Prévia do material em texto
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE DEPARTAMENTO DE NUTRIÇÃO DISCIPLINA: NUTRIÇÃO EXPERIMENTAL PROFESSORA: NADIR DO NASCIMENTO NOGUEIRA E DILINA DO NASCIMENTO MARREIRO AICOM WUANDSON SOUSA SALES BEATRIZ APARECIDA RIOS DE OLIVEIRA GEICE KELLY SOUSA DE OLIVEIRA GIOVANNA ELLEN SILVA DE SOUSA MARIA EDUARDA DA SILVA GOMES NÁDIA AGUIAR VIEIRA DOS SANTOS BIOIMPEDÂNCIA ELÉTRICA TERESINA 2023 AICOM WUANDSON SOUSA SALES BEATRIZ APARECIDA RIOS DE OLIVEIRA GEICE KELLY SOUSA DE OLIVEIRA GIOVANNA ELLEN SILVA DE SOUSA MARIA EDUARDA DA SILVA GOMES NÁDIA AGUIAR VIEIRA DOS SANTOS BIOIMPEDÂNCIA ELÉTRICA Relatório apresentado à disciplina de Nutrição experimental como requisito parcial para obtenção de nota no componente prático da disciplina. Professoras: Nadir do Nascimento Nogueira e Dilina do Nascimento Marreiro Estagiárias: Lyandra Dias da Silva, Nilmara Cunha da Silva, Vitória Ribeiro Mendes, Thayanne Gabryelle Visgueira de Sousa. TERESINA 2023 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ……………………………………………………………… 3 2. METODOLOGIA …………………………………………………………… 4 3. RESULTADOS…………………………………………………………………5 4. DISCUSSÃO ………………………………………………………….………. 8 5. CONCLUSÃO …………………………………………………………..……. 10 REFERÊNCIAS …………………………………………………………..…….. 11 3 1 INTRODUÇÃO A bioimpedância elétrica tem se destacado como uma técnica promissora e não invasiva para a avaliação de composição corporal e monitoramento de diferentes parâmetros fisiológicos. Seu fundamento se baseia na medição das propriedades elétricas dos tecidos biológicos, utilizando sinais elétricos de baixa intensidade e alta frequência. A análise dessas propriedades permite a obtenção de informações valiosas sobre a distribuição de água corporal, massa magra, massa gorda e outros componentes relevantes para a compreensão do estado de saúde de um indivíduo. (KYLE, et al., 2004 ) Neste contexto, a prática realizada visa explorar de maneira abrangente os princípios, aplicações e desafios da bioimpedância elétrica no campo da saúde e da pesquisa clínica. A análise detalhada contribuirá para a compreensão das potencialidades dessa técnica em áreas como nutrição, monitoramento de doenças crônicas e otimização de treinamentos físicos. A propriedade elétrica dos tecidos tem sido estudada desde 1871, mas somente em 1970 os fundamentos da BIA foram descritos. Os primeiros estudos com BIA ocorreram nas décadas de 1930 e 1940, relacionando a impedância com o fluxo sanguíneo. Posteriormente, estudaram a relação da impedância com a água corporal total e a massa magra. Atualmente, a BIA tem sido validada para estimar a composição corporal e o estado nutricional de indivíduos saudáveis, e em diversas situações clínicas, como desnutrição, traumas,câncer, pré e pós-operatório, hepatopatias, insuficiência renal, gestação, bem como em crianças, idosos e atletas.(THOMASSET, 2017; HOFFER. et al .,1969) Apesar de a BIA ser indicada como um método preciso e confiável, discutem-se, na literatura, possíveis causas que dificultam o estabelecimento de um consenso acerca de seu uso, pois resultados obtidos em determinadas pesquisas revelam-se algumas vezes discrepantes.Dentre as possíveis razões, poderia ser mencionada a utilização de uma variabilidade de equações disponíveis para vários grupos de indivíduos, que são aplicadas de forma equivocada em amostras bastante heterogêneas. Além disso, podem interferir nas diferenças étnicas e de composição corporal entre as populações, bem como no estado de hidratação dos indivíduos avaliados. Dessa forma, pode-se afirmar que ainda pairam dúvidas quanto à precisão e à confiabilidade da técnica da BIA, quando comparada com outros recursos. (KYLE, et al . 2004; LIMA, 2008) O objetivo da prática foi avaliar a composição corporal e o monitoramento de diferentes parâmetros fisiológicos, dos estudantes de nutrição matriculados na disciplina de nutrição experimental na Universidade Federal do Piauí. 4 2. METODOLOGIA Previamente ao exame, solicitou-se dois alunos voluntários de cada turma para realizarem a bioimpedância. Quando estes se manifestaram foram instruídos a seguirem as recomendações pré - exame, tais como jejum alimentar, hídrico e de álcool, isenção de atividade física no dia anterior, etc. Destaca-se que um dos participantes enquadra-se como atleta de ciclismo, enquanto a outra participante enquadra-se como não atleta, apenas praticante de musculação. Essa aula prática foi realizada na sala 195 do departamento de nutrição da Universidade Federal do Piauí, na qual os discentes, com o auxílio das estagiárias docentes e a monitora, realizaram a prática de Bioimpedância nos voluntários, com base no material teórico, para os procedimentos dessa prática em específico. 2.1 Materiais ● Balança de controle corporal; ● Notebook; ● Datashow. . 2.2 Procedimentos A prática foi realizada na sala de aula (195) do departamento de nutrição localizado na UFPI. Em tese, a turma foi dividida em dois grandes grupos, sendo que um deles foi para a prática de identificação dos materiais e equipamentos do laboratório e o outro grupo realizou a prática de Bioimpedância elétrica (BIA). Em sequência, a docente responsável, inicialmente, cadastrou os dados de cada voluntário no site. Posteriormente, solicitou que os voluntários retirassem os sapatos para dar início a prática. Dando sequência, os dados dos voluntários foram novamente cadastrados no equipamento. Cada voluntário subiu no equipamento durante alguns minutos e logo os resultados foram avaliados tanto no equipamento quanto no site. Por fim, os dados foram enviados para os discentes para a confecção dos relatórios. 5 3 RESULTADOS Os resultados obtidos da aula prática estão dispostos nas figuras abaixo, no qual é possível a visualização dos procedimentos de cada tratamento explanados anteriormente no tópico “METODOLOGIA”. Figura 1. Resultados avaliação bioimpedância paciente 1. Fonte: Dados do Autor, 2023 Figura 2. Resultados avaliação bioimpedância paciente 2. Fonte: Dados do autor, 2023. 6 Tabela 1: Dados do voluntário 1, UFPI- 2023. DADOS RESULTADO Idade Masculino Sexo 22 Altura (m) 1,86 Peso (kg) 91,8 Gordura Corporal (%) 17,3% Gordura Visceral (Level) 3 IMC (kg/m2) 26,5 Massa muscular (%) 78,6 Massa muscular esquelética (%) 46,8 Massa óssea (kg) 3,7 Sarcopenic Index (kg/m2) 9,89 Água corporal (%) 59,5 Idade metabólica 20 Taxa metabólica basal (kcal) 2266 Ingestão calórica diária (kcal) 4758 Fonte : Dados do autor, 2023. Tabela 2: Dados do voluntário 2, UFPI- 2023. DADOS RESULTADOS Idade 20 Sexo Feminino Altura (m) 1,72 Peso (kg) 62,4 Gordura Corporal (%) 29,2 Gordura Visceral (Level) 1 level IMC (kg/m2) 21,1 Massa muscular (%) 57,1 Massa muscular esquelética (%) 40,1 Massa óssea (kg) 2,2 Sarcopenic Index (kg/m2) 6,32 7 Água corporal (%) 52,6 Idade metabólica 23 Taxa metabólica basal (kcal) 1320 Ingestão calórica diária (kcal) 2165 Fonte : Dados do autor, 2023. 8 4. DISCUSSÃO Em primeira instância, um dos primeiros parâmetrosa ser observado na BIA é a análise da composição corporal, ou seja, avaliação da água corporal total, proteínas, minerais e massa de gordura. Silva (2019) demarca que a composição corporal engloba as proporções de músculo, gordura, osso e outras partes vitais do corpo, sendo que do ponto de vista funcional e de performance, a massa corporal que é mensurada na balança, pode não ser uma medida tão útil porque oculta a contribuição relativa dos diferentes tecidos no valor resultante, ou seja, a avaliação da BIA proporciona uma melhor adequação da composição corporal. Observa-se nas figuras 1 e 2 que os pacientes apresentam em sua maioria resultados bons dos parâmetros Análise de gordura corporal, gordura visceral, análise imc, análise de massa muscular, sarcopenia index e análise de água corporal, salvo paciente da figura 1, o qual apresentou excesso de peso segundo parâmetro IMC. Nesse sentido, fatores que influenciam a composição corporal, como a idade, gênero, a prática de exercícios físicos, composição da dieta, entre outros, devem ser observados. Diante do supracitado, o paciente da figura 1, apesar de apresentar resultado insatisfatório em relação ao IMC, se trata de um atleta. Sendo assim, a avaliação da composição corporal torna-se determinante para atletas de qualquer modalidade, já que para o desenvolvimento de uma avaliação mais criteriosa sobre os efeitos do treino no corpo humano existe a necessidade de fracionar nos seus diferentes componentes. Além disso, pode prevenir o aparecimento de lesões, identificar futuros talentos, melhorar o controle e a prescrição dos programas de treino. A quantidade de massa isenta de gordura e massa gorda de um atleta pode ser um fator preditivo do desempenho. A avaliação do mineral ósseo é importante para compreender se existem problemas de desenvolvimento ou se o atleta corre o risco de uma possível fratura, principalmente atletas mulheres (QUINTAS et al, 2003). Além disso, a BIA pode ser conduzida de diferentes maneiras. Pode ser empregada uma única frequência ou várias, método mono ou multifrequencial, podem ser feitas medidas de corpo inteiro ou de seus segmentos, como pernas, braços e tronco, bem como podem ser considerados vários modelos eletrofisiológicos para o corpo humano. Cada modalidade de BIA apresenta vantagens e desvantagens que precisam ser consideradas, pois podem reverter em resultados aceitáveis ou não dependendo dos objetivos da avaliação clínica (GUDIVAKA et al, 1999). A forma mais comum de BIA, emprega medida de corpo inteiro e considera uma analogia do corpo humano percorrido por uma corrente de frequência fixa de 50 kHz (monofrequencial). Esta modalidade de BIA pode ser aplicada somente às pessoas saudáveis 9 em estado normal de hidratação e permite determinar parâmetros como massa de gordura (MG), massa livre de gordura (MLG) e quantidade de água corporal total (ACT), não sendo apropriada todavia para a determinação dos parâmetros como a água extracelular (AEC) e da água intracelular (AIC). Estes últimos parâmetros podem ser melhor auferidos através de métodos multifrequenciais (MIALICH, 2014). Estudiosos afirmam que as alterações na massa magra do tronco, separadamente, provavelmente não são descritas de forma confiável através das medidas de impedância do corpo inteiro, e ainda que mudanças na impedância do corpo inteiro podem estar relacionadas às alterações tanto na massa magra dos membros, como do tronco, e que, por isso, é dada a importância da avaliação isolada (SAMPAIO, 2012). 10 5 CONCLUSÃO Destarte, mediante o supracitado, foi possível concluir que a Bioimpedância Elétrica é um método de avaliação do estado corporal que permite a avaliação de tópicos relevantes que compõem o corpo da avaliada. Em tese, a precisão do método pode sofrer influências de vários fatores: temperatura do ambiente da avaliação, estado de hidratação do indivíduo, o ciclo menstrual, alimentação, prática de atividade física e consumo de álcool. Para evitar a interferência destas variáveis, um protocolo pré-avaliação deve ser seguido bem como o uso não isolado da BIA para avaliação do estado corporal do indivíduo. 11 REFERÊNCIAS GUDIVAKA, R., D.A. Schoeller, R.F. Kushner e M.J.G. Bolt, J. Appl. Physiol . 1999; MIALICH M.S, J.F. Sicchieri e A.A.J. Junior, Int J Clin Nutr. 2014. QUINTAS, M. E, Ortega RM, Lopez-Sobaler AM, Garrido G, Requejo AM. Influence of dietetic and anthropometric factors and of the type of sport practised on bone density in different groups of women . Eur ClinNutr, 2003; SAMPAIO, L.R., EICKEMBERG, M., MOREIRA, P.A., and OLIVEIRA, C.C. Bioimpedância Elétrica. In: SAMPAIO, L.R., org. Avaliação nutricional [online] . Salvador: EDUFBA, 2012; SILVA, G. B. G. A Importância das medidas antropométricas e da composição corporal como parâmetro de desenvolvimento das atividades físicas habituais em adolescentes do ensino médio. Universidade Federal de Pernambuco. Vitória de Santo Antão –PE, 2019. Kyle UG, Bosaeus I, Lorenzo AD, Deurenberg P, Elia M, Gómez JM, et al. Bioelectrical impedance analysis - part I: review of principles and methods. Clin Nutr. 2004; 23:1226-46. THOMASSET, A. Bioeletrical properties of tissue impedance measurements. Lyon Med . V. 207: p. 107-18, 1962. Hoffer EC, Meador CK, Simpson DC. Correlatiion of whole-body impedance with total body water volume. J Appl Physiol . V. 27, p. 531-4, 1969. LIMA, L.R.A, Rech CR, Petroski EL. Utilização da impedância bioelétrica para estimativa da massa muscular esquelética em homens idosos. Arch Latinoam Nutr. V.58, p. 386-91, 2008.