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NEGÓCIO JURÍDICO DEFEITUOSO Nosso código civil, cita os seguintes defeitos no negócio jurídico: coação, dolo, erro, estado de perigo e lesão. Estes vícios, especificamente, são chamados de vícios de consentimento. Afinal, há uma divergência do pretendido por uma das partes com a realidade. Conforme alude Francisco Amaral: "Defeitos do negócio jurídico são, pois, as imperfeições que nele podem surgir, decorrentes de anomalias na formação da vontade ou na sua declaração." FALANDO MAIS ESPECIFICAMENTE SOBRE O VÍCIO DA COAÇÃO: Segundo Carlos Roberto Gonçalves, coação é toda ameaça ou pressão injusta exercida sobre um indivíduo para forçá-lo, contra a sua vontade, a praticar um ato ou realizar um negócio. Os defeitos do negócio jurídico afetam diretamente a vontade do agente. Se a vontade esta limpa, sem nenhuma influencia, nenhuma coação, o negócio jurídico será feito de uma determinada forma, agora se minha vontade não estiver limpa, estiver sendo influenciada, coagida, esta viciada diretamente pela coação, por uma ameaça, obviamente o negocio jurídico será contraído de uma maneira que não me será vantajoso, que me será prejudicial. “Eu fui forcado a...” “me obrigaram a fazer isso...”, seja por uma ameaça a mim mesmo, seja a minha família ou aos meus bens. Orlando Gomes define coação como a ameaça que perturbe o processo de formação da vontade, que provoca o medo. O Art. 151 do código civil descreve a coação como sendo “um fundado temor de dano iminente a sua pessoa, família ou bens”. Claro que quando falamos de “infundado temor” pensamos logo na violência física, na agressão violenta contra nosso corpo físico, mas também se inclui a violência moral, a calunia, difamação, injuria. Inclusive, a coação moral é a única que constitui vício de vontade, pois na coação física não há vontade em si. A coação moral vicia à vontade na medida em que o coagido apenas realiza o negócio jurídico para não sofrer as consequências das ameaças. Caracterizado, dessa forma, por uma pressão psicológica. De acordo com a doutrinadora Maria Helena Diniz, a coação seria qualquer pressão física ou moral exercida sobre a pessoa, os bens ou a honra de um contratante para obrigá-lo ou induzi-lo a efetivar um negócio jurídico. Fazendo uma ligação direta com o Artigo 153 do código civil “Não se considera coação a ameaça do exercício normal de um direito, nem o simples temor reverencial”. Exemplo do exercício normal de um direito: “Joao, se não pagar aquilo que me deve, vou ajuizar uma ação contra você” NÃO É COACAO, É UM EXERCICIO NORMAL DE DIREITO”. Exemplo do temor reverencial: Se um pai diz a seu filho que se ele tirar mais notas baixas vai cortar sua mesada, NÃO É COACAO! É UM DIREITO DO PAI, E O FILHO DEVE REVERENCIA HÁ ELE. Outro exemplo que se encaixa: Um professor diz ao aluno que se ele não entregar o trabalho no prazo determinado, ele ficara com nota zero. NÃO É COACAO! ALEM DE ESTAR EXERCENDO SEU DIREITO, O ALUNO DEVE REVERENCIA AO PROFESSOR! Ao avaliar a coação também se interessa saber a idade da pessoa, o sexo, a condição social e de saúde dela. Exemplo: Coagir uma pessoa mias jovem que você, é diferente de coagir uma pessoa idosa. Coagir alguém que está em um leito de hospital, é diferente de coagir alguém forte e saudável Coagir um chefe é diferente de coagir um subordinado Coagir uma pessoa humilde de poucos recursos é diferente de coagir alguém poderoso, de muitos recursos financeiros. Essas diferenças estão descritas no Artigo 152 do código civil: “ No apreciar a coação, ter-se-ão em conta o sexo, a idade, a condição, a saúde, o temperamento do paciente e todas as demais circunstâncias que possam influir na gravidade dela.” Para concluir essa minha parte, este vício de consentimento (coação) apresenta também, alguns requisitos para coexistir, tais como: deve dizer respeito ao dano atual ou iminente, deve ser grave, injusta, apresentar-se como causa determinante do ato e por fim constituir ameaça de prejuízo à pessoa ou a bens da vítima ou a pessoas de sua família. O seguinte tema é abordado pelo Código Civil Brasileiro do artigo 151 ao artigo 155, todos citados.