Contabilidade Pública aplicada ao Setor Público:
Os subsistemas contábeis devem ser integrados entre si e a outros
subsistemas de informações de modo a subsidiar a administração
pública sobre: a) o desempenho da unidade contábil no cumprimento
da sua missão; b) a avaliação dos resultados obtidos na execução dos
programas de trabalho com relação à economicidade, à eficiência, à
eficácia e à efetividade; c) a avaliação das metas estabelecidas pelo
planejamento; e d) a avaliação dos riscos e das contingências (BRASIL,
2011, p. 13).
Esses subsistemas devem possuir um vínculo entre eles com fins de ser
uma fonte de informação útil e dinâmica tanto para a gestão pública como para
a comunidade.
3.2 ESTRUTURA DO PLANO DE CONTAS DO SETOR PÚBLICO
Uma vez observado como funciona a dinâmica da estrutura da contabilidade
governamental devemos entender como está estruturado o plano de contas do setor
público. Devemos entender qual é a funcionalidade deste plano, sendo que ele está
estruturado da seguinte maneira:
• Contas com Informações de Natureza Patrimonial: são as contas que
registram, processam e evidenciam os fatos financeiros e não financeiros
relacionados com as variações qualitativas e quantitativas do patrimônio
público, representadas pelas contas que integram o Ativo, Passivo,
Patrimônio Líquido, Variações Patrimoniais Diminutivas (VPD) e Variações
Patrimoniais Aumentativas (VPA).
Sistema de
Informações
Contábil no
Setor Púbico
Subsistema
de Financeiro
(EXCLUÍDO)
A informação financeira foi incluída no
subsistema patrimonial
Subsistema de
Custos (NOVO)
Subsistema de
compensação
Subsistema
Orçamentário
Subsistema
Patrimonial
TÓPICO 1 | ESTRUTURA GOVERNAMENTAL
11
• Contas com Informações de Natureza Orçamentária: são as contas que
registram, processam e evidenciam os atos e os fatos relacionados ao
planejamento e à execução orçamentária, representadas pelas contas que
registram aprovação e execução do planejamento e orçamento, inclusive
Restos a Pagar.
• Contas com Informações de Natureza Típica de Controle: são as contas
que registram, processam e evidenciam os atos de gestão cujos efeitos
possam produzir modificações no patrimônio da entidade do setor público,
bem como outras que tenham função precípua de controle, seja para fins
de elaboração de informações gerenciais específicas, acompanhamento
de rotinas, elaboração de procedimentos de consistência contábil ou para
registrar atos que não ensejaram registros nas contas patrimoniais, mas que
potencialmente possam vir a afetar o patrimônio.
FONTE: Adaptado de MCASP (BRASIL, 2011, p. 15)
Para poder executar a sua função o Plano de Contas Aplicado ao Setor
Público (PCASP) está dividido em oito classes e assim o expõe o Manual de
Contabilidade Aplicada ao Setor Público – MCASP:
1. Ativo.
2. Passivo e Patrimônio Líquido.
3. Variações Patrimoniais Diminutivas.
4. Variações Patrimoniais Aumentativas.
5. Controles da Aprovação do Planejamento e Orçamento.
6. Controles da Execução do Planejamento e Orçamento.
7. Controles Devedores.
8. Controles Credores. (BRASIL, 2011, p. 413)
Com essa divisão em oito partes, a execução do plano de contas deverá
ser feita por meio dos registros contábeis, sendo que estes devem obedecer ao
princípio básico da contabilidade. Ou seja, deve se fazer os registros por meio
das partidas dobradas, isso quer dizer que para cada débito deve existir um ou
mais créditos, gerando, assim, uma contrapartida para cada um dos registros, em
valores iguais.
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
12
QUADRO 2 – ESTRUTURA DO PLANO DE CONTAS DO SETOR PÚBLICO
FONTE: Manual de Contabilidade Aplicado ao Setor Público (BRASIL, 2011, p. 16)
Observe que neste plano, no Grupo 8.8, apresenta-se a conta “apuração de
custos”, parte importante para que o Estado possa ter um controle dos gastos a
serem executados no orçamento público. Mas como funciona este plano de contas?
Para se ter um controle deste plano, todas as variações patrimoniais decorrem de
transações do plano que logo serão analisadas, desde uma perspectiva que possa
apresentar aumento ou diminuição do patrimônio líquido da entidade pública.
Além disso, deve se levar em consideração que podem existir variações ativas e
passivas, independente da execução orçamentária. Talvez você se pergunte, o que
são variações ativas e passivas?
As variações Ativas Independentes da Execução Orçamentária vêm a ser
as que apresentam um aumento do patrimônio, por meio de:
• Um aumento do ativo permanente (direitos), através de doações, atualização
monetária positiva, novas obrigações ativas a se cobrar etc.
• Uma redução do passivo permanente (obrigações da entidade), através
de cancelamento de dívida, de atualização monetária negativa da dívida,
transferência de dívida para outros órgãos etc.
Entretanto, as variações Passivas Independentes da Execução
Orçamentária são as que apresentam uma diminuição do patrimônio da
instituição pública, por meio de:
• Uma diminuição do ativo permanente, através de entrega de doações,
atualização monetária negativa, redução das obrigações ativas a se cobrar etc.
• Um aumento do passivo permanente (obrigações), através de inscrição de dívida,
de atualização monetária, transferência de dívida vinda de outros órgãos etc.
1 - Ativo
1.1 Ativo Circulante
1.2 Ativo Não Circulante
Informações de Natureza Patrimonial
3 - Variação Patrimonial Diminutiva
3.1 Pessoal e Encargos
3.2 Benefícios Previdenciários e Assistencial
...
3.9 Outras Variações Patrimoniais Diminutivas
5 - Controles da Aprovação do Planejamento e Orçamento
5.1 Planejamento Aprovado
5.2 Orçamento Aprovado
5.3 Inscrição de Restos a Pagar
Informações de Natureza Orçamentária
7 - Controles Devedores
7.1 Atos Potenciais
7.2 Administração Financeiras
7.3 Dívida Ativa
7.4 Riscos Fiscais
7.8 Custos
Informações de Natureza Típica de Controle
2 - Passivo
2.1 - Passivo Circulante
2.2 Passivo Não Circulante
4 - Variação Patrimonial Aumentativa
4.1 Imposto, Taxas e Contribuição de Melhora
4.2 Contribuição
...
4.9 Outras Variações Patrimoniais Aumentativas
6 - Controles da Execução do Planejamento e Orçamento
6.1 Execução do Planejamento
6.2 Execução do Orçamento
6.3 Execução de Restos a Pagar
8 - Controles Credores
8.1 Execução dos Atos Potenciais
8.2 Execução da Administração Financeiras
8.3 Execução da Dívida Ativa
8.4 Execução dos Riscos Fiscais
8.8 Apuração de custos
CD
CD
CD
TÓPICO 1 | ESTRUTURA GOVERNAMENTAL
13
3.3 SISTEMA CONTÁBIL GOVERNAMENTAL
Como foi exposto acima, a estrutura da contabilidade governamental
está organizada por sistemas e subsistemas, os quais são interpretados como elos
de informação que vão alimentando os dados (e fatos) importantes, específicos
e diferenciados aos gestores públicos em função do órgão público. Segundo a
Norma Brasileira de Contabilidade NBCT 16.2:
O sistema contábil representa a estrutura de informações sobre
identificação, mensuração, avaliação, registro, controle e evidenciação
dos atos e dos fatos da gestão do patrimônio público, com o objetivo
de orientar e suprir o processo de decisão, a prestação de contas e a
instrumentalização do controle social.
Considerando isso, a seguir, vamos estudar quais são esses subsistemas
da contabilidade pública.
• Subsistema de informaçõesorçamentárias. Este subsistema faz o papel de
realizar a comparação da execução versus o planejamento orçamentário, por
meio do registro, processamento e evidenciação do processo orçamentário.
Assim como faz as alterações e resultados orçamentários.
• Subsistema de informações patrimoniais. Este subsistema faz o papel
de registrar, processar e evidenciar qualquer variação, tanto qualitativo
como quantitativo do patrimônio público, mostrando assim as informações
vinculantes às alterações patrimoniais do resultado dos períodos econômicos
dos orçamentos públicos.
• Subsistema de custos. Seu objetivo é registrar, processar e evidenciar todos
os custos dos produtos e serviços que foram produzidos e ofertados por uma
instituição pública. Nesse sentido, este subsistema dá apoio à gestão pública
fornecendo das informações vinculantes aos custos e usos de recursos de todos
os programas, projetos e atividades desenvolvidas pela atividade pública.
• Subsistema de compensação. Seu objetivo é registrar, processar e evidenciar
todas ações da gestão pública que possam ter impactos, modificações do
patrimônio da instituição pública. Assim, este subsistema fornece informações
referentes às alterações que possam ter potenciais efeitos no patrimônio das
instituições do Estado.
Como podemos observar, todos esses subsistemas fornecem informações
fundamentais à gestão do patrimônio do Estado, ou seja, ao patrimônio de todos
os brasileiros.
Agora que temos uma visão de como é a estrutura da administração
contábil do setor público, vamos continuar nossos estudos com os conceitos
básicos da gestão de custos a partir de um foco geral, ou seja, conceitos do
processo de geração de custos.
14
• Os três grandes papéis do Estado são desempenhados por meio das três grandes
funções: A Executiva (Poder Executivo), a Legislativa (Poder Legislativo) e a
Disciplinadora (Poder Judiciário).
• Entre suas principais funções o Estado, através do Poder Executivo, está o de
oferecer serviços públicos básicos à sociedade, tais como segurança à população,
proteger as fronteiras e manter relações diplomáticas. Estes serviços geram
gasto público.
• Além dos serviços básicos fundamentais, existem mais outros serviços
importantes que o Estado oferece, tais como: educação, saúde, logística
(correios, estradas, portos etc.), Previdência Social, e Planos de Desenvolvimento
Estratégico.
• A gestão do Estado gera gasto que deve ser administrado, para isso há uma
classificação geral dos serviços públicos, sendo estes: serviços essenciais,
serviços de utilidade pública, e prestação de serviços mistos.
• Existe uma grande diferença entre a contabilidade de custos do setor público
e privado. A atividade pública está no fornecimento dos serviços sem fins de
lucro, entretanto, no setor privado procura-se a apuração dos custos em função
da geração do lucro.
• O sistema contábil público está divido em subsistemas, sendo estes: subsistema
de informações orçamentárias, subsistema de informações patrimoniais,
subsistema de custos, e subsistema de compensação.
RESUMO DO TÓPICO 1
15
1 Os três podres do Estado devem se manter independentes, mas juntos
nas necessidades do Estado como um todo. Mas destes três poderes, qual
é o responsável pela administração do patrimônio público e, portanto, da
execução do gasto?
2 A gestão governamental gradativamente vai introduzindo práticas contábeis
alinhadas às Normas Internacionais de Contabilidade Aplicadas ao Setor
Público. Esse órgão responsável por essa convergência no Brasil é:
a) ( ) PCASP.
b) ( ) CFC.
c) ( ) IFAC.
d) ( ) MCASP.
3 Nas atividades econômicas, todos serviços, por mais simples que sejam,
geram gastos, igualmente acontece no setor público. Entre a classificação
geral e do gasto público faça a diferença entre serviços essenciais e serviços
de utilidade pública.
4 O Estado possui diversos serviços em diferentes áreas de atuação, assim,
para poder atender às necessidades específicas de cada situação foi definida
a execução direta ou indireta. Em relação à administração indireta, diferencie
entre Empresa Pública e Mista, citando um exemplo para cada uma delas.
5 Na execução orçamentária existem tanto as variações ativas como passivas
independentes. As seguintes sentenças são variações ativas ou passivas?
a) Um aumento do ativo permanente de uma entidade por meio de doações,
novas obrigações ativas a se cobrar etc. É uma variação ativa ou passiva?
Argumente.
b) Um aumento do passivo permanente (obrigações), através de inscrição de
dívida, transferência de dívida vinda de outros órgãos etc. É uma variação
ativa ou passiva? Argumente.
AUTOATIVIDADE
16
6 Na gestão governamental o sistema de informação contabilidade fundamenta-
se na estrutura do sistema contábil, se apresentando os subsistemas de
informação conforme o Manual de Contabilidade Aplicado ao Setor Público
(MCASP), determine a ordem correta destes subsistemas de informação:
a) ( ) Financeiro, Patrimonial, Orçamentário e de Compensação.
b) ( ) Financeiro, Patrimonial, Orçamentário e de Custos.
c) ( ) Orçamentário, Patrimonial, de Custos e de Compensação.
d) ( ) Orçamentário, Patrimonial, de Custos e Financeiro.
7 Dentro do sistema de informação contábil pública, qual é o subsistema que
auxilia as informações vinculantes ao uso de recursos e custos de todos os
programas, projetos e atividades executadas no âmbito público?
17
TÓPICO 2
TERMINOLOGIA DA ESTRUTURA DE CUSTOS
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Toda organização para poder oferecer seus serviços à sociedade deve
identificar e classificar seus custos e despesas recorrentes de sua atividade, seja
industrial, comercial, ou de serviços. Neste sentido, a gestão de custos abrange
toda atividade operativa de uma instituição.
UNI
Qual é o significado de atividade operativa? Entende-se como atividade operativa
de qualquer instituição todas as atividades necessárias para poder oferecer seu serviço.
Para poder funcionar e se manter operando, as organizações efetuam
consumos de recursos no seu dia a dia. Esses consumos são representados como
custos ou despesas e aplicam-se para uma série de atividades. Assim, esse consumo
de recursos é executado para realizar um processo produtivo de produtos e/ou
serviços, por meio do pagamento de salários, execução de contratos públicos, gasto
de energia, compra de embalagens, manutenção de equipamentos e veículos etc. Ou
seja, esses consumos de recursos são destinados para a execução de uma infinidade
de atividades operativas para qualquer instituição, seja pública ou privada.
Considerando isso, nessa infinidade de diversos custos e gastos é necessária uma
classificação destes por meio de uma correta análise de custos e despesas. Isso se
pode enxergar melhor por meio de um olhar geral de uma empresa industrial, que
possui uma série de processos sistemáticos, onde existem:
• Instalações físicas, gerando um gasto de aluguel e/ou depreciação dessa
infraestrutura.
• Equipes de colaboradores recebendo seu salário (folha de pagamento) em
troca de oferecer seus serviços para produzir, administrar, vender e distribuir
produtos e/ou serviços.
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
18
• Compra de insumos e embalagens, que geram estoques que logo serão
destinados aos processos produtivos, gerando custos de produção.
• Fornecimento de energia, serviços gerais, necessidades de apoio diversas,
gerando gastos de apoio.
FIGURA 1 – IMAGENS DE UMA ATIVIDADE INDUSTRIAL MODERNA
FONTE: Disponível em: <http://www.greenon.com.br/site/arquivos/
ProdutoServico/96Imagem2168.jpg>. Acesso em: 13 jan. 2016.
Observando-se as imagens é possível verificar que essa empresa precisa
de diversos recursos e, aliás, de uma série de investimentos para poder atingir
seus objetivos de produção. Esta empresa precisará de:
• Grande investimento de infraestrutura e equipamento como elementos
essenciais ao processo produtivo, esses grandes investimentos irão serparte
do custo de depreciação.
• Investimento em estoques, que logo serão consumidos como insumos do
processo produtivo, sendo classificados como custos no processo produtivo.
TÓPICO 2 | TERMINOLOGIA DA ESTRUTURA DE CUSTOS
19
Assim, logo que um processo industrial de consumo de recursos (custos
e gastos) é concluído o produto terminado será estocado para ser distribuído e
oferecido ao mercado.
Outro aspecto interessante a ser observado é que esta empresa precisa de
um sistema de gestão de custos por processo, quesito a ser estudado no percurso
deste caderno. Observa-se também, que neste processo produtivo deve existir a
presença de profissionais que prestam serviço ao longo do processo produtivo.
E por último, destaca-se também a presença de gestão de apoio ao processo
produtivo, ou seja, entre outros gastos de apoio, o ambiente de fabricação deve
estar iluminado, gerando assim consumo de energia elétrica. O consumo de
recursos apto a prestar gestão de apoio ao processo produtivo é conhecido como
despesa (ou gastos gerais).
Além deste gasto de apoio, pode-se imaginar que existem outros. Os
funcionários envolvidos neste processo de fabricação recebem treinamento,
uniformes, alimentação e outros benefícios, além de seu salário. Enfim, qualquer
atividade gerada dentro de uma organização gera gasto, até o cafezinho do
gerente será parte do gasto.
Em síntese: Levando em consideração todos esses custos e gastos é
fundamental para o controle da gestão classificar tais consumos em: custos dos
produtos, despesas e investimentos. Mas o que realmente quer dizer consumo
de recursos?
2 CONSUMO DE RECURSOS
O que é um recurso produtivo? Para poder responder a isso, primeiramente
devemos pensar que existe uma relação direta entre quais produtos e serviços a
empresa procura produzir e quais são as necessidades dos consumidores. Mas,
para que esses produtos e serviços possam ser oferecidos à sociedade, como um
todo, há uma série de recursos a serem considerados no processo produtivo. Logo,
esses recursos são identificados como “Recursos Produtivos ou econômicos”.
Acompanhe a classificação destes produtos em função de sua condição econômica.
CLASSIFICAÇÃO DOS RECURSOS PRODUTIVOS
Recursos Naturais: considerados todos os que vêm diretamente da
natureza sem processo de transformação, sendo estes:
• Solos agrícolas.
• Recursos hídricos.
• Recursos da flora.
• Recursos da fauna.
• Reservas minerais e não minerais.
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
20
Matéria-prima e insumos: recurso intermediário destinado ao consumo
durante o processo produtivo, exemplos:
• Trigo (matéria-prima) para produção de farinha.
• Farinha (insumo) para produção de pão, bolos, massas etc.
• Algodão (matéria-prima) para produção de malhas.
• Malha de algodão (insumo) para a produção de camisetas.
Recursos humanos: todos os cidadãos de uma sociedade são considerados
recursos humanos, classificando-os da seguinte maneira:
• Pessoas pré-produtivas, menores de 18 anos.
• Pessoas adultas, força de trabalho potencial.
• Pessoas pós-produtivas, acima dos 65 anos.
Recursos de capital: considerado como as riquezas acumuladas pela
sociedade, recurso que vira ferramenta essencial ao processo produtivo. Exemplo,
o capital de um taxista é seu carro, capital de um pescador é sua rede e seu bote.
O recurso de capital é classificado da seguinte maneira:
• Infraestrutura econômica, tais como: energia elétrica, telecomunicações e
transporte.
• Infraestrutura social, tais como: educação, cultura, esportes e lazer.
• Construções e Edificações, tais como: prédios públicos, fábricas, depósitos e lojas.
• Equipamento de transporte, tais como: locomotivas, navios, aeronaves e
caminhões.
• Capital agrícola:
o Culturas permanentes e estoque de animais.
o Instalações e equipamento agrícola.
o Máquinas e equipamento, para serem aplicadas em: atividades extrativas,
indústria e prestação de serviços.
Recursos tecnológicos: O recurso tecnológico possui uma sociedade para
facilitar suas necessidades.
• Know How (saber como fazer) e tecnologia de ponta.
• P&D - Pesquisa e Desenvolvimento.
• Propriedade intelectual tais como: direitos de autor, patentes de invenções,
inovações, e marcas registradas.
UNI
Qual é a diferença entre matéria-prima e insumo? A matéria-prima é o produto
extraído diretamente da natureza, exemplos: grão-de-trigo (matéria-prima) e farinha de trigo
(insumo); petróleo (matéria-prima), polipropileno/termoplástico (insumo).
TÓPICO 2 | TERMINOLOGIA DA ESTRUTURA DE CUSTOS
21
Em função destes recursos produtivos, pergunta-se: Qual será a melhor
maneira para fundamentar as prioridades econômicas de uma instituição? Ou seja:
• O que e quanto produzir?
• Como produzir?
• Para quem produzir?
Levando em consideração essas três perguntas fundamentais é que se
poderá levantar toda uma combinação de recursos para que as organizações
consigam oferecer produtos e serviços que a sociedade esteja demandando. Isso
pode ser atingido por meio da dinâmica do processo produtivo, tanto de produtos
como de serviços, mas como se pode definir um processo produtivo?
2.1 PROCESSO PRODUTIVO
As empresas industriais combinam uma série de insumos, que passam
por um processo de transformação para virar um produto bem definido. Imagine
o processo de transformação de um bolo de chocolate, para assar esse bolo houve
a necessidade de misturar uma série de insumos (farinha, ovos, óleo, açúcar,
cacau, fermento etc.), e para poder fazer isso foi necessário o uso de um forno e
do conhecimento de um confeiteiro. Na indústria acontece algo semelhante, mas
em grande escala por meio do uso de máquinas (bens de capital) e de recursos
humanos.
Agora esses bens de capital (equipamento) vão se desgastar no tempo.
Precisa-se reconhecer esse desgaste à medida que vão sendo utilizadas no
processo produtivo, isso é, refletindo por meio da depreciação destas. Entretanto,
esse equipamento (bens de capital industrial) estão sendo utilizados, estes vão
processando e consumindo uma série de insumos à medida que vai acontecendo
o processo de transformação em si. Tudo isso, desgaste do equipamento
(depreciação), uso de recurso humano e uso de insumos no processo produtivo é
conhecido como consumo de recursos, logo, esse consumo de recursos é apurado
por meio de uma série de tipos de custos, em função de sua origem, que são:
• Custo Direto: Material direto aplicado – matéria-prima, insumos, material
secundário e embalagem.
• Custo de Mão de Obra: Mão de obra direta empregada diretamente na
fabricação do produto, no chão de fábrica.
• Custos indiretos de fabricação – CIF, demais gastos fabris, entre eles a
depreciação do “uso de máquinas” exposto acima, o aluguel de um galpão,
salário do gerente do supervisor de produção, entre outros. Ou seja, custos gerais
que estão vinculados ao processo de produção.
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
22
2.2 CONSUMO DE RECURSOS COMO CUSTOS
Como foi exposto acima, para poder produzir alguma coisa e ter a
capacidade de ofertar isso à sociedade é necessário consumir recursos no processo
produtivo e consumir recursos em uma série de atividades de “apoio” à fabricação.
Assim, esse consumo de recursos em termos de gestão de custos é classificado
como custos, despesas (gastos) e investimento (compra de infraestrutura de apoio).
Os custos de uma organização representam o uso de recurso produtivo
(bens de capital, insumos, energia e recurso humano) necessário para um processo
produtivo. Assim, esses custos terão sua origem na folha de pagamento do chão de
fábrica, material de embalagem, matéria-prima, insumos, consumo de energia no
processo produtivo em si, depreciação dos equipamentos etc. Lembre-se: custo é
toda aplicação de recursos que possa ser gerada ou consumida diretamente para
fabricar um produto e/ou serviço.
FIGURA 2 – IMAGEM DE USO DE RECURSOS EM UM PROCESSO PRODUTIVO
FONTE: Disponível em: <https://web.fe.up.pt/~ee00190/Visita%20Durit/DSC00877.JPG>.Acesso
em: 13 jan. 2016.
“Os custos representam os gastos relativos a bens ou serviços utilizados na
produção de outros bens ou serviços” (BRUNI; FAMÁ, 2008 p. 25). Desta maneira,
estes estão associados diretamente aos produtos ou serviços produzidos pela
empresa. Exemplo de custos é o consumo de matéria-prima, insumo, embalagem,
mão de obra fabril, aluguel, depreciação etc.
TÓPICO 2 | TERMINOLOGIA DA ESTRUTURA DE CUSTOS
23
2.3 CONSUMO DE RECURSOS COMO DESPESA
O consumo de recursos como despesa vem a ser as necessidades de
apoio ao processo produtivo em si. Ou seja: as despesas que são geradas
ou consumidas fora do ambiente de fabricação de um produto ou serviço.
Fazem parte das despesas o gasto gerado nos departamentos de contabilidade,
financeiro e vendas. Estes departamentos efetuam consumo de recursos (gastos)
para o desenvolvimento da sua atividade no dia a dia, que servem de apoio ao
departamento de produção.
Bruni e Famá (2008, p. 25) apontam que “[...] as despesas correspondem ao
bem ou serviço, consumido direta ou indiretamente para a obtenção de receitas”.
Observe-se que os gastos não estão associados diretamente ao processo produtivo
de um produto ou serviço. Eis a grande diferença entre o que é realmente custo
e o que é despesa.
O custo representa o consumo de recurso produtivo durante um processo
produtivo de um bem ou serviço. Entretanto, a despesa é o consumo de um
recurso para dar apoio para esse processo produtivo.
Nesse contexto, as despesas (gastos) não fazem parte da fabricação do
produto e/ou serviço em si, mas servem como apoio importante à gestão de uma
organização. Como exemplos de despesas podemos observar:
• os salários dos funcionários destas áreas;
• gastos de distribuição, logística;
• materiais de escritório;
• consumo de energia destas áreas;
• consumo de água, depreciação dos computadores utilizados no ambiente da
administração;
• impostos prediais, treinamento dos funcionários, férias, INSS, FGTS;
• alimentação, transporte e outros.
2.4 INVESTIMENTO
Todo processo produtivo, seja industrial, de serviços, comercial,
ou governamental, necessita de investimento, sem este investimento uma
instituição está destinada à desintegração. Assim, para poder dar conta de todos
os processos operativos de uma organização precisa-se de infraestrutura e de
insumos necessários a serem aplicados na produção, certo? Portanto, precisa-
se de instalações e equipamento: fábrica, equipamento industrial, móveis,
computadores, veículos (tratores, caminhões, carros etc.), entre outros.
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
24
Logo, com esses investimentos em infraestrutura pode-se dar início ao processo
produtivo. Eis a necessidade de aprimorar essa infraestrutura e equipamento, ou
seja, compras que são registradas como investimento no ativo fixo.
UNI
Pense aí! O que o Estado precisa investir para que a sociedade seja funcional?
Entre outras coisas: o Estado precisa investir em infraestrutura educacional, escolas e
capacitação aos professores; investir em infraestrutura, malha rodoviária, portos, aeroportos
etc. Você sabia que somente 12% das estradas brasileiras são pavimentadas?!
Todavia, nesse contexto de investimento, as organizações precisam ter
estoques de insumos para que sejam processados por meio do recurso humano
e dos investimentos em infraestrutura. Assim, essa matéria-prima, insumos,
embalagens, entre outros, antes de serem consumidos precisam serem comprados,
certo? Logo, essas compras representam investimento também! Conhecido como
“investimento em capital de trabalho”.
Em geral, os investimentos representam “compras” que são ativadas no
balanço patrimonial de uma organização, e ficam ali até o momento em que vão
sendo utilizados ou consumidos, podendo receber, nesse momento do consumo:
Uma classificação, como custos ou gastos (despesas), dependendo se o
investimento faz parte do processo produtivo ou faz parte da estrutura de apoio.
Exemplos de investimentos:
• Aquisição de matéria-prima: no momento da compra desta por um
determinado valor, estará se contabilizando no estoque de mercadoria. Assim,
essa aquisição vira um ativo circulante até seu consumo na produção, que logo
irá gerar um benefício futuro.
• Máquinas e equipamentos adquiridos para a empresa produzir seus produtos.
À medida que vai passando o tempo esse equipamento, aos poucos, vai se
depreciando. Esse desgaste natural no percurso do tempo é classificado como
custo ou gasto de depreciação.
Para visualizar melhor essa grande classificação do consumo de recurso
produtivo em uma organização, a seguir, vamos dar uma “olhada” em uma
representação gráfica de custos, gastos e investimentos.
TÓPICO 2 | TERMINOLOGIA DA ESTRUTURA DE CUSTOS
25
QUADRO 3 – DIFERENÇA ENTRE INVESTIMENTO, CUSTOS E GASTOS (DESPESAS)
Orçamento de compras (Ativo fixo,
insumos etc.)
Ativo Circulante: Estoque de Insumos, embalagens etc.
Ativo Fixo: Infraestrutura, móveis e equipamentos
Custos Consumo de recurso produtivo no processo produtivo: insumos (saída do estoque), energia, recurso humano etc.
Gastos (despesa) Consumo de recurso de apoio ao processo produtivo.
FONTE: O autor
3 APLICAÇÃO DOS CUSTOS E DAS DESPESAS
Até aqui temos identificado o que é custo, despesa e investimento, mas
como estes irão ser classificados? Apesar de a aplicação e classificação de custos
e despesas ser uma gestão que demanda muito trabalho de análise e detalhe, é
importante e fundamental fazê-lo, pois por meio disso, pode-se enxergar quanto
se está consumindo, ou gastando, em uma determinada organização.
A primeira grande classificação e separação desse consumo de recursos é por
meio da identificação do consumo de recursos em três grandes grupos, como já foi
estudado anteriormente. Ou seja, deve-se fazer uma separação diferenciada entre:
• Investimentos: que logo serão classificados como custos e/ou despesas por
meio das depreciações.
• Custos: por meio do registro do consumo de recursos durante o processo
produtivo.
• Despesas: por meio do registro do consumo de recursos no apoio às operações
de uma organização.
Levando em consideração esses três grandes grupos, existem tanto custos
como despesas, nos quais se pode identificar com precisão o seu real consumo,
podendo ser este consumo de natureza direta ou indireta. Nesse sentido, vamos
ter dois grandes grupos de consumo de recursos: a) custos e/ou gastos diretos, e
b) custos e/ou gastos indiretos.
3.1 CUSTOS DIRETOS
É considerado custo direto todo consumo de recursos que será aplicado de
maneira direta no processo produtivo, segundo Ribeiro (2009, p. 103), custos diretos:
[...] são considerados materiais diretos todos os materiais aplicados no
processo de fabricação e que integram os produtos fabricados, como
ocorre com a matéria-prima e com os materiais secundários. Devem
ser classificados também como diretos os materiais de embalagem,
quando aplicados nos produtos dentro da área de produção. Os
materiais diretos são assim denominados porque, além de integrarem
os produtos, suas quantidades e seus valores podem ser facilmente
identificados em relação aos produtos fabricados.
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
26
Segundo Crepaldi (2002, p. 49), os custos diretos são o consumo de
recursos produtivos “[...] que podemos apropriar diretamente aos produtos e
variam com a quantidade produzida”. Exemplo disso: material direto (MD) e
mão de obra direta (MOD).
Pode-se identificar com precisão o real dimensionamento do seu consumo
por produto. Isso pode ser enxergado melhor analisando a estrutura de custos
de uma fábrica, na qual o custo direto pode ser determinado por meio de: um
controle de medida, uma receita, uma ficha técnica de produto, e um controle
interno de consumo. Exemplo disso: a dose de farinha em um pão deve ser exata,
caso contrário o produto final ficará diferente.
3.1.1 Custo direto de insumos
Nessa identificação de custos diretos vamos tera quantidade exata dos
componentes que são incorporados ao produto. Exemplo disso pode ser uma
empesa que produz camisetas, onde haverá:
• Matéria-prima e/ou insumos: malha de algodão.
• Material direto e/ou peças prontas: a serem incorporadas ao produto, exemplo:
botões e etiquetas.
• Mão de obra direta: serviço de recurso humano utilizado diretamente no
processo produtivo. Ou seja, a folha de pagamento a ser classificada de maneira
direta. Consumo do recurso humano que na gestão de custos é conhecido como
mão de obra direta (MOD).
• Embalagem: que será utilizada em cada uma das peças e grupos de peças
fabricadas.
Observa-se, no que tange ao consumo de insumos, material direto e
embalagem, que estes são diretamente relacionados ao produto ou serviço a ser
produzido, fazendo parte integrante dele com um todo. Exemplo: matéria-prima
e/ou insumos (malha), material secundário (botões) e embalagens.
3.1.2 Custo direto de mão de obra
Quando o consumo do recurso humano é aplicado diretamente no
processo produtivo, este é considerado como custo direto de mão de obra.
Crepaldi (2002, p. 56) afirma que “[...] a mão de obra direta é o custo de qualquer
trabalho humano diretamente identificável e mensurável com o produto”.
Assim, esse custo de mão de obra direta são os salários e os encargos
sociais (13º salário, férias, FGTS, INSS) de todos os empregados que trabalham
diretamente na produção, o chão de fábrica. Em termos de processos de produção
TÓPICO 2 | TERMINOLOGIA DA ESTRUTURA DE CUSTOS
27
industrial é a mão de obra utilizada na transformação do material direto em
produto acabado. Exemplo: em uma fábrica, se um funcionário opera equipamento
industrial por meio do qual será produzido um produto de cada vez, logo, esse
operário deverá ser considerado como Mão de Obra Direta – MOD.
Apurando o tempo (hora-homem) que o operário utiliza no processo
produtivo dos produtos que ele fabrica, esse consumo de mão de obra será
registrado como Custo de Mão de Obra – MOD.
UNI
Pergunta: Qual será a mão de obra em uma escola pública?
O professor é o responsável direto do serviço prestado pela escola, ou seja, educação.
3.2 CUSTOS INDIRETOS
Os custos e gastos indiretos são aqueles recorrentes do consumo de
recursos de uso geral no processo produtivo. Exemplos: o aluguel do galpão
onde opera a fábrica, a depreciação dos equipamentos utilizados no processo
produtivo, o consumo de energia, os salários dos supervisores gerais do processo
produtivo, entre outros. Ou seja, é um tipo de custo que não pode ser incorporado
diretamente ao custo de um produto, pois é um custo necessário que irá beneficiar
aos diversos produtos que fazem parte da cadeia produtiva.
3.2.1 Custos indiretos gerais
Estes são o consumo de recursos que possuem um vínculo com o processo
produtivo ou elaboração do serviço a ser comercializado. Nesse contexto são
recursos fundamentais ao processo operacional, mas gerais, que não fazem parte
integral do produto a ser fabricado.
O custo indireto não é um apoio, mas sim um uso de recurso fundamental
na cadeia produtiva, exemplo disso:
• O custo de depreciação do equipamento a ser utilizado no chão de fábrica. Sem
equipamento não há produto, eis a sua essencialidade.
• Aluguel do galpão onde esse equipamento industrial será utilizado. Sem
galpão não há lugar onde fabricar, eis a sua essencialidade.
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
28
Considerando o exposto acima, os custos indiretos não podem ser
associados diretamente para um produto ou serviço específico, sendo chamados
de CIF (Custos Indiretos de fabricação). Entre os recursos que são considerados
como CIF podemos observar o custo de depreciação da infraestrutura do chão de
fábrica, folha de pagamento dos supervisores do chão de fábrica das diferentes
linhas de produção etc.
3.2.2 Custos indiretos de mão de obra
Quando pode ser considerada a mão de obra direta ou indireta? Isso
depende de alguns fatores, mas para responder a essa pergunta temos que
observar se esse recurso humano pode ser apropriado de maneira direta para
um produto ou serviço, ou não. Portanto, a folha de pagamento (salário) no
processo produtivo pode ser classificada como mão de obra direta ou indireta,
considerando que:
• Mão de Obra Direta (MOD): Como foi exposto anteriormente, se um operário
opera uma máquina, na qual é produzido um tipo de produto de cada vez, esse
operário será considerado como mão de obra direta – MOD.
• Mão de Obra Indireta (MOI): Se um operário opera uma máquina, na qual são
fabricados vários produtos, logo, não será possível medir o tempo de produção
de cada produto por meio de controles unitários. Neste caso deve-se classificar
esta mão de obra como indireta, devendo ser aplicado ao produto algum
critério de rateio.
No contexto da mão de obra indireta, se parte dos funcionários de uma
instituição fazem seu serviço de maneira geral, e não focada em um só produto ou
serviço, logo, esses funcionários fazem parte da mão de obra indireta, exemplo:
Se um operário que opera uma máquina, por meio da qual são produzidos
diversos produtos, logo, será impossível alocar diretamente o custo da mão de
obra de maneira direta, portanto, não será viável apurar o tempo de trabalho do
operário para cada um dos produtos. Para poder fazer isso será necessário aplicar
sistemas de rateio, a ser visto mais adiante.
UNI
Custos indiretos em uma escola pública.
Quais podem ser? O aluguel das salas de aula, os salários dos coordenadores dos cursos,
entre outros.
TÓPICO 2 | TERMINOLOGIA DA ESTRUTURA DE CUSTOS
29
4 GESTÃO DE ESTOQUES
Lembra que parte dos custos diretos são decorrentes do consumo de
insumos? Mas de onde a empresa pega esses insumos no momento da necessidade
de utilizá-los na produção, diretamente do fornecedor? Será meio difícil pegar do
fornecedor na hora da necessidade, assim, a empresa deve possuir um estoque
de insumos que estejam prontos para serem utilizados na produção. Eis a
necessidade das organizações de manter um investimento mínimo em estoques,
ou seja, estoques que terão um valor determinado no Balanço Patrimonial, até a
mercadoria ser consumida, processada e vendida, segundo Leone (2009, p. 49):
A contabilidade de custos determina o custo dos estoques visando à
determinação dos resultados e à avaliação do patrimônio. Os valores
dos estoques (em qualquer nível) entram na composição da fórmula
de determinação dos custos dos produtos vendidos.
Nesse sentido, à medida que vão acontecendo as vendas, o valor do custo
do estoque que está saindo vai se registrando como “custo do produto vendido”
(CPA). Assim, é fundamental manter uma correta avaliação do custo dos estoques
de uma organização, seja esta pública ou privada.
4.1 AVALIAÇÃO DE ESTOQUES
A gestão do estoque faz parte da análise de custos e da logística de uma
empresa, é uma peça-chave para o correto controle do consumo dos recursos
produtivos e, portanto, para uma ótima gestão dos custos. Fazem parte da gestão
do estoque as seguintes fases do processo produtivo:
• Estoque de compras: Nesta fase faz parte da gestão de estoques a armazenagem
de matérias-primas, insumos e demais compras gerais. A área de compras, ou
almoxarifado, faz gestão pelo recebimento, estocagem, conservação, controle
e distribuição dos produtos, tanto para a área produtiva como para as outras
áreas da empresa. Assim, cada produto ou material deverá:
o entrar por meio de uma ordem de compra;
o sair deste departamento através de uma requisição emitida pelo departamento
solicitante. A saída de material pode ser executada por meio de fichas.
• Estoques de produtos em elaboração. Estes estoques compreendem os
produtos cujos processos de fabricação ainda não foram concluídos, ou seja,
ainda não estão totalmente prontos. Ainda precisam ser aplicados mais outros
processos e custos para sua conclusão.
• Estoque de produtos acabados. Depois de concluída a última fase da produção,
os produtos acabadosou prontos são transferidos para estoque, aguardando a
venda acontecer, para assim efetuar a saída definitiva da empresa.
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
30
Observa-se, na avaliação dos estoques, os materiais estocados a serem
consumidos precisam estar prontos para sua saída, assim, deve-se pensar também
no seu efetivo controle de estoques. Controle efetivo que pode ser executado
seguindo o seguinte procedimento:
Consumo de Material Direto = Estoque Inicial + Compras Líquidas –
Estoque Final
4.2 MÉTODOS DE AVALIAÇÃO DE ESTOQUES
Existem diversos métodos de avaliação de estoques, mas o mais conhecido
e aplicável de maneira geral é o Sistema de Inventário Permanente. Este sistema
é aquele que sustenta um controle contínuo da movimentação do estoque. Neste
caso, as solicitações do Departamento de Produção e do Departamento de Vendas
são controladas individualmente.
A vantagem deste sistema é que o estoque e o Custo do Produto Vendido
(CPV) podem ser calculados em qualquer momento pela contabilidade. Apesar
de este método (Sistema de Inventário Permanente) possuir um valor atualizado
permanentemente, deve-se fazer auditorias destes estoques ao final de cada
período contábil para assim conferir quantidades de estoques e fazer um controle
interno em relação às quantidades físicas. Caso existam divergências, estas
poderão ser ajustadas nos registros contábeis ao final do período contábil.
No caso de uma empresa que aplica o sistema de inventário permanente,
a apuração dos custos pode ser feita pela contagem das requisições efetuadas no
estoque de compras. Assim, a empresa que mantém este sistema pode fazer a
apuração com a aplicação da equação, exposta acima, no item 4.1, exemplo disso:
Consumo de Material Direto Estoque Inicial + Compras Líquidas – Estoque Final
Consumo de Material Direto $30.000,00 + $50.000,00 – $20.000,00 = $60.000,00
Neste exemplo podemos observar que o consumo de materiais no valor de
$60.000,00 é, aliás, o valor incorporado ao custo referencial de produção durante
o período analisado. Agora, se nesse período a empresa vendeu 25.000 unidades,
de quanto será seu custo unitário de material direto?
O custo unitário, “referencial”, será igual a R$ 2,40, ou seja: R$ 60.000
25 000.
.
Observe que esses R$ 60.000 é o consumo do período determinado em função
da valorização dos estoques. E esses 25.000 é a quantidade de unidades vendidas no
período exposto.
TÓPICO 2 | TERMINOLOGIA DA ESTRUTURA DE CUSTOS
31
IMPORTANT
E
Talvez você esteja se perguntando, mas por que esse custo unitário de R$ 2,40
é um valor referencial? É assim porque todos os consumos registrados como custos do
processo irão fazer parte do “valor/custo” da mercadoria “elaborada” e a ser vendida. Valor
que irá fazer parte dos estoques de produtos “acabados”.
Deste modo, quando um produto é vendido, este será o momento em
que seu valor de estoque será incorporado efetivamente ao custo do produto
vendido (CPV) na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), como CPV,
assim: supondo que foram produzidas 25.000 unidades, logo, o custo unitário
do produto vendido será de R$ 2,40 (R$ 60.000/25.000). E, à medida que essas
unidades vão sendo efetivamente vendidas irá se registrar o CMV no DRE.
4.2.1 Classificação ABC dos estoques
Dentro da gestão de estoques existe alguns métodos de classificação, mas o
mais padronizado é a classificação ABC. Nesta classificação as mercadorias devem
ser registradas por ordem de importância, se estabelecendo a seguinte lógica:
• Estoques itens A: Estoques que apresentam um valor significativo e essencial
à produção, merecendo atenção especial e controle mais detalhado, tipo
insumos. Estes estoques representam, na média, apenas 20% dos itens, mas
podem representar 80% do valor monetário dos estoques.
• Estoques itens B: Estoques que não representam valores tão expressivos quanto
aos dos itens A; mas mesmo assim representam uma certa essencialidade à
produção, exemplo: botões (para uma camiseta), embalagens etc. Na média
estes representam 30% dos itens, e podem representar 15% do valor monetário
dos estoques.
• Estoques itens C: estoques numerosos em termos de itens, e menos representativos
em unidade valor, geralmente são inventariados ao final do período, no momento
do balanço. Neste tipo de estoque podem-se observar: parafusos, diversas peças,
material de apoio etc. Na média, estes representam 30% dos itens, mas podem
representar apenas 5% do valor monetário dos estoques.
Tanto os estoques tipo A como B são conhecidos como inventários, pois
fazem parte do processo produtivo em si. Os estoques C são itens gerais. A seguir
uma visualização da classificação ABC dos estoques.
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
32
FIGURA 3 – CURVA PADRÃO ABC DOS ESTOQUES
FONTE: Disponível em: <http://www.sobreadministracao.com/o-que-e-e-como-funciona-a-curva-
abc-analise-de-pareto-regra-80-20/>. Acesso em: 15 jan. 2016.
Nesta figura podemos visualizar a importância em termos monetários dos
estoques A e B. Apesar de possuir uma menor quantidade de itens, estes são parte
essencial dos produtos a se fabricar, representando mais do 80% dos valores dos
estoques que uma empresa possa possuir.
4.2.2 Classificação dos materiais a serem estoqueados
No geral, dentro de toda essa classificação de estoques, quais são os
materiais que uma empresa considera como estoque? Para responder a isso,
segue um exemplo-padrão de uma indústria.
• Matéria-prima/insumos é o principal material que faz parte da composição
do produto final. Ela sofre uma transformação no processo de fabricação. Os
insumos serão aplicados diretamente na cadeia produtiva, sendo transferidos
diretamente do estoque ao processo produtivo. Estes estoques transformam-se
em custos de produtos em processo. Exemplos:
o Algodão (matéria-prima) na fabricação de malhas.
o Malha de Algodão (insumos) na fabricação de roupas.
• O material secundário é o material que não é componente básico na composição
do produto, mas é perfeitamente identificável e direto ao produto, exemplo
disso:
o Botões: na fabricação de camisetas polo de algodão.
o Pneus: na montagem de um carro novo.
100
95
80
1005020
C
B
A
% Quantidade de itens
%
V
al
or
TÓPICO 2 | TERMINOLOGIA DA ESTRUTURA DE CUSTOS
33
• Embalagens são materiais utilizados para embalar o produto. As embalagens
são consideradas custos diretos devido à identificação direta ao produto,
exemplo disso:
o Caixa de papelão onde é embalado um computador.
o Sacola plástico onde são colocadas 500 gramas de macarrão.
4.3 A GESTÃO DOS ESTOQUES E O FLUXO DOS CUSTOS
A seguir vamos observar o fluxo dos custos durante um processo
produtivo. Este quadro nos permite perceber como os estoques vão se tornando
parte essencial da gestão de custos.
QUADRO 4 – FLUXOGRAMA DE ALOCAÇÃO DE CUSTOS NUM PROCESSO PRODUTIVO
FONTE: BRUNI E FAMÁ (2004, p. 34)
Neste quadro, observamos todos os elementos principais da classificação
de custos, tanto os diretos como os indiretos e como todos estes custos irão ser
incorporados a cada um dos produtos a serem produzidos, sendo que:
• Os custos diretos são recorrentes do consumo direto de insumos e mão de obra
direta.
• Os custos indiretos irão ser alocados e registrados por meio de sistemas de
rateio, quesito a ser estudado logo adiante.
( = ) Resultados
( - ) Despesas
( - ) CPV
( + ) Receitas
Produto B
Produto A
Estoque
Rateio
Indiretos
Direitos
Custos
Componentes principais:
Material Direto (MD)
Mão-de-obra Direta (MOD)
Custos Indiretos de Fabricação (CIF){
Produto C
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
34
Após o registro de cada um dos produtos (neste caso Produto A, B e C)
os custos por produto serão registrados como “Estoque de Produto Terminado”,
que somente no momento da venda passa a ser interpretado como “Custo de
Produto Vendido” (CPV).
Agora que conhecemos o conceito da classificação fundamentaldos
custos, vamos adentrar no tema do rateio. Este conceito é essencial no momento
de determinar custos específicos dos consumos de recursos gerais, vamos lá?
4.4 CRITÉRIOS DE RATEIO PARA DISTRIBUIÇÃO DE CUSTOS
INDIRETOS
No geral, todos os custos indiretos que não possuem vínculo direto com
os produtos produzidos, mas que são custos gerais do processo produtivo,
precisam ter vínculo ao custo unitário dos produtos. Assim, estes devem possuir
algum tipo de rateio para que possam ser incorporados aos custos de cada um
dos produtos a serem fabricados. Os vínculos de rateio mais utilizados são:
• HORAS-MÁQUINA. Aqui cabe nos perguntar, quantas horas máquina
consome cada um dos equipamentos para produzir uma unidade? Para poder
visualizar isso, vamos analisar o seguinte quadro:
QUADRO 5 – HORAS-MÁQUINA DE UMA MONTADORA
Produto Produtividade Peso Ponderação
Modelo A
60 minutos
unidades6 6 unid. x hora
10,00 42,55%
10,00
23,50 x 100
Modelo B
60 minutos
8 unidades 8 unid. x hora
7,50 31,92%
7,50
23,50
x 100
Modelo C
60 minutos
10 unidades 10 unid. x hora
6,00 25,53%
6,00
23,50
x 100
Rateio Horas-Máquina 23,50 100,00%
FONTE: O autor
Neste caso se pode observar que para produzir:
o O modelo (A) – a montadora demora mais tempo, portanto, gasta mais recursos
gerais do equipamento, pois só produz 6 unidades por hora. Deste modo deve
levar um maior peso dos custos indiretos. Assim, no Produto A deverá ser
incorporado 42,55% dos custos gerais do processo produtivo.
TÓPICO 2 | TERMINOLOGIA DA ESTRUTURA DE CUSTOS
35
o O modelo (B) – a montadora demora um pouco menos de tempo, portanto,
gasta também um pouco menos de recursos gerais do equipamento, pois
consegue fabricar 8 unidades por hora. Deste modo deve levar um menor peso
dos custos indiretos. Assim, no Produto B deverá ser incorporado 31,92% dos
custos gerais do processo produtivo.
o O modelo (C) – a montadora demora bem menos, portanto, gasta também um
menor peso dos recursos gerais do equipamento, pois consegue fabricar bem
mais em uma hora, 10 unidades por hora. Deste modo, deve levar menor peso
dos custos indiretos. Assim, no Produto C deverá ser incorporado 25,53% dos
custos gerais do processo produtivo.
• MÃO DE OBRA DIRETA. Aqui cabe perguntar, quantas horas-homem
consome cada um dos equipamentos para produzir uma unidade? Neste caso,
aplica-se o mesmo critério que no exemplo exposto acima, mas que agora o
critério de produtividade será em função das quantidades de peças (unidades)
que o recurso humano consegue fazer em uma hora, como pode ser observado
no exemplo a seguir.
QUADRO 6 – HORAS-HOMEM DE UMA FÁBRICA DE CAMISETAS
Produto Produtividade Peso Ponderação
Camiseta A 60 minutos
unidades20 20 unid. x hora
3,00 40,54%
3 00
7 40
,
,
x 100
Camiseta B 60 minutos
unidades25 25 unid. x hora
2,40 32,43%
2 40
7 40
,
,
x 100
Camiseta C 60 minutos
30 unidades 30 unid. x hora
2,00 27,03%
2 00
7 40
,
,
x 100
Rateio Horas-Máquina 7,40 100,00%
FONTE: O autor
• RATEIO DE CUSTOS EM UM SERVIÇO PÚBLICO. E se aplicarmos o rateio
de custos gerais em um colégio público, como poderia ser feito? Vamos pensar
no seguinte: se o centro de custos é definido pelo número de salas da escola,
logo, poderíamos estabelecer o rateio de custos em função do número de salas
tanto do ensino básico, do ensino meio e do técnico.
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
36
QUADRO 7 – RATEIO EM FUNÇÃO DO NÚMERO DE SALAS
Ensino Número de salas Peso Ponderação
Básico 6 salas de aula 6 46%
6
13
x 100
Medio 4 salas de aula 4 31%
4
13
x 100
Técnico 3 salas de aula 3 23%
3
13
x 100
Rateio Horas-Máquina 13 100,00%
FONTE: O autor
Acabamos de fazer um rateio para poder incorporar os gastos gerais de
uma escola pública para cada um de seus centros de custos (Nível de Ensino), ou
seja, ter um ponto referencial de centro de custos. Neste caso, o critério foi salas
de aula para o nível de ensino, temos como opção apurar o rendimento de cada
um dos professores levando em consideração o número de alunos que cada um
deles possui. Observe que o critério pode ser outro, mas sempre deve ter um
argumento lógico e mensurável.
Em síntese, com esses valores proporcionais a serem aplicados aos custos
indiretos totais é que poderemos determinar o rateio. E lembre-se: os custos
rateados sempre serão custos indiretos, em função do critério considerado pela
instituição, segundo Leone (2009, p. 61): “Os custos rateados são sempre custos
indiretos, pois o rateio é realizado mediante o emprego de critérios e taxas que
resultam na divisão proporcional de um montante global e comum”.
4.4.1 Aplicação do rateio
Agora que possuímos o critério para estabelecer pesos e porcentagens de
rateio, devemos nos perguntar: como vamos aplicar tudo isso nos custos indiretos?
Parece um pouco difícil, mas não é. Para poder ratear deve-se considerar o valor
dos custos indiretos e aplicar as porcentagens do rateio em função desse valor
indireto, ou seja, o rateio serve como um ponto referencial, por meio do qual
poderá se incorporar o custo indireto para cada um dos produtos que foram
produzidos, devendo-se observar a seguinte aplicação matemática:
Custo Indireto
Custo Indireto x % de rateio do produto A + Custo Indireto x % de
rateio do produto B + Custo Indireto x % de rateio do produto C +
Custo Indireto x % de rateio do produto D +....
TÓPICO 2 | TERMINOLOGIA DA ESTRUTURA DE CUSTOS
37
FONTE: O autor
E como vamos aplicar esse cálculo? A seguir vamos exemplificar essa
distribuição e incorporação de um custo geral a cada um dos produtos de uma
empresa. Isso levando em consideração a porcentagem de rateio horas-máquina,
já definida acima.
QUADRO 8 – EXEMPLO DE CUSTO INDIRETO A SER RATEADO, CONSUMO DE ENERGIA ELÉTRICA
NO PROCESSO PRODUTIVO DE DIVERSOS PRODUTOS SEMELHANTES E DIFERENCIADOS
Custo Indireto Porcentagem do custo Registo do custo
Gasto de energia (mês) 100% R$ 300.000
Máquina A (42,55%) 300.000 x 0.4255 = R$ 127.650
Máquina B (31,92%) 300.000 x 0.3192 = R$ 95.760
Máquina C (25,53%) 300.000 x 0.2553 = R$ 76.590
No quadro exposto acabamos de incorporar um custo geral (indireto) a
cada um dos produtos que foram feitos graças ao consumo de energia. Observe
que sem esse consumo de energia mal o equipamento poderia funcionar, logo,
seria impossível fabricar sem esse consumo de energia elétrica.
Eis o critério de esse consumo de energia ser considerado custo e não
despesa geral de apoio, pois o uso desta é essencial ao processo produtivo.
Assim, com base dessas taxas predeterminadas de rateio, a empresa poderá
incorporar ao custo de cada produto cada um de todos os custos indiretos, como
foi feito no caso da energia elétrica. Crepaldi (2002, p. 18) expõe exatamente isso, a
necessidade de critérios de rateio para incorporar custos gerais aos produtos: “[...]
os custos indiretos são os que, para serem incorporados aos produtos, necessitam
da utilização de algum critério de rateio”.
Lembra quais são os outros casos de custos indiretos? É considerado custo
indireto: a depreciação do equipamento, a folha de pagamento, o aluguel da fábrica etc.
ATENCAO
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
38
Tipo de Custo Direto Produto 1 Produto 1 Total
Matéria Prima e Insumos R$ 32.000 R$ 28.000 R$ 60.000
Mão de Obra Direta R$ 15.000 R$ 8.100 R$ 23.100
Custo Direto R$ 47.000 R$ 36.100 R$ 83.100
Custo Indireto de Fabricação
- CIF R$ 79.000
Custo de Produção
Unidades Produzidas 130 190 320
Custo Unitário em função das
horas-máquinas?
Horas Produto 1 Horas Produto 2 Total Horas
250 % (?) 370 % (?) 620
CASO PRÁTICO DE RATEIO
Como já foi estudado, para se distribuir de maneira proporcional os
custos indiretos aos produtos a serem fabricados, o primeiro passo é identificar a
“proporcionalidade” de algum tipo de custo direto que possa servir como base de
rateio, tais como horas-homem ou horas-máquinautilizados no processo produtivo.
A seguir vamos analisar um caso onde uma fábrica produz dois modelos
de mesas para jantar: Produto 1 e Produto 2. Nesta análise vamos apurar os
custos totais para cada um dos produtos. O seguinte passo será analisar os custos
e dados importantes apresentados no quadro a seguir.
QUADRO 9 – PROCESSO DE INCORPORAÇÃO DOS CUSTOS AOS PRODUTOS FABRICADOS
FONTE: O autor
Observa-se que se apresenta um custo indireto total de R$ 79.000,00, os
quais ainda não foram incorporados aos produtos fabricados. Considerando isso,
há a necessidade de distribuí-los por algum critério de rateio para que possamos
obter o custo total por produto, parece complexo, não é? Mas, na verdade, não é
assim, vamos ver como é apurado? Para fazer isso vamos levar em consideração
o rateio da quantidade de horas-máquina, detalhado ao final do quadro.
Em função dessa consideração, precisa-se identificar o montante de horas-
máquina consumidas pela empresa, mostrando os seguintes valores:
TÓPICO 2 | TERMINOLOGIA DA ESTRUTURA DE CUSTOS
39
Item Horas-Máquina Porcentagem
Produto 1 250 40%
250
620
x 100
Produto 2 370 60%
370
620
x 100
Total Horas-Máquina 620 100%
Observe que para simplificar os cálculos as porcentagens estão com zero
casas, ou seja, foram arredondadas para números integrais. 40,32% 40%, e 59,68% 60%.
ATENCAO
No quadro exposto acima acabamos de determinar o critério de rateio a
ser utilizado para incorporar o custo indireto nos custos totais por produto. A
apuração das porcentagens foi feita da seguinte maneira:
• Produto 1. 250 horas, representando 40,32% do total de horas-máquina (620),
significando que o produto (1) está consumindo 40,32% do total de horas-
máquina utilizadas para produzir os produtos. Mas para simplificar os cálculos
vai se arredondar para 40%.
• Produto 2. 370 horas-máquina, representando 59,68% do total de horas-
máquina (620), significando que está consumindo 40,32% do total utilizado de
horas-máquina. Mas para simplificar os cálculos vai se arredondar para 60%.
Aplicação do rateio. É precisamente essa informação da proporcionalidade do
consumo ponderado (porcentagens) que será utilizada como critério de distribuição
dos custos indiretos de fabricação. No exemplo exposto acima, apresenta-se R$
79.000,00 de custos indiretos que precisam ser distribuídos tanto para o produto 1
como para o produto 2, devendo ser incorporados da seguinte maneira:
• Produto 1: R$ 79.000 x 40% = R$ 31.600, porque esse produto gastou 40% das
horas-máquina.
• Produto 2: R$ 79.000 x 60% = R$ 47.400 porque esse produto consumiu 60%
das horas-máquina.
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
40
Agora sim, com essas apurações pode-se montar a distribuição de custos
(tanto dos diretos como dos indiretos) por produto produzido, vamos ver como
ficou nosso quadro de custos, vamos lá?
QUADRO 10 – RATEIO SE APLICANDO O REFERENCIAL HORAS-MÁQUINA
FONTE: O autor
Quando temos incorporados os custos gerais, ou indiretos, é que podemos
ter uma visão de quanto foi o custo por unidade produzida e, o mais importante,
por tipo de produto. Logo, através do custo por produto e as quantidades que
foram produzidas poderemos observar que:
• Produto 1, custo unitário de R$ 604,62, ou seja: R$ 78.600,00 divido por 130
unidades.
• Produto 2, custo unitário de R$ 439,47, ou seja: R$ 83.500,00 divido por 190
unidades.
Talvez, você esteja se perguntando, mas para que é necessário incorporar
um custo geral ao custo do produto? É importante sim, pois por meio desse critério
podemos identificar um custo referencial unitário, por meio do qual poderá
se determinar potenciais lucros e preços sobre cada um dos produtos, quesito
fundamental tanto nas organizações públicas como nas privadas.
Logo depois de ter analisado o caso prático devemos lembrar os passos a
serem aplicados para um correto rateio dos custos indiretos, sendo estes:
1 Separar custos diretos dos indiretos.
2 Apropriar, por rateio, os custos indiretos de fabricação utilizando como critério
de rateio o que melhor se encaixe ao processo produtivo.
3 Apurar o custo unitário de cada um dos produtos.
Tipo de Custo Direto Produto 1 Produto 1 Total
Matéria Prima e Insumos R$ 32.000 R$ 28.000 R$ 60.000
Mão de Obra Direta R$ 15.000 R$ 8.100 R$ 23.100
Custo Direto R$ 47.000 R$ 36.100 R$ 83.100
Incorporação do Custo Indireto em função das horas máquina
Custo Indireto de Fabricação
- CIF R$ 31.600 40% R$ 47.400 60% R$ 79.000
Custo de Produção R$ 78.600 R$ 83.500 R$ 162.100
Unidade de Produção 130 190 320
Custo Unitário em função
das horas-máquinas?
R$ 604,62 R$ 439,47 Total Horas
250 40% 370 60% 620 100%
TÓPICO 2 | TERMINOLOGIA DA ESTRUTURA DE CUSTOS
41
5 ESTRUTURA DOS CUSTOS E GASTOS
Um dos elementos mais importantes para poder determinar a
produtividade de uma organização economicamente ativa é analisando sua
estrutura de custos, mas o que quer dizer estrutura de custos?
Ao observarmos todo processo produtivo, seja fabril ou de serviços,
percebemos custos totais e custos unitários. Mas para poder identificar tanto
o custo total de um processo produtivo como o custo unitário temos que ter
conhecimento do comportamento dos custos, tanto dos custos fixos como dos
custos variáveis.
Eis a resposta a nossa pergunta sobre a estrutura de custos, devemos
observar os comportamentos dos custos, tanto variáveis como fixos. Se ficou
curioso, não se preocupe, a seguir vamos estudar o que significa isso.
5.1 CUSTOS VARIÁVEIS E FIXOS
O primeiro passo para definir a estrutura de custos é observando a dinâmica
dos custos variáveis que estão diretamente relacionados às unidades produzidas,
e os fixos que possuem um vínculo indireto, mas essenciais, à produção.
O Custo Variável é sinônimo de custo direto, está diretamente vinculado
às quantidades produzidas ou comercializadas. Assim, pode se acrescentar ou
diminuir à medida que a produção e comercialização vai mudando. Imagine
uma loja que vende sapatos, o custo variável desse negócio será a quantidade de
sapatos que compra de seus fornecedores, quanto mais vender maior será o custo
variável, pois precisa comprar mais de seus fornecedores para dar conta do recado
das vendas. Deste modo, quanto maior o volume das unidades produzidas, maior
será o custo variável proporcional às vendas.
Os custos variáveis estão diretamente vinculados ao processo produtivo
unitário e comercial em si, tais como: insumos, embalagens, consumo de energia
direta no processo de transformação.
O Custo Fixo é sinônimo de custo indireto e geral, este é definido como
aquele que não aumenta em função do aumento da produção, isso dentro de um
horizonte produtivo, ou seja, em função da capacidade instalada.
Nesse contexto, esteja uma empresa produzindo uma só unidade ou 1000
unidades, esses custos serão iguais. Ou seja, estes não vão mudar, pois são FIXOS.
Exemplo de custos fixos: amortização do equipamento, folha de pagamento, gastos
administrativos, aluguel, entre outros.
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
42
5.2 DINÂMICA DOS CUSTOS VARIÁVEIS E FIXOS
Partindo dessa definição de custos fixos e variáveis é que podemos observar
a sua dinâmica em si. Para poder ilustrar isso, veremos um exemplo, analisando o
comportamento destes custos em uma estrutura produtiva hipotética.
QUADRO 11 – COMPORTAMENTO DO CUSTO FIXO E VARIÁVEL
Quantidades Produzidas
Fixo Variável
Custo Total
2.000,00
0 2.000 0 2.000
100 2.000 1.600 3.600
200 2.000 2.700 4.700
300 2.000 3.360 5.360
400 2.000 3.820 5.820
500 2.000 4.300 6.300
600 2.000 5.100 7.100
700 2.000 6.420 8.420
800 2.000 8.220 10.220
900 2.000 10.520 12.520
1000 2.000 13.620 15.620
FONTE: Adaptado de Rossetti (1997, p. 464)
No quadro pode-se observar que os custos fixos não se alteram em função
do volume produzido, estes ficam constantes em R$ 2.000! Observe que esses
custos fixos conseguem dar conta de uma produção máximade 1000 unidades/
mês, (capacidade produtiva instalada – investimento feito).
Acima de 1000 unidade deve-se aumentar a capacidade instalada. Ou
seja, para produzir acima dessas 1000 unidades/mês, será necessário: alugar
mais um galpão, comprar mais um equipamento etc. Logo, os custos fixos irão
aumentar também para um novo patamar, mas isso poderia acontecer somente se
o horizonte produtivo da empresa aumentar também.
Entretanto, apesar de os custos fixos se manterem iguais, você poderá
observar que os custos variáveis vão mudando. Isso acontece porque os custos
variáveis vão se transformando em função do volume produzido.
Existe um elo direto entre quantidades produzidas e as quantidades de
insumos consumidos para dar conta desse volume de produção, eis o nome
destes também como custos diretos de produção.
TÓPICO 2 | TERMINOLOGIA DA ESTRUTURA DE CUSTOS
43
Assim, à medida que se produz maiores quantidades de unidades, maiores
também serão as quantidades de insumos e energia (ligada ao processo produtivo),
recursos necessários e incorporados diretamente ao volume de produção.
Lembre-se: todo centro de custo possui uma parte de custos fixos e uma parte
de custos variáveis.
ATENCAO
5.3 CUSTO UNITÁRIO MÉDIO
Nessa dinâmica da estrutura de custos, existe mais um elemento a
se observar, os custos totais vão mudando também em função do volume
produzido. Porém, o interessante é que este aumento será em menor proporção
que o aumento dos custos variáveis totais, isso acontece porque existe uma
proporção não constante recorrente da somatória dos custos fixos + custos
variáveis, isso à medida que vão aumentando a produção. Portanto: o peso, ou
influência, do custo fixo no custo total vai diminuindo também.
Agora, com essa dinâmica do custo total que vai aumentando, ou diminuindo,
em função das unidades produzidas, é que se pode apurar o custo médio unitário.
Como o próprio nome diz, o custo médio unitário é o custo referencial de produzir
uma unidade, e isso dado um nível específico de produção. No entanto, será que
esse custo médio sempre fica igual em cada um dos níveis de produção, ou este
vai diminuindo, à medida que vai aumentando a produção?
• Se aumentar a produção, a tendência do custo médio unitário será de
diminuição.
• Se diminuir a produção, a tendência de o custo médio unitário será de aumento.
Assim, o custo unitário muda em cada nível de unidades produzidas. Este
é apurado por meio da seguinte fórmula:
Custo Médio por Unidade Produzida Custo Médio:
Custo Total
Quantidades Produzidas
Seguindo nosso quadro exposto acima, de custos fixos e variáveis, a seguir
veremos como ficará o custo médio por unidade produzida.
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
44
QUADRO 12 – DINÂMICA DO CUSTO UNITÁRIO
Composição dos Custos
Quantidades
Produzidas
Fixo Variável
Custo Total Custo Médio por Unidade 2.000,00
0 2.000 0 2.000 -----------
100 2.000 1.600 3.600 36,00
200 2.000 2.700 4.700 23,50
300 2.000 3.360 5.360 17,87
400 2.000 3.820 5.820 14,55
500 2.000 4.300 6.300 12,60
600 2.000 5.100 7.100 11,83
FONTE: Adaptado de Rossetti (1997, p. 464)
Assim, podemos observar que o custo médio por unidade produzida
nunca fica igual, mas este vai mudando à medida que vão mudando também as
quantidades produzidas. Situação exemplificada no quadro acima.
A seguir, vamos analisar mais um caso hipotético sobre o comportamento
do custo médio unitário, mas, neste caso, na oferta de um serviço, especificamente
no transporte de passageiros. Situação que pode ser analisada também desde
uma perspectiva de oferta de serviço de transporte público.
5.3.1 Comportamento dos custos na oferta de um serviço
Vamos supor que uma empresa de ônibus faz o percurso Blumenau –
Florianópolis, no Estado de Santa Catarina. Este serviço de transporte é realizado
todos os dias às 7 horas. A capacidade máxima de passageiros é de 100 pessoas,
logo, considerando os custos vamos ter os seguintes valores de custo unitário por
passageiro transportado:
TÓPICO 2 | TERMINOLOGIA DA ESTRUTURA DE CUSTOS
45
QUADRO 13 – EXEMPLO DE CUSTOS FIXOS DE UMA VIAGEM DE ÔNIBUS
Subcontas de
Custos Custos Fixos
Número de Passageiros
100 75 50 25
Óleo diesel R$ 500,00 R$ 5,00 R$ 6,67 R$ 10,00 R$ 20,00
Pessoal R$ 100,00 R$ 1,00 R$ 1,33 R$ 2,00 R$ 4,00
Amortização R$ 100,00 R$ 1,00 R$ 1,33 R$ 2,00 R$ 4,00
Seguros R$ 50,00 R$ 0,50 R$ 0,67 R$ 1,00 R$ 2,00
Vários R$ 200,00 R$ 2,00 R$ 2,67 R$ 4,00 R$ 8,00
Total R$ 950,00 R$ 9,50 R$ 12,67 R$ 19,00 R$ 38,00
Valor Passagem R$ 30,00 R$ 30,00 R$ 30,00 R$ 30,00
Lucro/Unidade R$ 20,50 R$ 17,33 R$ 11,00 -R$ 8,00
Lucro Total R$ 2.050,00 R$ 1.300,00 R$ 550,00 -R$ 200,00
FONTE: Adaptado de Rossetti (1997, p. 464)
Observe o impacto no custo unitário por passageiro à medida que o ônibus
vai se aproximando da sua capacidade máxima de transporte. Este custo unitário
será de: R$ 38,00 quando houver 25 passageiros, e de R$ 12,67 quando houver 74
passageiros. Observe também o impacto no custo unitário, quando o serviço se
aproxima do seu limite máximo de produtividade.
O mesmo conceito básico aplica-se à dinâmica dos serviços de transporte
público. Eis a necessidade de esses serviços não estarem nem subutilizados nem
superutilizados, em ambos os casos os custos serão muitos altos para o Estado.
No geral, a mesma análise pode se aplicar para qualquer processo
industrial, comercial e de serviços. A grande diferença é que num processo
industrial, à medida que se vão produzindo mais unidades, os custos totais vão
aumentando também, diferente do caso do serviço de ônibus, onde a maior parte
dos custos são fixos.
Lembre-se também de que, sempre, em qualquer situação (pública
e privada), caso exista a necessidade de aumentar mais a produção, será
indispensável fazer novos investimentos, quesito que será refletido no aumento
do custo fixo para um novo patamar. Situação que mudará também para um
novo patamar de dinâmica de comportamento da estrutura de custos.
O que foi exposto, na sua essência parece muito simples de analisar, mas se
observar, o Estado possui uma grande tarefa de manter o investimento “eficiente”
para dar conta dos serviços públicos atuais e dos que precisa aumentar. Sobre
isso podemos observar o caso do transporte público, quantas vezes podemos
observar a falta de investimento nesta área, e os desafios que isso traz tanto para
a comunidade como para a gestão de custos desses serviços em si. Por falta de
investimento e gestão apropriada, os serviços de transporte público, muitas vezes,
possuem uma estrutura de custos que traz muito prejuízo tanto para o Estado
como para a sociedade. Eis a necessidade de uma gestão de custos eficiente nos
órgãos dos governos federais, estaduais como municipais.
46
RESUMO DO TÓPICO 2
• Seja setor privado ou público, toda atividade gera consumo de recursos, sendo
assim existe uma relação direta entre quais produtos e serviços a empresa
procura produzir e quais são as necessidades dos consumidores. Assim, esse
consumo de recursos é conhecido como custos e despesas de uma atividade
econômica.
• Toda atividade econômica gera processos produtivos, que demandam de três
grandes tipos de recursos: matéria-prima e insumos, bens de capital, e recursos
humanos.
• As atividades essenciais ao processo produtivo são conhecidas como custos,
que são divididos em três grandes grupos: custo direto (matéria-prima e
insumos), custo de mão de obra, e custos indiretos de fabricação (CIF).
• As atividades de suporte ao processo produtivo são conhecidas como despesas
(ou gastos), ou seja, são atividades de apoio ao processo produtivo em si, que
são geradas ou consumidas fora do ambiente do processo produtivo de um
produto ou serviço.
• Toda atividade econômica para poder ser executada precisa de investimento,
ou seja, antes de iniciar o processo produtivo precisa-se planejar compras
(investir) tanto de bens de capital como de capital de trabalho.• As atividades econômicas para serem executadas precisam tanto de estoques
de insumos e materiais, como de estoques de produto terminado. Assim, uma
parte fundamental da análise de custos é precisamente na gestão de estoques.
• A apuração do custo dos produtos e serviços vai se executando à medida
que vão acontecendo as vendas, ou seja, à medida que estoque de produto
terminado vai saindo para se converter em vendas. Assim, é como “custo do
produto vendido” (CPV).
47
1 Em uma organização economicamente ativa existe uma série de atividades
a serem cumpridas, que demandam de recursos. Nesse contexto, defina o
que é recurso produtivo e exponha um exemplo de cada uma das categorias
econômicas.
2 No processo produtivo de qualquer produto e/ou serviço existe o consumo
de recursos. Consumo que dependendo de sua finalidade pode virar tanto
custo como despesa. Nesse contexto, determine qual é a diferença entre
custo direto e custo indireto de fabricação (CIF).
3 Nas atividades produtivas existem tanto custos como despesas, mas existe
uma diferença essencial entre esta classificação de consumo de recursos.
Nesse contexto determine a sentença correta a seguir:
( ) O consumo de recurso como despesa são as necessidades de gasto geral
durante o processo produtivo. Ou seja, é gasto gerado recorrente de
recursos consumidos de maneira geral no ambiente de fabricação, tal
como o aluguel de um galpão onde acontece o processo de transformação.
( ) O consumo de recurso como despesa são as necessidades de apoio
ao processo produtivo em si. Ou seja: as despesas que são geradas ou
consumidas fora do ambiente de fabricação de um produto ou serviço,
tal como o aluguel da loja de uma fábrica de camisetas, não essencial à
produção, mas serve como apoio às vendas do fábrica.
4 Toda organização economicamente ativa leva um registro de seus custos,
despesas e investimentos. Mas existe uma diferença básica entre o que
são custos/despesas e o que são investimentos. A seguir determine essa
diferença entre custos e investimentos.
5 As empresas, sejam comerciais, industriais ou de serviços públicos,
necessitam dispender recursos financeiros para a manutenção dos seus
negócios. Desta forma, a análise de custos, entre outras coisas, leva em
consideração a alocação e classificação dos custos, despesas e investimentos.
Nesse contexto, classifique:
a) Os custos, gastos e investimentos em função do seguinte quadro.
b) Os valores totais dos custos, gastos e investimentos.
AUTOATIVIDADE
48
6 A avaliação de estoques faz parte dos fundamentos da análise de custos
e da logística, sendo uma peça-chave para o correto controle do consumo
de insumos e materiais. Nesse contexto existem três fases dinâmicas de
estoques. Determine a sentença correta em função disso.
( ) Os três tipos e fases de estoques em um processo produtivo são: estoque
de compras, estoques de produtos em elaboração e estoque de produtos
acabados.
( ) Os três tipos e fases de estoques em um processo produtivo são: estoque
de investimentos, estoques de materiais e insumos e estoque de materiais
indiretos.
7 Todo custo indireto deve ser alocado ao custo dos produtos, pois reflete
o consumo de recursos para dar conta do processo produtivo de um
determinado produto. Assim, o rateio é um sistema para poder incorporar
os custos indiretos nos diversos produtos e serviços a serem produzidos.
Em função do seguinte quadro de rateio e custos indiretos incorpore esses
custos aos dois tipos de produtos expostos.
Classificação do Consumo e Compras (Fábricas de Camisetas)
Consumo de Recursos Valor Custos Despesa Investimentos
Folha de pagamento no chão de fábrica R$ 17.350,00
Compra de equipamento produtivo R$ 37.500,00
Depreciação de Equipamento produtivo R$ 4.500,00
Compra de matéria-prima e insumos R$ 12.000,00
Depreciação de Caminhões (dist. Produto) R$ 3.500,00
Consumo de Materiais indiretos na produção R$ 3.500,00
Compra Embalagem dos produtos R$ 3.500,00
Consumo Embalagem dos produtos R$ 1.500,00
Consumo de Matéria-prima e insumos R$ 13.500,00
Aluguel da fábrica R$ 6.500,00
Aluguel de sala comercial R$ 3.000,00
Seguro da fábrica e seus equipamentos R$ 2.800,00
Total:
49
8 Uma parte importante da dinâmica dos custos é observar o comportamento
dos custos em função de sua estrutura entre custos fixos e variáveis. Em
função disso, uma empresa poderá identificar volumes de produção com a
estrutura de custos para cada um dos produtos. Determine a sentença correta:
( ) A diferença essencial entre custo variável e fixo é que o custo variável pode
mudar em cada período de análise de custos, pois há alguns recursos que
seus preços de compra aos fornecedores mudam mês a mês, exemplo: o
quilo de tomate para produzir molho concentrado de tomate muda de
preço todas as semanas.
Entretanto, o custo fixo é aquele que possui um preço de compra aos
fornecedores estável mês a mês, este não muda de preço, exemplo: o
aluguel da fábrica de molho de tomate, este possui contrato de custo fixo
por um ano.
( ) A diferença essencial entre custo variável e fixo é que o custo variável vai
mudando em função das unidades produzidas, ou seja, é diretamente
vinculado e dosificado ao volume produzido, exemplo: quanto mais
quilos de pão produzir uma padaria maiores serão os custos variáveis.
Entretanto, os custos fixos são um custo indireto que não aumenta à
medida que aumenta a produção, estes se mantêm fixos, exemplo: o
aluguel da padaria, esse custo será pago cada mês independentemente se
a padaria produzir 300 quilos ou 3.000 quilos de pão ao mês.
Tipo de Custo Direto Produto 1 Produto 1 Total
Matéria Prima e Insumos R$ 24.100 R$ 21.100 R$ 45.200
Mão de Obra Direta R$ 11.300 R$ 6.100 R$ 17.400
Custo Direto R$ 35.400 R$ 27.200 R$ 62.600
Incorporação do Custo Indireto em função das horas-máquina
Custo Indireto de Fabricação - CIF R$ 60.000
Custo de Produção
Unidades Produzidas 145 210 355
Custo Unitário em função das
horas-máquinas
Critério de Rateiro
Custo Unitário em função das
horas-máquinas?
Horas-produto 1 Horas-produto 2 Total Horas
277 % (?) 356 % (?) 633
50
9 Todo processo produtivo para ter um bom controle de seu potencial lucro por
produto precisa ter um referente de seu custo médio por unidade produzida.
Este custo médio vai mudando à medida que aumenta a produção, pois os
custos fixos vão se diluindo num maior número de unidades produzidas. A
seguir apure o custo médio em três níveis produção, em função do quadro
a seguir:
o Dica: Custo Médio Unitário: Custo Total
Quantidades Produzidas
Apuração do custo unitário de quilo de pão
Quantidades
Produzidas Fixo
Variável
Custo Total Custo Médio por UnidadeUnitário Total
0 R$ 5.000 R$ 0
1.000 R$ 5.000 R$ 2,10 R$ 2.100
2.000 R$ 5.000 R$ 2,10 R$ 4.200
3.000 R$ 5.000 R$ 2,10 R$ 6.300
51
TÓPICO 3
CONTEXTO HISTÓRICO DOS CUSTOS
DO SETOR PÚBLICO
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
Agora que possuímos o conhecimento de como os custos podem se
comportar em uma organização economicamente ativa, seja pública ou privada,
nesta parte da unidade, iremos abordar o contexto histórico dos custos sobre uma
perspectiva destes no setor público.
No contexto público, a dinâmica da análise e aplicação de custos ainda
possui espaço para evoluir, pois na gestão de custos governamental existe um
vínculo direto entre gasto e o orçamento governamental. Assim, do ponto de
vista da administração pública é importante fazer gestão da qualidade do gasto
(consumo de recursos) recorrente do orçamento governamental. A qualidade
do gasto é questão de discussão no âmbito público não só aqui no Brasil, mas
também ao longo da administração pública dos diversos países do mundo.
[...] o tema de custos no serviço público vem crescendo de importância
no exterior, principalmente pela necessidade de criar indicadores
gerenciais para avaliar o desempenho e a qualidade do gasto realizado
pelo gestor público. Na prática, é uma busca por instrumentos que
permitam melhordirecionar decisões e avaliar os resultados de uma
gestão eficaz” (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 27).
Como os autores explicam, uma gestão de custos pública eficaz depende,
em grande parte, da qualidade do gasto autorizado pelo orçamento do Estado.
Observe que desde a perspectiva pública, as instituições estão quase obrigadas a
gastar o que foi autorizado no orçamento, isso independente da fonte de recursos;
a lógica simples explica isso, como está no orçamento e aprovado para usar, logo,
pode-se gastar.
Entretanto, na área privada, a fonte que alimenta os gastos depende
das receitas, das perspectivas de investimentos futuros, e, principalmente, da
capacidade do gasto para gerar lucro. A lógica simples deste setor, se gasto tanto,
logo, quanto esse gasto vai gerar lucro?
52
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
Eis uma das grandes diferenças entre a gestão de custos pública e privada,
no setor público, o gasto autorizado dos diversos órgãos e instituições depende
do orçamento governamental, daí a necessidade de aprimorar constantemente a
qualidade do que se vai gastar.
2 EVOLUÇÃO DA ANÁLISE DE CUSTOS NO CONTEXTO
GOVERNAMENTAL
Desde uma perspectiva geral, pública e privada, a gestão de custos tem
sua origem e fonte de dados na contabilidade geral. Observe que a contabilidade
geral fornece informações necessárias para ter controle dos valores a serem
alocados aos estoques, e dos valores de quanto produzir e oferecer à sociedade.
Assim, a gestão de custos faz esse elo entre a contabilidade geral e as
necessidades gerenciais para a tomada de decisões, como explica o autor Crepaldi
(2002, p.14): “[...] dispõe de técnicas que são aplicadas não somente às empresas
industriais, mas também a outras atividades, inclusive empresas públicas e
entidades sem fins lucrativos, não estando restrita às formalidades legais da
contabilidade geral”.
No contexto histórico, a gestão de custos vem se desenvolvendo desde o
início da Revolução Industrial, antes disso, a análise de custos das empresas era por
meio de um simples registro do que se comprava, gastava e do que tinha em estoque.
A contabilidade de custos desenvolveu-se com a Revolução Industrial
e teve que se adaptar à nova realidade econômica, com o surgimento
das máquinas e a consequente produção em escala.
Até então, as empresas apenas compravam e revendiam mercadorias,
ou seja, apenas dedicavam-se ao comércio. Para apurar o resultado
de suas operações com mercadorias, bastava calcular o custo das
mercadorias vendidas – CMV (CREPALDI, 2002, p. 14).
Essa foi a prática, ou seja, fazer o registro simples do Custo das Mercadorias
Vendidas (CMV) onde:
Custo das Mercadorias Vendidas – CVM Estoque Inicial + Compras – Estoque Final
Depois, ao final do século XIX, é que a gestão de custos começa a se
estruturar, possuindo maior nível de detalhe. Maior nível de detalhe que começou
a focar os níveis de rateio dos custos indiretos.
TÓPICO 3 | CONTEXTO HISTÓRICO DOS CUSTOS
53
2.1 LEGISLAÇÃO DE CUSTOS DO SETOR PÚBLICO
Referente à gestão de custos no setor público deve-se focar mais no registro
dos custos desde a perspectiva da execução orçamentária e o comportamento da
composição patrimonial das entidades do Estado. E não no foco incentivador de
quanto foi gasto, logo, quanto vai me render de lucro, como é no caso do setor privado.
Apesar desse grande foco na execução orçamentária, no setor público
também existe campo para a dinâmica de custos eficientes. Em especial, quando
se trata de processos de oferta de serviços, focando a apuração de custos com
vista a calcular o resultado do exercício (a geração de rentabilidade), segundo
a Lei de Responsabilidade Fiscal, Decreto-Lei nº 101, de 4 de maio de 2000, em
seu artigo 50, parágrafo 3º, detalha: “A administração pública manterá sistema
de custos que permita a avaliação e o acompanhamento da gestão orçamentária,
financeira e patrimonial”.
Com base na Lei de Responsabilidade Fiscal, e mais outros dispositivos
legais elaborados no Plano de Contas Aplicado ao Setor Público de 2009, existem
ferramentas para que o setor público possa apurar seus custos de maneira
eficiente e transparente. Isto com o objetivo de avaliar e demonstrar os resultados
dos programas governamentais à sociedade.
3 GESTÃO DE CUSTOS NA ESTRUTURA FEDERATIVA
DO BRASIL
Como foi exposto anteriormente, a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF)
conseguiu que a gestão pública fosse mais eficiente e dinâmica nos seus processos,
dando assim responsabilidades administrativas ao gestor público em questões
de como gastar e quanto gastar em função do orçamento do Estado. E hoje, o
gestor público conta com uma ferramenta governamental que dá apoio para suas
funções, o Sistema de Informações de Custos do Governo Federal (SIC), sendo
este um sistema: “[...] de apoio à gestão, alimentado com as informações extraídas
dos outros sistemas existentes” (ROSA, 2011, p. 10).
Este sistema, SIC, tem sua normativa contábil referenciada na Norma
Brasileira de Contabilidade Técnica – NBCT 16.11 – do 25 de dezembro de 2011.
Assim considerando, a NBCT pode se normatizar e instruir sobre:
[...] o Sistema de Informação de Custos do Setor Público (SICSP)
estabelecendo conceito, objeto, objetivos e as regras básicas para
mensuração e evidência dos custos no setor público. Além disso,
esta norma alerta quanto ao dever de ser sistemática e gradual
a implantação do SICSP levando em consideração os objetivos
organizacionais, os processos decisórios, critérios de transparência e
controle social (RAIMONDI; GOEZZINGER, 2012, p. 26).
54
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
Com essas condições e normativas para ser aplicadas em uma gestão
de custos eficiente, os órgãos e organizações governamentais procuram, como
qualquer instituição privada, o aperfeiçoamento de suas gestões operativas
para assim poder oferecer um produto ou serviço de qualidade com custos
aprimorados. Quesito fundamental de gestão que possibilita a melhora contínua
no momento de utilizar os recursos do Estado, como explica o Manual de
Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP):
• o aperfeiçoamento da gestão estratégica e da tomada de decisão;
• a melhoria da gestão orçamentário-financeira e aperfeiçoamento na
metodologia de avaliação de programas;
• a modernização da gestão tecnológica;
• o aperfeiçoamento dos mecanismos de gestão de desempenho;
• a redução e controle de custos;
• a mudança de cultura na gestão dos recursos públicos (BRASIL,
2011, p. 208).
É importante observar os esforços que o Estado Brasileiro vem fazendo
nos últimos anos para tentar atingir a eficiência no uso de recursos. Ainda
assim não devemos ficar felizes e dizer que a tarefa está feita, não obstante de
todos os esforços ainda estamos longe de ter uma gestão pública “ótima” que
possa ser comparada com outros países que possuem uma melhor qualidade e
transparência do uso e consumo de recursos públicos.
3.1 MARCO GERAL DOS CUSTOS DO SETOR PÚBLICO
Na contabilidade pública, o registro do consumo de recursos é feito por
meio da contabilidade de custos. É por meio do registro contábil que esse uso
de recurso é levado em consideração, se observando que: “[...] custo é todo o
sacrifício (consumo) de ativos para obtenção de produtos ou serviços” (SLOMSKI,
2010, p. 376).
Nesse sentido, para qualquer gestão, seja pública ou privada, o sustentável
é que o consumo de recursos (custos) possa gerar ganhos superiores aos custos
gerados para sua obtenção. Estes podem ser ganhos “monetários” ou ganhos
“intangíveis” essenciais à comunidade. Agora, se isso não acontecer, de gerar
saldos positivos, num período específico (o que acontece algumas vezes na vida
real) é necessário analisar e rever qualquer prática negativa.
No contexto público, a obtenção de custos tem seu início na liquidação do
gasto previamente orçado, ou seja, acontece quando o recurso foi consumido e
liquidado da despesa orçamentária. Nesta fase doconsumo da despesa pública
é que se pode obter o controle e garantia de que realmente os materiais foram
utilizados, ou que o serviço público foi realmente prestado.
No âmbito público, toda despesa autorizada no orçamento governamental
deve ser gasta dentro do período observado, ou seja, no tempo hábil para sua
execução. Mas, se isso não chegar a acontecer? Se existirem no orçamento público
TÓPICO 3 | CONTEXTO HISTÓRICO DOS CUSTOS
55
restos a pagar que não foram executados, estes poderão ficar para sua liquidação
posterior no exercício seguinte, isso conforme o compromisso com garantia
orçamentária e conforme a Lei de Responsabilidade Fiscal.
Em termos de escopo (marco) geral os registros e informações de custos
no âmbito público possuem uma estrutura geral, por meio da qual se apresentam
as condições do registro de custos, conforme o esquema fornecido pelo Manual
de Contabilidade Aplicada ao Setor Público (MCASP):
• Informação inicial:
Despesa orçamentária executada (despesa liquidada + inscrição de restos a
pagar não processados)
• Ajustes:
(+) inclusões = restos a pagar liquidados no exercício
(-) exclusões = despesa executada por inscrição de restos a pagar não
processados (exceto aqueles para os quais o fato gerado já tenha ocorrido)
+ despesas de exercícios anteriores + despesas não efetivas (formação de
estoques/concessão de adiantamentos/ investimentos/inversões financeiras/
amortização)
(=) despesas orçamentárias ajustadas
(+) ajustes patrimoniais (consumo de estoque/despesa incorrida de
adiantamentos/ depreciação/amortização/exaustão)
= despesa orçamentária após ajustes patrimoniais
= informação de custo
FONTE: BRASIL (2011, p. 132)
Esse marco geral do registro dos custos deverá estar alinhado ao Plano de
Contas Aplicado ao Setor Público (PCASP), por meio do respectivo processo no
Sistema de Informações de Custos (SIC). Isso ajuda bastante na eficiência do gasto,
apesar de que não afasta 100% a corrupção nem as ineficiências no momento
de consumir recursos. Ainda assim é um grande avanço como ferramenta de
controle do gasto público.
3.2 GOVERNO FEDERAL, ESTADOS E MUNICÍPIOS
No Brasil, a gestão governamental está dividida em três grandes partes,
a administração federal, a estadual e a municipal. A seguir veremos como a
administração de custos vem se desenvolvendo e se encaixando nessas três
esferas do Estado.
No âmbito federal existe a Comissão Interministerial de Custos,
normatizada pela Portaria nº 945, de 26 de outubro de 2005. Esta comissão
está formada pelo Ministério do Planejamento, Ministério da Fazenda e pela
Controladoria Geral da União (CGU). Esta comissão possui como objetivo
levantar estudos, diagnosticar, e propor diretrizes para poder implantar métodos
e procedimentos de sistemas de custos ao longo da administração pública.
56
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
Esta iniciativa governamental, de acordo com a secretaria de
Orçamento Federal (SOF, 2006), também é uma resposta ao Acórdão
nº 1.078/2004 do Tribunal de Contas da União (TCU) que exigiu
providências para que a administração pública federal possa dispor,
com a maior brevidade possível, de sistemas de custos que permitam,
dentre outras utilidades, a avaliação e o acompanhamento da gestão
orçamentária e financeira (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 28).
Dentro do âmbito federal temos um caso de exemplo de eficiência de gestão
de custo, o Banco Central do Brasil. “[...] seu sistema foi efetivamente implantado
e colocado em operação em 2003. É considerado um sistema de custos inovador da
área pública. A sua estrutura está baseada no método de alocação de custeio baseado
em atividades (ABC)”. (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 29).
O sistema de custos ABC, referenciado pelo autor, é um método inovador
de apuração de custos que possui como base conceitual a aplicação de rateios, já
estudado no tópico anterior, mas que vamos estudar com maior detalhamento
na seguinte unidade deste caderno de estudos. Este sistema, aplicado no Banco
Central, faz parte do novo conceito de administração pública aplicada em diversos
países, conhecida como new public management, cujo significado em português é:
a nova geração de administração pública. Essa new public management traz uma
perspectiva mais eficiente e econômica da gestão governamental, mas o que
significa isso?
Isso significa poder aplicar na gestão governamental práticas de custos
adotadas com sucesso no setor privado, podendo assim mensurar com eficiência
os custos envolvidos e podendo também ter um conjunto de relatórios gerenciais
que possam ajudar, e em muito, na tomada de decisões.
UNI
Talvez você esteja se perguntando, mas por que são consideradas as práticas
de gestão na área privada como grande referente? Se você reparar no setor privado sem
uma eficiente gestão de custos, uma empresa pode ir facilmente à falência e simplesmente
parar de existir.
Isso não acontece no setor público, onde os órgãos e instituições do Estado, se vão à falência,
continuam existindo. Assim, sem uma eficiente administração de custos estas instituições do
Estado podem gerar mais gastos do que realmente estão entregando à sociedade como um
todo. Eis o porquê de no setor privado as empresas estarem constantemente melhorando
seus custos.
TÓPICO 3 | CONTEXTO HISTÓRICO DOS CUSTOS
57
UNI
Você sabe o que são o PPA, LDO e LOA? O PPA é o Plano Plurianual (PPA). O
LDO é a Lei de Diretrizes Orçamentárias. E o LOA é a Lei Orçamentária Anual.
Outro conceito de gestão pública eficiente e transparente que se vem
aplicando aqui no Brasil e, aliás, em vários países é a accountability, que implica
necessidade de uma instituição pública de prestar contas claras tanto aos órgãos
de controle como à sociedade, uma tradução ao português dessa palavra seria
“responsabilização”.
Uma sociedade precisa atingir certo nível de organização de seus
interesses públicos e privados, antes de tornar-se capaz de exercer
controle sobre o Estado. A extensão, qualidade e força dos controles
são consequência do fortalecimento da malha institucional da
sociedade civil. À medida que os diferentes interesses se organizam,
aumenta a possibilidade de os cidadãos exercerem o controle e
cobrarem do governo aquilo a que têm direito. Um desses mecanismos
de controle seria a participação da sociedade civil na avaliação das
políticas públicas, fazendo recomendações a partir dessa avaliação.
O desenvolvimento da consciência popular é a primeira precondição
para uma democracia verdadeiramente participativa e, portanto, para
a accountability do serviço público (CAMPOS, 1990, p. 35).
DICAS
Para aprofundar mais sobre o termo accountability acesse: <www.accountability.
org/>.
No âmbito estadual podemos observar uma gestão de custos eficiente
aplicada no Estado de Rio Grande do Sul. Esta gestão tem como objetivo possuir
uma ferramenta gerencial para medir e avaliar as despesas geradas, podendo
oferecer aos gestores informações importantes para a tomada de decisões.
Levando em consideração esse objetivo o Estado poderá “[...] apurar os custos por
departamentos, divisões, unidades, serviços prestados etc. Além disso, também
disponibilizará informações dos gastos por função, subfunção e programas de
governo” (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 30).
Com estas ferramentas de análise de custos, o Estado poderá ter as
informações importantes que poderão fundamentar qualquer decisão tomada.
Isso ajuda não só ao aprimoramento da qualidade do gasto do Estado, mas
também a fundamentar projetos, planos de governo no PPA, LDO e LOA.
58
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
No âmbito municipal existem várias experiências que podemos analisar,
todas elas focam a necessidade de observar o comportamento de custos aplicando
sistemas de rateio, em especial o sistema ABC. A seguir vamos analisar o sistema
implantado no município de Rio de Janeiro (RJ).
O sistema chegou a ser implantado no ano 2002, o interessante deste é
que está totalmenteinformatizado é interligado com o sistema institucional. Este
sistema permite, por exemplo, mensurar os custos da Secretaria Municipal de
Educação, entre outras instituições municipais. A apuração está baseada nos
processos de custeio por rateio de custos indiretos, ou seja, o método de custeio
por absorção (a ser estudado na próxima unidade). A grande vantagem deste
sistema aplicado no município de RJ, segundo os autores Mauss e Souza (2008,
p. 31), é que pode ser “utilizado para fundamentar a elaboração do orçamento
municipal e serve de base para planejamento, controle e tomada de decisões do
prefeito, controller, e demais dirigentes”.
Como você observou, acabamos de estudar vários casos de análise de
custos praticados nas três esferas do Estado (Federal, Estadual e Municipal), isto
com o intuito de aprimorarmos a visão geral de como estão sendo administrados
os custos no setor público. Seguramente, você terá agora muitas inquietudes sobre
o que abordam esses métodos de custo ABC por Absorção. Não se preocupe que
daqui a pouco vamos abordar cada um deles na unidade seguinte.
3.4 COMPARATIVO DE ESTRUTURA DE CUSTOS FEDERAL
DOS ESTADOS UNIDOS
Para finalizar esta unidade faremos um comparativo da gestão de custos
praticada aqui no Brasil e nos Estados Unidos. Mas, por que fazer uma comparação
com os Estados Unidos e não com outro país? Esta comparação é importante
por observar três fatos relevantes, ambos países possuem um estado federativo,
tamanhos continentais, e populações com centenas de milhões de pessoas. Além
disso, os Estados Unidos são um país caracterizado por sua administração
eficiente e inovadora, tanto no âmbito público como privado.
Um dos sistemas de custos do setor público mais evoluídos e abrangentes
dos países é precisamente o dos Estados Unidos (EUA). A partir da década de
noventa do século passado, as instituições públicas desse país começaram a
aplicar o sistema de custos ABC. “Nos EUA a contabilidade de custos é utilizada
como base para elaboração e controle orçamentário. Destaca que é a partir de tais
custos que as empresas públicas estabelecem os preços de produtos e serviços,
considerando também o preço de mercado” (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 31).
TÓPICO 3 | CONTEXTO HISTÓRICO DOS CUSTOS
59
Assim, desde essa época, gradativamente, a administração pública
dos EUA vem adotando uma cultura de custos governamentais dinâmica, se
nivelando aos conceitos de custos contábeis, geralmente, aceitos para qualquer
entidade, seja privada ou pública. Estes conceitos contábeis servem para ter
critérios de avaliação de desempenho nas três esferas de administração pública, a
federal, estadual e municipal, e para poder aplicar consistentemente essa cultura
de custos nos EUA existe a:
[...] norma GASB 34 emitida pelo Governamental Accounting Standards
Board, em 1999, para vigorar a partir do exercício financeiro de 2002.
Tal norma estabeleceu um novo modelo de informação financeira
governamental e deu novos padrões e indicadores de controle
(MAUSS; SOUZA, 2008, p. 32).
Com essas mudanças o que conseguiu atingir a administração pública dos
EUA? Ela conseguiu atingir:
• Comparativo de histórico de custos por períodos.
• Determinação do ciclo de vida dos investimentos públicos.
• Exatidão da depreciação acumulada em ativo fixo governamental.
• Definição na análise das condições físicas, para assim projetar necessidades
futuras de manutenção.
Podemos observar que todos esses pontos de análise já vêm se fazendo
por várias décadas no âmbito privado. Hoje, se uma empresa privada não fazer
isso, provavelmente estará destinada à extinção.
No âmbito estadual dos EUA podemos citar o exemplo do Estado de
Carolina do Norte, onde: “[...] criou-se um sistema de avaliação de desempenho dos
governos locais baseado no benchmarking das melhores práticas no gerenciamento
de serviços para a comparação com respectivos custos (CATELLI; SANTOS apud
MAUSS; SOUZA, 2008, p. 32).
E no Brasil? Uma gestão semelhante poderia trazer uma maior eficiência
dos gastos do governo.
Nos Estados Unidos, a população pode tirar suas dúvidas da gestão
pública tanto do governo Federal, Estadual e Municipal por meio do programa
“Governo por Resultados”. Neste programa vão se fixando objetivos, metas e
responsabilidades por área, visando eliminar qualquer tipo de dúvida sobre
algum tipo de custo elevado.
60
UNIDADE 1 | ESTRUTURA DA CONTABILIDADE DO SETOR PÚBLICO
LEITURA COMPLEMENTAR
GESTÃO POR RESULTADOS: GOVERNO VAI IMPLANTAR PLANO
DIRETOR NAS EMPRESAS DA ADMINISTRAÇÃO INDIRETA
Objetivo é assegurar maior qualidade dos serviços prestados e promover
melhores práticas de gestão nas instituições.
O Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Fazenda,
está promovendo uma grande ação de eficiência operacional em oito empresas
da administração indireta: Bescor, Ceasa, Ciasc, Cidasc, Codesc, Cohab, Epagri
e Santur. O objetivo central do plano é assegurar maior qualidade dos serviços
prestados e promover melhores práticas de gestão nas instituições.
“Estamos uniformizando procedimentos e implantando políticas de
Estado respaldadas por um plano diretor para cada estrutura. Um amplo estudo,
iniciado em 2013, nos deu a dimensão exata que essas empresas precisam ter
para cumprir bem o papel do Estado em seus setores de atuação”, resume o
governador Raimundo Colombo. Neste dia 30 de junho, as empresas irão receber
oficialmente as propostas de plano diretor, contrato de gestão e plano de carreira,
cargos e salários. De acordo com o governador, as práticas implantadas nas oito
empresas servirão de referência para a Celesc, SCGAS, Casan, SCPar e Badesc.
“O objetivo não é puramente economizar, mas garantir a melhor aplicação
possível dos recursos que o Governo repassa a essas estruturas”, explica o
secretário da Fazenda, Antonio Gavazzoni. Segundo ele, uma das partes mais
importantes do plano é o contrato de gestão, que vai garantir a aplicação das
metas estabelecidas no plano diretor de cada empresa. “O governo definiu um
mapa de indicadores para cada empresa, que deverá prestar contas regularmente
de seu desempenho. A meritocracia também estará presente na administração
indireta, já que as metas para cada diretoria estarão atreladas à remuneração
variável dos gestores. Vai ganhar mais quem desempenhar melhor”, diz.
Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) – O Plano de Eficiência
Operacional prevê um PCCS que abrange todas as empresas da administração
indireta, com padronização de remuneração por grau de instrução. Para cada
grupo ocupacional serão estabelecidos piso e teto salarial com base em pesquisa de
mercado. Para progredir na carreira, o empregado, além dos fatores de maturidade
profissional, também deverá cumprir objetivos e metas empresariais (meritocracia).
Plano teve início em 2013 – A construção do Plano de Gestão teve início com
diagnóstico e avaliação dos principais desafios das empresas. Em 2013, durante
seis meses, mais de 200 pessoas foram ouvidas em cerca de 80 reuniões, workshops
e visitas a campo. Organizações de outros dez estados foram selecionadas para
benchmark e serviram de referência para o estudo, que teve apoio da consultoria
Roland Berger. O novo modelo de gestão pública das empresas é baseado em três
pilares: planejamento, governança e desempenho.
TÓPICO 3 | CONTEXTO HISTÓRICO DOS CUSTOS
61
Mais de 700 empregados saíram pelo PDVI – A primeira ação concreta
do Plano teve início com um grande Plano de Demissão Voluntária Incentivada
(PDVI) para os empregados celetistas das empresas, que até o momento resultou
no desligamento de 759 empregados. As empresas que foram alvo do Plano
de Gestão consumiam cerca de R$ 580 milhões por ano em folha, e a economia
gerada com o PDVI, poderá chegar a R$ 414 milhões até 2022 (descontados os
valores pagos com os desligamentos: R$ 248 milhões em até 36 parcelas).
Assessoria de Comunicação da Secretaria de Estado da Fazenda de
Santa Catarina
FONTE: Disponívelem: <http://www.sef.sc.gov.br/noticias/gest%C3%A3o-por-resultados-governo-
vai-implantar-plano-diretor-nas-empresas-da-administra%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em: 21 dez. 2015.
62
RESUMO DO TÓPICO 3
• A gestão de custos faz um vínculo entre a contabilidade geral e a necessidade
de analisar os custos por parte das necessidades gerenciais na tomada de
decisões.
• A Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) faz com que a gestão pública seja
mais eficiente nos seus processos, dando responsabilidades administrativas
ao gestor público de como gastar e quanto gastar em função do orçamento
do Estado. Para fazer isso o gestor público conta com o apoio do Sistema de
Custos do Governo Federal (SIC).
• Na gestão governamental, a obtenção de custos inicia-se na liquidação do
gasto que foi previamente orçado. No âmbito público todo gasto aprovado no
orçamento deve ser gasto; e se isso não acontecer, estes gastos poderão ser
executados no exercício, período, seguinte.
• A gestão governamental está dividida em três grandes esferas, a administração
federal, a estadual e a municipal. Estes três grandes grupos da administração
governamental possuem sua própria dinâmica de gestão de custos em função
do orçamento governamental.
• A gestão de custos do Brasil possui muito espaço para melhorar, especialmente,
deve-se aprimorar: a determinação do ciclo de vida dos investimentos públicos,
a exatidão da depreciação acumulada em ativo fixo governamental e definição
na análise das condições físicas, para assim projetar necessidades futuras de
manutenção.
63
1 Observe-se que tanto na empresa privada como nas entidades públicas,
para que elas possam operar, precisam consumir recursos, ou seja, precisam
gastar para se manter economicamente ativas. Mas existem diferenças bem
marcadas sobre a finalidade do gasto, em função disso, a seguir determine
as sentenças que estejam corretas.
( ) Na empresa privada os gastos são executados para gerar valor aos produtos
e serviços a serem vendidos, visando à geração de lucro. Assim, a fonte que
alimenta o uso de recursos depende da entrada recorrente das vendas.
( ) Tanto na empresa privada como na pública a qualidade do gasto
depende da capacidade de gestão da entidade. A diferença é que no setor
público, a única fonte desse gasto é a arrecadação governamental a ser
distribuída às diferentes esferas do Estado em função das necessidades
de orçamento destas.
( ) As entidades públicas estão literalmente obrigadas a gastar tudo o que
foi autorizado no orçamento governamental, independente da fonte de
recursos; assim, a qualidade do gasto deve ser observada rigorosamente.
2 As diversas necessidades de controle sobre as atividades econômicas deram
origem à contabilidade geral e a gestão de custos, para assim possuir controle
sobre os valores a serem atribuídos ao consumo de recursos e as entradas das
receitas. E no contexto histórico da contabilidade geral de hoje, pode-se dizer
que ela surgiu a partir:
( ) Da evolução da contabilidade pública.
( ) Do processo da Revolução Industrial.
( ) Da necessidade de levantar orçamentos de execução.
( ) Das leis econômicas da demanda e oferta.
3 O Sistema de Custos do Setor Público (SICSP) tem sua normativa contábil
referenciada na Normativa de Contabilidade Técnica (NBCT). Assim, por
meio da SICSP estabelecem-se regras básicas para a mensuração de custos
no setor público. Nesse contexto, determine a sentença correta:
( ) É por meio de uma boa gestão do SICSP que se pode atingir uma gestão
de custos eficiente, visando à transparência da execução do orçamento,
logo, da qualidade do gasto público.
( ) É por meio da SICSP que a entidade pública está conseguindo obter uma
gestão de custos eficiente, portanto, níveis de geração de lucro semelhantes
aos do setor privado. Nesse sentido, as entidades públicas visam gerar
rentabilidade financeira e aumentar o patrimônio do Estado.
( ) Como qualquer empresa privada, é por meio da SICSP que a entidade
pública procura também o aperfeiçoamento de suas gestões operativas com
custos aprimorados.
AUTOATIVIDADE
64
4 Na gestão governamental do Brasil existe uma divisão administrativa de
grande escala para dar conta das diversas necessidades de uma população
e território de proporções continentais. Assim, esta gestão divide-se em três
grandes centros de gestão. Determine a sentença correta:
( ) A gestão governamental dos custos executa-se por meio três esferas do
Estado por meio do Âmbito Federal, Estadual e municipal.
( ) A gestão governamental dos custos levanta-se por meio três esferas do
Estado por meio do Poder Executivo, Legislativo e Judiciário.
65
UNIDADE 2
SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR
PÚBLICO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade você será capaz de:
• identificar e analisar a estrutura de custos de uma organização;
• conhecer a departamentalização e centros de custos de uma organização;
• diferenciar os diferentes métodos de custeio;
• classificar os custos em função das necessidades do método de custos;
• discernir que tipo de método de custeio pode se encaixar melhor às enti-
dades públicas;
• analisar a dinâmica do ponto de equilíbrio;
• saber interpretar a dinâmica da margem de segurança e os riscos de exces-
so de gasto inerentes às atividades econômicas;
• conscientizar a necessidade de vincular a qualidade do gasto público com
a geração valor deste à sociedade.
Esta unidade está dividida em três tópicos, sendo que ao final de cada um
deles, você poderá fazer as autoatividades respectivas, que o(a) ajudarão a
fixar o conhecimento estudado.
TÓPICO 1 – ANÁLISE DA ESTRUTURA DE CUSTOS
TÓPICO 2 – MÉTODOS DE CUSTOS
TÓPICO 3 – PONTO DE EQUILÍBRIO NA ESTRUTURA DE CUSTOS
DO SETOR PÚBLICO
66
67
TÓPICO 1
ANÁLISE DA ESTRUTURA DE CUSTOS
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Na primeira unidade estudamos a estrutura governamental desde a
perspectiva da análise de custos. Como também revisamos conceitos básicos
da gestão de custos em si, para logo colocá-los no contexto da administração
governamental. Nesta unidade vamos adentrar na análise da gestão operativa para
fins de apuração de custos, sempre com foco na gestão pública.
Levando isso em consideração, agora mais adiante, vamos abordar questões
interessantes sobre critérios de rateio e rateio de custos indiretos a serem aplicados
na perspectiva de vários modelos de sistemas de custos. Mas antes de fazer isso
temos que conhecer como é a dinâmica da departamentalização e como operam os
centros de custos de uma instituição, seja esta privada, mista ou pública.
2 DEPARTAMENTALIZAÇÃO E CENTRO DE CUSTOS
Na Unidade 1 estudamos que as instituições economicamente ativas possuem
custos diretos e indiretos, e por questões pedagógicas consideramos as operações de
uma instituição como se fossem uma só unidade produtiva, mas, na realidade, as
instituições possuem vários centros operativos e áreas (ou departamentos). Todavia,
dentro de um mesmo centro produtivo a empresa moderna possui uma estrutura
com alguns departamentos operativamente inter-relacionados.
Para exemplificar isso, vamos pensar que esses departamentos operativos
fazem parte de uma grande equipe e que juntos levantam toda uma estrutura
operativamente funcional. Se depararmos, o corpo humano opera de uma forma
semelhante onde cada célula faz parte de um órgão (departamento) o qual vai se
juntando com outros órgãos para que logo como um todo se apresentar com um
ser humano vivo, da mesma maneira faz uma instituição economicamente ativa.
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
68
Nesse contexto, cada departamento que faz parte de uma instituição
pode ter seu próprio centros de custos, logo, o sistema de rateio e rastreio dos
custos indiretos pode ficar em função dos custos gerais desse departamento em
específico. Essa apuração de custos por departamento é conhecida na gestão de
custos como departamentalização decustos.
A departamentalização dos custos acompanha normalmente a estrutura
organizacional da Empresa. A contabilidade de Custos dimensiona-
se para identificar os custos com as unidades organizacionais
(componentes da estrutura administrativa e operacional) que
chamaremos de Centros de Responsabilidade. (LEONE, 2009, p. 191).
Esses “Centros de Responsabilidade” vêm a ser os centros da análise da
departamentalização. Assim, a departamentalização permite individualizar a
definição de porcentagens (taxas) e/ou sistemas de rastreio para a incorporação
dos custos indiretos departamentais, possuindo assim uma eficiente apuração dos
custos gerais (indiretos) para cada um dos departamentos de uma organização.
Isso torna as instituições mais dinâmicas na sua capacidade de atuar, pois podem
definir custos unitários ao detalhe para cada um dos departamentos que fazem
pare dela, e assim ter uma capacidade de resposta mais rápida e eficiente às
necessidades da sociedade.
Para exemplificar este conceito, vamos supor que uma empresa
farmacêutica produz e dá serviço para três grandes grupos de mercado. Assim,
esta empresa poderia optar pela divisão de sua estrutura operativa em função
desses três grandes centros de produtos/serviços, como se pode observar no
gráfico a seguir:
GRÁFICO 1 – DEPARTAMENTALIZAÇÃO POR PRODUTOS E SERVIÇOS
DIRETORIA
Divisão Farmacêutica Divisão Veterinária Divisão Química
Analgésicos
Antibióticos
Xaropes
Vacinas
Medicamentos
Pigmentos
Fosfatos
Inseticidas
FONTE: Disponível em: <http://www.sobreadministracao.com/tipos-de-departamentalizacao-
por-produtos-ou-servicos/>. Acesso em: 12 jan. 2016.
TÓPICO 1 | ANÁLISE DA ESTRUTURA DE CUSTOS
69
Logo, com essa departamentalização, a instituição poderá apurar
de maneira eficiente seus custos indiretos. Podendo assim incorporar todos
seus custos gerais (indiretos) para cada um dos produtos oferecidos nos três
departamentos operativos expostos acima.
Para lhe ajudar a entender melhor a departamentalização vamos observar
mais um exemplo, neste temos uma fábrica que produz três produtos (A, B, C).
Sendo que cada um deles possui seu próprio cálculo de custos diretos com seu
respectivo rateio de custos gerais por produto, porém a empresa tem quatro
grandes galpões onde acontece o processo de transformação e deseja saber os
custos de seus produtos para cada um dos galpões.
Assim, a instituição está analisando levantar uma departamentalização
de seus custos para cada um dos galpões, obtendo como resultado uma
apropriação de custos para cada unidade produtiva (galpão) e por produto. A
seguir apresentamos uma visão do antes e depois de ter aplicado um processo de
departamentalização.
QUADRO 14 – CUSTO X PRODUTO ANTES DE APLICAR PROCESSO DE
DEPARTAMENTALIZAÇÃO
Produtos Custos nos Galpões da Fabrica
A Custo A
B Custo B
C Custo C
FONTE: O autor
QUADRO 15 – CUSTOS X PRODUTO DEPOIS DA DEPARTAMENTALIZAÇÃO
Produtos CC1 Galpão 1 CC2 Galpão 2 CC3 Galpão 3 CC4 Galpão 4
A A CC1 A CC2 A CC3 A CC4
B B CC1 B CC2 B CC3 B CC4
C C CC1 C CC2 C CC3 C CC4
FONTE: O autor
Antes da departamentalização os custos indiretos dos quatro galpões
eram incorporados de maneira geral nos três produtos (A, B, C), sem considerar a
existência de custos individualizados dos quatro centros de fabricação (galpões).
Porém, logo no quadro seguinte mostra-se uma projeção dos custos dos três
produtos, mas levando em consideração os custos indiretos individuais dos
quatro galpões. Estes custos indiretos logo serão rateados e incorporados aos três
produtos por meio de quatro centros de custos, onde:
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
70
• CC1 (Galpão 1): Centro de Custos 1, incorporando os custos indiretos desse
galpão nos três produtos.
• E assim é apurado com o mesmo critério para os três restantes CCs, ou seja,
CC2, CC3 e CC4.
Talvez você esteja se perguntando, mas para que precisamos esse nível
de detalhe? Com a apuração por meio desses centros custos, pode-se analisar o
impacto dos custos indiretos gerados em cada um desses departamentos. Assim,
podemos observar qual é o impacto desses custos indiretos, particulares, de cada
um dos departamentos nos produtos produzidos em cada um deles.
Isso ajuda muito para visualizar o potencial de eficiência dos custos nesses
departamentos, ajudando a entender a dinâmica do potencial individual de cada
departamento na rentabilidade (lucro) da empresa. Isto pode ser de grande ajuda
também em uma instituição pública (exemplo um hospital), pois ajuda a determinar
a qualidade do gasto público em uma entidade em específico.
2.1 DEPARTAMENTALIZAÇÃO POR ÁREAS FUNCIONAIS
Uma vez que sabemos o conceito de departamentalização, ele pode ser
aplicado inclusive em áreas de apoio de uma empresa, como pode ser o caso
do Departamento de Vendas ou de Recursos Humanos, por exemplo. Nesse
contexto, segundo Padoveze (2003, p. 99): “Centro de custos representam o
menor segmento de atividade ou de área de RESPONSABILIDADE, onde são
executados trabalhos homogêneos”.
Isso pode se entender melhor por meio de uma exemplificação da área
funcional de uma empresa, por exemplo a área do departamento de finanças de uma
grande instituição. Nesse sentido, o Departamento Financeiro pode ser subdividido
por meio de centros de custos específicos, tais como: tesouraria, compras, cobranças,
contabilidade, folha de pagamento, comércio exterior, entre outros.
E em um serviço público como poderia se aplicar este conceito de centro
de custos? A seguir vamos visualizar como poderia ser uma departamentalização
de um hospital.
TÓPICO 1 | ANÁLISE DA ESTRUTURA DE CUSTOS
71
FIGURA 4 – CENTRO DE CUSTOS DE SERVIÇOS HOSPITALARES
FONTE: Disponível em: <http://esquemaria.com.br/estruturas-organizacionais/>. Acesso em: 12
jan. 2016.
Em termos gerais as áreas funcionais de uma empresa podem ser divididas
em função tanto da complexidade das operações (centros operativos) em si, como
das funcionalidades das áreas de apoio (áreas administrativas: vendas, finanças,
recursos humanos etc.) de uma organização, assim, podemos ter:
• Centros Operativos – Departamentos de Produção – Estes centros possuem
um elo direto com os processos produtivos de uma organização, seja industrial,
comercial ou de serviços. É aqui onde são apurados tanto os custos diretos como
indiretos, e isso em função dos centros operativos da organização. Empresas
pequenas possuem poucos centros operativos, inclusive só um, mas as grandes
podem ter mais de um centro, inclusive dezenas deles.
• Centros de Apoio – Departamentos auxiliares – Estes possuem o objetivo de
auxiliar, ajudar, os processos produtivos. Exercendo funções administrativas e
de distribuição.
3 SISTEMAS DE CUSTOS APLICADO AO SETOR PÚBLICO
No contexto da administração governamental temos que observar a
funcionalidade dos centros de custos em função das necessidades operativas dos
serviços públicos. Como também existe a necessidade de aplicar sistemas de custos
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
72
que levem sempre em consideração dois aspectos básicos da análise de custos: a
natureza (essência) do processo produtivo e o tipo de registro de custo a se utilizar.
A natureza do processo de produção relaciona-se à forma com que
o produto é manufaturado ou o serviço prestado. Nesse aspecto, há
basicamente duas modalidades: (1) produção contínua; (2) produção
sob encomenda. E é a partir de daí que será definido o modelo de
acumulação de custos. (MAUSS e SOUZA, 2008, p. 41).
Uma vez conhecendo a natureza do processo, deve-se identificar o registro
de custo que melhor encaixe com a natureza das operações da organização. É a partir
dessa identificação do tipo de registro de custos, necessário à atividade, que podemos
estabelecer o tipo de Sistema de Custos a ser aplicado na organização, assim:
Estabelece-se um vínculo entre a natureza das operações, necessidade de
registro dos custos gerados do processo produtivo e melhor sistemade custos
para uma tomada de decisões eficiente.
Em geral, os custos são acumulados no subsistema de contabilidade
financeira para posteriormente serem alocados aos objetos de custeio,
via método de custeio. O seu nível de detalhe deverá refletir a estrutura
da organização, dos objetos de custos, dos relatórios legais e gerenciais
e do nível de informação demandada. (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 42).
No contexto público, um sistema de custos deve levar em consideração
os seguintes elementos estruturais: acumulação de custos, predeterminação de
custos, e métodos de custeio.
3.1 ACUMULAÇÃO DE CUSTOS
A acumulação de custos é o processo de acumular o registro de todos os
consumos de recursos utilizados que vão virando custos à medida que acontece
a produção, e isso em função do sistema de produção e/ou execução de serviços
prestados. Processos produtivos que podem ser as operações contínuas, tal como
um processo industrial, como operações pontuais por encomenda.
Operações contínuas – Estas são processos produtivos que precisam de
um fluxo de atividades contínuas, eis o nome. No caso de um serviço público
prestado à comunidade caracteriza-se por ser um processo operativo contínuo,
tal como os serviços de consulta médica do SUS, o qual precisa de um sistema de
acumulação de custos em processos. Neste caso, o custo total dos processos do
serviço será dividido pelo volume dos serviços prestados à comunidade durante
um período sequencial (por semana por exemplo), deste modo, poderá se achar o
custo unitário desses serviços.
TÓPICO 1 | ANÁLISE DA ESTRUTURA DE CUSTOS
73
Operações Pontuais – Estes tipos de operações possuem processos bem
definidos, que têm um começo e um fim predeterminado em função aos objetivos
desejados. “Neste caso, os custos são acumulados nessa ordem de serviço até seu
término, para então ser conhecido o seu custo final”. (MAUSS e SOUZA, 2008, p. 42).
No contexto público podemos observar os projetos públicos, tal como a ampliação
da malha de ruas de uma cidade, observe que este serviço possui data de início e fim.
Observe também, que um projeto público é administrado por meio de execução de
orçamentos, e como diz o autor, ao final deste poderá ser conhecido o custo.
3.2 PREDETERMINAÇÃO DE CUSTOS
A predeterminação de custos está vinculada ao modelo dos processos
operativos previamente estabelecidos ou planejados, ou seja, ao modelo de
mensuração das atividades operativas antes destas serem executadas. No contexto
público, o objetivo é alinhar o processo de apuração dos custos com o planejamento
do PPA (O Plano Plurianual), LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e LOA (Lei
Orçamentária Anual).
Assim, por meio desse direcionamento dos custos alinhados com o
planejamento do orçamento governamental é que vão se estabelecendo modelos
de apuração de custos. Estes custos predeterminados podem ser agrupados
em dois grandes grupos, o custo-padrão ou custo-meta. Logo, estes custos
predeterminados serão comparados com o custo-real, ou custo de execução.
Custo-padrão – É um tipo de custo atribuído previamente, nesse sentido,
este vem a ser um “custo ideal” que deverá ser atingido. O custo-padrão é definido
por fases produtivas, mas antes de começar os processos produtivos, ou seja, é
um custo ex ante. Este tipo de custo servirá como base para medir a real eficiência
produtiva, assim como qualquer variação na execução dos processos.
Custo-meta – Este é utilizado para estabelecer objetivos e metas na fase de
planejamento, ou seja, procura desenvolver ferramentas de avaliação de consumo
de recursos (custos) ainda na fase de projeto. Portanto, este tipo de custo é uma
ferramenta que ajuda na tomada de decisão do lançamento, ou não, de um projeto.
Custo-real – É o gasto que realmente foi executado, sendo que a apuração
dos custos executados dependerá do método de custos a ser aplicado, a se
estudar mais adiante. Por meio do custo-real o importante é saber identificar o
custo dos recursos que realmente foram consumidos, pois esse valor referencial
servirá como ferramenta de avaliação da qualidade do gasto versus o gasto que foi
predeterminado no orçamento governamental.
[...] uma organização que utiliza o custo-meta e o custo-padrão para
fins de planejamento e controle de suas atividades está utilizando uma
forma de gestão estratégica de custos, pois busca na análise dos fatores
determinantes dos custos de seus produtos fixar limites máximos de
custos. (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 44).
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
74
Como podemos observar, tanto o custo-padrão como o custo-meta são
ferramentas de análise de custos para estabelecer estratégias de gestão perante
os diversos planejamentos das atividades presentes e futuras do Estado. Assim,
uma correta aplicação destes custos poderá o Estado aprimorar a qualidade dos
gastos públicos, aliás, na vida real, muitos gastos não são executados de maneira
eficiente. Eis a grande necessidade de fazer um comparativo com o que realmente
foi executado versus o planejado, o custo-real.
3.3 MÉTODOS DE CUSTEIO
Entende-se como método de custeio a técnica operacional para determinar
o consumo de recursos durante os processos operativos, e assim associar a
incorporação dos custos aos produtos e serviços que se está desejando oferecer à
sociedade. Antes de definir o método de custeio devemos levar em consideração
o tipo de informação que o gestor responsável pela gestão da organização está
desejando, pois em função disso se poderá determinar o modelo de método de
custeio a se aplicar.
Assim, com a determinação das necessidades de informação e definido
o princípio de apropriação de custos, logo, deve-se fazer a escolha do tipo de
método de custeio que possa se encaixar melhor com as necessidades da gestão. E
quais são esses métodos de custeio? No próximo tópico vamos entrar em detalhes
sobre os métodos de custeio disponíveis, entre os mais importantes, temos: o
método de custeio por absorção, o custeio variável e o ABC.
Apesar de cada método possuir a sua lógica de incorporação dos custos,
todos eles devem levar em consideração estratégias de rateio e rastreamento para
relacionar os custos indiretos aos produtos e serviços a se oferecer.
Os métodos de custeio se distinguem em seus conceitos não apenas
pelo tratamento dado aos custos indiretos pela forma de rateios,
mas também pelas atividades exercidas na formação do produto ou
serviço final. Porém, todos os métodos possuem em sua formação
objetivos em comum, como, por exemplo, a apuração de resultados a
fim de medir a eficiência, bem como a formação de preços unitários
de produtos ou serviços sempre que necessário. (RAIMONDI;
GOEZZINGER, 2012, p. 85).
Levando em consideração o exposto pelos autores, o método de custeio
faz parte integral da dinâmica do sistema de custos dentro de um marco de
gestão definido. Sistema onde existem três grandes eixos, sendo eles: acumulação
de custos, predeterminação de custos, e métodos de custeio. No próximo tópico
iremos abordar quais são esses métodos de custeio, e em especial vamos observar
quais destes se encaixam melhor com as necessidades de gestão do setor público.
3.4 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE)
Toda organização economicamente ativa deve apresentar anualmente a
Demonstração do Resultado do Exercício (DRE). Este demonstrativo visa fornecer
o resultado (lucro ou prejuízo) das operações de qualquer empresa em função do
TÓPICO 1 | ANÁLISE DA ESTRUTURA DE CUSTOS
75
QUADRO 16 – ESTRUTURA DA DRE DE ACORDO COM A LEI DAS SOCIEDADES ANÔNIMAS
(6.404/76)
RECEITA BRUTA DE VENDAS E SERVIÇOS
( - ) Deduções, descontos concedidos e devoluções
( - ) Impostos sobre vendas
( = ) Receita líquida
( - ) Custo dos produtos vendidos e dos serviços prestados
= Lucro Bruto
( - ) Despesas administrativas
( - ) Despesas / Receitas financeiras líquidas
( - ) outras despesas operacionais
( + ) outras receitas operacionais
( + ) outras receitas operacionais
= Lucro opeacional( - ) Despesas não operacionais
( + ) Receitas não operacionais
( +/- ) Saldo da conta da correção monetária
= Lucro antes do imposto de renda (LAIR)
( - ) Provisão para imposto de renda
= Lucro líquido antes de participação e contribuições
( - ) Participações
( - ) Contribuições
( = ) Lucro líquido do exercício
( = ) Lucro por ação
FONTE: Assaf Neto (2002, p. 75)
Como podemos observar a DRE oferece um resumo do resultado das
operações de qualquer organização que esteja economicamente ativa, isto para
um período de tempo determinado. A lei exije a elaboração da DRE por períodos
anuais, para fins de divulgação legais. Além disso para fins de tomada de decisção,
as empresas utilizam a DRE também como ferramenta de análise de custos por
períodos mais curtos, semestrais, trimestrais, mensais, e inclusive semanais.
Todavia, como meio de análise de custos, as organizações utilizam métodos
de custos além do exigido pela lei; e isso com fins de gestão para a tomada de
decisão, como vamos estudar no tópico seguinte.
exercício social. Porém, como nas entidades públicas o objetivo não é o lucro,
estas entidades por meio da DRE procuram apurar o resultado econômico do
exercício fiscal, quesito que vamos estudar na Unidade 3.
Esse resultado (lucro ou prejuízo) ao final do exercício social são
transferidos ao patrimônio líquido. Esse resultado econômico (lucro ou prejuízo)
é resultado final das receitas menos os custos e despesas que foram incorridas
pela organização no período fiscal. Custos e despesas que foram apropriadas e
incorporadas segundo o regime de competências, ou seja, foram custos e gastos
incorporados à DRE independentemente de que tenham sido valores recebidos
ou pagos. O levantamento da DRE está fundamentado na Lei nº 6.404/79 (art. 187)
devendo ser adotada por todas as empresas que estejam economicamente ativas.
76
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico você viu que:
• A departamentalização permite a definição de porcentagens (taxas) de
incorporação dos custos indiretos departamentais. Isso ajuda a definição de
custos unitários por produto e/ou serviço oferecido à sociedade.
• A departamentalização por áreas funcionais permite a subdivisão dos
departamentos por meio de centros de custos específicos, tal como a área
funcional do departamento financeiro que poderá ser subdivido em: tesouraria,
compras, cobranças, contabilidade, entre outros.
• As áreas funcionais de uma empresa podem ser divididas em função tanto
da complexidade das operações (centros operativos) em si, como das
funcionalidades das áreas de apoio (áreas administrativas: vendas, finanças,
recursos humanos etc.).
• Existe a necessidade de aplicar sistemas de custos que levem sempre em
consideração dois aspectos básicos da análise de custos: a natureza do processo
produtivo e o tipo de registro de custo a se aplicar.
• O sistema de custos irá definir como será o registro de consumo de recursos a
serem utilizados, sendo que estes vão se transformando em custos, ou vão se
executando e virando custos.
• Na gestão governamental é importante identificar o direcionamento de custos que
estejam alinhados com o orçamento do Estado. Assim, é importante diferenciar
entre o custo-padrão e/ou custo-meta que fazem parte do planejamento e o custo
de execução dos serviços públicos.
77
AUTOATIVIDADE
1 Muitas empresas dividem suas áreas internas em departamentos, inclusive
grandes empresas dividem suas áreas operativas em vários centros de
custos e departamentos. A seguir, defina o que é departamentalização, e em
que ajuda, em termos de custos, a departamentalização.
2 As organizações economicamente ativas possuem áreas funcionais ou áreas
departamentais. Nesse contexto, exponha a diferença entre departamentos
de produção e departamentos funcionais.
3 No contexto da administração governamental há a necessidade de observar
a funcionalidade dos centros de custos em função às necessidades operativas
dos serviços públicos. Nesse sentido, a funcionalidade dos centros de
custos deve levar em consideração dois aspectos básicos, levando isso em
consideração determine as sentenças corretas.
( ) Um destes aspectos básicos é a logística de distribuição do serviço.
( ) Um destes aspectos básicos é a natureza ou essência do processo
produtivo.
( ) Um destes aspectos básicos é a definição de cargos administrativos
operativos.
( ) Um destes aspectos básicos é tipo de registro de custo a se utilizar.
Agora defina a resposta correta, sentenças verdadeiras (V) e falsas (F):
a) V – F – F – V.
b) F – F – V – V.
c) F – V – F – V.
d) V – F – V – V.
4 Quando precisar apurar custos no setor público deve se levar em
consideração três elementos fundamentais em função das necessidades
operativas da entidade pública. A seguir defina qual sentença é verdadeira.
( ) Estes três elementos são: definição de custos, comportamento
departamental dos custos indiretos, e custos diretos por área funcional.
( ) Estes três elementos são: acumulação de custos, predeterminação de
custos, e métodos de custeio.
5 Tanto nas organizações privadas como públicos, a DRE procura apurar
o resultado do exercício. Mas existe uma diferença fundamental entre os
objetivos de uma entidade privada e uma entidade pública, defina essa
diferença.
78
79
TÓPICO 2
MÉTODOS DE CUSTEIO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
A análise de custos possui um vínculo direto com os resultados da empresa,
com especial atenção para as contas geradoras de custos essenciais ao serviço a ser
prestado. No caso de um hospital público, alguns de seus custos essenciais serão
os salários dos médicos e enfermeiras, por exemplo, como também os custos que
envolvem a estocagem e consumo de medicamentos.
E no caso de uma empresa industrial os métodos de custos dão especial
atenção às contas de estoques de matéria-prima e insumos, produto em elaboração,
e produtos acabados. A importância dos estoques é porque estes possuem um elo
direto com o custo direto. Custo direto que irá ser parte do custo integral dos
estoques, levando em consideração, que o método de custeio terá um vínculo
direto com a demonstração do resultado do exercício (DRE), se relacionando às
seguintes contas em função do tipo de empresa:
• Custo do Produto Vendido (CPV), quando a instituição atua na indústria.
• Custo da Mercadoria Vendida (CMV), quando a instituição atua no comércio.
• Custo do Serviço Prestado (CSP), quando a instituição atua na área de serviços,
no caso do setor público.
No contexto da gestão pública, os métodos de custeios são parte importante
da estrutura da gestão, pois este determinará o custo real a se comparar com o que
foi estabelecido no orçamento governamental. Assim, estes métodos de apuração
merecem ser estudados com maior detalhe. Se observando que na questão dos
modelos de custeio existem dois pontos de vista, o critério contábil e o critério
gerencial para a tomada das decisões. Deste modo, muitas vezes, as empresas
estabelecem como base de método o critério contábil, e logo partem para métodos
de custeio mais específicos para suas necessidades de gestão.
Temos que levar em consideração que existe um só método autorizado pelas
normas contábeis do país, este é o método por absorção. Os demais métodos, tal como
o método ABC, são importantes sim, mas para objetivos de análise de eficiência da
gestão. Considerando isso, vamos começar nosso tópico analisando o método aceito
pelas normas contábeis, o custeio por absorção.
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
80
2 MÉTODO DE CUSTEIO POR ABSORÇÃO
Como já foi exposto acima, este é o método legalmente aceito pelas normas
contábeis brasileiras, ou seja, é o método válido para a elaboração e divulgação
das demonstrações financeiras. Por meio deste método consideram-se como parte
integral da produção dos produtos e serviços todos os custos ligados ao processo
produtivo, já as despesas são consideradas gastos gerais a serem apurados no
resultado da empresa.
Istoquer dizer que os gastos gerais que não fazem parte do custo do
produto não serão incorporados ao custo individual do produto e serviço, mas
serão parte de gastos gerais. Estes gastos são as despesas geradas da distribuição,
nas vendas, nos departamentos de RH e financeiro, salários dos executivos etc.
O método por absorção é utilizado em todos os relatórios do Balanço
Patrimonial de uma organização, seja privada ou pública. No que tange ao setor
público, este método é usado como apoio para apurar preços, e para levantar
planilhas de custos que poderão servir para processos licitatórios.
2.1 CRITÉRIO DO MÉTODO POR ABSORÇÃO
O conceito de absorção nos leva a pensar na palavra absorver, incorporar,
mas o que este método irá absorver ou incorporar? Como critério de análise dos
custos, neste método, todos os custos de produção, incluindo os indiretos, devem
ser incorporados aos produtos no período, eis o elo com “absorver” custos. Neste
critério serão parte do custo:
• os custos diretos, materiais diretos e mão de obra direta;
• os custos indiretos de fabricação, tais como: depreciação, seguros de fábrica,
aluguel de fábrica, manutenção etc., ou seja, todos os custos de comportamento
fixo a serem absorvidos e incorporados ao custo por produto.
É muito importante observar que no método por absorção, somente serão
incorporados ao custo de produção o consumo de recursos para produzir, ou seja,
custos diretos e indiretos. Entretanto, as despesas (gastos) não se incorporam
ao cálculo do custo de produção de um produto ou serviço, pois segundo as
normas contábeis:
• as despesas não devem ser incorporadas na conta de custo do produto
vendido, mas na conta de resultado, na conta e subcontas: grupo de “despesas
operacionais”.
TÓPICO 2 | MÉTODOS DE CUSTEIO
81
Essa diferença é importante no momento de definir e levantar o processo
de apuração do método de custeio por absorção, se considerando que: os custos
de produção, quando incorridos, transformam-se em estoques (de produtos em
processo de fabricação ou de produtos acabados). E somente serão considerados na
apuração do resultado (DRE) quando acontecer a venda para terceiros, sendo estes:
a) o custo de aquisição de matérias-primas e quaisquer outros bens ou serviços
aplicados ou consumidos na produção;
b) o custo de pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta,
manutenção e guarda das instalações de produção;
c) os custos de locação, manutenção e reparação, assim como a depreciação dos
equipamentos utilizados na produção;
d) os custos de consumo dos recursos naturais utilizados na produção.
Entretanto, as despesas não têm essa passagem intermediária pelos ativos
(estoques) e são consideradas de imediato na apuração do resultado (DRE).
Podemos observar como é dinâmica do processo de custo no método por absorção
na seguinte figura.
FIGURA 5 – FLUXOGRAMA DO MÉTODO POR ABSORÇÃO
FONTE: (KNUTH, 2009, p. 32)
Matéria-prima,
M.O Direta,
Energia (parte)
VARIÁVEIS
M.O Indireta,
depreciação,
aluguel, Enerdia
(parte)
Despesas
Administrativas
FIXAS
Estoque de
Produtos
Acabados
Produção em
Andamento
Despesas do
Período
RESULTADO
VENDAS
(-) C.P.V.
=RESULT. BRUTO
(-) DESP. ADM.
(-) DESP. VENDAS
=RESUL. LÍQUIDO
PELA
VENDA
Custos
Produtos
Despesas de
Vendas
VARIÁVEIS
Despesas de
Vendas
FIXAS
FLUXOGRAMA DO SISTEMA DE CUSTEIO POR ABSORÇÃO
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
82
Observe que no fluxo apresentado demonstram-se que na produção em
andamento se incorporam todos os custos de fabricação, por consequência, estes
serão incorporados ao estoque de produtos acabados, fazendo parte ao final do
Custo de Produto vendido no momento de acontecer a venda. Entretanto, no
fluxo apresentado fica claro que os gastos classificados como despesas (gastos
gerais) foram alocados ao resultado de forma direta, mas não fazem parte do
custo do produto nem do rateio do custo unitário.
É importante que se observe o contexto acima, porque nos métodos que
vamos estudar daqui a pouco as despesas são incorporadas ao custo dos produtos
e/ou serviços.
2.2 EXEMPLIFICAÇÃO DO MÉTODO POR ABSORÇÃO
A seguir vamos observar um quadro, onde veremos todo um detalhamento
dos custos diretos, dos custos indiretos e gastos indiretos na fabricação hipotética
de camisetas. E em função desses dados vamos determinar a apuração dos custos
e a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE), vamos lá?
Para poder aplicar o método de absorção precisamos ter como base
referencial algum critério de rateio, para assim conseguir aplicar a incorporação
dos custos indiretos nos custos por cada tipo de produto, neste caso, três modelos
de camisetas. Para isso foi considerado o critério de rateio em função das horas-
máquinas utilizadas no processo produtivo.
QUADRO 17 – CUSTOS INDIRETOS POR MEIO DE RATEIO
Rateio dos Custos/Mês
Descrição Custo Indireto Camiseta A Camiseta B Camiseta C
Rateio → 100% 27,03% 32,43% 40,54%
Alocação de custo Método por Absorção
Custos Diretos Mês
Descrição Custo Variável Unidade Total
Camiseta A (simples) R$ 6,00 60.000 R$ 360.000
Camiseta B (simples estampada) R$ 7,00 60.000 R$ 420.000
Camiseta C (polo simples) R$ 8,50 60.000 R$ 510.000
Custos Diretos Mês 180.000 R$ 1.290.000
TÓPICO 2 | MÉTODOS DE CUSTEIO
83
FONTE: O autor
Observe que temos todo um detalhamento de custos e despesas, mas qual
serão os que deveremos considerar e, portanto, incorporar no custo dos produtos?
Seguindo o critério do método por absorção, deveremos incorporar só os custos
relacionados ao processo produtivo. Assim, no exemplo, a resposta é simples
devemos pegar todos os custos indiretos de produção e incorporá-los ao custo dos
produtos, por meio do rateio referencial e incorporá-lo da seguinte maneira.
QUADRO 18 – INCORPORAÇÃO DOS CUSTOS INDIRETOS POR MEIO DE RATEIO
FONTE: O autor
APLICAÇÃO DO RATEIO NOS CUSTOS INDIRETOS
Rateio dos Custo Indiretos/Mês
Descrição Custo Indireto Camiseta A Camiseta B Camiseta C
Rateio → 100% 27,03% 32,43% 40,54%
Salários da fábrica R$ 140.000 R$ 37.838 R$ 45.405 R$ 56.757
Depreciação dos equipamentos
da fábrica R$ 300.000 R$ 81.081 R$ 97.297 R$ 121.622
Seguros da fábrica R$ 15.000 R$ 4.054 R$ 4.865 R$ 6.081
Materiais diversos consumidos
na fábrica R$ 28.000 R$ 7.568 R$ 9.081 R$ 11.351
Manutenção da fábrica R$ 28.000 R$ 7.568 R$ 9.081 R$ 11.351
Total R$ 511.000 R$ 138.108 R$ 165.730 R$ 207.163
Custos Indiretos Unitários R$ 2,30 R$ 2,76 R$ 3,45
Custos Indiretos e Gastos Indiretos/Mês
Descrição Custos Indireto Gasto Indireto Total
Salários da fábrica R$ 140.000 R$ 140.000
Salários do pessoal administrativo R$ 110.000 R$ 110.000
Honorários da diretoria R$ 48.000
Depreciação dos equipamento da fábrica R$ 300.000 R$ 300.000
Seguros da fábrica R$ 15.000 R$ 15.000
Materiais diversos consumidos na fábrica R$ 28.000 R$ 28.000
Manutenção da fábrica R$ 28.000 R$ 28.000
Despesas de entrega das mercadorias R$ 14.000 R$ 14.000
Materiais diversos consumidos na gestão R$ 18.000 R$ 18.000
Total R$ 511.000 R$ 190.000 R$ 701.000
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
84
No quadro exposto acima não existe despesa, isso acontece porque as
despesas gerais não são incorporadas ao custo quando se considera o critério do
método por absorção. Agora, com esses custos indiretos já incorporados ao custo
dos produtos, pode-se apurar o custo total por produto, da seguinte maneira:
FONTE: O autor
QUADRO 19 – CUSTOS POR PRODUTO
Mas em toda essa análise de custos, onde as despesas serão consideradas?
As despesas serão consideradas de maneira geral (não detalhada por produto)
na Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) quando se considerar o
Método por Absorção. Para exemplificar, vamos observar o DRE deste exemplo
de camisetas por mês.
Descrição Custo Variável Custo Indiretos Custo Médio Unitário
Camiseta A (simples) R$ 6,00 R$ 2,30 R$ 8,30
Camiseta B (simples estampada) R$ 7,00 R$ 2,76 R$ 9,76
Camiseta C (polo simples) R$ 8,50 R$ 3,45 R$ 11,95
Verificaçãodos Dados pelo Método de Custo por Absorção
Descrição Unidades Custo Médio Unitário Total
Camiseta A (simples) 60.000 R$ 8,30 498.108
Camiseta B (simples estampada) 60.000 R$ 9,76 585.730
Camiseta C (polo simples) 60.000 R$ 11,95 717.163
Total 180.000 1.801.001
TÓPICO 2 | MÉTODOS DE CUSTEIO
85
FONTE: O autor
QUADRO 20 – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO COM O MÉTODO POR ABSORÇÃO
Como acabamos de ver, os custos indiretos encontram-se incorporados ao
custo dos produtos, logo as despesas são consideradas de maneira geral antes de
apurar o resultado líquido do exercício antes do Imposto da Renda (IR). Esse é em
resumo o Método de Custeio por Absorção, no qual relembramos:
• Os custos indiretos são incorporados ao custo de produção (por meio de rateio),
e as despesas indiretas são consideradas só no momento de apurar o resultado
operativo do exercício.
Vendas Mês
Produto Preço Unitário Unidades Vendidas Vendas
Camiseta A R$ 10,79 60.000 R$ 647.541
Camiseta B R$ 12,69 60.000 R$ 761.449
Camiseta C R$ 15,54 60.000 R$ 932.311
Total Vendas R$ 2.341.301
Custos Diretos e Indiretos
Produto Custo Unitário Unidades Vendidas Custos
Camiseta A - R$ 8,30 60.000 - R$ 498.108,38
Camiseta B - R$ 9,76 60.000 - R$ 585.730,05
Camiseta C - R$ 11,95 60.000 - R$ 717.162,57
Total Vendas - R$ 1.801.001,00
Margem Bruto R$ 540.300,30
Gasto Indireto - R$ 190.000,00
Resultado antes Imposto da Renda R$ 350.300,30
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
86
3 MÉTODO DE CUSTEIO VARIÁVEL
Como foi estudado há pouco tempo, o método por absorção na apuração
do custo dos produtos absorve todos os custos de produção, incorporando
assim ao custo total tanto os custos diretos (variáveis) como os indiretos (fixos).
Entretanto, no método variável considera-se como custo todo custo e gasto
(despesa) que seja sempre variável. Ou seja, no método variável separam-se os
custos e despesas em dois grandes grupos, os de comportamento variável e os
de comportamento fixo, e é em função desse comportamento variável que se irá
apurar a análise de custos.
Considerando esse critério, as empresas podem analisar o impacto dos
custos e despesas variáveis à medida que aumentam ou diminuem as receitas,
pois estas são diretamente proporcionais às vendas. Segundo Crepaldi (2002, p.
222): ‘‘[...] são os gastos que oscilam proporcionalmente ao volume de produção
ou venda, ou seja, existe uma relação diretamente proporcional ao aumento da
produção. Esses gastos podem ser tanto custos quanto despesas’’.
Assim, com esse critério de análise o método de custeio variável divide-se
em duas fases:
• Na primeira identifica-se quais são os custos e despesas de comportamento
variável, ou seja, que vão mudando à medida que aumentarem ou diminuírem
as receitas. Neste ponto deve-se analisar e identificar todos os fatores da
produção que mudam em função das receitas, exemplo: insumos, no caso de
custos; e comissões de venda, no caso das despesas.
• A segunda fase identifica os custos e despesas fixas, ou seja, custos e gastos
que independentemente do nível de produção ficam iguais, assim, mesmo a
empresa produzindo quase nada, esses gastos continuam existindo. Exemplo
disso: depreciação e seguro do galpão (chão de fábrica), no caso de custos fixos;
e salários administrativos e aluguel de loja, no caso das despesas.
Ou seja, a questão fundamental deste método é separar todos os fatores
de produção (custos e gastos) entre variáveis e fixos, independentemente que
estes sejam considerados custos ou despesas. Para nos lembrar, aqui o essencial é
determinar quais são variáveis e quais são fixos.
Isso é basicamente a essência do método de custeio variável, mais adiante
estaremos abordando com maior detalhe o processo de apuração deste. Mas
antes disso temos que levar em consideração que o método de custeio variável
não é aceito pela legislação brasileira como norma de publicação do Balanço
Patrimonial e DRE.
TÓPICO 2 | MÉTODOS DE CUSTEIO
87
Quando se considera o método de custeio variável, uma peça-chave deste
tipo de análise de custos é a margem de contribuição. Define-se como margem
de contribuição a diferença entre as receitas menos o consumo de recursos de
comportamento variável (custos e despesas variáveis), assim, a margem de
contribuição fica em função de:
• O valor das receitas (vendas), estas receitas podem estar ligadas ao volume de
vendas; ou ao volume de serviços, tal como o número de consultas médicas.
• O valor do custo variável, podendo ter três das seguintes siglas, dependendo
da essência da empresa:
o CPV – Custo do Produto Vendido, quando existe um processo de
transformação, uma fábrica.
o CMV – Custo da Mercadoria Vendido, quando existe um processo só de
comercialização, um supermercado.
o CSP – Custo do Serviço Prestado, quando existe um processo de oferta de
serviço, caso bem comum no setor público, um hospital ou escola pública.
• O valor das despesas variáveis é toda despesa que seja proporcional ao
volume de vendas, exemplos: comissões vendedores e de agentes, despesas de
movimentação de mercadoria no exterior (em função direta a quantidade de
mercadoria comercializada).
Com esses três elementos podemos calcular a Margem de Contribuição,
sendo que:
Margem de Contribuição = Receitas – Custo Variável – Despesas Variáveis
A seguir vamos observar a dinâmica do método de custeio variável, por
meio do seguinte quadro.
Assim, as empresas utilizam este método (o custeio variável) como
ferramenta importantíssima de análise gerencial dos custos, podendo deste
modo fazer análise de custos inter-relacionada entre ambos métodos, isto é, por
absorção e variável. Um dos pontos de grande valor agregado de informação
gerencial que colabora o método variável é na determinação do ponto crítico de
produção e vendas, ou seja, o nível mínimo de vendas para não entrar no prejuízo,
conhecido como o ponto de equilíbrio. Agora vamos observar a dinâmica deste
método variável de análise de custos.
3.1 DEFINIÇÃO DA MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
88
FONTE: O autor
QUADRO 21 – MÉTODO DE CUSTEIO VARIÁVEL
Custos de
Produção
Despesas
Administrativas
e Vendas
Variável Estoque
Variável
Fixo
Fixo
Próprio
e
Geral
Próprio
e
Geral
Vendas
(-) C.P.V
(-) Despesa Variável
Margem de Contribuição
(-) Custo Fixo
(-) Despesa Fixa
(=) Lucro Operacional
RESULTADO
Observe-se que no gráfico o fluxo do método de custeio variável vai
demonstrando que a análise do resultado é quebrada da seguinte maneira:
• Separa o consumo de recursos na produção entre os custos variáveis e fixos,
encaminhando os custos variáveis para a apuração de estoques, custo que logo
será considerado no CPV (Custo da Mercadoria Vendida).
• Separa as despesas entre variáveis e fixas, encaminhando as variáveis para se
juntar junto ao CPV.
• Apura-se a margem de Contribuição, o resultado das vendas (receitas) menos
o custo variável (Custo da Mercadoria Vendida – CPV) e menos a despesa
variável.
• Apura-se o lucro operacional, apurado em função da margem de contribuição
menos os custos e despesa fixa.
3.2 OS CUSTOS E SUA DINÂMICA NA ANÁLISE DOS CUSTOS
VARIÁVEIS E FIXOS
Segundo o critério de análise do método variável, os custos e despesas
serão separadas em função de seu comportamento, ou seja, entre variáveis e fixos.
Considerando isso, a seguir vamos observar essa característica por meio de um
exemplo ilustrativo:
TÓPICO 2 | MÉTODOS DE CUSTEIO
89
Consumo Produção Volume Produção Custo Unitário
Custos Variáveis R$ 94.990
23.000
R$ 4,13
Despesas Variáveis R$ 32.890 R$ 1,43
Variável Total R$ 127.880 R$ 5,56
FONTE: O autor
QUADRO 22 – ANÁLISE DE CUSTOS PELO SEU COMPORTAMENTO – PRIMEIRO SEMESTRE
No quadro exposto acima podemos observar que no custo unitário do
produto estão incorporados só os custos e gastos de comportamento variável. Eis
a grande diferença entre o método de custeio por absorção em relação ao método
de custeio variável. Ouseja: A margem de contribuição operacional não considera
o custo fixo, mas incorpora sim as despesas variáveis para sua apuração respectiva.
Com esse critério de análise de incorporar todos os consumos de recursos
variáveis à margem de contribuição, fica mais prático enxergar qualquer mudança
nos volumes de produção. Para exemplificar isso, vamos supor que o volume de
produção aumentou de 23.000 para 29.000, nesse sentido o que vai acontecer com
os custos e gastos variáveis totais, com certeza vão aumentar, mas quanto?
Consumo Produção Volume Produção Custo Unitário
Custos Variáveis R$ 119.770
29.000
R$ 4,13
Despesas Variáveis R$ 41.470 R$ 1,43
Variável Total R$ 161.240 R$ 5,56
FONTE: O autor
QUADRO 23 – ANÁLISE DE CUSTOS PELO SEU COMPORTAMENTO – SEGUNDO SEMESTRE
Analisando o exemplo anterior, percebe-se que não houve uma variação
no custo unitário do produto em relação ao plano anterior de 23.000 unidades
produzidas. Mas se houve uma alteração no custo variável total, aliás, alteração
diretamente proporcional ao aumento no volume de produção. Este custo total
passou de R$ 128.880 para R$ 161.240, mas o custo variável unitário manteve-se
em R$ 5,56. Mas por que houve um aumento do custo total, se o custo unitário
não aumentou?
• Este custo aumentou em função do aumento do volume produzido, e isso faz
sentido, pois insumos e despesas diretas (tipo comissões de vendas) aumentam
diretamente em função do aumento da produção e vendas.
• Em termos de projeções e cálculo estes custos variáveis vêm a ser a dose exata
de consumo de recursos por cada unidade produzida vezes o volume de
produção durante um período determinado.
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
90
Agora, com esses valores referenciais dos custos e gastos variáveis
podemos apurar a margem de contribuição do nosso exemplo. Vamos supor
que foram vendidas e produzidas 33.000 unidades com um preço unitário por
unidade vendida de R$ 7,50. Logo, de quanto será a margem de contribuição?
Lembra que:
• Margem de Contribuição = Receitas – Custo Variável – Despesas Variáveis
Levando em consideração os valores expostos e o volume de vendas
vamos apurar a margem de contribuição, se apresentando o seguinte quadro:
QUADRO 24 – APURAÇÃO DAS VENDAS
Preço Unitário Volume de Vendas Valor Vendas
Produto R$ 7,50 33.000 R$ 247.500
FONTE: O autor
FONTE: O autor
FONTE: O autor
QUADRO 25 – APURAÇÃO DOS CUSTOS E GASTOS VARIÁVEIS
Consumo Produção Volume Produção Custo Unitário
Custos Variáveis R$ 136.290
33.000
R$ 4,13
Despesas Variáveis R$ 47.190 R$ 1,43
Variável Total R$ 183.480 R$ 5,56
QUADRO 26 – APURAÇÃO DA MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO
Consumo
Produção
Volume
Produção
Valor
Unitário Porcen-tagem
Receitas R$ 247.500
33.000
R$ 7,50 100,00%
Custos e Despesas
Variáveis R$ 183.480 R$ 5,56 74,13%
Margem de Contribuição R$ 64.020 R$ 1,94 25,87%
Dados importantes da margem de contribuição – Observando-se o
quadro de cálculo da margem de contribuição, podemos observar que temos três
informações fundamentais, sendo estas:
• Valores totais – No exemplo, Vendas de R$ 247.500; Custos e Despesas Variáveis
de R$ 183.480; e uma Margem de contribuição de R$ 64.020.
• Valores unitários – No exemplo, preço de venda unitário de R$ 7,50; Custos
e Despesas Variáveis unitárias de R$ 5,56; e uma Margem de contribuição
unitária de R$ 1,94.
TÓPICO 2 | MÉTODOS DE CUSTEIO
91
• Porcentagens em função das vendas totais – No exemplo, Vendas 100%; Custos
e Despesas Variáveis 74,13%; e uma Margem de Contribuição de 25,87%.
Olhe! Quanta informação importante em um só quadro! Pois é, essas
informações são fundamentais para decisões de gestão. Por meio destas podem-
se analisar os custos de produção destas três perspectivas, observando-se:
• Valores monetários totais da margem de contribuição – observando como
um todo está entrando e saindo do processo produtivo, e isso em função do
volume de vendas.
• Valores unitários – observando como se vai comportando a margem de
contribuição desde uma unidade produzida. Isso é importante de se observar,
especialmente quando desejamos precificar o produto, ou seja, definir o preço
unitário do produto para ser oferecido ao mercado.
• Valores em porcentagens – Dado fundamental quando se deseja levantar uma
análise geral da dinâmica da margem de contribuição sem precisar entrar nos
detalhes monetários individuais, ajuda muito na análise gerencial.
Assim, podemos dizer que a margem de contribuição é uma das ferramentas
de gestão mais importantes da análise de custos, segundo Lunkes (2004, p. 121): “[...]
margem de contribuição é a quantia de receita que permanece depois de deduzir os
custos e despesas variáveis”.
3.3 ANÁLISE DOS CUSTOS PELO MÉTODO DE ABSORÇÃO
E PELO MÉTODO VARIÁVEL
Qual é o motivo para dizer que a margem de contribuição é uma
ferramenta de análise de custos importantes? Entre outras coisas, porque permite
analisar a estrutura de custos de uma demonstração de resultados, desde uma
dinâmica do impacto da cada uma das contas tanto no custo unitário como no
peso destas contas sobre as receitas. E isso é uma informação-chave quando se
quer aprimorar processos, e no caso do setor público quando se quer melhorar a
qualidade do gasto.
Se ficou confuso, a seguir vamos levantar toda uma análise comparativa
sobre isto, levando em consideração os dois métodos de custos até aqui estudados,
o método de absorção e o método variável.
DRE pelo método de custeio por absorção – Através deste método se faz a
análise observando o comportamento do lucro bruto, ou seja, vendas menos custos
totais, isto quer dizer as vendas menos os custos diretos e indiretos/fixos. Desse
lucro bruto consideram-se as despesas (fixas e variáveis) para finalmente obter o
lucro líquido, como podemos observar a seguir.
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
92
QUADRO 27 – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO – DRE – PELO MÉTODO
ACEITO PELAS NORMAS CONTÁBEIS BRASILEIRAS
FONTE: O autor
DRE (Método por absorção)
Volume de produção 9.000
Detalhe Valores
Vendas Brutas R$ 1.791.000,00
C.P.V variável - R$ 673.380,00
Custos indiretos (Fixos) - R$ 390.000,00
Total Custos - R$ 1.063.380,00
Lucro Bruto R$ 727.620,00
Comissão Vendedores - R$ 89.550,00
Gastos Comerciais - R$ 189.000,00
Gastos Administrativos - R$ 163.500,00
Gastos Financeiros - R$ 55.350,00
Total Despesas - R$ 497.400,00
Lucro antes IR R$ 230.220,00
Por meio deste método podemos observar a geração do lucro do resultado
por meio de dois passos. O primeiro apura o lucro bruto (R$ 727.620,00), ou seja, as
receitas menos todos os custos fundamentais ao processo produtivo. No segundo
passo, se consideram todas as despesas que servem como consumo de recursos
para dar apoio ao processo produtivo, entre estas as despesas variáveis, como
por exemplo comissões pagas aos agentes de venda. Entretanto, pelo Método
Variável teremos outro processo de apuração.
DRE pelo método de custeio variável – Por meio deste método poderemos
observar a dinâmica das contas, ou seja, quais destas são fixas e quais variáveis. E
em função disso vamos poder apurar e quebrar o DRE, em duas grandes fases. Na
primeira fase, vamos considerar as receitas, menos todos os custos e despesas que
sejam variáveis; e na segunda fase, vamos considerar todos os custos e despesas
que sejam fixas, e todas estas contas fixas e variáveis em função do volume de
vendas em si, vamos lá?
TÓPICO 2 | MÉTODOS DE CUSTEIO
93
QUADRO 28 – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO – DRE – PELO MÉTODO
VARIÁVEL, VISANDO A ANÁLISE DO COMPORTAMENTO DOS CUSTOS E DESPESAS
FONTE: O autor
DRE (Método por absorção)
Volume de produção 9.000
Detalhe Unitário Valor Unitário Valores Porcentagem
Vendas Brutas 9.000 R$ 199,00 R$ 1.791.000,00 100,00%
C.P.V variável 9.000 - R$ 74,82 - R$ 673.380,00 37,60%
Comissão Vendedores 9.000 - R$ 9,95 - R$ 89.550,00 5,00%
Margem de contribuição 9.000 R$ 114,23 R$ 1.028.070,00 57,40%
Custos indiretos (Fixos)9.000 - R$ 43,33 - R$ 390.000,00 21,78%
Gastos Comerciais 9.000 - R$ 21,00 - R$ 189.000,00 10,55%
Gastos Administrativos 9.000 - R$ 18,17 - R$ 163.500,00 9,13%
Gastos Financeiros 9.000 - R$ 6,15 - R$ 55.350,00 3,09%
Total Custos e Gastos Indiretos 9.000 - R$ 88,65 - R$ 797.850,00 44,55%
Lucro antes IR 9.000 R$ 25,58 R$ 230.220,00 12,85%
Podemos ver que o lucro antes de Imposto da Renda (IR) será exatamente
igual, mas no detalhe da apuração é que está a diferença. Entre uma das
primeiras coisas a se observar é que a DRE convertida ao método variável possui
uma estrutura de análise tanto de percentuais como de valores unitários, se
considerando no exemplo que:
• As vendas representam 100%, e os custos variáveis representam 37,60% do
volume vendido, ou seja: 37 60 673 380
1 791 000
, % .
. .
= , ou 37 60
74 82
199 00
, % ,
,
=
• As comissões pagas aos vendedores representam 5% do valor total das vendas,
ou seja: 5 00 89 550
1 791 000
, % .
. .
= , ou 5 00 9 95
199 00
, % ,
,
=
• A margem de contribuição gerada foi de 57,40% do total das vendas, ou seja:
57 40 1 028 070
1 791 000
, % . .
. .
= , ou 57 40
114 23
199 00
, % ,
,
=
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
94
• Os custos e gastos fixos foram de 44,55%, ou seja: 44 55 797 850
1 791 000
, % .
. .
= , ou
44 55 1 028 070
199 00
, % . .
,
=
• A geração de lucro representa 12,85% do total das vendas, ou seja:
12 85 230 220
1 791 000
, % .
. .
= , ou 12 85
25 58
199 00
, % ,
,
=
O interessante deste método é que pode ser visualizada cada conta do DRE,
desde uma perspectiva dinâmica de valores unitários variáveis e custos fixos, e
não somente sobre custos de produção em um volume de vendas determinado.
Essa análise do comportamento dos custos fixos e variáveis será a base para
poder determinar o ponto de equilíbrio em função da margem de contribuição
unitária e os custos fixos totais, a serem estudados mais adiante.
3.3.1 Variações nos volumes vendidos e produzidos
Lembra que estudamos que um dos elementos importantes do método
de absorção é de analisar o comportamento dos valores por unidade produzida?
Logo, se houver um aumento nos volumes produzidos e vendidos, como impacta
isso nos custos e no lucro?
QUADRO 29 – ANÁLISE DE MUDANÇAS NA DRE, QUANDO HOUVER AUMENTO NO VOLUME
DE VENDAS
FONTE: O autor
DRE (Método de custeio variável)
Volume de produção 11.000
Detalhe Unitário Valor Unitário Valores Porcentagem
Vendas Brutas 11.000 R$ 199,00 R$ 2.189.000,00 100,00%
C.P.V variável 11.000 - R$ 74,82 - R$ 823.020,00 37,60%
Comissão Vendedores 11.000 - R$ 9,95 - R$ 109.450,00 - R$ 74,82
Margem de contribuição 11.000 R$ 114,23 R$ 1.256.530,00 57,40%
Custos indiretos (Fixos) 11.000 - R$ 35,45 - R$ 390.000,00 17,82%
Gastos Comerciais 11.000 - R$ 17,18 - R$ 189.000,00 8,63%
Gastos Administrativos 11.000 - R$ 14,86 - R$ 163.500,00 7,47%
Gastos Financeiros 11.000 - R$ 5,03 - R$ 55.350,00 2,53%
Total Custos e Gastos Indiretos 11.000 - R$ 72,53 - R$ 797.850,00 36,45%
Lucro antes IR 11.000 R$ 41,70 R$ 458.680,00 20,95%
TÓPICO 2 | MÉTODOS DE CUSTEIO
95
DRE (Método de custeio variável)
Volume de produção 7.000
Detalhe Unitário Valor Unitário Valores Porcentagem
Vendas Brutas 7.000 R$ 199,00 R$ 1.393.000,00 100,00%
C.P.V variável 7.000 - R$ 74,82 - R$ 523.740,00 37,60%
Comissão Vendedores 7.000 - R$ 9,95 - R$ 69.650,00 5,00%
Margem de contribuição 7.000 R$ 114,23 R$ 799.610,00 57,40%
Custos indiretos (Fixos) 7.000 - R$ 55,71 - R$ 390.000,00 28,00%
Gastos Comerciais 7.000 - R$ 27,00 - R$ 189.000,00 13,57%
Gastos Administrativos 7.000 - R$ 23,36 - R$ 163.500,00 11,74%
Gastos Financeiros 7.000 - R$ 7,91 - R$ 55.350,00 3,97%
Total Custos e Gastos Indiretos 7.000 - R$ 113,98 - R$ 797.850,00 57,28%
Lucro antes IR 7.000 R$ 0,25 R$ 458.680,00 0,13%
Obviamente que haverá um maior lucro, mas o interessante de analisar
isto, é que os custos e gastos fixos por unidade produzida irão ser menores. Eis o
motivo de um maior lucro, esses custos fixos não mudam, portanto poderão ser
diluídos numa maior quantidade de unidades vendidas. Neste caso, as unidades
vendidas passaram de 9.000 para 11.000, ou seja:
• Os custos e gastos fixos representam agora 36,45% das vendas totais, e R$
72,53 por unidade vendida. R$ 797.850 / 11.000 unidades = R$ 72,53. Mas
com vendas de 9.000 unidades os custos fixos representavam 44,55%, ou seja,
possuíam um maior peso.
• O lucro líquido passa de R$230.220 para R$ 458.680. Se observar houve um
aumento no lucro de 99.24%. Quando as vendas aumentaram somente 22,22%,
passando de 9.000 unidades para 11.000 unidades vendidas.
E se houver uma redução nos volumes produzidos e vendidos? A lógica
nos fala que a geração de lucro será menor, mas qual será o impacto disso sobre
os custos fixos?
QUADRO 30 – ANÁLISE DE MUDANÇAS NA DRE, QUANDO HOUVER QUEDA NO VOLUME
DE VENDAS
FONTE: O autor
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
96
Obviamente que haverá um menor lucro e no caso exposto acima, aliás,
quase houve prejuízo, mas o interessante de analisar é que os custos e gastos
fixos por unidade produzida irão ser bem maiores! Eis o porquê de um menor
lucro. Esses custos fixos não mudam, logo, poderão ser diluídos numa menor
quantidade de unidades vendidas. Neste caso as unidades vendidas passarem de
9.000 para 7.000, ou seja:
• Os custos e gastos fixos representam o 57,28% dos custos e gastos totais,
R$ 113,98 por unidade vendida. R$ 797.850 / 7.000 unidades = R$ 113,98.
Passando de 44,55% de fixos com 9.000 unidades vendidas para 57,28% de fixos
com 11.000 unidades vendidas.
• O lucro líquido passa de R$230.220 para apenas R$ 1.760. Se observar houve
uma queda no lucro de -99.24%. Quando as vendas tiveram uma queda de só
22,22%, passando de 9.000 unidades para 7.000 unidades vendidas.
Observando o exposto acima, tanto com o aumento como na queda nas
vendas, uma das vantagens da análise de custos pelo método variável é que pode
se identificar o comportamento da estrutura de custos variáveis e fixos, quando
há mudanças no volume de vendas. No caso exposto acima observa-se que:
• Quando as vendas foram de 9.000 unidades, houve:
Lucro de R$230.220
Custos fixos de R$ 797.850, representando um impacto de R$ 88,65 por
unidade vendida.
• Quando as vendas foram de 11.000 unidades, houve:
Lucro de R$ R$ 458.680 a mais!
Custos fixos de R$ 797.850, representando R$ 72,53 por unidade vendida.
• Quando as vendas foram de 7.000 unidades, houve:
Lucro de apenas R$ 1.760.
Custos fixos de R$ 797.850, representando R$ 113,98 por unidade vendida.
Nesta análise, a chave é observar a dinâmica da margem de contribuição em
função dos custos fixos. Esses dois elementos dos custos são uma das ferramentas
mais importantes para o gestor visualizar o risco na gestão quando houver,
principalmente queda nas receitas. Quantas empresas quebram quando existe
queda nas suas vendas? Na vida real muitas, pois algumas delas podem possuir
custos e despesas fixas altas demais para a dinâmica de seus negócios.
TÓPICO 2 | MÉTODOS DE CUSTEIO
97
No caso da gestão governamental, a queda nos impostos representa um risco
na gestão do gasto, pois geralmente existe uma incapacidade de reduzir gastos
fixos do governo federal, estaduais e municipais. Eis por que acontece déficit na
gestão pública quando se apresenta uma recessão econômica. E pior ainda, quando
o governo possui gastos quase impossíveis de serem reduzidos sem uma gestão
política e econômica eficiente e responsável, do Estado. Podemos observar isso
no aumento gradativo do déficit público durante a recessão do ano 2015, quando
o Estado arrecadou menos impostos (menos impostos vindos de novas vendas e
impostos em folha como um todo) e quando o gasto não foi reduzido.
UNI
Você sabe quando acontece um déficit público? Quando as receitas do Estado
(principalmente impostos) são menores que suas obrigações (gastos).
4 MÉTODO DE CUSTEIO ABC E SUA APLICABILIDADENO
SETOR PÚBLICO
Visto que já sabemos como funcionam os métodos por absorção e variável,
estamos no momento de poder estudar novos sistemas inovadores de custeio,
principalmente o método ABC.
No caso do serviço público, dado que ele possui uma estrutura de
custos composta basicamente por custos indiretos, e de dispor de
um mix diversificado de serviços e atividades, Brasil (2004), Martins
(2003), Duarte (2003), Slomski (2003 e 2005), Nunes (1995) e BNDES
(2000) consideram que o serviço público necessita utilizar-se do ABC
para poder direcionar os custos indiretos nas atividades e serviços
prestados pela entidade pública. (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 55).
Hoje, este método é bastante utilizado no governo federal, estadual
e municipal, tendo uma maior aplicação quando se trata de instituições
governamentais de estrutura de grande porte que demanda a apuração de uma
grande quantidade de custos e despesas indiretas de vários centros operativos.
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
98
4.1 CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADES (ABC)
Este método possui como base a departamentalização de uma organização,
ou seja, analisar cada um dos departamentos operativos e funcionais como se
fossem objetivos de custos individuais. Este método foi desenvolvido pelos
professores Robert Kaplan e Robin Cooper, da Harvard Business School.
O objetivo do método ABC é de aprimorar os processos de alocação tanto
dos custos e despesas indiretas em função de sistemas de rastreamentos dinâmicos.
Isso levando em consideração os produtos e serviços a serem oferecidos e os
departamentos tanto operativos como funcionais de uma organização.
Deste modo, o método ABC é uma ferramenta de gestão que permite o
cálculo de custos por produto com maior precisão em função dos objetivos de
custos. Isso auxilia a visualizar gastos pouco necessários (que não geram valor),
aprimorar serviços, a avaliar processos de gestão inovadores, visando assim ao
melhoramento contínuo de uma organização.
Levando isso em consideração, o método ABC é uma ferramenta prática para
a análise das atividades específicas realizadas dentro de uma grande organização,
se observando os respectivos vínculos com os geradores de custos. Considera-
se o melhor método de custos para instituições dos governos, que possuem uma
estrutura operativa de muitos detalhes, atividades e centros operativos. Pensem
na gestão da rede de ensino das escolas municipais de uma grande cidade como
São Paulo, ou de qualquer das grandes e médias cidades do Brasil, quantos gastos
geram estas escolas? Com certeza as redes de ensino público geram consumo de
recursos em termos monetários muito grande, aliás, muitos desses gastos poderiam
ser aprimorados.
Mas quando será viável escolher um método de custos ABC? Para poder
justificar um método de custeio complexo, como o ABC, devem se apresentar três
elementos importantes, segundo Mauss e Souza (2008, p. 55):
a) Os custos indiretos devem representar parcela considerável do
custo total;
b) Produção de extrema variedade de produtos e serviços no que
respeita ao processo produtivo ou ao volume de produção;
c) Possuir uma clientela igualmente diversificada e que exige
especificações especiais, serviços adicionais etc.
Assim, a justificativa para escolher o método ABC são as grandes
distorções vindas da alocação dos custos indiretos em uma organização que
possui diversos produtos com atividades complexas de identificar. E no caso das
instituições públicas este é exatamente um dos problemas, onde a maioria de
gastos são indiretos.
TÓPICO 2 | MÉTODOS DE CUSTEIO
99
Nesse sentido, um dos grandes aportes do método ABC é que os custos vão
se tornando mais visíveis, podendo dar apoio em programas de redução de custos,
no caso do setor público servirão para melhorar a qualidade do gasto. Outro ponto
importante deste método é que ajuda a visualizar a capacidade e qualidade de gerar
valor agregado dos custos e/ou gastos. Segundo Baker apud Ching (2001, p. 122),
“ABC como uma metodologia que mensura o custo e performance das atividades,
recursos e objetos de custo. Recursos são atribuídos às atividades e as atividades
são atribuídas aos objetos de custo baseado no seu uso”.
Segundo Cruz e Neto (2007, p. 94, “[...] é uma abordagem que analisa
o comportamento dos custos por atividade, estabelecendo relações entre
as atividades e o consumo de recursos, independentemente das fronteiras
departamentais”.
Exemplificando o exposto acima pelos autores Ching, Cruz e Neto, uma
empresa utiliza o serviço de transporte pesado de um caminhão cuja capacidade de
carga é de doze toneladas. Mas logo de uma análise de necessidade de recursos, foi
estabelecido que a empresa precisa o serviço de transporte pesado de um caminhão
de seis toneladas, e não de doze. Neste caso, o uso do ativo fixo caminhão para o
transporte de seis toneladas é suficiente, acima dessa capacidade a empresa está
gastando em um serviço que realmente não necessita. Entretanto, se a empresa
aumentar a necessidade de logística e precisar de maior capacidade de carga, logo,
o caminhão de doze toneladas estaria aportando com valor agregado às operações
da empresa.
Com o exposto acima podemos observar que o ABC é um método de custeio
que identifica as atividades, para assim poder rastrear recursos consumidos por
elas e, posteriormente, os valores dessas atividades aos centros de custos. Para
fazer isso é necessária a utilização de norteadores de custos, ou seja, de sistemas
de rastreio para a alocação específica de custos integrais por produto. Ou seja, por
meio deste sistema permite-se:
• A departamentalização direta de custos, assim, identificamos diretamente os
custos de uma atividade, exemplo da cada escola municipal.
• O rastreio, em função da atividade e não só um rateio geral para todos os custos
e gastos indiretos para toda a organização, mas sim por centro de custos.
• A identificação das atividades de apoio que agregam valor aos produtos, e
quais não geram.
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
100
UNI
Você sabe qual é a diferença entre rastreio e rateio? O rastreamento é uma
identificação de vínculo de causa e efeito entre a ocorrência de atividades. E o rateio é a
incorporação de custos em função a uma proporcionalidade referencial previamente definida.
4.2 IDENTIFICAÇÃO DE CUSTOS E CONSUMO DE
RECURSOS POR ATIVIDADES
Considerando que este método ABC está se aplicando em algumas
situações no setor público precisamos abordar alguns conceitos importantes.
Vamos estudar principalmente o que tange sobre as atividades e sobre os
direcionadores de custos.
4.2.1 Atividades
Qualquer oferta de produto e/ou serviço precisa de uma série de processos
e atividades bem definidas. Nesse sentido, todas as atividades de um processo
econômico são agregações contínuas de ações. Podendo ser atividades diretamente
relacionadas ao processo produtivo, ou atividades de apoio à produção. Assim,
por meio do método ABC, pode-se levantar toda uma análise de definição dessas
atividades, objetivando a identificação de consumo de recursos, que logo viram
rastreadores de geradores de custos.
Para exemplificar isto, se depararmos as necessidades de serviços de
um hospital, neste existem atividades que fazem parte direta dos serviços aos
pacientes e outras atividades que servem como apoio.
• Atividades diretas do hospital: atividades tais como enfermaria que mantém
um contato direto e contínuo com os pacientes, a gestão do fornecimento
contínuo de medicamentos, serviços profissionais dos médicos, entre outros.
• Atividades de apoio ao hospital: serviço de ambulâncias, serviço de
alimentação especializada dos nutricionistas, fornecimento de energia elétrica,
administração do hospital, capacitação tanto para as equipes da enfermaria
como dos médicos, entre outros.
Mas como poderíamos identificar o consumo de cada uma das
necessidades das atividades a serem cumpridas? No método ABC os norteadores
de identificaçãodos recursos, conhecidos como custos e despesas indiretas,
podem ser classificados em três grandes grupos:
TÓPICO 2 | MÉTODOS DE CUSTEIO
101
• Por alocação direta: todos os recursos identificáveis ao produto ou
serviço deverão ser alocados diretamente à atividade e ou produto,
dependendo da fase em que ele se encontra.
• Por rastreamento: faz-se necessário rastrear o custo consumido pela
atividade, porém de difícil identificação.
• Por rateio: sempre que não houver a possibilidade de se fazer
nenhuma das alternativas anteriores. (SLOMSKI, 2010, p. 384).
Segundo o exposto acima por Slomski, na alocação direta, identifica-se
a atividade e quais foram os recursos consumidos nessa atividade, exemplo:
quantidade de material requisitado para executar a atividade.
Quando se considerar o rastreamento, deve-se identificar o elo entre a
atividade e o consumo de recurso gerado, ou seja, a análise de um vínculo entre
a atividade e os custos gerados. Segundo Martins (2003, p. 102), o rastreamento
é uma incorporação de custos “[...] com base na identificação de relação causa e
efeito entre a ocorrência da atividade e a geração dos custos”.
4.2.2 Direcionadores de custos
Estes direcionadores servem para identificar e rastrear custos e gastos a
serem vinculados às diversas atividades das operações de uma organização. O
direcionador de custos é o determinador do consumo de recursos por atividade,
sob o conceito do método ABC existem dois tipos de direcionadores:
Direcionador de consumo de recursos – esta é a primeira fase (estágio)
da identificação de um custo ou despesa. Neste ponto vincula-se a necessidade
de aplicar recursos (geradores de custos e despesas) para executar atividades nos
processos. Ou seja, identificação de atividades que consomem recursos que logo
servem para custear processos, exemplo:
Em um hospital, as atividades de compra de medicamentos consomem
materiais de escritório? A lógica nos fala que sim, esse consumo de materiais
de escritório vira uma despesa identificável por meio das requisições feitas,
rastreamento. Logo, o histórico de requisições evidencia o consumo desse tipo
de recursos que dão apoio às atividades de compras do hospital. Assim, o
direcionador de consumo de recursos, neste caso, será a quantidade requisitada.
Direcionador de custos por atividades – esta é a segunda fase, ou estágio,
da identificação de um custo ou despesa. Uma vez identificado o consumo de
recursos – como a quantidade requisitada do exemplo exposto acima – é necessário
apontar quais as atividades devem ser cumpridas, visando dar conta do objetivo
dessas atividades que fazem parte de um grande processo de formação de um
produto ou serviço. Neste sentido em todo processo produtivo existe uma inter-
relação entre atividades e formação do produto e serviço, objetivando dar conta
das necessidades da demanda em questão, exemplo:
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
102
No caso da identificação do consumo de recursos através da quantidade
requisitada, vira recurso rastreado que serve para execução das atividades
específicas em função das necessidades de cada setor.
Para visualizar melhor estes dois grandes elementos dos direcionadores
de custos, a seguir apresentamos um quadro de direcionadores para uma
situação-padrão de uma fábrica que executa processos de transformação de
insumos em produtos.
QUADRO 31 – DIRECIONADORES DE CUSTOS DAS ATIVIDADES SOBRE O MÉTODO ABC
Departamento Atividades a ser executadas Direcionadores de custos
Setor de Compras • Compra de materiais• Fornecedores
• Nº de ordens de compra
• Nº Fornecedores cadastrados
Setor de Estoques • Recebimento de materiais• Movimentação de estoques
• Nº de entrada de materiais
• N de saída ou requisições
Setor de Produção • Programação da produção• Controle de processos
• Quantidade de produtos x período
• Lotes de produção
FONTE: Adaptado de Martins (2003, p. 98-99)
Do quadro exposto acima podemos observar que os direcionadores estão
definidos em função das atividades a serem aplicadas, logo, as atividades são
as que registram o rastreamento do consumo de recursos. Agora, projetar esse
quadro nas atividades de uma grande instituição pública não é tarefa fácil, mas
uma matriz que vincule departamentos, atividades e direcionadores de custos
pode ajudar bastante na gestão de custos. Podemos apresentar como exemplo
disto o Banco Central do Brasil.
O método ABC foi implantado no Banco Central a partir do ano 2003, com
uma grande melhora na qualidade do gasto. Entre os principais objetivos era de:
• mensurar e controlar os custos administrativos do Banco;
• quantificar o valor dos serviços oferecidos à sociedade
(macroprocessos);
• mensurar o grau de eficiência e eficácia no desempenho de suas
funções;
• subsidiar o planejamento da entidade e auxiliar no controle de sua
execução;
• atender às exigências da Lei de Responsabilidade Fiscal.
FONTE: Disponível em: <https://www.bcb.gov.br/htms/sobre/
sistema_de_custos_bid.pdf>. Acesso em: 27 dez. 2015.
TÓPICO 2 | MÉTODOS DE CUSTEIO
103
4.2.3 Diferenças entre o método abc e o método por
absorção
Apesar do método ABC ser uma grande ajuda no momento de aprimorar
custos e na tomada de decisões não é o método aceito pelas normas contábeis
brasileiras. Assim, é um método de grande ajuda que serve como complemento
ao método por absorção, sendo que ambos podem servir para análise de custos
comparativos.
O método ABC é de grande apoio em especial para as grandes organizações
públicas e/ou privadas, tais como como o Banco Central, ou um centro de escolas
públicas de um grande município. Segundo Slomski (apud MAUSS; SOUZA,
2008, p. 56):
[...] o ABC é um dos métodos que mais se ajustam às entidades
públicas de administração direta, pois é hábito nessas instituições a
definição de atividades, já que o orçamento público é estruturado em
programas, projetos, e atividades, mesmo que essas aditividades do
orçamento programa sejam distintas das atividades do Método ABC.
Nesse caso, atividade é toda a ação permanente de governo; e projetos
são ações com limitação no tempo. Já no ABC, atividade é toda ação
que consome recursos, seja no orçamento, projetos ou atividades.
Assim, podemos observar que o método pode ser encaixado perfeitamente
nas instituições públicas. O grande problema é que o método ABC demanda
de sistemas de informação bem complexos para assim vincular uma série de
direcionadores de custos que estejam ligados às atividades. Isso, muitas vezes,
não é possível, se encaminhando o sistema ABC especialmente para as grandes
instituições governamentais.
Neste ponto de nossos estudos, cabe perguntar: qual é a grande diferença entre
estes dois métodos? Para responder a isso observe o seguinte quadro comparativo.
QUADRO 32 – QUADRO COMPARATIVO ENTRE OS MÉTODO POR ABSORÇÃO E ABC
FONTE: Adaptado de: Mauss e Souza (2008, p. 59)
Visão do Método de Custeio por Absorção
Custos de Produção
Produtos Consomem Custos
Custo do Produto ou Serviço
Visão do Método de Custeio ABC
Custos de Produção
• Atividades consumem custos.
• Produtos consomem atividades.
Custos das Atividades
Custos do Produto ou Serviço
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
104
Mas o que podemos interpretar do quadro exposto acima? Se observarmos
o quadro, ele mostra que pelo método por absorção o consumo de recursos
(custos) está vinculado com um centro de custos (ou departamento) em específico.
Deste modo, esses custos poderão ser destinados aos produtos em função tanto
dos custos diretos como do rateio dos custos indiretos, sendo assim uma gestão
vertical da análise de custos.
Entretanto, como mostra o quadro, no método ABC, não existe um só
vínculo com um centro de custos, mas o atrelamento está em função das atividades,
que seguem uma ordem de processos produtivos. Neste caso, é uma perspectiva
de gestão horizontal, ou seja, a apuração de custos é executada sobre as atividades
para logo serem incorporadasaos produtos e/ou serviços.
Essa diferença pode dar uma grande vantagem de exatidão de custos,
especialmente o referente ao custo individual para cada produto ou serviço.
Isso é um diferencial de qualidade do gasto quando se aborda a gestão de uma
organização de grande porte, que possui diversos produtos com processos
complexos, justificando assim um método de custos como o ABC, como é o caso
de uma entidade pública de grande porte. Porém, para uma organização que
possui processos com menor complexidade e custos de maior facilidade de se
vincular aos produtos oferecidos, não justifica implantar um sistema ABC que
demanda de maiores recursos em sistemas de informações complexos.
105
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico você viu que:
• Existe um só método autorizado pelas normas contábeis do país, este é o método
por absorção. Os demais métodos, tal como o método ABC, são importantes,
mas para objetivos de análise de eficiência da gestão.
• No método por absorção, todos os custos de produção, incluindo os indiretos,
devem ser incorporados aos produtos no período, ou seja, devem ser absorvidos
ao custo de cada produto e /ou serviço.
• No método por absorção, as despesas serão consideradas após apurado o lucro
bruto, sem ser absorvidas ao custo de cada produto e/ou serviço. E os custos
indiretos são incorporados (absorvidos) ao custo de produção por meio de rateio.
• No método variável considera-se como custo, todo custo e despesa que sejam
sempre variáveis. O importante deste método é separar todos os fatores de
produção (custos e gastos) entre variáveis e fixos, independentemente que
estes sejam considerados custos ou despesas.
• Uma peça-chave do método variável é a margem de contribuição, sendo este a
diferença entre as receitas menos os custos e despesas variáveis.
• O método de custeio ABC está fundamentado na departamentalização, ou seja,
baseia-se em analisar cada um dos departamentos como focos geradores de
custos. Assim, este método é uma ferramenta de gestão que permite o cálculo
de custos por produto com maior precisão em função dos objetivos de custos
de cada departamento.
• O método de custeio identifica as atividades, para assim poder rastrear recursos
consumidos por elas dentro dos departamentos identificados em uma organização.
• Uma parte chave do método de custeio ABC são os direcionadores de custos,
os quais são determinadores de consumo de recursos por atividade. Neste
método existem dois tipos de direcionadores: o direcionador de consumo de
recursos, e o direcionador de custos por atividades.
106
AUTOATIVIDADE
1 Na apuração de custos existem vários métodos de análise de custos. Mas
existe um só método legalmente aceito pelas normas contábeis brasileiras. A
seguir marque a sentença correta.
( ) O método válido para a elaboração e divulgação das demonstrações
financeiras é método de custeio variável.
( ) O método válido para a elaboração e divulgação das demonstrações
financeiras é método de custeio por absorção.
( ) O método válido para a elaboração e divulgação das demonstrações
financeiras é método de custeio indireto.
( ) O método válido para a elaboração e divulgação das demonstrações
financeiras é método de custeio ABC.
2 O método de custeio por absorção utiliza como ferramenta de apuração
sistemas de rateio, visando assim incorporar o consumo de recursos indiretos
aos produtos e/ou serviços a serem ofertados. Nesse contexto marque a
sentença correta.
( ) Como critério de análise no método por absorção todos os custos de
produção, diretos e indiretos, devem ser incorporados aos produtos no
período.
( ) Como critério de análise no método por absorção todos os custos de
produção e despesas gerais, diretos e indiretos, devem ser incorporados
aos produtos no período.
3 Tanto o método de custeio por absorção como o variável são ferramentas de
análise importantes na análise de custos. Mas existe uma diferença básica
entres dois métodos de custeio, defina qual é essa diferença.
4 Uma das peças-chave do método de custeio variável é a apuração da Margem
de Contribuição. Nesse sentido, a seguir assinale a sentença correta.
( ) Margem de contribuição define-se como a margem bruta entre receitas,
menos os custos de produção, considerando o rateio de custos.
( ) Margem de contribuição é a diferença entre as receitas menos os custos e
despesas de comportamento variável.
5 Tanto o método de custeio por absorção como o custeio variável possuem
como objetivo apurar o resultado da Demonstração do Resultado do Exercício
(DRE), mas por sistemas de apuração diferentes. A seguir desenvolva o
cálculo da DRE em função destes dois métodos, levando em consideração os
seguintes valores e formato de DRE:
107
Detalhe de Receitas, Custos e Despesas
Volume de Vendas: 9.150 Fórmula para calcular valor total
Preço Unitário de vendas R$ 160,00
(R$ 160,00 x 9.150)
Vendas Totais R$ 1.464.000,00
Custos Direitos e Indiretos
C.P.V variável - R$ 64,11 (R$ 64,11 x 9.150)
Custos indiretos (Fixos) - R$ 330.000,00
Despesas
Gastos Comerciais - R$ 160.000,00
Comissão Unitária Vendedores, 5% - R$ 8,00 (R$ 160,00 x 0,05 x 9.150)
Gastos Administrativos - R$ 137.650,00
Gastos Financeiros - R$ 46.750,00
DRE (Método de custeio variável)
Volume de produção 9.150
Detalhe Unitário Valor Unitário Valores Porcentagem
Vendas Brutas 9.150 R$ 160,00
C.P.V variável 9.150 - R$ 64,11
Comissão Vendedores 9.150 - R$ 8,00
Margem de contribuição 9.150
Custos indiretos (Fixos) 9.150
Gastos Comerciais 9.150
Gastos Administrativos 9.150
Gastos Financeiros 9.150
Total Custos e Gastos Indiretos
Lucro antes IR -
108
6 O método de custeio ABC tem como base a departamentalização de uma
organização. Deste modo pode-se analisar cada um dos departamentos
como se fosse centros de custos individuais. Nesse contexto, assinale a
sentença correta.
( ) O objetivo do método de custeio ABC é de aprimorar os processos de
alocação tanto dos custos e despesas indiretas em função de sistemas de
rastreamentos dinâmicos, levando-se em consideração os departamentos
operativos e funcionais de uma organização.
( ) O objetivo do método de custeio ABC é de aprimorar os processos de
produção em função da classificação dos centros de custos em função da
ordem de importância, A, B, C. Sendo o centro de custo A o mais importante
e assim vai classificando em ordem de relevância à organização.
7 O método de custeio ABC pode trazer muitas vantagens as entidades públicas.
Mas para que seja viável de ser desenvolvido são necessários alguns requisitos
básicos, ou elementos importantes, a seguir exponha quais são.
8 Um dos eixos da análise de custos por meio do método ABC é saber identificar
o consumo de recursos para cada um dos departamentos operativos e
funcionais de uma organização. Nesse sentido, assinale a sentença correta.
( ) Para poder identificar os custos indiretos por meio do método ABC é
necessário definir as atividades em cada departamento. Assim, como se
deve desenvolver os direcionadores de custos para rastrear e identificar o
consumo de recursos a serem vinculados às atividades.
( ) Para poder identificar os custos indiretos por meio do método ABC deve-
se levar em consideração quais atividades são relevantes aos processos
produtivos, pois as atividades que demandam pouco consumo de recurso
serão consideradas como despesas gerais na DRE. Assim como devem ser
identificados os centros de custos para cada um dos produtos e/ou serviços.
DRE (Método por absorção)
Volume de produção 9.150
Detalhe Valores
Vendas Brutas
C.P.V variável
Custos indiretos (Fixos)
Total Custos
Lucro Bruto
Comissão Vendedores
Gastos Comerciais
Gastos Administrativos
Gastos Financeiros
Total Despesas
Lucro antes IR
109
TÓPICO 3
PONTO DE EQUILÍBRIO NA ESTRUTURA
DE CUSTOS DO SETOR PÚBLICO
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Tanto a administração pública como a privada precisam de parâmetros
norteadores que possam indicar quaissão os limites de volume de receitas e gastos
dentro de suas estruturas, especialmente, quando acontecem quedas nas receitas,
mais ainda, na gestão governamental que tem a obrigação de prestar contas à
sociedade. Para saber desses limites existem uma série de ferramentas de análise
de custos, que ajudam a observar o comportamento destes.
O ponto de partida dessa análise de custo é a observação do comportamento
do ponto de equilíbrio, que ajuda os gestores a observar quais são os limites da
estrutura montada em função de três grandes variáveis: as receitas (no caso do
Estado maioritariamente a arrecadação de impostos), os custos e despesas de
natureza variável e os custos e despesas de natureza fixa.
2 PONTO DE EQUILÍBRIO
Na gestão de análise de custos, o ponto de equilíbrio é um termo bastante
utilizado, se interpretado como o ponto de ruptura, ou divisor de águas. É a partir
deste ponto que a empresa começa a ter geração de lucro ou prejuízo, ou seja,
ponto de ruptura entre a geração de lucro ou perdas monetárias. Se observarmos,
em inglês, o ponto de equilíbrio possui o nome de break-even point, sendo sua
tradução literal: “ponto de nível de ruptura”. Ficou curioso?
Mas o que exatamente quer dizer isso de “ponto de equilíbrio”? O ponto de
equilíbrio acontece quando as organizações conseguem nivelar tanto seus custos
como despesas com a sua receita, ou seja: é o nível onde o total das receitas será
igual ao total de todos seus custos e despesas, gerando uma utilidade de ZERO.
110
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
• Acima desse nível, a empresa começa a gerar lucro, ou seja, as receitas superam
ao total de custos e despesas.
• Abaixo desse nível, a empresa começa a gerar prejuízo, ou seja, as receitas não
conseguem superar ao total de custos e despesas.
Assim, quando o total das receitas é igual ao total dos custos e despesas
pode-se afirmar que uma empresa está no ponto de equilíbrio. É como uma
balança: os gastos se equilibraram com a receita, consequentemente a geração
de lucro será ZERO. Vanderbeck e Nagy (2002, p. 415) interpretam o ponto de
equilíbrio como “[...] o ponto no qual a receita de vendas é adequada para cobrir
todos os custos de manufatura e vender o produto, mas sem obter lucro”.
2.1 EXEMPLIFICAÇÃO DO PONTO DE EQUILÍBRIO
Lembra-se da apuração da Demonstração do Resultado do Exercício
(DRE) feito pelo método de custeio variável, no Tópico 3.2 desta unidade? Nesse
tópico estudamos sobre o comportamento do DRE em função do nível de vendas
e dos custos variáveis, analisando-se o comportamento dos custos quando o nível
de vendas estava em um referencial de 9.000 unidades. Nesse nível de vendas
houve uma geração de lucro de R$ 230.220,00, porém, se mudássemos o volume
de vendas para 6.985,59 unidades, o que vai acontecer com a geração de lucro?
Teremos um lucro igual a ZERO, conforme podemos observar a seguir.
QUADRO 33 – DRE GERANDO LUCRO ZERO (PONTO DE EQUILÍBRIO)
FONTE: O autor
Volume de produção 6.984,59
Detalhe Unitário Valor Unitário Valores Porcentagem
Vendas Brutas 6.985 R$ 199,00 R$ 1.389.933,91 100,00%
C.P.V variável 6.985 - R$ 74,82 - R$ 522.587,21 37,70%
Comissão Vendedores 6.985 - R$ 9,95 - R$ 69.496,70 5,00%
Margem de contribuição 6.985 R$ 114,23 R$ 797.850,00 57,40%
Custos indiretos (Fixos) 6.985 - R$ 55,84 - R$ 390.000,00 28,06%
Gastos Comerciais 6.985 - R$ 27,06 - R$ 189.000,00 13,60%
Gastos Administrativos 6.985 - R$ 23,41 - R$ 163.500,00 11,76%
Gastos Financeiros 6.985 - R$ 7,92 - R$ 55.350,00 3,98%
Total Custos e Gastos Indiretos 6.985 - R$ 114,23 - R$ 797.850,00 57,40%
Lucro antes IR 6.985 R$ 0,00 R$ 0,00 0,00%
TÓPICO 3 | PONTO DE EQUILÍBRIO NA ESTRUTURA
111
No quadro exposto acima podemos dizer que quando a empresa consegue
vender 6.985 unidades estará atingindo seu ponto de equilíbrio. Acima de 6.985
unidades vendidas, durante um período determinado, a empresa poderá gerar
lucro; entretanto, abaixo de 6.985 unidade vendidas a empresa começara a gerar
prejuízo. Isto é importantíssimo identificar, pois sabendo este ponto de equilíbrio
a empresa pode perceber seu ponto crítico de receitas antes de começar a entrar
no prejuízo, muito útil quando se está começando um novo negócio, ou quando
se está apontando uma queda no volume de vendas.
Assim, esse argumento de que o ponto de equilíbrio é de 6.985 (no
exemplo exposto acima) será o condicional crítico da estrutura tanto dos custos
variáveis como dos fixos. Eis a importância de saber a dinâmica do método de
custeio variável, estudado no tópico anterior, é por meio da análise da margem
de contribuição que podemos apurar o ponto de equilíbrio. Mas como podemos
achar esse ponto de equilíbrio para efeitos de análise de custos?
2.2 PONTO DE EQUILÍBRIO OPERACIONAL (PEO)
A chave para achar o ponto de equilíbrio de qualquer organização é
observando a variável “volume” de vendas em função de uma estrutura de custos
determinada. Ou seja, qual é a quantidade mínima necessária de produtos a se
vender para que essa receita possa cobrir os custos fixos e custos variáveis. Logo,
essa quantidade deverá ser o referencial onde o lucro será “zero”. No caso do
setor público, na maioria de entidades, essa variável ficará em função do nível de
receitas vindas da arrecadação de impostos.
Para poder encontrar e apurar o ponto de equilíbrio será necessário
identificar o valor das vendas unitárias e a margem de contribuição unitária,
assim como é necessário saber também quais são os custos e despesas fixas. Deste
modo, a margem de contribuição unitária e os custos fixos são elementos base
para se identificar o ponto de equilíbrio operacional (PEO).
UNI
Lembra como se apura a margem de contribuição?
Margem de Contribuição
Unitária
Venda Unitária – Custo Variável Unitário –
Despesas Variáveis Unitárias
Margem de Contribuição
Unitária
R$ 199,00 – R$ 74,82 – R$ 9,95
Margem de Contribuição
Unitária
R$ 114,23
112
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
Uma vez identificada a margem de contribuição é que podemos encontrar
o ponto de equilíbrio operativo (PEO) através da seguinte fórmula:
Ponto de equilíbrio Operacional (PEO)
Custos e Gastos Fixos
Margem de contribuição Unitária
Ponto de equilíbrio Operacional (PEO)
R$ 797.850
R$ 114,23
Ponto de equilíbrio Operacional (PEO) 6.984,59 6.985
Será que quando se vender 6.985 unidades, a empresa terá lucro zero,
vamos conferir? A empresa terá um lucro de exatamente ZERO, como se pode
observar no DRE já analisado anteriormente (Quadro 33).
Nesse DRE, a receita total com 6.985 unidades vendidas será igual ao total
de custos e gastos gerados, se obtendo assim um lucro de ZERO, assim, nesse
nível de vendas a empresa atingirá seu ponto de equilíbrio operacional (PEO).
No geral, a dinâmica do PEO de qualquer organização pode ser visualizada
por meio do seguinte gráfico:
QUADRO 34 – DINÂMICA DO PONTO DE EQUILÍBRIO
FONTE: Disponível em: <http://financas-em-foco.blogspot.com.br/2012/02/ponto-de-equilibrio.
html>. Acesso em: 12 jan. 2016.
Custo ($)
prej
uízo
lucr
o
Ponto de Equilíbrio
Custos Fixos
Custos Variáveis
Volume (q)
Custos e
Despesas
Receitas
Totais
TÓPICO 3 | PONTO DE EQUILÍBRIO NA ESTRUTURA
113
2.2.1 A margem de contribuição unitária e o PEO
Um dos elementos de análise importante do Ponto de Equilíbrio
Operacional (PEO) é o condicional sobre a estrutura proporcional dos custos
variáveis no DRE. Estes custos e despesas variáveis em termos unitários não
mudam, mas mudam sim em termos do volume de vendas. Ou seja, tanto os
custos e gastos variáveis sempre irão manter uma mesma proporcionalidade em
função do volume de vendas. Exemplificando isto no exemplo do Quadro 33:
• Os custos e gastos variáveis ficam sempre em 42,60%; que é a somatória do
custo variável de 37,60%,
R$ 74,82
R$ 199
x 100 ; mais as comissões de vendedores de
5,00%, R$ 9,95
R$ 199
x 100 ,
• A porcentagem de margem de contribuição fica estável em 57,40%,
R$ 114023R$ 199
x 100 . Fica estável, em termos proporcionais, seja que a empresa
esteja vendendo pouco ou muito.
Mas o porquê disso? Isso acontece porque os componentes unitários
de preço de venda, e de custos (e gastos) variáveis vão se manter iguais em
função do preço de venda unitário. Assim, se o volume de vendas aumentar, ou
diminuir, esses valores (vezes o volume vendido) irão mudar também, mantendo
exatamente a mesma proporcionalidade. Ou seja, esses componentes unitários
fazem parte da estrutura de custos variáveis dessa produção em específico. Logo?
• O preço de venda unitário (estável) vezes as unidades vendidas, visando
apurar o total de vendas em uma situação em específico.
• O custo variável unitário (estável) vezes as unidades vendidas, visando apurar
o total do custo variável em uma situação em específico.
• A despesa (gasto) variável unitária (estável) vezes as unidades vendidas,
visando apurar o total da despesa variável em uma situação em específico.
Assim, as proporcionalidades desses elementos ficam iguais. Na
demonstração do resultado exposta acima, essa proporcionalidade estará em função
da somatória dos custos e gastos variáveis, representando 37,60% do total de vendas;
e a margem de contribuição em 57,40%.
114
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
2.2.2 O deslocamento do PEO para um novo patamar
Levando em consideração que para apurar o PEO precisa-se de uma
margem de contribuição unitária como de um valor de custos e despesas fixas
predeterminado, haverá a identificação do PEO. E isso se dará sempre, lembre, em
função de uma estrutura de custos predeterminada também. Mas quando será que
o Ponto de Equilíbrio Operacional poderia mudar?
Para responder, temos que observar que o Ponto de Equilíbrio Operacional
(PEO) sofrerá alguma alteração quando algum valor unitário oscilar, e/ou quando
o valor total dos custos e despesas fixas mudar também. Ou seja, o PEO poderá
sofrer alguma alteração se alguns dos componentes da margem de contribuição
mudar, isto quer dizer se houver mudanças no preço de venda unitário, ou nos
custos e/ou os gastos variáveis.
Todavia, o PEO pode sofrer também alguma alteração com mudanças na
estrutura dos custos fixos. Assim, o PEO pode ter variações se a estrutura de
custos em si mudar, logo? Haverá um novo ponto de equilíbrio na estrutura de
custos, portanto:
• A representatividade daquele valor de (PEO) será refletido em um novo nível
mínimo de unidades a se vender para atingir uma geração de lucro de ZERO, em
outras palavras, o PEO.
Lembre-se de que o PEO pode mudar somente quando um dos grandes
elementos que fazem parte deste sofrerem alguma alteração, ou seja:
• Se mudar a margem de contribuição unitária. Isso quer dizer se mudar a
estrutura de qualquer dos seguintes valores: venda unitária, custos variáveis
unitários, e /ou despesas variáveis unitárias. Exemplo, uma alta nos preços
dos insumos terá um impacto no custo variável unitário, logo, o PEO sofrerá
alteração.
• Se mudar a estrutura do valor dos custos e despesas fixas de uma organização.
Exemplo, uma alta na folha de pagamento (aumento de salários) terá um
impacto na estrutura do custo fixo e despesas fixas, logo, o PEO sofrerá
alteração.
Se lembrarmos a fórmula do PEO, ela está composta desses dois grandes
elementos. Eis o porquê qualquer mudança neles faz mudar o PEO para um novo
patamar, observe que:
Ponto de equilíbrio Operacional (PEO)
Custos e Despesas Fixos
Margem de contribuição Unitária
TÓPICO 3 | PONTO DE EQUILÍBRIO NA ESTRUTURA
115
Portanto, é suficiente que qualquer desses dois componentes seja alterado
para que o ponto de equilíbrio operacional (PEO) mude, isto pode acontecer,
entre outas coisas, se houver:
• Mudança do preço de venda em função das condições do mercado, impactando
o preço de venda unitário.
• Mudança no preço de qualquer dos insumos do processo produtivo, impactando
no custo variável unitário.
• Aumento do custo da hora-homem, que faz parte do custo variável unitário
também.
• Aumento das despesas variáveis, uma comissão mais alta para aumentar as
vendas, por exemplo.
• Aumento de qualquer dos gastos que fazem parte do custo e gasto fixo, exemplo
aumento do aluguel da fábrica, aumento no salário mínimo etc.
A seguir vamos observar como pode mudar o PEO para um novo patamar
utilizando nosso DRE já estudado previamente. O que pode acontecer com o PEO
se houver um aumento de 3,9% no custo variável? A lógica nos fala que haverá
uma mudança, a seguir poderemos observar de quanto será essa mudança.
Detalhe PEO Inicial PEO Novo
Preço de Venda Unitário R$ 199,00 = 100,00% R$ 199,00 = 100,00%
Custo Variável Unitário R$ 74,82 = 37,60% R$ 77,74 = 39,07%
Despesa - Comissões R$ 9,95 = 5,00% R$ 9,95 = 5,00%
Margem de Contribuição R$ 114,23 = 57,40% R$ 111,31 = 55,93%
Custos Fixos R$ 797.850,00 R$ 797.850,00
Ponto de Equilíbrio Contábil PEC 6.985 Unidades 7.168 Unidades
FONTE: O autor
QUADRO 35 – MUDANÇA NO PEC QUANDO HOUVER VARIAÇÃO NO CUSTO E GASTO FIXO
O que quer dizer isso? Que o novo PEO agora é de 7.168 unidades? Isso quer
dizer que para poder atingir o mínimo de vendas necessárias, para não gerar prejuízo,
aumentou o PEO inicial de 6.985 unidades para 7.168 unidades vendidas. Isto porque
agora existem custos variáveis maiores, recorrentes, por exemplo, de um aumento nos
insumos. E se os custos e despesas fixas aumentarem também? Igualmente haverá
um nível de PEO maior, conforme vamos estudar no seguinte item.
3 OS RISCOS DE MUDANÇAS NO PEO E MARGENS DE
SEGURANÇA
Conforme com o que acabamos de ler, outro fator importante a se analisar
da estrutura do PEO (Ponto de Equilíbrio Operacional) é o peso dos custos
fixos. Considerando isso, devemos nos perguntar: qual empresa, considerando
116
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
3.1 DINÂMICA DO RISCO DE GERAR LUCRO COM
QUEDA NAS RECEITAS
Como acabamos de ler, se há uma queda nos volumes vendidos haverá o
risco de gerar menores lucros, inclusive, quando ultrapassar o Ponto de Equilíbrio
Operativo (PEO) poderá acontecer prejuízo. Mas qual é a dinâmica desse risco?
A seguir vamos observar as mudanças na Demonstração do Resultado
do Exercício (DRE) já previamente estudado, quando acontecerem quedas nos
volumes vendidos, começando com as vendas projetadas, logo atingindo o PEO, e
depois disso ultrapassando o PEO.
DRE (Método de custeio variável)
Volume de produção 9.000
Detalhe Unitário Valor Unitário Valores Porcentagem
Vendas Brutas 9.000 R$ 199,00 R$ 1.791.000,00 100,00%
C.P.V variável 9.000 - R$ 74,82 - R$ 673.380,00 37,60%
Comissão Vendedores 9.000 - R$ 9,95 - R$ 89.550,00 5,00%
Margem de contribuição 9.000 R$ 114,23 R$ 1.028.070,00 57,40%
Custos indiretos (Fixos) 9.000 - R$ 43,33 - R$ 390.000,00 21,78%
Gastos Comerciais 9.000 - R$ 21,00 - R$ 189.000,00 10,55%
Gastos Administrativos 9.000 - R$ 18,17 - R$ 163.500,00 9,13%
Gastos Financeiros 9.000 - R$ 6,15 - R$ 55.350,00 3,09%
Total Custos e Gastos Indiretos 9.000 - R$ 88,65 - R$ 797.850,00 44,55%
Lucro antes IR 9.000 R$ 25,58 R$ 230.220,00 12,85%
indústrias semelhantes, está sujeita para um maior risco de ter prejuízo nas suas
atividades, quando acontecer queda nas vendas?
• A que tiver um maior volume de produção para atingir o PEO?
• A que tiver um menor volume de produção para atingir o PEO?
A empresa que poderia ter um menor risco seria a que tiver menores
custos fixos, ou seja, a que tiver um ponto de equilíbrio menor em função de
umas necessidades produtivas semelhantes. Entretanto, a que tiver um ponto de
equilíbrio maior poderá ter maior risco quando houver queda nas vendas.
QUADRO 36 – DRE COM VOLUME DE VENDAS ESTIMADO
FONTE: O autor
TÓPICO 3 | PONTO DE EQUILÍBRIO NA ESTRUTURA
117
Volume de produção 6.000
Detalhe Unitário Valor Unitário Valores Porcentagem
Vendas Brutas 6.000 R$ 199,00 R$ 1.194.000,00 100,00%
C.P.V variável 6.000 - R$ 74,82 - R$ 448.920,00 37,60%
Comissão Vendedores 6.000 - R$ 9,95 - R$ 59.700,005,00%
Margem de contribuição 6.000 R$ 114,23 R$ 685.380,00 57,40%
Custos indiretos (Fixos) 6.000 - R$ 65,00 - R$ 390.000,00 32,66%
Gastos Comerciais 6.000 - R$ 31,50 - R$ 189.000,00 15,83%
Gastos Administrativos 6.000 - R$ 27,25 - R$ 163.500,00 13,69%
Gastos Financeiros 6.000 - R$ 9,23 - R$ 55.350,00 4,64%
Total Custos e Gastos Indiretos 6.000 - R$ 132,98 - R$ 797.850,00 66,82%
Lucro antes IR 6.000 - R$ 18,75 R$ 112.470,00 -9,42%
Na estrutura de custos observada acima podemos analisar que o PEO é de
6.985 ( R$ 797.850
114 23,
). E como as vendas projetadas estão acima do PEO, obviamente
haverá geração de lucro, neste caso, 9.000 unidades vendidas e uma geração de
lucro de R$ 230.220,00. Agora, se houver uma queda nas vendas para o patamar
de 6.985, a teoria do PEO nos diz que a geração de lucro será de ZERO, como já
vimos no DRE exposto previamente.
Mas se as vendas continuarem apresentando queda? Começará a se
apresentar prejuízo, é isso o que acontece exatamente nas épocas de crises
econômicas.
Logo, com certeza, em épocas de crise, quem tiver menores custos fixos
poderá sobreviver melhor, comparativamente com uma empresa que possui uma
estrutura de custos fixos maiores. Vamos ver de quanto será a perda quando as
vendas de nossa estrutura de custos, apresentada acima, atingir apenas as 6.000
unidades de vendas?
QUADRO 37 – DRE COM VOLUME DE VENDAS ULTRAPASSANDO O PEO
FONTE: O autor
118
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
Assim, quando as unidades vendidas estão abaixo do nível do PEO, a
geração de lucro, como era de se esperar, é negativa. No quadro acima, as perdas
atingem R$ 112.470,00. Ou seja, uma queda nas vendas de 33,33% representa uma
queda nos lucros de 148.85%. Passando de R$ 230.220,00 com 9.000 unidades
vendidas, para -R$ 112.470,00 com 6.000 unidades vendidas.
Aqui você pode observar o grande impacto que possui uma queda nas
vendas na capacidade de gerar lucro. E nas entidades governamentais acontece
exatamente o mesmo.
Grande parte desse impacto na queda do lucro (ou superávit no caso das
contas macrogovernamentais) depende, em muito, da estrutura do gasto fixo.
O que é conhecido no setor governamental como a qualidade do gasto, quão
flexíveis podem ser os gastos recorrentes das obrigações do Estado?
Assim, com certeza, em épocas de crise, quem tiver custos fixos menores, ou
flexíveis, poderá sobreviver melhor. Isso se comparar com uma empresa semelhante
que possui uma estrutura de custo fixo maior (ou seja sem valor agregado
significativo), deste modo podemos dizer que:
• O principal objetivo do PEO é refletir sobre o grande impacto que pode ocorrer
na geração de lucro quando acontecerem mudanças nas receitas, especialmente
observando o risco de acontecerem vendas que sejam menores que o PEO
apurado.
• O segundo grande objetivo do PEO é de analisar quão flexível pode ser a
estrutura de custos, ou seja, será fácil implantar uma mudança nos elementos
que fazem parte do PEO? Ou seja, qual é a capacidade de implantar alterações
de preços de venda, margem de contribuição, e, principalmente, implantar
mudanças nos custos fixos.
Eis o risco de definir uma estratégica de Ponto de Equilíbrio Operativo
(PEO) maior ou menor.
Voltando para nosso exemplo, enxergando uma crise, o que poderia
acontecer se a empresa em questão se antecipar à queda nas vendas e quiser
enxugar a estrutura de custos fixos? Ela poderia fazer uma análise de quais
gastos fixos podem ser reduzidos. Assim, é nesses momentos que a capacidade
de gestão de uma organização é testada. Na gestão do Estado acontece a mesma
coisa, quando deseja reduzir os gastos públicos.
No caso da Demonstração do Resultado previamente analisada, a
organização poderia reduzir gasto fixo, por exemplo, através da liquidação de ativos
fixos improdutivos, ou seja, os que geram pouco valor agregado. O resultado disso
poderia ser uma diminuição dos custos e despesas fixas, portanto, essa redução do
gasto fará que o nível do PEO fique menor empurrando para abaixo o nível mínimo
de unidades vendidas para gerar lucro ZERO, ou seja, haverá uma melhor margem
de segurança quando houver queda no volume de vendas.
TÓPICO 3 | PONTO DE EQUILÍBRIO NA ESTRUTURA
119
Vamos supor que empresa consegue reduzir custos fixos em R$ 102.500,00
passando de R$ 797.850,00 para R$ 695.350,00. Com essa nova estrutura de custos,
com certeza, o PEO irá melhorar, mas quanto? O PEO passará de 6.695 para 6.087.
Ou seja, se a empresa só atingir 6.000 unidades vendidas (recorrentes de uma
crise econômica) o prejuízo será menor, se comparar com um PEO de 6.695, mas
de quanto? Vamos ver a seguir a dinâmica dos custos com um PEO menor.
QUADRO 38 – DRE MUDANDO A ESTRUTURA DO PEO
FONTE: O autor
Volume de produção 6.000
Detalhe Unitário Valor Unitário Valores Porcentagem
Vendas Brutas 6.000 R$ 199,00 R$ 1.194.000,00 100,00%
C.P.V variável 6.000 - R$ 74,82 - R$ 448.920,00 37,60%
Comissão Vendedores 6.000 - R$ 9,95 - R$ 59.700,00 5,00%
Margem de contribuição 6.000 R$ 114,23 R$ 685.380,00 57,40%
Custos indiretos (Fixos) 6.000 - R$ 56,67 - R$ 340.000,00 28,48%
Gastos Comerciais 6.000 - R$ 25,00 - R$ 150.000,00 12,56%
Gastos Administrativos 6.000 - R$ 25,00 - R$ 150.500,00 12,56%
Gastos Financeiros 6.000 - R$ 9,23 - R$ 55.350,00 4,64%
Total Custos e Gastos Indiretos 6.000 - R$ 115,89 - R$ 695.350,00 58,24%
Lucro antes IR 6.000 - R$ 1,66 - R$ 9.970,00 -0,84%
Como podemos analisar com um PEO de 6.087 o prejuízo será bem
menor, se reduzindo de menos R$ 112.480 para apenas -R$ 9.970,00. Assim, com
certeza, uma empresa que consegue vender, mais de um milhão de reais por mês,
consegue dar conta e financiar um prejuízo de R$ 9.970,00 por mês, e segurar as
operações da empresa até a crise passar e voltar a patamares normais que estejam
em função de seu patamar produtivo.
Algo semelhante acontece com a dinâmica do gasto público, se o Estado
conseguir reduzir seus gastos fixos em épocas de crises, com certeza os déficits nas
contas das entidades públicas poderiam ser bem menores. Consequentemente, o
Estado poderia equilibrar a crise até que a economia se recuperar e a arrecadação
de impostos voltar aos patamares pré-crise.
120
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
3.2 MARGENS DE SEGURANÇA
Como acabamos de analisar tanto as empresas privadas como as entidades
públicas estão sujeitas a diversos riscos econômicos que podem impactar nas
suas receitas. Levando isso em consideração, é por meio do Ponto de Equilíbrio
Operativo (PEO) que podemos observar o limite dessa possível queda nas receitas,
como também podemos observar qual é a margem de segurança perante esses
riscos de mercado e econômicos.
Essa margem de segurança do PEO pode nos apresentar uma referência
de como é sensível uma organização perante uma queda das receitas. Ou seja, por
meio da margem de segurança podemos visualizar até onde uma organização
pode deixar de vender até atingir o PEO, e assim começar a entrar no prejuízo. E
essa margem pode ser calculada por meio da seguinte equação
Margem de
Segurança (MS)
Volume de Vendas Desejadas - Volume de Vendas no PEO
Volume de Vendas Desejado
x 100
Para uma melhor compreensão da Margem de Segurança (MS), vamos
observar novamente nosso exemplo de análise do PEO, mas agora apurando a MS.
QUADRO 39 – DRE E MARGEM DE SEGURANÇA
ANÁLISE DA MARGEM DE SEGURANÇA, PEO = 6.985
R$ 797.850
R$ 114,23
DRE (Método de custeio variável)
Volume de produção 9.000
Detalhe Unitário Valor Unitário Valores Porcentagem
Vendas Brutas 9.000 R$ 199,00 R$ 1.791.000,00 100,00%
C.P.V variável 9.000 - R$ 74,82 - R$ 673.380,00 37,60%
Comissão Vendedores 9.000 - R$ 9,95 - R$ 89.550,00 5,00%
Margem de contribuição 9.000 R$ 114,23 R$ 1.028.070,00 57,40%
Custos indiretos (Fixos) 9.000 - R$ 43,33 - R$ 390.000,00 21,78%
Gastos Comerciais 9.000 - R$ 21,00 - R$ 189.000,00 10,55%
Gastos Administrativos 9.000 - R$ 18,17 - R$ 163.500,00 9,13%
Gastos Financeiros 9.000 - R$6,15 - R$ 55.350,00 3,09%
TÓPICO 3 | PONTO DE EQUILÍBRIO NA ESTRUTURA
121
Total Custos e Gastos Indiretos 9.000 - R$ 88,65 - R$ 797.850,00 44,55%
Lucro antes IR 9.000 R$ 25,58 R$ 230.220,00 12,85%
Margem de Segurança (MS)
9.000 - 6.985 x 100
9 000.
MS = 22,39%
FONTE: O autor
Mas o que nos quer dizer essa MS 23.39%? Se observar o volume de vendas
desejado é de 9.000 unidades o que poderá trazer vendas de R$ 1.791.000, e potenciais
lucros de R$ 230.220. Assim, com as informações apresentadas nessa DRE, podemos
analisar os seguintes pontos:
• O PEO é de 6.985, esse PEO quer dizer que abaixo de R$ 1.390.015 de vendas –
6.985 (unidades) x R$ 199,00 (preço unitário) – a empresa começa a gerar prejuízo.
• A Margem de Segurança (MS) é de 23,39%, isso quer dizer que a empresa
pode ter uma queda nas vendas de até 2.105 unidades (9.000 x 23,39%), para
atingir o PEO. Ou seja, vendas de 6.985 unidades (9.000 – 2.105).
• Tanto o PEO de 6.985 unidades, como a MS de 23,39% leva-nos para a
conclusão que a empresa poderá deixar de vender até 2.105, ou 23,39%, de
unidades vendidas para ainda assim cobrir seus custos e despesas.
3.3 PONTO DE EQUILÍBRIO COM MAIS DE UM PRODUTO
Até agora por questões de aprendizado temos estudado a análise do
Ponto de Equilíbrio Operativo (PEO) considerando um só produto no processo
produtivo. Assim, é mais fácil compreender tanto a dinâmica do PEO como a
Margem de Segurança (MS). Mas na realidade a maioria das empresas e entidades
públicas oferecem mais de um produto e/ou serviço.
Levando em consideração isso, a análise do PEO fica um pouco mais
elaborada com mais de dois produtos, pois teremos que observar que existem
margens de contribuição diferentes, mas interligados operativamente entre si,
inclusive, compartilhando os mesmos recursos. Segundo Santos (2000, p. 59), ‘‘[...]
chegar ao ponto de equilíbrio de produtos com margens diferentes não é muito
diferente que chegar ao ponto de equilíbrio utilizando as fórmulas tradicionais
para um produto apenas’’.
Assim, como explica Santos (2000), o PEO não é muito diferente de calcular
quando existem mais de dois produtos com margens de contribuição diferentes.
A única diferença é a presença de um PEO ponderado, isso quer dizer que há que
levar em consideração ponderações na margem de contribuição, para logo serem
incorporadas aos produtos e/ou serviços. Para visualizar isto, vamos elucidar
nossa análise da DRE feita até agora, mas supondo que a empresa produz três
modelos de cadeiras.
122
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
Até agora temos observada a análise tanto da Margem de Contribuição
como do PEO por meio de um só produto, cadeira com preço unitário de R$
199,00, e agora, vai-se considerar que se produzem três modelos de cadeiras: A, B
e C, sendo que as projeções de preço de venda e custos variáveis são as seguintes:
• Cadeira A: Unidades a se vender 5.000, preço unitário de R$ 199,00, e custo
variável de R$ 92,49.
• Cadeira B: Unidades a se vender 4.000, preço unitário de R$ 214,00, e custo
variável de R$ 103,31.
• Cadeira C: Unidades a se vender 3.000, preço unitário de R$ 224,00, e custo
variável de R$ 117,76.
O primeiro passo para apurar o PEO será montar a DRE levando em
consideração os dados expostos acima, e para facilitar nossa análise, vamos
considerar que a empresa possui a mesma estrutura de custos e despesas fixas.
Vamos lá?
QUADRO 40 – DRE (MÉTODO VARIÁVEL) CONSIDERANDO TRÊS PRODUTOS NA PRODUÇÃO
FONTE: O autor
DRE (Método de custeio variável) TRÊS PRODUTOS
PRODUTOS
Detalhe A B C TOTAL Porcentagem
VENDAS
Unidade Venidas 5000 4000 3000 12.000
Preço Unitário R$ 199,00 R$214,00 R$ 224,00
Vendas Brutas R$ 995.000,00 R$ 856.000,00 R$ 672.000,00 R$ 2.523.000,00 100,00%
CUSTOS E GASTOS VARIÁVEIS
Custo Variável Unitário - R$ 92,49 - R$ 103,31 - R$ 117,76
Custo Variável Total - R$ 462.450,00
- R$
413.240,00
- R$
353.280,00
- R$
1.228.970,00
48,71%
Comissão Unitária - R$ 9,95 - R$ 10,70 - R$ 11,20
Comissão Total - R$ 49.750,00 - R$ 42.800,00 - R$ 33.600,00 - R$ 126.150,00 5,00%
Total Variável - R$ 512.200,00
- R$
456.040,00
- R$ 386.880,00
- R$
1.355.120,00
53,71%
Margem de
contribuição
R$ 482.800,00 R$ 399.960,00 R$ 285.120,00 R$ 1.167.880,00 46,29%
CUSTOS E GASTOS INDIRETOS (FIXOS)
Custos indiretos (Fixos) - R$ 390.000,00 15,46%
Gastos Comerciais - R$ 189.000,00 7,49%
Gastos Administrativos - R$ 163.500,00 6,48%
Gastos Financeiros - R$ 55.350,00 2,19%
Total Custos e Gastos Indiretos - R$ 797.850,00 31,62%
Lucro antes IR R$ 370.030,00 14,67%
TÓPICO 3 | PONTO DE EQUILÍBRIO NA ESTRUTURA
123
Margem de Contribuição Unitária
PRODUTOS
Detalhe A B C
Preço Unitário R$ 199,00 R$214,00 R$ 224,00
Custo Variável Unitário - R$ 92,49 - R$ 103,31 - R$ 117,76
Comissão Unitária - R$ 9,95 - R$ 10,70 - R$ 11,20
Margem de contribuição R$96,56 R$ 99,99 R$ 95,04
PONDERAÇÃO PRODUTOS
Detalhe A B C TOTAL
Unidade Venidas 5000 4000 3000 12.000
Proporcionalidade 41,67% 33,33% 25,00% 100,00%
Segundo o quadro, agora, temos três produtos com margens de
contribuição diferentes, sendo este nosso desafio para apurar o PEO. Assim, com
a incorporação dos novos produtos vamos ter que apurar a ponderação em função
das unidades vendidas, ou seja, a representatividade de cada um dos produtos
sobre o total das unidades vendidas, apurando os seguintes valores.
QUADRO 41 – APURAÇÃO DA REPRESENTATIVIDADE (PONDERAÇÃO) DE CADA PRODUTO
FONTE: O autor
Antes de poder apurar os pesos de cada produto em função das unidades
vendidas, precisamos saber qual é a margem de contribuição unitária de cada
um deles, como está exposto na primeira parte do quadro. Essa margem de
contribuição (MC) unitária é apurada da seguinte maneira: MC = Preço de Venda
unitário – Custo Variável Unitário – Despesas Variáveis Unitárias (comissões).
Na segunda parte do quadro, o cálculo da ponderação foi feito da seguinte
maneira: Produto A, 5000/12000 x100 = 41,67%; Produto B, 4000/12000 x100 =
33,33%; Produto C, 3000/12000 x100 = 25,00%. Agora, levando em consideração esta
representatividade de cada produto com sua respectiva margem de contribuição
individual, mostrada na DRE acima, estamos a fim de calcular a margem de
contribuição Ponderada (MCU) destes três produtos, da seguinte maneira:
Produto A MCU x 41,67% R$ 96,56 x 0,4167 = R$ 40,24
Produto B MCU x 33,33% R$ 99,99 x 0,3333 = R$ 33,33
Produto C MCU x 25,00% R$ 95,04 x 0,2500 = R$ 23,76
MCU PONDERADA R$ 97,33
FONTE: O autor
QUADRO 42 – MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO UNITÁRIA PONDERADA
124
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
Do quadro exposto acima podemos identificar que a MCU Ponderada
é de R$ 97,33. Esta MCU Ponderada servirá de base para apurar nosso Ponto
de Equilíbrio Operativo (PEO). Lembra como é o cálculo do PEO? Para apurá-lo
precisamos saber os custos e gastos indiretos (fixos), sendo estes R$ 797,850,00
segundo a DRE exposta anteriormente. Assim, com esses dois dados podemos
apurar o PEO Ponderado:
PEO Ponderado =
Custos e Despesas Fixas
MCU Ponderado
R$ 797.850,00
R$ 97,333 8.197 unidades
Esse PEO Ponderado quer dizer que a empresa pode produzir até uma
média de 8.197 unidades dentro de sua mix de produção para atingir seu Ponto de
Equilíbrio, ou seja, onde as receitas serão iguais aos custos e despesas totais, lucro
ZERO. Mas como será distribuído esse PEO ponderado para cada um dos produtos?
Simples por meio da ponderação previamente apurada.
Produto A PEO Ponderado x Peso A 8.197 x 41,67% = 3.416 unidades
Produto B PEO Ponderado x Peso B 8.197 x 33,33% = 2.732 unidades
Produto C PEO Ponderado x Peso C 8.197 x 25,00% = 2.049 unidades
FONTE: O autor
QUADRO 43 – PEO PONDERADO INCORPORADO AOS PRODUTOS
Se aplicarmos o PEO ponderado para cada produto, o valor do Resultado
líquido da DRE será de ZERO, ou seja, a empresa estará atingindo seu Ponto de
Equilíbrio. Assim, esta empresa poderá saber até onde poderiam despencar as
vendas (numa crise) antes de entrarno prejuízo. Vamos dar uma conferida?
QUADRO 44 – DEMONSTRATIVO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO (DRE) NO PEO PONDERADO
DRE (Método de custeio variável) TRÊS PRODUTOS
PRODUTOS
Detalhe A B C TOTAL Porcentagem
VENDAS
Unidade Venidas 3.416 2.732 2.049 8.197
Preço Unitário R$ 199,00 R$214,00 R$ 224,00
Vendas Brutas R$ 679.784,92 R$ 584.744,53 R$ 458.984,20 R$ 1.723.513,64 100,00%
CUSTOS E GASTOS VARIÁVEIS
Custo Variável - R$ 92,49 - R$ 103,310 - R$ 117,76
Custo Variável Total - R$ 315.932,60 - R$ 282.273,31 - R$ 241.282,04 - R$ 839.487,96 48,71%
Comissão Unitária - R$ 9,95 - R$ 10,70 - R$ 11,20
Comissão Total - R$ 33.989,25 - R$ 29.237,23 - R$ 22.949,21 - R$ 86.175,68 5,00%
TÓPICO 3 | PONTO DE EQUILÍBRIO NA ESTRUTURA
125
FONTE: O autor
Total Variável - R$ 349.921,85 - R$ 311.510,54 - R$ 264.231,25 - R$ 925.663,64 53,71%
Margem de
contribuição
R$ 329.863,07 R$ 273.233,09 R$ 194.752,94 R$ 797.850,00 - 46,29%
CUSTOS E GASTOS INDIRETOS (FIXOS)
Custos indiretos (Fixos) - R$ 390.000,00 22,63%
Gastos Comerciais - R$ 189.000,00 10,97%
Gastos Administrativos - R$ 163.500,00 9,49%
Gastos Financeiros - R$ 55.350,00 3,21%
Total Custos e Gastos Indiretos - R$ 797.850,00 46,29%
Lucro antes IR R$ 0,00 0,00%
Segundo o quadro acima podemos conferir como o PEO ponderado pode
ser apurado para um MIX de produção. Agora imagine identificar esse PEO
em uma entidade pública com um mix de serviços amplo, como no caso de um
hospital. O cálculo deste é possível sim, mas nesse caso vamos precisar de um
sistema de apuração de custos mais elaborado e complexo. A ideia aqui, neste
caderno, é que você saiba o conceito e estrutura básica de cálculo, para assim
poder ter o discernimento e critério quando analisar as informações de custos de
uma entidade pública.
4 PONTO DE EQUILÍBRIO ECONÔMICO – PPE
Toda empresa ou entidade pública precisa de uma fonte de investimento,
assim, essa fonte de investimento demanda um retorno econômico de seu
investimento. Ou seja, esses investidores desejam receber um retorno financeiro
do valor investido. No contexto financeiro, esse retorno do investimento é
conhecido como a Taxa Mínima de Atratividade (TMA), que em outras palavras é
o custo de oportunidade para justificar o investimento.
Levando em consideração a taxa desejada de rentabilidade (ou TMA) é
que será apurado o Ponto de Equilíbrio Econômico (PEE). Segundo Bruni e Famá
(2008, p. 249), [...] o ponto de equilíbrio econômico apresenta a quantidade de
vendas (ou do faturamento) que a empresa deveria obter para poder cobrir a
remuneração mínima do capital próprio nela investido”.
Assim, para apurar o PEE basta acrescentar à equação do Ponto de
Equilíbrio o valor desejado de retorno dos investidores/acionistas ao valor
dos custos fixos. Portanto, antes de aplicarmos a fórmula de PEE precisamos
identificar precisamente esse valor esperado de retorno, mas como?
126
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
Podemos fazê-lo identificando o capital a ser investido e a taxa de retorno
exigido pelos investidores. Vamos supor que o capital a ser investido será de R$
850.000,00 e que se deseja um retorno sobre esse capital de 29,50% antes de apurar
o imposto da renda. Deste modo, a expectativa do valor desse retorno será de R$
250.750,00. Agora, com esse valor de retorno se adicionando o valor dos custos
fixos, e mais a margem de contribuição é que poderemos ter o Ponto de Equilíbrio
Econômico (PEE), considerando-se a seguinte forma:
PEE = Custos e Despesas Fixas + Retorno sobre capital invesstido
Margem de Contribuição Unitária
Observe que a fórmula é bem semelhante à formula para apurar o Ponto
de Equilíbrio Operativo (PEO), mas, neste caso, devemos acrescentar o valor
monetário do retorno sobre o capital. Para exemplificar, se aplicarmos o conceito
do PEE na DRE até agora estudada e considerando que as expectativas de retorno
monetário dos investidores (ou acionistas) é o descrito acima, vamos obter o
seguinte PEE.
• PEE =
R$ 797.850 + R$ 250.750
R$ 114,23
= 9.180
Assim, para que os investidores possam ter um retorno mínimo de R$
250.750,00, a empresa deverá vender pelo menos 9.180 unidades, levando a
estrutura de custos analisada dos processos operativos. A seguir podemos
conferir este PEE de 9.180.
QUADRO 45 – DRE CONSIDERANDO UM PEE DE 9.180
FONTE: O autor
DRE (Método de custeio variável) considerando PEE
Volume de produção 9.180
Detalhe Unitário Valor Unitário Valores Porcentagem
Vendas Brutas 9.180 R$ 199,00 R$ 1.826.765,29 100,00%
C.P.V variável 9.180 - R$ 74,82 - R$ 686.827,03 37,60%
Comissão Vendedores 9.180 - R$ 9,95 - R$ 91.338,26 5,00%
Margem de contribuição 9.180 R$ 114,23 R$ 1.048.600,00 57,40%
Custos indiretos (Fixos) 9.180 - R$ 42,48 - R$ 390.000,00 21,35%
Gastos Comerciais 9.180 - R$ 20,59 - R$ 189.000,00 10,35%
Gastos Administrativos 9.180 - R$ 17,81 - R$ 163.500,00 8,95%
Gastos Financeiros 9.180 - R$ 6,03 - R$ 55.350,00 3,03%
Total Custos e Gastos Indiretos 9.180 - R$ 86,91 - R$ 797.850,00 43,68%
Retorno antes de IR 9.180 R$ 27,32 R$ 250.750,00 13,73%
TÓPICO 3 | PONTO DE EQUILÍBRIO NA ESTRUTURA
127
Se observar com um PEE de 9.180 o retorno antes de Imposto da Renda
será de R$ 250.750,00, exatamente igual ao retorno mínimo desejado pelos
investidores. Também observe que esse retorno representa:
• Apenas 13,73 % das vendas, ou seja:
R$ 250.750
R$ 1.826.765,29
• Exatamente 29,50% do capital investido pelos investidores/acionistas, ou seja:
R$ 250.750
R$ 850.000
.
Tanto o retorno sobre as vendas como o retorno sobre o capital são peças
de análise muito úteis, mas cada uma delas leva um contexto de análise financeira
e operativa diferente. No contexto atual estamos interessados em observar o PEE
em função do retorno do capital a ser investido.
UNI
Curiosidades. Se ficou curioso, sugiro pesquisar sobre análise de índices financeiros.
Existem vários livros, entre eles: NIKBAKHT, Ehsan. Administração financeira. 2. ed. São Paulo:
Saraiva, 2006.
Para terminar esta unidade convido você a ler sobre a importância dos
custos no planejamento e no orçamento público municipal. Nesta leitura poderá
perceber o nível de complexidade dos sistemas de informação de custos dentro
das entidades públicas, pois tudo o que será gasto no âmbito público deve estar
no orçamento público. Boa leitura!
128
UNIDADE 2 | SISTEMAS DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
LEITURA COMPLEMENTAR
A INFORMAÇÃO DE CUSTOS NO PLANEJAMENTO E NO ORÇAMENTO
PÚBLICO MUNICIPAL
Christansen e Mellick (1993) apontam a informação de custos como um
fator crítico para o sucesso do planejamento, orçamento, controle operacional e a
tomada de decisões estratégicas. E, de acordo com Beckett (2202), essa informação
é a base principal para a gestão pública.
Um sistema de custos deve disponibilizar informações que subsidiam a
elaboração do PPA, da LDO, e para a LOA. O monitoramento dos custos reais
incorridos quando da execução do planejamento fornece informações que podem
servir de comparação com as metas fixadas no plano inicial, o que propicia a
avaliação e o devido controle. De posse destas informações e comparações
também é possível realizar auditorias de gestão (como pretende o TCE), visando
medir a sua eficiência gerencial, visto que os padrões de desempenho foram
disponibilizados no planejamento.
Outra utilidade da informação de custos no planejamento público, descrita
por Beuke e Berto (2005), está no embasamento para estudos de viabilidade
econômica de investimentos ou realização de parcerias pelas entidades públicas.
Com a informação acurada dos custos dos serviços prestados e a possibilidade de
sua projeção para o futuro, é possível aos gestores decidir de forma eficaz sobre a
viabilidade ou não de novos investimentos.
Com o planejamento e orçamento instituídos e um sistema de informações
contábeis estruturado e em funcionamento, é possível ao gestor, de acordo com
Silva (1997), medir o impacto das decisões antes e depois de as mesmas serem
tomadas (controle prévio e subsequente);medir o ambiente no momento da
ocorrência dos fatos (controle concomitante); relacionar o tempo padrão para
desenvolvimento das tarefas com o tempo real para identificar os gargalos.
Ao mesmo tempo em que se obtêm informações gerenciais para
planejamento e controle prévio dos recursos e rumos da organização, também
se obtêm dados que servirão de base para o controle de execução do planejado.
Isso se dá por meio da comparação das metas com os resultados obtidos, de onde
resultam informações cruciais para embasar as auditorias de desempenho.
Cabe ressaltar que, após esse ciclo de planejamento, os resultados
formarão a fonte de informação que fundamentará um novo ciclo de gestão.
Com o novo planejamento embasado pelos resultados anteriores, teoricamente
os novos resultados tenderão a ser muito mais próximos do planejado, visto que o
planejamento foi realizado com base nas tendências do mercado e em resultados
de um ciclo anterior.
TÓPICO 3 | PONTO DE EQUILÍBRIO NA ESTRUTURA
129
Reitell (1958) comprova que se a entidade pública contar com um resultado
econômico fixado como objetivo em um planejamento o seu valor será a base
para se acompanhar a execução das ações organizacionais e o planejamento de
cada uma das divisões. Assim também será possível medir a sua performance e
controlá-la como um todo.
Portanto, Silva (1997) destaca que é preciso reformatar as demonstrações
de execução orçamentária para incluir, justamente com os valores monetários, os
parâmetros físicos previstos, para possibilitar a comparação com os resultados
alcançados e extinguir o modelo atual que não fornece base sólida para a tomada
de decisão.
O Orçamento, segundo Trosa (2001), não pode basear-se somente nos
recursos que coloca à disposição, mas também nos resultados a atingir. É mais
cômodo para os parlamentares saber apenas onde o dinheiro é empregado, e
prestar contas do valor gasto com salários, com viagens e combustível do que de
qualidade e do resultado econômico dos serviços prestados.
FONTE: Mauss e Souza (2008, p. 80)
130
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você viu que:
• O ponto de equilíbrio operacional (PEO) acontece quando as organizações
conseguem nivelar tanto seus custos como despesas com a sua receita. Acima
do ponto de equilíbrio a empresa começa a gerar lucro, e abaixo desse nível a
empresa começa a gerar prejuízo.
• Para encontrar o PEO é necessário identificar a margem de contribuição
unitária, assim como é necessário identificar os custos e despesas fixas. Assim,
estes são elementos fundamentais para achar identificar o ponto de equilíbrio
operacional (PEO), ou seja:
Custos e Gastos Fixas
Margem de contribuição Unitária
• O Ponto de Equilíbrio Operacional (PEO) sofrerá alguma alteração quando
algum valor da margem de contribuição unitária oscilar, e/ou quando o valor
total dos custos e despesas fixas mudar também.
• A margem de segurança do PEO pode nos dar uma refêrencia de quão sensível
é uma organização perante uma queda das receitas. Ou seja, por meio da
margem de segurança podemos visualizar até onde uma organização pode
deixar de vender até atingir o PEO.
• Toda empresa ou entidade pública precisa de uma fonte de investimento. O ponto
de equilíbrio econômico (PEE) é definido em função da quantidade de receitas (ou
arrecadação) que uma organização deveria gerar para poder cobrir a taxa mínima
de rentabilidade (TMA) dos investidores. Para se achar o PEE deve-se aplicar a
seguinte fórmula: Custos e Despesas Fixas + Retorno sobre capital investido
Maargem de Contribuição Unitária
131
1 As instituições utilizam o ponto de equilíbrio para definir o ponto crítico de
suas operações. Considerando isso, defina o que é Ponto de Equilíbrio e o
que acontece com o resultado quando as vendas estão abaixo deste ponto de
equilíbrio?
2 Para poder identificar o ponto de equilíbrio operativo (PEO) deve ser
identificada a margem de contribuição e os custos e despesas indiretos.
Nesse contexto, defina o PEO, considerando os seguintes dados:
o Preço unitário de vendas R$ 160,00
o Custo de Produção Variável unitário R$ 64,11
o Despesa Variável unitária R$ 8,00
o Custos e despesas fixas R$ 674.400,00
3 Conhecendo-se o PEO apurado no exercício anterior (nº 3) apurar o DRE
considerando-se os seguintes valores:
4 Entre os principais elementos de análise do Ponto de Equilíbrio Operacional
PEO está a capacidade de estudar os riscos de um impacto na geração de
lucro quando acontecer queda nas receitas ou mudança na estrutura de
custos. Nesse contexto, a seguir defina dois objetivos muito importantes da
análise do PEO.
AUTOATIVIDADE
PEO por meio do DRE (Método de custeio varável)
Volume de produção, o
defindo no PEO
Detalhe - Valor Unitário Valores Porcentagem
Vendas Brutas - R$ 160,00
C.P.V variável - - R$ 64,11
Comissão Vendedores - - R$ 8,00
Margem de contribuição - R$ 87,89
Custos indiretos (Fixos) - - R$ 390.000,00
Gastos Comerciais - - R$ 160.000,00
Gastos Administrativos - - R$ 137.650,00
Gastos Financeiros - - R$ 46.750,00
Total Custos e Gastos
Indiretos - - R$ 674.400,00
Lucro antes IR -
132
5 A análise de segurança PEO é um referente de quão sensível pode ser uma
empresa perante uma queda nas receitas. Assim, pode-se enxergar o limite
até onde podem cair as receitas antes de atingir o PEO e começar a entrar no
prejuízo. Em função disso determine a Margem de Segurança (MS), levando
em consideração os seguintes valores:
Volume de vendas projetado 9.150
Volume de vendas no PEO 7.673
6 Tanto o Ponto de Equilíbrio Operativo (PEO) como o Ponto de Equilíbrio
Econômico (PEE) procuram o nível mínimo de receitas para atingir esse
ponto de ruptura. Ou seja, tanto o PEO como o PEE são divisores de água,
mas com uma diferença fundamental. A seguir defina essa diferença.
133
UNIDADE 3
APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS
NO SETOR PÚBLICO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir desta unidade, você poderá:
• identificar as modalidades de licitação dos custos a serem apurados na
contratação de bens e serviços no setor público;
• interpretar e extrair formas de análise vindos da Demonstração do Resul-
tado Econômico;
• interpretar os custos que auxiliam na estruturação dos custos a serem usa-
dos no orçamento;
• diferenciar entre eficácia e eficiência econômica na gestão do desempenho
das atividades públicas.
Esta unidade está dividida em três tópicos, sendo que ao final de cada um
deles, você poderá fazer as autoatividades respectivas, que vão ajudar em
fixar o conhecimento estudado.
TÓPICO 1 – ESTRUTURA DE PREÇOS NAS LICITAÇÕES E DESEMPENHO
ECONÔMICO
TÓPICO 2 – PLANEJAMENTO DOS CUSTOS E DETERMINAÇÃO DO
ORÇAMENTO PÚBLICO
TÓPICO 3 – AVALIAÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO DO SERVIÇO
PÚBLICO
134
135
TÓPICO 1
ESTRUTURA DE PREÇOS NAS LICITAÇÕES E
DESEMPENHO ECONÔMICO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
No começo desta última unidade abordaremos como são estruturados
os preços das contratações no setor público. Estas contratações visam suprir às
entidades públicas dos recursos produtivos para executar suas atividades, ou
seja, por meio destas contrações as entidades públicas adquirem bens e serviços.
Os preços e volumes destas contratações serão definidos por meio de
processos licitatórios e termos de referência. Estudaremos também sobre como
analisar propostas vantajosas para o Estado, vindas das licitações públicas, sendo
apresentadas por meio de planilhas referenciais, as quais ajudam tanto na análise
de custos como no levantamento de preços.
Dependendo da licitação, poderá ser encaminhada por meio do projeto
base ou por meio dos termos de referência. Conforme o que vamos estudar mais
adiante, o projeto básico é fundamental, quando tange a obras de grande porte,
por meio deste apresenta-se as bases referenciais das diversas atividades e dos
custos do processo licitatório. Assim, o projeto base faz parte do procedimento
inicial para o levantamento e planejamento de custos das atividadesde grande
porte. Entretanto, o termo de referência serve para licitações de porte menor.
Uma vez desenvolvido o termo de referência, e/ou do projeto básico,
é que começa a análise de custos dos processos licitatórios. Análise que vai se
complementando e estruturando ao processo de aquisições de bens e serviços
necessários para satisfazer as necessidades de gestão do setor público.
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
136
2 ELEMENTOS BÁSICOS PARA COMPRAS E
CONTRATAÇÕES
Antes de iniciar nosso aprendizado sobre os termos de referência e
projeto básico, devemos saber algumas questões importantes sobre o processo de
compra e contratações no setor público. No momento de comprar materiais ou
contratar algum tipo de serviço deve se levar em consideração alguns elementos
do processo de compra e contratações, pois antes mesmo de iniciar o processo
licitatório existem atividades a serem definidas e desenhadas para encaminhar a
ordem de pedido.
Essas atividades são trabalhos que abordam, principalmente, a elaboração
da justificativa das compras e serviços a serem contratados. Levando isto em
consideração, estas atividades devem ser executadas pelos técnicos da área de
atuação que estão precisando da compra dos bens ou contratação de serviços.
Os técnicos são os profissionais que dominam os dados técnicos específicos que
podem justificar a necessidade da ordem de compra.
Nesse sentido, tanto a Lei de Licitações nº 8.666/93, como o Decreto
Federal nº 3.555/00, deixam claro como a entidade pública deve atuar quando
deseja realizar compras e/ou contratações de serviços. Segundo a Constituição
Federal de 1988, o processo de licitação a ser executado pela União, Estados,
Distrito Federal e Municípios, deve cumprir com o estabelecido e disposto no
artigo 37, inciso XXI:
XXI - ressalvados os casos especificados na legislação, as obras,
serviços, compras e alienações serão contratados mediante processo
de licitação pública que assegure igualdade de condições a todos
os concorrentes, com cláusulas que estabeleçam obrigações de
pagamento, mantidas as condições efetivas da proposta, nos termos
da lei, o qual somente permitirá as exigências de qualificação técnica e
econômica indispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações
(BRASIL, 1993).
Conforme o exposto, no artigo 37, inciso XXI e segundo a Lei nº 8.666/93,
com suas respectivas alterações, no setor público, todas as aquisições de materiais,
obras, serviços, publicidade, e outras contratações devem ser precedidas por
licitações públicas. Lembre-se, todas. O objetivo da lei é de estabelecer normas
gerais sobre licitações e contratos administrativos que visem gerar a melhor
proposta perante a necessidade da entidade pública.
Levando em consideração o exposto, a lei encaminha às entidades públicas
a fazer todo um levantamento prévio tanto das necessidades como dos preços
de mercado. Assim, este vínculo com a lei faz que esses detalhes tenham que
fazer parte do edital de compras, objetivando fornecer os parâmetros necessários
para as empresas interessadas no processo licitatório. E dependendo do tamanho
da licitação, esta poderá ser encaminhada como projeto básico ou termo de
referência, tudo dependerá do tamanho da licitação.
TÓPICO 1 | ESTRUTURA DE PREÇOS NAS LICITAÇÕES E DESEMPENHO ECONÔMICO
137
2.1 O PROJETO BÁSICO
Se a necessidade de se contratar demandar um processo mais elaborado,
grandes volumes monetários e processos complexos, tal como uma obra pública
de infraestrutura, logo, todas as atividades necessárias para o levantamento
prévio das necessidades e preços referenciais de mercado deverão ser detalhadas
no projeto básico, que servirá como apoio essencial às respectivas aquisições. A
ideia de projeto básico tem seu fundamento na Lei nº 8.666/93, artigo 6º, inciso IX,
a qual define:
Projeto Básico - conjunto de elementos necessários e suficientes, com
nível de precisão adequado, para caracterizar a obra ou serviço, ou
complexo de obras ou serviços objeto da licitação, elaborado com base
nas indicações dos estudos técnicos preliminares, que assegurem a
viabilidade técnica e o adequado tratamento do impacto ambiental do
empreendimento, e que possibilite a avaliação do custo da obra e a
definição dos métodos e do prazo de execução [...]. (BRASIL, 1993).
Conforme o exposto acima, o projeto básico é requisito fundamental, pois
este determina detalhes tanto qualitativos como quantitativos da licitação. Em
outras palavras, o projeto básico planeja o detalhe das atividades dos processos
operativos da obra. Assim, este determina tanto as necessidades qualitativas
como o volume de materiais e serviços necessários.
Nesse sentido, em função da complexidade da contratação, tanto o
detalhe qualitativo como quantitativo estarão embasados a partir dos estudos
preliminares. Segundo a Lei n° 8.666, vigente desde 21 de junho de 1993, em
função do tamanho do serviço a se licitar será necessário delinear, no Projeto
Básico, os seguintes elementos:
Elementos do Projeto Básico
[...] e que possibilite a avaliação do custo da obra e a definição dos
métodos e do prazo de execução, devendo conter os seguintes elementos:
a) desenvolvimento da solução escolhida de forma a fornecer visão global da
obra e identificar todos os seus elementos constitutivos com clareza;
b) soluções técnicas globais e localizadas, suficientemente detalhadas, de forma
a minimizar a necessidade de reformulação ou de variantes durante as fases
de elaboração do projeto executivo e de realização das obras e montagem;
c) identificação dos tipos de serviços a executar e de materiais e equipamentos a
incorporar à obra, bem como suas especificações que assegurem os melhores
resultados para o empreendimento, sem frustrar o caráter competitivo para
a sua execução;
d) informações que possibilitem o estudo e a dedução de métodos construtivos,
instalações provisórias e condições organizacionais para a obra, sem frustrar
o caráter competitivo para a sua execução;
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
138
e) subsídios para montagem do plano de licitação e gestão da obra,
compreendendo a sua programação, a estratégia de suprimentos, as normas
de fiscalização e outros dados necessários em cada caso;
f) orçamento detalhado do custo global da obra, fundamentado em
quantitativos de serviços e fornecimentos propriamente avaliados.
FONTE: Brasil (1993)
Em termos de gestão, a execução do Projeto Básico é de total
responsabilidade da área da entidade pública que está solicitando o serviço.
Aliás, a área solicitante da contratação é que possui as informações técnicas do
projeto. Em contrapartida, a empresa licitante que deseja participar do processo
licitatório deve esperar a referência da respectiva licitação, que será entregue por
meio de planilha com as informações e detalhes do serviço.
A planilha deverá conter informações que abrangem questões quantitativas,
qualitativas e preços referenciais unitários da obra a ser executada, em função do
artigo 7º, parágrafo 8º da Lei nº 8.666/93. Deste modo será a partir dos termos
de referência que o licitante pode fazer a proposta qualitativa, quantitativa
e de preços específicos. A lógica nos diz que é de esperar quem tiver o menor
preço poderá ser o vencedor do certame licitatório, porém, sempre mantendo as
condições qualitativas, quantitativas e técnicas da licitação.
2.2 TERMO DE REFERÊNCIA
Quando a necessidade é de menor complexidade não é necessário iniciar
o processo licitatório do projeto básico. Nestas situações é suficiente o termo de
referência. O objetivo do termo de referência é suprir as necessidades de serviços
e bens comuns. E é por meio do Decreto Federal nº 3.555/00 que o termo de
referência foi conceituado e regulamentado como modalidade de licitação.
Apesar de o termo de referência ser menos complexo que o projeto básico,
ainda assim é necessário que este apresente todas as informações técnicas edetalhes para justificar a aquisição. Por meio disto procura-se o objetivo de que
o gestor responsável possa encaminhar a licitação com a justificativa respectiva.
Assim, esta condição leva a necessidade que o termo de referência deva considerar
as mesmas regras de justificativa do projeto básico e preço base das licitações.
TÓPICO 1 | ESTRUTURA DE PREÇOS NAS LICITAÇÕES E DESEMPENHO ECONÔMICO
139
3 ESTRUTURAÇÃO DE PREÇO BASE PARA LICITAÇÕES
O preço base dependerá do volume de bens e serviços a serem licitados. E
conforme as demandas e detalhes necessários, segundo as normas públicas e da Lei
n° 8.666, para que uma compra seja executada é necessário que todos os técnicos
envolvidos, tanto da área de compras como os técnicos da área que estão solicitando
a requisição, saibam os conceitos que envolvem o processo de valorização da
licitação de compras. Deste modo é necessária uma interligação de gestão entre a
área de compra e a área técnica que está solicitando o processo licitatório.
Considerando isso, quando uma área técnica, ou departamento, faz uma
solicitação de material, a requisição de compra será entregue ao Departamento
de Licitações, que deverá analisar as especificações, tanto do material como das
quantidades. Com essa premissa, cabe ao Departamento de Licitações definir
a modalidade licitatória em função da necessidade, definindo desta maneira o
valor da aquisição de bens e serviços.
3.1 AQUISIÇÕES DE MATERIAIS E SERVIÇOS
Por meio das licitações o Estado pode adquirir materiais e/ou serviços, ou
seja, aquisições/compras, para satisfazer as diversas necessidades das entidades
públicas. Conforme a Lei de Licitações (nº 8.666/93), artigo 6º, inciso III, define
compra como: “[...] toda aquisição remunerada de bens para fornecimento de uma
só vez ou parceladamente”. Em função disso os materiais e serviços adquiridos
pelo Estado devem possuir fatores para sua respectiva classificação, entre estas
quatro a se destacar:
1 Especificação do produto. A descrição da compra é registrada no estoque com
duas especificações. A primeira deve ser sucinta e a segunda deve possuir
um detalhe mais técnico, segundo o exigido pela Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT). A especificação técnica é necessária para evitar erros
e solicitar exatamente o que foi requisitado, e assim evitar mal-entendidos e
falta de transparência.
Exemplo simples disto, uma entidade pública precisa comprar 160 pneus
para seus veículos de menor tamanho, será que só essa característica é suficiente
para encaminhar a aquisição? Estes pneus devem ter aro 14”, 15” ou 16”? Estaria
faltando uma série de especificações técnicas para não ter problemas e inclusive
para não ter sobrepreços.
Assim, o cadastro das especificações técnicas dos pneus desses veículos
deverá estar atualizado com todas as normas técnicas respectivas; agora, imagine
a compra de produtos mais elaborados e específicos, com certeza o processo
licitatório será mais difícil e demorado de encaminhar.
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
140
2 Necessidades de Classificação de materiais. Os materiais podem ser
classificados em função de sua durabilidade, ou seja, como material de consumo
ou permanente.
• Material de consumo. Quando a compra é de material de consumo, seu uso
terá uma finalidade corrente, que perde suas qualidades físicas à medida que
vai se consumindo, como exemplo, podemos citar o sabonete de mão para
os banheiros de uma entidade pública. Segundo o Manual de Contabilidade
Aplicada ao Setor Público – MCASP (BRASIL, 2011, p. 100), os materiais de
consumo devem ter os seguintes critérios:
• Que possa ter durabilidade de no máximo dois anos.
• Característica quebradiça, ou que pode ser danificado facilmente,
ou seja, que possa perder sua funcionalidade ou se quebrar, exemplo:
um para-brisas.
• Característica de modificação de seu estado físico e/ou químico.
• Que possa ser incorporável, ou seja, que seja parte de uma série de
materiais a serem incorporados ao produto, exemplo: o para-brisas de
um carro. Ou produtos que sejam complementares ao bem principal,
exemplo: os pneus de um carro. Observe que o pneu é complementar ao
veículo, e não é um bem que será incorporado ao bem, como pode ser o
para-brisas ou o almofado dos assentos.
• Que possa ser transformável, material destinado ao processo
de transformação física e química dos insumos que fazem parte da
fabricação de qualquer produto, exemplo: compra de petróleo que
pode ser transformado em uma série de produtos, tais como: gasolina,
diesel, fertilizante químico, óleo etc.
Este quesito da diferenciação entre material permanente e de consumo
é especialmente importante no âmbito público. Isto acontece por questões
orçamentárias, e em especial para o controle do saldo patrimonial das entidades
públicas. Segundo o MCASP (BRASIL, 2011, p. 101), “o material permanente é
aquele que não perde sua entidade à medida que se vai usando e desgastando em
horizonte de tempo maior de dois anos”.
• Material Permanente. Este tipo de material, segundo o MCASP (BRASIL, 2011), é
aquele que mantém sua entidade física à medida que se vai usando e desgastando,
devendo ter uma durabilidade acima dos dois anos. Exemplo de um material
permanente é um veículo que logo de seu desgaste, ou valor de mercado, este bem
continua sendo um veículo, ao contrário (extremo), por exemplo, de um sabonete
de banho, que logo de seu consumo simplesmente desaparece.
3 Serviços de terceiros. Estes são serviços terceirizados que dão apoio às
necessidades de uma entidade pública. Exemplo: um munícipio pode contratar
o serviço terceirizado para dar conta da limpeza dos escritórios da prefeitura.
TÓPICO 1 | ESTRUTURA DE PREÇOS NAS LICITAÇÕES E DESEMPENHO ECONÔMICO
141
4 Licitações com três orçamentos. É prática comum levar em consideração pelo
menos três orçamentos para assim apurar uma média do preço do produto ou
serviço a ser adquirido, sendo que essa média é conhecida como o preço de
referência para uma licitação.
Com os elementos descritos acima sobre a classificação geral dos
materiais e serviços a serem adquiridos pelo Estado por meio das licitações, estes
bens e serviços passam a ser recursos produtivos disponíveis para que o Estado
possa executar suas atividades. Assim, existe um vínculo entre o preço base das
licitações e o custo dos processos econômicos das entidades públicas, isto nos
leva à estrutura dos preços e Demonstração do Resultado do Exercício Econômico
(DRE Econômico) do setor público.
4 ESTRUTURA DE PREÇO E DRE ECONÔMICO DO SETOR
PÚBLICO
Para poder levantar os preços referenciais de um serviço público temos
que saber qual é a estrutura de custos e a capacidade de gerar valor destes custos
no serviço em si. Com esses dois elementos de análise, estrutura de custos e
geração de valor, podemos iniciar a análise da Demonstração do Resultado do
Exercício Econômico - DRE Econômico.
Nesse sentido, um dos principais problemas da administração pública é
como gerenciar eficientemente os recursos a serem gastos por meio do Orçamento
Governamental. Para poder fazer isso é necessário um modelo de gestão que gere
tanto um resultado econômico positivo como valor positivo aos serviços públicos.
Como você pode observar, aqui estamos falando de “resultado econômico” e não
de “geração de lucro”, isto acontece porque devemos levar em consideração que
no setor público o objetivo não é a geração de lucro (como no setor privado),
mas sim a geração de um resultado econômico recorrente das atividades das
entidades públicas.
4.1 DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO DE
EXERCÍCIO - DRE ECONÔMICO
Como acabamos de observar, o DRE do setor público não procura a
geração de lucro, mas sim um resultado econômico, é por isso que falamos de
DRE Econômico no âmbito público. Nesse contexto, o “resultado econômico”
possui a finalidade de apresentar o resultado das ações econômicas executadas
durante um período fiscal, sem anecessidade de um lucro, mas sim de um saldo
econômico positivo.
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
142
Esse resultado econômico visa mostrar, em termos monetários, à sociedade,
como foi a gestão das entidades públicas em função das receitas e custos públicos
das gestões governamentais de um período determinado. Nesse sentido, segundo
a opinião do autor Slomski (2010, p. 358), “a apuração do resultado econômico
nas entidades governamentais deve considerar a população como geradora das
fontes de recursos, logo, deve-se possuir uma prestação de serviços com foco
social”. Assim, esse foco econômico voltado ao social é mensurado por meio do
DRE Econômico, como é ilustrado a seguir.
QUADRO 46 – DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO DO EXERCÍCIO
FONTE: MCASP (Brasil, 2011, p. 588)
ESPECIFICAÇÃO Exercício Atual
Exercício
Anterior
1 Receita econômica dos serviços prestados e dos produtos fornecidos
2 ( - ) Custos diretos identificados com a execução da ação pública
3 Margem Bruta
4 ( - ) Custos indiretos identificados com a execução da ação pública
5 ( = ) Resultados Econômico Apurado
Neste quadro devemos prestar especial atenção à receita econômica, pois
esta representa um referencial relativo de mercado da prestação desse serviço
em si. Isto em função de que no setor público os serviços prestados à sociedade,
na maioria das vezes, são oferecidos de graça, tal como os serviços prestados por
uma escola ou hospital público, logo, é necessário ter um referencial de valor de
mercado do serviço prestado. Assim, é a partir desse preço referencial, do serviço
prestado, multiplicado pela quantidade de serviços que há os elementos base
para apurar a receita econômica.
Depois de ter apurado a receita econômica deve-se incorporar à apuração
os custos dos serviços públicos prestados, tanto os diretos como os indiretos.
Assim, o resultado final será o valor líquido entre as receitas e todos os custos,
o que é conhecido como “resultado do econômico”. O objetivo do resultado
econômico mostra se é vantajoso ou não para uma entidade pública continuar
com operações prestadas. Desta maneira, a análise do resultado econômico
torna-se uma importante ferramenta de análise, especialmente para a tomada
das decisões, além disso, também é uma ferramenta financeira que ajuda na
transparência da qualidade do gasto público.
4.2 RECEITA ECONÔMICA DO SERVIÇO PÚBLICO
A receita econômica, como estudamos há pouco tempo, é a base referencial
do valor relativo de mercado do serviço público, mas como sabemos, o Estado
não cobra pelos serviços prestados à sociedade, então o que quer dizer receita
econômica de mercado?
TÓPICO 1 | ESTRUTURA DE PREÇOS NAS LICITAÇÕES E DESEMPENHO ECONÔMICO
143
Para poder responder a isto precisamos refletir como um todo a receita
pública, ou receita financeira, é a entrada em caixa de dinheiro às arcas do Estado
por meio da arrecadação de impostos, principalmente. Nesse sentido, a receita
pública/financeira não é diretamente correlacionada para um serviço em específico,
porém, como falamos, ela tem sua origem na arrecadação geral dos impostos.
Levando em consideração este fato, existe a necessidade de que para
poder apurar o resultado econômico de uma entidade pública é necessário aplicar
parâmetros de comparação relativos, o que é conhecido em economia como custos
de oportunidade. Nesse sentido, devemos comparar os serviços públicos com
seus equivalentes de mercado, ou seja, deve-se compará-los aos preços cobrados
pelo mercado por um serviço semelhante, e assim ter dados comparativos de
custo de oportunidade, como veremos mais adiante.
Quanto deverá ser o valor econômico referencial do serviço público prestado
por uma consulta médica quando esta é de graça? O valor econômico referencial
dessa consulta médica deverá ficar atrelada ao valor médio do mercado.
Nesse sentido, existe uma diferença fundamental entre receita econômica
e financeira. Segundo Mauss e Souza (2008, p. 84):
A receita econômica difere da receita financeira que existe no serviço
público e que é originada da arrecadação dos impostos e transferências
correntes e de capital que sustentam a prestação dos serviços públicos.
De fato, a receita financeira pública são valores arrecadados antes que
os serviços sejam efetivamente prestados e não se vinculam a nenhum
serviço em específico, o que dificulta a mensuração do resultado
público.
É por esse motivo, como explicam os autores Mauss e Souza (2008), que
sempre é necessário que todo serviço público prestado à sociedade deve levar em
consideração um valor de mercado referencial para projetar o valor econômico
deste, pois temos que refletir que os serviços públicos oferecidos aos cidadãos são
cobrados de maneira indireta através dos impostos.
Segundo Slomski (2010, p. 409), “os cidadãos pagam impostos e esperam
obter em troca serviços públicos; isso é função precípua da administração
pública”. Levando isto em consideração, o poder de escolha do serviço público
não está em mãos da população, mas está sob a responsabilidade do Estado.
O contribuinte paga seus tributos antecipadamente para manter a
máquina pública e posteriormente obter serviços com retribuição.
Dessa forma, não é o cidadão que tem o poder de decidir que não
irá pagar tributos, por ter optado em adquirir serviços no mercado.
O poder de decisão está, sim, com o Estado. É ele quem decidirá se
irá oferecer um serviço ao cidadão ou se irá adquiri-lo no mercado. E
é dele também a responsabilidade de o fazer com responsabilidade,
eficácia e sem desperdícios (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 84).
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
144
Assim, por meio da receita econômica podemos estabelecer fundamentos
de cálculo para apurar o resultado econômico das entidades públicas, e deste
modo, ter meios para determinar a eficiência econômica e qualidade do gasto do
setor público.
4.3 PROCURA DA EFICIÊNCIA NA GERAÇÃO DE CUSTOS
NOS SERVIÇOS PÚBLICOS
Levando em consideração que não existe cobrança direta do serviço
prestado, no setor público existe a necessidade de analisar com outra perspectiva
a análise da margem de contribuição utilizada na empresa privada e/ou mista (tal
como a Petrobras ou Banco do Brasil). Esta adaptação da margem de contribuição
é importante no setor público porque poderá nos dar ferramentas de análise
de desempenho das operações de uma entidade pública em função da receita
econômica dos serviços públicos.
Como foi estudado na Unidade 2, a margem de contribuição, como
conceito, é a diferença entre receitas e custos/despesas variáveis (diretas), devendo
gerar um saldo suficiente para cobrir os custos fixos ou indiretos, e ainda deixar
um lucro líquido. No entanto, se incorporarmos este conceito no âmbito público
temos que tirar as receitas, vindas das vendas, e pôr em seu lugar a “receita
econômica”, conhecida como a “receita de oportunidade econômica”, obtendo a
seguinte fórmula: MCED = ROE – CD
• MCED: é a margem de contribuição econômica direta.
• REO: é a receita de oportunidade econômica.
• CD: é o custo direto, que vem a ser tanto os custos como as despesas variáveis.
Nesse sentido, a diferença entre o MCED do setor público e a margem de
contribuição é a substituição das receitas pela receita de oportunidade econômica.
Esta análise do desempenho econômico dos custos e despesas variáveis, no setor
público, é de grande ajuda, pois por meio desta o gestor público pode visualizar
o valor de contribuição de cada serviço público aos custos variáveis necessários
para oferecer estes serviços à sociedade. A Margem de Contribuição Econômica
Direta (MCED) ajuda nos seguintes elementos da análise de custos:
a) É de grande apoio, auxiliando à administração pública na tomada de decisão
referente à escolha dos serviços que merecem maior atenção na redução de seus
custos variáveis (diretos).
b) É uma fonte de informação rica e importante no momento de decidir os meios
de como utilizar demaneira mais eficiente os recursos limitados (custos) que
possam melhorar o resultado econômico de uma entidade pública.
TÓPICO 1 | ESTRUTURA DE PREÇOS NAS LICITAÇÕES E DESEMPENHO ECONÔMICO
145
Uma vez determinada a Margem de Contribuição Econômica, podemos
estabelecer ferramentas para avaliar o desempenho dos processos operativos
das entidades públicas. Deste modo, haverá a possibilidade de melhorar a
qualidade da gestão dos diversos serviços oferecidos pelas entidades federais,
estaduais e municipais.
4.4 DESEMPENHO E O RESULTADO ECONÔMICO
As entidades públicas, como já temos falado, procuram um resultado
econômico positivo de suas atividades. A procura desse resultado econômico leva
às entidades governamentais a necessidade de fazer uma gestão mensurada pelo
desempenho operativo das diversas atividades executadas no âmbito governamental.
Nesse contexto, o gestor público responsável pelas atividades de uma
entidade pública deve ter competências sobre a análise de custos e os resultados
econômicos dos serviços públicos. Portanto, o gestor público deve ter entre seus
principais objetivos fixar metas de resultados a ser atingidos, pois isto representa:
“[...] o critério para a avaliação do desempenho de todas as áreas de responsabilidade
da organização. A partir daí é possível avaliar os resultados dos serviços, produtos,
das atividades de cada uma das divisões [...]” (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 88).
Assim, a avaliação do desempenho econômico das atividades
governamentais foca na divisão operativa dos diversos serviços oferecidos por
uma entidade pública, gerando assim áreas específicas de resultados econômicos
por níveis de responsabilidades. Nesse sentido, cada área de responsabilidade
age como se fosse uma entidade independente, devendo, assim, o gestor público
planejar a receita econômica em função dos recursos monetários vindos do
orçamento governamental aprovado, assim como o gestor deve ter um plano de
controle das despesas previamente planejadas.
Isto podemos exemplificar por meio do caso exposto pelos autores Mauss
e Souza (2008, p. 89), de um serviço público municipal: “[...] pode-se dizer que
todas as secretarias devem ser consideradas divisões municipais, visto que seus
secretários são considerados seus gestores e responsáveis por seus resultados,
cujos desempenhos devem ser mensurados, analisados e avaliados”.
Nesse sentido, a avaliação por desempenho e por áreas de responsabilidade
foca no uso eficiente dos recursos públicos a serem executados, objetivando
aprimorar ao máximo o resultado econômico da área de responsabilidade e da
entidade pública em si. No quadro a seguir vamos visualizar a dinâmica sobre o
resultado econômico da entidade como um todo, e dos resultados econômicos de
cada uma das áreas de responsabilidade.
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
146
QUADRO 47 – COMPARATIVO DA DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO EM
FUNÇÃO DAS ÁREAS DE RESPONSABILIDADE DE UMA ENTIDADE PÚBLICA
DRE ECONÔMICO
(+) Receita econômica dos serviços
prestados de uma entidade
pública.
(-) Custos e despesas variáveis
(diretos)
(=) Margem de Contribuição
Econômica Direta (MCED) dos
serviços públicos.
Avaliação do resultado dos serviços
1. Resultado dos produtos
e serviços.
2. Avalia-se o resultado de
cada um dos serviços que
devem ser positivos.
Avaliação do desempenho
do serviço
Avalia-se a comparação
como resultado de
cada área, obtendo o
desempenho do serviço.
(+) Margem de Contribuição
Econômica Direta (MCED) dos
serviços públicos.
(-) Gasto Fixo (Indireto) da área
(=) Resultado Operacional
(+) Resultado Financeiro
(=) Resultado Econômico
Avaliação do resultado das divisões
1. Resultado das
atividades e divisão.
2. Avalia-se o resultado
da divisão (área de
responsabilidade)
Avaliação do desempenho
da divisão
Avalia-se a comparação
como o planejado, obtendo
o desempenho da divisão.
Soma-se os resultados econômicos
das áreas de responsabilidade da
entidade pública.
Avaliação do desempenho individual de cada área de
responsabilidade, obtendo da comparação do resultado
executado com o que foi previamente planejado, levando
em consideração metas qualitativas.
FONTE: Adaptado de Mauss e Souza (2008, p. 90)
Acabamos de observar um quadro comparativo que mostra a dinâmica
da DRE Econômica das entidades públicas, e como esta ferramenta de análise
de custos pode ajudar na avaliação da gestão por área de responsabilidade. Na
prática, os gestores de cada área de responsabilidade são avaliados em função
dos resultados econômicos atingidos pelas divisões e serviços que estão sob sua
responsabilidade, em função do que foi planejado e executado, obtendo assim
níveis de eficácia econômica.
Exemplo disso, se o gestor da área consegue executar 75% do gasto
planejado, este gestor em específico terá uma eficácia de gestão de custos de
75%, agora, se essa eficácia econômica de 75% é aceitável ou não é de decisão da
diretiva da entidade pública.
Observe que terminamos a unidade de desempenho econômico das
entidades públicas. Talvez, neste momento, você esteja se perguntando, qual é
o vínculo entre preços base nas licitações, resultado e desempenho econômico?
TÓPICO 1 | ESTRUTURA DE PREÇOS NAS LICITAÇÕES E DESEMPENHO ECONÔMICO
147
Para poder visualizar esse vínculo, pense que por meio das licitações
o Estado determina os valores das aquisições para que as entidades públicas
possam operar, ou seja, determina-se a base dos preços referencias que irão
determinar o consumo de recursos. Esses consumos de recursos viram custos
que serão vinculados à apuração do resultado econômico, portanto, tanto os
custos como o resultado econômico se tornam ferramentas para determinar o
desempenho econômico das entidades públicas. Eis o elo entre preços base de
licitações, resultado econômico e desempenho.
148
Neste tópico você viu que:
• No momento de comprar materiais ou contratar algum tipo de serviço deve-se
detalhar a justificativa das compras e serviços a serem contratados. Justificativa
que deve ser elaborada pelos técnicos da área de atuação que estão precisando
da compra dos bens ou contratação do serviço.
• A justificativa da necessidade de bens e serviços será repassada irá fazer parte
do levantamento da licitação, objetivando fornecer os parâmetros necessários
para as empresas interessadas no processo licitatório.
• Caso a demanda em contratar exija um processo mais elaborado e complexo,
deverá ter um projeto base, servindo como apoio essencial às respectivas
aquisições.
• Caso a necessidade a se contratar demandar de um processo de menor
complexidade, não será necessário o projeto base no processo licitatório, será
suficiente o termo de referência. Contudo, o termo de referência demandará as
mesmas regras de justificativa do projeto básico.
• Todo processo licitatório de aquisições de bens, materiais e serviços possuem
fatores a se destacar: especificação do produto, necessidades de classificação de
materiais (material de consumo ou permanente), serviços de terceiros.
• O resultado econômico de uma entidade pública visa mostrar, em termos
monetários, à sociedade, como foi a gestão das entidades públicas, em função
das receitas e custos públicos das gestões governamentais.
• A avaliação do desempenho econômico das atividades governamentais foca na
divisão operativa dos diversos serviços oferecidos por uma entidade pública,
gerando assim áreas específicas de resultados econômicos por níveis de
responsabilidades.
RESUMO DO TÓPICO 1
149
1 Quando existe a necessidade de adquirir bens e serviços, as entidades
públicas devem fazer processos licitatórios. Nesse sentido, existem dois
meios de contratação. Determine quais são estes meios e apresente quais
são as diferenças e características de cada um deles.
2 Conforme a Lei de Licitações nº 8.666/93, as aquisições de materiais e
serviços devem possuir quatro características, exponha quais são estas.
3 Dentrodas quatro características exigidas na aquisição de um produto
existe a necessidade de classificação de materiais. Nesse sentido, determine
quais sentenças são verdadeiras.
( ) Quando a finalidade do bem a se adquirir é corrente, que perde suas
qualidades físicas à medida que vai se consumindo, define-se como
material de consumo.
( ) Um material de consumo possui uma durabilidade de até um ano, acima
disso será considerado como material permanente.
( ) Quando o material a se adquirir consegue manter sua entidade física
à medida que se vai usando e desgastando, define-se como material
permanente.
( ) Um material permanente possui uma durabilidade acima de 18 meses,
abaixo disso será classificado como material de consumo.
4 Considerando que não existe cobrança direta do serviço público prestado à
sociedade, devemos levar em consideração a análise da margem de contribuição
das atividades públicas. Está adaptação é importante porque permite às
entidades públicas fazer análises de desempenho. Em função disso:
a) Determine qual é a diferença da margem de contribuição de uma entidade
privada versus uma entidade de serviços públicos.
b) Determine os componentes da margem de contribuição econômica direta
(MCED).
AUTOATIVIDADE
150
151
TÓPICO 2
PLANEJAMENTO DOS CUSTOS E
DETERMINAÇÃO DO ORÇAMENTO PÚBLICO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Antes de começar o tópico, devemos nos perguntar: qual é a ligação entre
custos e o levantamento do orçamento público? Como em qualquer instituição,
seja privada ou pública, para poder levantar a projeção (orçamento) dos recursos
necessários para as atividades econômicas é imperativo identificar tanto as fontes das
receitas como os custos necessários para dar conta dos serviços prestados à sociedade.
No âmbito público, as receitas vêm maioritariamente da arrecadação de
impostos, que logo serão distribuídos e alocados às diversas entidades do Estado.
Esses recursos monetários arrecadados servem para cobrir os custos necessários
para oferecer serviços ao cidadão e à sociedade como um todo. É nesse contexto
que a análise de custos é fundamental para poder desenvolver um orçamento
governamental realista, funcional e eficiente.
Neste ponto de nossos estudos já temos um critério claro da gestão de
custos aplicada na estrutura governamental, assim como os métodos de custos
utilizados para fins de controle e tomada de decisão. Assim, vamos aproveitar
esse conhecimento para poder estudar esse vínculo entre análise de custos e o
orçamento governamental.
2 O PLANEJAMENTO DOS CUSTOS NO ORÇAMENTO
GOVERNAMENTAL
Uma boa gestão da informação de custos no orçamento governamental é um
fator crítico à qualidade do levantamento dos orçamentos das diversas entidades
governamentais. Nesse sentido, os sistemas de custos (estudados na Unidade 2)
aplicados nas entidades públicas devem subsidiar informações de consumo de
recursos (custos e despesas) à elaboração do PPA (Plano Plurianual) do LDO (Lei
de Diretrizes Orçamentárias) e para a Lei do Orçamento Anual (LAO).
Esse subsídio de informações ao levantamento do orçamento é a base
para execução do orçamento governamental, o que é de grande ajuda ao
monitoramento dos custos executados. Esse monitoramento é uma fonte valiosa
152
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
de informação que serve para ter dados comparativos em função das metas
fixadas no orçamento aprovado, servindo como base para a respectiva avaliação e
controle do gasto público. Por meio deste fornecimento de informação é possível:
“[...] realizar auditorias de gestão (como pretende o TCE), visando medir a sua
eficiência gerencial, visto que os padrões de desempenho foram disponibilizados
no planejamento” (MAUSS; SOUZA 2008, p. 79).
Com a aplicação dos sistemas de informação contábil e de custos
estruturados nas entidades públicas é factível aos gestores públicos ter uma
ferramenta de medição dos impactos de uso de recursos no orçamento. Com
isto poderá se ter um controle prévio e subsequente das decisões tomadas, ou
seja, uma avaliação antes mesmo da execução orçamentária e uma avaliação/
desempenho depois da execução. Isto podemos visualizar melhor por meio do
seguinte quadro dinâmico.
QUADRO 48 – FLUXO ORÇAMENTÁRIO COM BASE NA ANÁLISE DE CUSTOS
CONTROLE PRÉVIO EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO – CONTROLE CONCOMITANTE
CONTROLE
SUBSEQUENTE
PPA, LDO e LOA
• Unidade Orçamentária
• Unidade de despesa
CONTABILIDADE GOVERNAMENTAL
AUDITORIA
INTERNAGERAL CUSTOS
BALANÇO e
RESULTADO
ECONÔMICO
FONTE: Adaptado de Silva (1997) apud Mauss e Souza (2008, p. 80)
Neste quadro podemos observar a dinâmica da informação dos custos
dentro do orçamento governamental, objetivando analisar a origem e a execução
dos recursos econômicos como ferramentas de controle do gasto público. Nesta
dinâmica entre planejamento e execução é que vai se formando um ciclo entre
planejamento de custos, levantamento/execução de orçamentos, e análise da
execução orçamentária.
E uma vez cumprido o ciclo, este servirá como base para o planejamento
de custos do próximo período, e assim vai a dinâmica do ciclo ano após ano. É
nesse ciclo contínuo que o planejamento de custos deve considerar projeções de
gastos, que deve considerar modelos de tipos de custos, segundo a finalidade do
planejamento, como veremos mais adiante.
UNI
Sabe o que significa concomitante? Na administração pública, controle
concomitante significa aplicar um controle simultâneo (ao mesmo tempo). Assim, este é
exercido no ato, acompanhando a execução deste caso do orçamento.
TÓPICO 2 | PLANEJAMENTO DOS CUSTOS E
153
2.1 O CUSTO PLENO E O ORÇAMENTO
No ciclo orçamentário exposto anteriormente é interessante observar que
existem dois tipos de custos que servem como ferramentas tanto de planejamento
dos orçamentos como de execução deste. Estes são o custo pleno e o custo-padrão,
mas qual é a diferença entres estes dois tipos de custos?
O custo pleno tem a finalidade de apresentar todos os custos e despesas
incorridas sem diferenciá-los entre si, ou seja, todos são considerados como
“gastos”, inclusive as despesas financeiras. Machado (2005, p. 125) expõe
que custeio pleno trabalha com a ideia de que ao custo do produto devem ser
agregados não apenas os custos de produção, mas também todas as demais
despesas da organização, inclusive as financeiras.
Assim, no custo pleno, todos os custos e despesas são absorvidos pelos
serviços públicos. Isto pode ser muito útil no momento de exemplificar os recursos
necessários para um programa estabelecido nas diretrizes orçamentárias.
Calculam-se os valores totais e dividem-se pela meta física e obtém-se,
portanto, o custo pleno unitário. Imagine um programa de esgotamento sanitário,
onde são alocados os gastos com pessoal próprio, como encargos de pessoal,
matérias e serviços para custeio, material permanente e despesas financeiras.
Totalizando estes gastos e dividindo-se pela quantidade de metro cúbico tratado
de esgoto, tem-se como resultado o custo pleno unitário de tratamento de esgoto
por metro cúbico (RAIMONDI; GOEZZINGER, 2012, p. 140).
Assim sendo, o objetivo do custo pleno é apresentar todos os custos e
despesas como gastos projetados. Podemos exemplificar isto por meio de um caso
prático e simples de analisar, vamos supor que na secretaria de obras do município
de sua cidade estão orçando os recursos produtivos necessários para a implantação
de reservatório de água tratada, obtendo-se os seguintes valores de gastos.
QUADRO 49 – RESUMO DA PROJEÇÃO DE CUSTOS PLENA NA IMPLANTAÇÃO DE
RESERVATÓRIO DE ÁGUA TRATADA
FONTE: O autor
Programa Água Tratada 08-001-Secretaria de Obras
Ano 2016
Objetivo: Implantação de água tratada
Ação 59 Meta: 10.800m3 Valor
Projeto 10.22.16 Investimento em obras R$ 1.275.000,00
Atividades
4.22.16 Despesa Pessoal R$ 779.350,00
4.22.17 Encargos Pessoal (24%) R$ 187.044,00
4.22.18 Custeio e Manutenção R$ 1.700.000,00
4.22.19 Material PermanenteR$ 640.000,00
Total Obra R$ 4.581.394,00
Custo Unitário da obra por m3 R$ 424,20
154
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
Assim, por meio do custo pleno é fácil enxergar os valores deste programa.
Neste caso, a meta é a implantação de um reservatório de 10.800 m³ de água
tratada. Para isso é necessário R$ 4.581.394 de recurso monetário (segundo a
programação do município e seus técnicos), claro que estes fundos devem ser
programados e aprovados dentro do orçamento municipal. Segundo o critério
do custo pleno, a obra terá um gasto de R$ 424,20 por m³ (R$ 4.581.394/ 10.800
m³), observe que todos os custos e despesas são abordados como custos, não há
diferença e subdivisão entre custos e despesas, eis o nome de custo pleno.
2.2 O CUSTO-PADRÃO E O ORÇAMENTO
Além do custo pleno existe outro tipo de custo que ajuda no planejamento
e principalmente no aprimoramento do gasto, o custo-padrão. Conforme nossos
estudos da Unidade 2, o custo-padrão é um custo predeterminado e padronizado
por centros de atividades operativas. Assim, este custo-padrão serve para planejar
atividades e como referente do detalhe de consumo de recursos para a elaboração
dos orçamentos, aliás, bastante aplicado no orçamento governamental.
Em outras palavras, custo-padrão, ou custo “meta”, é um tipo de custo
atribuído previamente a cada uma das atividades das áreas operativas, em função
da produtividade-padrão do recurso a se consumir. Este é definido por etapas
produtivas históricas e projetadas, servindo tanto como base para as projeções
orçamentárias como para a medição comparativa real da qualidade do gasto.
No contexto público, o custo-padrão é utilizado no planejamento da
elaboração do orçamento das diversas atividades das entidades públicas. Isto
podemos exemplificar por meio de um caso visando à projeção do custo-meta para
o gasto com pessoal de um município, hipotético, na área de responsabilidade de
água tratada de esgoto. Neste exemplo devemos iniciar nossa análise observando
os dados históricos e geral desta atividade com seu respectivo dado de gastos,
como pode se observar a seguir.
QUADRO 50 – GASTO PESSOAL DA ÁREA DE ÁGUA TRATADA
FONTE: O autor
Histórico do gasto em despesa pessoal e resumo da projeção 2016
Área de responsabilidade: Água tratada
Sub-conta 2014 2015
%
Crescimento
Despesa
Ajuste Inflação
Projeção Ano
2016
10,67%
Despesa
Pessoal R$ 1.950.000 R$ 2.112.872 8,35% R$ 225.443 R$ 2.338.315
TÓPICO 2 | PLANEJAMENTO DOS CUSTOS E
155
Neste quadro apresenta-se um suposto histórico e projeto geral para ano
2016 da despesa de pessoal em uma área específica de um município. Neste caso
foi apurado o crescimento entre o ano 2014 e 2015, obtendo-se um aumento desta
despesa de 8,35% durante um ano, ou seja: 8,35% = ( R$ 2.112.872
R$ 1.950.000
-1) *100. Depois
foi considerado um ajuste aos salários em função da inflação histórica do ano 2015
de 10,67%, obtendo-se uma despesa projetada para o ano 2016 de R$ 2.338.315, ou
seja: R$ 2.338.315 = R$ 2.112.872 x 0,1067 + R$ 2.112.872.
UNI
A inflação oficial do ano 2016, de 10,67%, foi uma das maiores da última
década. No IPCA você poderá observar o desenvolvimento da inflação durante o ano 2015,
observando uma clara tendência de aumento da taxa de inflação, no seguinte site: <http://
br.advfn.com/indicadores/ipca/2015>.
Com base neste cálculo simples poderíamos dizer que o custo-padrão
desta subconta para o ano 2016 será de R$ 2.338.315,00. Neste caso observarmos,
que é uma projeção geral e simples deste gasto, porém, por meio do custo-padrão,
nós podemos nos aprofundar no detalhe desta subconta, mas como podemos
fazer isso?
Se entrarmos no detalhe histórico da subconta “despesa pessoal” do ano
2015, podemos observar quanto foi gasto para cada um dos funcionários com suas
respectivas projeções. Assim, isto poderá nos fornecer dados valiosos gerenciais
para apurar o custo-padrão desta subconta, e o mais importante: melhorar a
qualidade do gasto público, como podemos observar a seguir.
QUADRO 51 – DETALHE HISTÓRICO DA SUBCONTA: DESPESA PESSOAL 2015
FONTE: O autor
Cargo Quantidade Salário por cargo Salário Total
Diretor 1 R$ 14.000 R$ 14.000
Gerentes de área 4 R$ 8.000 R$ 32.000
Engenheiros 7 R$ 6.500 R$ 45.500
Técnicos 12 R$ 3.500 R$ 42.000
Auxiliar administrativo 8 R$ 2.000 R$ 16.000
Guarda 3 R$ 1.700 R$ 5.100
Total 35 R$ 154.600
Salário Ano (x12) R$ 1.855.200
Férias 66,67% R$ 103.072
Décimo 13º Salário R$ 154.600
Total Ano R$ 2.112.872
156
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
Este quadro pode nos fornecer informações valiosas de gestão no que tange
à qualidade do gasto. Observe a estrutura de gasto da subconta e a quantidade
de funcionários do ano 2015. Obtendo-se um consumo de recurso monetário para
esta conta de R$ 2.112.872,00 com um total de 35 funcionários para esta área de
responsabilidade do município.
Parece que há bastante funcionários, não é? Essa seria a primeira pergunta
que o gestor poderia fazer no momento de analisar o detalhe de gastos. Contudo,
o gestor deve continuar com a projeção de gastos para o próximo ano. Assim,
a seguir podemos observar o detalhe da projeção de gastos para esta subconta,
levando em consideração um aumento salarial mínimo de 10,67% recorrente de
ajuste pela inflação.
QUADRO 52 – DETALHE PESSOAL PROJETADO 2016
FONTE: O autor
Cargo Quantidade
Salário por cargo
Salário Total
Salário 2015
+ Inflação Salário Projetado
201610,67%
Diretor 1 R$ 14.000 R$ 1.494 R$ 15.494 R$ 15.494
Gerentes de área 4 R$ 8.000 R$ 854 R$ 8.854 R$ 35.414
Engenheiros 7 R$ 6.500 R$ 694 R$ 7.194 R$ 50.355
Técnicos 12 R$ 3.500 R$ 373 R$ 3.873 R$ 46.481
Auxiliar
administrativo 8 R$ 2.000 R$ 273 R$ 2.213 R$ 17.707
Guarda 3 R$ 1.700 R$ 181 R$ 1.881 R$ 5.644
Total 35 R$ 171.096
Salário Ano (x12) R$ 2.053.150
Férias 66,67% R$ 114.070
Décimo 13º Salário R$ 171.096
Total Ano R$ 2.338.315
Em função desta subconta (aliás, pode ser qualquer outra conta de
gasto corrente), e por meio do custo-padrão, a diretoria faz uma análise de
responsabilidade para cada um dos funcionários. Portanto, pode-se estabelecer
padrões de medição e produtividade, tais como: quantidade de atendimentos por
funcionário e horas médias trabalhadas por atendimento. Isto se faz com o intuito
de medir um padrão de produtividade dos funcionários através de testes de
tempos médios de execução de tarefas, amostragens de atividades e mais outros
médios profissionais de medição.
Eis o nome de custo-padrão! Pois este é um custo padronizado em
função da atividade a se executar. O caso exposto anteriormente é uma atividade
executada pelo setor de recursos humanos.
Vamos supor que no nosso exemplo, a diretoria, logo após várias análises
de padrões de produtividade e níveis de responsabilidade por nível de função (ou
TÓPICO 2 | PLANEJAMENTO DOS CUSTOS E
157
Cargo Quantidade
Salário por cargo
Salário Total
Salário 2015
+ Inflação Salário Projetado
201610,67%
Diretor 1 R$ 14.000 R$ 1.494 R$ 15.494 R$ 15.494
Gerentes de área 3 R$ 8.000 R$ 854 R$ 8.854 R$ 26.561
Engenheiros 5 R$ 6.500 R$ 694 R$ 7.194 R$ 35.968
Técnicos 8 R$ 3.500 R$ 373 R$ 3.873 R$ 30.988
Auxiliar
administrativo 5 R$ 2.000 R$ 273 R$ 2.213 R$ 11.067
Guarda 3 R$ 1.700 R$ 181 R$ 1.881 R$ 5.644
Total 25 R$ 125.721
Salário Ano (x12) R$ 1.508.653
Férias 66,67% R$ 83.818
Décimo 13º Salário R$ 125.722
Total Ano R$ 1.718.194
cargo) foi determinado que: o serviço da área, “água tratada”, pode ser executado,
com todos os níveis de qualidade exigidos, com uma menor quantidade de
funcionários, enxugando assim o gasto. Considerando isso, identificou-se que:
• Não são necessários 4 gerentes de áreas, 3 são suficientes.
• Não são necessários 7 engenheiros, 5 são suficientes.
• Não são necessários 12 técnicos, 8 são suficientes.
• Não são necessários 8 auxiliares administrativos,5 são suficientes.
Assim, logo após a análise de desempenho e produtividade das funções
dos funcionários, houve uma redução de pessoal, aliás, de 35 para 25 profissionais.
E por meio do custo-padrão por funcionário podemos apurar a nova projeção de
gastos para esta conta, ficando da seguinte maneira:
QUADRO 53 – APURAÇÃO: DETALHE PESSSOAL PROJETADO 2016
FONTE: O autor
Observa-se que com o enxugamento dos funcionários, a despesa de pessoal
para o ano 2016 passa a ter uma necessidade menor de recursos monetários do
orçamento governamental. A subconta passou de uma projeção de gasto de R$
2.338.315,00 para R$ 1.718.194,00, R$ 620.121,00 de economia sem prejudicar o
serviço público.
Logo, esta subconta teve uma redução de recursos de -26,52%, ou seja:
-26,52% = ( R$ 797.850
R$ 114,23
-1) *100. Todavia, o valor a ser gasto no ano 2016, de R$
1.718.194,00, será menor ao que foi gasto no ano 2014, de R$ 1.950.000,00, e isto
levando em consideração a maior inflação da última década.
Observe-se que o caso analisado é um caso hipotético, mas quantos
serviços públicos possuem um número maior de funcionários do que deveriam
ter? Isso acontece não só no Brasil, mas na maioria dos países, eis a necessidade
de monitorar e controlar a real produtividade do funcionário público.
158
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
Assim, o aprimoramento do uso do recurso humano continua sendo
possível, quantos serviços públicos estão com uma quantidade maior de
funcionários do que realmente seria necessário? Em contrapartida, quantos
serviços fundamentais da mesma área pública estão com falta de funcionários?
Como um todo, na teoria, poderia se ter como meta gerar um balanço favorável
à redução do gasto público por meio de análise da qualidade do gasto e de sua
produtividade de gerar valor à sociedade.
Conforme foi exposto no exemplo anterior, da produtividade do recurso
humano, através do conceito custo-padrão o mesmo procedimento pode ser feito
para outros centros de custos das entidades públicas. Como um todo, o gestor
de custos e a diretoria das áreas devem achar meios para aprimorar os processos
produtivos, reduzindo e otimizando o consumo de recursos para os gastos
correntes do orçamento público, e o custo-padrão é uma ferramenta de análise de
custos que pode dar apoio para esse objetivo.
3 OS CUSTOS E A GESTÃO DO ORÇAMENTO BASE ZERO
Como temos observado ao longo do Caderno de Estudos, a execução
de recursos no setor público está vinculada às verbas e receitas autorizadas no
orçamento governamental como um todo. Neste sentido, o orçamento faz parte
integral da gestão de qualquer entidade pública, pois por meio deste as entidades
estruturam seus gastos e fazem decisões na procura de resultados positivos de
suas atividades.
Como processo de gestão, o orçamento vem sempre depois do
planejamento das atividades da entidade pública. Assim, através deste se faz um
elo entre os objetivos operativos e metas de gestão, como o recurso monetário a
ser executado no orçamento.
É nesse contexto de orçamento que vamos abordar o quesito do conceito de
Orçamento Base Zero. Como o nome diz, é um orçamento que possui base zero para
iniciar e reavaliar a análise de recursos a serem consumidos durante um período
de tempo. Nesse sentido, a dinâmica deste tipo de orçamento foca em levantar o
orçamento em função das necessidades operativas das atividades, além de fazer
uma simples conferência de gastos históricos e recolocá-los nas projeções.
Segundo Pyhrr (1981, p. 13), “o Orçamento Base Zero foi implantado na
busca de reavaliar todas as atividades e programas dos períodos anuais e logo
após montar o orçamento do exercício fiscal”. O Orçamento de Base Zero foi
amplamente utilizado no âmbito público nos Estados Unidos a partir do sucesso
deste no estado de Georgia, em 1972, quando o governador deste estado era
Jimmy Carter, sendo que logo este governador, em 1977, foi o 39° presidente dos
Estados Unidos. Desde então este tipo de orçamento vem se aplicando no âmbito
público ao longo de diversos países.
TÓPICO 2 | PLANEJAMENTO DOS CUSTOS E
159
3.1 DEFINIÇÃO DO ORÇAMENTO BASE ZERO
No Orçamento Base Zero o objetivo é analisar e reavaliar as atividades
operativas de cada área das entidades, determinar necessidades de recursos,
para logo fazer um comparativo histórico e, assim, projetar o orçamento. Nesse
sentido, é como se a cada ano tivéssemos que fazer um novo orçamento, com
atividades e processos já previamente executados nos orçamentos passados.
Eis o nome de “Orçamento Base Zero”, assim, este tipo de orçamento possui
como objetivo o resultado econômico eficiente da administração governamental,
ou seja, a dinâmica do Orçamento Base Zero é praticamente iniciar a projeção
do orçamento sem influência das práticas do passado, deste modo, sem aplicar e
orçar como ponto de partida os gastos históricos. Assim, este tipo de orçamento
foca no essencial das operações da entidade para assim dar conta das atividades
a serem executadas. Segundo Pyhrr (1981, p. 5) o Orçamento Base Zero possui os
seguintes passos:
1. Identificação de pacotes de decisão: este passo envolve a análise e a
descrição de cada atividade em separado - atuais e as novas, em um
ou mais pacotes de decisão.
2. Priorização dos pacotes de decisão: este passo envolve a avaliação e
o escalonamento destes pacotes por ordem de importância, através
de uma análise de custo/benefício ou de avaliação subjetiva.
Neste sentido, o Orçamento Base Zero foca nas atividades e seus processos
operativos em função das ações a serem tomadas com seus respectivos impactos
de custo/benefício, acrescentando as avaliações subjetivas quando precisar. Assim,
o gestor público sob este conceito de orçamento deve levar em consideração:
• as atividades e processos operativos;
• o volume de serviço a ser executado;
• os recursos produtivos que isso implica;
• o custo social caso não executar o serviço, quesito especialmente importante a
se considerar no âmbito público.
3.2 APLICAÇÕES E VANTAGENS DO ORÇAMENTO BASE ZERO
Uma das questões interessantes do Orçamento Base Zero (OBZ) é que
demanda a análise de processos produtivos do gestor ao início de cada período
orçamentário. Assim, sob este tipo de orçamento é necessário levantar um
estudo anual das atividades operativas. Deste modo, com esse levantamento de
atividades poderá se ter as informações de consumo de recursos necessários para
dar conta dos processos produtivos. Devemos levar em consideração que esse
levantamento de consumo de custos, necessário ao OBZ, é fundamental para se
ter conhecimento dos custos unitários das atividades e do método de custeio a
se aplicar. Será suficiente aplicar um sistema de custeio por absorção variável,
ou deverá ser considerado um sistema mais complexo como o sistema de custeio
ABC? O OBZ pode ajudar neste questionamento.
160
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
Assim, por meio do OBZ e com esse conhecimento de custos, pode se
levantar toda uma análise de quais custos são variáveis e quais são fixos. Análise de
estrutura de custos que pode nos apresentar níveis críticos de ponto de equilíbrio
operativo e margem crítica de receitas mínimas para dar conta dos custos do
período. Dados fundamentais para saber os limites e necessidades monetárias
do Orçamento como um todo. Quantas vezes as entidades públicas acabam com
déficit, logo da execução de seus orçamentos?
Eis a necessidade de saber o ponto crítico de quando uma entidade pode
cair em déficit, quesito importante para toda atividade econômica, seja privada ou
pública. É nesse sentido que o OBZ é uma importante ferramenta de levantamento
de custos, pois confere todas as necessidades de recursos do período a se orçar,
após esse levantamento será feito um comparativo dos custos históricos. A seguir
vamos observar quais são as vantagens e desvantagens do Orçamento Base Zero.
VANTAGENS
• Viabiliza uma análise eficientede consumo de recursos, pois estes são alocados
em função das necessidades e do custo/benefício, e não somente em função do
consumo histórico.
• Viabiliza analisar melhoras nos processos operacionais que possam gerar uma
melhor relação custo/benefício.
• Viabiliza detectar projeções orçamentárias com recursos além do necessário,
orçamentos inflacionados.
• Viabiliza e até consegue eliminar processos improdutivos que não agregam valor
ao processo produtivo. Ajudando assim a identificar, também, oportunidades
de terceirização.
• Viabiliza, especialmente, nas empresas de serviços, tal como a maioria de
entidades públicas, a enxergar as saídas de recursos necessários (custo/gasto)
para dar conta da oferta dos serviços à sociedade.
• Melhora a motivação dos funcionários, uma vez que estes fazem parte da
análise orçamentária, gerando maior iniciativa e responsabilidade na tomada
de decisões ao longo dos níveis de gestão.
• Melhora a comunicação e coordenação, tanto horizontal como vertical ao longo
da organização.
DESVANTAGENS
• Demanda mais tempo, se comparado ao orçamento tradicional.
• Leva a necessidade de identificar cada item de consumo de recurso, demandando
mais tempo para analisar processos que às vezes são insignificativos às
operações como um todo.
• Demanda maior gestão e treinamento dos responsáveis, em função da
complexidade dos detalhes do OBZ, ou seja, de maior consumo do recurso
humano para levantar o orçamento, que nem sempre gera o valor agregado
desejado (custo/benefício).
TÓPICO 2 | PLANEJAMENTO DOS CUSTOS E
161
Acabamos de ver que o modelo de Orçamento Base Zero pode ser benéfico
à gestão de custos do setor público, mas independentemente do tipo de orçamento
é importante visualizar o vínculo entre a análise de custo e a execução orçamentária.
4 ANÁLISE DE CUSTO TOTAL E O ORÇAMENTO
Conforme nossos estudos da Unidade 2, um dos sistemas de custos que
ajuda bastante a gestão pública é o sistema de custeio ABC. Como foi estudado,
o sistema ABC é de grande aplicabilidade quando os custos diretos representam
uma fatia mínima dentro da estrutura de consumo de recursos, ajudando a
apuração de custos indiretos de maneira mais próxima à realidade do consumo
de recursos, e ajudando à incorporação destes custos aos diversos serviços
oferecidos ao público.
Quando existe a possibilidade da utilização integrada entre a apuração
dos custos diretos e o sistema ABC abre-se caminho à obtenção de informações
precisas sobre os custos totais e unitários dos objetos de custos. Nesse sentido,
na utilização integrada, o custeio direto é alimentado por meio de sistemas de
informação de custos que trabalham em paralelo ao sistema de custos, neste caso,
o ABC.
No âmbito público, isto ajuda na coleta de dados do subsistema
orçamentário público, sendo de grande apoio à execução orçamentária,
especialmente ao referente à avaliação e ao desempenho deste. Por meio deste
tipo de gestão de custos existe um aumento na produtividade da gestão para
executar o orçamento, pois se exige ao responsável da área um controle rápido e
direto da classificação do gasto, e do registro dos códigos de custos em função ao
plano de contas.
Nesse sentido, as demais necessidades da análise de custos, como
históricos do gasto, projeções, entre outros, fica em função do sistema de custos
em si. Levando em consideração isso e para poder justificar o uso do sistema de
custos ABC, deve-se evidenciar as seguintes características do serviço:
(1) existência de altos custos indiretos em relação aos custos totais;
(2) prestação de serviços de extrema variedade em relação ao seu
volume de produção;
(3) trabalhar com clientela diversificada que consome muito e com
outros clientes de baixo volume;
(4) exigência de especificações ou serviços adicionais (MAUSS;
SOUZA, 2008, p.148).
162
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
4.1 ANÁLISE PRÁTICA DOS CUSTOS DE UM SERVIÇO
PÚBLICO
Como foi exposto anteriormente, na maioria das vezes, no setor público,
apresenta-se um menor consumo de custos diretos. Fato que podemos exemplificar
por meio da análise de custos para serviços de saúde da secretaria de saúde de
um município. Assim, no seguinte quadro podemos observar o detalhe dos custos
diretos atribuídos para cada um dos serviços oferecidos por meio desta secretaria.
QUADRO 54 – CUSTOS DIRETOS TOTAIS E UNITÁRIOS PARA CADA UM DOS SERVIÇOS
FONTE: Adaptado de Mauss e Souza (2008, p. 142)
Custo direto para o serviços da secretaria de saúde (Custo Total e Unitário)
Serviço
Prestado Tipo de custo direto
Itens de
custo
Custo
Total do
Serviço
Nº
Serviços
Prestados
Unitário
por item
Unitário
por
serviços
EV/
soroterapia Material de cama, mesa e banho 177,00 36 4,92
(Paciente
observação) Depreciação 261,64 36 7,27
Medicamentos 1.267,00 1.705,64 36 35,19 47,38
Serviço
Odontológico Material Odontológico 3.326,08 3.637 0,91
Serviços de Publicidade Legal
(licitação Material) 504,00 3.637 0,14
Material distribuição gratuita
(medicamento) 166,00 3.996,08 3.637 0,05 1,10
HGT Material laboratorial 570,00 570,00 275 2,07 2,07
Vacinar Material de acondicionar vacinas 18,99 1.320 0,01
Depreciação 180,20 199,19 1.320 0,14 0,15
Consultas
Médicas Material de manutenção do ECG 36,00 6.503 0,01
Material de distribuição gratuita -
medicamentos 19.391,47 6.503 2,98
Material farmacológico 623,93 6.503 0,10
Material Hospitalar 3.396,49 6.503 0,52
Serviços de Publicidade, legal
(licitação) 504,00 23.951,89 6.503 0,08 3,68
Serviços PACS Depreciação 115,31 7.350 0,02
Material de distribuição gratuita -
medicamentos 195,30 310,61 7.350 0,03 0,04
Serviços de
Transporte
Transporte saúde (combustível,
peças, serviços) 54.554,52 145.103 0,38
Folha Transporte 43.705,88 145.103 0,30
Depreciação 4.035,00 102.295,40 145.103 0,03 0,70
Curativos Depreciação 179,50 872
Material hospitalar 1.467,00 1.646,50 872 0,21 1,89
Total dos custos direitos 134.675,31 134.675,31
TÓPICO 2 | PLANEJAMENTO DOS CUSTOS E
163
Neste quadro desenvolvido por Mauss e Souza, vinculam-se os serviços
com os geradores de consumo de recursos atribuídos para cada um dos serviços.
Todos esses custos foram importados do balancete contábil e logo identificados
por meio do sistema de custos para cada um dos serviços oferecidos à população.
Assim, deste quadro podemos observar que a secretaria de saúde gerou:
• Custos diretos assumidos pela estrutura do municipal por um valor de R$
134.675.31.
• Um volume de serviços bastante considerável que fica diretamente relacionado
ao tipo de serviço em si.
• O serviço de transporte teve um número de 145.103 serviços prestados, gerando
um gasto de R$ 102.295,40, e um custo unitário pela oferta deste de R$ 0,70.
• Entretanto, o serviço EV/soroterapia teve 36 serviços prestados, gerando um gasto
de apenas de R$ 1.705,64, mas um custo unitário pela oferta deste de R$ 47,38.
Neste exemplo podemos visualizar a importância de ter uma análise de
custos bem estruturada. Neste caso, podemos analisar todos os detalhes de custos
diretos de cada serviço. O serviço prestado que mais gerou gasto foi o serviço de
transporte (R$ 102.295,40), mas o custo unitário deste foi de apenas de R$ 0,70.
Isto acontece porque o valor do gasto de R$ 102.295,40 é diluído em um grande
volume de serviços prestados, aliás, 145.103 serviços.
Eis aqui uma análise simples de custos feita graças às informações de um
sistema de custos eficientes. Neste caso foi usado o sistema de custeio ABC. Como
falamos anteriormente, uma das grandes vantagens do sistema ABC é a análise
dos custos indiretos, que no caso exposto são bem maiores que os custos diretos.
4.2 ANÁLISE PRÁTICA DOS CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS
DE UM SERVIÇO PÚBLICO
Continuando com nosso exemplo da secretaria de saúde, a seguir
vamos analisar o quadro de custos diretos e indiretos incorporados aos serviços
prestados. Neste quadro podemos observar que o total de custos assumidos pela
secretaria foram deR$ 731.942.00. Este valor é bem maior que os custos diretos
de R$ 134.675.31, isto quer dizer que os custos indiretos são mais significativos,
como mostra o quadro a seguir.
164
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
QUADRO 55 – CUSTOS DIRETOS E INDIRETOS DOS SERVIÇOS PRESTADOS
FONTE: Adaptado de Mauss e Souza (2008, p. 144)
CUSTO TOTAL DE SERVIÇOS PRESTADOS
ÁREA CONSULTAS
Con-
sulta
Médica
Consulta
Médica
PSF
Consulta
Dentista
Consulta
Fonoau-
diologia
Con-
sulta
Nutri-
cionista
Con-
sulta
Psico-
lógica
Curativo
Paciente
Observa-
ção
... Total
Geral
Custo direito de
cada serviço 9.392 14.560 3.996 1.647 1.706 134.675
Custos indire-
tos do serviços
Custo Indireto
de execução 79.152 57.753 50.736 3.488 5.982 7.997 2.032 1.588 307.035
Custo Adminis-
trativo 11.016 17.077 16.148 543 2.474 612 5.293 919 114.664
Custo Adminis-
trativo Rastre-
ado
6.528 10.120 9.311 377 1.790 427 2.232 92 78.010
Custo Ociosi-
dade 6.783 10.515 3.528 3.207 5.397 8.937 5.808 2.128 97.557
Total Custo
Indireto (fixos) 103.479 95.465 79.723 7.614 15.643 17.972 15.365 4.728 597.267
Custo global do
serviço 112.871 110.025 83.719 7.614 15.643 17.972 17.012 6.434 731.942
UNI
Apoio aos estudos, neste quadro só foi exposta uma pequena parte dos
serviços prestados, para assim facilitar nosso estudo. Se desejar você pode aprofundar a
análise procurando o livro de Mauss e Souza (2008) na nossa biblioteca.
No quadro, pudemos conferir que efetivamente os custos indiretos são bem
maiores que os custos diretos. Fato que faz sentido quando abordada a análise de
custos de entidade focada na oferta de serviços. Entretanto, se a entidade fosse da
área industrial, a lógica diria o contrário, os custos diretos deveriam ser maiores.
Ao observar o quadro, os custos indiretos, em alguns casos, são 100% do
serviço, tal como o serviço “Consulta Psicológica”. Nesse contexto, a fatia dos
custos indiretos, como um todo, na secretaria de saúde, supera 80% dos custos
totais. Este é um dos principais motivos do porquê o método de absorção utilizado
maioritariamente nas indústrias é de pouco uso na área de serviços, e o sistema
de custeio ABC oferece uma melhor análise de custos. Segundo os autores Mauss
e Souza (2008, p. 146):
TÓPICO 2 | PLANEJAMENTO DOS CUSTOS E
165
CUSTO TOTAL DE SERVIÇOS PRESTADOS
ÁREA CONSULTAS
Con-
sulta
Médi-
ca
Consul-
ta Médi-
ca PSF
Con-
sulta
Dentista
Consulta
Fonoau-
diologia
Con-
sulta
Nutri-
cionista
Con-
sulta
Psico-
lógica
Curati-
vo
Paciente
Obser-
vação
... Total
Geral
Número de serviços
prestados 2.550 3.953 3.637 150 713 170 872 36
Custo Direto Unitário 3,68 3,68 1,10 - - - 1,89 47,39
Custo Indireto (fixo)
Unitário
Custo Indireto de
execução 31,04 14,61 13,95 23,25 8,39 47,04 2,33 44,12
Custo Administrativo 4,32 4,32 4,44 3,62 3,47 3,60 6,07 25,53
Custo Administrativo
Rastreado 2,56 2,56 2,56 2,51 2,51 2,51 2,56 2,56
Custo Ociosidade 2,66 2,66 0,97 21,38 7,57 52,57 6,66 59,12
Total Custo Indireto
(fixos) 40,58 24,15 21,92 50,76 21,94 105,72 17,62 131,33
Custo Global Uni-
tário 44,26 27,83 23,02 50,76 21,94 105,72 19,51 178,72
Pesos do Serviço
% do custo direto
sobre serviço 8% 13% 5% 0% 0% 0% 10% 27% 18%
% ociosidade sobre
serviço 6% 10% 4% 42% 35% 50% 34% 33% 13%
% custo indireto de
execução 70% 52% 61% 46% 38% 44% 12% 25% 42%
% custo administra-
tivo 10% 16% 19% 7% 16% 3% 31% 14% 16%
% custo administrati-
vo rastreado 6% 9% 11% 5% 11% 2% 13% 1% 11%
Peso Total 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100% 100%
[...] o cenário de custos encontrado no Município exemplo indica a
necessidade de um instrumento de custeio com técnicas mais acuradas
para a utilização no serviço público, como é o caso do ABC, eis que, no
caso da Secretaria de Saúde Pública do Município, 69% dos serviços de
saúde não apresentam nenhum custo direto.
Todavia, no quadro de custos totais é fundamental ainda identificar o
detalhe do custo unitário de cada serviço, incorporando todos os custos de natureza
tanto direta como indireta, pois é de pouca utilidade observar só o detalhe dos
custos diretos, que possuem pouca relevância, ou peso, no custo total. Em função
disso, a seguir, vamos observar um resumo de todos os custos, indiretos e diretos
do serviço de saúde prestado pela secretaria do município.
QUADRO 56 – CUSTO TOTAL E UNITÁRIO DOS SERVIÇOS PRESTADOS NA ÁREA DE
CONSULTAS MÉDICAS
FONTE: Adaptado de Mauss e Souza (2008, p. 148)
166
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
Neste quadro, para facilitar o aprendizado, foi exposta só a área de
consultas médicas oferecidas à população do município, pois além das consultas
existem outros serviços, no detalhe exposto por Mauss e Souza. Nos valores
das consultas médicas podemos observar que os custos diretos possuem pouca
importância, mas onde apresenta maior peso o gasto é principalmente no custo
indireto de “execução”, aliás, mais de 50% na maioria das consultas médicas,
e dentro deste custo indireto de execução podem-se tirar algumas conclusões
interessantes, como vamos analisar daqui a pouco.
Esse resumo, a análise de custos só é possível, graças aos sistemas
modernos de custos que incorporam todos os consumos de recursos ao detalhe
de cada um dos serviços prestados. Deste modo, apresenta-se a oportunidade de
analisar a geração de custos por unidade de serviço prestado. Levando isto em
consideração, entre os sistemas que melhor se encaixa aos serviços públicos é o
ABC, segundo Mauss e Souza (2008, p. 146):
A análise de dados confirma o atributo do ABC que permite uma visão
dinâmica de todos os custos dos serviços de saúde do Município.
Temos, por exemplo, que as consultas médicas dos clínicos gerais
custaram R$ 44,00, enquanto a consulta do PSF custou R$ 27,00.
Esse resultado justifica o motivo. Para fins de análise, da separação
destes serviços. O médico PSF possui um custo total de contratação
bastante elevado em relação aos demais profissionais, porém atende
a uma carga horária maior e, consequentemente, um número maior
de pacientes no período (3.953 contra 2.250 – 555 a mais) que todos
os outros médicos juntos. Sendo assim, é perfeitamente viável para o
Município manter o médico PSF, mesmo, tendo ele uma remuneração
bem maior em relação aos demais profissionais.
Do exposto acima pelos autores Mauss e Souza (2008) fica claro que uma
análise de custos aprofundada para cada um dos serviços pode ajudar bastante
aos gestores em determinar e justificar gastos que realmente gerem valor agregado
às operações de serviços das entidades públicas.
Os dados obtidos com a aplicação do ABC e as análises correspondentes
mostram que um sistema de custos deve ser capaz de gerar informações
sobre a composição dos custos individuais de cada serviço e também de
possibilitar o controle operacional. Dados os argumentos já apresentados,
sabe-se que isso não é possível no serviço público, somente com a
utilização do custeio direto ou com o uso do método de custeio por
absorção. Este entendimento interfere na análise do valor adicionado pelo
serviço público [...] (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 150).
Podemos observar, quantos gastos menores nas diversas atividades das
organizações que aparentemente são insignificantes, geram consumos de recursos
desnecessários às atividades das organizações. Desnecessários no sentido que
não geram valor ao produto e/ou serviço a se prestar à população. Assim, todo
gestor, seja do setor público ou privado, deve-se perguntar:
TÓPICO 2 | PLANEJAMENTO DOS CUSTOS E
167
• Quantos gastos aparentemente parecem menores, mas que pouco ou nada
aportam, e que inclusive vão se somando gradativamente para gerar uma
quantia relativamente alta de valores monetários?
• Quantos gastos aparentemente parecem ser muito altos, mas que realmente
aportam com valor adicionado (valor agregado) à produtividade e qualidade
dos serviços?
Eis algumas perguntas que os gestores devem fazer e que um sistema de
custos eficiente,com detalhes de dados para serem analisados, podem ajudar
bastante à eficiência do gasto e à eficácia de suas atividades. Tanto a eficiência de
custos como a eficácia da gestão pública pode ser avaliada, como vamos ver no
tópico seguinte, em que abordaremos a avaliação do resultado econômico.
168
Neste tópico, você viu que:
• A gestão da informação de custos no orçamento governamental é um fator
crítico à qualidade do levantamento do orçamento público, apresentando a
necessidade de esse subsídio de informação de consumo ceder recursos ao PPA
(Plano Plurianual), à LDO (Lei de Diretrizes Orçamentárias) e para a Lei do
Orçamento Anual (LAO).
• No orçamento público é comum utilizar dois tipos de custos, o custo pleno e
o custo-padrão. O custo pleno tem a finalidade de apresentar todos os custos
e despesas incorridas sem diferenciá-los entre si. Entretanto, o custo-padrão é
um custo predeterminado e padronizado por centros de atividades operativas.
• A gestão do orçamento base zero (OBZ) é um orçamento que possui uma base
zero para iniciar e reavaliar a análise de recursos a serem consumidos durante
um período de tempo. Assim, a dinâmica do OBZ é praticamente iniciar a
projeção do orçamento sem influência das práticas do passado.
• No âmbito público apresenta-se, na maioria das vezes, um menor consumo de
custos diretos, mas um maior volume de custos indiretos. Devendo-se utilizar
sistemas de custos mais complexos, tal como o sistema de custeio ABC, para
poder apurar o custo unitário dos serviços ofertados.
• Um sistema de custeio mais complexo, tal como ABC, pode se justificar se
houver as seguintes características de custos no serviço público: altos custos
indiretos em função ao custo total, extrema variedade de serviços ofertados,
clientela diversificada, serviços adicionais além dos essenciais ofertados.
RESUMO DO TÓPICO 2
169
AUTOATIVIDADE
1 No que tange ao planejamento de consumo de recursos na elaboração do
orçamento utiliza-se tanto o custo pleno como o custo-padrão. Determine a
diferença entre estes dois tipos de custos e quando é mais factível aplicá-los.
2 O levantamento do orçamento deve ser feito para cada ano. Assim, este vira
uma rotina de gestão a ser feita para cada período fiscal. Contudo, existem
alguns modelos de orçamentos, entre eles o Orçamento Base Zero (OBZ).
Nesse sentido, assinale a sentença correta.
a) ( ) O OBZ busca reavaliar os orçamentos passados para assim aprimorar
erros de projeção, vinculando dados históricos com as projeções das
necessidades das entidades públicas.
b) ( ) O OBZ é um tipo de orçamento que para cada período se deve iniciar e
reavaliar a análise de atividades, visando definir os recursos produtivos
a serem consumidos.
3 O Orçamento Base Zero (OBZ) foca na reavaliação das atividades a serem
feitas e nos recursos necessários para execução da gestão. Assim, o OBZ
foca no essencial dos processos das entidades, e para poder atingir isto o
orçamento possui dois passos importantes, que são:
( I ) Identificação de pacotes de decisão.
( II ) Priorização dos pacotes de decisão.
Nesse contexto, a seguir, vincule as sentenças aos passos expostos acima.
( ) Este passo abrange a necessidade de avaliar as atividades por ordem de
importância, por meio da análise tanto de custo/benefício como subjetiva.
( ) Este passo abrange a avaliação e descrição das atividades por separado,
tanto as atuais como as que serão incorporadas aos processos produtivos.
4 Como é conhecido pelos gestores, a maioria das entidades públicas apresenta
uma estrutura de custos em que o custo indireto é maior se comparado ao
custo direto. Este fato leva a necessidade de desenvolver sistemas de custeio
mais elaborados com o intuito de apurar o custo unitário dos serviços
prestados à sociedade. Um destes sistemas é o ABC.
170
Determine as sentenças corretas que justificam a utilização deste sistema.
a) ( ) A existência de altos custos indiretos em função da alta necessidade de
consumo de recursos variáveis na oferta dos serviços.
b) ( ) A existência de um alto volume e extrema variedade de serviços
prestados em seu volume de produção, tal como os serviços prestados
por um centro de saúde.
c) ( ) A existência de clientes agrupados em grandes grupos de consumo,
podendo aproveitar a oferta de poucos serviços para um grande
volume de usuários.
d) ( ) A existência da necessidade de exigir especificações e/ou serviços
adicionais.
171
TÓPICO 3
AVALIAÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO
DO SERVIÇO PÚBLICO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Toda organização, pública ou privada, procura gerar valor nas suas
atividades. E como já temos estudado nas outras unidades, a diferença entre as
atividades públicas e privadas está no quesito que as privadas visam à geração de
lucro no valor de suas atividades, já as públicas visam dar serviços à sociedade e
resultados econômicos ao Estado.
No que tange à gestão de custos no âmbito público, esta possui a função
de gerenciar melhor esses resultados econômicos por meio de uma administração
dinâmica e proativa dos recursos econômicos, dando espaço à inovação de processos
e, principalmente, a análise de custos dá espaço para antecipar as oportunidades e
ameaças, tanto do ambiente interno como externo das entidades públicas.
Tendo isso em mente, a análise de custos do setor público deve possuir
estratégias de gestão que permitam maximizar tanto a geração de valor de suas
atividades, como também maximizar o resultado econômico no longo prazo. Isso
abre espaço para a administração pública ter a chance de aumentar o patrimônio
econômico da sociedade.
2 GESTÃO PÚBLICA POR RESULTADOS
Um dos eixos para atingir resultados econômicos positivos nas entidades
públicas começa na avaliação de desempenho do gestor público. Avaliação que
deve ser focada na eficiência econômica das diversas atividades públicas. Esta
necessidade de avaliação está respaldada na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF):
[...] que impôs ao gestor a necessidade de atuar com responsabilidade
na gestão fiscal. Isso significa cumprir o artigo 165 da Constituição
Federal onde estão instituídos os instrumentos de planejamento que
devem ser utilizados de forma integrada linearmente, a saber: (1) o
Plano Plurianual (PPA); (2) A Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO);
(3) a Lei Orçamentária Anual (LOA) (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 72).
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
172
Assim, a atividade econômica do governo deve levar em consideração todas
as informações de custos necessárias para cumprir tanto as metas fiscais como de
arrecadação. Neste contexto, a gestão de custos do setor público é essencialmente
normativa, pois o gestor responsável não possui liberdade para a tomada de decisão
que não esteja prevista e permitida na legislação, assim, só pode ser executado o que
foi previamente planejado e aprovado no orçamento governamental.
Nesse cenário de gestão normativa e por resultados econômicos, faz-
se necessário o planejamento estratégico das atividades para que estas sejam
aprovadas no orçamento e executadas com sucesso, para que logo possam ser
avaliadas, visando assim à maximização do desempenho da gestão pública.
Sob um modelo de gestão por resultados, cada gestor é responsável por
sua área e logo avaliado pela agregação de valor efetivo de suas atividades,
previamente planejadas e logo executadas. Com isto procura-se a maximização
da geração de resultado econômico positivo, aliás, este é o objetivo da gestão
pública por resultados, mas para poder atingir um planejamento efetivo são
indispensáveis estratégias e ações realistas em função das fontes de recursos
controlados pelas entidades governamentais responsáveis pelo controle e repasse
dos recursos monetários disponíveis.
Este fato obviamente produz limitações de ação às entidades públicas,
mas, se reparar, que organização, pública ou privada, não possui limitações? A
chave é estar ciente deste fato e procurar prioridadespara atingir os objetivos,
eis a necessidade de um planejamento estratégico em função à realidade. No
âmbito da gestão por resultados este modelo para uma entidade pública pode ser
visualizado no seguinte quadro:
QUADRO 57 – FLUXO DINÂMICO DA GESTÃO POR RESULTADO ECONÔMICO
MODELO DE GESTÃO POR RESULTADOS
MOMENTO EXPLICATIVO
Estratégica de liderança em custo Estratégia genérica de diferenciação
PROCESSO DE GESTÃO ESTRATÉGICA
Momento normativo
Momento estratégico
Planejamento Estratégico Situacional em função do Plano Plurianual (PPA)
TÓPICO 3 | AVALIAÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO
173
FONTE: Adaptado de Mauss e Souza (2008, p. 76)
Momento tático operacional
Planejamento Operacional
A lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)
Lei Orçamentária Anual (LOA) Execução Controle
O quadro mostra que a gestão pública baseada em um modelo por
resultados visa executar o serviço público levando sempre em consideração o
resultado econômico nas suas ações. Observe que:
[...] a gestão pública também deve procurar alcançar um resultado
econômico positivo, buscando estabelecer como estratégia genérica a
liderança em custos, com a qual o gestor poderá maximizar o resultado
econômico, aumentar sua eficiência operacional, ter um parâmetro
para avaliar o desempenho e cumprir o princípio constitucional da
economicidade (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 76).
No âmbito público, há uma série de entidades com serviços muito diversos.
Nesse sentido, cada entidade pública possui suas necessidades específicas, em
função disso e da procura de um resultado econômico, o gestor em sua área de
gestão pode:
• Levantar toda uma estratégia de ações a serem tomadas que estará alinhada às
necessidades normativas e estratégias de uso de recursos em função ao Plano
Plurianual (PPA) da entidade em questão.
• Aplicar a estratégia delineada em cada período de execução (anual), assim,
o PPA será atrelado ao planejamento operacional das atividades a serem
formalizadas por meio da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e por meio
da Lei Orçamentária Anual (LOA).
• Conferir que tanto a LDO como a LOA sejam a base norteadora da execução,
avaliação e controle dos resultados econômicos previamente estabelecidos.
Talvez, neste ponto do estudo, você esteja se perguntado, mas qual é o
objetivo de atingir resultados econômicos positivos nas atividades governamentais,
se não há o incentivo de gerar lucro? A resposta está no desejo de todo cidadão
de ver crescer o patrimônio de seu país como um todo, temos que nos lembrar de
que o cidadão cobra de seus governantes resultados em retorno do pagamento
de impostos.
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
174
3 O RESULTADO ECONÔMICO NO FORNECIMENTO
DE SERVIÇOS PÚBLICOS
Neste Caderno de Estudos temos abordado, várias vezes, a questão da
geração de valor ou valor adicionado nos serviços públicos, mas como podemos
interpretar e mensurar isto? A seguir vamos analisar o processo de criação de
valor de um serviço público, especificamente na área de saúde. Para entender esta
criação de valor vamos iniciar com a premissa que nesse município não existem
postos de saúde públicos. Nesse sentido, o cidadão teria que procurar satisfazer
esta necessidade na consulta médica privada, buscando o menor preço possível
de mercado, ou custo de oportunidade.
Levando em consideração o exposto, a entidade pública que ficará
responsável pelo serviço público de saúde terá como missão prestar o serviço,
avaliando o custo de oportunidade de mercado, devendo pegar como referência
de valor econômico a média dos preços de menor valor de mercado, ou seja,
supondo que, se os custos dos serviços de saúde prestados pelo município fossem
maiores que os valores de consulta privada, então não existirá criação de valor por
parte do serviço público, e assim se poderá saber que o serviço prestado possui
um uso ineficiente de recursos.
Assim, para poder processar a análise do valor econômico é necessário
saber quais os preços de mercado com valor mínimo ao cidadão, para assim ter
uma média de preços dos diversos tipos de serviços de saúde. Neste sentido, essa
média será o valor econômico referencial da consulta. Para enxergar isto, vamos
supor que de uma pesquisa de mercado foram determinados os seguintes valores
econômicos de consultas médicas.
Valor Adicionado Consulta Médica Consulta Dentista
Consulta
Nutricionista
Valor Econômico Unitário (receita de
oportunidade econômica) R$ 90,00 R$ 60,00 R$ 120,00
Custo Direto e Indireto Unitário R$ 70,00 R$ 70,00 R$ 90,00
Resultado Econômico Unitário (+) R$ 20,00 (-) R$ 10,00 (+) R$ 30,00
Observe que o quadro exposto é só um representativo de análise conceitual/
pedagógica e de valores meramente referenciais de estudo. Agora, no contexto de
toda entidade pública, o resultado econômico é apurado da seguinte maneira:
TÓPICO 3 | AVALIAÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO
175
QUADRO 58 – APURAÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO
(+) Valor Econômico Unitário (receita de oportunidade econômica)
(-) Custos diretos dos serviços prestados
(-) Despesas diretas dos serviços prestados
(=) Margem Econômica
(-) outros gastos indiretos rastreados ao serviço
(=) Resultado Econômico
FONTE: Adaptado de Slomski (2010, p. 156)
Será que todo serviço público que gera um resultado econômico negativo
deve ser terceirizado? Isso dependerá de uma série de fatores, mas no contexto
da tomada de decisão: “[...] a informação de custos e do resultado econômico é
importante para o gestor tomar decisões e saber, caso decida manter um serviço
deficitário, quanto isto custará aos cofres públicos e, talvez, descortinar alternativas
para sua adequação no longo prazo” (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 160).
Voltando para nossa análise dos serviços de saúde, qual das consultas
médicas expostas no quadro anterior geram um resultado econômico positivo
e quais não? Podemos observar que dos três tipos de consulta, só um deles gera
resultado econômico negativo, a do dentista que produz uma perda de R$ 10,00
por cada consulta. Nesse caso, o gestor público deve analisar bem os custos
desse tipo de consulta e se realmente não é possível melhorar o custo, a melhor
alternativa será deixar de oferecer a “consulta dentista” e terceirizar com o setor
privado essa necessidade de serviço de saúde ao cidadão, mas para tomar essa
decisão dependerá muito de uma série de fatores e do potencial da eficácia da
gestão, como veremos mais adiante.
3.1 EFICIÊNCIA OPERACIONAL E ECONÔMICA E
EFICÁCIA DE GESTÃO
Ao longo do Caderno de Estudos nós estamos lendo sobre a eficiência
e eficácia econômica das atividades das entidades públicas, mas o que significa
isto? Para poder responder devemos observar as diferenças entre os significados
de: eficiência econômica, eficácia e economicidade. Segundo Negri, Salerno e
Castro (apud MAUSS; SOUZA, 2008, p. 97):
a) Eficiência: diz respeito à capacidade de uma organização em obter
o máximo de produto a partir de um dado conjunto de insumos.
A eficiência mede a habilidade de se produzir tanto produto como
quanto permitem os insumos utilizados, ou usar o mínimo de
insumos para produzir uma quantidade de produto.
b) Eficácia: é a obtenção de resultado dentro dos objetivos propostos.
c) Economicidade: pressupõe a obtenção e a utilização exata de
recursos nas quantidades necessárias e suficientes e no momento
adequado, sem desperdícios e observando as alternativas mais
econômicas no mercado.
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
176
Como podemos medir tanto a eficiência como a eficácia econômica em um
serviço público? Para exemplificar a resposta vamos observar o significado destas
terminologias levando em consideração serviços públicos de consulta médica:
a) Eficiência: significa o médico cumprir as metas físicas de
atendimento estabelecidas em seu planejamento a um custo inferior
ao custo-padrão fixado como meta, e observando as especificações
de qualidade e tempestividade parasua atividade.
b) Eficácia: o profissional será eficaz se atender a necessidade pública
e curar o paciente de sua enfermidade nos atendimentos que
realiza de forma eficiente e econômica. Por outro lado, também
deverá atingir o resultado econômico fixado como objetivo no
planejamento prévio.
c) Economicidade: o custo de atendimento médico deve ser inferior ao
menor preço de mercado, à vista, pago na contratação terceirizada
desse serviço (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 97).
Observando as terminologias expostas acima, será que a gestão pública
do Brasil possui tanto eficiência econômica como eficácia? Como um todo, o
Brasil está longe disso, mas há grandes avanços em andamento. Apesar de todos
os avanços dos sistemas de informação contábil, ainda estes são insuficientes para
dar conta de uma administração pública com os padrões exigidos para medir
a eficácia, eficiência e economicidade das atividades de todos os programas do
setor público.
Os sistemas de informação contábil e de gestão, hoje disponível pelas
entidades públicas, conseguem medir termos muito importantes, tais como:
execução e economia orçamentária, saldos de caixa financeiros, superávits
(déficits) financeiros, entre outros, que aliás são fundamentais para o controle do
gasto e tomada de decisão.
Contudo, desde um ponto de vista operativo e de eficácia estes dados
poderiam ajudar à gestão pública das entidades somente se pudessem ser
aplicados como ferramentas avaliativas para atestar o cumprimento das metas
previamente planejadas nos orçamentos de execução destas entidades. “De que
adiantam sobras financeiras e economia orçamentária se estas ocorreram em
detrimento do cumprimento efetivo dos programas de governo, em termos do
produto esperado?” (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 98).
Eis o elo entre metas de superávit financeiro nos orçamentos e a execução
efetiva das atividades operativas das entidades públicas, exemplo disso: Será
eficiente operar um serviço público de transporte com ônibus velhos onde só
60% destes estão operando? Com uma frota de só 60% de sua capacidade efetiva,
com certeza, o serviço público apresentará “sobras financeiras” na execução de
seu orçamento, mas será isso eficaz e eficiente no serviço prestado à população?
Aliás, essa falta de serviço eficaz e eficiente de transporte público será refletido
tanto no desconforto do cidadão como na produtividade média deste, pois este
passará mais horas do dia se deslocando dentro da cidade para executar tanto
suas atividades profissionais como pessoais.
TÓPICO 3 | AVALIAÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO
177
Nesse contexto, estes termos financeiros (execução e economia
orçamentária, saldos de caixa financeiros, superávits financeiros etc.) devem estar
diretamente vinculados e complementados com informações operativas da gestão
das diversas atividades a executar nas entidades públicas, devendo-se analisar
o custo de oportunidade dos recursos disponíveis para executar os processos
operativos das entidades, e assim poder conferir e avaliar o cumprimento dos
objetivos propostos dos programas governamentais.
Esta falta de avaliação dos objetivos delineados nos serviços públicos
pode ser observada no seguinte questionamento do autor Silva (2011, p. 49):
Atualmente, face à inexistência de parâmetros de avaliação, é possível
que os entes públicos estejam gastando cada vez mais recursos e
diminuindo a cada ano as metas físicas atingidas. Que importa gastar,
por exemplo, 500 milhões em Educação, atender ao percentual exigido
pela Constituição, se o número de estudantes diminui a cada ano
e, mesmo os que saem da escola não sabem ler corretamente, ou de
que vale aumentar as despesas com saúde se o número de pacientes
atendidos diminui a cada exercício, ou ainda, no caso em que ocorre
o aumento da mortalidade. Esta é uma situação que somente poderá
ser solucionada a partir da obrigatoriedade ou conscientização dos
administradores de utilizar parâmetros físicos.
Este questionamento do autor foi há quase duas décadas, e será que
alguma coisa mudou? Mudou sim, mas estamos longe ainda de ter uma gestão
pública realmente eficiente e eficaz. Para colocar o exposto por Silva (2011) em
contexto, hoje os gestores são obrigados a aplicar dos recursos tributários dos
Municípios, no mínimo, em educação e em saúde, mas como estes recursos são
avaliados na sua execução, será que estão sendo gastos de maneira eficiente e
eficaz? Eis a grande necessidade de aprimorar a qualidade do gasto público:
• Poderia oferecer serviços com maior valor agregado ao cidadão, dos que hoje
estão sendo prestados.
• Poderia mostrar se realmente as entidades públicas estão gerando resultados
econômicos positivos.
Enfim, é uma série de questionamentos sobre o que poderia ser feito, mas
como gestor público, um dos passos a ser dado para atingir isto é procurar o
aprimoramento de custos, levando em consideração o custo de oportunidade nas
atividades a serem feitas. Aliás, isso é o que fazem as grandes empresas privadas
para sobreviver, aprimorar custos e ficar observando o custo e oportunidade que
o mercado possa lhes oferecer.
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
178
3.2 APRIMORAMENTO E CUSTO DE OPORTUNIDADE NA
ÁREA DE SERVIÇOS
Levando em consideração o exposto anteriormente sobre a eficiência e
eficácia, se no setor público não existe a necessidade de sobrevivência e de aprimorar
custos para se manter operando, como podemos ter uma medida comparativa de
eficiência de custos na área de serviços prestados à comunidade? A resposta está na
comparação dos custos de execução de serviço público com os custos de execução
de um serviço semelhante oferecido pela empresa privada.
Se um hospital privado não conseguir ter custos operativos competitivos
e eficientes, estes dificilmente poderão sustentar o oferecimento de serviços no
mercado onde atuam. Deste modo, este hospital privado deve possuir custos
tanto competitivos como aprimorados, do contrário, a concorrência ganhará parte
do mercado, inclusive, caso extremo, poderia deixar o hospital inadimplente.
Isto não acontece no setor público, pois as entidades públicas não quebram
com o tempo, mas sim podem se deteriorar, claro, se não há uma gestão de custos
eficientes. É por isso que uma comparação operativa com o setor privado faz
sentido, e assim ter um referente de “mercado” do serviço prestado, mas como
podemos levantar essa comparação?
Antes de fazer uma análise comparativa entre os custos de uma entidade
pública com uma empresa privada que ofereça serviços semelhantes, devemos
considerar que no setor privado as organizações possuem dois elementos na sua
demonstração do resultado do exercício (DRE), que não existe em uma entidade
pública, o pagamento de impostos e o lucro (ou prejuízo) gerado no período. Este
fato gera discrepâncias no momento de analisar a comparação do custo do serviço.
Porém, existem meios para solucionar esse tipo de inconsistência. Deste
modo, para tirar a inconsistência da análise devemos descompor o preço de venda
cobrado pelo serviço da empresa privada. O objetivo disto será separar e tirar o
valor embutido de impostos e lucro do preço, assim:
• Deve-se retirar os impostos do serviço, tal como o Imposto Sobre Serviços (ISS).
• Deve-se retirar do preço o lucro gerado do período.
Por meio destes dois passos podemos nos focar somente no custo operacional
do serviço privado prestado, e assim fazer a análise comparativa com o serviço
público. Como ferramenta de diagnóstico existe a possibilidade de padronizar
este processo de separar esses dois elementos da análise comparativa, utilizando o
seguinte processo como fórmula de apuração:
TÓPICO 3 | AVALIAÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO
179
QUADRO 59 – PROCESSO COMPARATIVO DA APURAÇÃO DA EFICIÊNCIA OPERACIONAL
( + ) Preço de venda privado do serviço
( - ) Impostos gerados na venda
( - ) Lucro gerado no período
( = ) Custo do serviço na iniciativa privada
( - ) Custo do serviço público
( =) Resultado da eficiência ou ineficiência econômica comparativa
FONTE: Adaptado de Mauss e Souza (2008, p. 164)
Com esta fórmula de apuração de eficiência comparativa do serviço
prestado, o passo seguinte é observar os valores respectivos de impostos e lucros
em cada um dos serviços privados a se comparar. Para isso podemos observar o
resultado feito em uma pesquisa interpretada pelos autores Mauss e Sousa (2008,
p. 165). Nesta pesquisa, o objetivo é determinar os tributos que foram pagos e
quanto de lucro estava embutido no preço.
QUADRO 60 – TRIBUTAÇÃO E LUCRO QUE INCIDEM SOBRE O PREÇO DE MERCADO DE
SERVIÇOS DE SAÚDE
Serviço Empresas Impostos Lucro
Consulta médica,
odontológica e procedimento
médico.
Cooperativa, através de
convênio com o Sindicato
dos Trabalhadores Rurais.
Isento Não visa
Consultas, visitas,
preventivos e procedimentos
de enfermagem.
Enfermeiros autônomos. 15% 30%
Consulta psicológica e
nutricional. Profissionais autônomos. 15% 30%
Fonoaudióloga, visita
médica e o cerúmen.
Empresa de medicina e de
fonoaudióloga. 15,33% 30%
Retirada de pontos e
curativo. Empresa. 7,65% 10%
Demais serviços
ambulatoriais.
Hospital de Carazinho
(HCC). Isento 5%
Atividades educativas e
treinar o PACS.
Preço de palestra cotada
por dentista, nutricionista,
enfermeira e médico.
15% 50%
Visita domiciliar do PACS. Serviço de profissional autônomo. 15% 50%
Transporte de Saúde.
Transportadora que dispõe
dos mesmos veículos que o
município.
15,33% 10%
FONTE: Adaptado de Mauss e Souza (2008, p. 164)
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
180
Levando em consideração esses dados de impostos e lucro de cada
um dos serviços expostos podemos ter as bases para fazer as comparações de
desempenho dos serviços prestados. A seguir vamos observar alguns exemplos
de eficiência comparativa de serviços prestados, tanto por uma entidade pública
de saúde como de organizações privadas.
QUADRO 61 – CUSTOS UNITÁRIOS, COMPARATIVO ENTRE SERVIÇO DE SAÚDE
PRIVADO E PÚBLICO
FONTE: Adaptado de Mauss e Souza (2008, p. 167)
Eficiência Operacional
Consulta
Fonoau-
diologia
Consulta
Nutricio-
nista
Consulta
Psicoló-
gica
Curativo
Paciente
Observa-
ção
Preven-
tivo
Consulta
Enfer-
meira
(+) Preço serviço privado R$ 45,00 R$ 100,00 R$ 50,00 R$ 17,00 R$ 20,00 R$ 100,00 R$ 80,00
% de imposto sobre preço 15,33% 15,00% 15,00% 7,65% 0,00% 15,00% 15,00%
(-) Valor de imposto sobre
preço R$ 6,90 R$ 15,00 R$ 7,50 R$ 1,30 R$ 0,00 R$ 15,00 R$ 12,00
% estimado de lucro
sobre preço 30,00% 30,00% 30,00% 10,00% 5,00% 30,00% 30,00%
(-) Valor do Lucro sobre
preço R$ 13,50 R$ 30,00 R$ 15,00 R$ 1,70 R$ 1,00 R$ 30,00 R$ 24,00
(=) Custo do serviço
privado R$ 24,60 R$ 55,00 R$ 27,50 R$ 14,00 R$ 19,00 R$ 55,00 R$ 44,00
(-) Custo do serviço
público R$ 50,75 R$ 21,93 R$ 105,71 R$ 17,82 R$ 143,51 R$ 42,89 R$ 45,13
(=) Eficiência/Ineficiência/
Comparativa
- R$
26,15 R$ 33,07
- R$
78,21 - R$ 3,82
- R$
124,51 - R$ 12,11 - R$ 1,13
Porcentagem de Eficiência/
Ineficiência Comparativa - 106,29% 60,13% - 284,40% - 27,29% - 655,32% 22,02% - 2,57%
Dos cinco serviços expostos no quadro, só dois mostram eficiência
operativa no setor público, os quatro serviços restantes possuem um custo unitário
por serviço inclusive maior do que o preço de mercado destes das organizações
privadas. Neste sentido, o uso de recursos e processos produtivos destes serviços
públicos prestados estão gerando custos acima da média de mercado, pois se
comparar com a média de custos gerados no setor privado podemos observar os
seguintes dados de ineficiência, extraídos do quadro exposto acima.
• Ineficiência na Consulta Fonoaudiologia: -R$ 26,15, ou seja, o serviço público
prestado é 106% mais ineficiente.
• Ineficiência na Consulta Psicológica: -R$ 78,21, ou seja, o serviço público
prestado é 284% mais ineficiente.
• Ineficiência no Curativo: -R$ 3,82, ou seja, o serviço público prestado é 27%
mais ineficiente.
• Ineficiência no Serviço Paciente Observação: -R$ 124,51, ou seja, o serviço
público prestado é 655% mais ineficiente.
TÓPICO 3 | AVALIAÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO
181
• Ineficiência na consulta enfermeira: -R$ 1,13, ou seja, o serviço público prestado
é 3% mais ineficiente.
Estes valores de ineficiência estão nos fornecendo dados de alerta, pois
o Estado está usando mais recursos do que realmente é necessário para fornecer
esses serviços à sociedade. Um dos primeiros questionamentos destes dados que
devemos nos perguntar é:
Qual é custo de oportunidade que está perdendo o Estado na gestão
destes serviços?
Em função dos dados fornecidos no quadro exposto anteriormente
podemos levantar uma análise comparativa do custo de oportunidade, ou seja,
podemos comparar níveis de ineficiência, preço de mercado do serviço prestado,
custo gerado para oferecer o respectivo serviço e, finalmente, podemos apurar qual
é o custo de oportunidade do serviço, como veremos a seguir.
QUADRO 62 – CUSTO DE OPORTUNIDADE DOS SERVIÇOS PÚBLICOS COM AVALIAÇÃO DE
EFICIÊNCIA NEGATIVA
Serviço Prestado Ineficiência Comparativa
Preço de
mercado do
serviço
Custo do
serviço
público
Custo de
Oportunidade
Consulta
Fonoaudiologia: -R$ 26,15 R$ 45,00 R$ 50,75 ( - ) R$ 5,75
Consulta
Psicológica: -R$ 78,21 R$ 50,00 R$ 105,71 ( - ) R$ 55,71
Ineficiência no
Curativo: -R$ 3,82 R$ 17,00 R$ 17,82 ( - ) R$ 0,82
Paciente
Observação: -R$ 124,51 R$ 20,00 R$ 143,51 ( - ) R$ 123,51
Consulta
Enfermeira -R$ 1,13 R$ 80,00 R$ 45,13 ( + ) 34,87
FONTE: Autor
Em termos de cálculo, o custo de oportunidade exposto acima é apurado
da seguinte maneira:
Custo de oportunidade do Serviço Preço de mercado do serviço – Custo do Serviço prestado pelo Estado, exemplo:
Custo de oportunidade Consulta
Psicológica R$ 45,00 – R$ 50,75 = (-) R$ 5,75
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
182
O que querem dizer esses valores de Custo de Oportunidade?
Na teoria, para compensar esse custo de oportunidade negativo, em termos
financeiros, poderia ser mais prático que o Estado fechasse esses serviços para logo
terceirizá-los às organizações privadas. Ou seja, se levarmos em consideração que
se o Estado pudesse contratar esses serviços ao preço de mercado, este poderia
economizar os valores expostos acima de “Custo Oportunidade”, visto que:
No exemplo da Consulta Psicológica, o serviço prestado por paciente está
apresentando um custo para o Estado de R$ 50,75. E se o Estado simplesmente
fechasse esse serviço e contratasse (terceirizasse) o setor privado o Estado
poderia gastar por serviço prestado o valor de R$ 45,00. Isto representa R$ 5,75 de
economia no gasto público para cada consulta prestada.
Eis o custo de oportunidade deste serviço em específico. Em termos de
escolha, o Estado está perdendo a oportunidade de economizar R$ 5,75 para cada
serviço prestado de consulta psicológica.
O mesmo raciocínio pode ser aplicar para cada um dos exemplos
expostos, mas observe que no caso do serviço Consulta Enfermeira, o Custo de
Oportunidade é positivo em R$ 34,87. Neste caso, a lógica nos leva a pensar que,
apesar de que é um serviço que está apresentando ineficiência nos custos, ainda
não vale a pena terceirizar. E no caso do serviço “Curativo” vale a pena terceirizar
por só R$ 0,82 de custo de oportunidade negativo?
Isso dependerá, aliás, no volume de serviços prestados. Se fossem só 50
serviços prestados, ou seja, R$ 41,00 (R$ 0,82 x 50) como referente de custo de
oportunidade total. Assim, todo um processo de licitação para terceirizar o serviço
não vale a pena, pois somente se economizará R$ 41,00. Porém, se tivermos que
fazer mais de 20.000 serviços prestados, ou seja, R$ 16.400 (R$ 0,82 x 20.000).
Logo, a economia é significativa para não considerar a opção de terceirizar e
economizar nesse custo.
A análise exposta acima é só um exemplo que deve ser observado de
todos os ângulos antes de tomar uma decisão. Deve-se levar em consideração
que um só dadonão é suficiente para a tomada de decisão. Eis a necessidade de
um sistema de custos que seja prático e funcional em emprego da necessidade de
análise, neste caso, um sistema de custeio ABC seria o ideal.
Voltando aos dados expostos, só porque o serviço gera custos ineficientes
e possui um custo de oportunidade negativo é justificativa para fechar o serviço,
terceirizá-lo e demitir funcionários profissionais na área em questão? A resposta
é NÃO, antes disso é necessário observar o porquê dessa ineficiência e se possível
chegar a uma solução para que o serviço seja eficiente, e, portanto, melhore a
qualidade do gasto público.
TÓPICO 3 | AVALIAÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO
183
Por exemplo, um dos motivos da ineficiência de custos nesses cinco
serviços poderia ser a pouca utilização das instalações, como também, talvez,
uma quantidade de profissionais da saúde, além do que realmente é necessário
para o volume de pacientes que está demandando o serviço.
Assim, essa condição de custos fixos altos, em função do número de
pacientes, pode acarretar custos unitários maiores, pois estamos supondo que os
custos indiretos estão se diluindo em poucos pacientes tratados. Enfim, podem
existir diversos motivos, mas o que foi exposto é um dos mais comuns, contudo,
devemos sempre observar que:
Antes de uma decisão quanto à eliminação da oferta pública via
terceirização, é necessário esgotar todas as possibilidades internas. Tal
decisão passa pelo reexame de possíveis melhoras e reorganizações
operacionais que possibilita otimizar o uso da capacidade instalada do
setor, ou eventualmente reduzi-la. O objetivo maior é a racionalização
dos custos dos serviços que apresentam resultado negativo, e aumento
do número de serviços eficientes (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 168).
Levando em consideração o dito pelos autores Mauss e Souza (2008) e a
exemplificação dos custos dos serviços de saúde apresentados, podemos ponderar
que as informações de custos são peças-chave para determinar tanto a eficiência
como a eficácia das atividades das entidades públicas.
Assim, por meio da informação de custos, os gestores de área podem
enxergar quais serviços estão gerando resultado econômico positivo e quais não.
E se o resultado econômico for negativo através do sistema de informação de
custos, os gestores poderão analisar e expor opções, visando diminuir tanto a
ineficiência e como ineficácia das atividades públicas.
4 A AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO
Com o correto sistema de custeio em função de suas necessidades de
análise de gestão, as entidades públicas podem avaliar seu resultado econômico
que esteja vinculado ao desempenho desejado pelos gestores. Este desempenho
na área pública sempre deve estar diretamente vinculado ao planejamento
estabelecido pelo Plano Plurianual (PPA), Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)
e a Lei Orçamentária Anual (LOA). Estes serão as bases que levarão à execução e
à avaliação do desempenho das atividades públicas.
Neste contexto, a avaliação do desempenho começa com o processo de
cumprir as exigências normativas do PPA, da LDO, e do programa de execução
anual do gasto vinculado à LOA. Ou seja, a atividade pública deve passar pelo
processo normativo e estratégico de sua viabilidade econômica e institucional.
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
184
Uma vez feito isso é levantado o plano de atividades, visando obter objetivos
operativos bem definidos. Neste sentido, segundo Reitel (1958) apud Mauss e
Souza (2008, p. 170):
[...] se a organização contar com um resultado econômico fixado como
objetivo em um planejamento, o seu valor será a base para acompanhar
a execução das ações organizacionais e o desempenho de cada uma das
divisões. Assim, também será possível medir a performance da entidade
e controlá-la como um todo.
Logo depois este planejamento normativo e estratégico será avaliado
em função do que foi realmente executado, observando tanto desempenho das
entidades como de seus gestores de área, ou seja, o planejamento do gasto em
função das exigências normativas possui a função de predeterminar os resultados
econômicos almejados, que logo serão a base para avaliar tanto o desempenho
econômico como a eficiência e eficácia operativa da gestão.
4.1 A GESTÃO PÚBLICA POR RESULTADOS
Levando em consideração um adequado sistema de custeio, tendo os objetivos
previamente traçados e o planejamento em função das normas orçamentais, a gestão
pública possui a chance de desenvolver ferramentas de avaliação do desempenho
que sejam de grande utilidade para que o cidadão possa ter serviços públicos de
qualidade e um retorno palpável de seus impostos, parece um sonho, mas impossível
não é, faz parte do desenvolvimento de uma sociedade.
Um dos passos para atingir a necessidade de ter serviços públicos de
qualidade é por meio de avaliação por resultados da gestão dos gestores. Resultados
que sejam tanto econômicos, eficiência em custos; como objetivos sociais atingidos,
eficácia nas metas propostas. “Com um planejamento e orçamento parametrizado
no início do exercício, é possível avaliar o desempenho dos servidores durante a
execução dos planos” (MAUSS; SOUZA, 2008, p. 170).
Como podemos visualizar uma gestão pública por resultados? Avaliando
tanto a parte econômica como os objetivos sociais propostos. A seguir vamos
observar um exemplo com dados históricos da execução de gastos do programa
municipal de “Educação Alimentar” da Prefeitura de Coqueiro Baixo – RS,
caso exposto por Mauss e Souza (2008). Primeiramente, vamos ver quais são
os objetivos sociais propostos e o limite de gastos previamente autorizados no
orçamento municipal, determinado na Lei Orçamentária Anual (LOA).
TÓPICO 3 | AVALIAÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO
185
QUADRO 63 – PROPOSTA ORÇAMENTÁRIA DA SECRETARIA MUNICIPAL DA EDUCAÇÃO
PREFEITURA DE COQUEIRO BAIXO – RS, PROPOSTA
ORÇAMENTÁRIA PARA 2007 ATIVIDADE
ÓRGÃO: Secretaria Municipal da Saúde Código 07
UNIDADE: Ações e Serviços Públicos de Saúde – ASPS Código 01
TÍTULO DA ATIVIDADE: Atendimento Nutricional Código 2027Orçado R$ 19.000,00
ELEMENTOS DE DESPESA
Vencimentos e encargos
Material de consumo
Serviços gráficos
R$ 17.000,00
R$ 1.000,00
R$ 1.000,00
DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE:
Manter o atendimento nutricional a toda a população municipal, mas principalmente para as
pessoas obesas e com doenças derivadas da má alimentação, conforme prevê o PPA e a LDO.
OBJETIVOS
Educar as pessoas para que mantenham uma boa educação alimentar para prevenir e/ou curar
problemas de saúde e a obesidade.
ESTRATÉGIA
1. Identificar na população coqueirense, através da visita domiciliar ou consulta médica, as pessoas
que apresentem Estado Nutricional de Sobrepeso e Obesidade, através do Índice de Massa Corporal
(IMC), e com patologia relacionada a hábitos alimentares incorretos, para serem encaminhados à
consulta nutricional, visando à prevenção e/ou tratamento.
2. Realizar um trabalho de prevenção e/ou tratamento através da orientação nutricional com
grupos de Orientações (diabéticos, hipertensos, reeducação alimentar...).
3. Realizar palestras educativas nas escolas municipais interessadas.
4. Consultas nutricionais individuais à população interessada.
5. Adequação do cardápio, conforme orientação do Nutricionista.
AÇÕES A DESENVOLVER:
1. Convencer os potenciais pacientes a realizar uma consulta nutricional que já deve ser agendada
pelo profissional de saúde que a atender.
2. Realizar palestras educativas todos os meses, sempre em comunidades diferentes.
3. Divulgar o programa para que toda a população tenha acesso à orientação preventiva.
4. Treinar os agentes de saúde para que também possam passar orientações básicas de alimentação
saudável às famílias e para que busquem identificar possíveis pacientes para o programa.
5. Providenciar material sempre atualizado de divulgação do programa e de formas de alimentação
saudável.
FONTE: Mauss e Souza (2008, p. 199)
Com base nesta proposta orçamentária é que foi executadoo programa
para o ano 2007. Assim, a gestão deste programa pode ser avaliada tanto na
sua eficiência de custos, como na sua eficácia de gestão para atingir os objetivos
propostos de educação alimentar para prevenir e curar problemas de saúde
recorrentes da obesidade.
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
186
Devemos observar que o problema social deste programa é crônico na
sociedade, e de tendência geral, tanto no Brasil como no Mundo, pois é difícil
erradicar 100% a obesidade do contexto da sociedade moderna. Ainda assim, no
contexto deste município, se fosse atingida a conscientização do problema na
comunidade, e se fosse atingido um nível de impacto mínimo (meta) de práticas
alimentares saudáveis, já poderia se dizer que o programa teve sucesso e um
certo nível de eficácia.
4.1.1 Desempenho e eficiência econômica
Como vamos avaliar o desempenho e eficácia do programa de
conscientização dos problemas da obesidade na saúde, exposto anteriormente,
para o ano 2007? Primeiramente, devemos observar os dados de custos históricos
de execução deste programa para o ano 2007, segundo Mauss e Souza (2008, p.
170), o programa apresentou as seguintes informações, tanto de recursos orçados
como de custos de execução.
QUADRO 64 – ORÇAMENTO E EXECUÇÃO DE CUSTOS PARA O ANO 2007, ATENDIMENTO
NUTRICIONAL
FONTE: Adaptado de Mauss e Souza (2008, p. 170)
Eficiência em execução de custos
Serviços
Prestados
Custos Orçado Custo Direito Executado
Eficiência
Execução
Custo
Meta
Atendi-
mento
Custo Orça-
do 2007
Custo
Direto
Padrão
Atendi-
mento
Prestado
Custo Total Custo Unitário
Consulta
Nutricio-
nal
900 R$ 14.285,49 R$ 15,87 850 R$ 14.100,00 R$ 16,59 - R$ 0,72
Palestra
Educativa 83 R$ 3.714,51 R$ 44,75 83 R$ 2.610,00 R$ 31,45 R$ 13,31
Panfletos
de Divul-
gação
2000 R$ 1.000,00 R$ 0,50 2000 R$ 1.000,00 R$ 0,50 R$ 0,00
Total R$ 19.000,00 R$ 17.710,00
No quadro podemos observar que houve um desempenho econômico
aceitável dentro do orçamento proposto, assim, em termos gerais, houve eficiência
legal, pois, a execução foi feita dentro dos limites orçamentários, cumprindo assim
o exigido na LOA. No contexto de execução de custos também houve eficiência,
se analisar:
• Na consulta nutricional foram atingidos 94% da meta de atendimentos, com
um custo total menor do orçado, R$ 14.285,49 versus R$ 14.100,00.
TÓPICO 3 | AVALIAÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO
187
• No que tange à eficiência de execução da consulta nutricional, esta foi negativa
em R$ 0,72, R$ 15,87 do custo padrão orçado versus um custo de R$ 16,59 de
custo unitário executado. Em outras palavras, houve uma ineficiência no custo
de execução de 4.54% ( R$ 16,59
R$ 15,87
-1) x 100. Mas em termos gerais pode-se dizer
que houve eficiência na execução deste custo.
• No serviço de palestra educativa houve eficiência de custos em todos os
parâmetros. Foi atingida a meta de atendimento, e os custos de execução,
inclusive, foram menores, dando uma eficiência positiva de execução de custo
unitário de R$ 13,31.
• No que tange ao gasto de panfletos de divulgação, houve cumprimento exato do
gasto orçado.
Acabamos de observar que houve eficiência na execução dos custos
do programa, mas no que tange à eficiência econômica? Para poder analisar a
eficiência econômica devemos observar valores de mercado e compará-los com os
gastos executados do programa. A seguir, podemos observar tanto os valores de
execução dos gastos deste programa para o ano 2007 como os valores de mercado
para os serviços prestados à comunidade deste município de RS.
QUADRO 65 – DESEMPENHO E EFICIÊNCIA ECONÔMICA DO ATENDIMENTO
NUTRICIONAL – IMPACTOS DA OBESIDADE
FONTE: Adaptado de Mauss e Souza (2008, p. 170)
Eficiência econômica comparativo e custo de oportunidade mercado
Serviços
Prestados
Aten-
di-
mento
Pres-
tado
Gato de Execução Custo de Oportunidade
Custo
Indireto
Custo
Direto
Custo
Unitário
Total
Custo Total Preço Mercado
Receita
Oportuni-
dade
Custo de
Oportuni-
dade
Consulta
Nutricional 850 R$ 16,59 R$ 7,12 R$ 23,71 R$ 20.153,50 R$ 100,00 R$ 85.000,00 R$ 64.846,50
Palestra
Educativa 83 R$ 31,45 R$ 5,10 R$ 36,55 R$3.033,65 R$ 250,00 R$ 20.750,00 R$ 17.716,35
Panfletos
de Divul-
gação
2000 R$ 0,50 R$ 0,00 R$ 0,50 R$ 1.000,00 R$ 0,50 R$ 1.000,00 R$ 0,00
Total R$ 24.187,15 R$ 106.750,00 R$ 82.562,85
Como um todo, o programa teve um gasto de R$ 24.187,15, ou seja, R$
17.100,00 da execução dos custos mais R$ 6.477,15 de custos indiretos. Este valor
de custo indireto é recorrente de gastos indiretos de administração municipal
rastreados pelo método de custeio ABC. Uma vez que temos o valor total do
gasto de execução do programa, R$ 24.187,15, podemos visualizar qual é o custo
de oportunidade deste, tendo como resultado um resultado econômico desta
atividade de R$ 82.562,85. Como foi que chegamos nesse valor?
UNIDADE 3 | APLICAÇÃO E ANÁLISE DE CUSTOS NO SETOR PÚBLICO
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Se o município tivesse terceirizado todo o programa por meio da oferta
privada destes serviços, o custo de execução teria sido de R$ 106.750,00 e não de
R$ 24.187,15 como realmente foi, ou seja, houve um resultado econômico de R$
82.562,82, devendo considerar os R$ 106.750,00, valor de mercado da inciativa
privada, menos os gastos de execução total de R$ 24.187,15 R$ 82.562,82 = R$
106.750,00 - R$ 24.187,15.
Assim, em termos econômicos, este resultado de R$ 82.562,82 também é
considerado como custo de oportunidade positivo que teve a prefeitura. Segundo
Mauss e Souza (2008, p. 171), os R$ 82.562,82:
[...] este é o valor que os cidadãos economizaram pelo fato de o
Município ter oferecido tais serviços. Os cidadãos pagaram seus
impostos e mantiveram a estrutura pública que, com esse dinheiro,
ofertou um serviço ao cidadão que custou R$ 24.187,15. Ou seja,
se o município desejasse contratá-lo todo na iniciativa privada
(terceirizado), teria gasto R$ 106.750,00 ou 77% a mais.
Assim que foi analisada a eficiência econômica do programa de saúde,
será que este teve eficácia nos objetivos desejados? A eficácia da gestão para
promover o bem-estar social do problema em questão, a obesidade, poderá ser
medida em função dos impactos do programa na diminuição da enfermidade e
de seus problemas colaterais na saúde. É uma medição abrangente demais, não é?
Assim, a análise da eficácia do programa deve começar observando os resultados
sociais logo de ter executado as ações estabelecidas, para nós lembrar, estas foram:
1. Convencer os potenciais pacientes a realizar uma consulta
nutricional que já deve ser agendada pelo profissional de saúde
que a atender.
2. Realizar palestras educativas todos os meses, sempre em
comunidades diferentes.
3. Divulgar o programa para que toda a população tenha acesso à
orientação preventiva.
4. Treinar os agentes de saúde para que também possam passar
orientações básicas de alimentação saudável às famílias e para que
busquem identificar possíveis pacientes para o programa.
5. Providenciar material sempre atualizado de divulgação do
programa e de formas de alimentação saudável (MAUSS; SOUZA,
2008, p. 199).
Neste sentido, cabe aos gestores responsáveis do município e do Estado
de RS determinar medidas de avaliação da gestão do programa e os impactos
reais deste sobre a população do munícipio, quesito que, aliás, foge dos objetivos
de análise de custos deste Caderno de Estudos. Contudo, é importante sempre
levar em consideração a eficácia das atividades a serem custeadas, pois a gestão
dos serviços públicos deve combinar de maneira contínua a eficiência econômica
nas suas atividades e a eficácia de gestão destas.
TÓPICO 3 | AVALIAÇÃO DO RESULTADO ECONÔMICO
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Em se tratando da maneira de observação, será que é suficiente cumprir
as metas de gastos nas necessidades de educação dos estados e do país como um
todo com eficiência econômica? Por exemplo, de que adianta cumprir todas as
metas de gastos, se o objetivo do ensino médio é formar