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Embriologia e Histologia da Próstata Anatomia da próstata Embriogênese prostática Histologia da próstata normal 1 2 3 4 5 Escore de Gleason Histopatologia do câncer de próstata 1. Anatomia da próstata e sua função Próstata = “aquele que permanece na frente” Maior glândula acessória do sistema genital masculino; Tem formato piramidal com base superior, ápice inferior, face anterior, face posterior e tamanho semelhante a uma noz, com volume entre 10-20 g; Volume: indivíduos jovens e idosos; Responsável por secretar um líquido ligeiramente ácido, que contribui para a formação do líquido seminal e contém: Ácido cítrico; Enzimas proteolíticas (PSA); Fosfatase ácida; Plasmina seminal. }Motilidade e viabilidade dos espermatozoides (TORTORA, NIELSEN, 2019; YACOUB, OTO, 2018; JUNQUEIRA, CARNEIRO, 2013) Fonte: Dr. Paulo Maron YACOUB, OTO, 2018 2. Embriogênese Prostática - Final do 3º mês - Se forma a partir de protuberâncias do epitélio uretral (com origem endodérmica) que penetram o mesênquima circunvizinho. - Protuberâncias do epitélio uretral formam o epitélio glandular da próstata. - Mesênquima associado se diferencia no estroma (tecido conjuntivo) e no músculo liso da próstata. (MOORE, PERSAUD, TORCHIA, 2016; SADLER, 2016) 3. Histologia normal da próstata ● Fáscia: Tecido conjuntivo denso não modelado com presença de plexo venoso prostático. → ZONAS ● 30-50 glândulas de túbulo alveolares ramificadas revestidas por epitélio cúbico simples ou pseudoestratificado colunar, que desembocam na uretra que corre em seu interior. ● No estroma perialveolar existem muitas fibras musculares lisas. FONTE: medicina.ucpel.edu.br/ JUNQUEIRA, LC; CARNEIRO, J. Histologia básica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 3. Histologia normal da próstata Glândulas mucosas Glândulas submucosas Glândulas principais Ductos ejaculatórios ● Nas glândulas, as células epiteliais luminais são colunares, com núcleo basal e a região supranuclear ocupada pelo Golgi bem desenvolvido. ● Essas células sintetizam enzimas, como fosfatase ácida prostática, fibrinolisina (liquefazem o sêmen) e uma serina protease, denominada antígeno específico prostático (prostate specific antigen – PSA; plasmina seminal; ácido cítrico). ● Essas células produzem ainda espermidina e espermina, que são bacteriostáticos e quando oxidados produzem o odor almiscarado do sêmen. Esquema de corte da próstata, exibindo a posição das glândulas ao redor da uretra. Stevens, A.; Lowe, J. Histologia. São Paulo: Manole, 1995. p. 315. STROHSCHOEN, A.A.G.; DIETRICH, F.; SALVI, L.C. Biologia Tecidual: Atlas Visual – Testes. Lajeado: Editora Univates, 2012. Câncer de próstata Idade Maior que 50 anos Etnia negra Mais frequente nesta população Excesso de peso Desrregulação hormonal Histórico Familiar Genética, BRCA1 e BRCA2 ● É a 2ª neoplasia mais incidente no sexo masculino em todo o mundo e o 5º câncer mais mortal. Seus principais fatores de risco são: (INCA, 2020; GLOBOCAN, 2020) 4. Histopatologia do câncer de próstata Cerca de 98% dos casos é representado por adenocarcinomas. O restante compreende casos de sarcomas, carcinoma epidermoide e carcinoma de células transicionais. Localização do adenocarcinoma: ➢ 75% na zona periférica da glândula; ➢ 25% na zona transicional; ➢ 5% na zona central. Nele, a diferenciação celular é um importante fator prognóstico que se relaciona com a sobrevida do paciente e o comportamento biológico do tumor. Do ponto de vista histológico os tumores da próstata são bastante heterogêneos, sendo utilizado o escore de Gleason para classificação. Adenocarcinoma de próstata, Gleason grau 3. FONTE: HUMPHREY et al., 2017. Hoff, Paulo Marcelo Gehm (ed). Tratado de Oncologia. São Paulo: Atheneu, 2013. Fonte: Kumar et al., 2018 5. Escore de Gleason - Escala avaliativa de níveis histológicos do câncer de próstata. - Realizada a partir da biópsia da próstata e posterior análise microscópica. - Relevante também para projeção prognóstica do indivíduo. - Na comparação dos níveis de diferenciação celular com o tecido prostático normal, tem-se uma escala de 5 graus: ● Grau 1: Maior semelhança com o tecido prostático normal, células menores e maior uniformidade; ● Grau 2: Presença de diferenciações celulares, bordas irregulares e menor uniformidade; ● Grau 3: Maior variedade de forma e tamanho, glândulas diferenciadas e dispersando-se pelo estroma; ● Grau 4: Fusão de glândulas, invasão de tecidos adjacentes e pouca diferenciação glandular; ● Grau 5: Células agrupadas em massas com caráter invasivo, diferenciação glandular pode não ocorrer. (HUMPHREY, 2017; JÚNIOR et al., 2015) Graus do câncer de próstata na perspectiva histológica. Após a análise e identificação dos 2 graus de comprometimento celular mais presentes na amostra, eles são somados (Ex: 2+3, 5+4...) para estabelecer, então, sua classificação no Escore de Gleason em forma de pontuação: ● Pontuação de 2 a 4 (G1): Bom prognóstico, decorrente da identificação em um estágio de crescimento inicial e lento do câncer. ● Pontuação de 5 a 7 (G2): O prognóstico é muito variável, decorrente da diferenciação moderada das células, o que pode gerar um processo rápido ou lento de desenvolvimento tumoral, a retirada da próstata pode ser viável. ● Pontuação de 8 a 10 (G3): Mau prognóstico, evolução rápida do câncer bem como altos índices de metástases, é indicado a retirada da próstata. Fonte : HUMPHREY, 2017 Fonte: Barakzai, 2019 Gleason 3 + 3 = 6 Gleason 5 + 5 = 10 BARAKZAI, Muhammad Abrar. Prostatic adenocarcinoma: A grading from Gleason to the new grade-group system: a historical and critical review. Asian Pacific journal of cancer prevention: APJCP, v. 20, n. 3, p. 661, 2019. GLOBAL CANCER OBSERVATORY (GLOBOCAN). World Health Organization (WHO). Estimated number of new cases in 2020, worldwide, males, all ages. 2020. HUMPHREY, Peter A. Histopathology of Prostate Cancer. Cold Spring Harbor Perspectives In Medicine, [S.L.], v. 7, n. 10, p. 1-21, 7 abr. 2017 INSTITUTO NACIONAL DO CÂNCER (INCA). Câncer de Próstata. 2020. Disponível em: <https://www.inca.gov.br/campanhas/cancer-de-prostata/2020/saude-do-homem>. Acesso em: 27 fev. 2021 JÚNIOR, B. J. A. et al. Câncer de Próstata: Métodos de diagnóstico, prevenção e tratamento. Brazilian Journal of Surgery and Clinical Research, [S.L.], v. 10, n.3, p. 40-46, 2015. JUNQUEIRA, L. C.; CARNEIRO, J. Histologia básica. 12.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. KUMAR, Vinay et al. Robbins Patologia Básica. 10. ed Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. MOORE, Keith L. Embriologia clínica. 10. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016. Referências: https://www.inca.gov.br/campanhas/cancer-de-prostata/2020/saude-do-homem MCANINCH, J. W; LUE, T. F. Smith & Tanagho’s General Urology. 19 ed. New York: McGraw Hill, 2020. SADLER, T. W. Langman, embriologia médica. 13. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. STROHSCHOEN, A.A.G.; DIETRICH, F.; SALVI, L.C. Biologia Tecidual: Atlas Visual – Testes. Lajeado: Editora Univates, 2012. TORTORA, G. J.; NIELSEN, M. Princípios de Anatomia Humana. 14 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2019. YACOUB, Joseph H.; OTO, Aytekin. MR Imaging of Prostate Zonal Anatomy. Radiologic Clinics Of North America, [S.L.], v. 56, n. 2, p. 197-209, mar. 2018. Referências: