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dpoc DEFINIÇÃO: limitação crônica ao fluxo aéreo, não totalmente reversivel, associada a uma resposta inflamatória anormal à inalação de partículas ou gases nocivos DPOC exacerbado = evento agudo caracterizado por um agravamento dos sintomas respiratórios do paciente que está além das variações normais do dia a dia e que leva a uma mudança na medicação Sintomas cardinais da exacerbação de DPOC: 1. Piora da dispneia 2. Piora da quantidade de expectoração 3. Piora do aspecto da expectoração (purulento) Prognóstico pós-exacerbação: mortalidade 50% em 5 anos FISIOPATOLOGIA: · Presença de bronquite crônica e/ou enfisema que pode levar ao desenvolvimento de obstrução fixa das vias aéreas · Bronquite crônica: · Definição: tosse produtiva por 3 meses doa no em 2 anos consecuticos · Algum grau de reversibilidade · Eventos: inflamação dos bronquíolos menores, inflamação das vias aéreas maiores, espessamento de mucosa e hipersecreção de muco · Manifestações clínicas: tosse com produção de catarro e raramente hemoptise, sibilância, estertores bolhosos inspiratórios e expiratórios, taquicardia, hipertensão pulmonar (sopro, turgência jugular e edema periférico · Enfisema: · Definição: aumento irreversível dos espaços aéreos distais aos bronquíolos terminais, acompanhando por destruição de suas paredes, na maioria das vezes sem fibrose óbvia · Obstrução irreversível · Evento: perda de tecido elástico resultando em diminuição da tensão de retração apropriada para dar suporte as vias aéreas distais durante a expiração FATORES DE RISCO: FATORES PRECIPITANTES DE EXACERBAÇÕES: Fatores intrapulmonares Fatores extrapulmonares Bronquite aguda Pneumonia Broncoespasmo Edema pulmonar TEP Hipertensão pulmonar Diminuição do drive ventilatório Diminuição da força muscular respiratória Aumento da demanda metabólica Diminuição da tensão atm de oxigênio Arritmia cardíaca Isquemia miocárdica CLASSIFICAÇÃO - DPOC NÃO EXACERBADO: CLASSIFICAÇÃO - DPOC EXACERBADO: CLASSIFICAÇÃO DEFINIÇÃO LEVE 1 MANIFESTAÇÃO CARDINAL MODERADA 2 MANIFESTAÇÕES CARDINAIS GRAVE 3 MANIFESTAÇÕES CARDINAIS CLASSIFICAÇÃO DEFINIÇÃO SEM IRpA FR 20-30; SEM USO DE MUSCULATURA ACESSÓRIA, SEM MUDANÇAS DO ESTADO MENTAL; HIPOXEMIA MELHOROU COM MÁSCARA DE VENTURI 24-35%; SEM AUMENTO DE PACO2 IRpA – SEM RISCO DE VIDA FR > 30; USO DE MUSCULATURA ACESSÓRIA, SEM MUDANÇAS DO ESTADO MENTAL; HIPOXEMIA MELHOROU COM MÁSCARA DE VENTURI 24-35%; AUMENTO DE PACO2 IRpA – COM RISCO DE VIDA FR > 30; USO DE MUSCULATURA ACESSÓRIA, MUDANÇAS AGUDAS DO ESTADO MENTAL; HIPOXEMIA NÃO MELHOROU COM MÁSCARA DE VENTURI OU COM NECESSIDADE DE FIO2 > 40%; AUMENTO DE PACO2 OU ACIDOSE CLÍNICA ANAMNESE: · DURAÇÃO DOS SINTOMAS Sinais e sintomas Piora da dispneia basal (87%) Aumento da expectoração basal (88%) Mudança da característica do escarro basal (64%) Tosse crônica Sibilos, roncos Uso de musculatura acessória Cianose, hipoxemia Taquipneia Respiração paradoxal · CARACTERÍSTICAS DA EXPECTORAÇÃO · DOR TORÁCICA · SINTOMAS CONSTITUCIONAIS · TRATAMENTO ATUAL · HISTÓRIA PRÉVIA DE DPOC · FATORES DE RISCO – CARGA TABÁGICA DE MENOS DE 15/20 MAÇOS-ANO DIFICILMENTE LEVA A DPOC · NÚMERO DE EXACERBAÇÕES PRÉVIAS · COMORBIDADES – RARO ANTES DOS 40 ANOS Perguntas cruciais Mudança de coloração do escarro? Mudança na vazão de oxigênio domiciliar? Uso de antibióticos recente? Quadros pulmonares de repetição? – pensar em DPOC Sonolência ou flapping? – pensar em hipercapnia Febre? Dor torácica? Sinais de congestão? Sinais de IVAS? Fatores de risco para DAC e TEP? – pensar em outros diagnósticos Exame físico: · Sibilância · Taquipneia · Dificuldade de fala devido a esforço respiratório · uso de musculatura acessória · Movimentos torácicos ou abdominais paradoxais · Sinais de hipertensão pulmonar (edema periférico, P2 hiperfonética, estase jugular, sinal de kussmaul, pulso paradoxal, hepatomegalia) · Alteração do estado mental (hipercapnia ou hipoxemia) Achados que sugerem gravidade Uso de musculatura acessória Movimentos paradoxais de parede torácica Aparecimento ou piora da cianose Presença de edema periférico Instabilidade hemodinâmica Sinais de IC direita Alterações sensoriais Acidose respiratória DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS EXAMES COMPLEMENTARES Saturação de O2 – para todos Raio-x de tórax – para todos Gasometria arterial – se dessaturação, hipercapnia e necessidade de suporte ventilatório PaO2 < 60 mmHg e/ou PaCO2 > 50 mmHg – insuficiência respiratória PaO2 < 50 mmHg; PaCO2 > 70 mmHg; pH < 7,3 – episódio grave Hemograma, eletrólitos, creatinina e ureia – se for internar ECG, troponinas, BNP – se necessário tc de tórax – achado de rx duvidoso, paciente refratário MANEJO Quem precisa internação hospitalar? · Insuficiência respiratória – fr > 30, uso de musculatura acessória, pco2 > 60 e sintomas intensos · Sinais clínicos inexplicados · Falha na terapia inicial · Comorbidades graves · Vulnerabilidade psicossocial · UTI: instabilidade, RNC, necessidade de ventilação invasiva, distúrbios gasométricos graves ou que pioram com o tratamento Tratamento: · Broncodilatador: · Fazer para todos · Opções · Nebulização – Fenoterol 10 gotas + Ipratrópio 40 gotas + SF 0,9% 5 ml – de 20 em 20 minutos na primeira hora, após isso fazer de 1 em 1 hora – não colocar O2 · Salbutamol – 4 puffs com espaçador de 20 em 20 minutos na primeira hora · Terbutalina 1 amp SC - controverso · Manter os de longa duração que o paciente fazia uso · Corticoide: · Fazer para quase todos – só não fazer nos pacientes com melhora completa e rápida após broncodilatador inicial · Opções: · Prednisona 40 mg 1x ao dia por 5 dias · Metilprednisolona (40 mg/1 ml) – 0,5 mg/kg (20 a 60 mg) EV 24/24h por 5 dias · Oxigenioterapia: · Alvo: saturação de O2 entre 88 a 92% (PaO2 entre 60 e 70 mmHg) · Indicações de VNI (modo BIPAP – IPAP 8 cmH2O e CPAP 3 cmH2O): · Acidose respiratória (pCO2 > 45 mmHg ou pH < 7,35) · Dispneia grave (aumento da FR, uso de musculatura acessória, respiração paradoxal) · Hipoxemia persistente a despeito de oxigênio suplementar · Indicações de VM invasiva: · PCR ou instabilidade hemodinâmica · RNC · Dispneia grave com uso de musculatura acessória e movimento abdominal paradoxal · FR > 35 irpm · Acidose grave (pH < 7,25) e hipercapnia (pCO2 > 60 mmHg) · Hipoxemia grave (PaO2 < 40 mmHg; P/F < 200) · Ausência de resposta a VNI · Complicações graves associadas: sepse e TEP Parâmetros iniciais: VCV; VC 6 a 8 ml/kg; FR 10 a 12/min; Relação I:E inferior a 1:3 (1:4 ou 1:5); PEEP (5 cmH2O) próxima do autoPEEP · Antibiótico: · Indicações: 2 sintomas cardinais sendo um o escarro purulento e/ou necessidade de suporte ventilatório (invasivo ou não) · O que cobrir? Haemophilus influenzae, Streptococcus pneumoniae, Moraxella catarrhalis, Pseudomonas aeruginosa ALTA HOSPITALAR · Critérios de alta hospitalar: · Capacidade de realizar inalação com intervalo igual ou maior do que 4/4h · Capacidade de andar, comer e dormir sem dispneia significativa · Estabilidade clínica por no mínimo 12 a 24 horas (sintomas e oximetria) · Comorbidades, se presentes, estáveis e controladas · Compreensão da prescrição e capacidade de segui-la · Suporte social e familiar adequados · Cessar tabagismo · Vacinação para Pneumococo e Influenza · Retorno ambulatorial em até 1 mês · Checar técnicas das medicações · Verificar se tem indicação de O2 domiciliar – PaO2 < 55 mmHg ou Sat.O2 < 88% ou PaO2 56 – 59 mmHg + policiteia (Ht > 55%) ou cor pulmonale · Prescrição: · Prednisona 40 mg 1x ao dia por 5 dias · Salbutamol spray 100 mcg 2 jatos de 4/4 horas por 5 dias · Iniciar um LABA ou LAMA – se já fazia uso adicionar um segundo · Formoterol + Budesonida (Alenia) – 6 mcg/100 ou 200 mcg – 2 inalações 1 a 2 x ao dia · Brometo de Ipratrópio (Spiriva) – 2,5 mcg/dose – 2 jatos de 24/24h