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BASES NEUROPSICOLÓGICAS DO 
DESENVOLVIMENTO PSICOMOTOR
UNIDADE I
NEUROCIÊNCIA E A PSICOMOTRICIDADE
Elaboração
Rogério Gonçalves de Castro
Produção
Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................. 4
UNIDADE I
NEUROCIÊNCIA E A PSICOMOTRICIDADE ..................................................................................................................................7
CAPÍTULO 1
CONHECENDO A NEUROCIÊNCIA .......................................................................................................................................... 7
CAPÍTULO 2
A PSICOMOTRICIDADE E A SIGNIFICAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA ........................................................................ 12
CAPÍTULO 3
PSICOMOTRICIDADE INFANTIL ............................................................................................................................................ 15
REFERÊNCIAS ...............................................................................................................................................21
INTRODUÇÃO
É possível compreender que, para a neurociência, a aprendizagem consiste na obtenção 
de informações, no produto das mudanças de ordem funcional no Sistema Nervoso 
Central (SNC), das conexões estabelecidas entre os neurônios como consequência do 
uso do cérebro. Em outras palavras, a experiência representa o alicerce do aprendizado, 
uma vez que, a cada nova experiência, o cérebro humano apresenta diferentes respostas 
em comparação à experiência passada.
No processo de aprendizagem, a criança dispõe das suas estruturas física, psicológica e 
cognitiva, sendo necessário que exista uma integração dos aspectos emocionais, relacionais 
(ambiente social), neurológicos e ambientais. Qualquer outro fator que interfira de forma 
negativa em um dos anteriores impactará o processo de aprendizagem.
Nos tempos atuais, têm sido muito enfatizados os aspectos educacionais ligados à 
aprendizagem. Anteriormente um transmissor do conhecimento, o professor agora 
assume o papel de coautor do processo de aprendizagem dos seus alunos, uma vez que 
o conhecimento é construído e reconstruído de modo contínuo nessa interação.
A fim de que possamos aprender, precisamos ter a atenção e a memória como pré-requisitos, 
pois esses dois aspectos constituem processos fundamentais para a aprendizagem, uma 
vez que acontecem anteriormente ao processo de aprendizagem como um todo.
Pantano e Zorzi (2009) afirmam que o processo de aprendizagem envolve necessariamente 
compreensão, assimilação (memória), atribuição de significado e estabelecimento 
de relações entre o conteúdo a ser aprendido e os conteúdos a ele vinculados e já 
memorizados. Diante dessa visão cognitiva, a aprendizagem consiste num processamento 
que se obtém a partir de processos cognitivos que incluem sensação, percepção, atenção 
e memórias (operacional e de longo prazo).
Aprendizagem e memória constituem as habilidades de obtenção e manutenção das 
informações, ao passo que a aprendizagem precisa ocorre no momento exato em que se 
dá a obtenção de uma informação por meio das vias sensoriais, a partir da sua retenção 
e fixação na memória, função essa que é realizada pelo córtex cerebral.
Hoje em dia é possível dizer que a neurociência é uma área do conhecimento que advém 
de um conjunto de especialidades que se dedicam ao estudo do sistema nervoso, seja 
ele em estado normal, seja em estado patológico. 
Mesmo que não seja possível defini-la de forma precisa, certos conceitos e observações 
fazem-na mais compreensível. Eventualmente também nominada de psicobiologia 
5
INTRODUÇÃO
ou neurobiologia, é possível dividi-la de forma didática em outras estruturas, como 
neurociência: molecular, celular, de sistemas, comportamental, cognitiva e social (BEAR; 
CONNORS; PARADISO, 2002). 
Por outro lado, a psicomotricidade se define como a ciência que estuda o homem por meio dos 
movimentos do seu corpo e das suas relações externas e internas. Esse estudo está vinculado 
a três premissas fundamentais: o movimento, a capacidade intelectual e a afetividade.
Pode-se dizer que a psicomotricidade detém relações fortes com o processo de aprendizagem 
(OLIVEIRA, 2013 apud SILVA, 2013).
Maine de Brian, no século XIX, deu início aos estudos sobre a psicomotricidade. Naquele 
tempo, já se debatia a teoria de se colocar o movimento como um fator indispensável 
na estrutura do eu.
Ao aprofundamos nossos estudos por meio da literatura disponível sobre o tema, 
percebemos indícios de que Aristóteles (384-322 a.C.) já falava a respeito do dualismo 
corpo e alma ao sustentar que o homem seria feito a partir de uma determinada quantidade 
de matéria (corpo) moldada numa forma (alma) (OLIVEIRA, 2013 apud SILVA, 2013).
Desse modo, pode-se afirmar que uma boa estrutura da educação psicomotora seria a 
base fundamental para o processo de aprendizagem da criança. O desenvolvimento se 
dá de uma forma progressiva do todo para o específico. Usualmente, quando a criança se 
mostra com dificuldade no processo de aprendizagem, o principal motivo está relacionado 
com uma possível deficiência no desenvolvimento psicomotor. A partir da vivência de 
uma boa experiência nesse requisito, ela consegue feitos e realizações que impactam a 
sua vida emocional e intelectual (ROCHAEL, 2009 apud SILVA, 2013).
Ao longo do último século, estudos revelam (SOUZA, 2012; FONSECA, 2008; BERLZE, 
2007 apud SILVA, 2013) a relevância da evolução da aptidão física e do desenvolvimento 
psicomotor, dado que ambos estão interligados. Ao evoluirmos na aptidão física, em breve 
percebemos melhoria nas aptidões funcionais motoras (força, agilidade, flexibilidade, 
velocidade e potência aeróbica) da pessoa, portanto auxilia na execução de outras atividades.
A partir daí, é imperativo salientar que as atividades psicomotoras devem ter um papel 
de protagonismo na educação infantil, a fim de aprimorar o desenvolvimento motor, 
cognitivo e afetivo com intencionalidade. 
Objetivos
 » Apresentar a neurociência e suas correlações com a psicomotricidade.
 » Apresentar a psicomotrocidade infantil.
6
INTRODUÇÃO
 » Caracterizar a avaliação neuropsicológica e as funções cognitivas.
 » Caracterizar o desenvolvimento infantil considerando seus aspectos somáticos, 
afetivos, ambientais e sociais.
 » Discorrer sobre a avaliação e intervenção psicomotora.
 » Discorrer sobre a avaliação e intervenção das emoções e do comportamento.
 » Analisar a importância das novas tecnologias na educação e seu papel no âmbito 
das tecnologias assistivas.
7
UNIDADE INEUROCIÊNCIA E A PSICOMOTRICIDADE
CAPÍTULO 1
CONHECENDO A NEUROCIÊNCIA
Abordagem neuropsicológica de Luria
Ao abordarmos os estudos da neuropsicologia, é possível defini-la como uma área 
multidisciplinar que abrange a psicologia, a neurologia, a fonoaudiologia linguística, 
dentre outras. Oliveira (1997) explica que a neuropsicologia se propõe a estudar as 
relações existentes entre as funções psicológicas e sua base neurológica.
À luz dessas afirmações, indicaremos na sequência algumas definições a respeito da 
neuropsicologia que auxiliarão na compreensão da matéria em pauta. 
A visão mecanicista da setorização do cérebro sustenta a ideia de que as funções mentais 
são individualmente e totalmente controladas por uma determinada área cortical. 
De outro lado, a visão integral ou holística explica que tal fragmentação, ou divisão de 
funções cerebrais, não existiria, uma vez que a função mental deve ser compreendida 
como o resultado do funcionamento do córtex cerebral de uma forma global.
Influenciado pelos estudos de Pavlov e Vygotsky, Luria expõe uma revisão desses pontos 
de vista extremos e apresenta novas conceituações que se fazem bastante úteis no estudo 
da Afasiologia. 
O Dicionário Houaiss (2009) apresenta a seguintedefinição de Afasiologia: 
Afasiologia é o enfraquecimento ou perda do poder de captação, de 
manipulação e por vezes de expressão de palavras como símbolos de 
pensamentos, em virtude de lesões em alguns centros cerebrais e não 
devido a defeito no mecanismo auditivo ou fonador. (HOUAISS, 2009, s.p.)
Como colaborador de Vygotsky, Luria foi o pesquisador mais dedicado aos estudos das 
funções psicológicas vinculadas ao sistema nervoso central, tendo sido reconhecido, por 
essa razão, como um dos mais qualificados neuropsicólogos da sociedade atual. 
8
UNIDADE I | NEUROCIÊNCIA E A PSICOMOTRICIDADE
A partir daí, discorreremos sobre a organização cerebral das funções mentais superiores, 
conceituando-as como sistemas funcionais complexos que necessitam da cooperação 
de partes diferentes do cérebro.
Sob o título “Luria e sua Abordagem Neuropsicológica”, os estudos do trabalho de 
Leandra Teixeira Falcão (2012) permitem constatar que, na visão de Luria, o cérebro 
seria particionado em três grandes unidades funcionais, conforme segue:
 » unidade I – suas estruturas estão situadas no tronco cerebral (cujo componente 
importante é o sistema de ativação reticular – RAS) e nas superfícies mediais 
dos hemisférios cerebrais (cujo componente predominante consiste nas diversas 
estruturas do sistema límbico). Essa unidade é responsável por regular a estimulação; 
o estado de consciência; o tônus cortical ideal;
 » unidade II – consiste nos lóbulos parietal, temporal e occipital. É responsável por 
receber, analisar e armazenar as informações que chegam por meio dos inputs 
auditivo, visual e tátil-cinestésico;
 » unidade III – consiste nos lóbulos frontais. Responsável pela programação, regulação 
e verificação da ação, além de se caracterizar por conexões complexas com todo 
o córtex. 
Na sequência, a autora anota que Luria expõe um postulado básico indicando que, apesar 
de existir uma função específica para cada unidade, a cognição surge a partir da atividade 
de colaboração entre essas três unidades. Explica, ainda, outro postulado acerca do 
problema primário: afirma que qualquer lesão resultará num problema primário, que 
poderá ser observado de diferentes maneiras a depender da região afetada. Luria chama 
isso de efeito secundário ou sistêmico, ao passo que a natureza precisa do problema, ele 
denomina problema primário.
Na visão de Oliveira (1997), a percepção de ordem visual abrange o estado de consciência 
adequado (unidade I), a análise e síntese da informação obtida pelo sistema visual (unidade 
II), e os movimentos dos olhos pelas partes do objeto a ser percebido (unidade III).
Neurociência cognitiva
A neurociência cognitiva tem como preocupação fundamental e estrutural analisar e 
estudar fundamentalmente como os processos cognitivos são produzidos por meio da 
funcionalidade do cérebro dos seres humanos, garantindo assim a aprendizagem, a 
linguagem e o comportamento. 
9
NEUROCIÊNCIA E A PSICOMOTRICIDADE | UNIDADE I
Sendo assim, cabe salientar que a investigação a respeito do funcionamento cerebral, 
sob a ótica da neurociência cognitiva, apontou diversos avanços nos últimos vinte anos, 
oferecendo, por isso, as revelações das suas especificações: percepções auditivas na 
região temporal, percepções visuais na região occipital, percepções sensoriais e táteis, 
cinestésicas na região parietal, planejamento consciente do comportamento e programas 
de ação na região frontal, funcionalidade e dinamismo encefálico. 
Tais revelações acabam por demonstrar, no transcurso da contemporaneidade, que os 
estudos acerca das atividades da consciência humana no século XX se desenvolveram 
numa linha oposta à teoria idealista clássica, elaborada pelo físico e filósofo austríaco 
positivista Ernst Mach (1838-1916), que definia “a consciência como um estado interior 
primário do organismo, ou seja, nas estruturas encefálicas neuronais, sem as devidas 
influências do mundo externo”.
Luria, cujas ideias eram contrarias à teoria idealista clássica, assinala que as construções 
cognitivas, como as funções mentais superiores, são resultantes da “origem a novos 
sistemas funcionais que estão na base do comportamento, mais do que pelas propriedades 
internas dos neurônios” e é com “base na linguagem que se formam complexos processos 
de regulação” das próprias atitudes humanas. 
Sendo assim, é possível afirmar que a linguagem receptiva e expressiva em suas diversas 
modalidades (fala, gesto, escrita, leitura e outras) são atividades conscientes e interacionais 
com o meio, impactadas gradualmente por meio de um intrincado processo histórico 
social e cultural.
Conhecendo um pouco sobre historicidade 
da neurociência cognitiva
A neurociência cognitiva consiste numa subdivisão da neurociência, que trata dos 
processos cognitivos complexos, a exemplo das funções mentais superiores que dizem 
respeito ao pensamento e às suas complexas relações com as estruturas da linguagem, 
à aprendizagem e às influências do mundo exterior, mediando o desenvolvimento 
sociocultural no processo histórico do indivíduo. 
Pereira Jr. (2010) afirma que esse conceito nasceu de questões epistemológicas da neurociência 
cognitiva, indicando dois principais paradigmas cognitivos opostos e excludentes, utilizados 
no século XX: combinatorial ou computacional e o de sistemas dinâmicos. 
Para o autor mencionado, o modelo computacional conceitua as funções cognitivas com 
base em mecanismos de processamento de informação e construção de representações 
mentais. O modelo dinamicista concebe os processos cognitivos em uma dimensão 
10
UNIDADE I | NEUROCIÊNCIA E A PSICOMOTRICIDADE
corpórea e interativa com o ambiente, enfocando as ações dos sistemas cognitivos em 
seus respectivos contextos, num processo de adaptação ativa.
Os estudos apresentados nos remetem à revisão das análises e apontamentos da psicologia 
soviética do início do século XX, tendo início com Vygotsky e posteriormente estudada 
a fundo por Luria (1992; 2006; 2010). 
Luria estudou à exaustão, mediante uma abordagem científica, as atividades da consciência 
humana, sem excluir dos seus estudos a relevância do mundo exterior, os mais variados 
estímulos que interferem, de forma conjunta, nos processos cognitivos.
É possível afirmar, então, que as funcionalidades reveladas durante o desenvolvimento 
humano estão de acordo com a descrição de Luria (2006 apud BASTOS; ALVES, 2013) 
a respeito da base cerebral da atividade consciente humana integrada por sistemas 
funcionais complexos e distintos entre si. 
Recorrendo à literatura, é possível observar avanços significativos na história da 
neurociência cognitiva, que está sendo ampliada desde o final do século XVII até meados 
do século passado, tempo em que os neurologistas e anatomistas estudavam as bases 
neurológicas a partir de autópsias e de estudos clínicos em pacientes com lesões cerebrais.
Ao final do século XVII, o neuroanatomista alemão Franz Joseph Gall sugeriu que certas 
funções mentais superiores ocupariam setores localizados em diferentes porções do 
cérebro (GOMES, 2009 apud BASTOS; ALVES, 2013). 
Já no início do século XX, Vygotsky definiu as ações conscientemente controladas 
como processos psicológicos superiores: a atenção voluntária, a memorização ativa e o 
pensamento abstrato.
Diante do exposto, e parafraseando Fonseca, podemos deduzir que as funções mentais 
superiores constituem processos cognitivos que abrangem: atenção, memória, gnosias 
ou percepções, pensamento, consciência, comportamento emocional, aprendizagem 
e linguagem, e refletem o modelo dinamicista mencionado anteriormente, em que as 
áreas cerebrais (auditiva, sensorial e tátil-cinestésica, visual, planejamento consciente do 
comportamento e programas de ação) se integram funcionalmente e são influenciadas 
ativamente pelo meio sociocultural mediante as relações sociais do homem. 
Podemos afirmar, ainda, que tais funções mentais superiores se fazem bastante importantes 
dentro doprocesso de aprendizagem, numa relação direta com a linguagem, mediando 
nossas funções psicocognitivas. 
Em face dessas novas metodologias e estudos, originam-se as mais novas, variadas e 
sofisticadas técnicas abordagem, com a adição de novas informações sobre as funções 
11
NEUROCIÊNCIA E A PSICOMOTRICIDADE | UNIDADE I
neurais vinculadas à linguagem (GOMES, 2009 apud BASTOS; ALVES, 2013), desse 
modo, relacionadas aos processos ou funções mentais superiores.
Acesse o endereço http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-
84862009000300002&lng=pt&nrm=iso e leia o artigo “Dislexia, cognição e aprendizagem: 
uma abordagem neuropsicológica das dificuldades de aprendizagem da leitura”, de 
Vitor da Fonseca, para aprofundar a aprendizagem.
12
CAPÍTULO 2
A PSICOMOTRICIDADE E A SIGNIFICAÇÃO 
NEUROPSICOLÓGICA
Por meio do Grupo de Atividades Especializadas e da Sociedade Brasileira de 
Psicomotricidade, o Instituto Superior de Psicomotricidade e Educação (ISPE) define 
a psicomotricidade e o emprego do termo como: 
Psicomotricidade é uma neurociência que transforma o pensamento 
em ato motor harmônico. É a sintonia fina que coordena e organiza 
as ações gerenciadas pelo cérebro e as manifesta em conhecimento 
e aprendizado. Psicomotricidade é a manifestação corporal do 
invisível de maneira visível. A ciência que tem como objeto de estudo 
o homem através do seu corpo em movimento e em relação ao seu 
mundo interno e externo, bem como suas possibilidades de perceber, 
atuar, agir com o outro, com os objetos e consigo mesmo. Está 
relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das 
aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. (SBP, 1999 apud LUSSAC, 
2008, p. 4) .
Psicomotricidade, portanto, é um termo empregado para uma concepção 
de movimento organizado e integrado, em função das experiências 
vividas pelo sujeito cuja ação é resultante de sua individualidade, sua 
linguagem e sua socialização (SBP, 2003 apud LUSSAC, 2008, p. 4).
Xavier (2004 apud Oliveira, 1997, p. 36) ensina que:
A psicomotricidade se propõe a permitir ao homem sentir-se bem na 
sua pele permitir que se assuma com realidade corporal, possibilitando 
a livre expressão de ser. Não se pretende aqui considerá-la como uma 
panaceia que vá resolver todos os problemas encontrados em sala de aula. 
Ela é apenas um meio para auxiliar a criança superar suas dificuldades 
e prevenir possíveis inadaptações.
Para Fonseca (1995), do ponto de vista da ciência, a psicomotricidade pode ser 
compreendida como o segmento transdisciplinar que investiga e estuda as relações e as 
influências que ocorrem diante do processo de reciprocidade e de situações sistêmicas, 
entre o psiquismo e o corpo e entre o psiquismo e a motricidade.
Assinala o autor, ainda, que a motricidade consiste no conjunto de expressões corporais, 
gestuais e motoras, não verbais e não simbólicas, de índole tônico-emocional, postural, 
somatognósica, ecognósica e práxica, que dão sustento e suporte às manifestações do 
psiquismo.
13
NEUROCIÊNCIA E A PSICOMOTRICIDADE | UNIDADE I
Segundo a teoria da psicomotricidade, o psiquismo é formado pelo funcionamento global 
da mente, ou seja, pelas emoções, percepções, sensações, projeções, representações e 
condutas sociais e relacionais do indivíduo. 
Fonseca (1995) assinala que, sob a ótica dessa concepção dinâmica, corporalizada e 
atuante do psiquismo, a totalidade dos processos cognitivos integram, processam, 
planificam, regulam e executam a motricidade, correspondendo a uma resposta 
adaptativa imbuída de intencionalidade e inteligência, o que é uma característica 
singular da espécie humana. 
Sob o prisma do sistema conceitual, o autor assevera que a psicomotricidade precisa 
ser estudada e investigada a partir de uma arquitetura composta por três elementos 
interligados mutuamente: o multicomponencial, o multiexperiencial e o multicontextual. 
Fonseca (1995) os definiu da seguinte maneira: 
 » multicomponencial: porque procura integrar de forma coerente e coibida os 
contributos e domínios das ciências biológicas, humanas e sociais, que abrangem 
secâncias transdisciplinares biopsicossociais que integram paradigmas da 
ecologia, da antropologia, da fenomenologia, da biossemiótica, da psicossomática, 
da psicologia, da psicofisiologia, da psicopatologia, da psicologia cognitiva, da 
psicanálise, da psicopedagogia, da neurociência, da neurologia, da neuropsiquiatria, 
da neuropsicologia, da neuropatologia, da defectologia, da cibernética e da 
epistemologia;
 » multiexperiencial: uma vez que procura estudar e pesquisar a implicação da 
psicomotricidade no processo do desenvolvimento e desdesenvolvimento humano, 
desde o recém-nascido ao sênior, desde o indivíduo inexperiente ao experiente, 
desde o indivíduo normal ao indivíduo portador de deficiências, dificuldades e ou 
desvantagens etc., englobando o espectro total da vinculação, da experiência e da 
vivência humanas;
 » multicontextual: na medida em que visa projetar o nível de aplicação do seu 
conhecimento, das suas capacidades e competências de intervenção profissional nos 
vários contextos em que se integra e observa a atividade humana, desde a família 
às creches, desde a educação pré-escolar à escola primária e secundária, desde o 
hospital aos centros de lazer e animação cultural e desportiva, desde os locais de 
trabalho aos lares de séniores, ou seja, o âmbito da inclusão total do indivíduo na 
comunidade em geral. 
Tem razão Fonseca (1995) ao anotar que a psicomotricidade leva em consideração 
não apenas o indivíduo, seja ele normal, seja portador de deficiência, em situação de 
14
UNIDADE I | NEUROCIÊNCIA E A PSICOMOTRICIDADE
desvantagem ou com alguma dificuldade, mas sim todo o conjunto psicossomático 
ou psicocorporal único, original e evolutivo, em que as funções da motricidade e da 
corporalidade são percebidas como não dissociáveis das funções afetivas, relacionais, 
linguísticas e cognitivas, posto que são perspectivadas como a ação, o agir, o gesto, a 
conduta, a expressão corporal, o comportamento, não se resumindo a simples movimentos, 
respostas finais ou motoras ou mesmo exercícios físicos. 
De toda maneira, a psicomotricidade também leva em conta os seguintes aspectos: o 
ecológico, o sócio-histórico e cultural em que está inserido o indivíduo, visando à criação 
de novos processos de facilitação e de interação com os mais diversificados ecossistemas 
inerentes a uma sociedade, ou, melhor dizendo, de uma comunidade que se encontra 
num processo de complexa e acelerada mudança. 
Em resumo, é possível afirmar que a psicomotricidade tem origem numa noção global 
e sistêmica do corpo e da motricidade, enxergando o ser humano como detentor de um 
complexo organismo constituído pelo corpo e pelo cérebro. 
Campos de atuação da psicomotricidade
É possível afirmar que, atualmente, há três campos de atuação na psicomotricidade: 
reeducação, terapia e educação.
A reeducação consiste no atendimento individual ou em pequenos grupos de crianças, 
adolescentes ou adultos que manifestem sintomas de natureza psicomotora. Tais sintomas 
usualmente vêm acompanhados de outros distúrbios mentais, neurológicos, psiquiátricos, 
orgânicos, afetivos e relacionais.
A terapia psicomotora é desenvolvida com crianças, adolescentes ou adultos, 
individualmente ou em pequenos grupos que manifestem grandes perturbações de 
natureza patológica.
A educação psicomotora se direciona à atuação no âmbito escolar, sobretudo nas áreas 
da educação infantil e no ensino fundamental. 
A psicomotricidade não se restringe a um único método, de uma “instituição de 
ensino” ou de uma “linha” de pensamento, nem tampouco pode ser descrita como 
uma técnica, um processo, mas almeja fins puramente educativos a partir da utilização 
do movimento humano (AJURIAGUERRA, apud FONSECA, 1988).
15
CAPÍTULO 3
PSICOMOTRICIDADE INFANTIL
Partindo de estudos bibliográficos, é possível afirmar que a psicomotricidade abrange 
toda açãoexecutada pela criança, constituindo-se como a integração entre o psiquismo 
e a motricidade. Almeja o desenvolvimento global, com foco nos aspectos afetivos, 
motores e cognitivos, induzindo o indivíduo a tomar consciência do seu próprio corpo, 
mediante a exploração do movimento.
Le Boulch (1985) explica que 75% do desenvolvimento psicomotor acontece na idade 
pré-escolar, destacando que o bom funcionamento dessa área auxiliará o processo de 
aprendizagem no futuro. 
Por essa linha, importa destacar a importância de o professor de educação física de 
crianças deter o necessário conhecimento de que as crianças atuam e se inserem no 
mundo que está ao seu redor por meio da execução de movimentos. 
Além disso, salientamos a fundamental importância de que o professor detenha 
conhecimentos acerca do desenvolvimento motor e das suas fases, mostrando-se apto 
tanto para a proposição como para a realização de atividades embasadas nas definições 
da psicomotricidade, a fim de garantir, dessa forma, em sua organização pedagógica, a 
inovação curricular a partir de novas propostas, com vistas a desenvolver projetos a partir 
dos quais as crianças tenham que utilizar o seu corpo como instrumento de exploração, 
criação, brincadeira, imaginação, sentimento e aprendizado.
Importa destacar que, ao apresentar um ambiente notoriamente favorável, oferecem-se à 
criança as condições para que ela retire o maior proveito possível das suas potencialidades 
inatas, ao passo que, num ambiente hostil, a manifestação dessas potencialidades básicas 
sofrerá limitações consideráveis (GESELL, 2003). 
Ao analisar o desenvolvimento infantil do ponto de vista histórico, é possível verificar 
que, anteriormente, as crianças experienciavam, de maneira espontânea, mediante 
as brincadeiras do dia a dia, atividades motoras bastante para que elas adquirissem 
habilidades motoras mais específicas, cabendo destacar que não existia separação entre 
o brincar, o aprender e o crescer.
Já a infância hoje está organizada de forma diferente dos tempos antigos, em que 
observamos várias mudanças na atualidade: a urbanização, a necessidade de segurança e o 
avanço tecnológico trouxeram consequências como a redução dos espaços e a diminuição 
da liberdade para que as crianças desenvolvam suas brincadeiras espontaneamente. 
16
UNIDADE I | NEUROCIÊNCIA E A PSICOMOTRICIDADE
Sendo assim, é neste lugar e momento de desenvolvimento infantil que o papel da 
escola ganha relevância, por ser essencialmente o local que mais contribui para o 
crescimento da criança, não detendo apenas o dever de proporcionar um futuro excelente 
de desenvolvimento motor, mas também auxiliando-as a se transformarem em indivíduos 
independentes, criativos e críticos.
A psicomotricidade e o desenvolvimento infantil
Percebemos a valorização do corpo humano desde os tempos antigos. Isso pode ser 
observado a partir da análise do pensamento da cultura grega e da exaltação do corpo 
humano em forma física esplêndida, conforme retratam, principalmente, as suas obras 
de arte e as esculturas até hoje conhecidas. 
Observamos que, por muito tempo, o ser humano foi entendido a partir de uma visão 
fragmentada, segregando o corpo da alma, de maneira que esse dualismo sempre foi 
matéria de estudo.
Ao longo dos anos, diversos pensamentos não acadêmicos buscaram descrever essa relação 
entre o corpo e a mente. Todavia, apenas a partir de certos pensamentos mais radicais 
do século XIX o termo “psicomotricidade” surgiu num discurso médico neurológico, 
objetivando a designação das zonas do córtex cerebral posicionadas além das regiões motoras.
Historicamente, a psicomotricidade se desenvolveu ao longo de um século de esforço 
de ação e de pensamento; o seu aspecto científico, na era da tecnologia da informação, 
vai auxiliar seguramente um maior desenvolvimento da descrição das relações mútuas 
e recíprocas da convivência do corpo com o psíquico. 
Essa intimidade filogenética e ontogenética constitui o triunfo evolutivo da espécie 
humana, um remoto passado de muitos milhões de anos de conquistas psicomotoras 
(FONSECA, 1988, p. 99). Vejamos: 
 » em 1909, Dupré, neuropsiquiatra, afirma a independência da debilidade motora, 
antecedente do sintoma psicomotor, como um possível correlato neurológico;
 » em 1925, Henry Wallon, médico psicólogo, estudava movimento humano dando-
lhe uma categoria fundante como instrumento na construção do psiquismo;
 » nos anos de 1935, Edouard Guilmain, neurologista, desenvolve um exame psicomotor 
para fins de diagnóstico, de indicação da terapêutica e de prognóstico; 
 » já em 1947, Julian de Ajuriaguerra, redefine o conceito de debilidade motora, 
considerando-a como uma síndrome com suas próprias particularidades.
17
NEUROCIÊNCIA E A PSICOMOTRICIDADE | UNIDADE I
Em face da redefinição de Ajuriaguerra, a psicomotricidade começa a ser compreendida 
como uma ciência que analisa o ser humano a partir dos seus movimentos, das suas 
realizações, dos aspectos motores, afetivos e de cognição, sendo esses um produto da 
relação do indivíduo com o seu meio social.
Segundo Gonçalves (2011), a psicomotricidade: 
Tem por objetivo a visualização do ser humano em sua totalidade, nunca 
separando o corpo (sinestésico), o sujeito (relacional) e a afetividade; 
sendo assim, ela busca, por meio da ação motora, estabelecer o equilíbrio 
desse ser, dando lhe possibilidades de encontrar seu espaço e de se 
identificar com o meio do qual faz parte. (GONÇALVES, 2011, p. 21)
Coste (1981) a define como a ciência encruzilhada, ao indicar o cruzamento e o encontro 
de múltiplos pontos de vista biológicos, psicanalíticos, linguísticos, sociológicos e 
psicológicos.
Etimologicamente, o termo “psicomotricidade” é formado por dois termos distintos: 
a palavra psyché, que significa “alma”, e a palavra latina motorius, que significa “que 
tem movimento”. 
Podemos observar por intermédio da literatura que muitos autores e estudiosos da 
psicomotricidade apresentaram as mais diversas definições a respeito dessa área e, para 
se alinhar a esses autores e buscando os melhores fins didáticos desse material de estudo, 
apresentamos a definição indicada pela Sociedade Brasileira de Psicomotricidade (SBP):
A Psicomotricidade é uma ciência que tem como objetivo o estudo do 
homem através do seu corpo em movimento em relação ao seu mundo 
interno e externo, bem como suas possibilidades de perceber, atuar, 
agir com o outro, com os objetos e consigo mesmo. Está relacionada 
ao processo de maturação, em que o corpo é a origem das aquisições 
cognitivas, afetivas e orgânicas. Psicomotricidade, portanto, é um termo 
empregado para uma concepção de movimento organizado e integrado, 
em função das experiências vividas pelo sujeito, cuja ação é resultante 
de sua individualidade e sua socialização.
A fim de melhor entender o conceito de psicomotricidade, apresentamos as definições 
de alguns outros autores, conforme segue: 
A Psicomotricidade se conceitua como ciência da Saúde e da Educação, 
pois indiferente das diversas escolas, psicológicas, condutistas, evolutistas, 
genéticas, etc. ela visa à representação e a expressão motora, através 
da utilização psíquica e mental do indivíduo. (AJURIAGUERRA apud 
ISPE-GAE, 2007) 
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UNIDADE I | NEUROCIÊNCIA E A PSICOMOTRICIDADE
Psicomotricidade é a ciência de síntese, que com a pluralidade de seus 
enfoques, procura elucidar os problemas, que afetam as inter-relações 
harmônicas, que constituem a unidade do ser humano e sua convivência 
com os demais. (COSTALLAT apud ISPE-GAE, 2007)
Psicomotricidade é a otimização corporal dos potenciais neuro, 
psicocognitivo funcionais, sujeitos as leis de desenvolvimento e maturação, 
manifestados pela dimensão simbólica corporal própria, original e especial 
do ser humano. (LOUREIRO apud ISPE-GAE, 2007)
Segundo Nicola, o conceito mais atualizado de psicomotricidade o descreve como uma 
ciência nova, apontando como o seu objeto de estudo o homem em suas relaçõescom o 
corpo em movimento, apresentando a sua aplicação prática em formas de atuação que 
constituem uma especialidade inovadora. A psicomotricidade consiste no estudo do 
homem na sua unidade pessoal (NICOLA, 2004, p. 5).
Nicola ainda traz conceitos e definições que levam à reflexão acerca da dualidade existente 
entre a psique e o corpo, como segue: 
Motricidade: por definição conceitual é a propriedade que têm certas 
células nervosas de determinar a contração muscular. Psico (grego 
Psyquê): vem representar a alma, espírito, intelecto. Psicomotricidade: 
condição de um estado de coisas corpo/mente. Visão global de um 
indivíduo, onde a base de atuação está no conhecimento desta fusão. 
(NICOLA, 2004, p. 5)
É possível afirmar, portanto, que a partir dessas contribuições novas, a psicomotricidade 
se distingue de outras disciplinas, assumindo a sua própria autonomia e especificidade.
Por meio dos estudos psicomotores, é possível salientar que as crianças descobrem o 
mundo exterior por meio do seu corpo, que lhes permite explorar situações diversas e 
experienciar as emoções e sensações. 
A criança descobre o mundo por meio do seu corpo, explora diferentes situações, 
experiencia e se expressa, observa e percebe o mundo ao seu redor, num processo que 
inclui, ainda, a interiorização das sensações, e, na medida em que a criança atravessa 
o seu desenvolvimento, ela vai amplificando as suas percepções e passando a controlar 
o seu próprio corpo.
Um fator fundamental para a criança explorar o mundo exterior é o movimento, razão 
porque essas experiências concretas a levam a construir as noções básicas que a irão 
conduzir a um pleno desenvolvimento intelectual. 
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NEUROCIÊNCIA E A PSICOMOTRICIDADE | UNIDADE I
A partir dos primeiros dias de vida da criança, já é possível perceber o seu contínuo 
desenvolvimento, sendo possível afirmar, ainda, que ela materializa as primeiras formas 
da linguagem. 
Dessa forma, ressaltamos a importância no desenvolvimento de atividades que favoreçam 
a estimulação do toque, a percepção do próprio corpo, tais como correr, pular, andar 
descalço, subir, descer, manipular objetos de tamanhos distintos, perceber as diferentes 
texturas, tudo isso a fim de permitir uma união entre a psique e o corpo.
É a partir da motricidade e da visão que a criança pode descobrir o mundo dos objetos, 
e é por meio da sua manipulação que ela passa a um processo de redescobrimento desse 
mesmo mundo. 
Amanda Cabral Goretti assim definiu os transtornos psicomotores: 
São distúrbios manifestados no corpo sem nenhuma relação com 
alterações neurológicas ou orgânicas aparentes. Nestes transtornos, o 
esquema e a imagem corporal bem como o tônus muscular aparecem 
comprometidos, impedindo que a criança tenha domínio de seu próprio 
corpo. Assim, ela apresentará dificuldades em todos os elementos 
psicomotores (GORETTI, 2009, p. 4).
Os principais transtornos apresentados pela autora são os seguintes:
 » instabilidade psicomotora – nesse transtorno, a criança não consegue começar e terminar 
a brincadeira e é assim com todas as suas produções corporais. Há uma dificuldade 
em inibir seus movimentos, provocando ações explosivas e agressivas. São crianças 
agitadas, ansiosas e inquietas, pois possuem grande necessidade em movimentar-se;
 » inibição psicomotora – nesse transtorno, a criança não usa seu corpo para relacionar-
se com o mundo ou com os outros. É o oposto da instabilidade, pois também há 
uma falta de limite, mas essa falta barra o agir da criança. Ela mostra-se então 
sempre cansada, demonstrando pouca expressão facial e corporal. Seu aspecto é 
de extrema fragilidade e debilidade e é nele que se reconhece e é reconhecida. São 
crianças “quietinhas demais”;
 » debilidade – é caracterizada pela presença de paratonias e sincinesias. A paratonia 
é a persistência de uma rigidez muscular caracterizada por uma inadequada 
incontinência das reações tônicas; 
 » dispraxia – dificuldade de associar movimentos para realizar uma tarefa. Há um 
transtorno espacial (dificuldade de lateralizar, de nomear objetos, espelhamento 
de letras, assimetria nos movimentos – todos estes aparecendo persistentemente).
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UNIDADE I | NEUROCIÊNCIA E A PSICOMOTRICIDADE
Estimulação psicomotora
Le Boulch (1985) afirma que o primeiro objeto que a criança percebe é o seu próprio 
corpo. É a partir de sensações, mobilizações e deslocamento que se desenvolve esse 
processo de conhecimento. 
Alves (2012) destaca a importância dos primeiros anos de vida no processo de 
desenvolvimento intelectual, do campo afetivo, das relações sociais na vida da criança, 
salientando ainda que esses aspectos irão determinar as suas capacidades no futuro.
O primeiro instrumento social de compreensão e expressão da criança é o gesto. A partir 
de simples ações como apontar, apanhar, evocar, passam a tomar o lugar do choro; a 
criança usa gestos para se expressar diante de ações e situações que ela ainda não é 
capaz de verbalizar, sendo essa uma importante forma de comunicação precedente ao 
vocabulário fonético. “Antes da linguagem, as ações motoras é que determinam as ações 
mentais” (GONÇALVES, 2011, p. 28).
Cabe destacar que a estimulação motora dá à criança a oportunidade de entrar em 
contato com o objeto, com o meio e consigo mesma, permitindo-a criar uma comunicação 
corporal relevante. 
O que distingue a estimulação motora de uma atividade motora é o seu propósito de 
provocar evolução do esquema corporal. É dizer, a criança ganha estímulo para organizar 
habilidades distintas, a partir das suas experiências pretéritas. 
Dessa maneira, a interação da criança com o mundo dos objetos deve ser facilitada 
sempre que possível, mediante a experiência concreta e o brincar, conduzindo, assim, 
a aprendizagem a algo mais do que um processo meramente cumulativo, tornando-a 
uma aprendizagem mais dentro de contexto, rica em significados.
Gonçalves (2011, p. 30) assinala que, na medida em que são apresentadas novas e 
diferentes maneiras para a execução do movimento anteriormente conhecido, a criança 
se percebe desconfortável e todo o seu sistema cerebral passa por uma ativação em busca 
de outra maneira de perceber, decodificar, planificar e realizar o movimento novo a 
partir das suas habilidades cognitivas, emocionais e do seu aparato motor. 
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	Introdução
	UNIDADE I
	Neurociência e a psicomotricidade
	Capítulo 1
	Conhecendo a neurociência
	Capítulo 2
	A psicomotricidade e a significação neuropsicológica
	Capítulo 3
	Psicomotricidade infantil
	Referências

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