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MARKETING DE SERVIÇOS A empresa com foco no cliente Valarie A. Zeithaml Mary Jo Bitner Dwayne D. Gremler M A R K ETIN G D E SER V IÇ O S A em presa com foco no cliente Valarie A . Zeitham l M ary Jo B itner D w ayne D . G rem ler Esta nova edição de Marketing de Serviços conserva a abordagem focada na prestação de serviços, além de trazer os resultados das pesquisas mais recentes sobre o assunto. Seus capítulos foram enriquecidos com exemplos de estratégias de marketing e de soluções de problemas adotadas por empresas atuantes em diversos setores. • Maior enfoque nos serviços business-to-business (B2B) e na tendência à inclusão da prestação de serviços por empresas especializadas em produtos. • Quatro novos estudos de caso com os dilemas enfrentados por empresas que entraram no setor de serviços e as soluções que encontraram para resolvê-los. • Nova estrutura para a recuperação de serviços, que inclui estratégias para “solucionar o cliente” e para “solucionar o problema”. MARKETING CONHEÇA TAMBÉM ANTUNES & COLS. Sistemas de Produção: Conceitos e Práticas para Projeto e Gestão da Manufatura Enxuta ANTUNES & COLS. Uma Revolução na Produtividade BALLÉ & BALLÉ A Mina de Ouro BALLÉ & BALLÉ O Gerente Lean FITZSIMMONS & FITZSIMMONS Administração de Serviços, 7.ed. HAIR JR. & COLS. Fundamentos de Pesquisa de Marketing HISRICH, PETERS & SHEPHERD Empreendedorismo, 9.ed. IYER, SESHADRI & VASHER A Gestão da Cadeia de Suprimentos da Toyota JACOBS & CHASE Administração da Produção e de Operações: O Essencial JACOBS & CHASE Administração de Operações e da Cadeia de Suprimentos, 13.ed. LIKER, J.K. O Modelo Toyota: 14 Princípios de Gestão do Maior Fabricante do Mundo MALHOTRA, N.K. Pesquisa de Marketing, 6.ed. OHNO, T. O Sistema Toyota de Produção: Além da Produção em Larga Escala PAIVA, CARVALHO JR. & FENSTERSEIFER Estratégia de Produção e de Operações, 2.ed. SLACK & COLS. Gerenciamento de Operações e de Processos, 2.ed. A Bookman Editora é parte do Grupo A, uma empresa que engloba diversos selos editoriais e várias plataformas de distribuição de conteúdo técnico, científico e profissional, disponibilizando-o como, onde e quando você precisar. O Grupo A publica com exclusividade obras com o selo McGraw-Hill Education em língua portuguesa. ÁREA DO PROFESSOR Interessados em PPTs, manual do instrutor e bancos de testes (em inglês) podem procurar pela página do livro em www.grupoa.com.br e clicar em Material para o Professor. O professor deverá se cadastrar para ter acesso. 00246_ZEITHAML_Marketing de Servicos.ai 1 13/02/2014 11:46:4400246_ZEITHAML_Marketing de Servicos.ai 1 13/02/2014 11:46:44 Z48m Zeithaml, Valarie A. Marketing de serviços [recurso eletrônico] : a empresa com foco no cliente / Valarie A. Zeithaml, Mary Jo Bitner, Dwayne D. Gremler ; tradução: Felix Nonnenmacher. – 6. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : AMGH, 2014. Editado também como livro impresso em 2014. ISBN 978-85-8055-362-8 1. Administração. 2. Marketing – Serviço ao consumidor. I. Bitner, Mary Jo. II. Gremler, Dwayne D. III. Título. CDU 658.818 Catalogação na publicação: Suelen Spíndola Bilhar – CRB 10/2269 Zeithaml_inicias_6ed_eletronica.indd iiZeithaml_inicias_6ed_eletronica.indd ii 31/03/14 11:5631/03/14 11:56 Capítulo 11 Os papéis dos funcionários na execução do serviço 315 Uma vez que os funcionários representam a organização e são capazes de influenciar direta- mente a satisfação do cliente, eles desempenham o papel de profissionais de marketing. Eles são a manifestação física do produto, verdadeiros outdoors com braços e pernas, do ponto de vista publi- citário. Alguns funcionários da prestação de serviços muitas vezes desempenham papéis mais tra- dicionais do departamento de vendas. Por exemplo, os caixas de banco são recrutados para vender outros produtos, o que se distancia do papel tradicional, voltado apenas para funções operacionais. Neste capítulo examinamos estruturas, ferramentas e estratégias para garantir que os funcionários de serviço desempenhem suas funções de marketing a contento. O triângulo dos serviços O marketing de serviços trata de promessas – promessas feitas e promessas cumpridas para os clien- tes. Uma estrutura conhecida como triângulo dos serviços (ilustrada na Figura 11.1) reforça visu- almente a importância das pessoas na capacidade das empresas de cumprir promessas e ter sucesso nos relacionamentos com seus clientes.17 O triângulo mostra os três grupos interligados e que tra- balham em conjunto para desenvolver, promover e executar serviços. Estes protagonistas principais estão identificados nos vértices do triângulo: a companhia (as unidades estratégicas de negócio*, os departamentos ou as “gerências”), os clientes e os prestadores. Os prestadores podem ser os funcio- nários as empresas subcontratadas ou terceirizadas pela empresa que prestam serviços por ela. Entre estes três vértices do triângulo, três tipos de marketing precisam ser executados com sucesso para que um serviço tenha êxito: marketing externo, marketing interativo e marketing interno. O lado direito do triângulo mostra os esforços do marketing externo que a empresa adota no desenvolvimento das expectativas dos clientes e na elaboração das promessas em relação ao que deve ser executado. Qualquer fator ou pessoa que se comunique com o cliente antes da prestação do serviço pode ser visto como parte do departamento de marketing externo. Mas o marketing externo é apenas o começo para os profissionais de marketing de serviços: promessas precisam ser cumpri- das. No lado inferior do triângulo vemos o que se chama de marketing interativo ou marketing em tempo real. Aqui as promessas são cumpridas ou não pelos funcionários da companhia, pelas em- presas subcontratadas ou pelos agentes. Nesse momento as pessoas que representam a organização * N. de T.: Em inglês, Strategic Business Units ou SBU. Companhia (Gerência) Marketing interno “Possibilitar o cumprimento da promessa” Funcionários Marketing interativo “Cumprir a promessa” Clientes Marketing externo “Fazer a promessa” Figura 11.1 O triângulo do marketing de serviços. Fontes: Adaptado de M. J. Bitner, “Building Service Relationships: It’s All about Promises,” Journal of the Academy of Marke- ting Science 23 (Fall 1995), pp. 7. C. Grönroos, Service Management and Marketing: A Customer Relationship Management Approach, 2nd ed. (West Sussex, England: John Wiley and Sons, Ltd., 2000), p. 55; e P. Kotler and K. L. Keller, Marketing Ma- nagement, 14th ed. (Upper Saddle River, NJ: Pearson Prentice Hall, 2012), p. 365. _Livro_Zeithaml.indb 315_Livro_Zeithaml.indb 315 28/01/14 18:0728/01/14 18:07 316 Parte V A prestação e o desempenho do serviço são essenciais. Se as promessas não forem cumpridas, os clientes sentem-se insatisfeitos e acabam deixando a companhia. O lado esquerdo do triângulo indica o papel crítico desempenhado pelo marketing interno. A gerência se engaja nestas atividades a fim de auxiliar os prestadores de servi- ço na execução da promessa de serviço: recrutando, treinando, motivando, recompensando funcio- nários e disponibilizando equipamentos e tecnologia. A menos que os funcionários da prestação de serviço sejam capazes e estejam motivados para executar o serviço com base nas promessas feitas, a empresa não terá êxito. Todos os lados do triângulo são essenciais para completar o todo e precisam estar alinhados. Ou seja, que o que foi prometido pelo marketing externo deve ser idêntico ao que é executado. Além disso, as atividades internas na companhia que permitem a observância das promessas exe- cutadas precisam estar alinhadas ao que é esperado dos prestadores de serviço. As estratégias para alinhar o triângulo, sobretudo as associadas ao marketing interno, são o tema deste capítulo. A satisfação dos funcionários, a satisfação dos clientes e o lucro Funcionários satisfeitos geram clientes satisfeitos (e clientessatisfeitos podem, por sua vez, refor- çar a noção de satisfação que estes funcionários sentem pelo trabalho que fazem). Algumas pesqui- sas foram mais longe e sugerem que quando os funcionários não se contentam com seu trabalho, a satisfação do cliente será mais difícil de ser alcançada.18 Por meio da pesquisa com clientes e funcionários de agências bancárias, Benjamin Schneider e David Bowen demonstraram que tanto uma atmosfera de serviço quanto uma atmosfera de bem- -estar do funcionário estão fortemente correlacionadas com as percepções gerais da qualidade do serviço.19 Isto é, tanto a atmosfera do serviço quanto a experiência em gestão de recursos humanos que os funcionários têm em suas organizações são refletidas no modo como os clientes vivenciam o serviço. Pesquisas semelhantes sugerem que os funcionários que se sentem tratados de modo justo por seus empregadores tratam melhor os clientes, o que resulta em maior satisfação para estes.20 A lógica por trás da relação entre satisfação do funcionário e satisfação e fidelidade do clien- te – e, em última análise, os lucros da companhia – é ilustrada pela cadeia do lucro com serviços da Figura 11.2.21 Nos capítulos anteriores concentramos nossas atenções na satisfação e na re- tenção do cliente; neste capítulo analisamos as questões envolvendo os funcionários. A cadeia de lucro com serviços sugere que há elos essenciais entre qualidade do serviço interno, satisfação do funcionário/produtividade, valor dos serviços prestados ao cliente e, por fim, satisfação e reten- ção do cliente e lucros da empresa. Os pesquisadores da cadeia do lucro com serviços são cautelosos ao indicar que o modelo não sugere uma relação causal. Isto é, a satisfação do funcionário não é a causa da satisfação do cliente. Ao contrário, as duas estão inter-relacionadas e nutrem-se uma à outra.22 O modelo sugere que as Qualidade no serviço interno Satisfação do funcionário Satisfação do cliente Fidelidade do cliente Retenção do funcionário Valor do serviço externo Produtividade do funcionário Crescimento de receitas Rentabilidade Figura 11.2 A cadeia do lucro com serviços. Fonte: Adaptado e reimpresso com permissão da Harvard Business Review, trecho de J. L. Heskett, T. O. Jones, G. W. Love- man, W. E. Sasser Jr., and L. A. Schlesinger, “Putting the Service-Profit Chain to Work,” Harvard Business Review 72 (March– April 1994), pp. 164–174. Direitos autorais (1994) da The Harvard Business School Publishing Corporation; todos os direitos reservados. _Livro_Zeithaml.indb 316_Livro_Zeithaml.indb 316 28/01/14 18:0728/01/14 18:07 Capítulo 14 A comunicação integrada no marketing de serviços 409 Uma das principais causas da percepção desfavorável sobre um serviço está na diferença entre o que uma empresa promete e o que ela na verdade executa. As expectativas do cliente são for- madas por fatores sociais incontroláveis e por variáveis que estão sob o comando da empresa. A propaganda boca a boca, os meios sociais, a publicidade, as mídias geradas pelo cliente, suas experiências com outras prestadoras de serviço e as necessidades de cada um são fatores básicos que influenciam as expectativas do cliente e raramente estão sob o controle da companhia. Fatores controláveis, como a propaganda, a venda pessoal e as promessas feitas pelas equipes de serviços, também influenciam as expectativas do cliente. Neste capítulo discutimos os dois tipos de comu- nicação, porém com maior enfoque nos fatores controláveis, pois podem ser influenciados pela companhia. A comunicação precisa, coordenada e apropriada – a propaganda, a venda pessoal, além de mensagens on-line e de outras categorias que não apresentam promessas excessivas nem representam equivocadamente a oferta da empresa – é primordial à execução de serviços que gerem uma percepção de qualidade no cliente. Uma vez que as comunicações da companhia sobre serviços prometem o que as pessoas fazem e dado que o comportamento não pode ser padronizado do mesmo modo que um produto gerado por máquinas, é alta a probabilidade de ocorrer um desequilíbrio entre o que é comunicado e as percepções formadas pela execução do serviço real (a lacuna 4 da empresa, a lacuna da comunica- ção). Ao coordenar a comunicação dentro e fora da organização, as empresas conseguem diminuir o tamanho da lacuna. A NECESSIDADE DE COORDENAÇÃO NA COMUNICAÇÃO EM MARKETING A comunicação em marketing é mais complexa hoje do que no passado. Foi-se o tempo em que o cliente recebia informações de marketing sobre bens e serviços de um número limitado de fontes, em geral de meios de comunicação de massa, como televisão e jornal. Com a limitação no número de canais, os profissionais de marketing não tinham muita dificuldade de veicular uma imagem de marca uniforme, nem de coordenar as promessas feitas. Contudo, o consumidor de hoje, tanto de bens de consumo quanto de serviços, recebe mensagens a partir de um leque muito mais amplo de veículos de marketing – sites, redes sociais, anúncios em dispositivos móveis, blogs, comunidades virtuais, correio, propaganda em cinemas, e-mails, revistas direcionadas a um público-alvo espe- cífico, além de inúmeras promoções de vendas. Os consumidores de serviços recebem mensagens também dos cenários de serviços, dos departamentos de atendimento ao cliente e nos encontros diá- rios com os funcionários de empresas do setor. Estas interações de serviço somam-se à variedade, ao volume e à complexidade das informações que o cliente recebe. Ao mesmo tempo que uma empresa é incapaz de controlar fontes externas, garantir que as mensagens de todas as fontes da companhia sejam consistentes é um dos maiores desafios para os profissionais de marketing de serviços. Qualquer companhia que distribua informações por meio de múltiplos canais precisa certificar- -se de que o cliente receba mensagens e promessas unificadas. Estes canais incluem não apenas as mensagens de comunicação em marketing que fluem diretamente a partir da companhia, como também mensagens pessoais enviadas pelos funcionários aos clientes. A Figura 14.1 mostra uma versão detalhada do triângulo do marketing de serviços apresentada no Capítulo 11, destacando que o cliente de serviços é alvo de dois tipos de mensagens. Primeiro, a comunicação do marketing externo envolve os canais tradicionais, como promoção de vendas, propaganda e relações públicas. Segundo, a comunicação do marketing interativo envolve as mensagens dadas pelos funcionários aos clientes por meio de canais como a venda pessoal, as interações com o centro de serviço ao cliente, as interações no encontro de serviço, as mídias sociais e o cenário de serviços (aspectos discutidos no Capítulo 10). Uma empresa de serviços precisa ter certeza de que estas mensagens interativas sejam consistentes entre si e com aquelas enviadas por meio das comunicações externas. Para isso, o terceiro lado do triângulo, o lado das comunicações do marketing interno, deve ser administrado de forma que as informações enviadas da companhia para seus funcionários sejam claras, completas e consistentes com o que os clientes veem ou ouvem. _Livro_Zeithaml.indb 409_Livro_Zeithaml.indb 409 28/01/14 18:0728/01/14 18:07 410 Parte VI A gestão das promessas de serviço A necessidade de campanhas de marketing integrado é evidente tanto em situações de business- -to-business quanto de negócios com o consumidor. Nas primeiras, o problema ocorre porque as diversas partes de uma organização do setor de serviços lidam com um cliente mas não têm uma co- municação interna eficiente. Por exemplo, consideremos um grande cliente corporativo da IBM que adquire hardware, software e serviços. Se o cliente lida com funcionários diferentes em cada um dos setores da organização envolvidos no processo, a empresa precisa – mas talvez não consiga – adotar um sistema de coordenação interna que garanta que todos esses funcionários estejam enviando ao cliente as mesmas mensagens. Mas isso nãobasta. Cada um destes setores talvez tenha uma campa- nha promocional independente, com diferentes mensagens e promessas. Um exemplo comum ilustra o que acontece quando não há integração entre as mensagens de marketing. Você já viu um anúncio de um serviço, como um sanduíche especial da rede de restaurantes Subway, foi a uma das filiais lo- cais e descobriu que ele não estava disponível? O funcionário do balcão prestou alguma explicação para esta falta? Ele percebeu que o sanduíche estava sendo anunciado em outros locais? Um de nós prestou consultoria para um banco na Costa Oeste dos Estados Unidos em que tanto clientes quanto funcionários deparavam-se com uma situação semelhante. A comunicação de marketing do banco era alterada com frequência e rapidez para acompanhar as ofertas da concorrência, mas o treinamen- to recebido pelos caixas do banco não alcançava as mudanças na propaganda. Com isso os clientes entravam nas agências dos bancos esperando poder abrir novos tipos de contas e aproveitar novas taxas, mas os funcionários constrangiam-se por não terem sido informados das novidades. Este exemplo demonstra uma das principais razões pelas quais as comunicações integradas do marketing não são a norma em diversas companhias. É muito comum vermos diversos setores de uma empresa responsáveis por diferentes aspectos da comunicação. O departamento de vendas desenvolve e executa a comunicação de vendas. O departamento de marketing e a agência de pu- blicidade da companhia preparam e veiculam a propaganda. Uma empresa de relações públicas é responsável pela publicidade. Especialistas funcionais encarregam-se da promoção de vendas, do marketing direto e dos sites da companhia. O departamento de recursos humanos treina os fun- cionários da linha de frente para as interações de serviço, enquanto outra área fica incumbida do departamento de serviço ao cliente. É raro vermos uma única pessoa responsável por toda a estra- tégia de comunicação em uma companhia, e é muito frequente vermos as pessoas responsáveis por diferentes componentes da comunicação trabalharem sem coordenação de esforços. Empresa ClientesFuncionários Marketing interativo Vendas pessoais Centro de serviço ao cliente Encontros de serviço Mídias sociais Cenários de serviço Marketing interno Comunicações horizontais Comunicações verticais Marketing externo Publicidade Promoção de vendas Relações públicas Marketing direto Figura 14.1 As comunicações e o triângulo do marketing de serviços. Fonte: Adaptado de M. J. Bitner, “Building Service Relationships: It’s All about Promises,” Journal of the Academy of Marke- ting Science 23, no. 4 (1995); e C. Gronroos, Services Management and Marketing (Lexington, MA: Lexington Books, 1990). _Livro_Zeithaml.indb 410_Livro_Zeithaml.indb 410 28/01/14 18:0728/01/14 18:07 Capítulo 14 A comunicação integrada no marketing de serviços 411 No entanto, hoje cada vez mais empresas adotam o conceito de comunicação integrada de marketing (IMC, Integrated marketing communications), na qual a empresa integra e organiza com cuidado todos os canais de comunicação externa. Um executivo de marketing explica a IMC: As comunicações integradas de marketing constroem uma sólida identidade de marca no mercado por meio da união e da ênfase de todas suas imagens e mensagens. A IMC significa que todas as mensagens, o posicionamento, as imagens e a identidade da companhia são coordenados em todos os seus pontos. Ela implica a uniformidade das mensagens do departamento de relações públicas em relação às campanhas pelo correio e a garantia de que a propaganda “tenha a mesma cara” de seu site.1 Neste capítulo propomos que um tipo mais complexo de comunicação integrada de marketing é necessário para serviços em comparação a produtos. Os canais de comunicação externa precisam ser coordenados, exatamente como ocorre com bens físicos, mas tanto os canais de comunicação externa quanto interna têm de ser integrados para gerar consistência nas promessas do serviço. Para alcançar isso, os canais de comunicação do marketing interno precisam ser administrados de forma que os funcionários e a empresa estejam de acordo sobre o que é comunicado ao cliente. Chamamos esta versão mais complexa da IMC de comunicação integrada do marketing de servi- ços (ISMC, Integrated services marketing communications). A ISMC exige que todas as pessoas envolvidas com a comunicação entendam com clareza a estratégia de marketing da empresa e as promessas que ela apresenta ao cliente. OS PRINCIPAIS DESAFIOS À COMUNICAÇÃO EM SERVIÇOS As discrepâncias entre o que é veiculado acerca de um serviço e o que o cliente de fato recebe – ou percebe que recebe – afetam a avaliação que o cliente faz da qualidade do serviço. Os fatores que contribuem com estes desafios à comunicação incluem (1) a intangibilidade do serviço, (2) a ges- tão das promessas do serviço, (3) a gestão das expectativas do cliente, (4) a educação do cliente e (5) a comunicação do marketing interno. A intangibilidade torna a comunicação no marketing de serviços mais desafiadora tanto para os clientes quanto para os profissionais de marketing. Neste capítulo, primeiro descreveremos os desafios que surgem desses fatores e, em seguida, detalhamos estratégias úteis adotadas pelas empresas para lidar com esses desafios. A intangibilidade do serviço Uma vez que os serviços são desempenhos, e não objetos, sua essência e seus benefícios são difíceis de comunicar aos clientes. A intangibilidade representa um desafio na comunicação do marketing de serviços, tanto para os profissionais de marketing quanto para os clientes. A natureza intangível dos serviços cria problemas para os clientes, antes e depois da compra. Antes de adquirir um serviço, os clientes têm dificuldade em compreender o que estão comprando e em lembrar nomes e tipos de ser- viços a considerar.2 Durante a compra, os clientes muitas vezes não distinguem as diferenças entre os serviços. Depois, a dificuldade está na avaliação de suas experiências com o serviço. Banwari Mittal descreveu as dificuldades associadas à intangibilidade com a apresentação de cinco propriedades, cada qual com suas implicações para a comunicação do marketing de serviços. Na opinião do autor, a intangibilidade envolve a existência incorpórea, a abstração, a generalidade, a dificuldade de pesquisa e a impalpabilidade mental.3 • A existência incorpórea. Um serviço não é composto de matéria física, nem ocupa lugar no es- paço físico. Ainda que o mecanismo de execução (como em um ponto de prestação de serviços da Jiffy Lube) ocupe espaço, o serviço propriamente dito (a manutenção de veículos e a troca de óleo) não tem existência física. Esta constatação implica a dificuldade, senão a impossibili- dade, de demonstrar o serviço. • A abstração. As vantagens do serviço, como segurança financeira, diversão ou saúde, não têm correspondência direta com os objetos, o que dificulta sua visualização e seu entendimento. _Livro_Zeithaml.indb 411_Livro_Zeithaml.indb 411 28/01/14 18:0728/01/14 18:07 412 Parte VI A gestão das promessas de serviço Por exemplo, quando as empresas precisam de consultoria, elas muitas vezes não sabem por onde começar, pois o conceito é tão vago que não compreendem os objetivos específicos, os processos ou os resultados que procuram. • A generalidade. A generalidade refere-se a uma classe de objetos, pessoas, eventos ou proprie- dades, ao passo que a especificidade tem relação com determinados objetos, pessoas ou even- tos. Muitos serviços e promessas de serviço são descritos como generalidades (experiência incrível, educação de qualidade, clientes totalmente satisfeitos), o que dificulta a diferenciação entre os competidores. • A dificuldade de pesquisa. Como um serviço é um desempenho, frequentemente ele não pode ser examinado, nem inspecionado antes da compra. Quando precisamos encontrar um mé- dico, uma empresa de conserto de ar condicionados, um personal trainer ouqualquer outro serviço, não conseguimos pesquisar as opções disponíveis com a mesma facilidade com que inspecionamos as prateleiras de um supermercado. É preciso despender muito mais esforço, e nem sempre o que encontramos será útil. Por exemplo, se um cliente precisa de um encanador, as informações contidas em uma fonte como a Internet não discriminam as escolhas de modo adequado. • A impalpabilidade mental. Os serviços são muitas vezes complexos, multidimensionais e difíceis de entender do ponto de vista mental. Quando um cliente não teve exposição ou conhecimentos prévios, nem está familiarizado com o serviço, a dificuldade de interpretá-lo aumenta. Você talvez já passou por esta situação na primeira vez que adquiriu um seguro de automóveis. Estes cinco aspectos da intangibilidade dos serviços deixam o cliente mais incerto acerca de suas compras. Há indícios de que, quanto maior o risco que os clientes percebem na compra de um serviço, mais ativamente eles procurarão e dependerão da propaganda boca a boca na condução de suas escolhas.4 A propaganda boca a boca se torna uma fonte bastante convincente de informações sobre serviços, mas ela não está sob o controle da empresa prestadora. A gestão das promessas do serviço Um problema grave é observado quando as empresas não conseguem administrar as comunicações do marketing de serviços – as promessas feitas por equipes de vendas, de propaganda e de serviço ao cliente – e o serviço fica aquém do prometido. Há vezes em que isso ocorre porque o setor da empresa que apresenta a promessa carece das informações necessárias para produzir mensagens precisas. Por exemplo, as equipes de vendas do setor de business-to-business frequentemente ven- dem serviços (sobretudo novos serviços corporativos) antes de eles estarem disponíveis e sem ter uma noção precisa da data em que estarão no mercado. As variações na oferta e na demanda tornam a prestação do serviço possível algumas vezes, improvável em outras, e difícil de prever. A estrutu- ra funcional tradicional de inúmeras companhias (muitas vezes chamada silo) também dificulta a comunicação interna sobre as promessas e a execução dos serviços. A gestão das expectativas dos clientes A comunicação apropriada e precisa sobre serviços é responsabilidade dos departamentos de mar- keting e de operações. O marketing precisa refletir, de forma correta e convincente, o que ocorre nos encontros de serviço; o departamento de operações deve executar o que foi prometido nas co- municações. Por exemplo, quando uma empresa de consultoria em gestão lança um novo serviço, o trabalho dos departamentos de marketing e de operações consiste em torná-lo atraente o bastante para que o cliente o veja como de qualidade superior, em comparação com os serviços ofereci- dos pela concorrência. Porém, ao promover e diferenciar o serviço, a empresa não pode elevar as expectativas acima do ponto de qualidade para o qual seus consultores estão preparados. Se as _Livro_Zeithaml.indb 412_Livro_Zeithaml.indb 412 28/01/14 18:0728/01/14 18:07 Capítulo 14 A comunicação integrada no marketing de serviços 413 mensagens da propaganda, da venda pessoal ou de qualquer outra comunicação externa gerarem expectativas irreais, então o encontro de serviço decepcionará os clientes. Diversas empresas do setor de produtos e de serviços têm de lidar com a necessidade de dimi- nuir as expectativas do cliente de forma ativa – de dizer a ele que o serviço oferecido será cancelado ou que estará disponível a preços mais altos. As companhias aéreas cancelam voos que não têm todas as poltronas vendidas e cobram pelas refeições servidas. As operadoras de cartão de crédito que oferecem diversos serviços de valor agregado quando as taxas de juros estão altas retiram estes serviços de suas ofertas no momento em que as taxas caem. As empresas de planos de saúde reduzem o leque de serviços ao mesmo tempo que elevam os preços, e os pacientes internados têm cobertura menor para dias de internação e procedimentos de diagnóstico. Nestas situações – talvez mais do que em outras – a necessidade de administrar as expectativas do cliente é um aspecto es- sencial na prestação de serviços. A educação do cliente As empresas do setor de serviços precisam educar seus clientes. Se eles não tiverem certeza de como o serviço será executado, do papel que desempenham nessa execução, e de como avaliar serviços que nunca utilizaram, na maioria dos casos os clientes se decepcionarão e culparão a em- presa, não a si próprios. Esses erros ou problemas nos serviços – mesmo quando “causados” pelo cliente – fazem ele abandonar a companhia. Por essa razão, a empresa precisa assumir a responsa- bilidade de educar seus clientes. No caso de serviços com muitas características de credibilidade – serviços especializados que são difíceis de avaliar, mesmo após o recebimento –, os clientes desconhecem os critérios para julgá-lo. Para serviços com altos níveis de envolvimento, como tratamentos médicos de longo pra- zo ou a compra da primeira casa própria, os clientes igualmente estão propensos a desconhecer e prever o processo de execução do serviço. É raro ver pessoas que estão adquirindo uma casa pela primeira vez compreenderem o complexo conjunto de serviços (inspeção, serviços relativos ao direito à propriedade, seguro) e processos (financiamentos, propostas e contrapropostas, escrituras) envolvidos na compra. Os profissionais liberais e outras partes atuantes em serviços de alto teor de envolvimento frequentemente esquecem-se de que os clientes novatos precisam ser educados acerca de todas as etapas do processo. Eles pressupõem que uma visão geral no início do serviço ou um manual de instruções são o bastante para prepará-los. Infelizmente, estas medidas quase nunca são suficientes, e os clientes abandonam a companhia porque não entendem o processo ou não compreendem o valor recebido com o serviço. Uma última condição sob a qual a educação do cliente pode ser vantajosa envolve os serviços em que a demanda e a oferta não estão sincronizadas, conforme discutimos no Capítulo 13. Se o cliente não for informado dos picos e dos vales na demanda, então é provável que ocorram sobre- cargas e falhas no serviço, ou que parte da capacidade permaneça ociosa. A comunicação do marketing interno Os diversos setores da organização, como o de marketing e o de operações, precisam trabalhar em coordenação para atingir a meta da prestação de serviços. Em função de a propaganda e a venda pessoal prometerem o que pessoas fazem, a comunicação contínua e efetiva entre esses setores – a comunicação horizontal – é essencial. Se as comunicações internas forem deficientes, a percepção da qualidade do serviço corre riscos. Se a comunicação de marketing da companhia e outras pro- messas forem desenvolvidas sem a contribuição do departamento de operações, os funcionários de contato com o cliente talvez não sejam capazes de executar serviços que correspondam à imagem construída pelos esforços de marketing. Nem todas as companhias do setor de serviços anunciam, mas todas devem ter coordenação ou integração entre os departamentos e funções para prestar serviços de qualidade. Todas as empresas _Livro_Zeithaml.indb 413_Livro_Zeithaml.indb 413 28/01/14 18:0728/01/14 18:07 414 Parte VI A gestão das promessas de serviço precisam estabelecer uma comunicação interna entre as equipes de vendas e os funcionários da prestação. A comunicação horizontal é necessária também entre o departamento de recursos hu- manos e o de marketing. Para oferecer serviços de qualidade excelente ao cliente, as companhias não podem deixar de dar informações e motivar seus funcionários a prestarem serviços que seus clientes esperam receber. Se as equipes de marketing e de vendas, que entendem as expectativas do cliente, não transmitirem estes conhecimentos aos funcionários de contato, a falta de informações afetará a qualidade do serviço executado. Uma última forma decomunicação interna essencial à prestação de serviços excelentes é a consistência nas políticas e nos procedimentos entre departamentos e filiais. Se uma empresa do setor de serviços opera diversos pontos de prestação sob o mesmo nome, quer franqueados ou próprios, os clientes esperarão receber desempenhos semelhantes em todos eles. No caso de os gerentes de filiais ou pontos desfrutarem de muita autonomia quanto a procedimentos e políticas, os clientes talvez não receberão o mesmo nível de qualidade em todas as filiais. AS CINCO CATEGORIAS DE ESTRATÉGIAS PARA COMPATIBILIZAR AS PROMESSAS E A EXECUÇÃO DO SERVIÇO A Figura 14.2 mostra as principais abordagens para vencer os desafios da comunicação em serviços descritos anteriormente. O objetivo é prestar serviços melhores ou no mínimo iguais às promessas apresentadas e, para isso, os três lados do triângulo precisam ser considerados. Administre a intangibilidade dos serviços As abordagens para administrar a intangibilidade dos serviços são (1) a propaganda e outras estra- tégias de comunicação que veiculem os atributos do serviço e as vantagens ao cliente com clareza e (2) as estratégias concebidas para encorajar a publicidade boca a boca. Se as empresas do setor de serviços reconhecerem os desafios que encontram em relação à in- tangibilidade, elas poderão adotar algumas estratégias especiais para vencê-los. De um modo ou de outro, cada uma das estratégias discutidas aqui está focada nos meios de tornar a mensagem mais marcante e memorável. Administre a intangibilidade dos serviços Administre as promessas do serviçoObjetivo: a execução do serviço em nível idêntico ou maior do que as promessas apresentadas Administre a comunicação do marketing interno Gerencie a educação do cliente Administre as expectativas do cliente Figura 14.2 As cinco principais abordagens para lidar com os canais da comunicação em serviços. _Livro_Zeithaml.indb 414_Livro_Zeithaml.indb 414 28/01/14 18:0728/01/14 18:07 Capítulo 14 A comunicação integrada no marketing de serviços 415 Use a narrativa para demonstrar a experiência com o serviço Muitos serviços são baseados na experiência, e uma maneira extremamente eficaz de comunicá-los consiste em adotar um apelo baseado em histórias. Em geral, mostrar que os clientes têm experiências reais e positivas com o serviço é mais eficaz do que descrever os atributos do serviço, sobretudo se estes são intangíveis. Pesquisas conduzidas sobre o assunto concluíram que os consumidores relativamente pouco fa- miliarizados com uma classe de serviços preferem os apelos baseados em narrativas àqueles que descrevem as características dos serviços. Um exemplo dessa abordagem é a campanha da State Farm, na qual uma pessoa que se encontra em uma situação que exige um agente da State Farm diz: “como um bom vizinho, a State Farm sempre está por perto”, e um representante da companhia aparece instantaneamente para lidar com a situação. Apresente informações vívidas A comunicação eficaz em marketing de serviços gera uma im- pressão forte e clara acerca dos sentidos e produz uma imagem mental diferenciada. Uma das maneiras de utilizar informações vívidas consiste em invocar emoções fortes, como o medo. A utilização de informações vívidas é desejável particularmente nos casos em que os serviços são muito intangíveis e complexos. Um exemplo de vividez na mídia impressa é um anúncio do United Negro College Fund*. Os temas abstratos de “potencial ilimitado” e “chance de concretizar” são destacados por uma fotografia de um cérebro cheio de livros. Utilize a imagética interativa Um tipo de vividez envolve o que é chamado imagética intera- tiva.5 A imagética (definida como um evento mental que envolve a visualização de um conceito ou relacionamento) aprimora a lembrança de nomes e fatos sobre os serviços. A imagética interativa integra dois ou mais itens em um tipo de ação mútua que re- sulta na melhoria da lembrança. Algumas empresas do setor de serviços integram com eficácia suas logomar- cas ou símbolos a uma expressão do que fazem, como a Prudential Rock – a rocha simboliza força e estabili- dade. A foto ao lado mostra um anúncio da The Trave- lers Companies Inc., empresa de seguros de imóveis, o qual exemplifica a imagética interativa. O guarda-chuva simboliza proteção e garantia, um símbolo adequado para uma seguradora. A primeira representação de um guarda-chuva em um anúncio da Travelers ocorreu em 1870, e o guarda-chuva vermelho passou a ser a marca registrada da companhia em 1959. O anúncio refere-se à aquisição da logomarca do Citigroup em 2007, que também adotava o guarda-chuva como parte de sua marca. Concentre-se nos tangíveis Os anunciantes também aumentam a eficácia das comunicações em serviços por meio da representação de tangíveis associados aos servi- ços, como as colunas de mármore de um banco ou o car- tão de crédito gold que oferece a seus clientes.6 Revelar tangíveis também dá indícios sobre a natureza e a quali- dade do serviço. A fotografia na página 420, que reproduz um anúncio do Sierra Club, mostra as vantagens tangíveis do clube ao proteger os clientes, sobretudo os bebês, dos perigos da poluição causada pelo mercúrio. * N. de T.: Instituição filantrópica norte-americana que arrecada fundos para pagar pela educação superior de jovens negros em universidades particulares que historicamente atendem ao público afro-americano. A imagética interativa é demonstrada no guarda-chuva da Tra- velers. _Livro_Zeithaml.indb 415_Livro_Zeithaml.indb 415 28/01/14 18:0728/01/14 18:07 416 Parte VI A gestão das promessas de serviço Utilize símbolos da marca para tornar o serviço tangível Como um anunciante de serviços ganha em termos de diferenciação competitiva e de uma forte consciência de marca em um mer- cado altamente competitivo? Nos setores de fast food e de seguros, a resposta envolve a criação de um símbolo de marca reconhecível que represente a empresa e gere visibilidade para a marca. Um dos símbolos de marca do setor de serviços mais duradouro é o Ronald McDonald, o palhaço com roupa vermelha e amarela que representa o McDonald’s e sua instituição de caridade que atende crianças, a Ronald McDonald House. Uma das concorrentes do McDonald’s, a Jack in the Box, tem seu próprio mascote, chamado Jack, representado por uma cabeça em forma de bola com um chapéu pontudo. Na propaganda na televisão, ele aparece como o “fundador” da rede – parte palhaço, parte executivo que veste um terno e cuja cabeça é igual à do mascote. Ele é sempre parte engraçado e parte sério. Os símbolos nos anúncios têm importância ainda maior nos setores em que o serviço é complexo e difícil de compreender, como o de seguros. A American Family Life Insurance Company (ou AFLAC), empresa que vende seguros complementares de caráter opcional em empresas norte-americanas e japonesas, enfrentava um desafio: fazer os clientes em potencial solicitarem o serviço pelo nome. A Aflac adotou um pato, um personagem insistente e barulhento que grita “Aflac!” nos anúncios da companhia, que mostra pessoas tentando resolver problemas relativos a seguros. O pato foi apresentado em 2000 e trouxe tanta visibilidade que já apareceu na CNBC, no talk show de Jay Leno e no programa Saturday Night Live. A GEICO tem anúncios na televisão mostrando uma lagartixa (conforme a imagem a seguir), que fala inglês com sotaque do leste de Londres. A lagartixa da GEICO sublinha a imagem da marca da companhia com uma tenacidade natural, um bom humor constante e uma insaciável necessidade de ajudar as pessoas a poupar dinheiro nas apólices de seguro de seus automóveis. A lagartixa da GEICO se tornou um ponto forte no mundo da propaganda, e foi eleita o ícone favorito no setor nos Estados Unidos em 2005.7 Utilize a associação, a representação física, a do- cumentação e a visualização Leonard Berry e Terry Clark propõem quatro estratégias de tangibilização: associação, representação física, documentaçãoe vi- sualização.8 Associação representa o elo entre o ser- viço e uma pessoa, um local ou um objeto tangível, como “estar em boas mãos com a Allstate”. Repre- sentação física implica revelar os tangíveis que fa- zem parte, direta ou indiretamente, do serviço, como funcionários, prédios ou equipamentos. Documenta- ção significa apresentar dados objetivos e informa- ções factuais. A visualização é uma imagem mental vívida das vantagens ou qualidades do serviço, como a imagem de pessoas divertindo-se durante as férias. A seção Visão Estratégica mostra como os símbolos são utilizados como tangíveis na comunicação de marketing. Inclua os funcionários de serviço na comunica- ção Os funcionários de contato com o cliente são re- presentações tangíveis do serviço e representam um segundo público-alvo para a propaganda.9 Incluir os funcionários executando suas tarefas ou explicando seus serviços em uma propaganda é eficaz tanto para o público principal (os clientes) quanto para o secun- dário (os próprios funcionários), pois isso comunica a estes a mensagem de que são importantes. Além disso, quando os funcionários que desempenham bem um A lagartixa da GEICO é um ícone da publicidade. _Livro_Zeithaml.indb 416_Livro_Zeithaml.indb 416 28/01/14 18:0728/01/14 18:07 Capítulo 14 A comunicação integrada no marketing de serviços 417 Visão estratégica A estratégia do Google domina a propaganda e a comunicação via Internet O site de busca Google é uma das histórias de marketing de serviços de maior sucesso em todo o mundo vistas nas duas últimas décadas. A visão estratégica do Google é “organizar as informações presentes no mundo e torná-las disponíveis e úteis a todos”. A companhia conseguiu concretizar esta vi- são, como você já deve saber, ao tornar-se um site de busca acessível e útil a qualquer pessoa e que atrai cerca de 60% de todas as buscas feitas pelo público consumidor. Porém, talvez você não saiba como o Google montou um conjunto de ferramentas de propaganda e, nesse processo, conseguiu tornar-se a mídia mais importante para anunciantes em todo o mundo. Os anunciantes gastaram mais de 40% da receita em anúncios on-line em propagandas de busca, links patrocinados e em redes de conteúdo do Google. Hoje, a propaganda baseada em busca, ou busca paga, é uma das formas mais populares de anunciar na Internet. Nessa forma de propaganda, as empresas podem escolher pagar por pequenos anúncios colocados à direita das lis- tagens ou pagar para aparecer nas listagens. Os anúncios, mensagens curtas exibidas à direita dos principais resulta- dos de uma pesquisa relevantes a um cliente, são chamados “Google AdWords”. Quando um consumidor efetua uma busca no Google utilizando uma palavra-chave, a URL do anunciante, acompanhada de seu nome e descrição, aparece em um retângulo colorido ao lado dos resultados da busca. Na próxima vez que você fizer uma busca no Google, clique sobre um ou dois destes retângulos e você perceberá que eles são anúncios. As empresas também podem pagar por colocação, isto é, elas adquirem locais específicos em que aparecerão nos resultados da busca. Quando você fizer uma busca no Google, alguns dos links apresentados foram na verdade adquiridos pelos anunciantes. O Google sombreia estes links patrocinados para mostrar ao cliente que estas colocações na listagem são pagas. O Google também oferece serviços business-to-busi- ness ao atuar como intermediário para anunciantes e sites por meio de duas outras formas de propaganda. Na primei- ra, que envolve anúncios voltados para sites específicos, os anunciantes pedem ao Google que encontre sites ou con- teúdos específicos (como hóquei no gelo ou patinação ar- tística) que sejam relevantes a seus públicos-alvo, tanto em termos de tamanho quanto de interesses, e informam uma lista de palavras-chave que descrevem o seu site. O Google AdWords compara palavras e gera uma lista de sites dispo- níveis e condizentes com o conteúdo requisitado em que a empresa pode anunciar. O Google AdSense é um serviço di- recionado aos editores de sites. O serviço automaticamente avalia os conteúdos das páginas de uma companhia e pro- duz anúncios em texto ou imagem relevantes e de alto de- sempenho. Depois, o Google envia estes anúncios aos sites das companhias. Na verdade, esses dois serviços trabalham juntos – um é a fonte de anúncios, o outro é o local em que os anúncios são expostos. A DoubleClick é uma empresa que desenvolve e ofere- ce tecnologias e serviços que publicam anúncios em sites, em uma abordagem chamada ad-serving. Empresas como a DoubleClick oferecem software a sites e anunciantes para a publicação, contagem e seleção dos anúncios que trarão mais receitas ao anunciante, além de possibilitar o acompa- nhamento do progresso de diferentes campanhas publicitá- rias. Para os anunciantes, a DoubleClick escolhe sites com o melhor potencial para a venda de produtos e serviços. Para os sites propriamente ditos, a empresa escolhe os anuncian- tes que oferecem produtos e serviços que melhor se adap- tam a eles e trazem as maiores receitas em propaganda. Para as agências, a empresa administra estoques on-line e relata e administra a atividade on-line. Com a compra da DoubleClick, o Google ganhou uma poderosa ferramenta de propaganda e adquiriu a capacidade de oferecer aos anun- ciantes a possibilidade de gerar campanhas integradas de busca e resultados. Ao adquirir o YouTube, o Google imediatamente pas- sou a postar imagens de vídeos nas listagens de buscas do Google Video, o que leva os usuários ao YouTube e permite que eles assistam aos vídeos de imediato. O Google afirma que, com o tempo, o Google Video expandirá sua abrangên- cia, à medida que evolui para um serviço em que os usuários conseguem buscar conteúdos relativos a vídeos on-line em qualquer lugar em que estejam hospedados. Um represen- tante do Google afirmou: “Temos a noção de que a maior parte dos conteúdos em vídeo gerados pelos usuários ou mesmo conteúdos pagos serão hospedados pelo YouTube, o que vai aprimorar a experiência com o serviço. Acredita- mos também que o YouTube se beneficiará das inovações futuras planejadas para o Google Video – sobretudo as que envolvem busca, monetização e distribuição”. Fontes: G. Stricker, “A Look Ahead at Google Video and YouTube,” www. google.com, January 25, 2007; A. Klaassen, “Sorry Yahoo, MSN. Google Just Got Bigger,” Advertising Age, April 16, 2007, pp. 31; R. D. Hof, “Is Google Too Powerful?” BusinessWeek, April 9, 2007, pp. 46–55; R. Farzad and B. Elgin, “Googling for Gold,” Busi- nessWeek, December 5, 2005, pp. 60–70; www.google.com 2007; J. Graham, “Google Plans Ad ‘Overlays’ for Some YouTube Vide- os,” USA Today, August 22, 2007, p. 2A; M. Helft, “Google Aims to Make YouTube Profitable with Ads,” New York Times, August 22, 2007, p. C1. _Livro_Zeithaml.indb 417_Livro_Zeithaml.indb 417 28/01/14 18:0728/01/14 18:07 418 Parte VI A gestão das promessas de serviço serviço são incluídos na comunicação de marketing, eles tornam-se o padrão de comportamento para os outros funcionários. Anteriormente neste capítulo discutimos cinco aspectos da intangibilidade e que fazem da comunicação de marketing um desafio. No Quadro 14.1, Mittal descreve as estratégias a serem adotadas na propaganda de serviços para vencer estes desafios. Com o planejamento e a execução efetuados com cuidado, o abstrato pode se transformar em concreto; o geral, em algo específico; a dificuldade de pesquisa, em facilidade de busca; e o mentalmente impalpável, em algo palpável. As recomendações e opiniões de outros clientes são quase sempre mais confiáveis do que as mensagens da companhia. Nas situações em que os clientes têm poucas informações antes de efetuarem uma compra – algo que ocorre com frequência muito maior com serviços do que com produtos, pois os primeiros têm mais propriedades relativas à credibilidade e à confiança – eles vol- tam-se para outras pessoasem busca de informações, não para os canais de marketing tradicionais. A propaganda de serviços e os diferentes tipos de promoção podem gerar um tipo de publicidade boca a boca que ultrapassa os investimentos feitos em propaganda e que melhora a credibilidade das mensagens. Utilize o buzz ou o marketing viral O buzz marketing, também chamado marketing viral, envolve a utilização de clientes reais para divulgar produtos sem serem pagos (ou sem parecer que estejam sendo pagos) pela companhia. Há vezes em que o marketing viral ocorre simplesmente porque os clientes são ávidos fãs do serviço. Em outras, a companhia semeia a noção dos produtos e serviços no consumidor. A Chipotle Mexican Grill, empresa baseada em Denver e que conta com aproxima- damente 600 pontos de venda, evita a propaganda, preferindo depender quase que inteiramente da Quadro 14.1 As estratégias de propaganda em serviços e as propriedades da intangibilidade Propriedade da intangibilidade Estratégia da propaganda Descrição Existência incorpórea Representação física Mostra os componentes físicos exclusivos, indica alta qualidade e gera a correta associação. Generalidade Documentação do sistema Documenta a capacidade física do sistema de modo objetivo mostrando fatos e números. Documentação do desempenho Documenta e cita estatísticas passadas de desempenhos positivos. Episódio de desempenho do serviço Apresenta uma história vívida de um incidente real da prestação de um serviço que se relaciona a um importante atributo do serviço. Abstração Episódio do consumo do serviço Captura e mostra clientes típicos beneficiando- se do serviço, lembrando incidentes específicos. Dificuldade de pesquisa Documentação do desempenho Cita desempenhos auditados de forma independente. Documentação do consumo Obtém e apresenta testemunhos de clientes atuais. Impalpabilidade mental Episódio do processo de serviço Apresenta um documentário vívido sobre o processo do serviço, passo a passo. Episódio de relato de caso Apresenta um relato real de caso sobre o que a empresa proporcionou a um dado cliente. Fonte: Adaptado de B. Mittal, “The Adversing of Services: Meeting the Challenge of Intangibility”, Journal of Service Research 2, no. 1 (August 1999), pp. 98-116. _Livro_Zeithaml.indb 418_Livro_Zeithaml.indb 418 28/01/14 18:0728/01/14 18:07 Capítulo 14 A comunicação integrada no marketing de serviços 419 publicidade boca a boca gerada por seus clientes sobre a comida exclusiva e saborosa que produz. O fundador da Chipotle, M. Steven Ells, adotou como base para sua estratégia a oferta de amostras grátis de seus pratos (além da satisfação de seus clientes). Por exemplo, quando a rede abriu um restaurante no centro de Manhattan em 2006, ela distribuiu burritos a 6 mil pessoas. Embora a es- tratégia tenha custado $35 mil à companhia, ela gerou 6 mil porta-vozes satisfeitos.10 Alavanque as mídias sociais As mídias sociais – a comunicação interativa entre clientes na Inter- net por meio de sites como o Twitter, o YouTube e o Facebook – hoje são um caminho para a troca de informações. O crescimento das redes sociais está afetando muitos aspectos do comportamento de compra do cliente. Em uma pesquisa feita pela comScore, aproximadamente 28% dos consu- midores relataram que as redes sociais influenciaram suas decisões sobre a aquisição de pacotes de férias em 2009.11 Outro estudo revelou que 61% dos consumidores confiam em notas e avalia- ções on-line antes de efetuarem uma compra.12 Além disso, 26% dos consumidores postam notas e avaliações on-line.13 Segundo um estudo feito pela Nielsen, 90% dos consumidores confiam em recomendações de outros clientes, contra 56% dos que confiam nos anúncios da marca.14 As mídias sociais não são controláveis por uma empresa, mas ela pode monitorar estas mídias e entender o que os clientes estão dizendo e recomendando. Métodos formais e tecnologias sofisticadas estão em desenvolvimento para rastrear, monitorar e analisar as comunicações on-line para as marcas. A Nielsen BuzzMetrics, empresa inovadora nesta área, coleta informações de marcas on-line acom- panhando milhões de linhas de comunicação pela Internet para descobrir como um cliente se sente com relação a uma marca, quantos estão em conversa on-line, quais são os assuntos sendo discuti- dos, como o marketing está sendo interpretado, e como os esforços para afetar a publicidade boca a boca estão sendo recebidos. O serviço disponibiliza padrões e normas de setores a empresas que desejam adquirir seus produtos e alertas em tempo real sobre problemas.15 Direcione as mensagens aos agentes influenciadores Os avanços tecnológicos hoje permitem às empresas identificar os agentes influenciadores de clientes – os indivíduos com mais conexões sociais e que, portanto, desfrutam de maior capacidade de influenciar outras pessoas acerca de serviços. Tanto pesquisadores quanto empresas de pesquisa desenvolvem tecnologias semelhantes às da BuzzMetrics descritas anteriormente para identificar estas pessoas em uma comunidade viral e que são críticas em relação ao recebimento de mensagens de marca. Quando identificadas, estas pessoas são “infectadas”, isto é, recebem serviços ou informações sobre serviços, são convidadas a participar de eventos especiais e encorajadas a conhecer e pronunciarem-se sobre um dado serviço. Crie propaganda que gere conversa por ser engraçada, atraente ou inédita Um comercial engraçado que gerou discussões e que ganhou muita popularidade foi ao ar na temporada de 2011 do Super Bowl. O anúncio era da CareerBuilder.com, no qual, macacos dirigiam carros sem aten- ção, esmagando outro motorista. Outro comercial engraçado – e surpreendente – foi o anúncio da GoDaddy, estrelando a comediante Joan Rivers como nova garota-propaganda da empresa. Os anúncios da E-trade, sempre engraçados, estrelavam um bebê falante provando um novo terno feito por um alfaiate chamado Enzo. Mostre clientes satisfeitos nas mensagens Os testemunhos com clientes reais de serviços simu- lam comunicações com outras pessoas e por isso são uma forma confiável de veicular as vantagens de um serviço. Uma campanha publicitária de sucesso lançada para a empresa Blue Cross/Blue Shield do Estado norte-americano da Carolina do Norte mostrava clientes reais cujos familiares sofreram crises de saúde tratadas com sucesso pela empresa de planos de saúde. Estes testemunhos são poderosos e críveis. A campanha ajudou a restaurar a fé no plano de saúde e gerou uma publi- cidade boca a boca positiva. Em 2010, a Xerox criou uma série de comerciais mostrando depoimentos de seus clientes cor- porativos, os quais eram muito verossímeis e exitosos. O comercial pode ser visto no YouTube ao inserir o termo de busca “Xerox commercials 2010.” _Livro_Zeithaml.indb 419_Livro_Zeithaml.indb 419 28/01/14 18:0728/01/14 18:07 420 Parte VI A gestão das promessas de serviço Gere publicidade boca a boca por meio dos relacionamentos com os funcionários Uma pesquisa mostra que a satisfação do cliente com a experiência do serviço não basta para estimu- lar a publicidade boca a boca positiva. Contudo, quando os clientes depositam confiança em um dado funcionário, o resultado é a comunicação boca a boca positiva. Nesse estudo, foi mostrado que a confiança é consequência de três aspectos do relacionamento funcionário-cliente: uma relação pessoal entre funcionários e clientes, o cuidado demonstrado pelos funcionários, e a familiaridade destes com os clientes.16 As empresas conseguem fortalecer os elos interpessoais que levam à confiança por meio de estratégias focadas no projeto do serviço, nos sistemas de suporte, nos funcionários e nos clientes.17 Exemplos destas estratégias incluem o projeto de um ambiente de serviço para aumentar o número de oportunidades de interação entre funcionários e clientes, a adoção de sistemas de suporte adequado (como software de gestão de relacionamento com o cliente) a fim de auxiliar os funcionários a lembraras características do cliente, e a dele- gação de poder de decisão aos funcionários no sentido de permitir a solução de problemas com rapidez e eficiência. Este anúncio do Sierra Club mostra, de modo tangível, os perigos da poluição causada pelo mercúrio usado em fábricas que queimam carvão. Com o foco em um bebê ainda não nascido, o Sierra Club comunica sua mensagem com clareza. _Livro_Zeithaml.indb 420_Livro_Zeithaml.indb 420 28/01/14 18:0728/01/14 18:07