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Ultrassonografia Point-of-Care

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Ultrassonografia
Point-of-Care
(POCUS):
fundamentos e
aplicações clínicas 
E-BOOK
Introdução: definição, aspectos 
históricos e cenário atual ..................................................... 3. . . . . . . . . . . . . 
Aspectos gerais da ultrassonografia .................................... 5
Principais usos ..................................................................... 7
Avaliação de dispneia aguda .............................................. 7
Choque ................................................................................11 
Trombose venosa profunda ............................................. 14
Procedimentos guiados por ultrassonografia ................ 15
Referências ..................................................................... 18
índice
3ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE (POCUS): 
FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES CLÍNICAS 
Chama-se de Point-of-Care Ultrasound (POCUS) o uso da ecografia como complemento e expansão 
da avaliação médica usual. Em sua definição, prevê-se que a aquisição, interpretação e integração 
com a decisão clínica sejam imediatas, realizadas pelo médico diretamente envolvido no cuidado 
do paciente (e não por radiologistas) e, preferencialmente, através de protocolos preestabelecidos, 
de rápida aplicação e com perguntas focadas e binárias (por exemplo, há ou não há derrame 
pericárdico).
 
Frequentemente, é dito que o transdutor de ultrassom deve ser considerado o novo estetoscópio. Em 
português, também é chamado de ultrassonografia à beira do leito, mas pelo seu uso disseminado, 
daremos preferência aos termos em inglês. Neste e-book, apresentaremos conceitos gerais sobre 
POCUS e discutiremos os principais usos na clínica médica e em ambientes críticos.
 
Do ponto de vista histórico, o primeiro uso clínico da ultrassonografia ocorreu na Áustria durante a 
Segunda Guerra Mundial. A partir daí até os anos 1980, a expansão de seu uso ocorreu pelas mãos 
de radiologistas, ecocardiografistas e obstetras. 
Nos anos 1980 e 1990, emergencistas passaram a utilizar o ultrassom para avaliação de trauma, 
enquanto intensivistas o utilizavam para avaliação pulmonar. Desde então, a expansão foi bastante 
rápida para diversas especialidades, da terapia intensiva à atenção primária. Nos anos 2000, os 
avanços na redução do tamanho e custo dos equipamentos e o aumento da mobilidade levaram 
a ultrassonografia para mais hospitais, bem como para os currículos das faculdades e programas 
de residência fora da radiologia.
INTRODUÇÃO:
DEFINIÇÃO, ASPECTOS HISTÓRICOS 
E CENÁRIO ATUAL
4ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE (POCUS): 
FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES CLÍNICAS 
 
Atualmente, seus usos são extremamente variados, passando por avaliação de trauma, orientação 
de procedimentos, avaliação de bem-estar fetal e até mesmo investigação da atividade de artrite 
reumatoide. Hoje, o recurso é utilizado mesmo em contextos de limitação extrema de recursos, 
com relatos bastante promissores de uso no interior da África. O fato de ser um método seguro, 
livre de radiação e com curva de aprendizado relativamente curta favorece essa expansão.
 
Do ponto de vista da educação, seu ensino tem sido estimulado em programas de residência 
médica e na graduação em Medicina. Nos Estados Unidos, o ultrassom faz parte das competências 
centrais da graduação. Apesar disso, uma das principais limitações para seu uso é a necessidade 
de treinamento, supervisão e atualização nesta habilidade.
 
Poucas escolas médicas norte-americanas fornecem treinamento estruturado em POCUS. É 
justamente neste ponto que também surgem as preocupações com segurança: sociedades de 
especialistas consideram o uso de ultrassom sem treinamento adequado um risco potencial para 
pacientes em atendimento em emergências.
 
Felizmente, os estudos de educação médica mostram que diversas aplicações podem ser 
adquiridas de forma relativamente rápida e, até o momento, nenhum estudo empírico comprovou 
aumento de risco com esta ferramenta. 
5ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE (POCUS): 
FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES CLÍNICAS 
ASPECTOS GERAIS DA ULTRASSONOGRAFIA
O funcionamento do ultrassom baseia-se nas propriedades de um material piezoelétrico. Esse 
material tem a capacidade de gerar ondas sonoras ao ser estimulado eletricamente e, de 
forma complementar, consegue transformar ondas sonoras em estímulo elétrico. A partir desta 
propriedade, é possível insonar (“jogar ondas sonoras”) uma estrutura anatômica e recebê-las de 
volta (o “eco” do órgão), convertendo-as em estímulos elétricos e, dessa forma, construindo uma 
imagem da estrutura insonada. 
Quanto maior a frequência da onda sonora utilizada, melhor a imagem reconstruída, porém às 
custas de menor penetração nos tecidos. Ao longo dos anos, diferentes transdutores foram sendo 
desenvolvidos, com diferentes formatos e frequências. 
Os aparelhos de ultrassom utilizados no contexto de POCUS possuem comumente três transdutores:
• Linear: de maior frequência, oferece melhor qualidade de imagem, porém menos profundidade. 
É recomendado para estudo vascular e de estruturas superficiais, como a pleura, vasos próximos 
à superfície e o tecido subcutâneo.
• Curvilíneo: de menor frequência, é capaz de atingir estruturas mais profundas (à custa de 
menor definição de imagem). Seus usos preferenciais são para exame de abdômen e pulmão.
• Fásico (ou setorial): de frequência semelhante ao curvilíneo, mas com menor superfície e 
(usualmente) com emissão sequencial (milissegundos de atraso) dos sons por cada um dos 
cristais piezoelétricos de que é composto. Assim, ele gera uma imagem curva como o transdutor 
curvilíneo, mas permite visualizar estruturas em movimento com maior definição, propriedades 
que são úteis para avaliação cardiológica.
 
Além dos diferentes transdutores, pode-se utilizá-los com modos de operação diferentes. O 
principal modo de utilização é o modo de duas dimensões (ou bidimensional). É com ele que se 
realiza a maior parte das avaliações. Ele também é chamado de modo brilho (brightness) porque 
estruturas com características diferentes têm brilho na tela (ecogenicidade) diferentes. 
Estruturas líquidas são anecoicas e aparecem em preto na imagem; demais estruturas aparecem 
em escala de cinza e são comparadas entre si (hipo, iso e hiperecoicas). Já o modo M vem de 
motion (movimento, em inglês). Neste modo, a partir de uma imagem bidimensional, um cristal 
apenas é ativado e sua imagem é registrada no tempo. Ou seja, perde-se a largura, mas ganha-
se o tempo como outra dimensão. Costuma ser usado para avaliação de câmaras cardíacas e 
movimento pleural. 
6ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE (POCUS): 
FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES CLÍNICAS 
Por fim, o terceiro modo é o doppler, que se beneficia do efeito doppler que as ondas sonoras têm. 
Em resumo, estruturas se aproximando do transdutor parecem ter maior frequência, enquanto 
estruturas se afastando do transdutor parecem ter menor frequência. A partir dessa propriedade 
e de diferentes formas de investigação do efeito doppler, é possível estimar direção e velocidade 
de tecidos (principalmente sangue). De forma esperada, o principal uso do modo doppler é para 
avaliação de estruturas vasculares como vasos, vascularização de órgãos sólidos e os fluxos 
dentro do coração.
 
Como já vimos, o uso do ultrassom é considerado bastante seguro, especialmente por não 
utilizar radiação ionizante. Apesar disso, existem algumas preocupações. Talvez a principal seja 
relacionada com treinamento inadequado e resultados falsos negativos e positivos relacionados 
a isso. Um apontamento interessante é que, apesar de preocupação com processos judiciais por 
erros médicos por mau uso, dados americanos mostram que não existem ações judiciais de má 
prática por erros de interpretação de ultrassom pulmonar, mas sim ações por negligência por não 
ter sido usado. Também há preocupação com transmissão de germes, especialmente no ambiente 
hospitalar, pelo equipamento; ou seja, deve-se ter um cuidado elevadocom a higienização entre 
um paciente e outro e as recomendações de prevenção de infecção das instituições. 
7ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE (POCUS): 
FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES CLÍNICAS 
PRINCIPAIS USOS
Avaliação de dispneia aguda
Diversas características do POCUS são extremamente úteis na avaliação da dispneia aguda (e, 
por extensão, qualquer quadro ameaçador à vida). A rapidez com que se obtêm as informações, 
a ampla disponibilidade (pelo menos nos hospitais maiores), o baixo custo e a possibilidade de 
monitoramento e revisão frequente fazem da ultrassonografia uma ferramenta valiosa para o 
cuidado de pessoas agudamente doentes.
 
O principal recurso para avaliação de dispneia é a ultrassonografia pulmonar, que tem sensibilidades 
e especificidades consistentemente acima de 80% para diversas doenças torácicas. Supera 
sensivelmente a radiografia de tórax na avaliação de derrame pleural, pneumonia, pneumotórax e 
edema pulmonar, atingindo sensibilidades e especificidades de 90% ou mais. 
Apesar dessa boa acurácia, curativos, extremos de peso e enfisema subcutâneo são desafios 
para aquisição de imagens pulmonares. Além disso, toda a aquisição de imagens se concentra 
na interface pleuropulmonar; ou seja, doenças mais centrais no pulmão, que não tocam a 
pleura, não podem ser visualizadas (por exemplo, aproximadamente 10% das pneumonias não 
são justapleurais). Complementando-se a avaliação com investigação de trombose venosa 
profunda nos membros inferiores, pode-se contemplar também pacientes com maior risco de 
tromboembolismo pulmonar.
 
Examina-se o pulmão com o transdutor na posição longitudinal, colocando o centro do feixe entre 
dois arcos costais (Figura 1), avaliando-se 4 a 6 campos em cada hemitórax (ântero-superior e 
inferior; látero-superior e inferior; póstero-superior e inferior). Pode-se usar praticamente qualquer 
transdutor, mas prefere-se um com baixa frequência para se atingir uma profundidade de ~15 cm 
para aquisição das imagens. 
Assim, o mais comum é o uso do transdutor convexo. Ganho, foco e profundidade devem ser 
ajustados. Por exemplo, o ganho não deve ser excessivo, mas deve permitir enxergar a linha pleural 
como uma estrutura hiperecoica, bem como as eventuais linhas B que surjam na profundidade. O 
feixe deve ser mantido em 90° (perpendicular) em relação à linha pleural.
8ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE (POCUS): 
FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES CLÍNICAS 
Figura 1. Representação esquemática da aquisição e formação das imagens do ultrassom pulmonar. Extraído de (4).
Assim como acontece na ausculta pulmonar, onde crepitações podem indicar tanto pneumonia 
quanto congestão pulmonar, o mesmo acontece no POCUS. Linhas B, consolidações e ausência 
de deslizamento pleural não são patognomônicos de doença, mas devem ser entendidos em 
conjunto, levando-se em conta a distribuição, os achados associados e, claro, o quadro clínico. 
O padrão normal do pulmão é a presença de linhas A com deslizamento pleural, mas uma ou duas 
linhas B em um campo são achados considerados normais e não indicam processo patológico. 
Diferentes diretrizes e grupos de especialistas têm proposto nomenclaturas diferentes; os achados 
mais comuns em cada situação clínica estão apresentados no Quadro 1.
9ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE (POCUS): 
FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES CLÍNICAS 
Na Figura 2, apresentamos a proposta de abordagem diagnóstica mais frequentemente utilizada 
em pacientes com dispneia aguda.
Quadro 1. Resumo das principais doenças pulmonares e seus achados ultrassonográficos. Adaptado de (4, 5, 6).
DOENÇA/SITUAÇÃO CLÍNICA ACHADOS
Pulmão normal
Pneumonia intersticial 
(viral [Covid-19], tóxica, 
autoimune, idiopática)
Edema pulmonar
Derrame pleural
Pneumotórax
Tromboembolismo 
pulmonar
Asma e doença pulmonar 
obstrutiva crônica
Pneumonia “típica”
Deslizamento pleural visível, com linha pleural fina e linhas A. 
Uma ou duas linhas B podem ser variação do normal.
As principais manifestações são regiões B com assimetria de 
distribuição, acompanhada de irregularidade pleural e consolidações 
subpleurais. Outras áreas dos pulmões são preservadas, sem 
alterações. Tipicamente, não há derrame pleural.
Regiões B, simétricas, bilateralmente, mais marcadas em áreas 
dependentes (campos inferiores), eventualmente com derrame 
pleural associado.
Identificado como líquido dentro da cavidade torácica. Mais 
comum nas áreas dependentes. Pode ou não ter septações. O sinal 
da cortina (pulmão “apagando” o diafragma nas regiões látero-
inferiores na inspiração) descarta a presença de derrame pleural.
A presença de deslizamento pleural, linhas B e pulso pulmonar des-
carta a presença de pneumotórax na região sendo examinada. Usu-
almente, presta-se especial atenção às regiões mais superiores do 
tórax. O ponto pulmonar é o único achado que confirma o diagnós-
tico de pneumotórax. 
Diversas manifestações são possíveis, mas a principal 
consideração é em pacientes com pulmão sem alterações e 
dispneia, especialmente se há fatores de risco. Outros achados 
são possíveis, como consolidações em cunha e consolidações 
subpleurais – achados de infarto pulmonar. 
A obstrução pode ser identificada pelo movimento diafragmático, 
mas tipicamente o parênquima pulmonar está sem alterações. 
Pode se manifestar de diversas formas. Pneumonias lobares extensas 
formam consolidação com broncograma aéreo estático e dinâmico. 
Pneumonias em fase inicial ou após início do tratamento podem se 
manifestar de forma mais heterogênea, com irregularidades pleurais, 
consolidações subpleurais e linhas B confluentes (e com assimetria entre 
os pulmões). 
10ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE (POCUS): 
FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES CLÍNICAS 
Figura 2. Abordagem diagnóstica com uso de ultrassom pulmonar de pacientes com dispneia aguda. Adaptado de (5). 
*Deve-se considerar a posição do paciente; pacientes em decúbito dorsal em 30° são os campos ântero-superiores. 
**Covid-19: coronavírus disease 2019; SARA: síndrome da angústia respiratória aguda; TEP: tromboembolismo 
pulmonar.
Paciente adulto com dispneia aguda
Avaliação de pneumotórax: há deslizamento
pleural, linhas B ou pulso pulmonar nas
regiões mais elevadas* do tórax
bilateralmente?
Qual o padrão ultrassonográfico
predomintante no pulmão?
Caracterizar acometimento Hepatização/volume
pulmonar preservado,
broncograma aéreo
dinâmico, shred sign?
Considerar pneumotórax,
buscar ponto pulmonar e
investigar e manejar de
acordo
Probabilidade de TEP
moderada a alta
Investigar. Considerar
avaliação de trombose
venosa em veias nos
membros inferiores.
Campos B bilateralmente,
simétricas e com linha
pleural lisa, em regiões
dependentes e/ou derrame
pleural bilateral: edema
pulmonar
Investigar a etiologia
e manejar de acordo
Diferenciar
pneumonia de
atelectasia
Provável
pneumoniaCampos B unilateralmente
com pleura irregular com
ou sem consolidações
subpleurais: pneumonia
inicial ou atípica
Campos B bilateralmente
de distribuição irregular,
pleura irregular: SARA,
COVID-19
Probabilidade de TEP
baixa
Possibilidades:
broncoespasmo,
hipoventilação, pneumonia
central (sem contato com
a pleura) ou em estágio
inicial.
Não
Sim
Linhas A Linhas B Consolidação
Sim Não
Derrame
pleural
11ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE (POCUS): 
FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES CLÍNICAS 
Choque
Um dos principais desafios no atendimento a pacientes com choque hemodinâmico é a identificação 
do mecanismo do choque. Enquanto o choque distributivo é a causa mais comum (usualmente 
por sepse), os choques cardiogênico e hipovolêmico perfazem aproximadamente 30% dos casos 
e devem sempre ser considerados. 
Considerando que a ultrassonografia permite a avaliação direta de vários sistemas de forma 
rápida, ela pode ser utilizada para inferir o mecanismo do choque. Existem alguns protocolos para 
identificação da etiologia do choque não diferenciado; de uma forma ou de outra, eles avaliam a 
situação cardíaca, pulmonar e sinais de derrames cavitários.
 
Apresentaremos aquio protocolo Rapid Ultrasound in Shock (RUSH), por ser o mais frequentemente 
citado e estar apresentado esquematicamente na Figura 3. Esta abordagem é estruturada para 
avaliar 3 componentes de forma sequencial: bomba (coração), tanque (cavidades e veia cava 
inferior) e canos (aorta e avaliação de trombose venosa profunda de membros inferiores). Ele 
parece ter uma elevada concordância com o diagnóstico final da etiologia do choque, com melhor 
acurácia para identificação do que o choque distributivo e misto.
12ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE (POCUS): 
FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES CLÍNICAS 
Figura 3. Resumo esquemático do protocolo Rapid Ultrasound in Shock (RUSH). Adaptado de (8). 
BOMBA 
(coração)
TANQUE 
(veia cava inferior, veia jugular interna, 
pulmão e cavidades pleural e peritoneal)
CANOS 
(aorta, e veias femorais e poplíteas)
A) Visão paraesternal,
eixos longo e curto
B) Visão subxifoide
C) Visão apical
A) Veia cava inferior,
eixo longo
B) Quadrante superior
direito e espaço pleural
C) Quadrante superior
esquerdo e espaço
pleural
D) Pelve
E) Pneumotórax,
edema pulmonar
A) Aorta supraesternal
B) Aorta paraesternal
C) Aorta epigástrica
D) Aorta supraumbilical
E) Trombose femoral
F) Trombose poplítea
O exame é realizado de forma sequencial e foi descrito utilizando o transdutor fásico para avaliação 
tóraco-abdominal e o linear para avaliação de trombose profunda.
• Bomba: realiza-se ecocardiografia focada em busca de achados de disfunção ventricular 
esquerda, derrame pericárdico e sinais de sobrecarga do ventrículo direito. Avaliam-se 4 visões 
do coração: subxifoide, paraesternal longa e curta e apical.
• Tanque: busca-se avaliar o estado volêmico intravascular. Avalia-se a veia cava inferior, 
acrescentando-se eventualmente avaliação da jugular, além de avaliar pulmão e cavidade 
abdominal. Com a avaliação da cava e jugular, estima-se a pressão venosa central; no abdômen, 
buscam-se sinais de líquido livre (presumivelmente sangramento), e no tórax, buscam-se sinais 
de derrame pleural e sinais de congestão pulmonar, pneumotórax ou pneumonia.
• Canos: observam-se artérias (primeiro) e veias em busca de rupturas ou tromboses. 
Inicialmente, avalia-se a aorta abdominal para sinais de ruptura ou aneurisma e, após, veias 
periféricas para sinais de trombose venosa profunda.
13ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE (POCUS): 
FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES CLÍNICAS 
A interpretação dos achados do RUSH está resumida no Quadro 2.
Quadro 2. Interpretação do protocolo Rapid Ultrasound in Shock (RUSH). Adaptado de (8).
*SIRS: síndrome da resposta inflamatória sistêmica; VCI: veia cava inferior.
TIPO DE 
CHOQUE HIPOVOLÊMICO CARDIOGÊNICO OBSTRUTIVO DISTRIBUTIVO
Bomba
Canos
Tanque
Causas 
comuns
Coração hiperdinâmico
Câmaras cardíacas 
pequenas
Aneurisma abdominal
Dissecção de aorta
VCI colapsável
Líquido livre 
pleural e peritoneal 
(extravasamento)
Hemorragia grave,
perda gastrointestinal, 
perda renal, 
extravasamento para o 
terceiro espaço
Coração hipocontrátil
Câmaras cardíacas 
dilatadas
Normal
VCI dilatada
Infiltração intersticial 
pulmonar (congestão)
Líquido livre pleural e 
peritoneal
Infarto agudo do 
miocárdio, exacerbação 
de cardiomiopatia
 arritmia, doença 
valvular
Coração hiperdinâmico
Derrame pericárdico
Tamponamento 
cardíaco
Trombo intracardíaco
Trombose venosa 
profunda
VCI dilatada
Deslizamento pleural 
ausente (pneumotórax)
Tromboembolismo 
pulmonar,
pneumotórax, 
tamponamento 
cardíaco, pericardite 
constritiva
Coração hiperdinâmico 
(sepse inicial)
Coração hipocontrátil 
(sepse tardia)
Normal
VCI colapsável ou de calibre 
normal (sepse inicial)
Líquido livre pleural e 
peritoneal (focos de sepse)
Sepse e SIRS, neurogênico, 
anafilático, vasoplegia, 
insuficiência hepática
14ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE (POCUS): 
FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES CLÍNICAS 
Trombose venosa profunda
A trombose venosa profunda é um evento comum em pacientes ambulatoriais e hospitalizados. 
Apesar de não causar diretamente morbidade ou mortalidade na maior parte dos casos, tromboses 
venosas profundas são a principal etiologia de tromboembolismo pulmonar. 
Existem escores clínicos para auxiliar na identificação de trombose profunda. Ainda assim, eles 
são imprecisos, e o fator mais relevante neles é a opinião do médico. Além disso, o exame clínico 
isolado não é suficiente para confirmar ou excluir o diagnóstico. Logo, a avaliação com ultrassom 
faz parte da investigação na maioria dos pacientes. Felizmente, a sensibilidade e a especificidade 
dos exames realizados à beira do leito ultrapassam os 95%.
 
Considerando os pontos acima, faz parte dos recursos dos médicos que realizam POCUS a 
avaliação das veias profundas dos membros inferiores. Trata-se de uma avaliação com curva de 
aprendizado relativamente curta, com vantagens adicionais de ter resultados mais rápidos e mais 
disponíveis do que a avaliação formal por radiologia consultiva. A técnica de avaliação envolve o 
uso de exame bidimensional nas regiões femoral e poplítea. Deve-se lembrar de avaliar também 
o segmento final da veia safena, pois, mesmo fazendo parte do sistema superficial, tromboses 
nessa região têm alto risco de progredir para o sistema profundo.
 
A avaliação do contexto de POCUS dispensa o uso de doppler e pode ser realizada em 2-3 pontos 
da veia femoral, próximo ao canal inguinal, e 1-2 na veia poplítea, na fossa poplítea. Utiliza-se 
o transdutor linear, pois ele tem melhor qualidade de imagem para estruturas superficiais e seu 
formato é mais adequado para avaliar a compressibilidade. Assim, atinge-se acurácia semelhante 
ao exame formal por radiologistas com tempo de execução mais curto e maior aplicabilidade. 
Os achados a serem observados são a compressibilidade da veia em seus diferentes níveis e a 
ecogenicidade de sua luz. Quando há perda da compressibilidade (principal critério) e material 
ecogênico, o diagnóstico de trombose venosa profunda pode ser realizado. O principal desafio 
desta avaliação é a diferenciação de linfonodos e cistos de Baker de trombose profunda; a 
principal forma é varrer e observar se ela se continua com o restante do vaso ou se é uma estrutura 
arredondada/ovoide. 
O aspecto do trombo e da veia pode dar dicas sobre a cronicidade do processo:
• Trombos agudos são hipoecogênicos, e as veias parecem mais distendidas.
• Com a organização e deposição de fibrina, o trombo se torna mais ecogênico.
• Após a recanalização, não se enxerga mais o trombo, mas há espessamento da parede da 
veia. Assim, ela pode perder a compressibilidade mesmo sem apresentar trombose aguda.
15ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE (POCUS): 
FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES CLÍNICAS 
Procedimentos guiados por ultrassonografia
A ultrassonografia é um exame que permite a observação das estruturas em tempo real, sendo 
muito útil para guiar a realização de procedimentos. Os principais usos incluem paracentese, 
toracocentese, acessos vasculares periféricos e centrais, além de punção lombar e punções 
articulares. 
De forma global, os estudos indicam redução na taxa de complicações. Curiosamente, a curva 
de aprendizado é mais rápida do que para procedimentos utilizando marcos anatômicos. Além 
dessas vantagens, para toracocenteses e acessos venosos profundos, o POCUS pode também 
identificar, de forma imediata, a presença de pneumotórax. Para isso, deve-se avaliar a presença 
de deslizamento pleural antes e depois da realização do procedimento.
 
Quanto à técnica, os procedimentos podem ser realizados com orientação estática (marcação) 
ou dinâmica. No primeiro tipo, usa-se a imagem ecográfica para identificar o melhor local, ângulo 
e profundidade da punção. Já nos procedimentos dinâmicos, utiliza-se o equipamento para o 
acompanhamento de todo o procedimento com a ultrassonografia, visualizando-se a agulha de 
punção em tempo real. Além disso, nos procedimentos com orientação dinâmica, pode-se usar a 
técnica “no plano” (longitudinal) ou “fora do plano” (transversal).Na abordagem longitudinal, têm-se a estrutura a ser puncionada (usualmente um vaso), o feixe 
do ultrassom e a agulha no mesmo plano. Como vantagem, essa técnica permite uma avaliação 
mais dinâmica e com maior certeza na avaliação da profundidade. Por outro lado, a orientação de 
lateralidade é comprometida e exige mais experiência. 
Já a abordagem transversal confere uma melhor visão da lateralidade e menor dificuldade 
para identificar a agulha, mas há risco de perda do acompanhamento da ponta da agulha 
e, assim, transfixar a estrutura de interesse. A Figura 4 apresenta esquematicamente essas 
diferentes abordagens.
16ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE (POCUS): 
FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES CLÍNICAS 
Cada procedimento tem recomendações técnicas específicas que fogem do escopo deste material 
para abordá-las. Ainda assim, o posicionamento adequado, a atenção às medidas de prevenção e 
a garantia de que o ângulo da punção siga o ângulo do feixe do ultrassom são recomendações que 
se aplicam a quase todos os procedimentos. 
Para o profissional que pretende realizá-los, deve-se buscar orientações específicas, bem como 
treinamento e supervisão. Apesar das inúmeras vantagens da realização de procedimentos 
guiados, na ausência de treinamento específico, o ultrassom gera uma falsa sensação de segurança 
e pode levar a punções arteriais e complicações devido a erros, especialmente relacionados à 
profundidade do vaso. 
Figura 4. Comparação das técnicas no plano e fora do plano para punção de vasos. Extraído de (4).
Visão no plano da agulha
(eixo longo do vaso)
Visão fora do plano da agulha 
(eixo curto do vaso)
A
B
Haste da
agulha
Artefato de 
reverberação
Agulha
na visão 
transversal
Ponta da
agulha
17ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE (POCUS): 
FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES CLÍNICAS 
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18ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE (POCUS): 
FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES CLÍNICAS 
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dynamed.com/evaluation/ultrasound-in-the-intensive-care-unit-icu 
REFERÊNCIAS
19ULTRASSONOGRAFIA POINT-OF-CARE (POCUS): 
FUNDAMENTOS E APLICAÇÕES CLÍNICAS

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