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121 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA 5 PRODUTO Se o elemento mais importante do composto de marketing é o produto, precisamos entender seu real significado e desfazer confusões a respeito do assunto. Em um sentido mais amplo, ele é definido como um agregado de atributos físicos, simbólicos e de serviço, concebidos para atender e aumentar a satisfação desejada pelo consumidor com itens tangíveis, serviços e ideias. Se eles são serviços e ideias, logo percebemos que produtos não são apenas os bens tangíveis. É o caso dos serviços prestados por uma clínica ou salão de beleza, como procedimentos estéticos como massagens, maquiagens, design de sombrancelhas, tratamentos capilares etc. Ampliando esse conceito, Kotler e Keller (2006) dividem o produto em: bens físicos (livros, comida etc.); serviços (corte de cabelo, conta‑corrente etc.); experiências e eventos (concertos, desfiles etc.); pessoas (políticos, celebridades etc.); lugares (Veneza, Rio de Janeiro, Salvador, etc.); organizações (empresas, SOS Mata Atlântica etc.); informações e ideias (consumo consciente, coleta seletiva de lixo etc.) ‑ ou seja, tudo o que seja uma oferta destinada a satisfazer às necessidades e desejos dos consumidores é um produto. O planejamento do mix de marketing começa com a formulação de uma oferta para satisfazer as necessidades e os desejos do cliente‑alvo. Quando uma pessoa compra um automóvel, por exemplo, está adquirindo não somente um conjunto de componentes físicos, como: pneus, peças, vidros, entre outros, mas também uma série de outros benefícios intangíveis, como: conforto, transporte, status, entre outros. Os produtos somente serão comercializáveis se possuírem benefícios suficientes que possam motivar as pessoas a comprá‑los. Eles devem proporcionar algum benefício e, quanto maior for sua utilidade, maior será seu destaque diante dos outros produtos. Uma compra movimenta vários elementos para uma pessoa, e no final das contas, ela não está comprando um produto, mas o benefício proporcionado por ele. Por exemplo, quando eu compro um chuveiro, não estou preocupada com a peça em si. Estou comprando um banho aquecido, pois é isso que eu almejo. Claro que há outros atributos que não são levados em conta ao comprar um chuveiro, mas um carro, por exemplo, proporciona outras utilidades que vão além da simples aquisição de um meio de transporte individual. Ao comprá‑lo, as pessoas compram prestígio, aceitação, preferência, classe, status etc. 5.1 Níveis do produto A determinação dos benefícios a serem oferecidos dependerá muito das ofertas da concorrência e das expectativas dos clientes no mercado de atuação da empresa. É importante, para esclarecer esse ponto, apresentar os cinco níveis de produto de acordo com os benefícios que poderão proporcionar: Unidade III 122 Unidade III Potencial Ampliado Esperado Básico Benefício central Figura 11 Se os produtos são escolhidos a partir das necessidades e desejos dos clientes, é correto afirmar que as pessoas estão à procura do benefício que eles oferecem, o benefício central. A partir dele, delineiam‑se os outros níveis do produto: a) Produto básico: é o conjunto de benefícios agregados à versão básica do produto. É o mínimo que se pode esperar de uma oferta. Por exemplo: a compra de um DVD para assistir a um filme, de uma geladeira para manter os alimentos conservados, de uma tevê para assistir ao programa preferido, entre outros. b) Produto real ou esperado: é o benefício de um produto que os clientes já estão acostumados a receber. A diferença entre o produto real e o esperado é que neste se incluem os benefícios extras que fazem parte de uma compra, e os consumidores esperam que isso aconteça. Por exemplo: a compra de um computador traz benefícios básicos (programas, entretenimento e informação) e extras (garantia e assistência técnica). Uma televisão com garantia para conserto de defeitos e uma empresa idônea que faça esse serviço fazem parte do produto esperado. c) Produto ampliado ou diferenciado: este excede às expectativas do cliente, é um “algo a mais” que ele nem esperava receber. Observe que, à medida que os benefícios extras são adicionados ao produto, duas situações podem acontecer: ou o cliente percebe que pagou a mais por algo que seria normal não atendendo a sua expectativa ou então se acostuma a receber aqueles benefícios e passa a exigi‑los também da concorrência. Em ambos os casos, os clientes passam a considerar certos adicionais como algo normal. No produto ampliado, concentra‑se na ideia de satisfazer os desejos que o cliente ainda nem sabe que tem. d) Produto potencial: neste nível, o produto tem todas as transformações sugeridas pelo consumidor e possibilidades para o futuro, e as empresas procuram novas maneiras de satisfazer 123 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA os consumidores e diferenciar sua oferta. No caso da televisão, pode‑se pensar em uma que tenha acesso à internet; em relação ao computador, busca‑se a personalização com os programas que o comprador gosta de usar, o acesso a internet por um determinado tempo, entre outros. No produto potencial, há a diferenciação dos produtos e o esforço para torná‑lo único. O fabricante deverá analisar as várias ofertas existentes e níveis de expectativas dos compradores para identificar aqueles pontos que podem ser adicionados para causar a diferenciação, a exclusividade e a unicidade de seu produto. Isso ocorre principalmente porque cada ampliação do produto agrega um custo e logo esse produto ampliado passará a ser um produto esperado. Assim, o cliente vai sempre esperar mais da empresa. 5.2 Classificação de produto As empresas classificam os produtos conforme três características: durabilidade, tangibilidade e uso (de consumo ou industriais). Com relação à durabilidade e a tangibilidade, é possível fazer uma subclassificação: a) Bens não duráveis: são bens tangíveis normalmente consumidos ou usados em uma única vez ou em poucas vezes. Como são consumidos rapidamente e comprados com uma frequência maior, a estratégia adequada é torná‑los disponíveis em muitos locais, ter uma pequena margem de lucro no varejo e anunciar maciçamente para induzir os clientes à experimentação e ganhar sua preferência. São os chamados produtos de consumo ou produtos do consumidor. b) Bens duráveis: são bens tangíveis geralmente usados em um período de tempo maior, como eletrodomésticos, automóveis e vestuário. Normalmente, os produtos duráveis exigem venda pessoal e serviços, trabalham com uma margem de lucro mais alta e requerem maiores garantias do fabricante. c) Serviços: são produtos intangíveis, inseparáveis, variáveis e perecíveis. Como resultado, em geral exigem mais controle de qualidade, credibilidade por parte do fornecedor e adaptabilidade. Exemplos: manutenção de carro, assessoria jurídica, corte de cabelo (KOTLER; KELLER, 2006, p. 368). Observação Esta classificação está diretamente ligada aos procedimentos oferecidos pelas clínicas e salões de beleza. 124 Unidade III Os serviços possuem características especiais que os diferem dos produtos tangíveis: • Intangibilidade: não pode ser visto, ouvido, cheirado, provado ou sentido; • Inseparabilidade: não pode ser separado de quem presta o serviço; • Perecibilidade: um serviço não pode ser estocado; • Variabilidade: depende de quem, como e onde o serviço é fornecido (GIOIA, 2006, p. 77). Veja que essas características tornam os serviços altamente dependentes de quem os elabora, portanto, há um gerenciamento específico para o treinamento das pessoas. A classificação por uso separa em grupos os produtos destinados aos mercados de consumo e mercados organizacionais. Para facilitar as decisões sobre quais estratégias de marketing seguir, os produtos de consumo são agrupados de acordo com a forma como os consumidores tomam a decisão de compra. Classificação dos bens de consumo É possível classificar os produtos de consumo em quatros tipos: • Bens deconveniência: são consumidos e comprados com frequência e não exigem qualquer esforço para sua aquisição. Podem ser divididos em básicos (comprados com regularidade – pasta dental, biscoitos, ketchup, etc.); bens de impulso (comprados sem nenhum planejamento ou esforço de busca – chocolate e revistas); e bens de emergência (denotam uma necessidade urgente – guarda‑chuvas, lanternas durante um blecaute). Estes devem ficar bem à vista nos pontos de venda para estimular o consumidor a encontrá‑los facilmente. São adquiridos com frequência e com um esforço mínimo. • Bens de compra comparada: produtos que, durante o processo de seleção e compra, serão comparados em termos de adequação, qualidade, preço e modelo. São exemplos desse tipo: os móveis, vestuário, carros usados e os principais eletrodomésticos, entre os serviços, a escola das crianças. • Bens de especialidade: únicos, são bens com características especiais ou identificação de marca pelos quais alguns compradores estão dispostos a fazer um esforço extra de compra. Como exemplo, temos algumas marcas de carro, equipamento fotográfico, aparelhos de som. Não envolvem comparações, e o cliente vai a qualquer lugar para encontrá‑lo. 125 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA • Bens não procurados: são produtos que os consumidores não conhecem, não buscam ou não pensam em comprar normalmente. São exemplos desses produtos: o jazigo, o seguro de vida e os serviços funerários (KOTLER; KELLER, 2006, p. 369). Observação A classificação de produto depende da forma como ele é comprado e não do produto em si. Exemplo: uma caneta pode ser um produto de conveniência ou de especialidade. Sobre produtos de beleza, os produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes são definidos pela Anvisa (2005) como preparações feitas com substâncias naturais ou sintéticas para serem utilizados externamente nas diversas partes do corpo humano. Ainda segundo essa autarquia, a classificação de produtos cosméticos se dá por dois grupos: produtos de grau 1 e produtos de grau 2 (ANVISA, 2005). Produtos grau 1: são produtos que se caracterizam por possuírem propriedades básicas ou elementares, cuja comprovação não seja inicialmente necessária. Desse modo, esses produtos estão isentos de emitir informações detalhadas quanto ao seu modo e a suas restrições de uso, devido a suas características intrínsecas. Alguns exemplos de produtos grau 1: creme, loção, gel e óleos para as pernas (com finalidade exclusiva de hidratação e/ou refrescância), desodorante corporal (exceto os com ação antitranspirante) etc. Produtos grau 2: são aqueles que possuem indicações específicas, cujas características exigem comprovação de segurança e/ou eficácia, bem como informações e cuidados, modo e restrições de uso. Veja alguns exemplos de produtos grau 2: produtos infantis, protetor solar etc. Classificação dos bens industriais Podemos distinguir três grupos de bens empresariais: materiais e peças, bens de capital e suprimentos e serviços. Eles são usados na produção de outros bens e podem ser classificados pelo seu processo de produção e por seu custo relativo: • Materiais e peças: são bens que entram no processo de fabricação dos produtos manufaturados. Dividem‑se em duas classes: matérias‑primas e materiais e peças manufaturadas. 126 Unidade III • Matéria‑prima: produtos agropecuários (carne, frutas, algodão, gado etc.) e produtos naturais (petróleo, madeira, óleo cru, minério de ferro etc.). • Peças manufaturadas: fazem parte da composição do produto (pneus e motores para carros, componentes eletrônicos para computadores etc.). Bens empresariais • Materiais e peças: entram no processo de fabricação de produtos. • Matéria‑prima: produtos agropecuários (trigo, carne, frutas) ou naturais (peixes, minério, petróleo). • Materiais e peças manufaturadas: materiais componentes (ferro, fibras têxteis) que dependem de mais processamento, e peças componentes (motores, pneus) que entram no produto acabado. Bens de capital: são bens de maior duração que facilitam o desenvolvimento ou o gerenciamento do produto acabado. Estão divididos em dois grupos: instalações e equipamentos. • Instalações: construções (fábricas, escritórios) e equipamento (geradores, prensas perfuradoras, computadores de grande porte, elevadores). • Equipamentos: máquinas e ferramentas portáteis de fábrica (ferramentas de mão, empilhadeiras) e equipamentos de escritório (microcomputadores, mesas de trabalho etc.). Suprimentos: são bens de curta duração que facilitam o desenvolvimento ou gerenciamento do produto acabado. • Suprimentos operacionais (lubrificantes, carvão, papel etc.). • Suprimentos de manutenção e reparos (tinta, pregos, vassouras etc.). • Serviços de reparo e manutenção (limpeza, consertos etc.). • Existem dois tipos de suprimentos: suprimentos operacionais (lubrificantes, carvão, papel para escrever, canetas) e de manutenção e reparos (tinta, pregos, vassouras). Os suprimentos são o equivalente dos bens de conveniência: são normalmente comprados com o mínimo de esforço em uma base direta de recompra. 127 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA Serviços empresariais: incluem os serviços de reparo e manutenção (limpeza de janelas, consertos de copiadoras) e os serviços de consultoria empresarial (consultoria jurídica, gerencial, marketing etc.) (KOTLER; KELLER, 2006, p. 372). 5.3 Elementos de diferenciação do produto Além das características diferenciadas de um produto no seu aspecto básico, existem outros elementos que o compõem e que são muito importantes no processo de decisão de compra. Quanto melhor esses elementos forem pensados e desenvolvidos, maior será a chance para sua colocação no mercado. Os elementos possíveis de diferenciar uma oferta são: forma, características, qualidade de desempenho e de conformidade, durabilidade, confiabilidade, facilidade de reparo, estilo, embalagem, rótulo, o serviço de apoio e a marca. Por exemplo, o guaraná Jesus, refrigerante líder de vendas no Maranhão, pertencente a uma empresa local por muitos anos, e agora pertence à Coca Cola. Quando tal produto foi lançado, foi preciso ser pensado a partir de muitos pontos de vista: qual o teor de guaraná que entraria na fórmula? Quanto de açúcar? Teria versões light e diet? Que cor teria o produto (neste caso, ele é cor‑de‑rosa)? Qual marca seria usada? etc. Na área da beleza, as diversas linhas de tratamento poderão ter elementos de diferenciação, por exemplo, na linha capilar, podemos citar fórmulas próprias ou desenvolvimento conforme a necessidade do cliente em xampu, condicionador, finalizador, gel fixador, reparador de pontas, restauração, tratamentos, transformação etc. Lembrete Diferenciação é o ato de desenvolver um conjunto de características significativas no produto/serviço para distinguir a oferta da empresa em relação à da concorrência. Basicamente, quando se fala em gerenciamento do produto em marketing, estamos falando de organizar e gerir características (atributos), linhas de produto, marca e embalagem. Produto Características (atributos) Marca Embalagem Linhas Figura 12 Fonte: Gioia (2006, p. 33). 128 Unidade III 5.3.1 Características (atributos) a) Forma e características Na forma do produto destacamos o tamanho, o formato ou a estrutura física. Como será a forma desse produto? De que maneira ele será apresentado ao mercado? Uma aspirina pode ser um comprimido, uma cápsula ou uma solução, por exemplo. As características dizem respeito às especificações do produto, que podem variar. Quais são as características de um refrigerante, qual é a sua fórmula? Um carro, que especificações ele tem? As montadoras trabalham com vários tipos de acabamento, por exemplo. Veja a figura a seguir: Quadro 3 – Informação nutricional em rótulos de alimentos Por 100g de cereais Valor energético 1580 Kj (378Kcal) Proteínas 7 g Hidratos de carbono 85 g Lipídios 1 g Minerais % DDR* Ferro 1,9 mg Cálcio 0,3 mg Fósforo26,9 mg *DDR: Dose diária recomendada b) Qualidade de desempenho A qualidade de desempenho trata do nível em que as características básicas do produto operam. Há quatro níveis de desempenho: baixo, médio, alto e superior. Para o marketing, é incontestável a importância da qualidade, pois a satisfação dos produtos será percebida em grande parte por seu desempenho. c) Durabilidade A durabilidade é a vida útil esperada do produto em condições normais ou excepcionais, principalmente para aqueles que são comprados por sua qualidade e alta durabilidade. O preço não pode ser tão mais caro nem pode estar sujeito à rápida obsolescência tecnológica. d) Confiabilidade Os consumidores não se importam em pagar mais caro por produtos em que confiam. Confiabilidade é a avaliação da probabilidade de um produto não quebrar ou apresentar defeitos durante determinado período. Ela está relacionada às marcas compradas pelos consumidores. 129 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA e) Facilidade de reparo A facilidade de reparo se constata pela facilidade de se consertar um produto que apresente defeito ou deixe de funcionar. O ideal seria que os próprios usuários pudessem consertar os produtos rapidamente e com baixo custo. f) Estilo e design Estilo é o visual do produto e a sensação que ele passa ao comprador. Apresentar um design e um estilo diferente do da concorrência é uma forma de se diferenciar dela. Várias empresas procuram se diferenciar não por preço ou atendimento, mas por ter um design inovador ou por meio de um apelo para um estilo autêntico e original. O design é o conjunto de características que dizem respeito à aparência e ao funcionamento do produto a partir das exigências do cliente. Geralmente, o design oferece vantagem competitiva constante, pois pode ser modificado mais rapidamente do que outros itens. 5.3.2 Diferenciação de serviços O avanço tecnológico proporciona muita facilidade para se copiar produtos, por isso a diferenciação pode estar na adição de serviços valorizados pelo consumidor e na melhoria da qualidade com que são prestados. Por exemplo, os serviços de apoio e garantia já foram um diferencial importante. Hoje os clientes têm certeza de que se trata de uma extensão do produto. A garantia é utilizada para atribuir maior credibilidade ao produto. Quem duvidaria de uma televisão que tem garantia até a próxima Copa do Mundo, como já fez uma grande fabricante de televisores há alguns anos? Estender essa garantia é um diferencial importante, principalmente para os produtos de maior valor. Também há outros níveis de diferenciação por meio dos serviços oferecidos: a) Facilidade de pedido: diz respeito à facilidade encontrada pelo cliente para fazer um pedido da empresa ou usar seus serviços. Os home bankings, por exemplo, possibilitam o uso do banco sem precisar ir à agência. Fazer compras via internet sem ir ao supermercado é outro exemplo. b) Entrega: refere‑se à qualidade com que o produto ou serviço é entregue ao cliente, e isso inclui a rapidez, a precisão e a preocupação com o processo e as condições em que o produto chega. Imagine receber uma pizza uma hora depois que ela ficou pronta? Sua qualidade certamente estará comprometida. c) Instalação: refere‑se à facilidade com que o produto entra em uso após ter sido entregue. No início dos serviços da internet, ninguém sabia como colocar o computador na rede, e os provedores distribuíam CDs (ainda eram disquetes naquela época) com os programas necessários e autoexplicativos para a instalação. 130 Unidade III d) Treinamento do cliente: proporcionar ao cliente e aos seus funcionários treinamento para a operação correta dos equipamentos adquiridos. Aparelhos para exames sofisticados entregues a hospitais precisam desse tipo de trabalho. O McDonald’s oferece a Universidade do Hambúrguer para os franqueados da rede aprenderem a gerenciar sua franquia corretamente. e) Orientação ao cliente: fornecimento de dados, sistemas de informações e serviços de consultoria oferecidos ao cliente, por telefone, pelo site, por chat ou ainda pessoalmente. f) Manutenção e reparo: programas de atendimento para auxiliar o cliente a manter em boas condições de funcionamento os produtos comprados. Suporte on‑line para instalação de impressoras ou de computadores e programas também entram nessa categoria (KOTLER; KELLER, 2006, p. 375). Outros elementos importantes para motivar compras e definir um produto são: a embalagem, a rotulagem e as garantias. 5.3.3 Rótulo e embalagem A rotulagem, mais do que um elemento de reconhecimento dos produtos, faz parte da embalagem e cumpre o papel de conter informações importantes que são dirigidas ao consumidor. Há questões legais que envolvem o rótulo, como informações sobre composição do produto, no caso dos alimentos, quantidade de calorias, com orientações corretas e claras, presença de sal, gorduras etc. A embalagem é dotada de cores fortes e envolve produtos de todos os tipos de design. Ela “enche os olhos” do consumidor, e há profissionais que a consideram como o 5º P do marketing, dada a sua importância para vender a mercadoria. Um meio de comunicação por excelência, a embalagem ganhou muita importância nos últimos anos, pelo crescimento do autosserviço, pelo aumento do poder aquisitivo do consumidor, pela imagem da marca e da empresa, e pela própria inovação. Vamos compreender melhor esses fatores: Autosserviço: são pelo menos 15 mil itens em um supermercado médio, que vende pelo sistema em que a pessoa escolhe o que desejar numa infinidade de produtos e infinitas marcas. Os compradores comuns passam por cerca de 300 itens por minuto. Segundo informações de pesquisas, cerca de 53% de todas as compras são feitas por impulso, e só por esse motivo já se pode compreender melhor a importância da embalagem nesse contexto. Ela funciona como uma propaganda imediata e instantânea e deve desempenhar várias das tarefas de vendas: atrair a atenção, descrever os aspectos do produto, criar confiança no consumidor e transmitir uma imagem geral favorável. 131 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA Poder aquisitivo do consumidor: o aumento da renda e do poder aquisitivo do consumidor faz que este esteja disposto a pagar um pouco mais caro pelo produto, por razões como conveniência, aparência, confiabilidade e prestígio de embalagens de melhor qualidade e diferenciadas. Por exemplo, uma pesquisa com os consumidores da empresa O Boticário revelou que eles não se importam em pagar mais caro por produtos com embalagens biodegradáveis, que não vão agredir o meio ambiente. Imagem da marca e da empresa: as embalagens são o primeiro contato da empresa com o consumidor e precisam transmitir [...] a imagem desejada pela empresa, fazendo com que esta seja reconhecida por ele instantaneamente. Oportunidade de inovação: embalagens inovadoras transmitem a ideia de produtos inovadores e que podem trazer mais benefícios aos consumidores e maiores lucros aos fabricantes (KOTLER, 2000, p. 241). O desenvolvimento das embalagens conta com áreas específicas, que abrangem marketing, arte, design, novos materiais, além de empresas especializadas que só se dedicam a isso, proporcionando visuais e materiais cada vez mais atraentes aos olhos do consumidor. Lembrete Segundo Kotler (2000, p. 386), as embalagens eficazes cumprem alguns papéis, como: “identificar a marca; transmitir informações descritivas e persuasivas; facilitar o transporte e a proteção do produto; fornecer orientações sobre a armazenagem em casa; e fornecer orientações sobre o consumo do produto”. A escolha da cor, do tamanho, do formato, de materiais, do texto e da marca deve estar entre as preocupações dos criadores. Como uma ferramenta de comunicação de apoio ao marketing, a embalagem precisa representar a empresa e o produto, respeitando o posicionamento adotado pela instituição e as estratégias de marketing relacionadas a ela. Ela deve ser coerente com a propaganda, o preço e a distribuiçãodo produto. Os estudos sobre cores em embalagens também devem ser acompanhados para a escolha de tons que representem o conceito que a empresa quer transmitir. Na criação da embalagem, o responsável deve considerar alguns itens, como: • a embalagem deve induzir o consumidor à compra; • ela deve ser desenvolvida para ser usada depois de vazia, quando possível; 132 Unidade III • o benefício principal do produto deve ser representado pela embalagem, principalmente quanto à economia ou ao luxo, à utilidade ou à novidade, ou a outro aspecto qualquer; • a embalagem deve ser de fácil reconhecimento do consumidor; • a empresa deve considerar as embalagens de produtos similares, além de ter formas e cores adequadas (KOTLER, 2000, p. 386). Alterações mínimas são bem‑vindas em períodos de tempo variáveis, pois ajudam a manter a embalagem atualizada. A maioria dessas mudanças nem é percebida pelos usuários dos produtos, e sua rejeição pode provocar queda nas vendas. Outro fator importante a se levar em conta hoje são as questões ambientais. O mundo clama por menos lixo, e, nesse sentido, as embalagens são grandes vilãs que precisam ser pensadas para resolver essa questão; isso é uma preocupação mundial. 5.3.4 Marcas As principais decisões que envolvem o marketing e os mais altos investimentos dizem respeito à marca. Mais importante do que divulgar o produto é pensar em divulgar a marca, pois esta sim será lembrada pelo consumidor em todas as ocasiões. Definição legal de marca: Marcas são sinais distintivos visualmente perceptíveis, não compreendidos nas proibições legais (art. 122 da Lei n. 9279, de 14 de maio de 1996 – Lei de Propriedade Industrial). A lei prevê proteção a três tipos de marcas: marca de produto ou serviço, marca de certificação e marca coletiva (GIOIA, 2006, p. 94). As marcas são os mais importantes fatores para diferenciar os produtos. Geralmente, as pessoas se lembram da categoria do produto por meio de um nome. Por exemplo, Gilette é sinônimo de lâmina de barbear; Bombril, sinônimo de palha de aço; chicletes, sinônimo de goma de mascar. Esses são apenas alguns exemplos para ilustrar a ideia de que ser sinônimo de categoria de produto é o sonho de consumo de qualquer marca, e, nesse sentido esse é o trabalho de comunicação e de marketing hoje. Apesar do alto investimento necessário para a criação e gestão de marca, essa é a forma mais adequada para identificar e proteger os fabricantes e distribuidores, além de criar lealdade, bem como facilitar a lembrança e a criação de associações positivas. Uma marca é a garantia de fornecimento de uma série específica de atributos e benefícios ao consumidor, como uma garantia de qualidade percebida por eles. 133 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA Ela pode trazer até seis níveis de significado: 1. Atributos: uma marca traz à mente certos atributos. 2. Benefícios: os atributos devem ser traduzidos em benefícios funcionais e emocionais. O atributo “durável” poderia traduzir o benefício funcional “não terei de comprar outro carro por muitos anos”. O atributo “caro” traduz o benefício emocional, e “o carro me faz sentir importante e admirado”. 3. Valores: a marca também diz algo sobre os valores da empresa. 4. Cultura: a marca pode representar certa cultura. 5. Personalidade: a marca pode projetar certa personalidade. 6. Usuário: a marca sugere o tipo de consumidor que compra ou usa o produto (KOTLER, 2000, p. 426). Um bom nome de marca deve ter as seguintes características: • A marca deve indicar os benefícios oferecidos pelo produto. • Ela precisa ser positiva, distintiva e fácil de falar e lembrar. • O nome deve ser coerente com a imagem do produto ou da organização. • A marca precisa estar registrada e permitida legalmente. • O nome deve ter uma tradução fácil e que não seja ofensiva em outros idiomas (GIOIA, 2006, p. 79). O tratamento dado à marca pela empresa traduz a importância atribuída a esse quesito no gerenciamento do marketing. Tratá‑la apenas como um nome não é a forma correta para seu gerenciamento. O desafio é estabelecer uma marca e desenvolver profundas associações positivas em relação a ela, e criar uma identidade que a torne única e seja percebida por seus consumidores dessa forma. “Identidade da marca: refere‑se àquilo que a empresa deseja que a marca transmita ao consumidor” (GIOIA, 2006, p. 91). Por exemplo, quando falamos em passagens aéreas de baixo custo, pensamos na companhia Gol, pois ela assim posicionou o seu produto e fez sua comunicação voltada para que o público tivesse essa compreensão. O valor da marca é atribuído não apenas por seus atributos físicos. Há muitas empresas que não possuem uma única unidade física e detêm as marcas mais valiosas do mundo. O que faz esse valor? O que forma o valor da marca é o valor percebido pelas pessoas em relação a ela. O que as pessoas 134 Unidade III pensam sobre ela, as associações positivas que fazem, o que sentem (sentimentos) em relação a elas. Não só os consumidores, mas os possíveis consumidores (prospects), os funcionários, parceiros, fornecedores, distribuidores, a imprensa e a sociedade em geral. “Brand equity: é o conjunto total de ativos tangíveis que dá à empresa uma vantagem competitiva” (GIOIA, 2006, p. 77). Para se alcançar o valor da marca, empresas especializadas realizam pesquisas com os diversos públicos envolvidos para encontrar parâmetros que possam levá‑los ao valor da marca, ou brand equity. Este é o resultado do grau de lembrança ou conscientização da marca pelo público (brand awareness), mais o grau de fidelidade dos seus clientes (brand loyalty) e a força da imagem associada à marca (brand association). Fatores que fortalecem as marcas: 1. desenvolver propaganda; 2. patrocinar eventos bem‑aceitos; 3. convidar seus clientes a fazer parte de um clube; 4. convidar o público a visitar a fábrica ou a sede da empresa; 5. criar suas próprias lojas; 6. fornecer serviços que atraiam o público; 7. apoiar causas sociais de maneira visível; 8. tornar‑se conhecido como líder em fornecimento de valor; 9. ter um porta‑voz ou símbolo forte para representar a empresa (KOTLER, 2000, p. 434). Figura 13 Disponível em: https://bit.ly/3hbYppQ. Acesso em: 2 jul. 2021. 135 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA Acompanhe as notícias a seguir: As marcas mais valiosas do mundo em 2020 A América do Norte, a Ásia e a Europa dominam a lista das 100 marcas mais valiosas do mundo em 2020. A única companhia de outro continente é a Saudi Aramco, estatal de petróleo da Arábia Saudita. As informações foram divulgadas pela Brand Finance e compiladas em um infográfico do HowMuch. Para fazer o levantamento, os analistas levaram em conta uma variedade de medidas diferentes da força da marca, incluindo investimentos em marketing, patrimônio das partes interessadas e suas contribuições para o desempenho financeiro. Por isso, os números são bem diferentes do valor de mercado das empresas (quanto valem, juntas, todas as ações negociadas em bolsa), que refletem as expectativas de ganhos futuros e, portanto, pode ser bem maior. No topo do ranking estão marcas bastante conhecidas, como a Amazon (US$ 221 bilhões), o Google (US$ 160 bilhões) e a Apple (US$ 141 bilhões). [...] Veja a lista das 10 marcas mais valiosas do mundo, segundo a Brand Finance: 1º Amazon: US$ 221 bilhões (varejo). 2º Google: US$ 160 bilhões (tecnologia). 3º Apple: US$ 141 bilhões (tecnologia). 4º Microsoft: US$ 117 bilhões (tecnologia). 5º Samsung: US$ 94 bilhões (tecnologia). 6º ICBC: US$ 81 bilhões (financeiro). 7º Facebook: US$ 80 bilhões (mídia). 8º Walmart: US$ 78 bilhões (varejo). 9º Ping An: US$ 69 bilhões (seguros). 10º Huawei: US$ 65 bilhões (tecnologia). 136 Unidade III Marcas de certos países dominam as 100 principais marcas do mundo e há a predominância de empresas de tecnologia graças a avaliações altíssimas e ao reconhecimento global das marcas. Cinco das dez principais empresas mais valiosas domundo são de tecnologia, e isso não inclui a Amazon, que a Brand Finance classificou como uma empresa de varejo. Adaptado de: Figo (2020). As 50 marcas de beleza mais valiosas do mundo segundo a Brand Finance A consultoria britânica Brand Finance, especializada na valoração de marcas, divulgou o seu ranking com as marcas de beleza mais valiosa do mundo, o Cosmetics Brand Finance 50. [...] Mais uma vez, L’Oréal Paris desponta como a mais valiosa marca de cosméticos do mundo, com um aumento de 22% em relação ao valor atribuído à marca no ano anterior. Pela Brand Finance a marca vale US$ 13.7 bilhões, um recorde na indústria. Paralelamente, a marca L´Oréal (sem o Paris, tal qual a companhia usa para fins coorporativos) também foi eleita a marca mais forte do mercado, em outro estudo da Brand Finance, que estabeleceu um Índice de Força da Marca. Por esse ranking, os franceses ficaram na terceira posição, atrás apenas do conglomerado de mídia e entretenimento Disney e da fabricante de brinquedos Lego. Os resultados deste ano mostram que as marcas baseadas fora dos Estados Unidos foram negativamente impactadas por variações cambiais das respectivas moedas frente ao dólar. [...] Ninguém sofreu mais com isso do que a brasileira Natura. A marca de venda direta gera 80% das suas vendas em reais e sofre com um cenário de recessão e inflação no Brasil, além da forte desvalorização do real frente ao dólar. Pelo ranking, a Natura perdeu 67% do valor da sua marca na comparação com o ano anterior, caindo da 14º para a 34º posição. As dez primeiras posições dentre as marcas de beleza mais valiosas do mundo são: 1º L’Oréal Paris 2º Gillette 3º Nivea 4º Clinique 5º Chanel 6º Neutrogena 137 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA 7º Garnier 8º Pantene 9º Estée Lauder 10º Dove Adaptado de: Atualidade Cosmética (2016). Observação A marca é a imagem que existe na mente. Almeja‑se um espaço na mente do consumidor, e esta virou um campo de batalha. A imagem de marca pode ser entendida como o conjunto de percepções e associações, tanto favoráveis como desfavoráveis, que o consumidor desenvolve com relação a um produto ou a uma marca. “Imagem da marca: é a percepção de uma marca baseada nas associações que o consumidor estabelece na memória” (GIOIA, 2006, p. 91). Saiba mais Existiu um tempo em que o marketing se limitava a divulgar as vantagens de comprar de uma determinada empresa, evidenciando as qualidades do produto para convencer a massa de que ele era melhor do que os concorrentes. A grande questão é que, naquela época, existiam pouquíssimos concorrentes. Por isso, convencer o consumidor que ainda era muito imaturo em relação ao marketing não era tão difícil assim. No entanto, esse cenário começou a mudar. A internet apareceu, o marketing evoluiu, os consumidores amadureceram e ganharam poder e, principalmente, a quantidade das empresas aumentou muito. É nesse contexto que a estratégia de branding começou a ganhar força. Não basta mais divulgar os seus benefícios e apelar para os atributos funcionais do seu produto. Você precisa se diferenciar dos concorrentes na mente do consumidor e fortalecer o seu posicionamento. É disso que trata o branding. Leia mais sobre o assunto em: QUINTEIRO, T. 8 motivos pelos quais você deve investir em branding! O Condado, [s.d.]. Disponível em: https://bit.ly/39ThuIJ. Acesso em: 30 set. 2021. 138 Unidade III 5.4 Hierarquias de produtos Podemos identificar seis níveis da hierarquia de produto. Apresentamos a seguir esses níveis exemplificados com seguros de vida: 1. Família de necessidade: a necessidade central que sustenta a existência de uma família de produtos. Exemplo: segurança. 2. Família de produtos: todas as classes de produtos que podem satisfazer uma necessidade central com razoável eficácia. Exemplos: poupança e renda. 3. Classe de produtos: um grupo de produtos dentro da família de produtos que têm, reconhecidamente, certa coerência funcional. Exemplo: instrumentos financeiros. 4. Linha de produtos: um grupo de produtos dentro de uma classe de produtos que estão intimamente relacionados porque desempenham uma função similar, sendo vendidos para os mesmos grupos de clientes e comercializados através dos mesmos canais, ou que se incluem em determinadas faixas de preço. Exemplo: seguro de vida. 5. Tipo de produto: um grupo de itens dentro de uma linha de produtos que compartilham uma das diversas formas possíveis do produto. Exemplo: seguro de vida anual. 6. Item (também chamado unidade de estoque ou variante de produto): uma unidade distinta dentro de uma marca ou linha de produtos que se distingue pelo tamanho, preço, aparência ou outro atributo. Exemplo: seguro de vida anual renovável da empresa X (KOTLER, 2006, p. 374). 5.5 Mix de produtos O mix de produtos, também chamado de sortimento de produtos, é o conjunto de todos os produtos e itens que uma empresa põe à venda. Compõe‑se de várias linhas de produtos. Em eletrodomésticos, por exemplo, as linhas de produtos podem ser geladeiras, fogões e lavadoras de roupa. Em um salão de beleza, temos xampus, condicionadores, tratamentos como hidratação e cauterização, finalizadores, coloração, alisamento, relaxamento etc. O mix de produtos possui abrangência, extensão, profundidade e consistência específicas. a) Abrangência A abrangência equivale à quantidade de linhas diferentes de produtos que a empresa oferece. A Procter & Gamble oferece várias linhas de produtos, dentre elas sabão em pó (oito marcas), creme 139 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA dental (duas marcas), sabão em barra (cinco marcas), fraldas descartáveis (duas marcas) e lenços de papel (três marcas). Outro exemplo é a Natura, com as linhas de produto Ekos, Tododia, Erva Doce, Fotoequilíbrio, Plants, entre outras. b) Extensão A extensão refere‑se ao número total de itens no mix. c) Profundidade A profundidade equivale à quantidade de opções que são oferecidas em cada produto na linha. Por exemplo, uma das marcas de sabão em pó da P&G pode oferecer dois perfumes, duas fórmulas e duas opções de aditivos. A profundidade é igual a seis. d) Consistência A consistência refere‑se à relação entre as várias linhas de produtos no que se refere a uso final, exigências de produção, canais de distribuição ou algum outro critério. As linhas da P&G são consistentes na medida em que são bens de consumo que passam pelos mesmos canais de distribuição. As linhas são menos consistentes, pois desempenham diferentes funções para os compradores. Na elaboração do mix de produtos, a empresa deve levar esses pontos em consideração. Em sua análise dos produtos, também deverá ser levado em conta o desempenho de cada um dos tipos de produtos dentro desses quatro critérios, pois as margens brutas são diferentes conforme o volume de vendas e as promoções empregadas em cada um deles. Veja alguns exemplos: • Produto central: computadores básicos com alto volume de vendas e grandes promoções, mas que produzem margens pequenas porque são vistos como commodities indiferenciadas. • Produtos básicos: itens com volume de vendas menor e nenhuma promoção, como CPUs mais rápidas e memórias mais poderosas. Produzem margens ligeiramente maiores. • Especialidades: itens com menor volume de vendas, mas que podem absorver grandes promoções, como equipamentos para produção de filmes digitais ou que podem gerar renda por serviços, como entrega pessoal, instalação ou treinamento do cliente. • Itens de conveniência: itens periféricos com alto volume de vendas, mas que permitem menos promoções, como monitores de computador, impressoras, placas sofisticadas de som ou vídeo e software. Os consumidores tendem a comprá‑los no mesmo lugar onde compraram 140 Unidade III o equipamento original porque é mais conveniente do que fazer viagens adicionais para adquiri‑los. Geram margens maiores (KOTLER; KELLER, 2006). e) Extensão da linha de produtos As linhas de produtos tendem a se expandir como tempo, conforme os objetivos da empresa. Por exemplo, espera‑se que os usuários de um carro popular comprem um veículo de uma categoria acima da popular na próxima troca, ou, ainda, poderão querer comprar o mesmo tipo de carro com outros itens incrementados no mesmo modelo. A adição de linhas de produtos é uma exigência do mercado e dos canais de distribuição, pois os clientes estão sempre em busca de novidades, mudanças e alterações nos produtos. O problema é que esses incrementos terão impacto nos custos. As linhas podem ser ampliadas ou complementadas (KOTLER; KELLER, 2006): • Ampliação de linha: empresas que atuam no mercado médio podem ampliar suas linhas para além, abaixo ou em ambos os sentidos. • Ampliação mercado abaixo: para atender uma faixa de clientes que não tem potencial para seu produto principal, a empresa pode lançar um produto que custe menos ou não tenha a qualidade do produto original. Para isso, deverá decidir se utilizará a mesma marca para esse produto, uma submarca ou uma marca independente, o que encarece o lançamento e a construção de uma nova marca. A Mercedes Benz lançou carros classe C que custam 30 mil dólares, e isso não prejudicou as vendas de suas Mercedes de 100 mil dólares. • Ampliação mercado acima: para obter maior crescimento ou maiores margens, ou ser reconhecido como fabricante de linha completa. Alguns mercados geram segmentos de nível superior como Starbucks, em café, Häagen‑Dazs, em sorvetes, e Evian, em água mineral. Automóveis de alto nível das marcas japonesas nem carregam o nome da empresa, como Toyota e o Lexus, a Nissan e o Infinity, e a Honda e o Accura. • Ampliação dupla: atuação em nível de preços médios permite que a empresa aumente suas linhas para cima ou para baixo. Por exemplo, o grupo Holiday Inn Worldwide fez uma ampliação dupla em sua linha de produtos. Dividiu‑se em cinco cadeias separadas para obter os benefícios de cinco segmentos diferentes – a cadeia Crowne Plaza de nível superior, a tradicional Holiday Inn, a econômica Holiday Inn Express e as cadeias de hotéis de negócios Holiday Inn Select e Holiday Inn Suítes & Room. 141 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA • Complementação da linha: uma linha pode ser estendida pela adição de itens ao leque já existente, geralmente com objetivos bem específicos: aumentar lucros, satisfazer revendedores que perdem vendas por falta de itens na linha, usar o excesso de capacidade, tentar ser líder do segmento, oferecendo linha completa, e preencher lacunas que possam apresentar oportunidades aos concorrentes. Há o risco de autocanibalização e de confusão para os clientes. Na mente do consumidor, cada um dos itens das linhas precisa estar diferenciado e essa diferença precisa ser perceptível. • Modernização, promoção e redução da linha: as linhas de produtos precisam ser modernizadas, de preferência de forma gradual, medindo‑se o impacto das mudanças junto ao consumidor, o que apresenta como desvantagem o acompanhamento das mudanças pela concorrência que podem passar a redesenhar suas próprias linhas (KOTLER; KELLER, 2006, p. 380). 5.6 Planejamento de novos produtos Seja pela obsolescência dos produtos, seja pela necessidade de crescimento da empresa, ou pela mudança nas necessidades e desejos do consumidor, é preciso estar preparado e trabalhar ativamente para que o portfólio de produtos da empresa seja sempre atualizado. Esse trabalho é feito no P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) nas empresas que possuem essas áreas, e, para as que não o têm, desenvolvem‑se novos produtos a partir das sugestões dos clientes, funcionários etc., ou diretamente pelo dono da empresa. Os novos produtos também podem surgir pelas fusões e compras de empresas concorrentes, compra de patentes de outras empresas ou ainda oriundas de licenças ou franquias. A Nestlé, por exemplo, comprou muitas marcas norte‑americanas e por todo o mundo no começo dos anos 2000. A informação que circulava na época era de que ela comprava cinquenta empresas todos os dias no mundo inteiro. No mercado da beleza, em 2019, a fabricante brasileira de cosméticos Natura, em comunicado ao mercado, comprou a concorrente norte‑americana Avon por aproximadamente US$ 3,7 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões), criando um grupo avaliado em US$ 11 bilhões (cerca de R$ 44,5 bilhões) (ABE; ELIAS, 2019). Observação Para desenvolver produtos, a empresa pode fazê‑lo internamente, ou contratar pesquisadores independentes ou ainda empresas especializadas em desenvolvimento de novos produtos. 142 Unidade III Os produtos novos dividem‑se em seis categorias: a) Produtos inteiramente novos: novos produtos que criam um mercado totalmente novo. b) Novas linhas de produtos: novos produtos para entrar em um mercado preexistente. c) Acréscimos a linhas de produtos preexistentes: novos produtos que complementam linhas de produtos preexistentes da empresa (outros tamanhos de embalagens, sabores etc.). d) Aperfeiçoamento e revisão de produtos preexistentes: novos produtos que oferecem melhor desempenho ou maior valor percebido e substituem os produtos preexistentes. e) Reposicionamento: produtos existentes que são direcionados para novos mercados ou para novos segmentos de mercado. f) Reduções de custo: novos produtos que fornecem desempenho semelhante a um custo menor (KOTLER; KELLER, 2006, p. 636). Produtos realmente inovadores não chegam a 10% das novidades que chegam ao mercado em todo o mundo. A maior parte visa aperfeiçoar os produtos existentes. Algumas categorias de produtos tornam cada vez mais difícil de se conseguir produtos inovadores de verdade, que possam transformar o mercado. No entanto, a inovação contínua para satisfazer às necessidades dos consumidores força os concorrentes a competir para alcançar os inovadores. Segundo Gioia (2006, p. 39), “para crescer, a empresa deve aprender a pesquisar inovações e ter agilidade para lançá‑las de forma pioneira no mercado”. O autor explica que algumas empresas nomeiam como novos produtos versões com novas embalagens ou com mudanças no processo de produção. Será que toda inovação é um novo produto? “Um produto é realmente novo quando contém alguma diferença identificável e comercialmente relevante, seja para a empresa, seja para o consumidor final ou para o mercado” (GIOIA, 2006, p. 39). Lançamentos de novos produtos como extensões de marca em categorias de produtos relacionados ampliam o significado da marca. A Nestlé, por meio de algumas marcas, ampliou suas categorias de produtos, como o Nescau, que era apenas achocolatado e hoje também é um cereal matinal. A inovação constante não é comum entre as empresas. Algumas inovam raramente, outras ocasionalmente e poucas continuamente. Entre estas, podemos citar, entre outras, a Sony, a 3M e a Oracle. A maioria das empresas se concentra em inovação incremental, e algumas, mais novas, apostam em tecnologias que trazem mudanças radicais e são capazes de mudar o mercado. Elas introduzem novas formas para fazer as coisas geralmente com custos mais baixos. Quando a Gol entrou no mercado, 143 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA tinha a perspectiva de passagens de baixo custo para conquistar uma fatia do mercado. Revolucionou o mercado de passagens aéreas brasileiras e trouxe as classes C, D e E, que antes só viajavam de ônibus, para andar de avião. Para inovar, é preciso conhecer as preferências de clientes e de não clientes ao longo do tempo. Entretanto, interpretar mal as pesquisas e superestimar o tamanho do mercado, aliado aos altos custos de desenvolvimento de projetos, são algumas das situações que levam os novos produtos ao fracasso. Estima‑se em 95%, nos Estados Unidos, e em 90% na Europa, o índice de fracasso de novos produtos (KOTLER; KELLER, 2006). Observação Outros fatores que podem causar um fraco desempenho são: projeto insatisfatório, posicionamento incorreto, propaganda ineficaz ou preço errado, apoio insuficiente à distribuição e concorrentes que reagemcom firmeza. Agora vamos destacar alguns fatores que dificultam o desenvolvimento de novos produtos: • escassez de ideias importantes em algumas áreas. • mercados fragmentados: os produtos são dirigidos a segmentos cada vez menores, o que representa lucros inferiores para cada produto. • restrições sociais e governamentais: novos produtos devem atender a exigências legais de segurança do consumidor e a preocupações ambientais. • custo do processo de desenvolvimento: até emplacar uma ideia, o novo produto precisa gerar e desenvolver várias ideias, o que provoca altos custos de P&D, fabricação e marketing. • escassez de capital: apesar de as empresas terem boas ideias, muitas não conseguem os recursos necessários para pesquisá‑las e lançá‑las. • necessidade de menor prazo para o desenvolvimento: mudanças rápidas e radicais exigem que as empresas aprendam a reduzir o tempo de desenvolvimento de novos produtos por meio de novas técnicas, parceiros, estratégicos, testes antecipados da concepção do produto e planejamento avançado de marketing. • menores ciclos de vida dos produtos: a concorrência age de forma rápida e copia o produto, às vezes, nem dando o tempo suficiente para a recuperação do investimento na inovação. Para que um novo produto seja bem‑sucedido, a empresa precisa: • Ter um produto único e superior (98% das vezes na comparação com produtos com vantagem moderada, 58%, ou com vantagem mínima, 18%). 144 Unidade III • De um conceito bem‑definido de produto. • Avaliar com cuidado o mercado‑alvo, os requisitos e os benefícios do produto. • De sinergia do marketing e da tecnologia. • De qualidade na execução em todas as etapas. • De atratividade do mercado (KOTLER; KELLER, 2006, p. 640). Falando em inovação, a 3M é uma instituição que almeja destacar‑se em relação a isso. Segundo essa instituição, para uma atitude inovadora, a criatividade é o ponto de partida, ou seja, é preciso pensar em coisas novas, quebrar paradigmas e trazer para a realidade ideias inéditas e originais. Para a empresa, a invenção não é inovação, e a inovação é a aplicação prática da criatividade. Observamos, assim, que inovação é transformar a criatividade em formas de ganhar dinheiro com uma ideia. A 3M aponta como benefícios da inovação alguns itens, como: satisfação e fidelização de clientes, vantagem competitiva, maiores retornos, liderança de mercado, crescimento sustentável, fortalecimento de marca, motivação das equipes e a atração de talentos. Segundo os princípios de William L. McKnight (apud GERTLER, 2018), que dirigiu a empresa entre 1949 e 1966: • a gerência que é destrutivamente crítica frente a riscos cometidos mata a iniciativa. É essencial que tenhamos pessoas criativas se quisermos continuar a crescer [...]. • contrate bons funcionários e deixe‑os em paz [...]. • à medida que nossos negócios crescem, torna‑se necessário delegar responsabilidades e encorajar todos a exercer suas iniciativas. • isso exige uma tolerância considerável. • erros serão cometidos. Porém, se uma pessoa está essencialmente certa, os erros que ela cometer não serão tão graves quanto os erros que a gerência cometer se disser àqueles a quem a autoridade foi delegada como fazer os seus trabalhos. Observação Na 3M, em cada 3 mil ideias um produto de sucesso surge. 145 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA A empresa ainda destaca que pelo menos 15% do tempo livre dos cientistas devem ser utilizados em situações e projetos pelos quais eles tenham paixão. Isso determinaria atitudes empreendedoras que trazem benefícios à empresa. Também é interessante para empresas inovadoras traçar avaliações de desempenho focadas na capacidade de inovação. Deve‑se dar autonomia aos líderes para proporem projetos; isso é altamente motivador para a criação de inovações. Deve‑se incentivar a apresentação de ideias. Os números do Seminário de inovação 3M, realizado em 2011, mostraram que a empresa mantém mais de 7 mil cientistas e 34 laboratórios no mundo, além de centros técnicos para clientes e uma estrutura de gestores de projeto de inovação. Segundo seus cálculos, em 2014, cerca de 40% das vendas serão frutos de produtos novos. Eles pretendem adotar projetos incrementais e radicais, com alto número de patentes registradas por produtos novos e diferenciados. No mercado da beleza, temos o Prêmio Valor Inovação que em 2020 reconheceu a L’Oréal Brasil como uma das três empresas mais inovadoras do setor de cosméticos e higiene pessoal. Para alcançar o posto, a companhia foi avaliada a partir de cinco pilares da cadeia de inovação: intenção de inovar, esforço para realizar a inovação, resultados obtidos, avaliação do mercado e geração de conhecimento. Com a conquista , a L’Oréal Brasil fica pelo 2º ano consecutivo no 3º lugar do ranking setorial – e entre as 60 primeiras do ranking geral – do prêmio, que é promovido pelo jornal Valor Econômico em parceria Strategy&, braço de consultoria estratégica da PwC (L’ORÉAL, 2021). Saiba mais Os cosméticos tecnológicos são hoje uma grande área de inovação na indústria cosmética. Leia mais sobre o assunto em: CSTQ Jr. Beta EQ cosméticos. 2020. Disponível em: https://bit.ly/3BeARZ3. Acesso em: 30 set. 2021. 5.7 Estratégias para desenvolvimento de novos produtos Para desenvolver novos produtos, cada empresa delimita formas diferentes para os investimentos. Por exemplo, determinada empresa estabeleceu os seguintes critérios para o desenvolvimento de novos produtos: • o produto deve estar pronto para ser lançado em até cinco anos; • o produto deve ter um potencial de mercado de pelo menos 50 milhões de dólares e uma taxa mínima de crescimento de 15%; • o produto deve fornecer retornos de pelo menos 30% sobre as vendas e de 40% sobre o investimento; • o produto deve conseguir a liderança técnica ou de mercado (KOTLER; KELLER, 2006, p. 641). 146 Unidade III Nas estruturas de funcionamento e de funcionários focados no desenvolvimento de novos produtos, as empresas também devem pensar em uma equipe diversa, com pessoas em diversos níveis de cargos, com missões específicas para propor alterações nos produtos, que de preferência sejam valorizadas pelos consumidores. De nada adianta acrescentar acessórios num veículo, por exemplo, que os consumidores não tenham interesse em utilizar. Novos produtos devem ter equipes dedicadas para tal, de preferência com departamentos específicos para isso. Esse núcleo vai se firmar como base para o desenvolvimento, desde a pesquisa até a chegada ao mercado, controlando tempos e analisando retorno de investimentos e sucesso ou fracasso na área. Kotler e Keller (2006, p. 643) também citam os critérios para montar equipes interdepartamentais de empreendimento para novos produtos: • estilo de liderança e nível de experiência desejada: os envolvidos devem ter experiência no assunto e no tipo de produto; • habilidades e experiência dos membros da equipe: de preferência que as experiências sejam diversas e em áreas diferentes (engenharia, química, pesquisa de mercado, financeira etc.); • nível de interesse no conceito específico do novo produto: as pessoas precisam estar envolvidas com o produto ou com o conceito a ponto de defendê‑lo. • potencial para recompensa pessoal: os envolvidos têm motivação suficiente para participar desse projeto? • diversidade dos membros da equipe: incluindo raça, sexo, nacionalidade, amplitude e profundidade da experiência e personalidade. A alta gerência deve decidir quanto reservar do orçamento para o desenvolvimento de produtos. Os resultados de P&D são tão incertos que é difícil utilizar critérios normais de investimento. Algumas empresas resolvem esses problemas financiando tantos projetos quanto possível, esperando conseguir sucesso com alguns. Outras instituições estabelecem seu orçamento aplicando uma porcentagem convencional sobre os números de vendas ou gastando o mesmo montante que a concorrência. Outras ainda decidem quantos novos produtos de sucessoprecisam e só depois estimam seu investimento necessário (KOTLER, 2000). 5.8 Etapas do processo de desenvolvimento de novos produtos 1. Geração de ideias: vale a pena considerar a ideia? 2. Seleção de ideias: a ideia do produto é compatível com os objetivos, as estratégias e os recursos da empresa? 147 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA 3. Desenvolvimento e teste do conceito: o conceito do produto é bom o suficiente para que leve o consumidor a experimentá‑lo? 4. Desenvolvimento da estratégia de marketing: poderá ser desenvolvida uma estratégia de marketing razoável e barata? 5. Análise do negócio: ele atenderá às metas de lucro? 6. Desenvolvimento do produto: o produto é técnica e comercialmente consistente? 7. Teste de mercado: as vendas do produto atendem às expectativas? 8. Comercialização: as vendas estão atendendo às expectativas? Note que para cada uma dessas fases deve‑se ter uma resposta: sim ou não. Se a resposta for positiva, haverá o trajeto da ideia; caso contrário, abandona‑se essa ideia. O processo de inovação é dividido em várias etapas. Ao final de cada etapa há um “portão” ou um ponto de controle. O líder do projeto, trabalhando com uma equipe interdepartamental, deve trazer um conjunto de produtos para cada portão antes que o projeto passe para a etapa seguinte. Para passar da etapa do plano de negócios para a de desenvolvimento de produtos, é necessário um estudo de pesquisa de mercado convincente das necessidades e dos interesses dos consumidores, uma análise competitiva e uma avaliação técnica. A alta gerência analisa os critérios em cada portão para julgar se o projeto merece passar para a etapa seguinte. Os guardiões dos portões tomam uma das quatro decisões possíveis: deixam passar, cancelam, aguardam ou reciclam (KOTLER, 2000, p. 355). 5.8.1 Geração de ideias A geração de ideias é a fase inicial e geralmente elas são obtidas pelas fontes internas (funcionários) ou fontes externas (clientes, fornecedores e até concorrentes). Elas também podem ser obtidas pelos cientistas, funcionários, membros de canais e pela alta gerência. Uma pesquisa com os clientes pode funcionar como gatilho para o desenvolvimento de novos produtos, e pesquisas qualitativas com seus grupos facilitam esse processo. O importante é que essas ideias de inovação estejam atreladas aos desejos dos clientes. “A orientação de marketing determina que as necessidades e os desejos dos clientes são o ponto de partida para se começar a procurar ideias” (KOTLER, 2000, p. 357). A concorrência também pode ser um vasto campo para a busca de ideias. É claro que as empresas devem promover alterações, mudanças, engajar funções para que os produtos sejam diferenciados e elas mantenham suas vantagens competitivas. Também podem aprender com seus distribuidores, fornecedores e representantes de vendas. Podem descobrir do que os clientes gostam e o que desaprovam nos produtos de seus concorrentes. As ideias de novos produtos também podem vir de outras fontes, entre elas “inventores, advogados especializados em patentes, laboratórios de universidades e comerciais, consultores industriais, agências de propaganda, 148 Unidade III empresas de pesquisa de marketing e publicações setoriais” (KOTLER, 2000, p. 358), ou seja, muito se deve prestar atenção ao mundo a sua volta, pois as ideias estão em todos os lugares, com muitas pessoas. Lembrete São grandes geradores de ideias: institutos (Gartner, Sebrae), universidades, livros, revistas, sites, clientes, fornecedores, distribuidores etc. O quadro a seguir traz alguns conselhos que apresentam o pensamento de Robert Cooper sobre ideias e novos produtos: Quadro 4 Dez maneiras de criar grandes ideias para novos produtos 1 Faça reuniões informais – encomendando pizza ou vídeos [...] em que grupos de clientes se reúnam com engenheiros e projetistas da empresa para discutir problemas e necessidades e, por meio de brainstorming, tentem encontrar soluções potenciais. 2 Libere algum tempo para que o pessoal técnico possa desenvolver projetos próprios [...]. 3 Transforme uma sessão de brainstorming com cliente em uma rotina durante as visitas às fábricas. 4 Pesquise seus clientes: descubra o que lhes agrada ou não em seus produtos e nos produtos de seus concorrentes. 5 Faça pesquisas de observação com seus clientes ou convide‑os para alguma atividade em que você possa obter dados [...]. 6 Utilize sessões interativas: um grupo de clientes, em uma sala, procura identificar problemas; um grupo de seu pessoal técnico, na sala ao lado, ouve e gera soluções por meio de brainstorming. As soluções propostas são então testadas imediatamente no grupo de clientes. 7 Faça uma pesquisa que analise rotineiramente publicações setoriais de vários países, procurando anúncios de novos produtos. 8 Trate feiras comerciais como missões de inteligência, em que você verá em um único local tudo o que é novo em seu setor. 9 Faça seu pessoal técnico e de marketing visitar os laboratórios de seus fornecedores e reservar um tempo para conversar com o pessoal técnico deles – descubra as novidades. 10 Crie uma urna para depositar ideias. Deixe‑a aberta e facilmente acessível. Permita que os funcionários analisem as ideias e façam críticas construtivas a elas. Fonte: Kotler e Keller (2006, p. 644). Citam‑se algumas técnicas de criatividade para estimular indivíduos ou grupos: • Lista de atributos: faça uma lista de atributos de um determinado objeto. Por exemplo, uma escova para pentear cabelos: troque as cerdas de fibras plásticas por madeira, e o cabo de madeira por plástico e assim por diante. • Relacionamentos forçados: faça uma lista de várias ideias e considere cada uma em relação às outras. Por exemplo, pense em mobílias para escritórios com os móveis em separado, e então podem surgir 149 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA elementos que se acoplem ou estejam embutidos uns nos outros, como uma mesa com estante embutida ou com gavetas para arquivo. • Análise morfológica: comece com um problema, por exemplo, como levar alguma coisa de um lugar para outro por meio de um veículo com energia própria. Faça uma lista com as possibilidades: tipo de plataforma (carreta, cadeira, correia, cama etc.), o meio (ar, água, óleo, trilhos etc.) e a fonte de energia (ar comprimido, motor elétrico, campos magnéticos etc.). Listando as combinações possíveis, podem‑se gerar muitas soluções novas. • Análise de suposição reversa: devem‑se listar todas as hipóteses normais sobre uma entidade ou empresa, ou produto. Depois, devem‑se reverter essas situações normais. Por exemplo, em um restaurante, o normal é oferecer cardápios, cobrar e servir comida. Na reversão dessa ideia, tem‑se que o restaurante pode vender apenas o que foi comprado naquele dia, cobrar pelo tempo que a pessoa passar à mesa, ou ainda criar uma atmosfera exótica e as pessoas trazerem sua própria comida e bebida para desfrutar do lugar. • Novos contextos: encontrar novos lugares para desenvolver o serviço. Por exemplo, em hotéis, em vez de atender o cliente na recepção, recebê‑lo na calçada e fazer seu check‑in com dispositivos tecnológicos. • Mapeamento da mente: escrever uma palavra em uma folha de papel e passar a escrever a próxima ideia pensando em associações. Por exemplo: carro, Mercedes, Alemanha. Em alguns momentos, certamente, as associações poderão ser bem inusitadas e capazes de gerar uma ideia realmente nova (KOTLER; KELLER, 2006, p. 645). Observação O marketing lateral ocorre a partir da combinação de dois conceitos ou ideias de produtos e assim uma nova oferta é criada. Por exemplo: lojas de posto de gasolina = posto de gasolina + comida; cibercafés = cafeteria + internet; barras de cereais = cereal + petisco; kinder ovo = doce + brinquedo. 5.8.2 Seleção de ideias Nesse tópico, as empresas devem envidar esforços em motivar seus funcionários a submeter suas ideias a um gerente de ideias. Essa pessoa deve ter o nome e o número de telefone amplamentedivulgados. Essas ideias novas serão anotadas e serão semanalmente avaliadas por um comitê de ideias. Elas deverão ser classificadas em três grupos: ideias promissoras, ideias marginais e ideias rejeitadas. 150 Unidade III Se uma ideia deve passar pelo crivo e pela avaliação das equipes, então é possível que em algum momento aconteçam erros de aprovação; isso ocorre “quando a empresa permite que uma ideia ruim chegue às etapas de desenvolvimento e comercialização” (KOTLER, 2000, p. 357). O autor aponta ainda três tipos de fracassos de produtos: um fracasso absoluto de produto gera a perda de dinheiro e suas vendas não cobrem os custos variáveis; um fracasso parcial de produto leva à perda de dinheiro, mas suas vendas cobrem todos os custos variáveis e parte dos custos fixos; e um fracasso relativo de produto, que gera um lucro inferior à taxa de retorno almejada pela empresa (KOTLER, 2000, p. 358). Segundo o autor, a seleção de ideias tem como objetivo principal descartar aquelas que são ruins o mais rápido possível, uma vez que os custos de desenvolvimento de produtos crescem exponencialmente a cada uma das etapas do desenvolvimento. Para Gioia (2006), essa fase se chama triagem de ideias e consiste em escolher sistematicamente os produtos que serão lucrativos. O autor sugere que as ideias rejeitadas devem ser mantidas em um arquivo para revisão periódica. 5.8.3 Desenvolvimento e teste do conceito A partir de uma ideia a empresa desenvolve vários conceitos, e um deles é pensar o que as pessoas realmente compram. Por exemplo, uma ideia sobre um elemento a ser acrescentado ao leite deve responder a três perguntas básicas para ser transformada em conceitos: 1. Quem usará o produto (bebês, crianças, adolescentes, jovens, adultos ou idosos)? 2. Qual é o benefício primordial que esse produto deve oferecer (sabor, valor nutritivo, saciar a sede, dar energia)? 3. Quando as pessoas consumirão essa bebida (no café da manhã, no almoço, no lanche da tarde, no jantar, ou tarde da noite)? As boas ideias devem ser refinadas para se chegar a conceitos de produtos que possam ser testados. Uma ideia de produto representa um possível produto que a empresa pode oferecer ao mercado. Um conceito de produto é uma versão elaborada da ideia, expressa em termos que façam sentido para o consumidor (KOTLER, 2000, p. 359). Observação É preciso descobrir, portanto, se essa nova ideia terá mercado, quais os custos e o prazo para o seu desenvolvimento, e qual a taxa de retorno esperada. De posse dessas respostas, segundo Kotler e Keller (2006), a empresa pode construir vários conceitos: o primeiro é destacar uma bebida instantânea para o café da manhã de adultos que 151 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA querem uma refeição rápida e nutritiva sem precisar prepará‑la. O segundo é criar uma bebida saborosa, que as crianças podem tomar no meio do dia. Por fim, os autores destacam o terceiro conceito: um suplemento alimentar saudável que os idosos podem tomar no fim da noite, antes de se deitar. Cada conceito representa um conceito de categoria, que define a concorrência do produto [...] a nova marca deve ser distinta no mercado de preço médio e quantidade média de calorias ou no mercado de marcas de produtos com preços elevados e altamente calóricos (KOTLER, 2000, p. 360). Teste do conceito Após a escolha do conceito, deve‑se partir para o teste do conceito, quando se apresenta o produto ao consumidor‑alvo para conhecer suas reações. Os conceitos podem ser apresentados simbólica ou fisicamente. “Quanto mais os conceitos testados se assemelharem ao produto ou experiência final, mais preciso é o teste de conceito” (KOTLER, 2000, p. 360). No mundo virtual, a proporção de testes de conceito aumentou muito as possibilidades para esse tipo de pesquisa. Os programas de realidade virtual usam computadores e dispositivos sensoriais (como luvas ou óculos) para simular a realidade. Quadro 5 – Teste de conceito virtual Perguntas Dimensão mensurada do produto 1. Os benefícios estão claros e você acredita neles? Comunicabilidade e credibilidade. Se os resultados forem ruins, o conceito deverá ser aprimorado ou revisado. 2. Você acha que esse produto resolve um problema ou preenche uma necessidade? Nível de necessidade. Quanto maior a necessidade, maior o interesse do consumidor. 3. Há outros produtos que atualmente atendem a essa necessidade e a satisfazem? Nível de lacuna. Quanto maior a lacuna, maior o interesse do consumidor. O nível de necessidade pode ser multiplicado pelo nível de lacuna para se produzir o grau da lacuna em relação à necessidade. Uma lacuna grande em relação ao atendimento da necessidade significa que, para o consumidor, o produto preenche uma grande necessidade, que não é satisfeita pelas alternativas disponíveis. 4. O preço é razoável em relação ao valor? Valor percebido. Quanto maior o valor percebido, maior o interesse do consumidor. 5. Você compraria o produto? Qual é a sua resposta: certamente, provavelmente, provavelmente não, com certeza ou não? Intenção de compra. A intenção de compra é mais alta para consumidores que responderam positivamente às três perguntas anteriores. 6. Quem utilizaria esse produto, quando e com que frequência? Usuário‑alvo, ocasiões de compra e frequência de compra. Fonte: Kotler (2000, p. 361). Partindo‑se das respostas dos entrevistados, poderá haver a indicação se o conceito tem um apelo forte junto ao consumidor, com quais outros produtos ele deverá concorrer e qual é o seu público‑alvo 152 Unidade III mais indicado. A análise conjunta é um método para obter os valores de utilidade que os consumidores associam a níveis variáveis dos atributos de um produto e que apontam as preferências dos consumidores por conceitos alternativos de produtos. Segundo Kotler (2000), nesse caso, os entrevistados são apresentados a diferentes ofertas hipotéticas combinando vários níveis de atributos. Depois eles devem classificá‑las. A gerência pode identificar a oferta mais atrativa, assim como a participação esperada de mercado e o lucro que a empresa pode obter. Ou seja, a análise conjunta compara diversos atributos e modelos possíveis. 5.8.4 Estratégia de marketing Na estratégia de marketing deverão analisadas as possíveis estratégias para a colocação do produto no mercado, e, ainda, deverá ser criado o plano estratégico, que deve corresponder à(s): • avaliação do mercado: tamanho, estrutura, o comportamento do mercado‑alvo e o posicionamento do produto; • avaliação de orçamentos; • métricas de retorno sobre o investimento: metas de vendas, de participação no mercado e de lucro. No exemplo apresentado pelos autores, o planejamento estratégico para o novo conceito apresentado anteriormente seria: O mercado‑alvo para a bebida matinal instantânea é composto por famílias com filhos que são receptivas a novas formas de café da manhã, práticas, nutritivas e baratas. A marca da empresa será posicionada na categoria de bebida matinal instantânea de preço alto e alta qualidade. A empresa pretende inicialmente vender 500 mil caixas ou atingir 10% do mercado, com um prejuízo não superior a 1,3 milhão de dólares no primeiro ano. O segundo ano tem como objetivo 700 mil caixas ou 14% do mercado, com um lucro planejado de 2,2 milhões de dólares (KOTLER; KELLER, 2006, p. 652). Na segunda parte do planejamento estratégico, deve‑se descrever o preço planejado, a estratégia de distribuição e o orçamento de marketing no primeiro ano: O produto será oferecido nos sabores chocolate, baunilha e morango, em pacotes com seis unidades, e terá um preço no varejo de US$ 2,49 o pacote. Haverá 48 pacotes em cada caixa e seu preço para os distribuidores será de US$ 24. Durante os dois primeiros meses, os revendedores ganharão uma caixa grátis na compra de cada quatro caixas e poderão se beneficiar de propaganda cooperativa. Amostras grátis serão distribuídas de porta em porta. Cupons de descontos de US$ 0,20serão publicados em jornais. O orçamento total para as promoções de vendas será de US$ 2,9 milhões. 153 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA Um orçamento de propaganda de US$ 6 milhões será dividido em partes iguais entre anúncios nacionais e locais. Dois terços serão canalizados para a televisão e um terço para os jornais. O texto dos anúncios enfatizará os conceitos de nutrição e conveniência. O conceito de execução da propaganda girará em torno de um garotinho que toma a bebida matinal instantânea e cresce forte. Durante o primeiro ano, serão gastos 100 mil dólares em pesquisa de marketing para obter dados de vendas no varejo e efetuar entrevistas em grupo com consumidores, a fim de monitorar a reação do mercado e as taxas de compra (KOTLER; KELLER, 2006, p. 653). Na terceira parte deverão ser traçadas as metas de vendas e lucros de longo prazo e a estratégia de mix de marketing ao longo do tempo. A empresa pretende conquistar uma participação de mercado de 25% e obter um retorno sobre o investimento, após impostos, de 12%. Para conseguir esse retorno, a qualidade do produto deverá ser alta desde o início e será aperfeiçoada com o tempo por meio de pesquisas técnicas. O preço será inicialmente estabelecido em um nível alto e depois gradualmente reduzido para expandir o mercado e enfrentar a concorrência. O orçamento total de promoções será aumentado a cada ano em torno de 20%, com uma partição inicial de 65:35 entre propaganda e promoção de vendas, eventualmente evoluindo para 50:50. A pesquisa de marketing será reduzida para US$ 60 mil anuais após o primeiro ano. Figura 14 Disponível em: https://bit.ly/3wabsw0. Acesso em: 2 jul. 2021. 5.8.5 Análise do negócio Desenvolvidos o conceito do produto e a estratégia de marketing, a empresa deve avaliar a atratividade da nova proposta. Nesse ponto deverão ser analisados as previsões de vendas, os custos e os lucros para confrontá‑los com os objetivos da empresa. Em caso positivo, o conceito poderá avançar 154 Unidade III à etapa do desenvolvimento do produto. Essa análise não deve ser feita apenas inicialmente, ela deve ser reformulada e revisada constantemente. A análise do negócio envolve basicamente dois grandes cálculos: estimativa de vendas totais e estimativa de custos e lucros. As principais análises propostas por Kotler (2000) são: estimativa das vendas totais e estimativa de custos e lucros. Estimativa das vendas totais Deve‑se estimar se as vendas serão altas o suficiente para gerar um lucro satisfatório. Elas são a soma das vendas iniciais, das vendas de reposição e da repetição de vendas. Os métodos de estimativa de vendas dependem de o produto ser uma compra única (como um anel de noivado ou uma casa de campo), ser comprado esporadicamente ou ser comprado com frequência. Para produtos comprados uma única vez, as vendas crescem no início, atingem um pico e depois se aproximam de zero à medida que se esgota o número de compradores potenciais. Já os produtos comprados esporadicamente – como carros, ventiladores e equipamentos industriais – têm seus períodos e ciclos de reposição ditados pelo desgaste físico ou pela obsolescência associada à mudança de modelos, especificações e funções. Assim, as vendas iniciais devem ser separadas das vendas de reposição para conseguir a previsão de vendas. A reposição depende de vários fatores, e a venda de reposição é difícil de ser estimada, por isso alguns fabricantes lançam o novo produto apenas com base nas vendas iniciais. Produtos comprados com frequência devem ter a repetição das vendas estimada da mesma forma que as vendas iniciais. Uma alta taxa de repetição de compras significa que os clientes estão satisfeitos com o produto; as vendas provavelmente continuarão altas, mesmo depois de feitas todas as compras pela primeira vez. A empresa deve observar a porcentagem da repetição de compras que acontece em cada classe de repetição de compras: aqueles que compram novamente uma vez, duas, três etc. Alguns produtos e marcas são comprados algumas vezes e então são abandonados (KOTLER, 2000). Estimativa de custos e lucros Após as previsões de vendas, a empresa deve analisar minuciosamente sua estimativa de custos e os lucros esperados para então dar continuidade ao desenvolvimento de novos projetos. Sem essas informações, isso só ficaria no campo das ideias, porque no final das contas o que interessa às empresas é a obtenção de lucros. Claro que existem outras preocupações, mas o lucro é a função maior de qualquer instituição, inclusive porque é ele que desenvolve a sociedade, provê empregos e salários a outras pessoas etc. A seguir veremos uma proposta de fluxo de caixa projetado para cinco anos. No exemplo original, os autores apontam números, mas a opção aqui foi deixá‑lo em branco, para que se possa prever para qualquer outro produto ou segmento e fazer as análises necessárias para os lançamentos de novos produtos. 155 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA Quadro 6 Atribuições Ano 0 Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 1. Receita de vendas 2. Custo dos produtos vendidos 3. Margem bruta 4. Custos de desenvolvimento 5. Custos de marketing 6. Custos indiretos 7. Margem de contribuição bruta 8. Margem de contribuição suplementar 9. Margem de contribuição líquida 10. Margem de contribuição descontada (15%) 11. Fluxo de caixa descontado acumulado Fonte: Kotler e Keller (2006, p. 654). Explicando o quadro Primeira linha: receita projetada de vendas no período de cinco anos. Segunda linha: custos dos produtos vendidos (estimativa de custo médio de mão de obra, ingredientes, embalagem etc.). Terceira linha: margem bruta esperada, que é a diferença entre a receita de vendas e o custo dos produtos vendidos. Quarta linha: custos de desenvolvimento previsto (custo de desenvolvimento do produto, custos de pesquisa de marketing e custos de desenvolvimento da fabricação etc.). Quinta linha: custos estimados de marketing no período de cinco anos (propaganda, promoção de vendas, pesquisa de marketing, força de vendas e administração de marketing). Sexta linha: custos indiretos para o desenvolvimento do novo produto (rateio do custo dos salários dos executivos, aquecimento luz etc.). Sétima linha: margem de contribuição bruta (encontrada subtraindo‑se os três custos precedentes da margem bruta). Oitava linha: margem de contribuição suplementar, que relaciona qualquer mudança nos resultados de outros produtos da empresa causada pelo lançamento do novo produto. Ela tem dois componentes (receita adicional – a renda obtida de outros produtos da empresa ao se acrescentar o novo produto à linha e receita canibalizada – a redução de renda de outros produtos da empresa resultante do acréscimo do novo produto à linha). 156 Unidade III Nona linha: margem de contribuição líquida (igual à margem de contribuição bruta, se não houver margem de contribuição suplementar). Décima linha: margem de contribuição descontada – ou seja, o valor presente de cada margem de contribuição futura descontada a 15% ao ano. Se a empresa aplicasse seu dinheiro em qualquer outro investimento poderia ganhar 15% ao ano. Como não o fez, em cinco anos, o valor presente líquido é sempre menor do que no futuro. Décima primeira linha: fluxo de caixa descontado acumulado, que é o valor acumulado das contribuições anuais da décima linha. Observação Outras formas para avaliar a proposta são utilizadas, ente elas, a análise de ponto de equilíbrio, em que se estima a quantidade de unidades do produto precisa ser vendida para cobrir os custos prováveis de produção e colocação no mercado. Se houver uma percepção do empresário de que esse ponto de equilíbrio será alcançado facilmente, então provavelmente levará o produto para a etapa de desenvolvimento. O método mais complexo de estimativa dos lucros é a análise de riscos. Nesse caso, fazem‑se três estimativas (otimista, pessimistae mais provável) para cada variável que afete a lucratividade em um ambiente de marketing e em uma estratégia de marketing considerados para o período planejando. O computador simula os resultados possíveis e calcula a distribuição de probabilidade da taxa de retorno (KOTLER, 2000, p. 366). 5.8.6 Desenvolvimento do produto Até o momento do desenvolvimento do produto, este era apenas uma ideia no papel, uma descrição. Com o seu desenvolvimento real é que se poderá saber se realmente fará sucesso. Os maiores investimentos são exigidos nessa fase, quando há a decisão sobre a fabricação do protótipo, são analisados os atributos esperados pelo cliente, bem como os atributos sugeridos pelas áreas de engenharia, pesquisa e desenvolvimento. Nesse momento também são definidos os padrões para cores, tamanhos, embalagens etc. Kotler (2000, p. 366) explica que a tradução das exigências do cliente em um protótipo que funcione se baseia em “um conjunto de métodos conhecidos como desdobramento da função de qualidade (ou QFD – quality function deployment)”. A metodologia toma a lista dos “desejados atributos do cliente, gerados pela pesquisa de mercado, e os transforma em uma lista de atributos de engenharia, que os engenheiros podem utilizar.” 157 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA Teste com consumidores Para o desenvolvimento de protótipos adequados aos desejos dos consumidores, o fluxo de informações deve ser constante entre as áreas de desenvolvimento, pesquisa e marketing. Depois de prontos, esses protótipos deverão passar por testes funcionais e com consumidores. Teste alfa: é realizado internamente para verificar como o produto se comporta em diferentes aplicações. Teste beta: há o refinamento do protótipo após a primeira avaliação, e leva‑se o produto a um grupo de clientes, que vai emitir um feedback de suas experiências. Existem muitos tipos de testes com consumidores. É possível levá‑los ao laboratório para testar o produto ou fornecer‑lhes amostras para utilizar em suas casas. Nesse campo, o desenvolvimento das pesquisas e análises é abrangente. 5.8.7 Teste de mercado Após a análise do desempenho do protótipo, haverá os testes com consumidores e, após isso, o produto estará pronto para ganhar uma marca, embalagem e ser testado pelo mercado. Assim, o novo produto é lançado em um cenário autêntico para identificar o tamanho do mercado e como os consumidores e revendedores reagem ao seu manuseio, uso e recompra. Alguns setores não realizam testes de mercado, pois têm marcas críveis, em que a credibilidade é mais importante para o consumidor. A quantidade de testes depende da pressão do tempo e do risco do tipo de produto. Quando um produto lança um conceito, por exemplo, o primeiro amaciante de roupas, as pessoas não o conhecem, então é preciso saber o que os consumidores pensam sobre a ideia para saber se a campanha vai funcionar. Teste de mercado de produtos de consumo Nos testes de produtos de consumo no mercado, a empresa deve medir quatro variáveis: experimentação, primeira repetição, adoção e frequência de compra. Ao ser lançado, um produto pode ter vários níveis de aceitação. Por exemplo, a propaganda pode gerar muita experimentação e elevar as vendas, mas após algum tempo, pode‑se observar que não houve a primeira repetição. Os produtos podem facilmente ser adotados pelo consumidor, mas a frequência de compra não atinge os níveis desejados pela empresa. Tipos de teste de mercado para produtos de consumo Pesquisa de onda de vendas: são oferecidos produtos gratuitamente para alguns consumidores. Depois de um tempo, oferta‑se o mesmo produto ou o de um concorrente a um preço um pouco mais baixo que o normal. Pode ser apresentado entre três e cinco vezes (ondas de vendas), com a observação de quantos clientes escolheram novamente o produto da empresa e seu nível de satisfação. 158 Unidade III Mercado‑teste simulado: a simulação de um mercado‑teste inclui 30 a 40 compradores qualificados, e estes são questionados sobre a familiaridade com a marca e suas preferências em determinada categoria de produtos. Eles são convidados a assistir a algumas propagandas conhecidas e novas ou a ver anúncios impressos. Um desses indivíduos apresenta o novo produto, mas ele não tem nenhum destaque. A seguir, essas pessoas ganham uma pequena quantia em dinheiro e recebem o convite para ir a uma loja onde podem comprar quaisquer produtos. Avaliam‑se então o consumo da marca e a dos concorrentes a partir das explicações dos consumidores. Os que não compraram a nova marca ganham amostras grátis. Após algumas semanas, são novamente entrevistados por telefone para conhecer suas atitudes em relação ao uso, satisfação e intenção de recompra. Comparado aos mercados‑teste reais, esse método provê resultados bem precisos sobre a eficácia da propaganda e as taxas de experimentação e de repetição caso seja estendido em um prazo mais curto e a um custo muito menor. Mercado‑teste controlado: nesse modelo, a empresa gerencia um conjunto de lojas que expõe o produto. Nesses locais, controla‑se a posição do produto na prateleira, o número de exibições (facings), displays e promoções no ponto de venda bem como os preços. Esse teste permite a avaliação do impacto de fatores específicos de uma loja e da propaganda limitada no comportamento de compra. Mercados‑teste: “A maneira definitiva de se testar um novo produto de consumo é colocá‑lo em amplos mercados‑teste” (KOTLER, 2000, p. 371). A empresa seleciona algumas cidades representativas e a força de vendas tenta convencer o comércio local a estocar e vender o produto, além de oferecer uma boa exposição nas prateleiras. A instituição lança uma campanha completa de propaganda e promoções nesses mercados, similar à que utilizaria se realizasse o marketing em todo o país. Esse método permite verificar o impacto de planos alternativos de marketing em cidades diferentes. Teste de mercado de produtos empresariais Da mesma forma que os produtos de consumo, os produtos empresariais podem ser submetidos a testes alfa (dentro da empresa) e testes beta (com clientes externos). Nesse caso, observa‑se como os clientes utilizam o produto, e essa prática costuma revelar problemas não previstos de segurança e suporte técnico e alertar o vendedor para as necessidades de treinamento do cliente e de serviço. Após o teste, o fornecedor pede que os clientes expressem sua intenção de compra e outras reações. Feiras comerciais: elas atraem um grande número de compradores, que tem contato com muitos novos produtos em poucos dias. O vendedor pode observar o interesse dos compradores e suas reações às várias características e condições de compra, além de quantos expressam intenções de compra ou fazem pedidos. Novos produtos empresariais podem ser testados em showrooms de distribuidores e varejistas, onde podem ficar próximos de outros produtos da empresa e até mesmo de produtos dos concorrentes. Esse método provê informações sobre preferências e preços em um clima normal de vendas. O problema é que os clientes podem querer fazer pedidos antes que estes possam ser atendidos. Além disso, aqueles que visitarem o local podem não representar o mercado‑alvo. 159 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA 5.8.8 Comercialização Após todas as etapas, se a empresa partir para a comercialização elevará seus custos, pois terá que adotar infraestrutura para sua fabricação, contratação de pessoal etc. Há também os custos de marketing, que geralmente possui valores contados em milhões, pois as campanhas combinam várias ferramentas de comunicação. a) Quando (timing) O tempo do lançamento é importante, pois pode significar antecipar‑se à concorrência ou perder a vez de lançar um produto que dominará o mercado. O momento certo para introdução do produto é, portanto, essencial. Nesse caso, haverá três alternativas: entrar primeiro no mercado e obter as vantagens que isto oferece, como fechamento de acordos vantajosos com distribuidores e clientes,além de ganhar a liderança. O risco é o produto não ter a qualidade esperada e criar uma imagem negativa; poderá também entrar junto com o concorrente de forma estratégica, o que faz que os consumidores prestem mais atenção aos produtos, pelo excesso de exposição; ou entrar depois, deixando para o concorrente o custo de instruir o mercado, tendo a chance de rever falhas e acertar os erros. b) Onde (estratégia geográfica) É muito importante tomar decisões sobre os locais de lançamento do produto. Isso implica delimitar se ele será lançado apenas em uma localidade, em uma única região, em várias regiões, no mercado nacional ou no mercado internacional. A maioria desenvolve um lançamento planejado de mercado ao longo de um período de tempo. Os principais critérios de classificação são: potencial de mercado, reputação local da empresa, custo de cobrir o mercado, custo com meios de comunicação, influência da área sobre outras áreas e penetração da concorrência. c) Para quem (clientes potenciais nos mercados‑alvo) Os mercados com maior probabilidade de tornarem‑se clientes da empresa devem ser os escolhidos para ter a atenção dirigida quanto à distribuição e promoções iniciais. Presumivelmente, a empresa já levantou o perfil dos melhores clientes potenciais, que idealmente teriam as seguintes características: os primeiros a adotar o produto, usuários frequentes e líderes de opinião (alcançados a um baixo custo). Poucos grupos têm todas essas características. A empresa deve classificar vários grupos potenciais e visar ao melhor grupo, tentando gerar vendas vigorosas tão logo quanto possível para motivar a força de vendas e atrair novos clientes potenciais (KOTLER, 2000). d) Como (estratégia de lançamento no mercado) Deve ser desenvolvido um plano de ação para lançar o produto nos mercados escolhidos a partir da estimativa de tempo necessário para cada uma das atividades propostas anteriormente. 160 Unidade III e) Processo de adoção pelo consumidor De acordo com a teoria dos adotantes imediatos de Kotler (2000): • as pessoas em um mercado‑alvo diferem no tempo decorrido entre sua exposição a um novo produto e a sua compra; • os adotantes imediatos compartilham alguns traços que os diferenciam dos adotantes posteriores; • existe uma mídia eficiente para alcançar os adotantes imediatos; • os adotantes imediatos tendem a ser líderes de opinião e fazem a “divulgação” do novo produto a outros compradores potenciais. Veja o que diz o autor: Os profissionais de marketing reconhecem as seguintes características do processo de adoção: diferenças individuais na predisposição para experimentar novos produtos, efeito da influência pessoal, diferentes taxas de adoção e diferenças na predisposição das organizações para experimentar novos produtos (KOTLER, 2000, p. 378). A influência pessoal é o efeito que uma pessoa tem sobre a atitude ou a probabilidade de compra de outra pessoa. Embora a influência pessoal seja um fator considerável, sua importância é maior em algumas situações que em outras. “É mais importante na etapa de avaliação do processo de adoção, pois exerce maior poder sobre os adotantes posteriores do que sobre os adotantes imediatos. É também mais importante em situações de risco” (KOTLER, 2000, p. 379). A teoria da difusão da inovação e da adoção pelo consumidor ajuda os profissionais de marketing a identificar os adotantes imediatos. Etapas do processo de adoção A adoção de novos produtos passa por cinco etapas: • conscientização: o consumidor toma conhecimento da inovação, mas não tem informação a esse respeito; • interesse: o consumidor é estimulado a procurar informações sobre a inovação; • avaliação: o consumidor faz uma avaliação se irá ou não experimentar a inovação; 161 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA • experimentação: o consumidor que experimenta a inovação pode avaliar melhor seu valor; • adoção: o consumidor decide fazer uso total e regular da inovação (GIOIA, 2006, p. 77). A partir dessa análise, será possível calcular os tempos necessários para o desenvolvimento do projeto em relação ao alcance de metas propostas. Gioia (2006) que após a aprovação do novo produto em testes de mercado ele deve ser lançado para todo o mercado. Nessa etapa, a empresa deve se empenhar para comercializá‑lo, trabalhando os 4 Ps de marketing (definindo preço, distribuição e promoção em larga escala). A comercialização pode ser feita “de forma gradativa, sobretudo quando os custos de lançamento são altos; e a empresa também pode preferir introduzi‑lo gradativamente, cidade por cidade ou região por região, até que todo o mercado seja atendido” (GIOIA, 2006, p. 72). Na indústria cosmética, a formulação de produtos figura como o caminho de maior vantagem para pequenos e médios empresários que querem se destacar no mercado. E, para formular um cosmético e garantir que os resultados desejados sejam obtidos, as empresas costumam seguir os sete passos descritos a seguir, adotados pelas maiores indústrias de cosmetologia do mundo: 1º passo: definir o produto do seu desenvolvimento de cosméticos. 2º passo: encontrar a base para o seu produto. 3º passo: entender melhor a formulação do cosmético. 4º passo: montar um protótipo do seu produto. 5º passo: definir o seu processo de preparo. 6º passo: testar a sua formulação. 7º passo: ajustar a sua formulação. Saiba mais Leia mais sobre as sete etapas para o desenvolvimento de cosméticos em: MULT. Conheça as 7 etapas para o desenvolvimento de cosméticos. 12 jun. 2018. Disponível em: https://bit.ly/3kXyh3C. Acesso em: 30 set. 2021. 162 Unidade III 6 PREÇO O preço é o único elemento do mix de marketing que produz receita, os outros produzem custos. Por ter uma sensibilidade diretamente ligada ao comportamento de compra do consumidor e pela rapidez com que se pode alterá‑lo, o preço é um componente que precisa ser gerenciado de perto, pois dele dependem os resultados da empresa. O outro P estudado nessa unidade será o de Praça, ou seja, a distribuição propriamente dita. Cada vez mais estratégica, atingindo grande importância após o aparecimento das vendas pela internet, o gerenciamento da logística e distribuição dos produtos é fator decisivo na composição do resultado da empresa. Também serão tratadas das estratégias de distribuição e do trade marketing e do P de Promoção, Comunicação no nosso caso, uma vez que o inglês promotion não traduz com fidelidade o que se pretende com comunicação, que é muito mais amplo e abrangente. O preço, por muito tempo considerado como o definidor da compra, deve levar em conta o elemento de percepção do consumidor em relação ao produto, que valores ele atribui ao produto, e não só valores numéricos e em reais, mas também em valores que não se vê, como o carinho que tem com determinada marca, ou a credibilidade percebida em relação à empresa. Os preços são tratados e gerenciados por meio dos elementos de marketing. Além disso, o preço é a única variável do composto de marketing que proporciona receitas à empresa. Os outros três: produto, praça e promoção operam apenas como custos. Tradicionalmente, o preço funciona como determinante na escolha dos compradores. Esse ainda é o caso em nações mais pobres, entre grupos mais pobres e para produtores genéricos, embora outros fatores além do preço tenham se tornado muito importantes nas últimas décadas, o preço ainda permanece como um dos elementos fundamentais na determinação da participação de mercado e da lucratividade das empresas (KOTLER, 2000, p. 476). A título de ilustração sobre a influência do preço, veja a seguinte notícia: Com renda em alta, consumo de luxo no Brasil cresceu 26% ano passado A alta da renda no país está levando a classe média a se aventurar na compra dos chamados bens de luxo — imóveis, cosméticos e artigos de grife a carrões importados —, antes privilégio dos mais ricos. O estudo do instituto alemão GFK em parceria com a MCF Consultoria revela que, após crescer12,5% em 2009 e atingir US$ 6,5 bilhões, o consumo de luxo no Brasil expandiu‑se a uma taxa entre 24% e 26% no ano passado. Por isso, desembarcaram no país com lojas exclusivas marcas como Chanel, Carolina Herrera, Hermès e Aston Martin. Essas marcas chegam agora não por acaso. O Brasil hoje demonstra capacidade de sustentar operações no médio e longo prazo — diz Carlos Ferreirinha, presidente da MCF Consultores e especialista em mercado de luxo. O Brasil tem pela primeira vez um crescimento de classe média, que é fundamental para sustentar o segmento de luxo nos próximos anos. 163 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA No ano passado, foram vendidas no país 64 Ferraris, o que significa que, a cada mês, cinco brasileiros adquirem um carro cujo modelo mais barato (Ferrari Califórnia) custa R$ 1,35 milhão e o mais caro (599 GTB Fiorino) chega a R$ 2,5 milhões. Ainda no segmento dos carrões, são 17 novas Lamborghini (preço mínimo R$ 1,4 milhão) e 30 Maseratti (a partir de R$ 800 mil) que hoje circulam no país. Mais impressionantes são os números das marcas alemãs BMW e Audi. As vendas da BMW aumentaram mais de 50%: foram 8.517 modelos zero quilômetro da marca, que custam a partir de R$ 120 mil, além de 3.450 motos e 1.700 unidades do Mini Cooper. A Audi viu o número de seus carros comercializados aqui saltar 60%, para 3,2 mil unidades no ano passado. As grifes internacionais de perfumes, moda e tecnologia também avançam no Brasil. Com seus perfumes há cinco anos como os mais vendidos entre os importados, a grife Carolina Herrera (CH) abriu sua primeira loja de roupas e acessórios ano passado em São Paulo. A marca já tem programada a abertura de mais três lojas, uma no Rio. José Tarcízio, presidente da Neutrolab, importadora de perfumes e cosméticos de marcas como Prada, CH e Chanel, conta que os preços desses itens aqui são até duas vezes o que custam lá fora. Mas características do mercado brasileiro compensam: “primeiro, é o desejo das pessoas em ter a grife, sobretudo a facilidade de pagar por ela em muitas vezes, sem juros.” Como prova do potencial, ele cita a Sephora, maior rede de cosméticos do mundo, que comprou o controle das lojas virtuais Sacks e que deve abrir pontos de vendas aqui. Os brasileiros compraram 20% mais perfumes importados ano passado, conta. O mercado global cresceu 2%. O Brasil já é um dos dez maiores mercados da Sony e é o que mais cresce. Após trazer linhas de luxo, como notebooks que parecem revestidos de pele de Gioiadilo (R$ 8.999), a marca vai lançar portáteis em 3D e handcams com a mesma tecnologia. O dólar baixo foi apenas um dos fatores que impulsionaram o consumo de luxo, segundo especialistas. Fonte: O Globo (2011). Observação Observe na matéria citada que o preço não é um componente racional como fator decisivo para as compras. As pessoas consomem por outras razões que não sejam ter o dinheiro no bolso para fazê‑lo. Por isso, o preço percebido é uma forma de se pensar o preço nas empresas. 164 Unidade III Muitos exemplos são vistos principalmente em lojas de produtos de grife. Então, o empresário deve fazer que o consumidor perceba que o seu produto é realmente o melhor. Promoções, displays, descrições técnicas, degustação, amostras, enfim, é necessário mostrar‑se competitivo, de preferência superior. Apesar desse elevado grau de subjetividade, a formação do preço não deve ser totalmente livre; é necessário estipular uma faixa de preço (mínimo e máximo) e respeitá‑la. Isso inclui alguns fatores: • as variáveis microeconômicas; • os custos e as margens do produto; • a elasticidade da demanda; • os descontos. Veja que o preço é a “quantidade de dinheiro necessária para concretizar a venda de um produto. Por ter uma característica monetária, o preço também influencia os lucros auferidos por uma empresa, sendo uma variável crítica para a sua sobrevivência” (GIOIA, 2006, p. 70). 6.1 Como as empresas determinam preços As empresas determinam preços de formas variadas. Nas pequenas instituições, os preços são determinados pelos seus donos. Nas grandes, gerentes de divisão e de produto têm essa tarefa. De qualquer forma, há maneiras específicas para determinar preço que não a percepção de quem trabalha na empresa ou ainda do dono da empresa. Tratar da percepção do consumidor e entender como ele lida com o preço é fundamental aos departamentos de marketing. Preços de referência Pesquisas indicam que os consumidores conhecem a faixa de preços envolvidos e relacionados a um produto, mas poucos conseguem lembrar com precisão seu preço específico. Eles utilizam os preços de referência, considerando algo interno, em sua memória, ou uma estrutura de referência externa, como um preço cobrado no varejo. Imagine uma calça jeans. Quanto ela custa para você? R$ 30, 40, 50? Ou custa acima de R$ 100,00? Os possíveis preços de referência para o consumidor são: preço justo (quanto o produto deveria custar). No caso da calça jeans, cerca de R$ 50,00 seria um valor justo? Preço padrão, que é o que se encontra geralmente no comércio para o produto; o último preço pago pelo consumidor pelo produto, limite máximo de preço (preço de reserva ou aquele que a maioria dos consumidores estaria disposta a pagar), limite mínimo de preço (limite inferior de preço ou o mínimo que os clientes pagariam), preços do concorrente, preço futuro esperado, preço usual com desconto. Observe que são muitas possibilidades a serem pensadas pelo consumidor quando se trata de preço de um produto. 165 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA Inferências preço‑qualidade Muitos consumidores pensam no preço como indicador de qualidade, e quando precisam demonstrar esse atributo, ao presentear alguém, por exemplo, podem pagar bem mais do que imaginam que seja justo. No caso dos carros, os mais caros são percebidos como de melhor qualidade. Algumas marcas alegam escassez de produtos para demonstrar qualidade e justificar preços Premium (mais caros). Fabricantes de automóveis produzem em número reduzido, usando a demanda para aumentar o preço de venda. Um produto que custa R$ 299,00 pode ser percebido pelo consumidor com um valor de R$ 200,00 e não de R$ 300,00. Tendemos a gravar o número da esquerda, essa é a explicação. Quando se almeja lançar produtos que causem a percepção de um preço menor, é uma tática que funciona, mas não se deve usar essa artimanha quando se pretender ressaltar a qualidade dos produtos. Além dessas formas de se pensar sobre o preço, a internet tem revertido a ideia de que os preços devem ser sempre fixos. Ferramentas de busca e de comparação rapidamente fazem o consumidor alcançar o produto mais barato e é comum as empresas customizarem seus preços e suas ofertas. A determinação dos preços ainda faz parte dos principais fatores de tomada de decisão do consumidor e também da participação de mercado e da lucratividade das empresas. Consumidores e compradores têm mais acesso a informações sobre preços e organizações de descontos. “Os consumidores fazem compras com cautela, forçando varejistas a reduzir seus preços. O resultado é um mercado caracterizado por muitas liquidações e promoções de vendas” (KOTLER, 2000, p. 476). 6.2 Estabelecimento de preços Ao introduzir um produto no mercado, ou em um novo canal de distribuição, ou em uma nova área geográfica, a empresa deverá estabelecer seu preço. A maioria das empresas utiliza de três a cinco níveis de preço ou segmento de preço. Em qualquer segmento, existe uma faixa de preços aceitáveis chamada de banda de preço, que dá flexibilidade na adoção dos preços. Para estabelecer preços, as empresas devem levar muitos fatores em consideração. Lembrete Para determinar os objetivos para o estabelecimento de preços, há necessidade de considerar, além da situação ambiental e interna da empresa, o mercado‑alvo visado. Certos produtos são dirigidos à classe A, permitindo maior flexibilidade para preços altos, enquanto outros, dirigidos para classes inferiores, devemadaptar‑se ao poder aquisitivo desses consumidores. As empresas lidam com a determinação de preços de várias formas: as pequenas geralmente têm seus preços determinados pelo seu diretor ou dono; nas grandes, são restritos aos gerentes de divisão 166 Unidade III e de produto. Mesmo assim, é possível que nessas organizações a alta administração determine os objetivos e as políticas gerais de determinação de preços e que frequentemente seja responsável pela decisão de preços determinados pelos níveis mais baixos na hierarquia gerencial. Alguns autores citam que há três mitos sobre estratégias de determinação de preço: 1. Estabelecer preços que cubram os custos totais nos trará lucros. Como o preço é um fator de percepção, apenas lançar preços que cubram custos é um erro. Serviços agregados, a qualidade do produto e tudo o que a empresa oferece em termos de credibilidade e nome, deve ser computado no preço, e com certeza esse preço não será apenas o de custo. 2. Estabelecer preços que aumentem nossa participação de mercado nos trará lucros. A participação de mercado é determinada pela entrega de valor com vantagem competitiva, não apenas com redução de custo. Então, a empresa deve se preocupar com a fatia de mercado que poderá atender com maior lucratividade, e não com o preço que permitirá alcançar metas de vendas e de participação. 3. Estabelecer preços que atendam às exigências dos clientes nos trará lucros. A redução de preços para segurar o cliente ou derrubar a oferta da concorrência faz com que eles exijam cada vez mais descontos, e ainda acostuma o vendedor a oferecê‑lo. O que a empresa deve perceber é qual o preço convincente um cliente paga para o valor de nossos produtos (DONATH apud KOTLER; KELLER, 2006, p. 438). Para a formação de preços, é preciso responder às seguintes questões que tratam de fatores demográficos: • Quantos compradores potenciais há no mercado? • Qual é a localização dos compradores potenciais? • Eles são compradores organizacionais ou consumidores? • Qual é a taxa de consumo dos compradores potenciais? • Qual é a condição financeira dos compradores potenciais? (CHURCHILL JUNIOR; PETER, 2000, p. 354). Os autores também citam perguntas referentes aos fatores psicológicos que influenciam na formação de preços: 167 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA • Os compradores potenciais usarão o preço como um indicador da qualidade do produto? • Eles serão favoravelmente atraídos por preços quebrados, como 99 centavos em vez de 1 real, ou 177,50 reais em vez de 180,00 reais? • Eles perceberão o preço como alto demais em relação ao que o produto oferece? • Eles estão suficientemente preocupados com prestígio para pagar mais pelo produto? • Quanto eles estarão dispostos a pagar pelo produto? (CHURCHILL JUNIOR; PETER, 2000, p. 355). Os procedimentos para estabelecer preços após a decisão de objetivos e segmentos normalmente seguem: a determinação da demanda, a estimativa de custos, a análise de custos, os preços e ofertas dos concorrentes, a seleção de um método de determinação de preços e a seleção do preço final. 6.2.1 Seleção do objetivo da determinação de preços A empresa encontrará seu objetivo de determinação de preço se tiver seus propósitos de negócio bem claros e quando posicionar sua oferta ao mercado. Ou seja, ela precisa saber aonde pretende chegar. Existem vários objetivos que poderão ser perseguidos pela empresa em relação a preços. Inicialmente, deverão ser considerados os objetivos mais gerais, e estes deverão ser coerentes com os objetivos da empresa, que podem ser: a) Sobrevivência: os preços devem cobrir os custos variáveis e fixos apenas, com uma pequena margem de lucro. No longo prazo, essa política pode levar ao fechamento da empresa. b) Maximização do lucro total: determinação do preço para maximizar o lucro corrente. Elas estimam a demanda e os custos ligados a preços alternativos e escolhem o preço que maximizará o lucro corrente, o fluxo de caixa ou o retorno sobre o investimento (ROI). Para isso, a empresa deve dominar as funções de demanda e custos, que são de difícil controle e estimativa. Como se fixa no objetivo presente, no lucro corrente e ignora os efeitos de outras variáveis do mix de marketing, como as reações dos concorrentes e as limitações legais em relação aos preços, e empresas também podem sacrificar os lucros no longo prazo. c) Maximização da participação de mercado: acreditam que a maximização de participação no mercado levará ao aumento do volume de vendas, que reduz o custo unitário e leva a maiores lucros 168 Unidade III no longo prazo. Essa forma funciona para mercados sensíveis a preços baixos, custos de produção e distribuição decrescentes, e mercados em que o preço baixo desestimula a concorrência. d) Desnatamento máximo do mercado: começam com preço alto, e vai gradativamente reduzindo. Pense no lançamento da TV de plasma ou LCD quando chegaram ao Brasil. O preço já foi muito reduzido desde então. O objetivo é rentabilizar, ao máximo, cada uma das camadas consumidoras. O preço inicial alto não atrai a concorrência, o custo unitário de poucas peças não é tão alto a ponto de anular a vantagem do preço alto que será cobrado. Nesse caso, o preço alto comunica a imagem de um produto de qualidade superior. e) Liderança na qualidade do produto: preços Premium demonstram a qualidade do produto se os consumidores o perceberem dessa forma. f) Objetivos de concorrência: os administradores, em vez de se preocupar inicialmente com os custos que incorrerão para produzir seus produtos e retornos esperados, baseiam seus preços no de seus concorrentes. g) Preços promocionais: algumas empresas eventualmente usam preços promocionais visando melhorar alguma situação qualquer, como falta de caixa, datas especiais, combate à concorrência, entre outras. No varejo, essa estratégia é comum para gerar fluxo financeiro e de pessoas. h) Outros objetivos: organizações públicas e sem fins lucrativos adotam outros objetivos para determinação de preços, como a recuperação parcial de custos, por exemplo. Nesses casos, as entidades já contam com doações de particulares e subsídios públicos para cobrir os custos restantes (KOTLER, 2000, p. 479). Observação Empresas que utilizam o preço como ferramenta estratégica lucrarão mais que aquelas que simplesmente deixam que os custos ou o mercado determinem seus preços. Veja alguns conceitos econômicos aplicados ao marketing: • oferta: é a disponibilidade de bens ou serviços em todos os mercados ou em um mercado específico, cuja quantidade varia em função do nível de preços; 169 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA • demanda: expressa a busca de produtos por parte dos consumidores para satisfação de suas necessidades; • inflação: aumento no nível geral de preços. É medida pelos índices de preços, os quais, basicamente, são médias ponderadas dos preços de um conjunto predeterminado de produtos (GIOIA, 2006, p. 71). 6.2.2 Determinação da demanda Conforme o nível do preço, este levará à determinada demanda. Isto significa que se o bolo de chocolate que a pessoa mais gosta estiver em promoção, ela comprará quantos puder, pois o preço está baixo. Ou seja, uma modificação no preço altera consideravelmente a demanda. “Cada preço levará a um nível diferente de demanda e, portanto, terá um impacto diferente nos objetivos de marketing de uma empresa” (KOTLER, 2000, p. 479). A curva de demanda apresenta o volume provável de compra do mercado ante as alternativas de preço, veja a figura a seguir: 60 40 20 50 10.000 50.00030.000 Quantidade demandada em unidades 20.000 40.000 30 10 Figura 15 – Curva de demanda Fonte: Gioia (2006, p. 359). Estimativa das curvas da demanda O primeiro passo para estimar a demanda é compreender o que afeta a sensibilidade. Depois, é preciso medir suas curvas de demanda por meio de vários métodos: • análise estatística de preço: observação de vários fatores, como quantidadesvendidas e outros pontos históricos para estimar a relação ente eles; • experiências com preços: alterar preços e observar os resultados. Avaliar como essa mudança, seja entre produtos, seja entre regiões, comporta‑se perante as vendas; 170 Unidade III • levantamentos: estuda as quantidades de unidades que os consumidores comprariam com diferentes preços propostos. Esse método pode falhar, pois o consumidor pode subestimar intenções de compras a preços mais altos, como forma de desestimular a empresa a aumentar preços (KOTLER, 2000). Citamos nove fatores identificados que levam a menor sensibilidade ao preço: • o produto é exclusivo; • os compradores têm menos consciência da existência de substitutos; • os compradores não podem comparar facilmente a qualidade de substitutos; • a despesa é uma pequena parte da renda total do cliente; • a despesa é pequena em relação ao custo total do produto final; • parte do custo é assumida por terceiros; • o produto é utilizado em conjunto com bens comprados anteriormente; • o produto supostamente possui mais qualidade, prestígio ou exclusividade; • os compradores não podem estocar o produto (NAGLE; HOLDEN, 2001 apud KOTLER; KELLER, 2006, p. 436). Elasticidade de preço da demanda A empresa precisa conhecer a sensibilidade da demanda em relação ao preço, se é uma demanda reativa, elástica ou inelástica. A demanda provavelmente será menos elástica se: • houver poucos substitutos ou concorrentes; • os compradores não perceberem o preço mais alto imediatamente; • os compradores demorarem a mudar seus hábitos de compra e procurarem preços mais baixos; • os compradores acharem que os preços mais altos são justificados por diferenças em qualidade, pela inflação normal e assim por diante. Quando a demanda praticamente não se altera com uma pequena mudança no preço, dizemos que ela é inelástica. Se a demanda muda consideravelmente, quando se mexe nos preços, a demanda é elástica. Nesse caso, os fornecedores podem estudar uma redução de preço – o preço mais baixo produzirá maior receita total. “Isso é verdade, desde que os custos de produzir e vender mais unidades não aumentem desproporcionalmente” (KOTLER, 2000, p. 482). 171 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA 6.2.3 Estimativa de custos A demanda determina o preço máximo que uma empresa pode cobrar por seu produto, e os custos indicam o piso. A empresa deve cobrar um preço para cobrir seu custo de produção, distribuição e venda do produto, e um retorno justo por seu esforço e risco. Tipos de custos e níveis de produção Os custos de uma empresa são compostos pelos fixos e variáveis. Os custos fixos, ou indiretos, são os que não variam conforme a produção ou a receita de vendas. São exemplos deles: o aluguel, a energia, os juros, a folha de pagamento etc., independente do faturamento e dos valores de vendas. Os custos variáveis se alteram conforme o nível de produção. Se usamos 200 folhas de papel para imprimir um livro, certamente utilizaremos 2.000 para produzir 10 livros. A quantidade da matéria‑prima vai variar, logo esses custos são variáveis. Os custos totais são a soma dos custos fixos com os custos variáveis. Os preços devem pelo menos cobrir esses custos totais em determinado nível de produção. Produção acumulada Conforme a experiência de produção os custos vão se diluindo, e o custo médio cai com a produção acumulada. Esse declínio no custo médio proporcionado pela experiência de produção acumulada é chamado de curva de experiência ou curva de aprendizagem. A determinação de preços com base na curva de experiência, entretanto, encerra riscos importantes. A determinação agressiva de preços pode conferir ao produto uma imagem negativa. A estratégia também pressupõe que os concorrentes sejam fracos e não estejam dispostos a disputar o mercado. No longo prazo, a estratégia leva a empresa a construir mais fábricas para atender à demanda, enquanto o concorrente pode usar uma nova tecnologia de custo mais baixo e obter custos mais baixos que os da líder de mercado, que agora está presa à tecnologia antiga (KOTLER, 2000, p. 484). Contabilidade de custos baseada em atividade As negociações com o varejo assumem várias formas. Alguns podem querer entregas diárias, outros, quinzenais. Logicamente, o custo de produção será diferente para cada um deles. Dessa forma, o fabricante precisa utilizar a contabilidade de custos baseada em atividade (activity‑based cost – ABC) em vez da contabilidade de custos padrão. A ferramenta ABC procura identificar os custos reais associados ao atendimento a diferentes clientes. Tanto os custos variáveis quanto os administrativos devem ser atribuídos a cada cliente. As empresas que deixam de medir seus custos corretamente não estão medindo seus lucros de maneira adequada, e é provável que aloquem seu esforço de marketing de maneira errada (KOTLER, 2000, p. 484). 172 Unidade III Determinação de custo‑alvo Para compreender qual seria o preço pago pelo cliente, ou o preço justo de um produto requer pesquisas das áreas que cuidam do preço. Os custos mudam com a escala de produção e a experiência, conforme vimos até aqui. Também mudam em função do esforço para reduzir custos e pela determinação do custo‑alvo. O objetivo é prever o custo final e trazê‑lo para a faixa de custo‑alvo. Este é formado pela dedução da margem de lucro desejada desse preço. 6.2.4 Análise de custos, preços e ofertas dos concorrentes Além de levar em conta os custos, a demanda e a faixa de preços possíveis, a empresa deve conhecer e analisar os preços da concorrência. Se o preço é maior ou tem características extras ao produto da empresa, provavelmente o consumidor percebe essa diferença. Se é a sua empresa que tem mais características diferenciadas do que a concorrência, então o consumidor provavelmente avaliará essa diferença e a somará ao preço pensado inicialmente para o produto. Após esse estudo, a organização decide se definirá um preço maior, menor ou igual ao estipulado pela concorrência. A seguir, a análise de custos, preços e ofertas dos concorrentes: Monopólio: consiste em uma única firma operando num dado mercado, sem a existência de um produto substituto próximo. Concorrência perfeita: existe um grande número de compradores e vendedores de pequeno porte frente ao mercado total oferecendo produtos não diferenciáveis e, por parte dos consumidores, não há qualquer informação a respeito dos preços. Oligopólio: um número reduzido de vendedores oferta produtos que são substitutos próximos entre si, mas não inteiramente iguais: a marca, por exemplo, é um elemento de diferenciação. Guerra de preços: é uma espiral de queda contínua dos preços e lucros de um setor que debilita as empresas a longo prazo (GIOIA, 2006, p. 84‑85). 6.2.5 Seleção de um método de determinação de preços Após o estudo desses três Cs — demanda dos clientes, função custo e os preços dos concorrentes, a empresa poderá selecionar seu preço. Os custos determinam o piso, os concorrentes servem como uma orientação, e as características diferenciadas estabelecem o teto para o preço. Geralmente, as empresas selecionam uma ou mais formas levando em conta esses fatores. Apresentamos a seguir seis formas para determinar preços: preço de markup, preço de retorno‑alvo, preço de valor percebido, preço de valor, preço de mercado e preço de leilão. a) Preço de markup: nesse item, basta acrescentar um marcador padrão (markup) ao custo do produto. Por exemplo, o custo para confeccionar uma bolsa em couro é de R$ 200,00 e a intenção é lucrar 30%. O preço será de R$ 260,00. 173 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA Os markups sobre o custo são geralmente maiores em itens sazonais (para cobrir o risco de não venderem), itens especiais, itens como vendas mais lentas, itens com altos custos de armazenagem e de manuseio e itens de demanda inelástica [...] A determinação de preços de markup sobre custos somente funciona se o preço com markup realmente gerar o nívelde vendas esperado (KOTLER, 2000, p. 485‑486). b) Preço de retorno‑alvo: esse preço é determinado pela seguinte fórmula: Retorno desejado + Retorno desejado X Capital investido Custo unitário = ______________________________________________ Unidades vendidas Preço de retorno‑alvo = ‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑‑ = Re ce ita s e c us to s t ot ai s $ Número de unidades Custos totais E = Ponto de equilíbrio x = Vendas a R$ 90,00 a unidade y = Vendas a R$ 80,00 a unidade z = Vendas a R$ 70,00 a unidade Custos variáveis Custos fixos x y z E E E CF Figura 16 Adaptada de: Kotler e Keller (2006). Veja a fórmula a seguir: Custos fixos PE = _______________________________ Contribuição unitária aos custos fixos Exemplificando: • Preço unitário do produto: R$ 100,00; • Custo variável: R$ 60,00; 174 Unidade III • Custo fixo da empresa: R$ 120.000,00; • PE = 120.000,00/40 ⇒ PE = 3.000 unidades. O fabricante precisa considerar diferentes preços e estimar seus impactos prováveis sobre o volume de vendas e os lucros. O fabricante também deve procurar meios de reduzir seus custos fixos ou variáveis, já que custos mais baixos reduzirão o volume necessário para o ponto de equilíbrio (KOTLER, 2000, p. 487). c) Preço de valor percebido: cada vez mais empresas baseiam seus preços em valor percebido pelo cliente. Elas entregam o valor prometido e o cliente deve perceber esse diferencial. Para isso, é necessário determinar com precisão a percepção do mercado ao valor ofertado, senão há o risco de determinar um preço alto demais ou subestimá‑lo, cobrando menos do que poderia ser cobrado segundo a percepção do consumidor. Geralmente, esse valor é determinado por pesquisas de mercado. Apresenta‑se a formação do preço de um trator Caterpillar pelo método preço percebido, ele custa US$ 10 mil a mais do que o produto do concorrente. Acompanhe: Quadro 7 US$ 90.000 Preço do trator se for equivalente ao do concorrente US$ 7.000 Preço premium pela durabilidade superior da Caterpillar US$ 6.000 preço premium pela confiabilidade superior da caterpillar US$ 5.000 Preço premium pelo serviço superior da Caterpillar US$ 2.000 Preço premium pelo maior período de garantia de peças US$ 110.000 Preço normal para cobrir o valor superior da Caterpillar ‑ US$ 10.000 Desconto US$ 100.000 Preço final Fonte: Kotler e Keller (2006). d) Preço com base no valor: as empresas precisam realizar pesquisas para determinar preços dessa forma. Elas conquistam clientes fiéis cobrando preços relativamente baixos por uma oferta de alta qualidade. Não se trata simplesmente de baixar os preços. Trata‑se de redesenhar as operações da empresa, reduzir custos e baixar significativamente os preços para atrair um grande número de clientes que dão atenção ao seu valor. e) Preço de mercado: a orientação vem do mercado, ou seja, da concorrência. A empresa pode cobrar mais, menos ou o mesmo valor que o(s) principal(is) concorrente(s). As organizações oligopolistas que vendem commodities, como aço, papel etc., normalmente cobram o mesmo preço. As empresas menores seguem a líder e mudam seus preços quando a concorrente muda, e não quando os custos se alteram. Outras ainda cobram um preço adicional ou concedem um pequeno desconto, mantendo sempre a mesma diferença de preço. 175 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA f) Preço por leilão: a disseminação da internet tem aumentado o número de empresas que fazem seus preços dessa forma. A principal utilidade é escoar estoque ou comercializar artigos de segunda mão. Há três tipos de leilão, veja a seguir: • leilão inglês (ascendente): um vendedor e muitos compradores. O vendedor oferece um item e os compradores aumentam seus lances até que o preço máximo seja atingido. Usados para vendas de antiguidades, gado, imóveis, equipamentos e veículos usados; • leilão holandês (descendente): há um vendedor e muitos compradores, ou um comprador e muitos vendedores. No primeiro caso, é anunciado um preço alto para o produto e o leiloeiro vai diminuindo lentamente até que um comprador aceite o lance. No segundo, o comprador anuncia algo que deseja comprar e os vendedores potenciais competem pela venda oferecendo o menor preço. Cada vendedor vê qual o último lance e decide; • licitação com propostas lacradas: os interessados só podem apresentar uma proposta e eles não conhecem a proposta dos concorrentes. Governos têm usado este sistema (KOTLER, 2000, p. 489). 6.2.6 Seleção do preço final Depois de todas essas análises e formas de determinação de preço, a empresa deve se decidir pelo melhor método. Ela deve considerar fatores adicionais, incluindo a influência de outros elementos do mix e marketing sobre o preço, políticas de preço da instituição e o impacto do preço sobre terceiros. Essa determinação precisa levar em conta elementos, como a qualidade e a propaganda da marca em comparação com a concorrência. O consumidor nem sempre avalia o preço como quesito importante para a compra, mas se interessa mais pela forma como será atendido, se o produto será entregue no prazo, e como fará para utilizá‑lo. 6.3 Preço geográfico Na determinação do preço, há empresas que consideraram o local em que ele será aplicado, determinando assim um preço geográfico diferente para cada local, pois geralmente não consegue ter os mesmos lucros em todos os lugares. O preço geográfico estabelece preços diferentes para diferentes clientes, em diferentes locais e países. Fazer negócios em outros países garante o aumento de lucros. As taxas de embarque e de transporte encarecem a produção e o valor com que a mercadoria chega ao outro país. Alguns compradores podem não dispor de meios de pagamentos, e então se utiliza a permuta, que representa entre 15 e 25% do comércio mundial e pode se dar por escambo, acordo de compensação, acordo de recompra e reciprocidade. Vamos entender melhor: 176 Unidade III • Escambo: é a troca direta de mercadorias, sem envolver dinheiro nem terceiros. • Acordo de remuneração: nesse acordo, o vendedor recebe uma porcentagem do pagamento em dinheiro e o restante em mercadorias. • Acordo de recompra: a venda é de uma fábrica, equipamento ou tecnologia a outros países há o pagamento parcial em produtos fabricados com o equipamento fornecido. • Reciprocidade: ocorre quando a instituição recebe totalmente em dinheiro, mas concorda em despender valores importantes naquele país num período de tempo determinado. Lembrete A maior parte das empresas ajusta seus preços e dá descontos e concessões por pagamento antecipado, compras de grandes volumes ou compras fora de temporada. “A aplicação de descontos sobre preços tornou‑se o modus operandi de um surpreendente número de empresas que oferecem produtos ou serviços” (KOTLER, 2000, p. 492). 6.4 Descontos e concessões de preços Os preços podem receber descontos e concessões e que podem representar vantagens para o comprador sob determinadas condições: • Descontos em dinheiro: um desconto em dinheiro é uma dedução no preço para compradores que pagam suas contas em dia. Um exemplo típico é quando o comprador deduz certa porcentagem da fatura por pagá‑la em menos tempo. • Descontos por quantidade: um desconto por quantidade é uma redução de preço para aqueles compradores que adquirem grandes quantidades da mercadoria. Um exemplo é uma xérox a R$ 0,10 até 100 unidades, e R$ 0,07 para acima de 100 cópias. • Descontos funcionais: também chamados descontos comerciais, são oferecidos pelo fabricante a membros do canal de distribuição, desde que estes assumam certas funções, como vender, armazenar e manter registros. Os fabricantes poderão oferecer diferentes descontos funcionais a diferentes canais comerciais, mas devem oferecer os mesmos descontos funcionais dentro de cada canal. • Descontos sazonais: quandoo preço é reduzido para que os compradores adquiram mercadorias ou serviços fora de estação. Fabricantes de biquínis e moda de praia podem oferecer descontos sazonais a varejistas no outono e inverno para estimular pedidos antecipados. 177 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA • Concessões: são pagamentos extras que objetivam ganhar participação de revendedores em programas especiais. Concessões de troca são reduções de preços concedidas pela devolução de um artigo antigo na compra de um novo. As concessões de troca são mais comuns no setor de bens duráveis. As concessões promocionais são pagamentos ou reduções de preços para recompensar os revendedores por sua participação em programas de propaganda e de apoio às vendas (KOTLER; KELLER, 2006, p. 449). Figura 17 Disponível em: https://bit.ly/3jz7bj2. Acesso em: 2 jul. 2021. 6.5 Preço promocional Para estimular compras antecipadas as empresas utilizam diversas técnicas de determinação de preços, veja algumas delas: • Preço isca: supermercados e lojas de departamentos frequentemente reduzem o preço de marcas conhecidas para estimular um movimento maior nas lojas. Os fabricantes dessas marcas normalmente desaprovam o fato de seus produtos serem usados como “iscas” porque essa prática pode diluir a imagem da marca e suscitar reclamações de outros varejistas que cobram o preço de tabela. • Preço de ocasião: as empresas estabelecem preços especiais em certas épocas para atrair mais clientes. Exemplo: volta às aulas, Natal etc. • Abatimento em dinheiro: a indústria automobilística e outras empresas de produtos de consumo oferecem abatimento em dinheiro para estimular a compra dos produtos dos fabricantes dentro de um período determinado. Os abatimentos podem ajudar a limpar o estoque sem reduzir o preço estipulado na tabela. 178 Unidade III • Financiamento a juros baixos: em vez de cortar preços, a empresa pode oferecer aos clientes um financiamento a juros baixos. Fabricantes de automóveis e computadores utilizam essa forma para desovar seus estoques. • Prazos de pagamento mais longos: as empresas, especialmente bancos e fabricantes de automóveis, fazem empréstimos com prazos mais longos, reduzindo assim as parcelas mensais. Os consumidores frequentemente se preocupam menos com o custo (ou seja, a taxa de juros) de um empréstimo e mais com sua capacidade de arcar com o pagamento mensal. • Garantias e contratos de serviço: as empresas podem promover vendas oferecendo uma garantia ou contrato de serviço gratuito ou a baixo custo. • Descontos psicológicos: essa estratégia envolve o estabelecimento de um preço artificialmente alto e, então, o produto é oferecido com um desconto substancial, por exemplo: de 359 por 299. São táticas ilegítimas de descontos e combatidas por órgãos de regulamentação do comércio, mas descontos sobre preços normais são uma forma legítima de determinação de preços promocionais. • Crítica: as estratégias de determinação de preços promocionais costumam ser nulas. Se funcionarem, os concorrentes as copiam e elas perdem a eficácia. Se não funcionarem, desperdiçam verbas da empresa que poderiam ter sido aplicadas em ferramentas de marketing com impacto de prazo mai longo, como a melhoria da qualidade do produto ou serviço ou o fortalecimento da imagem do produto pela propaganda (KOTLER; KELLER, 2006, p. 450). 6.6 Preço discriminatório ou diferenciado Ocorre quando a empresa ajusta seu preço básico para se adaptar às diferenças de clientes, produtos, locais e assim por diante, ou seja, um produto ou serviço por dois ou mais preços que não refletem uma diferença proporcional de custos. Esses preços podem ser de três níveis: o preço discriminatório — há um preço diferente para cada cliente, conforme seu grau de exigência; preço menor de clientes que compram um volume maior e valores diferentes para diferentes classes de compradores. Nesse caso, pode ser: preço por segmento de cliente; pela versão do produto; preço por imagem do produto; por canal de distribuição; por localização (poltrona para shows) e preço por período (variam conforme a hora ou o dia). 179 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA 6.7 Estratégias de preços Há diversas estratégias de preços, vejamos algumas: Quadro 8 Preço Qualidade Alto Médio Baixo Alta Premium Penetração Superbarganha Média Preço alto Qualidade comum Barganha Baixa Bater e correr Qualidade inferior Economia Adaptado de: Kotler (1998). • Estratégia de preço Premium: quando visa atingir a uma camada alta da sociedade; pode‑se utilizar da alta qualidade para praticar um alto preço; • Estratégia de penetração: com um produto de alta qualidade, visando obter rápida penetração de mercado, praticando um preço um pouco abaixo do normal; • Estratégia de superbarganha: um produto de alta qualidade aliado a um preço baixo ocasiona uma rápida introdução no mercado à custa do preço praticado pela concorrência e sobretudo oferecendo condições vantajosas ao distribuidor; • Estratégia de preço alto: para uma qualidade média, um preço alto pode significar uma tentativa de valorização do produto e rápida lucratividade; • Estratégia de qualidade comum: a prática de um preço condizente com a qualidade proporciona uma parcela justa do mercado, nem mais, nem menos; • Estratégia de barganha: uma barganha com distribuidores, com um produto de qualidade média, pode resultar em um preço baixo; • Estratégia de bater e correr: estipular um preço alto para um produto com baixa qualidade pode denotar ou que os consumidores não têm conhecimento profundo do produto, ou, caso tenham, uma ação suicida da empresa; • Estratégia de qualidade inferior: um preço médio para um produto de baixa qualidade pode associar‑se a uma política de tirar vantagem da imagem da marca. Exemplo: artigos de confecção com defeitos de fábrica vendidos a preços médios e com boa qualidade; 180 Unidade III • Estratégia de economia: corresponde a produtos de baixa qualidade e com uma estratégia de preço baixo para se obter volume físico de vendas (KOTLER, 1998, p. 169). 6.8 Mudanças de preços Alterações nos preços podem provocar reações de clientes, concorrentes, distribuidores, fornecedores e até do governo. No caso da redução de preços, os consumidores certamente acreditarão que a qualidade do produto é baixa. Além disso, apesar de ganhar participação no mercado, preços baixos não compram a fidelidade do mercado e do consumidor. A concorrência pode baixar o preço também, e pode ser difícil manter‑se assim por muito tempo. Quando alteramos preços para valores superiores, pode‑se elevar a margem de lucro. Também é preciso aumentá‑los quando há inflação de custos. O excesso de demanda também pode acarretar mudanças nos preços. O ideal é que os aumentos de preço pareçam justos para evitar reações desagradáveis dos consumidores. Grandes aumentos precisam ser explicados. Algumas alterações menos visíveis são melhores que grandes aumentos de uma única vez. Os concorrentes também podem reagir a alterações nos preços. Se tiver fôlego, o concorrente pode manter seu preço, pois pode ter como objetivo a margem de lucro. Ao contrário, se quiser participação no mercado, pode aumentar seu preço também. Como estabelecer preços justos em sua clínica de estética Alguns profissionais de estética e gestores de negócios de beleza costumam fazer uma avaliação de preços aleatória, baseada em sua experiência e no mercado ao redor. Em muitos lugares, os movimentos de mercado fazem com que empreendedores baixem demais seu preço, fazendo‑os perder dinheiro para não deixar de vender, ou subam muito, assustando o cliente. Por isso, é preciso se perguntar sempre se os preços cobrados estão justos. [...] É preciso considerar alguns aspectos na hora de definir os valores cobrados em um salão de beleza e há duas formas para fazer isso. Ou se toma o caminho de calcular os custos de cada hora de trabalho e material utilizado, ou se chega ao preço final tomando por base osclientes e o mercado. Especialistas dizem que a melhor estratégia é utilizar as duas formas ao mesmo tempo. Afinal, o preço de seu produto está atrelado ao valor que o consumidor dá a ele, considerando a qualidade de seu produto, a concorrência e a demanda de mercado, mas de nada adianta tudo isso se você não conseguir se sustentar, do ponto de vista empresarial. As contas fixas, como locação de espaço, contas de água, luz, gás, telefones, internet, aluguel de equipamentos, salários de funcionários e impostos devem conseguir mante‑se pagas. Tenha na ponta do lápis o tempo gasto com cada serviço e o valor da hora de trabalho do profissional (com base em seu custo médio mensal), e registre tudo em um sistema de gestão on‑line. 181 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA As contas variáveis, como comissões, suprimentos e custos de materiais são as operacionais. E há também as despesas comerciais, como investimentos em marketing, publicidade e sistemas. Vale lembrar também que essas duas últimas categorias, as variáveis, são proporcionais ao faturamento da empresa, então devem estar embutidas nos preços também de forma proporcional. Por exemplo, gastos com taxas seriam 2% sobre as vendas, materiais, 3%, e assim por diante. Seja qual for o tamanho do seu empreendimento, um programa para salão de beleza de qualidade lhe permite controlar todo o estoque e saber todos os seus custos com materiais e comissões, por exemplo, além dos demais controles financeiros das saídas e receitas de seu salão de beleza. É possível trabalhar com margens de lucro flexíveis. Primeiramente, saiba qual o sistema tributário da sua empresa. Se estiver na categoria Simples, que é da maioria dos pequenos empreendimentos, não terá direito a nenhum tipo de crédito tributário. Se a sua empresa se encaixar no Lucro Presumido, você poderá retirar o valor do ICMS, que representa 18%. Já no caso da categoria Lucro Real, pode descontar o valor do crédito tributário do ICMS (18%), do PIS (1,65%) e da Cofins (7,6%), mas a regra da substituição tributária não vale para o ICMS. Considere também a concorrência. Se o preço dela for mais baixo ou mais alto que o seu, talvez seja preciso recalcular seu valor, estimando margens de lucro menores ou maiores, dependendo de sua estratégia de mercado. Se seu preço ainda for menor do que do salão de beleza ao lado, você pode aumentar sua margem de lucro ou fazer disso um diferencial competitivo. Qualquer que seja seu preço, mas sobretudo no caso de ele estar um pouco acima do praticado, utilizar recursos que lhe diferenciam da concorrência, como estratégias de fidelização de clientes, marketing para estética e atendimento, ajudam a sustentar seu preço. É preciso trabalhar de forma a sempre reduzir o impacto do preço para o cliente – em outras palavras, para que ele entenda que é justo pagar pelo que você está oferecendo. Evite descontos e ofereça, em vez das tradicionais barganhas, vantagens como programas de fidelização, eventos, mimos e promoções inesperadas ou personalizadas. Promova suas qualificações, a qualidade dos produtos utilizados em sua clínica de estética e o nível de seus profissionais, com ações de comunicação na internet ou no próprio salão, com cartazes bonitos em pontos estratégicos. E não se esqueça que um bom software para clínicas estéticas lhe ajuda a organizar tudo isso para fazer um planejamento financeiro adequado! [...] Adaptado de: Flowww (2021). 182 Unidade III E quando é o concorrente que altera o preço? A empresa pode adotar algumas estratégias também: manter o preço, agregar valor (melhorar o produto e oferecer mais serviços, por exemplo). Outra forma pode ser reduzir o preço, aumentá‑lo, melhorar sua qualidade e lançar uma linha de combate com preço reduzido. Saiba mais Indicamos a seguinte leitura: VIOLIN, F. L. Guerra de preços. Portal do marketing, 2003. Disponível em: https://bit.ly/2UW5fac. Acesso em: 30 jun. 2021. Preços e ética As empresas devem pensar na relação entre valor para os consumidores de seus produtos. Gioia (2006) propõe valor como uma ideia subjetiva de cada consumidor com relação ao produto, em que pesam os benefícios e custos percebidos por ele. Será que deveria existir um limite para os preços e lucros que uma companhia aufere com um determinado produto? Em teoria, quaisquer empresas podem ganhar quanto imaginarem que possam com suas mercadorias. No entanto, a ética do marketing sugere que devem ser estabelecidos limites para preços e lucros. Resumo Nessa unidade foram desenvolvidos os conceitos do P de produto e suas variáveis. Você aprendeu os elementos importantes a serem estudados quando se pensa num produto: características, embalagem, marcas e linhas. Também foram destacadas as formas que as empresas utilizam para desenvolver novos produtos e como colocar as novas ideias em prática, dificuldade da maioria delas, pois não é algo comum ser uma empresa inovadora. Para que isso aconteça, é preciso haver o desenvolvimento de uma cultura inovadora. 183 MARKETING APLICADO À ESTÉTICA Exercícios Questão 1. A Procter & Gamble lançou fraldas na China em duas cores: azul e rosa. As cor‑de‑rosa permaneciam encalhadas nos pontos de venda. Ao pesquisar o motivo, a empresa descobriu que os chineses valorizam mais o filho homem. Também identificou que os consumidores se envergonhavam de levar fraldas para meninas. Com relação ao exposto, assinale a alternativa incorreta: A) A embalagem deve ser adaptada à cultura local, buscando criar vínculos com os valores e normas do grupo ao qual o produto se destina. B) A empresa deve excluir as meninas chinesas como parte do mercado‑alvo, já que está lidando com um obstáculo cultural intransponível. C) Quando a empresa atua em mercados globais, os rótulos e as embalagens devem atender a uma diversidade maior do que aquela encontrada no país de origem da organização. D) Ao lançar um produto globalmente, a empresa deve escolher um nome que não tenha significado negativo em outro idioma. E) Ao planejar o lançamento de um produto em vários e diferentes mercados, a empresa deve pesquisar, localmente, os hábitos e as atitudes do mercado consumidor potencial. Resposta correta: alternativa B. Análise das alternativas A) Alternativa correta. Justificativa: a embalagem, como forma de comunicação visual, deve ser adaptada para diferentes tipos de consumidores em diferentes locais e para diferentes culturas. B) Alternativa incorreta. Justificativa: para a empresa, neste caso, seria preferível adaptar embalagem e rótulo aos costumes de consumo local ao invés de descontinuar a linha de produção de fraldas voltadas para meninas. C) Alternativa correta. Justificativa: cada empresa atuando em mercados globais deve adequar a abordagem do marketing conforme as condições apresentadas em cada localidade diferente. 184 Unidade III D) Alternativa correta. Justificativa: para que possa atuar globalmente, é de extrema importância que a empresa se preocupe com o significado de diferentes palavras em diversas localidades. E) Alternativa correta. Justificativa: conhecer a cultura e os costumes locais é parte da estratégia de posicionamento de produtos em diferentes países. Questão 2. (Cesgranrio 2012, adaptada) Uma característica típica do marketing em empresas de serviços, que interfere decisivamente em sua gestão, é o fato de que sua prestação: A) Ocorre simultaneamente ao consumo. B) Costuma não variar de cliente para cliente. C) Depende pouco dos funcionários e dos clientes. D) Pode ser estocada para as horas de movimento. E) É facilmente percebida pelo cliente antes da compra. Resposta correta: alternativa A. Análise das alternativas A) Alternativa correta. Justificativa: em empresas prestadoras de serviços, o marketing ocorre concomitantemente ao consumo. B) Alternativa incorreta. Justificativa: a percepção de marketing é variável de cliente para cliente, o que interfere decisivamente em sua gestão quanto à formade abordagem. C) Alternativa incorreta. Justificativa: em empresas prestadoras de serviços, os funcionários são elementos fundamentais na propagação do marketing e no encantamento do cliente. D) Alternativa incorreta. Justificativa: o marketing e a prestação de serviços não são variáveis de estoque. E) Alternativa incorreta. Justificativa: como ocorre simultaneamente ao consumo, é perceptível apenas nesse momento.