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SUMÁRIO Capa Folha de Rosto Créditos Agradecimentos 1- Introdução 2 - Porque o gerenciamento do seu chefe é tão importante? 3- Gerenciando as expectativas do seu chefe 4- Sobre transferência de informações. 5- Gestão sobre as demandas do seu chefe para você. 6- Trabalhando as percepções. 7- Agindo diante de feedbacks 8- Gerenciando o tempo juntos file:///tmp/calibre_4.23.0_tmp_Vs0I4S/iPv3z__pdf_out/OEBPS/Text/capa.xhtml 9- Lidando com dias difíceis 10- Mind Maps ou Mapas Mentais 11- E se tudo falhar? 12- Palavras �nais 13- Referências bibliográ�cas A Agradecimentos gradeço a Deus, pela vida e por tudo o que Ele dispôs para que eu pudesse viver, e realizar, tantas coisas nesta Terra. Agradeço à minha esposa Cleydiane que, além do apoio incondicional, fez várias revisões e contribuições importantes para esta obra, além de sempre ter sido minha maior incentivadora. Um agradecimento especial às minhas �lhas, Alice e Luísa, que não somente contribuíram com suas opiniões, mas também abriram mão de um tempo juntas em família, para que eu pudesse levar a cabo esta obra. Alice e Cleydiane, �zeram juntas as primeiras revisões. Agradeço a inestimável contribuição do meu amigo, desde a faculdade, Vinicius Guilherme, que dedicou muitas horas para revisar, questionar e me desa�ar a trilhar um caminho cada vez mais excelente nesta obra. E 1- Introdução m nossa rotina, sempre teremos pelo caminho alguém a quem prestar contas de pelo menos parte do que fazemos em nossa vida pro�ssional. Esse alguém vamos chamar de chefe. Na dinâmica dessa relação entre chefe e subordinado, líder e liderado, gestor e colaborador dentre tantas outras nomenclaturas e de�nições que podemos encontrar, não é incomum observarmos que ora somos impulsionados a melhorar cada vez mais, ora nos sentimos arrasados pelas pressões e críticas, que por vezes são pouco construtivas. Esses altos e baixos nas relações com aqueles a quem, de alguma forma, precisamos prestar contas, parecem ser parte intrínseca do ambiente de trabalho. Não há como evitar determinadas atribulações, mas sempre nos perguntamos se há algo que possamos fazer a respeito. Quantas vezes já pensamos em desistir ou, até mesmo, em mudar de rota para evitar encontrar o chefe que temos? E, por outro lado, quantas vezes somos levados a ir muito além, porque trabalhamos com um chefe em quem acreditamos? Descobri muito cedo que a forma com que tratamos nosso chefe, e somos por ele tratados, pode nos levar ao sucesso ou insucesso durante toda a nossa trajetória pro�ssional. Pensando nisso, percebi a relevância de gerenciar o chefe e deixar de lado o papel de coadjuvante, para assumir o de membro ativo em uma relação de ganho mútuo. O que proponho, aqui, é mostrar a você algumas ferramentas e práticas que serão muito úteis para melhorar seus resultados, independentemente do cargo que ocupa. Se nos atermos, neste momento, somente às relações de trabalho, podemos ter uma ideia do quão essencial é estabelecer uma boa relação entre líder e liderado para o sucesso individual e para as organizações. Recordo-me de uma situação que vivenciei em 2007, quando trabalhava em uma empresa de mineração, no norte do Brasil. Naquela ocasião, eu ocupava o posto de gerente de operações e estávamos muito preocupados em melhorar o clima organizacional da empresa. Nessa época, já estávamos satisfeitos com a atmosfera de trabalho, mas queríamos ir além e ter certeza de que trilhávamos o caminho certo, pois ainda não tínhamos implementado nenhuma metodologia de pesquisa de satisfação que pudesse quanti�car e nos mostrar quais seriam os pontos que mais necessitavam de atenção. Diante disso, começamos a buscar empresas de referência, que obtiveram bons resultados nessa área. Então convidamos alguns diretores dessas empresas de sucesso para compartilhar suas experiências e fazer palestras sobre o tema. No transcurso dessa iniciativa, conheci o diretor de uma empresa com menos de 500 funcionários, que tinha recebido, no ano anterior, o reconhecimento por ser uma das melhores empresas para se trabalhar. Durante a palestra, ele discorreu sobre sua trajetória pela empresa e enfatizou os resultados antes, e depois, de uma crise que a empresa atravessou; motivo este que quase a levou ao fechamento. Adicionalmente, ele mencionou a forma como a liderança se uniu, com o objetivo de salvar a empresa e transformá-la em uma organização de excelência. Em sua fala, o diretor fez duas a�rmações que provocaram um incômodo e me �zeram re�etir durante muito tempo. A primeira delas, segundo ele, alega que as pessoas trabalham, inicialmente, para seu chefe e, em um segundo momento, para a organização. Desse modo, as pessoas demonstram interesse pela organização em que trabalham e executam suas tarefas, seguindo as diretrizes e buscando superar suas metas. Mas o diretor foi enfático em seu discurso, ao a�rmar que as pessoas mais motivadas, são aquelas cuja con�ança, respeito, honra e amizade são nutridos por uma liderança; fato que as impulsionam a ir além da demanda da organização. A outra a�rmação diz que a maioria das pessoas se demite de seus empregos, não por problemas na empresa em que trabalha, mas por causa do seu chefe imediato ou do superior de seu chefe. Não detive meus pensamentos em questionar se ele estava certo ou errado sobre aquelas declarações. O que me marcou, foi o fato de que, de alguma maneira, tais percepções levavam a indagações muito mais profundas acerca da relação liderados e líder, chefe e subordinado. Além disso, podemos ponderar a respeito do impacto dessas pessoas em nossas vidas – dentro e fora das organizações. Quantas vezes você já ouviu alguém dizer: “Eu vou fazer, porque é você quem está pedindo...”? Não é uma questão sobre precisarmos fazer o melhor, independente de quem está no comando. No entanto, se temos que executar algo, �ca mais fácil quando queremos realizá-la de fato. Nos sentimos gratos por fazer, por participar de algo especial e honrar quem nos lidera. Essa é a maneira como atribuímos valor à nossa atividade pro�ssional: nos sentindo úteis. Por outro lado, quem nunca teve que lidar com superiores difíceis? Isso pode ocorrer por diversos motivos, tais como: diferenças culturais, questões relativas à inteligência emocional, pressões gerenciadas; e vários outros fatores que podem gerar situações con�ituosas que, nem sempre, são fáceis de se resolver. Muitos chefes lidam de maneira tão equivocada com sua equipe, que fazem com que as empresas percam funcionários talentosos e estratégicos. É verdade que em alguns casos, a decisão de “abandonar o barco” é inevitável, apesar de todo esforço e estratégias implementadas na organização. Abordaremos esse assunto mais adiante. Entretanto, a falta de habilidade dos funcionários para tratar seus chefes de maneira apropriada, pode levá-los a pensar que todo esforço de gestão pessoal é de inteira responsabilidade da che�a. Tal situação leva o empregado a se abster de suas próprias incumbências para a melhoria das relações dentro da empresa, na qual trabalha. Na verdade, é mais fácil atribuir a responsabilidade ao outro, do que avaliar melhor as opções e trabalhar de maneira estratégica. Isso poderia trazer muitos benefícios, como por exemplo: o aumento da empregabilidade e a geração de possibilidades reais de crescimento de carreira. Vale salientar que o chefe, via de regra, pode atuar como arco para lançar você, funcionário, para frente, mas também como escudo para bloqueá-lo. Então, não deixe o sucesso de sua carreira somente nas mãos do seu superior. Pensar e agir de forma adequada, e planejada, é o que chamamos de gerenciamento. Contudo, como fazer isso se a maioria dos pro�ssionais nem mesmo pensa no assunto de forma sistêmica, limitando-se, na maioria das vezes, a fazer sua parte sem buscar um bom relacionamento com os pares e gerenciar crises quando aparecem? Para cumprir a premissa básica para ocupar uma posição de gestor, muitos buscam uma boa preparação para lidar com seus liderados,mas poucos gestores têm se preocupado em gerar valor para si, para seus colegas e para as organizações, por meio de um correto gerenciamento de seus superiores. Ao longo da minha vida pro�ssional, tenho lidado com essas questões sob a ótica de um líder, e por esta razão, comecei a perceber que, em muitas ocasiões, �z um bom dever de casa ao liderar minha equipe direta. No entanto, em alguns momentos, deixei a desejar quando o assunto era gerenciar o próprio chefe, até porque eu sequer tinha ouvido falar desse conceito. Para mim, sempre foi óbvio liderar minha equipe de maneira e�caz e buscar uma boa relação com meu chefe e como meus pares, mas minha responsabilidade nessa questão não passava disso. Eu realmente não pensava que teria de ter uma ação mais direta nesse contexto e você talvez não tinha pensado até começar a ler este livro. No meu caso, não demorei a colher maus frutos devido a negligência do gerenciamento adequado do meu chefe, pois ele in�uenciava não somente meus resultados, mas também os da minha equipe. Foi assim que comecei a buscar muitas formas de melhorar o gerenciamento dos meus chefes e de meus pares, (Gerenciamento dos pares, não é tema deste livro, mas devo dizer que, trata-se de outra gestão de extrema importância, que passa despercebido até que você se torna superior hierárquico de algum deles ou vice versa. E aí você se dá conta de que não fez um bom trabalho e que agora terá um caminho duro para acertar as coisas entre vocês. Nos próximos capítulos, vamos detalhar melhor a importância de fazer uma boa gestão de seu chefe e depois vamos desenvolver os pontos chaves que você pode utilizar para o gerenciamento daquelas pessoas que você, de alguma forma, deve prestar algum tipo de satisfação no mundo coorporativo ou fora dele. Talvez você possa até utilizar esta mesma metodologia para lidar com o diretor da sua escola ou autoridades que tem que tratar com bastante frequência. Não custa rea�rmar que, para gerenciar é preciso conhecer. Isso vale para seus processos, sua equipe, seus pares e vale para seu chefe. É necessário dedicar tempo avaliando sobre como ele pensa em relação a determinados assuntos, como toma decisão, como costuma acessar as informações etc. Todos os assuntos tratados aqui, devem fazer pensar sobre o quanto você conhece sobre as pessoas que te lidera e ou exercem algum tipo de autoridade sobre você. Com Se conseguir colocar em prática esse conselho, você vai ser muito mais efetivo em atingir seus propósitos em relação a essa matéria de gestão. E 2 - Porque o gerenciamento do seu chefe é tão importante? xistem vários motivos pelos quais uma boa gestão do seu chefe vale a pena. Para começar, ajuda a reforçar a comunicação aberta, propiciando que o seu superior aceite com mais facilidade suas opiniões e sugestões. Ambos vão se bene�ciar de um ambiente mais favorável para levar a cabo as metas estabelecidas. Cria-se um ambiente em que você pode exercer melhor controle das situações, evitando estresses e di�culdades com a liderança que te levem a condições insustentáveis, a ponto de leva-lo a demitir-se em momento inapropriado para a empresa ou para você. Nos meus vinte cinco anos de carreira pro�ssional, lidei com chefes muito bons e, às vezes, com chefes muito difíceis. Certa ocasião, eu me perguntava porque tenho um chefe tão difícil, que por diversas vezes, complicava as situações ao invés de simpli�car e atrapalhava, ao invés de ajudar? Nos relacionamentos difíceis, eu aprendi muitas coisas sobre como não deveria fazer, maneiras de como não atuar com meu chefe e com minha equipe. No entanto, isso não tornava minha tarefa mais fácil, somente pelo fato de entender que existe um processo importante de aprendizado nessa situação. Apesar do aprendizado, eu continuava frustrado, pois estava me esforçando muito para seguir adiante e atingir os resultados desejados. Contudo, essas situações também me �zeram entender, que eu precisava investir mais tempo, mais energia em gerenciar os assuntos relacionados ao meu chefe, de maneira muito intencional e estratégica. Com o passar dos anos, busquei muitas formas de fazer isso e aprimorar minha própria maneira de lidar com os meus chefes. Devo dizer que os resultados melhoraram, embora sempre seja um desa�o lidar com pessoas, pois elas são únicas e me motivam, a todo momento, a aperfeiçoar meu trabalho. Quero ressaltar que o seu chefe, em CNTP, Condição Normal de Temperatura e Pressão, deve ser alguém que está fundamentalmente preocupado e, mais que isso, deve estar comprometido com o sucesso daquilo que está em suas mãos para ser realizado. Os seus resultados, em última instância, são dele também. Isso quer dizer que ele tem muitas razões para atuar como seu patrocinador e apoiador. Não existe razão para que o verdadeiro líder pense, ou atue, de maneira diferente. Ainda assim, algumas decisões tomadas pelos seus chefes podem não ser, sob o seu ponto de vista, a melhor decisão. Fica claro que tudo isso impacta, diretamente, em seu desempenho, in�uenciando rapidamente nos resultados ou, de maneira indireta, no seu ritmo ou motivação, que a médio ou longo prazo, terão consequências. Lembre-se do óbvio: seu chefe nem sempre está gerenciando sob a CNTP. Exatamente por isso, suas ações podem impactar seu desempenho de maneira positiva ou muito negativa. Sua ajuda pode ser de grande valia, se você souber como administrar situações de crise ou que apontam para ela. Por incrível que pareça, o exercício da liderança, em alguns casos, pode ser bastante solitário; além disso, seu chefe não pode dividir com você certas situações ou condições que esteja vivenciando naquele momento. É importante saber lidar com as incertezas e evitar pensar que seu superior pode estar planejando tirar seu emprego ou “puxar seu tapete”. Seu chefe deve ser o principal responsável por promover o seu trabalho e ajudar-lhe a atingir melhores posições dentro das organizações, pois é ele quem deve receber suas entregas de resultados. O que ocorre, é que a falha no gerenciamento dessa relação, pode fazer seus resultados caírem no limbo, em um lugar escuro que ninguém vê. Isso é danoso, não somente porque freia o crescimento pro�ssional, mas também pode levar à perda de�nitiva de boas oportunidades. É claro que existem aqueles superiores que, por muitas razões, pelo medo de perder a sua posição para jovens talentos ou para pro�ssionais mais promissores, por exemplo – podem não agir de maneira adequada. Esse tipo de situação evidencia a necessidade de um melhor gerenciamento para que não se coloque tudo a perder. O chefe, via de regra, é alguém que também está galgando posições melhores. A forma como você o gerencia e maneja as suas entregas, impacta na maneira como ele o avalia. Seu superior pode puxá-lo para cima, ou pode esquecê-lo, não por culpa dele, mas porque você não soube como, ou não se importou, em gerencia-lo. Além m disso, as relações pro�ssionais mostram que, na maioria das vezes, um networking é a melhor maneira de obter boas recolocações no mercado de trabalho. Você nunca sabe onde seu chefe vai estar... Alguns gestores, por falta de caráter, por despreparo, podem gerar relações extremamente tóxicas. Determinados vínculos trabalhistas tornam-se insuportáveis devido a tratamentos equivocados. Você vai querer estar preparado, não somente para suportar os momentos difíceis, mas também para contribuir, para gerar mudanças positivas tanto em seu benefício, como para toda a equipe. Você já passou por situações em que seu gestor não foi o responsável por você estar na equipe não foi o seu gestor? Talvez, seu dirigente não tenha uma boa impressão do seu trabalho ou não tenha expectativa de ter alguém de con�ança nessa posição. Ter uma estratégia clara para lidar com essa situação, ajuda muito. Tenho notado que muitos problemas de gerenciamento do chefe são gerados por di�culdades de alinhamento de expectativas. O fato de você acreditar que está fazendo o melhor, não quer dizer que seu chefe concorde. Aconteceque sucessões de equívocos degradam as relações de trabalho e corroem a con�ança, a ponto de transformá-las em um problema realmente grande e então surge aquele pensamento de se livrar do chefe antes que ele se livre de você, isso é realmente ruim. Se quer obter sucesso pro�ssional, você precisa assumir a responsabilidade de conduzir sua carreira e isso signi�ca ter uma maneira adequada de gestão de seus superiores. Entregar bons resultados é imprescindível, mas apenas isso não basta. Excelência é um processo, não um marco pontual e esse aspecto faz muita diferença a longo prazo. Quando não se trata de um chefe propriamente dito, mas de alguém que simplesmente está muito interessado nas suas entregas e, além disso, tem o poder de mudar os resultados, – seja uma autoridade, um cliente ou um fornecedor importante –, você desejará ter uma boa estratégia para assegurar que vai conseguir atingir seus objetivos, a despeito das interferências. Agora, irei discorrer acerca das vantagens em médio, e longo, prazo que você pode ter ao desenvolver a habilidade de gerenciar seu chefe. Todas as vezes que pensamos em relacionamentos, sejam eles pro�ssionais ou pessoais, é preciso lembrar que os efeitos das nossas ações, via de regra, são cumulativos. Você pode encarar isso da seguinte maneira: quando se toma boas decisões, faz-se a coisa certa, encanta-se seu cliente, chefe, cônjuge, �lhos ou qualquer outro tipo de relacionamento. Pode-se exempli�car isso com uma conta bancária, onde se aumentam seus depósitos quando você faz a coisa certa. Por outro lado, a tomada de decisões erradas, que desencantam o cliente, decepciona seu chefe e os demais, pode ser considerada como retiradas da sua conta virtual de relacionamento. Já deu para perceber que um gerenciamento inadequado pode acabar em saldo negativo e isso pode reduzir muito as suas chances de sucesso. A curto prazo, consegue-se assegurar pequenos resultados dia após dia, que vão construir sua reputação, mostrar seu potencial para continuar crescendo. A médio prazo, você pode in�uenciar não somente seu chefe direto com boa gestão, mas também os seus pares, e isso é extremamente relevante para seu sucesso. A longo prazo, pode-se assegurar que a sua carreira está sendo pensada e gerenciada dentro de um processo que lhe dá condições de tomar decisões melhores e evitar crises na sua carreira pro�ssional, naquilo que está em suas mãos para gerenciar. Nos próximos capítulos irei avaliar alguns temas que considero importantes para o gerenciamento, bem como explicitar a forma como utilizá-los de maneira e�caz. T 3- Gerenciando as expectativas do seu chefe er a expectativa frustrada, é algo que pode trazer muitos sofrimentos, tristezas e angústias. Questões relacionadas a sentimentos, podem gerar con�itos e estresses. Algumas pessoas simplesmente perdem o controle e chegam a tomar decisões desastrosas quando isso acontece. As expectativas não atendidas também estão muito presentes na nossa vida cotidiana. Se você é casado(a), já deve ter passado por uma situação semelhante: é sexta-feira, �m de mais um dia de trabalho, você pega carro e, no caminho de volta para casa, já se encontra pensando no que vai fazer no �nal de semana. Acontece que, ao chegar em casa, já preparado para executar seu plano, seu(sua) cônjuge o(a) recebe com a notícia de que vocês precisam fazer uma visita ou ir a uma festa que já estava combinada, e claro, você não se lembrava. Pronto! Você é tomado(a) por aquela sensação ruim, e mesmo que realmente seja uma boa festa, esta pode não ser mais tão prazerosa quanto poderia ter sido para você. Por conta desse tipo de situação, sempre busco gerenciar as minhas próprias expectativas e entender o que está me motivando a fazer tais planos e como vou lidar com uma possível mudança de cenário. Nessa mesma linha de pensamento, que tipo de expectativa seu chefe está gerando e como isso pode impactar, de maneira substancial, em seu resultado? Neste caso, é importante trabalhar para reduzir ou aumentar essas expectativas? Em que assunto especí�co? Como? Para aumentar as chances de ter respostas que nos ajude a melhorar o gerenciamento, precisamos buscar entender como, e de onde, essas expectativas surgem. Vamos avaliar a raiz de algumas delas. 3.1 Expectativas a seu respeito Por alguma razão, seu chefe acredita que você pode, e vai, entregar algo muito além do que foi combinado. Ainda que os resultados sejam bons, existe a expectativa de que deveriam ser melhores. Às vezes, os resultados muito bons, são pouco comemorados, dado o nível de expectativa quanto ao que se esperava. Ou pior, quando as expectativas sobre o que você pretende entregar é subestimada, o simples fato de seu chefe acreditar que você não vai atingir os resultados esperados, pode fazer com que ele interferira em seu processo de tomada de decisões, para tentar assegurar que o objetivo seja minimamente alcançado. Via de regra, as expectativas também são fundamentadas no seu histórico de sucessos ou de fracassos. Ela pode ser criada com base em prazos irreais ou, simplesmente, em premissas que não têm a menor chance de ocorrer. É óbvio que a superação é a mola-mestra para atingir resultados nunca antes atingidos. Foi assim que reis construíram impérios, que guerras foram vencidas, que novos mundos foram descobertos. Esses feitos ocorreram sempre que alguém usou de seu desejo para de�nir metas ousadas e, de certa forma, pouco realistas. É fundamental que, aqueles que exercem autoridade, estabeleçam regras desa�adoras. No entanto, o problema surge quando a frustação advém de nossos anseios. Tal situação pode ser ocasionada por vários motivos: por sua forma de comunicação, pelo seu desejo de apresentar resultados melhores que o esperado, por tentar agradar ao ser otimista demais etc. Além disso, a partir do momento em que você se compromete com algo irreal, o seu superior poderá exigir mais do que você pode cumprir, e isso vai gerar um desgaste enorme para muita gente. Um aspecto importante que precisamos nos lembrar sempre, é que lidar com expectativas das pessoas, demanda muito esforço mental e emocional de nossa parte. Portanto, avaliar quais são os gatilhos que estão criando expectativas em seu superior, é fundamental para evitar impactos indesejados. Como já mencionado anteriormente, um gatilho para esse tipo de situação pode ser seu histórico de sucessos ou de fracassos. Cada novo sucesso ou novo fracasso deve ser pensado sob essa perspectiva. Outros exemplos de estímulos para a frustração de expectativa pode ser uma fala sua sobre alguma ideia ou plano que ainda não está bem elaborado, mas que já foi compartilhado, pode ser a concordância com alguma meta ou padrão estabelecido que foi aceito por você sem ter sido avaliado adequadamente, ou, ainda, pelo hábito de dar boas ou más notícias antes do tempo e tentar informar prognósticos até mesmo mais realistas. Essas situações hipotéticas podem levar seu chefe a pensar que você não está sendo ousado o su�ciente e ou que não está se esforçando como deveria. Por outro lado, ao elevar as esperanças, corre-se o risco de levar a empresa a crises difíceis de se administrar no futuro. Diante disso, a primeira habilidade a ser desenvolvida é a de como evitar expectativas irrealistas. Aqui vão algumas perguntas que o ajudará a evitar experiências frustradas: 1) A situação que está posta já foi avaliada por você, em detalhes? Você tem um plano de como chegar aos resultados esperados? Você tem um plano “B”? 2) O quão con�ante você está em relação às suas possibilidades de sucesso? 3) Quais são as condições e eventos que poderiam interferir, negativa ou positivamente, nos resultados? O que você pode fazer em relação ao que identi�cou como fator de risco? 4) Se o resultado não acontecer, quais seriam os prejuízos e quais seriam as ações de eventuais remediações? 5) O cenário atual requer de seu chefe uma postura mais otimista devido a eventuais pressões externas? Isso requer que você assuma uma postura otimistaou pouco realista? 6) O quão confortável estaria seu chefe para aceitar uma sugestão de postura mais conservadora em relação ao assunto? Você teria argumentos fortes para convencê-lo? Existem outras perguntas que você poderia fazer para tentar avaliar esses aspectos. Em geral, o levantamento desses dados precisa ser feito rapidamente. Portanto, segue mais um conselho: peça tempo para avaliar a situação antes de se comprometer! Não ceda à pressão! Você não precisa tomar todas as decisões aqui, e agora. Não pense que o assunto é urgente demais para esperar pela sua ponderação. Aprendi que sempre conseguimos mais tempo! Em algumas situações, não temos o tempo que desejamos ou precisamos, no entanto, podemos conseguir mais tempo, se formos hábeis para negociar. Por exemplo, você pode pedir 10 dias de prazo, mas seu chefe nega veementemente então, você propõe um período de 2 dias, pois quem sabe, no �nal, consegue, pelo menos, mais algumas horas? Negociar é a melhor opção para evitar frustrações futuras. 3.2 Como lidar com a expectativa frustrada? Existe uma história antiga, que escutei uma vez: em um reino distante, um certo monarca tomou a decisão de não ouvir notícias ruins. Por isso, estava terminantemente proibido dar más notícias ao rei. O que aconteceu, depois de algum tempo, foi que o reino inteiro veio à falência completa, já que somente as notícias boas chegavam, enquanto o caos era instalado. O que podemos tirar como lição dessa breve história, é que relatos ruins também precisam ser comunicados e, em alguns momentos, essa tarefa caberá a você. Se você já lidou com a situação de alinhar as expectativas, mas ainda assim as coisas não saíram conforme o esperado, como comunicar e tratar esse aspecto de forma e�caz? Nesta etapa, independentemente dos motivos que levaram seu chefe a gerar expectativas, você precisa lidar com elas. A primeira coisa a se fazer, neste caso, é: faça tudo o que puder, dentro dos limites e regras estabelecidas, para atingir o resultado desejado. Uma vez comprometido, faça tudo para entregar o trabalho combinado, não adianta lamentar. Durante esse processo, você também pode buscar, de maneira habilidosa, informar seu chefe sobre o andamento do assunto e deixar claro que você está fortemente empenhado em atingir os objetivos. Agora, se você tem certeza de que algo está mal e que, de maneira alguma, o que se esperava vai acontecer, a recomendação é que você trate com a verdade e com transparência. Informe o que está acontecendo. Se tiver aquele plano B, vai ser uma boa oportunidade de esclarecer. Mas se não tiver, vai precisar, no mínimo, informar o porquê de as coisas estarem indo na direção contrária ao que se esperava. Lembre-se de que seu chefe, após a frustação, vai ter que lidar com o mesmo assunto em relação às outras partes interessadas. Nesse momento, você pode pensar que, se eu conhecesse a pessoa para quem você vai ter que dar a má notícia, jamais proporia uma coisa dessas! Então, pense o seguinte: o problema vai ocorrer e é inevitável, deixar para informar de última hora ou não informar, pode agravar a situação. É necessário ter coragem para lidar com situações de expectativas não materializadas. Porém, ao �nal, as pessoas vão apreciar muito mais a honestidade e a transparência, aspectos estes que são importantes nas relações sociais, mas que têm se perdido em um mundo em que a ética é varrida para debaixo do tapete. Contudo, isso não quer dizer que você deva se moldar a uma condição e mudar sua essência. Permaneça �el aos seus valores. Vale a pena ser ético e lidar com a verdade. É claro que ninguém gosta de dar ou receber más notícias. Normalmente, não gostamos de ouvir que as coisas não vão dar certo. Então, certi�que-se acerca das chances de sucesso antes de repassá-las a alguém. Mas lembre-se de que informes ruins também precisam ser dados. Seguem algumas dicas importantes e que podem ajudar a lidar com a comunicação de más notícias que quebram as expectativas: 1- Assuma a responsabilidade que lhe cabe. Não quero insinuar, aqui, que você iria tentar passar a responsabilidade para outrem. Quero, somente, lembrar que é preciso deixar claro ao seu chefe que você entende a sua responsabilidade sobre os fatos, mesmo que eventuais circunstâncias não estejam sob seu controle. Certa vez, trabalhei com um chefe que me requisitava a reportar os dados de performance de uma unidade fabril diariamente. Lembro-me muito bem que se os resultados estavam ruins, ele sempre perguntava quem eram os responsáveis. Sempre dizia que o primeiro responsável era eu, que estava ciente desse fato e que iria fazer todo o possível para recuperar a performance nos dias seguintes. Meu chefe criava uma expectativa tão forte em relação à responsabilização, que nem me deixava explicar mais nada sobre o assunto, até que assumisse que houveram falhas e que estava ciente das minhas responsabilidades. Claro que, se existe responsabilidade compartilhada, o ideal é que ela seja assumida como tal. No entanto, lembre-se de é mais fácil resolver a parte que lhe cabe, do que tentar convencer alguém da responsabilidade dele. 2- Evite procurar culpados. Trabalhei em uma empresa, certa vez, que tinha uma cultura extremamente forte em procurar culpados. Sempre que algo ruim acontecia, todos �cavam tranquilos quando achavam alguém que pudesse ser apontado como o culpado da situação. Em um dado momento, ao questionar o CEO sobre o porquê de querer achar um culpado, em uma determinada ocorrência, obtive a resposta de que havia a necessidade de punir e, assim, evitar reincidência por falta de comprometimento. Foi uma experiência chocante, porque eu não estava acostumado com aquele tipo de postura gerencial e devo dizer que não consegui permanecer naquele sistema por muito tempo. Procurar responsáveis gera medo, injustiças e cria estereótipos de culpados potenciais e de�nitivamente não gera comprometimento. A planilha, abaixo, mostra um pouco do que estou falando sobre o estereótipo criado quando se busca culpados dentro do contexto da liderança. Culpado Responsável Age contra o esperado. Age no sentido de dar certo. Não se compromete. É comprometido. Olha para os outros. Olha para si. Estagna no erro. Está disposto a agir para corrigir. Assume os ganhos. Assume os ganhos e as perdas. Pensa em se punir Pensa em resolver. Tem sentimento de baixa estima. Tem sentimento de dever. É passivo de punição. É passivo de responsabilização. Tem sentimento de culpa. Tem sentimento de perda. 3- Apresente motivos baseados em dados e fatos. Ninguém gosta de explicações baseadas em suposições, principalmente quando se está diante de uma notícia que frusta a expectativa de sucesso. Você pode até ter dúvidas sobre o que o levou ao sucesso, mas não ao que o levou ao fracasso, a�nal isso deveria, servir, no mínimo, como aprendizado. Nem sempre temos todos os fatos e dados em mãos para avaliar o insucesso. Mas é muito importante que você procure obter o máximo de informações dentro de um prazo adequado e apresente as informações com o maior número de detalhes possível. Caso isso não seja possível, deixe claro que a apuração dos detalhes é parte de um plano de trabalho que será conduzido e apresentado a tempo. 4- Informe sobre o acompanhamento do assunto. Se você fez um follow-up desse assunto com seu chefe anteriormente, é bem possível que ele já esteja com as expectativas mais realistas em relação ao resultado esperado. Nesse caso, é importante que você mencione, no início de sua conversa, as condições do processo de execução da sua tarefa. Aqui no Brasil, quando algo vai mal, algumas pessoas têm o hábito de dizer que “a vaca foi para o brejo”. Lembre-se de que não é bom esperar a vaca ir para o brejo, para depois avisar! É recomendável avisar quando a vaca olhar para o brejo e, então, no momento em que ela começar a caminhar naquela direção, é preciso tentar impedi-la. Após essa analogia, podemos dizer que, conforme acompanhamento e tomada de ações em relação a determinadoassunto, acabou que o resultado esperado não foi o desejado, embora já sabíamos que o insucesso era uma possibilidade real. O que estou tentando dizer, é que você pode, e deve, dar as notícias conforme as coisas vão acontecendo. 5- O momento certo é crucial para reduzir reações de estresse. Ok, você começa a se perguntar: como eu avalio se é o momento certo? A hora exata precisa reunir algumas características, tais como: a) Qual a condição da situação a ser informada? Ela tende a piorar, manter- se ou resolver-se ao longo do tempo? b) Qual a urgência da informação? O seu chefe considera relevante essa informação e, portanto, vai querer saber o mais breve possível? c) Qual é o ambiente atual? Às vezes, o ambiente atual já está estressante e pode não ser uma boa hora para acrescentar mais um problema, a menos que os itens anteriores sejam considerados críticos e não seja possível postergar. d) Apresentação parcial: avaliar se as informações devem ser feitas em parte ou de uma só vez. Por exemplo, você pode dizer que tem notícias sobre assunto tal, e que elas não são boas, explicarei mais sobre este item posteriormente. e) Avalie se seu chefe vai ter a informação de outra fonte mais rápida que você e se isso é relevante. Normalmente é. 6- Reações possíveis; Quando conhecemos o chefe, já temos uma ideia de como ele vai reagir frente a determinadas situações. Isso deve ser levado em conta, quando estiver no processo de comunicação das expectativas frustradas. Certa vez, tive um chefe que era extremamente prático. Ao receber uma informação indesejada, ele normalmente pensava logo em como comunicar aos outros interessados uma maneira de como resolver o problema. Após um determinado período, meu superior nos contatava para veri�car os detalhes do processo de resolução dos contratempos. No entanto, existem aqueles que vão demonstrar sua insatisfação com muita energia. Outros, irão manifestar uma certa dose de desespero ou de indignação; e ainda há alguns que perdem até a fala. Você precisa estar ciente das possíveis reações e pensar em como reagir positivamente em relação a elas. Quando falo de reação positiva, re�ro-me a praticar a empatia. Colocando-se no lugar do seu chefe, uma vez que a sua reação possa ser, em certa medida, semelhante a dele. 7- Tem boas notícias? Se você tem boas notícias, considere que essa pode ser uma boa hora de compartilhar. Às vezes, começar com boas notícias a respeito de um tema, nos ajuda a minimizar o impacto negativo de alguma expectativa frustrada. Não quero deixar, aqui, a falsa impressão de que é correto esconder a gravidade ou a relevância de algo, mas sim de considerar que, eventualmente, se houve ganhos signi�cativos em alguns aspectos, esse acontecimento nos conforta em relação às perdas. Entenda, que as boas notícias devem ser relacionadas ao assunto da discussão. Não acho que comunicar seu chefe que o time dele ganhou o campeonato no dia anterior, vai ajudar com o tema relativo ao seu trabalho. Isso pode alterar o humor dele, mas não mudará a relevância do assunto. Lembro-me que tive um diretor que, antes de passar uma má notícia para nosso CEO, tentava contar alguma piada. Não costumava funcionar. No �nal das contas, notícias ruins não têm graça e precisam ser encaradas à luz da realidade. 8- Apresente alternativas. Receber más notícias que frustram a expectativa é muito ruim, mas receber isso sem a apresentação de qualquer solução para o problema é ainda pior. Apresente alternativas para resolver a situação, se for possível. Se não, pelo menos apresente possibilidades de reduzir os impactos. Nem toda expectativa frustrada é completamente ruim, pois pode ser que houveram fatos positivos e relevantes. Mas atenção! Isso deve ser feito com muita cautela, para não passar a impressão de que se está minimizando a importância que seu chefe dá ao assunto. 9- Assumindo mais. Tenha em mente que talvez você seja levado a comprometer-se com resultados futuros ainda mais desa�adores em detrimento dos resultados entregues. Nesse caso, esteja certo de que eles são exequíveis. Cuidado para não fazer promessas e gerar ainda mais expectativas, com o intuito de minimizar o problema, a menos que tenha um plano executável, que possa suportar suas a�rmações. Planeje com vista a minimizar os riscos de fracasso repetitivo. Com um pouco de prática, você vai conseguir se lembrar dos pontos principais a serem avaliados ao deparar-se com a necessidade de comunicar expectativas frustradas. A �m de ajudar, incluí uma lista de perguntas, poderás quais poderá recorrer para facilitar a análise da situação, antes de tomar uma decisão. Tenho informações su�cientes para apresentar? É possível reverter a situação em curto prazo? Tenho tempo para apresentar uma resposta detalhada? Meu chefe espera uma resposta rápida desse assunto? É importante que eu seja o primeiro a dar a notícia? O ambiente já está estressante? Preciso preparar meu chefe antes que dar a notícia a ele? Como? Quais as possíveis reações dele? O quanto precisarei comprometer-me em relação às novas expectativas? Como posso me comportar frente às prováveis reações? Tenho boas notícias relacionadas ao tema? Quais os principais motivos que levaram à essa situação? Já havia comentei sobre esse assunto com meu chefe antes? Já dei feedbacks formais do andamento do assunto? Tenho fatos relevantes que ajudam a entender o motivo do insucesso? Posso oferecer alternativas de solução? Quais alternativas poderei oferecer como remediação? Diante disso, como podemos tratar as expectativas já formadas e que não estão indo bem? Seguem algumas dicas: Visionário ou Sonhador? O visionário é aquele ou aquela, que vê um futuro atraente e busca, de maneira estratégica e ostensiva, chegar ao tão sonhado objetivo. Já o sonhador, vê o futuro de forma atraente, mas não tem planos, e nem estratégias, para chegar lá. Este apresenta novas ideias e anima a multidão, mas não as executa, até chegar um momento em que as pessoas deixam de acreditar em seu potencial. Na próxima tabela seguem algumas características do comportamento visionário e do sonhador. Visionário Sonhador Enxerga um f uturo atraente. Enxerga um f uturo atraente. Deseja de realizar o impossível. Deseja o impossível. Tem perseverança nos objetivos. Muda os objetivos com f requência. Leva os outros a crer. Leva os outros a sonhar. Foca em realizar Foca em idealizar. Inclui propósito. Inclui desejo. Cria estratégias para alcançar o objetivo. Cria estratégias para convencer. Não seja e nem deixe que seu chefe pense que você é mais um sonhador. A dica, aqui, é saber o quanto você é visionário e o quanto é sonhador. Perguntar-se de que maneira você está enxergando um futuro que seja exequível. Como você tem se posicionado em relação ao desejo de realizar? Você apenas tem sentido desejo de que ele aconteça ou está disposto a trabalhar para isso? Você tem sonhado algo novo a cada dia e não tem se aprofundado em nada? Ou tem buscado alinhar seus objetivos e perseverado neles, mesmo quando encontra fortes resistências? Quando compartilha seus sonhos, você tem levado as pessoas a um engajamento ou está buscando apenas idealizações sem planos concretos? Tem conseguido identi�car o propósito por trás dos sonhos ou ele está destoando de qualquer direção que você ou sua organização vem propondo? Essas perguntas são importantes para que você avalie qual é o distanciamento entre o sonhador, que gera inconsistências e não tem muita credibilidade, e o visionário, que leva as pessoas a desa�ar o status quo e alcançar novos limites. A característica visionária pode ajudar seu chefe a gerar inovação e soluções criativas. Se seu líder é um visionário, seus esforços tendem a somar-se de maneira sinérgica. Assim, é necessário alinhar esforços. Eventualmente, é possível ter uma visão totalmente contrária à do seu chefe, em relação ao futuro. Sendo assim, é preciso preparar-se para discutir suas visões, mas deixando claro seu respeito pelos pensamentos dele. Se seudirigente está disposto a discutir pontos de vistas diferentes, prepare-se e se questione sobre o quão crível é sua visão a respeito de determinado tema. Quando pensamos abertamente e nos perguntamos sobre nossas próprias certezas, nos sentimos con�antes em defende-las ou, até mesmo, em abandoná-las. Por outro lado, se seu chefe é do tipo sonhador, você tem uma tarefa um pouco mais difícil pela frente. Normalmente, os sonhadores não percebem que têm esse tipo de per�l, e na maioria das vezes, não gostam de ser tratados como tal. A primeira tarefa para lidar com o sonhador, é transformar as condições de sonho em oportunidades executáveis. O que quero dizer com isso, é que um sonhador pode, por vezes, ser bastante criativo, mas não tem força motivacional para realizar suas propostas. E é exatamente nesse ponto que você pode ajudar. Procure avaliar os sonhos do seu chefe como se fossem os seus. Não considere, logo de cara, como se fosse algo inatingível ou irrealista, pois essa postura iria passar para o seu chefe a sensação de resistência em relação às mudanças e às propostas vindas dele. O que você pode fazer, no que se refere às propostas “sonhadoras” do seu chefe é: a) Procurar avaliar o mérito criativo e inovador; b) Avaliar os ganhos potencias, ao invés de avaliar apenas as di�culdades; c) Identi�car eventuais mudanças que poderiam tornar o projeto possível; d) Identi�car o propósito através de perguntas e análises; e) Alinhar com seu chefe melhorias e propostas; f ) Encontrar uma estratégia para alcançar os objetivos; g) Solicitar recursos e apoio. Se depois de tudo isso, você ainda acreditar que o projeto proposto por seu chefe é inviável, você tem a chance de convencer seu chefe com argumentos mais sólidos, ou mesmo ajustar o projeto. Uma outra coisa que você deve estar disposto a fazer, é assumir o risco de se engajar no projeto e fazer o seu melhor para que ele funcione. Se der errado, não é de todo ruim, pois seu chefe vai considerar que ele tem um aliado nos momentos de descrenças e de incertezas. Além do mais, ele vai encarar suas próprias experiências de erros e de acertos, não é verdade? N 4- Sobre transferência de informações. ão pretendo chamar este tópico de comunicação, porque a comunicação é mais abrangente do que o que eu gostaria de tratar. Pretendo, portanto, ser mais especí�co, no que diz respeito à transferência de informação que você ou o seu chefe acha que é relevante receber, bem como o tipo de assunto que ele precisa saber em tempo adequado. Você já deve ter passado por alguma situação em que não informou algo ao seu chefe, e depois foi cobrado pelo fato de não ter feito isso. Ou já pode ter passado por situações em que pareceu que está passando informações que ele não se importa ou não precisava saber. É comum haver contratempos relacionados à transferência de informações. E isso pode trazer grandes problemas de relacionamento, prejuízos �nanceiros, além de gerar riscos de várias naturezas. Por outro lado, o fato de não �ltrar as informações, adequadamente, antes de transmiti-las, pode levar à perda de tempo e à queda de produtividade dos envolvidos no processo. Mas a�nal, o que informar? O quão detalhadas essas informações devem ser? E se meu chefe preferir receber tudo detalhadamente? Mas caso ele não seja chegado a detalhes, como deverei repassar as informações? A seguir, iremos nos deter, especi�camente, a essas questões. Informação: em qual nível de detalhe? Meu primeiro emprego em indústria foi como estagiário. Percebi, ao passar por vários degraus na hierarquia organizacional, ao longo dos anos, que quanto mais elevado é o cargo, mais recebemos informações e elas tendem a ser cada vez menos detalhadas. Claro que, o gestor pode preferir se ater aos detalhes de cada informação, mas, na maioria das vezes, isso não é produtivo. Com o tempo, entendemos o que precisamos saber e em qual nível de detalhes. Dadas as características das organizações, do ramo de negócios e até mesmo de cada pessoa, a informação tende a ser mais ou menos minuciosas. No que concerne nosso foco principal, que é a forma de gerenciar o chefe, é necessário conhecê-lo, a ponto de saber o quanto ele gosta de detalhes, ou não. Não somente se ele precisa deles. Normalmente, quando as pessoas precisam de detalhes elas perguntam sobre eles. Mas quando tratamos de alguém que gosta de se ater aos mínimos detalhes, você precisa considerar a forma como transmite as informações. Em cargos de gestão, as pessoas estão cada vez mais “ocupadas” e, na maioria das vezes, não conseguem ter um processo de comunicação de qualidade. A sua habilidade em trazer as informações no nível de detalhe adequado é muito importante para o sucesso com seu chefe. Aqui vão algumas dicas úteis para melhorar esse processo de transferência de informação, no que se refere ao nível de detalhes: a) Aprenda a conhecer as preferências de seu chefe, em relação aos detalhes das informações que você passa. Pode ser que, no geral, a liderança seja detalhista ou goste das coisas resumidas. Ainda assim, aconselho sempre se preparar, um pouco mais, para o caso de exigência de detalhamentos. A�nal, fazer um resumo das particularidades é muito mais fácil do que gerar detalhes a partir de um resumo. b) Faça uma lista com o tipo de informação que seu chefe gosta de receber, incluindo o grau de detalhe. Esteja atento que isso pode mudar em relação ao cenário. Em época de gestão de crise, é preciso avaliar esse assunto com cuidado. O que quero dizer é que, normalmente, em situações de crises, a demanda por mais informações e por detalhes podem aumentar bastante. c) Lembra das expectativas? Pois é, se o que foi esperado não foi atingido, é provável que a explicação desejada seja a detalhada. Eu tinha um chefe que dizia que os resultados bons falam por si, mas os ruins, precisam de um relatório ainda mais elaborado. d) Faça perguntas de como ele gosta de receber certos tipos de informações. Em alguns casos, uma simples mensagem no aplicativo do celular já basta, mas em outros, será necessário um relatório completo. e) Pratique como “contar a história”, com início, meio e �m. Não importa quanto tempo tenha ou o quanto essa história terá que ser resumida. Às vezes três palavras bastam, Por exemplo: Produção/180K/embarcado. f ) Leve em consideração o quão critico é o assunto para a organização e para seu chefe. Decida a qual nível de detalhes você precisa chegar. As condições podem exigir velocidade com pouco, ou nenhum, detalhe, mas em um segundo momento, com mais tempo, poderá surgir a oportunidade de ir às minúcias. Avaliando O QUE informar A avaliação do que informar costuma trazer muitos problemas quando não gerenciada ou feita de maneira equivocada. Isso porque não é nada fácil ter sob controle o que informar. Você já deve ter escutado as frases: “Você devia ter me informado isso!” ou “Como é que eu não �quei sabendo disso?”. Eu costumava chamar isso de “bolada nas costas”. Era quando alguém da equipe sabia das coisas, mas deixava passar e somente mais tarde, quando a situação estava ainda mais complicada, é que a informação chegava. Porém, em muitos casos, ela nem chegava. Isso não é algo que devemos deixar ocorrer com alguém que necessita das nossas informações no tempo, e na qualidade, esperada. Antes de propor algumas boas práticas para lidar com a do que informar, queria te dar alguns exemplos do porquê é tão difícil de�nir adequadamente o que informar. Existem algumas informações que você já sabe que são necessárias anualmente, mensalmente, diariamente etc. Esse tipo de informação não costuma trazer grandes complicações. Os problemas maiores advém daquilo que acontece fora da rotina, mas que você considera importante. É quando começa o dilema: devo informar ou não? Outra situação que infelizmente acontece, é a tomada de decisão em não comunicar por receio das consequências advindas dos fatos relatados. O que se espera de todo bom pro�ssional, é que ele assuma suas responsabilidades no seu nível de atuação,e que se comporte de maneira ética ao lidar com as informações que impactam na sua organização. Quando isso não acontece, os problemas tendem a se agravar. Nessa hora, você pode estar se perguntando: então eu não comunico nada que esteja fora da rotina? Ou informo tudo o que é fora da rotina? Tenho certeza de que já sabe que as duas coisas são impraticáveis. No entanto, relatar tudo sem nenhum �ltro, pode te levar a demandar muito mais de seu chefe do que o necessário. Além do mais, ele pode entender que há a necessidade de uma intervenção por parte dele, e isso pode te causar di�culdades extras a serem gerenciadas. Além do mais, o seu chefe não tem todo o tempo do mundo para acompanhar tudo o que acontece, ainda que seja do interesse dele. Para ilustrar isso, me recordo de uma vez em que fui chamado na sala de meu chefe, e fui questionado sobre o porquê dele não ter �cado sabendo de um assunto do qual eu estava responsável por gerenciar, e não estava indo bem. Contudo, ele soube por outra fonte, antes que eu pudesse comunicar o tema adequadamente. Ele disse uma famosa frase que você já deve conhecer: “Por que você não me comunicou isso antes?”. Então minha resposta foi simples: “Chefe, eu tenho algumas reuniões periódicas e outras que agendamos para tratar de vários assuntos. Normalmente, eu tenho entre cinco a dez assuntos que considero importantes dividir com você e, adicionalmente, você tem alguns outros que precisam me informar. Acontece que nem sempre conseguimos tratar de todos os temas. Nesse caso, eu sempre escolho os que são mais críticos e começo por eles. Os que são menos importantes, �cam para o �m da �la. Ou seja, vai sempre ter algum assunto que corro o risco de não lhe comunicar.” Após minha fala, ele pensou um pouco e concordou comigo que aquele assunto não era a nossa maior prioridade, embora fosse importante. O que quero dizer, é que nem sempre vamos conseguir gerenciar adequadamente o que compartilhamos. Existem, várias circunstâncias, dentre elas o tempo adequado para fazer isso. Mesmo assim, encorajo as pessoas a melhorar a cada dia, e, se você tem uma equipe subordinada, vai ser excelente praticar com eles a �m de ´de ajudá-los a fazer o mesmo. Para tratar de eventos fora da rotina, eu sempre uso uma correlação aos eventos rotineiros. Por exemplo, se a informação está relacionada a um item de produção, e esses itens de produção são considerados relevantes para meu chefe, então eu também os considero relevantes. Outra maneira que utilizo quando tenho dúvidas, é informar sobre os assuntos relevantes e, logo depois, me pergunto se esse tipo de informação é, de fato, relevante para o meu chefe. A resposta dele alinhará as expectativas futuras. Quanto à de�nição do que é, ou não, crítico, vai depender, em grande parte, do modelo de negócio em que você está envolvido. De maneira geral, eu �caria preocupado em avaliar os requisitos relacionados à gestão de riscos. Vamos explicar a questão da gestão de risco sob o aspecto da criticidade. Levando em conta que risco é tudo aquilo que pode interferir, positivamente ou negativamente, na obtenção do sucesso ou de uma estratégia. Dessa forma, devemos avaliar, como críticos, todas as condições que têm alto impacto em determinada estratégia de negócio. A �m de ilustrar o que foi dito anteriormente, proporei a seguinte situação hipotética: suponha que você trabalha em uma empresa de logística e de entrega de bens de consumo altamente perecíveis. Nesse caso, uma das estratégias desse negócio, possivelmente, está ligada a um excelente controle em acondicionamento e em prazos de entrega. Para esse caso, qualquer evento que aumente a probabilidade de insucesso ou gere impactos relevantes, devem, por si só, ser considerados críticos. Você não precisa ser especialista em gestão de riscos para avaliar se um determinado tema é relevante em relação a eventuais impactos nos seus processos organizacionais, ou mesmo, pessoais. Veja, abaixo, um grá�co ilustrativo de como você pode avaliar a criticidade para comunicar assuntos com impactos. • Assuntos de elevado impacto e de alta probabilidade devem ser considerados críticos, mesmo se não estiver no radar do seu chefe. • Assuntos com probabilidade baixa, mas com alto impacto, devem ser acompanhados e informados em tempo adequado. • Assuntos com alta probabilidade e elevado impacto, devem �car sob sua observação e precisam ser comunicados, caso a probabilidade ou o impacto mudem. • Em relação aos itens de baixa probabilidade e baixo impacto, eu não me preocuparia. • Vamos incluir, abaixo, algumas dicas extras para esse assunto que considero extremamente relevante no processo de gerenciamento do chefe. a) Sempre que estiver de posse de alguma informação que considere relevante, comece a pensar se deveria, ou não, comunicar ao seu chefe. Nesse caso, pense um pouco mais nos prós e contras da sua decisão, mas não demore a tomar decisão, pois o tempo é importante. Avalie sempre do ponto de vista de riscos e oportunidades. b) Mantenha o registro dos assuntos que precisa compartilhar com seu chefe, para que em um momento oportuno, possa fazê-lo. c) Procure anotar, ou memorizar, os assuntos que seu líder normalmente faz perguntas frequentes sobre. d) Procure anotar e lembrar-se dos assuntos que já estão de�nidos e que devem ser informados. Sejam eles assuntos estratégicos que impactam fortemente no custo, na produção, nas vendas, no meio ambiente, no clima organizacional; isto é, tópicos que podem já estar de�nidos e que você precisa relatar. e) Seja pro�ssional, haja com responsabilidade e transparência, ainda que porte informações que tragam descontentamentos. Notícias ruins também precisam ser compartilhadas. f ) Não desenvolva o hábito nocivo de colocar as coisas “por debaixo do tapete”. Não esconda! Uma coisa é você escolher o momento adequado, a outra é ocultar e ver o que acontece. Acredite, a verdade sempre aparece. g) Avalie se é você mesmo quem deveria compartilhar tal informação. Isso é fundamentalmente importante. Não se apresse em passar informações, ainda que sejam agradáveis, somente porque são boas notícias. Isso pode ter conotação ruim para você. Mesmo porque, um colega que esteja envolvido ou seja responsável pelo assunto, pode considerar que você não está sendo ético e justo ao fazer isso. Como informar Já tratamos sobre o nível de detalhes e sobre o que deve ser avaliado ao se passar informações relevantes para seu chefe, mas gostaria de ater- me ao modelo ou à forma como devemos fazer isso. Se você tem uma informação crítica, sabe o nível de detalhes que provavelmente terá que chegar e precisa relatar a alguém, comece a pensar em qual veículo de comunicação irá usar. Atualmente, existe uma abundância de meios de comunicação, por isso necessitamos de�nir qual é o mais adequado em cada situação. Não se deve fazer uma ligação telefônica, quando seu chefe espera que você comunique pessoalmente. Você pode esperar, por outro lado, um tempo longo demais para comunicar algo que poderia ter sido feito por e-mail, ou por outro meio eletrônico. O fato de você não pensar muito nisso e simplesmente utilizar a primeira ferramenta que estiver ao seu alcance, pode trazer impactos negativos para as relações pro�ssionais com seu superior. Em uma empresa que trabalhei, foi criado um grupo de comunicação em um aplicativo muito conhecido. No entanto, começou- se a circular qualquer tipo de informação no grupo, sem �ltro e de maneira muito informal. Certo dia, um gerente que trabalhava comigo passou a informação no grupo sobre um incêndio que teria ocorrido em um painel elétrico, em uma das unidades da fábrica. O gerente, em questão, não avaliou a fundo o assunto e, atendendo à sugestão de outro gerente sobre forma como deveria informar os acontecimentos, deu sequência na comunicação no grupo. O estresse foi grande, porque o presidente da empresa fazia parte do grupo, e recebeu a notícia que considerou crítica e relevante (mais tarde constatou-se que a criticidade era bem menordo que se supunha), e entendeu que o canal pelo qual a notícia chegou a ele foi totalmente inadequado. O relato gerou mais preocupações e envolvimento desnecessário de outras pessoas e, como consequência, foi mais difícil tratar da situação da comunicação do que do problema em si. Essa situação nos trouxe muito aprendizado. Há um outro episódio que ocorreu em outra empresa, desta vez a notícia foi dada através de um e-mail. Um operador, foi instruído a informar uma situação na área de operações, por isso passou uma mensagem usando o endereço corporativo geral e todos na empresa receberam-na. O presidente da empresa, ao lê-la, enviou uma resposta geral, dizendo para evitar esse tipo de comunicação, na qual a maioria não estava envolvida com o assunto. Antes mesmo que o supervisor conseguisse conversar com o operador sobre o equívoco de enviar mensagem no e-mail geral, o operador já tinha respondido, novamente, para o presidente e, consequentemente, para todos. No texto, ele se desculpava e dizia que de fato essa forma de comunicação deveria ser evitada. Esse relato parece até engraçado, mas nem todos pensaram assim. Para esse caso, bastava o operador ter falado no rádio comunicador com o supervisor do turno, e tudo estaria resolvido. Para que haja uma comunicação e�ciente, muitas vezes é melhor a verbalização pessoal. Em alguns casos, é melhor pegar o telefone e ligar para quem deseja. E, em outras situações, uma simples mensagem pode resolver o problema. O que você não pode fazer, é negligenciar a maneira como transmite a informação para seu chefe. A não utilização da ferramenta correta pode gerar muito trabalho extra e desnecessário para você e para os outros, além de desgastes nas relações interpessoais. Pense antes de decidir a ferramenta de comunicação a) Necessita de velocidade ou de qualidade? Ou de ambos? b) Vai comunicar somente ao seu chefe ou a mais pessoas ao mesmo tempo? c) Como seu chefe está habituado a receber esse tipo de informação? Como você acha que ele vai reagir se você mudar o meio de comunicação? d) Se você tem que fazer algo diferente do comum, porque a condição que você tem é aquela, deixe isso claro assim que possível. e) Esteja atento aos tipos de ruídos de comunicação que podem ser causados pela ferramenta que está utilizando. f ) Procure avaliar a importância, o impacto e qual é a relevância da informação antes de de�nir o meio de comunicar. g) Avalie de qual maneira a notícia a ser transmitida será mais clara para aquele momento. h) Avalie se você quer, ou se precisa, gerar registro da informação. Em alguns casos, você precisa recuperar os relatos para efeito de avaliações, registro e planos de ação e assuntos de Compliance. Evite problemas! Aprenda a responder “Eu não sei!”’ Este assunto é fundamental, se você quer ter um bom gerenciamento de informações com seu chefe. Tenha sempre em conta que ele espera que você tenha um bom nível de informação que o ajude a tomar boas decisões. Você conhece o seu trabalho, as informações que deve saber e quais deveriam ser atualizadas, pois é parte do seu ofício. Às vezes, vão te perguntar algo mais, então, esteja disposto a aprender algo novo todo dia. Isso ajuda muito. Além disso, crie sua própria forma de acessar os dados e informações relevantes de maneira rápida, seja no celular, no computador, em um caderno etc. Notícias precisam ser rápidas, mas devem ser corretas. Sempre que possível, deixe claro qual é o nível de con�ança dos dados informados. Faça sempre uso da melhor informação disponível. Não são poucas as pessoas que pensam que podem “chutar” um número, ou uma informação, e deixar que as coisas sigam dessa forma. E, de maneira alguma, querem admitir que simplesmente não sabem. Uma vez, me enviaram uma mensagem de outra unidade fabril e perguntaram qual era a altura de certa torre que tínhamos instalado. Eu não sabia de imediato, então fui perguntar ao meu gerente se ele dispunha desta informação, e ele disse: “Responda que a altura é oitenta e dois metros e meio.” Eu perguntei como ele conseguia saber esse valor de cabeça e com tanta precisão, e ele me respondeu que não sabia e que estava chutando. E mais: se usasse números “quebrados”, a pessoa ia acreditar mais ainda que a informação era correta. Isso também pode parecer engraçado, mas não é. Nem sempre você vai saber o que pretendem fazer com a informação que você está passando, então leve a sério e evite problemas futuros. Quando eu era um jovem engenheiro de processos, e estava participando de uma reunião técnica com a presença do presidente da empresa, este me fez uma pergunta inusitada: quis saber quantos parafusos tinha em uma das portas de certo moinho da fábrica. Então respondi que eram oito, mas eu estava chutando. Quando fui conferir, descobri que era mais que isso. Tirando o fato de que essa informação parecia ser irrelevante e que, eventualmente, se tratava apenas de uma mera curiosidade, eu re�eti muito sobre o fato de ter estimado aquela informação, ao invés de pelo menos acrescentar que iria conferir, pois não tinha certeza. É necessário coragem para dizer “Eu não sei”. Existem várias maneiras de dizer que não se sabe algo e, às vezes, sem dizer já percebem que você não sabe... Por exemplo, você pode informar diante de uma pergunta e dizer que, para detalhar um possível item em especí�co, você vai precisar se informar melhor e então oferecer uma resposta. Você pode dizer o que sabe, mas deixar claro que não está certo da precisão da informação. Aprendi que, apesar do desconforto que surge quando você diz que não sabe, as pessoas, na maioria das vezes, estão dispostas a dar um prazo para veri�cação, além disso, eles vão con�ar mais em você. É melhor a honra de ser �dedigno, do que o orgulho de não admitir que não sabe. Obviamente, pode ser extremamente deselegante uma resposta seca: “eu não sei”. Mas é sempre importante buscar assertividade nos nossos processos de comunicação. Você pode dizer que não tem a informação disponível no momento, mas que vai investigar e dar retorno brevemente. Recebendo informações do seu chefe. É interessante notar que, na maioria das vezes, você agenda uma reunião com seu chefe para tratar de temas que são relevantes para você. No entanto, durante a reunião, ele usa a maior parte do tempo para falar dos temas que ele acha relevantes e não necessariamente dos seus. Ele até escuta as suas demandas, mas o tempo acaba sendo divido. Não raro, aproveita para fazer atualizações relacionadas às suas entregas futuras, além de passar mais demandas e informações que considera relevantes. Uma boa dica para contornar essa situação, em relação ao desvio do propósito da reunião, é manter-se a calmo e �car atento ao momento oportuno para mudar o rumo da conversa. Se não tiver êxito, não deixe de sinalizar a ele que você vai precisar de outra reunião para tratar dos assuntos pendentes, dada a sua relevância. Não deixe que a impaciência ou a ansiedade tirem a sua capacidade de lidar com a situação, aproveite e aprenda algo novo com seu chefe, talvez ele esteja trazendo informações que serão importantes pra você futuramente. Considere como um processo de aprendizado para lidar com os assuntos relacionados à comunicação futuramente. Já falamos um pouco sobre isso, mas lembre-se de manter uma forma adequada de registro. Não sei qual é a sua capacidade de memorizar as informações, mas quero relembrar que é uma péssima ideia con�ar somente na memória, ao registrar dados relevantes, principalmente quando isso vai gerar demandas e entregas suas para seu chefe ou para outros. O livro Cérebro: Uma biografia de David Eagleman, o neurocientista e professor da universidade de Stanford, traz uma informação bem interessante sobre esse caso. Ele diz que nosso cérebro consegue guardar muito menos coisas e detalhes, do que na verdade supomos. Já aconteceu do seu chefe ter certeza absoluta de ter falado algo e você ter mais certeza ainda de que ele não falou nada daquilo? Pois é... Mas no �nal, ainda que você tenha razão,é melhor anotar. Parece meio chato entrar e sair com o bloco de notas, ou com um caderninho, toda vez que seu superior te convidar para uma conversa, mas hoje em dia temos a opção de usar seu celular ou notebook. O importante é que tome notas. Não con�e em sua mente. Lembre se: a nossa mente pode mentir para nós. Por várias vezes, essa prática me salvou de situações bastantes complicadas, pelo simples fato de ter feito anotações. Certo dia, tive uma grande discussão com um dos meus chefes, e ele me dizia que não conversamos sobre determinado assunto. Consegui abrir meus arquivos e informar-lhe detalhes da nossa conversa, até que ele �nalmente se lembrou da tal conversa. Como disse, você pode usar a forma que quiser. Usei, por muito tempo, um caderno que parece antiquado, eu sei, mas é muito prático, porque é rápido para abrir e começar a tomar notas. Não necessita de disponibilidade, de internet, de energia elétrica etc. O ponto negativo, é que não dá para compartilhar com a mesma facilidade que a forma eletrônica. Atualmente, uso um caderno e o computador, então chego no local da reunião com este último ligado. Quando não é possível executar tal tarefa, uso o caderno. É importante que você descubra a melhor maneira de fazer seus registros. Outro ponto importante é: não leve dúvidas para a casa. Se você tem dúvidas, a melhor hora para sanar, é no momento em que ela surge. Se isso não for possível, volte ao assunto em outro momento, mas manter a dúvida e seguir baseando-se em suposições, pode gerar perda de tempo, trabalho dobrado e crises que você terá de gerenciar depois. Em relação a informações sigilosas, preciso lembrar alguns pontos que ajudarão a evitar situações delicadas, em caso de uso indevido ou vazamento Sempre que estiver recebendo informações que lhe pareçam sigilosas, pergunte e tenha certeza do fato. Investigue se você é o único a saber disso e com quem você está autorizado a comentar. Às vezes, certos dados são passados para os pares inadvertidamente, somente porque julga-se que o outro deveria estar ciente. A 5- Gestão sobre as demandas do seu chefe para você. qui, gostaria de deixar claro que essas demandas, que estou pontuando, não se referem apenas às suas atribuições do dia-a-dia. Claro que isso faz parte, mas normalmente quando já somos conhecedores de nossas metas e objetivos, temos condição emocional e técnica para executar as tarefas e ir atrás dos objetivos propostos. Contudo, existem, também, demandas novas, geradas por necessidades emergentes ou, até mesmo, por aquelas motivadas por um processo de treinamento. Um dos caminhos pelo qual as demandas chegam, é através das mudanças naturais dos processos em que estamos envolvidos, pois nossas atividades são dinâmicas. Novas ideias surgem, e com elas também aparecem novas estratégias, legislações etc. Se você tem um cargo de liderança, sabe que o mesmo se passa com você. Mas a questão é como gerenciamos as várias demandas que surgem e que podem, inclusive, di�cultar que sejamos mais produtivos ao lidar com elas. Vamos tratar de algumas demandas que considero importantes mencionar. a) Demandas urgentes São várias demandas que nosso chefe traz, intituladas “urgentes” e que, portanto, devem ser tratadas como tal. Se você não souber cuidar dos assuntos urgentes, eles podem colocar em risco muitas situações e criar ocorrências embaraçosas. Pode impactar na con�ança do seu chefe ou, até mesmo, afetar nos seus resultados a médio e longo prazo, além de levá-lo à perda de foco. São vários os motivos pelos quais as demandas da liderança chegam como urgentes. Às vezes, elas são geradas por conta de situações que fogem do controle dele, pois são motivadas por questões externas. Outras vezes, a busca por aproveitar uma oportunidade estratégica faz com que algo que podia esperar, passe para o topo da lista de prioridades. Existem, também, aquelas urgências criadas pela di�culdade de lidar com as demandas do dia-a-dia e outras que deveriam ser feitas em um prazo exequível, mas passam a tomar os primeiros lugares nas agendas por falta de foco e perda dos prazos. Quantas vezes algo �ca em cima da mesa para ser informado e colocado em prática, mas isso não acontece? Então, pouco tempo antes de estourar os prazos, alguém se lembra de informar aos executores que temos uma “emergência’” (o apelido que dou à essa situação é “chocar granada”). Alguém me disse uma vez, que emergência é tudo aquilo que você não tratou no momento que deveria. Ou ainda: “não faça da sua falta de planejamento uma emergência para mim...” Passei por muitas situações em que meu chefe me enviou pedidos para realizar algo com urgência e, vendo os registros anteriores dos e- mails, constatei que a demanda estava com ele há muito tempo, e que agora virara emergência. Isso pode acontecer com todos os que exercem liderança. Em algum momento, podemos entender que certas coisas podem esperar a hora mais adequada e, mais tarde, aquilo acaba virando prioridade. O fato é que ao se chegar a ser classi�cada como urgente, precisamos tratá-la como tal, pois na maioria das vezes, não há espaço para negociação sobre isso. Então, como você deve tratar este tipo de demanda sem se queimar por não cumprir esse ou outros prazos? Como administrar esse tipo de demanda sem colocar seus objetivos de médio, e de longo prazo, em risco? Como ajudar seu chefe a reduzir demandas urgentes que poderiam ser solucionadas em tempo adequado? Há quatro atitudes que você deve adotar ao tratar das demandas urgentes do seu chefe: 1) Tente entender as razões que levaram as demandas a chegarem à classi�cação de urgentes. (Para começar, algumas demandas talvez não sejam urgentes e você as classi�cou assim somente porque vieram do seu chefe). Isso pode parecer simples, mas vai reduzir muito estresse e tornar suas ações mais efetivas. Além disso, esteja certo de que as demandas venham acompanhadas dos prazos necessários. Isso pode parecer óbvio, mas algumas pessoas tomam ações sem se preocuparem com o nível de prioridade. 2) Mantenha uma lista das ações e de projetos que foram demandas do seu chefe, e nunca perca de vista os prazos acordados. Se eles estiverem em risco, informe antes que o prazo seja perdido. Essa ação é importante, porque sua lista deve estar sempre atualizada. Ou seja, se seu chefe chega com uma demanda urgente por dia, e você não dá conta de atender a todas elas, precisa alinhar com ele qual delas deve ser atendida primeiro. Ainda que ele insista todas devem ser prioridade, você deve desenvolver uma maneira adequada de ordenar as demandas. Certa vez, estava em uma reunião, quando nosso chefe atribuiu, para meu colega de trabalho, algumas demandas extras. Meu colega disse a ele que não daria para atender aos prazos, porque já tinham muitas tarefas urgentes e, em seguida, perguntou quais seriam as tarefas que ele poderia fazer deixar momentaneamente de lado, para acomodar aquelas novas demandas. Ao que nosso chefe se levantou da cadeira, abriu os braços e disse: “Abra os braços ao máximo e leve todas as demandas juntas, você não pode deixar nenhuma pra trás...” Claro que podemos receber algumas respostas como essa, mas devo dizer que meu colega acabou atrasando todas as tarefas. Creio que sempre podemos buscar, habilmente, uma forma de atender às demandas; buscar um acordo sobre isso é sempre a melhor saída. Existe uma técnica muito simples que gosto de utilizar para priorizar as tarefas, e, eventualmente, ela poderá te ajudar. A razão pela qual adoto essa metodologia é que ela é simples. Sendo assim, consigo fazê-la mentalmente, dependendo do número de tarefas e a complexidade delas. Essa ferramenta é conhecida como GUT (Gravidade X Urgência X Tendência). Segue a sequência de explicação de como utilizar. 1) Construa uma tabela com os seguintes dados: a) Lista de tarefas. Liste todas as tarefas que você deseja priorizar. b) Gravidade. Aqui, gravidade tem a ver com o impacto. (Perda de 100 mil reais é grave, a perda de 5 mil é pouco grave). GravidadePontuação Alta 3 Média 2 Baixa 1 c) Urgência. Urgência tem a ver com a força exercida por aquele que gerou a demanda, ou seja, se foi solicitada pelo presidente, diretor, gerente etc.). Urgência Pontuação Alta 3 Média 2 Baixa 1 d) Tendência. A tendência é medida, fazendo a seguinte análise: se nada for feito em relação ao assunto, a situação pode se resolver sozinha, se manter igual ou piorar? Tendência Pontuação Piorar 3 Se manter 2 Melhorar 1 e) Produto. Multiplique as notas para cada linha (GxUXT) e obtenha a nota �nal para cada uma delas, depois basta priorizar as pontuações mais elevadas. Taref a Gravidade Urgência Tendência Produto 3) Pergunte sempre pelos prazos e tenha certeza de que entendeu o tamanho da demanda. Se tiver dúvidas, é melhor pedir prazo para avaliar, depois voltar e tentar alinhar expectativas de prazos. Tente relacionar as demandas aos projetos já existentes, bem como suas implicações nos resultados e nas demandas anteriores. Não raro, algumas demandas podem impedir que projetos em andamento sejam continuados, pelo fato de as tarefas não terem sentido ou por gerarem riscos novos, maiores que eventuais oportunidades. Infelizmente, até mesmo bons gestores perdem a noção da conectividade entre as diversas demandas que geram, ou recebem, no dia-a-dia e, com isso, não conseguem avaliar os riscos e oportunidades que estão presentes nos fatores relacionados. Você deve ter isso em mente e alertar sobre esses impactos, caso seu chefe não os tenha percebido. 4) Antecipe as demandas. Às vezes, basta prestar atenção nos acontecimentos e nos cenários que têm se apresentado no dia-a-dia, e já somos capazes de avaliar que demandas novas vão surgir. Antecipar as necessidades, e trabalhar nelas, gera um hábito de proatividade que será extremamente bené�co para sua carreira pro�ssional. Imagine a seguinte situação: você está em uma reunião sobre novos projetos com seu chefe e outros envolvidos, então o pessoal começa a discutir sobre um projeto antigo que está engavetado há muito tempo, e os dados que você levantou sobre ele estão desatualizados. Sabendo que, no passado, seu chefe foi um grande incentivador desse projeto, ainda que ele não diga nada, pense se vale a pena começar a atualizar os dados para a próxima reunião. Claro que esse é um exemplo bem simples, mas tenho certeza de que você percebe algo vindo no ar sobre expectativas e novas demandas, se �car atento a isso. b) Demandas por informações. Já notou que as pessoas começam a te ligar somente quando está próximo de um evento em que elas também precisam reportar a seu superior? Mencionei, anteriormente, que quanto mais você cresce dentro da cadeia hierárquica, mais informações você tem. Mas, por outro lado, você tem cada vez menos detalhes dos acontecimentos. Existem vários motivos pelos quais isso acontece, contudo não é nosso objetivo fazer esse tipo de análise neste momento. Acho importante ter em mente que seu chefe necessita de algumas informações detalhadas em determinados momentos e em assuntos especí�cos que, eventualmente, você possui. Há situações em que ele precisa dessas informações, mas em outras ele simplesmente quer ter essas informações. Não é incomum, então, que apareçam demandas de pedidos de informação em momentos em que você não está preparado, ou disponível, para acessar ou gerar aquela informação ou mesmo, você simplesmente não tem a informação. A falta de habilidade para lidar com as necessidades de informações, pode gerar muitos descontentamentos, estresses e ansiedades para ambos os lados. É primordial que você esteja atento a este tipo de acontecimento, por isso procure avaliar e dar a melhor tratativa ao assunto. Falando um pouco sobre a necessidade de melhorar continuamente a nossa habilidade de tratar de demandas por informações urgentes, eu gostaria de dar um exemplo que aconteceu comigo certa vez. Na ocasião, estava passando por uma semana bastante conturbada, com vários problemas na operação e manutenção de uma das plantas que eu gerenciava. Em um horário de maior estresse, recebi uma ligação do meu chefe questionando, de maneira bastante incisiva, sobre o motivo pelo qual uma das minhas áreas de responsabilidade estava gastando muito dinheiro com contratação de táxis. Naquele momento, eu não tinha como acessar as informações e discutir o assunto com meu chefe. Além disso, ele não parecia querer esperar para ter as respostas. Eu tinha em mente que não estava fora do orçamento em relação ao custo de transporte. Por outro lado, não me lembrava dos valores em detalhes. A nossa conversa, naquela manhã, foi bastante estressante e foi a primeira vez, depois de muitos anos trabalhando juntos, que nós nos desentendemos fortemente. De minha parte, não consegui levar a discussão para outro momento e não informei qual era o cenário desfavorável que estava passando e que era um fator que di�cultava a conversa. Por outro lado, meu chefe tinha recebido uma cobrança, em relação ao tema, mas também não tinha como se explicar. Mais tarde, descobri e informei a ele que os custos que ele estava vendo eram custos globais das áreas, e não somente de uma área especí�ca. Tivemos a oportunidade de conversar sobre isso e aquele momento foi de muito aprendizado para ambos. Esse foi um caso típico que me fez estudar, e aprimorar, minha gestão do chefe. Voltando ao contexto original, ocasionalmente, a demanda por informação não é gerada diretamente por um pedido, mas por força de um acontecimento importante. E nesse caso, é provável que você já saiba que precisa informar à sua liderança sobre isso. Alguns exemplos de demandas urgentes podem ser: acidentes graves, eventos ambientais e quedas severas em produção ou produtividade. Aqui vai uma dica muito importante: algumas notícias, principalmente as notícias ruins, são difíceis de se detalhar rapidamente por meio de registros não verbais. Portanto, sempre avalie um contato verbal ao passar informações críticas e emergenciais. Além dos exemplos anteriores, existem outras demandas de informações que são muito especí�cas da sua área de atuação, mas de maneira geral é possível criar certos processos mentais que ajudam a lidar com esse tema. Pensando nisso, sugiro, abaixo, três coisas que você precisa saber quando as demandas de informações aparecem: 1) Esteja ciente dos protocolos de informações da sua empresa, isso vai te ajudar a se comunicar de maneira rápida e assertiva. É incrível como tenho observado que muitos funcionários não sabem como comunicar assuntos críticos, e/ou estratégicos, em momentos de necessidade de fazê-los e, por esta razão, se colocam em condição ruim perante a seus líderes, gerando potenciais di�culdades, ainda maiores para as organizações. Você precisa estar ciente dos �uxos de comunicação dentro da organização que você trabalha e dos �uxos especí�cos de temas sensíveis ou regulamentados (Compliance, gestão de risco, gestão de crise, entre outros). 2) Cuidado com o prazo e com a qualidade das informações! Na maior parte das vezes, a qualidade e o prazo para se gerar uma informação e endereçar de maneira adequada, estão intimamente ligados. Procure entender o motivo da solicitação da informação e como ela será utilizada. Às vezes, o que o seu chefe precisa, é bem diferente do que ele mesmo pediu ou eventualmente você poderia fornecer informações mais adequadas à demanda. Procure alinhar os prazos de entrega das informações. Se ele é extremamente curto, a qualidade também pode não ser boa. Nesse caso, é extremamente importante deixar claro quais são as incertezas relativas àquela informação. Gerar uma informação exata, quando se necessita apenas de uma aproximação, gera perda de tempo, mas, por outro lado, informar algo em que se esperava uma boa dose de precisão e depois descobrir que isso não era uma realidade, pode gerar problemas ainda maiores. Certa vez, trabalhei em uma empresa em que todos tinham uma verdadeira aversão ao descumprimento de qualquer prazo e em receber, ou enviar, informaçõese relatórios. Em uma ocasião, vi que era impossível cumprir o prazo de entrega de um relatório, sem que a qualidade fosse impactada, então perguntei ao meu chefe se poderia atrasar o relatório e ele disse que de maneira alguma eu poderia perder aquele prazo. Assim, o alertei sobre o possível impacto na qualidade. Ele concordou em aceitar, sabendo que seriam necessárias eventuais alterações para que o prazo fosse cumprido. Confesso que, segundo a minha avaliação, seria melhor perder o prazo, mas aquele alinhamento me ajudou na adequação do prazo e da qualidade do referido relatório. 3) Atenção às formas de apresentar as informações: trabalhei com presidentes e diretores que aceitavam informação via celular ou e-mail, devido à praticidade. Para outros, porém, era necessário fazer um relatório, ainda que resumido. Você precisa estar atento às formas que seu chefe gosta ou precisa receber as informações. Ele quer um relatório, uma apresentação ou uma descrição breve? Claro que isso varia com o tipo de informação ou ocasião, e nem sempre existem regras para tudo. Com o tempo, ao se atentar para esse assunto, �cará mais fácil saber como devem ser endereçadas as informações. Quantas vezes você pode ter consumido horas em um relatório, quando o chefe precisava, simplesmente, de uma informação suscinta? E pior: quando ele precisava de um relatório adequado para apresentar a outros níveis e alguém fornece, apenas, um e-mail resumido? Acredite, é importante pensar nisso não para agradar, mas para tornar o trabalho de ambos mais produtivo. Bem, mas considerando o fato de que em algumas situações é demandado um relatório detalhado, quero apresentar algumas dicas acerca do que não deveria faltar nele: a) Considere se relatório será produzido em forma de apresentação de slides, documento mais formal ou em ambos. Pode ser que necessite de uma apresentação resumida e outro relatório com mais detalhes. b) O relatório deveria conter, mas não se limitar às seguintes informações: - Data - Destinatário. - Objetivo. - Resumo executivo. - Detalhamento do tema (descrição, grá�cos, linha de tempo etc.). - Conclusões. - Planos de ação. - Anexos. - Referências bibliográ�cas. As apresentações, a princípio, deveriam seguir a mesma sequência, porém de forma mais resumida. Recomendo pesquisar e aprender sobre técnicas de preparação de relatórios executivos. O exemplo acima é bastante simpli�cado e pode não atender inteiramente às suas necessidades. c) Demanda de realinhamento de estratégias As variações e mudanças estratégicas devem gerar realinhamento em toda a organização, na maioria das vezes, a menos que não sejam estratégias ou que não sejam estratégias globais. O fato é que as mudanças oriundas da alta administração, sejam elas do Conselho de Administração, do CEO ou da diretoria, vão exigir alinhamento para atingir determinados objetivos. Alterações na estratégia pode nos levar a novas demandas ou eliminar anteriores. Por essa razão, é preciso estar atento às informações dessa natureza. Gostaria de destacar que as demandas relacionadas à estratégia, nem sempre foram originadas pela mente fértil de seus superiores. Frequentemente, o próprio mercado e as condições adversas forçam os gestores a mudarem suas estratégias e, na verdade, não há nada de mal nisso, exceto o fato de que, talvez, pudessem ter se antecipado o acontecimento, mas nem sempre isso é possível. Uma vez que estamos com demandas oriundas dessa natureza, como tratar de maneira adequada? Mais três sugestões: 1) Não reme contra a maré. Procure entender os motivos das demandas e o que exatamente é requerido de seu chefe. Faça o seu melhor. É notório que muitas pessoas, no ambiente organizacional, buscam defender um ponto de vista ao invés de entender o contexto. Para ilustrar isso, cabe citar uma situação que vivi, quando era estagiário em uma empresa. Estava cheio de vontade de fazer as coisas funcionarem, então comecei a fazer várias criticar no meu departamento. Um dia, a gerente de Recursos Humanos me chamou para uma conversa e, entre outras coisas, disse para buscar atender às demandas sob minha responsabilidade e tentar entender o contexto, porque chegaria o dia em que eu estaria na mesma situação daqueles gestores. Ao que parece, eu tinha uma visão muito crítica e não estava buscando entender como eles estavam lidando com aqueles assuntos. Muitas vezes, não entendemos ou não queremos nos colocar no lugar do outro, exceto nas situações prazerosas. 2) Mudanças são difíceis, mas podem vir com boas oportunidades, em todos os níveis. Aja com entusiasmo, tenha expectativas positivas, procure aprendizado e busque oportunidades. Atender às demandas estratégicas nem sempre signi�ca que a sua tarefa é estratégica, mas, ao menos, ela contribui para algo maior. A comunicação é a chave, por isso procure estar disponível para fazer mais do que lhe é pedido. Busque participar de projetos e de oportunidades em outras áreas, ajudando e contribuindo com seu conhecimento. Provavelmente, isso vai demandar mais esforço de sua parte. No entanto, existem bons frutos para serem colhidos mais à frente. Sendo assim, a forma de lidar com esse tipo de demanda, é participar das tarefas, encarando-as como um benefício futuro. d) Demandas pessoais Sim, por que não se preocupar com as demandas pessoais do seu chefe? Você pode objetar que não deveriam haver demandas pessoais dele. Já bastam as do âmbito pro�ssional. Contudo, é importante lembrar que em grande maioria parte das vezes, nós não escolhemos nosso chefe. Pelo contrário, o �uxo natural é que ele escolha seus comandados. Claro que você pode escolher ter uma relação estritamente pro�ssional, sem se preocupar com questões pessoais de seu chefe, mas, isso é um contra senso nas relações humanas. Precisamos nos pronti�car a ajudar sempre que formos demandados, mas, ao mesmo tempo, estar atentos para que não haja exageros e nem o uso indevido de autoridade para assuntos que não seriam adequados. É importante conhecer o código de ética da sua empresa e estar alinhado a ele. Se sua organização não possui um código de ética, de qualquer forma, vale a ética praticada no contexto da sua empresa e das regulamentações legais. Suas demandas para seu chefe Espera-se que todo chefe esteja, também, disponível para atender demandas geradas pelos subordinados. Essas demandas surgem de várias formas e vamos falar sobre algumas delas adiante. Listei algumas situações em que geramos demanda para nosso chefe. Essa lista não tem a pretensão de esgotar o assunto, mas tem como objetivo leva-lo a pensar sobre os motivos que geram demandas e como você pode ser mais efetivo, gerenciando o seu chefe em relação a isso. Pode ser que você faça uma lista ainda maior. O importante é saber que você não deve negligenciar esse assunto no seu processo de gestão. a) Assuntos críticos que estão sob sua responsabilidade. b) Pedido de apoio em temas especí�cos. c) Solicitação de aprovações. a) Assuntos críticos que estão sob sua responsabilidade. A partir desse momento, incluímos o termo “assuntos críticos”’. Trata-se de todo assunto que você considera de relevância e que deve ser levado ao conhecimento de seu chefe. Não vamos pensar muito em como classi�car o que é crítico para ele ou para você, ou qual régua vamos adotar e colocar numa lista de prioridades nesse momento. Mas é importante ter em mente duas coisas em relação a isso: a primeira, é que, normalmente, não temos muito tempo com o chefe tanto quanto precisaríamos ou que gostaríamos; a segunda, é que interrupções e redução do tempo programado para tratar os assuntos podem mudar rapidamente. Isso posto, considere que sempre haverá uma ordem de prioridade nos assuntos a serem tratados com o chefe. O que eu aprendi em relação a isso, foi que deveria sempre responder as seguintes perguntas ao levar questões críticas ao meu chefe para que pudesse ter sucesso desejado: 1- O que estou considerando crítico e importante é considerado da mesma maneira pelo meu chefe? 2-Ele já tem informações anteriores sobre o assunto? 3- O quanto eu devo me preparar para levar o assunto de maneira rápida, clara e concisa? 4- Eu preciso preparar meu chefe para que ele possa absorver o assunto de maneira apropriada? 5- Eu preciso envolver outras pessoas para discutir a respeito? Devo buscar apoio ou informação antes de levar o assunto? Apesar de parecer básico, quantas vezes consideramos que alguém precisa saber de algo por classi�car como crítico, mas, sem pensar muito no quando e como, levamos adiante e as coisas não saem bem? Quanto mais você pensar sobre isso, menos terá que lidar com frustrações e arrependimento por não ter levantado aquele assunto, naquele momento, ou �cou aquele sentimento de que era crítico apenas pra você. No �m do dia, você acaba chegando à conclusão de que não era assim tão crítico ou só era critico pra você. Exercitando o hábito de fazer essas perguntas, com o tempo, vai conseguir saber para quais assuntos você precisará fazer essas análises e com qual tipo de chefe isso vai ser mais sensível e merecedor de atenção. Seguem algumas dicas para preparar seu chefe, a �m de tratar situações críticas. - Se for possível, procure saber qual é a percepção dele acerca do tema. - Avalie o melhor momento para dividir o assunto. Nem sempre você tem o controle desse ponto, mas se puder fazer isso, seria o ideal. - Estabeleça uma agenda com data e horário de�nidos e se prepare com o tema. - Atue conforme o per�l do seu chefe. Alguns gostam que vá direto ao ponto e, depois, conte a história completa, caso seja necessário; outros preferem que a história seja contada desde o início. b) Pedindo apoio sobre temas especí�cos. Um ponto importante a tratar, quando falamos em pedir apoio ao chefe, é comunicar bem o que é pedir apoio, e que se trata apenas de informações. Com o intuito de explicar melhor esse tópico, vale citar uma experiência pessoal que tive há alguns anos. Em determinada ocasião, tive um chefe extremamente acelerado e com um senso de prontidão elevadíssimo. Era muito comum acontecer que, ao levar alguma informação sobre os trabalhos que eu estava realizando, mal escutava e já disparava uma série de ações que ele entendia que precisariam ser feitas para solucionar a questão. Eu dizia: “Chefe, eu só tentava comunicar o tema a você, na verdade, já sei o que fazer.” Então ele respondia: “Não, não. É melhor fazer do meu jeito por isso, isso e aquilo etc.” Essas situações me deixavam muito incomodado com a minha gestão sobre ele e, mais uma vez, me pus a pensar em como gerenciar esse tipo de situação, por vezes con�ituosas. Com essas situações em mente, percebi que sempre tinha que ter muito cuidado com minha fala. Passei a iniciar minhas frases deixando claro que a situação em questão já estava sob controle e se tratava, apenas, de um repasse de informações. Claro que dependendo do per�l do seu chefe, mesmo entendendo isso, ele pode fazer uma série de recomendações. Assim sendo, é preciso aprender a tratar essas recomendações de forma apropriada, evitando atrasos e buscando chegar aos objetivos �nais. Apesar das inúmeras situações semelhantes, há sempre um lado positivo sobre tudo isso: o aprendizado. Por outro lado, em outras épocas, tive outros chefes muito dispostos a escutar ativamente e a ajudar quando era, de fato, necessário. Sempre acreditei que a melhor maneira do líder ajudar, é estar disponível e aprender durante o processo. Quem não está, ou não se coloca, disponível, não consegue ouvir ativamente e não consegue contribuir conforme esperado. Quem não está disposto e não atua de boa vontade, inclusive para aprender, não gera con�ança e di�cilmente gera resultados signi�cativos nas suas relações com a equipe. Visto que você encontrará todo tipo de per�s e de comportamentos em pessoas de liderança no mundo corporativo, considere esse o lado difícil da equação. O bom líder vai te colocar à vontade para dividir as suas preocupações, mas nem sempre isso vai ser assim. O caminho mais importante que devemos trilhar, quando falamos em compartilhar nossas preocupações, ansiedades e solicitudes do dia-a- dia, dentro do ambiente pro�ssional, é o caminho da con�ança e do respeito. Busque conhecer o seu chefe e avaliar quais são as competências dele em relação aos temas que você precisa de ajuda. Lembre-se de que nem sempre ele será a melhor pessoa para te ajudar. Não conseguimos mudar as pessoas. Já é difícil buscar mudanças em nós mesmos, então procure entender como seu chefe funciona em relação às questões nas quais você está buscando apoio. Lembre-se sempre de que qualquer tipo de gerenciamento requer uma dose substancial de conhecimento sobre o tema. Isso é extremamente relevante ao lidar com pessoas. A�nal de contas, tudo se resume em como lidamos com elas no cotidiano. Seu chefe é parte importante disso, então quero te incentivar a conhecer seu chefe nos mais diversos aspectos, pois isso vai lhe ajudar bastante nesse processo. Tratando mais especi�camente de buscar ajuda com seu chefe, é importante que você desenvolva com ele um processo gradual de con�ança mútua. Mas, se você quer fazer um bom trabalho em relação a esse tópico, seguem algumas áreas que você pode se dedicar, a �m de conhecê-lo melhor. Área Técnica: em que seu chefe é realmente bom? Seu chefe é conhecido por se destacar em matemática, física, química, processos, informática, �nanças, gestão de ativos etc.? Uma boa maneira de identi�car algumas destas quali�cações, é saber qual é a formação e a experiência que ele tem nas áreas mais técnicas. Áreas de gestão: descubra quais são as principais habilidades do seu chefe em relação a/ao/à: ✓lidar com gerenciamento de grandes equipes; ✓lidar com ambientes caóticos; ✓lidar com crises; ✓gerenciar con�itos; ✓facilidade em comunicação; ✓incentivar; ✓ouvir; ✓interesse em ajudar as pessoas. ✓envolvimento com �lantropia, ✓envolvimento em causas ambientais, causas sociais globais. Área pessoal: sabemos que em algumas culturas é comum tentar manter o relacionamento dentro do âmbito pro�ssional da melhor forma possível. Além disso, existe a questão cultural em que a própria pessoa está, ou já esteve submetida, e, portanto, pode sofrer in�uência sobre a forma de lidar com as relações pessoais. No Brasil, é muito comum, mesmo nos relacionamentos corriqueiros, envolver-se com perguntas pessoais a respeito de família, �lhos, local onde mora, time que torce etc. Considero que, além de lhe ajudar no processo de gerenciamento dele, o fato de conhecer sobre as questões pessoais ajuda muito no relacionamento cotidiano. Não sendo invasivo, e sempre dentro das regras de boa conduta respeito mútuo, é possível conhecer sobre alguns aspectos como: ✓Possíveis hobbies; ✓Prática de algum esporte; ✓Locais que gosta de visitar ou estar. Quanto mais você conhece uma pessoa, mais conhece seu potencial, bem como as ferramentas que ele possui para te ajudar. Mas, por outro lado, você também conhece quais são as suas possibilidades em contribuir. É claro que esperamos que ele seja capacitado para nos assistir em quase todas as demandas, até porque ele não está ali por acaso. Mas, infelizmente, isso não é uma verdade para tudo e nem para todos. E nesses casos, cabem algumas sugestões importantes para quando você pretender levar suas demandas para análise. • Avalie, primeiramente, se ele está preparado para te ajudar em determinado tema ou, se no fundo, você está se valendo de um preconceito ou experiências frustradas. • Se de fato ele não pode contribuir para o tema em questão, pode ser que ele ainda assim espere que você discuta o assunto como ele. Nesse caso, avalie a forma de levar isso mais como informação, do que como um pedido de ajuda. Isso seria elegante e pode trazer benefícios futuros no gerenciamento dele. Se não existe a menor chance de contribuição, pelo menos como desabafo pode ser importante. Você já deve saber, mas é sempre bom lembrar de algumas regras de ouro: a) Sempre busque ser transparentee claro na declaração do problema. b) Se possível, leve algumas possibilidades para serem discutidas. c) Dê tempo a ele para re�etir sobre o tema e, eventualmente, tratar o assunto em mais de uma reunião. d) Busque estar certo de que fez uma boa gestão dos seus pares e que de fato não consegue resolver o assunto sozinho, caso você precise do apoio dele em relação a alguém da equipe, que também responde à ele. e) Não procure “apoio” para tentar se justi�car de resultados não entregues e problemas não resolvidos. Para esse tema, é necessário se explicar em um momento oportuno e buscar fazer o seu melhor. f ) Seja honesto nas declarações, não tente manipulações em relação a situações nas quais você quer ser bene�ciado. Lembre-se de que você até pode enganar alguém por um tempo, mas não para sempre. g) Se você precisa simplesmente desabafar, avalie se ele é a melhor pessoa para ajudá-lo com isso, deixe claro que é um desabafo e que não se espera uma solução como resposta. Às vezes, só precisamos ser ouvidos, nada mais. c) Solicitando aprovações. Dentro das organizações e do processo de liderança, sempre haverá aquele momento em que você precisa pedir permissão ou autorização para seguir com um projeto, uma compra, contratações, vendas entre tantos outros processos que estamos envolvidos. Os processos de aprovação podem se mostrar lentos e complexos, dependendo da sua natureza, cultura organizacional, aversão a riscos da organização, cultura organizacional, situação da empresa para controle de �uxo de caixa etc. Vamos tratar de esclarecer o tema e dar algumas dicas mais especi�camente quanto a cultura organizacional que se relaciona também aos processos de aprovação e apetite aos riscos. Não vamos tratar de condições externas, porque tendem a ser uma lista extensa. Quando falamos em cultura organizacional, precisamos estar cientes de que ela envolve todos os processos de tomada de decisão dentro da organização. Vamos considerar que as crenças e os valores também estão inclusos. Tudo isso interfere em como ela se posiciona em relação aos riscos que se quer ou não correr, na maneira que gerencia custos, mercado, ativos, pessoas e demais aspectos. A consideração da cultura organizacional é algo extremamente importante, não somente no processo de gerenciamento, mas também na nossa própria relação com a empresa. Isso tem a ver com a nossa adaptação e adequação. Lembro-me da primeira vez que entendi o impacto da cultura organizacional nos meus processos de decisão pro�ssional e no gerenciamento do chefe. Estava participando de um processo seletivo para uma grande empresa e já estava na fase �nal quando me pediram para conversar com o diretor comercial. A ideia era que ele me conhecesse porque seria um de meus clientes, por assim dizer. Eu sempre procurei colecionar as perguntas inteligentes e interessantes que me �zeram nos processos seletivos e nessa entrevista, em particular, fui surpreendido por uma pergunta a respeito da cultura organizacional. O diretor comercial me perguntou: “quais valores você considera importantes para uma empresa em que você gostaria de trabalhar?” Eu rapidamente formulei minha resposta em torno dos meus valores pessoais. Ele me respondeu logo em seguida que não se referia aos meus valores particulares, e sim aos valores que a empresa teria. Então eu reformulei minha resposta e, é claro, os valores da empresa deveriam estar, de alguma forma, alinhados aos meus valores pessoais. Bem, fui contratado pela empresa e, apesar de ter guardado a pergunta, eu na verdade não havia pensado muito sobre ela, até que me deparei com situações no dia a dia dentro daquela empresa que me �zeram lembrar do ocorrido na entrevista com o diretor comercial. Nos primeiros seis meses, percebi que os valores daquela empresa não estavam alinhados com os meus. Isso impactou bastante a minha performance e a forma de gerenciamento dentro daquela organização, até que �nalmente decidi deixá-la. Minha grande lição foi que eu deveria avaliar melhor a cultura organizacional das empresas em que estava pensando em trabalhar. É por isso que sugiro que você faça o mesmo. Mesmo que você já esteja ligado a uma organização há muito tempo, recomendo que avalie a sua cultura organizacional, pois ela vai impactar, de várias formas, em sua vida, inclusive na forma de gerenciar seu chefe e, mais especi�camente, na forma como ele toma decisões e aprovações. Como disse anteriormente, este livro não trata de avaliar com profundidade o tema cultura organizacional. Mas não poderia deixar de listar alguns aspectos importantes que você pode abordar ao pensar sobre essa questão e fazer sua própria avaliação sobre o contexto interno de sua organização. • Integridade e valores éticos: avalie como a sua organização age em relação à integridade e valores éticos. Algumas empresas possuem código de conduta e compliance, mas na prática isso não funciona. Você precisa conhecer o discurso e ver na prática como isso acontece. • Delegação e responsabilidade: procure conhecer como a sua organização está estruturada e de que maneira ela faz delegação e responsabilizações. Algumas organizações possuem processos muito fechados, nos quais somente uma pessoa-função (o dono, por exemplo), toma as decisões importantes, as outras são geridas por membros diretores e conselheiros. • Estrutura organizacional: a forma como a organização está estruturada diz muito sobre sua cultura, bem como a maneira de encarar seus objetivos estratégicos. Vale a pena pensar nisso. É na estrutura organizacional que você vai identi�car os níveis de aprovação e como eles são organizados. • Formadores da Cultura: em qual contexto a organização foi formada? Em que se baseiam as suas crenças? Qual é o jargão da organização pela qual tomadores de decisão têm se alinhado? Por que as coisas são feitas dessa ou daquela forma? Algumas organizações são inovadoras desde a sua criação, outras são conservadoras, e existem aquelas que oscilam por não ter uma identidade estabelecida. Por exemplo, já trabalhei em empresas que tinham muita aversão a erros. Estes eram passivos de punição e isso não incentivava que as decisões fossem pautadas na inovação ou sob uma plataforma de riscos maiores versus possibilidades de ganhos igualmente maiores. Os tomadores de decisão se preocupavam demais em fazer a coisa certa, tendo em mente que cometer erros era um “pecado capital”. Isso não quer dizer que mesmo dentro de organizações como essas não haja inovação ou que riscos não eram assumidos. Lembre-se de que estou falando da organização como um todo e que, obviamente, exceções existem. Ainda bem que isso acontece! • Recursos Humanos: considerados por muitos como uma função estratégica, os Recursos Humanos têm muito a dizer sobre uma organização. Desde a forma como ela implementa seus processos de gestão e tratamento dos colaboradores, até a questão de treinamento e de desenvolvimento de equipe. Os processos de contratação em geral são e�cientes? A organização consegue manter bons colaboradores com reconhecimento e remuneração adequada? O “turnover” é compatível com o mercado em que atua? Existem sistemas adequados para identi�car, reconhecer e promover de forma adequada? Esses são alguns aspectos que podem interferir na forma como as pessoas tomam decisões dentro de uma organização e, portanto, vão estar ligados, diretamente, na forma como seu chefe, enquanto parte desse contexto, será in�uenciado e/ou in�uenciará tal contexto. • Desenvolvimento de competências: a cultura de cada organização in�uencia, e é in�uenciada, pela forma como elas tratam a questão do treinamento e do desenvolvimento de seus colaboradores. Como já mencionado, uma outra vertente muito importante que deve ser considerada na tomada de decisões dentro da organização, por seu chefe, é o apetite ao risco. Veja bem, aqui, não estou me referindo a uma declaração formal que algumas organizações, principalmente �nanceiras, seguem. Eu estou interessado em te mostrar que, embora muitas instituiçõesnão tenham sequer um posicionamento formal para tratar a gestão de riscos e sua aversão a determinados tipos, isso pode acontecer de forma natural, muitas vezes informalmente, e você pode identi�car isso observando a declaração de valores e a forma como as decisões são tomadas dentro da organização diante dos riscos. Por exemplo, certas organizações são muito abertas para assumir riscos, a �m de aumentar �nanceiros ao investir, mas, ao mesmo tempo, podem ser bastante resistentes em assumir riscos em relação à sua imagem no mercado. Algumas empresas aceitam maior risco em suas operações, mas são aversas a riscos ambientais ou de segurança. O que isso tem a ver com o gerenciamento do seu chefe? Tudo! Pois como já foi dito, essas condições vão, de certa maneira, nortear os processos decisórios do seu chefe e você precisa saber disso ao levar algo para que ele decida. Ainda falando de aversão ou de aceitação de riscos, é importante notar que todos nós possuímos nosso próprio grau de aversão ou de propensão aos riscos, e isso deve ser considerado em relação à forma como ele toma decisões. Então, pensemos um pouco em como usar todas essas informações, quando você estiver levando alguma demanda para aprovação. Recomendo que você faça o seguinte exercício para lhe ajudar a �xar estes conceitos e �car claro em sua mente a melhor forma de usá- los durante seus processos de aprovação. Fatores O que já sei sobre estes fatores? O que ainda preciso saber? Como essas informações me ajudam nos processos de aprovação? Integridade e valores éticos. Delegação e responsabilidade. Estrutura Organizacional. Formadores da cultura. Recursos Humanos. Desenvolvimento de competências. Apetite aos riscos. O que é importante pra mim nesse processo, não é, necessariamente, que você consiga aprovar algo ou não, mas sim a maneira como você pode abordar essa situação a partir de agora. Aprendi que o processo de aprovações tem muito a ver com os itens tratados acima e, por isso, dediquei um pouco mais de tempo para abordá-los aqui. É preciso conhecer os temas que expliquei e �car atento à metodologia que seu chefe tem para aprovação. É verdade que, na maioria das vezes, ele mesmo não se dá conta do processo que usa para se receber o assunto, avaliar, tirar dúvidas e aprovar. Essa sequência não é uma regra e nem tem a pretensão de incluir todo o processo de aprovação. Mas acredite, a maioria das pessoas segue um tipo de ritual para aprovação. Para ilustrar, vou dividir com você um dos processos que um chefe em particular apresentava, principalmente, quando o tema estava relacionado à contratação de pessoas para a empresa. Esse chefe nunca aprovava nada de primeira. Não importava o quão seguro estava, ainda que fosse uma solicitação dele, quando chegava no seu nível de aprovação ele postergava, pelo menos, para uma ou duas visitações do assunto. Sabendo disso, sempre me preparava para as sequências de apresentações. Algumas pessoas da minha equipe me perguntavam se a aprovação viria na primeira vez, e eu sempre dizia que não, que era um processo e que teríamos que lidar de maneira habilidosa para não levar mais tempo do que o necessário. Ele costumava postergar outros tipos de decisões, agindo da mesma forma, então a solução que encontrei para esses casos, era apresentar o assunto a ele em “conta gotas”, levando-o a pensar que aquela decisão precisava vir. Normalmente, quando eu precisava da aprovação, já não tinha muitas resistências ou perguntas. Não creio que haja uma receita de bolo para isso, pois quero, na verdade, que você re�ita sobre o tema e encontre a sua própria maneira e�ciente de lidar com esse tipo de situação. C 6- Trabalhando as percepções. laro que você já ouviu aquela famosa frase que diz que a primeira impressão é a que �ca, mas até que ponto ela é verdadeira? Uma das coisas que acontecem na nossa vida pro�ssional, é que nem sempre o nosso chefe nos escolhe. Às vezes, ele é transferido para o seu setor ou é contratado para substituir um antigo chefe. Então preocupe- se com a primeira impressão que quer passar ao seu chefe. Lembro-me que quando trabalhei em uma fábrica onde o diretor geral foi substituído. O novo diretor, ao chegar à empresa, logo na primeira reunião com os gerentes e supervisores, falou bastante sobre as condições da fábrica e sobre o fato dela não estar atingindo os resultados esperados. Ele sempre usava a palavra “vocês” ao descrever a situação caótica que estávamos atravessando. Enquanto participava da reunião, comecei a pensar sobre a percepção ruim que o novo diretor estava tendo da equipe e também quanto tempo levaria para começar a tratar os assuntos da fábrica como “nossos”, o incluindo. Pessoalmente, tive uma boa relação de trabalho e de amizade com esse diretor, mas não foi fácil mudar a percepção que ele tinha de mim e da equipe que ele assumira. Outro fato semelhante, ocorreu com um amigo, chamado Wander ao ser transferido para outro departamento da empresa em que trabalhava como técnico especialista. Ele relatou que, assim que chegou no departamento, seu novo chefe se reuniu com ele e disse: “Wander, eu sei que você foi muito bem avaliado no seu antigo departamento, mas eu não acredito que você tenha as qualidades de que falaram e estarei de olho em você...”. Meu amigo �cou muito surpreso com aquela recepção inesperada e disse que faria o seu melhor para mostrar que suas credenciais eram verdadeiras. Em outra ocasião, eu tinha um supervisor de produção que tinha um excelente desempenho. Naquela época, a empresa o valorizava pelo fato de priorizar sua presença na área operacional, ao invés de permanecer no painel de operações da planta. Então, todas as vezes que meu chefe entrava no painel de operações, ele coincidentemente encontrava o dado supervisor naquele local. Por esse motivo, fui chamado para conversar sobre o tema, alegando que o determinado supervisor deveria estar mais tempo na área e não no painel de operações. Claro que eu disse a ele que estava acompanhando a operação mais de perto, pelo fato de ser o gerente da área e julgava que o supervisor era muito focado naquilo que era exigido dele. Mas não foi fácil mudar a percepção do meu chefe sobre o supervisor. As percepções que nosso chefe tem a nosso respeito, sejam elas de primeira vista ou as que surgem no dia-a-dia, devem ser identi�cadas e tratadas adequadamente para se evitar problemas desnecessários. Se gerenciarmos bem esse assunto, poderemos evitar até mesmo que as percepções negativas se formem. Devo dizer que mesmo as percepções tidas como positivas devem ser conhecidas e gerenciadas, pois se elas corresponderem à realidade, poderemos nos bene�ciar delas. Por exemplo, se seu chefe tem a percepção de que você possui um excelente conhecimento técnico sobre sua área de atuação, você pode usar essa percepção para defender melhor seus pontos de vista, por meio de abordagens mais técnicas. Por outro lado, se elas estiverem super valorizadas ou equivocadas, elas podem gerar expectativas que teremos de corresponder no futuro. Voltando ao exemplo anterior, se você não é tão bom em determinado assunto, como o seu chefe pensa que você é, ele pode delegar assuntos que talvez você não esteja apto a executar e isso pode trazer di�culdades para ambos. Quando comecei a estudar as percepções do chefe e seus impactos, tentei avaliar a questão por meio de três perguntas básicas para depois fazer um desdobramento, a �m de ir para ir mais a fundo no tema. De onde vêm as percepções? As percepções do chefe a nosso respeito, vêm de várias partes. Algumas delas estão listadas aqui, mas asseguro que existem muitas outras possibilidades. De qualquer forma, vale a pena dar uma boa olhada nesta lista e veri�car se você acrescentaria algo. Isso vai lhe ajudar a reunir informações que podem contribuir para o tratamento das percepções de forma mais assertiva. Fonte das Nota: percepções A Você como f onte direta. Do que você f ala, o que f az ou deixa de f azer etc.B Dos Pares. De comentários, perguntas, comportamentos a seu respeito. C Do superior do seu chef e. Das impressões que ele tem, comentários e observações que f az D Das situações. Resultados de suas ações ou inações, do comportamento f rente aos acontecimentos. E Das comunicações. De como se comunica, daquilo que não comunica. F Fontes externas. Encontros f ormais e encontros inf ormais, com f amília e amigos em comum etc. Em certa ocasião, quando acabara de assumir uma função de gerente de produção em uma indústria, cujo o apelo técnico para gerentes não era tão demandado, percebi que a cultura daquela empresa pautava-se em habilidades gerenciais e de liderança sobre equipes. Entretanto, eu vinha de uma empresa onde o conhecimento técnico era extremamente requisitado. Não demorou muito para que meu novo chefe notasse que não somente meus argumentos, mas também minhas ponderações, eram de cunho bastante técnico. Isso não era ruim, até eu perceber que ele estava considerando meu conhecimento técnico uma desvantagem gerencial e que poderia reduzir minhas oportunidades de crescimento nas áreas menos técnicas. A percepção que acabei gerando era a de que eu estava mais para um professor do que para um gestor estrategista solucionador de problemas. Assim que percebi, procurei deixar claro que, apesar de possuir sim conhecimento técnico, eu estava preparado para lidar com ambientes mais complexos e gerenciar equipes sem di�culdades. Não foi fácil construir o caminho da estabilidade, pois algumas percepções levam tempo para serem alteradas e algumas talvez nunca mudem. Saber de onde vêm as percepções é algo muito relevante, porque é na origem das percepções, que você deve tomar decisões e focar nas impressões positivas. É na fonte que você deve aplicar estratégias para fortalecer, ou eliminar, as percepções que seu chefe tem a seu respeito, e tudo isso, como falei, com uma boa dose de esforço. 1. Como posso identi�car a existência de uma percepção distorcida? As boas percepções, mesmo quando não são notadas por nós, trazem benefícios. Mas, quando se trata de percepções negativas, é fundamental que saibamos identi�cá-las. É mais fácil identi�car as percepções ruins quando elas começam a surgir. Uma boa dica é observar o comportamento: ele muda a percepção. A percepção e o entendimento que temos das pessoas moldam, em algum grau, o nosso comportamento em relação a elas. A seguir, apresento alguns exemplos de situações que você deve observar: Por que o seu chefe tem dado mais liberdade de fala para seus pares e parece não dar a mesma oportunidade a você? Por que ele frequentemente chama alguns de seus parceiros para trocar ideias, enquanto você não está sendo solicitado? Isso sempre ocorreu ou tem mudado recentemente? Por que o seu chefe lhe entregava algumas demandas, as agora isso não acontece mais? Por que ele solicitava sua participação em algumas decisões, mas agora isso mudou? Por que ele não con�a assuntos mais estratégicos como fazia antes? São inúmeras perguntas que podem ter respostas que não estão diretamente relacionadas a você, mas que, por outro lado, podem ser uma indicação de que as percepções mudaram. Neste caso, é necessário avaliar as situações dentro de um contexto mais amplo, e não isoladamente. Pode ser até que seu chefe diga que suas percepções a seu respeito mudaram em determinados aspectos. Aprender a identi�car os sinais, permitirá reconhecer o surgimento de novas percepções e se seus vieses são negativos ou positivos. Considere que, ocasionalmente, você precisará fazer perguntas para chegar mais rapidamente às respostas que deseja. Pode ser contraproducente ou desconfortável passar um longo tempo tentando descobrir algo somente com a observação, então avalie se de fato vale a pena apenas observar ou se já é hora de começar a fazer perguntas. Algumas pessoas não gostam de fazer perguntas para obter respostas que podem não ser muito agradáveis. Outras, podem pensar que vão gerar percepções ruins ao perguntar, mas, pessoalmente, acredito que saber é melhor que �car com o ônus da dúvida, além disso, fazer perguntas é uma arte que devemos desenvolver, se queremos ser mais efetivos em qualquer tipo de gestão. Por �m, considere que algumas percepções negativas a seu respeito podem ser apenas percepções suas. Tome sempre cuidado para que essa “neura” te prejudique devido a um possível comportamento ansioso de sua parte, ao procurar entender percepções que na verdade não existem. Como avaliar os eventuais impactos gerados por percepções? Percepções, de certa maneira, vão moldar comportamentos. Se não temos informação sobre as percepções podemos, pelo menos, avaliar seus efeitos. O que aconselho, sempre, é �car atento aos sinais positivos e negativos, mesmo que aparentemente, não tenham explicação. A identi�cação desses sinais, por vezes, é bastante difícil a menos que conheça bem o seu chefe, o que costumeiramente demanda tempo. São vários os fatores que tornam essa tarefa complexa e, em muitos casos, impossível. O seu chefe pode agir de diversas maneiras com você, por transferir problemas e te envolver em situações que não têm relação direta com você. É preciso associar vários fatores, dentre eles comportamentos repetitivos em momentos diferentes. Avalie o comportamento de seu chefe com você e observe como ele age com outras pessoas em situações semelhantes, por exemplo. Um conselho importante que costumo dar, e que funciona comigo, é tentar avaliar isso ao longo de um tempo maior e evitar julgamentos precipitados, que normalmente são equivocados. Portanto, ressalto que é melhor dar focar naquilo que pode melhorar do que gastar muita energia avaliando em demasiadamente as percepções do outro. 7- Agindo diante de feedbacks Uma boa forma de tratar as expectativas, é usar o feedback como ferramenta. A ferramenta já é bastante conhecida: trata-se de um retorno que recebemos, ou damos, à outra pessoa, sobre seu desempenho em algum aspecto, sempre com o objetivo de prover melhorias. Algumas organizações possuem processos bem estruturados e formais para que o feedback ocorra com certa frequência e alinhe o que é esperado e o que está sendo avaliado pelo chefe sobre o subordinado. É comum que essa ferramenta seja utilizada também pelo subordinado em relação ao seu superior. Atualmente já se encontra em prática em algumas empresas o feedback lateral, que consiste na divisão de pares e estes dão seu testemunho pro�ssional, argumentado sobre fatos, dados e comportamentos de um colega. Quando esse processo já está estruturado, sua execução ocorre mais naturalmente. Porém, nem sempre encontramos o feedback estabelecido como ferramenta gerencial. Por outro lado, os bons líderes que conheci sempre utilizaram essa ferramenta, Mesmo que não fosse um processo formalizado na organização, eles encontraram nele uma ferramenta e�ciente para a gestão de pessoas. Embora eu considere os processos formais importantes, sempre achei que os feedbacks dados no dia a dia, em momentos oportunos, são mais efetivos. Isso porque no momento da ação os detalhes estão evidentes, o que nos ajuda a absorver melhor o retorno do colega ou superior. Outra vantagem, é a oportunidade de correção da rota de maneira rápida, evitando que situações semelhantes se repitam antes mesmo de se ter o retorno formal. Por essas razões, sempre preferi fazer das duas formas: dar o feedback nos momentos formais, mas também fazer pequenas abordagens que ajudam a corrigir rota cotidianas. É importante lembrar que elas, muitas vezes, acontecem de forma não o�cial, por meio de mudanças de comportamento, pequenas dicas ou mesmo olhares e expressões faciais. O comportamento que todos nós precisamos adotar diante de um feedback, é de humildade e desejo genuíno de aprender. Ainda que seja difícil receber feedbacks negativos, são eles que normalmente propiciam maiores chances de melhorias. Seguem algumas dicas para a hora de receber feedback do seu chefe: • Não se atenha tanto ao comoé dito, mas sim ao que é dito. A primeira coisa que precisamos fazer é ter a mente aberta para receber críticas e elogios. Muitas vezes nos preocupamos mais com a forma do que com a informação em si, e isso é ruim, já que nem sempre seu chefe vai encontrar uma forma agradável para te dar retorno negativo, mas não deixe isso te frustrar, atenha-se aos fatos. • Ouça atentamente, faça perguntas que possam esclarecer a situação, caso tenha dúvidas e peça mais detalhes, se for necessário. Conhecendo seu chefe, poderá notar se ele prefere falar tudo o que tem para você, e depois abrir espaço para perguntas, ou se você deve interrompê-lo de vez em quando. Normalmente, é melhor ouvir atentamente toda a situação para depois formular as dúvidas e comentários. • Cuidado com as desculpas fora de hora! Na maioria das vezes, é melhor dizer que vai re�etir e depois conversar mais a respeito, do que tentar se desculpar no primeiro momento. • Se possível, peça para anotar. Isso demonstra interesse no que está sendo dito e também te ajudará a se lembrar dos detalhes quando estiver fazendo suas re�exões sobre o assunto. • Um feedback adequado abrange tema, ocasião, contexto, o esperado e o resultado obtido. Se algumas dessas condições não forem satisfatórias, você terá que pedir mais informações, ou, até mesmo, alinhar expectativas. • Infelizmente, pode acontecer do seu chefe te dar um feedback em local e condição inapropriados. Nesse caso, procure agir com cautela e de maneira sempre respeitosa. Lembre-se de que você terá sua chance de falar em algum momento. Para que você esteja melhor preparado para dar e receber feedbacks seguem algumas etapas: a) Preparação: é necessário re�etir como e o que será tratado. b) Ambiente: busque sempre um ambiente adequado. c) Início da abordagem: comece pelos aspectos positivos. d) Aspectos negativos: não seja acusatório, foque nos fatos e não nas pessoas. e) Regras: de�na quem fala primeiro, faça anotações e organize as respostas. C 8- Gerenciando o tempo juntos onsidero este capítulo especialmente importante não somente para o tema do livro. Tenho visto muitos bons pro�ssionais não alcançarem uma carreira de sucesso, por terem di�culdades em gerenciar bem seu tempo, perdendo-se em meio a muitos planos, tarefas e distrações. O tempo é uma das poucas coisas que, quanto mais e melhor você gasta, mais você tem. Não existe isso de economizar tempo. O que existe é exatamente o contrário: usar o tempo ao máximo, pois ele vai passar independentemente de qualquer coisa que façamos ou deixemos de fazer. O tempo é uma dádiva dada a cada um. Muitos livros e vídeos são apresentados para nos ajudar a usar bem nosso tempo e evitar a procrastinação, que, por vezes, faz com que tarefas importantes percam espaço em nossa agenda. Não pretendo te levar a discussões profundas sobre assunto. O objetivo é, simplesmente, auxiliar você a melhorar o manejo do seu tempo, e do seu superior, de forma que ambos sejam bene�ciados. É comum que o tempo do seu chefe seja tomado por mais tarefas e assuntos diários do que o seu. Além disso, como falamos anteriormente, as prioridades que você tem nem sempre serão as mesmas de seu chefe. Isso pode leva-lo a considerar menor o tempo que ele quer desprender com determinados assuntos e você, por outro lado pensa que deveria ter tratado com mais tempo e atenção. Claro que você eventualmente pode estar certo, mas nem sempre é possível negociar o tempo que seu chefe tem para atendê-lo. Outras vezes, mesmo que o assunto a ser tratado com seu chefe tenha sido demandado por ele, existindo, portanto, muito interesse no tema, ainda assim você pode enfrentar di�culdades devido às pautas concorrentes na agenda dele. Outro aspecto importante é que, devido às particularidades de cada um, pode ser que o seu chefe pre�ra menos detalhes, mas você, por outro lado, pode gostar e entender que os detalhes vão fazer diferença. As características de uma pessoa de�nem a forma como ela lidera, acessa as informações e toma decisões, com base em fatos ou na intuição. Todos esses aspectos in�uenciam na maneira como seu chefe lida com a gestão do seu próprio tempo. Em meu início de carreira, tive um chefe sênior que, além de ser o dono de uma empresa familiar que estava em franca expansão, era o mentor intelectual de tudo. Como eu era responsável por uma área técnica em que ele gostava de se envolver pessoalmente, tínhamos reuniões com muita frequência. Minha agenda semanal sofria muitas interferências quando ele não estava viajando e passava a semana na planta. Embora eu gostasse muito de participar das reuniões com ele, que por vezes me ajudaram muito em vários aspectos de minha carreira, não foi fácil lidar com a forma como eu tinha de gerenciar o nosso tempo juntos. Às vezes nossas reuniões duravam uma manhã inteira, ou o dia inteiro, e não eram discutidos somente os assuntos da minha área. Isso porque ele mantinha outras agendas paralelas, como a da secretária ou de outro gerente. Ele chegava a discutir esses assuntos porque se lembrava deles durante nossa reunião. Enquanto tudo isso se passava ele não me deixava sair da sala e sempre pedia para eu esperar. Talvez você já tenha tido ou ainda tenha um chefe assim. O problema em si não era que ele não lidava bem com o tempo dele, nem que eu não soubesse o que era prioritário, o problema é que, naquela época, eu não sabia lidar com a gestão do meu chefe em relação ao uso do tempo. Em outra ocasião, tive um diretor que simplesmente odiava reuniões e fazia tudo muito rápido. Ele era do tipo que nunca deixa para amanhã o que pode ser feito hoje. Certo dia, nós recebemos a aprovação da diretoria para fazer um curso juntos, em um país na América Latina e os trâmites já eram bastante simples naquela época. Aconteceu que tínhamos três meses para planejar tudo, mas em dois dias o meu chefe já tinha feito os preparativos. Era muito comum ele enviar um e-mail e cinco minutos depois ligar con�rmando nossa leitura. Nossos momentos juntos eram frequentes, mas muito curtos, duravam questão de minutos e eu tinha que ser muito rápido para sintetizar tudo. Era desa�ador e, por vezes, extremamente cansativo lidar com aquelas situações. De novo, eu não pensava muito sobre essa questão de gerenciar o tempo e pensava, apenas, que o problema estava no per�l dele, e que não tinha muito a ser feito. Tive, ainda, outro superior deveras peculiar, que sempre iniciava nossas reuniões dizendo que precisávamos ser breves e e�cientes na comunicação, porque ele teria uma reunião por telefone em seguida. Poderia listar, aqui, outros exemplos que aconteceram comigo, mas penso que já temos o su�ciente para chamar sua atenção sobre a relevância desse tema em sua relação com o seu chefe. Para melhorar o seu processo de gerenciamento, é relevante que você entenda um pouco mais a respeito da forma como o seu superior distribui o tempo dele para que, dessa forma, você possa avaliar o melhor horário e buscar as melhores oportunidades para tratar temas sensíveis e evitar desperdício de tempo. Aqui, não se trata, apenas, de conhecer a agenda dele, isso é bom, mas não é tudo. Segue uma lista de informações que serão relevantes pra você para melhorar a gestão do tempo, tornando o trabalho mais e�ciente para ambos, ainda que ele mesmo não se dê conta disso. Como ele costuma agir diante da agenda? Ao responder essas perguntas você entenderá um pouco melhor a maneira com que seu chefe se organiza e a forma como ele enxerga o aproveitamento do tempo. Essa percepção é muito útil para a estratégia que você precisa desenvolver para ser mais efetivo e produtivo no uso do seu tempo. Por exemplo, se seu chefe costuma chegar atrasado para as reuniões que ele mesmo agenda, você deve considerar se o término da reunião corresponde ao combinado ou se o atraso é compensado fora do tempo. Não adianta reclamar para si mesmo ou pensar em chegar mais tarde também. O que você precisa é focar no resultado que precisa ser atingido, apesar desse fato.Ao responder essas perguntas, você entenderá um pouco mais a maneira que seu chefe se organiza e a forma que ele enxerga o aproveitamento de tempo. Essa percepção tem muita utilidade na estratégia que você precisa traçar para ser mais efetivo e produtivo em relação ao uso do tempo. Algumas pessoas gostam de ser reconhecidas como alguém que consegue fazer várias coisas ao mesmo tempo. Isso é possível, mas o que experimentei nesses anos todos é que nem sempre a qualidade consegue ser mantida nas diversas atividades. Você prioriza qualidade ou quantidade? São nesses momentos que você pode obter resultados positivos de uma reunião ou encontro com seu chefe, mesmo que ele esteja com outras pessoas no telefone ou tratando de assuntos totalmente distintos com alguém ao seu lado. Acredite, é mais fácil de�nir uma estratégia para lidar com essas situações do que tentar convencê-lo de que você precisa de um tempo só seu. É possível que você pre�ra ser detalhista a determinados assuntos, mas seu chefe pode optar sempre por ver o resumo dos assuntos, sem se ater aos detalhes. Nesses casos, aprender a ser mais preciso é necessário. Assim como, em uma ocasião inversa, é preciso aprender a ser detalhista e abrir caminhos para um entendimento mais profundo. O importante é pensar nesses cenários e identi�cá-los para gerir seu tempo. Algumas pessoas sempre demonstram ansiedade para que uma reunião termine antes do tempo considerado adequado. Diante disso, podemos nos perguntar o seguinte: Se existe ansiedade para terminar, o que vem depois é mais importante? Quais os riscos da super�cialidade das informações a curto e longo prazo? Vale a pena insistir em mudança de comportamento ou é melhor se adaptar e transmitir as informações fracionadas, reservando um período mais longo para apresentar propostas e informações? As prioridades são as causas desse comportamento ou trata-se de uma cultura estabelecida? Você pode desenhar uma estratégia que ajude a melhorar sua comunicação baseada nessa condição? No que se refere à aprendizagem, não sei quanto a você, mas eu tive muitas experiências com chefes que gostam de usar as reuniões para ensinar e, ocasionalmente, aprender. Isso é muito bom, a�nal a aprendizagem deve ser algo constante. O problema é quando isso começa a interferir demais na qualidade e no alcance efetivo dos objetivos. Mas o que fazer, então? Aproveitar a chance para também aprender? Buscar introduzir o assunto dentro daquilo que vocês necessitam? Esperar o momento certo para introduzir os pontos relevantes? Veja que não há respostas prontas para questionamentos como esses. O que existe, e foi efetivo comigo, é a possibilidade de pensar nesse aspecto, identi�car o comportamento dos chefes e traçar uma estratégia para as reuniões e demais momentos de convívio. Pude perceber que alguns deles gostavam de fazer isso em reuniões com maior público, desta forma eu sempre levava os assuntos relevantes para reuniões menores e tentava usar os momentos informais, nos corredores e salas de café para comunicar de temas relevantes, porém breves. Finalmente, existem alguns protocolos advindos da cultura da empresa para se iniciar e terminar certas reuniões. Isso precisa ser levado em conta na hora de gerenciar o tempo. Você pode querer ir direto ao ponto no início de uma reunião pensando no tempo que tem para tratar dos assuntos relevantes enquanto a dinâmica da reunião é falar de amenidades antes de entrar propriamente nos assuntos importantes. É importante notar que essa dinâmica muda de acordo com as instituições e organizações e entender qual dinâmica seu chefe está acostumado vai ajudar você a se preparar para ser mais efetivo. T 9- Lidando com dias difíceis odo mundo tem seus “dias de fúria”. Diversas situações colocam à prova nossa inteligência emocional diariamente, e por vezes não somos capazes de lidar com elas adequadamente. Isso também acontece com seu chefe, sabia? Se você ocupa, ou já ocupou, qualquer cargo de liderança, deve saber que existem aqueles dias em que sua inteligência emocional é desa�ada ao extremo. Se você quer gerenciar seu chefe de maneira e�caz, é melhor se prevenir para os dias de fúria, quando aparentemente tudo sai do controle e os nervos �cam à �or da pele. São muitos os fatores que podem levar a essas condições: Incidentes graves; Paralizações, greves, atos terroristas; Catástrofes naturais e outros eventos alheios ao nosso domínio; Pressão extrema para cumprir metas de produtividade, custo, vendas etc. Fusões, sucessões, grandes mudanças corporativas Fechamento de empresas, demissões; Incertezas nos ambientes interno e externo; Problemas pessoais; Estresse acumulado. Peter J. Prost, em seu livro Emoções tóxicas no trabalho, menciona que, somente nos Estados Unidos, o estresse pro�ssional custa USD 300 bilhões anualmente, estimados por absenteísmo, diminuição de produtividade, rotatividade de pessoal, pagamentos diretos de seguros médicos e jurídico e violência no local de trabalho. Segundo Joel H. Neuman da Universidade de Nova Iorque. Isso nos dá uma ideia de como o estresse pode in�uenciar os relacionamentos com nossa che�a no dia- a-dia. Frequentemente, muitas dessas condições ocorrem simultaneamente e, embora os líderes se esforcem para estarem preparados para momentos de pressão e caos, pode acontecer de não darem conta de manter uma postura assertiva na hora de lidar com determinados cenários. Não importa o motivo da alteração de humor do seu chefe, quando você identi�ca-la, haja rápido. Tudo o que ele demandar precisa ser feio em tempo relativamente curto e com a qualidade esperada. É recomendável que você aumente a frequência da transmissão de informações, caso seja necessário. Faça o que estiver ao seu alcance e sempre demonstre que você está pronto para ajudar e contribuir para que aquele momento se resolva da melhor forma possível. Na �gura abaixo, podemos ver como se con�gura o desenvolvimento do estresse no processo organizacional. Haverá momentos em que o comportamento de seu chefe estará muito diferente do que você está acostumado. O que fazer nestas situações? Antes de mais nada, é necessário que os líderes tenham total entendimento do impacto que seu nível de estresse pode causar no seu local de trabalho. Não estou dizendo que se devem aceitar comportamentos inadequados de qualquer liderança sob qualquer pretexto. Existem leis muito claras hoje em dia em relação a assédio moral e ambientes inadequados de trabalho. O que realmente importa é você não se deixar sabotar por di�culdades que podem ser resolvidas com um gerenciamento mais e�caz, o que bene�ciará você e outras pessoas do mesmo ciclo de relacionamento pro�ssional na hora de crises. Claro que ainda que não exerça nenhuma função de liderança, você deve considerar que seu nível de estresse também in�uencia nas pessoas a sua volta e, portanto, precisa ser gerenciado em algum grau. 10- Mind Maps ou Mapas Mentais Os mapas mentais são excelentes ferramentas para ordenar as ideias e avaliar as possibilidades, ao mesmo tempo permite que tenhamos uma visão mais ampla do assunto em questão. Vou te contar porque resolvi incluir este assunto no gerenciamento do chefe. Tudo começou quando entendi que deveria gerenciar meu chefe e, ao pesquisar sobre assunto, não encontrei nenhuma maneira prática para lidar com o que eu estava enfrentando. Finalmente encontrei um aplicativo para celular que passei a utilizar sempre para construir mapas mentais. Comecei a escrever os parâmetros que eu entendia que precisavam se equacionados nesta difícil tarefa. Na verdade, a ideia de escrever o livro veio depois que comecei a aplicar as abordagens pensadas e elaboradas no mapa mental. Abaixo segue um bom exemplo de mapa mental sobre o assunto. Coloque no círculo central o tópico “gerenciamento do chefe” e depois pense nos diversos parâmetros que, segundo sua avaliação e percepção, precisam ser melhorados. Depois você pode detalhá-los, até chegar a um plano de ação. Gostaria de temotivar a criar seus próprios mapas e seguir desenvolvendo novas abordagens para o seu dia-a-dia. 11- E se tudo falhar? E se tudo falhar? Ou seja, suponhamos que, de fato, seja impossível gerenciar seu chefe. Isso poderia ocorrer por vários motivos. Imagine que por mais que vocês se esforçassem, não conseguiriam trabalhar juntos e todas as técnicas que mencionei neste livro foram inúteis. Listei, abaixo, alguns dos motivos que poderiam levar a esse cenário. O chefe: a) Por motivo, inveja, ou mesmo medo de perder sua posição para você, ele se sente ameaçado e decide fazer todo o possível para te prejudicar. b) Ele pode ser imaturo ou despreparado para a função e não se deixa ajudar por falta de habilidade pessoal. c) Ele não se sente à vontade com você por algum acontecimento anterior e não consegue superar o problema, levando tudo para o lado pessoal. d) Ele decidiu que quer te demitir, mas não tem autoridade para fazer isso ou não tem coragem, então decide sabotar seus trabalhos para tornar isso mais fácil para ele. Você: a) Sente que não quer mais continuar tentando melhorar a relação com o chefe e acaba se auto sabotando. b) Não é ou não se sente capaz de atender aos requerimentos e isso já prejudicou muito a relação de trabalho com ele. c) Não está satisfeito com o trabalho, com a empresa ou instituição e acabou ao longo do tempo transferindo isso para o chefe. Infelizmente, como apontado, a maioria das pessoas se demite dos seus chefes e não propriamente das organizações. Agora chegou a sua vez de tomar a decisão. O que se deve fazer diante dessas situações: 1- Se você é detentor de autoridade para contratar líderes em sua organização; Se você possui autoridade para contratar pessoas que vão exercer cargos de comando na sua organização, recomendo que avalie com devido o cuidado os processos de promoção e contratação da liderança. Você pode dizer que isso é óbvio e que isso já é feito. Se fosse assim não teríamos tantas demissões de bons funcionários por conta de péssimos chefes, a quem atribuímos autoridade sem antes avaliar sua capacidade de gerenciamento de equipe. Apesar das várias ferramentas disponíveis, como entrevistas e análise de históricos, muitas empresas ainda promovem seus líderes com base nos resultados obtidos em funções não gerenciais ou por tempo de experiência em funções técnicas anteriores. Por vezes se perde um excelente pro�ssional técnico e se ganha um chefe problemático. Não estou dizendo que em todas as vezes essa prática é ruim, mas quero chamar a atenção para o fato de que é necessário fazer muitas avaliações antes de tomar essa decisão. Além disso, a organização precisa preparar esse pro�ssional durante um tempo antes de fazer a transição. Infelizmente algumas empresas não têm planos de desenvolvimento de líderes potenciais e acabam por promover pessoas sem preparo e, ao �m do dia, perdem excelentes oportunidades. Outro ponto importante é que você avalie as possibilidades com cuidado e tempo para realizar boas contratações de líderes. Eu vi muitos casos em que o gestor levava a demanda da contratação para a equipe de RH já acompanhada da recomendação de urgência, alegando que a posição era crítica e estratégica. Ora, se é crítica e estratégica não deveria ser preenchida tão de pressa. Claudio Fernandez-Araós, em seu livro Grandes Decisões sobre pessoas, traz uma a�rmação que eu acho sensacional: “Seja lento para contratar e rápido para demitir”. Segundo o autor, os processos seletivos normalmente são carregados de vieses quando se tenta acelerar demais os processos de contratação e, por vezes, decisões equivocadas são tomadas. E pior, após a contratação, assim que a escolha ruim é identi�cada, os gestores, por não quererem admitir seu equívoco, tentam dar um jeito na situação, ora tentando preparar o pro�ssional que já devia ter vindo pronto, ora buscando encontrar outra posição para encaixá-lo. O eu poderia ser feito era simplesmente desligar e reiniciar o processo de contratação. Portanto, recomendo que você não ceda à pressão da suposta urgência e tenha tempo para os processos de contratação de líderes. Esse é um conselho que eu daria a qualquer pro�ssional, mas em relação à liderança, os cuidados devem ser redobrados. ✓ Avalie o Curriculum Vitae de verdade! Segundo o velho ditado, papel aceita tudo. Você �caria surpreso se soubesse quantas coisas são incluídas indevidamente por pro�ssionais inescrupulosos que contam que os dados não sejam checados. ✓ Busque referências. A carreira pro�ssional deixa rastros importantes. Procure conversar com pelo menos dois ou três líderes dessas pessoas. Converse, também, com pessoas que foram liderados por esse candidato. ✓ Use assessments. Atualmente existem muitas ferramentas consagradas no mercado que podem auxiliar no acesso aos per�s dos pro�ssionais e veri�car se estão aptos ao cargo em questão. ✓ Faça um processo de entrevista amplo. Você pode ter uma boa percepção e se julgar um bom avaliador de pessoas, mas é muito importante que outros gestores pares, ou até seu chefe, entrevistem o candidato. Ao �nal, converse com todos eles e analise apercepção geral, para então tomar a decisão. Isso não quer dizer que você delegou a responsabilidade e autoridade do processo a outros, isso fortalece, na verdade, a decisão e melhora suas chances de sucesso. Tomando essas providências, as suas chances de sucesso aumentarão e o próprio candidato poderá ver isso com bons olhos, percebendo a seriedade e responsabilidade com o processo seletivo. Além de reduzir o tempo de contratação, você aumenta suas chances de ter o melhor líder na equipe e evita perder pro�ssionais talentosos que vão gerenciar e serão gerenciados de maneira muito mais suave e e�caz. No �m, todos ganham. 2- Você não tem autoridade sobre a liderança. Aqui vão algumas dicas importantes caso você conviva com um chefe praticamente impossível de gerenciar, por fatores diversos: ✓ Seja persistente. A primeira coisa que você deve fazer é tentar dar o seu melhor no gerenciamento do seu chefe. Pode ser que haja pequenas diferenças do que foi tratado aqui, e que as situações que você enfrenta com sua liderança sejam bem diferentes. Nesse caso, você precisará desenvolver novas técnicas e habilidades para lidar com as questões especí�cas do cenário em que você está inserido. Eu recomendo que você parta das técnicas apresentadas aqui e que continue a desenvolver novas formas de gerenciar seu chefe. ✓ Procure apoio. Pode ser necessário que você procure pelo apoio de um mentor para lidar com determinado líder. O processo de mentoria pode ser muito e�caz nesse assunto. Lembre-se de que o mentor precisa ser alguém idôneo e con�ável. ✓ Avalie o tempo. Após uma falha, pode ser necessário que você suporte a situação por um tempo até que as coisas mudem para condições mais favoráveis. Você precisa avaliar com cuidado as suas possibilidades. Pode ser que o chefe não permaneça por muito tempo em um processo devido à gestão inadequada, nesse caso é preciso saber esperar e fazer o seu melhor. Recomendo sempre honrar seu chefe, ainda que você ache que ele não mereça. Além disso, talvez você precise se preparar para abandonar o barco. ✓ Não abandonar o barco. Considere que isso pode vir a ser necessário, após ter feito tudo o que podia. Prepare a sua saída: se possível, avalie oportunidades antes de efetivá-la. Não tenha medo de se lançar, pois sempre há espaço para bons pro�ssionais no mercado. Se na sua organização houver entrevista de desligamento, recomendo que diga a verdade sobre os motivos da sua saída, mas de maneira assertiva e pro�ssional. Jose Wilson Armani Paschoal, em seu livro A arte de gerir pessoas em ambiente criativo”, menciona um ditado muito interessante: “talento não trabalha com chefe ruim”. Ele reforça o fato de que exercer a che�a com uma liderança pautada em competência e con�ança é o maior catalizador existente. Ou seja, o seu talento e competência serão sempre bem aceitos entre os melhores líderes. Reconheçaque nem sempre as ferramentas de gestão vão funcionar para todos os ambientes, mas aprenda a usá-las, pois elas podem, literalmente, salvar sua vida pro�ssional. E se não der certo, siga em frente praticando e melhorando. N 12- Palavras �nais a maioria das vezes, não escolhemos o chefe que temos e, nem sempre, ele também pode nos escolher. Mas podemos sim, desenvolver nossa habilidade em gerenciá-los melhor, ajudando a nós mesmos e as organizações a obterem resultados melhores. O processo de gerenciamento do chefe é algo que você desenvolve ao longo do tempo e espera-se que este livro seja fonte de consulta sobre os vários aspectos do gerenciamento. Se você ocupa um cargo de liderança, o gerenciamento do seu chefe não somente trará benefícios para você, mas também para a sua equipe, que muitas vezes sofre pressão desnecessária e tem de lidar com temas complicados e urgentes, por demandas oriundas de um chefe que não foi gerenciado adequadamente. Tenho convicção de que a qualidade de vida no trabalho vai melhorar sensivelmente a partir de agora que você aprendeu algumas técnicas e, principalmente, compreendeu a importância desse gerenciamento, que por vezes passa despercebido por muitos líderes. Um bom gerenciamento lhe permite ser mais efetivo e aumenta a sua capacidade de reação às adversidades. Com isso você obtém melhores resultados a médio e longo prazo, fazendo de você o líder resiliente que as organizações precisam. O uso consciente e focado dos aspectos abordados neste livro com certeza te tornarão não somente um colaborador melhor, mas também um chefe melhor. Os conceitos que vimos aqui podem e devem ser extrapoladas para outras situações, podem ser detalhados e abertos novos pontos de gerenciamento. Existem ainda muitas perguntas a serem respondidas dentro desse tema tão relevante, e penso que ainda estamos somente arranhando a superfície do assunto. Quando aliamos esses conceitos à inteligência emocional, ao possível impacto das competências, aos processos de negociação, aos agentes motivacionais, quando consideramos valores, cultura, processos de aprendizagem, entre outras vertentes, creio que conseguimos ser ainda mais efetivos no gerenciamento dos nossos superiores. Estamos só começando... 13- Referências bibliográ�cas Eagleman, David: Vinagre Ryta. Cérebro: Uma biografia. Rocco. 2017. Prost, J Peter. Emoções tóxicas no trabalho. Futura. 2003 Paschoal, José Wilson Armani. A arte de gerir pessoas em ambientes criativos. Record. 2004 Garcia, Luiz Fernando. O inconsciente na nossa vida profissional. Gente. 2014 Ulrich, David. Sustentabilidade da Liderança. Alta Books. 2019 Taleb, Nassin Nicholas. O Cisne Negro. Best Seller. 2008 Folha de Rosto Créditos Agradecimentos 1- Introdução 2 - Porque o gerenciamento do seu chefe é tão importante? 3- Gerenciando as expectativas do seu chefe 4- Sobre transferência de informações. 5- Gestão sobre as demandas do seu chefe para você. 6- Trabalhando as percepções. 7- Agindo diante de feedbacks 8- Gerenciando o tempo juntos 9- Lidando com dias difíceis 10- Mind Maps ou Mapas Mentais 11- E se tudo falhar? 12- Palavras finais 13- Referências bibliográficas