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1. Diferenciar gripe de resfriado 
 
 
Diferenças Gripe Resfriado 
Causas É causada pelo vírus Influenza É causado pelo Rhinovírus ou 
outros semelhantes 
Duração Dura de 7 a 10 dias Dura de 2 a 4 dias 
Sintomas Há febre alta Febre baixa ou sem febre 
 Há tosse, muita dor muscular e forte 
dor de cabeça 
Há tosse, alguma dor muscular e 
uma leve dor de cabeça 
 Há dor de garganta, nos olhos e 
nariz escorrendo 
Há mal-estar e nariz escorrendo, e 
pode haver rouquidão 
Complicações Pneumonia Otite, sinusite, bronquite 
Tratamento Tomar muitos líquidos, tomar 
remédios cmo Apracur e Benegripe. 
Tomar remédios como 
Paracetamol, Ibuprofeno e 
vitamina C. 
 
RESFRIADO 
● Causada pelo rinovírus. 
● Rinovírus são disseminados eficientemente por meio do contato direto entre pessoas, 
embora a expansão também possa ocorrer por aerossóis de partículas grandes. 
 
Sinais e Sintomas 
● Depois de um período de incubação de 24 a 72 horas, os sinais e sintomas do 
resfriado começam com dor de garganta seguida de espirros, rinorreia, obstrução 
nasal e mal-estar. 
Obs.: o rinovírus consegue se replicar melhor em temperaturas mais baixas, por isso o frio 
favorece a infecção. 
● A temperatura é habitualmente normal, em particular quando o patógeno é um 
rinovírus ou um coronavírus. 
● Secreções nasais são aquosas e profusas durante os primeiros dias, tornando-se, em 
seguida, mais mucoides e purulentas. 
● A tosse costuma ser leve, mas muitas vezes persiste até a 2ª semana. 
● A maioria dos sintomas decorrentes de resfriados não complicados se resolvem dentro 
de 10 dias. 
● Resfriados podem exacerbar a asma e a bronquite crônica. 
 
Fisiologia 
● Danifica a mucosa respiratória, principalmente a região dos seios da face e faringe; 
● Se conecta às células desse epitélio e inicia o processo inflamatório. Ex: se ele se 
instala no seio frontal, o paciente pode desenvolver sinusite, cefaléia, sensação de 
peso na face, febre prolongada. 
 
GRIPE 
● Causada pelo vírus influenza (tipo A,B e C) 
OBS.: O A é o mais frequente e o tipo C não causa uma doença gripal típica. 
● O vírus é transmitido por inalação de gotículas provenientes da tosse ou dos espirros 
de uma pessoa infectada ou pelo contato direto com as secreções nasais da pessoa 
infectada. 
 
Sintomas 
● Os sintomas da gripe tem início de um a quatro dias após a infecção e podem começar 
de repente. 
● Os arrepios ou a sensação de frio constituem quase sempre as primeiras 
manifestações. 
● A febre é comum durante os primeiros dias, às vezes alcançando cerca de 39 °C. 
● Muitas pessoas se sentem doentes, fracas e cansadas, ficando de cama durante dias. 
Elas sentem dores por todo o corpo, particularmente nas costas e pernas. 
● A dor de cabeça muitas vezes é forte, com dores ao redor e por trás dos olhos. A luz 
forte pode piorar a dor de cabeça. 
● Os sintomas respiratórios podem ser relativamente leves. Podem incluir garganta 
irritada e inflamada, sensação de ardor no peito, tosse seca e corrimento nasal. 
Posteriormente, a tosse pode intensificar-se e causar expectoração (escarro). 
● A maioria dos sintomas melhora depois de dois ou três dias. No entanto, às vezes a 
febre pode durar até cinco dias. Os sintomas de tosse, fraqueza, sudorese e cansaço 
prolongam-se durante vários dias ou ocasionalmente semanas 
● Complicações: 
- Pneumonia viral 
- Sinusite e otite 
- Miosite, miocardite e encefalite 
 
2. Conhecer as principais IVAS (e seus sintomas) 
 
Rinofaringite Aguda ou Resfriado Comum 
● A rinofaringite tem sua etiologia predominantemente viral, sendo causada por mais de 
200 tipos de vírus. Os vírus mais frequentemente implicados são o rinovírus, o 
coronavírus, o vírus sincicial, o respiratório, o adenovírus, o parainfluenza, o 
influenza e o enterovírus. 
● Apresenta-se com coriza, espirros e tosse seca, junto ou não com febre de intensidade 
variável, dor de garganta e diminuição do apetite. Vômito e fezes amolecidas com 
presença de muco podem acompanhar o quadro. A orofaringe, a mucosa nasal e a 
membrana timpânica encontram-se hiperemiadas e inflamadas. 
● São infecções benignas, autolimitadas, com duração da febre em torno de três dias e 
sintomas respiratórios ao redor de 10 dias. 
● O tratamento da rinofaringite é essencialmente sintomático. Antitérmicos e 
analgésicos associados à aplicação de gotas nasais de soro fisiológico são as 
principais armas terapêuticas. Antibióticos não impedem as complicações bacterianas 
e não devem ser prescritos. Anti-histamínicos e sedativos da tosse não são 
recomendados. 
● Os pais devem ser orientados para a possibilidade de acometimento das vias aéreas 
inferiores, tais como bronquiolite ou pneumonia, e a procurar por atendimento se 
observarem sintomas como taquipneia e dispneia na evolução do tratamento. 
● A rinofaringite pode evoluir com complicações decorrentes da extensão do processo 
inflamatório infeccioso às estruturas adjacentes, ou por diminuição do clearence das 
secreções e consequente crescimento bacteriano. As principais complicações 
observadas são a otite média aguda e as sinusites. 
 
Faringite e Amigdalite 
● A infecção de garganta pode ser causada por infecções bacterianas ou virais, como o 
adenovírus e o rinovírus. 
● No caso das amigdalites purulentas, o agente etiológico mais comum é o estreptococo 
beta hemolítico do grupo A, sendo necessária a utilização de antibiótico para o 
tratamento. 
● Nas amigdalites purulentas, o quadro clínico típico tem início com dor de garganta 
intensa acompanhada de febre alta (39/40ºC), de início súbito, e, frequentemente, 
cefaleia e vômito. Ao exame as amígdalas encontram-se hiperemiadas e hipertrofiadas 
com presença de secreção purulenta e petéquias no palato mole, além de odinofagia 
(dificuldade para engolir). Os gânglios da região cervical anterior encontram-se 
aumentados. 
● A faringite com exsudato e a adenite cervical são pouco frequentes nas crianças 
menores de três anos, nas quais se observa um quadro clínico mais insidioso, com 
febre baixa, coriza concomitante e palidez. Nessa faixa etária, a etiologia viral é 
predominante. 
 
Laringite e Laringotraqueobronquite (Crupe) 
● A inflamação da laringe se apresenta com os quadros de Crupe 
(laringotraqueobronquite) e epiglotite. O quadro clínico da laringotraqueobronquite 
compõe-se de sintomas iniciais de infecção das vias aéreas superiores, especialmente 
em crianças pequenas, que evoluem com a característica “tosse de cachorro”, 
rouquidão e estridor laríngeo. O estridor, nos casos leves, só é percebido quando a 
criança se agita, porém pode ser audível mesmo em repouso, acompanhado de falta de 
ar, retrações e cianose nos casos mais graves. A febre é geralmente baixa ou ausente. 
● Na epiglotite os pacientes apresentam um quadro súbito de febre, dispneia, disfagia e 
salivação abundante, voz abafada, retração inspiratória, cianose e estridor suave. Esse 
quadro é grave e pode evoluir para parada respiratória. O vírus para influenza é o 
agente mais frequente, porém outros vírus como o sincicial respiratório, o influenza, o 
adenovírus e o micoplasma também podem ser responsáveis. Na epiglotite os agentes 
etiológicos responsáveis são o H. influenza, o S. piogenes e o S. pneumoniae. 
 
 
Sinusite Aguda 
● A sinusite é uma doença inflamatória que acomete os quatro pares de seios paranasais 
(maxilares, etmoidais, frontais e esfenoidais). Os seios maxilares e etmoidais são os 
mais comumente envolvidos quando a drenagem das secreções está diminuída por 
infecções das vias aéreas superiores. 
● Geralmente inicia viral (rinovírus, influenza) mas pode evoluir para uma infecção 
bacteriana. 
● Nos casos com evolução insidiosa, é referida persistência de rinorreia anterior ou 
posterior acompanhada de tosse intratável, diuturna, que persiste por mais de dez dias. 
A febre geralmente de baixa intensidade e a dor com edema periorbital, ao acordar, 
são sintomas frequentemente presentes. Crianças maiores podemse queixar de dor de 
cabeça e dor nos seios da face envolvidos. A sinusite aguda pode também evoluir de 
forma súbita com febre alta, com dor ou inflamação periorbital mais intensa. 
● As sinusites etmoidais podem evoluir com complicações graves, como celulites 
pré-septal e pós-septal, abscesso subperiostal ou orbital e trombose do seio cavernoso. 
Essas complicações são associadas com diminuição do movimento ocular, proptose e 
alteração da acuidade visual. Meningite e abscesso subdural, epidural ou cerebral são 
também complicações possíveis. 
● Analgésicos, anti-inflamatórios, descongestionantes tópicos e sedativos da tosse 
podem ser prescritos, até que se inicie a drenagem das secreções. 
 
 
Epidemiologia: 
Em 80% dos casos, a rinossinusite ocorre após IVAS de etiologia viral ou em consequência 
de anomalias anatômicas ou alergias. Há decréscimo na prevalência da rinossinusite após seis 
a oito anos de idade devido à maturação do sistema imune da criança. 
 
Quadro Clínico: 
Podem estar presentes: rinorreia, tosse, febre, obstrução nasal. Podem ocorrer: halitose, 
cefaleia e dor facial. 
 
3. Caracterizar as estruturas e formas de reprodução dos vírus (definição, 
estrutura, tipos, ciclos, multiplicação) 
 
Conceito 
● Foram diferenciados de outros seres infecciosos por serem muito pequenos e por 
serem parasitas intracelulares obrigatórios 
● Se distinguem pela sua organização estrutural simples, como também pelo seu 
mecanismo de multiplicação 
● Seres acelulares que não possuem metabolismo próprio. 
● Os vírus podem ser classificados com base nos hospedeiros que infectam, bem como 
pela sua estrutura do genoma. Assim, temos vírus bacterianos, vírus de arqueias, vírus 
de animais, vírus de plantas, de protozoários, e assim por diante. Vírus bacterianos 
são denominados bacteriófagos (ou simplesmente fagos). 
 
 
Estrutura 
● Contém um único tipo de ácido nucléico (RNA ou DNA). 
● Vírion - Partícula viral totalmente formada, que se encontra fora de uma célula 
hospedeira ("inativada"). O vírion de um vírus consiste em um envoltório proteico, o 
capsídeo, que contém o genoma viral. 
● Em vírus envelopados, a estrutura interna composta por ácido nucleico e proteínas do 
capsídeo é denominada nucleocapsídeo. 
● O vírion protege o genoma viral quando o vírus está fora da célula hospedeira, e 
proteínas na superfície do vírion são importantes no ancoramento à célula hospedeira. 
● Contém um revestimento protéico. 
 
Capsídeo e Envelope Viral: 
● Capsídeo: Revestimento protéico que envolve o material genético. Sua forma irá 
depender da estrutura do ácido nucléico. Cada subunidade protéica do capsídeo é 
denominada capsômero. 
Obs.: Em alguns vírus são apenas um tipo de proteína, em outros são de vários tipos. 
● Em alguns vírus, o capsídeo é envolvido por um envelope (composição de lipídeos, 
proteínas e carboidratos) 
● O envelope viral é adquirido enquanto o vírus sai da célula por meio de um processo 
denominado "brotamento" 
● Vírus envelopados são mais sensíveis ao calor, dessecamento, detergentes e solventes 
lipídicos, como álcool e éter 
● Os vírus envelopados são normalmente aqueles transmitidos por contato direto 
● Dependendo do vírus o envelope pode apresentar ou não espículas 
- Complexo carboidrato-proteína que protege o envelope viral 
- Alguns vírus se ligam às células hospedeiras através das espículas 
Obs .: Nucleocapsídeo: Capsídeo + ácido nucleico 
 
 
Ácido Nucléico (genoma) 
● Vírus podem possuir DNA ou RNA como material genético. 
● Os vírus podem ser classificados com base nos hospedeiros que infectam, bem como 
pela sua estrutura do genoma. Assim, temos vírus bacterianos, vírus de arqueias, vírus 
de animais, vírus de plantas, de protozoários, e assim por diante. Vírus bacterianos 
são denominados bacteriófagos (ou simplesmente fagos). 
● Pode ser de fita simples ou dupla 
● Também pode possuir forma linear ou circular 
Obs: Em alguns vírus (como o da gripe) o ácido nucleico é segmentado. 
 
● Somente para RNA 
Obs.: Os genomas virais de senso positivo apresentam a sequência de bases exatamente igual 
ao do RNAm viral que será traduzido para formar as proteínas virais. Em contrapartida, os 
genomas virais de senso negativo são complementares à sequência de bases do RNAm viral. 
- RNA senso negativo: Primeiro precisam produzir um RNA mensageiro, para posteriormente 
ser traduzido 
- RNA senso positivo: Têm um genoma de RNA de cadeia simples que pode servir como 
RNA mensageiro (mRNA), podendo ser diretamente traduzido para produzir uma sequência 
de aminoácidos. 
 
● Ambos são RNA de fita simples 
Obs.: Alguns vírus possuem alta capacidade de mutação no genoma, permitindo haver 
diversas infecções. 
 
 
Morfologia Geral: 
 
1) Poliédrico: 
● Os capsômeros são arranjados em 20 triângulos que formam uma figura simétrica 
(icosaedro) com um contorno aproximado de uma esfera. 
 
2) Helicoidal: 
● Os capsômeros são arranjados em uma espiral oca que apresenta forma de bastão. A 
espiral pode ser rígida ou flexível 
Obs.: Todos os vírus helicoidais dos seres humanos são envelopados. 
 
3) Vírus envelopado: 
● Capsídeo envolto por um envelope 
● Muitos vírus envelopados (p. ex., vírus influenza) infectam células animais, nas quais 
a membrana citoplasmática é diretamente exposta ao ambiente. 
● O envelope viral é importante na infecção, uma vez que é o componente do vírion que 
entra em contato com a célula hospedeira. A especificidade da infecção pelo vírus 
envelopado e alguns aspectos da sua penetração são, assim, controlados pelas 
proteínas de envelopes vírus-específicas, essenciais tanto para a ligação do vírion com 
a célula hospedeira durante a infecção quanto para a libertação do vírion a partir da 
célula hospedeira após a replicação. 
● São relativamente esféricos, mas os poliédricos e helicoidais podem ser envelopados. 
 
4) Vírus complexo: 
● Bacteriófagos 
● Poxvírus: Não possuem capsídeos definidos, mas possuem diversos envoltórios. 
 
Classificação 
● Os vírus podem ser classificados de acordo com o tipo de material genético 
encontrado e a forma que utiliza o metabolismo da célula hospedeira para a 
reprodução. São eles: 
● DNA vírus: são vírus que possuem DNA como material genético. Eles podem realizar 
o ciclo lisogênico, acoplando o seu DNA ao da célula hospedeira, não realizando o 
processo de reprodução. Também são capazes de realizar o ciclo lítico, onde começam 
a utilizar o metabolismo da célula hospedeira para a produção de novos capsídeos e 
DNA até estourar a célula hospedeira. 
● Retrovírus: são vírus que possuem RNA como material genético, mas sintetizam 
DNA à partir de seu RNA viral através da enzima transcriptase reversa. 
● Vírus RNA replicantes: são vírus que possuem RNA como material genético e 
produzem novos RNA no citoplasma da célula hospedeira. 
● Arbovírus ("Arthropod Borne Viruses"): é um nome genérico dado aos vírus que são 
transmitidos por artrópodes, como por exemplo mosquitos. O termo arbovírus não é 
incluído na classificação taxonômica de vírus. Isto é, vírus de famílias e até mesmo de 
ordens diferentes poderão ser denominados arbovírus. 
 
Reprodução 
● Bacteriófagos: 
 Infecção de bactérias 
 
1) Ciclo lítico: 
- Adsorção 
Um sítio de adesão do vírus se liga ao sítio complementar da célula bacteriana. 
- Penetração: 
Liberação da lisozima fágica que degrada uma porção do envoltório celular e insere apenas o 
material genético do vírus. 
- Biossíntese 
Utiliza todo o maquinário celular para a síntese de proteínas virais, controle gênico de todo o 
processo. Nessa fase ainda não se encontra vírus maduros. 
 
Obs.: Nos primeiros minutos após a infecção, diz-se que os vírus estão em fase de eclipse. 
Uma vez ligados a uma célula hospedeira permissiva, os vírions deixam de estar disponíveis 
para infectar outras células. Esse processo é acompanhado pela penetração do ácido nucleico 
viral na célula hospedeira. Se a célula infectada romper-se nessa fase, ovírion deixará de 
existir como entidade infecciosa, uma vez que o genoma viral não se encontra mais no 
interior de seu capsídeo. 
 
- Maturação 
Vírions completos são formados a partir do DNA e do capsídeo dos bacteriófago. A fase de 
maturação é iniciada à medida que as moléculas de ácido nucleico recém-sintetizadas são 
empacotadas no interior dos capsídeos. Durante a fase de maturação, o título de vírions ativos 
no interior da célula aumenta de forma expressiva. Todavia, as novas partículas virais não 
podem ainda ser detectadas, exceto se as células forem lisadas artificialmente, a fim de 
promover sua liberação. Uma vez que os vírions recém-sintetizados ainda não surgiram 
externamente à célula, os períodos de eclipse e maturação, em conjunto, são denominados 
período de latência da infecção viral. 
 
- Liberação: 
Ao final da maturação, a lisozima promove a lise da célula hospedeira e consequentemente a 
liberação de vírions maduros. O número de vírions liberados, denominado tamanho da 
população liberada, depende do vírus e da célula hospedeira em particular, podendo variar de 
alguns poucos a milhares. A duração de um ciclo completo de replicação varia de 20 a 60 
minutos (no caso de muitos vírus bacterianos) a 8 a 40 horas (para a maioria dos vírus de 
animais). 
 
 
2) Ciclo lisogênico: 
● Alguns vírus podem usar uma via alternativa, chamada de ciclo lisogênico, na qual o 
DNA viral se torna integrado no cromossomo da célula hospedeira e nenhuma 
partícula viral da progênie é produzida nesse momento. O ácido nucleico viral 
continua a funcionar em seu estado integrado de várias maneiras. 
● Umas das mais importantes funções da lisogenia do ponto de vista médico é a síntese 
de várias exotoxinas em bactérias, como diftérica, botulínica, colérica e toxinas 
eritrogênicas, codificadas por genes de um bacteriófago integrado (prófago). 
Conversão lisogênica é o termo aplicado para as novas propriedades que uma bactéria 
adquire como resultado da expressão dos genes de um prófago integrado. A 
conversão lisogênica é mediada pela transdução de genes bacterianos de uma bactéria 
doadora para uma bactéria receptora por bacterió- fagos. 
● O próximo passo importante no ciclo lisogênico é a integração do DNA viral no DNA 
da célula. O DNA viral integrado é chamado de prófago. 
● Uma vez que o DNA viral integrado se replica junto do DNA celular, cada 
célula-filha herda uma cópia. Entretanto, o prófago não fica permanentemente 
integrado. Ele pode ser induzido a retomar seu ciclo replicativo pela ação de luz UV e 
de certas substâncias químicas que danificam DNA. A luz UV induz a síntese de uma 
protease, que cliva o repressor. Os genes precoces passam a funcionar, incluindo os 
genes que codificam para as enzimas que excisam o prófago do DNA celular. O vírus 
então completa seu ciclo replicativo, levando à produção de progênie viral e lise da 
célula. 
 
● Recombinação do DNA viral e da célula hospedeira 
● Sempre que a maquinaria replicar o material genético celular, o genoma viral também 
irá replicar 
● Algum evento espontâneo pode levar a excisão do DNA do prófago e ao início do 
ciclo lítico 
Obs.: Prófago: DNA do bacteriófago inserido ao cromossomo bacteriano. 
 
Vírus animais 
- Adsorção: 
As proteínas de superfície dos vírus se ligam aos receptores de membrana específicos das 
células. A especificidade dessa ligação determina o espectro de hospedeiro do vírus. 
 
- Penetração: 
Muitos vírus penetram por endocitose mediada por receptor. 
Membrana constantemente sofre invaginações, que leva elementos do exterior para o interior 
da célula, o vírion vai junto. 
Obs.: Vírus envelopados podem penetrar através da fusão do seu envelope à membrana 
plasmática. 
 
- Desnudamento: 
Separação do ácido nucleico do seu envoltório proteico. 
 
- Biossíntese do vírus de DNA 
Replicam o seu genoma no núcleo da célula hospedeira 
Uma parte é transcrita, produzindo RNAm que codificam proteínas virais precoces 
O DNA viral é replicado e algumas proteínas virais são sintetizadas 
Obs.: Tradução tardia » produção das proteínas do capsídeo 
Os novos vírions são transportados para a membrana plasmática e liberados. 
 
- Biossíntese dos vírus de RNA 
Multiplicam-se da mesma forma que o vírus de DNA, porém eles realizam isso no 
citoplasma. 
Possuem uma enzima (RNA polimerase dependente de RNA), produção induzida pelo vírus 
na célula hospedeira > realiza a replicação do RNA. 
Fita senso + x fita senso - 
 
- Biossíntese dos vírus de RNA que utilizam o DNA (retrovírus) 
Os vírus carregam a transcriptase reversa que utiliza o RNA viral como molde para a síntese 
de um DNA de dupla fita complementar. 
 O DNA viral integra-se ao cromossomo da célula hospedeira na forma de um provírus 
(nunca é removido do cromossomo) 
Obs.: Algumas vezes provírus permanece em latência e se replica somente quando o DNA da 
célula é replicado. 
Em casos de expressão, o provírus pode comandar a síntese de novos vírus. 
 Em casos de retrovírus oncogênicos, o provírus pode converter a célula hospedeira em uma 
célula tumoral. 
 
4. Entender os mecanismos de agressão do vírus e de defesa do organismo 
 
Existem quatro principais efeitos de uma infecção viral em uma célula: (1) morte, (2) fusão 
das células para formar uma célula multinucleada, (3) transformação maligna, e (4) nenhuma 
mudança morfológica ou funcional aparente. 
1. A morte da célula provavelmente ocorre devido à inibição da síntese de 
macromoléculas. A inibição da síntese de proteínas celulares do hospedeiro 
frequentemente ocorre primeiro e é provavelmente o efeito mais importante. A 
inibição da síntese de DNA e RNA pode ser um efeito secundário. É importante 
observar que a síntese de proteínas celulares é inibida, mas a síntese de proteínas 
virais ainda ocorre. 
2. A fusão de células infectadas por vírus produz células gigantes multinucleadas, que 
caracteristicamente se formam após infecções por herpes-vírus. A fusão ocorre como 
resultado de mudanças na membrana celular, provavelmente causadas pela inserção 
de proteínas virais na membrana. 
 
OBS.: Uma característica de infecções virais em uma célula é o efeito citopático (ECP). Essa 
mudança na aparência da célula infectada normalmente começa com arredondamento e 
escurecimento da célula, culminando em lise (desintegração) ou formação de células 
gigantes. A detecção de vírus em espécimes clínicos frequentemente é baseada no 
aparecimento de ECP em cultivo celular. Além disso, o ECP é a base para o ensaio de placa, 
um método importante para quantificação de vírus em uma amostra. 
 
3. A infecção por certos vírus causa transformação maligna, que é caracterizada por 
crescimento descontrolado, sobrevivência prolongada e mudanças morfológicas, 
como áreas focais de células arredondadas e empilhadas. 
 
Agressão 
● Os vírus podem alterar seus antígenos e deixar de ser alvos das respostas imunes: 
- Os antígenos afetados são mais comumente glicoproteínas de superfície 
reconhecidas por anticorpos, porém os epítopos de células T também podem 
sofrer variação. 
- Os principais mecanismos de variação antigênica são as mutações pontuais e o 
rearranjo dos genomas de RNA (em vírus de RNA), que levam à deriva 
antigênica e à variação antigênica. 
- Esses processos são de grande importância na disseminação do vírus 
influenza. 
- Os genomas virais sofrem mutações nos genes codificadores dessas proteínas 
de superfície, e a variação resultante é chamada deriva antigênica. 
- De maneira alternativa, os genomas de RNA segmentado de várias cepas de 
vírus influenza que normalmente habitam diferentes espécies de hospedeiro 
podem se recombinar nas células hospedeiras, e esses vírus recombinados 
podem diferir de forma bastante drástica das cepas prevalentes » A 
recombinação de genes virais resulta em alterações significativas na estrutura 
antigênica, chamadas variação antigênica, que cria vírus distintos como o da 
gripe aviária ou o da gripe suína. Devido à variação antigênica,um vírus pode 
se tornar resistente à imunidade gerada na população por infecções prévias. 
 
● Alguns vírus inibem a capacidade do hospedeiro de induzir o estado antiviral: 
- Os coronavírus SARS-CoV, MERS-CoV e SARS-CoV-2 podem desligar a 
resposta de IFN tipo I do hospedeiro. 
- Eles fazem isso por vários meios. Algumas proteínas virais modificam o RNA 
viral para torná-lo mais parecido com o mRNA do hospedeiro 
- Outras proteínas atenuam a tradução de IFNs tipo I do hospedeiro. 
 
● Alguns vírus inibem a apresentação de antígenos proteicos citosólicos associada ao 
MHC de classe I: 
- Os vírus produzem uma variedade de proteínas que bloqueiam diferentes 
etapas no processamento, transporte e apresentação do antígeno 
- A inibição da apresentação antigênica bloqueia a montagem e a expressão de 
moléculas do MHC de classe I e a exibição de peptídios virais. 
- Como resultado, as células infectadas por esses vírus não podem ser 
reconhecidas nem mortas por CTLs CD8+. 
- Alguns vírus podem produzir proteínas que atuam como ligantes de receptores 
de inibição das células NK e, assim, inibem a ativação dessas células. 
 
● Alguns vírus produzem moléculas que inibem a fase efetora das respostas imunes: 
- Os poxvírus codificam moléculas que são secretadas por células infectadas e 
se ligam a várias citocinas, incluindo IFN-y, TNF, IL-1, IL-18 e quimiocinas. 
As proteínas ligantes de citocinas podem atuar como antagonistas 
competitivos das citocinas. 
- O vírus Epstein-Barr produz uma proteína homóloga à citocina IL-10, que 
inibe a ativacao de macrolagos eDCs, podendo assim suprimir a imunidade 
mediada por células. 
 
Defesa 
 
Defesas não específicas 
 
1. Interferons alfa e beta 
 Os interferons α e β constituem um grupo de proteínas produzidas pelas células humanas 
em resposta a uma infecção viral (ou após a exposição a substâncias indutoras). Eles inibem a 
replicação dos vírus mediante bloqueio da síntese de proteínas virais, e o fazem por 
intermédio de dois mecanismos: um é por meio de uma ribonuclease que degrada mRNAs, e 
o outro é por meio de uma cinase proteica que inibe a síntese de proteínas. 
 
2. Células natural killer 
 Elas são chamadas de células “natural killer” porque são ativas sem a necessidade de serem 
expostas ao vírus previamente e não são específicas para nenhum vírus. As células NK são 
um tipo de linfócito T, mas não possuem um receptor para antígenos. Elas reconhecem 
células infectadas por vírus por meio da ausência de proteínas do MHC (complexo principal 
de histocompatibilidade) de classe I na superfície das células infectadas. Elas matam células 
infectadas por vírus por meio da secreção de perforinas e granzimas, que causam apoptose da 
célula infectada. 
 
3. Fagocitose 
 Os macrófagos, principalmente macrófagos fixos do sistema reticuloendotelial e 
macrófagos alveolares, são os tipos celulares importantes na limitação de infecções virais. 
 
4. α-Defensinas 
 As α-defensinas são uma família de peptídeos positivamente carregados com atividade 
antiviral. Elas interferem no vírus da imunodeficiência humana (HIV) ligando-se ao receptor 
CXCR4 e bloqueando a entrada do vírus na célula. A produção de α-defensinas pode explicar 
por que alguns indivíduos infectados com HIV são “não progressores” em longo prazo. 
 
5. Febre 
 A febre age de duas formas: (1) inativar partículas virais, sobretudo os vírus envelopados, 
que são mais sensíveis ao calor do que vírus não envelopados; e (2) a febre pode inibir a 
replicação. 
6. Depuração mucociliar 
 O mecanismo de depuração mucociliar do trato respiratório pode proteger o hospedeiro. 
 
7. Fatores que modificam as defesas do hospedeiro 
 
● A idade. Em geral, infecções são mais graves em neonatos e em idosos do que em 
crianças mais velhas e adultos jovens. 
● Níveis aumentados de corticosteroides. Os corticosteroides podem causar uma série 
de efeitos pertinentes, como lise de linfócitos, recrutamento diminuído de monócitos, 
inibição da produção de interferon e estabilização de lisossomos. 
● A desnutrição.Má nutrição causa produção diminuída de imunoglobulinas e de 
atividade de fagócitos, assim como integridade reduzida de pele e de membranas de 
mucosas. 
 
Defesas específicas 
 
1. Imunidade ativa 
 A imunidade ativa, na forma de anticorpos e células T citotóxicas, é muito importante para 
a prevenção de doenças virais. 
 A primeira exposição ao vírus, causando tanto uma infecção não aparente quanto uma 
doença sintomática, estimula a produção de anticorpos e ativação de células T citotóxicas. O 
papel que os anticorpos e células T citotóxicas têm na recuperação dessa primeira infecção é 
incerto e pode variar de vírus para vírus, mas é evidente que eles possuem um papel essencial 
em proteger contra a doença quando expostos ao mesmo vírus em algum momento no futuro. 
 A IgA confere proteção contra vírus que entram através da mucosa respiratória e 
gastrintestinal, e IgM e IgG protegem contra vírus que entram ou são disseminados pelo 
sangue. 
 
 Existem dois mecanismos principais que um anticorpo inibe os vírus. O primeiro é a 
neutralização da infectividade do vírus pela ligação do anticorpo a proteínas da superfície 
externa do vírus. Essa ligação tem dois efeitos: (1) ela pode impedir a interação do vírus com 
o receptor celular, e (2) ela pode ligar as proteínas virais e estabilizar o vírus para que o 
desnudamento não ocorra. O segundo mecanismo principal é a lise das células infectadas por 
vírus na presença de anticorpos e complemento. O anticorpo liga-se a novos antígenos 
vírus-específicos na superfície da célula e então se liga ao complemento, que 
enzimaticamente degrada a membrana celular. Como a célula é morta antes que uma 
produção completa do vírus ocorra, a disseminação do vírus é significativamente reduzida. 
 
2. Imunidade Passiva 
 A transferência de soro humano contendo os anticorpos apropriados fornece imunidade de 
curta duração para indivíduos expostos a certos vírus. O termo passiva refere-se à 
administração de anticorpos pré-formados. Dois tipos de preparações de imunoglobulinas são 
usados para esse propósito. Um deles possui altos títulos de anticorpos contra um vírus 
específico, e o outro é uma amostra misturada de doadores de plasma que contém uma 
mistura heterogênea de anticorpos com títulos baixos. 
 
-Imunidade Inata: 
● Os principais mecanismos da imunidade inata contra vírus são a inibição da infecção 
por IENs tipo I e o killing das células infectadas mediado por células NK. 
● A infecção por muitos vírus está associada à produção de IFNs tipo I pelas células 
infectadas, bem como por DCs plasmocitóides e macrófagos, em resposta aos 
produtos virais. 
● As IFNs tipo I inibem a replicação viral tanto em células infectadas como em células 
não infectadas. As IFNs tipo I também estimulam a produção de outras proteínas do 
hospedeiro que interferem na replicação viral e são chamados fatores de restrição. 
● As células NK matam células infectadas por vírus e constituem um importante 
mecanismo de imunidade contra vírus, especialmente os de DNA, no início do curso 
da infecção, antes de as respostas imunes adaptativas terem se desenvolvido. 
● A expressão do MHC de classe I frequentemente é "desligada" nas células infectadas 
por vírus, como um mecanismo de escape dos CTLs. Isso permite que as células NK 
matem as células infectadas, uma vez que a ausência de classe I libera as células NK 
de um estado normal de inibição. 
 
-Imunidade Adaptativa: 
● A imunidade adaptativa contra infecções virais é mediada por anticorpos que 
bloqueiam a ligação e a entrada do vírus nas células hospedeiras e por CTLs, que 
eliminam a infecção destruindo as células infectadas 
● Os anticorpos são efetivos contra os vírus somente durante o estágio de vida 
extracelular desses microrganismos. 
● Os anticorpos antivirais se ligam ao envelope viral ou aos antígenos do capsídio e 
atuam principalmente como anticorpos neutralizadores,para prevenir a fixação e a 
entrada dos vírus nas células hospedeiras. 
● Assim, os anticorpos previnem tanto a infecção inicial como a disseminação célula a 
célula. 
● A ativação do complemento também pode participar na imunidade viral mediada por 
anticorpos, principalmente via promoção de fagocitose e, possivelmente, pela lise 
direta dos vírus contendo envelopes lipídicos. 
● A maioria dos CTLs vírus-específicos consiste em células T CD8 + que reconhecem 
peptídios virais citosólicos > Se a célula infectada for uma célula tecidual, e não uma 
célula apresentadora de antígeno. como uma DC, a célula infectada ou as proteínas 
virais liberadas da célula podem ser fagocitadas pela DC, que processa os antígenos 
virais e os apresenta às células T CD8+ naive para iniciar a resposta antiviral de 
células T. »As células T CD8+ sofrem uma intensa proliferação durante a infecção 
viral, e a maioria das células que proliferaram é específica para apenas alguns 
peptídios virais. 
● As células T ativadas se diferenciam em CTLs efetores capazes de destruir qualquer 
célula nucleada infectada que estiver produzindo antígenos virais no citosol e 
apresentando peptídios derivados desses antígenos em moléculas do MHC de classe I 
da superfície celular.

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