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Natal/RN Junho/2022 Revisão de Língua Portuguesa Fabíola Barreto Revisão de ABNT Lilian Nayara Pereira da Silva Revisão Tipográfica Flávia Jácome Gonçalves Capa Daiana Martins de Araújo Diagramação Daiana Martins de Araújo Ana Beatriz Venceslau Coelho Secretária de Educação a Distância Maria Carmem Freire Diógenes Rêgo Secretária Adjunta de Educação a Distância Ione Rodrigues Diniz Morais Coordenadora de Produção de Materiais Didáticos Maria Carmem Freire Diógenes Rêgo Coordenadora de Revisão Kaline Sampaio Coordenador Editorial José Correia Gestão do Fluxo de Revisão Rosilene Alves de Paiva Conselho Editorial Graco Aurélio Câmara de Melo Viana (Presidente) Judithe da Costa Leite Albuquerque (Secretária) Adriana Rosa Carvalho Anna Cecília Queiroz de Medeiros Cândida de Souza Fabrício Germano Alves Francisco Dutra de Macedo Filho Gilberto Corso Grinaura Medeiros de Morais José Flávio Vidal Coutinho Josenildo Soares Bezerra Kamyla Álvares Pinto Leandro Ibiapina Bevilaqua Lucélio Dantas de Aquino Luciene da Silva Santos Marcelo da Silva Amorim Marcelo de Sousa da Silva Márcia Maria de Cruz Castro Marta Maria de Araújo Martin Pablo Cammarota Roberval Edson Pinheiro de Lima Sibele Berenice Castella Pergher Tercia Maria Souza de Moura Marques Tiago de Quadros Maia Carvalho Reitor José Daniel Diniz Melo Vice-Reitor Henio Ferreira de Miranda Diretoria Administrativa da EDUFRN Graco Aurelio Camara de Melo Viana (Diretor) Helton Rubiano de Macedo (Diretor Adjunto) Bruno Francisco Xavier (Secretário) Todos os direitos desta edição reservados à EDUFRN – Editora da UFRN Av. Senador Salgado Filho, 3000 | Campus Universitário Lagoa Nova | 59.078-970 | Natal/RN | Brasil e-mail: contato@editora.ufrn.br | www.editora.ufrn.br Telefone: 84 3342 2221 Fundada em 1962, a EDUFRN permanece dedicada à sua principal missão: produzir livros com qualidade editorial, a fim de promover o conhecimento gerado na Universidade, além de divulgar expressões culturais do Rio Grande do Norte. Obra financiada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com recursos do Fundo Editorial da UFRN. A avaliação da obra foi feita por avaliadores/consultores ad hoc com base nos critérios de seleção do Edital 01.2015 da Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte - EDITAL DE APOIO À PUBLICAÇÃO DE LIVROS. Catalogação da publicação na fonte. UFRN/Secretaria de Educação a Distância. Elaborada por Edineide da Silva Marques CRB-15/488. PREFÁCIO O SERTÃO E A ESCOLA: linhas em traços da memória O sertão e seus fascínios; a escola e as conquistas; linhas que tecem os registros da memória. É sobre isto que este livro fala: narrar a história da educação no sertão do Seridó Potiguar a partir das reminiscências de alunos do Curso de Pedagogia. As linhas de tempo construídas por esses narradores contam a história da educação que não está nos livros acadê- micos, mas que se revela nos fatos da história de vida pessoal em diálogo com as diretrizes da política educacional. Pela história de cada pessoa que narra sobre seu percurso escolar, em cada um dos artigos, encontramos não só episódios sobre a história da educação do ponto de vista de vista das políticas educacionais, implantadas a partir da Constituição Federal do Brasil de 1988, como também o depoimento fascinante e emocionante de como as diretrizes oficiais impactaram e se fizeram presentes nas escolas urbanas e rurais da Região do Seridó. O encontro entre o sertão e a escola se torna possível pelos relatos da memória. A História da Educação é descrita pela legislação educa- cional servindo de pano de fundo para o registro dos dados de escolarização e do mundo de vida cotidiano de crianças que percorrem o trajeto entre a casa e a escola nas veredas dos sertões, compondo cenas e cenários das memórias infantis. Cada artigo vai ao encontro do leitor como uma obra de arte cuja tradução inspiradora é sua própria vida desenhada em perfeitas linhas de tempo, as quais são desenhadas como uma “unidade visual” mínima que tende a dar contorno a cada história de vida pessoal. Preenchendo as linhas de tempo, os relatos emocionados, ora fortes e densos, ora discretos e tímidos, proporcionam ao leitor o encontro afetuoso com o percurso de escolarização de cada uma dessas pessoas, pontilhadas de imagens pelas estradas do sertão, pelas chuvas, pelos pais que, incansáveis, acompanham até seus pontos de partida e destino. Em cada texto, somos surpreendidos pelas memórias de meninas e meninos que usaram lombos de animais, bicicletas e as doces brincadeiras de infância para percorrer quilômetros sob o sol caloroso do sertão para chegar à escola. São histórias de conquistas e realizações; histórias da Educação. As cores do sertão estão presentes nesses relatos e nos convidam ao imaginário da vida de cada um dos autores. Surgem cores, formas, cheiros e luzes que nos levam a vislum- brar um mundo de narrativas de prazer e alegria. Se o assunto principal é a narrativa de histórias de esco- larização, ele se mistura ao imenso labirinto da memória num equilíbrio de temas, emoções e vida. Sob a luz da História da Educação, este livro a reconstrói e traz o resgate das memórias sonhadas e conquistadas de cada autor. E mais, é resultado de outras histórias de formação de estudantes, bolsistas e volun- tários, que integram os projetos “Pesquisa, Ensino e Inovação” (Felipe Medeiros Maris, Messias Gomes de Araujo Leal, Luana Cristina da Silva Dantas) e “Ensino e Inovação Tecnológica: práticas e experiências exitosas” (Julliana Araújo da Silva), que contribuíram com a revisão dos textos e sonharam juntos a escrita deste capítulo da História da Educação do sertão do Seridó Potiguar. Agradecemos o apoio e financiamento do Departamento de Educação do Centro de Ensino Superior do Seridó (Ceres) e a parceria permanente da Secretaria de Educação a Distância (Sedis), da Pró-reitoria de Graduação (Prograd) e da Pró-reitoria de Pesquisa (Propesq) da Universidade Federal do Rio Grande Norte (UFRN) na realização do projeto. Tânia Cristina Meira Garcia Tulia Fernanda Meira Garcia Organizadoras APRESENTAÇÃO À SOMBRA DE UM CONTEMPORÂNEO Maria Carmem Freire Diógenes Rêgo Professora Doutora da Universidade Federal do Rio Grande Norte Escrever a apresentação de um livro requer segurança, inspiração e responsabilidade. O que se pode requerer, além do que foi dito, quando se pretende escrever a apresentação de um livro de trinta e três artigos que dialogam com o Sertão e a Escola? E, ainda, com o Sertão e a Escola potiguares? E como se não bastasse, justa- mente no ano em que se comemora o centenário de nascimento de um dos mais renomados educadores do mundo: Paulo Freire. Tânia Cristina Meira Garcia e Tulia Fernanda Meira Garcia, organizadoras de O sertão e a escola: linhas em traços da memória, sistematizaram uma obra onde trinta e três alunos do curso de Pedagogia – como que sentados à sombra de uma mangueira em seus quintais –, perceberam os desdobramentos de outros espaços diversos e, nisso, cada um deles, como educador do hoje, “[...] aprende por ver melhor o antes visto” (FREIRE, 2012, p. 40)1. 1 FREIRE, Paulo. À sombra desta mangueira. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2012. Escrever nessa apresentação sobre cada um dos artigos não agradaria ao leitor porque se faz necessário lê-los sem atravessa- dores. Trajetórias, jornadas, caminhos, histórias, relatos, percursos, evolução, recordações, reflexões, fatos, conhecimentos e desco- nhecimentos, primórdios e atualidades, memórias, mudanças, construção, o eu e o outro, a escola, vivências e aprendizados, marcos importantes, sonhos e realidade seriam os termos exatos para construir a nuvem de palavras que constituem este livro. É inadmissível observar o espaço sem perceber aquele que o habita. E o que dizer do Sertão sem lembrar de seus habi- tantes? São aqueles e aquelas que trazem a resistência como tradição e cultura, aquelese aquelas que, antes [durante e após] de tudo, são como um forte, precedendo até mesmo os olhares de Euclides da Cunha em seu Os Sertões. Percebe-se, ao longo das trinta e três narrativas, o desdo- bramento do humano, do professor e da professora sempre em formação, dos homens e das mulheres sensíveis e inquietos assim como devem ser os educadores: olhando o outro e olhando-se. De repente me veio o pensamento: o que leremos desses trinta e três educadores daqui a cinco, dez ou vinte anos? E qual seriam os sentimentos das organizadoras em lerem esses relatos? Quais seriam as palavras que complementariam aquela nuvem apresentada no terceiro parágrafo? Não tenho as respostas para essas perguntas, apenas elucubrações que não valem a pena escrever; mas tenho a certeza da transmutação deste livro em diários de bordo, planos de viagens e cadernos de memórias – foi o que esses trinta e três pedagogos construíram. O educador contemporâneo – contemporâneo no sentido amplo de Agamben2 – pertence ao seu tempo, seu momento, 2 AGAMBEN, Giorgio. O que é contemporâneo? E outros ensaios. Santa Catarina: Argos, 2019. mas é inatual por não coincidir com esse tempo seu, e por isso é capaz de perceber e aprender o seu tempo, o tempo em que vive. São esses educadores que se reconhecem no seu tempo e no seu espaço, que vivem a contemporaneidade de seus educandos e conseguem transpô-los para um lugar ainda mais distante. A apresentação da obra O sertão e a escola: linhas em traços da memória não cabe em meia dúzia de páginas, não cabe em cinco minutos de leitura: a própria obra se apresenta, se repre- senta e se desdobra. Ainda, à sombra da minha mangueira, reconhecendo-me como parte de um Sertão e de uma Escola, intuo a vida de cada um dos autores e das autoras e a vida de seus educandos como sempre sendo “possibilidades” e jamais aquilo que se diz em oposto. Em um momento em que o mundo chamado Sertão também resiste a um instante pandêmico associado ao negacionismo e à tentativa de desmonte dos bens educacionais, os homens e as mulheres desse mesmo Sertão também resistem. E com eles resiste a ideia de que cada um de nós é “[...] um ser no mundo, com o mundo e com os outros. Um ser que faz coisas, que sabe, que ignora, que teme, que fala, que se aventura, que sonha, que ama, que tem raiva, que se encanta” (FREIRE, 2012, p. 35). Ler alternada ou sequencialmente esta coletânea não faz diferença porque a sua cronicidade histórica vem a nós como um cotidiano de esperança, como aquela nuvem cinza que paira nos céus dos Sertões e que promete o verde e a vida, como assim promete também a Educação. Parabéns aos meus queridos colegas educadores e educadoras que participaram de O sertão e a escola: linhas em traços da memória. Boa leitura. Natal (RN), outubro de 2021. MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO ..................................... 15 Adene Kaline Araújo de Azevedo JORNADA ESCOLAR UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS .............................. 43 Ana Santana Santos de Lima MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU .................... 60 SUMÁRIO Bárbara Gomes Medeiros Bezerra TRAJETÓRIA EDUCACIONAL LEMBRANÇAS ........................................................... 86 Barbara Tamires dos Santos MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS ...................................... 129 Carlete Barbosa de Souza MEU CAMINHO ESTUDANTIL ...................................... 141 Cidelly Eduarda Silva Costa MINHA ESCOLARIZAÇÃO MEDIADA PELA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA ................. 152 Daniela Dara de Medeiros Santos EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS ........... 159 Dayane Kelly Queiroz Lima MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO ........................... 182 Elianete Maria Medeiros de Souza A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO .............................. 195 Eneyse Dayane Pinheiro RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS ............................... 223 Felícia Azevedo da Costa MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA .................................. 242 Flávia Lilian Félix da Silva A ESCOLA DA EDUCAÇÃO À VIDA ................................................. 261 Gabriel Fidelis Alves de Araújo HISTÓRIA E EDUCAÇÃO UM PERCURSO DE TODA VIDA ....................................... 276 Gisele Saudéris Pereira Dantas PERCURSO DA MINHA ESCOLARIZAÇÃO MARCOS LEGAIS ........................................................ 293 Gizolene de Fátima Barbosa da Silva Cantalice RECORDAÇÕES E REFLEXÕES DA MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR ................................ 338 Isabela Mariz de Oliveira REFLEXÃO SOBRE MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENGATINHAR AO ANDAR ......................................... 354 Jaine de Morais Silva PERCURSO DE ESCOLARIZAÇÃO DOS PRIMÓRDIOS À ATUALIDADE .................................. 390 Joyce Lira de Araújo TRAJETÓRIA SOCIOESCOLAR FATOS E (DES)CONHECIMENTOS LEGISLATIVOS NA EDUCAÇÃO DO SUJEITO .......................................... 410 João Marcos Brito da Silva MEMÓRIAS DA ESCOLARIZAÇÃO RELATO FUNDAMENTADO PELA LEGISLAÇÃO VIGENTE .......................................... 441 Julliana Araújo da Silva MINHA VIDA CAMINHANDO A CADA PASSO EM BUSCA DOS MEUS SONHOS ..................................... 462 Larissa Adriene Faustino Silva MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR FRENTE ÀS MUDANÇAS NA LEGISLAÇÃO EDUCACIONAL ................................... 477 Letícia Medeiros Fernandes MEU PERCURSO ESCOLAR MARCOS LEGAIS ......................................................... 487 Luana da Nobrega Costa A CONSTRUÇÃO DO SABER ......................................... 500 Maria Laura Bezerra Dantas TRAJETÓRIA ESTUDANTIL NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO ....................................... 510 Monara Emília Pereira de Medeiros HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO E MEU PERCURSO ESCOLAR ........................................ 518 Nathália Dyasmim de Assis Silva EU E A ESCOLA .......................................................... 535 Renata Jordânia Alves da Silva EM BUSCA DE CONHECIMENTO VIVÊNCIAS E APRENDIZADOS ........................................ 562 Renata Lorena de Sousa Santos RECORTES DA MINHA VIDA ACADÊMICA EM BUSCA DO MEU EU ................................................ 576 Ruanna Maria Borges de Araújo do Nascimento HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA MARCOS IMPORTANTES PARA MINHA ESCOLARIZAÇÃO ...................................... 592 Stefany Pereira Batista MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR FATOS MARCANTES ..................................................... 603 Thamires Damiana Santos CHOQUE DE REALIDADE DO PRIVADO AO PÚBLICO ............................................ 624 Tiago Talysson Dantas Cavalcante PERCURSO ENTRE A TRAJETÓRIA DA EDUCAÇÃO E A MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR ................................. 635 Vanessa Medeiros de Souza SOBRE OS ORGANIZADORES ....................................... 654 MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo1 RESUMO Este texto relata minha trajetória acadêmica desde o primeiro contato com uma instituição de ensino, uma trajetória pela educação, e seus caminhos, assim, no decorrer do texto estarei discorrendo sobre a mesma, com relevância na história da educação e como era vivido na minha época em questão, meu olhar sobre essa importante etapa da minha vida, em se tratando de escola, e seus valores, usando das minhas memórias e do meu histórico escolar, posso compreender melhor a jornada que me trouxe até onde estou hoje, visando informar minha história e também a compreender os regimentos da época de cada etapa que passei galgando os degraus da educação, por meio dessas memórias que trago neste trabalho as experiências e situações vividas ao longo de tudo, sendo possível analisar esse percurso sobre uma ótica diferenciadade acordo com cada passagem e decorrência dos anos e amadurecimento de cada fase, também por meio deste busco relacionar o que foi vivido com o que era 1 Graduanda do curso de Pedagogia Licenciatura, pelo Centro de Ensino Superior do Seridó - CERES, Campus Caicó/RN. Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN, 2019. Email: adenekaline@hotmail.com MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 16 estabelecido para cada momento segundo os regimentos e dire- trizes que regiam a educação em determinado período, sabendo a importância deste trabalho para a ampliação do meu conheci- mento e para o desenvolvimento do componente curricular a que este se destina, História da Educação Brasileira, que vem sendo uma excelente aquisição para o meu currículo e compreensão da minha formação enquanto futura pedagoga, sendo de suma importância o assunto em questão, na concepção do aprendizado. Palavras-chave: história da educação; trajetória acadêmica; vida escolar. 1 INTRODUÇÃO Neste artigo irei iniciar retratando minha trajetória escolar desde a minha primeira vez em uma instituição de ensino passando por todas as demais fases do ensino básico até o ensino superior onde estou atualmente, relatando vivências, legislação vigente em cada época, acontecimentos históricos, caso tenha, passando pelas diretrizes de cada percurso e relatando como tudo isso implicava ou não na minha vida, direta ou indiretamente. Nasci em 1987, aos 11 dias do mês de dezembro. Até os meus 5 anos, não frequentei qualquer instituição de ensino, vindo a iniciar minha trajetória escolar no ano de 1992, na modalidade de ensino jardim de infância, que consistia em 2 anos, considerando o disposto na Lei nº 5/77, de 1º de fevereiro. Nesses termos, o Governo, no Decreto-Lei nº 542/79, de 31 de dezembro de 1979, delimita o seguinte: MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 17 Artigo 1.º Em conformidade com o disposto no artigo 3.º da Lei n.º 5/77, de 1 de Fevereiro, é aprovado o Estatuto dos Jardins-de-Infância do sistema público de educação pré-escolar. Art. 2.º a partir de 1980 a sociedade passa a discutir a possibili- dade de inclusão das pré-escolas na Educação Básica, intenção concretizada na Constituição de 1988. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, ratifica essa decisão, enfatizando que a Educação é um direito da criança e que deve, portanto, ser universal. Hoje a conhecemos como educação infantil. A instituição era chamada de Jardim de Infância Jesus Menino, localizada na rua Manoel Noberto, 208, Bairro Centro, na cidade de Parelhas/RN. Instituição de Ensino Pública, que permanece até hoje no mesmo lugar, agora denominada Escola Estadual Jesus Menino. Atualmente oferece a modalidade de ensino fundamental I – anos iniciais. As leis que regiam a educação dessa época eram a Constituição de 1988 e a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) de 1961. Figura 1: Escola Estadual Jesus Menino Fonte: cedida pela escola. MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 18 Figura 2: Escola Estadual Jesus Menino Fonte: cedida pela escola. Essa época foi de adaptação e novidades, pois estava saindo de uma rotina cotidiana na qual vivia desde que nasci. Então, tudo era muito novo, desde o horário para acordar até a chegada ao ambiente escolar. Lembro que minha escola era bem próxima à minha casa. Quando minha mãe ia me deixar na escola, ela saía pelo portão principal e eu saía pelo portão de trás, que não tinha tranca nem segurança, nem mesmo alguém para o vigiar. Assim, quando ela chegava em casa, eu chegava em seguida. Eram apavoradores os primeiros dias indo para a escola, pois eu achava que minha mãe não voltaria pra me pegar, que as “tias” (como eram chamadas as professoras na época, para tentar dar certo tipo de intimidade à criança) iriam me fazer mal. Não sei por que esses pensamentos vinham, mas era apenas uma criança vendo seu mundo mudar da noite para MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 19 o dia. Com o passar do tempo, fui me adaptando, tendo mais proximidade com as professoras. Recordo da sala de aula bastante colorida. Do cheiro da sala de aula eu lembro até hoje. Ainda mais quando eram rodados os trabalhinhos na máquina a álcool, todos já sabiam que teriam esses trabalhinhos, porque o cheio era muito forte e invadia toda a escola. Quando eles chegavam às minhas mãos, ainda cheirava de perto. Também lembro que havia duas profes- soras na sala, tia Núzia e tia Sêmiramis. Eu as achava lindas! Tão carinhosas! A sala parecia um lugar mágico, com contação de histórias, com cantigas que até hoje lembro: “para ouvir o som do mosquitinho, pego a chave e tranco a boquinha, hum, hum, hum”, “Bom dia coleguinha como vai? A nossa amizade satisfaz...” e assim por diante. Na escola, conheci outras crianças com quem até hoje tenho vínculo. Nesse ciclo, eu fui apresentada ao alfabeto, às cores, aos números. Precisávamos ter boa caligrafia, pois, depois dessa etapa, estaríamos indo para uma nova etapa escolar, que seria o 1º ano do ensino fundamental de hoje, antes chamado de 1ª série, que exigiria mais de mim. Ao findar os dois anos desse ciclo vinha a formatura. Na minha primeira colação de grau, eu me arrumei toda, com sainha pregueada, meia calça branca, sapatinho branco, beca e capelo vermelhos. Eu me senti uma princesa. Isso me marcou porque era uma fase que acabava para dar início a outra. Claro que foi difícil me desapegar das professoras, mas como todos os alunos da classe foram para a mesma escola e sala, foi mais fácil a adaptação. De acordo com Garcia: MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 20 Conferência mundial sobre educação para todos, reali- zada em Jomtien, na Tailândia, em 1990, o Brasil assumiu compromissos importantes, no sentido da democratização da educação, os quais deveriam ser postos em prática até o ano de 2000. Consolidando os pressupostos de uma educação de qualidade e de extensão da escolaridade no País, esse compromisso firmado resultou na elaboração do documento intitulado “Plano Decenal de Educação para Todos”, que traz entre outros enfoques, o gerenciamento da educação, com fundamento nas concepções de centralização e descentrali- zação GARCIA, 2009, p. 67). Figura 3: Escola Estadual Jesus Menino Fonte: cedida pela escola. O novo ambiente de educação foi na Escola Estadual Professor Felipe Bittencourt, localizada na rua Padre Bento, 563, no Bairro Dinarte Mariz, na cidade de Parelhas/RN, onde está situada até hoje. De ensino público, a instituição oferecia essa modalidade de ensino antes chamada de séries. Dei início à 1ª série, como determinava a lei 5.692/71, vigente na época, MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 21 que determinava ensino de 1º grau obrigatório dos 7 aos 14 anos (art. 20). Também, nesse mesmo ano, foi criada a Declaração de Salamanca sobre princípios, políticas e práticas na área das necessidades especiais, de 10 de junho de 1994. A/RES/48/96. Figura 4: Escola Estadual Professor Felipe Bittencourt Fonte: acervo pessoal. MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 22 Figura 5: Escola Estadual Professor Felipe Bittencourt Fonte: acervo pessoal. Com o passar do tempo, houve mudança na modalidade do ensino fundamental. Em janeiro de 2006, o Senado Federal aprovou o Projeto de lei n° 144/2005, que estabelece a duração mínima de nove anos para o ensino fundamental. Essa mudança acabou por acrescentar um ano a mais na formação dessa etapa do ensino brasileiro, passando a usar o nome de anos em vez de séries. Nesse período, também foi aprovada a matrícula obrigatória a partir dos seis anos de idade. A leique regia a educação dessa época era a Constituição de 1988 e a LDB de 1961. Nessa escola, passei todo o ensino fundamental, da 1ª à 8ª série (período entre 1994 a 2002, tendo um atraso de um ano por repetir um ano letivo em 1998), era assim formada a modalidade do ensino fundamental quando eu o fazia. Posteriormente, continuei nessa escola cursando o ensino médio. No ensino fundamental, tive diversas experiências nessa escola, como a MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 23 mudança nas disciplinas e, consequentemente, de professores (ver histórico escolar do ensino fundamental no anexo I). Nesse período, alguns professores que tinham sua formação em determinada área lecionavam numa área dife- rente da sua formação, porque não havia professores suficientes para preencher o quadro docente da escola, e com formação específica para lecionar as disciplinas faltosas. Isso levava, por exemplo, um profissional formado em matemática a lecionar a disciplina de inglês, o que deixava a desejar no ensino, formando, assim, alunos com pouco ou nenhum conhecimento dessa disciplina. Isso se repetia nas demais disciplinas ofertadas nessa modalidade de ensino da época. Muitas vezes, a escola terceirizava esses profissionais por meio de contratos para que pudesse oferecer todas as disciplinas. Figura 6: Escola Estadual Professor Felipe Bittencourt Fonte: cedida pela escola. MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 24 Figura 7: Escola Estadual Professor Felipe Bittencourt Fonte: cedida pela escola. Nessa etapa da minha vida escolar, foi quando viven- ciei momentos históricos, como a queda das torres gêmeas, World Trade Center, nos Estados Unidos da América, no dia 11 de setembro de 2001. Recordo que esse fato trouxe comoção mundial aos que viam as cenas pelos noticiários da televisão e por todo tipo de imprensa. Esse fato foi inserido no livro didático do ano seguinte da disciplina de História. Ainda em 2002, tive de interromper meus estudos por motivo de ter ficado grávida, aos 14 anos de idade. Mesmo assim, segui estudando nessa escola enquanto eu pude frequentar as aulas. Já no mês de setembro do referido ano, não pude mais frequentar as aulas, pois a minha gravidez era de risco devido à minha idade precoce. Então, o médico me recomendou ficar de repouso em casa, pois eu ficava com as pernas bastante MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 25 inchadas devido a passar muito tempo sentada em aula. Para isso, me deu atestado de um mês, o qual entreguei a escola. Enquanto estava de atestado, dei à luz à minha primeira filha (que hoje está 16 anos de idade). Novamente precisei de outro atestado para o tempo do repouso (resguardo). Eu não queria perder o ano letivo, visto que sempre gostei de estudar, tendo notas boas (ver histórico escolar do ensino médio em anexo II). Porém, a diretora da época não aceitou o primeiro atestado entregue, alegando que eu poderia ter continuado a frequentar as aulas, visto que uma professora da época, também grávida, frequentou a escola até quase parir. Ocorre que ela era bem mais velha que eu e com mais experiência, não tinha problemas na sua gestação. O que a diretora fez foi nos colocar em situação de igualdade, sendo que eu tinha apenas 14 anos e uma gravidez de risco. Como resultado, ela me disse que, mesmo se eu insistisse em continuar o ano letivo e tendo boas notas, ela me repro- varia por falta, porque não aceitava o atestado anterior ao meu parto, embora eu tivesse reclamado esse atestado. Por fim, não conhecendo meus direitos, acabei aceitando o que me foi dito e abandonei a escola, muito desgostosa da falta de compreensão por parte da diretora. No ano de 2005, resolvi voltar aos estudos, visto que minha filha estava maior e que eu poderia dar continuidade aos estudos, voltando a estudar na mesma escola. Dessa vez, sob nova direção, fui bem recebida e permaneci nessa instituição até a conclusão do ensino médio. A escola era urbana, situada no centro da cidade, não necessitava de transporte para chegar até ela. O caminho era curto e eu o fazia com meus colegas e amigos de infância que vinham me acompanhando no decorrer desse percurso escolar. Até hoje temos vínculos de amizade. Nesse período, as leis vigentes para a educação eram a LDB (Lei MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 26 9.394/1996) e o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério juntamente com o (Fundef), que destinava verbas para o ensino funda- mental. Como diz o texto: Foi instituído pela Emenda Constitucional n.º 14, de setembro de 1996, e regulamentado pela Lei n.º 9.424, de 24 de dezembro do mesmo ano, e pelo Decreto nº 2.264, de junho de 1997. O FUNDEF foi implantado, nacionalmente, em 1º de janeiro de 1998, quando passou a vigorar a nova sistemática de redis- tribuição dos recursos destinados ao Ensino Fundamental (BRASIL, [1997], p. 01). A maior inovação do Fundef consiste na mudança da estrutura de financiamento do ensino fundamental no país (1ª a 8ª séries do antigo 1º grau), ao subvincular a esse nível de ensino uma parcela dos recursos constitucionalmente destinados à Educação. A Constituição de 1988 vincula 25% das receitas dos estados e municípios à Educação. Com a Emenda Constitucional nº 14/96, 60% desses recursos (o que representa 15% da arre- cadação global de estados e municípios) ficam reservados ao ensino fundamental. Além disso, introduz novos critérios de distribuição e utilização de 15% dos principais impostos de estados e municípios, promovendo a sua partilha de recursos entre o Governo Estadual e seus municípios, de acordo com o número de alunos atendidos em cada rede de ensino. Genericamente, um fundo pode ser definido como o produto de receitas específicas que, por lei, vincula-se à realização de determinados objetivos. O Fundef é caracterizado como um fundo de natureza contábil, com tratamento idêntico ao Fundo de Participação dos Estados (FPE) e ao Fundo de Participação dos MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 27 Municípios (FPM), dada a automaticidade nos repasses de seus recursos aos estados e municípios, de acordo com coeficientes de distribuição estabelecidos e publicados previamente. As receitas e despesas, por sua vez, deverão estar previstas no orçamento, e a execução contabilizada de forma específica. No ano de 2006, ingressei no ensino médio na referida escola, período marcado por poucos investimentos, lembro que não havia recursos suficientes para que a merenda fosse distribuída igualmente entre os alunos do ensino fundamental e médio, ficávamos esperando os alunos do ensino fundamental pegar sua merenda para que, se “sobrasse”, nós do ensino médio poderíamos ter acesso à merenda, embora víamos que da merenda saíam lanches para os professores, o que não era permitido, como até hoje ainda não é. O Fundef teve uma modi- ficação e foi melhorado para Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação), a partir daí foi que a situação para o ensino médio veio a melhorar, em todos os sentidos. Com os novos investimentos vieram as melhorias, em materiais didá- ticos, viagens de pesquisa, na merenda, foi realmente algo que impulsionou essa modalidade de ensino, segundo diz o texto disponível no site do FNDE. O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – Fundeb é um fundo especial, de natureza contábil e de âmbito estadual (um fundo por estado e Distrito Federal, num total de vinte e sete fundos), formado, na quase totalidade, por recursos provenientes dos impostos e transferências dos estados, Distrito Federal e municípios, vinculadosà educação por força do disposto no art. 212 da Constituição Federal. Além MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 28 desses recursos, ainda compõe o Fundeb, a título de comple- mentação, uma parcela de recursos federais, sempre que, no âmbito de cada Estado, seu valor por aluno não alcançar o mínimo definido nacionalmente. Independentemente da origem, todo o recurso gerado é redistribuído para aplicação exclusiva na educação básica (BRASIL, 2020). Ainda no ensino médio, recordo que a falta de professores para ministrar algumas disciplinas, quase nos fez perder o ano letivo. Vi também professores com mais de um vínculo para que pudessem arcar com suas despesas. Isso os deixava mais estres- sados e irritados no ambiente de trabalho o que refletia na sua metodologia, tornando as aulas insuportáveis e improdutivas. Em contrapartida, havia professores que eram apaixonados pela profissão e desempenhavam papéis fundamentais e chegavam a ser verdadeiros confidentes e conselheiros até mesmo fora das questões disciplinares do currículo acadêmico. Concluí o ensino médio em 2008 (ver certificado do ensino médio em anexo III), ano em que me submeti ao Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pela primeira vez. Na época, sua estru- tura era formada por 63 questões de múltipla escolha e redação. Tudo deveria ser feito em apenas um domingo. Apesar de ter tido um resultado considerável, nessa época, a nota obtida no Enem não era suficiente para ingressar no ensino superior, seria também necessário fazer o vestibular que a instituição exigia como forma de ingressar na instituição. Por motivos pessoais e financeiros, não pude continuar os estudos naquele ano. Após 5 anos, voltei a fazer o ENEM, em 2014, já com o novo formato, o atual, que consiste em 180 perguntas de múltipla escolha e redação, sendo realizado em dois domingos. A nota obtida no exame é porta de entrada para MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 29 o ensino superior por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que possibilitou a análise dos resultados obtidos no Enem e o desempenho. “O SiSU é o sistema informatizado do MEC no qual instituições públicas de ensino superior oferecem vagas para candidatos participantes do Enem” (BRASIL, [201-]). Figura 8: Formatura Fonte: acervo pessoal. Figura 9: Formatura Fonte: acervo pessoal. MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 30 Por meio do Sisu, consegui uma bolsa de estudo numa faculdade Educação a Distância (EaD), privada, situada na cidade de Currais Novos/RN. Pela minha pontuação, foi possível obter a bolsa integral para o curso de Pedagogia, que sempre foi meu sonho cursar, seguido pelo curso de Direito, que espero também poder cursar. No entanto, não pude dar início ao curso, devido a ter filho pequeno, com apenas 4 anos de idade na época, e não ter com quem deixar para dar seguimento ao meu sonho. Então, abri mão dessa bolsa e do curso, mas sempre na certeza de que um dia ia poder realizar o sonho de cursar uma faculdade e no curso desejado. Foi então que fiz o Enem mais uma vez, visto que não tinha condições financeiras de custear um curso de nível supe- rior. Via no exame a forma mais certa de conseguir ingressar no ensino superior. No ano de 2017, fiz o exame, já com filhos maiores, mais independentes, embora com um terceiro filho de 2 anos de idade, que solicitei ajuda da minha sogra para que ela pudesse cuidar dele enquanto eu estaria fora estudando. Por meio do Sisu novamente consegui, pelo meu desempenho no exame, ingressar no ensino superior. Meu sonho enfim se realizava, no curso de Pedagogia, licenciatura, dessa vez numa renomada e reconhecida instituição de ensino superior, a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), no Centro de Ensino Superior do Seridó (Ceres), na cidade de Caicó/RN. MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 31 Figura 10: Centro de Ensino Superior do Seridó (Ceres), na cidade de Caicó/RN Fonte: imagem retirada da internet. Hoje posso dizer que vivo meu sonho a cada dia viven- ciando nessa instituição as melhores experiências e adquirindo conhecimentos que me tornaram uma profissional. Terei orgulho de levar o nome dessa instituição. Mas o que me ajuda a continuar nesse sonho são os auxílios financeiros desti- nados aos alunos de baixa renda, sem os quais, certamente, não poderia continuar na universidade, e assim é também com milhares de outros alunos que estudam nas instituições federais, que também são de baixa renda como eu. Eu me sinto realizada em estar nessa instituição renomada, recheada de excelentes profissionais extremamente capacitados, que nos proporcionam o melhor em cada disciplina ofertada e com metodologias diversas que só nos fazem crescer como profissionais e pessoalmente também. Em cada semestre, eu me MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 32 deparo com o profissionalismo e seres humanos incríveis que nos fornecem tanto o conhecimento quanto seus exemplos de dedi- cação e cidadãos atuantes numa sociedade em desenvolvimento, em especial, na disciplina de História da Educação Brasileira, ministrada pela Professora Doutora Tânia Cristina Meira Garcia, a quem este trabalho se destina. Para mim, está sendo de grande proveito os conhecimentos deste currículo, assim como toda a estrutura curricular do curso de Pedagogia licenciatura, aumentando assim meu conhecimento e trazendo para o meu currículo pessoal saberes únicos e primordiais para o desem- penho da minha carreira como profissional da Educação. Com a ajuda de Deus, não irei parar por aqui, almejo dar continuidade à minha formação com especializações, mestrado e doutorado, e o que eu puder realizar, somando-se aos meus esforços e ajuda dos profissionais que, ao longo do tempo, conheci e conhecerei. Tenho certeza de que realizarei meus objetivos (ver histórico da graduação até o dia atual em anexo IV). Figura 11: curso de Pedagogia licenciatura Fonte: acervo pessoal. MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 33 Figura 12: curso de Pedagogia licenciatura Fonte: acervo pessoal. MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 34 REFERÊNCIAS BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ constituicaocompilado.htm. Acesso em: 16 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. FUNDEF: Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Manual de Orientação). Brasília, DF: Ministério da Educação, [1997]. Disponível em: http://portal.mec.gov. br/seb/arquivos/pdf/mo.pdf. Acesso em: 14 dez. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Sobre o FUNDEB. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2020. Disponível em: https:// www.fnde.gov.br/financiamento/fundeb/sobre-o-plano- ou-programa/sobre-o-fundeb. Acesso em: 14 dez. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. SISU: o que é?. Brasília, DF: MEC, [201-]. Disponível em: https://sisu. mec.gov.br/#/#oquee. Acesso em: 16 nov. 2021. BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1996]. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm. Acesso em: 16 nov. 2021. MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 35 BRASIL. Lei nº 5/77, de 1º de fevereiro. Cria o sistema público de educação pré-escolar, cujos objectivos principais são favorecer o desenvolvimento harmónico da criança e contribuir para corrigir os efeitos discriminatórios das condições socio-culturais no acesso ao sistema escolar.A educação pré-escolar tem carácter facultativo e destina-se às crianças desde os três anos até à idade de entrada no ensino primário. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1977]. Disponível em: https://dre.tretas.org/ dre/79534/lei-5-77-de-1-de-fevereiro. Acesso em: 16 nov. 2021. BRASIL. Decreto-lei nº 542/79, de 31 de dezembro. Aprova o estatuto dos jardins-de-infância do sistema público de educação pré-escolar. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1979]. Disponível em: https://dre.tretas.org/dre/61632/decreto- lei-542-79-de-31-de-dezembro. Acesso em: 16 nov. 2021. BRASIL. Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Fixa as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF: Câmara dos Deputados, [1961]. Disponível em: https://www2.camara. leg.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-4024-20-dezembro-1961- 353722-normaatualizada-pl.pdf. Acesso em: 16 nov. 2021. BRASIL. Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971. Fixa Diretrizes e Bases para o ensino de 1° e 2º graus, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1971]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/l5692.htm. Acesso em: 16 nov. 2021. MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 36 BRASIL. Emenda Constitucional nº 14, de 12 de setembro de 1996. Modifica os arts. 34, 208, 211 e 212 da Constituição Federal e dá nova redação ao art. 60 do Ato das Disposições constitucionais Transitórias. Brasília, DF: Congresso Nacional, [1996]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ constituicao/emendas/emc/emc14.htm. Acesso em: 16 nov. 2021. BRASIL. Projeto de Lei da Câmara nº 144, de 2005. Altera a redação dos arts. 29, 30, 32 e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, dispondo sobre a duração mínima de 9 (nove) anos para o ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de idade. Brasília, DF: Câmara dos Deputados, [2005]. Disponível em: https://www25.senado.leg.br/web/ atividade/materias/-/materia/76244. Acesso em: 16 nov. 2021. GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e educação no Brasil (1987-1996). João Pessoa: EDUFRN: Ideia, 2009. MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 37 ANEXO I MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 38 ANEXO II MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 39 ANEXO III MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 40 ANEXO IV MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 41 MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO Adene Kaline Araújo de Azevedo 42 JORNADA ESCOLAR UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS Ana Santana Santos de Lima1 RESUMO O presente trabalho tem por objetivo discorrer sobre minha experiência no percurso escolar, que será relatado incluindo as leis que foram sancionadas durante esse percurso de ensino, tendo ou não relação com minha experiência escolar, englobando desde a Constituição Federativa do Brasil, fazendo recortes que coincidam com minha entrada na escola, e como a Lei n° 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação brasileira e que culminou para adoção de tantos direitos educa- cionais para a história da educação nacional. Este trabalho foi uma proposta do componente curricular História da Educação Brasileira. Para tanto, as fontes utilizadas foram pesquisas feitas em sites que disponibilizassem as leis, como o portal do Ministério da Educação (MEC) e o site do Planalto, artigos científicos, e o livro Estado e Educação no Brasil (GARCIA, 2008). O estudo busca analisar minha vida escolar, quais podem ser os pontos marcantes, com alguns eventos ocorridos na história 1 Email: ana.santana.santos.lima@gmail.com JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS Ana Santana Santos de Lima 44 da educação, e quão importante a Constituição de 1988 e a Lei de Diretrizes e Bases, que já estavam em vigor quando iniciei minha jornada escolar, e como essa construção da educação brasileira se tornou tão importante para que, nos dias atuais, fossem conseguidos tantos avanços para o meu desenvolvi- mento como estudante, e a garantia desses direitos. Palavras-chave: percurso escolar; lei de diretrizes e bases; constituição. 1 Introdução O presente trabalho tem por objetivo discorrer sobre minha experiência no percurso escolar, relacionando com as leis que foram sancionadas durante esse percurso de ensino, tendo estas relação ou não com minha experiência escolar. O estudo engloba desde a Constituição Federativa do Brasil, promulgada em 05 de outubro de 1988, fazendo recortes os quais coincidam com minha entrada na escola, e como a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) (Lei n° 9.394/96), que estabelece as diretrizes e bases da educação brasileira, culminando para a adoção de tantos direitos educacionais para a história da educação nacional. Esse trabalho foi proposto pelo componente curricular História da Educação do Brasil, para tanto, a metodologia utilizada foram pesquisas feitas em sites que disponibilizassem leis, como o portal do Ministério da Educação (MEC), o site do Planalto, também artigos científicos e o livro Estado e Educação no Brasil (GARCIA, 2008). A história da educação brasileira foi se construindo ao longo do tempo, tendo como um de seus marcos, a promulgação JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS Ana Santana Santos de Lima 45 da Constituição Federativa do Brasil, no ano de 1988, que norteou as políticas educacionais ao estabelecer a educação como direito de todos, e sendo dever do Estado. A partir das políticas públicas, assegura o acesso e a permanência do aluno na escola, garantida em seus artigos 205 a 214 (BRASIL, 1988). Segundo Garcia (2008, p. 47): [...] quando declara que esta é direito de todos e dever do estado, é a de educação como reconstrução da experiência e um atributo da pessoa humana, tendo, por isso, que ser comum, estendida a todos, sendo dever do Estado promovê-la. Com isso, elevando a educação à categoria de serviço público essencial. É importante ressaltar que, nesse processo da educação brasileira, em suas constituições, houve uma oscilação entre centralização e descentralização que, segundo Garcia (2008, p. 23), “o legado dos dias atuais é marcado especialmente por uma tendência centralizadora”. A Constituição de 1988 garante que a educação é direito de todos e dever do estado e da família, determinando que seja promovida e incentivada com a colaboração da sociedade e tendo como objetivo o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 1988), sendo a constituição de 1988 mais ousada que as anteriores, ao elevar a educação a um alto patamar de direito fundamental, e um direito social e subjetivo. Perpassando ainda antes, pela primeira LDB, Lei n° 4.024/1961, que se volta para a base curricular de três graus de ensino – o primário, o médio, e o superior – criados ainda como parte da LDB, o Conselho Federal de Educação (CFE) e JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS Ana Santana Santos de Lima 46 os conselhos estaduais. Antes de se chegar à atual LDB de 96, passa-se ainda pelas reformas que se deram em com a Lei da Reforma Universitária, Lei n° 5.540/1968, fixando normas de organização e funcionamento do ensino superior e articulação com ensino médio, e a Lei n°5.692/1971, que fixava as Diretrizes e Bases para o ensino de 1º e 2º graus. Por fim, com a aprovação da atual LDB, Lei n° 9.394/96 e dos Parâmetros Curriculares Nacionais, para as instituições de ensino, ficou explícito o reconhecimento da importância do ensino e da aprendizagem dos valores na educação escolar. Quanto ao Conselho Nacional de Educação (CNE), estabeleceu as diretrizes curricularespara a educação básica, em 1998, com o poder público assumindo seu papel e com a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), que, em 2010, foi reformulado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN). Foi nesse cenário da educação, com a Constituição de 1988 até os dias atuais, e a atual LDB 9.394/96, que comecei minha vida escolar. 2 Ensino Fundamental Meu primeiro contato com o ensino foi em casa, por meio de minha mãe, que me ensinava a ler, com um livrinho sobre a história do nascimento de Jesus e outras historinhas, e também com uns livros didáticos que tinha em casa. Isso era muito satisfatório, pois toda vez que minha mãe contava as histórias para mim, sentia uma vontade grande de entrar em uma escola e aprender. Foi então que, aos 6 anos de idade, entrei em uma escola na cidade de Natal, em uma escola de ensino particular. Eu havia ganhado uma bolsa para estudar nessa escola. Ela ficava uma JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS Ana Santana Santos de Lima 47 rua depois do bairro onde morava. A escola era pequena, mas possuía um parquinho no qual adorava brincar, com gangorras, escorrega, balanço. Lembro-me que, no fundo da escola, tinha uma cerca que dava para os fundos da casa de uma colega, cuja mãe, em algumas ocasiões, distribuía algodão doce. Essa escola ofertava até o 5° ano do fundamental. No ano de 2000, estava acontecendo, na cidade de Dakar, uma reunião com 164 países, que assumiram o compromisso de cumprir seis metas de Educação Para Todos até o ano de 2015. Em meu segundo ano (2001) nessa mesma escola, houve uma mudança de local, ficando mais perto de minha residência. O espaço diminuiu, pois era em uma casa que pertencia a outra pessoa. No cenário da educação, em 2001, foi criado o Plano Nacional de Educação (PNE), Lei n° 10.172/2001. A partir da vigência dessa lei, os estados, o Distrito Federal, e os municípios deveriam, com base no PNE, elaborar planos decenais, apre- sentar diretrizes e metas para a educação no Brasil (foi durante a perspectiva de alcance dessas metas que se deu todo o meu ensino fundamental até 2010). Estudei nessa escola até o ano de 2003, quando me mudei para a cidade de Caicó, onde fui matriculada em uma escola da rede municipal. Por falta de histórico da antiga escola na qual eu estudava, tive que repetir novamente o 2° ano. Essa escola funcionava em três turnos. Eu estudava a tarde, mas o que eu queria mesmo era estudar de manhã. O espaço das salas era amplo, mas as brincadeiras eram feitas fora da escola (quando eram as brincadeiras de correr). Quando se levavam brinquedos, os alunos ficavam dentro mesmo. Até onde me recordo, a escola não possuía uma biblioteca, o que era uma pena, pois adorava ler, desenhar, pintar. Inclusive, a professora entregava desenhos para pintar, e o melhor ganhava um kit com caderno de desenho JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS Ana Santana Santos de Lima 48 e coleções. Das atividades comemorativas da escola, logo no início, participei do São João apenas no 2° ano do fundamental, das demais, procurava ser participativa. Havia uma professora que era tão querida que eu não queria ir para o ano seguinte só pra ela ensinar novamente. Ela sempre prometia que iria acompanhar a turma, mas não acon- teceu. Um acontecimento marcante daquele ano foi a aprovação da Lei n° 10.639, que, nos artigos 26-A; 79-A (vetado); 79-B, acres- centa que nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-brasileira, estudos da História Africana e luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil. No calendário escolar, foi incluído o dia 20 de novembro como dia nacional da consciência negra. Apesar da obrigatoriedade, e ainda de suma importância, na escola em que eu estudava, não passavam conteúdos relacionados à história africana, só os conteúdos básicos, na data comemorativa. Em 2004, já no 3° ano do fundamental, passei a ter em sala de aula duas professoras. Tinha uma professora que, ao final das aulas, colocava toda a turma para cantar o hino, quase sempre no intervalo. Havia uma colega que levava uns livros de historinhas que, em cada um, contava a história de uma fruta. Ao final, trazia uma receita. Era muito engraçado, às vezes perdia o intervalo só para ficar lendo isso. Enquanto isso, a Lei n° 10.845/2004 garantia progressi- vamente a inserção dos educandos portadores de deficiência nas classes comuns de ensino regular. Desse modo, as escolas deveriam se adequar a essas pessoas. Mas nessa escola onde eu estudava, ainda não tinha uma boa estrutura para receber JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS Ana Santana Santos de Lima 49 esses alunos, possuía uma rampa para entrada, mas era só, não recordo de nada mais para relatar com relação a esse ponto. Também não lembro muita coisa do 4° ano, só que aumentou o número de professores, e passei a estudar artes, ensino religioso, a fazer educação física, que era na praça Dom José Delgado, em frente ao Colégio Diocesano Seridoense (CDS). Eram bastante proveitosas as aulas em campo. Com um olhar mais amplo para a educação, estava sendo aprovada, naquele ano de 2005, a Lei n° 11.114/05, que altera os artigos 6°, 30, 32, e 87 da Lei n° 9.394/96, com o objetivo de tornar obrigatório o início do ensino fundamental aos 6 anos de idade. O art. 6º diz: “É dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula dos menores, a partir dos seis anos de idade, no ensino fundamental”. Mesmo antes dessa lei, aos 6 anos, eu já tinha sido matriculada. Em 2006, entrei para o 5° ano, mantendo-se o mesmo número de professores e matérias também. Não houve tantas mudanças em minha história de vida escolar. Nesse ano, foi aprovada a Lei n° 11.274/06, que dispõe sobre a duração de 9 anos para o ensino fundamental. No art. 32, a lei define “O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão”. Com isso, a escola onde eu estudava passou a ofertar o 9° ano. No ano de 2007, passei para o 6° ano, quando foi ofertado o ensino de Culturas do RN e Inglês. Lembro-me que, nesse ano, houve tipo uma amostra sobre um trabalho que a turma fez, que era uma maquete do Rio Barra Nova, no município de Caicó. Vieram outros alunos do colégio olhar nossos trabalhos. Achei bem interessante, inclusive foi a primeira maquete que eu fiz. JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS Ana Santana Santos de Lima 50 Fomos visitar um museu em Caicó, onde havia uns brinquedos antigos, umas pontas que serviam como armas, um equipamento antigo, não me recordo para que servia. Fui para umas amostras apresentadas na Escola Estadual Calpúrnia Caldas de Amorim (EECAM), gostei muito de uma sala que era enfeitada como se fosse os anos 1980. Houve umas três trocas de professores. Foi nesse ano que acontecia a regulamentação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), pela Lei n° 11.494/07, inves- tindo na educação infantil, no ensino médio e na educação de jovens e adultos, sendo estendido até o ano de 2020. Em 2008, a Lei n° 11.684/08 garantia a inclusão do ensino da filosofia e a sociologia como disciplinas obrigatórias nos currículos do ensino médio, fato esse que se incluiria em minha vida escolar mais à frente. Nesse ano, estava cursando o 7° ano, foi bastante produtivo principalmente no ensino de arte. No dia das mães, foram preparadas telhas para que cada um enfei- tasse a seu modo, pintei a telha com tinta óleo e depois raspei para fazer uma mensagem para minha mãe. Fazia desenho em um pedaço de madeira e passava uma tinta por cima,depois tirava o excesso e saía o desenho na folha. Para fazer a árvore de Natal da escola, nós, alunos, fomos atrás de garrafas pet para a confecção. Ficou bastante interessante. Tinha pinturas em garrafas de vidro, uma vez houve um sorteio de melhor desenho, quem ganhasse levava um kit com caderno, coleção e pinceis. Como esse professor ensinava artes e matemática, levou a turma para visitar uma exposição de quadros que veio para Caicó, e a partir disso, foi indicado que escolhêssemos um dos desenhos dos quadros para reproduzir e levar para socializar JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS Ana Santana Santos de Lima 51 em sala de aula. Esses acontecimentos marcaram meu último ano nessa escola. Em 2009, mudei de escola, fui para uma estadual, que ficava um pouco mais longe de casa. O ensino era ofertado a partir do 6° ano. O espaço era bem amplo. Um fato que marcou nessa escola, é que ela possuía uma biblioteca. Eu passei a pegar quase todos os dias livros. A escola possuía poucos alunos, tão pouco que passou a funcionar somente no turno matutino e não desfilava no dia 7 de setembro. A escola possuía uma salinha de leitura para qual a professora nos levou somente uma vez, do mesmo jeito, na sala de vídeo. Também no ano de 2009, no cenário da educação, foi criado o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), desenvolvido pelo Ministério da Educação (MEC), que seleciona estudantes para instituições Federais e Estaduais de ensino superior. O ano de 2010 é o meu último no ensino fundamental. Assim, passei a estudar física e química. Depois de um tempo, a escola foi fechada, mas já não estudava mais lá. No local, está funcio- nando atualmente a Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Nesse mesmo ano, comecei a fazer o Projovem, criado pela Lei n° 11.692/08, que dispõe sobre o Programa Nacional de Inclusão de Jovens. Em seu art. 2º define que o Projovem é destinado a jovens de 15 (quinze) a 29 (vinte e nove) anos, com o objetivo de promover sua reintegração ao processo educacional, sua qualificação profissional e seu desenvolvimento humano”. Fiquei até 2011 no Projovem. JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS Ana Santana Santos de Lima 52 3 Ensino Médio e Ensino Superior Em 2011, iniciei o ensino médio em uma escola da rede pública estadual, passando a estudar espanhol, filosofia e sociologia conforme Lei n° 11.684/08. Oferecia os 3 turnos, o espaço era bem amplo e arejado, tinha uma biblioteca, sala de vídeo, computadores para os alunos, foi onde comecei a fazer simu- lados e apresentar seminários. A escola era bem tranquila e foi o ano em que eu saí do Projovem. Em 2012, já no 2° ano, participei de projetos da própria escola, oferecidos no contraturno. Comecei fazendo um de português, que era maravilhoso. Quem ministrava era a profes- sora de português, que era também maravilhosa, inclusive, foi com ela que aprendi a fazer redação. Todos os seminários eram bastante criativos, principalmente os de física, lembro-me de ter feito um olho de isopor para mostrar como era LIO, uma lente intraocular. Era um seminário sobre lentes. Outro foi sobre dilatação volumétrica; outra vez levei duas pilhas, um fio e uma lã de aço, como resultado, os fios ligados na pilha entravam em atrito com uma lã de aço e ela pegava fogo. Houve outras ideias bacanas de meus colegas, como adquirir energia através de batatas. Em 2013, era o meu último ano no ensino médio. Participei de um projeto de espanhol à noite. Era ótimo! A professora passava algumas músicas e atividades. Como era o meu último ano no ensino médio, participei do meu primeiro Enem, como experiência, que foi criado no ano de 1998, e seu resultado serve para acesso ao ensino superior em universidades públicas brasi- leiras, a partir do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Nesse mesmo período, foi aprovada a Lei n° 12.796/13, que torna a educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS Ana Santana Santos de Lima 53 (dezessete) anos de idade. De fato, é muito importante para garantir a educação desde cedo. Nos anos que seguiram, fiquei fazendo Enem para ver se passava para o que eu queria. Em 2017, fiz o meu 4° Enem. No início do ano, o MEC convocou uma consulta pública para opinar sobre a nova estrutura do Enem. Com isso, foram modificados os dias, que antes eram consecutivos, passou a ser em dois domingos, e a redação passou a ser aplicada no primeiro dia de prova. Já em 2018, fui aprovada e utilizei o Sisu, em sua 9° edição, com base na Lei n° 12.711/12, que garante em seu artigo 1°, no mínimo 50% de suas vagas para estudantes que cursaram o ensino médio em escolas públicas. Entrei na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Ceres-Caicó, em 2018. Atualmente, estou cursando licenciatura em Pedagogia (3º período em 2019). 4 Conclusão Percebe-se que, em minha vida escolar, existiram pontos marcantes. Alguns deles contrastando com eventos ocorridos na história da educação, como a implantação da lei que aumenta para 9 anos o ensino fundamental, inserindo o ensino da filo- sofia e da sociologia, e tantas outras. Além houve a criação pelo MEC do Enem e do Sisu, tão importantes para a minha entrada na universidade. Isso foi garantido pelo que aconteceu bem antes, com a CF de 1988, como um marco da democracia brasi- leira, ampliando a proteção dos direitos; bem como com a LDB de 1996, que em seu artigo art. 2º aponta que a educação é dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS Ana Santana Santos de Lima 54 desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Solidariedade envolve formação de cidadania e o pleno desenvolvimento do educando. Tudo isso deve estar ligado à educação. JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS Ana Santana Santos de Lima 55 REFERÊNCIAS BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: 25 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 11.114, de 16 de maio de 2005. Altera os arts. 6º , 30, 32 e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, com o objetivo de tornar obrigatório o início do ensino fundamental aos seis anos de idade. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2005]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004- 2006/2005/Lei/L11114.htm. Acesso em: 22 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012. Dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2012]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2011- 2014/2012/Lei/L12711.htm. Acesso em: 26 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1996]. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/Ccivil_03/leis/L9394.htm. Acesso em: 20 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 10.172, de 09 de janeiro de 2001. Aprova o Plano Nacional de Educação e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2001]. Disponível em: http://portal.mec. gov.br/arquivos/pdf/L10172.pdf. Acesso em: 20 mar. 2019. JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS Ana Santana Santos de Lima 56 BRASIL. Lei nº 10.639, de 09 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2003]. Disponível em: http://etnicoracial.mec.gov.br/images/pdf/lei_10639_09012003.pdf. Acesso em: 23 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 10.845, de 05 de março de 2004. Atendimento Educacional Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2004]. 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JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS Ana Santana Santos de Lima 57 BRASIL. Lei nº 12.796, de 04 de abril de 2013. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para dispor sobre a formação dos profissionais da educação e dar outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2013]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12796.htm. Acesso em: 26 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 11.684, de 02 de junho de 2008. Altera o art. 36 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias nos currículos do ensino médio. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2008]. Disponível em: https://presrepublica.jusbrasil.com.br/ legislacao/93696/lei-11684-08. Acesso em: 22 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 11.692, de 10 de junho de 2008. Dispõe sobre o Programa Nacional de Inclusão de Jovens - Projovem, instituído pela Lei no 11.129, de 30 de junho de 2005; [...]; e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2008]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007- 2010/2008/Lei/L11692.htm. Acesso em: 22 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Fixa as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1961]. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/leis/l4024.htm. Acesso em: 16 nov. 2021. JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS Ana Santana Santos de Lima 58 BRASIL. Lei nº 5.540, de 28 de novembro de 1968. Fixa normas de organização e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1968]. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5540.htm. Acesso em: 16 nov. 2021. BRASIL. Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971. 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Disponível em: http://portal.mec.gov.br/conaes-comissao-nacional-de- avaliacao-da-educacao-superior/97-conhecaomec-1447013193/ omec-1749236901/2-historia Acesso em: 25 mar. 2019. QUERO BOLSA. Como Surgiram: Enem, Sisu, Prouni e Fies. [S. l.]: Revista QB, 2019. Disponível em: https://querobolsa.com.br/revista/ como-surgiu-enem-sisu-prouni-e-fies. Acesso em: 27 mar. 2019. 59 JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS Ana Santana Santos de Lima MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra1 RESUMO No presente texto, narro a linha do tempo da minha trajetória escolar iniciada em 2003 até os dias atuais. Cito algumas leis que têm relação com a educação, entre elas, a Constituição Federal de 1988, a Lei n° 10.172/01 e a LDB n° 9.394/96, mencionando suas especificidades. A abordagem metodológica se assenta na pesquisa documental, iconográfica e bibliográfica. Meu primeiro contato com a instituição escolar aconteceu aos 5 anos de idade, na Escola Municipal João Honorato de Medeiros, zona rural de Serra Negra do Norte, onde concluí a 1° e 2° série. Em 2005, fui matriculada na Escola Municipal Cirilo Alves de Azevedo, também na zona rural, concluindo a 3° série. No ano seguinte, ainda na zona rural, fui para a Escola Municipal Manoel Mariz onde concluí a 4° e 5 ° série. Em 2008, fui matriculada na Escola Municipal Arthéphio Bezerra da Cunha, zona urbana de Serra Negra do Norte, permaneci nela até 2011, concluindo, assim, todo o ensino fundamental. No ano posterior, fui estudar na 1 Email: barbaragomesmedeiros@gmail.com MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 61 Escola Estadual Leomar Batista de Araújo, ainda no mesmo município. Em 2013, mudei de cidade, fui matriculada na Escola Estadual Professor Felipe Bittencourt, zona urbana de Parelhas, onde concluí o ensino médio. Em 2014, 2015 e 2017, fiz exame do Enem. Mas somente com a nota do Enem 2017 concorri a uma vaga no curso de Pedagogia CERES/UFRN no Campus de Caicó, onde estou até o presente momento conquistando novos conhe- cimentos a partir da disciplina História da Educação Brasileira. Palavras-Chave: trajetória escolar; história de vida; história da educação. 1 INTRODUÇÃO No leque dos direitos essenciais, encontra-se o direito à educação, amparado pela constituição da República Federativa do Brasil, aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte, em 22 de setembro de 1988, e promulgada em 5 de outubro de 1988. A Constituição é a lei máxima e obrigatória para todos os cidadãos brasileiros, que serve de garantia de seus direitos e deveres. Ela fixa o direito à educação como um direito social em seu art. 6° e no art. 205 fala que todos devem incentivar, promover e colaborar para a consumação desse direito. art. 205 A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 1988, p.136). MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 62 Todos sabem que, em nosso país, há tempos, observam-se as tentativas do Estado de se esquivar das suas competências relacionadas à educação. A história nos mostra que uma dessas tentativas foi a municipalização do ensino no Brasil. Segundo Santos Filho (1992 apud Garcia, 2008, p. 68-67), “alguns juristas entendem que os municípios só podem ter redes de ensino e não sistemas no mesmo status dos Estados e da União”. Dessa maneira, foi enraizada no Brasil a municipalização do ensino que compreende até hoje a responsabilidade dos municípios pela educação infantil e pelo ensino fundamental. A emenda Constitucional n° 14 de 1996 altera o art. 211 da CF/88 e acrescenta a garantia dos repasses também aos municípios para financiara educação, conforme alteração a seguir no § 1º do art. 211. § 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos Territórios, financiará as instituições de ensino públicas federais e exercerá, em matéria educacional, função redis- tributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios (BRASIL, 1988, p. 3). Levando-se em consideração esses aspectos, a educação brasileira necessitava de um norteamento mais específico para a organização dos sistemas de ensino. Diante disso e dos princí- pios presentes na Constituição Federal de 1988, foi criada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que define e regulariza a Educação Brasileira. Dentre as Leis de diretrizes e bases criadas ao longo da história, quero destacar a de N° 9.394, aprovada em 20 de dezembro de 1996, que trata sobre os variados temas da educação nacional desde o ensino infantil até MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 63 o ensino superior e acompanha meu percurso de escolarização até os dias atuais. Em 1997, foi o ano em que eu nasci. Nesse mesmo ano, foi aprovado, em 26 de fevereiro, o Parecer CNE/CEB n° 1/1997, que dava orientações preliminares da Câmara de Educação Básica sobre a Lei n°9.394/96. No ano seguinte, o Ministério da Educação e Cultura (MEC) cria o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pela Portaria n° 438, de 28 de maio de 1998. Atualmente, o Enem é um instrumento de avaliação do ensino médio e seu resultado serve para o ingresso no ensino superior em Universidades Públicas Brasileiras. Em 2001, a Lei n° 10.172 aprova o Plano Nacional de Educação (PNE), válido por dez anos, que traça metas a ser alcançadas. 2 MEU TRAJETO ESCOLAR Ao examinar meu histórico escolar, descobri que, na minha época, a educação básica era organizada em ciclos, conforme a Lei n° 9.394/96, em seu art. 23, que dá permissão para essa forma de organização. Art. 23 A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar (BRASIL, 1996, p. 17). MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 64 2.1 PRIMEIRO CICLO Em 2003, aos 5 anos de idade, tive meu primeiro contato com a instituição escolar. Nesse ano, minha mãe me matriculou na 1° série do 1° ciclo, pois eu já sabia ler porque ela me ensinava em casa, já que na zona rural em que morávamos não tinha educação infantil. Então, iniciei minha trajetória escolar na Escola Municipal João Honorato de Medeiros, localizada no sítio Barra do Câimbra, Serra Negra do Norte-RN. Essa escola era denominada na comunidade como Grupo Escolar. Sua estrutura era básica, tinha apenas um banheiro, uma cozinha pequena e uma única sala grande onde uma única profes- sora dava aula para cinco séries diferentes. O art. 28 da LDB n° 9.394/96 permite que sejam feitas as adequações necessárias para a educação básica rural. Apesar de a Lei n° 10.709/03 acrescentar à LDB n° 9.394/96 a garantia aos transportes escolares gratuitos, isso não quer dizer que sempre foi cumprida, pois eu morava em outro sítio chamado Umburana e o meu transporte escolar era a bicicleta da minha mãe. Concluí a 1° e 2° série (Atualmente 1° e 2° ano) nessa escola e depois ela foi fechada. Em consequência disso, em 2005, eu tive que mudar de escola. Fui para a Escola Municipal Cirilo Alves de Azevedo, loca- lizada no mesmo município, dessa vez, no sítio Barro Vermelho. A estrutura da escola era composta por um banheiro, uma cozinha pequena e duas salas de aula multisseriadas, assim como a escola anterior. A primeira sala acomodava a 1ª, 2ª e 3ª séries; e a outra sala, 4ª e 5ª. A partir desse ano, foi disponibilizado transporte escolar para levar os alunos de um sítio para o outro. Lembro-me que sentar na ponta do banco do pau-de-arara, uma D-20 de cor azul escura, coberta com uma lona laranja e com três grandes bancos de madeira, era a nossa aventura. MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 65 Outro fato de que me recordo é que os quadros nessa escola eram de cimento queimado na parede e já estavam tão velhos que ficava difícil de enxergar as coisas escritas de giz. Em meio a uma visita do prefeito da época, Rogério Mariz, as professoras nos fizeram pedir a ele quadros novos. Assim, a escola ganhou dois quadros verdes enormes. Nesse mesmo ano, concluí a 3ª série (atualmente 3° ano) assim como o 1°ciclo. Essa escola, como a outra, foi fechada por motivos que eu desco- nheço. Ainda nesse ano a Lei n° 11.114/05 é publicada no Diário Oficial da União, alterando os Artigos 6°, 30, 32 e 87 da Lei n° 9.394/96 com a finalidade de tornar obrigatório o início do ensino fundamental aos 6 anos de idade. 2.2 SEGUNDO CICLO Em razão de a escola anterior também ter sido fechada, fui para a Escola Municipal Manoel Mariz, no ano de 2006, localizada na Fazenda Solidão, Serra Negra do Norte-RN. Essa escola ainda funciona até os dias atuais e a estrutura é um pouco maior que as anteriores. Ela é composta por uma cozinha grande, dois banheiros, um pátio e três salas. Na minha época, a primeira sala acomodava 1ª e 2ª série, a segunda sala 3ª e 4ª série e a terceira sala 5ª série e o fundo dela era usado como uma minibi- blioteca. Algo que recordo de lá são as grandes festas de São João organizadas pelos professores que envolvia toda a comunidade. Nesse mesmo ano, a Lei n° 11.274/06 também alterou as redações dos artigos 29, 30, 32 e 87, de 20 de dezembro de 1996. Ela estabeleceu a duração do ensino fundamental obrigatório de 9 anos. Em 2007, concluí a 5ª série e também o 2° ciclo. Nesse mesmo ano, é aprovado o Parecer CNE/CEB n° 2/07, em MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 66 31/01/2007, que trata da abrangência das Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino das Relações Étnico-Raciais e o ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. 2.3 ENSINO FUNDAMENTAL II Em 2008, minha família mudou-se da zona rural para a zona urbana da cidade de Serra Negra do Norte. Então, eu fui matriculada na Escola Municipal Arthephio Bezerra da Cunha, localizada na Rua Ananias Monteiro Mariz, 321, centro de Serra Negra do Norte-RN. Diferentemente das outras escolas por que passei, essa possui uma estrutura enorme, com inúmeras salas, vários banheiros, uma cozinha grande, uma biblioteca, uma sala de professores, a sala da gestão, uma sala de informática, uma sala de vídeo, uma sala de jogos, um pátio grande, uma quadra de esportes, entre outros espaços. Nessa escola, eu tinha aula de português, matemática, ciências, artes, informática, ensino religioso, língua inglesa, cultura do RN, história, geografia e educação física. Um fato que recordo é que ganhei minha primeira medalha nessa escola por mérito de melhor redação. Ainda em 2008, a Lei n° 11.684, de 2 de junho, incluiu ao art. 36 da LDB n° 9.394/96, a obriga- toriedade das disciplinas filosofia e sociologia nos currículos do ensino médio. No ano seguinte, a Resolução CNE/CEB n° 1, de 15 de maio de 2009, dispõe sobre essa implementação. No ano posterior, o Projeto de Lei n° 8.035/2010 tratou do Plano Nacional de Educação (PNE) para os anos de 2011-2020. Em 2011, concluí nessa escola o ensino fundamental II. MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 67 2.4 ENSINO MÉDIO E ENEM No ano de 2012, iniciei meu ensino médio na Escola Estadual Leomar Batista de Araújo, localizada na Rua Coronel Clementino,centro de Serra Negra do Norte-RN. Durante todo esse ano, foi iniciada uma grande reforma nela, que até hoje aparenta não ter sido terminada, mas, por dentro, ela tem uma estrutura muito boa, com várias salas espaçosas, tanto no andar térreo como no primeiro. Além disso, tem sala de vídeo, laboratório de química, vários banheiros, uma cozinha enorme, um grande pátio, uma quadra de esportes, sala de professores, sala de gestão, sala da secretaria, entre outros espaços. Estudei a 1ª série do Ensino Médio no turno noturno porque eu trabalhava durante o dia numa fábrica de boné. Essa escola oferecia três turnos diferentes, conforme a permissão da Matriz Curricular. Nela, tive praticamente as mesmas matérias da escola anterior, só mudando que passei a ter aula de filosofia e sociologia, conforme o Decreto n° 11.684, de 2 de junho, e também aula da disciplina língua espanhola, biologia, física e química. O art. 36, da Lei n° 9.394/96, dá orientações sobre a organização do currículo para o ensino médio. Art. 36 O currículo do ensino médio será composto pela Base Nacional Comum Curricular e por itinerários formativos, que deverão ser organizados por meio da oferta de diferentes arranjos curriculares, conforme a relevância para o contexto local e a possibilidade dos sistemas de ensino. (BRASIL, 1996, p. 26). Concluí a 1ª série do ensino médio em 2012. Em 2013, mudei de cidade e meu pai me matriculou na Escola Estadual Professor Felipe Bittencourt, localizada na Rua Padre Bento, MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 68 563 – Dinarte Mariz, Parelhas-RN. Essa escola é bem menor em relação à anterior. Sua estrutura é composta por oito salas de aula, uma sala de informática, uma biblioteca, uma cozinha, dois banheiros, um pátio, uma sala de professores, uma minúscula sala da gestão e uma pequena sala onde funciona a secretaria. Lembro-me que todo bimestre os alunos que tivessem tirado as melhores notas eram premiados com medalhas de ouro, de prata e de bronze e eu ganhei várias delas. Algo de que eu gostava muito é que nessa escola os professores sempre nos levavam para aulas de campo. Em uma dessas viagens, nós fomos para uma palestra no Centro de Ensino Superior do Seridó, CERES– Caicó, com um professor do curso de história e aproveitamos para fazer um passeio pela Universidade a fim de conhecermos o Campus. Eu fiquei fascinada olhando todas aquelas placas nas paredes, tentando identificar alguns dos meus professores. Ainda em 2013, a Lei n° 12.796, de 4 de abril de 2013, altera a Lei n° 9.394/96 e dispõe sobre a formação dos profissionais da educação e dá outras providências. Em 2014, terminei o ensino médio nessa escola e fui a aluna laureada da turma. Nesse mesmo ano, a Lei n° 13.005, de 25 de junho de 2014, aprovou o Plano Nacional de Educação (PNE), com 20 metas a ser cumpridas e dá outras providências. No fim de 2014, fiz meu primeiro Enem, que me serviu de experiência para os próximos. No ano seguinte, fiz novamente, mas tirei nota baixa. Por isso, estudei bastante em casa e me inscrevi no Enem 2016, mas, no dia da prova, meu avô paterno faleceu, e eu tive que ir para Serra Negra do Norte. Portanto, não fiz as provas. Continuei estudando e fiz o Enem 2017, no qual tirei uma nota significante e escolhi Pedagogia no Ceres – Caicó como minha primeira opção de curso. Eu sempre quis ser professora, mas o interesse por Pedagogia surgiu através do contato com o Grupo de Apoio as MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 69 Mães Especiais (Game) e com a Equoterapia Parelhas, ambos presididos por minha amiga Pércia Carla. É importante mencionar que, em 2017, o MEC convocou uma consulta pública no início do ano para que a população pudesse opinar sobre a estrutura do Exame Nacional do Ensino Médio. Com essas informações, ainda em 2017, foram modificados os dias das provas. Antes eram em dois dias seguidos e passou a ser em dois domingos com uma semana de diferença. 2.5 ENSINO SUPERIOR Com a nota do Enem 2017, concorri a uma vaga no curso de Pedagogia Licenciatura presencial, na Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Ceres, localizada na Rua Joaquim Gregório, Penedo – Caicó e assim ingressei no Ensino Superior em 2018.1. Eu considero que esse Campus tem uma estrutura muito boa, com muitas salas de aulas, salas de professores, salas de depar- tamento, laboratório, salas de coordenação, da secretaria, da gestão, biblioteca, cantina, sala de convivência dos alunos, de jogos, da loca-info, auditórios, anfiteatro, sala de apoio pedagó- gico, sala de vídeo conferência, banheiros, entre outros espaços. Quando ia para o bairro Boa Passagem, eu ficava na casa da minha tia Maria Celiana Gomes, ex-aluna do curso de Pedagogia da UFRN, que me dava todo apoio, pois eu não tinha condições de pagar o ônibus de Parelhas para Caicó e ele não é disponibilizado gratuitamente como em outras cidades. Desse modo, eu só ia para minha casa em Parelhas aos finais de semana. Durante a semana, pegava carona no ônibus da Prefeitura de Caicó que leva os alunos de Lajinhas para as escolas de Caicó e para o Ceres e passava pela Boa Passagem. MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 70 Na volta, às vezes, eu pegava carona com o ônibus de São José. Quando não tinha, eu voltava a pé mesmo, caminhando cerca de 50 minutos até Boa Passagem. Logo no primeiro período, eu participei do Instituto Euvaldo Lodi (IEL), na cidade de Caicó-RN, como auxiliar na Creche Municipal Gente Feliz localizada no Bairro Recreio, permaneci lá durante todo o ano de 2018 e adquiri muitos conhecimentos práticos a partir da experiência que tive lá. Devo isso, em especial, a Joalse Brito, professora que me acom- panhava em sala e me dava orientações sobre o exercício da profissão de Pedagoga. O IEL foi criado em 29 de janeiro de 1969, pela Confederação Nacional da Indústria, e inicialmente tinha apenas o objetivo de aproximar os estudantes, por meio de estágios supervisionados, nas linhas de montagem. Atualmente, tem o objetivo de desen- volver as competências dos alunos em qualquer área. Atualmente estou no terceiro período e este ano estou conseguindo pagar o ônibus. Então, vou e volto todos os dias de Caicó para Parelhas. Participo de dois Projetos de Extensão: o Projeto Pensar: Desafios e Possibilidades da Filosofia com Crianças e o Projeto Do Olhar à Ação: uma proposta de formação docente para a efetivação da inclusão escolar. Além disso, faço parte do Grupo de Pesquisa Cognição, Aprendizagem e Inclusão, todos de forma voluntária. A Lei n° 9.394/96 em seu art. 52 fala que esses projetos são importantes para a nossa formação e para a construção do nosso conhecimento. Art. 52 As universidades são instituições pluridisciplinares de formação dos quadros profissionais de nível superior, de pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo do saber humano (BRASIL, 1996, p. 37). MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 71 3 CONCLUSÃO Dado o exposto, pode-se notar que meu percurso de esco- larização ainda está longe de terminar. Digo isso não só por causa do tempo de curso que resta da graduação, mas porque não pretendo parar por aqui, quero ir além e estou disposta a enfrentar todas as dificuldades para chegar ao meu destino final. Considero importante mencionar que este trabalho só foi possível graças às discussões dos fundamentos citados acima, no Componente Curricular História da Educação Brasileira, ministrado pela Professora Doutora Tânia Cristina Meira Garcia, que não mede esforços para que seus alunos compreendam a História da Educação e seus desdobramentos até os dias atuais. MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 72 REFERÊNCIAS BRASIL. [Constituição(1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: 25 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1996]. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/Ccivil_03/leis/L9394.htm. Acesso em: 20 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 10.172, de 09 de janeiro de 2001. Aprova o Plano Nacional de Educação e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2001]. Disponível em: http:// portal.mec.gov.br/setec/arquivos/pdf_legislacao/tecnico/ legisla_tecnico_lei10172.pdf. Acesso em 18 mar. 2019. BRASIL. Projeto de Lei nº 8.035/2010. Aprova o Plano Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 e dá outras providências. Brasília, DF: Poder Executivo, [2010]. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/component/tags/tag/35115- projeto-de-lei-n-8-035-2010. Acesso em: 23 mar. 2019. BRASIL. Resolução nº 1, de 15 de maio de 2009. Dispõe sobre a implementação da Filosofia e da Sociologia no currículo do Ensino Médio, a partir da edição da Lei nº 11.684/2008, que alterou a Lei nº 9.394/1996, de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Brasília, DF: Ministério da Educação, [2007]. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/ resolucao_cne_ceb001_2009.pdf. Acesso em: 23 mar. 2019. MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 73 BRASIL. Lei nº 11.274, de 6 de fevereiro de 2006. Altera a redação dos arts. 29, 30, 32 e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, dispondo sobre a duração de 9 (nove) anos para o ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de idade. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2006]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004- 2006/2006/Lei/L11274.htm. Acesso em 20 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 10.709, de 31 de julho de 2003. Acrescenta incisos aos arts. 10 e 11 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2003] Brasília. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/LEIS/2003/L10.709.htm. Acesso em 18 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 11.114, de 16 de maio de 2005. Altera os arts. 6º , 30, 32 e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, com o objetivo de tornar obrigatório o início do ensino fundamental aos seis anos de idade. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2005]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004- 2006/2005/Lei/L11114.htm. Acesso em 20 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 12.796, de 04 de abril de 2013. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para dispor sobre a formação dos profissionais da educação e dar outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2013]. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ Ato2011-2014/2013/Lei/L12796.htm. Acesso em: 24 mar. 2019. MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 74 BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2014]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011- 2014/2014/Lei/L13005.htm. Acesso em: 24 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 11.684, de 2 de junho de 2008. Altera o art. 36 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir a Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias nos currículos do ensino médio. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2014]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2008/lei/l11684.htm. Acesso em: 17 nov. 2021. BRASIL. 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ENEM, Inep abre consulta pública para avaliar possíveis mudanças. [S. l.]: Brasil Escola, 2017. Disponível em: https://vestibular.brasilescola.uol.com. br/enem/enem-inep-abre-consulta-publica-para-avaliar- possiveis-mudancas/337993.html. Acesso em: 24 mar. 2019. GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e Educação no Brasil (1987-1996). João Pessoa: Ideia: EDUFRN, 2009. MATOS, Roberto. A obrigatoriedade da Filosofia e Sociologia nos Currículos do Ensino Médio. [S. l.]: Sociologia na rede, 2016. Disponível em: http://robertomatos1.wixsite.com/ sociologia/single-post/2016/08/15/Lei-Federal-n%C2%BA- 1168408-tornou-filosofia-e-sociologia-obrigat%C3%B3rias- no-ensino-m%C3%A9dio. Acesso em: 23 mar. 2019. PORTAL DA INDÚSTRIA. A história do IEL. Brasília, DF: Portal da Indústria, [2018?]. Disponível em: http://www.portaldaindustria. com.br/iel/institucional/historia/. Acesso em: 24 mar. 2019. SANTOS FILHO, José Camilo dos. O recente processo de descentralização e de gestão democrática da educação no Brasil. Revista Brasileira de Estudos Pedagógicos, Brasília, v. 73, n. 174, p. 219-241, maio/ago. 1992. MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 76 ANEXOS MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 77 MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 78 MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 79 MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 80 MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 81 Figura 1 - Escola Municipal João Honorato de Medeiros - 2019 Figura 2 - Escola Municipal Manoel Mariz - 2018 MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 82 Figura 3 - Escola Municipal Arthephio Bezerra da Cunha - 2019 Figura 4- Escola Leomar Batista de Araújo - 2017 MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 83 Figura 5- Escola Estadual Professor Felipe Bittencourt - 2019 Figura 6- UFRN/CERES - CAICÓ - 2019 MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 84 Figura 7- Pronta para o são João da Escola Municipal Manoel Mariz - 2007 Figura 8- Minha turma de Pedagogia na UFRN em 2018.1 85 Bárbara Gomes Medeiros Bezerra MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU TRAJETÓRIA EDUCACIONAL LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos1 RESUMO O presente artigo tem como objetivo estabelecer uma breve retrospectiva do meu percurso estudantil, compreendendo os períodos de ensino por meio de algumas questões que fazem parte da minha memória pessoal e de formação humana cidadã, amparada por leis governamentais brasileiras, descrevo os programas educacionais de mais relevância ao meu ensino--aprendizagem. É de grande importância este estudo, visto que se faz necessário, sempre que possível, confrontar nossa história à luz do desenvolvimento educacional estabelecido no Brasil. Este texto reflete sobre algumas mudanças na História da Educação até os dias atuais, enfatizando a estrutura e a organi- zação educacional de cada fase. Descreve como a educação agiu e como amadureceram minhas concepções em meio ao sistema vigente, analisando como a incorporei e a transformei ao longo desses períodos particulares. Para tanto, contei com orienta- ções, leitura de autores como: Garcia (2009), bem como estudos e pesquisas a relevantes programas e leis, como: Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional nº 9.394/96, Parecer do CEE RN 1 Email: barbara.bb12@hotmail.com TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 87 n° 041/97, Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, Piso Salarial Nacional do Magistério, Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência. Concluo mostrando que muito já foi feito e muito mais tem que ser feito pela educação brasileira, uma vez que visa à formação cidadã ativa, que muito contribuiu para meu desenvolvimento escolar e social. Palavras-Chave: percurso estudantil; Brasil; história da educação. 1 INTRODUÇÃO O que está sintetizado nestas páginas são muito mais que simples relatos pessoais, é a descrição da minha formação humana e cidadã por meio de acontecimentos individuais escolares, com fundamentação em eventos da construção social, política e educacional brasileira. Reconhecendo a consistência das polí- ticas públicas voltadas para a educação, bem como descrevendo as iniciativas governamentais de maior relevância em minha formação educacional, como: Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional – LDB nº 9.394/96, Parecer do CEE RN n° 041/97, Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), Piso Salarial Nacional do Magistério, Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), Ensino Médio, Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), criação do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), Ensino Médio Modalidade Subsequente e graduação em Pedagogia. TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 88 Os relatos que formam este artigo foram vivenciados no cenário da Rede Municipal e Estadual de ensino do muni- cípio de Caicó, no Rio Grande do Norte, que tem entre suas características o fato de ter um ensino pautado no respeito às diversidades culturais, regionais, étnicas, religiosas e políticas. Considero que estudos que se dediquem a examinar, relembrar e comparar essa realidade, seus desafios, protagonismos e mudanças, podem colaborar tanto para uma futura formação acadêmica na área da licenciatura, que tem o desafio de criar vínculos com o ambiente escolar, quanto para subsidiar os debates (formais e informais) e reflexões sobre a educação brasileira. A metodologia de pesquisa escolhida como mais adequada foi a qualitativa, alicerçada na análise relacional a partir dos assuntos tratados no livro Estado e Educação no Brasil (1987-1996), da autora Tânia Cristina Meira Garcia, em conjunto com artigos que tratam da temática abordada neste trabalho. O estudo abrangeu em seus procedimentos metodológicos: entrevistas com gestão escolar de duas escolas específicas, análise de documentos dessas instituições, de históricos, diplomas, certificados e fotos de todos os níveis de educação que possuo, além da realização de pesquisas nas legislações, nos portais e em sites educacionais brasileiros sobre os contextos e peculiaridades das épocas estudadas por mim. Inicio este artigo apresentando a minha educação básica inicial, com relatos do currículo escolar. Em seguida, descrevo todo o meu percurso gradual no ensino fundamental e médio em escolas estaduais até a graduação, trago fatos pessoais e históricos ocorridos durante o tempo em que estive matriculada em instituições de ensino. Apresento, por fim, as relevâncias que a educação escolar e as suas práticas curriculares assumiram TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 89 na minha formação humana, educacional e social, bem como sua importância no contexto brasileiro. 2 ENSINO FUNDAMENTAL: INÍCIO DE UMA VIDA ESTUDANTIL No ano de 2001, cheguei a Caicó/RN, proveniente da cidade de Tatuapé, no Estado de São Paulo, para morar com minha avó materna. Ela dedicou sua melhor idade aos meus cuidados e educação. Nesse mesmo ano, foi instituído o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) pela Lei nº 10.260, de 12 de julho de 2001. Esse programa do Ministério da Educação (MEC) tem como objetivo conceder financiamento a estudantes em cursos superiores não gratuitos, com avaliação positiva nos processos conduzidos por esse Ministério e ofertados por instituições de educação superior não gratuitas aderentes ao programa. Temos, assim, uma forma diferente de prestação do serviço público, ou de utilidade pública, que pode ser considerado desconcentrado, uma vez que “[...] serviço desconcentrado é todo aquele que a administração executa centralizadamente, mas distribui entre vários órgãos da mesma entidade, para facilitar sua realização e obtenção pelos usuários” (GARCIA, 2009, p. 19). Sob o pressuposto de que cabe ao Estado a garantia do direito à educação de qualidade, estabelecido na Constituição Brasileira de 1988, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB/1996) e no Plano Nacional de Educação (PNE 2001-2010), considerado direito social, iniciei, no ano de 2002, uma vida estudantil regular na turma de 1º Série da Escola Municipal Professor Mateus Viana. Segundo relatos orais da TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 90 minha avó, na véspera do meu primeiro dia de aula, coloquei todo o meu fardamento em um tamborete (termo nordestino que se refere a um assento) próximo a minha rede de dormir e acordei várias vezes durante a madrugada por ansiedade em começar a estudar, ações e sentimentos esses que de alguma forma persistem até hoje. Figura 1: Escola Municipal Professor Mateus Viana Fonte: acervo pessoal. Esse início educacional é considerado como primeira etapa da Educação Básica, vigente na Lei de Diretrizes de Bases da Educação Nacional (LDB) nº 9.394/96, sancionada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo ministro da educação Paulo Renato, em 20 de dezembro de 1996. O ensino passa a ser ofertado por meio de ciclos, objetivando reverter o TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 91 fracasso escolar nas séries iniciais de ensino e continuidade no seu processo de aprendizagem do aluno, elaborada no ano de 1988 pela Secretaria Municipal de Educação (SME), nomeado como “Regulamento do Ciclo Básico”, com o intuito de iniciar sua aplicação em apenas dez escolas da rede de forma gradativa, prevista para 1999, como deixa claro em seu art. 21. No entanto, houve uma modificação na orientação e, no ano de previsão, o Ciclo Básico foi implantado em toda a rede municipal de educação. Assim, segundo um dos seus artigos: Art. 23: A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de aprendizagem assim o recomendar (BRASIL, 1996, não paginado). Nessa proposta, esse Ciclo Básico se estrutura da seguinte forma: o 1º Ciclo (1ª e 2ª séries) seria o “Ciclo de Alfabetização”, com duração de três anos; e o 2º Ciclo (3ª e 4ª séries) é conside- rado o “Ciclo de Sistematização”, com duração de dois anos, norteados e regulamentados pelos princípios de que a educação é um direito social e todosos seres humanos são capazes de aprender. Correspondendo ao que a Constituição de 1988 contempla na Carta Constitucional: a igualdade de condições para o acesso e a permanência na escola. Nessa instituição de ensino, tive professoras concursadas pelo município em virtude das suas graduações em pedagogia, atendendo ao Parecer CNE/CP 9 – Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. Ambas apresentavam um arcabouço teórico e humano digno de respeito e admiração, tratando-me com maior respeito, afeto e TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 92 cuidado, viabilizando, assim, a continuidade da minha matrí- cula no ano seguinte (2003) na 2º Série do Ensino Fundamental, já com 7 anos de idade. Nesse ano, foram incluídos na LDB/96 os artigos 10 e 11, pela Lei nº 10.709 de 31.07.2003, determinando que os estados e municípios se encarregassem de assumir o transporte escolar dos alunos das suas respectivas redes de ensino, complementando a organização da educação nacional. Nessa série, fui reprovada e precisaria cursá-la novamente no ano seguinte. Após essa reprovação, visto que a Escola Municipal Professor Mateus Viana tinha poucas condições estruturais e de ensino, foi decidido por mim e minha família matricular-me em outra instituição, que oferecesse melhores condições físicas e um ensino fundamental com mais qualidade do que o ofertado pelo município naquele momento. Assim, cessariam todas as dificuldades de aprendizagem que não consegui superar na rede municipal de ensino, como o desenvolvimento adequado da leitura e da escrita. 2.1 MUDANÇA DE ESCOLA: “DESABROCHAMENTO PARA A LEITURA E ESCRITA” Concluí, finalmente, o 1º Ciclo – Ciclo de Alfabetização já na Escola Estadual Monsenhor Walfredo Gurgel, também na cidade de Caicó/RN, considerado o 3º ano do ensino fundamental (antiga 2a Série). Nesse mesmo ano, 2004, foi instituído o Programa Nacional de Transporte Escolar (PNATE), uma iniciativa de transferência automática de recursos aos estados, Distrito TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 93 Federal e municípios para custear despesas com reforma, seguro, licenciamento, impostos, manutenção e pagamento de serviços contratados com terceiros, para garantir segurança e qualidade ao transporte dos estudantes, apoiado pelo Ministério da Educação por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), garantindo o transporte escolar para alunos da educação básica que residem na zona rural. Foi criado também, para enfrentar o desafio da alfabetização de adultos, o Programa Brasil Alfabetizado (PBA) por meio da Lei nº 10.880/2004, com o objetivo de contribuir para a superação do analfabetismo e promover a progressiva continuidade dos estudos de jovens e adultos em níveis mais elevados por meio da responsabilidade solidária entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Voltando para os relatos pessoais, a escola estadual em questão oferecia boa estrutura física e um ensino qualificado condizente com minhas expectativas, contribuindo para o meu desenvolvimento oral e interpretativo. No ano de 2005, eu me encontrava no 4º Ano, período de criação da Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Prova Brasil) pelo Ministério da Educação para 5º e 9º ano do Ensino Fundamental e 3° ano do Ensino Médio. Por meio das provas de Língua Portuguesa e de Matemática, essa avaliação buscava medir a capacidade de leitura, interpretação de textos e o raciocínio em contexto com a realidade do aluno. Nessa mesma época, foi instituído o Programa Universidade para Todos (Prouni), pela Lei nº 11.096/2005, de 13 de janeiro de 2015, regulando a atuação de entidades benefi- centes de assistência social no ensino superior e alterando a Lei nº 10.891, de 9 de julho de 2004. O Prouni tem como finalidade a concessão de bolsas de estudos integrais e parciais a estudantes TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 94 de cursos de graduação e de cursos sequenciais de formação específica, em instituições privadas de educação superior, as quais recebem isenção de tributos por sua participação. Foi também criado o Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação de Jovens e Adultos (Proeja), com o objetivo de oferecer opor- tunidade de estudos e competências de educação profissional àqueles que não tiveram acesso ao ensino fundamental e médio na idade regular. Entretanto, tendo em vista a urgência de ações para ampliação das vagas no sistema público de ensino ao sujeito jovens e adultos, o Governo Federal substituiu o Decreto nº 5.478, de 24 de junho de 2005, pelo Decreto nº 5.840, de 13 de julho de 2006, que introduz novas diretrizes que ampliam a abrangência do primeiro com a inclusão da oferta de cursos Proeja para o público do ensino fundamental da Educação de Jovens e Adultos (EJA). No período de conclusão do 5º ano, 2006, ocorreram dois fatos em meio a esse percurso estudantil: o falecimento da minha mãe em São Paulo, afetando o meu desempenho em provas do 2° bimestre e a minha primeira recuperação escolar, devido a dificuldades encontradas na disciplina de geografia. Desse período, ainda tenho um caderno quadriculado com algumas atividades das aulas de matemática dessa série. Curioso são as formas lúdicas com que foram encaminhadas pela professora, pois utilizou linhas coloridas de crochê, lápis de pintar e peda- cinhos de papel camurça coloridos nas formas de assuntos como: geometria, fração e número decimal, medidas de superfície e metro quadrado, tornando-os lúdicos e de fácil compreensão. TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 95 Figura 2 e 3: Atividades de matemática do 5º ano em 2006 Fonte: acervo pessoal. Também em 2006 aconteceu a criação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), criado pela Emenda Constitucional nº 53/2006 e regulamentado pela Lei nº 11.494/2007 e pelo Decreto nº 6.253/2007, em substituição ou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). Esse é um fato relevante para a história educacional brasileira, por ser um fundo especial que destina todos os recursos provenientes dos impostos e transferências dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, além de uma parcela dos recursos federais, para aplicação exclusiva na educação básica, mantendo, assim, a qualidade do ensino básico. Adotando essa mesma intenção, no ano seguinte (2007), foi criado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que reúne os resultados de dois conceitos igualmente TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 96 importantes para a qualidade da educação: o fluxo escolar e as médias de desempenho nas avaliações educacionais, e a criação do Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação – Decreto n° 6.094, de 24 de abril de 2007. Assim, haveria uma conjugação dos esforços da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, como também das famílias e da comunidade, atuando em regime de colaboração em prol da melhoria da qualidade da educação básica; além ocorrência da primeira Chamada Pública do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid), Decreto nº 7.219/2010 e regulamentado pela Portaria nº 096/2013, apoiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), visando à valorização do magistério e à formação inicial de docentes. Nesse período, eu me encontrava no 6º Ano, apresentando um currículo de ensino com conteúdos que tratavam dos direitos das crianças e dos adolescentes por meio de material didático correspon- dente incluído pela Lei nº 11.525 de 2007, tendo como diretriz a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990, que institui o Estatuto da Criança e do Adolescente. Ainda tenholembrança que a professora de artes dessa época abordava os temas curriculares como: Independência do Brasil, História da Arte e Surrealismo, por meio de interpretação escrita ou desenhada de letras de músicas ou de obras de artes, livros com histórias lúdicas e composições da Música Popular Brasileira (MPB). Mais três episódios importantes foram criados nesse tempo, ambos visando ao desenvolvimento da qualidade da educação nacional: o Programa Mais Educação, criado pela Portaria Interministerial nº 17/2007 e regulamentado pelo Decreto 7.083/10, organizado como estratégia do Ministério da Educação para indução da construção da agenda de educação integral nas redes estaduais e municipais de ensino que amplia TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 97 a jornada escolar nas escolas públicas, para, no mínimo, 7 horas diárias, por meio de atividades optativas nos macrocampos de acompanhamento pedagógico, tais como: educação ambiental, esporte e lazer, direitos humanos em educação, cultura e artes, cultura digital, promoção da saúde, comunicação e uso de mídias, investigação no campo das ciências da natureza e educação econômica; e o Programa de Implantação de Salas de Recursos Multifuncionais, instituído pelo MEC/SEESP por meio da Portaria Ministerial nº 13/2007, integra o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), destinando apoio técnico e financeiro aos sistemas de ensino para garantir o acesso ao ensino regular e a oferta do Atendimento Educacional Especializado (AEE) aos alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento ou com altas habilidades, conside- rando o que faculta a Constituição Federal/88, a LDB Nº 9394/96 e a Resolução CNE/CEB Nº 2/2001. Por último, houve a criação de outro programa de apoio ao transporte escolar do Ministério da Educação, o Caminho da Escola, que consiste em uma linha de crédito concedida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a aquisição, pelos estados e municípios, de ônibus, miniônibus e micro-ônibus zero quilô- metros e de embarcações novas. Tem por objetivo renovar, padronizar e reduzir o preço das frotas de veículos escolares; garantir segurança e qualidade ao transporte dos estudantes e contribuir para a redução da evasão escolar, ampliando, por meio do transporte diário, o acesso e a permanência na escola dos estudantes matriculados na educação básica da zona rural das redes estaduais e municipais. TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 98 Figura 4: Histórico Escolar Fonte: acervo pessoal. TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 99 Já em 2008, estudava o 7º Ano, considerado no meu histórico escolar como parte do 3° Ciclo Educacional, onde passei pela minha segunda recuperação escolar, dessa vez, em matemática. Todavia, obtive mais uma vez a nota necessária na prova de recuperação. Ressalto que, nesse ano, foi criada a Lei de Regularização do Piso Salarial dos profissionais do magistério (Lei do Piso), garantindo aos professores um salário propor- cional à extensão e à complexidade do seu trabalho; a criação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IF), pela Lei n° 11.892 de 29/12/2008, que são especializados na oferta de educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades de ensino e a LDB passou a vigorar acrescida da Seção IV-A, denominada “Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio” e dos seguintes artigos: 36-A, 36-B, 36-C e 36-D. Assim, o ensino médio, atendida a formação geral do educando, poderá preparar para o exercício de profissões técnicas, ou seja, a habilitação profissional poderá ser desenvolvida nos próprios estabeleci- mentos de ensino médio ou em cooperação com instituições especializadas em educação profissional, de forma articulada com o ensino médio ou subsequente a ele (para alunos que já o concluíram). O pesquisador Jailson Alves dos Santos, autor do texto A trajetória da educação profissional, presente na coletânea 500 anos de Educação no Brasil, evidencia que A primeira ação concreta para dar uma nova organização à aprendizagem de ofícios ocorreu em 1826, quando foi apresentado o Projeto de Lei sobre a Instrução Pública no Império do Brasil, que consistia em estabelecer uma lei que organizasse o ensino público em todo o país, em todos os níveis; fato até então inédito na história da educação brasi- leira (LOPES; FARIA FILHO; VEIGA, 2000, p. 209). TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 100 Iniciei e concluí o 8º Ano em 2009, nesse ano, a nota do temido Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) (criado em 1998) passa a ser utilizada para o ingresso nas universidades federais brasileiras. Recordo que, nesse tempo, já pairava certo receio dessa prova na minha e nas demais turmas dos anos finais do ensino fundamental. Além disso, o Programa Ensino Médio Inovador (ProEMI) foi instituído, com o obje- tivo de apoiar e fortalecer o desenvolvimento de propostas curriculares inovadoras nas escolas de ensino médio, induzir ao redesenho curricular, orientado a partir de 2012, afetando o meu 2º ano do ensino médio, pelas novas Diretrizes Curriculares Nacionais do Ensino Médio, ampliando o tempo dos estudantes na escola e buscando garantir a formação integral com a inserção de atividades que tornem o currículo mais dinâmico, integrando e articulando os conhecimentos das diferentes áreas e fortalecendo as atividades relacionadas à iniciação científica. Ressalto que, nesse mesmo período, eu me apeguei muito a uma das professoras da turma, porque, por meio dela, fui à minha primeira exposição de arte e realizei uma linda reprodução em tecido de uma das obras que observei do artista potiguar Dorian Gray Caldas. TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 101 Figura 5: Pintura em Tecido Fonte: acervo pessoal. Já em 2010, participei do Programa de Iniciação Tecnológica e Cidadania (Proitec) (Edital nº. 03/2010-PROEN/ IFRN), do Instituto Federal do Rio Grande do Norte – IFRN Caicó, enquanto concluía o último ano do ensino fundamental (9º Ano) na Escola Estadual Monsenhor Walfredo Gurgel, buscando uma vaga para o ingresso no ensino médio técnico (integrado) por meio de aulas presenciais, livros e teleaulas fornecidas pelo instituto. Entretanto, não obtive o desem- penho necessário na prova do programa. Desse modo, meus responsáveis procuraram outra escola estadual que ofertasse o ensino médio regular. TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 102 Figura 6: Certificado Fonte: acervo pessoal. TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 103 Saliento que 2010 também foi o ano de criação de um importante sistema operacional para a história da educação: o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), sendo desenvolvido e geren- ciado pelo Ministério da Educação (MEC), no qual instituições públicas de ensino superior oferecem vagas para candidatos participantes do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) para se inscreverem nas instituições de ensino superior (nova forma de ingresso, em substituição ao vestibular). 3 ENSINO MÉDIO: FORMULAÇÃO DE EXPECTATIVA DE VIDA A Escola Estadual Professora Calpúrnia Caldas de Amorim (EECCAM) foi a escolhida por mim e por meus responsáveis para início do ensino médio, em 2011, na turma de 1° Ano. Recordo que, naquela época, era conhecida na sociedade caicoense como “Escola Modelo”, por sua excelente grade de professores e satisfatório processo de ensino-aprendizagem, atendendo um número considerável de adolescentes e jovens da cidade de Caicó/RN e das cidades circunvizinhas. A EECCAM foi a instituição que mais me motivou a lutar pelos meus sonhos pessoais e planos educacionais. Tive chance de concretizá-los ou rejeitá-los. Foi lá onde cresci, transfor- mei-me, aprendi e vivenciei experiências inimagináveis, que me serviram de estímulos para alcançar a alegriade chegar ao possível destino projetado. A lembrança mais viva que tenho desse início é da criativa e espontânea professora de português. Em umas das aulas, ela realizou atividades sobre fábulas e suas particularidades, desafiando os grupos da turma a recriar TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 104 alguma fábula popularmente conhecida e também criar outras de próprio punho e interesse, que, ao final, deveriam formar um pequeno livro. Esse trabalho tenho até hoje guardado com maior carinho e cuidado, por seu aspecto criativo. Figura 7: Atividades sobre fábulas Fonte: acervo pessoal. Em 2011, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC) foi criado pelo Governo Federal, por meio da Lei nº 12.513, com a finalidade de ampliar a oferta de cursos de Educação Profissional e Tecnológica (EPT), por meio de programas, projetos e ações de assistência técnica e financeira; e foi incluindo pela Lei nº 12.472, no art. 33 na seção sobre Educação Fundamental, o § 6º, assim o estudo sobre os símbolos nacionais foram incluídos como tema transversal nos currículos do ensino fundamental. TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 105 Já no 2º Ano em 2012, despertei um grande interesse pela filosofia, por meio do professor da disciplina e por meio de uma professora de sociologia, que ministrava uma oficina no contra- turno envolvendo mídia e filosofia, atendendo a proposta vigente do ensino médio inovador. Gostava pelo fato de essa disciplina e de as aulas desses mestres provocarem a busca por diferentes respostas para situações e problemas que estão presentes continu- amente ou não ao longo da nossa existência humana, objetivando a reflexão e o movimento do pensamento, que permite nos afastarmos de fatos banais para buscarmos seus fundamentos. Curiosamente, nesse mesmo período, fui selecionada pela direção da escola, por meio das notas anuais, com uma amiga e colega de sala, para participar como bolsista do Programa de Institucional de Bolsas de Iniciação à Pesquisa (Pibic) ensino médio na área da filosofia na Universidade Estadual do Estado do Rio Grande do Norte (Uern) Caicó, com tema: A ética no pensamento de Nietzsche. Figura 8: Certificado Fonte: acervo pessoal. TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 106 Essa se tornou uma experiência única e significativa em minha vida estudantil e pessoal, por seu arcabouço teórico e metodológico conter questões como moral, liberdade, ética e valores, assuntos esses necessários para uma vida social ativa, consciente e justa. Ainda ressalto que esse programa visa apoiar expressivamente a política de Iniciação Científica desenvolvida nas Instituições de Ensino e/ou Pesquisa, por meio da concessão de bolsas de Iniciação Científica. Continuei nesse programa de pesquisa até o ano seguinte (2013), enquanto cursava o último ano do ensino médio, 3º Ano, dessa vez, com outra temática de projeto: “Filosofia na Infância: Perspectivas para o debate, a partir da perspectiva de Matthew Lipman”, aprovado pelo edital nº 001/2013-DP/PROPEG/UERN. Figura 9: Certificado Fonte: acervo pessoal. TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 107 Entende-se por “Filosofia na Infância ou para Crianças” uma educação para o pensar, que tem por meta o desenvolvi- mento do pensamento crítico, criativo e cuidadoso em crianças e jovens, além de estimular atitudes éticas a partir do diálogo, resultando também em uma Iniciação Filosófica. O aspecto central desse programa era a realização do diálogo investiga- tivo que transformava os grupos de bolsistas e participantes em pequenas comunidades de investigação com exposição de ideias e de questionamentos. Escutávamos uns aos outros, comparávamos os pontos de vista, completando-os e eventual- mente, corrigindo-os, tudo devidamente orientado e observado pelos professores da UERN Caicó, que cobravam a entrega de relatórios das leituras semanais indicadas, por acreditarem na aprendizagem por meio da prática frequente da leitura. Recordo que esse pensamento foi também expressado pela professora de português e literatura da minha turma de 3º ano. Ela demonstrava acreditar muito no poder que a educação e a leitura possuem. Segundo ela, ambas davam asas à imaginação e por meio desses saberes, conseguiríamos trilhar caminhos imagináveis. Concluí o ensino médio com 18 anos de idade e com a realização do primeiro Enem 2013, obtendo aprovação no Sisu 2014 para o curso de Geografia Bacharelado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte/ CERES Caicó. Infelizmente, por imaturidade e por falta de interesse pela área, meses depois, cancelei o vínculo no curso e prossegui tentando o Enem. TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 108 Figura 10: Certificado Fonte: acervo pessoal. Saliento também que, ainda em 2013, houve a alteração da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, pela Lei nº 12.796 para dispor sobre a formação dos profissionais da educação e dar outras providências. Passaram a vigorar algumas alterações e considerações na educação, como: apreciação da diversidade étnico-racial; obrigatoriedade da educação básica e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, organizada em pré-escola, ensino fundamental e ensino médio; atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com defici- ência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, preferencialmente na rede regular de ensino, assegurando ao aluno regularmente matriculado em instituição TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 109 de ensino pública ou privada, de qualquer nível, no exercício da liberdade de consciência e de crença, o direito de, mediante prévia e motivada solicitação, ausentar-se de prova ou de aula marcada para dia em que, segundo os princípios de sua religião, seja vedada a execução de tais atividades, devendo a instituição atribuir, sem custos para o aluno, uma reposição alternativa. 4 ENSINO TÉCNICO E PROFISSIONALIZANTE: ALMEJANDO O MERCADO DE TRABALHO No início de 2014, comecei a cogitar a possibilidade de trabalhar, mas sem parar de estudar, uma vez que ainda tentaria o Enem, objetivando uma graduação. Então, decidi me capacitar para o mercado de trabalho caicoense por meio do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), lançado em abril de 2011. O Pronatec oferece uma bolsa-formação para atender as necessidades do público-alvo, que, além dos cursos gratuitos e de qualidade, terão direito a alimentação, transporte e todos os materiais escolares necessários que possibilitarão a posterior inserção profissional. Os critérios para a participação dos alunos a partir de 2012 foram definidos de diversas formas por cada estado como: a pobreza, o sorteio, a seleção, a residência próxima aos cursos, o desempenho escolar, as situações de risco, os participantes de programas sociais, os matriculados em 2º ou 3º ano do ensino médio e suas respectivas frequências. Por atender alguns desses critérios, fui selecionada para o curso de Balconista de Farmácia, ofertado na unidade de ensino Senac Caicó – Serviço Nacional do Comércio. TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 110 No período que passei nesse curso profissionalizante, estudei temáticas sobre: relações interpessoais, qualidade e empreendedorismo, comunicação e expressão ensinadas por uma pedagoga; biossegurança: segurança no trabalho, aulas realizadas por uma professora formada em enfermagem; técnicas de vendas, organização e o funcionamento da farmácia, dispensação de produtos farmacêuticos por um professor formado em Farmácia, e aulas de primeiros socorros, que foram ministradas por um Bombeiro Militar, resultando em uma carga horaria de 240 horas com meu satisfatório desempenho ao finalde todos esses blocos temáticos. Entretanto, não consegui a desejada vaga de emprego no comércio de Caicó/RN, por não dispor de tantas vagas de empregos. Figura 11: Certificado Fonte: acervo pessoal. TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 111 Dessa maneira, no ano seguinte, dei continuidade aos meus estudos, dessa vez, por meio do Programa Complementar de Estudos do Ensino Médio (PROCEEM/UFRN), visando a uma graduação para a área da educação por meio da realização do Enem 2015. Com isso, obtive aprovação no curso de Letras em Catolé do Rocha/RN, mas, por falta de condições financeiras, não pude cursá-lo, decidindo continuar tentando o Enem nos anos seguintes, almejando uma aprovação no curso de Pedagogia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte na cidade onde resido, Caicó/RN. 5 ENSINO MÉDIO - MODALIDADE NORMAL SUBSEQUENTE: CONSTRUÇÃO DE UM SONHO Atendendo o meu desejo de sempre adquirir conhecimentos por meio de experiências novas, em 2016, eu me matriculei no 1º Ano do ensino médio modalidade normal subsequente (popu- larmente conhecido como Magistério), ofertado pelo Centro Educacional José Augusto (Ceja), com aulas diárias durante dois anos consecutivos. Nesse primeiro ano, estudei 14 matérias respectivas à área de formação profissional e práticas educativas, ministradas por duas professoras formadas em pedagogia e uma graduada em história. Ambas utilizavam métodos didáticos múltiplos para alcançar os objetivos das aulas e do curso, possuindo uma estru- tura teórica e prática que provocava constantes reflexões sobre os componentes históricos, sociais e culturais da educação. Busquei me habilitar a fim de estagiar no mesmo período, como auxiliar de professor(a), por meio da parceria entre Prefeitura TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 112 Municipal de Caicó/RN e Instituto Euvaldo Lodi (IEL) (criado em criado em 1969). Atendendo a um dos preceitos vigentes dessas unidades, o estágio remunerado deveria ser realizado na instituição escolar mais próxima da minha residência, e fui destinada para a Escola Municipal Professor Mateus Viana, justamente a instituição de ensino onde iniciei minha vida estu- dantil, mas sob gestão de uma outra equipe. Eles me confiaram a missão de auxiliar a professora da turma de 1º ano, do turno matutino, por possuir uma quantidade expressiva de alunos, além da presença de um aluno com necessidades educacionais especiais. Outro acontecimento relevante proporcionado por essa modalidade de ensino foi o estágio de observação que realizei em uma escola da rede municipal de ensino da cidade de Caicó/RN, com realização e entrega de relatório ao final. Com essas duas oportunidades, pude confrontar todos os ensinamentos teóricos repassados pelo Magistério com as práticas exercidas e as observações realizadas nessas escolas municipais, tornando-se significativas para minha formação humana e profissional. Satisfatoriamente, obtive o desem- penho estipulado pela gestão do Ceja em todas as disciplinas respectivas à área da educação, passando para o 2° ano em 2017, já com 21 anos de idade. Esse nível apresentava em sua grade doze componentes curriculares correspondentes à formação profissional em questão e um estágio obrigatório de regência ao final do ano letivo, com execução e apresentação de relatório. Continuei prestando serviço como Auxiliar de professor à prefeitura caicoense, mas, dessa vez, em uma turma de Nível II, na Escola Municipal de Educação Infantil Nossa Senhora do Rosário (Creche), localizada no Bairro Barra Nova, em Caicó/ RN. Já o estágio obrigatório do Magistério preferi realizar na Escola Municipal Professor Mateus Viana, por três semanas TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 113 consecutivas, em uma turma de 2º ano do ensino fundamental, regida por minha ex-professora da 1ª Série. Assim, pude compreender, nesses dois anos no ensino médio na modalidade normal subsequente, o contexto da realidade da escola, de modo a adotar comportamentos e tomar decisões pautadas na ética, na superação e no respeito; desenvolvendo habilidades e explorando concepções de ensino- -aprendizagem, além de exercer e aprimorar a minha autonomia, por ter que pensar em soluções eficazes para as dificuldades que se apresentaram ao longo desse estágio. O mais importante: aprendi a valorizar a carreira docente, por ser uma profissão fundamental e necessária, que busca a melhoria da educação. Essas experiências contribuíram para minha aprovação em todas as matérias curriculares do ensino médio subsequente, conferindo a mim o título profissional de: Professora da Educação Infantil e dos cincos primeiros anos do Ensino fundamental, asse- gurado pela fundamentação legal: art. 62 da Lei nº 9.394 – LDB, de 20 de dezembro de 1996. Por ter valido até o ano de 2020, segundo o Plano Nacional de Educação (PNE) (aprovado em 2014), indicava que os professores que cursaram o Magistério deveriam fazer um curso superior na área específica em que atuam ou um curso de Pedagogia, já que, nos próximos anos, todos os professores deverão possuir uma formação de nível superior. TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 114 Figura 12: Diploma do Ensino Médio modalidade Normal Subsequente em (Magistério 2017) Fonte: acervo pessoal. Evidencio que, em 2017, foi sancionada a tão esperada reforma do ensino médio, que passaria a ter uma parte comum e obrigatória a todas as escolas e outra parte flexível, tendo sua implantação no ano seguinte, 2018, quando a da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) foi aprovada. A BNCC é uma espécie de guia que estabelece o currículo da educação básica em todas as escolas do país. Assim, o ensino médio passou a ser integral, e o currículo ofereceria disciplinas optativas. Nesse caso, o aluno vai cursar o 1º ano e, ao passar para o 2º ano, poderá escolher uma entre cinco áreas para aprofundar seus estudos. Também foi incluindo na LDB, Lei nº 13.415, na seção IV sobre o ensino médio, o art. 35-A e a BNCC definirá direitos e objetivos de aprendizagem do ensino médio, conforme diretrizes do Conselho Nacional de Educação, nas TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 115 seguintes áreas do conhecimento: linguagens e suas tecno- logias; matemática e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; ciências humanas e sociais aplicadas. Por esse motivo, a minha turma de Magistério foi a última ofertada pelo Centro Educacional José Augusto (Ceja), renomeada de EETI José Augusto (Escola de Ensino Médio em Tempo Integral), já que ofertaria no ano seguinte o ensino médio integral e o ensino médio técnico integral em Manutenção e suporte de informá- tica, visando transformar sonhos em projetos de vida. 6 GRADUAÇÃO: INÍCIO DA CONCRETIZAÇÃO DE UM SONHO A minha tão esperada e desejada aprovação no curso de Pedagogia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – Ceres Caicó veio no início do ano de 2018, com minha partici- pação na edição do Sisu 2018, utilizando a nota do Enem 2017. Logo no 1º período dessa graduação, pude notar que para ser um(a) pedagogo(a), é preciso saber lidar com as diferenças sem preconceitos, sem distinção de raça, sexo ou religião. TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 116 Figura 13: Aprovação SISU Fonte: acervo pessoal. Ser pedagogo(a), não é tarefa fácil, requer muita dedi- cação, confiança e perseverança, uma vez que esse profissional tem em suas mãos uma responsabilidade muito grande: a de formar alunos como cidadãos cientes e capacitados para uma vida social e profissional, ultrapassando os limites de uma sala de aula. Detalhe: ele ou ela deve buscar métodos e conheci- mentos que tornem a aprendizagem viável e prazerosa para todos os alunos, sem distinção, tornando, assim, a educação mais justa e democrática, sabendo reconhecer seus caminhos, suas metas e deve buscaratingi-las. Já no início do 2º período (2018.2), fui inserida, por meio de uma seleção decorrente de uma entrevista, no Programa TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 117 Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid). Nesse programa, pude vivenciar experiências desafiadoras, já que proporciona a responsabilidade de realizar atividades refle- xivas e momentos lúdicos em uma turma do ensino infantil ou fundamental I. Diferentemente da proposta do ano de 2019, em que estava cursando o 3º período de Pedagogia, será mais desafiadora ainda, pois estaremos responsáveis pela contação de histórias a crianças em diferentes fases de desenvolvimento humano, em diversos níveis do processo educativo presentes em diferentes instituições de ensino. 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS A legislação brasileira contemporânea tem sido um importante instrumento para introduzir reformas no campo educacional e a Constituição Federal de 1988, mencionada no início desse trabalho, representou não apenas um divisor de águas no processo de redemocratização do país como também da educação. De um lado, por propagar expectativas de mudança da sociedade; de outro, por apontar princípios e caminhos para viabilizar novos pactos econômicos e sociais. Esse processo participativo de construção resultou em consideráveis avanços para a história da Educação brasileira. Este artigo também se propôs a analisar o meu processo de escolarização no âmbito da política educacional nacional, no período definido entre 2002 até o ano de 2019. Como foi visto nos relatos pessoais e históricos nacionais, o Brasil tem procurado, com base em suas políticas públicas, responder aos desafios educacionais corriqueiros. As respostas dadas são TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 118 diversas e variam conforme o alcance e a abrangência dos distintos objetivos. Então, não podemos negar que o poder estatal está ciente de que é preciso continuar avançando para alcançar de modo pleno a qualidade da educação, defendida na Constituição de 1988. Ainda com respeito à qualidade da educação, vale destacar a inovadora experiência do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), por estimular a aproximação entre universidades e escolas públicas, visando à melhoria da educação. O financiamento, como se sabe, é outro fator inovador e decisivo para a execução de toda e qualquer política educa- cional. Para o Brasil, isso tem assumido caráter estratégico no esforço de atingir os objetivos e metas de Educação para Todos, contribuindo para promover não apenas o aumento do gasto público em educação como também conquistar maior equidade na oferta de serviços. A Lei que institui o piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica (Lei nº 11.738/08) é outro importante exemplo, além de duas outras leis que asseguram o financiamento da educação – as leis de criação do Fundef (Lei nº 9.424/96) e posteriormente do Fundeb (Lei nº 11.494/07), por proporcionarem a ampliação do financiamento para a educação básica e suas modalidades, redu- zindo as desigualdades educacionais, melhorando os padrões de remuneração dos professores, entre outros benefícios. Desse modo, se todos da sociedade brasileira trabalharem em conjunto e em prol da Educação, com certeza, ela poderá ser transformada e melhorada. Nesse sentido, a educação brasileira em minha vida e a LDB de 1996 tem os seus méritos. Desse modo, a elas não se deve atribuir a responsabilidade por limitações e por equívocos das políticas públicas, educacionais ou de outras esferas. TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 119 REFERÊNCIAS BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ constituicaocompilado.htm. Acesso em: 18 nov. 2021. BRASIL. Emenda Constitucional nº 53, de 19 de dezembro de 2006. Dá nova redação aos arts. 7º, 23, 30, 206, 208, 211 e 212 da Constituição Federal e ao art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. Brasília, DF: Congresso Nacional, [2006]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ constituicao/emendas/emc/emc53.htm. Acesso em: 19 nov. 2021. BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2014]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011- 2014/2014/lei/l13005.htm. Acesso em: 19 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1990]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/LEIS/L8069.htm. Acesso em: 29 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1996]. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm. Acesso em: 13 mar. 2019. TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 120 BRASIL. Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996. Dispõe sobre o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, na forma prevista no art. 60, § 7º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1996]. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/leis/l9424.htm. Acesso em: 19 nov. 2021. BRASIL. Lei nº 10.260, de 12 de julho de 2001. Dispõe sobre o Fundo de Financiamento ao estudante do Ensino Superior e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2001]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ leis/leis_2001/l10260.htm. Acesso em: 19 nov. 2021. BRASIL. Lei nº 10.709, de 31 de julho de 2003. Acrescenta incisos aos arts. 10 e 11 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2003]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/2003/l10.709.htm. Acesso em: 19 nov. 2021. BRASIL. Lei nº 10.880, de 9 de junho de 2004. Institui o Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar - PNATE e o Programa de Apoio aos Sistemas de Ensino para Atendimento à Educação de Jovens e Adultos, dispõe sobre o repasse de recursos financeiros do Programa Brasil Alfabetizado, altera o art. 4º da Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2004]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2004/lei/l10.880.htm. Acesso em: 19 nov. 2021. TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 121 BRASIL. Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005. Institui o Programa Universidade para Todos - PROUNI, regula a atuação de entidades beneficentes de assistência social no ensino superior; altera a Lei nº 10.891, de 9 de julho de 2004, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2005]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2005/lei/l11096.htm. Acesso em: 19 nov. 2021. BRASIL. Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007. Regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB, [...] e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2007]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/lei/l11494.htm. Acesso em: 19 nov. 2021. BRASIL. Lei nº 11.525, de 25 de setembro de 2007. Acrescenta § 5o ao art. 32 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para incluir conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes no currículo do ensino fundamental. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2007].Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/lei/l11525.htm. Acesso em: 19 nov. 2021. BRASIL. Lei nº 11.738, de 16 de julho de 2008. Regulamenta a alínea “e” do inciso III do caput do art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, para instituir o piso salarial profissional nacional para os profissionais do magistério público da educação básica. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2008]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2008/lei/l11738.htm. Acesso em: 19 nov. 2021. TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS Barbara Tamires dos Santos 122 BRASIL. Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008. Institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2008]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2008/lei/l11892.htm. Acesso em: 19 nov. 2021. BRASIL. Lei nº 12.513, de 26 de outubro de 2011. Institui o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec); [..]; e dá outras providências. 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Tem o objetivo de relatar minhas lembranças do meu percurso escolar até os dias atuais e as relacionar com alguns aspectos da história da educação brasileira, como a influência das leis e dos objetivos educacionais que impactaram a minha vida, utilizando de recursos como a minha própria memória, a pesquisa digital, e o histórico escolar. Palavras-chave: vida estudantil; educação; leis. 1 INTRODUÇÃO Para garantir nossos direitos, temos a constituição. O Brasil já elaborou sete. A última foi aprovada pela assembleia nacional constituinte em 22 de setembro e promulgada em 5 de outubro 1 Email: carletebarbosas1@gmail.com MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS Carlete Barbosa de Souza 130 de 1988, é a lei fundamental e suprema do Brasil. Ademais, a lei de diretrizes e bases da educação (LDB) define e regulariza os objetivos educacionais considerando os princípios presentes na constituição federal brasileira. A primeira LDB foi publicada em 20 de dezembro de 1961 e então ela teve sua última alteração em 1996, segundo a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Segundo a LDB, a educação é um direito de todos, dever do estado e da família, que visa ao pleno desenvolvimento de todos, ao preparo para o exercício da cidadania e à qualificação para o trabalho. Nesse sentido, a vida dos cidadãos de um país está ligada à forma como a política define seus objetivos, para a área da saúde, da segurança e da educação. Dessa forma, este trabalho mostra a minha trajetória estudantil e como as políticas educacionais me influenciaram ao longo da vida. 2 ENSINO FUNDAMENTAL I (ANOS INICIAIS) Nasci no dia 11/03/1999. No ano de 2005, aos 6 anos de idade, ingressei na escola Municipal Liberdade do Saber, no 1ª ano do ensino fundamental. Nesse mesmo ano, estava em voga uma lei que estabelece a matrícula de menores a partir dos seis anos de idade e também estabelece que o ensino fundamental tenha uma duração mínima de oito anos. No ano de 2006, a lei nº 11.274, de 6 de fevereiro de 2006, define que o ensino fundamental passe a durar 9 anos. A instituição em que comecei a estudar foi fundada no ano 2000 e fechada no ano de 2009, localiza-se em Caicó, no bairro Salviano Santos, onde resido. Naquela época, a diretora MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS Carlete Barbosa de Souza 131 da instituição se chamava Salete. A escola tinha problemas de infraestrutura, era pequena e não tinha como comportar todos os espaços que uma escola normalmente deveria ter. Era problema também a falta de água e as mães ficavam preocu- padas com os filhos devido à escola estar situada em um bairro onde tem um presídio, pois me lembro que, desde aquela época, havia bastantes rebeliões. A maioria das aulas ocorriam na sala de aula, mas, nas sextas-feiras, era o melhor dia, porque era recreação e a profes- sora levava a gente para o estádio de futebol, popularmente chamado de Marizão, que fica próximo ao nosso bairro. A turma ia a pé. A melhor parte eram as arquibancadas. Eu e minhas amigas ficávamos subindo e descendo, também jogávamos bola no campo. Às vezes, também tínhamos aulas de campo. Eu me lembro que já fomos na ponte nova da cidade, também em um lugar observar os instrumentos antigos que eram utilizados pelas pessoas, tínhamos passeios para tomar banho. Porém, durante o período em que estudei nessa escola, só fui a um passeio. Minha mãe nunca me levava, porque ela tinha vergonha, talvez a minha dificuldade de me socializar tenha sido por causa dela. Durante o período da noite, também havia aulas para os pais dos alunos ou interessados. Com isso, muitas pessoas passaram a ter a chance de entrar em contato com o saber, muitos ainda nem sabiam ler. Minha mãe também frequentava essas aulas. Quando comecei a estudar, tinha dificuldades de me socializar. A escola para mim era como estar no inferno. Sempre ficava sozinha no intervalo e os meninos gostavam de ficar me apelidando. Precisei de um bom tempo para poder ter amigos e, mesmo assim, eram poucos. Só depois de algum tempo que MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS Carlete Barbosa de Souza 132 comecei a me relacionar com outras pessoas e aí passei a brincar no intervalo. As melhores brincadeiras eram com os meninos, pois brincar de boneca era bom, mas logo ficava chato, preferia brincar de esconde esconde, pega pega, ajuda ajuda, brincava de bila e outras brincadeiras que, para algumas pessoas, são consideradas coisas de menino. A escola fechou no ano de 2009, por localizar-se em um bairro pequeno. Ao longo do tempo, as crianças foram crescendo e a escola fechou por haver poucos alunos matriculados. 3 ENSINO FUNDAMENTAL II (ANOS FINAIS) No ano de 2009, ingressei na Escola Municipal Severina Brito da Silva, no bairro Samanaú. A instituição oferecia todo o ensino fundamental, do primeiro ao nono ano. Segundo consulta ao Projeto Político-Pedagógico (PPP), a escola foi criada pelo Decreto-Lei nº 022/1994, na administração do prefeito Silvio Santos, sendo o Secretário Municipal de Educação o senhor Hamilton Teixeira, tendo como entidade mantedora a Prefeitura Municipal de Caicó. A primeira diretora foi a professora Jacinta da Silva, que dirigiu a escola na época com uma clientela de 1ª a 4ª série, funcionando no turno matutino e vespertino e contava com um número de 80 crianças.Ao longo de sua história, essa instituição escolar apresenta três fases distintas: a 1ª com o funcionamento da 1ª a 3ª série e posteriormente a 4ª série; a 2ª fase com a implantação da educação infantil no ano de 1995; e a 3ª fase com a Educação de Jovens e Adultos (EJA). No ano de 1999, cria-se a 5ª série; no ano 2000, a 6ª série; em 2001, a 7ª série; em 2002, a 8ª série; e atualmente com a MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS Carlete Barbosa de Souza 133 Lei nº 11.274, de 6 de dezembro de 2006, tem-se o 9º ano. Na época em que comecei a estudar nessa escola, a diretora se chamava Neves, atuando de 2007 a 2012. Em seguida, veio o diretor Thiago, tendo como vice-diretor Severino. Quando fui para essa escola estava no quinto ano do ensino fundamental. Na época, tive um pouco de dificuldade para me adaptar à forma como os professores ensinavam, pois as disci- plinas começaram a ficar mais complexas. Nós tínhamos também de apresentar trabalhos, isso foi o que mais pesou para mim, pois tinha vergonha de apresentar os trabalhos. Como eu me negava a fazer isso, acabei perdendo alguns pontos. Somente ao longo dos anos seguintes é que eu comecei a apresentá-los. Lembro-me que em algumas aulas de artes a professora passava uns trabalhos para a turma fazer bem interessantes, como as maquetes. A partir do 8ª ano começamos a ter aulas da língua estrangeira inglês. 4 ENSINO MÉDIO No ano de 2014, mudei de escola devido à anterior ter apenas o ensino fundamental e entrei para o ensino médio na Escola Estadual Professor Antônio Aladim de Araújo, onde são ofer- tados o ensino fundamental II e o ensino médio. Nesse mesmo ano foi aprovada a Lei nº 13.005/2014, que trata do Plano Nacional da Educação (PNE) que vigora durante 10 anos. Naquela época, a diretora se chamava Gilda e a vice-di- retora era Lenilda. As disciplinas estudadas eram: educação física, artes, filosofia, sociologia, inglês, espanhol, biologia, física, matemática, química e português. Na escola, havia sala de vídeo; sala de informática, porém, muitos computadores não MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS Carlete Barbosa de Souza 134 funcionavam; biblioteca onde tinha livros didáticos e livros para leitura de deleite. Apesar de ser uma boa escola, ela, ainda assim, necessitava de ajustes na sua estrutura. A escola acolhia o pessoal do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid). Tive a oportunidade de participar das ativi- dades de matemática, geografia e biologia. No Pibid de matemática, os estagiários nos davam uma espécie de aula de reforço, sendo aplicadas atividades para resolvermos com o acompanhamento dos estagiários. Ao final do bimestre, também havia prova avaliativa para os alunos do Pibid. No Pibid de geografia, eram discutidos assuntos extraclasses, além disso, também tínhamos aulas de campo. Não havia atividade avaliativa, mas participamos de um projeto em que mostramos para a comunidade escolar e os interessados os riscos à saúde de consumirmos alguns alimentos industria- lizados, como salsicha, refrigerante e outros. Nesse mesmo projeto organizado pela escola, por também fazer parte do Pibid de biologia, participando das apresentações nessa área. Depois de passarmos um período estudando sobre a água, apresentamos um trabalho sobre a contaminação da água e algumas doenças causadas por ela, quando ela é ingerida de alguma forma, seja por consumo direto, seja pelo consumo indireto, através da alimentação por peixes, por exemplo. Além disso, no Pibid de biologia também tínhamos aulas de campo, em uma delas fomos a Natal. A escola fechou no ano de 2017 por problemas na rede elétrica, que comprometeram toda a estrutura da escola, pondo em risco os funcionários e alunos. Desde esse ano, ela mudou sua localidade e atualmente funciona no prédio de outra escola, de modo que duas instituições funcionam no mesmo prédio, que ficou dividido. MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS Carlete Barbosa de Souza 135 5 INGRESSO NA UNIVERSIDADE Terminei o ensino médio no ano de 2016. Fiz Enem nesse mesmo ano. Trata-se de processo seletivo criado pela Portaria MEC nº 438, de 28 de maio de 1998, com o objetivo de avaliar o desem- penho dos estudantes e também de oferecer oportunidades de acesso ao ensino superior. Porém, quando saiu o resultado do exame, em 2017, não entrei na universidade. Cheguei a me inscrever e passei na primeira chamada, porém, não fui fazer a inscrição. Na época, não tinha passado para a UFRN, pois eu havia tirado uma nota abaixo de 450 em matemática e, segundo a regulamentação da UFRN, para ter direito a concorrer a vagas nessa universidade, é necessário tirar uma nota acima de 450. Nesse ano, eu me inscrevi para a UERN de Caicó e escolhi filo- sofia, porém, o curso que realmente queria era o de psicologia que não tem na cidade de Caicó e não tinha condições de cursar em outra cidade. Em 22 de dezembro de 2017, foi publicada a resolução CNE/CP n° 2, que orienta a implantação da base comum curricular a ser respeitada ao longo das etapas e moda- lidades no âmbito da educação básica. Passei um ano sem estudar ou trabalhar, pois queria ver se tinha a oportunidade de poder ir cursar psicologia em outra cidade. Por isso, fiz o Enem novamente e, em 2018, veio o resultado e mesmo eu tendo alcançado uma nota satisfatória, ainda assim, não poderia ir para outra cidade cursar o que desejava por falta de condições. Então resolvi me inscrever no curso de pedagogia. Como resultado, passei pelo Sisu em 9ª colocação na primeira chamada para a Universidade Federal do Rio Grande do Norte. MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS Carlete Barbosa de Souza 136 6 CONCLUSÃO De acordo com os dados coletados, chega-se à seguinte conclusão: a educação brasileira e as políticas do país estão intimamente ligadas à vida das pessoas, afetando-as na sua vida pessoal e futuramente profissional. Desse modo, para um país avançar seriamente na educação, é necessário que real- mente invista nesse setor, realizando ações como: a formação dos professores; o investimento nas estruturas das instituições de ensinos que muitas vezes deixam a desejar; a garantia da saúde e da segurança para as famílias da nação, para que assim possam-se obter resultados satisfatórios. MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS Carlete Barbosa de Souza 137 REFERÊNCIAS BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: 22 nov. 2021. BRASIL. Lei nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001. Aprova o Plano Nacional de Educação e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2001]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/LEIS/LEIS_2001/L10172.htm. Acesso em: 15 jun. 2019. BRASIL. Lei nº 11.114, de 16 de maio de 2005. Altera os arts. 6º, 30, 32 e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, com o objetivo de tornar obrigatório o início do ensino fundamental aos seis anos de idade. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2005]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004- 2006/2005/Lei/L11114.htm. Acesso em: 15 jun. 2019. BRASIL. Lei nº 11.274, de 6 de fevereiro de 2006. Altera a redação dos arts. 29, 30, 32 e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, dispondo sobre a duração de 9 (nove) anos para o ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de idade. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2006]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Lei/L11274.htm. Acesso em: 15 jun. 2019. BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2014].Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_Ato2011-2014/2014/Lei/L13005.htm. Acesso em: 16 jun. 2019. MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS Carlete Barbosa de Souza 138 BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1996]. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm Acesso em: 20 dez. 2021. BRASIL. Portaria MEC nº 438, de 28 de maio de 1998. Institui o Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1998]. Disponível em: http://www.normasbrasil.com.br/ norma/portaria-438-1998_181137.html. Acesso em: 15 jun. 2019. BRASIL. Portaria Normativa nº 21, de 5 de novembro de 2012. Dispõe sobre o Sistema de Seleção Unificada - Sisu. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2012]. Disponível em: http://sisugestao. mec.gov.br/docs/portaria-2017-2.pdf. Acesso em: 16 jun. 2019. BRASIL. Resolução CNE/CP nº 2, de 22 de dezembro de 2017. Institui e orienta a implantação da Base Nacional Comum Curricular, a ser respeitada obrigatoriamente ao longo das etapas e respectivas modalidades no âmbito da Educação Básica. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2017]. Disponível em: http:// basenacionalcomum.mec.gov.br/images/historico/RESOLUCAOCNE_ CP222DEDEZEMBRODE2017.pdf. Acesso em: 22 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular – BNCC. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2018a. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/conselho-nacional-de-educacao/ base-nacional-comum-curricular-bncc. Acesso em: 16 jun. 2019. MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS Carlete Barbosa de Souza 139 BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes para a Educação Básica. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2018b. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/inicio/323-secretarias-112877938/ orgaos-vinculados-82187207/12992-diretrizes-para- a-educacao-basica. Acesso em: 16 jun. 2019. BRASIL. Ministério da Educação. ENSINO FUNDAMENTAL DE NOVE ANOS: PERGUNTAS MAIS FREQÜENTES E RESPOSTAS DA SECRETARIA DE EDUCAÇÃO BÁSICA (SEB/MEC). Brasília, DF: Ministério da Educação, [201-]. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/ arquivos/pdf/Ensfund/ensfund9_perfreq.pdf. Acesso em: 16 jun. 2019. BRASIL. Ministério da Educação. Filosofia e Sociologia no Ensino Médio. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2018c. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/ programa-saude-da-escola/323-secretarias-112877938/ orgaos-vinculados-82187207/12768-filosofia-e-sociologia-no- ensino-medio-sp-1870990710. Acesso em: 16 jun. 2019. BRASIL. Ministério da Educação. FUNDEB. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2018.d Disponível em: http://portal. mec.gov.br/fundeb-sp-1090794249. Acesso em: 16 jun. 2019. BRASIL. Ministério da Educação. O que é FUNDEF. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2018e. Disponível em: http://mecsrv04. mec.gov.br/sef/fundef/funf.shtm. Acesso em: 15 jun. 2019. BRASIL. Ministério da Educação. PNE. Brasília, DF: Ministério da Educação, [201-]. Disponível em: http:// pne.mec.gov.br/. Acesso em: 16 jun. 2019. 140 MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS Carlete Barbosa de Souza MEU CAMINHO ESTUDANTIL Cidelly Eduarda Silva Costa1 RESUMO Este trabalho tem como objetivo fazer um recorte temporal entre os anos de 1988 a 2019. Para isso, foi utilizada uma linha do tempo que apresenta a trajetória desde quando realizei minha entrada na educação infantil até a Universidade, contando um pouco de alguns acontecimentos que mais me marcaram. Assim, foi realizado um levantamento das leis e suas respectivas mudanças que ocorreram durante o período da minha vida estudantil. Para a construção deste trabalho, foi realizada uma conversa com minha mãe e a utilização de lembranças que tenho em mente. Como embasamento teórico, utilizei o livro Estado e Educação no Brasil (GARCIA, 2008) e pesquisas realizadas em sites. Com isso, conclui-se que este trabalho serviu para recordar o quanto cada passo dado na minha vida escolar foi importante, assim como cada lei que rege nossa educação. Palavras-Chave: educação; escola; vida. 1 Email: cidellyeduarda@gmail.com MEU CAMINHO ESTUDANTIL Cidelly Eduarda Silva Costa 142 1 INTRODUÇÃO Este trabalho foi proposto pela disciplina História da Educação do Brasil, da Professora Doutora Tânia Cristina Meira Garcia. Trata da minha jornada escolar, buscando fazer recortes das leis brasileiras que foram instituídas durante esse percurso. Relato alguns acontecimentos pessoais que ocorreram durante todo esse tempo, iniciando pela Constituição Federativa do Brasil de 1988 e continuando até a minha entrada na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), no Centro de Ensino Superior do Seridó (Ceres), campus de Caicó, no curso de Pedagogia Licenciatura. Com base nessas memórias, pude perceber a devida importância de cada passo dado na minha educação e o quanto foi significativo para minha vida estudantil, desde quando entrei na creche, que é a primeira instituição de ensino ofertada às crianças, até os dias atuais. Para a construção do presente trabalho, realizei pesquisas em vários sites, para ler e aprender mais sobre cada lei que citei. Usei como base teórica o livro Estado e Educação no Brasil (1987-1996) (GARCIA, 2009). Nessa perspectiva, este trabalho é de suma importância para os estudos no meio educacional, pois, a partir dele, percebi que ocorreram muitas mudanças nas leis que regem a educação no Brasil e com elas temos assegurado o direito de frequentar as instituições de ensino. MEU CAMINHO ESTUDANTIL Cidelly Eduarda Silva Costa 143 2 DA EDUCAÇÃO INFANTIL AO ENSINO FUNDAMENTAL Para iniciar a trajetória escolar, tive como ponto de partida a Constituição da República Federativa do Brasil, que declara que a educação é direito de todos. Desse modo, “a garantia do direito à educação, como direito fundamental, está posta na Carta de 1988 em capítulo específico ao tema”, como cita Garcia (2009, p. 45). Iniciei minha vida escolar muito cedo, exatamente no ano de 1997, mais precisamente com quatro meses de vida, pois minha mãe era diretora da escola e precisou voltar a trabalhar. Com isso, comecei a frequentar a educação infantil, na sala do berçário, na creche Joana Melo de Azevedo, que pertencia ao ensino público, no turno matutino, que funcionava na Zona Rural, na comunidade Fazenda Seridó, município de São José do Seridó-RN, onde cursei até a pré-escola. Naquele tempo, morávamos distante da creche. Minha mãe me trazia dentro de uma caixa cheia de lençóis e almo- fadas, que era presa ao tanque da moto, pois não possuíamos carro e era a única maneira de chegar até a instituição. Naquela época, a educação era regida pela nova e atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), Lei n° 9.394, criada em 1996, que regulariza a organização da educação brasileira. Em 1998, na mesma creche, cursei o Nível I com a profes- sora Maria das Vitórias. Era uma criança muito levada, mordia até meus colegas e tinha de passar a manhã inteira nos braços da professora. Lembro-me de ouvi-la contando isso várias vezes quando cresci. Nesse mesmo ano, surgiu o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que tinha como objetivo analisar o nível de educação do Brasil no ensino médio. Continuei meus estudos na referida instituição até a minha saída, no ano de 2003. MEU CAMINHO ESTUDANTIL Cidelly Eduarda Silva Costa 144 Passei, então, a estudar na Escola José Cirilo Alves, na mesma comunidade rural. Durante essa etapa escolar, já estava em prática o Plano Nacional de Educação (PNE), que havia sido instituído no ano de 2001, mais precisamente em 9 de janeiro. Desse modo, o ensino fundamental de nove anos se tornou meta progressiva da educação nacional. Na escola José Cirilo, cursei apenas os dois primeiros anos do fundamental, pois era muito difícil estudar na mesma escola em que minha mãe trabalhava, tudoo que acontecia comigo levavam em consideração ser filha da professora. Acredito que uma das piores coisas foi ser aluna da minha mãe, sofríamos muito, pois, em diversas vezes, na hora da aula, não pude responder aos questionamentos feitos pela professora, visto que os meus próprios colegas diziam que eu saberia a resposta por ser filha dela. Isso era um constante sofrimento. Eu e ela sabíamos o quanto eu me esforçava para estudar. Houve dias de eu me negar a ir à escola, falava para minha mãe que não aguentava mais tanto desprezo, foi quando ela viu a necessidade de me levar para estudar na cidade de São José do Seridó. No ano de 2005, dei continuidade aos meus estudos na escola Jesuíno Azevedo, na 3ª série do ensino fundamental, no turno vespertino. Foi um ano bem complicado, eu havia deixado todas as minhas amigas na escola do sítio, mas eu sabia que ali seria melhor. Com o passar dos dias, as coisas foram melhorando, fiz novas amizades e foi o ano em que fui pela primeira vez na temida Diretoria. Foi um dia terrível, a professora me mandou para lá com mais três colegas, o motivo foi termos chegado atra- sadas do intervalo. Levei a maior bronca da minha mãe. Em 2006, realizei minha matrícula na Escola Municipal Raul de Medeiros Dantas, que ficava localizada na Rua Manoel Sabino, Centro de São José do Seridó-RN, na 4ª série, pois na MEU CAMINHO ESTUDANTIL Cidelly Eduarda Silva Costa 145 escola Jesuíno Azevedo as estruturas eram bem precárias e tiveram de transferir algumas turmas para essa outra insti- tuição. Foi nesse mesmo ano que sancionaram a Lei n° 11.274, que regulamentava o ensino fundamental para nove anos, substituindo a nomenclatura das séries. Lembro que isso gerou um pouco de confusão na mente dos alunos, até que um dia o professor nos explicou direito como funcionava essa lei. Foram anos muito bons e de bastante aprendizado, vivi momentos que jamais esquecerei, foi lá que tirei meu marcante 10,0 em matemática, com a professora que nos ensinava essa disciplina. No ano de 2007, foi criada a Lei n° 11.494, que instituía o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação 9 (Fundeb); e em 29 de dezembro de 2008, a Lei n° 11.892, pela Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, criando os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Assim, em 2010, eu me submeti à prova que seria a chave de entrada para estudar no tão sonhado Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), no Campus de Caicó, que tinha sido inaugurado no dia 20 de agosto de 2009, porém, não consegui a vaga. 3 DO ENSINO MÉDIO ATÉ A CHEGADA AO ENSINO SUPERIOR No ano de 2011, comecei a cursar o ensino médio, no turno vespertino, na Escola Estadual Professor Raimundo Silvino da Costa, localizada na Rua Joaquim Loló, em São José do Seridó, que abrangia todo o ensino médio. Lá passei por anos bem difíceis, sofria muito por falta de empatia de uma turma de MEU CAMINHO ESTUDANTIL Cidelly Eduarda Silva Costa 146 meninas da mesma sala, mas também fiz muitas amizades verdadeiras, éramos uma turma bem animada, adorávamos conversar com as funcionárias da cozinha. No ano de 2012, houve um ponto de grande impor- tância, foi quando as entradas para as instituições públicas de educação superior passaram a ser por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A entrada se dava pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que era desenvolvido pelo Ministério da Educação, assegurado pela lei de n° 12.711, que instituía o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio. Em 2013, ano em que concluí o ensino médio, tivemos uma bela festa de formatura, lembro que na nossa aula da saudade chorei muito, pois construí amizades com professores que jamais esquecerei. Acredito que deixamos um legado naquela escola, pois participamos de peças teatrais que foram um sucesso, fomos destaques nas oficinas produzidas nas aulas de química e nos destacamos por ter alunos que obtiveram excelentes desempe- nhos nos exames que dão acesso ao ensino superior. Fiz a prova do Enem, mas não consegui nota suficiente para ingressar nas Universidades Federais como almejava. Não desisti. Em 2014, realizei a prova do Técnico subsequente de vestuário do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, no campus de Caicó, e fui aprovada. Cursei um semestre. No mesmo ano, fiz novamente a prova do Enem, com resultado no início do ano de 2015. Por meio do Sisu, consegui uma vaga no curso de matemática na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Campus de Caicó. No segundo semestre do curso, mais precisamente no dia 16 de novembro de 2015, data em que estava completando três meses de gravidez, estava indo para a cidade de São José do Seridó de moto, pois morava MEU CAMINHO ESTUDANTIL Cidelly Eduarda Silva Costa 147 na Zona Rural e precisava me locomover até a cidade para pegar o ônibus com destino à Universidade. Nesse dia, sofri um grave acidente no caminho, fraturei a perna em alguns lugares, inter- rompendo o meu término do semestre. Com isso, dei entrada em alguns documentos na UFRN, que me assegurou concluir o semestre em casa. Passei todo o ano de 2016 com o curso trancado, estava me recuperando do acidente e, ao mesmo tempo, vivendo a minha nova vida, com meu filho, o pequeno guerreiro José Benjamin. Chegado o ano de 2017, resolvi voltar à Universidade, foi quando descobri que minha área não era a matemática, passei a preferir muito mais as matérias pedagógicas do que as de cálculo. Diante dessa minha descoberta, decidi realizar a prova para vagas residuais no curso de Pedagogia, que ofertava cinco vagas, com uma concorrência de vinte e cinco pessoas inscritas, na qual fui aprovada. No ano de 2018, iniciei minha jornada de estudos no curso de Pedagogia Licenciatura. Sofri muitas críticas de pessoas que falavam que eu vivia pulando de galho em galho e não chegaria a lugar nenhum, mas com a ajuda dos meus familiares que sempre foram meus maiores apoiadores, superei todos esses obstáculos e estou muito feliz na minha graduação. Concilio a vida de estudante com a de mãe, é difícil, mas meu filho tornou-se minha maior motivação diária. É por ele que encontro forças para levantar às 05h da manhã, percorrer 11 km de moto, enfrentando em dias chuvosos, uma estrada cheia de buracos e lamas, que já me fez cair diversas vezes, para chegar a São José do Seridó e pegar o ônibus escolar para ir a Caicó. Em meio às dificuldades enfrentadas, não desa- nimo e as transformo em degraus que servirão de caminho para a minha vitória como futura pedagoga. MEU CAMINHO ESTUDANTIL Cidelly Eduarda Silva Costa 148 4 CONCLUSÃO Este trabalho teve uma grande contribuição para minha vida acadêmica. Por meio dele, pude perceber, refletir e fazer a relação da minha linha do tempo pessoal com as transformações e mudanças que aconteceram nas leis que regem a educação brasileira e também relembrar o quanto vivi experiências magníficas no caminho escolar que pude percorrer. Nesse processo, é importante destacar o quanto esses trabalhos são facilitadores para os alunos dos cursos de licen- ciatura, pois propiciam contribuições para a formação como docentes, instigando-os a uma reflexão que contribui de maneira significativa para o processo de aprendizagem do estudante. Portanto, é com base nessas experiências que o aluno aprimora seus conhecimentos, tornando-se um discente reflexivo, compro- missado com sua formação, que é um processo de constante busca de novos aprendizados na vida pessoal e intelectual. MEU CAMINHO ESTUDANTIL Cidelly Eduarda Silva Costa 149 REFERÊNCIAS BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ constituicaocompilado.htm. Acesso em: 29 mar. 2019.BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm. Acesso em: 29 mar. 2019. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 11.274, de 20 de junho de 2007. Regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ Ato2004-2006/2006/Lei/L11274.htm. Acesso em: 29 mar. 2019. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008. Institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007- 2010/2008/Lei/L11892.htm. Acesso em: 29 mar. 2019. MEU CAMINHO ESTUDANTIL Cidelly Eduarda Silva Costa 150 BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012. Dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011- 2014/2012/lei/l12711.htm. Acesso em: 29 mar. 2019. REVISTA QUERO. Como surgiu: Enem, Sisu, Prouni e Fies. [S. l.]: Revista Quero, 2019. Disponível em: https:// querobolsa.com.br/revista/como-surgiu-enem- sisu-prouni-e-fies. Acesso em: 29 mar. 2019. GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e Educação no Brasil (1987/1996). João Pessoa: Ideia: EDUFRN, 2009. 151 MEU CAMINHO ESTUDANTIL Cidelly Eduarda Silva Costa MINHA ESCOLARIZAÇÃO MEDIADA PELA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA Daniela Dara de Medeiros Santos1 RESUMO Este artigo trata de uma linha do tempo, que tem como obje- tivos apresentar um recorte histórico de momentos marcantes da minha trajetória como estudante, apontar as mudanças da legislação educacional neste período e perceber a relação da minha vida pessoal e escolar com a História da Educação. Diante disso, vale destacar o ano de 1996, ano que eu nasci, como ponto de partida da minha vida pessoal. Porém, meu recorte histórico começa no início do meu processo de escolarização, que foi no ano de 2000 até os dias atuais. Dessa forma, usei como base teórica os estudos passados durante a primeira unidade da disciplina História da Educação Brasileira, ministrada pela docente Tânia Cristina Meira Garcia, principalmente a obra Estado e Educação no Brasil, de Garcia (2008); textos acadê- micos relacionados ao assunto; como também o diálogo com 1 Email: danieladara25@gmail.com Daniela Dara de Medeiros Santos 153 MINHA ESCOLARIZAÇÃO MEDIADA PELA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA as legislações educacionais vigentes no período da minha trajetória escolar. A partir da pesquisa, análise e construção da linha do tempo, posso concluir que consegui alcançar os objetivos, visto que articulei e assimilei os marcos importantes da minha vida escolar com as legislações e história da educação brasileira. Palavras-chave: linha do tempo; trajetória escolar; história da educação. 1 INÍCIO DO TRAJETO ESCOLAR E ENSINO FUNDAMENTAL I E II No ano de 2000, comecei minha trajetória escolar, em uma creche no município de Caraúbas/RN, com suporte na Lei de Diretrizes e Bases (LDB) de 1996, que define e regulariza a educação brasileira pelas normas estabelecidas na constituição federativa de 1988. Com base nesses documentos, a educação infantil passa a ser incluída na educação básica, e ganhou mais destaque no cenário nacional. Entretanto, não tenho recorda- ções desse tempo em que frequentei a educação infantil, mas lembro que minha mãe tinha a bolsa escola, programa criado no ano 2001, para atender as famílias de baixa renda, o que implicava que o aluno deveria ter 85% da frequência escolar. Meu ensino fundamental começou no ano de 2003, na Escola Municipal Giselda Soares Fernandes, no município de Caraúbas/RN. Tenho pouca lembrança de como era essa escola, mas lembro que só gostava de ir só pela merenda, para brincar com meus colegas e porque tinha que ter 85% da frequência, Daniela Dara de Medeiros Santos 154 MINHA ESCOLARIZAÇÃO MEDIADA PELA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA se não, perdia o bolsa família, programa criado no ano de 2003 pelo governo de Lula. Hoje em dia, essa escola virou uma creche. No ano de 2004, tive a perda da minha mãe, e isso afetou minha vida pessoal e escolar, pois tive que vir morar no município de Caicó, com minhas tias. Comecei a estudar na Escola Municipal Auta de Souza, localizada na Rua Eustáquio José Nogueira, Barra Nova, onde fui muito bem recebida e comecei até o interesse pela educação. Atualmente, essa escola não é tão legal como antes. No ano seguinte, precisei mudar de escola. Cursei o quarto e o quinto ano na Escola Estadual Dom José Adelino Dantas, na Rua Josefa Vieira, no Walfredo Gurgel. Nessa escola, tive profes- sores muito bons, foi lá que surgiu o despertar pela leitura, pelo teatro, pela dança. Isso ajudou muito para desenvolver minha oralidade e também estimular a perda da minha timidez. Os anos finais do ensino fundamental foram na Escola Estadual Zuza Januário, localizada na Rua José Quinino de Medeiros, Barra Nova. No ano de 2006, considerando o art. 32, da LDB n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa vigorar o ensino fundamental obrigatório com duração de 9 anos. Assim, esse nível se inicia aos 6 anos de idade, com base na lei n° 11.274, com um prazo de até 2010 para implementar a lei. No ano de 2007, essa lei foi implementada na escola Estadual Zuza Januário. No mesmo ano, outro fato histórico ocorreu: em 20 de julho de 2007, houve a mudança do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (FUNDEB), por meio da emenda constitucional nº 53/06 e da lei n° 11.494, com o objetivo de ampliar o atendimento para todos os alunos da educação básica-educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos. Um marco importante nessa escola foi o projeto Mais Educação, criado pela Portaria Interministerial n° 17/2007 e regulamentado pelo Decreto n° 7.083/10. Com base nesse programa, tive mais Daniela Dara de Medeiros Santos 155 MINHA ESCOLARIZAÇÃO MEDIADA PELA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA contato com a cultura, as artes, a cultura digital, entre outras experiências que foram agregadas à minha trajetória escolar. 2 ENSINO MÉDIO E GRADUAÇÃO Minha trajetória do ensino médio foi na Escola Estadual Professora Calpúrnia Caldas de Amorim, localizada na Rua Manoel Gonçalves de Melo, Barra Nova. Nessa escola, tive um aprendizado muito bom. Tenho recordações do laboratório. Inclusive, em uma aula de física, fizemos uma experiência que despertou o meu interesse pela física. Foi nessa escola que apresentei meu primeiro trabalho na semana cultural, um o projeto com o professor de química, do qual gostei muito de ter participado. Também foi nessa escola que fique pela primeira vez em recuperação, na disciplina de história. Esse fato me marcou muito, pois fiquei muito estressada, pois sempre passava por média, e dessa vez tinha ficado em recuperação. Pensava que ia ficar reprovada. Em maio de 2011, foi aprovado parecer estabelecendo novas diretrizes curriculares especi- ficamente para o ensino médio (parecer CNE/CEB nº 5/2011). Referente a isso, as Diretrizes Curriculares Nacionais para o Ensino Médio (DCNEM), de 2011, têm como objetivo central possibilitar a definição de uma grade curricular mais atrativa e flexível, sugerindo uma estrutura curricular que articule uma base unitária com uma parte diversificada, que atenda a multiplicidade de interesses dos jovens. No meu último ano, tive uma professora muito boa de português, que me ajudou na dificuldade de fazer redação. Isso também foi um marco importante no meu processo de educação. No ano de 2017, fiz o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), programa criandopela portaria MEC n° 438, de 28 de Daniela Dara de Medeiros Santos 156 MINHA ESCOLARIZAÇÃO MEDIADA PELA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA maio de 1998, que tem como objetivo avaliar o desempenho do estudante ao fim da escolaridade básica. Nesse mesmo ano, o MEC modificou os dias das provas que antes eram em dias consecutivos, passou a ser em dois domingos. Ademais, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) edição 2018, e com a nota do ENEM de 2017, entrei no curso de pedagogia do Centro de Ensino Superior do Seridó (CERES), Universidade Federal do Rio Grande Norte (UFRN), da cidade Caicó-RN. O primeiro ano de universidade foi muito difícil, pois, assim que entrei, tive duas perdas muito importantes na minha vida, e isso afetou meu desempenho acadêmico, fazendo com que ficasse reprovada em uma disciplina. Atualmente, estou no terceiro período do curso. A partir da pesquisa, análise e construção da linha do tempo, posso concluir que consegui alcançar os objetivos, visto que articulei e assimilei os marcos importantes da minha vida escolar com as legislações e história da educação brasileira. Daniela Dara de Medeiros Santos 157 MINHA ESCOLARIZAÇÃO MEDIADA PELA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA REFERÊNCIAS BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ constituicaocompilado.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. BRASIL. MEC. Edital de ingresso nos cursos de graduação da UFRN por meio do sistema de Seleção Unificada (SISU) para o ano de 2018. Brasília, DF: MEC, 2018. BRASIL. MEC. Legislação Educacional de 2003 a 2010. Brasília, DF: MEC, [2011?]. GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e educação do Brasil (1987-1996). João Pessoa: EDUFRN: Ideia, 2009. LOPES, E. M. T.; FARIA FILHO, L. M.; VEIGA, C. G. 500 anos de educação no Brasil. 3. ed. São Paulo: Autêntica, 2007. 158 Daniela Dara de Medeiros Santos MINHA ESCOLARIZAÇÃO MEDIADA PELA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima1 RESUMO Este artigo trata um pouco sobre a História da Educação Brasileira acompanhada por relatos de acontecimentos marcantes que aconteceram durante todo esse tempo. Este relato traz a trajetória da minha vida escolar a partir de uma linha do tempo. Utiliza como base as leis que regem a educação desde 1988 até os dias atuais. Ao relatar sobre a minha trajetória, irei destacar momentos importantes que me impulsionaram a ir em busca dos conhecimentos e saberes. O artigo foi baseado em pesquisas no site do Planalto e no livro Estado e Educação no Brasil (GARCIA, 2009). Depois de todo o estudo e as pesquisas, foi concluído que já houve várias mudanças na educação brasileira durante todos esses anos, tanto positivas quanto negativas. Palavras-chave: educação; escola; mudanças. 1 Email: dayannekelly504@gmail.com EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 160 1 PRÉ-ESCOLA E ENSINO FUNDAMENTAL I Minha vida escolar começou no ano de 2002, quando eu tinha apenas 4 anos. Iniciei-a em uma escola privada, localizada no Bairro Barra Nova, na cidade de Caicó-RN, chamada Escola Criativa. Nessa instituição, dei início à pré-escola com o Jardim I e continuei em 2003, com o Jardim II, o que atualmente é chamado de Nível 4 e Nível 5. Em 2004, tive de sair para ir para uma escola mais próxima de onde morava. Em 2005, retornei para a mesma escola, para assim estudar o 2º e 3º ano do ensino fundamental I, permanecendo até 2006. Nos dois primeiros anos, os momentos que mais me marcaram foram as rodas de conversa e leitura. A professora sentava conosco e contava a história de uma forma diferente, pois ela não só lia como também procurava expressar o que se passava na história para que os alunos pudessem ter uma compreensão melhor, deixando também as crianças mais presas àquela história e ansiosas para saber o término dela. Quando a história só é lida, as crianças não se interessam muito e ficam ociosas. Um fato que me marcou bastante também na referida escola é que a equipe sempre se dedicava bastante a celebrar as datas comemorativas, como: dia das mães, dia dos pais, dia do índio, folclore, São João (Figura 1). No dia do índio do ano de 2005, foi realizada uma festa à fantasia. Assim, todos os alunos foram fantasiados de índio. Outro dia, os alunos foram levados para visitar o Rio Barra Nova para, assim, observar de perto toda a poluição existente dentro e ao redor do rio. Momentos como esses me marcaram bastante. Os quatro anos que vivi naquele ambiente escolar foram muito bons, pois os professores sempre procuravam, de alguma forma, sair daquela educação tradicional, em que os alunos ficam “presos” dentro da sala de aula. EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 161 Figura 1: Festa de São João Fonte: acervo pessoal. No ano de 2004, iniciei meu ano letivo na Escola Sesc Seridó – Serviço Social do Comércio, localizada no bairro Boa Passagem, onde fiz a alfabetização, o que atualmente chama-se 1º ano do ensino fundamental I. No início do ano seguinte (2005), tive de retornar para a Escola Criativa. Dois anos depois, volto para o Sesc para, assim, concluir o ensino fundamental I, fazendo o 4º e o 5º ano. Nesses três anos passados nessa escola, vários momentos marcaram a minha trajetória escolar, desde o esforço e a dedi- cação da professora que tive a honra de ter na alfabetização (fase considerada uma das mais importantes da educação, pois é quando as crianças aprendem a ler e escrever) até a “cultura” existente na escola, visto que toda semana existia um dia em que todos os alunos e professores se dedicavam para hastear a bandeira do Brasil e cantar o hino nacional. Nos anos finais do EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 162 ensino fundamental I, havia também um dia na semana em que cada turma iria ter o seu momento de “diversão”, que era na aula de Educação Física. Para isso, a escola disponibilizava uma quadra e o campo e cada semana era uma atividade diferente. 2 ENSINO FUNDAMENTAL II Iniciei o ensino fundamental II no ano de 2009, com o 6º ano, na Escola Estadual Monsenhor Walfredo Gurgel, no bairro Paraíba, uma escola de modelo tradicional, com avaliações somente a partir de provas e trabalhos, professores que não se preocupavam com os alunos, só se interessavam em repassar o conteúdo que estava no livro. Apesar disso, a equipe diretiva da escola valorizava as datas comemorativas, realizando confra- ternizações para o dia das mães e dos pais, festas de São João etc. A escola também possui uma banda marcial que é composta por vários alunos e o objetivo maior é o de interação entre eles, como também fazer com que eles participem do desfile cívico na cidade no dia 7 de setembro. Em 2010, fui para o CUCA – Colégio Universitário de Caicó. Nessa instituição, passei 3 anos letivos (7º, 8º e 9º). No 7º ano, senti um impacto muito grande, pois, no ano anterior, estava em uma escola estadual e, logo em seguida, fui para uma privada. Como todos sabem, o ensino de uma para outra se torna um pouco diferente, pelo motivo de o ensino da escola privada ser mais puxado, os professores mais rígidos, cobravam mais dos alunos etc. Diferentemente da escola anterior, as avaliações não eram feitas só por meio de provas e trabalhos, mas também com participações na aula, pontualidade, assiduidade. Ao final de EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 163 cada bimestre, era sempre realizado um simulado com questões de todas as disciplinas, realizado em cinco dias. Cada dia havia questões de duas matérias. Ex.: Segunda-feira era matemática e geografia; terça-feira já era ciências e português. A escola disponibilizava várias modalidades de esportes para os alunos se entreterem, como: vôlei, futsal, atletismo e judô. Asequipes do vôlei e do futsal participavam dos Jogos Escolares do Rio Grande do Norte (Jerns), que é um campeonato seridoense entre times das escolas do Seridó. O atletismo e o judô participavam de campeonatos diferentes que iam ocor- rendo durante o ano. Vale ressaltar que os alunos que mais se destacassem nas modalidades ganhavam uma bolsa parcial de 50%, ou seja, tinha desconto na mensalidade. 3 ENSINO MÉDIO No ano letivo de 2013, iniciei o ensino médio no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), campus Caicó. O IFRN dispõe de quatro cursos técnicos, vestuário, eletrotécnica, informática e têxtil, sendo, assim, eu cursei vestuário durante quatro anos. No início, foi muito impactante, pois apesar de ter vindo de uma instituição privada, com todas as exigências dos professores, ensino puxado, mesmo assim ainda senti um pouco de dificul- dade, pois a metodologia de ensino lá era totalmente diferente. Mas, aos poucos, fui me adaptando. Um dos fatos que me marcou bastante na escola foi a participação ativa dos alunos. Essa participação era feita pelo Grêmio Estudantil e pelo Conselho de Classe. O grêmio era formado por pessoas que nos representavam nas reuniões e EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 164 decisões do Instituto, já o conselho de classe acontecia todo bimestre por meio de uma reunião na sala de aula com parti- cipação de uma pedagoga e os alunos. Na ocasião, os alunos discutiam problemas, melhorias e dificuldades de aprendizagem relacionados com cada matéria. Depois daquele momento, tinha uma reunião entre os professores e a pedagoga com o repre- sentante de cada sala, que passava o que foi discutido entre os alunos. Esses momentos eram muito importantes, pois é preciso a participação dos alunos também em um ambiente escolar, para que eles deem sugestões de melhorias para algo, como também expressar alguma dificuldade que estejam sentindo em relação a algo ou alguém. 4 ENSINO SUPERIOR Em 2018, iniciei o ensino superior na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Centro de Ensino Superior do Seridó (Ceres) Caicó, por meio do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) 2018, do MEC, com o objetivo de oferecer vagas para estu- dantes em universidades públicas, a partir das notas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Permaneço na universidade até os dias atuais, no terceiro período, cursando Pedagogia – Licenciatura. Não senti muito impacto no início, pois como já vinha de uma instituição federal, a metodologia de ensino é praticamente a mesma. EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 165 5 MARCOS LEGAIS Em 1988, foi criada a Carta Constitucional, que deixa explí- cito, no artigo 205, que: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (BRASIL, 1988, não paginado). De acordo com Garcia: Com esta Constituição, lei federal estabelecerá o plano nacional de educação, de duração plurianual, visando à articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos estádios e à integração das ações do poder público que conduzam à erradicação do analfabetismo, à universalização do atendimento escolar, à melhoria da qualidade do ensino, à formação para o trabalho e à promoção humanística, cien- tífica e tecnológica do País (GARCIA, 2009, p. 52). Ainda no parágrafo 3º do artigo 208 determina que: “Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsáveis, pela frequência da escola”. A Lei nº 9.394, atuali- zada em 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação, é considerada uma das principais leis que regem a educação, pois ela determina os direitos e deveres do Estado e da família com a educação. O artigo 3º trata dos princípios-bases de como o ensino será ministrado, que são: igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 166 pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; respeito à liberdade e apreço à tolerância; coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; valorização do profissional da educação escolar; gestão democrática do ensino público, na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; garantia de padrão de qualidade; valorização da experiência extraescolar; vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais; consideração com a diversidade étnico-ra- cial. (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013); garantia do direito à educação e à aprendizagem ao longo da vida. (Incluído pela Lei nº 13.632, de 2018). Já no artigo 4º fala que o dever do Estado com a educação pública é garantir a educação básica obrigatória e gratuita dos quatro aos dezessete anos de idade, que deve ser organizada da seguinte forma: educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, organizada da seguinte forma: pré-escola; ensino fundamental e ensino médio. Em 20 de dezembro de 2002 foi criada a Lei 10.436, que dispõe da Língua Brasileira de Sinais – Libras e dá outras providências. No 1º artigo cita que é reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela associados, ainda no parágrafo único do mesmo artigo diz: Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema linguístico de transmissão de ideias e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil (BRASIL, 2002, não paginado). EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 167 Com essa lei é possível observar que melhorou bastante a linguagem entre os surdos, como também o diálogo entre eles e as pessoas que não possuem deficiência auditiva. No 4º artigo fala que o sistema educacional federal e os sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira de Sinais - Libras, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, conforme legislação vigente. Ou seja, tornou-se disciplina obri- gatória para todos da educação. Mas no parágrafo único desse artigo deixa bem claro que a mesma não poderá substituir a modalidade escrita da Língua Portuguesa. A Lei 10.709, criada em 31 de julho de 2003, acrescenta os incisos nos artigos 10 e 11 da Lei 9.394 de 20 de dezembro de 1996 (LDB). No artigo 10, inciso VII determina que o estado tem que assumir o transporte escolar para os alunos da rede estadual e o município deve fazer o mesmo para os alunos da rede municipal, determinado no inciso VI, no artigo 11 da LDB. No ano de 2004, entrou em vigor a Lei 10.861, onde a mesma estabelece o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior - SINAES, com o objetivo de assegurar o processo nacional de avaliação das instituições de educação superior, dos cursos de graduação e do desempenho acadêmico de seus estudantes. De acordo com o artigo 4º, A avaliação dos cursos de graduação tem por objetivo iden- tificar as condições de ensino oferecidas aos estudantes, em especial as relativas ao perfil do corpo docente, às instalações físicas e à organização didático-pedagógica (BRASIL, 2004, não paginado). EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 168 Essa avaliação é realizada através do Exame Nacionalde Desempenho dos Estudantes – ENADE e o mesmo será aplicado periodicamente, aos alunos de todos os cursos de graduação ao final do primeiro e do último ano de curso. Em 13 de janeiro de 2005 foi sancionada a Lei 11.096, que institui o Programa Universidade para Todos – PROUNI, o que conforme o 1º artigo, o programa é destinado à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de 50% ou de 25% para estudantes de cursos de graduação e sequenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos. A bolsa de estudo integral será concedida a brasileiros não portadores de diploma de curso superior, cuja renda familiar mensal per capita não exceda o valor de até um salário-mínimo e meio. Já as bolsas de estudo parciais de 50% ou de 25%, cujos critérios de distribuição serão definidos em regulamento pelo Ministério da Educação, serão concedidas a brasileiros não porta- dores de diploma de curso superior, cuja renda familiar mensal per capita não exceda o valor de até (três) salários-mínimos, mediante critérios definidos pelo Ministério da Educação. A bolsa será destinada para: estudante que tenha cursado o ensino médio completo em escola da rede pública ou em insti- tuições privadas na condição de bolsista integral; estudante portador de deficiência; a professor da rede pública de ensino, para os cursos de licenciatura, normal superior e pedagogia, destinados à formação do magistério da educação básica. A Lei 11.274, criada em 6 de fevereiro de 2006, entra em vigor para determinar que a partir desse ano o ensino funda- mental tem duração de nove anos e com matrícula obrigatória a partir dos seis anos de idade. EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 169 Em 20 de junho de 2007 foi estabelecida a Lei 11.494 que regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB, no parágrafo 2 do artigo 8 determina que: As instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos e conveniadas com o poder público deverão obrigatória e cumulativamente oferecer igualdade de condições para o acesso e permanência na escola e atendi- mento educacional gratuito a todos os seus alunos; assegurar a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, filantrópica ou confessional com atualização na etapa ou modalidade previstas nos parágrafos 1º, 3º e 4º deste artigo ou ao poder público no caso de encerramento de suas atividades (BRASIL, 2007, não paginado). Já no segundo parágrafo do artigo 9 determina que, “Serão consideradas, para a educação especial, as matrículas na rede regular de ensino, em classes comuns ou em classes especiais de escolas regulares, e em escolas especiais ou espe- cializadas” (BRASIL, 2007, não paginado). E no quarto parágrafo do artigo 10 cita que: “o direito à educação infantil será assegurado às crianças até o término do ano letivo em que completarem seis anos de idade” (BRASIL, 2007, não paginado). A Lei 11.892, criada em 29 de dezembro de 2008 foi a que instituiu a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e criou os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. De acordo com o segundo artigo: EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 170 Os Institutos Federais são instituições de educação superior, básica e profissional, pluricurriculares e multicampi, especia- lizados na oferta de educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades de ensino, com base na conjugação de conhecimentos técnicos e tecnológicos com as suas práticas pedagógicas, nos termos desta Lei (BRASIL, 2008, não paginado). Os Institutos Federais tem várias finalidades, dentre elas: ofertar educação profissional e tecnológica, em todos os seus níveis e modalidades, formando e qualificando cidadãos com vistas na atuação profissional nos diversos setores da economia, com ênfase no desenvolvimento socioeconômico local, regional e nacional; desenvolver a educação profissional e tecnológica como processo educativo e investigativo de geração e adaptação de soluções técnicas e tecnológicas às demandas sociais e pecu- liaridades regionais; promover a integração e a verticalização da educação básica à educação profissional e educação superior, otimizando a infraestrutura física, os quadros de pessoal e os recursos de gestão; desenvolver programas de extensão e de divulgação científica e tecnológica. Mas os Institutos Federais têm objetivos e eles são: ministrar educação profissional técnica de nível médio, prio- ritariamente na forma de cursos integrados, para os concluintes do ensino fundamental e para o público da educação de jovens e adultos; ministrar cursos de formação inicial e continuada de trabalhadores, objetivando a capacitação, o aperfeiçoamento, a especialização e a atualização de profissionais, em todos os níveis de escolaridade, nas áreas da educação profissional e tecnológica; realizar pesquisas aplicadas, estimulando o desen- volvimento de soluções técnicas e tecnológicas, estendendo seus benefícios à comunidade; estimular e apoiar processos EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 171 educativos que levem à geração de trabalho e renda e à emancipação do cidadão na perspectiva do desenvolvimento socioeconômico local e regional. Oferecem também cursos superiores de diversas modali- dades, sendo: cursos superiores de tecnologia visando à formação de profissionais para os diferentes setores da economia; cursos de licenciatura, bem como programas especiais de formação peda- gógica, com vistas na formação de professores para a educação básica, sobretudo nas áreas de ciências e matemática, e para a educação profissional; cursos de bacharelado e engenharia, visando à formação de profissionais para os diferentes setores da economia e áreas do conhecimento; cursos de pós-graduação lato sensu de aperfeiçoamento e especialização, visando à formação de especialistas nas diferentes áreas do conhecimento; e cursos de pós-graduação stricto sensu de mestrado e doutorado, que contribuam para promover o estabelecimento de bases sólidas em educação, ciência e tecnologia, com vistas no processo de geração e inovação tecnológica. Em 16 de junho de 2009, foi sancionada a Lei 11.947, que dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar e do Programa Dinheiro Direto na Escola aos alunos da educação básica. Segundo o artigo 3º: “A alimentação escolar é direito dos alunos da educação básica pública e dever do Estado e será promovida e incentivada com vistas no atendimento das dire- trizes estabelecidas nesta Lei” (BRASIL, 2009, não paginado). O Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE tem por objetivo contribuir para o crescimento e o desenvolvimento biopsicossocial, a aprendizagem, o rendimento escolar e a formação de hábitos alimentares saudáveis dos alunos, por meio de ações de educação alimentar e nutricionais e da oferta de refeições que cubram as suas necessidades nutricionais durante o período letivo. EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 172 De acordo com o artigo 12: Os cardápios da alimentação escolar deverão ser elabo- rados pelo nutricionista responsável com utilização de gêneros alimentícios básicos, respeitando-se as referências nutricionais, os hábitos alimentares, a cultura e a tradição alimentar da localidade, pautando-se na sustentabilidade e diversificação agrícola da região, na alimentação saudável e adequada (BRASIL, 2009, não paginado). A Lei 12.287, criada em 13 de julho de 2010 alterou a LDB de 1996 estabelecendo que o ensino da arte, especialmente em suas expressões regionais, constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. Dia 1 de setembro de 2011, a Lei 12.472 acrescentano parágrafo 6 do artigo 32 da LDB de 1996, incluindo os símbolos nacionais como tema transversal nos currículos do ensino fundamental. Em 27 de dezembro de 2012, a Lei 12.764 determina a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. De acordo com o primeiro parágrafo do primeiro artigo: É considerada pessoa com transtorno do espectro autista aquela portadora de síndrome clínica caracterizada na forma dos seguintes incisos I ou II: I - deficiência persistente e clinicamente significativa da comunicação e da interação sociais, manifestada por deficiência marcada de comunicação verbal e não verbal usada para interação social; ausência de reciprocidade social; falência em desenvolver e manter EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 173 relações apropriadas ao seu nível de desenvolvimento; II - padrões restritivos e repetitivos de comportamentos, interesses e atividades, manifestados por comportamentos motores ou verbais estereotipados ou por comportamentos sensoriais incomuns; excessiva aderência a rotinas e padrões de comportamento ritualizados; interesses restritos e fixos (BRASIL, 2012, não paginado). O artigo 3º trata sobre os direitos da pessoa com trans- torno do espectro autista, que são: a vida digna, a integridade física e moral, o livre desenvolvimento da personalidade, a segurança e o lazer; a proteção contra qualquer forma de abuso e exploração; o acesso a ações e serviços de saúde, com vistas à atenção integral às suas necessidades de saúde, incluindo: o diagnóstico precoce, ainda que não definitivo; o atendimento multiprofissional; a nutrição adequada e a terapia nutricional; os medicamentos; informações que auxiliem no diagnóstico e no tratamento; o acesso: à educação e ao ensino profissionali- zante; à moradia, inclusive à residência protegida; ao mercado de trabalho; à previdência social e à assistência social. Ainda de acordo com o artigo 7º: O gestor escolar, ou autoridade competente, que recusar a matrí- cula de aluno com transtorno do espectro autista, ou qualquer outro tipo de deficiência, será punido com multa de 3 (três) a 20 (vinte) salários-mínimos (BRASIL, 2012, não paginado). A Lei 13.246 foi sancionada dia 6 de julho de 2015 para instituir a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Sendo destinada a EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 174 assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania. Segundo o artigo 5: “A pessoa com deficiência será prote- gida de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, tortura, crueldade, opressão e tratamento desumano ou degradante” (BRASIL, 2015, não paginado). De acordo com o artigo 9, a pessoa com deficiência tem direito a receber aten- dimento prioritário, sobretudo com a finalidade de: proteção e socorro em quaisquer circunstâncias; atendimento em todas as instituições e serviços de atendimento ao público; disponi- bilização de recursos, tanto humanos quanto tecnológicos, que garantam atendimento em igualdade de condições com as demais pessoas; disponibilização de pontos de parada, estações e termi- nais acessíveis de transporte coletivo de passageiros e garantia de segurança no embarque e no desembarque; acesso a informações e disponibilização de recursos de comunicação acessíveis; recebi- mento de restituição de imposto de renda; tramitação processual e procedimentos judiciais e administrativos em que for parte ou interessada, em todos os atos e diligências. No artigo 10 determina que compete ao poder público garantir a dignidade da pessoa com deficiência ao longo de toda a vida. A Lei 13.409 criada em 28 de dezembro de 2016 dispõe sobre a reserva de vagas para pessoas com deficiência nos cursos técnicos de nível médio e superior das instituições federais de ensino. Em 16 de fevereiro de 2017, a Lei 13.415 aprovou a reforma do ensino médio, de modo que: A Base Nacional Comum Curricular definirá direitos e objetivos de aprendizagem do ensino médio, conforme diretrizes do Conselho Nacional de EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 175 Educação, nas seguintes áreas do conhecimento: linguagens e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; ciências humanas e sociais aplicadas. De acordo com o parágrafo 7 do artigo 35-A: Os currículos do ensino médio deverão considerar a formação integral do aluno, de maneira a adotar um trabalho voltado para a construção de seu projeto de vida e para sua formação nos aspectos físicos, cognitivos e socioemocionais (BRASIL, 2017, não paginado). E por fim, a Lei 13.632, criada em 6 de março de 2018 para dispor sobre educação e aprendizagem ao longo da vida, onde a educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos nos ensinos funda- mental e médio na idade própria e constituirá instrumento para a educação e a aprendizagem ao longo da vida. EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 176 REFERÊNCIAS BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ constituicaocompilado.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002. Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 10. 709, de 31 de julho de 2003. Acrescenta incisos aos arts. 10 e 11 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/2003/l10.709.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 10.861, de 14 de abril de 2004. Institui o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior – SINAES e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2004/lei/l10.861.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 177 BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005. Institui o Programa Universidade para Todos - PROUNI, regula a atuação de entidades beneficentes de assistência social no ensino superior; altera a Lei nº 10.891, de 9 de julho de 2004, e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2005/lei/l11096.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 11.274, de 6 de fevereiro de 2006. Altera a redação dos arts. 29, 30, 32 e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, dispondo sobre a duração de 9 (nove) anos para o ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de idade. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2006/lei/l11274.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007. Regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB, de que trata o art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; altera a Lei n o 10.195, de 14 de fevereiro de 2001; revoga dispositivos das Leis n os 9.424, de 24 de dezembro de 1996, 10.880,de 9 de junho de 2004, e 10.845, de 5 de março de 2004; e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/lei/l11494.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 178 BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008. Institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2008/lei/l11892.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 11.947, de 16 de junho de 2009. Dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar e do Programa Dinheiro Direto na Escola aos alunos da educação básica; altera as Leis nos 10.880, de 9 de junho de 2004, 11.273, de 6 de fevereiro de 2006, 11.507, de 20 de julho de 2007; revoga dispositivos da Medida Provisória no 2.178-36, de 24 de agosto de 2001, e a Lei no 8.913, de 12 de julho de 1994; e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2009/lei/l11947.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 12.287, de 13 de julho de 2010. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, no tocante ao ensino da arte. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2010/lei/l12287.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 12.472, de 1º de setembro de 2011. Acrescenta § 6º ao art. 32 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, incluindo os símbolos nacionais como tema transversal nos currículos do ensino fundamental. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011- 2014/2011/Lei/L12472.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 179 BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012. Institui a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista; e altera o § 3º do art. 98 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011- 2014/2012/lei/l12764.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 12.796, de 4 de abril de 2013. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para dispor sobre a formação dos profissionais da educação e dar outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011- 2014/2013/lei/l12796.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. BRASIL. Presidência da República. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015- 2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 13.409, de 28 de dezembro de 2016. Altera a Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012, para dispor sobre a reserva de vagas para pessoas com deficiência nos cursos técnico de nível médio e superior das instituições federais de ensino. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato2015-2018/2016/lei/l13409.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima 180 BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017. Altera as Leis n º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, e 11.494, de 20 de junho 2007, que regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação, a Consolidação das Leis do Trabalho - CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, e o Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967; revoga a Lei nº 11.161, de 5 de agosto de 2005; e institui a Política de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015- 2018/2017/lei/l13415.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 13. 632, de 6 de março de 2018. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), para dispor sobre educação e aprendizagem ao longo da vida. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015- 2018/2018/lei/L13632.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e Educação no Brasil (1987-1996). João Pessoa: EDUFRN: Ideia, 2009. 181 EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS Dayane Kelly Queiroz Lima MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO Elianete Maria Medeiros de Souza1 RESUMO Este trabalho aborda os pontos relevantes da linha do tempo da minha vida estudantil e acadêmica, objetivando descrever as lembranças e histórias da minha infância, elencando os primeiros contatos com as palavras, as experiências vividas nas escolas, descrevendo desde o primeiro contato com a escrita, quando começou a primeira formação básica, sintetizando a educação infantil, o ensino fundamental e médio e o ingresso na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), sendo este um dos acontecimentos mais importantes, o ápice da reali- zação de meus sonhos, que era de chegar a uma graduação. Este relato aponta os eventos que aconteceram durante a escola- rização, as mudanças que aconteceram nas escolas, se houve alguma mudança na infraestrutura, quanto à oferta de níveis de ensino, mudança de endereço, se a escola está funcionando, e os principais aspectos da história da educação no Brasil. Palavras-chave: vida estudantil; graduação; escolarização. 1 Email: elianeteufrn2010@gmail.com MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO Elianete Maria Medeiros de Souza 183 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho tem como objetivo descrever a aprendi- zagem da linha do tempo ao longo da vida estudantil, quando serão relatados os aspectos relacionados a histórias, lembranças, anos iniciais do ensino infantil, fundamental e médio, se durante os anos de estudo houve promoção de escolarização de uma série para outra, quais foram as dificuldades enfrentadas durante o percurso para chegar a uma graduação. No trabalho da linha do tempo, descreve os principais aspectos da trajetória da vida estudantil à graduação, elencando as diferentes etapas e os desafios vivenciados e recordados durante toda a vida de aprendizagem e formação estudantil. A formação é um fato muito importante na vida escolar de uma pessoa, por isso, alguns acontecimentos da história trazem transformação e mudança para a educação a fim de melhorar a aprendizagem do aluno. Neste trabalho sobre a história da vida escolar, houve muitas mudanças no processo educacional e curricular que, durante a explanação deste artigo, serão comentados. São fatos que nortearam a história das escolas e as instituições de ensino. 2 DESENVOLVIMENTO Este trabalho apresentará toda a minha vida estudantil: meu primeiro contato com a escola, com as palavras escritas e faladas, com as escolas onde estudei e as dificuldades enfren- tadas durante todo o percurso de aprendizagem e formação. MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO Elianete Maria Medeiros de Souza 184 2.1 TRAJETÓRIA ESCOLAR Nasci no município de Florânia, no estado do Rio Grande Norte, no dia 31 de maio de 1980. O referido município é reconhecido como a cidade das flores e está localizado na região do Seridó, com uma população de 8 mil habitantes, de acordo com o censo realizado pelo instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa população vive tanto no meio rural, que sobrevive do leite que vende e da agricultura, como no meio urbano, com atividade voltada ao comércio e outros diversos empreendi-mentos do ramo alimentício e loja de roupas. O ano de 1987 foi muito importante para mim, foi o ano em que iniciei meu estudo na primeira série. A professora seguia a cartilha, fazia atividade de cobrir e, em seguida, mandava os alunos transcrever para o caderno. Quem soubesse ler alguma palavra era promovido para a segunda série. Na época, a escola era chamada de Escola Isolada São José, que ficava localizada na zona rural no município de Florânia, onde a escola tinha uma infraestrutura boa, mas o local era pequeno, tinha apenas três cômodos: um banheiro, a sala de aula e o lugar onde era servida a merenda. Todos os alunos podiam conversar e se alimentar e brincar na hora do intervalo. A escola ofertava da primeira à quarta série. Por ser multisseriada, todos aprendiam ao mesmo tempo. As disciplinas estudadas eram comunicação e expressão, matemática, ciências e estudos sociais. A escola tinha dois quadros que eram divididos entre a 1ª série e a 2ª séries, e 3º e 4ª séries. Tinha como docente a professora Bernadete Félix de Medeiros, que se esforçava para dar conta de tantas crianças e adolescentes, tentando transmitir seus conhecimentos aos alunos. No ano de 1988, passei para a segunda série, havendo a promoção da escolarização de uma série para outra. No entanto, MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO Elianete Maria Medeiros de Souza 185 repeti o ano, pois não sabia ler e escrever corretamente. Em 1990, fui para a 3ª série e, em 1991, terminei a quarta série. Na escola, eu brincava bastante com os colegas. No caminho de casa, tinha muitas brigas, a professora precisava ir todos os dias até a metade do caminho para que não houvesse conflitos e brigas entre os alunos. Figura 1: Escola Isolada São José Fonte: acervo pessoal. A Escola Isolada São José mudou seu nome para a Unidade Escolar São José. No ano de 2003, ela foi fechada, mas, a partir de outubro de 2007, foi reativada novamente, e está funcionando até os dias atuais2. O ano da inauguração da Escola Estadual Unidade Escolar São José 2, foi inaugurada no ano de 1972, que teve como profes- sora Cleonice Gomes Dantas, hoje aposentada como professora. 2 Entrevista: Bernadete Félix de Medeiros. MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO Elianete Maria Medeiros de Souza 186 Nos anos 1980, a docente Bernadete Félix de Medeiros, que tinha como formação o ensino curricular de 1ª a 4ª, começou a lecionar. Antes, as escolas eram isoladas, básicas e estaduais. Nos anos 1990, passaram a ser de responsabilidade dos municípios, ou seja, as escolas isoladas localizadas na zona rural, da primeira à quarta série, com iniciativa do Governo Federal, passaram por um processo de nucleação. O projeto de nucleação de escolas encontrou seu embasamento legal na Lei nº 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que contempla, no seu art. 28, a questão da educação básica para a população rural e prevê, no seu art. 10, inciso II, que os estudos incumbir-se-ão de definir com os municípios as formas de colaboração na oferta do ensino fundamental, os quais devem assegurar a distribuição proporcional das responsabilidades, de acordo com a população a ser atendida e os recursos financeiros em cada uma dessas esferas do poder público. No ano de 1992, iniciei na 5ª Série do ensino fundamental na Escola Estadual Teônia Amaral, que tem como o endereço: Praça Mãe Santa. A instituição foi inaugurada no ano de 1978, tendo como formação o ensino fundamental e médio. Quando iniciei os estudos na zona urbana na cidade de Florânia, tive bastante dificuldade em relação ao transporte, pois não tinha carro para o trajeto do sítio até a cidade, e, todos os dias, eu tinha que caminhar 7 quilômetros para estudar. Para ir à escola, precisava sair logo cedo, às 10:30 horas. Na maioria das vezes, eu ia para a escola sem almoçar para chegar a tempo da aula, pois o turno começava às 13:00 horas. Muitas das vezes, chegava cansada. Minha alegria era quando chegava a hora da merenda. A merendeira colocava sempre a mais para mim dos que os outros colegas, pois já sabia que não tinha feito minha refeição em casa. MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO Elianete Maria Medeiros de Souza 187 A vontade de estudar era tanta que aceitava os problemas e as dificuldades, e enfrentava os desafios. Na volta, era a mesma dificuldade, pois as aulas terminavam de 17:30 e chegava mais de 19:00 horas da noite em casa. No ano seguinte, em 1993, no segundo semestre, comecei a ir para a escola de jumento, pois não estava mais conseguindo ir a pé, e meus primos começaram também a estudar na cidade. Eles disseram que era melhor que fossem todos a cavalo, pois chegava mais rápido ao nosso destino, que era a escola. Figura 2: Escola Teônia Amaral Fonte: acervo pessoal. A Escola Teônia Amaral está hoje com sua infraestrutura totalmente diferente. A cozinha foi construída onde era anti- gamente a diretoria. Na instituição de ensino não existe mais o ensino fundamental, que deixou de ser ofertado em 2008. A escola oferta, atualmente, curso técnico de segurança do trabalho, que é vinculado ao ensino médio. Além das disciplinas MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO Elianete Maria Medeiros de Souza 188 complementares, os alunos cursam mais onze disciplinas no turno vespertino. Para os que não podem estudar no turno matutino, o ensino médio também está disponível à noite. No início, tive muita dificuldade em aprender as novas matérias, que eram diferentes das estudadas anteriormente. Na Escola Estadual Teônia Amaral, as disciplinas eram: língua inglesa, história, geografia, física, matemática, educação física e ensino religioso, entre outras. A educação é direito de todos e dever do estado e da família em decorrência da análise da legislação e de normas. Destaca-se, de início, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n° 4.024/61, que reafirma o direito dos excepcionais à educação. Esse documento indica, em seu art. 88, que, para integrá-los à comu- nidade, sua educação deverá, dentro do possível, enquadrar-se no sistema geral de educação. Garcia (2009, p. 49) aponta que: “De acordo com o artigo 210, além da formação básica, conteúdo mínimo que assegure ‘o respeito aos valores culturais e artístico, nacionais e regionais, para fins da educação”. No ano de 1996, ingressei no ensino médio. Escolhi o curso de auxiliar de escritório. No ano de 1998, concluí o referido curso. Em 1999, cursei o magistério e terminei em 2000, porque quem tivesse o ensino médio, cursava dois anos do magistério, pois as disciplinas do 1º ano do ensino médio era as mesmas do primeiro ano do magistério. O magistério visava tão somente ensinar conteúdos e técnicas de ensino que seriam, posteriormente, avaliados no estágio supervisionado a ser realizado no final do curso como requisito parcial para a obtenção do certificado do curso do magistério. No ano de 1996, o transporte escolar começou a levar os alunos da zona rural para a cidade. O carro tinha o nome popular “pau de arara’’. Esse foi um fator muito importante, MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO Elianete Maria Medeiros de Souza 189 porque o ensino médio só tinha à noite, e, com a inclusão do transporte escolar, muitos alunos da zona rural começaram a estudar na zona urbana. A Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, e define que o ensino médio é considerado a etapa final da educação básica, com duração de três anos, tendo como finalidade preparar o aluno para o mercado de trabalho. A antiga função do ensino médio era a de fornecer uma educação preparatória ao estágio supe- rior, sendo subordinada à habilitação profissional. Desse modo, a formação de técnicos e auxiliares-técnicos destinados ao preenchimento de postos de trabalho na indústria, no comércio, nos serviços e na agriculturapassava a ser o objetivo de todas as escolas de segundo grau. Para diminuir as resistências dos jovens, principalmente os que cursavam o ensino secundário, o novo ensino foi chamado de profissionalizante. 2.2 FORMAÇÃO ACADÊMICA Terminei o ensino médio em 2000, e, logo no ano seguinte, comecei a estudar para o vestibular, estudava em casa, pois não tinha condições de pagar um cursinho. Sempre pedia livros emprestados na biblioteca para estudar em casa. Também gostava de assistir pela televisão o programa Telecurso do segundo grau, que ensinava muitos assuntos interessantes das disciplinas que eram cobradas no vestibular. Todos os anos, eu me submetia ao vestibular, mas não passava. Tentei vários cursos, como história, administração. No ano de 2009, tentei o curso de turismo em Currais Novos, pois era um curso novo. Analisei, pelo edital da COMPERVE, MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO Elianete Maria Medeiros de Souza 190 que, como o curso tinha 50 vagas, ia ser menos concorrido que os outros. Não conhecia o curso, só fiz porque queria entrar na faculdade de qualquer maneira, e fazia sete anos que tentava passar no vestibular. Fiz a prova e passei na primeira fase para corrigir a prova discursiva, fiquei entre os classificados, mas, na prova discursiva, depois do resultado final, fiquei na colocação 53, sendo disponibilizadas apenas 50 vagas. Depois de 1 mês que as aulas haviam começado chegou um telegrama pra mim, dizendo que tinha de levar os documentos para cursar turismo. Como todos os que trabalhavam nos Correios me conheciam, pediram para o meu vizinho me entregar no sítio. Quando recebi o papel, foi uma alegria enorme. Só acreditei que tinha passado quando cheguei à universidade e fiz minha inscrição para cursar minha primeira graduação. O meu ingresso na Universidade Federal do Rio grande do Norte (UFRN) deu-se pelo vestibular, no ano de 2009. Para tanto, era preciso fazer uma prova com questões objetivas e discursivas. O vestibular era aberto aos portadores de certifi- cado de conclusão do ensino médio (ou curso equivalente) ou que estavam cursando, no ano letivo de 2009, o último ano do ensino médio (ou curso equivalente) (RAMALHO, 2008). O candidato podia fazer a prova nas seguintes áreas: humanística I e II, tecnológica II, e biomédica. Cada área tinha as provas especificas para cada curso, só sendo corrigida a prova discursiva de quem acertasse pelo menos uma questão nas objetivas de cada disciplina. A Lei nº 5540/1968, de 28 de novembro de 1968, entrou em vigor no governo de Costa e Silva, sob a gestão de Tarso Dutra no Ministério da Educação e Cultura e estabeleceu as normas de organização e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média. O processo de federalização MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO Elianete Maria Medeiros de Souza 191 das instituições de ensino superior e as constantes críticas à política universitária, bem como o desenvolvimento do movi- mento estudantil ocasionou a reforma de 1968 com base na Lei nº 5.540, que possibilitaram mudanças baseadas na repressão política e ideológica do corpo discente e do corpo docente. Essa reforma aliada com os atos institucionais baixados pelo governo militar e a constituição de 1967 abriram espaço para uma grande transformação do ensino superior, modificando a sua estrutura administrativa e política. A Lei introduziu o regime de tempo integral e dedicação exclusiva aos professores, consolidou a estrutura departamental, dividiu o curso de graduação em duas partes – ciclo básico e ciclo profissional –, criou o sistema de créditos por disciplinas, instituiu a periodicidade semestral. As entidades privadas foram reconhecidas como entidades assistidas pelo poder público e foram suprimidas definitivamente as verbas orçamentárias vinculadas. O ano de 2014 foi o da colação de grau. Finalmente terminei minha graduação no mês de abril e fui morar em Natal, para tentar conseguir emprego na área em que tinha feito minha graduação. Depois de três meses, consegui um emprego em uma casa de eventos que fazia festas para pessoas da terceira idade. Entretanto, no mês de outubro, durante a eleição, sofri um acidente. Estava andando na pista a caminho de Florânia, fui atropelada por um carro. Nesse acidente, quebrei a clavícula e fiquei sem trabalhar. Com isso, voltei novamente para a minha cidade de nascimento, Florânia. No ano de 2015, comecei a fazer concurso e a colocar currículo nas empresas das cidades vizinhas. Era chamada para entrevista, mas as empresas não chamavam para trabalhar. Assim, em 2016, fiz a prova de reingresso da UFRN para Natal, que consiste em fazer uma prova de português e matemática MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO Elianete Maria Medeiros de Souza 192 e redação. Fiz para o curso de nutrição, não passei, pois não consegui a pontuação na disciplina de matemática. Todo ano tentava para um curso diferente. No ano de 2017, tentei para o curso de pedagogia e finalmente consegui ingressar novamente em outra graduação. No ano de 2018, passei a cursar licencia- tura em pedagogia. 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS O trabalho abordou aspectos importantes da trajetória da linha do tempo da vida estudantil até o momento atual do Curso de Pedagogia, destacando fatos relevantes da minha história que permitiram a análise das mudanças que aconteceram durante da história da educação, as leis implantadas para melhorar o ensino básico ao ensino médio e a formação acadêmica. A formação nos anos iniciais, no fundamental e médio são muito importantes, pois passamos por várias etapas da nossa apren- dizagem, como as histórias que aprendemos sobre os assuntos relacionados com a nossa cultura, os primeiros passos na construção da escrita, da leitura, e as leis que foram criadas para melhorar a nossa educação. Portanto, este trabalho foi de suma importância para a disciplina de História da Educação Brasileira, como também para minha formação no curso de pedagogia, porque durante a explanação deste artigo, foram relembrados vários aspectos da história da educação durante a década de 1980 até o período atual. As leis da educação continuam mudando de acordo com os direitos do cidadão brasileiro que tem todo direito de estudar e buscar seus direitos para uma educação de qualidade. MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO Elianete Maria Medeiros de Souza 193 REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 5.540, de 28 de novembro de 1968. Fixa normas de organização e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média, e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/leis/l5540.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Fixa as Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/leis/l4024.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e Educação no Brasil (1987/1996). João Pessoa: Ideia: EDUFRN, 2009. RAMALHO, Betania Leite. Edital do Vestibular de 2009. Natal: COMPERVE, 20 de junho de 2008. Disponivél em: http:// www.comperve.ufrn.br/conteudo/psanteriores/ps2009/ documentos/EditalVestibular2009.pdf. Acesso em: 13 dez. 2021. 194 MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO Elianete Maria Medeiros de Souza A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO Eneyse Dayane Pinheiro1 RESUMO Este trabalho intitulado “A história da minha educação” consiste em um artigo como parte da avaliação referente à primeira unidade da disciplina História da Educação Brasileira, ministrada pela docente Tânia Cristina Meira Garcia, que possui como objetivosapresentar momentos significativos da minha trajetória como estudante, destacar as mudanças na legislação educacional neste período e compreender a relação da minha vida pessoal e escolar com a História da Educação. Diante disso, vale frisar o ano de 1988, quando foi promulgada a Constituição de 1988, atual carta magna do Brasil, como ponto de partida do percurso histórico da educação, da qual comecei a participar no ano de 2005 até os dias atuais. Também fizeram parte desse recorte leis como a nº 11.274/06, que aumenta o ensino fundamental para 9 anos, e a lei nº 11.494/07, referente ao FUNDEB que substitui o FUNDEF e Lei nº 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Além disso, houve a criação do Bolsa Família, o Programa de Apoio ao Transporte Escolar, a aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação 1 Email: eneyse_dayane@hotmail.com Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 196 Básica, especificamente a referente ao ensino médio em 2011, entre outras. Utilizei como aporte teórico os estudos ocorridos durante a primeira unidade da disciplina História da Educação Brasileira, especialmente por meio da obra Estado e Educação no Brasil, de Tânia Garcia (2009), sobre o ensino médio e as novas Diretrizes Curriculares Nacionais, também dialogando com as legislações educacionais vigentes no período do meu percurso escolar. Metodologicamente, o trabalho teve uma abordagem qualitativa. Utilizei como procedimentos pesquisas biblio- gráficas com base na literatura e em legislações, e pesquisa documental, sendo possível perceber mudanças ocorridas durante a minha escolarização. A partir da pesquisa, análise e construção da linha do tempo, posso concluir que consegui alcançar os objetivos, visto que articulei e assimilei os marcos importantes da minha vida escolar com as legislações e história da educação brasileira. Palavras chave: história; educação; Lei de Diretrizes e Bases. 1 INTRODUÇÃO Este trabalho consiste em um artigo como parte da avaliação referente à primeira unidade da disciplina História da Educação Brasileira, ministrada pela docente Tânia Cristina Meira Garcia, que possui como objetivos apresentar momentos significativos da minha trajetória como estudante, destacar as mudanças na legislação educacional neste período e compreender a relação da minha vida pessoal e escolar com a História da Educação. Para melhor compreensão, o trabalho estará dividido em cinco Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 197 tópicos sendo eles “Início de tudo”, “Ensino Fundamental I”, “Ensino fundamental II”, “Ensino médio” e “Ensino superior”. Diante disso, vale frisar o ano de 1988 como ponto de partida do percurso histórico da educação, ano este em que foi promulgada a Constituição de 1988, atual carta magna do Brasil, sendo esta regida pela Lei nº 9.394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). Como marcos importantes desse processo, destaquei as transferências de escolas, momentos artísticos que protagonizei e alguns professores que foram de suma importância para minha formação. Além disso, frisei meu ingresso no curso de pedagogia do CERES-UFRN, a minha entrada no Laboratório de Educação Novas Tecnologias e Estudos Étnico-Raciais (LENTE) e a minha participação, ainda ativa, nos projetos de pesquisa e extensão intitulados, “Como se Constitui a Cartografia da Sala de Aula? Um estudo sobre a (de)colonialidade do poder em classes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental” e “BONECAS ABAYOMI: Educação, Cultura, História e Empoderamento de Mulheres e Meninas Negras”, os dois sendo orientados pela Profª Dra. Maria de Fátima Garcia e relacionados ao laboratório. Também fizeram parte desse recorte leis como a nº 11.274/06, que aumenta o ensino fundamental para 9 anos, e a lei nº 11.494/07, referente ao Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) que substitui o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). Além disso, a criação do Bolsa Família, o Programa de Apoio ao Transporte Escolar, a aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação Básica, especificamente a referente ao ensino médio em 2011, e a Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 198 política de ação afirmativa reserva de vagas definida pelas Lei nº 12.711/2012 (Lei de Cotas) no Sistema de Seleção Unificada (SiSU) 2018.1. Dessa forma, utilizei como aporte teórico os estudos ocorridos durante a primeira unidade da disciplina História da Educação Brasileira, especialmente por meio da obra Estado e Educação no Brasil, de Tânia Garcia (2008), sobre o ensino médio e as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), também dialogando com a legislação educacional vigente no período do meu percurso escolar. Metodologicamente, o trabalho teve uma abordagem qualitativa. Para tanto, utilizei como procedimentos pesquisas bibliográficas, pela literatura e legislações, e pesquisa docu- mental, sendo foi possível perceber mudanças ocorridas durante minha escolarização. A partir da pesquisa, análise e construção da linha do tempo, posso concluir que consegui alcançar os objetivos, visto que articulei e assimilei os marcos importantes da minha vida escolar com as legislações e a história da educação brasileira. 2 O INÍCIO DE TUDO Para dar início a este relato sobre a história da minha educação, citarei o art. 205 da Constituição de 1988, atual carta magna do Brasil e ponto de partida da Lei nº 9.394/96, lei esta que regeu e rege a minha vida escolar desde o ano de 2005 quando entrei pela primeira vez em uma escola, até os dias atuais, visto que me encontro no ensino superior. Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 199 Art. 205 A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (GARCIA, 2009, p. 47). Nasci no ano de 2000, na cidade de Jucurutu, no Rio Grande do Norte. Venho de uma família de agricultores, que não possui muito dinheiro, mas esbanja alegria e amor. Minha mãe, Alcenir Pinheiro da Silva, tinha como sonho ser pedagoga. No entanto, pela falta de dinheiro, teve que trabalhar desde muito cedo, dando à luz com apenas 19 anos, sendo eu a primeira filha. Com meu pai, teve mais duas meninas e, desde que erámos pequenas, fala que somos seu orgulho. Quando fiz quatro anos, ela percebeu a vontade que eu tinha de aprender a ler. “Sua vocação para ser professora...” diz ela “ vem desde pequena, quando você pegava meus livros escondidos, organizava suas bonecas de pano feitas por sua avó e imaginava histórias para contar para elas. Foi aí que eu vi que você tinha que aprender a ler”. Ela não queria que fôssemos para uma creche, tinha medo que os garotos maiores nos machucassem. Naquela época, o ensino infantil não era obrigatório, por isso, ela decidiu que apenas nos matricularia quando chegássemos à idade conside- rada obrigatória que, de acordo com o art. 32, Seção III, da Lei 9.394/96, seria de 6 anos. Com essa idade, inicia-se no primeiro ano do ensino fundamental, o qual deveria durar oito anos. Por isso, minha mãe resolveu me ensinar em casa, aos poucos, sempre que tinha tempo. Até que um dia, em uma de nossas várias mudanças, fomos para um sítio. Possuímos como vizinha uma professora. Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 200 Em nossa primeira visita à casa dela, passei a ter meu primeiro contato com os livros infantis. Ela nos contava todas as histórias presentes na sua estante: “Mogli o menino Lobo”, a “Chapeuzinho Vermelho”, a “Branca de Neve”. Sempre que terminava, eu pedia para que ela nos contasse mais uma vez, até descobrir a história do Patinho Feio. Eu ficava indignada como alguém poderiafazer tão mal a uma criaturinha tão linda quanto a daquele desenho. “Você sempre odiou injustiças, Neyse” diz minha mãe. Ao ver meu amor por aquele livro, a professora me disse que eu poderia levá-lo para casa. Minha mãe viu como possuir um livro me deixou encantada, e me viu chorando quando contava a história para as minhas bonecas. E pensou: “se ela fica tão empolgada assim com apenas um livro infantil, imagina se ela for para a escola?”. A partir daí, ela entendeu que eu estava preparada. O ano era 2005, fui matriculada no Pré-escolar Alto da Boa Vista2, situada na Rua Celina Germano, no bairro Alto da Boa Vista. Comecei, por minha idade, na “Alfabetização”, fase anterior à 1ª série do ensino fundamental. A professora ficou encantada com a forma como aprendi a ler e a escrever rapi- damente. Como já tinha conhecimento das letras que minha mãe me ensinara, tudo ficou fácil. Eu tinha uma capacidade de memorização muito boa para minha idade, o que me fez ser a oradora de minha formatura no ABC. Minha mãe ficou bastante entusiasmada com tudo o que estava acontecendo de bom comigo e com minha irmã mais nova depois que entramos na escola. Então, resolveu voltar aos estudos. Como ela tinha que nos levar à escola, ficava a manhã toda sem fazer nada. Então, 2 Fundada no ano de 1983, a pré-escola foi fechada e não consegui entrar em contato com as antigas gestoras, como faz muito tempo, também não consegui identificar o seu ano de fechamento. Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 201 juntou o útil ao agradável. Tínhamos facilidade de ir para o colégio na parte da manhã graças à Lei nº 10.880, de 9 de junho de 2004, art. 2º, que instituiu o Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar (PNATE), tudo estava saindo muito bem. 3 ENSINO FUNDAMENTAL I No ano de 2006, eu deveria iniciar o primeiro ano do ensino fundamental. Naquela época, a lei teve de sofrer alterações. A duração obrigatória do ensino fundamental foi ampliada de oito para nove anos, de acordo com a Lei Ordinária nº 11.274/2006, e a classe de Alfabetização passou a se tornar obrigatória. Nesse mesmo ano, tornou-se necessário que eu trocasse de escola por uma que tivesse o primeiro ano do ensino fundamental. A instituição escolhida pela minha mãe foi a Escola Municipal Professor Raimundo Guerra, localizada na R. Maria de Fátima Gomes, Bairro Alto da Boa Vista Caicó-RN (Figura 1), por ela ser próxima ao pré-escolar onde minha irmã ainda estudava. No entanto, não possuía o primeiro ano pela manhã, apenas à tarde. Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 202 Figura 1 Fonte: imagem da internet. Minha mãe não queria nos deixar longe uma da outra, tinha medo de a pequena se sentir deslocada em outra escola. Poderia matriculá-la lá à tarde, mas o transporte era só pela manhã. Por isso, conversou com a diretora da época e perguntou se não teria como fazer algo a meu respeito e ela encontrou uma solução. Como pela manhã tinha o segundo ano, eu poderia fazê-lo duas vezes, mas teria que ter a aprovação da minha mãe, pois eu estudaria em uma sala avançada e poderia ser que não conseguisse acompanhar meus colegas. Caso isso acontecesse, Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 203 no próximo ano, eu teria que repetir o primeiro novamente e me atrasaria. Após essa conversa, minha mãe não se intimidou e disse que eu tinha capacidade suficiente para isso. Ela estava comple- tamente certa. Não só acompanhei os outros alunos aquele ano como também tirava as melhores notas. Ela nunca desistia de mim e seu orgulho toda vez que eu conseguia alguma coisa já era o suficiente para eu ficar ainda mais feliz e motivada, tanto para ir à escola, como para fazer as tarefas de casa. O ano de 2007 foi bastante turbulento. Iniciei o segundo ano com os meus colegas da alfabetização. Eu me senti um pouco estranha por saber que teria que repetir todos os conteúdos, mas, estava contente por estar na escola. Eu tinha sete anos na época, minha professora resolveu que para a feira cultural da escola faríamos uma peça teatral. O livro que iríamos repre- sentar era A Formiguinha e a neve, adaptado por João de Barro (Braguinha). Eu fui a escolhida para interpretar a personagem principal. Eu seria a formiguinha que todas as minhas colegas desejavam ser. Minha professora disse que ficaria sob minha responsabilidade e de minha mãe procurarmos o livro para o aprendizado das falas. Minha mãe ficou encantada quando soube o que eu faria. Então resolveu me levar para o lugar do qual não me esqueceria jamais. Não me recordo a data, mas me lembro que era uma tarde, nem tão fria, nem tão quente (algo até estranho para o calor que Caicó faz), e minha mãe me levou pela primeira vez a um dos lugares pelo qual eu me apaixonaria completamente, o lugar era a biblioteca pública da cidade, não era nem é tão grande como aquelas em que vemos nos filmes, mas, para mim, era a coisa mais linda já vista, nunca tinha encontrado tantos livros em um lugar só. Estávamos ali para encontrar o livro da Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 204 peça. Só havia um único exemplar em toda a biblioteca, e nós o encontramos. Saí de lá aos pulos, com o livro na mão. Todos os dias, após chegarmos da escola, minha mãe se deitava comigo em uma rede, no alpendre, e treinávamos as falas. Por fim, a peça foi incrível, a felicidade e o orgulho estampados nos rostos de minha mãe e de minha professora foram o suficiente pra eu perceber que eu tinha me saído bem. Na metade do ano de 2007, tivemos que nos mudar mais uma vez. O emprego do meu pai no sítio não estava dando certo. Ao saber que eu iria embora, minha professora me entregou uma flor, queria poder tê-la guardado até hoje, mas perdi no meio das mudanças. Antes de sair da sala, em segredo, falou ao meu ouvido: “você foi a garota que eu tive mais orgulho de ensinar”. Sei que pode parecer mentira uma garota de sete anos ter conseguido se lembrar de uma frase dita doze anos atrás, mas esse foi o momento em que eu tomei a decisão de que um dia seria uma professora tão boa quanto ela. De vez em quando vou passando na rua e a vejo, ela fala comigo como se eu ainda fosse aquela garotinha inteligente, nunca se esqueceu de mim, da mesma forma que eu nunca me esquecerei dela. Eu me mudei para a cidade de Jucurutu-RN. Dessa vez, meu pai havia conseguido um emprego em um posto de gaso- lina, pela primeira vez na minha vida, eu e toda a minha família moraríamos na zona urbana. Pensava nessa experiência como se fosse algo bom, pois morava perto das minhas tias e da minha avó. No entanto, é a única fase da minha vida de que não gosto de lembrar. Estudei na Escola Municipal Professor Joel Lopes Galvão, localizada na Rua Manoel Januncio de Medeiros, 169 - Bairro Santa Isabel (Figura 2). O ambiente escolar era bem diferente do Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 205 antigo. Alguns dos alunos não tinham respeito pelo professor e lá só existiam brigas e discussões. Figura 2 Fonte: imagem da internet. Meu pai não era mais o mesmo, quando chegava a hora de tirar o leite das vacas, ele se entristecia. Ele não é o tipo de homem que gosta de ficar preso em qualquer um desses lugares. Estava cansado de ver carros e mais carros, começou a sentir falta da paisagem, da brisa do açude na hora de pastorar as vacas, da liberdade de estar em um campo. Então, no final do ano de 2007, mais uma mudança na nossa vida e na educação ocorreu. Meu pai encontrou um sítio em Caicó e o Fundef, que servia para atender o ensino fundamental, tornou-se Fundeb, por meio da Emenda Constitucional nº 53/06, sob a lei n° 11.494, que amplia o atendimento para todos os alunos da Educação Básica - educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos. Também, nesse mesmo ano, a LDB sofreu mais uma alteração sendo incluída, pela Lei nº 11.525/2007, a obrigatoriedade de haverno currículo do ensino fundamental um conteúdo que tratasse dos direitos das crianças e dos adolescentes. No entanto, o conteúdo sobre essa lei só me foi informado no ano de 2008, quando estava no terceiro ano do ensino fundamental. Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 206 No ano de 20083, iniciei o terceiro ano do ensino funda- mental em uma nova escola. Passei a estudar, no período da tarde, na Escola Municipal Professora Inah de Medeiros Dantas, localizada na Rua Afonso Pena, nº 618, Bairro Boa Passagem, Caicó-RN (Figura 3). Figura 3 Fonte: imagem da internet. Essa foi, com toda certeza, a melhor fase da minha vida, tanto na parte educacional como na vida em casa. Nessa nova escola, eu possuía um verdadeiro apreço pelas professoras e 3 No de 2008, foi criada a Lei nº 11.645, de 10 março de 2008, que veio para modificar a LDB mais uma vez, por meio da Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Assim, foram estabelecidas as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena. Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 207 pela parte gestora da instituição. Eles utilizavam métodos peda- gógicos que faziam com que nos sentíssemos parte do colégio e interessados cada vez mais nas aulas e nas disciplinas. Lembro-me, com muito carinho, dos eventos que a escola organizava, entre eles a “semana da consciência negra”. As professoras não tinham o intuito de mostrar para os alunos apenas aquela parte da escravidão, mas, sim, a riqueza da cultura afro-brasileira. No dia 19 de abril, “Dia do índio”, a escola também gostava de nos mostrar o outro lado da cultura indígena, não aquela visão estereotipada do índio que vive com um cocar, mas, sim, o índio caçador, a importância e o signifi- cado de suas pinturas e seu artesanato. Essa escola participou de uma maneira muito importante da minha criação como ser humano, não só da minha, creio nisso, mas também de todos os alunos que fizeram parte dessa época tão rica. Foi nela que concluí o ensino fundamental I. Eu estudava com os meus primos e com os meninos do sítio. Íamos e vínhamos todos os dias até a parada do carro de bicicleta. O carro era uma caminhonete. Às vezes, não conseguíamos bancos e tínhamos que ir sentados no chão. As meninas possuíam um romantismo que hoje não se encontra mais, falávamos sobre as novelas, o menino mais bonito da escola, mostrávamos nossos diários umas às outras. Já os meninos, falavam, como sempre, de futebol, sobre os jogos que eram realizados nos currais após o leite (o curral do meu pai foi muitas vezes campo de futebol) e discutiam para saber quem tirava mais leite que o outro. Adorava e adoro andar descalça em meio à babugem verde na época da chuva, pescar com meus primos na sangria no açude, tomar banho com meu pai e minhas irmãs na barragem próximo à minha casa. Essa foi a melhor infância que qualquer um poderia ter. Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 208 4 ENSINO FUNDAMENTAL II Iniciei meu ensino fundamental II4 no ano de 20115, na Escola Estadual Professor Antônio Aladim de Araújo, localizada na rua Rua Tancredo Neves, S/N, Bairro Boa Passagem, na zona norte da cidade (Figura 4). A instituição oferta ensino desde o ano de 1979. No entanto, bem no início do ano, a escola entrou em greve por falta de pagamento do Estado para com os professores. Eu não conseguia ficar muito tempo longe da escola, fiquei inquieta e minha mãe resolveu me colocar em outro lugar. Figura 4 4 Quando iniciei o ensino fundamental II, no ano de 2011, já haviam sido aprovadas em julho de 2010 as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Básica (parecer CNE/CEB n. 7/2010 e resolução CNE/ CEB n. 4/2010); 5 Mudanças da Lei no ano de 2011, na Seção III - o § 6º, que diz assim: “O estudo sobre os símbolos nacionais será incluído como tema transversal nos currículos do ensino fundamental (Incluído pela Lei nº 12.472, de 2011), Fonte: imagem da internet. Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 209 Para minha felicidade, uma das escolas onde eu poderia estudar, no turno da tarde, visto que o transporte escolar passava por lá, era a Escola Municipal Professor Raimundo Guerra. Era a mesma escola em que tive inspiração de uma professora para seguir sua carreira. Quando minha mãe foi fazer minha matrícula, fiquei contagiada com a felicidade de todos por eu estar voltando. Eles não haviam esquecido de mim. Fiquei nesse colégio até o ano de 20126, por causa de mais uma mudança. Nesse novo sítio para o qual nos mudamos, o transporte escolar só trabalhava pela manhã. Não era mais uma caminhonete e, sim, um ônibus. Por isso, retornei para a Escola Estadual Professor Antônio Aladim de Araújo, onde concluí no ano de 2014 o Ensino Fundamental II. 5 ENSINO MÉDIO Minha vida acadêmica no Ensino médio iniciou no ano de 20157 e foi cheia de contratempos. Na época que entrei, estava 6 No ano de 2012, minha mãe passou a receber um auxílio do governo pelo programa “Bolsa Família”, criado pela Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004, altera a Lei nº 10.689, de 13 de junho de 2003, e adota como uma de suas medidas a frequência escolar das crianças cujas famílias são beneficiadas; 7 Meu ensino médio teve por base as novas diretrizes curriculares especifi- camente para o ensino médio (parecer CNE/CEB n. 5/2011). Referente a isto, as DCNEM-2011 têm como objetivo central possibilitar a definição de uma grade curricular mais atrativa e flexível, sugerindo uma estrutura curricular que articule uma base unitária com uma parte diversificada, que atenda à multiplicidade de interesses dos jovens. Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 210 em vigor o Programa Ensino Médio Inovador8 (Proemi) que possuía como objetivo apoiar e fortalecer os Sistemas de Ensino Estaduais e Distritais no desenvolvimento de propostas curricu- lares inovadoras nas escolas de Ensino Médio, disponibilizando apoio técnico e financeiro, conforme a propagação da cultura de um currículo dinâmico, flexível, que atenda as expectativas e necessidades dos estudantes e as demandas da sociedade atual. Iniciei esse novo ciclo com muita força de vontade. Os professores, alguns já conhecidos do ensino fundamental, eram muito bons, e estava decidida que, nesses três anos de ensino médio, estaria focada para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)9. No entanto, tornou-se necessário que eu trabalhasse como babá, e esse emprego deveria ser pela manhã e à tarde. Era necessário que trocasse de turno, no caso, para o período da noite. Mas, naquele ano, não era possível, devido à diferença do currículo dos alunos do noturno. Consegui conversar com a moça para a qual trabalhava e ela entendeu, ficaria com a bebê pela manhã e à noite estudaria à tarde. Ao trocar de turno, muitas mudanças começaram a acon- tecer. Notei que as atividades que os professores faziam para os alunos da tarde eram mais fáceis do que eles passavam pela manhã. Os alunos estavam com matérias atrasadas porque não conseguiam acompanhar os outros e vi que aquilo realmente 8 Instituído pela Portaria nº 971, de 9 de outubro de 2009, no contexto da implementação das ações voltadas ao Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). A edição atual do programa está alinhada às diretrizes e metas do Plano Nacional de Educação 2014-2024 e à reforma do Ensino Médio proposta pela Medida Provisória nº 746/2016 e é regulamentada pela Resolução FNDE nº 4 de 25 de outubro de 2016; 9 Portaria nº 438, de 28 de maio de 1998 - Nota do Enem Utilizada como Ingresso nas Universidades Brasileira. Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 211 poderia me comprometer, mas não abandonei o emprego e minhas notas continuaram boas. Comecei o ano letivo de 2016, no ensino “noturno dife- renciado”. Ele possui esse título pelo fato de as horas contadasno noturno serem diferentes dos outros turnos. A quantidade de avaliações era bem resumida e as professoras praticamente passavam os alunos. No ano de 2017, a bebê começou a ir para uma creche. Como esse seria o ano do Enem, a moça para a qual trabalhava disse que eu deveria estudar pela manhã, na mesma escola, pois o ensino era bem melhor. Achei muito bom, mas estava com medo, não tinha mais o mesmo ritmo de estudos e o medo da reprovação era grande. Não queria decepcionar minha mãe. Ela se sentia orgulhosa de mim, pois, mesmo trabalhando, minhas notas na escola não mudaram. Mas não desisti por isso. A escola, então, começou a ter problemas nas primeiras semanas de aula: ao plugar qualquer objeto que necessitasse energia nas tomadas, os professores e alunos tomavam choque, algumas salas de aula estavam tendo problemas na sua estru- tura. Por isso, a escola teve que ser transferida para outro local enquanto faziam as reformas. O local cedido tinha algumas salas do que naquela época era chamado Centro Educacional José Augusto, localizado na Rua Zeco Diniz, no Bairro Penedo, na cidade de Caicó/RN (Figura 5). Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 212 Figura 5 Fonte: imagem da internet. De acordo com a atual diretora do chamado EEAA, Lenilda Fernandes, a escola voltará a suas instalações no segundo semestre deste ano. As Figuras 6 e 7 mostram a Reforma da Escola. Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 213 Figura 6 Figura Fonte: imagem da internet. Fonte: imagem da internet. Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 214 Os professores do EEAA do turno matutino e vespertino sempre foram muito bons e percebi a falta que senti deles no turno da noite. Eles sempre estavam incentivando a turma a nunca desistir. Desde o ensino fundamental, trouxeram um programa para nos auxiliar, sendo um deles o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid). Fomos beneficiados com o Pibid na área da matemática, que ocorria uma vez por semana na parte da tarde. Desse programa, não consegui participar, pois era no meu horário de ficar com a bebê, mas pedia para meus colegas me trazerem os exercícios. No entanto, não fiquei de fora, pois havia também o Pibid da disciplina de história, que funcionava à noite. Esses programas foram de grande serventia para nós, alunos da época, pois alguns, como eu, não tinham tempo ou condições financeiras para fazer cursinhos e o Pibid se tornou um complemento de nossos estudos para o Enem. Além desses programas, os profes- sores davam aulas à noite para nos ajudar. Então, no ano de 201710, concluí o ensino médio. 6 ENSINO SUPERIOR No ano de 2018, consegui, mesmo trabalhando e com muita felici- dade, entrar no curso que almejava, pedagogia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, a partir da ação afirmativa 10 Houveram várias alterações na época de meu término escolar, encontra-se essas alteração na LDB na Seção IV do Ensino Médio, Art. 35-A. § 1º; § 2º; § 3º; § 4º; § 7º; §8º; Art. 36 I - II - III- IV- V; § 1º; § 3º; § 5º; §9º; § 12. Também encontraremos modificações no CAPÍTULO IV da Educação Superior, que já serão vigentes no ano de 2018 , ano o qual ingresso na UFRN; Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 215 baseada na reserva de vagas definida pelas Leis nº 12.711/2012 (Lei de Cotas) e nº 13.409/2016, regulamentadas pelos Decretos n° 7.824/2012 e nº 9.034/2017, pelas Portarias Normativas nº 18/2012 – MEC e nº 09/2017 – MEC, e pela Resolução nº 205/2017 – CONSEPE/UFRN, nos termos da aplicação dessa política ao SiSU 2018.1, definidos na Portaria Normativa nº 21/2012 – MEC e em conformidade com o Termo de Adesão do SiSU 2018.1. No segundo semestre de 2018, conheci, por meio da professora Dra. Maria de Fátima Garcia , o Laboratório de Educação Novas Tecnologias e Estudos Étnico-Raciais (LENTE), onde passei a estudar e a desenvolver pesquisas na temática étnico-racial. Hoje participo de dois projetos : um de pesquisa e um de extensão intitulados “Como se Constitui a Cartografia da Sala de Aula? Um estudo sobre a (de)colonialidade do poder em classes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental” e “BONECAS ABAYOMI: Educação, Cultura, História e Empoderamento de Mulheres e Meninas Negras”. Esses projetos estão sendo de muita importância para mim, e levarei comigo para o resto de minha vida todo o conhecimento obtido nesses anos em que estarei na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS Escolhi ser pedagoga pelo simples fato de querer ser para algum aluno aquilo que minhas professoras e meus professores foram para mim. Graças a eles e à minha mãe me tornei aquilo que sou hoje. Eles acreditaram em mim e quero ser aquela que demonstra confiança e tranquilidade para um aluno. Quero Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 216 que eles identifiquem em mim alguém em quem eles confiarão e que eu seja a pessoa que irá acreditar neles. A partir das leituras feitas na primeira unidade da disci- plina de História da Educação Brasileira, foi por mim observado que, além de ser uma profissão que exige muito amor, ser professor exige muita ordem, respeito e conhecimento. Nesse caso, foi nos mostrado a importância de cada lei e de cada pessoa que fez parte da História da Educação para nos tornar aquilo que somos hoje. Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 217 REFERÊNCIAS BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 17 maio 2019. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF: 20 de dezembro de 1996. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 17 maio 2019. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 11.274, de 6 de fevereiro de 2006. Altera a redação dos arts. 29, 30, 32 e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, dispondo sobre a duração de 9 (nove) anos para o ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de idade. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2006/lei/l11274.htm. Acesso em: 4 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007. Regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB, de que trata o art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; altera a Lei n o 10.195, de 14 de fevereiro de 2001; revoga dispositivos das Leis n os 9.424, de 24 de dezembro de 1996, 10.880, de 9 de junho de 2004, e 10.845, de 5 de março de 2004; e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/lei/l11494.htm. Acesso em: 4 nov. 2021. Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 218 BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012. Dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011- 2014/2012/lei/l12711.htm. Acesso em: 4 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 10.880, de 9 de junho de 2004. Institui o Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar - PNATE e o Programa de Apoio aos Sistemas de Ensino para Atendimento à Educação de Jovens e Adultos, dispõe sobre o repasse de recursos financeiros do Programa Brasil Alfabetizado, altera o art. 4º da Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996, e dá outras providências. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2004/lei/l10.880.htm. Acesso em: 4 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº11.525, de 25 de setembro de 2007. Acrescenta § 5o ao art. 32 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, para incluir conteúdo que trate dos direitos das crianças e dos adolescentes no currículo do ensino fundamental. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/lei/l11525.htm. Acesso em: 4 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 13.409, de 28 de dezembro de 2016. Altera a Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012, para dispor sobre a reserva de vagas para pessoas com deficiência nos cursos técnico de nível médio e superior das instituições federais de ensino. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato2015-2018/2016/lei/l13409.htm. Acesso em: 4 nov. 2021. Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 219 BRASIL. Ministério da Educação. Decreto nº 7.824, de 11 de outubro de 2012. Regulamenta a Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012, que dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011- 2014/2012/decreto/d7824.htm. Acesso em: 4 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Decreto nº 9.034, de 20 de abril de 2017. Altera o Decreto n º 7.824, de 11 de outubro de 2012, que regulamenta a Lei n º 12.711, de 29 de agosto de 2012, que dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015- 2018/2017/decreto/d9034.htm. Acesso em: 4 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Portaria Normativa nº 18, de 11 de outubro de 2012. Dispõe sobre a implementação das reservas de vagas em instituições federais de ensino de que tratam a Lei no 12.711, de 29 de agosto de 2012, e o Decreto no 7.824, de 11 de outubro de 2012. Disponível em: https://www. ufsm.br/app/uploads/sites/501/2018/12/cachoeira_do_sul_ sisu_2015_portaria_mec_12_2012.pdf. Acesso em: 4 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Portaria Normativa nº 9, de 5 de maio de 2017. Altera a Portaria Normativa MEC no 18, de11 de outubro de 2012, e a Portaria Normativa MEC no 21, de 5 de novembro de2012, e dá outras providências. Disponível em: https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/ content/id/20200505/do1-2017-05-08-portaria-normativa-n- 9-de-5-de-maio-de-2017-20200490. Acesso em: 4 nov. 2021. Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 220 BRASIL. Ministério da Educação. Portaria Normativa nº 21, de 5 de novembro de 2012. Dispõe sobre o Sistema de Seleção Unificada - Sisu. Disponível em: https://sisu.furg. br/images/portaria21mec.pdf. Acesso em: 4 nov. 2021. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Resolução nº 205, de 19 de dezembro de 2017 – CONSEPE. Estabelece procedimentos e critérios para validação da autodeclaração de pessoas com deficiência nos processos seletivos para ingresso nos cursos de nível técnico e de Graduação da UFRN, em decorrência do disposto nas Leis no 12.711/2012 e no 13.409/2016, e dá outras providências. Disponível em: http://webcache.googleusercontent. com/search?q=cache:bMtfzAewME8J:arquivos.info. ufrn.br/arquivos/20190001774c4f6520698736ad002c31d/ res2052017-estabelece_procedimentos_e_ criterios_para_validacao_de_autodeclaracao. docx+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br. Acesso em: 4 nov. 2021. BRASIL. Ministério da Educação. Programa Mais Educação. Brasília: Ministério da Educação, 2017. Disponível em: portal.mec.gov.br/programa-mais-educacao/ apresentacao?id=16689. Acesso em: 27 mar. 2019. BRASIL. Ministério da Educação. Sisu. Brasília: Ministério da Educação, 2009. Disponível em: https://sisu.furg.br/ images/portaria21mec.pdf. Acesso em: 29 mar 2019. BRASIL. Ministério da Educação. PIBID - Apresentação. Brasília: Ministério da Educação, 2017. Disponível em: http:// portal.mec.gov.br/pibid. Acesso em: 14 mar 2019. Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO 221 GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e educação do Brasil (1987-1996). João Pessoa: EDUFRN: Ideia, 2009. LOPES, E. M. T.; FARIA FILHO, L. M.; VEIGA, C. G. 500 anos de educação no Brasil. 3. ed. São Paulo: Autêntica, 2007. MOEHLECKE, Sabrina. O ensino médio e as novas diretrizes curriculares nacionais: entre recorrências e novas inquietações. Revista Brasileira de Educação, [S. l.], v. 17, n. 49, p. 39-60, jan./abr. 2012. 222 Eneyse Dayane Pinheiro A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS Felícia Azevedo da Costa1 RESUMO O artigo a seguir tem como finalidade apresentar o meu percurso educacional que começou a partir dos 7 anos de idade na Escola Municipal Professora Terezinha de Lourdes Galvão, e que agora está presente na Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Todo esse processo está elencado com descrições principais sobre fatos que me marcaram, como atividades, professores e sua forma de lecionar, e toda essa construção está pautada a partir da constituição de 1988, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, visto que foram ressal- tados alguns artigos dessa lei, também foi usada lei 10.639/03, e partes do livro da professora Tânia Cristina Garcia (2009), Estado e Educação no Brasil (1987-1996). Todo o discurso tem por base leis do Planalto, para que se torne amplo e concreto o que foi posto. A conclusão deste trabalho foi de ótima experiência, para relembrar tanto os momentos marcantes como as leis que estavam pautadas no momento para a educação. Palavras-chaves: constituição; educação; leis. 1 Email: felicia_costa17@hotmail.com Felícia Azevedo da Costa RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS 224 1 INTRODUÇÃO Este artigo descreve partes importantes dos anos da minha história educacional, sendo os diversos eventos pautados por leis, artigos e um livro. Este estudo é resultando de uma ativi- dade encaminhada pela professora Tânia Cristina. De início, quando analisava o meu percurso educacional não me baseava nas leis que estavam sendo os sustentos do ensino. Por isso, este relato vai servir para refletir, com outros olhos, sobre a educação, procurando minuciosamente alguns direitos que, tinha naquele tempo, mas os desconhecia, ou ao menos não eram explanadas formas de nos mostrar. Irei analisar algumas falhas que vejo que ocorreram, considerando argumentos e leis concretas para que possam ser explicados da melhor forma. Apresentarei também projetos que foram elaborados e como me senti com o desenvolvimento deles, além da ajuda para meu desenvolvimento da leitura e escrita. Visando expor as formas como os docentes lecionavam, abordo as expectativas que alguns colocavam em relação aos alunos, motivando-os para sempre conseguir o que lhes foi determinado e se isso foi de ajuda ou não para o meu desempenho como sujeito. 2 PERCURSO EDUCACIONAL 2.1 FUNDAMENTAL I - 2º E 3º ANO - ABRINDO OS OLHOS PARA O MUNDO Segundo a Constituição de 1988, é direito e dever do estado e da família promover a educação, para desenvolver um cidadão Felícia Azevedo da Costa RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS 225 que possa ter um pleno exercício de cidadania e qualificação para o trabalho. É a partir disso que discutirei um pouco no meu percurso educacional, dando ênfase a fases importantes, apoios que recebi para que conseguisse percorrer cada etapa com êxito. Além disso, o art. 32 da LDB (Lei n. 9.394, de 20 de dezembro de 1996) diz que “O ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão” (BRASIL, 1996). Nesse caso, perdi um ano da minha vida educacional por motivos de morar muito longe da zona urbana, como era muito pequena e o tempo da minha mãe era pouco, entrei na escola apenas no ano seguinte. Também ressalto que a LDB era a base da educação desse tempo. A trajetóriaescolar começou no ano de 2007, tinha 7 anos de idade, minha família morava em um sítio chamado Bachilio, na cidade de Acari-RN. Para conseguir me deslocar até a escola, era disponibilizada uma caminhonete que ia buscar-me em uma distância razoável onde habitava. Meu primeiro contato com a instituição foi boa, fui bem acolhida, apresentada a diretora, professora e colegas com os quais eu iria conviver durante aquele ano. Mas minha mãe esqueceu-se de um pequeno detalhe: eu era totalmente analfabeta naquele momento, fiquei dispersa na aula sem saber como me portar naquela situação. No dia seguinte, relatei a minha mãe sobre o ocorrido, e, naquele momento, ela foi pegar o carro para ir falar com a professora. Depois de minutos de conversa, a docente sai com minha mãe, e me diz que terei aula de reforço para acompa- nhar os demais. Naquele mesmo dia, fui ter a primeira aula. Lembro que fiquei perplexa, pois a pessoa que iria me ensinar Felícia Azevedo da Costa RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS 226 era paraplégica. Como morava uma zona rural, era difícil ver pessoas com tal deficiência. Fui correspondendo a todas as atividades que me eram propostas. Ao fim do ano, já sabia ler e escrever razoavelmente. Nas aulas, já estava me sentindo incluída, textos de leitura compartilhada fazia com que eu tivesse prazer em ler alguma parte. Aquele mundo era novo, parecia que meus olhos clare- aram para uma nova vida. No ano seguinte, tive a sorte de continuar com a mesma professora que se chamava Tequinha, e os mesmos colegas. Assim, eu me senti à vontade por já conhecer todos. Havia um dia na semana liberado para ir brincar no parque, era o dia mais divertido, pois poderia desfrutar de brinquedos que mal via. Em relação à docente, ela era calma, carinhosa, atenciosa. Em intervalos de atividades, ela pedia para que eu lhe fosse tirar cabelos brancos, que, quando retirados, eram guardados dentro de seu livro, que ficava sempre em seu birô. Em agosto, na cidade em que moro, Acari, é comemorada a festa da padroeira, Nossa Senhora da Guia. Sempre, de 05 a 20, é declarado férias para nossa escola. Isso esclarece a impor- tância de comemorações regionais, como é descrito no livro Estado e Educação no Brasil, em que Garcia (2009, p. 49) ressalta: “No artigo 210 assegura o respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais, que nada mais são do que fins da própria educação”. Percebe-se, assim, que é um direito de todos participar de eventos do município, não sendo apenas por divertimento, mas usufruído como forma educacional. Em dezembro, ocorria a tão esperada noite de autógrafos, em que cada aluno recebia um livro com todos os seus traba- lhos que foram confeccionados durante o ano. Esse livro era dedicado a duas pessoas importantes para nós. Então, foi para Felícia Azevedo da Costa RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS 227 minha mãe e minha irmã do meio. Desejei muito que meu pai estivesse naquele momento comigo, mas Deus já havia levado há alguns anos, por isso, dediquei a quem mais participou da minha vida escolar. Nesse dia, nossos trajes eram esporte fino. Meu vestido era o mais lindo e arrumado que havia visto. Parecia as prin- cesas dos contos de fadas, o vestido longo rosa e brilhante, um coque com uma coroa, brincos de pérolas, meia calça, foi um dia marcante, tanto por minha família estar comigo naquele momento, como por estar vestida de uma forma que nunca imaginei que ficaria um dia. 2.2 5º E 6º ANO- MUDANÇAS No ano de 2010, mudei de professora. Veio uma mais nova, que se chamava Lourdes, uma pessoa que admiro até os dias que hoje. No 5º ano, fiz amizades que duraram por muito tempo, e “rivais” da época são as amigas que posso contar até os dias de hoje. No início do ano, fomos impedidos de ir ao parque, pois iria ocorrer uma nova reforma. As aulas, que eram destinadas à educação física, foram para sala de leitura, que passava a ser visitada duas vezes por semana. Em meados de dezembro, foi inaugurado o novo parque, o mais cobiçado era um escorrego com uma casa na parte superior, mas tinha balanços, gangorras. No mesmo local, eram desfrutados dois tipos de quadras para os meninos: uma de areia e outra normal. Para as meninas, tinham bambolês, cordas, e era liberado trazer bonecas. Nessas atividades, a proposta era Felícia Azevedo da Costa RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS 228 procurar envolver grupos, desenvolvendo o respeito ao outro, nós fazíamos circuito com bolas, entre vários outros apetrechos. No decorrer do ano, foi lançado um projeto, LIXO NÃO, que era para ajudar na conscientização do descarte do lixo, funcionava no horário determinado para a merenda escolar. Um aluno era escolhido para vestir uma camiseta e, durante esses minutos, vigiar pessoas que jogavam lixo e as orientar para colocar no lugar devido. Se fossem encontrados resíduos secos, sem vestígios de quem largou, ele pegava e ia pôr na lixeira. Por fim, terminei os estudos nessa escola. O receio de ser tudo ruim na outra me apavorava, por estar acostumada com o ambiente e as professoras que tinha, a forma como eles lidavam. Sabia que na outra seria diferente, até a minha pronúncia para algumas coisas seria mudada, pois, na escola que estudava, chamava todas de tia. Na nova, ouviam-se ruídos que não gostavam de essa palavra ser pronunciada. Isso fazia meu medo e minha ansiedade surgirem. Na 6ª série, quando entrei na Escola Estadual Dr. José Gonçalves de Medeiros, na cidade de Acari- RN, já havia me deslocado para a zona urbana. Minha casa não era muito longe de onde ia estudar. O primeiro dia foi eufórico, novos colegas, cada professor ficava com uma matéria, isso me fez me sentir em um mundo novo. O segundo dia foi bastante diferente: a cada 50 minutos vinha uma professora para ensinar uma matéria, lembro até hoje quais foram. A aula de português foi interessante. Já a aula de matemática era totalmente enlouquecedora, não entendia uma só palavra que saía da boca do professor. No quarto dia, ele desistiu de lecionar a matéria por dizer que a turma era incontro- lável e que não chegavam ao raciocínio dele. Nas aulas de inglês, eu não entendia nada. A pronúncia das palavras saía diferente Felícia Azevedo da Costa RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS 229 das que ouvia em filmes ou da voz do Google, mas foi uma aula interessante, pois tinha tido pouco contato com tal matéria. O ensino religioso ainda era presente e seria a última do dia, pois no horário seguinte, o professor tinha faltado. De início, gostei, tratava de minha religião o catolicismo. Mas, no decorrer de outras aulas, percebi que era errado, pois na sala existiam pessoas de outras religiões que ficavam excluídas, ou eram “forçadas” a trabalhar um tema que não lhes eram atrativos. E assim se foi a semana. O diretor dessa escola era de pôr medo em todos. Com quase 2 metros de altura, de cara fechada, não se podia fazer nada, se estava sentada nos bancos sem ser na parte adequada, todos recebiam broncas; se ocorresse de a farda estar suja, mais uma vez se repetia; como minha família tinha pouca renda, usava apenas farda e calça, sapato fechado comecei a usar apenas no fim do ano, depois de perceber que estava ficando diferente de todos e de ouvir reclamações. Nesse mesmo ano, 2011, foi lançado um projeto com base no qual aprendemos sobre aspectos afro-brasileiros, como: história, cantigas, costumes. Isso se encaixa no art. 26 (Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003): “Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obriga- tório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira” (BRASIL, 2003, s/p). A professora não nos esclareceu isso, mas hoje, com lembranças que tenho, foi o único ano do ensino fundamental II que houve a explanação de tal assunto. Felícia Azevedo da Costa RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLARE EVENTOS HISTÓRICOS 230 2.3 9º E 1º ANO – A ESPERANÇA No 9º ano do ensino fundamental, entrou uma professora que me marcou muito, Fernanda. Essa, sim, acreditava no potencial de cada aluno seu, até aqueles que eram ditos sem jeito, ela corria atrás. Na metade do ano, ela começou um projeto com nossa turma que era um lançamento com nossas produções de minicontos. Foi um sucesso! Foram produzidos dois de cada aluno resultando em um livro de 25 folhas. A própria profes- sora arcou com todas as despesas do evento. Vale ressaltar que também mandou fazer uma camiseta do projeto para cada um de nós. Esse dia foi inesquecível, pois nenhum professor tinha acreditado no nosso potencial como ela. Outra professora, Clegiane, percebeu que a dificuldade da turma era produção de texto, e como aquele ano era a vez de fazer uma prova para entrar nos tão famosos IFs, no decorrer do ano inteiro, em uma aula e outra, mandava fazermos um texto com base em um tema que estava bastante em foco na mídia. Assim, ela recebia de cada um, corrigia os erros, enumerava o que poderia acrescentar, e dava uma nota. Ao fim de cada correção, teríamos que reescrever e tentar melhorar, para que ficássemos afiados em cada tema. O resultado ao fim do ano foi excelente, praticamente metade das duas turmas de 9º ano que existiam passou para o IF tanto de Currais Novos como de Parelhas. Ela mostrou que cada um pode vencer a partir de sua persistência, e que nós só precisamos de motivação para conseguir o que queremos. Assim, chega 2015, o ano de mudanças. O ensino médio chega, novos professores, entre eles, a guerreira continua Fernanda. Entra também o professor de matemática, Emanuel, ótimo por sinal. Comecei a gostar um pouco de matemática a Felícia Azevedo da Costa RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS 231 partir dele. Suas aulas eram dinâmicas, cada fórmula de equa- ções ele personalizava com música ou até mesmo juntava letras para formar uma palavra para aprender mais. O professor de geografia, foi só na base da decoreba; sociologia, nem se fala, eram postos apenas filmes de romance; para finalizar, o de filo- sofia que só falava de sua dor na coluna e de sua desenvoltura no inglês e em artes, pura falta de senso. No 1º do ensino médio entrou uma aluna nova. Ela passava a maior parte do tempo calada. Todo mundo estranhava. No dia seguinte, descobrimos que ela era surda. Por isso, em meio às aulas, ela ficava com olhar disperso ou nunca perguntava nada. Nós, alunos, não sabíamos como lidar com isso. O mínimo que a escola fez foi colar uma folha com letras em libras, que nem mesmo a menina tinha conhecimento. Segundo está descrito no art. 59 (Lei n. 12.796, de 4 de abril de 2013), “Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação: “I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades” (BRASIL, 2013). Como foi dito, a escola deveria tomar as providências devidas para que a menina fosse incluída no ensino, mas isso não ocorreu. A mãe também não procurou os direitos dessa aluna. No ano seguinte, a mãe a retirou da instituição, e foi colocar em uma privada, que, por sinal, também não deu resultado. Assim, a mãe começou a ensinar a língua de sinais em casa para ela. No último ano do ensino médio, ela retornou à escola, dessa vez, sabia comunicar-se muito bem com todos, uma funcionária foi destinada para lhe auxiliar em atividades, mas ela não aparecia em nenhum momento. Segundo o diretor era enviado um auxiliar para essas pessoas, mas ela não atuava, às vezes falava não receber por aquilo. Segundo Garcia (2009): Felícia Azevedo da Costa RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS 232 Ao analisar a temática educacional do Estado brasileiro, observa-se que, na realidade, as questões relativas à centra- lização e descentralização destas políticas estiveram sempre presentes nos momentos de ‘ajustamentos’ da educação e da escola, às mudanças da sociedade (GARCIA, 2009, p. 66). Ao observar esse trecho, percebe-se que como a escola não era acostumada com tais pessoas. Ocorreu, então, a descentralização. O diretor não tinha o professor adequado, então, o estado lhe mandou o dinheiro, mas a professora não recebia para tal. Ele deveria ir atrás de sujeitos qualificados, mas mandou conhecidos irem à procura. No decorrer dos meses, algumas salas começaram a ser climatizadas. A maioria, diziam, ficaria assim, e cada professor teria sua sala, os alunos se deslocariam para cada uma delas. Fiquei me imaginando como naquelas escolas dos seriados que assistia dos Estados Unidos. Voltando a falar dos professores, outra que me marcou bastante, foi Joyce, professora de biologia. A aula, por exemplo, era sobre plantas, ela, de alguma forma, conseguia trazer esse assunto para sexo. Suas aulas se resumiam a isso, mas, no fim de tudo, não posso reclamar totalmente, pelo menos já sabia como me proteger de doenças sexualmente transmissíveis. 2.4 2º E 3º ANO- A BUSCA POR CONHECIMENTO No 2º do ensino médio, a escola estava bem diferente: realmente cada professor tinha ficado com uma sala, todas personalizadas, a mais chamativa foi a de português com um grande poema na Felícia Azevedo da Costa RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS 233 parte de trás da sala. A parede era revestida por um lindo papel de parede caramelo e branco; na lateral, a professora fez uma minibiblioteca, incentivando para quando estivéssemos sem fazer nada ler os livros, e a professora foi a mesma que do ano passado, que nos guiou até o final do ensino médio. A entrada de novos professores foi eufórica. A de química me encantou por esse mundo, não nego que pensei em fazer o curso de química em vez de pedagogia. A de biologia, Glória, trouxe realmente o mundo da biologia para os nossos olhos. Por fim, o grande mestre de história, Fernando, lecionava com amor nos olhos. Suas explicações eram impossíveis de não serem compreendidas, ele adequava seu vocabulário aos alunos. Nesse mesmo ano, mudou de diretor. Todos os alunos foram convocados para votar nos possíveis diretores. No outro dia, saiu o resultado: a diretora era Solange e o vice era Luiz Gustavo. Todos gostavam deles, principalmente do segundo, que era do “povão”, como todos falavam. Ele já tinha percorrido bastantes cargos para conseguir esta onde estava, já havia sido zelador, vigia, entregou merenda e finalmente conseguiu ser o vice-diretor. Ao final do ano, aconteceu a primeira feira de ciências da escola. Cada professor criaria algo para ser apresentado e os alunos escolheriam de qual participar. Eu escolhi química, com isso, eu e umas amigas ficamos para apresentar ácidos e bases e seus indicadores. Quando as turmas de outras escolas vinham assistir, eu ficava tremendo, todos percebiam e ficavam com murmurinhos, mas não me abalei, pois estava amando o que estava fazendo. Por fim, o último ano, esse chegou apertando o coração, mas, ao mesmo tempo, sabia que seria um grande passo ao final dele, tantas coisas para serem faladas. Primeiramente, vamos Felícia Azevedo da Costa RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS 234 para mais um projeto que a professora de português fez com a turma, o nome era “Essas histórias precisam ser contadas”. Trata-se de um documentário com cada aluno falando da sua vida, seus objetivos, as dores, o que buscava para o futuro. Ela organizou uma culminância para a apresentação. Esse dia foi de grandes emoções, assistimos ao nosso documentário com lágrimas nos olhos por cada pessoa que falou. Recebemos grandes homenagens. Fernanda confeccionou uma plaquinha e uma mensagem para cada aluno. Fez um book fotográfico daquele dia. No decorrer do ano, começaram os aulões para o Enem. Alguns professores compareceram, como: Fernanda, Lidiane, Glória, Fernandoe Jack, o novo professor de matemática. Queria poder falar que todos nos acompanharam durante o ano, mas isso não ocorreu, pois a evasão dos alunos fez com que quase todos desistissem, exceto Jack, que deu aulões quase o ano inteiro para apenas duas pessoas, eu e minha amiga Sabrina. Esse posso dizer que acreditou no nosso potencial, não nos largou, pois não fazíamos cursinho como muitos, estudávamos apenas em casa com o que tínhamos. Tenho muito a agradecer a ele, tanto que suas ajudas não param por aí. Ao final do ano saíram nossas notas e ele nos prometeu um açaí de comemoração. Foi de grande alegria para nós quando o resultado de quem tinha conseguido passar saiu. Minha amiga foi para licenciatura em química. Eu fiquei em lista de espera, muito triste, achando que não conseguiria passar. Jack veio falar comigo perguntando como tinha sido o resultado, e depois de contar, ele me ofereceu para pagar um cursinho da cidade, bastante renomado, onde ele dava aulas. Disse que me ajudaria se eu aceitasse. Mas não aceitei, ainda bem, pois poucos dias depois, recebi a notícia que havia sido chamada para o curso de pedagogia. Foi uma alegria imensa. Felícia Azevedo da Costa RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS 235 Vale ressaltar que em meio a esse turbilhão de senti- mentos e novas coisas, também comecei a fazer um curso técnico em agronegócio, na Escola Agrícola de Jundiaí. Posso dizer que não foi tão rentável como imaginava, mas muitas coisas foram aprendidas. No fim do curso, em 2018, cada grupo fez um texto sobre um tema que englobasse o agronegócio na cidade de Acari-RN onde curso ocorria. O meu grupo ficou com o tema: a predominância da inseminação artificial na cidade de Acari-RN. Esse foi um tema bastante interessante, pois não sabia como ocorria e se na minha cidade existia essa prática. Nesse percurso do ensino médio, no último ano, tive essa oportunidade de participar de um curso técnico, que ajuda na preparação para o mercado de trabalho, coisa que o ensino que tinha não nos proporcionava, mas é nosso direito de estudante, como está descrito em BRASIL (2019), art. 35, Inciso II: “a preparação básica para o trabalho e a cidadania do educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou aperfeiçoamento posteriores”. Com todos esses momentos durante o ano, um de grande importância marcou: o Exame Nacional o Ensino Médio, que foi criado em 1998, e que permanece até os dias atuais. Essa etapa iria dizer se conseguiria ou não entrar na universidade. A prova foi dividida em dois dias e era subdividida em linguagens e ciências humanas, além da redação; já o segundo dia ficava com as questões de matemática e ciências da natureza. Após sair o resultado, fui ver os cursos, de primeira, não foi pedagogia, mas sim farmácia. Infelizmente, minha nota não chegava perto de tal curso. Assim, por influências de casa e dos vizinhos, coloquei pedagogia, não me arrependo, pois estou gostando muito, é um prazer lecionar para uma criança e perceber que está ajudando. Felícia Azevedo da Costa RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS 236 Ao percorrer esse caminho, foi aprovada a Base Nacional Comum Curricular (BNCC): É um documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica. Conforme definido na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei nº 9.394/1996), a Base deve nortear os currículos dos sistemas e redes de ensino das Unidades Federativas, como também as propostas pedagógicas de todas as escolas públicas e privadas de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, em todo o Brasil (BRASIL, [2018]) Esse documento vai categorizar o currículo a partir de conhecimentos, competências e habilidades, procurando um ensino melhor para todos os alunos, buscando, a partir dos tópicos acima, valorizar o ser humano, construindo seres autônomos, éticos e justos para uma sociedade igualitária. 2.5 INÍCIO NO ENSINO SUPERIOR Enfim, chegou a tão esperada entrada na faculdade. De início, estranhei um pouco, era apenas um professor para a manhã inteira, diferentemente do ensino fundamental e médio. Não tive tanta dificuldade em me adaptar com leitura, graças a Fernanda, minha professora de ensino médio, que passava bastantes livros para lermos. Mas uma das coisas que põe medo é falar em público, até hoje essa é a minha dificuldade. Felícia Azevedo da Costa RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS 237 A rigidez, com certeza, é muito maior na universidade. São atividades, provas, e o aluno sabe que não pode falhar tanto nesses tópicos. Ainda bem que isso nunca foi meu caso. As normas ABNT, por exemplo, que não eram cobradas, agora são essenciais. Em 2019, tive o prazer de conseguir entrar no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) que será de grande ajuda para minha desenvoltura como professora. Também adentrei em um projeto de extensão que tem como tema a importância da filosofia com crianças. Todo esse percurso que tenho até agora está sendo de muito conhecimento, pois acredito que, no decorrer de aulas, projetos, é que conseguirei sair dessa bola de medo que está me rodeando desde a infância, que ainda não foi detonada. Durante esses 3 semestres, uma das professoras que me marcou foi Ester, um grande exemplo. Ela não queria que os alunos tivessem medo dela, como muitos se vangloriam por isso, pelo contrário, procurava amizades, pois acredito que é assim que cada professor incentiva o gosto pela matéria. Também vale ressaltar Sabrina e Aleska, que têm os mesmos objetivos. 3 CONCLUSÃO Como dito, no ensino fundamental I, ocorreu a perda de um ano de estudo. No ano seguinte, entrei na escola totalmente anal- fabeta, tive que lutar para conseguir acompanhar os demais alunos, e não ficar com déficit em algumas matérias. Mas, consegui vencer essa etapa, sendo finalizada com a realização de um sonho na noite de autógrafos. Felícia Azevedo da Costa RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS 238 Na entrada do fundamental II, foi uma visão diferen- ciada, novos professores e diretores, novo modo de aula, a organização, o impulso de docentes para melhoria de nosso desenvolvimento. Também havia a monotonia e o comodismo de alguns em relação à inovação de ensino, ou por não procurar aprimoramento, como no caso da professora de inglês que falava erroneamente algumas palavras de sua matéria. Já no ensino médio, as salas foram se tornando diferen- ciadas, por ser cada uma para um professor. O foco no Enem também foi de extrema importância nesse ponto da minha vida, a ajuda de professores para que conseguisse um bom resultado, e conseguir perceber que ficaram orgulhosos por mim. As informações acrescentadas como as leis e demais foram o embasamento para desenvolver este estudo, além de adquirir novos conhecimentos e observar que tenho direitos que hoje, aos 19 anos, não sabia que tinha. Todo esse percurso caminhado me fez refrescar a mente, ver o que estava “escon- dido” naquela época dos nossos diretos e do próximo. Isso servirá de ajuda para sempre procurar amparo nas leis que temos, mostrando, assim, que somos seres autônomos e que lutamos por uma sociedade mais justa. Felícia Azevedo da Costa RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS 239 REFERÊNCIAS BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado. htm. Acesso em: Acesso em 19 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1996]. Disponível em:http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em 19 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2003]. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm. Acesso em 19 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 12.796, de 4 de abril de 2013. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para dispor sobre a formação dos profissionais da educação e dar outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2013. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011- 2014/2013/lei/l12796.htm. Acesso em 19 de mar. 2019. Felícia Azevedo da Costa RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS 240 BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, DF: MEC, [2018]. Disponível em: http:// basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em 19 mar. 2019. GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e Educação no Brasil (1987/1996). João Pessoa: Ideia/EDUFRN, 2009. 241 Felícia Azevedo da Costa RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA Flávia Lilian Félix da Silva1 RESUMO Esta linha do tempo tem o intuito de apresentar um recorte histórico no que se refere a minha evolução acadêmica, desde a minha entrada no processo de escolarização, em 1998, até 2019, cursando o ensino superior, levando em consideração que nasci no ano de 1995 e iniciei minha escolarização aos 3 anos de idade. Neste recorte, também mostro os principais marcos na História da Educação Brasileira, que influenciaram diretamente as escolas em que ingressei, bem como a minha formação pessoal. Partindo desse aspecto, a linha do tempo em tela utiliza como aporte teórico os estudos ocorridos no decorrer da Unidade I, no componente curricular História da Educação Brasileira, no curso de Licenciatura em Pedagogia – CERES/UFRN, encontrando apoio teórico em Garcia (2009). Desse modo, foram utilizadas como metodologia entrevistas, pesquisa documental e bibliográfica. O uso da linha do tempo tem por objetivo possibilitar a compreensão, a ordenação e a sucessão de fatos históricos da minha evolução escolar e a sua relação 1 Graduanda do curso de Pedagogia Licenciatura na Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. Email: f lavialilian189@gmail.com Flávia Lilian Félix da Silva MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA 243 com os aspectos da História da Educação Brasileira, os quais influenciaram na minha história pessoal; bem como propor- cionar que eu, como estudante, desenvolva o senso crítico e me reconheça como sujeito e agente histórico. Em virtude dos fatos mencionados, concluo que os resultados foram alcançados, pois, ao desenvolver a linha do tempo, ampliei meus conhecimentos em relação a minha própria escolarização, também se tornou possível a formulação de argumentos/posicionamentos sobre o tema trabalhado, fazendo relação/reflexão com minhas experiências particulares. Palavras-chave: educação brasileira; leis; desenvolvimento. 1 INTRODUÇÃO O presente trabalho foi proposto na disciplina de História da Educação Brasileira, do curso de Pedagogia, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, no primeiro semestre de 2019. Com isso, procuro mostrar o meu desenvolvimento ao longo da minha vida acadêmica. A disciplina teve a proposta de despertar nos alunos uma análise obtida a partir das observações, entrevistas e pesquisas realizadas sobre o processo de escolarização de cada aluno. Tais fatos possuem importância, já que foi a partir deles que construí a minha formação pessoal. Este trabalho tem como objetivos possibilitar a compre- ensão, a ordenação e a sucessão de fatos históricos da minha evolução escolar e também a sua relação com os aspectos da História da Educação Brasileira, os quais motivaram a minha Flávia Lilian Félix da Silva MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA 244 história pessoal. Para a realização deste trabalho, construiu-se o embasamento teórico a partir do livro Estado e Educação no Brasil (1987-1996), buscando também fundamentos teóricos nas leis brasileiras. Ao examinar a educação brasileira, podemos perceber que houve diversas mudanças ao longo dos anos, desde a sua ativação no Brasil, que se deu depois que os padres jesuítas chegaram ao nosso país e estabeleceram escolas de catequi- zação para os índios até os dias atuais. Atualmente, podemos considerar que a educação brasileira teve muitos avanços, principalmente em seus métodos e processos, abrangendo ainda mais a educação em vários níveis para toda a população. 2 - ESCOLARIZAÇÃO INFANTIL AO ENSINO FUNDAMENTAL I Tomando como ponto de partida da minha evolução escolar, é de fundamental importância falar sobre a Constituição Federal de 1988, que é um conjunto de regras a ser seguido pelo governo e que rege a ordem jurídica do país. A Constituição de 1988 foi a sétima na história do Brasil, sendo publicada dia 5 de outubro de 1988. Como foi elaborada em um período em que o país acabara de sair de uma ditadura militar, ficou marcada por participar da redemocratização do país. Na Constituição, a educação é defendida “quando declara que esta é direito de todos e dever do Estado, é a de educação como reconstrução da experiência e um atributo da pessoa humana, tendo, por isso, que ser comum, estendida a todos, sendo dever do Estado promovê-la” (GARCIA, 2009, p. 47). Os artigos que tratam da Flávia Lilian Félix da Silva MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA 245 educação caminham do 205 ao 214, porém, tanto na educação, como também no acesso à cultura e à ciência, que é garantido no artigo 23 da referida Constituição. Segundo Ferreira (1989 apud GARCIA, 2009, p. 44), “sempre foi obrigação do Estado, e se transformou numa promessa, por inexistirem mecanismos jurídicos que façam seja cumprido o que estatui”. Outro fator existente e que teve influência na minha vida escolar foi a aprovação da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Consiste em uma das leis brasileiras mais importantes quando se trata da educação, e que abrange os mais diversos temas da educação brasileira. Apesar dos anos, ela ainda é a lei vigente nos dias atuais, apesar de algumas mudanças, inclusive muitas das normativas decorrentes da LDB 96 afetaram diretamente a minha escolarização. Convém ainda lembrar a Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996 que “dispõe sobre o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, na forma prevista no art. 60, § 7º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, e dá outras providências” (BRASIL, [1996]). Como podemos notar, essa lei também trata da implantação do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef), que teve grande importância na educação. Diante de todas essas conquistas, pude começar a minha escolarização em 1998, ingressando aos 3 anos de idade na Escola Municipal Olivia Pereira Rodrigues, que fica localizada na Rua Padre Inácio Gonçalves de Melo, número 40, bairro Paulo VI, na cidade de Caicó-RN. Dessa forma, há algumas caracte- rísticas dessa escola que estão diretamente ligadas a minha vida escolar. Flávia Lilian Félix da Silva MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA 246 A Escola Municipal Olívia Pereira Rodrigues foi inau- gurada no ano de 1897, na administração do Prefeito Vidalvo Silvino da Costa, em Caicó-RN. A instituição teve o seu nome modificado diversas vezes. No início, a Escola funcionava como Projeto Casulo2, e atendia crianças de 03 a 06 anos da educação Infantil; logo depois, passou a se chamar Vila da Criança, onde iniciei a minha escolarização. Figura1 - Escola Municipal Olívia Pereira Rodrigues Fonte: acervo pessoal. Posteriormente, passou a se chamar Escola Municipal Paulo VI. Porém, em 25 de maio de 2001, mediante a Lei nº 3.876, 2 Programa nacional de educação pré-escolar, criado através da Legião Brasileira de Assistência (LBA), que tinha como meta principal cuidar das crianças de 0 (zero) a 6 (seis) anos para que suas mães pudessem trabalhar e assim aumentar a renda da família. Flávia Lilian Félix da Silva MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA 247 artigo 1º, aprovada pelo então Prefeito Roberto de Medeiros Germano, renomeou a mencionada escola, que passou a se chamar Escola Municipal Olívia Pereira Rodrigues, sendo essa uma forma de homenagear a professora caicoense que teve sua vida dedicada à educação (HISTÓRICO ... [2016]). Figura 2 - Escola Municipal Paulo VI Fonte: acervo pessoal. A referida escola teve como primeira diretora a profes- sora Maria Salete de Faria, que possuía como formação apenas o curso magistério, do mesmo modo do restante dos professores. Nos anos entre 1987 e 1996, a valorização do Magistério aparece no livro Estado e Educação (GARCIA, 2009) como um dos pontos estudados e perseguidos pelos governos atuantes até então. Também em 2001, tivemos a criação do PNE: O Plano Nacional de Educação vigente de 2001 a 2010 e foi considerado o primeiro plano instituído por lei, sendo esta a Lei nº 10.172 de 2001. Na Escola Olívia Pereira, tive minha vaga garantida pela Lei nº 9.394/96, Título III, Do Direito à Educação e do Dever de Educar, artigo 4º, inciso X – que garante “vaga na escola pública Flávia Lilian Félix da Silva MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA 248 de educação infantil ou de ensino fundamental mais próxima de sua residência a toda criança a partir do dia em que completar 4 (quatro) anos de idade”. Dessa forma, iniciei meus estudos da educação infantil, que segundo a seção II da educação infantil, art. 29, tem como finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 5 (cinco) anos, em seus aspectos físico, psicoló- gico, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 20). Encerrei a minha permanência na escola no ano de 2005, quando concluí o ensino fundamental I. Figura 3 - Escola Olívia Pereira Fonte: acervo pessoal. Flávia Lilian Félix da Silva MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA 249 3 - ENSINO FUNDAMENTAL II, ENSINO MÉDIO E SUPERIOR Em 1998, outro fator existente de grande importância, foi a criação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que surgiu no governo do então Presidente Fernando Henrique Cardoso. A implantação do Enem irá afetar diretamente a minha vida escolar no futuro. Inicialmente, o exame buscava avaliar o desempenho dos estudantes ao final da educação básica, mas da sua criação até os dias atuais, o exame teve diversas mudanças. Em 29 de junho de 2018, foi promulgado o Decreto nº 9.432, que regulamenta a Política Nacional de Avaliação e Exames da Educação Básica, e apresenta que Art. 7º O Enem tem como objetivo aferir o domínio das compe- tências e das habilidades esperadas ao final da educação básica. Parágrafo único. O Enem poderá ser utilizado como mecanismo de acesso à educação superior e aos programas governamentais de financiamento ou apoio ao estudante do ensino superior (BRASIL, 2018). Em 2006, ingressei na Escola Municipal Presidente Kennedy, em Caicó-RN, localizada na Avenida Dr. Carlindo de Souza Dantas, centro, número 381, que foi construída na administração do Prefeito Inácio Bezerra de Araújo, em 1965, e ganhou o nome de Escola Municipal. Na administração seguinte, o Prefeito Francisco de Assis Medeiros renomeou a escola, que passou a se chamar, Escola Municipal Presidente Kennedy, como forma de homenagem ao ex-presidente americano John Fitzgerald Kennedy. Flávia Lilian Félix da Silva MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA 250 Sendo oficialmente criada mediante o Decreto Lei Nº 001, de 07 de janeiro de 1981 e reconhecida pela Secretaria de Estado da Educação e Cultura em 1982, através da Portaria de Autorização Nº 5.363, sendo atualizada em 10 de outubro de 2006 pela Portaria Nº 1473/2006 (MARIA, 2015). Figura 4- Conclusão do Ensino Fundamental II, em 2009, na Escola Municipal Presidente Kennedy Fonte: acervo pessoal. Na referida escola, tive todo meu ensino fundamental, assegurado pela Lei nº 11.274, de 2006 que [...] altera a redação dos arts. 29, 30, 32 e 87 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, dispondo sobre a duração de 9 (nove) Flávia Lilian Félix da Silva MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA 251 anos para o ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de idade (BRASIL, 2006). Dessa forma, o aluno entra em contato mais cedo com a escola, tendo um ano a mais de experiências e obtendo conhecimentos, culturas e conteúdo. Concluí em 2009 o ensino fundamental II na mencionada escola. Durante o ensino funda- mental II, passei a ter aulas de reforço escolar com uma vizinha que havia apenas concluído o ensino médio. Também em 2009, teve origem o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), que foi criado em 2010, durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Sisu ampliou o número de vagas oferecido pelas instituições de ensino superior públicas e é utilizado por um grande número de estudantes, como podemos ver os dados presentes na Revista online Quero Bolsa. De acordo com os redatores da Revista online No primeiro semestre de 2010 foram ofertadas 47 mil bolsas e, no primeiro semestre de 2011, 83.125 vagas em 83 instituições públicas. No primeiro semestre de 2019 foram disponibili- zadas 235.476 vagas em 129 faculdades e universidades (QUERO BOLSA, 2019). Vale salientar, como um fato histórico e importante na educação, a substituição do Fundef pelo Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), assegurado pela Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007, que [...] regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB, de que trata o art. 60 do Ato das Flávia Lilian Félix da Silva MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA 252 Disposições Constitucionais Transitórias; altera a Lei no 10.195, de 14 de fevereiro de 2001; revoga dispositivos das Leis nos 9.424, de 24 de dezembro de 1996, 10.880, de 9 de junho de 2004, e 10.845, de 5 de março de 2004; e dá outras providências (BRASIL, 2007). Durante todos esses acontecimentos no ano de 2009, comecei um curso preparatório, o Programa de Iniciação Tecnológica e Cidadania (Proitec), para ingressar no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN), curso esse que é oferecido para alunos de escolas públicas pela própria instituição. Em consequência do curso e de todo o meu aprendizado até 2008, fui aprovada nas provas do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) e ingressei no Campus Caicó, inaugurado no dia 20 de agosto de 2009, onde cursei todo ensino médio e técnico profissionali- zante. De acordo com a Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008 Institui a rede federal de educação profissional, científica e tecnológica, cria os institutos federais de educação, ciência e tecnologia, e dá outras providências. Art. 2o Os Institutos Federais são instituições de educação superior, básica e profissional, pluricurriculares e multicampi, especializados na oferta de educação profissional e tecnológica nas dife- rentes modalidades de ensino, com base na conjugação de conhecimentos técnicos e tecnológicos com as suas práticas pedagógicas, nos termos desta Lei (BRASIL, 2008). Flávia Lilian Félix da Silva MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA 253 Figura 5 - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) e ingressei no Campus Caicó Fonte: acervo pessoal. Os cursos oferecidosno Campus Caicó possuem diferentes núcleos tecnológicos, e foram escolhidos para atender as neces- sidades regionais, como o Controle e Processo Industrial, que se refere ao curso técnico em Eletrotécnica em duas modalidades, assim como em outras áreas. Em 2015, conclui o curso técnico no IFRN. Assim como outros marcos já citados, em 2014, tivemos a criação do Plano Nacional de Educação (PNE), de acordo com a Lei nº 13.005, de 25 de junho do referido ano. O PNE foi criado para melhorar a qualidade da educação brasileira, estabelecendo metas, diretrizes e algumas estratégias que irão permear as ações na área educacional. Tomando como exemplos as metas, o PNE estabelece 20 metas que devem ser atingidas nos próximos 10 anos. Ingressei na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, CERES - Caicó a partir no SISU, em sua 9ª edição, utilizando a Flávia Lilian Félix da Silva MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA 254 cota destinada às pessoas autodeclaradas negras e que possuem renda familiar bruta igual ou inferior a um inteiro e cinco décimos do salário-mínimo per-capita, a partir da Lei nº 12.711 de 2012 que “Dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio e dá outras providências”. Frequento o curso de Licenciatura em Pedagogia e continuo com vínculo ativo na instituição, cursando atualmente o 3° período do referido curso. Figura 6 - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, CERES - Caicó (SISU) Fonte: acervo pessoal. Flávia Lilian Félix da Silva MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA 255 O processo de escolarização é uma prática que deve ser iniciada desde cedo com as crianças. É ela que irá formar alguns dos princípios que a criança vai levar para a vida, também irá fazer com que as crianças desenvolvam suas cognições, suas relações sociais e afetivas. Dessa forma, todas as escolas que frequentei, todos os professores que tive até aqui, foram fundamentais para formação da pessoa que eu sou hoje. Sou o resultado de uma sementinha plantada em cada escola que estudei e de cada incentivo que recebi. Por todos esses aspectos, tenho caminhado em direção ao sonho da conclusão do curso de Pedagogia. É justamente nesse percurso de caminhada que busco formas de alcançar maiores conhecimentos e experiências. Por tudo isso, concluo que, a minha evolução acadêmica ainda irá ganhar muitas páginas. Flávia Lilian Félix da Silva MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA 256 REFERÊNCIAS BLOG ESCOLA MUNICIPAL OLÍVIA PEREIRA RODRIGUES. Sobre mim. [S. l.]: Escola Olívia Pereira, 2016. Disponível em: http://eoliviapereira.blogspot.com/2016/02/normal-0-21- false-false-false-pt-br-x.html. Acesso em: 15 mar. 2019. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/ constituicaocompilado.htm. Acesso em: 15 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1996]. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/Ccivil_03/leis/L9394.htm. Acesso em: 15 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996. Dispõe sobre o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério, na forma prevista no art. 60, § 7º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1996]. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/Ccivil_03/leis/L9424.htm. Acesso em: 22 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001. Aprova o Plano Nacional de Educação e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2001]. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10172.htm. Acesso em: 23 nov. 2021. Flávia Lilian Félix da Silva MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA 257 BRASIL. Lei nº 11.274, de 20 de junho de 2007. Regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB, de que trata o art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; [...] e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2007]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ ato2007-2010/2007/lei/l11494.htm. Acesso em: 22 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 13.005, 25 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2014]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011- 2014/2014/Lei/L13005.htm. Acesso em: 15 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008. Institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2008]. 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Regulamenta a Política Nacional de Avaliação e Exames da Educação Básica. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2008]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015- 2018/2018/Decreto/D9432.htm. Acesso em: 27 mar. 2019. CALIXTA, L. Depoimento. [Entrevista cedida a] Flávia Lilian Félix da Silva. Caicó, mar. 2019. Entrevista concedida para elaboração da linha do tempo do entrevistador. GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e Educação no Brasil (1987/1996). João Pessoa: Ideia: EDUFRN, 2009. HISTÓRICO DA ESCOLA MUNICPAL OLÍVIA PEREIRA RODRIGUES. [2016]. Disponível em: http://eoliviapereira.blogspot.com/2016/02/ normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html. Acesso em: 19 mar. 2019. LOPES, E. M. T.; FARIA FILHO, L. M.; VEIGA, C. G. 500 anos de educação no Brasil. 3. ed. São Paulo: Autêntica, 2007. MARIA, Jota. Escolas Municipais de Caicó. Mossoró: Escolas Municipais de Caicó, 2015. Disponível em: http://jotamaria- emdecaico.blogspot.com/. Acesso em: 15 mar. 2019. Flávia Lilian Félix da Silva MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA 259 PORTAL IFRN. Histórico. [S. l.]: IFRN, [201-]. Disponível em: http://portal.ifrn.edu.br/campus/caico/institucional/ historico.html. Acesso em: 19 mar. 2019. QUERO BOLSA. Como surgiram: Enem, Sisu, Prouni e Fies. [S. l.]: Quero Bolsa, 2019. Disponível em: https:// querobolsa.com.br/revista/como-surgiu-enem- sisu-prouni-e-fies. Acesso em: 26 mar. 2019. SOMOS PAR. Plano Nacional de Educação (PNE): entenda o que é. [S. l.]: SomosPar, 2020. Disponível em: https://www.somospar.com.br/pne-conheca-o-plano- nacional-de-educacao/. Acesso em: 26 mar. 2019. 260 Flávia Lilian Félix da Silva MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA A ESCOLA DA EDUCAÇÃO À VIDA Gabriel Fidelis Alves de Araújo1 RESUMO O presente texto trata da minha trajetória de vida pessoal e escolar, minhas experiências, momentos bons e ruins e as diversas aprendizagens que adquiri durante o meu percurso de escolarização até os dias atuais. Tomando como base de análise a Constituição Federal Brasileira de 1988; a Lei 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional);e o livro Estado e Educação no Brasil (1987 – 1996) de autoria da professora Tânia Cristina Meira Garcia, para com base neles observar os aspectos sociais e políticos que estão presentes na Educação brasileira. Busco mostrar de que maneira esses diferentes aspectos foram e são importantes para o Ensino em nosso país no decorrer da História da Educação. Analiso importantes sobre as constitui- ções brasileiras e como estas trataram a educação. Palavras-chave: educação; escola; leis; trajetória. 1 Email: gabrielalvesr7@gmail.com A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA Gabriel Fidelis Alves de Araújo 262 1. INTRODUÇÃO Este trabalho busca relatar minha trajetória de vida desde meu nascimento, minha infância e adolescência, primeiros passos na escola e o caminho percorrido durante a educação básica até atualmente, mostrando as mudanças que aconteceram na educação e como estiveram presentes em minha vida. Nasci no dia 15 de março de 1999, no município de Jucurutu/RN, onde sempre morei e moro até hoje. Fui criado na cidade, mas minha família vem da zona rural, viveram sempre principalmente da agricultura, da criação de gado e aves. Quando nasci, meus pais não viveram juntos por muito tempo, sempre morei com minha mãe, a princípio, na casa dos meus avós onde também fui cuidado por minha avó, meu avô e meus tios. Já com dois anos de idade, passei a viver somente com minha mãe e com o marido dela, pelo qual tenho grande respeito e apreço, pois foi de quem estive mais próximo durante meu crescimento, a quem também chamo com todo carinho de pai, pois ele me aceitou e cuidou de mim como um filho dele. Moro hoje com ele, minha mãe e minha irmã. Minha mãe trabalha até hoje no mesmo supermercado que trabalhava quando eu nasci. Meu pai é funcionário público municipal, agente comunitário de saúde, e meu pai de criação é atualmente mecânico de automóveis numa oficina. Tenho dois irmãos: um irmão por parte de pai e uma irmã por parte de mãe, sou o mais velho. Meu irmão tem 9 anos e é filho do meu pai com sua atual esposa. Minha irmã tem 8 anos e é filha da minha mãe com meu pai do coração, com quem vive até hoje. Meu pai me registrou e deu assistência financeira mensal até os meus 18 anos, mas nunca morei com ele, indo lá somente aos finais de semana. A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA Gabriel Fidelis Alves de Araújo 263 Considero a minha mãe muito importante em tudo, por toda a força que teve, e meu grande exemplo para sempre lutar, pelo amor e carinho que tem por mim. Meu pai do coração cuidou com carinho de mim e me ajudou sempre, estando ao meu lado. Com meu pai biológico não convivi com muita proxi- midade, mas por ele tenho também grande respeito. Minha relação é boa com todos e amo todos eles e os meus irmãos, meus tios, meus avós, meus primos e toda a família. Existiram muitas lutas, mas agradeço por tudo e oro a Deus por todos eles. 2 ESCOLA: ENSINO INFANTIL A Constituição federal de 1988, atual constituição vigente em nosso país, abriu ainda mais portas para a educação brasi- leira. No capítulo III - Da Cultura e Do Desporto, na Seção I - Da Educação diz no artigo 205 diz que: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (BRASIL, 1988, não paginado). A LDB (Lei de Diretrizes e Bases) da Educação Nacional no Título V - Dos Níveis e das Modalidades de Educação e Ensino, no Capítulo II - Da Educação Básica, na Seção II – Da Educação Infantil, no artigo 30 afirma que: “A educação infantil será oferecida em: I - creches, ou entidades equivalentes, para crianças de até três anos de idade” (BRASIL, 1996, não paginado). Por volta de 2002, já próximo de completar 3 anos, eu fui matriculado na minha primeira escola, a Escola Municipal Joel Lopes Galvão, próxima da minha casa. Era levado geralmente A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA Gabriel Fidelis Alves de Araújo 264 por minha mãe ou por minha avó. Minha primeira professora se chamava Ioneide (hoje aposentada) e sua auxiliar a profes- sora Sônia (ainda atuando). Pessoalmente, não tenho essas lembranças, mas minha mãe me contou que eu aceitei bem a escola e sempre gostei de ir. Na época, chamavam o nível infantil de Jardim I ou II, se não me engano. A Escola Municipal Joel Lopes Galvão foi fundada em 1997, a partir de um decreto municipal do então prefeito de Jucurutu. Ela funciona até hoje no mesmo local, na rua Manoel Janúncio de Medeiros, bairro Santa Izabel. Com a autonomia municipal existente, podemos perceber algo importante, como afirma a autora de Estado e Educação no Brasil quando fala da constituição de 1988, e afirma: O que se observa na Constituição brasileira é a adoção de um sistema complexo de repartição de competências, que busca realizar o equilíbrio federativo por meio de uma repartição de competências fundamentada na técnica de enumeração dos poderes da União, como aparece nos artigos 21 e 22, com poderes remanescentes para os estados (art.25,§1º) e poderes definidos indicativamente para os municípios (art.30) (GARCIA, 2009, p. 42). Desde cedo, minha mãe me colocou em aula de reforço à tarde, pois eu sempre estudei de manhã. A professora da aula particular, “tia Walcicléia” (ainda atuando, com aulas de reforço e como professora na rede privada), como eu a chamava, foi a grande responsável por me alfabetizar. Ela sempre foi muito amiga da minha mãe e ensinava várias crianças. Tive aula com ela dos 4 até os 8 anos. Em 2003, fui aluno da professora Rita (ainda atuando) e aos poucos fui me desenvolvendo e com as A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA Gabriel Fidelis Alves de Araújo 265 aulas à parte aprendi a ler, escrever e conhecia os números e algumas operações já com 4 anos de idade até então. Antes da 1ª série, na época, existia a Alfabetização, então, em 2004, com 5 anos, iniciei a Alfabetização com a professora Terezinha (hoje aposentada). Certo dia, minha mãe foi chamada na escola, pois a diretora queria falar com ela. Minha mãe conta que perguntou se algo tinha acontecido, mas informaram que não era nenhum problema. Quando chegou à escola, a diretora informou que achavam melhor me adiantar para a 1ª série. Minha mãe concordou, contanto que não me prejudicasse. Fui então para a 1ª série, que, na época, antes da Lei nº 11.274/2006, era a primeira etapa do ensino fundamental. No fim do mesmo ano, eu ainda participei da colação de grau, com a beca e o capelo verde, os “Doutores do ABC”, com os demais colegas da Alfabetização. 3 ESCOLA: ENSINO FUNDAMENTAL Iniciei o ensino fundamental em 2004. Na 1ª série, minha professora foi a tia Meyrenardy (“tia Meire”, ainda atua). Minhas lembranças desse tempo são poucas, mas me lembro dos colegas, das brincadeiras e até pouco tempo atrás ainda tinha o livro didático de português e matemática daquela época. Sempre fui participativo. Na 2ª série, ano 2005, tinha 6 anos e minha professora se chamava Edilene (hoje aposentada), lembro dos colegas, e que sempre eram trabalhados dias temáticos como, as festas juninas, dia do índio, folclore etc. No ano 2006, com 7 anos, prestes a fazer a 3ª série, entrou em vigor, no dia 6 de fevereiro de 2006, a lei nº 11.247. Essa lei A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA Gabriel Fidelis Alves de Araújo 266 fez com que o ensino fundamental passasse a durar não mais 8, mas sim, 9 anos. Então, a Alfabetização, por exemplo, se tornou o 1º ano, e a 3ª série agora era 4º ano. Os municípios tiveram até 2010 para aderir, mas logo no mesmo ano, meu município colocou em prática. No primeiro dia de aula, foi diferente, pois minha mãe foi comigo esperando encontrar meu nome na lista da 3ª série, mas ele estava na lista do 4º ano. Minha professora era Margarida (hoje aposentada). Em 2007, com 8 anos, portanto, meu último ano do ensino fundamental I e também na Escola MunicipalJoel Lopes Galvão, pois a escola oferecia até 5º ano, minha professora foi Jucilene (ainda atuando). Eu me recordo que, nesse ano, tirei minha primeira “nota vermelha”. Foi no 3º bimestre e na matéria de Geografia (4,5). Eu não estudei direito, mas lembro que fiquei tranquilo e pensei: “vou estudar mais na próxima!”. Levo ótimas lembranças, subia em árvores, corria e brincava. Em 2008, com 9 anos, fui transferido para outra escola, para estudar o ensino fundamental II (do 6º ao 9º ano), a Escola Municipal Wagner Lopes de Medeiros, logo em frente à escola anterior. Lembro que sempre fui alguém tranquilo, mas logo no 6º ano tive, por um período, uns problemas com um colega meu e fomos para a diretoria algumas vezes, mas depois nos entendemos. Minha mãe sempre quis ter mais um filho, seu desejo era ter uma menina. Ela engravidou e era uma menina. Durante a gestação, quando estava com 6 meses, ela teve complicações: ela trabalhava e cuidava de casa. Com os problemas, ela precisou se afastar do trabalho; e com as complicações, chegou a ser trans- ferida para Natal/RN, mas perdeu o líquido amniótico que fazia a criança respirar. A bebê infelizmente ficou sem vida. Lembro que, para minha mãe, foi muito difícil. Ela ficou muito triste, A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA Gabriel Fidelis Alves de Araújo 267 mas, graças a Deus, ela se recuperou e não desistiu do sonho. Isso aconteceu por volta de 2009, quando eu estava no 7º ano. Em março de 2010, nasceu o meu irmão, filho do meu pai biológico. Depois de um tempo, minha mãe e meu pai de criação continuaram tentando, e ela engravidou mais uma vez e ficou muito feliz em saber que seria uma menina. No dia 27/05/2011, nasceu minha irmã. Estudei nessa escola até o 9º ano, e lembro que sempre existia a expectativa de, no 9º, participar do processo seletivo para estudar o ensino médio em um curso técnico no Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN). Os institutos federais foram instituídos nos estados por meio da lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008, que: Institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá outras providências. Sendo que o campus mais próximo era o de Caicó. Eu e quase todos os alunos da minha turma fizemos a prova, mas somente uma colega foi aprovada, foi em 2011, e na época eu tinha 12 anos. Eu pessoalmente me recordo que recebi o material, mas não estudei quase nada, posso afirmar que sempre fui e ainda sou até hoje um tanto relapso. É um defeito deixar tudo para depois, nunca fui para uma recuperação, mas de vez em quando tirava algumas notas ruins. Durante esse tempo, lembro mais das coisas da minha vida. Sempre gostei de jogar bola, ir para a praça, sair com os amigos, foram tempos que marcaram. Em 2011, foi meu último ano na Escola Wagner Lopes de Medeiros. Tivemos a formatura e foi muito bom, participamos eu, minha mãe, pai de criação e minha irmã, que tinha uns 7 meses na época. A curiosidade é que meu pai de criação também concluiu o ensino fundamental também neste ano e na mesma escola, na educação de jovens e adultos (EJA). A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA Gabriel Fidelis Alves de Araújo 268 4 ESCOLA: ENSINO MÉDIO Iniciei o ensino médio em 2012, já com 13 anos e tenho muitas lembranças desse tempo. Comecei a estudar na Escola Estadual Newman Queiroz, que ficava longe da minha casa, diferente- mente das anteriores. Mas o município tinha ônibus escolar que transportava os alunos da zona rural e os levava para a escola, mas, na maioria das vezes, eu sempre perdia o ônibus por dormir demais. Acabava indo a pé, e, durante um tempo, fui de bicicleta, pois indo a pé eu sempre chegava atrasado e passava dos 15 minutos de tolerância que a escola permitia. Com isso, eu só podia entrar na segunda aula, algo que se tornou costume e os colegas e professores já sabiam. Foi assim nos 3 anos em que estudei lá. Em 2013, quando eu tinha 14 anos, no 2º ano, aconteceu algo muito importante em minha vida. Na escola, eu sempre recebia o convite de uma moça do 3º ano para ir na igreja dela. Quando mais jovem, meu tio já havia me levado lá uma vez, e eu já conhecia a igreja. Engraçado era que eu me escondia da moça no corredor, pois sabia que, se ela me visse, ia me convidar de novo. Eu aceitava o convite, mas relutava em ir. Certo dia, eu acabei indo e não parei mais. Minha família é toda de católicos, então, fui ensinado nesses costumes, fui batizado quando bebê, participei do cate- cismo e da primeira eucaristia, ia às missas, fazia parte do terço dos homens, e estava na crisma, quando deixei de ir à igreja católica. Mesmo sendo alguém que tinha aparentemente uma vida normal, como todo jovem, no meu interior eu não era feliz. Era uma pessoa angustiada, não acreditava em mim mesmo, com os problemas e lutas que surgiam eu me tornei uma pessoa complexada, como toda pessoa, eu precisava de Deus dentro de A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA Gabriel Fidelis Alves de Araújo 269 mim, e a resposta que eu tanto busquei, eu encontrei quando passei a buscar o Senhor Jesus de fato e de verdade, não baseado em costumes e hábitos religiosos. Por isso, costumo dizer que não mudei de religião, mas sim que deixei de ser religioso. Conheci a fé viva no Deus vivo. Minha família e meus amigos, até na escola, por exemplo, não entendiam e às vezes até criticavam, mas eu decidi permanecer firme. Antes era eu que muitas vezes criticava as pessoas. Aprendi a “fé inteligente” e até hoje faço parte da Igreja Universal do Reino de Deus. Sou voluntário no trabalho social que a igreja desenvolve em comunidades, hospitais, presídios etc. Sou grato a Deus por tudo que tem feito em minha vida, e para Ele toda honra e toda glória, agora e para sempre. O ano de 2014, com 15 anos de idade, foi o meu último ano no ensino médio. Eu até então, não havia me decidido se queria fazer um curso superior e nem qual seria. Então, somente nesse ano, já no 3º ano, eu participei pela primeira vez do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Não obtive uma nota muito boa, então, não entrei em curso algum pelo Sistema de Seleção Unificado (Sisu). Nesse mesmo ano, foram até minha escola divulgar um curso técnico semipresencial do Instituto Metrópole Digital (IMD), que faz parte da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e que oferece cursos em Tecnologia da Informação. Eu fiz a prova de seleção no CERES em Caicó e consegui ser selecionado entre as vagas. Nesse ano, também teve a formatura do ensino médio, e mais uma vez meu pai de criação também conseguiu concluir no mesmo ano que eu. Minha mãe já havia conseguido concluir o ensino médio com muita luta, quando eu ainda era pequeno, pois ela precisava trabalhar. Meu pai biológico concluiu o ensino médio e é técnico em enfermagem. A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA Gabriel Fidelis Alves de Araújo 270 Não posso negar que nasci numa geração em que o acesso à educação é bem mais amplo do que na geração de meus avós, por exemplo. A constituição de 1988 é, sem dúvida, uma das grandes responsáveis por isso. Ela possui um capítulo específico tratando da Educação. Em Estado e Educação no Brasil, a autora também afirma: A concepção que a Constituição de 1988 agasalha nos artigos 205 a 214 sobre a educação, quando declara que esta é um direito de todos e dever do Estado, é a de educação como reconstrução da experiência e um atributo da pessoa humana, tendo, por isso, que ser comum, estendida a todos, sendo dever do Estado promovê-la (GARCIA, 2009, p. 47). Assim concluí mais uma etapa. Como não sabia qual curso queria, pensava em pelo menos não parar de estudar, fazer algum curso e continuar fazendo o Enem todos os anos. 5 ESCOLA: CRESCIMENTO No ano de 2015, com 16 anos de idade, eu ingressei no curso do IMD, que duraria dois anos, e teria 4 módulos: básico, intermedi- ário, avançado e integrador. Ocurso era basicamente a distância e tinha encontros presenciais uma vez por semana. O meu era aos sábados de manhã. Eu consegui concluir os módulos básico e intermediário, mas encontrei dificuldades por não conseguir acompanhar o ritmo dos assuntos e, no próximo módulo, iria ter os encontros na quarta-feira à noite. Fiz o Enem desse ano e não tive nota suficiente, também não queria mais continuar no IMD. A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA Gabriel Fidelis Alves de Araújo 271 Como não entrei nas vagas disponibilizadas no Sisu, tentei uma vaga no Programa Universidade Para Todos (Prouni) e consegui. Em 2015, também fiz um concurso para o cargo de Assistente Administrativo da UFRN, um amigo meu ia fazer e eu também tentei. Não obtive uma boa nota, mas foi uma boa experiência. Em 2016, então com 17 anos, entrei no curso de Gestão Comercial, com 100% da bolsa, o curso era totalmente a distância, na Universidade Potiguar (UnP), e só precisava ir pessoalmente nas avaliações presenciais a cada 3 meses. Fiz o Enem mais uma vez, mas não tive êxito. Nas vezes que fiz o Enem e não fui aprovado, colocava minha nota em cursos como matemática e geografia, por exemplo. Nesse mesmo ano, a prefeitura municipal da minha cidade abriu um concurso para os cargos de Gari, Auxiliar de Serviços Gerais (ASG) e Vigilante, de nível fundamental. Minha mãe foi minha grande incentivadora. Eu decidi estudar, o cargo de ASG ofertou 70 vagas, eu fiz a prova, e graças a Deus fui muito bem. A prova tinha 40 questões objetivas, 20 de português e 20 de matemática, eu acertei 16 de português e 19 de matemática, fiquei da 13ª posição e na classificação geral. Com os desem- pates, fiquei na 20ª posição, foi para mim uma grande conquista. Minha mãe ficou muito feliz, para ela, foi uma grande vitória. Minha mãe sempre lutou por mim, sempre me incen- tivou. Ela sempre disse que queria ver eu dando meus próprios passos e tendo aquilo que ela não pôde ter. No ano de 2017, uma nova gestão municipal assumiu a cidade, e no mês de março foram chamados metade das vagas classificadas. Eu fui chamado. A alegria por parte da minha família foi enorme, mas eu precisava ter 18 anos para assumir. Como chamaram no mês que eu completaria os 18 anos, eu aproveitei os dias para organizar os documentos. A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA Gabriel Fidelis Alves de Araújo 272 No dia 15/03/2017, dia do meu aniversário, eu fui à prefeitura tomar posse. Alguns disseram que foi sorte, mas eu sei que foi e é Deus. As coisas não caem do céu, mas se plan- tarmos, com certeza, colheremos. Fui designado para trabalhar na secretaria de educação, e, na escola onde eu comecei meus estudos, a Escola Municipal Joel Lopes Galvão. Estudei lá até 2007, e, 10 anos depois, em 2017, foi lá que comecei a trabalhar, e estou lá atualmente. Nesse ano, eu fui selecionado no curso de Licenciatura em matemática, mas não me apresentei, pois preferi trabalhar e, se entrasse no curso, ficaria difícil de organizar o tempo. Continuei no curso na UnP e deveria tê-lo concluído em 2017, mas fui reprovado em umas duas disciplinas e poderia terminar no primeiro semestre de 2018 caso solicitasse o Prouni. Trabalhando na escola com as crianças, eu percebi que estudar Pedagogia era uma ótima ideia. Eu não pensava em estudar distante da minha cidade, e queria continuar no emprego. Fiz o Enem em 2017 e me inscrevi no Sisu, no curso de Pedagogia na UFRN no Centro de Ensino Superior do Seridó (CERES) de Caicó. Era o único curso somente pela manhã. Eu me inscrevi na cota de baixa renda e que estudou em escola pública, se não me engano, havia 5 vagas e eu fiquei na última. Fui chamado. Em 2018, já com 19 anos, cancelei a matrícula na UnP e ingressei no curso de Pedagogia, no qual estou atualmente e desejo concluir. A princípio, quero ser professor e atuar na área. Encontrei dificuldades para me acostumar. No primeiro período, fui para 4ª prova (prova de recuperação) em 1 disciplina das 5 do semestre. No segundo período, fui para a recuperação em 3 disciplinas das 5, em uma delas fui reprovado. Atualmente, estou no 3º período do curso pela manhã; trabalho à tarde; e à noite sempre costumo ir à igreja. Agradeço A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA Gabriel Fidelis Alves de Araújo 273 a Deus em primeiro lugar, depois à minha família, aos amigos, professores e colegas. Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas, mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender e me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor (Jeremias 9: 23-24). A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA Gabriel Fidelis Alves de Araújo 274 REFERÊNCIAS BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em 15 jun. 2019. BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1996]. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em 15 jun. 2019. BRASIL. Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008. Institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2008]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2008/lei/l11892.htm. Acesso em 15 jun. 2019. BRASIL. Lei nº 11.274, de 6 de fevereiro de 2006. Altera a redação dos arts. 29, 30, 32 e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, dispondo sobre a duração de 9 (nove) anos para o ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de idade. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2006]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004- 2006/2006/lei/l11274.htm. Acesso em 15 jun. 2019. GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e educação no Brasil (1987-1996). João Pessoa: EDUFRN: Ideia, 2009. 275 A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA Gabriel Fidelis Alves de Araújo HISTÓRIA E EDUCAÇÃO UM PERCURSO DE TODA VIDA Gisele Saudéris Pereira Dantas1 RESUMO O presente trabalho irá apresentar os resultados obtidos por meio da realização da pesquisa proposta na primeira unidade do componente curricular História da educação brasileira, orientado pela professora doutora Tânia Cristina Meira Garcia, no curso de Pedagogia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, campus Ceres, em Caicó/RN; apresentando a cronologia da vida educacional da discente Gisele Saudéris Pereira Dantas. Por meio deste relato, realiza-se a análise sobre alguns fatos da História da educação brasileira localizados em períodos situados entre os anos de 1968 e 2019; registrados em documentos legais, por meio de leis, decretos e portarias publicadas pelo Ministério da Educação Brasileira como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (1996) e a Constituição da República Federativa do Brasil (1988). Além da análise desses documentos, foram objeto de estudo informações obtidas por meio de diálogos da pesquisadora com seus familiares, antigos 1 Email: gigisalzinho@yahoo.com.br HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA Gisele Saudéris Pereira Dantas 277 professores, e outros educadores que participaram da sua história educacional. Neste trabalho, também foram utilizados conhecimentos obtidos por meio dos textos debatidos nos componentes curriculares, cursados pela pesquisadora até 2019, aliados às informações sobre a legislação brasileira sobre a educação, analisadas e apresentadas na obra Estado e Educação no Brasil (1987/1996) de autoria de Tânia Cristina Meira Garcia. Ao término do estudo, a pesquisadoraapresenta que conseguiu obter novos olhares sobre as transformações da História da Educação Brasileira através das legislações e sobre a influência que elas realizaram na sua vida educacional. Palavras-chave: história; educação; experiências de vida. 1 INTRODUÇÃO No decorrer da vida, encontramos sempre presente em nosso cotidiano o processo de Educação, sendo este formal ou informal. Sabendo disso, percebemos também que, ao longo da História, a formalização dessa “educação” vem sofrendo diversas modificações para se adequar aos interesses das temporalidades, espacialidades e sociedades distintas na qual se encontram. Percebemos, assim, que a História da educação no Brasil não fugiu do padrão de transformação do seu “modelo de educação”, sendo este bastante perceptível por meio dos registros “legais”, por exemplo: as diferentes leis, constituições, e os estudos realizados sobre a educação. Com isso em mente, neste trabalho, irei abordar todo o meu percurso educacional até 2019, e por meio disso, tomando HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA Gisele Saudéris Pereira Dantas 278 como base para análise a obra Estado e educação no Brasil (1987/1996) (GARCIA, 2009), a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) (1996) e a Constituição Federal do Brasil (1988), buscar-se-á compre- ender um pouco mais sobre essas mudanças “formais” na educação, e como determinadas mudanças nas leis de educação interferiram de alguma forma na minha vida educacional. Assim, para que este trabalho fosse possível, busquei por meio de arquivos pessoais, como históricos escolares, diálogos com meus familiares, registros das escolas e universidade em que frequentei informações sobre a História da educação e sobre minha vida escolar durante o período de 1998 a 2019. Utilizei também registros sobre a História da educação brasileira presentes no livro da autora Tânia Cristina Meira Garcia intitulado Estado e educação no Brasil (1987/1996). Embora aborde sobre um período anterior à minha entrada na educação “formal”, apresenta informações sobre a temática que acabaram por influenciar minha vida escolar em diversos momentos. Trago também informações retiradas da LDB de 1996 e a Constituição Federal do Brasil de 1988, assim como informações retiradas de websites como o site da Presidência da República: Planalto e o site do Ministério da Educação Brasileira, tendo sido possível conferir, por meio desses documentos, algumas das informações apresentadas durantes as entrevistas. Sobre a organização deste trabalho, irei dividir esta pesquisa em duas seções a seguir, 2 Educação Básica e 3 Ensino Superior. Na primeira seção, irei discorrer sobre a cronologia da minha formação educacional nos primeiros momentos, desde a educação infantil, passando pelo ensino fundamental, e finalizando esta seção com informações sobre o período em que cursei o ensino médio. Já na seção seguinte, apresentarei os fatos pertinentes sobre meu período na educação superior, HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA Gisele Saudéris Pereira Dantas 279 desde o curso anteriormente concluído de Licenciatura em História ao que me encontro cursando atualmente, Pedagogia. Por fim, apresentarei, ao término deste artigo, as conclusões obtidas por meio deste trabalho. 2 EDUCAÇÃO BÁSICA Para iniciar este trabalho, trarei a cronologia do percurso educacional por mim vivido, pontuando alguns fatos nesses períodos que marcaram minha vida educacional. Apresento ainda algumas leis ou modificações nas leis já existentes no período sobre o processo educacional no Brasil, analisando, a partir disso, como elas atuaram no meu processo educacional. Meu percurso educacional começou no ambiente familiar. Meu pai, José Dantas, é pedagogo formado pela UFRN. Assim, ele iniciou meu processo de alfabetização em casa. Apenas no ano de 2000 adentrei ao ambiente escolar, já tendo conhecimento do alfabeto, então foi dado sequência ao processo de alfabetização até o ano de 2001. O primeiro ambiente escolar com o qual eu tive contato foi o Educandário Santa Teresinha, escola situada no centro da cidade de Caicó/RN, que possui uma estrutura pedagógica baseada no ensino tradicional/religioso, estabelecendo, assim, em sua rotina educacional, diversas atividades que envolvem o ensino religioso católico. Ao pesquisar mais profundamente sobre a história desse ambiente educacional em que vivi durante um significativo período em minha vida, pude encontrar infor- mações bastante interessantes sobre o seu surgimento. HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA Gisele Saudéris Pereira Dantas 280 Esse educandário foi criado em 1941, inicialmente apenas como um “Curso Comercial de Contabilidade”, que, posteriormente, em 1947, foi oficializado como sendo um “Curso Ginasial”. Cabe ressaltar que, desde sua origem até o ano 1951, essa escola atendia somente o público do sexo feminino. No ano seguinte, 1956, a escola começou a aceitar a participação do público masculino. Em 1971, foi então mudada a designação anterior- mente usada de “Colégio” sendo substituída por “Educandário” Santa Teresinha. Até o período de 1997, a Escola oferecia apenas um serviço que abrangia da educação infantil ao ensino funda- mental; sendo esse fato modificado em 1998, dois anos antes de minha entrada, a fim de dar continuidade à formação integral dos educandos caicoenses. Sendo uma escola de caráter católico, presenciei, durante grande parte de minha educação inicial, a forte presença de um trabalho nessa escola que buscava como ponto principal a evan- gelização de seus alunos. Essa marca sempre foi considerada pela sociedade caicoense como sendo um diferencial. Inclusive, está registrado, em declarações escritas da escola, que ela busca “[...] a formação do homem total, preparado para construir uma sociedade mais justa e fraterna, de acordo com as leis vigentes do país, sob a inspiração dos valores e dos princípios cristãos” (Site do Educandário Santa Teresinha). Entre os fatos que me lembro dessa “Educação Cristã” que marcaram minhas lembranças sobre o processo educa- cional está a rotina que todos os alunos da educação básica, da alfabetização a 4ª série do fundamental, tinham de fazer filas, por ordem alfabética, no pátio da escola, no início das manhãs, antes de começar as aulas, em frente à imagem da santa que dá nome à Escola. Era também momento de declamar os hinos da escola, da cidade e parte do Hino do Brasil, além das orações do HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA Gisele Saudéris Pereira Dantas 281 “Anjo da guarda”, do “Pai nosso” e a “Ave Maria”, cerca de duas ou três vezes por semana, variando a quantidade de acordo com a série em que a turma se encontrava. Assim, retomando à cronologia da minha entrada no ensino básico, destaco o fato de que, na História da educação brasileira durante esse período, foram realizadas algumas modificações na estrutura da LDB de 1996, estabelecido, por meio do Parecer do Conselho Nacional de Educação 9/2001, as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Esse evento estabeleceu, nos anos posteriores, um maior contato com educadores com formações acadêmicas em licenciaturas, tornando-os, portanto, mais capacitados para atuar na função de educadores. Segundo Garcia (2009, p. 73), sobre as formas da adminis- tração da educação diante da postura do educador, “Escola de qualidade pressupõe a produção de conteúdos significativos e importantes aos seus consumidores, os quais somente o educador é capaz de transmitir”. Observando essa questão apresentada pela autora, noto a relevância que o Parecer CNE/CP 9/2001 teve em minha vida, ao possibilitar-me ter contato com professores preparados educacionalmente para os cargos de educadores que assumiram, permitindo que o “produto”, currículo, “consumido” nessa escola possuiu um diferencial de qualidade.Nos anos seguintes, de 2002 a 2007, continuei na escola Educandário Santa Teresinha, iniciando agora o ensino funda- mental da 1ª série ao 7º ano. Nesse período, houve a mudança de nomenclatura dos períodos escolares de “série” para “ano”, ocorrida devido às modificações realizadas na LDB em 2006. Por meio da Lei nº 11.274, de 6 de fevereiro de 2006, estabele- ceu-se a ampliação do ensino fundamental para nove anos de HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA Gisele Saudéris Pereira Dantas 282 duração, com a matrícula de crianças de seis anos de idade, estabelecendo prazo de implantação, pelos sistemas, até 2010. Esse fato me fez concluir a 4ª série do fundamental e iniciar o 6º ano do fundamental; alterando, assim, minha formação educacional básica. Nos anos de 2008 a 2009, mudei de escola, indo para o Colégio Diocesano Seridoense, ainda permanecendo na cidade de Caicó/RN. Essa escola foi fundada em 1960, pelo bispo Dom Manuel Tavares de Araújo, como sendo o “Colégio Comercial Seridoense”, que atendia durante muitos anos apenas alunos do sexo masculino, mas que, com o passar dos anos, passou também a receber alunas do sexo feminino. Ao pesquisar mais sobre a história dessa escola, consegui também a informação de que, durante muitos anos, o colégio abrigou em suas instalações a Escola Estadual Monsenhor Walfredo Gurgel. O Colégio Diocesano Seridoense, assim como a escola que frequentei anteriormente, tem sua base curricular fortemente vinculada ao ensino religioso. Porém, não tão tradicional como a anterior, visto que permitia a discussão sobre alguns temas transversais como “ética”, “meio ambiente”, “saúde”, “plura- lidade cultural” e “trabalho e consumo”. Ainda assim, devido à sua base “tradicional religiosa Católica”, barrava discussões sobre temáticas como “Orientação Sexual”, fato este que acredito deixou uma grande lacuna no processo educacional dos jovens que frequentaram o ensino fundamental e médio no mesmo período em que frequentei esta escola, tendo em vista o número de alunas que cheguei a presenciar, no período entre 2008 a 2012, que tiveram gravidez na adolescência, havia ainda o bullying praticado constantemente contra alunos que se declaravam homossexuais. HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA Gisele Saudéris Pereira Dantas 283 Durante o período de 2008 a 2009, enquanto eu vivenciava a entrada em um novo espaço educacional, ocorriam modifi- cações nas leis da educação Brasileira, dentre elas, destaco a Lei Nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008, que institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Esse foi um fato marcante no meu percurso escolar, pois, devido a isso, fui apresentada ao sistema de seleção para entrar nos Institutos Federais do Rio grande do Norte (IFRN), visto que do 8º ao 9º ano do ensino fundamental, cursados no Colégio Diocesano Seridoense, obtive uma formação educacional voltada para o preparo dos educandos para realizar essa seleção para o IFRN. No período de 2010 a 2012, cursei, ainda nessa escola, o ensino médio. Com isso, comecei a minha preparação para adentrar no ensino superior. Nesse período, a escola realizava avaliações bimestrais como forma de testes para preparar os educandos para tentarem as provas vestibulares. Ressalto, assim, a importância que as provas vestibulares tiveram não só na minha vida mas também na de diversos brasileiros ao longo da História, tendo em vista que o início do sistema de seleção por meio dos vestibulares é datado por volta de 1911, sofrendo, ao longo da História da educação brasileira, diversas reformulações, dentre as quais, destaco a reforma universitária de 1968, ocorrida ainda no período em que o Brasil vivia a Ditadura Militar Brasileira. Essa reformulação foi caracterizada principalmente pela preocupação que possuía em “disciplinar” o processo de escolha dos dirigentes nas univer- sidades. Com base nisso, foram apresentadas uma série de leis que modificou o ensino superior no Brasil nas décadas de 1960 e 1970, como a Lei 5.540/1968, que fixa normas de organização HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA Gisele Saudéris Pereira Dantas 284 e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média, e dá outras providencias. Ainda no ano de 2012, concluí o ensino médio no Colégio Diocesano Seridoense. Durante as festividades, recebi da diretoria uma certificação como “Aluno exemplar” durante as comemorações de conclusão dessa etapa educacional realizadas nesse mesmo ano. Considero esse fato como o mais marcante da minha etapa no ensino médio, visto que foi uma imensa surpresa que recebi com grande alegria. 3 ENSINO SUPERIOR Ainda no ano de 2012, prestei vestibular para o curso de licenciatura em História, na UFRN, campus de Caicó/RN. Fui aprovada em segundo lugar para o turno noturno, e dei entrada no curso no ano seguinte, 2013. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde cursei a minha primeira graduação, foi fundada 1958, no Campus Central em Natal/RN. Ao longo de sua história, expandiu-se e deu origem à diversos campi, entre eles, frequentei o situado na cidade de Caicó/RN durante cinco anos, dos quais guardo boas lembranças. Durante o período de 2013 a 2017, quando cursei minha licenciatura em História, tive a oportunidade de encontrar um currículo acadêmico que já apresentava o conteúdo de História da África e da cultura Afro-brasileira”, realidade essa possível graças à Lei nº 10.639/2003, que altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelecendo as diretrizes e bases da educação nacional, incluindo no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-brasileira”. Esse contato foi HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA Gisele Saudéris Pereira Dantas 285 bastante importante para a minha formação profissional, tendo sido de grande ajuda durante os períodos de estágio supervisio- nado realizados no curso de Licenciatura em História. Além disso, permitiu expandir meu olhar sobre a origem das informações encontradas, sobre os pontos de vistas e interesses expressos. Ainda sobre o ano de 2013, é relevante abordar que a História da educação brasileira apresentou, em seus registros legais, mais uma alteração relacionada ao modelo de educação vigente. Foi criada a Lei Nº 12.796, de 4 de abril de 2013, desse modo, alterando a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para dispor sobre a formação dos profissionais da educação. Com isso, foram estabelecidas diversas modificações, entre elas, a obrigatoriedade de os pais matricularem suas crianças nas escolas de educação básica a partir dos 4 anos. Com relação ao campo dos profissionais da educação, retoma a admissão de profissionais com formação apenas de nível médio para a educação infantil e para os anos iniciais do ensino fundamental. Retomando a cronologia da minha vida escolar, ainda no ano de 2017, participei do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Por meio da nota obtida, consegui participar, no ano seguinte, 2018, da seleção realizada pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), para dar início a uma nova entrada no ensino superior em universidades federais, como a UFRN. Com base nisso, encontro-me cursando Pedagogia na UFRN, Campus de Caicó/RN. É valido lembrar a importância que o Exame Nacional do Ensino Médio possui na História da educação brasileira. Sua origem foi em 1998, com realização garantida legalmente por meio da Portaria MEC Nº 438, de 28 de maio de 1998. Criado inicialmente com o objetivo de ser uma forma de avaliação de desempenho dos estudantes de escolas públicas e particulares HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA Gisele Saudéris Pereira Dantas 286 do ensino médio, desde o ano de 2009, agregou em si mais uma função: o Enem seria também uma avaliaçãopara selecionar estudantes de todo o Brasil para adentrarem nas instituições federais de ensino superior a partir de programas do Governo Federal como Sisu, Prouni e Fies. O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) foi criado pelo Ministério da Educação (MEC) para ingresso dos seus parti- cipantes nas universidades públicas do Brasil, garantido por meio da Portaria Normativa Nº 21, de 5 de novembro de 2012, que apresenta diversas questões sobre o funcionamento e a legalidade desse ingresso. Esse processo seletivo acontece duas vezes ao ano e é totalmente baseado na nota do Enem que o candidato alcançou. Sabendo desse fato, observo a importância que eles tiveram na minha nova fase no ensino superior. Lembro que também conquistei essa oportunidade graças à Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012, que dispõe sobre o ingresso nas univer- sidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio, visto que garante o sistema de cotas. Com isso, pude concorrer a vagas destinadas para candidatos da região do Seridó do Rio Grande do Norte, mediante a garantia do “argumento de inclusão regional”. Por fim, no ano de 2019, encontro-me ainda cursando Pedagogia, pela UFRN. Por meio desse curso, conquisto novas memórias e novos conhecimentos que preenchem pouco a pouco a cronologia da minha vida educacional e agora também profissional. HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA Gisele Saudéris Pereira Dantas 287 4 CONCLUSÃO Realizando este trabalho pude fazer um exercício de inves- tigação pessoal e educacional que me permitiu desenvolver um novo olhar em relação à visão que possuía anteriormente sobre o Sistema Educacional Brasileiro e sua influência em meu cotidiano. Descobri informações sobre algumas das diversas transformações que a História da educação brasi- leira tem sofrido a longo dos tempos. Como resultado, as leis possibilitaram migrar para o modelo atual de educação que hoje possuímos. Aos poucos, estamos transformando, visando atingir um modelo “ideal” de educação. Acredito, por fim, que a realização deste estudo foi extremamente benéfica para o meu desenvolvimento como pessoa, como educanda, e princi- palmente como futura profissional da educação. HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA Gisele Saudéris Pereira Dantas 288 REFERÊNCIAS BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: 24 nov. 2021. BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2003]. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.639.htm. Acesso em: 23 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 11.274, de 6 de fevereiro de 2006. Altera a redação dos arts. 29, 30, 32 e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, dispondo sobre a duração de 9 (nove) anos para o ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de idade. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2006]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004- 2006/2006/Lei/L11274.htm. Acesso em: 23 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008. Institui a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2008]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007- 2010/2008/Lei/L11892.htm. Acesso em: 23 mar. 2019. HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA Gisele Saudéris Pereira Dantas 289 BRASIL. Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012. Dispõe sobre o ingresso nas universidades federais e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2012]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011- 2014/2012/lei/l12711.htm. Acesso em: 22 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 12.796, de 4 de abril de 2013. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para dispor sobre a formação dos profissionais da educação e dar outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2013]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011- 2014/2013/Lei/L12796.htm. Acesso em: 23 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 13.632, de 6 de março de 2018. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), para dispor sobre educação e aprendizagem ao longo da vida. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2018]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015- 2018/2018/lei/L13632.htm. Acesso em: 19 mar. 2019. BRASIL. Lei nº 5.540, de 28 de novembro de 1968. Fixa normas de organização e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a escola média, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1968]. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5540.htm. Acesso em: 24 mar. 2019. HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA Gisele Saudéris Pereira Dantas 290 BRASIL. Lei nº 9.394 de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1968]. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/ seesp/arquivos/pdf/lei9394_ldbn1.pdf. Acesso em: 22 mar. 2019. BRASIL. Parecer CNE/CP 9/2001. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2001]. Disponível em: http://portal. mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/009.pdf. Acesso em: 21 mar. 2019. BRASIL. Portaria Nº 438, de 30 de maio de 2018. Dispõe sobre o componente específico da área de Administração do Enade 2018. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2018]. 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Acesso em: 24 mar. 2019. 292 HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA Gisele Saudéris Pereira Dantas PERCURSO DA MINHA ESCOLARIZAÇÃO MARCOS LEGAIS Gizolene de Fátima Barbosa da Silva Cantalice1 RESUMO O presente artigo tem o objetivo de apresentar o percurso da minha escolarização e as leis que o fundamentaram. Dentre as leis que regeram a minha educação, destaquei com mais ênfase a Lei da reforma de 1º e 2º graus de 1971, a Constituição Federal de 1988, que é a Lei maior, a qual dá fundamento a todas as outras, ou seja, nenhuma outra Lei é mais importante do que a Carta Magna. Outra importante Lei que destaquei foi a Lei nº 8.069/90, que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente além da Lei de Diretrizes de Base, Lei 9.394/96, que regula todo o sistema educacional brasileiro, ou seja, ela vai tratar de toda a vida e de todo o ordenamento legal, administrativo e pedagógico da nossa educação passando por todos os níveis desde a educação infantil ao ensino superior. Para a realização deste trabalho, 1 Mestre em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba - UFPB, Graduanda do curso de Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN. Email: gizolene@hotmail.com PERCURSO DA MINHA ESCOLARIZAÇÃO: MARCOS LEGAIS Gizolene de Fátima Barbosa da Silva Cantalice 294 foram feitas pesquisas bibliográficas em livros, site da internet, mais precisamente no site do governo, entrevista por telefone, coletas de dados orais. No decorrer da pesquisa, percebo mais claramente as mudanças que as leis sofrem ao longo do tempo para dar conta das necessidades que vão se apresentando na sociedade. O que era necessário em 1996, por exemplo, hoje não é mais, a demanda é outra, sempre que preciso, os artigos são reformulados, incisos e parágrafos são incluídos, a exemplo da ampliação do ensino fundamental para nove anos e a obri- gatoriedade do Estado com a educação básica dos quatro aos dezessete anos. Palavras-chave: história de vida; educação formal; legislação. 1 PERCURSO DA MINHA ESCOLARIZAÇÃO: MARCOS LEGAIS O início da minha escolarização foi regido pela Constituição Federal de 1967 e pela Lei nº 5.692/71 conhecida como lei da reforma do ensino de 1º e 2º Grau. A outra parte da minha educação formal teve como fundamentos legais a Constituição de 1988 e a nova Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional –LDB 9.394/96 e outras leis complementares, algumas das quais apresentarei mais adiante. Segundo o que dizia a Constituição Federal (BRASIL, 1967): “a educação é direito de todos e será dada no lar e na escola; assegurada a igualdade de oportunidade, deve inspirar-se no princípio da unidade nacional e nos ideais de liberdade e de solidariedade humana”. Tendo como base o texto constitucional PERCURSO DA MINHA ESCOLARIZAÇÃO: MARCOS LEGAIS Gizolene de Fátima Barbosa da Silva Cantalice 295 e a falta de escola próxima da minha casa, meu pai colocou aos cuidados de “tia” Luzia, uma amiga da família, a educação inicial dos meus três irmãos mais velhos e a minha, quando completei seis anos de idade. Nesse período, não era obrigatório a criança de seis anos frequentar a escola, a minha entrada no mundo das letras, cedo, foi uma escolha de meu pai e não um cumprimento de obrigatoriedade. Morávamos na zona rural, num sítio de nome Irajó, pertencente ao Município de Soledade, cidade do estado da Paraíba, e “tia” Luzia, a professora, morava no sítio Melancia, que ficava a três quilômetros do nosso sítio. Íamos para a casa dela a pé, todos os dias, e as aulas eram ministradas na sala de sua casa. Nessa época, não havia transporte escolar. O transporte escolar, uma conquista atual, está definida na Constituição de 19882, por isso, no início da minha vida escolar, os alunos tinham de ir à escola a pé ou de bicicleta. Apesar da distância, eu gostava muito de ir à aula na casa de “tia” Luzia. Ela sempre dava desenhos bonitos para pintar e atividades com linhas desenhadas para cobrir. Com o tempo, passei a cobrir as vogais. A volta para casa era muito divertida, várias crianças brincando de jogar pedras nos marimbondos, quase sempre chegávamos em casa de olhos inchados por ferro- adas, chorávamos e ríamos ao mesmo tempo com a dor. Não sei dizer, ao certo, o porquê que repetíamos o mesmo ritual todos os dias de volta para casa, só sei que era bom, nós nos sentíamos felizes, apesar das incômodas ferroadas dos marimbondos. No ano seguinte, em 1987, “tia” Luzia, por motivo de doença, deixou de dar aulas, e todos fomos matriculados na Escola Municipal Manuel Marinho de Araújo, que ficava a sete 2 Também incluída na LDB 9.394/96 pela Lei nº 10.709, de 31.7.2003. PERCURSO DA MINHA ESCOLARIZAÇÃO: MARCOS LEGAIS Gizolene de Fátima Barbosa da Silva Cantalice 296 quilômetros do nosso sítio. A escola estava localizada no Sítio Lafaiete e ficava a dois quilômetros da cidade Soledade-PB. Era pequena e tinha uma única sala de aula, um banheiro e uma cozinha minúscula. A professora se chamava Norma, filha de um homem de nome Lafaiete e era conhecida por todos da região como Norma, “filha de Lafaiete”. Era uma moça solteira que aparentava ter uns quarenta a quarenta e cinco anos. A sua formação era de 2º grau completo. Segundo a professora Norma, as escolas, na década 1970, tinham uma carência muito grande de professores e ela, preci- sando trabalhar, foi na prefeitura e conseguiu uma vaga para dar aula no sítio chamado Livramento, em 1972. Nesse mesmo ano, começou a construção de um grupo escolar em frente à sua casa no Sítio Lafaiete, pelo prefeito José Joaquim de Araújo. No ano seguinte, 1973, ela começou a dar aulas perto da sua casa no grupo escolar recém-construído, Escola Municipal Manuel Marinho de Araújo. Nessa época, não havia concurso público. O concurso público foi realizado, pela primeira vez em, em Soledade, no último ano do mandato do Prefeito Marinaldo Castelo Branco de Melo, em 19883. Com relação à merenda escolar, a professora pegava suprimentos na prefeitura e levava para casa dela e quem fazia era a sua mãe, “Dona Nenê”, e levava para a gente na escola. A mãe da professora morava em frente à escola. Geralmente, a merenda era bolacha e rapadura, papa de fubá, sopa pronta de pacote, por sinal, era muito boa, pelo menos nós 3 Marinaldo Castelo Branco de Melo foi o quadragésimo prefeito da cidade de Soledade/PB, governando de 1982 a 1988. Disponível em: http://www. soledade.pb.gov.br/historia/ A professora Norma não precisou fazer o concurso de 1988, porque já tinha muito tempo de serviço. http://www.soledade.pb.gov.br/historia/ http://www.soledade.pb.gov.br/historia/ PERCURSO DA MINHA ESCOLARIZAÇÃO: MARCOS LEGAIS Gizolene de Fátima Barbosa da Silva Cantalice 297 a achávamos. Essa escola deixou de funcionar em 2002, por falta de alunos e a professora passou a lecionar na cidade4. A nossa classe era multisseriada, tinha alunos, como eu, que faziam a alfabetização; e alunos da 1ª, 2ª, 3ª e 4ª séries. Eu amava ir para a aula e achava a professora incrível. Ela era séria, e, ao mesmo tempo, acolhedora. Fui alfabetizada por ela no ano de 1987; em 1988, fiz a 1ª série; em 1989, a 2ª série; e estudei a 3ª até agosto de 1990, quando meu pai comprou outro sítio e nos mudamos para lá. Fui alfabetizada pela “tia” Norma. Ela utilizava a cartilha do ABC, a tabuada, tinha também a cartilha das sílabas, das palavras e depois as cartilhas com pequenos textos. Assim, minha alfabetização se deu pelo método sintético de alfabeti- zação (também denominado de silábico ou tradicional), isto é, aqueles que tomam como base a parte e dela vão para o todo. A partir da 1ª série, cada série tinha quatro disciplinas e um livro por disciplina: estudos sociais, matemática, português, ciências. 1.1 MUDANÇA DE ESCOLA 3ª E 4ª SÉRIE: LACUNASNo ano de 1990, mais precisamente 4 de agosto, fui morar em outro sítio, chamado Lajedo de Timbaúba ou Comunidade de Lajedo de Timbaúba, pertencente também ao Município de Soledade/PB. Nesse sentido, fui transferida para a Escola Municipal Severina Emília de Araújo5, que ficava próxima da minha casa. Por precisar 4 Dados obtido oralmente e por telefone com a professora Norma e com o auxílio de meu Tio Manoel Barbosa de Morais que se dispõe a procurar a professora atrás de dados. 5 A Escola Municipal Severina Emília De Araujo é uma escola pública e rural localizada no Sítio Lajedo de Timbaúba, Soledade/PB. Atualmente PERCURSO DA MINHA ESCOLARIZAÇÃO: MARCOS LEGAIS Gizolene de Fátima Barbosa da Silva Cantalice 298 passar o dia inteiro cuidando da lavoura, eu e meus irmãos fomos matriculados no turno da noite. Nesse ano, ainda não tinha chegado energia elétrica na zona rural de nossa região e os estudos se davam à luz de uma lamparina. O turno da noite tinha 12 alunos e eu era a mais nova com 10 anos. A classe era multisseriada, com alunos da 2ª, 3ª e 4ª séries. A professora morava em frente à escola, o nome dela era Josefina6. Já era uma senhora de uns 55 anos idade, sua formação era até a 4ª série. A professora Josefina colocava a lamparina no centro da mesa dela, uma mesa de madeira grossa, pesada, redonda e grande e todos os alunos procuravam se sentar o mais próximo possível da mesa da professora para “pegar” um pouco da claridade. Em seguida, copiávamos os textos do livro indicado, de acordo com a matéria de cada dia, para o caderno. Geralmente, ela ia para casa jantar e voltava para ver como estava o andamento das reescrituras. Não tinha aula de matemática, porque ela não dominava o assunto e eu e meus irmãos estávamos muito adiantados, do ponto de vista dela. Quando o ano letivo acabou, meus irmãos passaram de ano e eu fiquei reprovada pela “idade”. A professora pediu ao meu pai que me deixasse estudar novamente a 3ª série e ele ela funciona só no período vespertino, com duas turmas multisseriadas. A primeira turma é composta por alunos da pré-escola, do 1º ano e do 2º Ano. A outra turma é composta pelos alunos de 3º, 4º e 5º Ano. A escola dispõe de três funcionárias, duas professoras e uma merendeira, esta é responsável também pela limpeza. Funciona em prédio próprio, não há água encanada e tem energia elétrica desde 1991. O esgoto sanitário é por fossa e a destinação do lixo é a queima. A prefeitura de Soledade segue a Resolução nº 2, de 28 de abril de 2008, que estabelece diretrizes complementares, normas e princípios para o desenvolvimento de políticas públicas de atendimento da Educação Básica do Campo. (Palavras da secretária de Educação do Município de Soledade/ PB) (VER FOTOS DA ESCOLA, ATUALMENTE, NO ANEXO 1). 6 Nomes fictícios para preservar a identidade da professora. PERCURSO DA MINHA ESCOLARIZAÇÃO: MARCOS LEGAIS Gizolene de Fátima Barbosa da Silva Cantalice 299 aceitou. Repeti a 3ª série em 1991, estava no período matutino. Ela pediu que ajudasse os meus colegas com as atividades de matemática. Então, no dia da disciplina matemática, eu tomava conta da classe e ensinava tudo que eu tinha aprendido com a professora “Tia” Norma. Passei de ano fui para 4ª série, em 1992. Continuei estudando, ou melhor fazendo cópia de texto. Mais um ano perdido. Final de ano, a professora foi na minha casa conversar e convencer meus pais de que eu não tinha idade suficiente e nem maturidade para estudar na zuna urbana. Segundo ela, a cidade era muito perigosa para uma menina de 13 anos, e mais, estudar à noite, não dava certo. Meus pais, mais uma vez, concordaram com ela. Chegaram a assinar um papel se responsabilizando pela minha repetência, uma vez que minhas notas eram altas e não tinha faltas, não sei até hoje qual foi a justificativa legal que me fez ficar repetindo sem necessidade. Só sei que eles tiveram que assinar algo importante. Tudo que lembro que aprendi com essa professora foi a ter raiva/paciência, um paradoxo. 1.2 LIBERDADE: RECOMEÇANDO A APRENDER (5ª A 8ª SÉRIE) Para mim, e creio que para a maioria dos alunos daquela época, estudar na rua, zona urbana, em Soledade-PB, e mais, na Escola Estadual de 1º e 2º grau Dr. Trajano Nóbrega, foi motivo de orgulho e liberdade, dada a excelência de seus professores, a integralidade de seus conteúdos e a formação laica e humanista. Não fazia mais cópia sem nexo, tinha explicação para todas as minhas dúvidas. Os professores nos estimulavam a pensar, argumentar entre pontos de vista divergentes, desenvolvendo PERCURSO DA MINHA ESCOLARIZAÇÃO: MARCOS LEGAIS Gizolene de Fátima Barbosa da Silva Cantalice 300 uma “dúvida metódica”, não exatamente a cartesiana, mas já era alguma coisa. Passei a entender que a contraposição e a contradição de ideias levam a outras ideias, que contribuem para aniquilar preconceitos, ideologias e manipulações, muitas vezes, realizadas dentro do próprio espaço educacional. A Escola Estadual de 1º e 2º grau Dr. Trajano Nóbrega era uma das maiores escolas da cidade e a única que tinha ensino médio. Funcionava pela manhã, tarde e noite. No período matu- tino, tinha turmas do Ensino de 1º Grau, (1ª, 2ª, 3ª, 4ª, 5ª, 6ª 7ª e 8ª Séries); no vespertino, as turmas eram de 1º e 2º Graus (5ª, 6ª 7ª e 8ª do 1º Grau e 1ª, 2ª e 3ª Séries do 2º Graus). À noite, horário em que eu estudava, funcionava com turmas de 1º e 2º Graus. No primeiro Grau noturno, havia duas turmas de 5ª séries, duas de 6ª séries, duas de 7ª e duas turmas de 8ª séries; e, também tinha turmas de 1ª, 2ª e 3ª série do segundo Graus. Essa escola começou a funcionar no prédio municipal, no ano de 1975 e ficou neste prédio até 2002, quando foi transferida para o prédio próprio recém-construído7, na Gestão do Governador José Maranhão, mas inaugurado na gestão do governador Cassio Cunha Lima. A escola tinha em seu quadro de funcionários 25 professores, 3 merendeiras, 4 auxiliares de serviços gerais, 3 pessoas que trabalhavam na secretaria da escola, um porteiro chamado Verinha, muito querido por todos os alunos, a Diretora que se chamava Fátima Arruda e vice-diretor Amauri. Nessa época, já tinha transporte escolar para os alunos irem para a cidade. No nosso caso, era uma caminhonete vermelha, pequena e velha, mas de fundamental importância, pois supria a nossa necessidade de deslocamento. Seu Martinho, 7 Veja as fotos do prédio atual em anexo. PERCURSO DA MINHA ESCOLARIZAÇÃO: MARCOS LEGAIS Gizolene de Fátima Barbosa da Silva Cantalice 301 o motorista da caminhonete, nos esperava no “lajedo”8, um lugar que ficava a 20 minutos da nossa casa, significa dizer,que andávamos a pé para pegar o transporte escolar, e depois, quando voltávamos para casa esse trajeto de 20 minutos fazí- amos a pé novamente. Saíamos de casa às 16h40min para pegar a caminhonete de 17h00min, no “lajedo”, e chegávamos em casa novamente às 22h50min. Esse trajeto que eu fazia com meus irmãos a pé, depois que a caminhonete nos deixava no “lajedo”, era escuro e esqui- sito. Era uma estrada que ficava entre duas cercas, uma delas era de madeira e a outra de arame farpado. Junto das cercas, tinha algumas árvores grandes e arbustos, os quais contribuíam bastante para deixar a estrada ainda mais escura e sombria durante a noite, quando voltávamos para casa. Foi nesse clima de apreensão e medo que, por algumas vezes, passamos por situações no mínimo inusitadas. Citarei apenas dois exemplos de muitos outros. Certa noite, estávamos conversando, como forma de nos distrair do barulho que o vento fazia nas árvores, quando, de repente, minha irmã mais velha “congelou” no caminho, ficou estática, imóvel, não conseguia se mexer, depois de um minuto ou segundo, sei lá, ela apontou a mão para o lado e nos mostrou algo branco embaixo de um pé de umbuzeiro e disse: “uma alma!”. Nossa! Meu Deus, nunca senti tanto medo assim. Nesse dia, meu coração quase explode no meu peito,