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Doenças hematológicas e 
gestação
MODIFICAÇÕES DURANTE A GRAVIDEZ
(CUNNINGHAM et al., 2016; ZUGAIB, 2016)
Doenças 
hematológicas
ALGUMAS DOENÇAS HEMATOLÓGICAS...
(ZUGAIB, 2016) 
ANEMIA
DEFINIÇÃO DE ANEMIA
CDC OMS
1º trimestre < 11 g/dL < 11 g/dL 
2º trimestre < 10,5 g/dL < 11 g/dL 
3º trimestre < 11 g/dL < 11 g/dL 
Solicitar hemograma na primeira consulta de pré-natal 
e a partir de 28 semanas para rastreio de anemia!
(ACOG, 2008; FEBRASGO, 2019)
EPIDEMIOLOGIA 
✔ A incidência de anemia na grávida no mundo 
todo é de aproximadamente 40%
✔ Em países em desenvolvimento, está 
associada a problemas nutricionais e outras 
doenças que a potencializam
✔ A anemia ferropriva é a mais prevalente 
(90% dos casos)
(BRASIL, 2012a; MONTENEGRO, REZENDE FILHO, 2014)
REPERCURSSÕES MATERNOFETAIS 
● Prematuridade;
● Restrição do crescimento 
intrauterino;
● Redução dos estoques de 
ferro neonatal; 
● Diminuição do LA;
● Vasodilatação cerebral; 
● Alterações da FC
MATERNAS FETAIS
Hb < 6 g/dL
● Aumento do risco de infecção;
● Parto cesáreo;
● Transfusão durante o parto;
● Pré-eclâmpsia;
● Descolamento prematuro da 
placenta;
● Estresse cardiovascular e 
insuficiência cardíaca
(BREYMANN et al., 2017; ZUGAIB, 2016)(JUUL, DERMAN, AUERBACH, 2019)
CLASSIFICAÇÃO E ETIOLOGIA 
Volume Corpuscular Médio
VCM < 80fL
ANEMIAS MICROCÍTICAS
Anemia Ferropriva
 Talassemias 
Anemia Sideroblástica 
VCM 80-100fL
ANEMIAS NORMOCÍTICAS
Perda de sangue
 Doenças hemolíticas
 Mielosupressão 
Anemia de doença 
crônica
VCM >100fL
ANEMIAS MACROCÍTICAS
Anemia megaloblástica
 Anemia mielodisplásica
 Doença hepática
 Hipotireoidismo
A partir da classificação avaliando a morfologia dos eritrócitos, a investigação 
clínica pode ser direcionada
Anemia Ferropriva
(ACOG, 2008)
ANEMIA FERROPRIVA
NECESSIDADE DE FERRO NA GRAVIDEZ
Os depósitos de ferro são reduzidos durante a gravidez em decorrência de uma maior 
demanda para suprir o aumento da hemoglobina circulante e o desenvolvimento fetal
Uma típica gestação única, levada a termo, requer uma transferência de 500–800 mg de 
ferro materno
A necessidade de ferro absorvido aumenta durante a gestação, passando de 0.8 mg/dia 
no primeiro trimestre até 7.5 mg/dia no final do terceiro trimestre
Durante a 1ª metade da gestação 
não há demanda significativa de 
ferro e a alimentação é 
suficiente para nutrir essa 
necessidade 
Na 2ª metade da gestação 
ocorre maior demanda de ferro, 
sendo a complementação 
exógena de ferro nesse período 
muito importante 
(BRASIL, 2012a; MEANS, 2020)
FATORES DE RISCO
Gestações múltiplas 
e pequeno intervalo 
interpartal
Dieta pobre em alimentos 
ricos em ferro, carente em 
facilitadores de absorção 
e/ou rica em alimentos 
que dificultam a absorção 
de ferro
 
Fatores físicos e 
sociais
Baixa absorção de 
ferro
Perdas crônicas 
antes da gestação
(MONTENEGRO, REZENDE FILHO, 2014; ZUGAIB, 2016)
QUADRO CLÍNICO
Nem sempre os sintomas e sinais clínicos da anemia ferropriva podem estar 
presentes, podendo ser inespecíficos e vagos
Ao exame físico, a gestante apresenta palidez cutaneomucosa, cabelos 
quebradiços e estomatites, nas formas mais graves 
(FEBRASGO, 2019; ZUGAIB, 2016)
PARÂMETROS LABORATORIAIS
• Hemoglobina menor que 11 g/dL ou 10,5 g/dL;
• Microcitose (VCM ↓);
• Hipocromia (HCM ↓);
• RDW apresenta valor superior a 15%;
• Ferro sérico abaixo de 60 mg/mL;
• Saturação de transferrina abaixo de 15%;
• Ferritina abaixo de 12-15 mg/dL
Gestantes com quadro de 
anemia, principalmente 
na forma grave, devem 
ser avaliadas pelo perfil 
de ferro completo 
(ACOG, 2008; FEBRASGO, 2019)
CONDUTA
Mudanças de hábitos alimentares, diagnóstico e tratamento das causas de 
perda sanguínea, controle de infecções que contribuam para anemia e 
suplementação medicamentosa com ferro 
Hemoglobina <11g/dL e >8g/dL: anemia leve a moderada
✔ Recomenda-se o uso dos sais de ferro que forneçam a dose 
terapêutica diária de 120 a 180 mg de ferro elementar 
Se não houver resposta 
após 4 semanas de 
tratamento com o ferro 
oral, será necessária uma 
reavaliação do diagnóstico 
e do tratamento realizado
Hemoglobina < 8g/dL: anemia grave, a ser investigada e 
tratada em serviço terciário (encaminhar para pré-natal de 
alto risco)
(BRASIL, 2012a; FEBRASGO, 2019)
PREVENÇÃO
Sulfato ferroso - um comprimido = 200mg, o que corresponde a 40mg 
de ferro elementar
Atividade física
Evitar as bebidas 
alcoólicas e o 
fumo 
- Realizar suplementação de ferro (a partir da 20ª semana de gestação e até o 3º 
mês pós-parto)
- Consumir diariamente alimentos de origem animal 
e vegetal ricos em ferro;
(BRASIL, 2012a; BRASIL, 2012b)
TROMBOCITOPENIAS
EPIDEMIOLOGIA E ETIOLOGIAS
Definida como plaquetas 
< 150.000/mm3 
2ª patologia hematológica 
mais frequentemente 
encontrada na gestação 
(7 a 10%)
Prevalência das causas de trombocitopenia com base no trimestre 
de apresentação e contagem de plaquetas
↓ plaquetas em 
aproximadamente 10% 
>> terceiro trimestre
(CINES, LEVINE, 2017)(FEBRASGO, 2019, ZUGAIB, 2016) 
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Plaquetopenia 
gestacional
•• Causa mais frequente 
(74%)
•• Trombocitopenia leve 
(>100.000/mm3, 
raramente <75.000/mm3)
•• 3º trimestre
•• Resolução no pós-parto 
(1 a 2 meses)
Pré-eclâmpsia
•• 5-21% dos casos 
•• Plaquetas>100.000/mm3, 
raramente <50.000/mm, 
a menos que existam 
complicações 
superpostas
•• ↑ PA, proteinúria, dor 
epigástrica, distúrbios 
visuais...
•• Depois de 20 semanas de 
gestação
PTI
•• 3% do casos
•• Causa mais comum de 
plaquetas< 50.000/mm3 
detectada no 1º e 2º 
trimestres
•• História pessoal de 
sangramento, baixa 
contagem de plaquetas 
antes da gravidez
•• Qualquer momento da 
gestação
(ACOG, 2019; FEBRASGO, 2019; ZUGAIB, 2016)
DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL
Plaquetopenia 
gestacional Pré-eclâmpsia PTI
Não requer cuidados 
especializados
Acompanhamento com 
contagem de plaquetas
Tratamento primário → parto
Transfusão de plaquetas em 
caso de sangramento ativo ou 
preparação para 
procedimentos invasivos
Corticosteroides e/ou 
imunoglobulina intravenosa
Sangramento sintomático, 
plaquetas < 
30-50.000/mm3
(ACOG, 2019; FEBRASGO, 2019; ZUGAIB, 2016)
REFERÊNCIAS
American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) Practice Bulletin No 95: anemia in pregnancy. 
Obstet. Gynecol. 2008;112:201–207.
American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) Practice Bulletin No. 207: Thrombocytopenia in 
pregnancy. Obstet Gynecol. 2019; 133:181–193.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas 
Estratégicas. Gestação de alto risco: manual técnico. - 5. ed. – Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012a.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Atenção ao 
pré-natal de baixo risco. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2012b.
BREYMANN, C. et al. Diagnosis and treatment of iron-deficiency anaemia in pregnancy and postpartum. Archives 
of gynecology and obstetrics, v. 296, n. 6, p. 1229-1234, 2017.
 
REFERÊNCIAS
CINES, Douglas B.; LEVINE, Lisa D. Thrombocytopenia in pregnancy. Hematology 2014, the American Society of 
Hematology Education Program Book, v. 2017, n. 1, p. 144-151, 2017.
CUNNINGHAM, F. G. et al. Obstetrícia de Williams. 24ª ed. AMGH Editora, 2016.
FEBRASGO. Tratado de Obstetrícia, 1ª ed. Elsivier, 2019.
JUUL, S.E.; DERMAN, R. J.; AUERBACH, M. Perinatal iron deficiency: implications for mothers and infants. 
Neonatology, v. 115, n. 3, p. 269-274, 2019.
MONTENEGRO, C. A. B.; REZENDE FILHO, J. Rezende – Obstetrícia. 13ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 
2014.
ZUGAIB, M. Obstetrícia. 3ª ed. São Paulo: Manole, 2016.

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