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DIREITO PENAL IV – parte especial Professora Niully Campos INCOLUMIDADE PÚBLICA - evitar o perigo ou risco coletivo; TÍTULO VIII – DOS CRIMES CONTRA A INCOLUMIDADE PÚBLICA CAPÍTULO I – DOS CRIMES DE PERIGO COMUM PERIGO INDIVIDUAL COMUM PERIGO CONCRETO ABSTRATO QUALIFICADORA GENÉRICA Formas qualificadas de crime de perigo comum Art 258 - Se do crime doloso de perigo comum resulta lesão corporal de natureza grave, a pena privativa de liberdade é aumentada de metade, se resulta morte, é aplicada em dobro. No caso de culpa, se do fato resulta lesão corporal, a pena aumenta se de metade se resulta morte, aplica-se a pena cominada ao homicídio culposo, aumentada de um terço. APLICA-SE AOS ARTIGOS - 250 AO 257. Tecnicamente deveria ser causa de aumento. INCÊNDIO (ART. 250) Art. 250. Causar incêndio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem: Pena – reclusão, de três a seis anos, e multa. TIPO OBJETIVO – CAUSAR INCÊNDIO CAUSAR - provocar, dar origem, produzir INCÊNDIO - fogo intenso com poder de destruição ou de causar prejuízo; INCÊNDIO (ART. 250) OBJETO JURÍDICO – (o bem jurídico protegido) – Incolumidade pública, o sossego da coletividade; OBJETO MATERIAL – Substância ou objeto incendiado; ELEMENTO SUBJETIVO – Dolo de perigo (consciência e vontade de gerar perigo à vida, à integridade física ou ao patrimônio de outrem); SUJEITO ATIVO – qualquer pessoa (inclusive o proprietário do bem); SUJEITO PASSIVO – outrem - A COLETIVIDADE (crime vago); CONSUMAÇÃO – quando ocorre a situação de perigo comum – EXPOR A PERIGO – Exige laudo pericial para comprovar a ocorrência do perigo – artigo 173 do CPP - PERIGO CONCRETO INCÊNDIO (ART. 250) CLASSIFICAÇÃO – Crime comum; formal (não exige resultado naturalístico de dano efetivo. Ocorrendo, há o exaurimento do tipo); comissivo e excepcionalmente omissivo impróprio; instantâneo (a consumação não se prolonga); de perigo concreto e coletivo (tem que ser provado e atinge indeterminado número de pessoas); unissubjetivo ou unilateral ou de concurso eventual (pode ser cometido por um único sujeito); unissubsistente ou plurissubsistente (cometido com um ato ou vários atos fracionados); não transeunte (deixa vestígios); INCÊNDIO (ART. 250) § 1º As penas aumentam se de um terço: I se o crime é cometido com intuito de obter vantagem pecuniária em proveito próprio ou alheio; II se o incêndio é: a) em casa habitada ou destinada a habitação; b) em edifício público ou destinado a uso público ou a obra de assistência social ou de cultura; c) em embarcação, aeronave, comboio ou veículo de transporte coletivo; d) em estação ferroviária ou aeródromo; e) em estaleiro, fábrica ou oficina; f) em depósito de explosivo, combustível ou inflamável; g) em poço petrolífico ou galeria de mineração; h) em lavoura, pastagem, mata ou floresta. Aumento de pena INCÊNDIO (ART. 250) Lei de Crimes ambientais (9.605/98 – lei especial é aplicada, se não resultar perigo comum); Art 41 Provocar incêndio em mata ou floresta: Pena - reclusão, de dois a quatro anos, e multa Parágrafo único - Se o crime é culposo, a pena é de detenção de seis meses a um ano, e multa. Art. 42. Fabricar, vender, transportar ou soltar balões que possam provocar incêndios nas florestas e demais formas de vegetação, em áreas urbanas ou qualquer tipo de assentamento humano: Pena - detenção de um a três anos ou multa, ou ambas as penas cumulativamente. Aumento de pena INCÊNDIO (ART. 250) Art. 250 (…) § 2º Se culposo o incêndio, é pena de detenção, de seis meses a dois anos. Crime de menor potencial ofensivo – JECRIM Ex: Bombas de São João. Modalidade culposa EXPLOSÃO (ART. 251) Art 251 - Expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, mediante explosão, arremesso ou simples colocação de engenho de dinamite ou de substância de efeitos análogos: Pena reclusão, de três a seis anos, e multa TIPO OBJETIVO – EXPOR A PERIGO mediante EXPLOSÃO, ARREMESSO OU COLOCAÇÃO de dinamite ou substância análoga. EXPLOSÃO (ART. 251) OBJETO JURÍDICO – (o bem jurídico protegido) – Incolumidade pública, o sossego da coletividade; OBJETO MATERIAL – Engenho (bomba, aparelho) de dinamite ou de efeitos análogos (MESMA POTÊNCIA); ELEMENTO SUBJETIVO – Dolo de perigo (consciência e vontade de gerar perigo à vida, à integridade física ou ao patrimônio de outrem); SUJEITO ATIVO – qualquer pessoa; SUJEITO PASSIVO – outrem - A COLETIVIDADE (crime vago); CONSUMAÇÃO – quando ocorre a situação de perigo comum. Colocar as bombas no solo consuma o crime? SIM. Mesmo que não haja a explosão. TENTATIVA – é possível. Impedido por circunstâncias alheias à vontade do agente. EXPLOSÃO (ART. 251) CLASSIFICAÇÃO – Crime comum; formal (não exige resultado naturalístico de dano efetivo. Ocorrendo, há o exaurimento do tipo); comissivo e excepcionalmente omissivo impróprio; instantâneo (a consumação não se prolonga); de perigo concreto e coletivo (tem que ser provado e atinge indeterminado número de pessoas); unissubjetivo ou unilateral ou de concurso eventual (pode ser cometido por um único sujeito); unissubsistente ou plurissubsistente (cometido com um ato ou vários atos fracionados); EXPLOSÃO (ART. 251) Tipo privilegiado Art. 251 (…) § 1 º Se a substância utilizada não é dinamite ou explosivo de efeitos análogos: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. Aumento de pena § 2 º As penas aumentam se de um terço, se ocorre qualquer das hipóteses previstas no § 1 º, I, do artigo anterior, ou é visada ou atingida qualquer das coisas enumeradas no nº II do mesmo parágrafo. Modalidade culposa § 3 º No caso de culpa, se a explosão é de dinamite ou substância de efeitos análogos, a pena é de detenção, de seis meses a dois anos nos demais casos, é de detenção, de três meses a um ano. EXPLOSÃO (ART. 251) DISTINÇÕES Quando não há perigo – dano qualificado (art.163); Explosão como ato de sabotagem, terrorismo ou com finalidade atentatória à Segurança Nacional (art. 20 da lei 7.170/83); Uso ou ameaça de uso como ato terrorista (art. 2º, § 1º, inciso I, da lei 13260/2016); Causar ou tentar causar explosão em lugar sujeito à administração militar (art. 269 do CPM); Disparo de foguetes que não provoquem perigo mas tumulto em espetáculo público (art. 40 da LCP); USO DE GÁS TÓXICO OU ASFIXIANTE (ART. 252) Art. 252 - Expor a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, usando de gás tóxico ou asfixiante: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. TIPO OBJETIVO – EXPOR A PERIGO usando de GÁS TÓXICO (envenenamento, intoxicação) OU ASFIXIANTE (provoca sufocação). USO DE GÁS TÓXICO OU ASFIXIANTE (ART. 252) OBJETO JURÍDICO – (o bem jurídico protegido) – Incolumidade pública, o sossego da coletividade; OBJETO MATERIAL – o gás tóxico ou asfixiante. ELEMENTO SUBJETIVO – Dolo de perigo (consciência e vontade de gerar perigo à vida, à integridade física ou ao patrimônio de outrem) – usar o gás; SUJEITO ATIVO – qualquer pessoa (comum); SUJEITO PASSIVO – A COLETIVIDADE (crime vago); CONSUMAÇÃO – quando ocorre a situação de perigo comum. TENTATIVA – é possível. Impedido por circunstâncias alheias à vontade do agente. USO DE GÁS TÓXICO OU ASFIXIANTE (ART. 252) Modalidade Culposa Parágrafo único - Se o crime é culposo: Pena detenção, de três meses a um ano. Ex: agente desconhece o perigo do gás, embora pelas circunstâncias devesse saber que era tóxico. OBS: Matar em câmara de gás configura o crime do artigo 252 com aumento de pena do artigo 258? NÃO. USO DE GÁS TÓXICO OU ASFIXIANTE (ART. 252) - Policial (ou qualquer pessoa autorizada a portá-lo) faça uso moderado do gás lacrimogêneo, de índole asfixiante, para repelir injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem, estaria amparado pela legítima defesa artigo 25 do CP. (ROGÉRIO SANCHES) - Momentos de conturbação social (greves, rebeliões, brigas generalizadas, etc.), o policial agiria no estrito cumprimento de dever legal (CP,art. 23, inc. III). (SANCHES) - O uso abusivo de gás lacrimogêneo pela polícia na repressão a movimentos populares pode constituir o crime. (MIRABETE) - Se a conduta é praticada em local sujeito à administração militar o crime previsto é o do artigo 270 do CPM. USO DE GÁS TÓXICO OU ASFIXIANTE (ART. 252) Responsabilidade civil do Estado: “Ao policial civil ou militar, como agente da Administração Pública e responsável pela polícia preventiva e repressiva, cabe zelar pela ordem e sossego públicos e pela incolumidade física dos cidadãos. No exercício desse mister lhe são concedidas algumas franquias, como o uso de armas de fogo, algemas e outros apetrechos sem os quais não poderá bem cumprir o seu munus e combater a criminalidade. Porém, não é detentor de salvo-conduto que lhe permita tudo, nem lhe foi concedido direito á indenidade. O exercício regular desse direito não passa pelo abuso, nem se inspira no excesso ou desvio do poder conferido. Assim, se um policial, quando em serviço, usando arma da Corporação se excede nas funções que lhe foram cometidas e faz uso dela, responde o Estado pelos prejuízos que deste ato advenham. Aplica-se, na hipótese, a regra geral contida no art. 37, § 6º, da CF. A responsabilidade é objetiva, posto que as pessoas jurídicas ali definidas respondem pelos atos de seus prepostos. (STOCO, Rui. Tratado de Responsabilidade Civil, RT, 7ª ed., p. 1.111). FABRICO, FORNECIMENTO, AQUISIÇÃO POSSE OU TRANSPORTE DE EXPLOSIVOS OU GÁS TÓXICO, OU ASFIXIANTE (ART. 253) Art. 253. Fabricar, fornecer, adquirir, possuir ou transportar, sem licença da autoridade, substância ou engenho explosivo, gás tóxico ou asfixiante, ou material destinado à sua fabricação: Pena – detenção, de seis meses a dois anos, e multa TIPO OBJETIVO – FABRICAR, FORNECER, ADQUIRIR, POSSUIR OU TRANSPORTAR substância ou engenho explosivo, gás tóxico ou asfixiante, ou material destinado à sua fabricação TIPO MISTO OU ALTERNATIVO – a prática de uma ou mais condutas dentro de um mesmo contexto enseja um único crime; FABRICO, FORNECIMENTO, AQUISIÇÃO POSSE OU TRANSPORTE DE EXPLOSIVOS OU GÁS TÓXICO, OU ASFIXIANTE (ART. 253) OBJETO JURÍDICO – (o bem jurídico protegido) – Incolumidade pública, o sossego da coletividade; OBJETO MATERIAL – substância ou engenho explosivo, gás tóxico ou asfixiante, ou material destinado à sua fabricação – NÃO NECESSITA SERVIR APENAS PARA ISSO. ELEMENTO SUBJETIVO – Dolo de perigo (consciência e vontade de gerar perigo à vida, à integridade física ou ao patrimônio de outrem); OBS.: NÃO HÁ MODALIDADE CULPOSA ELEMENTO NORMATIVO DO TIPO – SEM LICENÇA DA AUTORIDADE (elemento que integra a ilicitude – norma penal em branco); SUJEITO ATIVO – qualquer pessoa (comum); SUJEITO PASSIVO – A COLETIVIDADE (crime vago); CONSUMAÇÃO – quando PRATICA UMA DAS CONDUTAS – PERIGO ABSTRATO. TENTATIVA – não cabe. FABRICO, FORNECIMENTO, AQUISIÇÃO POSSE OU TRANSPORTE DE EXPLOSIVOS OU GÁS TÓXICO, OU ASFIXIANTE (ART. 253) CLASSIFICAÇÃO – crime comum; formal (há quem classifique como de mera conduta – crime em que não há resultado); comissivo ou, excepcionalmente, omissivo impróprio; instantâneo nas modalidades “fabricar”, “fornecer” e “adquirir” e permanente nas modalidades “possuir” e “transportar”; de perigo comum ABSTRATO (ou seja, o perigo é presumido pelo legislador); unissubjetivo; uni ou plurissubsistente; FABRICO, FORNECIMENTO, AQUISIÇÃO POSSE OU TRANSPORTE DE EXPLOSIVOS OU GÁS TÓXICO, OU ASFIXIANTE (ART. 253) Posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito (Estatuto do desarmamento – lei 10.826/2003) Art 16 Possuir, deter, portar, adquirir, fornecer, receber, ter em depósito, transportar, ceder, ainda que gratuitamente, emprestar, remeter, empregar, manter sob sua guarda ou ocultar arma de fogo, acessório ou munição de uso proibido ou restrito, sem autorização e em desacordo com determinação legal ou regulamentar: Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. Parágrafo único - Nas mesmas penas incorre quem: III possuir, detiver, fabricar ou empregar artefato explosivo ou incendiário, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar; - Pelos critérios de especialidade e sucessividade o estatuto é específico e mais recente que o CP. - Embora artefato e engenho sejam sinônimos, o artigo 253 ainda traz substância explosiva, que não está no artigo 16, então não foi completamente derrogado. Ex: pólvora não é artefato, é substância explosiva (Ap. 0007269-04.2014.8.06.0052-CE, 1ª Câmara Criminal, rel. Mario Parente Teófilo Neto, 12.07.2018, v.u.) FABRICO, FORNECIMENTO, AQUISIÇÃO POSSE OU TRANSPORTE DE EXPLOSIVOS OU GÁS TÓXICO, OU ASFIXIANTE (ART. 253) Porte de spray de pimenta não configura o tipo penal do art. 253 do Código Penal. O réu mantinha em sua posse frasco contendo substância conhecida como spray de pimenta, agente lacrimogêneo que causa irritação nos olhos, dor e cegueira temporária. Foi condenado em primeira instância como incurso nas penas do art. 253 do Código Penal, que trata de crime de mera conduta e de perigo abstrato, no qual a probabilidade da ocorrência de dano é presumida pelo tipo penal, bastando que o agente fabrique, forneça, adquira, porte ou transporte engenho explosivo, gás tóxico ou asfixiante ou material destinado à sua fabricação. A perícia realizada no curso do processo afirmou que o líquido encontrado com o réu causa irritação nos olhos e nas vias respiratórias, mas negou se tratar de gás tóxico ou asfixiante, conforme previsto no artigo. Por isso, o Colegiado absolveu o réu por atipicidade da conduta. STJ - Acórdão n.º 818180, 20131010035406APR, Relator: GILBERTO PEREIRA DE OLIVEIRA, Relator Designado: MARIO MACHADO, Revisor: MARIO MACHADO, 1ª Turma Criminal, Data de Julgamento: 07/08/2014, Publicado no DJE: 15/09/2014. Pág.: 276 FABRICO, FORNECIMENTO, AQUISIÇÃO POSSE OU TRANSPORTE DE EXPLOSIVOS OU GÁS TÓXICO, OU ASFIXIANTE (ART. 253) PENAL. PORTE ILEGAL DE ARMA DE FOGO COM NUMERAÇÃO SUPRIMIDA E TRANSPORTE DE GÁS TÓXICO ASFIXIANTE. PROVA SATISFATÓRIA DA MATERIALIDADE E AUTORIA. SENTENÇA CONFIRMADA. 1 RÉU CONDENADO POR INFRINGIR OS ARTIGOS 16, PARÁGRAFO ÚNICO, DA LEI 10.826/03, E 253 DO CÓDIGO PENAL, DEPOIS DE TER SIDO PRESO EM FLAGRANTE AO SEREM APREENDIDOS DENTRO DO SEU AUTOMÓVEL UM REVOLVER CALIBRE 38 COM NUMERAÇÃO SUPRIMIDA, SEIS PROJETIS E UMA GRANADA DE GÁS LACRIMOGÊNEO JÁ DEFLAGRADA, MAS CONTENDO AINDA SUBSTÂNCIA TÓXICA EM QUANTIDADE SUFICIENTE PARA CAUSAR DANO. 2 A MATERIALIDADE E A AUTORIA EM CRIMES DESSE JAEZ SÃO COMPROVADAS QUANDO HÁ APREENSÃO DO OBJETO MATERIAL DO CRIME, SENDO CORROBORADOS OS FATOS NOS DEPOIMENTOS DOS POLICIAIS CONDUTORES DO FLAGRANTE. 3 NÃO HÁ ATIPICIDADE DE CONDUTA NO CRIME DE TRANSPORTE DE GÁS TÓXICO QUANDO SUBSISTE NO SEU RECIPIENTE QUANTIDADE SUFICIENTE PARA PRODUZIR OS EFEITOS NOCIVOS ESPERADOS. 4 APELAÇÃO DESPROVIDA. (TJ-DF - APR: 20120111870535 DF 0051303-64.2012.8.07.0001, Relator: GEORGE LOPES LEITE, Data de Julgamento: 05/09/2013, 1ª Turma Criminal, Data de Publicação: Publicado no DJE : 18/09/2013 . Pág.: 192) INUNDAÇÃO (ART. 254) Art 254 - Causar inundação, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa, no caso de dolo, ou detenção, de seis meses a dois anos, no caso de culpa. TIPO OBJETIVO – CAUSAR INUNDAÇÃO CAUSAR - provocar, dar origem, produzir INUNDAÇÃO - alagamento ou enchente de um local de notável extensão não destinado a receber águas, SENDO NECESSÁRIO QUE O SUJEITO NÃO TENHA DOMÍNIO DA FORÇA DAS ÁGUAS (HUNGRIA) EXPONDO - colocando em risco a vida, a integridade física ou patrimônio de outrem; INUNDAÇÃO (ART. 254) OBJETO JURÍDICO – (o bem jurídico protegido) – Incolumidade pública, o sossego da coletividade; OBJETO MATERIAL – Água liberada em grande quantidade. ELEMENTO SUBJETIVO – Dolo de perigo (consciência e vontade de gerar perigo à vida, à integridade física ou ao patrimônio de outrem) – direto ou eventual; SUJEITO ATIVO – qualquer pessoa (comum); SUJEITOPASSIVO – A COLETIVIDADE (crime vago); CONSUMAÇÃO – quando ocorre a situação de perigo comum (sair do poder do agente o controle das águas). TENTATIVA – é possível. INUNDAÇÃO (ART. 254) CLASSIFICAÇÃO – Crime comum; formal (não exige resultado naturalístico de dano efetivo. Ocorrendo, há o exaurimento do tipo); de forma livre (pode ser cometido por qualquer meio); comissivo e excepcionalmente omissivo impróprio; instantâneo (a consumação não se prolonga); de perigo concreto e coletivo/comum (tem que ser provado e atinge indeterminado número de pessoas); unissubjetivo ou unilateral ou de concurso eventual (pode ser cometido por um único sujeito); plurissubsistente (cometido com vários atos); não transeunte (deixa vestígios); MODALIDADE CULPOSA – Reduz-se a pena para detenção, de 6 meses a 2 anos; (crime de menor potencial ofensivo – JECRIM) INUNDAÇÃO (ART. 254) PJe - PENAL E PROCESSUAL PENAL. HABEAS CORPUS. BARRAGEM DO FUNDÃO. DENÚNCIA QUE DESCREVE O CRIME DE PERIGO COMUM DE INUNDAÇÃO QUALIFICADA PELO RESULTADO MORTE. IMPUTAÇÃO AUTÔNOMA E INDEPENDENTE DE CRIMES DE HOMICÍDIO QUALIFICADOS E DE LESÃO CORPORAL. IMPOSSIBILIDADE TÉCNICA. EXCESSO ACUSATÓRIO. IMPUTAÇÃO SEM DESCRIÇÃO DO CRIME. FALTA DE JUSTA CAUSA PARA A AÇÃO PENAL. CONCESSÃO DA ORDEM. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXTENSÃO DO RESULTADO AOS ACUSADOS PELAS MESMAS IMPUTAÇÕES. 1. Hipótese em que a denúncia descreve o crime de inundação qualificada pelos resultados morte e lesão corporal (art. 258 ? CP), como efeitos decorrentes do rompimento da barragem do ?Fundão?, de propriedade da empresa de mineração Samarco S/A, no Município de Mariana/MG, na qual tinha o paciente a função de representante da BHP Billiton na governança da mineradora, condição em que teria agido para a consecução dos atos delitivos imputados, ou deixado de agir para impedir os resultados. 2. A despeito da descrição única do crime de inundação qualificada pelo resultado, e de afirmar que as mortes ?foram causadas pela passagem da lama de rejeitos oriunda do reservatório de Fundão?, a denúncia imputa ao paciente a prática, autônoma e independente, de 19 (dezenove) homicídios triplamente qualificados (art. 121, § 2º, I, III e IV ? CP) e de lesões corporais graves, também autônomas. 3. As mortes e as lesões corporais são descritas na denúncia como resultado do crime de inundação, crime de perigo comum, ao reconhecer a peça que o fato (ou a conduta) teve caráter indeterminado e sem destinatário específico, o que desautoriza (tecnicamente) a imputação autônoma de homicídio (concurso formal), que imprescindiria da demonstração de que o (suposto) crime de inundar teve por objetivo final a morte de determinado indivíduo. 4. Não há como considerar separadamente tais resultados para havê-los como figuras de concomitante (e paralela) imputação, ao lado do delito básico do qual são conseqüências. Não alude a denúncia a nenhuma atitude ou determinação autônoma e consciente do paciente, fora da imputação de inundação, para a prática do homicídio e de lesões corporais em relação a nenhuma das vítimas, tudo (infelizmente) decorrendo da inundação e sem que se cogitasse do propósito de matar ou ferir esta ou aquela pessoa. 5. A denúncia não descreveu o elemento volitivo do homicídio, essencial à configuração do dolo, eventual ou direto, o que mais se imporia por tratar-se de imputação que descreve apenas crime de perigo comum. Como um erro atrai o outro, descreveu a causalidade material das mortes (consequência da inundação pela lama de dejetos) sem descrever em que ponto residiria a intenção do paciente ou de outro denunciado em matar ou provocar lesão corporal. INUNDAÇÃO (ART. 254) 6. Como a imputação é moldada na tese do dolo eventual ? pelos próprios dizeres da acusação, as mortes e a lesão corporal teriam decorrido do fato de o paciente ter assumido o risco do rompimento da barragem ?, seria imprescindível que a denúncia descrevesse a conduta específica que expressasse o dolo, pelo menos na demonstração narrativa da cognição e volição do agente quanto ao resultado da conduta ? cognição e volição em relação às mortes e às lesões corporais, não bastando a aceitação do risco do rompimento da barragem. 7. Também não existe a descrição do elemento subjetivo do tipo (dolo ou culpa), essencial a cada descrição típica seguida de imputação de crime, como opção da consciência e da vontade livres do paciente, isso sem falar que a imputação de homicídio qualificado pelo emprego de meio insidioso ou cruel, ou por motivo torpe, não se afeiçoa ao conceito de dolo eventual. 8. Nos termos do art. 2º da Lei 9.605/1998, invocado pela denúncia, a concorrência para os crimes ali previstos, de qualquer forma, se dá na medida da culpabilidade do agente e, quanto ao diretor, o administrador, o membro de conselho ou órgão técnico, o auditor, o gerente, o preposto um mandatário da pessoa jurídica, se, sabendo da conduta criminosa de outrem, deixar de impedir a sua prática, quando podia agir para evitá-la. 9. ?Sendo imputada a prática de homicídio doloso praticado por omissão imprópria, necessária a descrição do comportamento omissivo voluntário, a consciência de seu dever de agir e da situação de risco enfrentado pelo ofendido, a previsão do resultado decorrente de sua omissão, o nexo normativo de evitação do resultado, o resultado material e a situação de garantidor dos termos do art. 13, § 2º, do Código Penal, [...]? (STJ - RHC 46.823/MT ? Recurso Ordinário em HC 2014/0075411-6 - 5ª Turma, Ministro Reynaldo Soares da Fonseca ? Dje 15/04/2016.), o que não se verifica no caso. 10. Não se trata de omissão irrelevante que possa ser suprida a qualquer tempo antes da sentença (art. 569 ? CPP), senão da própria descrição ?do fato criminoso, com todas as suas circunstâncias? (art. 41 ? CPP), sem a qual não se faz possível a defesa. Não é possível a defesa, que a Constituição diz que deve ser ampla (art. 5º, LIV), no vazio acusatório. 11. Na imputação sem descrição, registra-se evidente excesso acusatório a descoberto de base (empírica) descritiva causal, a caracterizar falta de justa causa para a ação penal (art. 648, I ? CPP) e a justificar, excepcionalmente, o trancamento da ação penal quanto às imputações autônomas de homicídio e lesão corporal. 12. Concessão da ordem de habeas corpus. Trancamento da ação penal em relação aos 19 (dezenove) crimes de homicídio (triplamente qualificados) e às 3 (três) lesões corporais graves, devendo o feito prosseguir quanto às demais imputações. Extensão do resultado aos demais acusados das mesmas imputações (arts. 654, § 2º, 648, I, e 580 do CPP). (TRF-1 - HC: 10333774720184010000, Relator: DESEMBARGADOR FEDERAL OLINDO HERCULANO DE MENEZES, Data de Julgamento: 23/04/2019, QUARTA TURMA, Data de Publicação: 24/04/2019) PERIGO DE INUNDAÇÃO (ART. 255) Art. 255. Remover, destruir ou inutilizar, em prédio próprio ou alheio, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem, obstáculo natural ou obra destinada a impedir inundação: Pena – reclusão, de um a três anos, e multa. TIPO OBJETIVO – REMOVER (mudar de lugar pra outro ou afastar), DESTRUIR (arruinar) ou INUTILIZAR (tornar inútil), Tipo misto ou alternativo – a prática de uma ou mais condutas dentro de um mesmo contexto enseja um único crime; EXPONDO a perigo (colocando em risco) a vida, a integridade física ou patrimônio de outrem; OBS.: Aqui o tipo não fala em COLOCAR obstáculo, só em REMOVER. Se coloca só responde se houver efetivamente inundação. PERIGO DE INUNDAÇÃO (ART. 255) PRÉDIO – edifício ou casa OBSTÁCULO NATURAL – barreira ou impedimento produzido pela natureza, como morros ou rochedos; OBRA DESTINADA A IMPEDIR INUNDAÇÃO – é a construção sólida realizada pelo ser humano com a finalidade de servir de barragem à força das águas, como diques, barragens; PERIGO DE INUNDAÇÃO (ART. 255) OBJETO JURÍDICO – (o bem jurídico protegido) – Incolumidade pública, o sossego da coletividade; OBJETO MATERIAL – obstáculo natural ou obra destinada a impedir inundação. ELEMENTO SUBJETIVO– dolo de praticar uma das condutas consciente de que pode causar perigo (consciência e vontade de praticar as condutas); Se houver vontade de provocar a inundação, haverá a tentativa do art. 254; OBS.: NÃO HÁ MODALIDADE CULPOSA SUJEITO ATIVO – qualquer pessoa (comum) – inclusive o proprietário do imóvel onde se encontre a obra ou obstáculo; SUJEITO PASSIVO – A COLETIVIDADE (crime vago); CONSUMAÇÃO – quando ocorre a situação de perigo comum (o risco da inundação). TENTATIVA – não é possível. PERIGO DE INUNDAÇÃO (ART. 255) CLASSIFICAÇÃO – Crime comum; formal; de forma livre; comissivo ou, excepcionalmente, omissivo impróprio; instantâneo; de perigo comum e concreto (exige a comprovação de que a retirara provocou o perigo comum); unissubjetivo; uni ou plurissubsistente; DESABAMENTO OU DESMORONAMENTO (art. 256) Art. 256. Causar desabamento ou desmoronamento, expondo a perigo a vida, a integridade física ou o patrimônio de outrem: Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa. TIPO OBJETIVO CAUSAR é provocar, dar origem. O objeto da conduta é DESABAMENTO (ruir ou cair - construções) ou DESMORONAMENTO (vir abaixo, soltar-se – morros, pedreiras, etc.) EXPONDO a perigo a vida, integridade física ou patrimônio de outrem; DESABAMENTO OU DESMORONAMENTO (art. 256) OBJETO JURÍDICO – (o bem jurídico protegido) – Incolumidade pública, o sossego da coletividade; OBJETO MATERIAL – construção, morro, pedreira ou objeto semelhante que desaba ou desmorona ELEMENTO SUBJETIVO – dolo de de provocar o desabamento/desmoronamento com consciência e vontade de provocar o perigo, o risco a terceiros; SUJEITO ATIVO – qualquer pessoa (comum) – inclusive o proprietário do imóvel onde se encontre a obra ou obstáculo; SUJEITO PASSIVO – A COLETIVIDADE (crime vago); CONSUMAÇÃO – quando ocorre a situação de perigo comum gerado pelo desabamento/desmoronamento (é preciso que haja a queda do prédio, da parede); TENTATIVA – é possível. DESABAMENTO OU DESMORONAMENTO (art. 256) CLASSIFICAÇÃO – Crime comum; formal (não exige que haja DANO PARA ALGUÉM); de forma livre; comissivo ou, excepcionalmente, omissivo impróprio; instantâneo; de perigo comum e concreto; unissubjetivo; uni ou plurissubsistente; https://www.youtube.com/watch?v=0BevDfbzcb8 https://www.youtube.com/watch?v=0BevDfbzcb8 DESABAMENTO OU DESMORONAMENTO (art. 256) Modalidade culposa Parágrafo único. Se o crime é culposo: Pena – detenção, de seis meses a um ano. Obs.: sem a prova específica da causa que comprove a culpa, não há configuração do delito; DISTINÇÕES - Não havendo perigo, pode caracterizar a contravenção penal do artigo 29 da LCP; - Havendo lesão corporal e morte em desabamento que se restringe à área interna do terreno, responde pelos ilícitos do art. 121, §3º e 129, § 6º do CP; - Em lugar sujeito à adm. Militar, responde pelo art. 274 do CPM; SUBTRAÇÃO, OCULTAÇÃO OU INUTILIZAÇÃO DE MATERIAL DE SALVAMENTO (art. 257) Art. 257. Subtrair, ocultar ou inutilizar, por ocasião de incêndio, inundação, naufrágio, ou outro desastre ou calamidade, aparelho, material ou qualquer meio destinado a serviço de combate ao perigo, de socorro ou salvamento; ou impedir ou dificultar serviço de tal natureza: Pena – reclusão, de dois a cinco anos, e multa. TIPO OBJETIVO SUBTRAIR (apoderar-se), OCULTAR (esconder) ou INUTILIZAR (danificar) E ainda IMPEDIR ou DIFICULTAR serviço de tal natureza Tipo misto ou alternativo - a prática de uma ou mais condutas dentro de um mesmo contexto enseja um único crime; SUBTRAÇÃO, OCULTAÇÃO OU INUTILIZAÇÃO DE MATERIAL DE SALVAMENTO (art. 257) OBJETO JURÍDICO – (o bem jurídico protegido) – Incolumidade pública, o sossego da coletividade; OBJETO MATERIAL – aparelho, material ou qualquer meio destinado a serviço de combate ao perigo, de socorro ou salvamento (precisa ser específico para esse fim); ELEMENTO SUBJETIVO – consciência e vontade de provocar o perigo, o risco a terceiros; OBS.: NÃO HÁ MODALIDADE CULPOSA ELEMENTO NORMATIVO DO TIPO – se praticado durante a OCORRÊNCIA DE INCÊNDIO, INUNDAÇÃO, NAUFRÁGIO OU OUTRO DESASTRE OU CALAMIDADE - Fora disso é atípico para crimes de perigo comum; SUJEITO ATIVO – qualquer pessoa (comum) – inclusive o proprietário do imóvel onde se encontre a obra ou obstáculo; SUJEITO PASSIVO – A COLETIVIDADE (crime vago); CONSUMAÇÃO – quando pratica qualquer das condutas – PERIGO ABSTRATO TENTATIVA – é possível. SUBTRAÇÃO, OCULTAÇÃO OU INUTILIZAÇÃO DE MATERIAL DE SALVAMENTO (art. 257) CLASSIFICAÇÃO – crime comum; formal; de forma livre; comissivo ou, excepcionalmente, omissivo impróprio; instantâneo nas modalidades “subtrair”, “inutilizar”, “impedir” e “dificultar” e permanente na modalidade “ocultar”; de perigo comum ABSTRATO; unissubjetivo; plurissubsistente; DIFUSÃO DE DOENÇA OU PRAGA (Art. 259) DIZ-SE QUE TACITAMENTE REVOGADO PELO ARTIGO 61 DA LEI DE CRIMES AMBIENTAIS. Art. 259. Difundir doença ou praga que possa causar dano a floresta, plantação ou animais de utilidade econômica: (PERIGO AO MEIO AMBIENTE). Pena – reclusão, de dois a cinco anos, e multa. Lei 9605/98 Art. 61. Disseminar doença ou praga ou espécies que possam causar dano à agricultura, à pecuária, à fauna, à flora ou aos ecossistemas: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.