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Síndrome Disfágia e Dispéptica 1 🥼 Síndrome Disfágia e Dispéptica Reviewed Type Aula Gravada Date Especialidade Cirurgia Geral Apostila Área Cirurgia Geral Acalasia Ausência de relaxamento do EEI + Dismotilidade esofágica associada (aperistalse) → estase esofágica. Síndrome disfágica crônica. Por contra da destruição dos plexos nervosos intramurais → plexos de Auerbach e Meissner. Pode ser primária ou idiopática → pode ser secundária a doença de Chagas (90% no Brasil), importante em pacientes de MG e Bahia, pacientes da área rural. Sem predileção por gênero ou etnia → acomete mais pacientes entre 30-50 anos. Fisiopatologia: ausência de propagação da onda peristáltica + ausência de relaxamentos do EEI → contrações intensas e progressivas → fibras musculares hipertróficas com espessamento muscular → substituição por tecido conjuntivo → estase alimentar → agressão a mucosa esofágica (chance de neoplasia). Clínica: disfagia progressiva (sólidos para líquidos); regurgitação; perda ponderal lenta (mas devemos considerar o diagnóstico diferencial de neoplasia); halitose. @May 25, 2023 Síndrome Disfágia e Dispéptica 2 Diagnóstico: EDA para descartar neoplasias → esofagografia contrastada (EED) mostrando dilatação esofágica, ondas terciárias (não peristálticas) e “bico de pássaro” → manometria (padrão ouro) mostrando aperistalse, ausência de relaxamento do EEI e tônus do EEI > 35 mmHg. Classificação de Rezende e Moreira: Grupo I: esôfago de calibre aparentemente normal ao exame radiológico, mas com trânsito lento com pequena retenção de contraste. Grupo II: esôfago de pequeno a moderado aumento de calibre. Apreciável retenção de contraste. Frequentes ondas terciárias associadas ou não a hipertonia do esôfago inferior. Grupo III: esôfago com grande aumento de calibre. Hipertonia do esôfago inferior. Atividade motora reduzida ou inaparente. Grande retenção do meio de contraste. Grupo IV: dolicomegaesôfago. Grande retenção, atônico, alongado, dobrando-se sobre a cúpula diafragmática. Classificação de Mascarenhas: Síndrome Disfágia e Dispéptica 3 Manejo: objetivo é a redução da pressão do EEI e permitir a passagem alimentar. Farmacológico: nitrato; BCC → pouco efetivo. Cirúrgico: preferencial → depende do grau de lesão. Graus I e II (até 7cm): terapia endoscópica ou toxina botulínica. Grau III (7-10 cm): cardiomiotomia à Heller + válvula antirrefluxo → POEM (endoscópico): secção da camada muscular própria, aproximação com clipe endoscópico. Grau IV (> 10 cm): esofagectomia com cirurgia de Serra-Dória: esofagogastroanastomose (entre esôfago distal e fundo gástrico; facilita o esvaziamento gástrico) + gastrectomia parcial + gastroenteroanastomose em Y de Roux (para prevenir refluxo biliar). DRGE Refluxo de conteúdo gástrico/duodenal para o esôfago. Relaxamento transitório do EEI (redução da pressão do EEI) → pode haver alterações diafragmáticas associadas. Fatores de Risco: obesidade, tabagismo, sedentarismo, gestação, hérnia de hiato (em especial, tipo I) → deita não casa DRGE, mas pode simular sintomas. Clínica: assintomático → pirose, regurgitação, gosto azedo na boca, pode ter dor torácica/retroesternal, rouquidão sem causa aparente, IVAS recorrente, tosse crônica e pigarro. Diagnóstico: clínico + melhora com tratamento. Não precisa de EDA para todos, apenas se houver sinais de alerta → anemia A/E, perda ponderal, idade avançada, pacientes que não melhoram com manejo clínico, > 40 anos → serve para avaliar possíveis complicações, como estenose péptica ou esôfago de Barrett. Biópsia na EDA: indicada se estenose péptica, suspeita de esôfago de Barrett e se úlceras. Impedâncio-pHmeteria de 24h: padrão ouro → apenas em casos obscuros e/ou candidatos a cirurgia, atípicos refratários e refratários com EDA normal. Manometria: não entra no diagnóstico, mas deve ser solicitada no pré- operatório de cirurgia antirrefluxo. Síndrome Disfágia e Dispéptica 4 Classificação de Los Angeles: classes C ou D confirmam o diagnóstico de DRGE. Classificação de Savary-Miller: Grau I: lesão única ou isolada. Grau II: múltiplas lesões. Grau III: erosões envolvendo quase toda circunferência do esôfago. Grau IV: lesões podendo ter úlceras, estenoses associadas. Grau V: epitélio colunar em continuidade → esôfago de Barrett. Tratamento: Medidas Comportamentais: perder peso, fracionar refeições, suspender tabagismo e etilismo, não deitar logo após comer, evitar ingesta de frituras, cafeína e refeições gordurosas, cabeceira da cama elevada. Farmacológica: IBP são primeira escolha → bloqueadores do receptor de H2 (ranitidina) são segunda escolha → antiácidos (sucralfato) aliviam sintomas → procinéticos associados a alívio de sintomas de gastroparesia (segunda linha) → alvo: melhora em até 8 semanas. Cirúrgico: indicado se sem resposta ao tratamento clínico, impossibilidade de pagar remédios, pacientes jovens, formas complicadas (estenose ou esofagite grave), hérnia de hiato > 2cm → refratariedade é a palavra chave → cirurgia é a fundoplicatura de Nissen. Síndrome Disfágia e Dispéptica 5 Esôfago de Barrett: ocorre devido agressão do conteúdo gástrico sobre o esôfago distal → metaplasia intestinal: epitélio escamoso (esofágico) se torna epitélio colunar com células caliciformes; epitélio assume cor de salmão (sinal de alteração) → precisa de biópsia para diagnóstico, pois tem risco de evolução para adenocarcinoma de esôfago (30x) → pode ser curto (< 3 cm) ou longo (> 3cm). Fatores de Risco: idade > 50 anos, brancos, associado à hérnia de hiato, obesidade, tabagismo, história familiar. Se sem displasia: IBP + EDA com biópsia a cada 3-5 anos. Síndrome Disfágia e Dispéptica 6 Se com displasia de baixo grau: repetir exame em 3-6 meses com ou sem radioablação. Se com displasia de alto grau: ressecção endoscópica → grandes lesões podem exigir esofagectomia. Estenose Péptica Estenose benigna de piloro ou bulbo duodenal. Causas: doença ulcerosa péptica; doença de Crohn; ingestão cáustica; tuberculose; pancreatite crônica. Tratamento: cessa atividade inflamatória da doença péptica; erradicação da H. pylori; dilatação com balão (múltiplas sessões) → alta recidiva. Espasmo Esofagiano Difuso Patologia incomum. Comprometimento da inibição ganglionar no esôfago distal → contrações simultâneas com velocidade de propagação variável. Pode ocorrer por anormalidade do EEI. Dor torácica intermitente e disfagia. Diagnóstico: manometria (contrações simultâneas intermitentes, com peristalse normal) → exame baritado (esôfago em saca-rolha ou conta de rosário). Síndrome Disfágia e Dispéptica 7 Tratamento Conservador: antidepressivos tricíclicos (reduz desconforto, mas não altera motilidade), dilatação pneumática, toxina botulínica. Tratamento Cirúrgico: miotomia (nem sempre traz alívio) → em casos de sintomas graves, indica-se esofagectomia. Hérnia de Hiato Frouxidão no hiato diafragmático ou da membrana frenoesofágica → herniação do conteúdo abdominal para o mediastino. Classificação: Tipo 1: deslizamento → JEG cranial (para dentro do mediastino). Tipo 2: rolamento → JEG em posição, fundo gástrico sobe. Tipo 3: mista → JEG e fundo gástrico sobem. Tipo 4: órgão não gástrico sobre junto. Clínica: assintomática → achado de exame em EDA de rotina → T1: pode ter DRGE → se paraesofágicas, pode ter saciedade precoce, náuseas e disfagia. Úlceras de Cameron: na hérnia de hiato, levando a anemia ferropriva. Tratamento: igual DRGE (se tiver) → T1 não necessitam de correção → paraesofágicas (T1, T2 e T3) devem ser corrigidas se sintomas → paraesofágicas (T4) deve ter cirurgia eletiva. Anéis e Membranas Doença benigna. Síndrome Disfágia e Dispéptica 8 Não costuma gerar sintomas → achado endoscópico. Finas e frágeis estruturas que comprometem parcial ou completamente a luz esofágica. Anéis: terço inferior do esôfago → acometem mucosa e submucosa (podem atingir muscular)→ tipo A (anéis musculares; raros; crianças; muda durante o peristaltismo por ser muscular; não causa disfagia e não precisam de tratamento) e tipo B (estruturas mucosas fixas na JEG que causa disfagia por serem fixos) → tratamento: dilatação endoscópica + IBP; se refratários, pode ser feito injeção de corticoide e esternotomias. Membranas: fina dobra de mucosa e submucosa que se projeta pelo lúmem → recoberta por epitélio escamoso → presente na síndrome de Plummer-Vinson: disfagia alta por membrana, em mulheres brancas com anemia ferropriva e atrofia da mucosa oral, além de fragilidade ungueal; pode evoluir para neoplasias (diferente dos anéis) → tratamento: dilatação endoscópica. Esofagite Eosinofílica Doença crônica imunomediada → infiltração mucosa de eosinófilos. Impactação alimentar, disfagia persistente, DRGE refratária. Pacientes jovem, < 40 anos, branco, sexo masculino, antecedentes de asma e atopia. Achados na EDA: traqueização do esôfago; anéis transversais; estrias longitudinais; mucosa em papel crepom; exsudatos e estenoses. Biópsia: mais de 15 eosinófilos por campo. Tratamento: dieta (eliminar ovos, leite, peixe, frutas secas, nozes, soja e trigo) → medicamentos: corticoide tópico (budesonida), IBP → dilatações endoscópicas se estenose. Divertículo de Zencker Doença de paciente idoso → também chamado de divertículo faringoesofágico. Síndrome Disfágia e Dispéptica 9 Falso Divertículo: prolapso da camada mucosa e submucosa → porção posterior da JEG (triângulo de Killian: músculo cricofaríngeo e fibras oblíquos do músculo faríngeo inferior). Clínica: massa palpável em região cervical; halitose; bola no pescoço; pode ter regurgitação e história de broncoaspiração de repetição. Exames: esofagografia contrastada. Tratamento: miotomia distal e proximal dos dois músculos → se maiores que 3 cm, fazer diverticulectomia ou diverticulopexia cirúrgico ou endoscópico. Doença Ulcerosa Péptica Erosões x Úlceras: maior que 5 mm de profundidade; expõem além da mucosa. Etiologia: H. pylori, AINEs, AAS, idiopáticas, síndrome de Zollinger-Ellison. Fatores de Risco: tabagismo, etilismo, estresse. H. Pylori: acomete metade da população → presente em 70% das úlceras gástricas e 90% das duodenais. Síndrome Disfágia e Dispéptica 10 Sequência de Pelayo Correa: H. pylori → gastrite superficial → gastrite atrófica → metaplasia intestinal → displasia → câncer gástrico. Indicações Absolutas de Tratamento: DUP; adenocarcinoma gástrico; linfoma MALT. Indicações Relativas: uso de AINES/AAS; adenocarcinoma gástrica familiar; PTI; anemia ferropriva; dispepsia crônica. Diagnóstico: sorologia (não confirma cura); teste respiratório (confirma cura; mas influenciada por IBP e ATB); teste da urease (requer EDA e sofre influência de IBP e ART; confirma cura); cultura (confirma cura; mas é caro e requer EDA). Tratamento: PyloriPac → claritromicina 500 mg e amoxicilina 1 g + IBP. Classificação de Johnson: Síndrome Disfágia e Dispéptica 11 Clínica: oligossintomáticas → epigastralgia (clocking) → gástrica dói quando come → duodenal dói no jejum → complicações causam os sintomas. Complicações: Hemorragia Digestiva Alta: sangra parede posterior do duodeno (artéria gastroduodenal) → abordagem inicial com estabilização clínica + descobrir causa (AP e EDA em 12h se instável ou 24h se estável) + IBP → classificação de Forrest. Perfuração: ocorre mais em parede anterior → cursa com dor abdominal com piora aguda + peritonite + hipotensão, taquicardia, taquipneia + sinal de Jobert → diagnóstico com radiografia + tomografia, mostrando pneumoperitôneo → tratamento cirúrgico com patch de omento (Graham Patch; < 2cm) ou gastrectomia (> 2cm; suspeita de malignidade). Estenose: úlcera pré-pilórica ou duodenal → estenose antropilórica → sintomas obstrutivos → diagnóstico: EDA + EED → tratamento: dilatação endoscópica por balão; se refratário pode fazer antrectomia + vagotomia troncular. Ingestão de Corpo Estranho Sinal da Bateria: duplo halo. 80% passam pelo TGI sem sintomas e são eliminados. 20% impactam no EES, nível do arco aórtico, hiato diafragmático, piloro Ângulo de Treitz, válvula íleo cecal. Se perfuração: sintomas variáveis. Orofaringe ou Esôfago Proximal: edema, rigidez, hiperemia cervical, enfisema subcutâneo e creptações. Esôfago Médio e Distal: dor retroesternal, taquipneia, taquicardia, cianose, febre. Estômago ou Intestino: dor abdominal difusa, DB+, febre, taquicardia. TODOS: cirurgia de urgência somente após exame de imagem. Radiopaco: iniciar com radiografia → tipo, tamanho, quantidade e local; avaliar complicações → se normal, pode ser objeto radiotransparente. Radiotransparente: tomografia. Síndrome Disfágia e Dispéptica 12 EDA: se suspeita de impactação alimentar; persistência de sintomas após radiografia normal; ou na remoção de emergência (preferencialmente em 2h; até 6h; obstrução esofágica, bateria no esôfago, objetos perfurantes no esôfago). Cuidado com a ingestão de mais de um imã.