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CERVICALGIA 1 CERVICALGIA DEFINIÇÃO: Dor cervical (dor na região do pescoço), pode ser anterior ou posterior. Quando a dor está associada a acometimento de raízes nervosas, causando dor na extremidade doas membros superiores, denomina-se cervicobraquialgia. CLASSIFICAÇÃO: Aguda: < 4 semanas / (1 mes) autolimitada. Subaguda: 4 a 12 semanas. Crônica: > 12 semanas (3 meses). Quando a cervicalgia é acompanhada de dor nas extremidades, devido ao comprometimento de uma raiz nervosa, chamamos de cervicobraquialgia. EPIDEMIOLOGIA Predominar em mulheres Tem como fatores de risco: tabagismo distúrbios do sono, sedentarismo, obesidade, trauma, doenças ocupacionais e transtorno psiquiátrico. É mais comum em C4, C5 E C6. ANATOMIA: A região cervical é composta por 7 vértebras ( C1- Altas, C2- Axis, C3, C4, C5, C6 e C7) e suas inter-relaçoes, incluindo a articulação atlato-occipital e atlanto-axial, são responsáveis por movimentos de flexão-extensão, rotação e laterização. Articulção interaposifásias (laterais) dão adesão e firmeza entre as vértebras, são articulações sinoviais. As vértebras cervicais têm processos espinhosos bífidos. Os discos intervertebrais também articulam as vértebras. Mudanças na anatomia da coluna cervical, reduzem a amplitude dos forames neurais intervertebrais e do canal medular, predispondo à compressão radicular e á mielopatia compressiva. CERVICALGIA 2 CERVICALGIA 3 A degeneração discal é mais comum de C4 a C7. A musculatura cervical e do trapézio são responsáveis pelo alinhamento, movimentos e proteção da medula e raízes nervosas. Quando são submetidos a tensão, são fontes de dor. As articulações uncovertebrais podem sofrer hipertrofia Hipertrofia- Causando compressão da raiz nervosa. Artrose facetaria da articulação interapofisária ou zigoapofisária. Articulação Unocavertebral CERVICALGIA 4 AVALIAÇÃO CLÍNICA DO PACIENTE: Dados: Profissão, localização da dor, intensidade da dor, presença de dor na extremidade com ou sem sintomas neurológicos, presença de cefaleia, febre, calafrios, perda de peso, antecedentes de trauma e fatores que possam intensificar a dor (fator de piora) e fator de melhora. Anamese: tempo de evolução, início da dor (súbito ou progressivo), fator de melhora e piora, ritmo da dor (mecânica ou inflamatória), sinais de alerta (Red Flags) e irradiação da dor. RAD FLAGS: -Idade superior a 50 anos; -Fraqueza de extremidades; -Sensação de choque e ou disfunção esfincteriana (pode-se pensar em mielopatia, infecção, malignidade ou infarto medular) -Sensação de choque a flexão do pescoço(sinal de Lhermitte) Articulação zigoapofisária CERVICALGIA 5 -Febre -Imunossuprimidos; -Perda ponderal; -Antecedente Oncológico; -Cefaléia; -Dor na cintura escapular ou pélvica -Perda visual ( pensar em risco de polimialgia reumática e arterite de células gigantes) EXAME FÍSICO Limitação do movimento; Deformidades; Acometimento neurológico; Flexão anormal anterior ou lateral e rotações - torcicolo Hipotrofia muscular ou queda do ombro- radiculopatia, lesão de plexo braquial ou de nervos periféricos. EXAMES COMPLEMENTARES Somente se necessário. Restringir para casos com red flags, déficits neurológicos progressivos, antes de procedimentos cirúrgicos, ausência de resposta a tratamento conservador e busca de diagnósticos diferenciais. É comum dissociação clínico radiológica; Radiografia - para observar alterações estruturais; Ressonância magnética - para observar alterações de partes moles e relação com elementos neurais. Tomografia - para observar alterações osteodegenerativas. Eletroneuromiografia - cervicobraquialgia, lesões de plexo braquial ou de nervo periférico. CAUSAS COMUNS DA DOR CERVICAL CERVICALGIA 6 Dor miofascial (síndrome dolorosa miofacial): Dor e rigidez cervical ( frequentemente associada a musculatura espinal paravertebral e trapézio) com restrição dos movimentos da coluna e dolorimento á palpação da musculatura cervical e trapézio. Importante salientar que os sintomas neurológicos estão ausentes. Está ligada a fatores como estresse físico, postura inadequada e baixa qualidade de sono e ocupação. Dor discogênica (cervicalgia discogênica): Alteração do disco cervical em consequência da degeneração discal. O paciente apresenta dor, rigidez e desconforto ao movimento, com restrição de amplitude, associação ou não com dor na extremidades dos MMSS, os sintomas se exacerbam se o pescoço ficar mantido em posição única por longos períodos. Além disso, há presença de espasmos da musculatura cervical Dor facetária: Osteoartrite cervical facetária - dor e rigidez no pescoço As articulações Zigoapofisárias são a causa da dor cervical. Surge principalmente em decorrência de traumas ou de posturas que exijam uma extensão prolongada da coluna cervical. A dor localiza-se mais lateralmente a um dos lados da coluna cervical e estende-se para o ombro e para a região periescapular. Diagnóstico: achados clínicos e exames de imagem = osteoartrite. Confirmação: Alivio da dor após aplicação de anestésicos na inervação da articulação facetária confirma o diagnóstico. Dor inflamatória: Pode esta associada a espodilodiscite infecciosa, artrite reumatoide (C1-C2), espondiloartrites e polimialgia reumática. DOR CERVICAL COM COMPROMETIMENTO NEUROLÓGICO Diferença entre dor axial e dor apendicular ou radicular: A dor axial é aquela localizada no esqueleto axial, já as dores apendiculares irradiam pelos trajetos das raízes nervosas. RADICULOPATIA CERVICALGIA 7 É o resultado final de um processo inflamatório no interior ou ao redor da raiz nervosa, o qual ocorre por irritação química ou pressão mecânica sobre essa raiz. Os sintomas radiculares se manifestam clinicamente nos dermátomos e miótomos da raiz acometida, podendo por isso estar associada a dor cervical. Deve ser feito diagnóstico diferencial da dor radicular cervical com outras patologias como: síndromes compressivas dos nervos periféricos, doenças do manguito rotador, inflamação do plexo braquial, herpes-zóster, entre outras. TC e RM são exames complementares que permitem a determinação do nível de compressão. No grupo de pacientes com hérnia de disco cervical ou compressão da raiz nervosa por osteófitos, os sintomas sensoriais e motores estão relacionados com a raiz acometida. Geralmente os pacientes apresentam dor cervical e no memebro superior, com sinais e sintomas sensoriais e motores nos dermátomos e miótomos da raiz acometida. Sintomas são agravados pela extensão e rotação lateral da cabeça para o lado dos sintomas. A elevação do membro superior com o cotovelo flexionado e o punho ou antebraço apoiado sobre a cabeça alivia os sintomas A compressão da raiz nervosa causa sintomas motores ou sensitivos de acordo com a raiz nervosa que esta sendo comprimida. Caracteristicamente, a dor costuma ser ser mais intensa na extremidade do que na região cervical, sendo que os sintomas se exacerbam frente à manobras provocativas. No exame físico, reflexo, sensibilidade e força do membro podem estar alterados. MIELOPATIAS A mielopatia cervical espondilótica é a forma mais comum de disfunção da medula espinhal em pacientes acima de 55 anos. Geralmente os reflexos estão diminuídos no nível da compressão e estão exacerbados abaixo dela. As manifestações clínicas da lesão do neurônio motor superior ocorre abaixo do nível da compressão e a manifestação do neurônio motor CERVICALGIA 8 inferior no nível da lesão. Na lesão do neurônio motor superior ainda podemos encontrar reflexos patológicos como Hoffman e Babinski. O diagnóstico da mielopatia é preferencialmente feito por meio de ressonância magnética A mielopatia secundária a espondilose cervical pode cursar com fraqueza muscular, alteração de marcha e alterações esfincterianas. CAUSAS MENOS COMUNS Artrite reumatóide Polimialgia reumática Presença de febre e calafrios podem levar a suspeita de infecção,principalemnte em pacientes imunossuprimidos e usuários de drogas. DIAGNÓSTICO Exames laboratoriais não são comumente indicados, variando de paciente para paciente e em casos de suspeita de causa não cervical. Exames de imagem são indicados em primeira avalição para pacientes maiores de 50 anos com dor de início recente, presença de sintomas constitucionais, de moderados a grave persistindo por mais de 6 semanas, risco de infecção e de malignidade. RX em 7 incidências: odontoide (boca aberta), lateral, posteroanterior, oblíquas direita e esquerda e lateral com flexão e extensão. Posicionamento lateral: Demonstra alinhamento vertebral, presença de redução do espaço articular EX: Osteoartrite ou radiculopatias. Posicionamento oblíquo: Usado para determinar o diâmetro foraminal EX: pode estar reduzidos na presença de osteófitos. A RM deve ser o primeiro exame a ser pedido em casos de pacientes com sinais e sintomas de doenças neurológicas. Detecta alterações em tecidos moles TC detecta alterações osteodegenerativas. TRATAMENTO Orientações sobre posturas inadequadas Orientação sobre posição correta para dormir e uso de travesseiros adequados. CERVICALGIA 9 Analgésicos simples e AINE: Acetominefen, dipirona e anti-inflamatórios não hormonais pode ser efetivo em dores leves e moderadas. Opoides: Codeína e Tramadol pode ser usadas em casos de dores mais severas. Relaxante muscular: Ciclobenzaprina (5 ou 10mg/dia) é efetivo na dimiuição da dor e rigidez cervical. Infiltrações ou bloqueios de pontos de gatilhos. Acupuntura Aplicações de toxina botulínica Outras opções: Benzodiazepinicos e carisoprodol. Em casos de comprometimento neuropático deve-se usar antidepressivos tricíclicos: Amitriptilina 25 a 75mg ou nortriptilina 25 a 50 mg ) Pode ser usada gabapentina e pegabalina Em pacientes com depressão e ansiedade: Duloxetina e venlafaxina Indicação cirurgica: Apenas para pacientes com radiculopatias e/ou mielopatias persistentes ou progressivas RELAÇÃO COM O USO DA TECNOLOGIA A relação decorre devido ao uso do celular com aparelho ao nível da cintura ou mesmo um pouco acima dela, uma vez que o usuário precisa ficar com a cabeça curvada para baixo por muito tempo (queixo junto ao peito ), o que força a coluna.