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Prévia do material em texto

Natal/RN 
Junho/2022
Revisão de Língua Portuguesa
Fabíola Barreto
Revisão de ABNT
Lilian Nayara Pereira da Silva
Revisão Tipográfica
Flávia Jácome Gonçalves
Capa 
Daiana Martins de Araújo
Diagramação
Daiana Martins de Araújo
Ana Beatriz Venceslau Coelho
Secretária de Educação a Distância 
Maria Carmem Freire Diógenes Rêgo
Secretária Adjunta de Educação a Distância
Ione Rodrigues Diniz Morais
Coordenadora de Produção de Materiais Didáticos
Maria Carmem Freire Diógenes Rêgo
Coordenadora de Revisão
Kaline Sampaio
Coordenador Editorial
José Correia
Gestão do Fluxo de Revisão
Rosilene Alves de Paiva
Conselho Editorial
Graco Aurélio Câmara de Melo Viana (Presidente)
Judithe da Costa Leite Albuquerque (Secretária)
Adriana Rosa Carvalho 
Anna Cecília Queiroz de Medeiros 
Cândida de Souza 
Fabrício Germano Alves
Francisco Dutra de Macedo Filho 
Gilberto Corso 
Grinaura Medeiros de Morais 
José Flávio Vidal Coutinho 
Josenildo Soares Bezerra 
Kamyla Álvares Pinto 
Leandro Ibiapina Bevilaqua 
Lucélio Dantas de Aquino 
Luciene da Silva Santos 
Marcelo da Silva Amorim 
Marcelo de Sousa da Silva 
Márcia Maria de Cruz Castro 
Marta Maria de Araújo 
Martin Pablo Cammarota 
Roberval Edson Pinheiro de Lima 
Sibele Berenice Castella Pergher
Tercia Maria Souza de Moura Marques
Tiago de Quadros Maia Carvalho
Reitor
José Daniel Diniz Melo
Vice-Reitor
Henio Ferreira de Miranda
Diretoria Administrativa da EDUFRN
Graco Aurelio Camara de Melo Viana (Diretor)
Helton Rubiano de Macedo (Diretor Adjunto)
Bruno Francisco Xavier (Secretário)
Todos os direitos desta edição reservados à EDUFRN – Editora da UFRN
Av. Senador Salgado Filho, 3000 | Campus Universitário
Lagoa Nova | 59.078-970 | Natal/RN | Brasil
e-mail: contato@editora.ufrn.br | www.editora.ufrn.br
Telefone: 84 3342 2221
Fundada em 1962, a EDUFRN permanece dedicada à 
sua principal missão: produzir livros com qualidade 
editorial, a fim de promover o conhecimento gerado 
na Universidade, além de divulgar expressões 
culturais do Rio Grande do Norte.
Obra financiada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com recursos do 
Fundo Editorial da UFRN. A avaliação da obra foi feita por avaliadores/consultores 
ad hoc com base nos critérios de seleção do Edital 01.2015 da Editora da Universidade 
Federal do Rio Grande do Norte - EDITAL DE APOIO À PUBLICAÇÃO DE LIVROS.
Catalogação da publicação na fonte. UFRN/Secretaria de Educação a Distância.
Elaborada por Edineide da Silva Marques CRB-15/488.
PREFÁCIO 
O SERTÃO E A ESCOLA: 
linhas em traços da memória
O sertão e seus fascínios; a escola e as conquistas; linhas que 
tecem os registros da memória. É sobre isto que este livro fala: 
narrar a história da educação no sertão do Seridó Potiguar a 
partir das reminiscências de alunos do Curso de Pedagogia.
As linhas de tempo construídas por esses narradores 
contam a história da educação que não está nos livros acadê-
micos, mas que se revela nos fatos da história de vida pessoal 
em diálogo com as diretrizes da política educacional. Pela 
história de cada pessoa que narra sobre seu percurso escolar, 
em cada um dos artigos, encontramos não só episódios sobre 
a história da educação do ponto de vista de vista das políticas 
educacionais, implantadas a partir da Constituição Federal 
do Brasil de 1988, como também o depoimento fascinante e 
emocionante de como as diretrizes oficiais impactaram e se 
fizeram presentes nas escolas urbanas e rurais da Região do 
Seridó. O encontro entre o sertão e a escola se torna possível 
pelos relatos da memória.
A História da Educação é descrita pela legislação educa-
cional servindo de pano de fundo para o registro dos dados de 
escolarização e do mundo de vida cotidiano de crianças que 
percorrem o trajeto entre a casa e a escola nas veredas dos 
sertões, compondo cenas e cenários das memórias infantis. 
Cada artigo vai ao encontro do leitor como uma obra de arte 
cuja tradução inspiradora é sua própria vida desenhada em 
perfeitas linhas de tempo, as quais são desenhadas como uma 
“unidade visual” mínima que tende a dar contorno a cada 
história de vida pessoal.
Preenchendo as linhas de tempo, os relatos emocionados, 
ora fortes e densos, ora discretos e tímidos, proporcionam ao 
leitor o encontro afetuoso com o percurso de escolarização 
de cada uma dessas pessoas, pontilhadas de imagens pelas 
estradas do sertão, pelas chuvas, pelos pais que, incansáveis, 
acompanham até seus pontos de partida e destino. Em cada 
texto, somos surpreendidos pelas memórias de meninas e 
meninos que usaram lombos de animais, bicicletas e as doces 
brincadeiras de infância para percorrer quilômetros sob o sol 
caloroso do sertão para chegar à escola.
São histórias de conquistas e realizações; histórias da 
Educação. As cores do sertão estão presentes nesses relatos e 
nos convidam ao imaginário da vida de cada um dos autores. 
Surgem cores, formas, cheiros e luzes que nos levam a vislum-
brar um mundo de narrativas de prazer e alegria.
Se o assunto principal é a narrativa de histórias de esco-
larização, ele se mistura ao imenso labirinto da memória num 
equilíbrio de temas, emoções e vida. Sob a luz da História da 
Educação, este livro a reconstrói e traz o resgate das memórias 
sonhadas e conquistadas de cada autor. E mais, é resultado de 
outras histórias de formação de estudantes, bolsistas e volun-
tários, que integram os projetos “Pesquisa, Ensino e Inovação” 
(Felipe Medeiros Maris, Messias Gomes de Araujo Leal, Luana 
Cristina da Silva Dantas) e “Ensino e Inovação Tecnológica: 
práticas e experiências exitosas” (Julliana Araújo da Silva), 
que contribuíram com a revisão dos textos e sonharam juntos 
a escrita deste capítulo da História da Educação do sertão do 
Seridó Potiguar. 
Agradecemos o apoio e financiamento do Departamento 
de Educação do Centro de Ensino Superior do Seridó (Ceres) e 
a parceria permanente da Secretaria de Educação a Distância 
(Sedis), da Pró-reitoria de Graduação (Prograd) e da Pró-reitoria 
de Pesquisa (Propesq) da Universidade Federal do Rio Grande 
Norte (UFRN) na realização do projeto. 
Tânia Cristina Meira Garcia
Tulia Fernanda Meira Garcia
Organizadoras
APRESENTAÇÃO
À SOMBRA DE UM CONTEMPORÂNEO
Maria Carmem Freire Diógenes Rêgo
Professora Doutora da Universidade Federal do Rio Grande Norte
Escrever a apresentação de um livro requer segurança, inspiração 
e responsabilidade. O que se pode requerer, além do que foi dito, 
quando se pretende escrever a apresentação de um livro de trinta 
e três artigos que dialogam com o Sertão e a Escola? E, ainda, com 
o Sertão e a Escola potiguares? E como se não bastasse, justa-
mente no ano em que se comemora o centenário de nascimento 
de um dos mais renomados educadores do mundo: Paulo Freire. 
Tânia Cristina Meira Garcia e Tulia Fernanda Meira Garcia, 
organizadoras de O sertão e a escola: linhas em traços da memória, 
sistematizaram uma obra onde trinta e três alunos do curso de 
Pedagogia – como que sentados à sombra de uma mangueira 
em seus quintais –, perceberam os desdobramentos de outros 
espaços diversos e, nisso, cada um deles, como educador do hoje, 
“[...] aprende por ver melhor o antes visto” (FREIRE, 2012, p. 40)1.
1 FREIRE, Paulo. À sombra desta mangueira. Rio de Janeiro: Civilização 
Brasileira, 2012.
Escrever nessa apresentação sobre cada um dos artigos não 
agradaria ao leitor porque se faz necessário lê-los sem atravessa-
dores. Trajetórias, jornadas, caminhos, histórias, relatos, percursos, 
evolução, recordações, reflexões, fatos, conhecimentos e desco-
nhecimentos, primórdios e atualidades, memórias, mudanças, 
construção, o eu e o outro, a escola, vivências e aprendizados, 
marcos importantes, sonhos e realidade seriam os termos exatos 
para construir a nuvem de palavras que constituem este livro. 
É inadmissível observar o espaço sem perceber aquele 
que o habita. E o que dizer do Sertão sem lembrar de seus habi-
tantes? São aqueles e aquelas que trazem a resistência como 
tradição e cultura, aquelese aquelas que, antes [durante e após] 
de tudo, são como um forte, precedendo até mesmo os olhares 
de Euclides da Cunha em seu Os Sertões.
Percebe-se, ao longo das trinta e três narrativas, o desdo-
bramento do humano, do professor e da professora sempre em 
formação, dos homens e das mulheres sensíveis e inquietos assim 
como devem ser os educadores: olhando o outro e olhando-se. 
De repente me veio o pensamento: o que leremos desses 
trinta e três educadores daqui a cinco, dez ou vinte anos? E 
qual seriam os sentimentos das organizadoras em lerem esses 
relatos? Quais seriam as palavras que complementariam 
aquela nuvem apresentada no terceiro parágrafo? Não tenho 
as respostas para essas perguntas, apenas elucubrações que não 
valem a pena escrever; mas tenho a certeza da transmutação 
deste livro em diários de bordo, planos de viagens e cadernos de 
memórias – foi o que esses trinta e três pedagogos construíram. 
O educador contemporâneo – contemporâneo no sentido 
amplo de Agamben2 – pertence ao seu tempo, seu momento, 
2 AGAMBEN, Giorgio. O que é contemporâneo? E outros ensaios. Santa 
Catarina: Argos, 2019.
mas é inatual por não coincidir com esse tempo seu, e por isso 
é capaz de perceber e aprender o seu tempo, o tempo em que 
vive. São esses educadores que se reconhecem no seu tempo e no 
seu espaço, que vivem a contemporaneidade de seus educandos 
e conseguem transpô-los para um lugar ainda mais distante. 
A apresentação da obra O sertão e a escola: linhas em traços 
da memória não cabe em meia dúzia de páginas, não cabe em 
cinco minutos de leitura: a própria obra se apresenta, se repre-
senta e se desdobra. 
Ainda, à sombra da minha mangueira, reconhecendo-me 
como parte de um Sertão e de uma Escola, intuo a vida de cada um 
dos autores e das autoras e a vida de seus educandos como sempre 
sendo “possibilidades” e jamais aquilo que se diz em oposto.
Em um momento em que o mundo chamado Sertão também 
resiste a um instante pandêmico associado ao negacionismo e à 
tentativa de desmonte dos bens educacionais, os homens e as 
mulheres desse mesmo Sertão também resistem. E com eles 
resiste a ideia de que cada um de nós é “[...] um ser no mundo, 
com o mundo e com os outros. Um ser que faz coisas, que sabe, que 
ignora, que teme, que fala, que se aventura, que sonha, que ama, 
que tem raiva, que se encanta” (FREIRE, 2012, p. 35).
Ler alternada ou sequencialmente esta coletânea não faz 
diferença porque a sua cronicidade histórica vem a nós como 
um cotidiano de esperança, como aquela nuvem cinza que paira 
nos céus dos Sertões e que promete o verde e a vida, como assim 
promete também a Educação.
Parabéns aos meus queridos colegas educadores e educadoras 
que participaram de O sertão e a escola: linhas em traços da memória. 
Boa leitura. 
Natal (RN), outubro de 2021.
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA 
UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO ..................................... 15 
Adene Kaline Araújo de Azevedo 
 
JORNADA ESCOLAR 
UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS .............................. 43 
Ana Santana Santos de Lima 
 
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR 
UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU .................... 60 
SUMÁRIO 
Bárbara Gomes Medeiros Bezerra 
 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL 
LEMBRANÇAS ........................................................... 86 
Barbara Tamires dos Santos 
 
MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS 
EDUCACIONAIS BRASILEIRAS ...................................... 129 
Carlete Barbosa de Souza 
 
MEU CAMINHO ESTUDANTIL ...................................... 141 
Cidelly Eduarda Silva Costa 
 
MINHA ESCOLARIZAÇÃO MEDIADA 
PELA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA ................. 152 
Daniela Dara de Medeiros Santos 
 
EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS ........... 159 
Dayane Kelly Queiroz Lima 
 
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR 
DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO ........................... 182 
Elianete Maria Medeiros de Souza 
 
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO .............................. 195 
Eneyse Dayane Pinheiro 
 
RELATO SOBRE MEU PERCURSO 
ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS ............................... 223 
Felícia Azevedo da Costa 
 
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA .................................. 242 
Flávia Lilian Félix da Silva 
 
A ESCOLA 
DA EDUCAÇÃO À VIDA ................................................. 261 
Gabriel Fidelis Alves de Araújo 
 
HISTÓRIA E EDUCAÇÃO 
UM PERCURSO DE TODA VIDA ....................................... 276 
Gisele Saudéris Pereira Dantas 
 
PERCURSO DA MINHA ESCOLARIZAÇÃO 
MARCOS LEGAIS ........................................................ 293 
Gizolene de Fátima Barbosa da Silva Cantalice 
 
RECORDAÇÕES E REFLEXÕES 
DA MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR ................................ 338 
Isabela Mariz de Oliveira 
 
REFLEXÃO SOBRE MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR 
DO ENGATINHAR AO ANDAR ......................................... 354 
Jaine de Morais Silva 
 
PERCURSO DE ESCOLARIZAÇÃO 
DOS PRIMÓRDIOS À ATUALIDADE .................................. 390 
Joyce Lira de Araújo 
 
TRAJETÓRIA SOCIOESCOLAR 
FATOS E (DES)CONHECIMENTOS LEGISLATIVOS 
NA EDUCAÇÃO DO SUJEITO .......................................... 410 
João Marcos Brito da Silva 
 
MEMÓRIAS DA ESCOLARIZAÇÃO 
RELATO FUNDAMENTADO 
PELA LEGISLAÇÃO VIGENTE .......................................... 441 
Julliana Araújo da Silva 
 
MINHA VIDA 
CAMINHANDO A CADA PASSO 
EM BUSCA DOS MEUS SONHOS ..................................... 462 
Larissa Adriene Faustino Silva 
 
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR 
FRENTE ÀS MUDANÇAS 
NA LEGISLAÇÃO EDUCACIONAL ................................... 477 
Letícia Medeiros Fernandes 
 
MEU PERCURSO ESCOLAR 
MARCOS LEGAIS ......................................................... 487 
Luana da Nobrega Costa 
 
A CONSTRUÇÃO DO SABER ......................................... 500 
Maria Laura Bezerra Dantas 
 
TRAJETÓRIA ESTUDANTIL 
NA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO ....................................... 510 
Monara Emília Pereira de Medeiros 
 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO 
E MEU PERCURSO ESCOLAR ........................................ 518 
Nathália Dyasmim de Assis Silva 
 
EU E A ESCOLA .......................................................... 535 
Renata Jordânia Alves da Silva 
 
EM BUSCA DE CONHECIMENTO 
VIVÊNCIAS E APRENDIZADOS ........................................ 562 
Renata Lorena de Sousa Santos 
 
RECORTES DA MINHA VIDA ACADÊMICA 
EM BUSCA DO MEU EU ................................................ 576 
Ruanna Maria Borges de Araújo do Nascimento 
 
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 
MARCOS IMPORTANTES 
PARA MINHA ESCOLARIZAÇÃO ...................................... 592 
Stefany Pereira Batista 
 
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR 
FATOS MARCANTES ..................................................... 603 
Thamires Damiana Santos 
 
CHOQUE DE REALIDADE 
DO PRIVADO AO PÚBLICO ............................................ 624 
Tiago Talysson Dantas Cavalcante 
PERCURSO ENTRE 
A TRAJETÓRIA DA EDUCAÇÃO 
E A MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR ................................. 635 
Vanessa Medeiros de Souza 
 
SOBRE OS ORGANIZADORES ....................................... 654
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA 
UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo1
RESUMO 
Este texto relata minha trajetória acadêmica desde o primeiro 
contato com uma instituição de ensino, uma trajetória pela 
educação, e seus caminhos, assim, no decorrer do texto estarei 
discorrendo sobre a mesma, com relevância na história da 
educação e como era vivido na minha época em questão, meu 
olhar sobre essa importante etapa da minha vida, em se tratando 
de escola, e seus valores, usando das minhas memórias e do meu 
histórico escolar, posso compreender melhor a jornada que me 
trouxe até onde estou hoje, visando informar minha história e 
também a compreender os regimentos da época de cada etapa 
que passei galgando os degraus da educação, por meio dessas 
memórias que trago neste trabalho as experiências e situações 
vividas ao longo de tudo, sendo possível analisar esse percurso 
sobre uma ótica diferenciadade acordo com cada passagem e 
decorrência dos anos e amadurecimento de cada fase, também 
por meio deste busco relacionar o que foi vivido com o que era 
1 Graduanda do curso de Pedagogia Licenciatura, pelo Centro de Ensino 
Superior do Seridó - CERES, Campus Caicó/RN. Universidade Federal do Rio 
Grande do Norte - UFRN, 2019. Email: adenekaline@hotmail.com
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
16
estabelecido para cada momento segundo os regimentos e dire-
trizes que regiam a educação em determinado período, sabendo 
a importância deste trabalho para a ampliação do meu conheci-
mento e para o desenvolvimento do componente curricular a que 
este se destina, História da Educação Brasileira, que vem sendo 
uma excelente aquisição para o meu currículo e compreensão 
da minha formação enquanto futura pedagoga, sendo de suma 
importância o assunto em questão, na concepção do aprendizado.
Palavras-chave: história da educação; trajetória acadêmica; 
vida escolar. 
1 INTRODUÇÃO
Neste artigo irei iniciar retratando minha trajetória escolar desde 
a minha primeira vez em uma instituição de ensino passando 
por todas as demais fases do ensino básico até o ensino superior 
onde estou atualmente, relatando vivências, legislação vigente 
em cada época, acontecimentos históricos, caso tenha, passando 
pelas diretrizes de cada percurso e relatando como tudo isso 
implicava ou não na minha vida, direta ou indiretamente. 
Nasci em 1987, aos 11 dias do mês de dezembro. Até os 
meus 5 anos, não frequentei qualquer instituição de ensino, 
vindo a iniciar minha trajetória escolar no ano de 1992, na 
modalidade de ensino jardim de infância, que consistia em 2 
anos, considerando o disposto na Lei nº 5/77, de 1º de fevereiro. 
Nesses termos, o Governo, no Decreto-Lei nº 542/79, de 31 de 
dezembro de 1979, delimita o seguinte: 
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
17
Artigo 1.º Em conformidade com o disposto no artigo 3.º 
da Lei n.º 5/77, de 1 de Fevereiro, é aprovado o Estatuto dos 
Jardins-de-Infância do sistema público de educação pré-escolar. 
Art. 2.º a partir de 1980 a sociedade passa a discutir a possibili-
dade de inclusão das pré-escolas na Educação Básica, intenção 
concretizada na Constituição de 1988. 
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, de 1996, 
ratifica essa decisão, enfatizando que a Educação é um direito da 
criança e que deve, portanto, ser universal. Hoje a conhecemos 
como educação infantil. A instituição era chamada de Jardim 
de Infância Jesus Menino, localizada na rua Manoel Noberto, 
208, Bairro Centro, na cidade de Parelhas/RN. Instituição de 
Ensino Pública, que permanece até hoje no mesmo lugar, agora 
denominada Escola Estadual Jesus Menino. Atualmente oferece 
a modalidade de ensino fundamental I – anos iniciais. As leis 
que regiam a educação dessa época eram a Constituição de 1988 
e a LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) de 1961.
Figura 1: Escola Estadual Jesus Menino 
Fonte: cedida pela escola.
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
18
Figura 2: Escola Estadual Jesus Menino 
Fonte: cedida pela escola.
Essa época foi de adaptação e novidades, pois estava 
saindo de uma rotina cotidiana na qual vivia desde que nasci. 
Então, tudo era muito novo, desde o horário para acordar até 
a chegada ao ambiente escolar. Lembro que minha escola era 
bem próxima à minha casa. Quando minha mãe ia me deixar 
na escola, ela saía pelo portão principal e eu saía pelo portão de 
trás, que não tinha tranca nem segurança, nem mesmo alguém 
para o vigiar. Assim, quando ela chegava em casa, eu chegava 
em seguida. Eram apavoradores os primeiros dias indo para 
a escola, pois eu achava que minha mãe não voltaria pra me 
pegar, que as “tias” (como eram chamadas as professoras na 
época, para tentar dar certo tipo de intimidade à criança) iriam 
me fazer mal. Não sei por que esses pensamentos vinham, mas 
era apenas uma criança vendo seu mundo mudar da noite para 
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
19
o dia. Com o passar do tempo, fui me adaptando, tendo mais 
proximidade com as professoras. 
Recordo da sala de aula bastante colorida. Do cheiro 
da sala de aula eu lembro até hoje. Ainda mais quando eram 
rodados os trabalhinhos na máquina a álcool, todos já sabiam 
que teriam esses trabalhinhos, porque o cheio era muito forte 
e invadia toda a escola. Quando eles chegavam às minhas mãos, 
ainda cheirava de perto. Também lembro que havia duas profes-
soras na sala, tia Núzia e tia Sêmiramis. Eu as achava lindas! 
Tão carinhosas! A sala parecia um lugar mágico, com contação 
de histórias, com cantigas que até hoje lembro: “para ouvir o 
som do mosquitinho, pego a chave e tranco a boquinha, hum, 
hum, hum”, “Bom dia coleguinha como vai? A nossa amizade 
satisfaz...” e assim por diante. 
Na escola, conheci outras crianças com quem até hoje 
tenho vínculo. Nesse ciclo, eu fui apresentada ao alfabeto, às 
cores, aos números. Precisávamos ter boa caligrafia, pois, depois 
dessa etapa, estaríamos indo para uma nova etapa escolar, que 
seria o 1º ano do ensino fundamental de hoje, antes chamado de 
1ª série, que exigiria mais de mim. Ao findar os dois anos desse 
ciclo vinha a formatura. 
Na minha primeira colação de grau, eu me arrumei toda, 
com sainha pregueada, meia calça branca, sapatinho branco, 
beca e capelo vermelhos. Eu me senti uma princesa. Isso me 
marcou porque era uma fase que acabava para dar início a 
outra. Claro que foi difícil me desapegar das professoras, mas 
como todos os alunos da classe foram para a mesma escola e 
sala, foi mais fácil a adaptação. De acordo com Garcia:
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
20
Conferência mundial sobre educação para todos, reali-
zada em Jomtien, na Tailândia, em 1990, o Brasil assumiu 
compromissos importantes, no sentido da democratização 
da educação, os quais deveriam ser postos em prática até o 
ano de 2000. Consolidando os pressupostos de uma educação 
de qualidade e de extensão da escolaridade no País, esse 
compromisso firmado resultou na elaboração do documento 
intitulado “Plano Decenal de Educação para Todos”, que traz 
entre outros enfoques, o gerenciamento da educação, com 
fundamento nas concepções de centralização e descentrali-
zação GARCIA, 2009, p. 67).
Figura 3: Escola Estadual Jesus Menino 
Fonte: cedida pela escola.
O novo ambiente de educação foi na Escola Estadual 
Professor Felipe Bittencourt, localizada na rua Padre Bento, 
563, no Bairro Dinarte Mariz, na cidade de Parelhas/RN, onde 
está situada até hoje. De ensino público, a instituição oferecia 
essa modalidade de ensino antes chamada de séries. Dei início 
à 1ª série, como determinava a lei 5.692/71, vigente na época, 
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
21
que determinava ensino de 1º grau obrigatório dos 7 aos 14 anos 
(art. 20). Também, nesse mesmo ano, foi criada a Declaração 
de Salamanca sobre princípios, políticas e práticas na área das 
necessidades especiais, de 10 de junho de 1994. A/RES/48/96. 
Figura 4: Escola Estadual Professor Felipe Bittencourt 
Fonte: acervo pessoal.
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
22
Figura 5: Escola Estadual Professor Felipe Bittencourt 
Fonte: acervo pessoal.
Com o passar do tempo, houve mudança na modalidade 
do ensino fundamental. Em janeiro de 2006, o Senado Federal 
aprovou o Projeto de lei n° 144/2005, que estabelece a duração 
mínima de nove anos para o ensino fundamental. Essa mudança 
acabou por acrescentar um ano a mais na formação dessa etapa 
do ensino brasileiro, passando a usar o nome de anos em vez 
de séries. Nesse período, também foi aprovada a matrícula 
obrigatória a partir dos seis anos de idade. A leique regia a 
educação dessa época era a Constituição de 1988 e a LDB de 1961.
Nessa escola, passei todo o ensino fundamental, da 1ª à 8ª 
série (período entre 1994 a 2002, tendo um atraso de um ano por 
repetir um ano letivo em 1998), era assim formada a modalidade 
do ensino fundamental quando eu o fazia. Posteriormente, 
continuei nessa escola cursando o ensino médio. No ensino 
fundamental, tive diversas experiências nessa escola, como a 
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
23
mudança nas disciplinas e, consequentemente, de professores 
(ver histórico escolar do ensino fundamental no anexo I). 
Nesse período, alguns professores que tinham sua 
formação em determinada área lecionavam numa área dife-
rente da sua formação, porque não havia professores suficientes 
para preencher o quadro docente da escola, e com formação 
específica para lecionar as disciplinas faltosas. Isso levava, por 
exemplo, um profissional formado em matemática a lecionar 
a disciplina de inglês, o que deixava a desejar no ensino, 
formando, assim, alunos com pouco ou nenhum conhecimento 
dessa disciplina. Isso se repetia nas demais disciplinas ofertadas 
nessa modalidade de ensino da época. Muitas vezes, a escola 
terceirizava esses profissionais por meio de contratos para que 
pudesse oferecer todas as disciplinas.
Figura 6: Escola Estadual Professor Felipe Bittencourt 
Fonte: cedida pela escola.
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
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Figura 7: Escola Estadual Professor Felipe Bittencourt 
Fonte: cedida pela escola.
Nessa etapa da minha vida escolar, foi quando viven-
ciei momentos históricos, como a queda das torres gêmeas, 
World Trade Center, nos Estados Unidos da América, no dia 11 
de setembro de 2001. Recordo que esse fato trouxe comoção 
mundial aos que viam as cenas pelos noticiários da televisão 
e por todo tipo de imprensa. Esse fato foi inserido no livro 
didático do ano seguinte da disciplina de História.
Ainda em 2002, tive de interromper meus estudos por 
motivo de ter ficado grávida, aos 14 anos de idade. Mesmo assim, 
segui estudando nessa escola enquanto eu pude frequentar as 
aulas. Já no mês de setembro do referido ano, não pude mais 
frequentar as aulas, pois a minha gravidez era de risco devido 
à minha idade precoce. Então, o médico me recomendou ficar 
de repouso em casa, pois eu ficava com as pernas bastante 
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
25
inchadas devido a passar muito tempo sentada em aula. Para 
isso, me deu atestado de um mês, o qual entreguei a escola. 
Enquanto estava de atestado, dei à luz à minha primeira filha 
(que hoje está 16 anos de idade). Novamente precisei de outro 
atestado para o tempo do repouso (resguardo). Eu não queria 
perder o ano letivo, visto que sempre gostei de estudar, tendo 
notas boas (ver histórico escolar do ensino médio em anexo 
II). Porém, a diretora da época não aceitou o primeiro atestado 
entregue, alegando que eu poderia ter continuado a frequentar 
as aulas, visto que uma professora da época, também grávida, 
frequentou a escola até quase parir. Ocorre que ela era bem mais 
velha que eu e com mais experiência, não tinha problemas na 
sua gestação. O que a diretora fez foi nos colocar em situação de 
igualdade, sendo que eu tinha apenas 14 anos e uma gravidez de 
risco. Como resultado, ela me disse que, mesmo se eu insistisse 
em continuar o ano letivo e tendo boas notas, ela me repro-
varia por falta, porque não aceitava o atestado anterior ao meu 
parto, embora eu tivesse reclamado esse atestado. Por fim, não 
conhecendo meus direitos, acabei aceitando o que me foi dito e 
abandonei a escola, muito desgostosa da falta de compreensão 
por parte da diretora.
No ano de 2005, resolvi voltar aos estudos, visto que 
minha filha estava maior e que eu poderia dar continuidade 
aos estudos, voltando a estudar na mesma escola. Dessa vez, sob 
nova direção, fui bem recebida e permaneci nessa instituição 
até a conclusão do ensino médio. A escola era urbana, situada 
no centro da cidade, não necessitava de transporte para chegar 
até ela. O caminho era curto e eu o fazia com meus colegas e 
amigos de infância que vinham me acompanhando no decorrer 
desse percurso escolar. Até hoje temos vínculos de amizade. 
Nesse período, as leis vigentes para a educação eram a LDB (Lei 
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
26
9.394/1996) e o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do 
Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério juntamente 
com o (Fundef), que destinava verbas para o ensino funda-
mental. Como diz o texto:
Foi instituído pela Emenda Constitucional n.º 14, de setembro 
de 1996, e regulamentado pela Lei n.º 9.424, de 24 de dezembro 
do mesmo ano, e pelo Decreto nº 2.264, de junho de 1997. O 
FUNDEF foi implantado, nacionalmente, em 1º de janeiro de 
1998, quando passou a vigorar a nova sistemática de redis-
tribuição dos recursos destinados ao Ensino Fundamental 
(BRASIL, [1997], p. 01). 
A maior inovação do Fundef consiste na mudança da 
estrutura de financiamento do ensino fundamental no país (1ª a 
8ª séries do antigo 1º grau), ao subvincular a esse nível de ensino 
uma parcela dos recursos constitucionalmente destinados à 
Educação. A Constituição de 1988 vincula 25% das receitas dos 
estados e municípios à Educação. Com a Emenda Constitucional 
nº 14/96, 60% desses recursos (o que representa 15% da arre-
cadação global de estados e municípios) ficam reservados ao 
ensino fundamental. Além disso, introduz novos critérios de 
distribuição e utilização de 15% dos principais impostos de 
estados e municípios, promovendo a sua partilha de recursos 
entre o Governo Estadual e seus municípios, de acordo com o 
número de alunos atendidos em cada rede de ensino. 
Genericamente, um fundo pode ser definido como o 
produto de receitas específicas que, por lei, vincula-se à realização 
de determinados objetivos. O Fundef é caracterizado como um 
fundo de natureza contábil, com tratamento idêntico ao Fundo 
de Participação dos Estados (FPE) e ao Fundo de Participação dos 
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
27
Municípios (FPM), dada a automaticidade nos repasses de seus 
recursos aos estados e municípios, de acordo com coeficientes de 
distribuição estabelecidos e publicados previamente. As receitas 
e despesas, por sua vez, deverão estar previstas no orçamento, e 
a execução contabilizada de forma específica.
No ano de 2006, ingressei no ensino médio na referida 
escola, período marcado por poucos investimentos, lembro 
que não havia recursos suficientes para que a merenda fosse 
distribuída igualmente entre os alunos do ensino fundamental 
e médio, ficávamos esperando os alunos do ensino fundamental 
pegar sua merenda para que, se “sobrasse”, nós do ensino 
médio poderíamos ter acesso à merenda, embora víamos que 
da merenda saíam lanches para os professores, o que não era 
permitido, como até hoje ainda não é. O Fundef teve uma modi-
ficação e foi melhorado para Fundeb (Fundo de Manutenção 
e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos 
Profissionais da Educação), a partir daí foi que a situação para 
o ensino médio veio a melhorar, em todos os sentidos. Com os 
novos investimentos vieram as melhorias, em materiais didá-
ticos, viagens de pesquisa, na merenda, foi realmente algo que 
impulsionou essa modalidade de ensino, segundo diz o texto 
disponível no site do FNDE.
O Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação 
Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – 
Fundeb é um fundo especial, de natureza contábil e de âmbito 
estadual (um fundo por estado e Distrito Federal, num total 
de vinte e sete fundos), formado, na quase totalidade, por 
recursos provenientes dos impostos e transferências dos 
estados, Distrito Federal e municípios, vinculadosà educação 
por força do disposto no art. 212 da Constituição Federal. Além 
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
28
desses recursos, ainda compõe o Fundeb, a título de comple-
mentação, uma parcela de recursos federais, sempre que, 
no âmbito de cada Estado, seu valor por aluno não alcançar 
o mínimo definido nacionalmente. Independentemente da 
origem, todo o recurso gerado é redistribuído para aplicação 
exclusiva na educação básica (BRASIL, 2020).
Ainda no ensino médio, recordo que a falta de professores 
para ministrar algumas disciplinas, quase nos fez perder o ano 
letivo. Vi também professores com mais de um vínculo para que 
pudessem arcar com suas despesas. Isso os deixava mais estres-
sados e irritados no ambiente de trabalho o que refletia na sua 
metodologia, tornando as aulas insuportáveis e improdutivas. 
Em contrapartida, havia professores que eram apaixonados pela 
profissão e desempenhavam papéis fundamentais e chegavam a 
ser verdadeiros confidentes e conselheiros até mesmo fora das 
questões disciplinares do currículo acadêmico.
Concluí o ensino médio em 2008 (ver certificado do ensino 
médio em anexo III), ano em que me submeti ao Exame Nacional 
do Ensino Médio (Enem) pela primeira vez. Na época, sua estru-
tura era formada por 63 questões de múltipla escolha e redação. 
Tudo deveria ser feito em apenas um domingo. Apesar de ter 
tido um resultado considerável, nessa época, a nota obtida no 
Enem não era suficiente para ingressar no ensino superior, seria 
também necessário fazer o vestibular que a instituição exigia 
como forma de ingressar na instituição. 
Por motivos pessoais e financeiros, não pude continuar 
os estudos naquele ano. Após 5 anos, voltei a fazer o ENEM, 
em 2014, já com o novo formato, o atual, que consiste em 180 
perguntas de múltipla escolha e redação, sendo realizado em 
dois domingos. A nota obtida no exame é porta de entrada para 
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
29
o ensino superior por meio do Sistema de Seleção Unificada 
(Sisu), que possibilitou a análise dos resultados obtidos no Enem 
e o desempenho. “O SiSU é o sistema informatizado do MEC no 
qual instituições públicas de ensino superior oferecem vagas 
para candidatos participantes do Enem” (BRASIL, [201-]).
Figura 8: Formatura
Fonte: acervo pessoal.
Figura 9: Formatura
Fonte: acervo pessoal.
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
30
Por meio do Sisu, consegui uma bolsa de estudo numa 
faculdade Educação a Distância (EaD), privada, situada na cidade 
de Currais Novos/RN. Pela minha pontuação, foi possível obter 
a bolsa integral para o curso de Pedagogia, que sempre foi meu 
sonho cursar, seguido pelo curso de Direito, que espero também 
poder cursar. No entanto, não pude dar início ao curso, devido 
a ter filho pequeno, com apenas 4 anos de idade na época, e não 
ter com quem deixar para dar seguimento ao meu sonho. Então, 
abri mão dessa bolsa e do curso, mas sempre na certeza de que 
um dia ia poder realizar o sonho de cursar uma faculdade e no 
curso desejado.
Foi então que fiz o Enem mais uma vez, visto que não 
tinha condições financeiras de custear um curso de nível supe-
rior. Via no exame a forma mais certa de conseguir ingressar 
no ensino superior. No ano de 2017, fiz o exame, já com filhos 
maiores, mais independentes, embora com um terceiro filho 
de 2 anos de idade, que solicitei ajuda da minha sogra para que 
ela pudesse cuidar dele enquanto eu estaria fora estudando. 
Por meio do Sisu novamente consegui, pelo meu desempenho 
no exame, ingressar no ensino superior. Meu sonho enfim se 
realizava, no curso de Pedagogia, licenciatura, dessa vez numa 
renomada e reconhecida instituição de ensino superior, a 
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), no Centro 
de Ensino Superior do Seridó (Ceres), na cidade de Caicó/RN.
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
31
Figura 10: Centro de Ensino Superior do Seridó (Ceres), na cidade 
de Caicó/RN
Fonte: imagem retirada da internet.
Hoje posso dizer que vivo meu sonho a cada dia viven-
ciando nessa instituição as melhores experiências e adquirindo 
conhecimentos que me tornaram uma profissional. Terei 
orgulho de levar o nome dessa instituição. Mas o que me ajuda 
a continuar nesse sonho são os auxílios financeiros desti-
nados aos alunos de baixa renda, sem os quais, certamente, 
não poderia continuar na universidade, e assim é também 
com milhares de outros alunos que estudam nas instituições 
federais, que também são de baixa renda como eu. 
Eu me sinto realizada em estar nessa instituição renomada, 
recheada de excelentes profissionais extremamente capacitados, 
que nos proporcionam o melhor em cada disciplina ofertada 
e com metodologias diversas que só nos fazem crescer como 
profissionais e pessoalmente também. Em cada semestre, eu me 
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
32
deparo com o profissionalismo e seres humanos incríveis que nos 
fornecem tanto o conhecimento quanto seus exemplos de dedi-
cação e cidadãos atuantes numa sociedade em desenvolvimento, 
em especial, na disciplina de História da Educação Brasileira, 
ministrada pela Professora Doutora Tânia Cristina Meira Garcia, 
a quem este trabalho se destina. Para mim, está sendo de grande 
proveito os conhecimentos deste currículo, assim como toda 
a estrutura curricular do curso de Pedagogia licenciatura, 
aumentando assim meu conhecimento e trazendo para o meu 
currículo pessoal saberes únicos e primordiais para o desem-
penho da minha carreira como profissional da Educação. Com a 
ajuda de Deus, não irei parar por aqui, almejo dar continuidade 
à minha formação com especializações, mestrado e doutorado, 
e o que eu puder realizar, somando-se aos meus esforços e ajuda 
dos profissionais que, ao longo do tempo, conheci e conhecerei. 
Tenho certeza de que realizarei meus objetivos (ver histórico da 
graduação até o dia atual em anexo IV).
Figura 11: curso de Pedagogia licenciatura
Fonte: acervo pessoal.
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
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Figura 12: curso de Pedagogia licenciatura
Fonte: acervo pessoal.
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
34
REFERÊNCIAS
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da 
República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, 
DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
constituicaocompilado.htm. Acesso em: 16 nov. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. FUNDEF: Fundo de Manutenção 
e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização 
do Magistério (Manual de Orientação). Brasília, DF: Ministério 
da Educação, [1997]. Disponível em: http://portal.mec.gov.
br/seb/arquivos/pdf/mo.pdf. Acesso em: 14 dez. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. Sobre o FUNDEB. Brasília, 
DF: Ministério da Educação, 2020. Disponível em: https://
www.fnde.gov.br/financiamento/fundeb/sobre-o-plano-
ou-programa/sobre-o-fundeb. Acesso em: 14 dez. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. SISU: o que é?. 
Brasília, DF: MEC, [201-]. Disponível em: https://sisu.
mec.gov.br/#/#oquee. Acesso em: 16 nov. 2021.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as 
diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Ministério 
da Educação, [1996]. Disponível em: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm. Acesso em: 16 nov. 2021.
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
35
BRASIL. Lei nº 5/77, de 1º de fevereiro. Cria o sistema público de 
educação pré-escolar, cujos objectivos principais são favorecer o 
desenvolvimento harmónico da criança e contribuir para corrigir 
os efeitos discriminatórios das condições socio-culturais no 
acesso ao sistema escolar.A educação pré-escolar tem carácter 
facultativo e destina-se às crianças desde os três anos até à 
idade de entrada no ensino primário. Brasília, DF: Ministério 
da Educação, [1977]. Disponível em: https://dre.tretas.org/
dre/79534/lei-5-77-de-1-de-fevereiro. Acesso em: 16 nov. 2021. 
BRASIL. Decreto-lei nº 542/79, de 31 de dezembro. Aprova 
o estatuto dos jardins-de-infância do sistema público de 
educação pré-escolar. Brasília, DF: Ministério da Educação, 
[1979]. Disponível em: https://dre.tretas.org/dre/61632/decreto-
lei-542-79-de-31-de-dezembro. Acesso em: 16 nov. 2021.
BRASIL. Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Fixa as 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF: Câmara 
dos Deputados, [1961]. Disponível em: https://www2.camara.
leg.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-4024-20-dezembro-1961-
353722-normaatualizada-pl.pdf. Acesso em: 16 nov. 2021.
BRASIL. Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971. Fixa 
Diretrizes e Bases para o ensino de 1° e 2º graus, e dá 
outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, 
[1971]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/leis/l5692.htm. Acesso em: 16 nov. 2021. 
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
36
BRASIL. Emenda Constitucional nº 14, de 12 de setembro 
de 1996. Modifica os arts. 34, 208, 211 e 212 da Constituição 
Federal e dá nova redação ao art. 60 do Ato das Disposições 
constitucionais Transitórias. Brasília, DF: Congresso Nacional, 
[1996]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
constituicao/emendas/emc/emc14.htm. Acesso em: 16 nov. 2021.
BRASIL. Projeto de Lei da Câmara nº 144, de 2005. Altera a 
redação dos arts. 29, 30, 32 e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro 
de 1996, que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional, dispondo sobre a duração mínima de 9 (nove) anos 
para o ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir 
dos 6 (seis) anos de idade. Brasília, DF: Câmara dos Deputados, 
[2005]. Disponível em: https://www25.senado.leg.br/web/
atividade/materias/-/materia/76244. Acesso em: 16 nov. 2021.
GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e educação no 
Brasil (1987-1996). João Pessoa: EDUFRN: Ideia, 2009.
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
37
ANEXO I
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
38
ANEXO II
 
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
39
ANEXO III
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
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ANEXO IV
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
41
MINHA TRAJETÓRIA ACADÊMICA: UMA VIAGEM PELA EDUCAÇÃO
Adene Kaline Araújo de Azevedo
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JORNADA ESCOLAR 
UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS
Ana Santana Santos de Lima1
RESUMO
O presente trabalho tem por objetivo discorrer sobre minha 
experiência no percurso escolar, que será relatado incluindo 
as leis que foram sancionadas durante esse percurso de 
ensino, tendo ou não relação com minha experiência escolar, 
englobando desde a Constituição Federativa do Brasil, fazendo 
recortes que coincidam com minha entrada na escola, e como a 
Lei n° 9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação 
brasileira e que culminou para adoção de tantos direitos educa-
cionais para a história da educação nacional. Este trabalho foi 
uma proposta do componente curricular História da Educação 
Brasileira. Para tanto, as fontes utilizadas foram pesquisas 
feitas em sites que disponibilizassem as leis, como o portal 
do Ministério da Educação (MEC) e o site do Planalto, artigos 
científicos, e o livro Estado e Educação no Brasil (GARCIA, 2008). 
O estudo busca analisar minha vida escolar, quais podem ser 
os pontos marcantes, com alguns eventos ocorridos na história 
1 Email: ana.santana.santos.lima@gmail.com
JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS
Ana Santana Santos de Lima
44
da educação, e quão importante a Constituição de 1988 e a Lei 
de Diretrizes e Bases, que já estavam em vigor quando iniciei 
minha jornada escolar, e como essa construção da educação 
brasileira se tornou tão importante para que, nos dias atuais, 
fossem conseguidos tantos avanços para o meu desenvolvi-
mento como estudante, e a garantia desses direitos.
Palavras-chave: percurso escolar; lei de diretrizes e bases; 
constituição.
1 Introdução
O presente trabalho tem por objetivo discorrer sobre minha 
experiência no percurso escolar, relacionando com as leis que 
foram sancionadas durante esse percurso de ensino, tendo 
estas relação ou não com minha experiência escolar. O estudo 
engloba desde a Constituição Federativa do Brasil, promulgada 
em 05 de outubro de 1988, fazendo recortes os quais coincidam 
com minha entrada na escola, e como a Lei de Diretrizes e Bases 
(LDB) (Lei n° 9.394/96), que estabelece as diretrizes e bases da 
educação brasileira, culminando para a adoção de tantos direitos 
educacionais para a história da educação nacional. Esse trabalho 
foi proposto pelo componente curricular História da Educação do 
Brasil, para tanto, a metodologia utilizada foram pesquisas feitas 
em sites que disponibilizassem leis, como o portal do Ministério 
da Educação (MEC), o site do Planalto, também artigos científicos 
e o livro Estado e Educação no Brasil (GARCIA, 2008). 
A história da educação brasileira foi se construindo ao 
longo do tempo, tendo como um de seus marcos, a promulgação 
JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS
Ana Santana Santos de Lima
45
da Constituição Federativa do Brasil, no ano de 1988, que 
norteou as políticas educacionais ao estabelecer a educação 
como direito de todos, e sendo dever do Estado. A partir das 
políticas públicas, assegura o acesso e a permanência do aluno 
na escola, garantida em seus artigos 205 a 214 (BRASIL, 1988). 
Segundo Garcia (2008, p. 47):
[...] quando declara que esta é direito de todos e dever do 
estado, é a de educação como reconstrução da experiência 
e um atributo da pessoa humana, tendo, por isso, que ser 
comum, estendida a todos, sendo dever do Estado promovê-la.
Com isso, elevando a educação à categoria de serviço 
público essencial. 
É importante ressaltar que, nesse processo da educação 
brasileira, em suas constituições, houve uma oscilação entre 
centralização e descentralização que, segundo Garcia (2008, 
p. 23), “o legado dos dias atuais é marcado especialmente 
por uma tendência centralizadora”. A Constituição de 1988 
garante que a educação é direito de todos e dever do estado 
e da família, determinando que seja promovida e incentivada 
com a colaboração da sociedade e tendo como objetivo o pleno 
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da 
cidadania e sua qualificação para o trabalho (BRASIL, 1988), 
sendo a constituição de 1988 mais ousada que as anteriores, ao 
elevar a educação a um alto patamar de direito fundamental, 
e um direito social e subjetivo. 
Perpassando ainda antes, pela primeira LDB, Lei n° 
4.024/1961, que se volta para a base curricular de três graus 
de ensino – o primário, o médio, e o superior – criados ainda 
como parte da LDB, o Conselho Federal de Educação (CFE) e 
JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS
Ana Santana Santos de Lima
46
os conselhos estaduais. Antes de se chegar à atual LDB de 96, 
passa-se ainda pelas reformas que se deram em com a Lei da 
Reforma Universitária, Lei n° 5.540/1968, fixando normas de 
organização e funcionamento do ensino superior e articulação 
com ensino médio, e a Lei n°5.692/1971, que fixava as Diretrizes 
e Bases para o ensino de 1º e 2º graus. 
Por fim, com a aprovação da atual LDB, Lei n° 9.394/96 
e dos Parâmetros Curriculares Nacionais, para as instituições 
de ensino, ficou explícito o reconhecimento da importância 
do ensino e da aprendizagem dos valores na educação escolar. 
Quanto ao Conselho Nacional de Educação (CNE), estabeleceu 
as diretrizes curricularespara a educação básica, em 1998, 
com o poder público assumindo seu papel e com a publicação 
dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), que, em 2010, foi 
reformulado pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN). Foi 
nesse cenário da educação, com a Constituição de 1988 até os dias 
atuais, e a atual LDB 9.394/96, que comecei minha vida escolar.
2 Ensino Fundamental
Meu primeiro contato com o ensino foi em casa, por meio de 
minha mãe, que me ensinava a ler, com um livrinho sobre a 
história do nascimento de Jesus e outras historinhas, e também 
com uns livros didáticos que tinha em casa. Isso era muito 
satisfatório, pois toda vez que minha mãe contava as histórias 
para mim, sentia uma vontade grande de entrar em uma escola e 
aprender. Foi então que, aos 6 anos de idade, entrei em uma escola 
na cidade de Natal, em uma escola de ensino particular. Eu havia 
ganhado uma bolsa para estudar nessa escola. Ela ficava uma 
JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS
Ana Santana Santos de Lima
47
rua depois do bairro onde morava. A escola era pequena, mas 
possuía um parquinho no qual adorava brincar, com gangorras, 
escorrega, balanço. Lembro-me que, no fundo da escola, tinha 
uma cerca que dava para os fundos da casa de uma colega, cuja 
mãe, em algumas ocasiões, distribuía algodão doce. 
Essa escola ofertava até o 5° ano do fundamental. No ano 
de 2000, estava acontecendo, na cidade de Dakar, uma reunião 
com 164 países, que assumiram o compromisso de cumprir seis 
metas de Educação Para Todos até o ano de 2015. 
Em meu segundo ano (2001) nessa mesma escola, houve 
uma mudança de local, ficando mais perto de minha residência. 
O espaço diminuiu, pois era em uma casa que pertencia a outra 
pessoa. No cenário da educação, em 2001, foi criado o Plano 
Nacional de Educação (PNE), Lei n° 10.172/2001. A partir da 
vigência dessa lei, os estados, o Distrito Federal, e os municípios 
deveriam, com base no PNE, elaborar planos decenais, apre-
sentar diretrizes e metas para a educação no Brasil (foi durante 
a perspectiva de alcance dessas metas que se deu todo o meu 
ensino fundamental até 2010). 
Estudei nessa escola até o ano de 2003, quando me mudei 
para a cidade de Caicó, onde fui matriculada em uma escola da 
rede municipal. Por falta de histórico da antiga escola na qual 
eu estudava, tive que repetir novamente o 2° ano. Essa escola 
funcionava em três turnos. Eu estudava a tarde, mas o que eu 
queria mesmo era estudar de manhã. O espaço das salas era 
amplo, mas as brincadeiras eram feitas fora da escola (quando 
eram as brincadeiras de correr). Quando se levavam brinquedos, 
os alunos ficavam dentro mesmo. Até onde me recordo, a escola 
não possuía uma biblioteca, o que era uma pena, pois adorava 
ler, desenhar, pintar. Inclusive, a professora entregava desenhos 
para pintar, e o melhor ganhava um kit com caderno de desenho 
JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS
Ana Santana Santos de Lima
48
e coleções. Das atividades comemorativas da escola, logo no 
início, participei do São João apenas no 2° ano do fundamental, 
das demais, procurava ser participativa. 
Havia uma professora que era tão querida que eu não 
queria ir para o ano seguinte só pra ela ensinar novamente. Ela 
sempre prometia que iria acompanhar a turma, mas não acon-
teceu. Um acontecimento marcante daquele ano foi a aprovação 
da Lei n° 10.639, que, nos artigos 26-A; 79-A (vetado); 79-B, acres-
centa que nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, 
oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre 
História e Cultura Afro-brasileira, estudos da História Africana 
e luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro 
na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição 
do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes 
à História do Brasil. No calendário escolar, foi incluído o dia 20 
de novembro como dia nacional da consciência negra. Apesar da 
obrigatoriedade, e ainda de suma importância, na escola em que 
eu estudava, não passavam conteúdos relacionados à história 
africana, só os conteúdos básicos, na data comemorativa.
Em 2004, já no 3° ano do fundamental, passei a ter em 
sala de aula duas professoras. Tinha uma professora que, ao 
final das aulas, colocava toda a turma para cantar o hino, quase 
sempre no intervalo. Havia uma colega que levava uns livros de 
historinhas que, em cada um, contava a história de uma fruta. 
Ao final, trazia uma receita. Era muito engraçado, às vezes 
perdia o intervalo só para ficar lendo isso. 
Enquanto isso, a Lei n° 10.845/2004 garantia progressi-
vamente a inserção dos educandos portadores de deficiência 
nas classes comuns de ensino regular. Desse modo, as escolas 
deveriam se adequar a essas pessoas. Mas nessa escola onde 
eu estudava, ainda não tinha uma boa estrutura para receber 
JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS
Ana Santana Santos de Lima
49
esses alunos, possuía uma rampa para entrada, mas era só, não 
recordo de nada mais para relatar com relação a esse ponto. 
Também não lembro muita coisa do 4° ano, só que aumentou 
o número de professores, e passei a estudar artes, ensino 
religioso, a fazer educação física, que era na praça Dom José 
Delgado, em frente ao Colégio Diocesano Seridoense (CDS). Eram 
bastante proveitosas as aulas em campo. 
Com um olhar mais amplo para a educação, estava sendo 
aprovada, naquele ano de 2005, a Lei n° 11.114/05, que altera 
os artigos 6°, 30, 32, e 87 da Lei n° 9.394/96, com o objetivo de 
tornar obrigatório o início do ensino fundamental aos 6 anos 
de idade. O art. 6º diz: “É dever dos pais ou responsáveis efetuar 
a matrícula dos menores, a partir dos seis anos de idade, no 
ensino fundamental”. Mesmo antes dessa lei, aos 6 anos, eu já 
tinha sido matriculada.
Em 2006, entrei para o 5° ano, mantendo-se o mesmo 
número de professores e matérias também. Não houve tantas 
mudanças em minha história de vida escolar. Nesse ano, foi 
aprovada a Lei n° 11.274/06, que dispõe sobre a duração de 9 
anos para o ensino fundamental. No art. 32, a lei define “O 
ensino fundamental obrigatório, com duração de 9 (nove) 
anos, gratuito na escola pública, iniciando-se aos 6 (seis) anos 
de idade, terá por objetivo a formação básica do cidadão”. 
Com isso, a escola onde eu estudava passou a ofertar o 9° 
ano. No ano de 2007, passei para o 6° ano, quando foi ofertado o 
ensino de Culturas do RN e Inglês. Lembro-me que, nesse ano, 
houve tipo uma amostra sobre um trabalho que a turma fez, 
que era uma maquete do Rio Barra Nova, no município de Caicó. 
Vieram outros alunos do colégio olhar nossos trabalhos. Achei 
bem interessante, inclusive foi a primeira maquete que eu fiz. 
JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS
Ana Santana Santos de Lima
50
Fomos visitar um museu em Caicó, onde havia uns 
brinquedos antigos, umas pontas que serviam como armas, 
um equipamento antigo, não me recordo para que servia. Fui 
para umas amostras apresentadas na Escola Estadual Calpúrnia 
Caldas de Amorim (EECAM), gostei muito de uma sala que era 
enfeitada como se fosse os anos 1980. 
Houve umas três trocas de professores. Foi nesse ano 
que acontecia a regulamentação do Fundo de Manutenção 
e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos 
Profissionais da Educação (Fundeb), pela Lei n° 11.494/07, inves-
tindo na educação infantil, no ensino médio e na educação de 
jovens e adultos, sendo estendido até o ano de 2020. Em 2008, 
a Lei n° 11.684/08 garantia a inclusão do ensino da filosofia 
e a sociologia como disciplinas obrigatórias nos currículos 
do ensino médio, fato esse que se incluiria em minha vida 
escolar mais à frente. Nesse ano, estava cursando o 7° ano, foi 
bastante produtivo principalmente no ensino de arte. No dia 
das mães, foram preparadas telhas para que cada um enfei-
tasse a seu modo, pintei a telha com tinta óleo e depois raspei 
para fazer uma mensagem para minha mãe. Fazia desenho em 
um pedaço de madeira e passava uma tinta por cima,depois 
tirava o excesso e saía o desenho na folha. Para fazer a árvore 
de Natal da escola, nós, alunos, fomos atrás de garrafas pet 
para a confecção. Ficou bastante interessante. Tinha pinturas 
em garrafas de vidro, uma vez houve um sorteio de melhor 
desenho, quem ganhasse levava um kit com caderno, coleção e 
pinceis. Como esse professor ensinava artes e matemática, levou 
a turma para visitar uma exposição de quadros que veio para 
Caicó, e a partir disso, foi indicado que escolhêssemos um dos 
desenhos dos quadros para reproduzir e levar para socializar 
JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS
Ana Santana Santos de Lima
51
em sala de aula. Esses acontecimentos marcaram meu último 
ano nessa escola.
Em 2009, mudei de escola, fui para uma estadual, que 
ficava um pouco mais longe de casa. O ensino era ofertado a 
partir do 6° ano. O espaço era bem amplo. Um fato que marcou 
nessa escola, é que ela possuía uma biblioteca. Eu passei a pegar 
quase todos os dias livros. A escola possuía poucos alunos, tão 
pouco que passou a funcionar somente no turno matutino e não 
desfilava no dia 7 de setembro. A escola possuía uma salinha de 
leitura para qual a professora nos levou somente uma vez, do 
mesmo jeito, na sala de vídeo.
Também no ano de 2009, no cenário da educação, foi 
criado o Sistema de Seleção Unificada (Sisu), desenvolvido pelo 
Ministério da Educação (MEC), que seleciona estudantes para 
instituições Federais e Estaduais de ensino superior. O ano 
de 2010 é o meu último no ensino fundamental. Assim, passei 
a estudar física e química. Depois de um tempo, a escola foi 
fechada, mas já não estudava mais lá. No local, está funcio-
nando atualmente a Universidade do Estado do Rio Grande 
do Norte (UERN). 
Nesse mesmo ano, comecei a fazer o Projovem, criado 
pela Lei n° 11.692/08, que dispõe sobre o Programa Nacional 
de Inclusão de Jovens. Em seu art. 2º define que o Projovem é 
destinado a jovens de 15 (quinze) a 29 (vinte e nove) anos, com o 
objetivo de promover sua reintegração ao processo educacional, 
sua qualificação profissional e seu desenvolvimento humano”. 
Fiquei até 2011 no Projovem.
JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS
Ana Santana Santos de Lima
52
3 Ensino Médio e Ensino Superior
Em 2011, iniciei o ensino médio em uma escola da rede pública 
estadual, passando a estudar espanhol, filosofia e sociologia 
conforme Lei n° 11.684/08. Oferecia os 3 turnos, o espaço era 
bem amplo e arejado, tinha uma biblioteca, sala de vídeo, 
computadores para os alunos, foi onde comecei a fazer simu-
lados e apresentar seminários. A escola era bem tranquila e foi 
o ano em que eu saí do Projovem. 
Em 2012, já no 2° ano, participei de projetos da própria 
escola, oferecidos no contraturno. Comecei fazendo um de 
português, que era maravilhoso. Quem ministrava era a profes-
sora de português, que era também maravilhosa, inclusive, foi 
com ela que aprendi a fazer redação. Todos os seminários eram 
bastante criativos, principalmente os de física, lembro-me de 
ter feito um olho de isopor para mostrar como era LIO, uma 
lente intraocular. Era um seminário sobre lentes. Outro foi 
sobre dilatação volumétrica; outra vez levei duas pilhas, um 
fio e uma lã de aço, como resultado, os fios ligados na pilha 
entravam em atrito com uma lã de aço e ela pegava fogo. Houve 
outras ideias bacanas de meus colegas, como adquirir energia 
através de batatas. 
Em 2013, era o meu último ano no ensino médio. Participei 
de um projeto de espanhol à noite. Era ótimo! A professora 
passava algumas músicas e atividades. Como era o meu último 
ano no ensino médio, participei do meu primeiro Enem, como 
experiência, que foi criado no ano de 1998, e seu resultado serve 
para acesso ao ensino superior em universidades públicas brasi-
leiras, a partir do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). Nesse 
mesmo período, foi aprovada a Lei n° 12.796/13, que torna a 
educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 
JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS
Ana Santana Santos de Lima
53
(dezessete) anos de idade. De fato, é muito importante para 
garantir a educação desde cedo. Nos anos que seguiram, fiquei 
fazendo Enem para ver se passava para o que eu queria. 
Em 2017, fiz o meu 4° Enem. No início do ano, o MEC 
convocou uma consulta pública para opinar sobre a nova 
estrutura do Enem. Com isso, foram modificados os dias, que 
antes eram consecutivos, passou a ser em dois domingos, e a 
redação passou a ser aplicada no primeiro dia de prova. Já em 
2018, fui aprovada e utilizei o Sisu, em sua 9° edição, com base 
na Lei n° 12.711/12, que garante em seu artigo 1°, no mínimo 50% 
de suas vagas para estudantes que cursaram o ensino médio 
em escolas públicas. Entrei na Universidade Federal do Rio 
Grande do Norte (UFRN), Ceres-Caicó, em 2018. Atualmente, 
estou cursando licenciatura em Pedagogia (3º período em 2019). 
4 Conclusão
Percebe-se que, em minha vida escolar, existiram pontos 
marcantes. Alguns deles contrastando com eventos ocorridos 
na história da educação, como a implantação da lei que aumenta 
para 9 anos o ensino fundamental, inserindo o ensino da filo-
sofia e da sociologia, e tantas outras. Além houve a criação pelo 
MEC do Enem e do Sisu, tão importantes para a minha entrada 
na universidade. Isso foi garantido pelo que aconteceu bem 
antes, com a CF de 1988, como um marco da democracia brasi-
leira, ampliando a proteção dos direitos; bem como com a LDB 
de 1996, que em seu artigo art. 2º aponta que a educação é dever 
da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e 
nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno 
JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS
Ana Santana Santos de Lima
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desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício 
da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Solidariedade 
envolve formação de cidadania e o pleno desenvolvimento do 
educando. Tudo isso deve estar ligado à educação. 
JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS
Ana Santana Santos de Lima
55
REFERÊNCIAS
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República 
Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 
[2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
Constituicao/Constituicao.htm. Acesso em: 25 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 11.114, de 16 de maio de 2005. Altera os arts. 
6º , 30, 32 e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, com o 
objetivo de tornar obrigatório o início do ensino fundamental aos 
seis anos de idade. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2005]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-
2006/2005/Lei/L11114.htm. Acesso em: 22 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012. Dispõe sobre o 
ingresso nas universidades federais e nas instituições federais 
de ensino técnico de nível médio e dá outras providências. 
Brasília, DF: Ministério da Educação, [2012]. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/_Ato2011-
2014/2012/Lei/L12711.htm. Acesso em: 26 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as 
diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Ministério 
da Educação, [1996]. Disponível em: http://www.planalto.gov.
br/Ccivil_03/leis/L9394.htm. Acesso em: 20 mar. 2019.
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Nacional de Educação e dá outras providências. Brasília, DF: 
Ministério da Educação, [2001]. Disponível em: http://portal.mec.
gov.br/arquivos/pdf/L10172.pdf. Acesso em: 20 mar. 2019.
JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS
Ana Santana Santos de Lima
56
BRASIL. Lei nº 10.639, de 09 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 
9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e 
bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da 
Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura 
Afro-Brasileira”, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério 
da Educação, [2003]. Disponível em: http://etnicoracial.mec.gov.br/images/pdf/lei_10639_09012003.pdf. Acesso em: 23 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 10.845, de 05 de março de 2004. Atendimento 
Educacional Especializado às Pessoas Portadoras de Deficiência, e 
dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2004]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
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BRASIL. Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007. Regulamenta o 
Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica 
e de Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB. 
Brasília, DF: Ministério da Educação, [2007]. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-
2006/2006/Lei/L11274.htm. Acesso em: 20 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 11.274, de 6 de fevereiro de 2006. Altera a 
redação dos arts. 29, 30, 32 e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro 
de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação 
nacional, dispondo sobre a duração de 9 (nove) anos para o 
ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 
(seis) anos de idade. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2006]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-
2006/2006/Lei/L11274.htm. Acesso em: 22 mar. 2019.
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Ana Santana Santos de Lima
57
BRASIL. Lei nº 12.796, de 04 de abril de 2013. Altera a Lei nº 9.394, 
de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da 
educação nacional, para dispor sobre a formação dos profissionais 
da educação e dar outras providências. Brasília, DF: Ministério 
da Educação, [2013]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/Lei/L12796.htm. Acesso em: 26 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 11.684, de 02 de junho de 2008. Altera o art. 
36 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece 
as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir a 
Filosofia e a Sociologia como disciplinas obrigatórias nos 
currículos do ensino médio. Brasília, DF: Ministério da Educação, 
[2008]. Disponível em: https://presrepublica.jusbrasil.com.br/
legislacao/93696/lei-11684-08. Acesso em: 22 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 11.692, de 10 de junho de 2008. Dispõe sobre o 
Programa Nacional de Inclusão de Jovens - Projovem, instituído 
pela Lei no 11.129, de 30 de junho de 2005; [...]; e dá outras 
providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2008]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-
2010/2008/Lei/L11692.htm. Acesso em: 22 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 4.024, de 20 de dezembro de 1961. Fixa as 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF: Ministério 
da Educação, [1961]. Disponível em: http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/leis/l4024.htm. Acesso em: 16 nov. 2021.
JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS
Ana Santana Santos de Lima
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BRASIL. Lei nº 5.540, de 28 de novembro de 1968. Fixa normas 
de organização e funcionamento do ensino superior e sua 
articulação com a escola média, e dá outras providências. Brasília, 
DF: Ministério da Educação, [1968]. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5540.htm. Acesso em: 16 nov. 2021.
BRASIL. Lei nº 5.692, de 11 de agosto de 1971. Fixa Diretrizes e Bases 
para o ensino de 1° e 2º graus, e dá outras providências. Brasília, 
DF: Ministério da Educação, [1971]. Disponível em: http://www.
planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l5692.htm. Acesso em: 16 nov. 2021.
FRANÇA, L. Plano Nacional de Educação (PNE): Entenda o que é. 
[S. l.]: Somos Par, 2020. Disponível em: https://www.somospar.com.br/
pne-conheca-o-plano-nacional-de-educacao/. Acesso em: 16 nov. 2021.
GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e Educação no 
Brasil (1987/1996). João Pessoa: Ideia: EDUFRN, 2009.
MARCHELLI, Paulo Sergio. Da LDB 4.024 ao Debate Contemporâneo 
Sobre as Bases Curriculares Nacionais. Revista e-Curriculum, 
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avaliacao-da-educacao-superior/97-conhecaomec-1447013193/
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QUERO BOLSA. Como Surgiram: Enem, Sisu, Prouni e Fies. [S. l.]: 
Revista QB, 2019. Disponível em: https://querobolsa.com.br/revista/
como-surgiu-enem-sisu-prouni-e-fies. Acesso em: 27 mar. 2019.
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JORNADA ESCOLAR: UM PERCURSO DE APRENDIZAGENS
Ana Santana Santos de Lima
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR 
UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU
Bárbara Gomes Medeiros Bezerra1
RESUMO
No presente texto, narro a linha do tempo da minha trajetória 
escolar iniciada em 2003 até os dias atuais. Cito algumas leis que 
têm relação com a educação, entre elas, a Constituição Federal 
de 1988, a Lei n° 10.172/01 e a LDB n° 9.394/96, mencionando 
suas especificidades. A abordagem metodológica se assenta na 
pesquisa documental, iconográfica e bibliográfica. Meu primeiro 
contato com a instituição escolar aconteceu aos 5 anos de idade, 
na Escola Municipal João Honorato de Medeiros, zona rural de 
Serra Negra do Norte, onde concluí a 1° e 2° série. Em 2005, 
fui matriculada na Escola Municipal Cirilo Alves de Azevedo, 
também na zona rural, concluindo a 3° série. No ano seguinte, 
ainda na zona rural, fui para a Escola Municipal Manoel Mariz 
onde concluí a 4° e 5 ° série. Em 2008, fui matriculada na Escola 
Municipal Arthéphio Bezerra da Cunha, zona urbana de Serra 
Negra do Norte, permaneci nela até 2011, concluindo, assim, 
todo o ensino fundamental. No ano posterior, fui estudar na 
1 Email: barbaragomesmedeiros@gmail.com
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU
Bárbara Gomes Medeiros Bezerra
61
Escola Estadual Leomar Batista de Araújo, ainda no mesmo 
município. Em 2013, mudei de cidade, fui matriculada na Escola 
Estadual Professor Felipe Bittencourt, zona urbana de Parelhas, 
onde concluí o ensino médio. Em 2014, 2015 e 2017, fiz exame do 
Enem. Mas somente com a nota do Enem 2017 concorri a uma 
vaga no curso de Pedagogia CERES/UFRN no Campus de Caicó, 
onde estou até o presente momento conquistando novos conhe-
cimentos a partir da disciplina História da Educação Brasileira.
Palavras-Chave: trajetória escolar; história de vida; história 
da educação.
1 INTRODUÇÃO
No leque dos direitos essenciais, encontra-se o direito à 
educação, amparado pela constituição da República Federativa 
do Brasil, aprovada pela Assembleia Nacional Constituinte, 
em 22 de setembro de 1988, e promulgada em 5 de outubro de 
1988. A Constituição é a lei máxima e obrigatória para todos 
os cidadãos brasileiros, que serve de garantia de seus direitos 
e deveres. Ela fixa o direito à educação como um direito social 
em seu art. 6° e no art. 205 fala que todos devem incentivar, 
promover e colaborar para a consumação desse direito.
art. 205 A educação, direito de todos e dever do Estado e da 
família, será promovida e incentivada com a colaboração da 
sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu 
preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para 
o trabalho (BRASIL, 1988, p.136).
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU
Bárbara Gomes Medeiros Bezerra
62
Todos sabem que, em nosso país, há tempos, observam-se 
as tentativas do Estado de se esquivar das suas competências 
relacionadas à educação. A história nos mostra que uma dessas 
tentativas foi a municipalização do ensino no Brasil. Segundo 
Santos Filho (1992 apud Garcia, 2008, p. 68-67), “alguns juristas 
entendem que os municípios só podem ter redes de ensino e 
não sistemas no mesmo status dos Estados e da União”. Dessa 
maneira, foi enraizada no Brasil a municipalização do ensino 
que compreende até hoje a responsabilidade dos municípios 
pela educação infantil e pelo ensino fundamental. A emenda 
Constitucional n° 14 de 1996 altera o art. 211 da CF/88 e acrescenta 
a garantia dos repasses também aos municípios para financiara 
educação, conforme alteração a seguir no § 1º do art. 211.
§ 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos 
Territórios, financiará as instituições de ensino públicas 
federais e exercerá, em matéria educacional, função redis-
tributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de 
oportunidades educacionais e padrão mínimo de qualidade do 
ensino mediante assistência técnica e financeira aos Estados, 
ao Distrito Federal e aos Municípios (BRASIL, 1988, p. 3).
Levando-se em consideração esses aspectos, a educação 
brasileira necessitava de um norteamento mais específico para 
a organização dos sistemas de ensino. Diante disso e dos princí-
pios presentes na Constituição Federal de 1988, foi criada a Lei 
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que define e 
regulariza a Educação Brasileira. Dentre as Leis de diretrizes 
e bases criadas ao longo da história, quero destacar a de N° 
9.394, aprovada em 20 de dezembro de 1996, que trata sobre os 
variados temas da educação nacional desde o ensino infantil até 
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU
Bárbara Gomes Medeiros Bezerra
63
o ensino superior e acompanha meu percurso de escolarização 
até os dias atuais.
Em 1997, foi o ano em que eu nasci. Nesse mesmo ano, 
foi aprovado, em 26 de fevereiro, o Parecer CNE/CEB n° 1/1997, 
que dava orientações preliminares da Câmara de Educação 
Básica sobre a Lei n°9.394/96. No ano seguinte, o Ministério 
da Educação e Cultura (MEC) cria o Exame Nacional do Ensino 
Médio (Enem) pela Portaria n° 438, de 28 de maio de 1998. 
Atualmente, o Enem é um instrumento de avaliação do ensino 
médio e seu resultado serve para o ingresso no ensino superior 
em Universidades Públicas Brasileiras. Em 2001, a Lei n° 10.172 
aprova o Plano Nacional de Educação (PNE), válido por dez anos, 
que traça metas a ser alcançadas.
2 MEU TRAJETO ESCOLAR
Ao examinar meu histórico escolar, descobri que, na minha 
época, a educação básica era organizada em ciclos, conforme 
a Lei n° 9.394/96, em seu art. 23, que dá permissão para essa 
forma de organização.
Art. 23 A educação básica poderá organizar-se em séries 
anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular 
de períodos de estudos, grupos não seriados, com base na 
idade, na competência e em outros critérios, ou por forma 
diversa de organização, sempre que o interesse do processo 
de aprendizagem assim o recomendar (BRASIL, 1996, p. 17).
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU
Bárbara Gomes Medeiros Bezerra
64
2.1 PRIMEIRO CICLO
Em 2003, aos 5 anos de idade, tive meu primeiro contato com 
a instituição escolar. Nesse ano, minha mãe me matriculou na 
1° série do 1° ciclo, pois eu já sabia ler porque ela me ensinava 
em casa, já que na zona rural em que morávamos não tinha 
educação infantil. Então, iniciei minha trajetória escolar na 
Escola Municipal João Honorato de Medeiros, localizada no sítio 
Barra do Câimbra, Serra Negra do Norte-RN. 
Essa escola era denominada na comunidade como Grupo 
Escolar. Sua estrutura era básica, tinha apenas um banheiro, uma 
cozinha pequena e uma única sala grande onde uma única profes-
sora dava aula para cinco séries diferentes. O art. 28 da LDB n° 
9.394/96 permite que sejam feitas as adequações necessárias para 
a educação básica rural. Apesar de a Lei n° 10.709/03 acrescentar 
à LDB n° 9.394/96 a garantia aos transportes escolares gratuitos, 
isso não quer dizer que sempre foi cumprida, pois eu morava em 
outro sítio chamado Umburana e o meu transporte escolar era 
a bicicleta da minha mãe. Concluí a 1° e 2° série (Atualmente 1° e 
2° ano) nessa escola e depois ela foi fechada.
Em consequência disso, em 2005, eu tive que mudar de 
escola. Fui para a Escola Municipal Cirilo Alves de Azevedo, loca-
lizada no mesmo município, dessa vez, no sítio Barro Vermelho. A 
estrutura da escola era composta por um banheiro, uma cozinha 
pequena e duas salas de aula multisseriadas, assim como a escola 
anterior. A primeira sala acomodava a 1ª, 2ª e 3ª séries; e a outra 
sala, 4ª e 5ª. A partir desse ano, foi disponibilizado transporte 
escolar para levar os alunos de um sítio para o outro. Lembro-me 
que sentar na ponta do banco do pau-de-arara, uma D-20 de cor 
azul escura, coberta com uma lona laranja e com três grandes 
bancos de madeira, era a nossa aventura.
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Bárbara Gomes Medeiros Bezerra
65
 Outro fato de que me recordo é que os quadros nessa 
escola eram de cimento queimado na parede e já estavam tão 
velhos que ficava difícil de enxergar as coisas escritas de giz. 
Em meio a uma visita do prefeito da época, Rogério Mariz, as 
professoras nos fizeram pedir a ele quadros novos. Assim, a 
escola ganhou dois quadros verdes enormes. Nesse mesmo ano, 
concluí a 3ª série (atualmente 3° ano) assim como o 1°ciclo. Essa 
escola, como a outra, foi fechada por motivos que eu desco-
nheço. Ainda nesse ano a Lei n° 11.114/05 é publicada no Diário 
Oficial da União, alterando os Artigos 6°, 30, 32 e 87 da Lei n° 
9.394/96 com a finalidade de tornar obrigatório o início do 
ensino fundamental aos 6 anos de idade.
2.2 SEGUNDO CICLO
Em razão de a escola anterior também ter sido fechada, fui para 
a Escola Municipal Manoel Mariz, no ano de 2006, localizada na 
Fazenda Solidão, Serra Negra do Norte-RN. Essa escola ainda 
funciona até os dias atuais e a estrutura é um pouco maior que 
as anteriores. Ela é composta por uma cozinha grande, dois 
banheiros, um pátio e três salas. Na minha época, a primeira 
sala acomodava 1ª e 2ª série, a segunda sala 3ª e 4ª série e a 
terceira sala 5ª série e o fundo dela era usado como uma minibi-
blioteca. Algo que recordo de lá são as grandes festas de São João 
organizadas pelos professores que envolvia toda a comunidade.
Nesse mesmo ano, a Lei n° 11.274/06 também alterou as 
redações dos artigos 29, 30, 32 e 87, de 20 de dezembro de 1996. 
Ela estabeleceu a duração do ensino fundamental obrigatório 
de 9 anos. Em 2007, concluí a 5ª série e também o 2° ciclo. 
Nesse mesmo ano, é aprovado o Parecer CNE/CEB n° 2/07, em 
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU
Bárbara Gomes Medeiros Bezerra
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31/01/2007, que trata da abrangência das Diretrizes Curriculares 
Nacionais para o Ensino das Relações Étnico-Raciais e o ensino 
de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.
2.3 ENSINO FUNDAMENTAL II
Em 2008, minha família mudou-se da zona rural para a zona 
urbana da cidade de Serra Negra do Norte. Então, eu fui 
matriculada na Escola Municipal Arthephio Bezerra da Cunha, 
localizada na Rua Ananias Monteiro Mariz, 321, centro de Serra 
Negra do Norte-RN. Diferentemente das outras escolas por que 
passei, essa possui uma estrutura enorme, com inúmeras salas, 
vários banheiros, uma cozinha grande, uma biblioteca, uma sala 
de professores, a sala da gestão, uma sala de informática, uma 
sala de vídeo, uma sala de jogos, um pátio grande, uma quadra 
de esportes, entre outros espaços.
Nessa escola, eu tinha aula de português, matemática, 
ciências, artes, informática, ensino religioso, língua inglesa, 
cultura do RN, história, geografia e educação física. Um fato 
que recordo é que ganhei minha primeira medalha nessa escola 
por mérito de melhor redação. Ainda em 2008, a Lei n° 11.684, 
de 2 de junho, incluiu ao art. 36 da LDB n° 9.394/96, a obriga-
toriedade das disciplinas filosofia e sociologia nos currículos 
do ensino médio. No ano seguinte, a Resolução CNE/CEB n° 1, 
de 15 de maio de 2009, dispõe sobre essa implementação. No 
ano posterior, o Projeto de Lei n° 8.035/2010 tratou do Plano 
Nacional de Educação (PNE) para os anos de 2011-2020. Em 2011, 
concluí nessa escola o ensino fundamental II. 
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU
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67
2.4 ENSINO MÉDIO E ENEM
No ano de 2012, iniciei meu ensino médio na Escola Estadual 
Leomar Batista de Araújo, localizada na Rua Coronel Clementino,centro de Serra Negra do Norte-RN. Durante todo esse ano, foi 
iniciada uma grande reforma nela, que até hoje aparenta não ter 
sido terminada, mas, por dentro, ela tem uma estrutura muito 
boa, com várias salas espaçosas, tanto no andar térreo como no 
primeiro. Além disso, tem sala de vídeo, laboratório de química, 
vários banheiros, uma cozinha enorme, um grande pátio, uma 
quadra de esportes, sala de professores, sala de gestão, sala da 
secretaria, entre outros espaços.
Estudei a 1ª série do Ensino Médio no turno noturno 
porque eu trabalhava durante o dia numa fábrica de boné. Essa 
escola oferecia três turnos diferentes, conforme a permissão da 
Matriz Curricular. Nela, tive praticamente as mesmas matérias 
da escola anterior, só mudando que passei a ter aula de filosofia 
e sociologia, conforme o Decreto n° 11.684, de 2 de junho, e 
também aula da disciplina língua espanhola, biologia, física 
e química. O art. 36, da Lei n° 9.394/96, dá orientações sobre a 
organização do currículo para o ensino médio.
Art. 36 O currículo do ensino médio será composto pela Base 
Nacional Comum Curricular e por itinerários formativos, que 
deverão ser organizados por meio da oferta de diferentes arranjos 
curriculares, conforme a relevância para o contexto local e a 
possibilidade dos sistemas de ensino. (BRASIL, 1996, p. 26).
Concluí a 1ª série do ensino médio em 2012. Em 2013, 
mudei de cidade e meu pai me matriculou na Escola Estadual 
Professor Felipe Bittencourt, localizada na Rua Padre Bento, 
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563 – Dinarte Mariz, Parelhas-RN. Essa escola é bem menor em 
relação à anterior. Sua estrutura é composta por oito salas de 
aula, uma sala de informática, uma biblioteca, uma cozinha, dois 
banheiros, um pátio, uma sala de professores, uma minúscula 
sala da gestão e uma pequena sala onde funciona a secretaria. 
Lembro-me que todo bimestre os alunos que tivessem tirado 
as melhores notas eram premiados com medalhas de ouro, de 
prata e de bronze e eu ganhei várias delas.
Algo de que eu gostava muito é que nessa escola os 
professores sempre nos levavam para aulas de campo. Em uma 
dessas viagens, nós fomos para uma palestra no Centro de Ensino 
Superior do Seridó, CERES– Caicó, com um professor do curso de 
história e aproveitamos para fazer um passeio pela Universidade 
a fim de conhecermos o Campus. Eu fiquei fascinada olhando 
todas aquelas placas nas paredes, tentando identificar alguns 
dos meus professores. Ainda em 2013, a Lei n° 12.796, de 4 de abril 
de 2013, altera a Lei n° 9.394/96 e dispõe sobre a formação dos 
profissionais da educação e dá outras providências.
 Em 2014, terminei o ensino médio nessa escola e fui a aluna 
laureada da turma. Nesse mesmo ano, a Lei n° 13.005, de 25 de 
junho de 2014, aprovou o Plano Nacional de Educação (PNE), com 
20 metas a ser cumpridas e dá outras providências. No fim de 
2014, fiz meu primeiro Enem, que me serviu de experiência para 
os próximos. No ano seguinte, fiz novamente, mas tirei nota baixa. 
Por isso, estudei bastante em casa e me inscrevi no Enem 2016, mas, 
no dia da prova, meu avô paterno faleceu, e eu tive que ir para Serra 
Negra do Norte. Portanto, não fiz as provas. Continuei estudando 
e fiz o Enem 2017, no qual tirei uma nota significante e escolhi 
Pedagogia no Ceres – Caicó como minha primeira opção de curso. 
Eu sempre quis ser professora, mas o interesse por 
Pedagogia surgiu através do contato com o Grupo de Apoio as 
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Mães Especiais (Game) e com a Equoterapia Parelhas, ambos 
presididos por minha amiga Pércia Carla. É importante 
mencionar que, em 2017, o MEC convocou uma consulta pública 
no início do ano para que a população pudesse opinar sobre 
a estrutura do Exame Nacional do Ensino Médio. Com essas 
informações, ainda em 2017, foram modificados os dias das 
provas. Antes eram em dois dias seguidos e passou a ser em 
dois domingos com uma semana de diferença.
2.5 ENSINO SUPERIOR
Com a nota do Enem 2017, concorri a uma vaga no curso de 
Pedagogia Licenciatura presencial, na Universidade Federal do 
Rio Grande do Norte – Ceres, localizada na Rua Joaquim Gregório, 
Penedo – Caicó e assim ingressei no Ensino Superior em 2018.1. 
Eu considero que esse Campus tem uma estrutura muito boa, 
com muitas salas de aulas, salas de professores, salas de depar-
tamento, laboratório, salas de coordenação, da secretaria, da 
gestão, biblioteca, cantina, sala de convivência dos alunos, de 
jogos, da loca-info, auditórios, anfiteatro, sala de apoio pedagó-
gico, sala de vídeo conferência, banheiros, entre outros espaços. 
Quando ia para o bairro Boa Passagem, eu ficava na 
casa da minha tia Maria Celiana Gomes, ex-aluna do curso 
de Pedagogia da UFRN, que me dava todo apoio, pois eu não 
tinha condições de pagar o ônibus de Parelhas para Caicó e ele 
não é disponibilizado gratuitamente como em outras cidades. 
Desse modo, eu só ia para minha casa em Parelhas aos finais 
de semana. Durante a semana, pegava carona no ônibus da 
Prefeitura de Caicó que leva os alunos de Lajinhas para as 
escolas de Caicó e para o Ceres e passava pela Boa Passagem. 
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU
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Na volta, às vezes, eu pegava carona com o ônibus de São José. 
Quando não tinha, eu voltava a pé mesmo, caminhando cerca 
de 50 minutos até Boa Passagem. 
Logo no primeiro período, eu participei do Instituto 
Euvaldo Lodi (IEL), na cidade de Caicó-RN, como auxiliar na 
Creche Municipal Gente Feliz localizada no Bairro Recreio, 
permaneci lá durante todo o ano de 2018 e adquiri muitos 
conhecimentos práticos a partir da experiência que tive lá. 
Devo isso, em especial, a Joalse Brito, professora que me acom-
panhava em sala e me dava orientações sobre o exercício da 
profissão de Pedagoga. 
O IEL foi criado em 29 de janeiro de 1969, pela Confederação 
Nacional da Indústria, e inicialmente tinha apenas o objetivo de 
aproximar os estudantes, por meio de estágios supervisionados, 
nas linhas de montagem. Atualmente, tem o objetivo de desen-
volver as competências dos alunos em qualquer área.
Atualmente estou no terceiro período e este ano estou 
conseguindo pagar o ônibus. Então, vou e volto todos os dias 
de Caicó para Parelhas. Participo de dois Projetos de Extensão: 
o Projeto Pensar: Desafios e Possibilidades da Filosofia com 
Crianças e o Projeto Do Olhar à Ação: uma proposta de formação 
docente para a efetivação da inclusão escolar. Além disso, faço 
parte do Grupo de Pesquisa Cognição, Aprendizagem e Inclusão, 
todos de forma voluntária. A Lei n° 9.394/96 em seu art. 52 fala 
que esses projetos são importantes para a nossa formação e 
para a construção do nosso conhecimento.
Art. 52 As universidades são instituições pluridisciplinares 
de formação dos quadros profissionais de nível superior, de 
pesquisa, de extensão e de domínio e cultivo do saber humano 
(BRASIL, 1996, p. 37).
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU
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3 CONCLUSÃO
Dado o exposto, pode-se notar que meu percurso de esco-
larização ainda está longe de terminar. Digo isso não só por 
causa do tempo de curso que resta da graduação, mas porque 
não pretendo parar por aqui, quero ir além e estou disposta a 
enfrentar todas as dificuldades para chegar ao meu destino 
final. Considero importante mencionar que este trabalho só foi 
possível graças às discussões dos fundamentos citados acima, 
no Componente Curricular História da Educação Brasileira, 
ministrado pela Professora Doutora Tânia Cristina Meira Garcia, 
que não mede esforços para que seus alunos compreendam a 
História da Educação e seus desdobramentos até os dias atuais.
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU
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REFERÊNCIAS
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Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da 
República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
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diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Ministério 
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gov.br/Ccivil_03/leis/L9394.htm. Acesso em: 20 mar. 2019.
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Plano Nacional de Educação e dá outras providências. Brasília, 
DF: Ministério da Educação, [2001]. Disponível em: http://
portal.mec.gov.br/setec/arquivos/pdf_legislacao/tecnico/
legisla_tecnico_lei10172.pdf. Acesso em 18 mar. 2019.
BRASIL. Projeto de Lei nº 8.035/2010. Aprova o Plano 
Nacional de Educação para o decênio 2011-2020 e dá outras 
providências. Brasília, DF: Poder Executivo, [2010]. Disponível 
em: http://portal.mec.gov.br/component/tags/tag/35115-
projeto-de-lei-n-8-035-2010. Acesso em: 23 mar. 2019.
BRASIL. Resolução nº 1, de 15 de maio de 2009. Dispõe sobre 
a implementação da Filosofia e da Sociologia no currículo do 
Ensino Médio, a partir da edição da Lei nº 11.684/2008, que 
alterou a Lei nº 9.394/1996, de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional (LDB). Brasília, DF: Ministério da Educação, [2007]. 
Disponível em: http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/
resolucao_cne_ceb001_2009.pdf. Acesso em: 23 mar. 2019.
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BRASIL. Lei nº 11.274, de 6 de fevereiro de 2006. Altera a 
redação dos arts. 29, 30, 32 e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro 
de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação 
nacional, dispondo sobre a duração de 9 (nove) anos para o 
ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 
(seis) anos de idade. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2006]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-
2006/2006/Lei/L11274.htm. Acesso em 20 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 10.709, de 31 de julho de 2003. Acrescenta 
incisos aos arts. 10 e 11 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 
1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional 
e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, 
[2003] Brasília. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/LEIS/2003/L10.709.htm. Acesso em 18 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 11.114, de 16 de maio de 2005. Altera os arts. 
6º , 30, 32 e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, com o 
objetivo de tornar obrigatório o início do ensino fundamental aos 
seis anos de idade. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2005]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-
2006/2005/Lei/L11114.htm. Acesso em 20 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 12.796, de 04 de abril de 2013. Altera a Lei nº 9.394, 
de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da 
educação nacional, para dispor sobre a formação dos profissionais 
da educação e dar outras providências. Brasília, DF: Ministério da 
Educação, [2013]. Disponível em: www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
Ato2011-2014/2013/Lei/L12796.htm. Acesso em: 24 mar. 2019.
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU
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BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o 
Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras providências. 
Brasília, DF: Ministério da Educação, [2014]. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-
2014/2014/Lei/L13005.htm. Acesso em: 24 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 11.684, de 2 de junho de 2008. Altera o art. 36 
da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as 
diretrizes e bases da educação nacional, para incluir a Filosofia 
e a Sociologia como disciplinas obrigatórias nos currículos 
do ensino médio. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2014]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
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BRASIL. Portaria MEC nº 438, de 28 de maio de 1998. Institui o 
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Preliminares da Câmara de Educação Básica sobre Lei 
n° 9.394/96. Brasília, DF: Ministério da Educação, [1997]. 
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BRASIL. Parecer CNE/CEB nº 2/2007. Parecer quanto à 
abrangência das Diretrizes Curriculares Nacionais para a 
Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História 
e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília, DF: Ministério 
da Educação, [2007]. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/
cne/arquivos/pdf/pceb002_07.pdf. Acesso em 20 mar. 2019.
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR: UMA HISTÓRIA QUE AINDA NÃO TERMINOU
Bárbara Gomes Medeiros Bezerra
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avaliar possíveis mudanças. [S. l.]: Brasil Escola, 2017. 
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ANEXOS
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Figura 1 - Escola Municipal João Honorato de Medeiros - 2019
Figura 2 - Escola Municipal Manoel Mariz - 2018
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Figura 3 - Escola Municipal Arthephio Bezerra da Cunha - 2019
Figura 4- Escola Leomar Batista de Araújo - 2017
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Figura 5- Escola Estadual Professor Felipe Bittencourt - 2019
Figura 6- UFRN/CERES - CAICÓ - 2019
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Figura 7- Pronta para o são João da Escola Municipal Manoel Mariz - 2007
Figura 8- Minha turma de Pedagogia na UFRN em 2018.1
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TRAJETÓRIA EDUCACIONAL 
LEMBRANÇAS 
Barbara Tamires dos Santos1
RESUMO
O presente artigo tem como objetivo estabelecer uma breve 
retrospectiva do meu percurso estudantil, compreendendo os 
períodos de ensino por meio de algumas questões que fazem 
parte da minha memória pessoal e de formação humana cidadã, 
amparada por leis governamentais brasileiras, descrevo os 
programas educacionais de mais relevância ao meu ensino--aprendizagem. É de grande importância este estudo, visto 
que se faz necessário, sempre que possível, confrontar nossa 
história à luz do desenvolvimento educacional estabelecido no 
Brasil. Este texto reflete sobre algumas mudanças na História da 
Educação até os dias atuais, enfatizando a estrutura e a organi-
zação educacional de cada fase. Descreve como a educação agiu 
e como amadureceram minhas concepções em meio ao sistema 
vigente, analisando como a incorporei e a transformei ao longo 
desses períodos particulares. Para tanto, contei com orienta-
ções, leitura de autores como: Garcia (2009), bem como estudos e 
pesquisas a relevantes programas e leis, como: Lei de Diretrizes 
de Bases da Educação Nacional nº 9.394/96, Parecer do CEE RN 
1 Email: barbara.bb12@hotmail.com
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
Barbara Tamires dos Santos
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n° 041/97, Educação Básica e de Valorização dos Profissionais 
da Educação, Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, 
Piso Salarial Nacional do Magistério, Programa Institucional de 
Bolsas de Iniciação à Docência. Concluo mostrando que muito já 
foi feito e muito mais tem que ser feito pela educação brasileira, 
uma vez que visa à formação cidadã ativa, que muito contribuiu 
para meu desenvolvimento escolar e social.
Palavras-Chave: percurso estudantil; Brasil; história da educação. 
1 INTRODUÇÃO
O que está sintetizado nestas páginas são muito mais que simples 
relatos pessoais, é a descrição da minha formação humana e 
cidadã por meio de acontecimentos individuais escolares, com 
fundamentação em eventos da construção social, política e 
educacional brasileira. Reconhecendo a consistência das polí-
ticas públicas voltadas para a educação, bem como descrevendo 
as iniciativas governamentais de maior relevância em minha 
formação educacional, como: Lei de Diretrizes de Bases da 
Educação Nacional – LDB nº 9.394/96, Parecer do CEE RN n° 041/97, 
Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e 
de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), Índice 
de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), Piso Salarial 
Nacional do Magistério, Programa Institucional de Bolsas de 
Iniciação Científica (Pibic), Ensino Médio, Exame Nacional do 
Ensino Médio (Enem), criação do Programa Nacional de Acesso ao 
Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), Ensino Médio Modalidade 
Subsequente e graduação em Pedagogia. 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
Barbara Tamires dos Santos
88
Os relatos que formam este artigo foram vivenciados 
no cenário da Rede Municipal e Estadual de ensino do muni-
cípio de Caicó, no Rio Grande do Norte, que tem entre suas 
características o fato de ter um ensino pautado no respeito às 
diversidades culturais, regionais, étnicas, religiosas e políticas. 
Considero que estudos que se dediquem a examinar, relembrar 
e comparar essa realidade, seus desafios, protagonismos e 
mudanças, podem colaborar tanto para uma futura formação 
acadêmica na área da licenciatura, que tem o desafio de criar 
vínculos com o ambiente escolar, quanto para subsidiar os 
debates (formais e informais) e reflexões sobre a educação 
brasileira. A metodologia de pesquisa escolhida como mais 
adequada foi a qualitativa, alicerçada na análise relacional a 
partir dos assuntos tratados no livro Estado e Educação no Brasil 
(1987-1996), da autora Tânia Cristina Meira Garcia, em conjunto 
com artigos que tratam da temática abordada neste trabalho. 
O estudo abrangeu em seus procedimentos metodológicos: 
entrevistas com gestão escolar de duas escolas específicas, 
análise de documentos dessas instituições, de históricos, 
diplomas, certificados e fotos de todos os níveis de educação 
que possuo, além da realização de pesquisas nas legislações, nos 
portais e em sites educacionais brasileiros sobre os contextos e 
peculiaridades das épocas estudadas por mim. 
Inicio este artigo apresentando a minha educação básica 
inicial, com relatos do currículo escolar. Em seguida, descrevo 
todo o meu percurso gradual no ensino fundamental e médio 
em escolas estaduais até a graduação, trago fatos pessoais e 
históricos ocorridos durante o tempo em que estive matriculada 
em instituições de ensino. Apresento, por fim, as relevâncias que 
a educação escolar e as suas práticas curriculares assumiram 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
Barbara Tamires dos Santos
89
na minha formação humana, educacional e social, bem como 
sua importância no contexto brasileiro. 
2 ENSINO FUNDAMENTAL: 
INÍCIO DE UMA VIDA ESTUDANTIL
No ano de 2001, cheguei a Caicó/RN, proveniente da cidade 
de Tatuapé, no Estado de São Paulo, para morar com minha 
avó materna. Ela dedicou sua melhor idade aos meus cuidados 
e educação. Nesse mesmo ano, foi instituído o Fundo de 
Financiamento Estudantil (Fies) pela Lei nº 10.260, de 12 de julho 
de 2001. Esse programa do Ministério da Educação (MEC) tem 
como objetivo conceder financiamento a estudantes em cursos 
superiores não gratuitos, com avaliação positiva nos processos 
conduzidos por esse Ministério e ofertados por instituições de 
educação superior não gratuitas aderentes ao programa. Temos, 
assim, uma forma diferente de prestação do serviço público, ou 
de utilidade pública, que pode ser considerado desconcentrado, 
uma vez que “[...] serviço desconcentrado é todo aquele que a 
administração executa centralizadamente, mas distribui entre 
vários órgãos da mesma entidade, para facilitar sua realização 
e obtenção pelos usuários” (GARCIA, 2009, p. 19).
Sob o pressuposto de que cabe ao Estado a garantia do 
direito à educação de qualidade, estabelecido na Constituição 
Brasileira de 1988, na Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional (LDB/1996) e no Plano Nacional de Educação (PNE 
2001-2010), considerado direito social, iniciei, no ano de 2002, 
uma vida estudantil regular na turma de 1º Série da Escola 
Municipal Professor Mateus Viana. Segundo relatos orais da 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
Barbara Tamires dos Santos
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minha avó, na véspera do meu primeiro dia de aula, coloquei 
todo o meu fardamento em um tamborete (termo nordestino 
que se refere a um assento) próximo a minha rede de dormir 
e acordei várias vezes durante a madrugada por ansiedade em 
começar a estudar, ações e sentimentos esses que de alguma 
forma persistem até hoje. 
Figura 1: Escola Municipal Professor Mateus Viana
Fonte: acervo pessoal.
Esse início educacional é considerado como primeira 
etapa da Educação Básica, vigente na Lei de Diretrizes de 
Bases da Educação Nacional (LDB) nº 9.394/96, sancionada pelo 
presidente Fernando Henrique Cardoso e pelo ministro da 
educação Paulo Renato, em 20 de dezembro de 1996. O ensino 
passa a ser ofertado por meio de ciclos, objetivando reverter o 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
Barbara Tamires dos Santos
91
fracasso escolar nas séries iniciais de ensino e continuidade no 
seu processo de aprendizagem do aluno, elaborada no ano de 
1988 pela Secretaria Municipal de Educação (SME), nomeado 
como “Regulamento do Ciclo Básico”, com o intuito de iniciar 
sua aplicação em apenas dez escolas da rede de forma gradativa, 
prevista para 1999, como deixa claro em seu art. 21. No entanto, 
houve uma modificação na orientação e, no ano de previsão, 
o Ciclo Básico foi implantado em toda a rede municipal de 
educação. Assim, segundo um dos seus artigos: 
Art. 23: A educação básica poderá organizar-se em séries anuais, 
períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de 
estudos, grupos não seriados, com base na idade, na competência 
e em outros critérios, ou por forma diversa de aprendizagem 
assim o recomendar (BRASIL, 1996, não paginado).
Nessa proposta, esse Ciclo Básico se estrutura da seguinte 
forma: o 1º Ciclo (1ª e 2ª séries) seria o “Ciclo de Alfabetização”, 
com duração de três anos; e o 2º Ciclo (3ª e 4ª séries) é conside-
rado o “Ciclo de Sistematização”, com duração de dois anos, 
norteados e regulamentados pelos princípios de que a educação 
é um direito social e todosos seres humanos são capazes de 
aprender. Correspondendo ao que a Constituição de 1988 
contempla na Carta Constitucional: a igualdade de condições 
para o acesso e a permanência na escola.
Nessa instituição de ensino, tive professoras concursadas 
pelo município em virtude das suas graduações em pedagogia, 
atendendo ao Parecer CNE/CP 9 – Diretrizes Curriculares 
Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica. 
Ambas apresentavam um arcabouço teórico e humano digno de 
respeito e admiração, tratando-me com maior respeito, afeto e 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
Barbara Tamires dos Santos
92
cuidado, viabilizando, assim, a continuidade da minha matrí-
cula no ano seguinte (2003) na 2º Série do Ensino Fundamental, 
já com 7 anos de idade. Nesse ano, foram incluídos na LDB/96 os 
artigos 10 e 11, pela Lei nº 10.709 de 31.07.2003, determinando 
que os estados e municípios se encarregassem de assumir o 
transporte escolar dos alunos das suas respectivas redes de 
ensino, complementando a organização da educação nacional. 
Nessa série, fui reprovada e precisaria cursá-la novamente no 
ano seguinte.
 Após essa reprovação, visto que a Escola Municipal 
Professor Mateus Viana tinha poucas condições estruturais e 
de ensino, foi decidido por mim e minha família matricular-me 
em outra instituição, que oferecesse melhores condições físicas 
e um ensino fundamental com mais qualidade do que o ofertado 
pelo município naquele momento. Assim, cessariam todas as 
dificuldades de aprendizagem que não consegui superar na 
rede municipal de ensino, como o desenvolvimento adequado 
da leitura e da escrita.
2.1 MUDANÇA DE ESCOLA: 
“DESABROCHAMENTO PARA A LEITURA E ESCRITA”
Concluí, finalmente, o 1º Ciclo – Ciclo de Alfabetização já na 
Escola Estadual Monsenhor Walfredo Gurgel, também na cidade 
de Caicó/RN, considerado o 3º ano do ensino fundamental 
(antiga 2a Série). 
Nesse mesmo ano, 2004, foi instituído o Programa 
Nacional de Transporte Escolar (PNATE), uma iniciativa de 
transferência automática de recursos aos estados, Distrito 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
Barbara Tamires dos Santos
93
Federal e municípios para custear despesas com reforma, 
seguro, licenciamento, impostos, manutenção e pagamento de 
serviços contratados com terceiros, para garantir segurança e 
qualidade ao transporte dos estudantes, apoiado pelo Ministério 
da Educação por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento 
da Educação (FNDE), garantindo o transporte escolar para 
alunos da educação básica que residem na zona rural. Foi 
criado também, para enfrentar o desafio da alfabetização de 
adultos, o Programa Brasil Alfabetizado (PBA) por meio da Lei 
nº 10.880/2004, com o objetivo de contribuir para a superação 
do analfabetismo e promover a progressiva continuidade dos 
estudos de jovens e adultos em níveis mais elevados por meio da 
responsabilidade solidária entre a União, os Estados, o Distrito 
Federal e os Municípios.
Voltando para os relatos pessoais, a escola estadual em 
questão oferecia boa estrutura física e um ensino qualificado 
condizente com minhas expectativas, contribuindo para o 
meu desenvolvimento oral e interpretativo. No ano de 2005, 
eu me encontrava no 4º Ano, período de criação da Avaliação 
Nacional do Rendimento Escolar (Prova Brasil) pelo Ministério 
da Educação para 5º e 9º ano do Ensino Fundamental e 3° ano 
do Ensino Médio. Por meio das provas de Língua Portuguesa e 
de Matemática, essa avaliação buscava medir a capacidade de 
leitura, interpretação de textos e o raciocínio em contexto com 
a realidade do aluno. 
Nessa mesma época, foi instituído o Programa 
Universidade para Todos (Prouni), pela Lei nº 11.096/2005, de 
13 de janeiro de 2015, regulando a atuação de entidades benefi-
centes de assistência social no ensino superior e alterando a Lei 
nº 10.891, de 9 de julho de 2004. O Prouni tem como finalidade a 
concessão de bolsas de estudos integrais e parciais a estudantes 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
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94
de cursos de graduação e de cursos sequenciais de formação 
específica, em instituições privadas de educação superior, as 
quais recebem isenção de tributos por sua participação. Foi 
também criado o Programa Nacional de Integração da Educação 
Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Educação 
de Jovens e Adultos (Proeja), com o objetivo de oferecer opor-
tunidade de estudos e competências de educação profissional 
àqueles que não tiveram acesso ao ensino fundamental e médio 
na idade regular. Entretanto, tendo em vista a urgência de ações 
para ampliação das vagas no sistema público de ensino ao 
sujeito jovens e adultos, o Governo Federal substituiu o Decreto 
nº 5.478, de 24 de junho de 2005, pelo Decreto nº 5.840, de 13 
de julho de 2006, que introduz novas diretrizes que ampliam 
a abrangência do primeiro com a inclusão da oferta de cursos 
Proeja para o público do ensino fundamental da Educação de 
Jovens e Adultos (EJA).
No período de conclusão do 5º ano, 2006, ocorreram dois 
fatos em meio a esse percurso estudantil: o falecimento da minha 
mãe em São Paulo, afetando o meu desempenho em provas do 
2° bimestre e a minha primeira recuperação escolar, devido 
a dificuldades encontradas na disciplina de geografia. Desse 
período, ainda tenho um caderno quadriculado com algumas 
atividades das aulas de matemática dessa série. Curioso são as 
formas lúdicas com que foram encaminhadas pela professora, 
pois utilizou linhas coloridas de crochê, lápis de pintar e peda-
cinhos de papel camurça coloridos nas formas de assuntos como: 
geometria, fração e número decimal, medidas de superfície e 
metro quadrado, tornando-os lúdicos e de fácil compreensão.
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
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Figura 2 e 3: Atividades de matemática do 5º ano em 2006
 Fonte: acervo pessoal.
Também em 2006 aconteceu a criação do Fundo de 
Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de 
Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), criado 
pela Emenda Constitucional nº 53/2006 e regulamentado pela 
Lei nº 11.494/2007 e pelo Decreto nº 6.253/2007, em substituição 
ou o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino 
Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef). Esse é 
um fato relevante para a história educacional brasileira, por ser 
um fundo especial que destina todos os recursos provenientes 
dos impostos e transferências dos estados, do Distrito Federal 
e dos municípios, além de uma parcela dos recursos federais, 
para aplicação exclusiva na educação básica, mantendo, assim, 
a qualidade do ensino básico. 
Adotando essa mesma intenção, no ano seguinte (2007), 
foi criado o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica 
(Ideb), que reúne os resultados de dois conceitos igualmente 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
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96
importantes para a qualidade da educação: o fluxo escolar e as 
médias de desempenho nas avaliações educacionais, e a criação 
do Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação – Decreto 
n° 6.094, de 24 de abril de 2007. Assim, haveria uma conjugação 
dos esforços da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, 
como também das famílias e da comunidade, atuando em 
regime de colaboração em prol da melhoria da qualidade da 
educação básica; além ocorrência da primeira Chamada Pública 
do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência 
(Pibid), Decreto nº 7.219/2010 e regulamentado pela Portaria 
nº 096/2013, apoiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento 
de Pessoal de Nível Superior (Capes), visando à valorização do 
magistério e à formação inicial de docentes. Nesse período, 
eu me encontrava no 6º Ano, apresentando um currículo de 
ensino com conteúdos que tratavam dos direitos das crianças 
e dos adolescentes por meio de material didático correspon-
dente incluído pela Lei nº 11.525 de 2007, tendo como diretriz 
a Lei no 8.069, de 13 de julho de 1990, que institui o Estatuto 
da Criança e do Adolescente. Ainda tenholembrança que a 
professora de artes dessa época abordava os temas curriculares 
como: Independência do Brasil, História da Arte e Surrealismo, 
por meio de interpretação escrita ou desenhada de letras de 
músicas ou de obras de artes, livros com histórias lúdicas e 
composições da Música Popular Brasileira (MPB). 
Mais três episódios importantes foram criados nesse 
tempo, ambos visando ao desenvolvimento da qualidade da 
educação nacional: o Programa Mais Educação, criado pela 
Portaria Interministerial nº 17/2007 e regulamentado pelo 
Decreto 7.083/10, organizado como estratégia do Ministério da 
Educação para indução da construção da agenda de educação 
integral nas redes estaduais e municipais de ensino que amplia 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
Barbara Tamires dos Santos
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a jornada escolar nas escolas públicas, para, no mínimo, 7 horas 
diárias, por meio de atividades optativas nos macrocampos de 
acompanhamento pedagógico, tais como: educação ambiental, 
esporte e lazer, direitos humanos em educação, cultura e 
artes, cultura digital, promoção da saúde, comunicação e uso 
de mídias, investigação no campo das ciências da natureza e 
educação econômica; e o Programa de Implantação de Salas 
de Recursos Multifuncionais, instituído pelo MEC/SEESP por 
meio da Portaria Ministerial nº 13/2007, integra o Plano de 
Desenvolvimento da Educação (PDE), destinando apoio técnico 
e financeiro aos sistemas de ensino para garantir o acesso 
ao ensino regular e a oferta do Atendimento Educacional 
Especializado (AEE) aos alunos com deficiência, transtornos 
globais do desenvolvimento ou com altas habilidades, conside-
rando o que faculta a Constituição Federal/88, a LDB Nº 9394/96 
e a Resolução CNE/CEB Nº 2/2001. Por último, houve a criação de 
outro programa de apoio ao transporte escolar do Ministério 
da Educação, o Caminho da Escola, que consiste em uma linha 
de crédito concedida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento 
Econômico e Social (BNDES) para a aquisição, pelos estados e 
municípios, de ônibus, miniônibus e micro-ônibus zero quilô-
metros e de embarcações novas. Tem por objetivo renovar, 
padronizar e reduzir o preço das frotas de veículos escolares; 
garantir segurança e qualidade ao transporte dos estudantes 
e contribuir para a redução da evasão escolar, ampliando, por 
meio do transporte diário, o acesso e a permanência na escola 
dos estudantes matriculados na educação básica da zona rural 
das redes estaduais e municipais. 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
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Figura 4: Histórico Escolar
Fonte: acervo pessoal.
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Já em 2008, estudava o 7º Ano, considerado no meu 
histórico escolar como parte do 3° Ciclo Educacional, onde 
passei pela minha segunda recuperação escolar, dessa vez, em 
matemática. Todavia, obtive mais uma vez a nota necessária na 
prova de recuperação. Ressalto que, nesse ano, foi criada a Lei de 
Regularização do Piso Salarial dos profissionais do magistério 
(Lei do Piso), garantindo aos professores um salário propor-
cional à extensão e à complexidade do seu trabalho; a criação 
do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia (IF), pela 
Lei n° 11.892 de 29/12/2008, que são especializados na oferta de 
educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades 
de ensino e a LDB passou a vigorar acrescida da Seção IV-A, 
denominada “Da Educação Profissional Técnica de Nível Médio” 
e dos seguintes artigos: 36-A, 36-B, 36-C e 36-D. Assim, o ensino 
médio, atendida a formação geral do educando, poderá preparar 
para o exercício de profissões técnicas, ou seja, a habilitação 
profissional poderá ser desenvolvida nos próprios estabeleci-
mentos de ensino médio ou em cooperação com instituições 
especializadas em educação profissional, de forma articulada 
com o ensino médio ou subsequente a ele (para alunos que já o 
concluíram). O pesquisador Jailson Alves dos Santos, autor do 
texto A trajetória da educação profissional, presente na coletânea 
500 anos de Educação no Brasil, evidencia que
A primeira ação concreta para dar uma nova organização 
à aprendizagem de ofícios ocorreu em 1826, quando foi 
apresentado o Projeto de Lei sobre a Instrução Pública no 
Império do Brasil, que consistia em estabelecer uma lei que 
organizasse o ensino público em todo o país, em todos os 
níveis; fato até então inédito na história da educação brasi-
leira (LOPES; FARIA FILHO; VEIGA, 2000, p. 209).
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
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Iniciei e concluí o 8º Ano em 2009, nesse ano, a nota do 
temido Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) (criado em 
1998) passa a ser utilizada para o ingresso nas universidades 
federais brasileiras. Recordo que, nesse tempo, já pairava 
certo receio dessa prova na minha e nas demais turmas dos 
anos finais do ensino fundamental. Além disso, o Programa 
Ensino Médio Inovador (ProEMI) foi instituído, com o obje-
tivo de apoiar e fortalecer o desenvolvimento de propostas 
curriculares inovadoras nas escolas de ensino médio, 
induzir ao redesenho curricular, orientado a partir de 2012, 
afetando o meu 2º ano do ensino médio, pelas novas Diretrizes 
Curriculares Nacionais do Ensino Médio, ampliando o tempo 
dos estudantes na escola e buscando garantir a formação 
integral com a inserção de atividades que tornem o currículo 
mais dinâmico, integrando e articulando os conhecimentos 
das diferentes áreas e fortalecendo as atividades relacionadas 
à iniciação científica. Ressalto que, nesse mesmo período, eu 
me apeguei muito a uma das professoras da turma, porque, 
por meio dela, fui à minha primeira exposição de arte e 
realizei uma linda reprodução em tecido de uma das obras 
que observei do artista potiguar Dorian Gray Caldas. 
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Figura 5: Pintura em Tecido
Fonte: acervo pessoal.
Já em 2010, participei do Programa de Iniciação 
Tecnológica e Cidadania (Proitec) (Edital nº. 03/2010-PROEN/
IFRN), do Instituto Federal do Rio Grande do Norte – IFRN 
Caicó, enquanto concluía o último ano do ensino fundamental 
(9º Ano) na Escola Estadual Monsenhor Walfredo Gurgel, 
buscando uma vaga para o ingresso no ensino médio técnico 
(integrado) por meio de aulas presenciais, livros e teleaulas 
fornecidas pelo instituto. Entretanto, não obtive o desem-
penho necessário na prova do programa. Desse modo, meus 
responsáveis procuraram outra escola estadual que ofertasse 
o ensino médio regular. 
 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
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Figura 6: Certificado
Fonte: acervo pessoal.
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Saliento que 2010 também foi o ano de criação de um 
importante sistema operacional para a história da educação: o 
Sistema de Seleção Unificada (Sisu), sendo desenvolvido e geren-
ciado pelo Ministério da Educação (MEC), no qual instituições 
públicas de ensino superior oferecem vagas para candidatos 
participantes do Exame Nacional de Ensino Médio (Enem) para 
se inscreverem nas instituições de ensino superior (nova forma 
de ingresso, em substituição ao vestibular).
3 ENSINO MÉDIO: 
FORMULAÇÃO DE EXPECTATIVA DE VIDA
A Escola Estadual Professora Calpúrnia Caldas de Amorim 
(EECCAM) foi a escolhida por mim e por meus responsáveis para 
início do ensino médio, em 2011, na turma de 1° Ano. Recordo 
que, naquela época, era conhecida na sociedade caicoense 
como “Escola Modelo”, por sua excelente grade de professores 
e satisfatório processo de ensino-aprendizagem, atendendo 
um número considerável de adolescentes e jovens da cidade de 
Caicó/RN e das cidades circunvizinhas. 
A EECCAM foi a instituição que mais me motivou a lutar 
pelos meus sonhos pessoais e planos educacionais. Tive chance 
de concretizá-los ou rejeitá-los. Foi lá onde cresci, transfor-
mei-me, aprendi e vivenciei experiências inimagináveis, que 
me serviram de estímulos para alcançar a alegriade chegar ao 
possível destino projetado. A lembrança mais viva que tenho 
desse início é da criativa e espontânea professora de português. 
Em umas das aulas, ela realizou atividades sobre fábulas e suas 
particularidades, desafiando os grupos da turma a recriar 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
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104
alguma fábula popularmente conhecida e também criar outras 
de próprio punho e interesse, que, ao final, deveriam formar 
um pequeno livro. Esse trabalho tenho até hoje guardado com 
maior carinho e cuidado, por seu aspecto criativo. 
Figura 7: Atividades sobre fábulas
Fonte: acervo pessoal.
Em 2011, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico 
e Emprego (PRONATEC) foi criado pelo Governo Federal, por meio 
da Lei nº 12.513, com a finalidade de ampliar a oferta de cursos de 
Educação Profissional e Tecnológica (EPT), por meio de programas, 
projetos e ações de assistência técnica e financeira; e foi incluindo 
pela Lei nº 12.472, no art. 33 na seção sobre Educação Fundamental, 
o § 6º, assim o estudo sobre os símbolos nacionais foram incluídos 
como tema transversal nos currículos do ensino fundamental.
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
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105
Já no 2º Ano em 2012, despertei um grande interesse pela 
filosofia, por meio do professor da disciplina e por meio de uma 
professora de sociologia, que ministrava uma oficina no contra-
turno envolvendo mídia e filosofia, atendendo a proposta vigente 
do ensino médio inovador. Gostava pelo fato de essa disciplina 
e de as aulas desses mestres provocarem a busca por diferentes 
respostas para situações e problemas que estão presentes continu-
amente ou não ao longo da nossa existência humana, objetivando 
a reflexão e o movimento do pensamento, que permite nos 
afastarmos de fatos banais para buscarmos seus fundamentos. 
Curiosamente, nesse mesmo período, fui selecionada pela direção 
da escola, por meio das notas anuais, com uma amiga e colega de 
sala, para participar como bolsista do Programa de Institucional 
de Bolsas de Iniciação à Pesquisa (Pibic) ensino médio na área da 
filosofia na Universidade Estadual do Estado do Rio Grande do 
Norte (Uern) Caicó, com tema: A ética no pensamento de Nietzsche. 
Figura 8: Certificado
Fonte: acervo pessoal.
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
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106
Essa se tornou uma experiência única e significativa em 
minha vida estudantil e pessoal, por seu arcabouço teórico e 
metodológico conter questões como moral, liberdade, ética e 
valores, assuntos esses necessários para uma vida social ativa, 
consciente e justa. Ainda ressalto que esse programa visa apoiar 
expressivamente a política de Iniciação Científica desenvolvida 
nas Instituições de Ensino e/ou Pesquisa, por meio da concessão 
de bolsas de Iniciação Científica. Continuei nesse programa de 
pesquisa até o ano seguinte (2013), enquanto cursava o último 
ano do ensino médio, 3º Ano, dessa vez, com outra temática de 
projeto: “Filosofia na Infância: Perspectivas para o debate, a 
partir da perspectiva de Matthew Lipman”, aprovado pelo edital 
nº 001/2013-DP/PROPEG/UERN. 
Figura 9: Certificado
Fonte: acervo pessoal.
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
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Entende-se por “Filosofia na Infância ou para Crianças” 
uma educação para o pensar, que tem por meta o desenvolvi-
mento do pensamento crítico, criativo e cuidadoso em crianças 
e jovens, além de estimular atitudes éticas a partir do diálogo, 
resultando também em uma Iniciação Filosófica. O aspecto 
central desse programa era a realização do diálogo investiga-
tivo que transformava os grupos de bolsistas e participantes 
em pequenas comunidades de investigação com exposição 
de ideias e de questionamentos. Escutávamos uns aos outros, 
comparávamos os pontos de vista, completando-os e eventual-
mente, corrigindo-os, tudo devidamente orientado e observado 
pelos professores da UERN Caicó, que cobravam a entrega de 
relatórios das leituras semanais indicadas, por acreditarem na 
aprendizagem por meio da prática frequente da leitura. 
Recordo que esse pensamento foi também expressado 
pela professora de português e literatura da minha turma 
de 3º ano. Ela demonstrava acreditar muito no poder que a 
educação e a leitura possuem. Segundo ela, ambas davam 
asas à imaginação e por meio desses saberes, conseguiríamos 
trilhar caminhos imagináveis. Concluí o ensino médio com 
18 anos de idade e com a realização do primeiro Enem 2013, 
obtendo aprovação no Sisu 2014 para o curso de Geografia 
Bacharelado na Universidade Federal do Rio Grande do Norte/
CERES Caicó. Infelizmente, por imaturidade e por falta de 
interesse pela área, meses depois, cancelei o vínculo no curso 
e prossegui tentando o Enem. 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
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Figura 10: Certificado
Fonte: acervo pessoal.
Saliento também que, ainda em 2013, houve a alteração 
da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as 
diretrizes e bases da educação nacional, pela Lei nº 12.796 para 
dispor sobre a formação dos profissionais da educação e dar 
outras providências. Passaram a vigorar algumas alterações e 
considerações na educação, como: apreciação da diversidade 
étnico-racial; obrigatoriedade da educação básica e gratuita 
dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, organizada em 
pré-escola, ensino fundamental e ensino médio; atendimento 
educacional especializado gratuito aos educandos com defici-
ência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades 
ou superdotação, preferencialmente na rede regular de ensino, 
assegurando ao aluno regularmente matriculado em instituição 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
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109
de ensino pública ou privada, de qualquer nível, no exercício da 
liberdade de consciência e de crença, o direito de, mediante 
prévia e motivada solicitação, ausentar-se de prova ou de aula 
marcada para dia em que, segundo os princípios de sua religião, 
seja vedada a execução de tais atividades, devendo a instituição 
atribuir, sem custos para o aluno, uma reposição alternativa. 
4 ENSINO TÉCNICO E PROFISSIONALIZANTE: 
ALMEJANDO O MERCADO DE TRABALHO
No início de 2014, comecei a cogitar a possibilidade de trabalhar, 
mas sem parar de estudar, uma vez que ainda tentaria o Enem, 
objetivando uma graduação. Então, decidi me capacitar para o 
mercado de trabalho caicoense por meio do Programa Nacional 
de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec), lançado em 
abril de 2011.
O Pronatec oferece uma bolsa-formação para atender as 
necessidades do público-alvo, que, além dos cursos gratuitos e 
de qualidade, terão direito a alimentação, transporte e todos os 
materiais escolares necessários que possibilitarão a posterior 
inserção profissional. Os critérios para a participação dos 
alunos a partir de 2012 foram definidos de diversas formas por 
cada estado como: a pobreza, o sorteio, a seleção, a residência 
próxima aos cursos, o desempenho escolar, as situações de 
risco, os participantes de programas sociais, os matriculados 
em 2º ou 3º ano do ensino médio e suas respectivas frequências. 
Por atender alguns desses critérios, fui selecionada para o curso 
de Balconista de Farmácia, ofertado na unidade de ensino Senac 
Caicó – Serviço Nacional do Comércio. 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
Barbara Tamires dos Santos
110
No período que passei nesse curso profissionalizante, 
estudei temáticas sobre: relações interpessoais, qualidade e 
empreendedorismo, comunicação e expressão ensinadas por 
uma pedagoga; biossegurança: segurança no trabalho, aulas 
realizadas por uma professora formada em enfermagem; 
técnicas de vendas, organização e o funcionamento da farmácia, 
dispensação de produtos farmacêuticos por um professor 
formado em Farmácia, e aulas de primeiros socorros, que foram 
ministradas por um Bombeiro Militar, resultando em uma carga 
horaria de 240 horas com meu satisfatório desempenho ao finalde todos esses blocos temáticos. Entretanto, não consegui a 
desejada vaga de emprego no comércio de Caicó/RN, por não 
dispor de tantas vagas de empregos. 
Figura 11: Certificado
Fonte: acervo pessoal.
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111
Dessa maneira, no ano seguinte, dei continuidade aos 
meus estudos, dessa vez, por meio do Programa Complementar 
de Estudos do Ensino Médio (PROCEEM/UFRN), visando a uma 
graduação para a área da educação por meio da realização do 
Enem 2015. Com isso, obtive aprovação no curso de Letras em 
Catolé do Rocha/RN, mas, por falta de condições financeiras, 
não pude cursá-lo, decidindo continuar tentando o Enem 
nos anos seguintes, almejando uma aprovação no curso de 
Pedagogia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte na 
cidade onde resido, Caicó/RN.
5 ENSINO MÉDIO - MODALIDADE NORMAL 
SUBSEQUENTE: CONSTRUÇÃO DE UM SONHO
Atendendo o meu desejo de sempre adquirir conhecimentos 
por meio de experiências novas, em 2016, eu me matriculei no 
1º Ano do ensino médio modalidade normal subsequente (popu-
larmente conhecido como Magistério), ofertado pelo Centro 
Educacional José Augusto (Ceja), com aulas diárias durante dois 
anos consecutivos.
Nesse primeiro ano, estudei 14 matérias respectivas à área 
de formação profissional e práticas educativas, ministradas por 
duas professoras formadas em pedagogia e uma graduada em 
história. Ambas utilizavam métodos didáticos múltiplos para 
alcançar os objetivos das aulas e do curso, possuindo uma estru-
tura teórica e prática que provocava constantes reflexões sobre 
os componentes históricos, sociais e culturais da educação. 
Busquei me habilitar a fim de estagiar no mesmo período, como 
auxiliar de professor(a), por meio da parceria entre Prefeitura 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
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112
Municipal de Caicó/RN e Instituto Euvaldo Lodi (IEL) (criado 
em criado em 1969). Atendendo a um dos preceitos vigentes 
dessas unidades, o estágio remunerado deveria ser realizado 
na instituição escolar mais próxima da minha residência, e 
fui destinada para a Escola Municipal Professor Mateus Viana, 
justamente a instituição de ensino onde iniciei minha vida estu-
dantil, mas sob gestão de uma outra equipe. Eles me confiaram 
a missão de auxiliar a professora da turma de 1º ano, do turno 
matutino, por possuir uma quantidade expressiva de alunos, 
além da presença de um aluno com necessidades educacionais 
especiais. Outro acontecimento relevante proporcionado por 
essa modalidade de ensino foi o estágio de observação que 
realizei em uma escola da rede municipal de ensino da cidade 
de Caicó/RN, com realização e entrega de relatório ao final.
Com essas duas oportunidades, pude confrontar todos 
os ensinamentos teóricos repassados pelo Magistério com as 
práticas exercidas e as observações realizadas nessas escolas 
municipais, tornando-se significativas para minha formação 
humana e profissional. Satisfatoriamente, obtive o desem-
penho estipulado pela gestão do Ceja em todas as disciplinas 
respectivas à área da educação, passando para o 2° ano em 2017, 
já com 21 anos de idade. Esse nível apresentava em sua grade 
doze componentes curriculares correspondentes à formação 
profissional em questão e um estágio obrigatório de regência ao 
final do ano letivo, com execução e apresentação de relatório. 
Continuei prestando serviço como Auxiliar de professor à 
prefeitura caicoense, mas, dessa vez, em uma turma de Nível 
II, na Escola Municipal de Educação Infantil Nossa Senhora do 
Rosário (Creche), localizada no Bairro Barra Nova, em Caicó/
RN. Já o estágio obrigatório do Magistério preferi realizar na 
Escola Municipal Professor Mateus Viana, por três semanas 
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113
consecutivas, em uma turma de 2º ano do ensino fundamental, 
regida por minha ex-professora da 1ª Série. 
Assim, pude compreender, nesses dois anos no ensino 
médio na modalidade normal subsequente, o contexto da 
realidade da escola, de modo a adotar comportamentos e 
tomar decisões pautadas na ética, na superação e no respeito; 
desenvolvendo habilidades e explorando concepções de ensino-
-aprendizagem, além de exercer e aprimorar a minha autonomia, 
por ter que pensar em soluções eficazes para as dificuldades 
que se apresentaram ao longo desse estágio. O mais importante: 
aprendi a valorizar a carreira docente, por ser uma profissão 
fundamental e necessária, que busca a melhoria da educação. 
Essas experiências contribuíram para minha aprovação 
em todas as matérias curriculares do ensino médio subsequente, 
conferindo a mim o título profissional de: Professora da Educação 
Infantil e dos cincos primeiros anos do Ensino fundamental, asse-
gurado pela fundamentação legal: art. 62 da Lei nº 9.394 – LDB, de 
20 de dezembro de 1996. Por ter valido até o ano de 2020, segundo 
o Plano Nacional de Educação (PNE) (aprovado em 2014), indicava 
que os professores que cursaram o Magistério deveriam fazer 
um curso superior na área específica em que atuam ou um curso 
de Pedagogia, já que, nos próximos anos, todos os professores 
deverão possuir uma formação de nível superior.
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114
Figura 12: Diploma do Ensino Médio modalidade 
Normal Subsequente em (Magistério 2017)
Fonte: acervo pessoal.
Evidencio que, em 2017, foi sancionada a tão esperada 
reforma do ensino médio, que passaria a ter uma parte comum 
e obrigatória a todas as escolas e outra parte flexível, tendo sua 
implantação no ano seguinte, 2018, quando a da Base Nacional 
Comum Curricular (BNCC) foi aprovada. A BNCC é uma espécie 
de guia que estabelece o currículo da educação básica em todas 
as escolas do país. Assim, o ensino médio passou a ser integral, 
e o currículo ofereceria disciplinas optativas.
Nesse caso, o aluno vai cursar o 1º ano e, ao passar 
para o 2º ano, poderá escolher uma entre cinco áreas para 
aprofundar seus estudos. Também foi incluindo na LDB, Lei nº 
13.415, na seção IV sobre o ensino médio, o art. 35-A e a BNCC 
definirá direitos e objetivos de aprendizagem do ensino médio, 
conforme diretrizes do Conselho Nacional de Educação, nas 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
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115
seguintes áreas do conhecimento: linguagens e suas tecno-
logias; matemática e suas tecnologias; ciências da natureza e 
suas tecnologias; ciências humanas e sociais aplicadas. Por esse 
motivo, a minha turma de Magistério foi a última ofertada pelo 
Centro Educacional José Augusto (Ceja), renomeada de EETI José 
Augusto (Escola de Ensino Médio em Tempo Integral), já que 
ofertaria no ano seguinte o ensino médio integral e o ensino 
médio técnico integral em Manutenção e suporte de informá-
tica, visando transformar sonhos em projetos de vida. 
6 GRADUAÇÃO: 
INÍCIO DA CONCRETIZAÇÃO DE UM SONHO
A minha tão esperada e desejada aprovação no curso de 
Pedagogia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte 
– Ceres Caicó veio no início do ano de 2018, com minha partici-
pação na edição do Sisu 2018, utilizando a nota do Enem 2017. 
Logo no 1º período dessa graduação, pude notar que para ser 
um(a) pedagogo(a), é preciso saber lidar com as diferenças sem 
preconceitos, sem distinção de raça, sexo ou religião. 
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116
Figura 13: Aprovação SISU
Fonte: acervo pessoal.
Ser pedagogo(a), não é tarefa fácil, requer muita dedi-
cação, confiança e perseverança, uma vez que esse profissional 
tem em suas mãos uma responsabilidade muito grande: a de 
formar alunos como cidadãos cientes e capacitados para uma 
vida social e profissional, ultrapassando os limites de uma sala 
de aula. Detalhe: ele ou ela deve buscar métodos e conheci-
mentos que tornem a aprendizagem viável e prazerosa para 
todos os alunos, sem distinção, tornando, assim, a educação 
mais justa e democrática, sabendo reconhecer seus caminhos, 
suas metas e deve buscaratingi-las. 
Já no início do 2º período (2018.2), fui inserida, por meio 
de uma seleção decorrente de uma entrevista, no Programa 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
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117
Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid). Nesse 
programa, pude vivenciar experiências desafiadoras, já que 
proporciona a responsabilidade de realizar atividades refle-
xivas e momentos lúdicos em uma turma do ensino infantil 
ou fundamental I. Diferentemente da proposta do ano de 2019, 
em que estava cursando o 3º período de Pedagogia, será mais 
desafiadora ainda, pois estaremos responsáveis pela contação 
de histórias a crianças em diferentes fases de desenvolvimento 
humano, em diversos níveis do processo educativo presentes 
em diferentes instituições de ensino. 
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A legislação brasileira contemporânea tem sido um importante 
instrumento para introduzir reformas no campo educacional 
e a Constituição Federal de 1988, mencionada no início desse 
trabalho, representou não apenas um divisor de águas no 
processo de redemocratização do país como também da 
educação. De um lado, por propagar expectativas de mudança 
da sociedade; de outro, por apontar princípios e caminhos para 
viabilizar novos pactos econômicos e sociais. Esse processo 
participativo de construção resultou em consideráveis avanços 
para a história da Educação brasileira. 
Este artigo também se propôs a analisar o meu processo 
de escolarização no âmbito da política educacional nacional, 
no período definido entre 2002 até o ano de 2019. Como foi 
visto nos relatos pessoais e históricos nacionais, o Brasil tem 
procurado, com base em suas políticas públicas, responder 
aos desafios educacionais corriqueiros. As respostas dadas são 
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118
diversas e variam conforme o alcance e a abrangência dos 
distintos objetivos. Então, não podemos negar que o poder 
estatal está ciente de que é preciso continuar avançando para 
alcançar de modo pleno a qualidade da educação, defendida 
na Constituição de 1988. 
Ainda com respeito à qualidade da educação, vale destacar 
a inovadora experiência do Programa Institucional de Bolsa 
de Iniciação à Docência (Pibid), por estimular a aproximação 
entre universidades e escolas públicas, visando à melhoria da 
educação. O financiamento, como se sabe, é outro fator inovador 
e decisivo para a execução de toda e qualquer política educa-
cional. Para o Brasil, isso tem assumido caráter estratégico no 
esforço de atingir os objetivos e metas de Educação para Todos, 
contribuindo para promover não apenas o aumento do gasto 
público em educação como também conquistar maior equidade 
na oferta de serviços. 
A Lei que institui o piso salarial profissional nacional 
para os profissionais do magistério público da educação básica 
(Lei nº 11.738/08) é outro importante exemplo, além de duas 
outras leis que asseguram o financiamento da educação – as 
leis de criação do Fundef (Lei nº 9.424/96) e posteriormente do 
Fundeb (Lei nº 11.494/07), por proporcionarem a ampliação do 
financiamento para a educação básica e suas modalidades, redu-
zindo as desigualdades educacionais, melhorando os padrões de 
remuneração dos professores, entre outros benefícios.
Desse modo, se todos da sociedade brasileira trabalharem 
em conjunto e em prol da Educação, com certeza, ela poderá ser 
transformada e melhorada. Nesse sentido, a educação brasileira 
em minha vida e a LDB de 1996 tem os seus méritos. Desse modo, 
a elas não se deve atribuir a responsabilidade por limitações e por 
equívocos das políticas públicas, educacionais ou de outras esferas.
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
Barbara Tamires dos Santos
119
REFERÊNCIAS 
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da 
República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, 
DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
constituicaocompilado.htm. Acesso em: 18 nov. 2021.
BRASIL. Emenda Constitucional nº 53, de 19 de dezembro 
de 2006. Dá nova redação aos arts. 7º, 23, 30, 206, 208, 211 e 
212 da Constituição Federal e ao art. 60 do Ato das Disposições 
Constitucionais Transitórias. Brasília, DF: Congresso Nacional, 
[2006]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
constituicao/emendas/emc/emc53.htm. Acesso em: 19 nov. 2021.
BRASIL. Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014. Aprova o 
Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras providências. 
Brasília, DF: Ministério da Educação, [2014]. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
2014/2014/lei/l13005.htm. Acesso em: 19 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe 
sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras 
providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, 
[1990]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/LEIS/L8069.htm. Acesso em: 29 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as 
diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Ministério 
da Educação, [1996]. Disponível em: http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm. Acesso em: 13 mar. 2019.
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Barbara Tamires dos Santos
120
BRASIL. Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996. Dispõe 
sobre o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino 
Fundamental e de Valorização do Magistério, na forma 
prevista no art. 60, § 7º, do Ato das Disposições Constitucionais 
Transitórias, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério 
da Educação, [1996]. Disponível em: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/leis/l9424.htm. Acesso em: 19 nov. 2021.
BRASIL. Lei nº 10.260, de 12 de julho de 2001. Dispõe sobre 
o Fundo de Financiamento ao estudante do Ensino Superior e 
dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, 
[2001]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
leis/leis_2001/l10260.htm. Acesso em: 19 nov. 2021.
BRASIL. Lei nº 10.709, de 31 de julho de 2003. Acrescenta 
incisos aos arts. 10 e 11 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro 
de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação 
nacional e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da 
Educação, [2003]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/leis/2003/l10.709.htm. Acesso em: 19 nov. 2021.
BRASIL. Lei nº 10.880, de 9 de junho de 2004. Institui o 
Programa Nacional de Apoio ao Transporte do Escolar - PNATE e 
o Programa de Apoio aos Sistemas de Ensino para Atendimento 
à Educação de Jovens e Adultos, dispõe sobre o repasse de 
recursos financeiros do Programa Brasil Alfabetizado, altera 
o art. 4º da Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996, e dá outras 
providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2004]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2004/lei/l10.880.htm. Acesso em: 19 nov. 2021.
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
Barbara Tamires dos Santos
121
BRASIL. Lei nº 11.096, de 13 de janeiro de 2005. Institui o 
Programa Universidade para Todos - PROUNI, regula a atuação 
de entidades beneficentes de assistência social no ensino 
superior; altera a Lei nº 10.891, de 9 de julho de 2004, e dá outras 
providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2005]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2005/lei/l11096.htm. Acesso em: 19 nov. 2021. 
BRASIL. Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007. Regulamenta o 
Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e 
de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB, [...] e dá 
outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2007]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2007/lei/l11494.htm. Acesso em: 19 nov. 2021. 
BRASIL. Lei nº 11.525, de 25 de setembro de 2007. Acrescenta 
§ 5o ao art. 32 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, 
para incluir conteúdo que trate dos direitos das crianças 
e dos adolescentes no currículo do ensino fundamental. 
Brasília, DF: Ministério da Educação, [2007].Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2007/lei/l11525.htm. Acesso em: 19 nov. 2021.
BRASIL. Lei nº 11.738, de 16 de julho de 2008. Regulamenta a 
alínea “e” do inciso III do caput do art. 60 do Ato das Disposições 
Constitucionais Transitórias, para instituir o piso salarial 
profissional nacional para os profissionais do magistério público 
da educação básica. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2008]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2008/lei/l11738.htm. Acesso em: 19 nov. 2021. 
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
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122
BRASIL. Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008. Institui a 
Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, 
cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá 
outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2008]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2008/lei/l11892.htm. Acesso em: 19 nov. 2021.
BRASIL. Lei nº 12.513, de 26 de outubro de 2011. 
Institui o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico 
e Emprego (Pronatec); [..]; e dá outras providências. 
Brasília, DF: Ministério da Educação, [2011]. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
2014/2011/lei/l12513.htm. Acesso em: 19 nov. 2021.
BRASIL. Lei nº 12.472, de 1º de setembro de 2011. Acrescenta 
§ 6º ao art. 32 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que 
estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, incluindo 
os símbolos nacionais como tema transversal nos currículos do 
ensino fundamental. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2011]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
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BRASIL. Lei nº 12.796, de 4 de abril de 2013. Altera a Lei 
nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as 
diretrizes e bases da educação nacional, para dispor sobre 
a formação dos profissionais da educação e dar outras 
providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2013]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
2014/2013/lei/l12796.htm. Acesso em: 19 nov. 2021.
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
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123
BRASIL. Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro de 2017. Altera as 
Leis n º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as 
diretrizes e bases da educação nacional, [...] e institui a Política 
de Fomento à Implementação de Escolas de Ensino Médio em 
Tempo Integral. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2017]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2017/lei/l13415.htm. Acesso em: 19 nov. 2021.
BRASIL. Parecer CNE/CP 9/2001. Diretrizes Curriculares Nacionais 
para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível 
superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Brasília, 
DF: Ministério da Educação, [2001]. Disponível em: http://portal.
mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/009.pdf. Acesso em: 19 mar. 2019.
BRASIL. Decreto nº 5.478, de 24 de junho de 2005. Institui, 
no âmbito das instituições federais de educação tecnológica, 
o Programa de Integração da Educação Profissional ao 
Ensino Médio na Modalidade de Educação de Jovens e 
Adultos - PROEJA. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2005]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2005/decreto/d5478.htm. Acesso em: 19 nov. 2021.
BRASIL. Decreto nº 5.840, de 13 de julho de 2006. Institui, 
no âmbito federal, o Programa Nacional de Integração da 
Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade 
de Educação de Jovens e Adultos - PROEJA, e dá outras 
providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2006]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2006/decreto/d5840.htm. Acesso em: 19 nov. 2021.
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Barbara Tamires dos Santos
124
BRASIL. Decreto nº 6.094, de 24 de abril de 2007. Dispõe sobre 
a implementação do Plano de Metas Compromisso Todos pela 
Educação, pela União Federal, em regime de colaboração com 
Municípios, Distrito Federal e Estados, e a participação das famílias 
e da comunidade, mediante programas e ações de assistência 
técnica e financeira, visando a mobilização social pela melhoria da 
qualidade da educação básica. Brasília, DF: Ministério da Educação, 
[2007]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
Ato2007-2010/2007/Decreto/D6094.htm. Acesso em: 13 mar. 2019.
BRASIL. Decreto nº 6.253, de 13 de novembro de 2007. Dispõe 
sobre o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação 
Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB, 
regulamenta a Lei no 11.494, de 20 de junho de 2007, e dá outras 
providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2007]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2007/decreto/d6253.htm. Acesso em: 19 nov. 2021.
BRASIL. Decreto nº 7.083, de 27 de janeiro de 2010. Dispõe sobre 
o Programa Mais Educação. Brasília, DF: Ministério da Educação, 
[2010]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2007-2010/2010/decreto/d7083.htm. Acesso em: 19 nov. 2021.
BRASIL. Decreto nº 7.219, de 24 de junho de 2010. Dispõe sobre o 
Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência - PIBID e 
dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2010]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2010/decreto/d7219.htm. Acesso em: 19 nov. 2021.
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
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125
BRASIL. Portaria nº 096, de 18 de julho de 2013. Trata da 
aprovação do Regulamento do Programa Institucional de Bolsa 
de Iniciação à Docência (Pibid) e dá outras providências. Brasília, 
DF: Ministério da Educação, [2013]. Disponível em: https://
www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/
content/id/30798135/do1-2013-07-23-portaria-n-96-de-18-
de-julho-de-2013-30798127. Acesso em: 19 nov. 2021.
BRASIL. Portaria Normativa nº 13, de 24 de abril de 2007. 
Dispõe sobre a criação do “Programa de Implantação de Salas 
de Recursos Multifuncionais”. Brasília, DF: Ministério da 
Educação, [2007]. Disponível em: https://abmes.org.br/legislacoes/
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BRASIL. Portaria Normativa Interministerial nº 17, de 24 
de abril de 2007. Institui o Programa Mais Educação, que visa 
fomentar a educação integral de crianças, adolescentes e jovens, 
por meio do apoio a atividades sócio-educativas no contraturno 
escolar. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2007]. Disponível 
em: https://abmes.org.br/legislacoes/detalhe/116/portaria-
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BRASIL. Resolução CNE/CEB nº 2, de 11 de setembro 
de 2001. Institui Diretrizes Nacionais para a Educação 
Especial na Educação Básica. Brasília, DF: Ministério da 
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Barbara Tamires dos Santos
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Barbara Tamires dos Santos
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128
TRAJETÓRIA EDUCACIONAL: LEMBRANÇAS
Barbara Tamires dos Santos
MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS 
EDUCACIONAIS BRASILEIRAS
Carlete Barbosa de Souza1
RESUMO
Este artigo trata da trajetória da minha vida estudantil desde 
o ensino fundamental I até o meu ingresso na Universidade 
Federal do Rio Grande do Norte. Tem o objetivo de relatar 
minhas lembranças do meu percurso escolar até os dias atuais 
e as relacionar com alguns aspectos da história da educação 
brasileira, como a influência das leis e dos objetivos educacionais 
que impactaram a minha vida, utilizando de recursos como a 
minha própria memória, a pesquisa digital, e o histórico escolar.
Palavras-chave: vida estudantil; educação; leis.
1 INTRODUÇÃO
Para garantir nossos direitos, temos a constituição. O Brasil já 
elaborou sete. A última foi aprovada pela assembleia nacional 
constituinte em 22 de setembro e promulgada em 5 de outubro 
1 Email: carletebarbosas1@gmail.com
MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS
Carlete Barbosa de Souza
130
de 1988, é a lei fundamental e suprema do Brasil. Ademais, a lei 
de diretrizes e bases da educação (LDB) define e regulariza os 
objetivos educacionais considerando os princípios presentes na 
constituição federal brasileira. A primeira LDB foi publicada em 
20 de dezembro de 1961 e então ela teve sua última alteração 
em 1996, segundo a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que 
estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Segundo 
a LDB, a educação é um direito de todos, dever do estado e da 
família, que visa ao pleno desenvolvimento de todos, ao preparo 
para o exercício da cidadania e à qualificação para o trabalho. 
Nesse sentido, a vida dos cidadãos de um país está ligada à forma 
como a política define seus objetivos, para a área da saúde, da 
segurança e da educação. Dessa forma, este trabalho mostra a 
minha trajetória estudantil e como as políticas educacionais 
me influenciaram ao longo da vida.
2 ENSINO FUNDAMENTAL I (ANOS INICIAIS)
Nasci no dia 11/03/1999. No ano de 2005, aos 6 anos de idade, 
ingressei na escola Municipal Liberdade do Saber, no 1ª ano do 
ensino fundamental. Nesse mesmo ano, estava em voga uma 
lei que estabelece a matrícula de menores a partir dos seis 
anos de idade e também estabelece que o ensino fundamental 
tenha uma duração mínima de oito anos. No ano de 2006, a 
lei nº 11.274, de 6 de fevereiro de 2006, define que o ensino 
fundamental passe a durar 9 anos. 
A instituição em que comecei a estudar foi fundada no 
ano 2000 e fechada no ano de 2009, localiza-se em Caicó, no 
bairro Salviano Santos, onde resido. Naquela época, a diretora 
MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS
Carlete Barbosa de Souza
131
da instituição se chamava Salete. A escola tinha problemas 
de infraestrutura, era pequena e não tinha como comportar 
todos os espaços que uma escola normalmente deveria ter. Era 
problema também a falta de água e as mães ficavam preocu-
padas com os filhos devido à escola estar situada em um bairro 
onde tem um presídio, pois me lembro que, desde aquela época, 
havia bastantes rebeliões.
A maioria das aulas ocorriam na sala de aula, mas, nas 
sextas-feiras, era o melhor dia, porque era recreação e a profes-
sora levava a gente para o estádio de futebol, popularmente 
chamado de Marizão, que fica próximo ao nosso bairro. A turma 
ia a pé. A melhor parte eram as arquibancadas. Eu e minhas 
amigas ficávamos subindo e descendo, também jogávamos 
bola no campo. Às vezes, também tínhamos aulas de campo. 
Eu me lembro que já fomos na ponte nova da cidade, também 
em um lugar observar os instrumentos antigos que eram 
utilizados pelas pessoas, tínhamos passeios para tomar banho. 
Porém, durante o período em que estudei nessa escola, só fui 
a um passeio. Minha mãe nunca me levava, porque ela tinha 
vergonha, talvez a minha dificuldade de me socializar tenha 
sido por causa dela.
Durante o período da noite, também havia aulas para 
os pais dos alunos ou interessados. Com isso, muitas pessoas 
passaram a ter a chance de entrar em contato com o saber, 
muitos ainda nem sabiam ler. Minha mãe também frequentava 
essas aulas. 
Quando comecei a estudar, tinha dificuldades de me 
socializar. A escola para mim era como estar no inferno. Sempre 
ficava sozinha no intervalo e os meninos gostavam de ficar me 
apelidando. Precisei de um bom tempo para poder ter amigos 
e, mesmo assim, eram poucos. Só depois de algum tempo que 
MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS
Carlete Barbosa de Souza
132
comecei a me relacionar com outras pessoas e aí passei a brincar 
no intervalo. As melhores brincadeiras eram com os meninos, 
pois brincar de boneca era bom, mas logo ficava chato, preferia 
brincar de esconde esconde, pega pega, ajuda ajuda, brincava 
de bila e outras brincadeiras que, para algumas pessoas, são 
consideradas coisas de menino. A escola fechou no ano de 2009, 
por localizar-se em um bairro pequeno. Ao longo do tempo, as 
crianças foram crescendo e a escola fechou por haver poucos 
alunos matriculados.
3 ENSINO FUNDAMENTAL II (ANOS FINAIS)
No ano de 2009, ingressei na Escola Municipal Severina Brito da 
Silva, no bairro Samanaú. A instituição oferecia todo o ensino 
fundamental, do primeiro ao nono ano. Segundo consulta 
ao Projeto Político-Pedagógico (PPP), a escola foi criada pelo 
Decreto-Lei nº 022/1994, na administração do prefeito Silvio 
Santos, sendo o Secretário Municipal de Educação o senhor 
Hamilton Teixeira, tendo como entidade mantedora a Prefeitura 
Municipal de Caicó. A primeira diretora foi a professora Jacinta 
da Silva, que dirigiu a escola na época com uma clientela de 1ª a 
4ª série, funcionando no turno matutino e vespertino e contava 
com um número de 80 crianças.Ao longo de sua história, essa instituição escolar apresenta 
três fases distintas: a 1ª com o funcionamento da 1ª a 3ª série e 
posteriormente a 4ª série; a 2ª fase com a implantação da educação 
infantil no ano de 1995; e a 3ª fase com a Educação de Jovens e 
Adultos (EJA). No ano de 1999, cria-se a 5ª série; no ano 2000, a 6ª 
série; em 2001, a 7ª série; em 2002, a 8ª série; e atualmente com a 
MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS
Carlete Barbosa de Souza
133
Lei nº 11.274, de 6 de dezembro de 2006, tem-se o 9º ano. Na época 
em que comecei a estudar nessa escola, a diretora se chamava 
Neves, atuando de 2007 a 2012. Em seguida, veio o diretor Thiago, 
tendo como vice-diretor Severino.
Quando fui para essa escola estava no quinto ano do ensino 
fundamental. Na época, tive um pouco de dificuldade para me 
adaptar à forma como os professores ensinavam, pois as disci-
plinas começaram a ficar mais complexas. Nós tínhamos também 
de apresentar trabalhos, isso foi o que mais pesou para mim, pois 
tinha vergonha de apresentar os trabalhos. Como eu me negava a 
fazer isso, acabei perdendo alguns pontos. Somente ao longo dos 
anos seguintes é que eu comecei a apresentá-los. Lembro-me que 
em algumas aulas de artes a professora passava uns trabalhos 
para a turma fazer bem interessantes, como as maquetes. A partir 
do 8ª ano começamos a ter aulas da língua estrangeira inglês.
4 ENSINO MÉDIO
No ano de 2014, mudei de escola devido à anterior ter apenas 
o ensino fundamental e entrei para o ensino médio na Escola 
Estadual Professor Antônio Aladim de Araújo, onde são ofer-
tados o ensino fundamental II e o ensino médio. Nesse mesmo 
ano foi aprovada a Lei nº 13.005/2014, que trata do Plano 
Nacional da Educação (PNE) que vigora durante 10 anos.
Naquela época, a diretora se chamava Gilda e a vice-di-
retora era Lenilda. As disciplinas estudadas eram: educação 
física, artes, filosofia, sociologia, inglês, espanhol, biologia, 
física, matemática, química e português. Na escola, havia sala 
de vídeo; sala de informática, porém, muitos computadores não 
MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS
Carlete Barbosa de Souza
134
funcionavam; biblioteca onde tinha livros didáticos e livros 
para leitura de deleite. Apesar de ser uma boa escola, ela, ainda 
assim, necessitava de ajustes na sua estrutura. A escola acolhia 
o pessoal do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à 
Docência (Pibid). Tive a oportunidade de participar das ativi-
dades de matemática, geografia e biologia.
No Pibid de matemática, os estagiários nos davam uma 
espécie de aula de reforço, sendo aplicadas atividades para 
resolvermos com o acompanhamento dos estagiários. Ao final 
do bimestre, também havia prova avaliativa para os alunos 
do Pibid. No Pibid de geografia, eram discutidos assuntos 
extraclasses, além disso, também tínhamos aulas de campo. 
Não havia atividade avaliativa, mas participamos de um projeto 
em que mostramos para a comunidade escolar e os interessados 
os riscos à saúde de consumirmos alguns alimentos industria-
lizados, como salsicha, refrigerante e outros.
Nesse mesmo projeto organizado pela escola, por também 
fazer parte do Pibid de biologia, participando das apresentações 
nessa área. Depois de passarmos um período estudando sobre 
a água, apresentamos um trabalho sobre a contaminação da 
água e algumas doenças causadas por ela, quando ela é ingerida 
de alguma forma, seja por consumo direto, seja pelo consumo 
indireto, através da alimentação por peixes, por exemplo. Além 
disso, no Pibid de biologia também tínhamos aulas de campo, 
em uma delas fomos a Natal.
A escola fechou no ano de 2017 por problemas na rede 
elétrica, que comprometeram toda a estrutura da escola, pondo 
em risco os funcionários e alunos. Desde esse ano, ela mudou 
sua localidade e atualmente funciona no prédio de outra escola, 
de modo que duas instituições funcionam no mesmo prédio, 
que ficou dividido.
MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS
Carlete Barbosa de Souza
135
5 INGRESSO NA UNIVERSIDADE
Terminei o ensino médio no ano de 2016. Fiz Enem nesse mesmo 
ano. Trata-se de processo seletivo criado pela Portaria MEC nº 
438, de 28 de maio de 1998, com o objetivo de avaliar o desem-
penho dos estudantes e também de oferecer oportunidades 
de acesso ao ensino superior. Porém, quando saiu o resultado 
do exame, em 2017, não entrei na universidade. Cheguei a me 
inscrever e passei na primeira chamada, porém, não fui fazer 
a inscrição. Na época, não tinha passado para a UFRN, pois eu 
havia tirado uma nota abaixo de 450 em matemática e, segundo 
a regulamentação da UFRN, para ter direito a concorrer a vagas 
nessa universidade, é necessário tirar uma nota acima de 450. 
Nesse ano, eu me inscrevi para a UERN de Caicó e escolhi filo-
sofia, porém, o curso que realmente queria era o de psicologia 
que não tem na cidade de Caicó e não tinha condições de cursar 
em outra cidade. Em 22 de dezembro de 2017, foi publicada 
a resolução CNE/CP n° 2, que orienta a implantação da base 
comum curricular a ser respeitada ao longo das etapas e moda-
lidades no âmbito da educação básica. 
Passei um ano sem estudar ou trabalhar, pois queria ver 
se tinha a oportunidade de poder ir cursar psicologia em outra 
cidade. Por isso, fiz o Enem novamente e, em 2018, veio o resultado 
e mesmo eu tendo alcançado uma nota satisfatória, ainda assim, 
não poderia ir para outra cidade cursar o que desejava por falta de 
condições. Então resolvi me inscrever no curso de pedagogia. Como 
resultado, passei pelo Sisu em 9ª colocação na primeira chamada 
para a Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS
Carlete Barbosa de Souza
136
6 CONCLUSÃO
De acordo com os dados coletados, chega-se à seguinte 
conclusão: a educação brasileira e as políticas do país estão 
intimamente ligadas à vida das pessoas, afetando-as na sua 
vida pessoal e futuramente profissional. Desse modo, para um 
país avançar seriamente na educação, é necessário que real-
mente invista nesse setor, realizando ações como: a formação 
dos professores; o investimento nas estruturas das instituições 
de ensinos que muitas vezes deixam a desejar; a garantia da 
saúde e da segurança para as famílias da nação, para que assim 
possam-se obter resultados satisfatórios. 
MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS
Carlete Barbosa de Souza
137
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dos arts. 29, 30, 32 e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que 
estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, dispondo sobre 
a duração de 9 (nove) anos para o ensino fundamental, com matrícula 
obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de idade. Brasília, DF: Ministério 
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MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS
Carlete Barbosa de Souza
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MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS
Carlete Barbosa de Souza
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140
MINHA VIDA ESCOLAR E AS LEIS EDUCACIONAIS BRASILEIRAS
Carlete Barbosa de Souza
MEU CAMINHO ESTUDANTIL 
Cidelly Eduarda Silva Costa1
RESUMO
Este trabalho tem como objetivo fazer um recorte temporal 
entre os anos de 1988 a 2019. Para isso, foi utilizada uma linha do 
tempo que apresenta a trajetória desde quando realizei minha 
entrada na educação infantil até a Universidade, contando 
um pouco de alguns acontecimentos que mais me marcaram. 
Assim, foi realizado um levantamento das leis e suas respectivas 
mudanças que ocorreram durante o período da minha vida 
estudantil. Para a construção deste trabalho, foi realizada uma 
conversa com minha mãe e a utilização de lembranças que 
tenho em mente. Como embasamento teórico, utilizei o livro 
Estado e Educação no Brasil (GARCIA, 2008) e pesquisas realizadas 
em sites. Com isso, conclui-se que este trabalho serviu para 
recordar o quanto cada passo dado na minha vida escolar foi 
importante, assim como cada lei que rege nossa educação.
Palavras-Chave: educação; escola; vida.
1 Email: cidellyeduarda@gmail.com
MEU CAMINHO ESTUDANTIL
Cidelly Eduarda Silva Costa
142
1 INTRODUÇÃO
Este trabalho foi proposto pela disciplina História da Educação 
do Brasil, da Professora Doutora Tânia Cristina Meira Garcia. 
Trata da minha jornada escolar, buscando fazer recortes das leis 
brasileiras que foram instituídas durante esse percurso. Relato 
alguns acontecimentos pessoais que ocorreram durante todo 
esse tempo, iniciando pela Constituição Federativa do Brasil 
de 1988 e continuando até a minha entrada na Universidade 
Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), no Centro de Ensino 
Superior do Seridó (Ceres), campus de Caicó, no curso de 
Pedagogia Licenciatura.
 Com base nessas memórias, pude perceber a devida 
importância de cada passo dado na minha educação e o quanto 
foi significativo para minha vida estudantil, desde quando 
entrei na creche, que é a primeira instituição de ensino 
ofertada às crianças, até os dias atuais. Para a construção do 
presente trabalho, realizei pesquisas em vários sites, para ler e 
aprender mais sobre cada lei que citei. Usei como base teórica 
o livro Estado e Educação no Brasil (1987-1996) (GARCIA, 2009). 
Nessa perspectiva, este trabalho é de suma importância para 
os estudos no meio educacional, pois, a partir dele, percebi que 
ocorreram muitas mudanças nas leis que regem a educação 
no Brasil e com elas temos assegurado o direito de frequentar 
as instituições de ensino.
MEU CAMINHO ESTUDANTIL
Cidelly Eduarda Silva Costa
143
2 DA EDUCAÇÃO INFANTIL 
AO ENSINO FUNDAMENTAL
Para iniciar a trajetória escolar, tive como ponto de partida a 
Constituição da República Federativa do Brasil, que declara que a 
educação é direito de todos. Desse modo, “a garantia do direito à 
educação, como direito fundamental, está posta na Carta de 1988 
em capítulo específico ao tema”, como cita Garcia (2009, p. 45). 
Iniciei minha vida escolar muito cedo, exatamente no 
ano de 1997, mais precisamente com quatro meses de vida, pois 
minha mãe era diretora da escola e precisou voltar a trabalhar. 
Com isso, comecei a frequentar a educação infantil, na sala do 
berçário, na creche Joana Melo de Azevedo, que pertencia ao 
ensino público, no turno matutino, que funcionava na Zona 
Rural, na comunidade Fazenda Seridó, município de São José 
do Seridó-RN, onde cursei até a pré-escola. 
Naquele tempo, morávamos distante da creche. Minha 
mãe me trazia dentro de uma caixa cheia de lençóis e almo-
fadas, que era presa ao tanque da moto, pois não possuíamos 
carro e era a única maneira de chegar até a instituição. Naquela 
época, a educação era regida pela nova e atual Lei de Diretrizes 
e Bases da Educação (LDB), Lei n° 9.394, criada em 1996, que 
regulariza a organização da educação brasileira.
Em 1998, na mesma creche, cursei o Nível I com a profes-
sora Maria das Vitórias. Era uma criança muito levada, mordia 
até meus colegas e tinha de passar a manhã inteira nos braços 
da professora. Lembro-me de ouvi-la contando isso várias vezes 
quando cresci. Nesse mesmo ano, surgiu o Exame Nacional do 
Ensino Médio (Enem), que tinha como objetivo analisar o nível 
de educação do Brasil no ensino médio. Continuei meus estudos 
na referida instituição até a minha saída, no ano de 2003.
MEU CAMINHO ESTUDANTIL
Cidelly Eduarda Silva Costa
144
Passei, então, a estudar na Escola José Cirilo Alves, na 
mesma comunidade rural. Durante essa etapa escolar, já estava 
em prática o Plano Nacional de Educação (PNE), que havia sido 
instituído no ano de 2001, mais precisamente em 9 de janeiro. 
Desse modo, o ensino fundamental de nove anos se tornou meta 
progressiva da educação nacional. Na escola José Cirilo, cursei 
apenas os dois primeiros anos do fundamental, pois era muito 
difícil estudar na mesma escola em que minha mãe trabalhava, 
tudoo que acontecia comigo levavam em consideração ser filha 
da professora. Acredito que uma das piores coisas foi ser aluna 
da minha mãe, sofríamos muito, pois, em diversas vezes, na 
hora da aula, não pude responder aos questionamentos feitos 
pela professora, visto que os meus próprios colegas diziam que 
eu saberia a resposta por ser filha dela. Isso era um constante 
sofrimento. Eu e ela sabíamos o quanto eu me esforçava para 
estudar. Houve dias de eu me negar a ir à escola, falava para 
minha mãe que não aguentava mais tanto desprezo, foi quando 
ela viu a necessidade de me levar para estudar na cidade de São 
José do Seridó. 
 No ano de 2005, dei continuidade aos meus estudos na 
escola Jesuíno Azevedo, na 3ª série do ensino fundamental, no 
turno vespertino. Foi um ano bem complicado, eu havia deixado 
todas as minhas amigas na escola do sítio, mas eu sabia que ali 
seria melhor. Com o passar dos dias, as coisas foram melhorando, 
fiz novas amizades e foi o ano em que fui pela primeira vez na 
temida Diretoria. Foi um dia terrível, a professora me mandou 
para lá com mais três colegas, o motivo foi termos chegado atra-
sadas do intervalo. Levei a maior bronca da minha mãe. 
Em 2006, realizei minha matrícula na Escola Municipal 
Raul de Medeiros Dantas, que ficava localizada na Rua Manoel 
Sabino, Centro de São José do Seridó-RN, na 4ª série, pois na 
MEU CAMINHO ESTUDANTIL
Cidelly Eduarda Silva Costa
145
escola Jesuíno Azevedo as estruturas eram bem precárias e 
tiveram de transferir algumas turmas para essa outra insti-
tuição. Foi nesse mesmo ano que sancionaram a Lei n° 11.274, 
que regulamentava o ensino fundamental para nove anos, 
substituindo a nomenclatura das séries. Lembro que isso gerou 
um pouco de confusão na mente dos alunos, até que um dia o 
professor nos explicou direito como funcionava essa lei. Foram 
anos muito bons e de bastante aprendizado, vivi momentos 
que jamais esquecerei, foi lá que tirei meu marcante 10,0 em 
matemática, com a professora que nos ensinava essa disciplina. 
No ano de 2007, foi criada a Lei n° 11.494, que instituía o 
Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica 
e de Valorização dos Profissionais da Educação 9 (Fundeb); e 
em 29 de dezembro de 2008, a Lei n° 11.892, pela Rede Federal 
de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, criando os 
Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Assim, 
em 2010, eu me submeti à prova que seria a chave de entrada 
para estudar no tão sonhado Instituto Federal do Rio Grande do 
Norte (IFRN), no Campus de Caicó, que tinha sido inaugurado 
no dia 20 de agosto de 2009, porém, não consegui a vaga.
3 DO ENSINO MÉDIO ATÉ A CHEGADA 
AO ENSINO SUPERIOR
No ano de 2011, comecei a cursar o ensino médio, no turno 
vespertino, na Escola Estadual Professor Raimundo Silvino da 
Costa, localizada na Rua Joaquim Loló, em São José do Seridó, 
que abrangia todo o ensino médio. Lá passei por anos bem 
difíceis, sofria muito por falta de empatia de uma turma de 
MEU CAMINHO ESTUDANTIL
Cidelly Eduarda Silva Costa
146
meninas da mesma sala, mas também fiz muitas amizades 
verdadeiras, éramos uma turma bem animada, adorávamos 
conversar com as funcionárias da cozinha. 
No ano de 2012, houve um ponto de grande impor-
tância, foi quando as entradas para as instituições públicas de 
educação superior passaram a ser por meio do Exame Nacional 
do Ensino Médio (Enem). A entrada se dava pelo Sistema de 
Seleção Unificada (Sisu), que era desenvolvido pelo Ministério 
da Educação, assegurado pela lei de n° 12.711, que instituía o 
ingresso nas universidades federais e nas instituições federais 
de ensino técnico de nível médio. 
Em 2013, ano em que concluí o ensino médio, tivemos uma 
bela festa de formatura, lembro que na nossa aula da saudade 
chorei muito, pois construí amizades com professores que jamais 
esquecerei. Acredito que deixamos um legado naquela escola, 
pois participamos de peças teatrais que foram um sucesso, fomos 
destaques nas oficinas produzidas nas aulas de química e nos 
destacamos por ter alunos que obtiveram excelentes desempe-
nhos nos exames que dão acesso ao ensino superior. 
Fiz a prova do Enem, mas não consegui nota suficiente 
para ingressar nas Universidades Federais como almejava. 
Não desisti. Em 2014, realizei a prova do Técnico subsequente 
de vestuário do Instituto Federal do Rio Grande do Norte, no 
campus de Caicó, e fui aprovada. Cursei um semestre. 
No mesmo ano, fiz novamente a prova do Enem, com 
resultado no início do ano de 2015. Por meio do Sisu, consegui 
uma vaga no curso de matemática na Universidade Federal do 
Rio Grande do Norte, Campus de Caicó. No segundo semestre 
do curso, mais precisamente no dia 16 de novembro de 2015, 
data em que estava completando três meses de gravidez, estava 
indo para a cidade de São José do Seridó de moto, pois morava 
MEU CAMINHO ESTUDANTIL
Cidelly Eduarda Silva Costa
147
na Zona Rural e precisava me locomover até a cidade para pegar 
o ônibus com destino à Universidade. Nesse dia, sofri um grave 
acidente no caminho, fraturei a perna em alguns lugares, inter-
rompendo o meu término do semestre. Com isso, dei entrada 
em alguns documentos na UFRN, que me assegurou concluir o 
semestre em casa.
 Passei todo o ano de 2016 com o curso trancado, estava 
me recuperando do acidente e, ao mesmo tempo, vivendo a 
minha nova vida, com meu filho, o pequeno guerreiro José 
Benjamin. Chegado o ano de 2017, resolvi voltar à Universidade, 
foi quando descobri que minha área não era a matemática, 
passei a preferir muito mais as matérias pedagógicas do que 
as de cálculo. 
Diante dessa minha descoberta, decidi realizar a prova 
para vagas residuais no curso de Pedagogia, que ofertava cinco 
vagas, com uma concorrência de vinte e cinco pessoas inscritas, 
na qual fui aprovada. No ano de 2018, iniciei minha jornada 
de estudos no curso de Pedagogia Licenciatura. Sofri muitas 
críticas de pessoas que falavam que eu vivia pulando de galho 
em galho e não chegaria a lugar nenhum, mas com a ajuda dos 
meus familiares que sempre foram meus maiores apoiadores, 
superei todos esses obstáculos e estou muito feliz na minha 
graduação. Concilio a vida de estudante com a de mãe, é difícil, 
mas meu filho tornou-se minha maior motivação diária. É 
por ele que encontro forças para levantar às 05h da manhã, 
percorrer 11 km de moto, enfrentando em dias chuvosos, uma 
estrada cheia de buracos e lamas, que já me fez cair diversas 
vezes, para chegar a São José do Seridó e pegar o ônibus escolar 
para ir a Caicó. Em meio às dificuldades enfrentadas, não desa-
nimo e as transformo em degraus que servirão de caminho para 
a minha vitória como futura pedagoga. 
MEU CAMINHO ESTUDANTIL
Cidelly Eduarda Silva Costa
148
4 CONCLUSÃO
Este trabalho teve uma grande contribuição para minha vida 
acadêmica. Por meio dele, pude perceber, refletir e fazer a 
relação da minha linha do tempo pessoal com as transformações 
e mudanças que aconteceram nas leis que regem a educação 
brasileira e também relembrar o quanto vivi experiências 
magníficas no caminho escolar que pude percorrer. 
Nesse processo, é importante destacar o quanto esses 
trabalhos são facilitadores para os alunos dos cursos de licen-
ciatura, pois propiciam contribuições para a formação como 
docentes, instigando-os a uma reflexão que contribui de maneira 
significativa para o processo de aprendizagem do estudante. 
Portanto, é com base nessas experiências que o aluno aprimora 
seus conhecimentos, tornando-se um discente reflexivo, compro-
missado com sua formação, que é um processo de constante 
busca de novos aprendizados na vida pessoal e intelectual.
MEU CAMINHO ESTUDANTIL
Cidelly Eduarda Silva Costa
149
REFERÊNCIAS
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da 
República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, 
DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
constituicaocompilado.htm. Acesso em: 29 mar. 2019.BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 9.394, de 20 de 
dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da 
educação nacional. Disponível em: http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/LEIS/L9394.htm. Acesso em: 29 mar. 2019.
BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 11.274, de 20 de junho de 
2007. Regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da 
Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação 
- FUNDEB. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
Ato2004-2006/2006/Lei/L11274.htm. Acesso em: 29 mar. 2019.
BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 11.892, de 29 de 
dezembro de 2008. Institui a Rede Federal de Educação 
Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais 
de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá outras providências. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-
2010/2008/Lei/L11892.htm. Acesso em: 29 mar. 2019.
MEU CAMINHO ESTUDANTIL
Cidelly Eduarda Silva Costa
150
BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 12.711, de 29 de 
agosto de 2012. Dispõe sobre o ingresso nas universidades 
federais e nas instituições federais de ensino técnico 
de nível médio e dá outras providências. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
2014/2012/lei/l12711.htm. Acesso em: 29 mar. 2019.
REVISTA QUERO. Como surgiu: Enem, Sisu, Prouni e 
Fies. [S. l.]: Revista Quero, 2019. Disponível em: https://
querobolsa.com.br/revista/como-surgiu-enem-
sisu-prouni-e-fies. Acesso em: 29 mar. 2019.
GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e Educação no 
Brasil (1987/1996). João Pessoa: Ideia: EDUFRN, 2009. 
151
MEU CAMINHO ESTUDANTIL
Cidelly Eduarda Silva Costa
MINHA ESCOLARIZAÇÃO 
MEDIADA PELA HISTÓRIA 
DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 
Daniela Dara de Medeiros Santos1
RESUMO
Este artigo trata de uma linha do tempo, que tem como obje-
tivos apresentar um recorte histórico de momentos marcantes 
da minha trajetória como estudante, apontar as mudanças da 
legislação educacional neste período e perceber a relação da 
minha vida pessoal e escolar com a História da Educação. Diante 
disso, vale destacar o ano de 1996, ano que eu nasci, como ponto 
de partida da minha vida pessoal. Porém, meu recorte histórico 
começa no início do meu processo de escolarização, que foi no 
ano de 2000 até os dias atuais. Dessa forma, usei como base 
teórica os estudos passados durante a primeira unidade da 
disciplina História da Educação Brasileira, ministrada pela 
docente Tânia Cristina Meira Garcia, principalmente a obra 
Estado e Educação no Brasil, de Garcia (2008); textos acadê-
micos relacionados ao assunto; como também o diálogo com 
1 Email: danieladara25@gmail.com
Daniela Dara de Medeiros Santos
153
MINHA ESCOLARIZAÇÃO MEDIADA PELA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
as legislações educacionais vigentes no período da minha 
trajetória escolar. A partir da pesquisa, análise e construção 
da linha do tempo, posso concluir que consegui alcançar os 
objetivos, visto que articulei e assimilei os marcos importantes 
da minha vida escolar com as legislações e história da educação 
brasileira.
Palavras-chave: linha do tempo; trajetória escolar; história 
da educação.
1 INÍCIO DO TRAJETO ESCOLAR 
E ENSINO FUNDAMENTAL I E II
No ano de 2000, comecei minha trajetória escolar, em uma 
creche no município de Caraúbas/RN, com suporte na Lei de 
Diretrizes e Bases (LDB) de 1996, que define e regulariza a 
educação brasileira pelas normas estabelecidas na constituição 
federativa de 1988. Com base nesses documentos, a educação 
infantil passa a ser incluída na educação básica, e ganhou mais 
destaque no cenário nacional. Entretanto, não tenho recorda-
ções desse tempo em que frequentei a educação infantil, mas 
lembro que minha mãe tinha a bolsa escola, programa criado 
no ano 2001, para atender as famílias de baixa renda, o que 
implicava que o aluno deveria ter 85% da frequência escolar.
 Meu ensino fundamental começou no ano de 2003, na 
Escola Municipal Giselda Soares Fernandes, no município de 
Caraúbas/RN. Tenho pouca lembrança de como era essa escola, 
mas lembro que só gostava de ir só pela merenda, para brincar 
com meus colegas e porque tinha que ter 85% da frequência, 
Daniela Dara de Medeiros Santos
154
MINHA ESCOLARIZAÇÃO MEDIADA PELA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
se não, perdia o bolsa família, programa criado no ano de 2003 
pelo governo de Lula. Hoje em dia, essa escola virou uma creche. 
No ano de 2004, tive a perda da minha mãe, e isso afetou minha 
vida pessoal e escolar, pois tive que vir morar no município de 
Caicó, com minhas tias. Comecei a estudar na Escola Municipal 
Auta de Souza, localizada na Rua Eustáquio José Nogueira, Barra 
Nova, onde fui muito bem recebida e comecei até o interesse pela 
educação. Atualmente, essa escola não é tão legal como antes. 
No ano seguinte, precisei mudar de escola. Cursei o quarto 
e o quinto ano na Escola Estadual Dom José Adelino Dantas, na 
Rua Josefa Vieira, no Walfredo Gurgel. Nessa escola, tive profes-
sores muito bons, foi lá que surgiu o despertar pela leitura, pelo 
teatro, pela dança. Isso ajudou muito para desenvolver minha 
oralidade e também estimular a perda da minha timidez. 
Os anos finais do ensino fundamental foram na Escola 
Estadual Zuza Januário, localizada na Rua José Quinino de 
Medeiros, Barra Nova. No ano de 2006, considerando o art. 32, 
da LDB n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa vigorar o ensino 
fundamental obrigatório com duração de 9 anos. Assim, esse 
nível se inicia aos 6 anos de idade, com base na lei n° 11.274, com 
um prazo de até 2010 para implementar a lei. No ano de 2007, 
essa lei foi implementada na escola Estadual Zuza Januário. No 
mesmo ano, outro fato histórico ocorreu: em 20 de julho de 2007, 
houve a mudança do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da 
Educação Básica (FUNDEB), por meio da emenda constitucional nº 
53/06 e da lei n° 11.494, com o objetivo de ampliar o atendimento 
para todos os alunos da educação básica-educação infantil, ensino 
fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos. Um 
marco importante nessa escola foi o projeto Mais Educação, 
criado pela Portaria Interministerial n° 17/2007 e regulamentado 
pelo Decreto n° 7.083/10. Com base nesse programa, tive mais 
Daniela Dara de Medeiros Santos
155
MINHA ESCOLARIZAÇÃO MEDIADA PELA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
contato com a cultura, as artes, a cultura digital, entre outras 
experiências que foram agregadas à minha trajetória escolar.
2 ENSINO MÉDIO E GRADUAÇÃO
Minha trajetória do ensino médio foi na Escola Estadual 
Professora Calpúrnia Caldas de Amorim, localizada na Rua 
Manoel Gonçalves de Melo, Barra Nova. Nessa escola, tive um 
aprendizado muito bom. Tenho recordações do laboratório. 
Inclusive, em uma aula de física, fizemos uma experiência 
que despertou o meu interesse pela física. Foi nessa escola que 
apresentei meu primeiro trabalho na semana cultural, um o 
projeto com o professor de química, do qual gostei muito de ter 
participado. Também foi nessa escola que fique pela primeira 
vez em recuperação, na disciplina de história. Esse fato me 
marcou muito, pois fiquei muito estressada, pois sempre 
passava por média, e dessa vez tinha ficado em recuperação. 
Pensava que ia ficar reprovada. Em maio de 2011, foi aprovado 
parecer estabelecendo novas diretrizes curriculares especi-
ficamente para o ensino médio (parecer CNE/CEB nº 5/2011). 
Referente a isso, as Diretrizes Curriculares Nacionais para o 
Ensino Médio (DCNEM), de 2011, têm como objetivo central 
possibilitar a definição de uma grade curricular mais atrativa 
e flexível, sugerindo uma estrutura curricular que articule 
uma base unitária com uma parte diversificada, que atenda 
a multiplicidade de interesses dos jovens. No meu último ano, 
tive uma professora muito boa de português, que me ajudou 
na dificuldade de fazer redação. Isso também foi um marco 
importante no meu processo de educação.
No ano de 2017, fiz o Exame Nacional do Ensino Médio 
(Enem), programa criandopela portaria MEC n° 438, de 28 de 
Daniela Dara de Medeiros Santos
156
MINHA ESCOLARIZAÇÃO MEDIADA PELA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
maio de 1998, que tem como objetivo avaliar o desempenho 
do estudante ao fim da escolaridade básica. Nesse mesmo ano, 
o MEC modificou os dias das provas que antes eram em dias 
consecutivos, passou a ser em dois domingos. Ademais, por meio 
do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) edição 2018, e com a nota 
do ENEM de 2017, entrei no curso de pedagogia do Centro de 
Ensino Superior do Seridó (CERES), Universidade Federal do Rio 
Grande Norte (UFRN), da cidade Caicó-RN. O primeiro ano de 
universidade foi muito difícil, pois, assim que entrei, tive duas 
perdas muito importantes na minha vida, e isso afetou meu 
desempenho acadêmico, fazendo com que ficasse reprovada 
em uma disciplina. Atualmente, estou no terceiro período do 
curso. A partir da pesquisa, análise e construção da linha do 
tempo, posso concluir que consegui alcançar os objetivos, visto 
que articulei e assimilei os marcos importantes da minha vida 
escolar com as legislações e história da educação brasileira.
Daniela Dara de Medeiros Santos
157
MINHA ESCOLARIZAÇÃO MEDIADA PELA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
REFERÊNCIAS
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da 
República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, 
DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
constituicaocompilado.htm. Acesso em: 3 nov. 2021.
BRASIL. MEC. Edital de ingresso nos cursos de graduação 
da UFRN por meio do sistema de Seleção Unificada 
(SISU) para o ano de 2018. Brasília, DF: MEC, 2018.
BRASIL. MEC. Legislação Educacional de 
2003 a 2010. Brasília, DF: MEC, [2011?].
GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e educação do 
Brasil (1987-1996). João Pessoa: EDUFRN: Ideia, 2009.
LOPES, E. M. T.; FARIA FILHO, L. M.; VEIGA, C. G. 500 anos 
de educação no Brasil. 3. ed. São Paulo: Autêntica, 2007.
158
Daniela Dara de Medeiros Santos
MINHA ESCOLARIZAÇÃO MEDIADA PELA HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO BRASILEIRA
EM BUSCA DE UM MUNDO 
DE CONHECIMENTOS
Dayane Kelly Queiroz Lima1
RESUMO
Este artigo trata um pouco sobre a História da Educação 
Brasileira acompanhada por relatos de acontecimentos 
marcantes que aconteceram durante todo esse tempo. Este 
relato traz a trajetória da minha vida escolar a partir de uma 
linha do tempo. Utiliza como base as leis que regem a educação 
desde 1988 até os dias atuais. Ao relatar sobre a minha trajetória, 
irei destacar momentos importantes que me impulsionaram a 
ir em busca dos conhecimentos e saberes. O artigo foi baseado 
em pesquisas no site do Planalto e no livro Estado e Educação no 
Brasil (GARCIA, 2009). Depois de todo o estudo e as pesquisas, foi 
concluído que já houve várias mudanças na educação brasileira 
durante todos esses anos, tanto positivas quanto negativas.
Palavras-chave: educação; escola; mudanças.
1 Email: dayannekelly504@gmail.com 
EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS
Dayane Kelly Queiroz Lima
160
1 PRÉ-ESCOLA E ENSINO FUNDAMENTAL I
Minha vida escolar começou no ano de 2002, quando eu tinha 
apenas 4 anos. Iniciei-a em uma escola privada, localizada no 
Bairro Barra Nova, na cidade de Caicó-RN, chamada Escola 
Criativa. Nessa instituição, dei início à pré-escola com o Jardim 
I e continuei em 2003, com o Jardim II, o que atualmente é 
chamado de Nível 4 e Nível 5. Em 2004, tive de sair para ir para 
uma escola mais próxima de onde morava. Em 2005, retornei 
para a mesma escola, para assim estudar o 2º e 3º ano do ensino 
fundamental I, permanecendo até 2006. 
Nos dois primeiros anos, os momentos que mais me 
marcaram foram as rodas de conversa e leitura. A professora 
sentava conosco e contava a história de uma forma diferente, pois 
ela não só lia como também procurava expressar o que se passava 
na história para que os alunos pudessem ter uma compreensão 
melhor, deixando também as crianças mais presas àquela história 
e ansiosas para saber o término dela. Quando a história só é lida, 
as crianças não se interessam muito e ficam ociosas. 
Um fato que me marcou bastante também na referida 
escola é que a equipe sempre se dedicava bastante a celebrar 
as datas comemorativas, como: dia das mães, dia dos pais, dia 
do índio, folclore, São João (Figura 1). No dia do índio do ano de 
2005, foi realizada uma festa à fantasia. Assim, todos os alunos 
foram fantasiados de índio. Outro dia, os alunos foram levados 
para visitar o Rio Barra Nova para, assim, observar de perto toda 
a poluição existente dentro e ao redor do rio. Momentos como 
esses me marcaram bastante. Os quatro anos que vivi naquele 
ambiente escolar foram muito bons, pois os professores sempre 
procuravam, de alguma forma, sair daquela educação tradicional, 
em que os alunos ficam “presos” dentro da sala de aula.
EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS
Dayane Kelly Queiroz Lima
161
Figura 1: Festa de São João
Fonte: acervo pessoal.
No ano de 2004, iniciei meu ano letivo na Escola Sesc 
Seridó – Serviço Social do Comércio, localizada no bairro Boa 
Passagem, onde fiz a alfabetização, o que atualmente chama-se 
1º ano do ensino fundamental I. No início do ano seguinte (2005), 
tive de retornar para a Escola Criativa. Dois anos depois, volto 
para o Sesc para, assim, concluir o ensino fundamental I, 
fazendo o 4º e o 5º ano. 
Nesses três anos passados nessa escola, vários momentos 
marcaram a minha trajetória escolar, desde o esforço e a dedi-
cação da professora que tive a honra de ter na alfabetização 
(fase considerada uma das mais importantes da educação, pois 
é quando as crianças aprendem a ler e escrever) até a “cultura” 
existente na escola, visto que toda semana existia um dia em 
que todos os alunos e professores se dedicavam para hastear a 
bandeira do Brasil e cantar o hino nacional. Nos anos finais do 
EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS
Dayane Kelly Queiroz Lima
162
ensino fundamental I, havia também um dia na semana em que 
cada turma iria ter o seu momento de “diversão”, que era na 
aula de Educação Física. Para isso, a escola disponibilizava uma 
quadra e o campo e cada semana era uma atividade diferente.
2 ENSINO FUNDAMENTAL II
Iniciei o ensino fundamental II no ano de 2009, com o 6º ano, 
na Escola Estadual Monsenhor Walfredo Gurgel, no bairro 
Paraíba, uma escola de modelo tradicional, com avaliações 
somente a partir de provas e trabalhos, professores que não se 
preocupavam com os alunos, só se interessavam em repassar o 
conteúdo que estava no livro. Apesar disso, a equipe diretiva da 
escola valorizava as datas comemorativas, realizando confra-
ternizações para o dia das mães e dos pais, festas de São João 
etc. A escola também possui uma banda marcial que é composta 
por vários alunos e o objetivo maior é o de interação entre eles, 
como também fazer com que eles participem do desfile cívico 
na cidade no dia 7 de setembro.
Em 2010, fui para o CUCA – Colégio Universitário de Caicó. 
Nessa instituição, passei 3 anos letivos (7º, 8º e 9º). No 7º ano, 
senti um impacto muito grande, pois, no ano anterior, estava em 
uma escola estadual e, logo em seguida, fui para uma privada. 
Como todos sabem, o ensino de uma para outra se torna um 
pouco diferente, pelo motivo de o ensino da escola privada ser 
mais puxado, os professores mais rígidos, cobravam mais dos 
alunos etc. Diferentemente da escola anterior, as avaliações não 
eram feitas só por meio de provas e trabalhos, mas também com 
participações na aula, pontualidade, assiduidade. Ao final de 
EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS
Dayane Kelly Queiroz Lima
163
cada bimestre, era sempre realizado um simulado com questões 
de todas as disciplinas, realizado em cinco dias. Cada dia havia 
questões de duas matérias. Ex.: Segunda-feira era matemática 
e geografia; terça-feira já era ciências e português.
A escola disponibilizava várias modalidades de esportes 
para os alunos se entreterem, como: vôlei, futsal, atletismo e 
judô. Asequipes do vôlei e do futsal participavam dos Jogos 
Escolares do Rio Grande do Norte (Jerns), que é um campeonato 
seridoense entre times das escolas do Seridó. O atletismo e o 
judô participavam de campeonatos diferentes que iam ocor-
rendo durante o ano. Vale ressaltar que os alunos que mais se 
destacassem nas modalidades ganhavam uma bolsa parcial de 
50%, ou seja, tinha desconto na mensalidade.
3 ENSINO MÉDIO
No ano letivo de 2013, iniciei o ensino médio no Instituto Federal 
do Rio Grande do Norte (IFRN), campus Caicó. O IFRN dispõe de 
quatro cursos técnicos, vestuário, eletrotécnica, informática e 
têxtil, sendo, assim, eu cursei vestuário durante quatro anos. 
No início, foi muito impactante, pois apesar de ter vindo de uma 
instituição privada, com todas as exigências dos professores, 
ensino puxado, mesmo assim ainda senti um pouco de dificul-
dade, pois a metodologia de ensino lá era totalmente diferente. 
Mas, aos poucos, fui me adaptando.
Um dos fatos que me marcou bastante na escola foi a 
participação ativa dos alunos. Essa participação era feita pelo 
Grêmio Estudantil e pelo Conselho de Classe. O grêmio era 
formado por pessoas que nos representavam nas reuniões e 
EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS
Dayane Kelly Queiroz Lima
164
decisões do Instituto, já o conselho de classe acontecia todo 
bimestre por meio de uma reunião na sala de aula com parti-
cipação de uma pedagoga e os alunos. Na ocasião, os alunos 
discutiam problemas, melhorias e dificuldades de aprendizagem 
relacionados com cada matéria. Depois daquele momento, tinha 
uma reunião entre os professores e a pedagoga com o repre-
sentante de cada sala, que passava o que foi discutido entre os 
alunos. Esses momentos eram muito importantes, pois é preciso 
a participação dos alunos também em um ambiente escolar, 
para que eles deem sugestões de melhorias para algo, como 
também expressar alguma dificuldade que estejam sentindo 
em relação a algo ou alguém.
4 ENSINO SUPERIOR 
Em 2018, iniciei o ensino superior na Universidade Federal do 
Rio Grande do Norte (UFRN), Centro de Ensino Superior do 
Seridó (Ceres) Caicó, por meio do Sistema de Seleção Unificada 
(Sisu) 2018, do MEC, com o objetivo de oferecer vagas para estu-
dantes em universidades públicas, a partir das notas no Exame 
Nacional do Ensino Médio (Enem). Permaneço na universidade 
até os dias atuais, no terceiro período, cursando Pedagogia – 
Licenciatura. Não senti muito impacto no início, pois como já 
vinha de uma instituição federal, a metodologia de ensino é 
praticamente a mesma.
EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS
Dayane Kelly Queiroz Lima
165
5 MARCOS LEGAIS
Em 1988, foi criada a Carta Constitucional, que deixa explí-
cito, no artigo 205, que: “A educação, direito de todos e dever 
do Estado e da família, será promovida e incentivada com a 
colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento 
da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua 
qualificação para o trabalho” (BRASIL, 1988, não paginado).
De acordo com Garcia:
Com esta Constituição, lei federal estabelecerá o plano 
nacional de educação, de duração plurianual, visando à 
articulação e ao desenvolvimento do ensino em seus diversos 
estádios e à integração das ações do poder público que 
conduzam à erradicação do analfabetismo, à universalização 
do atendimento escolar, à melhoria da qualidade do ensino, 
à formação para o trabalho e à promoção humanística, cien-
tífica e tecnológica do País (GARCIA, 2009, p. 52).
Ainda no parágrafo 3º do artigo 208 determina que: 
“Compete ao Poder Público recensear os educandos no ensino 
fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou 
responsáveis, pela frequência da escola”. A Lei nº 9.394, atuali-
zada em 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes 
e bases da educação, é considerada uma das principais leis que 
regem a educação, pois ela determina os direitos e deveres do 
Estado e da família com a educação. 
O artigo 3º trata dos princípios-bases de como o ensino 
será ministrado, que são: igualdade de condições para o acesso 
e permanência na escola; liberdade de aprender, ensinar, 
pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber; 
EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS
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166
pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas; respeito à 
liberdade e apreço à tolerância; coexistência de instituições 
públicas e privadas de ensino; gratuidade do ensino público 
em estabelecimentos oficiais; valorização do profissional 
da educação escolar; gestão democrática do ensino público, 
na forma desta Lei e da legislação dos sistemas de ensino; 
garantia de padrão de qualidade; valorização da experiência 
extraescolar; vinculação entre a educação escolar, o trabalho 
e as práticas sociais; consideração com a diversidade étnico-ra-
cial. (Incluído pela Lei nº 12.796, de 2013); garantia do direito à 
educação e à aprendizagem ao longo da vida. (Incluído pela Lei 
nº 13.632, de 2018).
Já no artigo 4º fala que o dever do Estado com a educação 
pública é garantir a educação básica obrigatória e gratuita dos 
quatro aos dezessete anos de idade, que deve ser organizada 
da seguinte forma: educação básica obrigatória e gratuita 
dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade, organizada da 
seguinte forma: pré-escola; ensino fundamental e ensino médio.
Em 20 de dezembro de 2002 foi criada a Lei 10.436, que 
dispõe da Língua Brasileira de Sinais – Libras e dá outras 
providências. No 1º artigo cita que é reconhecida como meio 
legal de comunicação e expressão a Língua Brasileira de Sinais 
- Libras e outros recursos de expressão a ela associados, ainda 
no parágrafo único do mesmo artigo diz: 
Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a forma 
de comunicação e expressão, em que o sistema linguístico de 
natureza visual-motora, com estrutura gramatical própria, 
constituem um sistema linguístico de transmissão de ideias 
e fatos, oriundos de comunidades de pessoas surdas do Brasil 
(BRASIL, 2002, não paginado). 
EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS
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167
Com essa lei é possível observar que melhorou bastante a 
linguagem entre os surdos, como também o diálogo entre eles 
e as pessoas que não possuem deficiência auditiva.
No 4º artigo fala que o sistema educacional federal e os 
sistemas educacionais estaduais, municipais e do Distrito Federal 
devem garantir a inclusão nos cursos de formação de Educação 
Especial, de Fonoaudiologia e de Magistério, em seus níveis médio 
e superior, do ensino da Língua Brasileira de Sinais - Libras, como 
parte integrante dos Parâmetros Curriculares Nacionais - PCNs, 
conforme legislação vigente. Ou seja, tornou-se disciplina obri-
gatória para todos da educação. Mas no parágrafo único desse 
artigo deixa bem claro que a mesma não poderá substituir a 
modalidade escrita da Língua Portuguesa.
A Lei 10.709, criada em 31 de julho de 2003, acrescenta 
os incisos nos artigos 10 e 11 da Lei 9.394 de 20 de dezembro 
de 1996 (LDB). No artigo 10, inciso VII determina que o estado 
tem que assumir o transporte escolar para os alunos da rede 
estadual e o município deve fazer o mesmo para os alunos da 
rede municipal, determinado no inciso VI, no artigo 11 da LDB.
No ano de 2004, entrou em vigor a Lei 10.861, onde a 
mesma estabelece o Sistema Nacional de Avaliação da Educação 
Superior - SINAES, com o objetivo de assegurar o processo 
nacional de avaliação das instituições de educação superior, 
dos cursos de graduação e do desempenho acadêmico de seus 
estudantes. De acordo com o artigo 4º, 
A avaliação dos cursos de graduação tem por objetivo iden-
tificar as condições de ensino oferecidas aos estudantes, em 
especial as relativas ao perfil do corpo docente, às instalações 
físicas e à organização didático-pedagógica (BRASIL, 2004, 
não paginado). 
EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS
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168
Essa avaliação é realizada através do Exame Nacionalde 
Desempenho dos Estudantes – ENADE e o mesmo será aplicado 
periodicamente, aos alunos de todos os cursos de graduação ao 
final do primeiro e do último ano de curso.
Em 13 de janeiro de 2005 foi sancionada a Lei 11.096, que 
institui o Programa Universidade para Todos – PROUNI, o que 
conforme o 1º artigo, o programa é destinado à concessão de 
bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de 50% ou 
de 25% para estudantes de cursos de graduação e sequenciais 
de formação específica, em instituições privadas de ensino 
superior, com ou sem fins lucrativos. A bolsa de estudo integral 
será concedida a brasileiros não portadores de diploma de curso 
superior, cuja renda familiar mensal per capita não exceda o 
valor de até um salário-mínimo e meio.
Já as bolsas de estudo parciais de 50% ou de 25%, cujos 
critérios de distribuição serão definidos em regulamento pelo 
Ministério da Educação, serão concedidas a brasileiros não porta-
dores de diploma de curso superior, cuja renda familiar mensal 
per capita não exceda o valor de até (três) salários-mínimos, 
mediante critérios definidos pelo Ministério da Educação.
A bolsa será destinada para: estudante que tenha cursado 
o ensino médio completo em escola da rede pública ou em insti-
tuições privadas na condição de bolsista integral; estudante 
portador de deficiência; a professor da rede pública de ensino, 
para os cursos de licenciatura, normal superior e pedagogia, 
destinados à formação do magistério da educação básica.
A Lei 11.274, criada em 6 de fevereiro de 2006, entra em 
vigor para determinar que a partir desse ano o ensino funda-
mental tem duração de nove anos e com matrícula obrigatória 
a partir dos seis anos de idade.
EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS
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169
Em 20 de junho de 2007 foi estabelecida a Lei 11.494 que 
regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da 
Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação 
– FUNDEB, no parágrafo 2 do artigo 8 determina que: 
As instituições comunitárias, confessionais ou filantrópicas 
sem fins lucrativos e conveniadas com o poder público 
deverão obrigatória e cumulativamente oferecer igualdade 
de condições para o acesso e permanência na escola e atendi-
mento educacional gratuito a todos os seus alunos; assegurar 
a destinação de seu patrimônio a outra escola comunitária, 
filantrópica ou confessional com atualização na etapa ou 
modalidade previstas nos parágrafos 1º, 3º e 4º deste artigo ou 
ao poder público no caso de encerramento de suas atividades 
(BRASIL, 2007, não paginado).
Já no segundo parágrafo do artigo 9 determina que, 
“Serão consideradas, para a educação especial, as matrículas 
na rede regular de ensino, em classes comuns ou em classes 
especiais de escolas regulares, e em escolas especiais ou espe-
cializadas” (BRASIL, 2007, não paginado). 
E no quarto parágrafo do artigo 10 cita que: “o direito à 
educação infantil será assegurado às crianças até o término do 
ano letivo em que completarem seis anos de idade” (BRASIL, 
2007, não paginado).
A Lei 11.892, criada em 29 de dezembro de 2008 foi a que 
instituiu a Rede Federal de Educação Profissional, Científica e 
Tecnológica e criou os Institutos Federais de Educação, Ciência 
e Tecnologia. De acordo com o segundo artigo:
EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS
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170
Os Institutos Federais são instituições de educação superior, 
básica e profissional, pluricurriculares e multicampi, especia-
lizados na oferta de educação profissional e tecnológica nas 
diferentes modalidades de ensino, com base na conjugação de 
conhecimentos técnicos e tecnológicos com as suas práticas 
pedagógicas, nos termos desta Lei (BRASIL, 2008, não paginado).
Os Institutos Federais tem várias finalidades, dentre elas: 
ofertar educação profissional e tecnológica, em todos os seus 
níveis e modalidades, formando e qualificando cidadãos com 
vistas na atuação profissional nos diversos setores da economia, 
com ênfase no desenvolvimento socioeconômico local, regional 
e nacional; desenvolver a educação profissional e tecnológica 
como processo educativo e investigativo de geração e adaptação 
de soluções técnicas e tecnológicas às demandas sociais e pecu-
liaridades regionais; promover a integração e a verticalização 
da educação básica à educação profissional e educação superior, 
otimizando a infraestrutura física, os quadros de pessoal e os 
recursos de gestão; desenvolver programas de extensão e de 
divulgação científica e tecnológica.
Mas os Institutos Federais têm objetivos e eles são: 
ministrar educação profissional técnica de nível médio, prio-
ritariamente na forma de cursos integrados, para os concluintes 
do ensino fundamental e para o público da educação de jovens 
e adultos; ministrar cursos de formação inicial e continuada de 
trabalhadores, objetivando a capacitação, o aperfeiçoamento, 
a especialização e a atualização de profissionais, em todos os 
níveis de escolaridade, nas áreas da educação profissional e 
tecnológica; realizar pesquisas aplicadas, estimulando o desen-
volvimento de soluções técnicas e tecnológicas, estendendo 
seus benefícios à comunidade; estimular e apoiar processos 
EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS
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171
educativos que levem à geração de trabalho e renda e à 
emancipação do cidadão na perspectiva do desenvolvimento 
socioeconômico local e regional. 
Oferecem também cursos superiores de diversas modali-
dades, sendo: cursos superiores de tecnologia visando à formação 
de profissionais para os diferentes setores da economia; cursos de 
licenciatura, bem como programas especiais de formação peda-
gógica, com vistas na formação de professores para a educação 
básica, sobretudo nas áreas de ciências e matemática, e para a 
educação profissional; cursos de bacharelado e engenharia, 
visando à formação de profissionais para os diferentes setores da 
economia e áreas do conhecimento; cursos de pós-graduação lato 
sensu de aperfeiçoamento e especialização, visando à formação 
de especialistas nas diferentes áreas do conhecimento; e cursos 
de pós-graduação stricto sensu de mestrado e doutorado, que 
contribuam para promover o estabelecimento de bases sólidas em 
educação, ciência e tecnologia, com vistas no processo de geração 
e inovação tecnológica.
Em 16 de junho de 2009, foi sancionada a Lei 11.947, 
que dispõe sobre o atendimento da alimentação escolar e do 
Programa Dinheiro Direto na Escola aos alunos da educação 
básica. Segundo o artigo 3º: “A alimentação escolar é direito 
dos alunos da educação básica pública e dever do Estado e será 
promovida e incentivada com vistas no atendimento das dire-
trizes estabelecidas nesta Lei” (BRASIL, 2009, não paginado).
O Programa Nacional de Alimentação Escolar - PNAE tem 
por objetivo contribuir para o crescimento e o desenvolvimento 
biopsicossocial, a aprendizagem, o rendimento escolar e a formação 
de hábitos alimentares saudáveis dos alunos, por meio de ações 
de educação alimentar e nutricionais e da oferta de refeições que 
cubram as suas necessidades nutricionais durante o período letivo.
EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS
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172
De acordo com o artigo 12:
Os cardápios da alimentação escolar deverão ser elabo-
rados pelo nutricionista responsável com utilização de 
gêneros alimentícios básicos, respeitando-se as referências 
nutricionais, os hábitos alimentares, a cultura e a tradição 
alimentar da localidade, pautando-se na sustentabilidade e 
diversificação agrícola da região, na alimentação saudável e 
adequada (BRASIL, 2009, não paginado).
A Lei 12.287, criada em 13 de julho de 2010 alterou a LDB 
de 1996 estabelecendo que o ensino da arte, especialmente em 
suas expressões regionais, constituirá componente curricular 
obrigatório nos diversos níveis da educação básica, de forma a 
promover o desenvolvimento cultural dos alunos.
Dia 1 de setembro de 2011, a Lei 12.472 acrescentano 
parágrafo 6 do artigo 32 da LDB de 1996, incluindo os símbolos 
nacionais como tema transversal nos currículos do ensino 
fundamental. 
Em 27 de dezembro de 2012, a Lei 12.764 determina 
a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com 
Transtorno do Espectro Autista. De acordo com o primeiro 
parágrafo do primeiro artigo: 
É considerada pessoa com transtorno do espectro autista 
aquela portadora de síndrome clínica caracterizada na 
forma dos seguintes incisos I ou II: I - deficiência persistente 
e clinicamente significativa da comunicação e da interação 
sociais, manifestada por deficiência marcada de comunicação 
verbal e não verbal usada para interação social; ausência 
de reciprocidade social; falência em desenvolver e manter 
EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS
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173
relações apropriadas ao seu nível de desenvolvimento; 
II - padrões restritivos e repetitivos de comportamentos, 
interesses e atividades, manifestados por comportamentos 
motores ou verbais estereotipados ou por comportamentos 
sensoriais incomuns; excessiva aderência a rotinas e padrões 
de comportamento ritualizados; interesses restritos e fixos 
(BRASIL, 2012, não paginado).
O artigo 3º trata sobre os direitos da pessoa com trans-
torno do espectro autista, que são: a vida digna, a integridade 
física e moral, o livre desenvolvimento da personalidade, a 
segurança e o lazer; a proteção contra qualquer forma de abuso 
e exploração; o acesso a ações e serviços de saúde, com vistas 
à atenção integral às suas necessidades de saúde, incluindo: o 
diagnóstico precoce, ainda que não definitivo; o atendimento 
multiprofissional; a nutrição adequada e a terapia nutricional; 
os medicamentos; informações que auxiliem no diagnóstico e 
no tratamento; o acesso: à educação e ao ensino profissionali-
zante; à moradia, inclusive à residência protegida; ao mercado 
de trabalho; à previdência social e à assistência social.
Ainda de acordo com o artigo 7º: 
O gestor escolar, ou autoridade competente, que recusar a matrí-
cula de aluno com transtorno do espectro autista, ou qualquer 
outro tipo de deficiência, será punido com multa de 3 (três) a 20 
(vinte) salários-mínimos (BRASIL, 2012, não paginado).
A Lei 13.246 foi sancionada dia 6 de julho de 2015 para 
instituir a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência 
(Estatuto da Pessoa com Deficiência). Sendo destinada a 
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174
assegurar e a promover, em condições de igualdade, o exercício 
dos direitos e das liberdades fundamentais por pessoa com 
deficiência, visando à sua inclusão social e cidadania.
Segundo o artigo 5: “A pessoa com deficiência será prote-
gida de toda forma de negligência, discriminação, exploração, 
violência, tortura, crueldade, opressão e tratamento desumano 
ou degradante” (BRASIL, 2015, não paginado). De acordo com 
o artigo 9, a pessoa com deficiência tem direito a receber aten-
dimento prioritário, sobretudo com a finalidade de: proteção e 
socorro em quaisquer circunstâncias; atendimento em todas 
as instituições e serviços de atendimento ao público; disponi-
bilização de recursos, tanto humanos quanto tecnológicos, que 
garantam atendimento em igualdade de condições com as demais 
pessoas; disponibilização de pontos de parada, estações e termi-
nais acessíveis de transporte coletivo de passageiros e garantia de 
segurança no embarque e no desembarque; acesso a informações 
e disponibilização de recursos de comunicação acessíveis; recebi-
mento de restituição de imposto de renda; tramitação processual 
e procedimentos judiciais e administrativos em que for parte ou 
interessada, em todos os atos e diligências.
No artigo 10 determina que compete ao poder público 
garantir a dignidade da pessoa com deficiência ao longo de 
toda a vida.
A Lei 13.409 criada em 28 de dezembro de 2016 dispõe 
sobre a reserva de vagas para pessoas com deficiência nos 
cursos técnicos de nível médio e superior das instituições 
federais de ensino.
Em 16 de fevereiro de 2017, a Lei 13.415 aprovou a reforma 
do ensino médio, de modo que: A Base Nacional Comum 
Curricular definirá direitos e objetivos de aprendizagem do 
ensino médio, conforme diretrizes do Conselho Nacional de 
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175
Educação, nas seguintes áreas do conhecimento: linguagens 
e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias; ciências da 
natureza e suas tecnologias; ciências humanas e sociais aplicadas.
De acordo com o parágrafo 7 do artigo 35-A: 
Os currículos do ensino médio deverão considerar a formação 
integral do aluno, de maneira a adotar um trabalho voltado 
para a construção de seu projeto de vida e para sua formação 
nos aspectos físicos, cognitivos e socioemocionais (BRASIL, 
2017, não paginado).
E por fim, a Lei 13.632, criada em 6 de março de 2018 para 
dispor sobre educação e aprendizagem ao longo da vida, onde 
a educação de jovens e adultos será destinada àqueles que não 
tiveram acesso ou continuidade de estudos nos ensinos funda-
mental e médio na idade própria e constituirá instrumento para 
a educação e a aprendizagem ao longo da vida.
EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS
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REFERÊNCIAS
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de assistência social no ensino superior; altera a Lei nº 10.891, 
de 9 de julho de 2004, e dá outras providências. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
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BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 11.274, de 6 de 
fevereiro de 2006. Altera a redação dos arts. 29, 30, 32 e 87 
da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece 
as diretrizes e bases da educação nacional, dispondo sobre 
a duração de 9 (nove) anos para o ensino fundamental, com 
matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de idade. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
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BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 11.494, de 20 de 
junho de 2007. Regulamenta o Fundo de Manutenção e 
Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos 
Profissionais da Educação - FUNDEB, de que trata o art. 60 do 
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; altera a Lei n 
o 10.195, de 14 de fevereiro de 2001; revoga dispositivos das Leis 
n os 9.424, de 24 de dezembro de 1996, 10.880,de 9 de junho de 
2004, e 10.845, de 5 de março de 2004; e dá outras providências. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
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Profissional, Científica e Tecnológica, cria os Institutos Federais 
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Programa Dinheiro Direto na Escola aos alunos da educação básica; 
altera as Leis nos 10.880, de 9 de junho de 2004, 11.273, de 6 de 
fevereiro de 2006, 11.507, de 20 de julho de 2007; revoga dispositivos 
da Medida Provisória no 2.178-36, de 24 de agosto de 2001, e a 
Lei no 8.913, de 12 de julho de 1994; e dá outras providências. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
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de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e 
bases da educação nacional, incluindo os símbolos nacionais 
como tema transversal nos currículos do ensino fundamental. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-
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altera o § 3º do art. 98 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
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abril de 2013. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro 
de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação 
nacional, para dispor sobre a formação dos profissionais 
da educação e dar outras providências. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
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Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
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BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 13.415, de 16 de fevereiro 
de 2017. Altera as Leis n º 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que 
estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, e 11.494, 
de 20 de junho 2007, que regulamenta o Fundo de Manutenção 
e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos 
Profissionais da Educação, a Consolidação das Leis do Trabalho 
- CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943, 
e o Decreto-Lei nº 236, de 28 de fevereiro de 1967; revoga a Lei nº 
11.161, de 5 de agosto de 2005; e institui a Política de Fomento à 
Implementação de Escolas de Ensino Médio em Tempo Integral. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2017/lei/l13415.htm. Acesso em: 3 nov. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 13. 632, de 6 de 
março de 2018. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 
1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), para 
dispor sobre educação e aprendizagem ao longo da vida. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2018/lei/L13632.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. 
GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e Educação no 
Brasil (1987-1996). João Pessoa: EDUFRN: Ideia, 2009.
 
181
EM BUSCA DE UM MUNDO DE CONHECIMENTOS
Dayane Kelly Queiroz Lima
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR 
DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO
 
Elianete Maria Medeiros de Souza1
RESUMO
Este trabalho aborda os pontos relevantes da linha do tempo 
da minha vida estudantil e acadêmica, objetivando descrever 
as lembranças e histórias da minha infância, elencando os 
primeiros contatos com as palavras, as experiências vividas nas 
escolas, descrevendo desde o primeiro contato com a escrita, 
quando começou a primeira formação básica, sintetizando a 
educação infantil, o ensino fundamental e médio e o ingresso 
na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), sendo 
este um dos acontecimentos mais importantes, o ápice da reali-
zação de meus sonhos, que era de chegar a uma graduação. Este 
relato aponta os eventos que aconteceram durante a escola-
rização, as mudanças que aconteceram nas escolas, se houve 
alguma mudança na infraestrutura, quanto à oferta de níveis 
de ensino, mudança de endereço, se a escola está funcionando, 
e os principais aspectos da história da educação no Brasil. 
Palavras-chave: vida estudantil; graduação; escolarização.
1 Email: elianeteufrn2010@gmail.com
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO
Elianete Maria Medeiros de Souza
183
1 INTRODUÇÃO
O presente trabalho tem como objetivo descrever a aprendi-
zagem da linha do tempo ao longo da vida estudantil, quando 
serão relatados os aspectos relacionados a histórias, lembranças, 
anos iniciais do ensino infantil, fundamental e médio, se 
durante os anos de estudo houve promoção de escolarização de 
uma série para outra, quais foram as dificuldades enfrentadas 
durante o percurso para chegar a uma graduação. No trabalho 
da linha do tempo, descreve os principais aspectos da trajetória 
da vida estudantil à graduação, elencando as diferentes etapas 
e os desafios vivenciados e recordados durante toda a vida de 
aprendizagem e formação estudantil. 
A formação é um fato muito importante na vida escolar 
de uma pessoa, por isso, alguns acontecimentos da história 
trazem transformação e mudança para a educação a fim de 
melhorar a aprendizagem do aluno. Neste trabalho sobre a 
história da vida escolar, houve muitas mudanças no processo 
educacional e curricular que, durante a explanação deste 
artigo, serão comentados. São fatos que nortearam a história 
das escolas e as instituições de ensino.
2 DESENVOLVIMENTO
Este trabalho apresentará toda a minha vida estudantil: meu 
primeiro contato com a escola, com as palavras escritas e 
faladas, com as escolas onde estudei e as dificuldades enfren-
tadas durante todo o percurso de aprendizagem e formação.
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO
Elianete Maria Medeiros de Souza
184
2.1 TRAJETÓRIA ESCOLAR 
Nasci no município de Florânia, no estado do Rio Grande Norte, 
no dia 31 de maio de 1980. O referido município é reconhecido 
como a cidade das flores e está localizado na região do Seridó, 
com uma população de 8 mil habitantes, de acordo com o censo 
realizado pelo instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
(IBGE). Essa população vive tanto no meio rural, que sobrevive 
do leite que vende e da agricultura, como no meio urbano, com 
atividade voltada ao comércio e outros diversos empreendi-mentos do ramo alimentício e loja de roupas.
O ano de 1987 foi muito importante para mim, foi o ano 
em que iniciei meu estudo na primeira série. A professora seguia 
a cartilha, fazia atividade de cobrir e, em seguida, mandava os 
alunos transcrever para o caderno. Quem soubesse ler alguma 
palavra era promovido para a segunda série. Na época, a escola 
era chamada de Escola Isolada São José, que ficava localizada na 
zona rural no município de Florânia, onde a escola tinha uma 
infraestrutura boa, mas o local era pequeno, tinha apenas três 
cômodos: um banheiro, a sala de aula e o lugar onde era servida 
a merenda. Todos os alunos podiam conversar e se alimentar 
e brincar na hora do intervalo. A escola ofertava da primeira à 
quarta série. Por ser multisseriada, todos aprendiam ao mesmo 
tempo. As disciplinas estudadas eram comunicação e expressão, 
matemática, ciências e estudos sociais. A escola tinha dois quadros 
que eram divididos entre a 1ª série e a 2ª séries, e 3º e 4ª séries. 
Tinha como docente a professora Bernadete Félix de Medeiros, 
que se esforçava para dar conta de tantas crianças e adolescentes, 
tentando transmitir seus conhecimentos aos alunos.
No ano de 1988, passei para a segunda série, havendo a 
promoção da escolarização de uma série para outra. No entanto, 
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO
Elianete Maria Medeiros de Souza
185
repeti o ano, pois não sabia ler e escrever corretamente. Em 
1990, fui para a 3ª série e, em 1991, terminei a quarta série. Na 
escola, eu brincava bastante com os colegas. No caminho de 
casa, tinha muitas brigas, a professora precisava ir todos os 
dias até a metade do caminho para que não houvesse conflitos 
e brigas entre os alunos.
Figura 1: Escola Isolada São José
Fonte: acervo pessoal.
A Escola Isolada São José mudou seu nome para a Unidade 
Escolar São José. No ano de 2003, ela foi fechada, mas, a partir de 
outubro de 2007, foi reativada novamente, e está funcionando 
até os dias atuais2.
O ano da inauguração da Escola Estadual Unidade Escolar 
São José 2, foi inaugurada no ano de 1972, que teve como profes-
sora Cleonice Gomes Dantas, hoje aposentada como professora. 
2 Entrevista: Bernadete Félix de Medeiros.
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO
Elianete Maria Medeiros de Souza
186
Nos anos 1980, a docente Bernadete Félix de Medeiros, que tinha 
como formação o ensino curricular de 1ª a 4ª, começou a lecionar.
Antes, as escolas eram isoladas, básicas e estaduais. Nos 
anos 1990, passaram a ser de responsabilidade dos municípios, 
ou seja, as escolas isoladas localizadas na zona rural, da primeira 
à quarta série, com iniciativa do Governo Federal, passaram por 
um processo de nucleação. O projeto de nucleação de escolas 
encontrou seu embasamento legal na Lei nº 9.394/96 – Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que contempla, no seu 
art. 28, a questão da educação básica para a população rural e 
prevê, no seu art. 10, inciso II, que os estudos incumbir-se-ão de 
definir com os municípios as formas de colaboração na oferta do 
ensino fundamental, os quais devem assegurar a distribuição 
proporcional das responsabilidades, de acordo com a população 
a ser atendida e os recursos financeiros em cada uma dessas 
esferas do poder público.
No ano de 1992, iniciei na 5ª Série do ensino fundamental 
na Escola Estadual Teônia Amaral, que tem como o endereço: 
Praça Mãe Santa. A instituição foi inaugurada no ano de 1978, 
tendo como formação o ensino fundamental e médio. 
Quando iniciei os estudos na zona urbana na cidade de 
Florânia, tive bastante dificuldade em relação ao transporte, 
pois não tinha carro para o trajeto do sítio até a cidade, e, todos 
os dias, eu tinha que caminhar 7 quilômetros para estudar. Para 
ir à escola, precisava sair logo cedo, às 10:30 horas. Na maioria 
das vezes, eu ia para a escola sem almoçar para chegar a tempo 
da aula, pois o turno começava às 13:00 horas. Muitas das vezes, 
chegava cansada. Minha alegria era quando chegava a hora da 
merenda. A merendeira colocava sempre a mais para mim dos 
que os outros colegas, pois já sabia que não tinha feito minha 
refeição em casa. 
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO
Elianete Maria Medeiros de Souza
187
A vontade de estudar era tanta que aceitava os problemas 
e as dificuldades, e enfrentava os desafios. Na volta, era a mesma 
dificuldade, pois as aulas terminavam de 17:30 e chegava mais 
de 19:00 horas da noite em casa. No ano seguinte, em 1993, no 
segundo semestre, comecei a ir para a escola de jumento, pois 
não estava mais conseguindo ir a pé, e meus primos começaram 
também a estudar na cidade. Eles disseram que era melhor 
que fossem todos a cavalo, pois chegava mais rápido ao nosso 
destino, que era a escola.
Figura 2: Escola Teônia Amaral
Fonte: acervo pessoal.
 
A Escola Teônia Amaral está hoje com sua infraestrutura 
totalmente diferente. A cozinha foi construída onde era anti-
gamente a diretoria. Na instituição de ensino não existe mais 
o ensino fundamental, que deixou de ser ofertado em 2008. 
A escola oferta, atualmente, curso técnico de segurança do 
trabalho, que é vinculado ao ensino médio. Além das disciplinas 
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO
Elianete Maria Medeiros de Souza
188
complementares, os alunos cursam mais onze disciplinas no 
turno vespertino. Para os que não podem estudar no turno 
matutino, o ensino médio também está disponível à noite. 
No início, tive muita dificuldade em aprender as novas 
matérias, que eram diferentes das estudadas anteriormente. 
Na Escola Estadual Teônia Amaral, as disciplinas eram: língua 
inglesa, história, geografia, física, matemática, educação física 
e ensino religioso, entre outras. 
A educação é direito de todos e dever do estado e da família 
em decorrência da análise da legislação e de normas. Destaca-se, 
de início, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Lei n° 
4.024/61, que reafirma o direito dos excepcionais à educação. Esse 
documento indica, em seu art. 88, que, para integrá-los à comu-
nidade, sua educação deverá, dentro do possível, enquadrar-se 
no sistema geral de educação. Garcia (2009, p. 49) aponta que: 
“De acordo com o artigo 210, além da formação básica, conteúdo 
mínimo que assegure ‘o respeito aos valores culturais e artístico, 
nacionais e regionais, para fins da educação”.
No ano de 1996, ingressei no ensino médio. Escolhi 
o curso de auxiliar de escritório. No ano de 1998, concluí o 
referido curso. Em 1999, cursei o magistério e terminei em 
2000, porque quem tivesse o ensino médio, cursava dois anos 
do magistério, pois as disciplinas do 1º ano do ensino médio 
era as mesmas do primeiro ano do magistério. O magistério 
visava tão somente ensinar conteúdos e técnicas de ensino que 
seriam, posteriormente, avaliados no estágio supervisionado a 
ser realizado no final do curso como requisito parcial para a 
obtenção do certificado do curso do magistério.
No ano de 1996, o transporte escolar começou a levar 
os alunos da zona rural para a cidade. O carro tinha o nome 
popular “pau de arara’’. Esse foi um fator muito importante, 
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO
Elianete Maria Medeiros de Souza
189
porque o ensino médio só tinha à noite, e, com a inclusão do 
transporte escolar, muitos alunos da zona rural começaram a 
estudar na zona urbana. 
A Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, estabelece as 
diretrizes e bases da educação nacional, e define que o ensino 
médio é considerado a etapa final da educação básica, com 
duração de três anos, tendo como finalidade preparar o aluno 
para o mercado de trabalho. A antiga função do ensino médio 
era a de fornecer uma educação preparatória ao estágio supe-
rior, sendo subordinada à habilitação profissional. Desse modo, 
a formação de técnicos e auxiliares-técnicos destinados ao 
preenchimento de postos de trabalho na indústria, no comércio, 
nos serviços e na agriculturapassava a ser o objetivo de todas 
as escolas de segundo grau. Para diminuir as resistências dos 
jovens, principalmente os que cursavam o ensino secundário, 
o novo ensino foi chamado de profissionalizante. 
2.2 FORMAÇÃO ACADÊMICA 
Terminei o ensino médio em 2000, e, logo no ano seguinte, 
comecei a estudar para o vestibular, estudava em casa, pois 
não tinha condições de pagar um cursinho. Sempre pedia livros 
emprestados na biblioteca para estudar em casa. Também 
gostava de assistir pela televisão o programa Telecurso do 
segundo grau, que ensinava muitos assuntos interessantes das 
disciplinas que eram cobradas no vestibular. 
Todos os anos, eu me submetia ao vestibular, mas não 
passava. Tentei vários cursos, como história, administração. 
No ano de 2009, tentei o curso de turismo em Currais Novos, 
pois era um curso novo. Analisei, pelo edital da COMPERVE, 
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO
Elianete Maria Medeiros de Souza
190
que, como o curso tinha 50 vagas, ia ser menos concorrido que 
os outros. Não conhecia o curso, só fiz porque queria entrar na 
faculdade de qualquer maneira, e fazia sete anos que tentava 
passar no vestibular. Fiz a prova e passei na primeira fase para 
corrigir a prova discursiva, fiquei entre os classificados, mas, na 
prova discursiva, depois do resultado final, fiquei na colocação 
53, sendo disponibilizadas apenas 50 vagas. Depois de 1 mês 
que as aulas haviam começado chegou um telegrama pra mim, 
dizendo que tinha de levar os documentos para cursar turismo. 
Como todos os que trabalhavam nos Correios me conheciam, 
pediram para o meu vizinho me entregar no sítio. Quando 
recebi o papel, foi uma alegria enorme. Só acreditei que tinha 
passado quando cheguei à universidade e fiz minha inscrição 
para cursar minha primeira graduação. 
O meu ingresso na Universidade Federal do Rio grande 
do Norte (UFRN) deu-se pelo vestibular, no ano de 2009. Para 
tanto, era preciso fazer uma prova com questões objetivas e 
discursivas. O vestibular era aberto aos portadores de certifi-
cado de conclusão do ensino médio (ou curso equivalente) ou 
que estavam cursando, no ano letivo de 2009, o último ano do 
ensino médio (ou curso equivalente) (RAMALHO, 2008).
O candidato podia fazer a prova nas seguintes áreas: 
humanística I e II, tecnológica II, e biomédica. Cada área tinha 
as provas especificas para cada curso, só sendo corrigida a 
prova discursiva de quem acertasse pelo menos uma questão 
nas objetivas de cada disciplina.
A Lei nº 5540/1968, de 28 de novembro de 1968, entrou 
em vigor no governo de Costa e Silva, sob a gestão de Tarso 
Dutra no Ministério da Educação e Cultura e estabeleceu as 
normas de organização e funcionamento do ensino superior e 
sua articulação com a escola média. O processo de federalização 
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO
Elianete Maria Medeiros de Souza
191
das instituições de ensino superior e as constantes críticas à 
política universitária, bem como o desenvolvimento do movi-
mento estudantil ocasionou a reforma de 1968 com base na Lei 
nº 5.540, que possibilitaram mudanças baseadas na repressão 
política e ideológica do corpo discente e do corpo docente. 
Essa reforma aliada com os atos institucionais baixados pelo 
governo militar e a constituição de 1967 abriram espaço para 
uma grande transformação do ensino superior, modificando a 
sua estrutura administrativa e política.
A Lei introduziu o regime de tempo integral e dedicação 
exclusiva aos professores, consolidou a estrutura departamental, 
dividiu o curso de graduação em duas partes – ciclo básico e 
ciclo profissional –, criou o sistema de créditos por disciplinas, 
instituiu a periodicidade semestral. As entidades privadas foram 
reconhecidas como entidades assistidas pelo poder público e foram 
suprimidas definitivamente as verbas orçamentárias vinculadas.
O ano de 2014 foi o da colação de grau. Finalmente 
terminei minha graduação no mês de abril e fui morar em 
Natal, para tentar conseguir emprego na área em que tinha feito 
minha graduação. Depois de três meses, consegui um emprego 
em uma casa de eventos que fazia festas para pessoas da terceira 
idade. Entretanto, no mês de outubro, durante a eleição, sofri 
um acidente. Estava andando na pista a caminho de Florânia, fui 
atropelada por um carro. Nesse acidente, quebrei a clavícula e 
fiquei sem trabalhar. Com isso, voltei novamente para a minha 
cidade de nascimento, Florânia.
No ano de 2015, comecei a fazer concurso e a colocar 
currículo nas empresas das cidades vizinhas. Era chamada para 
entrevista, mas as empresas não chamavam para trabalhar. 
Assim, em 2016, fiz a prova de reingresso da UFRN para Natal, 
que consiste em fazer uma prova de português e matemática 
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO
Elianete Maria Medeiros de Souza
192
e redação. Fiz para o curso de nutrição, não passei, pois não 
consegui a pontuação na disciplina de matemática. Todo ano 
tentava para um curso diferente. No ano de 2017, tentei para o 
curso de pedagogia e finalmente consegui ingressar novamente 
em outra graduação. No ano de 2018, passei a cursar licencia-
tura em pedagogia.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O trabalho abordou aspectos importantes da trajetória da linha 
do tempo da vida estudantil até o momento atual do Curso de 
Pedagogia, destacando fatos relevantes da minha história que 
permitiram a análise das mudanças que aconteceram durante 
da história da educação, as leis implantadas para melhorar 
o ensino básico ao ensino médio e a formação acadêmica. A 
formação nos anos iniciais, no fundamental e médio são muito 
importantes, pois passamos por várias etapas da nossa apren-
dizagem, como as histórias que aprendemos sobre os assuntos 
relacionados com a nossa cultura, os primeiros passos na 
construção da escrita, da leitura, e as leis que foram criadas 
para melhorar a nossa educação.
Portanto, este trabalho foi de suma importância para a 
disciplina de História da Educação Brasileira, como também 
para minha formação no curso de pedagogia, porque durante 
a explanação deste artigo, foram relembrados vários aspectos 
da história da educação durante a década de 1980 até o período 
atual. As leis da educação continuam mudando de acordo com 
os direitos do cidadão brasileiro que tem todo direito de estudar 
e buscar seus direitos para uma educação de qualidade.
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO
Elianete Maria Medeiros de Souza
193
REFERÊNCIAS
BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 9.394, de 20 de 
dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da 
educação nacional. Disponível em: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 3 nov. 2021. 
BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 5.540, de 28 de novembro 
de 1968. Fixa normas de organização e funcionamento do 
ensino superior e sua articulação com a escola média, e dá 
outras providências. Disponível em: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/leis/l5540.htm. Acesso em: 3 nov. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 4.024, de 20 de 
dezembro de 1961. Fixa as Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/leis/l4024.htm. Acesso em: 3 nov. 2021.
GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e Educação no 
Brasil (1987/1996). João Pessoa: Ideia: EDUFRN, 2009.
RAMALHO, Betania Leite. Edital do Vestibular de 2009. 
Natal: COMPERVE, 20 de junho de 2008. Disponivél em: http://
www.comperve.ufrn.br/conteudo/psanteriores/ps2009/
documentos/EditalVestibular2009.pdf. Acesso em: 13 dez. 2021. 
194
MINHA TRAJETÓRIA ESCOLAR DO ENSINO INFANTIL À GRADUAÇÃO
Elianete Maria Medeiros de Souza
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
Eneyse Dayane Pinheiro1
RESUMO
Este trabalho intitulado “A história da minha educação” 
consiste em um artigo como parte da avaliação referente à 
primeira unidade da disciplina História da Educação Brasileira, 
ministrada pela docente Tânia Cristina Meira Garcia, que 
possui como objetivosapresentar momentos significativos da 
minha trajetória como estudante, destacar as mudanças na 
legislação educacional neste período e compreender a relação 
da minha vida pessoal e escolar com a História da Educação. 
Diante disso, vale frisar o ano de 1988, quando foi promulgada a 
Constituição de 1988, atual carta magna do Brasil, como ponto 
de partida do percurso histórico da educação, da qual comecei 
a participar no ano de 2005 até os dias atuais. Também fizeram 
parte desse recorte leis como a nº 11.274/06, que aumenta o 
ensino fundamental para 9 anos, e a lei nº 11.494/07, referente 
ao FUNDEB que substitui o FUNDEF e Lei nº 9.394/96 – Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação. Além disso, houve a criação do 
Bolsa Família, o Programa de Apoio ao Transporte Escolar, a 
aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação 
1 Email: eneyse_dayane@hotmail.com 
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
196
Básica, especificamente a referente ao ensino médio em 2011, 
entre outras. Utilizei como aporte teórico os estudos ocorridos 
durante a primeira unidade da disciplina História da Educação 
Brasileira, especialmente por meio da obra Estado e Educação no 
Brasil, de Tânia Garcia (2009), sobre o ensino médio e as novas 
Diretrizes Curriculares Nacionais, também dialogando com as 
legislações educacionais vigentes no período do meu percurso 
escolar. Metodologicamente, o trabalho teve uma abordagem 
qualitativa. Utilizei como procedimentos pesquisas biblio-
gráficas com base na literatura e em legislações, e pesquisa 
documental, sendo possível perceber mudanças ocorridas 
durante a minha escolarização. A partir da pesquisa, análise 
e construção da linha do tempo, posso concluir que consegui 
alcançar os objetivos, visto que articulei e assimilei os marcos 
importantes da minha vida escolar com as legislações e história 
da educação brasileira.
Palavras chave: história; educação; Lei de Diretrizes e Bases.
1 INTRODUÇÃO
Este trabalho consiste em um artigo como parte da avaliação 
referente à primeira unidade da disciplina História da Educação 
Brasileira, ministrada pela docente Tânia Cristina Meira Garcia, 
que possui como objetivos apresentar momentos significativos 
da minha trajetória como estudante, destacar as mudanças na 
legislação educacional neste período e compreender a relação 
da minha vida pessoal e escolar com a História da Educação. 
Para melhor compreensão, o trabalho estará dividido em cinco 
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
197
tópicos sendo eles “Início de tudo”, “Ensino Fundamental 
I”, “Ensino fundamental II”, “Ensino médio” e “Ensino 
superior”. Diante disso, vale frisar o ano de 1988 como ponto 
de partida do percurso histórico da educação, ano este em que 
foi promulgada a Constituição de 1988, atual carta magna do 
Brasil, sendo esta regida pela Lei nº 9.394/96 – Lei de Diretrizes 
e Bases da Educação (LDB).
Como marcos importantes desse processo, destaquei as 
transferências de escolas, momentos artísticos que protagonizei 
e alguns professores que foram de suma importância para 
minha formação. Além disso, frisei meu ingresso no curso de 
pedagogia do CERES-UFRN, a minha entrada no Laboratório de 
Educação Novas Tecnologias e Estudos Étnico-Raciais (LENTE) 
e a minha participação, ainda ativa, nos projetos de pesquisa 
e extensão intitulados, “Como se Constitui a Cartografia 
da Sala de Aula? Um estudo sobre a (de)colonialidade do 
poder em classes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental” 
e “BONECAS ABAYOMI: Educação, Cultura, História e 
Empoderamento de Mulheres e Meninas Negras”, os dois 
sendo orientados pela Profª Dra. Maria de Fátima Garcia e 
relacionados ao laboratório.
Também fizeram parte desse recorte leis como a nº 
11.274/06, que aumenta o ensino fundamental para 9 anos, 
e a lei nº 11.494/07, referente ao Fundo de Manutenção e 
Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos 
Profissionais da Educação (Fundeb) que substitui o Fundo de 
Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de 
Valorização do Magistério (Fundef). Além disso, a criação do 
Bolsa Família, o Programa de Apoio ao Transporte Escolar, a 
aprovação das Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação 
Básica, especificamente a referente ao ensino médio em 2011, e a 
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
198
política de ação afirmativa reserva de vagas definida pelas Lei nº 
12.711/2012 (Lei de Cotas) no Sistema de Seleção Unificada (SiSU) 
2018.1. Dessa forma, utilizei como aporte teórico os estudos 
ocorridos durante a primeira unidade da disciplina História da 
Educação Brasileira, especialmente por meio da obra Estado e 
Educação no Brasil, de Tânia Garcia (2008), sobre o ensino médio 
e as novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN), também 
dialogando com a legislação educacional vigente no período 
do meu percurso escolar.
Metodologicamente, o trabalho teve uma abordagem 
qualitativa. Para tanto, utilizei como procedimentos pesquisas 
bibliográficas, pela literatura e legislações, e pesquisa docu-
mental, sendo foi possível perceber mudanças ocorridas 
durante minha escolarização. A partir da pesquisa, análise e 
construção da linha do tempo, posso concluir que consegui 
alcançar os objetivos, visto que articulei e assimilei os marcos 
importantes da minha vida escolar com as legislações e a 
história da educação brasileira.
2 O INÍCIO DE TUDO
Para dar início a este relato sobre a história da minha educação, 
citarei o art. 205 da Constituição de 1988, atual carta magna do 
Brasil e ponto de partida da Lei nº 9.394/96, lei esta que regeu 
e rege a minha vida escolar desde o ano de 2005 quando entrei 
pela primeira vez em uma escola, até os dias atuais, visto que 
me encontro no ensino superior. 
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
199
Art. 205 A educação, direito de todos e dever do Estado e da 
família, será promovida e incentivada com a colaboração da 
sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu 
preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para 
o trabalho (GARCIA, 2009, p. 47).
Nasci no ano de 2000, na cidade de Jucurutu, no Rio 
Grande do Norte. Venho de uma família de agricultores, que não 
possui muito dinheiro, mas esbanja alegria e amor. Minha mãe, 
Alcenir Pinheiro da Silva, tinha como sonho ser pedagoga. No 
entanto, pela falta de dinheiro, teve que trabalhar desde muito 
cedo, dando à luz com apenas 19 anos, sendo eu a primeira 
filha. Com meu pai, teve mais duas meninas e, desde que erámos 
pequenas, fala que somos seu orgulho.
Quando fiz quatro anos, ela percebeu a vontade que eu 
tinha de aprender a ler. “Sua vocação para ser professora...” 
diz ela “ vem desde pequena, quando você pegava meus livros 
escondidos, organizava suas bonecas de pano feitas por sua avó 
e imaginava histórias para contar para elas. Foi aí que eu vi que 
você tinha que aprender a ler”. 
Ela não queria que fôssemos para uma creche, tinha medo 
que os garotos maiores nos machucassem. Naquela época, o 
ensino infantil não era obrigatório, por isso, ela decidiu que 
apenas nos matricularia quando chegássemos à idade conside-
rada obrigatória que, de acordo com o art. 32, Seção III, da Lei 
9.394/96, seria de 6 anos. Com essa idade, inicia-se no primeiro 
ano do ensino fundamental, o qual deveria durar oito anos. 
Por isso, minha mãe resolveu me ensinar em casa, aos poucos, 
sempre que tinha tempo. 
Até que um dia, em uma de nossas várias mudanças, 
fomos para um sítio. Possuímos como vizinha uma professora. 
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
200
Em nossa primeira visita à casa dela, passei a ter meu primeiro 
contato com os livros infantis. Ela nos contava todas as 
histórias presentes na sua estante: “Mogli o menino Lobo”, 
a “Chapeuzinho Vermelho”, a “Branca de Neve”. Sempre que 
terminava, eu pedia para que ela nos contasse mais uma vez, 
até descobrir a história do Patinho Feio. Eu ficava indignada 
como alguém poderiafazer tão mal a uma criaturinha tão 
linda quanto a daquele desenho. “Você sempre odiou injustiças, 
Neyse” diz minha mãe. Ao ver meu amor por aquele livro, a 
professora me disse que eu poderia levá-lo para casa. Minha 
mãe viu como possuir um livro me deixou encantada, e me viu 
chorando quando contava a história para as minhas bonecas. E 
pensou: “se ela fica tão empolgada assim com apenas um livro 
infantil, imagina se ela for para a escola?”. A partir daí, ela 
entendeu que eu estava preparada.
O ano era 2005, fui matriculada no Pré-escolar Alto da 
Boa Vista2, situada na Rua Celina Germano, no bairro Alto da 
Boa Vista. Comecei, por minha idade, na “Alfabetização”, fase 
anterior à 1ª série do ensino fundamental. A professora ficou 
encantada com a forma como aprendi a ler e a escrever rapi-
damente. Como já tinha conhecimento das letras que minha 
mãe me ensinara, tudo ficou fácil. Eu tinha uma capacidade 
de memorização muito boa para minha idade, o que me fez 
ser a oradora de minha formatura no ABC. Minha mãe ficou 
bastante entusiasmada com tudo o que estava acontecendo de 
bom comigo e com minha irmã mais nova depois que entramos 
na escola. Então, resolveu voltar aos estudos. Como ela tinha que 
nos levar à escola, ficava a manhã toda sem fazer nada. Então, 
2 Fundada no ano de 1983, a pré-escola foi fechada e não consegui entrar 
em contato com as antigas gestoras, como faz muito tempo, também não 
consegui identificar o seu ano de fechamento.
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
201
juntou o útil ao agradável. Tínhamos facilidade de ir para o 
colégio na parte da manhã graças à Lei nº 10.880, de 9 de junho 
de 2004, art. 2º, que instituiu o Programa Nacional de Apoio ao 
Transporte do Escolar (PNATE), tudo estava saindo muito bem.
3 ENSINO FUNDAMENTAL I
No ano de 2006, eu deveria iniciar o primeiro ano do ensino 
fundamental. Naquela época, a lei teve de sofrer alterações. A 
duração obrigatória do ensino fundamental foi ampliada de oito 
para nove anos, de acordo com a Lei Ordinária nº 11.274/2006, e 
a classe de Alfabetização passou a se tornar obrigatória. Nesse 
mesmo ano, tornou-se necessário que eu trocasse de escola 
por uma que tivesse o primeiro ano do ensino fundamental. 
A instituição escolhida pela minha mãe foi a Escola Municipal 
Professor Raimundo Guerra, localizada na R. Maria de Fátima 
Gomes, Bairro Alto da Boa Vista Caicó-RN (Figura 1), por ela ser 
próxima ao pré-escolar onde minha irmã ainda estudava. No 
entanto, não possuía o primeiro ano pela manhã, apenas à tarde. 
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
202
Figura 1
 Fonte: imagem da internet.
Minha mãe não queria nos deixar longe uma da outra, 
tinha medo de a pequena se sentir deslocada em outra escola. 
Poderia matriculá-la lá à tarde, mas o transporte era só pela 
manhã. Por isso, conversou com a diretora da época e perguntou 
se não teria como fazer algo a meu respeito e ela encontrou uma 
solução. Como pela manhã tinha o segundo ano, eu poderia 
fazê-lo duas vezes, mas teria que ter a aprovação da minha mãe, 
pois eu estudaria em uma sala avançada e poderia ser que não 
conseguisse acompanhar meus colegas. Caso isso acontecesse, 
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
203
no próximo ano, eu teria que repetir o primeiro novamente e 
me atrasaria.
Após essa conversa, minha mãe não se intimidou e disse 
que eu tinha capacidade suficiente para isso. Ela estava comple-
tamente certa. Não só acompanhei os outros alunos aquele ano 
como também tirava as melhores notas. Ela nunca desistia de 
mim e seu orgulho toda vez que eu conseguia alguma coisa já 
era o suficiente para eu ficar ainda mais feliz e motivada, tanto 
para ir à escola, como para fazer as tarefas de casa.
O ano de 2007 foi bastante turbulento. Iniciei o segundo 
ano com os meus colegas da alfabetização. Eu me senti um pouco 
estranha por saber que teria que repetir todos os conteúdos, 
mas, estava contente por estar na escola. Eu tinha sete anos na 
época, minha professora resolveu que para a feira cultural da 
escola faríamos uma peça teatral. O livro que iríamos repre-
sentar era A Formiguinha e a neve, adaptado por João de Barro 
(Braguinha). Eu fui a escolhida para interpretar a personagem 
principal. Eu seria a formiguinha que todas as minhas colegas 
desejavam ser. Minha professora disse que ficaria sob minha 
responsabilidade e de minha mãe procurarmos o livro para 
o aprendizado das falas. Minha mãe ficou encantada quando 
soube o que eu faria. Então resolveu me levar para o lugar do 
qual não me esqueceria jamais.
Não me recordo a data, mas me lembro que era uma 
tarde, nem tão fria, nem tão quente (algo até estranho para o 
calor que Caicó faz), e minha mãe me levou pela primeira vez 
a um dos lugares pelo qual eu me apaixonaria completamente, 
o lugar era a biblioteca pública da cidade, não era nem é tão 
grande como aquelas em que vemos nos filmes, mas, para mim, 
era a coisa mais linda já vista, nunca tinha encontrado tantos 
livros em um lugar só. Estávamos ali para encontrar o livro da 
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
204
peça. Só havia um único exemplar em toda a biblioteca, e nós 
o encontramos.
Saí de lá aos pulos, com o livro na mão. Todos os dias, 
após chegarmos da escola, minha mãe se deitava comigo em 
uma rede, no alpendre, e treinávamos as falas. Por fim, a peça 
foi incrível, a felicidade e o orgulho estampados nos rostos de 
minha mãe e de minha professora foram o suficiente pra eu 
perceber que eu tinha me saído bem.
Na metade do ano de 2007, tivemos que nos mudar mais 
uma vez. O emprego do meu pai no sítio não estava dando certo. 
Ao saber que eu iria embora, minha professora me entregou 
uma flor, queria poder tê-la guardado até hoje, mas perdi no 
meio das mudanças. Antes de sair da sala, em segredo, falou 
ao meu ouvido: “você foi a garota que eu tive mais orgulho de 
ensinar”. Sei que pode parecer mentira uma garota de sete anos 
ter conseguido se lembrar de uma frase dita doze anos atrás, 
mas esse foi o momento em que eu tomei a decisão de que um 
dia seria uma professora tão boa quanto ela. De vez em quando 
vou passando na rua e a vejo, ela fala comigo como se eu ainda 
fosse aquela garotinha inteligente, nunca se esqueceu de mim, 
da mesma forma que eu nunca me esquecerei dela.
Eu me mudei para a cidade de Jucurutu-RN. Dessa vez, 
meu pai havia conseguido um emprego em um posto de gaso-
lina, pela primeira vez na minha vida, eu e toda a minha família 
moraríamos na zona urbana. Pensava nessa experiência como 
se fosse algo bom, pois morava perto das minhas tias e da minha 
avó. No entanto, é a única fase da minha vida de que não gosto 
de lembrar. 
Estudei na Escola Municipal Professor Joel Lopes Galvão, 
localizada na Rua Manoel Januncio de Medeiros, 169 - Bairro 
Santa Isabel (Figura 2). O ambiente escolar era bem diferente do 
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
205
antigo. Alguns dos alunos não tinham respeito pelo professor e 
lá só existiam brigas e discussões.
Figura 2
Fonte: imagem da internet.
Meu pai não era mais o mesmo, quando chegava a hora 
de tirar o leite das vacas, ele se entristecia. Ele não é o tipo de 
homem que gosta de ficar preso em qualquer um desses lugares. 
Estava cansado de ver carros e mais carros, começou a sentir falta 
da paisagem, da brisa do açude na hora de pastorar as vacas, da 
liberdade de estar em um campo. Então, no final do ano de 2007, 
mais uma mudança na nossa vida e na educação ocorreu.
Meu pai encontrou um sítio em Caicó e o Fundef, que 
servia para atender o ensino fundamental, tornou-se Fundeb, 
por meio da Emenda Constitucional nº 53/06, sob a lei n° 11.494, 
que amplia o atendimento para todos os alunos da Educação 
Básica - educação infantil, ensino fundamental, ensino médio 
e educação de jovens e adultos. Também, nesse mesmo ano, 
a LDB sofreu mais uma alteração sendo incluída, pela Lei 
nº 11.525/2007, a obrigatoriedade de haverno currículo do 
ensino fundamental um conteúdo que tratasse dos direitos 
das crianças e dos adolescentes. No entanto, o conteúdo sobre 
essa lei só me foi informado no ano de 2008, quando estava no 
terceiro ano do ensino fundamental.
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
206
No ano de 20083, iniciei o terceiro ano do ensino funda-
mental em uma nova escola. Passei a estudar, no período da 
tarde, na Escola Municipal Professora Inah de Medeiros Dantas, 
localizada na Rua Afonso Pena, nº 618, Bairro Boa Passagem, 
Caicó-RN (Figura 3). 
Figura 3
Fonte: imagem da internet.
Essa foi, com toda certeza, a melhor fase da minha vida, 
tanto na parte educacional como na vida em casa. Nessa nova 
escola, eu possuía um verdadeiro apreço pelas professoras e 
3 No de 2008, foi criada a Lei nº 11.645, de 10 março de 2008, que veio para 
modificar a LDB mais uma vez, por meio da Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 
2003. Assim, foram estabelecidas as diretrizes e bases da educação nacional, 
para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da 
temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena.
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
207
pela parte gestora da instituição. Eles utilizavam métodos peda-
gógicos que faziam com que nos sentíssemos parte do colégio e 
interessados cada vez mais nas aulas e nas disciplinas. 
Lembro-me, com muito carinho, dos eventos que a escola 
organizava, entre eles a “semana da consciência negra”. As 
professoras não tinham o intuito de mostrar para os alunos 
apenas aquela parte da escravidão, mas, sim, a riqueza da 
cultura afro-brasileira. No dia 19 de abril, “Dia do índio”, a 
escola também gostava de nos mostrar o outro lado da cultura 
indígena, não aquela visão estereotipada do índio que vive com 
um cocar, mas, sim, o índio caçador, a importância e o signifi-
cado de suas pinturas e seu artesanato. Essa escola participou 
de uma maneira muito importante da minha criação como ser 
humano, não só da minha, creio nisso, mas também de todos 
os alunos que fizeram parte dessa época tão rica. Foi nela que 
concluí o ensino fundamental I.
Eu estudava com os meus primos e com os meninos do 
sítio. Íamos e vínhamos todos os dias até a parada do carro 
de bicicleta. O carro era uma caminhonete. Às vezes, não 
conseguíamos bancos e tínhamos que ir sentados no chão. As 
meninas possuíam um romantismo que hoje não se encontra 
mais, falávamos sobre as novelas, o menino mais bonito da 
escola, mostrávamos nossos diários umas às outras. Já os 
meninos, falavam, como sempre, de futebol, sobre os jogos que 
eram realizados nos currais após o leite (o curral do meu pai foi 
muitas vezes campo de futebol) e discutiam para saber quem 
tirava mais leite que o outro. Adorava e adoro andar descalça 
em meio à babugem verde na época da chuva, pescar com 
meus primos na sangria no açude, tomar banho com meu pai 
e minhas irmãs na barragem próximo à minha casa. Essa foi a 
melhor infância que qualquer um poderia ter.
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
208
4 ENSINO FUNDAMENTAL II
Iniciei meu ensino fundamental II4 no ano de 20115, na Escola 
Estadual Professor Antônio Aladim de Araújo, localizada na rua 
Rua Tancredo Neves, S/N, Bairro Boa Passagem, na zona norte 
da cidade (Figura 4). A instituição oferta ensino desde o ano de 
1979. No entanto, bem no início do ano, a escola entrou em greve 
por falta de pagamento do Estado para com os professores. Eu 
não conseguia ficar muito tempo longe da escola, fiquei inquieta 
e minha mãe resolveu me colocar em outro lugar. 
Figura 4
4 Quando iniciei o ensino fundamental II, no ano de 2011, já haviam sido 
aprovadas em julho de 2010 as Diretrizes Curriculares Nacionais para a 
Educação Básica (parecer CNE/CEB n. 7/2010 e resolução CNE/ CEB n. 4/2010);
5 Mudanças da Lei no ano de 2011, na Seção III - o § 6º, que diz assim: “O 
estudo sobre os símbolos nacionais será incluído como tema transversal 
nos currículos do ensino fundamental (Incluído pela Lei nº 12.472, de 2011),
Fonte: imagem da internet.
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
209
Para minha felicidade, uma das escolas onde eu poderia 
estudar, no turno da tarde, visto que o transporte escolar 
passava por lá, era a Escola Municipal Professor Raimundo 
Guerra. Era a mesma escola em que tive inspiração de uma 
professora para seguir sua carreira. Quando minha mãe foi 
fazer minha matrícula, fiquei contagiada com a felicidade de 
todos por eu estar voltando. Eles não haviam esquecido de mim.
Fiquei nesse colégio até o ano de 20126, por causa de mais 
uma mudança. Nesse novo sítio para o qual nos mudamos, o 
transporte escolar só trabalhava pela manhã. Não era mais uma 
caminhonete e, sim, um ônibus. Por isso, retornei para a Escola 
Estadual Professor Antônio Aladim de Araújo, onde concluí no 
ano de 2014 o Ensino Fundamental II. 
5 ENSINO MÉDIO
Minha vida acadêmica no Ensino médio iniciou no ano de 
20157 e foi cheia de contratempos. Na época que entrei, estava 
6 No ano de 2012, minha mãe passou a receber um auxílio do governo pelo 
programa “Bolsa Família”, criado pela Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004, 
altera a Lei nº 10.689, de 13 de junho de 2003, e adota como uma de suas 
medidas a frequência escolar das crianças cujas famílias são beneficiadas;
7 Meu ensino médio teve por base as novas diretrizes curriculares especifi-
camente para o ensino médio (parecer CNE/CEB n. 5/2011). Referente a isto, 
as DCNEM-2011 têm como objetivo central possibilitar a definição de uma 
grade curricular mais atrativa e flexível, sugerindo uma estrutura curricular 
que articule uma base unitária com uma parte diversificada, que atenda à 
multiplicidade de interesses dos jovens.
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
210
em vigor o Programa Ensino Médio Inovador8 (Proemi) que 
possuía como objetivo apoiar e fortalecer os Sistemas de Ensino 
Estaduais e Distritais no desenvolvimento de propostas curricu-
lares inovadoras nas escolas de Ensino Médio, disponibilizando 
apoio técnico e financeiro, conforme a propagação da cultura de 
um currículo dinâmico, flexível, que atenda as expectativas e 
necessidades dos estudantes e as demandas da sociedade atual.
Iniciei esse novo ciclo com muita força de vontade. Os 
professores, alguns já conhecidos do ensino fundamental, eram 
muito bons, e estava decidida que, nesses três anos de ensino 
médio, estaria focada para o Exame Nacional do Ensino Médio 
(Enem)9. No entanto, tornou-se necessário que eu trabalhasse 
como babá, e esse emprego deveria ser pela manhã e à tarde.
Era necessário que trocasse de turno, no caso, para o 
período da noite. Mas, naquele ano, não era possível, devido 
à diferença do currículo dos alunos do noturno. Consegui 
conversar com a moça para a qual trabalhava e ela entendeu, 
ficaria com a bebê pela manhã e à noite estudaria à tarde. 
Ao trocar de turno, muitas mudanças começaram a acon-
tecer. Notei que as atividades que os professores faziam para 
os alunos da tarde eram mais fáceis do que eles passavam pela 
manhã. Os alunos estavam com matérias atrasadas porque não 
conseguiam acompanhar os outros e vi que aquilo realmente 
8 Instituído pela Portaria nº 971, de 9 de outubro de 2009, no contexto da 
implementação das ações voltadas ao Plano de Desenvolvimento da Educação 
(PDE). A edição atual do programa está alinhada às diretrizes e metas do 
Plano Nacional de Educação 2014-2024 e à reforma do Ensino Médio proposta 
pela Medida Provisória nº 746/2016 e é regulamentada pela Resolução FNDE 
nº 4 de 25 de outubro de 2016;
9 Portaria nº 438, de 28 de maio de 1998 - Nota do Enem Utilizada como 
Ingresso nas Universidades Brasileira.
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
211
poderia me comprometer, mas não abandonei o emprego e 
minhas notas continuaram boas.
Comecei o ano letivo de 2016, no ensino “noturno dife-
renciado”. Ele possui esse título pelo fato de as horas contadasno noturno serem diferentes dos outros turnos. A quantidade 
de avaliações era bem resumida e as professoras praticamente 
passavam os alunos. 
No ano de 2017, a bebê começou a ir para uma creche. 
Como esse seria o ano do Enem, a moça para a qual trabalhava 
disse que eu deveria estudar pela manhã, na mesma escola, pois 
o ensino era bem melhor. Achei muito bom, mas estava com 
medo, não tinha mais o mesmo ritmo de estudos e o medo da 
reprovação era grande. Não queria decepcionar minha mãe. Ela 
se sentia orgulhosa de mim, pois, mesmo trabalhando, minhas 
notas na escola não mudaram. Mas não desisti por isso.
A escola, então, começou a ter problemas nas primeiras 
semanas de aula: ao plugar qualquer objeto que necessitasse 
energia nas tomadas, os professores e alunos tomavam choque, 
algumas salas de aula estavam tendo problemas na sua estru-
tura. Por isso, a escola teve que ser transferida para outro local 
enquanto faziam as reformas. O local cedido tinha algumas 
salas do que naquela época era chamado Centro Educacional 
José Augusto, localizado na Rua Zeco Diniz, no Bairro Penedo, 
na cidade de Caicó/RN (Figura 5). 
 
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
212
Figura 5
Fonte: imagem da internet.
De acordo com a atual diretora do chamado EEAA, Lenilda 
Fernandes, a escola voltará a suas instalações no segundo 
semestre deste ano. As Figuras 6 e 7 mostram a Reforma da Escola.
 
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
213
Figura 6
 
 
Figura 
Fonte: imagem da internet.
Fonte: imagem da internet.
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
214
Os professores do EEAA do turno matutino e vespertino 
sempre foram muito bons e percebi a falta que senti deles no 
turno da noite. Eles sempre estavam incentivando a turma 
a nunca desistir. Desde o ensino fundamental, trouxeram 
um programa para nos auxiliar, sendo um deles o Programa 
Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (Pibid). Fomos 
beneficiados com o Pibid na área da matemática, que ocorria 
uma vez por semana na parte da tarde. Desse programa, não 
consegui participar, pois era no meu horário de ficar com a 
bebê, mas pedia para meus colegas me trazerem os exercícios. 
No entanto, não fiquei de fora, pois havia também o Pibid da 
disciplina de história, que funcionava à noite. Esses programas 
foram de grande serventia para nós, alunos da época, pois 
alguns, como eu, não tinham tempo ou condições financeiras 
para fazer cursinhos e o Pibid se tornou um complemento de 
nossos estudos para o Enem. Além desses programas, os profes-
sores davam aulas à noite para nos ajudar. Então, no ano de 
201710, concluí o ensino médio.
6 ENSINO SUPERIOR
No ano de 2018, consegui, mesmo trabalhando e com muita felici-
dade, entrar no curso que almejava, pedagogia na Universidade 
Federal do Rio Grande do Norte, a partir da ação afirmativa 
10 Houveram várias alterações na época de meu término escolar, encontra-se 
essas alteração na LDB na Seção IV do Ensino Médio, Art. 35-A. § 1º; § 2º; 
§ 3º; § 4º; § 7º; §8º; Art. 36 I - II - III- IV- V; § 1º; § 3º; § 5º; §9º; § 12. Também 
encontraremos modificações no CAPÍTULO IV da Educação Superior, que já 
serão vigentes no ano de 2018 , ano o qual ingresso na UFRN;
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
215
baseada na reserva de vagas definida pelas Leis nº 12.711/2012 
(Lei de Cotas) e nº 13.409/2016, regulamentadas pelos Decretos 
n° 7.824/2012 e nº 9.034/2017, pelas Portarias Normativas nº 
18/2012 – MEC e nº 09/2017 – MEC, e pela Resolução nº 205/2017 
– CONSEPE/UFRN, nos termos da aplicação dessa política ao 
SiSU 2018.1, definidos na Portaria Normativa nº 21/2012 – MEC 
e em conformidade com o Termo de Adesão do SiSU 2018.1. No 
segundo semestre de 2018, conheci, por meio da professora 
Dra. Maria de Fátima Garcia , o Laboratório de Educação Novas 
Tecnologias e Estudos Étnico-Raciais (LENTE), onde passei a 
estudar e a desenvolver pesquisas na temática étnico-racial. 
Hoje participo de dois projetos : um de pesquisa e um 
de extensão intitulados “Como se Constitui a Cartografia 
da Sala de Aula? Um estudo sobre a (de)colonialidade do 
poder em classes dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental” 
e “BONECAS ABAYOMI: Educação, Cultura, História e 
Empoderamento de Mulheres e Meninas Negras”. Esses 
projetos estão sendo de muita importância para mim, e levarei 
comigo para o resto de minha vida todo o conhecimento obtido 
nesses anos em que estarei na Universidade Federal do Rio 
Grande do Norte.
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Escolhi ser pedagoga pelo simples fato de querer ser para algum 
aluno aquilo que minhas professoras e meus professores foram 
para mim. Graças a eles e à minha mãe me tornei aquilo que 
sou hoje. Eles acreditaram em mim e quero ser aquela que 
demonstra confiança e tranquilidade para um aluno. Quero 
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
216
que eles identifiquem em mim alguém em quem eles confiarão 
e que eu seja a pessoa que irá acreditar neles. 
A partir das leituras feitas na primeira unidade da disci-
plina de História da Educação Brasileira, foi por mim observado 
que, além de ser uma profissão que exige muito amor, ser 
professor exige muita ordem, respeito e conhecimento. Nesse 
caso, foi nos mostrado a importância de cada lei e de cada 
pessoa que fez parte da História da Educação para nos tornar 
aquilo que somos hoje.
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
217
REFERÊNCIAS
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República 
Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da 
República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 17 maio 2019.
BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro 
de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Brasília, 
DF: 20 de dezembro de 1996. Disponível em: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 17 maio 2019. 
BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 11.274, de 6 de 
fevereiro de 2006. Altera a redação dos arts. 29, 30, 32 e 87 
da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece 
as diretrizes e bases da educação nacional, dispondo sobre 
a duração de 9 (nove) anos para o ensino fundamental, com 
matrícula obrigatória a partir dos 6 (seis) anos de idade. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2006/lei/l11274.htm. Acesso em: 4 nov. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 11.494, de 20 de 
junho de 2007. Regulamenta o Fundo de Manutenção e 
Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos 
Profissionais da Educação - FUNDEB, de que trata o art. 60 do 
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; altera a Lei n 
o 10.195, de 14 de fevereiro de 2001; revoga dispositivos das Leis 
n os 9.424, de 24 de dezembro de 1996, 10.880, de 9 de junho de 
2004, e 10.845, de 5 de março de 2004; e dá outras providências. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2007/lei/l11494.htm. Acesso em: 4 nov. 2021.
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
218
BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 12.711, de 29 de 
agosto de 2012. Dispõe sobre o ingresso nas universidades 
federais e nas instituições federais de ensino técnico 
de nível médio e dá outras providências. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
2014/2012/lei/l12711.htm. Acesso em: 4 nov. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 10.880, de 9 de 
junho de 2004. Institui o Programa Nacional de Apoio ao 
Transporte do Escolar - PNATE e o Programa de Apoio aos 
Sistemas de Ensino para Atendimento à Educação de Jovens 
e Adultos, dispõe sobre o repasse de recursos financeiros 
do Programa Brasil Alfabetizado, altera o art. 4º da Lei nº 
9.424, de 24 de dezembro de 1996, e dá outras providências. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2004/lei/l10.880.htm. Acesso em: 4 nov. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº11.525, de 25 de setembro 
de 2007. Acrescenta § 5o ao art. 32 da Lei no 9.394, de 20 de 
dezembro de 1996, para incluir conteúdo que trate dos direitos das 
crianças e dos adolescentes no currículo do ensino fundamental. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
2010/2007/lei/l11525.htm. Acesso em: 4 nov. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 13.409, de 28 de dezembro 
de 2016. Altera a Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012, para dispor 
sobre a reserva de vagas para pessoas com deficiência nos cursos 
técnico de nível médio e superior das instituições federais de 
ensino. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2015-2018/2016/lei/l13409.htm. Acesso em: 4 nov. 2021.
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
219
BRASIL. Ministério da Educação. Decreto nº 7.824, de 11 de 
outubro de 2012. Regulamenta a Lei nº 12.711, de 29 de agosto 
de 2012, que dispõe sobre o ingresso nas universidades federais 
e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
2014/2012/decreto/d7824.htm. Acesso em: 4 nov. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. Decreto nº 9.034, de 20 de 
abril de 2017. Altera o Decreto n º 7.824, de 11 de outubro 
de 2012, que regulamenta a Lei n º 12.711, de 29 de agosto de 
2012, que dispõe sobre o ingresso nas universidades federais 
e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2017/decreto/d9034.htm. Acesso em: 4 nov. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. Portaria Normativa nº 18, 
de 11 de outubro de 2012. Dispõe sobre a implementação das 
reservas de vagas em instituições federais de ensino de que 
tratam a Lei no 12.711, de 29 de agosto de 2012, e o Decreto no 
7.824, de 11 de outubro de 2012. Disponível em: https://www.
ufsm.br/app/uploads/sites/501/2018/12/cachoeira_do_sul_
sisu_2015_portaria_mec_12_2012.pdf. Acesso em: 4 nov. 2021.
BRASIL. Ministério da Educação. Portaria Normativa nº 9, 
de 5 de maio de 2017. Altera a Portaria Normativa MEC no 18, 
de11 de outubro de 2012, e a Portaria Normativa MEC no 21, de 
5 de novembro de2012, e dá outras providências. Disponível em: 
https://www.in.gov.br/materia/-/asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/
content/id/20200505/do1-2017-05-08-portaria-normativa-n-
9-de-5-de-maio-de-2017-20200490. Acesso em: 4 nov. 2021.
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
220
BRASIL. Ministério da Educação. Portaria Normativa nº 
21, de 5 de novembro de 2012. Dispõe sobre o Sistema de 
Seleção Unificada - Sisu. Disponível em: https://sisu.furg.
br/images/portaria21mec.pdf. Acesso em: 4 nov. 2021.
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Universidade Federal do Rio 
Grande do Norte. Resolução nº 205, de 19 de dezembro de 
2017 – CONSEPE. Estabelece procedimentos e critérios para 
validação da autodeclaração de pessoas com deficiência nos 
processos seletivos para ingresso nos cursos de nível técnico 
e de Graduação da UFRN, em decorrência do disposto nas Leis 
no 12.711/2012 e no 13.409/2016, e dá outras providências. 
Disponível em: http://webcache.googleusercontent.
com/search?q=cache:bMtfzAewME8J:arquivos.info.
ufrn.br/arquivos/20190001774c4f6520698736ad002c31d/
res2052017-estabelece_procedimentos_e_
criterios_para_validacao_de_autodeclaracao.
docx+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br. Acesso em: 4 nov. 2021. 
BRASIL. Ministério da Educação. Programa Mais 
Educação. Brasília: Ministério da Educação, 2017. Disponível 
em: portal.mec.gov.br/programa-mais-educacao/
apresentacao?id=16689. Acesso em: 27 mar. 2019.
BRASIL. Ministério da Educação. Sisu. Brasília: Ministério 
da Educação, 2009. Disponível em: https://sisu.furg.br/
images/portaria21mec.pdf. Acesso em: 29 mar 2019.
BRASIL. Ministério da Educação. PIBID - Apresentação. 
Brasília: Ministério da Educação, 2017. Disponível em: http://
portal.mec.gov.br/pibid. Acesso em: 14 mar 2019.
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
221
GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e educação do 
Brasil (1987-1996). João Pessoa: EDUFRN: Ideia, 2009.
LOPES, E. M. T.; FARIA FILHO, L. M.; VEIGA, C. G. 500 anos 
de educação no Brasil. 3. ed. São Paulo: Autêntica, 2007.
MOEHLECKE, Sabrina. O ensino médio e as novas 
diretrizes curriculares nacionais: entre recorrências 
e novas inquietações. Revista Brasileira de Educação, 
[S. l.], v. 17, n. 49, p. 39-60, jan./abr. 2012.
222
Eneyse Dayane Pinheiro
A HISTÓRIA DA MINHA EDUCAÇÃO
RELATO SOBRE MEU PERCURSO 
ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS
Felícia Azevedo da Costa1
RESUMO
O artigo a seguir tem como finalidade apresentar o meu 
percurso educacional que começou a partir dos 7 anos de idade 
na Escola Municipal Professora Terezinha de Lourdes Galvão, e 
que agora está presente na Universidade Federal do Rio Grande 
do Norte. Todo esse processo está elencado com descrições 
principais sobre fatos que me marcaram, como atividades, 
professores e sua forma de lecionar, e toda essa construção está 
pautada a partir da constituição de 1988, da Lei de Diretrizes 
e Bases da Educação Nacional de 1996, visto que foram ressal-
tados alguns artigos dessa lei, também foi usada lei 10.639/03, 
e partes do livro da professora Tânia Cristina Garcia (2009), 
Estado e Educação no Brasil (1987-1996). Todo o discurso tem por 
base leis do Planalto, para que se torne amplo e concreto o que 
foi posto. A conclusão deste trabalho foi de ótima experiência, 
para relembrar tanto os momentos marcantes como as leis que 
estavam pautadas no momento para a educação.
Palavras-chaves: constituição; educação; leis.
1 Email: felicia_costa17@hotmail.com 
Felícia Azevedo da Costa
RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS
224
1 INTRODUÇÃO
Este artigo descreve partes importantes dos anos da minha 
história educacional, sendo os diversos eventos pautados por 
leis, artigos e um livro. Este estudo é resultando de uma ativi-
dade encaminhada pela professora Tânia Cristina. De início, 
quando analisava o meu percurso educacional não me baseava 
nas leis que estavam sendo os sustentos do ensino.
 Por isso, este relato vai servir para refletir, com outros 
olhos, sobre a educação, procurando minuciosamente alguns 
direitos que, tinha naquele tempo, mas os desconhecia, ou ao 
menos não eram explanadas formas de nos mostrar. Irei analisar 
algumas falhas que vejo que ocorreram, considerando argumentos 
e leis concretas para que possam ser explicados da melhor forma.
Apresentarei também projetos que foram elaborados e 
como me senti com o desenvolvimento deles, além da ajuda 
para meu desenvolvimento da leitura e escrita. Visando expor 
as formas como os docentes lecionavam, abordo as expectativas 
que alguns colocavam em relação aos alunos, motivando-os 
para sempre conseguir o que lhes foi determinado e se isso foi 
de ajuda ou não para o meu desempenho como sujeito.
2 PERCURSO EDUCACIONAL 
2.1 FUNDAMENTAL I - 2º E 3º ANO - 
ABRINDO OS OLHOS PARA O MUNDO
Segundo a Constituição de 1988, é direito e dever do estado e 
da família promover a educação, para desenvolver um cidadão 
Felícia Azevedo da Costa
RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS
225
que possa ter um pleno exercício de cidadania e qualificação 
para o trabalho. É a partir disso que discutirei um pouco no 
meu percurso educacional, dando ênfase a fases importantes, 
apoios que recebi para que conseguisse percorrer cada etapa 
com êxito.
Além disso, o art. 32 da LDB (Lei n. 9.394, de 20 de 
dezembro de 1996) diz que “O ensino fundamental obrigatório, 
com duração de 9 (nove) anos, gratuito na escola pública, 
iniciando-se aos 6 (seis) anos de idade, terá por objetivo a 
formação básica do cidadão” (BRASIL, 1996). Nesse caso, perdi 
um ano da minha vida educacional por motivos de morar muito 
longe da zona urbana, como era muito pequena e o tempo da 
minha mãe era pouco, entrei na escola apenas no ano seguinte. 
Também ressalto que a LDB era a base da educação desse tempo.
A trajetóriaescolar começou no ano de 2007, tinha 7 anos 
de idade, minha família morava em um sítio chamado Bachilio, 
na cidade de Acari-RN. Para conseguir me deslocar até a escola, 
era disponibilizada uma caminhonete que ia buscar-me em uma 
distância razoável onde habitava. Meu primeiro contato com 
a instituição foi boa, fui bem acolhida, apresentada a diretora, 
professora e colegas com os quais eu iria conviver durante 
aquele ano. Mas minha mãe esqueceu-se de um pequeno 
detalhe: eu era totalmente analfabeta naquele momento, fiquei 
dispersa na aula sem saber como me portar naquela situação.
No dia seguinte, relatei a minha mãe sobre o ocorrido, 
e, naquele momento, ela foi pegar o carro para ir falar com a 
professora. Depois de minutos de conversa, a docente sai com 
minha mãe, e me diz que terei aula de reforço para acompa-
nhar os demais. Naquele mesmo dia, fui ter a primeira aula. 
Lembro que fiquei perplexa, pois a pessoa que iria me ensinar 
Felícia Azevedo da Costa
RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS
226
era paraplégica. Como morava uma zona rural, era difícil ver 
pessoas com tal deficiência. 
Fui correspondendo a todas as atividades que me eram 
propostas. Ao fim do ano, já sabia ler e escrever razoavelmente. 
Nas aulas, já estava me sentindo incluída, textos de leitura 
compartilhada fazia com que eu tivesse prazer em ler alguma 
parte. Aquele mundo era novo, parecia que meus olhos clare-
aram para uma nova vida.
No ano seguinte, tive a sorte de continuar com a mesma 
professora que se chamava Tequinha, e os mesmos colegas. 
Assim, eu me senti à vontade por já conhecer todos. Havia um 
dia na semana liberado para ir brincar no parque, era o dia mais 
divertido, pois poderia desfrutar de brinquedos que mal via. 
Em relação à docente, ela era calma, carinhosa, atenciosa. Em 
intervalos de atividades, ela pedia para que eu lhe fosse tirar 
cabelos brancos, que, quando retirados, eram guardados dentro 
de seu livro, que ficava sempre em seu birô.
Em agosto, na cidade em que moro, Acari, é comemorada 
a festa da padroeira, Nossa Senhora da Guia. Sempre, de 05 a 
20, é declarado férias para nossa escola. Isso esclarece a impor-
tância de comemorações regionais, como é descrito no livro 
Estado e Educação no Brasil, em que Garcia (2009, p. 49) ressalta: 
“No artigo 210 assegura o respeito aos valores culturais e 
artísticos, nacionais e regionais, que nada mais são do que fins 
da própria educação”. Percebe-se, assim, que é um direito de 
todos participar de eventos do município, não sendo apenas por 
divertimento, mas usufruído como forma educacional.
Em dezembro, ocorria a tão esperada noite de autógrafos, 
em que cada aluno recebia um livro com todos os seus traba-
lhos que foram confeccionados durante o ano. Esse livro era 
dedicado a duas pessoas importantes para nós. Então, foi para 
Felícia Azevedo da Costa
RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS
227
minha mãe e minha irmã do meio. Desejei muito que meu pai 
estivesse naquele momento comigo, mas Deus já havia levado 
há alguns anos, por isso, dediquei a quem mais participou da 
minha vida escolar.
Nesse dia, nossos trajes eram esporte fino. Meu vestido 
era o mais lindo e arrumado que havia visto. Parecia as prin-
cesas dos contos de fadas, o vestido longo rosa e brilhante, um 
coque com uma coroa, brincos de pérolas, meia calça, foi um 
dia marcante, tanto por minha família estar comigo naquele 
momento, como por estar vestida de uma forma que nunca 
imaginei que ficaria um dia.
2.2 5º E 6º ANO- MUDANÇAS
No ano de 2010, mudei de professora. Veio uma mais nova, que 
se chamava Lourdes, uma pessoa que admiro até os dias que 
hoje. No 5º ano, fiz amizades que duraram por muito tempo, e 
“rivais” da época são as amigas que posso contar até os dias de 
hoje. No início do ano, fomos impedidos de ir ao parque, pois 
iria ocorrer uma nova reforma. As aulas, que eram destinadas 
à educação física, foram para sala de leitura, que passava a ser 
visitada duas vezes por semana.
Em meados de dezembro, foi inaugurado o novo parque, 
o mais cobiçado era um escorrego com uma casa na parte 
superior, mas tinha balanços, gangorras. No mesmo local, eram 
desfrutados dois tipos de quadras para os meninos: uma de areia 
e outra normal. Para as meninas, tinham bambolês, cordas, e 
era liberado trazer bonecas. Nessas atividades, a proposta era 
Felícia Azevedo da Costa
RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS
228
procurar envolver grupos, desenvolvendo o respeito ao outro, 
nós fazíamos circuito com bolas, entre vários outros apetrechos.
No decorrer do ano, foi lançado um projeto, LIXO NÃO, 
que era para ajudar na conscientização do descarte do lixo, 
funcionava no horário determinado para a merenda escolar. Um 
aluno era escolhido para vestir uma camiseta e, durante esses 
minutos, vigiar pessoas que jogavam lixo e as orientar para 
colocar no lugar devido. Se fossem encontrados resíduos secos, 
sem vestígios de quem largou, ele pegava e ia pôr na lixeira.
Por fim, terminei os estudos nessa escola. O receio de 
ser tudo ruim na outra me apavorava, por estar acostumada 
com o ambiente e as professoras que tinha, a forma como 
eles lidavam. Sabia que na outra seria diferente, até a minha 
pronúncia para algumas coisas seria mudada, pois, na escola 
que estudava, chamava todas de tia. Na nova, ouviam-se ruídos 
que não gostavam de essa palavra ser pronunciada. Isso fazia 
meu medo e minha ansiedade surgirem.
Na 6ª série, quando entrei na Escola Estadual Dr. José 
Gonçalves de Medeiros, na cidade de Acari- RN, já havia me 
deslocado para a zona urbana. Minha casa não era muito longe 
de onde ia estudar. O primeiro dia foi eufórico, novos colegas, 
cada professor ficava com uma matéria, isso me fez me sentir 
em um mundo novo.
O segundo dia foi bastante diferente: a cada 50 minutos 
vinha uma professora para ensinar uma matéria, lembro até 
hoje quais foram. A aula de português foi interessante. Já a aula 
de matemática era totalmente enlouquecedora, não entendia 
uma só palavra que saía da boca do professor. No quarto dia, ele 
desistiu de lecionar a matéria por dizer que a turma era incontro-
lável e que não chegavam ao raciocínio dele. Nas aulas de inglês, 
eu não entendia nada. A pronúncia das palavras saía diferente 
Felícia Azevedo da Costa
RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS
229
das que ouvia em filmes ou da voz do Google, mas foi uma aula 
interessante, pois tinha tido pouco contato com tal matéria.
O ensino religioso ainda era presente e seria a última 
do dia, pois no horário seguinte, o professor tinha faltado. De 
início, gostei, tratava de minha religião o catolicismo. Mas, no 
decorrer de outras aulas, percebi que era errado, pois na sala 
existiam pessoas de outras religiões que ficavam excluídas, 
ou eram “forçadas” a trabalhar um tema que não lhes eram 
atrativos. E assim se foi a semana.
O diretor dessa escola era de pôr medo em todos. Com 
quase 2 metros de altura, de cara fechada, não se podia fazer 
nada, se estava sentada nos bancos sem ser na parte adequada, 
todos recebiam broncas; se ocorresse de a farda estar suja, mais 
uma vez se repetia; como minha família tinha pouca renda, 
usava apenas farda e calça, sapato fechado comecei a usar 
apenas no fim do ano, depois de perceber que estava ficando 
diferente de todos e de ouvir reclamações.
Nesse mesmo ano, 2011, foi lançado um projeto com base 
no qual aprendemos sobre aspectos afro-brasileiros, como: 
história, cantigas, costumes. Isso se encaixa no art. 26 (Lei nº 
10.639, de 9 de janeiro de 2003): “Nos estabelecimentos de ensino 
fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obriga-
tório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira” (BRASIL, 
2003, s/p). A professora não nos esclareceu isso, mas hoje, com 
lembranças que tenho, foi o único ano do ensino fundamental 
II que houve a explanação de tal assunto.
Felícia Azevedo da Costa
RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLARE EVENTOS HISTÓRICOS
230
2.3 9º E 1º ANO – A ESPERANÇA 
No 9º ano do ensino fundamental, entrou uma professora que 
me marcou muito, Fernanda. Essa, sim, acreditava no potencial 
de cada aluno seu, até aqueles que eram ditos sem jeito, ela 
corria atrás. Na metade do ano, ela começou um projeto com 
nossa turma que era um lançamento com nossas produções de 
minicontos. Foi um sucesso! Foram produzidos dois de cada 
aluno resultando em um livro de 25 folhas. A própria profes-
sora arcou com todas as despesas do evento. Vale ressaltar que 
também mandou fazer uma camiseta do projeto para cada um 
de nós. Esse dia foi inesquecível, pois nenhum professor tinha 
acreditado no nosso potencial como ela.
Outra professora, Clegiane, percebeu que a dificuldade 
da turma era produção de texto, e como aquele ano era a vez de 
fazer uma prova para entrar nos tão famosos IFs, no decorrer do 
ano inteiro, em uma aula e outra, mandava fazermos um texto 
com base em um tema que estava bastante em foco na mídia. 
Assim, ela recebia de cada um, corrigia os erros, enumerava 
o que poderia acrescentar, e dava uma nota. Ao fim de cada 
correção, teríamos que reescrever e tentar melhorar, para que 
ficássemos afiados em cada tema.
O resultado ao fim do ano foi excelente, praticamente 
metade das duas turmas de 9º ano que existiam passou para o 
IF tanto de Currais Novos como de Parelhas. Ela mostrou que 
cada um pode vencer a partir de sua persistência, e que nós só 
precisamos de motivação para conseguir o que queremos.
Assim, chega 2015, o ano de mudanças. O ensino médio 
chega, novos professores, entre eles, a guerreira continua 
Fernanda. Entra também o professor de matemática, Emanuel, 
ótimo por sinal. Comecei a gostar um pouco de matemática a 
Felícia Azevedo da Costa
RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS
231
partir dele. Suas aulas eram dinâmicas, cada fórmula de equa-
ções ele personalizava com música ou até mesmo juntava letras 
para formar uma palavra para aprender mais. O professor de 
geografia, foi só na base da decoreba; sociologia, nem se fala, 
eram postos apenas filmes de romance; para finalizar, o de filo-
sofia que só falava de sua dor na coluna e de sua desenvoltura 
no inglês e em artes, pura falta de senso.
No 1º do ensino médio entrou uma aluna nova. Ela passava 
a maior parte do tempo calada. Todo mundo estranhava. No dia 
seguinte, descobrimos que ela era surda. Por isso, em meio às 
aulas, ela ficava com olhar disperso ou nunca perguntava nada. 
Nós, alunos, não sabíamos como lidar com isso. O mínimo que 
a escola fez foi colar uma folha com letras em libras, que nem 
mesmo a menina tinha conhecimento. Segundo está descrito no 
art. 59 (Lei n. 12.796, de 4 de abril de 2013), “Os sistemas de ensino 
assegurarão aos educandos com deficiência, transtornos globais 
do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação: “I – 
currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização 
específicos, para atender às suas necessidades” (BRASIL, 2013).
 Como foi dito, a escola deveria tomar as providências 
devidas para que a menina fosse incluída no ensino, mas isso 
não ocorreu. A mãe também não procurou os direitos dessa 
aluna. No ano seguinte, a mãe a retirou da instituição, e foi 
colocar em uma privada, que, por sinal, também não deu 
resultado. Assim, a mãe começou a ensinar a língua de sinais 
em casa para ela. No último ano do ensino médio, ela retornou 
à escola, dessa vez, sabia comunicar-se muito bem com todos, 
uma funcionária foi destinada para lhe auxiliar em atividades, 
mas ela não aparecia em nenhum momento. Segundo o diretor 
era enviado um auxiliar para essas pessoas, mas ela não atuava, 
às vezes falava não receber por aquilo. Segundo Garcia (2009):
Felícia Azevedo da Costa
RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS
232
Ao analisar a temática educacional do Estado brasileiro, 
observa-se que, na realidade, as questões relativas à centra-
lização e descentralização destas políticas estiveram sempre 
presentes nos momentos de ‘ajustamentos’ da educação e da 
escola, às mudanças da sociedade (GARCIA, 2009, p. 66).
Ao observar esse trecho, percebe-se que como a escola 
não era acostumada com tais pessoas. Ocorreu, então, a 
descentralização. O diretor não tinha o professor adequado, 
então, o estado lhe mandou o dinheiro, mas a professora não 
recebia para tal. Ele deveria ir atrás de sujeitos qualificados, 
mas mandou conhecidos irem à procura. 
No decorrer dos meses, algumas salas começaram a ser 
climatizadas. A maioria, diziam, ficaria assim, e cada professor 
teria sua sala, os alunos se deslocariam para cada uma delas. 
Fiquei me imaginando como naquelas escolas dos seriados que 
assistia dos Estados Unidos. 
Voltando a falar dos professores, outra que me marcou 
bastante, foi Joyce, professora de biologia. A aula, por exemplo, 
era sobre plantas, ela, de alguma forma, conseguia trazer esse 
assunto para sexo. Suas aulas se resumiam a isso, mas, no fim de 
tudo, não posso reclamar totalmente, pelo menos já sabia como 
me proteger de doenças sexualmente transmissíveis. 
2.4 2º E 3º ANO- A BUSCA POR CONHECIMENTO
No 2º do ensino médio, a escola estava bem diferente: realmente 
cada professor tinha ficado com uma sala, todas personalizadas, 
a mais chamativa foi a de português com um grande poema na 
Felícia Azevedo da Costa
RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS
233
parte de trás da sala. A parede era revestida por um lindo papel 
de parede caramelo e branco; na lateral, a professora fez uma 
minibiblioteca, incentivando para quando estivéssemos sem 
fazer nada ler os livros, e a professora foi a mesma que do ano 
passado, que nos guiou até o final do ensino médio.
A entrada de novos professores foi eufórica. A de química 
me encantou por esse mundo, não nego que pensei em fazer o 
curso de química em vez de pedagogia. A de biologia, Glória, 
trouxe realmente o mundo da biologia para os nossos olhos. 
Por fim, o grande mestre de história, Fernando, lecionava com 
amor nos olhos. Suas explicações eram impossíveis de não 
serem compreendidas, ele adequava seu vocabulário aos alunos.
Nesse mesmo ano, mudou de diretor. Todos os alunos 
foram convocados para votar nos possíveis diretores. No outro 
dia, saiu o resultado: a diretora era Solange e o vice era Luiz 
Gustavo. Todos gostavam deles, principalmente do segundo, que 
era do “povão”, como todos falavam. Ele já tinha percorrido 
bastantes cargos para conseguir esta onde estava, já havia sido 
zelador, vigia, entregou merenda e finalmente conseguiu ser o 
vice-diretor.
Ao final do ano, aconteceu a primeira feira de ciências 
da escola. Cada professor criaria algo para ser apresentado e 
os alunos escolheriam de qual participar. Eu escolhi química, 
com isso, eu e umas amigas ficamos para apresentar ácidos e 
bases e seus indicadores. Quando as turmas de outras escolas 
vinham assistir, eu ficava tremendo, todos percebiam e ficavam 
com murmurinhos, mas não me abalei, pois estava amando o 
que estava fazendo.
Por fim, o último ano, esse chegou apertando o coração, 
mas, ao mesmo tempo, sabia que seria um grande passo ao final 
dele, tantas coisas para serem faladas. Primeiramente, vamos 
Felícia Azevedo da Costa
RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS
234
para mais um projeto que a professora de português fez com 
a turma, o nome era “Essas histórias precisam ser contadas”. 
Trata-se de um documentário com cada aluno falando da sua 
vida, seus objetivos, as dores, o que buscava para o futuro. Ela 
organizou uma culminância para a apresentação. Esse dia foi 
de grandes emoções, assistimos ao nosso documentário com 
lágrimas nos olhos por cada pessoa que falou. Recebemos grandes 
homenagens. Fernanda confeccionou uma plaquinha e uma 
mensagem para cada aluno. Fez um book fotográfico daquele dia.
No decorrer do ano, começaram os aulões para o Enem. 
Alguns professores compareceram, como: Fernanda, Lidiane, 
Glória, Fernandoe Jack, o novo professor de matemática. Queria 
poder falar que todos nos acompanharam durante o ano, mas 
isso não ocorreu, pois a evasão dos alunos fez com que quase 
todos desistissem, exceto Jack, que deu aulões quase o ano 
inteiro para apenas duas pessoas, eu e minha amiga Sabrina. 
Esse posso dizer que acreditou no nosso potencial, não nos 
largou, pois não fazíamos cursinho como muitos, estudávamos 
apenas em casa com o que tínhamos.
Tenho muito a agradecer a ele, tanto que suas ajudas 
não param por aí. Ao final do ano saíram nossas notas e ele 
nos prometeu um açaí de comemoração. Foi de grande alegria 
para nós quando o resultado de quem tinha conseguido passar 
saiu. Minha amiga foi para licenciatura em química. Eu fiquei 
em lista de espera, muito triste, achando que não conseguiria 
passar. Jack veio falar comigo perguntando como tinha sido o 
resultado, e depois de contar, ele me ofereceu para pagar um 
cursinho da cidade, bastante renomado, onde ele dava aulas. 
Disse que me ajudaria se eu aceitasse. Mas não aceitei, ainda 
bem, pois poucos dias depois, recebi a notícia que havia sido 
chamada para o curso de pedagogia. Foi uma alegria imensa.
Felícia Azevedo da Costa
RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS
235
Vale ressaltar que em meio a esse turbilhão de senti-
mentos e novas coisas, também comecei a fazer um curso 
técnico em agronegócio, na Escola Agrícola de Jundiaí. Posso 
dizer que não foi tão rentável como imaginava, mas muitas 
coisas foram aprendidas. No fim do curso, em 2018, cada grupo 
fez um texto sobre um tema que englobasse o agronegócio na 
cidade de Acari-RN onde curso ocorria. O meu grupo ficou com 
o tema: a predominância da inseminação artificial na cidade 
de Acari-RN. Esse foi um tema bastante interessante, pois não 
sabia como ocorria e se na minha cidade existia essa prática.
Nesse percurso do ensino médio, no último ano, tive 
essa oportunidade de participar de um curso técnico, que 
ajuda na preparação para o mercado de trabalho, coisa que o 
ensino que tinha não nos proporcionava, mas é nosso direito 
de estudante, como está descrito em BRASIL (2019), art. 35, 
Inciso II: “a preparação básica para o trabalho e a cidadania do 
educando, para continuar aprendendo, de modo a ser capaz de 
se adaptar com flexibilidade a novas condições de ocupação ou 
aperfeiçoamento posteriores”.
Com todos esses momentos durante o ano, um de grande 
importância marcou: o Exame Nacional o Ensino Médio, que foi 
criado em 1998, e que permanece até os dias atuais. Essa etapa 
iria dizer se conseguiria ou não entrar na universidade. A prova 
foi dividida em dois dias e era subdividida em linguagens e 
ciências humanas, além da redação; já o segundo dia ficava com 
as questões de matemática e ciências da natureza. Após sair o 
resultado, fui ver os cursos, de primeira, não foi pedagogia, mas 
sim farmácia. Infelizmente, minha nota não chegava perto de 
tal curso. Assim, por influências de casa e dos vizinhos, coloquei 
pedagogia, não me arrependo, pois estou gostando muito, é um 
prazer lecionar para uma criança e perceber que está ajudando.
Felícia Azevedo da Costa
RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS
236
Ao percorrer esse caminho, foi aprovada a Base Nacional 
Comum Curricular (BNCC): 
É um documento de caráter normativo que define o conjunto 
orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que 
todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e 
modalidades da Educação Básica. Conforme definido na 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei nº 
9.394/1996), a Base deve nortear os currículos dos sistemas e 
redes de ensino das Unidades Federativas, como também as 
propostas pedagógicas de todas as escolas públicas e privadas 
de Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, 
em todo o Brasil (BRASIL, [2018])
Esse documento vai categorizar o currículo a partir de 
conhecimentos, competências e habilidades, procurando um 
ensino melhor para todos os alunos, buscando, a partir dos 
tópicos acima, valorizar o ser humano, construindo seres 
autônomos, éticos e justos para uma sociedade igualitária.
2.5 INÍCIO NO ENSINO SUPERIOR 
Enfim, chegou a tão esperada entrada na faculdade. De início, 
estranhei um pouco, era apenas um professor para a manhã 
inteira, diferentemente do ensino fundamental e médio. Não 
tive tanta dificuldade em me adaptar com leitura, graças a 
Fernanda, minha professora de ensino médio, que passava 
bastantes livros para lermos. Mas uma das coisas que põe medo 
é falar em público, até hoje essa é a minha dificuldade.
Felícia Azevedo da Costa
RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS
237
A rigidez, com certeza, é muito maior na universidade. 
São atividades, provas, e o aluno sabe que não pode falhar 
tanto nesses tópicos. Ainda bem que isso nunca foi meu caso. 
As normas ABNT, por exemplo, que não eram cobradas, agora 
são essenciais. Em 2019, tive o prazer de conseguir entrar 
no Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência 
(PIBID) que será de grande ajuda para minha desenvoltura como 
professora. Também adentrei em um projeto de extensão que 
tem como tema a importância da filosofia com crianças.
Todo esse percurso que tenho até agora está sendo de 
muito conhecimento, pois acredito que, no decorrer de aulas, 
projetos, é que conseguirei sair dessa bola de medo que está 
me rodeando desde a infância, que ainda não foi detonada. 
Durante esses 3 semestres, uma das professoras que me marcou 
foi Ester, um grande exemplo. Ela não queria que os alunos 
tivessem medo dela, como muitos se vangloriam por isso, pelo 
contrário, procurava amizades, pois acredito que é assim que 
cada professor incentiva o gosto pela matéria. Também vale 
ressaltar Sabrina e Aleska, que têm os mesmos objetivos.
3 CONCLUSÃO
Como dito, no ensino fundamental I, ocorreu a perda de um ano 
de estudo. No ano seguinte, entrei na escola totalmente anal-
fabeta, tive que lutar para conseguir acompanhar os demais 
alunos, e não ficar com déficit em algumas matérias. Mas, 
consegui vencer essa etapa, sendo finalizada com a realização 
de um sonho na noite de autógrafos.
Felícia Azevedo da Costa
RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS
238
Na entrada do fundamental II, foi uma visão diferen-
ciada, novos professores e diretores, novo modo de aula, a 
organização, o impulso de docentes para melhoria de nosso 
desenvolvimento. Também havia a monotonia e o comodismo 
de alguns em relação à inovação de ensino, ou por não procurar 
aprimoramento, como no caso da professora de inglês que falava 
erroneamente algumas palavras de sua matéria.
Já no ensino médio, as salas foram se tornando diferen-
ciadas, por ser cada uma para um professor. O foco no Enem 
também foi de extrema importância nesse ponto da minha vida, 
a ajuda de professores para que conseguisse um bom resultado, 
e conseguir perceber que ficaram orgulhosos por mim.
As informações acrescentadas como as leis e demais 
foram o embasamento para desenvolver este estudo, além de 
adquirir novos conhecimentos e observar que tenho direitos 
que hoje, aos 19 anos, não sabia que tinha. Todo esse percurso 
caminhado me fez refrescar a mente, ver o que estava “escon-
dido” naquela época dos nossos diretos e do próximo. Isso 
servirá de ajuda para sempre procurar amparo nas leis que 
temos, mostrando, assim, que somos seres autônomos e que 
lutamos por uma sociedade mais justa.
Felícia Azevedo da Costa
RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS
239
REFERÊNCIAS
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República 
Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência 
da República, [2016]. Disponível em: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicaocompilado.
htm. Acesso em: Acesso em 19 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as 
diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Ministério 
da Educação, [1996]. Disponível em:http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em 19 mar. 2019. 
BRASIL. Lei nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003. Altera a Lei no 
9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e 
bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da 
Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura 
Afro-Brasileira”, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério 
da Educação, [2003]. Disponível em: http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/leis/2003/l10.639.htm. Acesso em 19 mar. 2019. 
BRASIL. Lei nº 12.796, de 4 de abril de 2013. Altera a Lei 
nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as 
diretrizes e bases da educação nacional, para dispor sobre 
a formação dos profissionais da educação e dar outras 
providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2013. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
2014/2013/lei/l12796.htm. Acesso em 19 de mar. 2019.
Felícia Azevedo da Costa
RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS
240
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum 
Curricular. Brasília, DF: MEC, [2018]. Disponível em: http://
basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em 19 mar. 2019. 
GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e Educação no 
Brasil (1987/1996). João Pessoa: Ideia/EDUFRN, 2009. 
241
Felícia Azevedo da Costa
RELATO SOBRE MEU PERCURSO ESCOLAR E EVENTOS HISTÓRICOS
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA
Flávia Lilian Félix da Silva1 
RESUMO
Esta linha do tempo tem o intuito de apresentar um recorte 
histórico no que se refere a minha evolução acadêmica, desde 
a minha entrada no processo de escolarização, em 1998, até 
2019, cursando o ensino superior, levando em consideração 
que nasci no ano de 1995 e iniciei minha escolarização aos 3 
anos de idade. Neste recorte, também mostro os principais 
marcos na História da Educação Brasileira, que influenciaram 
diretamente as escolas em que ingressei, bem como a minha 
formação pessoal. Partindo desse aspecto, a linha do tempo 
em tela utiliza como aporte teórico os estudos ocorridos no 
decorrer da Unidade I, no componente curricular História da 
Educação Brasileira, no curso de Licenciatura em Pedagogia – 
CERES/UFRN, encontrando apoio teórico em Garcia (2009). Desse 
modo, foram utilizadas como metodologia entrevistas, pesquisa 
documental e bibliográfica. O uso da linha do tempo tem por 
objetivo possibilitar a compreensão, a ordenação e a sucessão 
de fatos históricos da minha evolução escolar e a sua relação 
1 Graduanda do curso de Pedagogia Licenciatura na Universidade 
Federal do Rio Grande do Norte – UFRN. Email: f lavialilian189@gmail.com 
Flávia Lilian Félix da Silva
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA
243
com os aspectos da História da Educação Brasileira, os quais 
influenciaram na minha história pessoal; bem como propor-
cionar que eu, como estudante, desenvolva o senso crítico e me 
reconheça como sujeito e agente histórico. Em virtude dos fatos 
mencionados, concluo que os resultados foram alcançados, pois, 
ao desenvolver a linha do tempo, ampliei meus conhecimentos 
em relação a minha própria escolarização, também se tornou 
possível a formulação de argumentos/posicionamentos sobre 
o tema trabalhado, fazendo relação/reflexão com minhas 
experiências particulares. 
Palavras-chave: educação brasileira; leis; desenvolvimento.
1 INTRODUÇÃO 
O presente trabalho foi proposto na disciplina de História da 
Educação Brasileira, do curso de Pedagogia, da Universidade 
Federal do Rio Grande do Norte, no primeiro semestre de 2019. 
Com isso, procuro mostrar o meu desenvolvimento ao longo da 
minha vida acadêmica.
A disciplina teve a proposta de despertar nos alunos uma 
análise obtida a partir das observações, entrevistas e pesquisas 
realizadas sobre o processo de escolarização de cada aluno. Tais 
fatos possuem importância, já que foi a partir deles que construí 
a minha formação pessoal.
Este trabalho tem como objetivos possibilitar a compre-
ensão, a ordenação e a sucessão de fatos históricos da minha 
evolução escolar e também a sua relação com os aspectos da 
História da Educação Brasileira, os quais motivaram a minha 
Flávia Lilian Félix da Silva
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA
244
história pessoal. Para a realização deste trabalho, construiu-se 
o embasamento teórico a partir do livro Estado e Educação no 
Brasil (1987-1996), buscando também fundamentos teóricos nas 
leis brasileiras.
Ao examinar a educação brasileira, podemos perceber 
que houve diversas mudanças ao longo dos anos, desde a sua 
ativação no Brasil, que se deu depois que os padres jesuítas 
chegaram ao nosso país e estabeleceram escolas de catequi-
zação para os índios até os dias atuais. Atualmente, podemos 
considerar que a educação brasileira teve muitos avanços, 
principalmente em seus métodos e processos, abrangendo ainda 
mais a educação em vários níveis para toda a população.
2 - ESCOLARIZAÇÃO INFANTIL 
AO ENSINO FUNDAMENTAL I
Tomando como ponto de partida da minha evolução escolar, é 
de fundamental importância falar sobre a Constituição Federal 
de 1988, que é um conjunto de regras a ser seguido pelo governo 
e que rege a ordem jurídica do país. A Constituição de 1988 
foi a sétima na história do Brasil, sendo publicada dia 5 de 
outubro de 1988. Como foi elaborada em um período em que 
o país acabara de sair de uma ditadura militar, ficou marcada 
por participar da redemocratização do país. Na Constituição, 
a educação é defendida “quando declara que esta é direito de 
todos e dever do Estado, é a de educação como reconstrução 
da experiência e um atributo da pessoa humana, tendo, por 
isso, que ser comum, estendida a todos, sendo dever do Estado 
promovê-la” (GARCIA, 2009, p. 47). Os artigos que tratam da 
Flávia Lilian Félix da Silva
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA
245
educação caminham do 205 ao 214, porém, tanto na educação, 
como também no acesso à cultura e à ciência, que é garantido 
no artigo 23 da referida Constituição. Segundo Ferreira (1989 
apud GARCIA, 2009, p. 44), “sempre foi obrigação do Estado, e 
se transformou numa promessa, por inexistirem mecanismos 
jurídicos que façam seja cumprido o que estatui”.
Outro fator existente e que teve influência na minha vida 
escolar foi a aprovação da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 
1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. 
Consiste em uma das leis brasileiras mais importantes quando 
se trata da educação, e que abrange os mais diversos temas da 
educação brasileira. Apesar dos anos, ela ainda é a lei vigente 
nos dias atuais, apesar de algumas mudanças, inclusive muitas 
das normativas decorrentes da LDB 96 afetaram diretamente a 
minha escolarização.
Convém ainda lembrar a Lei nº 9.424, de 24 de 
dezembro de 1996 que “dispõe sobre o Fundo de Manutenção 
e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização 
do Magistério, na forma prevista no art. 60, § 7º, do Ato 
das Disposições Constitucionais Transitórias, e dá outras 
providências” (BRASIL, [1996]). Como podemos notar, essa 
lei também trata da implantação do Fundo de Manutenção e 
Desenvolvimento do Ensino Fundamental (Fundef), que teve 
grande importância na educação.
Diante de todas essas conquistas, pude começar a minha 
escolarização em 1998, ingressando aos 3 anos de idade na 
Escola Municipal Olivia Pereira Rodrigues, que fica localizada 
na Rua Padre Inácio Gonçalves de Melo, número 40, bairro Paulo 
VI, na cidade de Caicó-RN. Dessa forma, há algumas caracte-
rísticas dessa escola que estão diretamente ligadas a minha 
vida escolar.
Flávia Lilian Félix da Silva
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA
246
 A Escola Municipal Olívia Pereira Rodrigues foi inau-
gurada no ano de 1897, na administração do Prefeito Vidalvo 
Silvino da Costa, em Caicó-RN. A instituição teve o seu nome 
modificado diversas vezes. No início, a Escola funcionava como 
Projeto Casulo2, e atendia crianças de 03 a 06 anos da educação 
Infantil; logo depois, passou a se chamar Vila da Criança, onde 
iniciei a minha escolarização.
Figura1 - Escola Municipal Olívia Pereira Rodrigues
Fonte: acervo pessoal.
Posteriormente, passou a se chamar Escola Municipal 
Paulo VI. Porém, em 25 de maio de 2001, mediante a Lei nº 3.876, 
2 Programa nacional de educação pré-escolar, criado através da Legião 
Brasileira de Assistência (LBA), que tinha como meta principal cuidar das 
crianças de 0 (zero) a 6 (seis) anos para que suas mães pudessem trabalhar 
e assim aumentar a renda da família.
Flávia Lilian Félix da Silva
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA
247
artigo 1º, aprovada pelo então Prefeito Roberto de Medeiros 
Germano, renomeou a mencionada escola, que passou a se 
chamar Escola Municipal Olívia Pereira Rodrigues, sendo essa 
uma forma de homenagear a professora caicoense que teve sua 
vida dedicada à educação (HISTÓRICO ... [2016]). 
Figura 2 - Escola Municipal Paulo VI
Fonte: acervo pessoal.
A referida escola teve como primeira diretora a profes-
sora Maria Salete de Faria, que possuía como formação apenas o 
curso magistério, do mesmo modo do restante dos professores. 
Nos anos entre 1987 e 1996, a valorização do Magistério aparece 
no livro Estado e Educação (GARCIA, 2009) como um dos pontos 
estudados e perseguidos pelos governos atuantes até então. 
Também em 2001, tivemos a criação do PNE: O Plano Nacional 
de Educação vigente de 2001 a 2010 e foi considerado o primeiro 
plano instituído por lei, sendo esta a Lei nº 10.172 de 2001.
Na Escola Olívia Pereira, tive minha vaga garantida pela 
Lei nº 9.394/96, Título III, Do Direito à Educação e do Dever de 
Educar, artigo 4º, inciso X – que garante “vaga na escola pública 
Flávia Lilian Félix da Silva
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA
248
de educação infantil ou de ensino fundamental mais próxima de 
sua residência a toda criança a partir do dia em que completar 
4 (quatro) anos de idade”. Dessa forma, iniciei meus estudos da 
educação infantil, que segundo a seção II da educação infantil, 
art. 29, tem como finalidade o desenvolvimento integral da 
criança de até 5 (cinco) anos, em seus aspectos físico, psicoló-
gico, intelectual e social, complementando a ação da família e 
da comunidade (Redação dada pela Lei nº 12.796, de 20). Encerrei 
a minha permanência na escola no ano de 2005, quando concluí 
o ensino fundamental I. 
Figura 3 - Escola Olívia Pereira
 Fonte: acervo pessoal.
Flávia Lilian Félix da Silva
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA
249
3 - ENSINO FUNDAMENTAL II, 
ENSINO MÉDIO E SUPERIOR
Em 1998, outro fator existente de grande importância, foi a 
criação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que surgiu 
no governo do então Presidente Fernando Henrique Cardoso. 
A implantação do Enem irá afetar diretamente a minha vida 
escolar no futuro.
Inicialmente, o exame buscava avaliar o desempenho dos 
estudantes ao final da educação básica, mas da sua criação até 
os dias atuais, o exame teve diversas mudanças. Em 29 de junho 
de 2018, foi promulgado o Decreto nº 9.432, que regulamenta a 
Política Nacional de Avaliação e Exames da Educação Básica, e 
apresenta que 
Art. 7º O Enem tem como objetivo aferir o domínio das compe-
tências e das habilidades esperadas ao final da educação 
básica. Parágrafo único. O Enem poderá ser utilizado como 
mecanismo de acesso à educação superior e aos programas 
governamentais de financiamento ou apoio ao estudante do 
ensino superior (BRASIL, 2018).
Em 2006, ingressei na Escola Municipal Presidente 
Kennedy, em Caicó-RN, localizada na Avenida Dr. Carlindo 
de Souza Dantas, centro, número 381, que foi construída na 
administração do Prefeito Inácio Bezerra de Araújo, em 1965, e 
ganhou o nome de Escola Municipal. Na administração seguinte, 
o Prefeito Francisco de Assis Medeiros renomeou a escola, que 
passou a se chamar, Escola Municipal Presidente Kennedy, 
como forma de homenagem ao ex-presidente americano John 
Fitzgerald Kennedy.
Flávia Lilian Félix da Silva
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA
250
Sendo oficialmente criada mediante o Decreto Lei Nº 001, 
de 07 de janeiro de 1981 e reconhecida pela Secretaria de 
Estado da Educação e Cultura em 1982, através da Portaria 
de Autorização Nº 5.363, sendo atualizada em 10 de outubro 
de 2006 pela Portaria Nº 1473/2006 (MARIA, 2015). 
Figura 4- Conclusão do Ensino Fundamental II, 
em 2009, na Escola Municipal Presidente Kennedy
Fonte: acervo pessoal.
Na referida escola, tive todo meu ensino fundamental, 
assegurado pela Lei nº 11.274, de 2006 que
[...] altera a redação dos arts. 29, 30, 32 e 87 da Lei no 9.394, de 
20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases 
da educação nacional, dispondo sobre a duração de 9 (nove) 
Flávia Lilian Félix da Silva
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA
251
anos para o ensino fundamental, com matrícula obrigatória 
a partir dos 6 (seis) anos de idade (BRASIL, 2006).
Dessa forma, o aluno entra em contato mais cedo com 
a escola, tendo um ano a mais de experiências e obtendo 
conhecimentos, culturas e conteúdo. Concluí em 2009 o ensino 
fundamental II na mencionada escola. Durante o ensino funda-
mental II, passei a ter aulas de reforço escolar com uma vizinha 
que havia apenas concluído o ensino médio. 
Também em 2009, teve origem o Sistema de Seleção 
Unificada (Sisu), que foi criado em 2010, durante o governo 
do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Sisu ampliou o 
número de vagas oferecido pelas instituições de ensino superior 
públicas e é utilizado por um grande número de estudantes, 
como podemos ver os dados presentes na Revista online Quero 
Bolsa. De acordo com os redatores da Revista online 
No primeiro semestre de 2010 foram ofertadas 47 mil bolsas e, 
no primeiro semestre de 2011, 83.125 vagas em 83 instituições 
públicas. No primeiro semestre de 2019 foram disponibili-
zadas 235.476 vagas em 129 faculdades e universidades 
(QUERO BOLSA, 2019).
Vale salientar, como um fato histórico e importante na 
educação, a substituição do Fundef pelo Fundo de Manutenção 
e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), assegurado 
pela Lei nº 11.494, de 20 de junho de 2007, que 
[...] regulamenta o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento 
da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais 
da Educação - FUNDEB, de que trata o art. 60 do Ato das 
Flávia Lilian Félix da Silva
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA
252
Disposições Constitucionais Transitórias; altera a Lei no 
10.195, de 14 de fevereiro de 2001; revoga dispositivos das 
Leis nos 9.424, de 24 de dezembro de 1996, 10.880, de 9 de 
junho de 2004, e 10.845, de 5 de março de 2004; e dá outras 
providências (BRASIL, 2007).
Durante todos esses acontecimentos no ano de 2009, 
comecei um curso preparatório, o Programa de Iniciação 
Tecnológica e Cidadania (Proitec), para ingressar no Instituto 
Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do 
Norte (IFRN), curso esse que é oferecido para alunos de escolas 
públicas pela própria instituição.
Em consequência do curso e de todo o meu aprendizado 
até 2008, fui aprovada nas provas do Instituto Federal de 
Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN) 
e ingressei no Campus Caicó, inaugurado no dia 20 de agosto 
de 2009, onde cursei todo ensino médio e técnico profissionali-
zante. De acordo com a Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008 
Institui a rede federal de educação profissional, científica e 
tecnológica, cria os institutos federais de educação, ciência 
e tecnologia, e dá outras providências. Art. 2o Os Institutos 
Federais são instituições de educação superior, básica e 
profissional, pluricurriculares e multicampi, especializados 
na oferta de educação profissional e tecnológica nas dife-
rentes modalidades de ensino, com base na conjugação de 
conhecimentos técnicos e tecnológicos com as suas práticas 
pedagógicas, nos termos desta Lei (BRASIL, 2008).
Flávia Lilian Félix da Silva
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA
253
Figura 5 - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia 
do Rio Grande do Norte (IFRN) e ingressei no Campus Caicó
Fonte: acervo pessoal.
Os cursos oferecidosno Campus Caicó possuem diferentes 
núcleos tecnológicos, e foram escolhidos para atender as neces-
sidades regionais, como o Controle e Processo Industrial, que se 
refere ao curso técnico em Eletrotécnica em duas modalidades, 
assim como em outras áreas. Em 2015, conclui o curso técnico 
no IFRN.
Assim como outros marcos já citados, em 2014, tivemos 
a criação do Plano Nacional de Educação (PNE), de acordo 
com a Lei nº 13.005, de 25 de junho do referido ano. O PNE 
foi criado para melhorar a qualidade da educação brasileira, 
estabelecendo metas, diretrizes e algumas estratégias que irão 
permear as ações na área educacional. Tomando como exemplos 
as metas, o PNE estabelece 20 metas que devem ser atingidas 
nos próximos 10 anos. 
Ingressei na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 
CERES - Caicó a partir no SISU, em sua 9ª edição, utilizando a 
Flávia Lilian Félix da Silva
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA
254
cota destinada às pessoas autodeclaradas negras e que possuem 
renda familiar bruta igual ou inferior a um inteiro e cinco 
décimos do salário-mínimo per-capita, a partir da Lei nº 12.711 
de 2012 que “Dispõe sobre o ingresso nas universidades federais 
e nas instituições federais de ensino técnico de nível médio 
e dá outras providências”. Frequento o curso de Licenciatura 
em Pedagogia e continuo com vínculo ativo na instituição, 
cursando atualmente o 3° período do referido curso.
Figura 6 - Universidade Federal do Rio Grande 
do Norte, CERES - Caicó (SISU)
Fonte: acervo pessoal.
Flávia Lilian Félix da Silva
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA
255
O processo de escolarização é uma prática que deve ser 
iniciada desde cedo com as crianças. É ela que irá formar alguns 
dos princípios que a criança vai levar para a vida, também 
irá fazer com que as crianças desenvolvam suas cognições, 
suas relações sociais e afetivas. Dessa forma, todas as escolas 
que frequentei, todos os professores que tive até aqui, foram 
fundamentais para formação da pessoa que eu sou hoje. Sou 
o resultado de uma sementinha plantada em cada escola que 
estudei e de cada incentivo que recebi.
Por todos esses aspectos, tenho caminhado em direção ao 
sonho da conclusão do curso de Pedagogia. É justamente nesse 
percurso de caminhada que busco formas de alcançar maiores 
conhecimentos e experiências. Por tudo isso, concluo que, a 
minha evolução acadêmica ainda irá ganhar muitas páginas.
Flávia Lilian Félix da Silva
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA
256
REFERÊNCIAS 
BLOG ESCOLA MUNICIPAL OLÍVIA PEREIRA RODRIGUES. 
Sobre mim. [S. l.]: Escola Olívia Pereira, 2016. Disponível em: 
http://eoliviapereira.blogspot.com/2016/02/normal-0-21-
false-false-false-pt-br-x.html. Acesso em: 15 mar. 2019.
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da 
República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, 
DF: Presidência da República, [2016]. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/
constituicaocompilado.htm. Acesso em: 15 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as 
diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Ministério 
da Educação, [1996]. Disponível em: http://www.planalto.
gov.br/Ccivil_03/leis/L9394.htm. Acesso em: 15 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 9.424, de 24 de dezembro de 1996. Dispõe 
sobre o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino 
Fundamental e de Valorização do Magistério, na forma 
prevista no art. 60, § 7º, do Ato das Disposições Constitucionais 
Transitórias, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério 
da Educação, [1996]. Disponível em: http://www.planalto.
gov.br/Ccivil_03/leis/L9424.htm. Acesso em: 22 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 10.172, de 9 de janeiro de 2001. Aprova o Plano 
Nacional de Educação e dá outras providências. Brasília, DF: 
Ministério da Educação, [2001]. Disponível em: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/leis/leis_2001/l10172.htm. Acesso em: 23 nov. 2021.
Flávia Lilian Félix da Silva
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA
257
BRASIL. Lei nº 11.274, de 20 de junho de 2007. Regulamenta o 
Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e 
de Valorização dos Profissionais da Educação - FUNDEB, de que 
trata o art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 
[...] e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, 
[2007]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_
ato2007-2010/2007/lei/l11494.htm. Acesso em: 22 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 13.005, 25 de junho de 2014. Aprova o 
Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras providências. 
Brasília, DF: Ministério da Educação, [2014]. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-
2014/2014/Lei/L13005.htm. Acesso em: 15 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008. Institui a 
Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, 
cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá 
outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2008]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-
2010/2008/Lei/L11892.htm. Acesso em: 27 mar. 2019.
BRASIL. Lei nº 12.711, de 29 de agosto de 2012. Dispõe sobre 
o ingresso nas universidades federais e nas instituições 
federais de ensino técnico de nível médio e dá outras 
providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2012]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
2014/2012/lei/l12711.htm. Acesso em: 26 mar. 2019.
Flávia Lilian Félix da Silva
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA
258
BRASIL. Lei nº 12.796, de 4 de abril de 2013. Altera a Lei 
nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as 
diretrizes e bases da educação nacional, para dispor sobre 
a formação dos profissionais da educação e dar outras 
providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2013]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-
2014/2013/lei/l12796.htm. Acesso em: 23 nov. 2021.
BRASIL. Decreto nº 9.432, de 29 de junho de 2018. 
Regulamenta a Política Nacional de Avaliação e Exames da 
Educação Básica. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2008]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015-
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CALIXTA, L. Depoimento. [Entrevista cedida a] Flávia 
Lilian Félix da Silva. Caicó, mar. 2019. Entrevista concedida 
para elaboração da linha do tempo do entrevistador.
GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e Educação no 
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HISTÓRICO DA ESCOLA MUNICPAL OLÍVIA PEREIRA RODRIGUES. 
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LOPES, E. M. T.; FARIA FILHO, L. M.; VEIGA, C. G. 500 anos 
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MARIA, Jota. Escolas Municipais de Caicó. Mossoró: Escolas 
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Flávia Lilian Félix da Silva
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA
259
PORTAL IFRN. Histórico. [S. l.]: IFRN, [201-]. Disponível em: 
http://portal.ifrn.edu.br/campus/caico/institucional/
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QUERO BOLSA. Como surgiram: Enem, Sisu, Prouni e 
Fies. [S. l.]: Quero Bolsa, 2019. Disponível em: https://
querobolsa.com.br/revista/como-surgiu-enem-
sisu-prouni-e-fies. Acesso em: 26 mar. 2019.
SOMOS PAR. Plano Nacional de Educação (PNE): 
entenda o que é. [S. l.]: SomosPar, 2020. Disponível em: 
https://www.somospar.com.br/pne-conheca-o-plano-
nacional-de-educacao/. Acesso em: 26 mar. 2019.
260
Flávia Lilian Félix da Silva
MINHA EVOLUÇÃO ACADÊMICA
A ESCOLA 
DA EDUCAÇÃO À VIDA
Gabriel Fidelis Alves de Araújo1
RESUMO
O presente texto trata da minha trajetória de vida pessoal 
e escolar, minhas experiências, momentos bons e ruins e as 
diversas aprendizagens que adquiri durante o meu percurso de 
escolarização até os dias atuais. Tomando como base de análise 
a Constituição Federal Brasileira de 1988; a Lei 9.394/1996 (Lei 
de Diretrizes e Bases da Educação Nacional);e o livro Estado e 
Educação no Brasil (1987 – 1996) de autoria da professora Tânia 
Cristina Meira Garcia, para com base neles observar os aspectos 
sociais e políticos que estão presentes na Educação brasileira. 
Busco mostrar de que maneira esses diferentes aspectos foram 
e são importantes para o Ensino em nosso país no decorrer da 
História da Educação. Analiso importantes sobre as constitui-
ções brasileiras e como estas trataram a educação.
Palavras-chave: educação; escola; leis; trajetória.
1 Email: gabrielalvesr7@gmail.com
A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA
Gabriel Fidelis Alves de Araújo
262
1. INTRODUÇÃO
Este trabalho busca relatar minha trajetória de vida desde meu 
nascimento, minha infância e adolescência, primeiros passos 
na escola e o caminho percorrido durante a educação básica 
até atualmente, mostrando as mudanças que aconteceram na 
educação e como estiveram presentes em minha vida. Nasci no 
dia 15 de março de 1999, no município de Jucurutu/RN, onde 
sempre morei e moro até hoje. Fui criado na cidade, mas minha 
família vem da zona rural, viveram sempre principalmente da 
agricultura, da criação de gado e aves. Quando nasci, meus 
pais não viveram juntos por muito tempo, sempre morei com 
minha mãe, a princípio, na casa dos meus avós onde também 
fui cuidado por minha avó, meu avô e meus tios. Já com dois 
anos de idade, passei a viver somente com minha mãe e com o 
marido dela, pelo qual tenho grande respeito e apreço, pois foi 
de quem estive mais próximo durante meu crescimento, a quem 
também chamo com todo carinho de pai, pois ele me aceitou e 
cuidou de mim como um filho dele. Moro hoje com ele, minha 
mãe e minha irmã. 
Minha mãe trabalha até hoje no mesmo supermercado 
que trabalhava quando eu nasci. Meu pai é funcionário público 
municipal, agente comunitário de saúde, e meu pai de criação é 
atualmente mecânico de automóveis numa oficina. Tenho dois 
irmãos: um irmão por parte de pai e uma irmã por parte de 
mãe, sou o mais velho. Meu irmão tem 9 anos e é filho do meu 
pai com sua atual esposa. Minha irmã tem 8 anos e é filha da 
minha mãe com meu pai do coração, com quem vive até hoje. 
Meu pai me registrou e deu assistência financeira mensal até 
os meus 18 anos, mas nunca morei com ele, indo lá somente aos 
finais de semana.
A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA
Gabriel Fidelis Alves de Araújo
263
Considero a minha mãe muito importante em tudo, por 
toda a força que teve, e meu grande exemplo para sempre lutar, 
pelo amor e carinho que tem por mim. Meu pai do coração 
cuidou com carinho de mim e me ajudou sempre, estando ao 
meu lado. Com meu pai biológico não convivi com muita proxi-
midade, mas por ele tenho também grande respeito. Minha 
relação é boa com todos e amo todos eles e os meus irmãos, 
meus tios, meus avós, meus primos e toda a família. Existiram 
muitas lutas, mas agradeço por tudo e oro a Deus por todos eles.
2 ESCOLA: ENSINO INFANTIL
A Constituição federal de 1988, atual constituição vigente em 
nosso país, abriu ainda mais portas para a educação brasi-
leira. No capítulo III - Da Cultura e Do Desporto, na Seção I 
- Da Educação diz no artigo 205 diz que: “A educação, direito 
de todos e dever do Estado e da família, será promovida e 
incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno 
desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da 
cidadania e sua qualificação para o trabalho” (BRASIL, 1988, 
não paginado). A LDB (Lei de Diretrizes e Bases) da Educação 
Nacional no Título V - Dos Níveis e das Modalidades de Educação 
e Ensino, no Capítulo II - Da Educação Básica, na Seção II – Da 
Educação Infantil, no artigo 30 afirma que: “A educação infantil 
será oferecida em: I - creches, ou entidades equivalentes, para 
crianças de até três anos de idade” (BRASIL, 1996, não paginado).
Por volta de 2002, já próximo de completar 3 anos, eu fui 
matriculado na minha primeira escola, a Escola Municipal Joel 
Lopes Galvão, próxima da minha casa. Era levado geralmente 
A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA
Gabriel Fidelis Alves de Araújo
264
por minha mãe ou por minha avó. Minha primeira professora 
se chamava Ioneide (hoje aposentada) e sua auxiliar a profes-
sora Sônia (ainda atuando). Pessoalmente, não tenho essas 
lembranças, mas minha mãe me contou que eu aceitei bem 
a escola e sempre gostei de ir. Na época, chamavam o nível 
infantil de Jardim I ou II, se não me engano.
A Escola Municipal Joel Lopes Galvão foi fundada em 
1997, a partir de um decreto municipal do então prefeito de 
Jucurutu. Ela funciona até hoje no mesmo local, na rua Manoel 
Janúncio de Medeiros, bairro Santa Izabel. Com a autonomia 
municipal existente, podemos perceber algo importante, como 
afirma a autora de Estado e Educação no Brasil quando fala da 
constituição de 1988, e afirma:
O que se observa na Constituição brasileira é a adoção de um 
sistema complexo de repartição de competências, que busca 
realizar o equilíbrio federativo por meio de uma repartição 
de competências fundamentada na técnica de enumeração 
dos poderes da União, como aparece nos artigos 21 e 22, com 
poderes remanescentes para os estados (art.25,§1º) e poderes 
definidos indicativamente para os municípios (art.30) 
(GARCIA, 2009, p. 42).
Desde cedo, minha mãe me colocou em aula de reforço à 
tarde, pois eu sempre estudei de manhã. A professora da aula 
particular, “tia Walcicléia” (ainda atuando, com aulas de reforço 
e como professora na rede privada), como eu a chamava, foi a 
grande responsável por me alfabetizar. Ela sempre foi muito 
amiga da minha mãe e ensinava várias crianças. Tive aula com 
ela dos 4 até os 8 anos. Em 2003, fui aluno da professora Rita 
(ainda atuando) e aos poucos fui me desenvolvendo e com as 
A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA
Gabriel Fidelis Alves de Araújo
265
aulas à parte aprendi a ler, escrever e conhecia os números e 
algumas operações já com 4 anos de idade até então.
Antes da 1ª série, na época, existia a Alfabetização, então, 
em 2004, com 5 anos, iniciei a Alfabetização com a professora 
Terezinha (hoje aposentada). Certo dia, minha mãe foi chamada 
na escola, pois a diretora queria falar com ela. Minha mãe conta 
que perguntou se algo tinha acontecido, mas informaram que 
não era nenhum problema. Quando chegou à escola, a diretora 
informou que achavam melhor me adiantar para a 1ª série. Minha 
mãe concordou, contanto que não me prejudicasse. Fui então 
para a 1ª série, que, na época, antes da Lei nº 11.274/2006, era a 
primeira etapa do ensino fundamental. No fim do mesmo ano, eu 
ainda participei da colação de grau, com a beca e o capelo verde, 
os “Doutores do ABC”, com os demais colegas da Alfabetização.
3 ESCOLA: ENSINO FUNDAMENTAL
Iniciei o ensino fundamental em 2004. Na 1ª série, minha 
professora foi a tia Meyrenardy (“tia Meire”, ainda atua). 
Minhas lembranças desse tempo são poucas, mas me lembro dos 
colegas, das brincadeiras e até pouco tempo atrás ainda tinha 
o livro didático de português e matemática daquela época. 
Sempre fui participativo.
Na 2ª série, ano 2005, tinha 6 anos e minha professora 
se chamava Edilene (hoje aposentada), lembro dos colegas, e 
que sempre eram trabalhados dias temáticos como, as festas 
juninas, dia do índio, folclore etc.
No ano 2006, com 7 anos, prestes a fazer a 3ª série, entrou 
em vigor, no dia 6 de fevereiro de 2006, a lei nº 11.247. Essa lei 
A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA
Gabriel Fidelis Alves de Araújo
266
fez com que o ensino fundamental passasse a durar não mais 8, 
mas sim, 9 anos. Então, a Alfabetização, por exemplo, se tornou 
o 1º ano, e a 3ª série agora era 4º ano. Os municípios tiveram 
até 2010 para aderir, mas logo no mesmo ano, meu município 
colocou em prática. No primeiro dia de aula, foi diferente, pois 
minha mãe foi comigo esperando encontrar meu nome na lista 
da 3ª série, mas ele estava na lista do 4º ano. Minha professora 
era Margarida (hoje aposentada).
Em 2007, com 8 anos, portanto, meu último ano do ensino 
fundamental I e também na Escola MunicipalJoel Lopes Galvão, 
pois a escola oferecia até 5º ano, minha professora foi Jucilene 
(ainda atuando). Eu me recordo que, nesse ano, tirei minha 
primeira “nota vermelha”. Foi no 3º bimestre e na matéria de 
Geografia (4,5). Eu não estudei direito, mas lembro que fiquei 
tranquilo e pensei: “vou estudar mais na próxima!”. Levo ótimas 
lembranças, subia em árvores, corria e brincava.
Em 2008, com 9 anos, fui transferido para outra escola, 
para estudar o ensino fundamental II (do 6º ao 9º ano), a Escola 
Municipal Wagner Lopes de Medeiros, logo em frente à escola 
anterior. Lembro que sempre fui alguém tranquilo, mas logo no 
6º ano tive, por um período, uns problemas com um colega meu e 
fomos para a diretoria algumas vezes, mas depois nos entendemos.
Minha mãe sempre quis ter mais um filho, seu desejo era 
ter uma menina. Ela engravidou e era uma menina. Durante a 
gestação, quando estava com 6 meses, ela teve complicações: ela 
trabalhava e cuidava de casa. Com os problemas, ela precisou se 
afastar do trabalho; e com as complicações, chegou a ser trans-
ferida para Natal/RN, mas perdeu o líquido amniótico que fazia 
a criança respirar. A bebê infelizmente ficou sem vida. Lembro 
que, para minha mãe, foi muito difícil. Ela ficou muito triste, 
A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA
Gabriel Fidelis Alves de Araújo
267
mas, graças a Deus, ela se recuperou e não desistiu do sonho. Isso 
aconteceu por volta de 2009, quando eu estava no 7º ano.
Em março de 2010, nasceu o meu irmão, filho do meu pai 
biológico. Depois de um tempo, minha mãe e meu pai de criação 
continuaram tentando, e ela engravidou mais uma vez e ficou 
muito feliz em saber que seria uma menina. No dia 27/05/2011, 
nasceu minha irmã.
Estudei nessa escola até o 9º ano, e lembro que sempre 
existia a expectativa de, no 9º, participar do processo seletivo 
para estudar o ensino médio em um curso técnico no Instituto 
Federal de Educação Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte 
(IFRN). Os institutos federais foram instituídos nos estados por 
meio da lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008, que: Institui a 
Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, 
cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e 
dá outras providências. Sendo que o campus mais próximo era 
o de Caicó. Eu e quase todos os alunos da minha turma fizemos 
a prova, mas somente uma colega foi aprovada, foi em 2011, e na 
época eu tinha 12 anos. Eu pessoalmente me recordo que recebi o 
material, mas não estudei quase nada, posso afirmar que sempre 
fui e ainda sou até hoje um tanto relapso. É um defeito deixar 
tudo para depois, nunca fui para uma recuperação, mas de vez 
em quando tirava algumas notas ruins.
Durante esse tempo, lembro mais das coisas da minha vida. 
Sempre gostei de jogar bola, ir para a praça, sair com os amigos, 
foram tempos que marcaram. Em 2011, foi meu último ano na 
Escola Wagner Lopes de Medeiros. Tivemos a formatura e foi muito 
bom, participamos eu, minha mãe, pai de criação e minha irmã, 
que tinha uns 7 meses na época. A curiosidade é que meu pai de 
criação também concluiu o ensino fundamental também neste ano 
e na mesma escola, na educação de jovens e adultos (EJA).
A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA
Gabriel Fidelis Alves de Araújo
268
4 ESCOLA: ENSINO MÉDIO
Iniciei o ensino médio em 2012, já com 13 anos e tenho muitas 
lembranças desse tempo. Comecei a estudar na Escola Estadual 
Newman Queiroz, que ficava longe da minha casa, diferente-
mente das anteriores. Mas o município tinha ônibus escolar 
que transportava os alunos da zona rural e os levava para a 
escola, mas, na maioria das vezes, eu sempre perdia o ônibus 
por dormir demais. Acabava indo a pé, e, durante um tempo, 
fui de bicicleta, pois indo a pé eu sempre chegava atrasado e 
passava dos 15 minutos de tolerância que a escola permitia. 
Com isso, eu só podia entrar na segunda aula, algo que se tornou 
costume e os colegas e professores já sabiam. Foi assim nos 3 
anos em que estudei lá.
Em 2013, quando eu tinha 14 anos, no 2º ano, aconteceu 
algo muito importante em minha vida. Na escola, eu sempre 
recebia o convite de uma moça do 3º ano para ir na igreja dela. 
Quando mais jovem, meu tio já havia me levado lá uma vez, e eu 
já conhecia a igreja. Engraçado era que eu me escondia da moça 
no corredor, pois sabia que, se ela me visse, ia me convidar de 
novo. Eu aceitava o convite, mas relutava em ir. Certo dia, eu 
acabei indo e não parei mais. 
Minha família é toda de católicos, então, fui ensinado 
nesses costumes, fui batizado quando bebê, participei do cate-
cismo e da primeira eucaristia, ia às missas, fazia parte do terço 
dos homens, e estava na crisma, quando deixei de ir à igreja 
católica. Mesmo sendo alguém que tinha aparentemente uma 
vida normal, como todo jovem, no meu interior eu não era feliz. 
Era uma pessoa angustiada, não acreditava em mim mesmo, 
com os problemas e lutas que surgiam eu me tornei uma pessoa 
complexada, como toda pessoa, eu precisava de Deus dentro de 
A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA
Gabriel Fidelis Alves de Araújo
269
mim, e a resposta que eu tanto busquei, eu encontrei quando 
passei a buscar o Senhor Jesus de fato e de verdade, não baseado 
em costumes e hábitos religiosos. Por isso, costumo dizer que 
não mudei de religião, mas sim que deixei de ser religioso. 
Conheci a fé viva no Deus vivo. 
Minha família e meus amigos, até na escola, por exemplo, 
não entendiam e às vezes até criticavam, mas eu decidi 
permanecer firme. Antes era eu que muitas vezes criticava as 
pessoas. Aprendi a “fé inteligente” e até hoje faço parte da Igreja 
Universal do Reino de Deus. Sou voluntário no trabalho social 
que a igreja desenvolve em comunidades, hospitais, presídios 
etc. Sou grato a Deus por tudo que tem feito em minha vida, e 
para Ele toda honra e toda glória, agora e para sempre.
O ano de 2014, com 15 anos de idade, foi o meu último ano no 
ensino médio. Eu até então, não havia me decidido se queria fazer 
um curso superior e nem qual seria. Então, somente nesse ano, já 
no 3º ano, eu participei pela primeira vez do Exame Nacional do 
Ensino Médio (Enem). Não obtive uma nota muito boa, então, não 
entrei em curso algum pelo Sistema de Seleção Unificado (Sisu). 
Nesse mesmo ano, foram até minha escola divulgar um curso 
técnico semipresencial do Instituto Metrópole Digital (IMD), que 
faz parte da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) 
e que oferece cursos em Tecnologia da Informação. Eu fiz a prova 
de seleção no CERES em Caicó e consegui ser selecionado entre 
as vagas. Nesse ano, também teve a formatura do ensino médio, 
e mais uma vez meu pai de criação também conseguiu concluir 
no mesmo ano que eu.
Minha mãe já havia conseguido concluir o ensino médio 
com muita luta, quando eu ainda era pequeno, pois ela precisava 
trabalhar. Meu pai biológico concluiu o ensino médio e é técnico 
em enfermagem.
A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA
Gabriel Fidelis Alves de Araújo
270
Não posso negar que nasci numa geração em que o acesso 
à educação é bem mais amplo do que na geração de meus avós, 
por exemplo. A constituição de 1988 é, sem dúvida, uma das 
grandes responsáveis por isso. Ela possui um capítulo específico 
tratando da Educação. Em Estado e Educação no Brasil, a autora 
também afirma:
A concepção que a Constituição de 1988 agasalha nos artigos 
205 a 214 sobre a educação, quando declara que esta é um 
direito de todos e dever do Estado, é a de educação como 
reconstrução da experiência e um atributo da pessoa 
humana, tendo, por isso, que ser comum, estendida a todos, 
sendo dever do Estado promovê-la (GARCIA, 2009, p. 47).
Assim concluí mais uma etapa. Como não sabia qual 
curso queria, pensava em pelo menos não parar de estudar, 
fazer algum curso e continuar fazendo o Enem todos os anos.
5 ESCOLA: CRESCIMENTO
No ano de 2015, com 16 anos de idade, eu ingressei no curso do 
IMD, que duraria dois anos, e teria 4 módulos: básico, intermedi-
ário, avançado e integrador. Ocurso era basicamente a distância 
e tinha encontros presenciais uma vez por semana. O meu era 
aos sábados de manhã. Eu consegui concluir os módulos básico 
e intermediário, mas encontrei dificuldades por não conseguir 
acompanhar o ritmo dos assuntos e, no próximo módulo, iria ter 
os encontros na quarta-feira à noite. Fiz o Enem desse ano e não 
tive nota suficiente, também não queria mais continuar no IMD. 
A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA
Gabriel Fidelis Alves de Araújo
271
Como não entrei nas vagas disponibilizadas no Sisu, tentei uma 
vaga no Programa Universidade Para Todos (Prouni) e consegui.
Em 2015, também fiz um concurso para o cargo de Assistente 
Administrativo da UFRN, um amigo meu ia fazer e eu também 
tentei. Não obtive uma boa nota, mas foi uma boa experiência.
Em 2016, então com 17 anos, entrei no curso de Gestão 
Comercial, com 100% da bolsa, o curso era totalmente a 
distância, na Universidade Potiguar (UnP), e só precisava ir 
pessoalmente nas avaliações presenciais a cada 3 meses. Fiz 
o Enem mais uma vez, mas não tive êxito. Nas vezes que fiz o 
Enem e não fui aprovado, colocava minha nota em cursos como 
matemática e geografia, por exemplo.
Nesse mesmo ano, a prefeitura municipal da minha 
cidade abriu um concurso para os cargos de Gari, Auxiliar de 
Serviços Gerais (ASG) e Vigilante, de nível fundamental. Minha 
mãe foi minha grande incentivadora. Eu decidi estudar, o cargo 
de ASG ofertou 70 vagas, eu fiz a prova, e graças a Deus fui muito 
bem. A prova tinha 40 questões objetivas, 20 de português e 20 
de matemática, eu acertei 16 de português e 19 de matemática, 
fiquei da 13ª posição e na classificação geral. Com os desem-
pates, fiquei na 20ª posição, foi para mim uma grande conquista. 
Minha mãe ficou muito feliz, para ela, foi uma grande 
vitória. Minha mãe sempre lutou por mim, sempre me incen-
tivou. Ela sempre disse que queria ver eu dando meus próprios 
passos e tendo aquilo que ela não pôde ter.
No ano de 2017, uma nova gestão municipal assumiu a 
cidade, e no mês de março foram chamados metade das vagas 
classificadas. Eu fui chamado. A alegria por parte da minha 
família foi enorme, mas eu precisava ter 18 anos para assumir. 
Como chamaram no mês que eu completaria os 18 anos, eu 
aproveitei os dias para organizar os documentos.
A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA
Gabriel Fidelis Alves de Araújo
272
No dia 15/03/2017, dia do meu aniversário, eu fui à 
prefeitura tomar posse. Alguns disseram que foi sorte, mas eu 
sei que foi e é Deus. As coisas não caem do céu, mas se plan-
tarmos, com certeza, colheremos. Fui designado para trabalhar 
na secretaria de educação, e, na escola onde eu comecei meus 
estudos, a Escola Municipal Joel Lopes Galvão. Estudei lá até 
2007, e, 10 anos depois, em 2017, foi lá que comecei a trabalhar, 
e estou lá atualmente. Nesse ano, eu fui selecionado no curso 
de Licenciatura em matemática, mas não me apresentei, pois 
preferi trabalhar e, se entrasse no curso, ficaria difícil de 
organizar o tempo.
Continuei no curso na UnP e deveria tê-lo concluído em 
2017, mas fui reprovado em umas duas disciplinas e poderia 
terminar no primeiro semestre de 2018 caso solicitasse o Prouni. 
Trabalhando na escola com as crianças, eu percebi que estudar 
Pedagogia era uma ótima ideia. Eu não pensava em estudar 
distante da minha cidade, e queria continuar no emprego. Fiz 
o Enem em 2017 e me inscrevi no Sisu, no curso de Pedagogia 
na UFRN no Centro de Ensino Superior do Seridó (CERES) de 
Caicó. Era o único curso somente pela manhã. Eu me inscrevi 
na cota de baixa renda e que estudou em escola pública, se não 
me engano, havia 5 vagas e eu fiquei na última. Fui chamado.
Em 2018, já com 19 anos, cancelei a matrícula na UnP 
e ingressei no curso de Pedagogia, no qual estou atualmente 
e desejo concluir. A princípio, quero ser professor e atuar na 
área. Encontrei dificuldades para me acostumar. No primeiro 
período, fui para 4ª prova (prova de recuperação) em 1 disciplina 
das 5 do semestre. No segundo período, fui para a recuperação 
em 3 disciplinas das 5, em uma delas fui reprovado. 
Atualmente, estou no 3º período do curso pela manhã; 
trabalho à tarde; e à noite sempre costumo ir à igreja. Agradeço 
A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA
Gabriel Fidelis Alves de Araújo
273
a Deus em primeiro lugar, depois à minha família, aos amigos, 
professores e colegas.
Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, 
nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas 
riquezas, mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me entender 
e me conhecer, que eu sou o Senhor, que faço beneficência, 
juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz 
o Senhor (Jeremias 9: 23-24).
A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA
Gabriel Fidelis Alves de Araújo
274
REFERÊNCIAS 
BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República 
Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da 
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ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em 15 jun. 2019.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as 
diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, DF: Ministério 
da Educação, [1996]. Disponível em: http://www.planalto.
gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em 15 jun. 2019.
BRASIL. Lei nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008. Institui a 
Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica, 
cria os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, e dá 
outras providências. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2008]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-
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BRASIL. Lei nº 11.274, de 6 de fevereiro de 2006. Altera a 
redação dos arts. 29, 30, 32 e 87 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro 
de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação 
nacional, dispondo sobre a duração de 9 (nove) anos para o 
ensino fundamental, com matrícula obrigatória a partir dos 6 
(seis) anos de idade. Brasília, DF: Ministério da Educação, [2006]. 
Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-
2006/2006/lei/l11274.htm. Acesso em 15 jun. 2019. 
GARCIA, Tânia Cristina Meira. Estado e educação no 
Brasil (1987-1996). João Pessoa: EDUFRN: Ideia, 2009.
275
A ESCOLA: DA EDUCAÇÃO À VIDA
Gabriel Fidelis Alves de Araújo
HISTÓRIA E EDUCAÇÃO 
UM PERCURSO DE TODA VIDA
Gisele Saudéris Pereira Dantas1
RESUMO
O presente trabalho irá apresentar os resultados obtidos por 
meio da realização da pesquisa proposta na primeira unidade 
do componente curricular História da educação brasileira, 
orientado pela professora doutora Tânia Cristina Meira 
Garcia, no curso de Pedagogia da Universidade Federal do Rio 
Grande do Norte, campus Ceres, em Caicó/RN; apresentando 
a cronologia da vida educacional da discente Gisele Saudéris 
Pereira Dantas. Por meio deste relato, realiza-se a análise sobre 
alguns fatos da História da educação brasileira localizados em 
períodos situados entre os anos de 1968 e 2019; registrados 
em documentos legais, por meio de leis, decretos e portarias 
publicadas pelo Ministério da Educação Brasileira como a Lei de 
Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (1996) e a Constituição 
da República Federativa do Brasil (1988). Além da análise desses 
documentos, foram objeto de estudo informações obtidas por 
meio de diálogos da pesquisadora com seus familiares, antigos 
1 Email: gigisalzinho@yahoo.com.br
HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA
Gisele Saudéris Pereira Dantas
277
professores, e outros educadores que participaram da sua 
história educacional. Neste trabalho, também foram utilizados 
conhecimentos obtidos por meio dos textos debatidos nos 
componentes curriculares, cursados pela pesquisadora até 
2019, aliados às informações sobre a legislação brasileira sobre 
a educação, analisadas e apresentadas na obra Estado e Educação 
no Brasil (1987/1996) de autoria de Tânia Cristina Meira Garcia. 
Ao término do estudo, a pesquisadoraapresenta que conseguiu 
obter novos olhares sobre as transformações da História da 
Educação Brasileira através das legislações e sobre a influência 
que elas realizaram na sua vida educacional.
Palavras-chave: história; educação; experiências de vida.
1 INTRODUÇÃO
No decorrer da vida, encontramos sempre presente em nosso 
cotidiano o processo de Educação, sendo este formal ou 
informal. Sabendo disso, percebemos também que, ao longo 
da História, a formalização dessa “educação” vem sofrendo 
diversas modificações para se adequar aos interesses das 
temporalidades, espacialidades e sociedades distintas na qual 
se encontram. Percebemos, assim, que a História da educação 
no Brasil não fugiu do padrão de transformação do seu “modelo 
de educação”, sendo este bastante perceptível por meio dos 
registros “legais”, por exemplo: as diferentes leis, constituições, 
e os estudos realizados sobre a educação. 
Com isso em mente, neste trabalho, irei abordar todo o 
meu percurso educacional até 2019, e por meio disso, tomando 
HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA
Gisele Saudéris Pereira Dantas
278
como base para análise a obra Estado e educação no Brasil 
(1987/1996) (GARCIA, 2009), a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) (1996) 
e a Constituição Federal do Brasil (1988), buscar-se-á compre-
ender um pouco mais sobre essas mudanças “formais” na 
educação, e como determinadas mudanças nas leis de educação 
interferiram de alguma forma na minha vida educacional. 
Assim, para que este trabalho fosse possível, busquei por meio 
de arquivos pessoais, como históricos escolares, diálogos com 
meus familiares, registros das escolas e universidade em que 
frequentei informações sobre a História da educação e sobre 
minha vida escolar durante o período de 1998 a 2019. 
Utilizei também registros sobre a História da educação 
brasileira presentes no livro da autora Tânia Cristina Meira 
Garcia intitulado Estado e educação no Brasil (1987/1996). Embora 
aborde sobre um período anterior à minha entrada na educação 
“formal”, apresenta informações sobre a temática que acabaram 
por influenciar minha vida escolar em diversos momentos. 
Trago também informações retiradas da LDB de 1996 e a 
Constituição Federal do Brasil de 1988, assim como informações 
retiradas de websites como o site da Presidência da República: 
Planalto e o site do Ministério da Educação Brasileira, tendo 
sido possível conferir, por meio desses documentos, algumas 
das informações apresentadas durantes as entrevistas.
Sobre a organização deste trabalho, irei dividir esta 
pesquisa em duas seções a seguir, 2 Educação Básica e 3 Ensino 
Superior. Na primeira seção, irei discorrer sobre a cronologia 
da minha formação educacional nos primeiros momentos, 
desde a educação infantil, passando pelo ensino fundamental, 
e finalizando esta seção com informações sobre o período em 
que cursei o ensino médio. Já na seção seguinte, apresentarei 
os fatos pertinentes sobre meu período na educação superior, 
HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA
Gisele Saudéris Pereira Dantas
279
desde o curso anteriormente concluído de Licenciatura em 
História ao que me encontro cursando atualmente, Pedagogia. 
Por fim, apresentarei, ao término deste artigo, as conclusões 
obtidas por meio deste trabalho.
2 EDUCAÇÃO BÁSICA
Para iniciar este trabalho, trarei a cronologia do percurso 
educacional por mim vivido, pontuando alguns fatos nesses 
períodos que marcaram minha vida educacional. Apresento 
ainda algumas leis ou modificações nas leis já existentes no 
período sobre o processo educacional no Brasil, analisando, a 
partir disso, como elas atuaram no meu processo educacional.
Meu percurso educacional começou no ambiente familiar. 
Meu pai, José Dantas, é pedagogo formado pela UFRN. Assim, ele 
iniciou meu processo de alfabetização em casa. Apenas no ano 
de 2000 adentrei ao ambiente escolar, já tendo conhecimento do 
alfabeto, então foi dado sequência ao processo de alfabetização 
até o ano de 2001.
O primeiro ambiente escolar com o qual eu tive contato 
foi o Educandário Santa Teresinha, escola situada no centro 
da cidade de Caicó/RN, que possui uma estrutura pedagógica 
baseada no ensino tradicional/religioso, estabelecendo, assim, 
em sua rotina educacional, diversas atividades que envolvem 
o ensino religioso católico. Ao pesquisar mais profundamente 
sobre a história desse ambiente educacional em que vivi durante 
um significativo período em minha vida, pude encontrar infor-
mações bastante interessantes sobre o seu surgimento. 
HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA
Gisele Saudéris Pereira Dantas
280
Esse educandário foi criado em 1941, inicialmente apenas 
como um “Curso Comercial de Contabilidade”, que, posteriormente, 
em 1947, foi oficializado como sendo um “Curso Ginasial”. Cabe 
ressaltar que, desde sua origem até o ano 1951, essa escola 
atendia somente o público do sexo feminino. No ano seguinte, 
1956, a escola começou a aceitar a participação do público 
masculino. Em 1971, foi então mudada a designação anterior-
mente usada de “Colégio” sendo substituída por “Educandário” 
Santa Teresinha. Até o período de 1997, a Escola oferecia apenas 
um serviço que abrangia da educação infantil ao ensino funda-
mental; sendo esse fato modificado em 1998, dois anos antes de 
minha entrada, a fim de dar continuidade à formação integral 
dos educandos caicoenses.
Sendo uma escola de caráter católico, presenciei, durante 
grande parte de minha educação inicial, a forte presença de um 
trabalho nessa escola que buscava como ponto principal a evan-
gelização de seus alunos. Essa marca sempre foi considerada 
pela sociedade caicoense como sendo um diferencial. Inclusive, 
está registrado, em declarações escritas da escola, que ela busca 
“[...] a formação do homem total, preparado para construir uma 
sociedade mais justa e fraterna, de acordo com as leis vigentes 
do país, sob a inspiração dos valores e dos princípios cristãos” 
(Site do Educandário Santa Teresinha).
Entre os fatos que me lembro dessa “Educação Cristã” 
que marcaram minhas lembranças sobre o processo educa-
cional está a rotina que todos os alunos da educação básica, da 
alfabetização a 4ª série do fundamental, tinham de fazer filas, 
por ordem alfabética, no pátio da escola, no início das manhãs, 
antes de começar as aulas, em frente à imagem da santa que dá 
nome à Escola. Era também momento de declamar os hinos da 
escola, da cidade e parte do Hino do Brasil, além das orações do 
HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA
Gisele Saudéris Pereira Dantas
281
“Anjo da guarda”, do “Pai nosso” e a “Ave Maria”, cerca de duas ou 
três vezes por semana, variando a quantidade de acordo com a 
série em que a turma se encontrava.
Assim, retomando à cronologia da minha entrada no 
ensino básico, destaco o fato de que, na História da educação 
brasileira durante esse período, foram realizadas algumas 
modificações na estrutura da LDB de 1996, estabelecido, por 
meio do Parecer do Conselho Nacional de Educação 9/2001, 
as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de 
Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de 
licenciatura, de graduação plena. Esse evento estabeleceu, 
nos anos posteriores, um maior contato com educadores com 
formações acadêmicas em licenciaturas, tornando-os, portanto, 
mais capacitados para atuar na função de educadores.
 Segundo Garcia (2009, p. 73), sobre as formas da adminis-
tração da educação diante da postura do educador, “Escola de 
qualidade pressupõe a produção de conteúdos significativos e 
importantes aos seus consumidores, os quais somente o educador 
é capaz de transmitir”. Observando essa questão apresentada 
pela autora, noto a relevância que o Parecer CNE/CP 9/2001 teve 
em minha vida, ao possibilitar-me ter contato com professores 
preparados educacionalmente para os cargos de educadores que 
assumiram, permitindo que o “produto”, currículo, “consumido” 
nessa escola possuiu um diferencial de qualidade.Nos anos seguintes, de 2002 a 2007, continuei na escola 
Educandário Santa Teresinha, iniciando agora o ensino funda-
mental da 1ª série ao 7º ano. Nesse período, houve a mudança 
de nomenclatura dos períodos escolares de “série” para “ano”, 
ocorrida devido às modificações realizadas na LDB em 2006. 
Por meio da Lei nº 11.274, de 6 de fevereiro de 2006, estabele-
ceu-se a ampliação do ensino fundamental para nove anos de 
HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA
Gisele Saudéris Pereira Dantas
282
duração, com a matrícula de crianças de seis anos de idade, 
estabelecendo prazo de implantação, pelos sistemas, até 2010. 
Esse fato me fez concluir a 4ª série do fundamental e iniciar 
o 6º ano do fundamental; alterando, assim, minha formação 
educacional básica.
Nos anos de 2008 a 2009, mudei de escola, indo para o 
Colégio Diocesano Seridoense, ainda permanecendo na cidade 
de Caicó/RN. Essa escola foi fundada em 1960, pelo bispo Dom 
Manuel Tavares de Araújo, como sendo o “Colégio Comercial 
Seridoense”, que atendia durante muitos anos apenas alunos 
do sexo masculino, mas que, com o passar dos anos, passou 
também a receber alunas do sexo feminino. Ao pesquisar mais 
sobre a história dessa escola, consegui também a informação de 
que, durante muitos anos, o colégio abrigou em suas instalações 
a Escola Estadual Monsenhor Walfredo Gurgel. 
O Colégio Diocesano Seridoense, assim como a escola que 
frequentei anteriormente, tem sua base curricular fortemente 
vinculada ao ensino religioso. Porém, não tão tradicional como 
a anterior, visto que permitia a discussão sobre alguns temas 
transversais como “ética”, “meio ambiente”, “saúde”, “plura-
lidade cultural” e “trabalho e consumo”. Ainda assim, devido 
à sua base “tradicional religiosa Católica”, barrava discussões 
sobre temáticas como “Orientação Sexual”, fato este que 
acredito deixou uma grande lacuna no processo educacional 
dos jovens que frequentaram o ensino fundamental e médio 
no mesmo período em que frequentei esta escola, tendo em 
vista o número de alunas que cheguei a presenciar, no período 
entre 2008 a 2012, que tiveram gravidez na adolescência, havia 
ainda o bullying praticado constantemente contra alunos que 
se declaravam homossexuais. 
HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA
Gisele Saudéris Pereira Dantas
283
Durante o período de 2008 a 2009, enquanto eu vivenciava 
a entrada em um novo espaço educacional, ocorriam modifi-
cações nas leis da educação Brasileira, dentre elas, destaco a 
Lei Nº 11.892, de 29 de dezembro de 2008, que institui a Rede 
Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica e cria 
os Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia. Esse foi 
um fato marcante no meu percurso escolar, pois, devido a isso, 
fui apresentada ao sistema de seleção para entrar nos Institutos 
Federais do Rio grande do Norte (IFRN), visto que do 8º ao 9º 
ano do ensino fundamental, cursados no Colégio Diocesano 
Seridoense, obtive uma formação educacional voltada para o 
preparo dos educandos para realizar essa seleção para o IFRN.
No período de 2010 a 2012, cursei, ainda nessa escola, 
o ensino médio. Com isso, comecei a minha preparação para 
adentrar no ensino superior. Nesse período, a escola realizava 
avaliações bimestrais como forma de testes para preparar os 
educandos para tentarem as provas vestibulares. 
Ressalto, assim, a importância que as provas vestibulares 
tiveram não só na minha vida mas também na de diversos 
brasileiros ao longo da História, tendo em vista que o início do 
sistema de seleção por meio dos vestibulares é datado por volta 
de 1911, sofrendo, ao longo da História da educação brasileira, 
diversas reformulações, dentre as quais, destaco a reforma 
universitária de 1968, ocorrida ainda no período em que o 
Brasil vivia a Ditadura Militar Brasileira. Essa reformulação foi 
caracterizada principalmente pela preocupação que possuía em 
“disciplinar” o processo de escolha dos dirigentes nas univer-
sidades. Com base nisso, foram apresentadas uma série de leis 
que modificou o ensino superior no Brasil nas décadas de 1960 
e 1970, como a Lei 5.540/1968, que fixa normas de organização 
HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA
Gisele Saudéris Pereira Dantas
284
e funcionamento do ensino superior e sua articulação com a 
escola média, e dá outras providencias. 
Ainda no ano de 2012, concluí o ensino médio no Colégio 
Diocesano Seridoense. Durante as festividades, recebi da 
diretoria uma certificação como “Aluno exemplar” durante as 
comemorações de conclusão dessa etapa educacional realizadas 
nesse mesmo ano. Considero esse fato como o mais marcante 
da minha etapa no ensino médio, visto que foi uma imensa 
surpresa que recebi com grande alegria.
3 ENSINO SUPERIOR 
Ainda no ano de 2012, prestei vestibular para o curso de 
licenciatura em História, na UFRN, campus de Caicó/RN. Fui 
aprovada em segundo lugar para o turno noturno, e dei entrada 
no curso no ano seguinte, 2013. A Universidade Federal do Rio 
Grande do Norte, onde cursei a minha primeira graduação, foi 
fundada 1958, no Campus Central em Natal/RN. Ao longo de 
sua história, expandiu-se e deu origem à diversos campi, entre 
eles, frequentei o situado na cidade de Caicó/RN durante cinco 
anos, dos quais guardo boas lembranças. 
Durante o período de 2013 a 2017, quando cursei minha 
licenciatura em História, tive a oportunidade de encontrar um 
currículo acadêmico que já apresentava o conteúdo de História da 
África e da cultura Afro-brasileira”, realidade essa possível graças 
à Lei nº 10.639/2003, que altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro 
de 1996, estabelecendo as diretrizes e bases da educação nacional, 
incluindo no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade 
da temática “História e Cultura Afro-brasileira”. Esse contato foi 
HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA
Gisele Saudéris Pereira Dantas
285
bastante importante para a minha formação profissional, tendo 
sido de grande ajuda durante os períodos de estágio supervisio-
nado realizados no curso de Licenciatura em História. Além disso, 
permitiu expandir meu olhar sobre a origem das informações 
encontradas, sobre os pontos de vistas e interesses expressos.
Ainda sobre o ano de 2013, é relevante abordar que a 
História da educação brasileira apresentou, em seus registros 
legais, mais uma alteração relacionada ao modelo de educação 
vigente. Foi criada a Lei Nº 12.796, de 4 de abril de 2013, desse 
modo, alterando a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que 
estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para 
dispor sobre a formação dos profissionais da educação. Com 
isso, foram estabelecidas diversas modificações, entre elas, 
a obrigatoriedade de os pais matricularem suas crianças nas 
escolas de educação básica a partir dos 4 anos. Com relação 
ao campo dos profissionais da educação, retoma a admissão 
de profissionais com formação apenas de nível médio para a 
educação infantil e para os anos iniciais do ensino fundamental.
Retomando a cronologia da minha vida escolar, ainda no 
ano de 2017, participei do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). 
Por meio da nota obtida, consegui participar, no ano seguinte, 2018, 
da seleção realizada pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu), para 
dar início a uma nova entrada no ensino superior em universidades 
federais, como a UFRN. Com base nisso, encontro-me cursando 
Pedagogia na UFRN, Campus de Caicó/RN. 
É valido lembrar a importância que o Exame Nacional 
do Ensino Médio possui na História da educação brasileira. Sua 
origem foi em 1998, com realização garantida legalmente por 
meio da Portaria MEC Nº 438, de 28 de maio de 1998. Criado 
inicialmente com o objetivo de ser uma forma de avaliação de 
desempenho dos estudantes de escolas públicas e particulares 
HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA
Gisele Saudéris Pereira Dantas
286
do ensino médio, desde o ano de 2009, agregou em si mais uma 
função: o Enem seria também uma avaliaçãopara selecionar 
estudantes de todo o Brasil para adentrarem nas instituições 
federais de ensino superior a partir de programas do Governo 
Federal como Sisu, Prouni e Fies.
O Sistema de Seleção Unificada (Sisu) foi criado pelo 
Ministério da Educação (MEC) para ingresso dos seus parti-
cipantes nas universidades públicas do Brasil, garantido por 
meio da Portaria Normativa Nº 21, de 5 de novembro de 2012, 
que apresenta diversas questões sobre o funcionamento e a 
legalidade desse ingresso. Esse processo seletivo acontece duas 
vezes ao ano e é totalmente baseado na nota do Enem que o 
candidato alcançou.
Sabendo desse fato, observo a importância que eles 
tiveram na minha nova fase no ensino superior. Lembro que 
também conquistei essa oportunidade graças à Lei nº 12.711, de 
29 de agosto de 2012, que dispõe sobre o ingresso nas univer-
sidades federais e nas instituições federais de ensino técnico 
de nível médio, visto que garante o sistema de cotas. Com isso, 
pude concorrer a vagas destinadas para candidatos da região 
do Seridó do Rio Grande do Norte, mediante a garantia do 
“argumento de inclusão regional”.
Por fim, no ano de 2019, encontro-me ainda cursando 
Pedagogia, pela UFRN. Por meio desse curso, conquisto novas 
memórias e novos conhecimentos que preenchem pouco a pouco a 
cronologia da minha vida educacional e agora também profissional.
HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA
Gisele Saudéris Pereira Dantas
287
4 CONCLUSÃO
Realizando este trabalho pude fazer um exercício de inves-
tigação pessoal e educacional que me permitiu desenvolver 
um novo olhar em relação à visão que possuía anteriormente 
sobre o Sistema Educacional Brasileiro e sua influência em 
meu cotidiano. Descobri informações sobre algumas das 
diversas transformações que a História da educação brasi-
leira tem sofrido a longo dos tempos. Como resultado, as leis 
possibilitaram migrar para o modelo atual de educação que 
hoje possuímos. Aos poucos, estamos transformando, visando 
atingir um modelo “ideal” de educação. Acredito, por fim, que 
a realização deste estudo foi extremamente benéfica para o 
meu desenvolvimento como pessoa, como educanda, e princi-
palmente como futura profissional da educação.
HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA
Gisele Saudéris Pereira Dantas
288
REFERÊNCIAS
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Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura 
Afro-Brasileira”, e dá outras providências. Brasília, DF: Ministério 
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HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA
Gisele Saudéris Pereira Dantas
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HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA
Gisele Saudéris Pereira Dantas
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Educação. Brasília, DF: MEC, 2018. Disponível em: http://
portal.mec.gov.br/observatorio-da-educacao/30000-
uncategorised/51021-leis-2. Acesso em: 19 mar. 2019.
BRASIL. Ministério da Educação. SISU Legislação. Brasília, 
DF: MEC, [201-]b. Disponível em: https://sisu.mec.gov.
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GARCIA, Tania. Estado e educação no Brasil 
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sobre-a-ufrn. Acesso em: 24 mar. 2019.
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HISTÓRIA E EDUCAÇÃO: UM PERCURSO DE TODA VIDA
Gisele Saudéris Pereira Dantas
PERCURSO DA MINHA 
ESCOLARIZAÇÃO 
MARCOS LEGAIS 
 
 
Gizolene de Fátima Barbosa da Silva Cantalice1 
RESUMO
O presente artigo tem o objetivo de apresentar o percurso da 
minha escolarização e as leis que o fundamentaram. Dentre as 
leis que regeram a minha educação, destaquei com mais ênfase a 
Lei da reforma de 1º e 2º graus de 1971, a Constituição Federal de 
1988, que é a Lei maior, a qual dá fundamento a todas as outras, 
ou seja, nenhuma outra Lei é mais importante do que a Carta 
Magna. Outra importante Lei que destaquei foi a Lei nº 8.069/90, 
que dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente além da 
Lei de Diretrizes de Base, Lei 9.394/96, que regula todo o sistema 
educacional brasileiro, ou seja, ela vai tratar de toda a vida e 
de todo o ordenamento legal, administrativo e pedagógico da 
nossa educação passando por todos os níveis desde a educação 
infantil ao ensino superior. Para a realização deste trabalho, 
1 Mestre em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba - UFPB, 
Graduanda do curso de Pedagogia pela Universidade Federal do Rio Grande 
do Norte - UFRN. Email: gizolene@hotmail.com
PERCURSO DA MINHA ESCOLARIZAÇÃO: MARCOS LEGAIS
Gizolene de Fátima Barbosa da Silva Cantalice
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foram feitas pesquisas bibliográficas em livros, site da internet, 
mais precisamente no site do governo, entrevista por telefone, 
coletas de dados orais. No decorrer da pesquisa, percebo mais 
claramente as mudanças que as leis sofrem ao longo do tempo 
para dar conta das necessidades que vão se apresentando na 
sociedade. O que era necessário em 1996, por exemplo, hoje 
não é mais, a demanda é outra, sempre que preciso, os artigos 
são reformulados, incisos e parágrafos são incluídos, a exemplo 
da ampliação do ensino fundamental para nove anos e a obri-
gatoriedade do Estado com a educação básica dos quatro aos 
dezessete anos.
Palavras-chave: história de vida; educação formal; legislação. 
1 PERCURSO DA MINHA 
ESCOLARIZAÇÃO: MARCOS LEGAIS 
O início da minha escolarização foi regido pela Constituição 
Federal de 1967 e pela Lei nº 5.692/71 conhecida como lei da 
reforma do ensino de 1º e 2º Grau. A outra parte da minha 
educação formal teve como fundamentos legais a Constituição 
de 1988 e a nova Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional 
–LDB 9.394/96 e outras leis complementares, algumas das quais 
apresentarei mais adiante.
Segundo o que dizia a Constituição Federal (BRASIL, 1967): 
“a educação é direito de todos e será dada no lar e na escola; 
assegurada a igualdade de oportunidade, deve inspirar-se no 
princípio da unidade nacional e nos ideais de liberdade e de 
solidariedade humana”. Tendo como base o texto constitucional 
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e a falta de escola próxima da minha casa, meu pai colocou 
aos cuidados de “tia” Luzia, uma amiga da família, a educação 
inicial dos meus três irmãos mais velhos e a minha, quando 
completei seis anos de idade. Nesse período, não era obrigatório 
a criança de seis anos frequentar a escola, a minha entrada no 
mundo das letras, cedo, foi uma escolha de meu pai e não um 
cumprimento de obrigatoriedade. 
 Morávamos na zona rural, num sítio de nome Irajó, 
pertencente ao Município de Soledade, cidade do estado da 
Paraíba, e “tia” Luzia, a professora, morava no sítio Melancia, 
que ficava a três quilômetros do nosso sítio. Íamos para a 
casa dela a pé, todos os dias, e as aulas eram ministradas na 
sala de sua casa. Nessa época, não havia transporte escolar. 
O transporte escolar, uma conquista atual, está definida na 
Constituição de 19882, por isso, no início da minha vida escolar, 
os alunos tinham de ir à escola a pé ou de bicicleta. 
Apesar da distância, eu gostava muito de ir à aula na casa 
de “tia” Luzia. Ela sempre dava desenhos bonitos para pintar 
e atividades com linhas desenhadas para cobrir. Com o tempo, 
passei a cobrir as vogais. A volta para casa era muito divertida, 
várias crianças brincando de jogar pedras nos marimbondos, 
quase sempre chegávamos em casa de olhos inchados por ferro-
adas, chorávamos e ríamos ao mesmo tempo com a dor. Não sei 
dizer, ao certo, o porquê que repetíamos o mesmo ritual todos 
os dias de volta para casa, só sei que era bom, nós nos sentíamos 
felizes, apesar das incômodas ferroadas dos marimbondos.
No ano seguinte, em 1987, “tia” Luzia, por motivo de 
doença, deixou de dar aulas, e todos fomos matriculados na 
Escola Municipal Manuel Marinho de Araújo, que ficava a sete 
2 Também incluída na LDB 9.394/96 pela Lei nº 10.709, de 31.7.2003.
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quilômetros do nosso sítio. A escola estava localizada no Sítio 
Lafaiete e ficava a dois quilômetros da cidade Soledade-PB. Era 
pequena e tinha uma única sala de aula, um banheiro e uma 
cozinha minúscula. A professora se chamava Norma, filha de 
um homem de nome Lafaiete e era conhecida por todos da 
região como Norma, “filha de Lafaiete”. Era uma moça solteira 
que aparentava ter uns quarenta a quarenta e cinco anos. A sua 
formação era de 2º grau completo. 
Segundo a professora Norma, as escolas, na década 1970, 
tinham uma carência muito grande de professores e ela, preci-
sando trabalhar, foi na prefeitura e conseguiu uma vaga para 
dar aula no sítio chamado Livramento, em 1972. Nesse mesmo 
ano, começou a construção de um grupo escolar em frente à sua 
casa no Sítio Lafaiete, pelo prefeito José Joaquim de Araújo. No 
ano seguinte, 1973, ela começou a dar aulas perto da sua casa 
no grupo escolar recém-construído, Escola Municipal Manuel 
Marinho de Araújo. Nessa época, não havia concurso público. 
O concurso público foi realizado, pela primeira vez em, em 
Soledade, no último ano do mandato do Prefeito Marinaldo 
Castelo Branco de Melo, em 19883. Com relação à merenda escolar, 
a professora pegava suprimentos na prefeitura e levava para casa 
dela e quem fazia era a sua mãe, “Dona Nenê”, e levava para a 
gente na escola. A mãe da professora morava em frente à escola. 
Geralmente, a merenda era bolacha e rapadura, papa de fubá, 
sopa pronta de pacote, por sinal, era muito boa, pelo menos nós 
3 Marinaldo Castelo Branco de Melo foi o quadragésimo prefeito da cidade 
de Soledade/PB, governando de 1982 a 1988. Disponível em: http://www.
soledade.pb.gov.br/historia/
A professora Norma não precisou fazer o concurso de 1988, porque já tinha 
muito tempo de serviço. 
http://www.soledade.pb.gov.br/historia/ 
http://www.soledade.pb.gov.br/historia/ 
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a achávamos. Essa escola deixou de funcionar em 2002, por falta 
de alunos e a professora passou a lecionar na cidade4. 
A nossa classe era multisseriada, tinha alunos, como eu, 
que faziam a alfabetização; e alunos da 1ª, 2ª, 3ª e 4ª séries. Eu 
amava ir para a aula e achava a professora incrível. Ela era séria, 
e, ao mesmo tempo, acolhedora. Fui alfabetizada por ela no ano 
de 1987; em 1988, fiz a 1ª série; em 1989, a 2ª série; e estudei a 3ª 
até agosto de 1990, quando meu pai comprou outro sítio e nos 
mudamos para lá.
 Fui alfabetizada pela “tia” Norma. Ela utilizava a cartilha 
do ABC, a tabuada, tinha também a cartilha das sílabas, das 
palavras e depois as cartilhas com pequenos textos. Assim, 
minha alfabetização se deu pelo método sintético de alfabeti-
zação (também denominado de silábico ou tradicional), isto é, 
aqueles que tomam como base a parte e dela vão para o todo. A 
partir da 1ª série, cada série tinha quatro disciplinas e um livro 
por disciplina: estudos sociais, matemática, português, ciências. 
1.1 MUDANÇA DE ESCOLA 3ª E 4ª SÉRIE: LACUNASNo ano de 1990, mais precisamente 4 de agosto, fui morar em outro 
sítio, chamado Lajedo de Timbaúba ou Comunidade de Lajedo de 
Timbaúba, pertencente também ao Município de Soledade/PB. 
Nesse sentido, fui transferida para a Escola Municipal Severina 
Emília de Araújo5, que ficava próxima da minha casa. Por precisar 
4 Dados obtido oralmente e por telefone com a professora Norma e com o 
auxílio de meu Tio Manoel Barbosa de Morais que se dispõe a procurar a 
professora atrás de dados.
5 A Escola Municipal Severina Emília De Araujo é uma escola pública e 
rural localizada no Sítio Lajedo de Timbaúba, Soledade/PB. Atualmente 
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passar o dia inteiro cuidando da lavoura, eu e meus irmãos fomos 
matriculados no turno da noite. 
Nesse ano, ainda não tinha chegado energia elétrica na 
zona rural de nossa região e os estudos se davam à luz de uma 
lamparina. O turno da noite tinha 12 alunos e eu era a mais nova 
com 10 anos. A classe era multisseriada, com alunos da 2ª, 3ª e 4ª 
séries. A professora morava em frente à escola, o nome dela era 
Josefina6. Já era uma senhora de uns 55 anos idade, sua formação 
era até a 4ª série. A professora Josefina colocava a lamparina 
no centro da mesa dela, uma mesa de madeira grossa, pesada, 
redonda e grande e todos os alunos procuravam se sentar o 
mais próximo possível da mesa da professora para “pegar” um 
pouco da claridade. Em seguida, copiávamos os textos do livro 
indicado, de acordo com a matéria de cada dia, para o caderno. 
Geralmente, ela ia para casa jantar e voltava para ver como estava 
o andamento das reescrituras. Não tinha aula de matemática, 
porque ela não dominava o assunto e eu e meus irmãos estávamos 
muito adiantados, do ponto de vista dela.
Quando o ano letivo acabou, meus irmãos passaram de 
ano e eu fiquei reprovada pela “idade”. A professora pediu ao 
meu pai que me deixasse estudar novamente a 3ª série e ele 
ela funciona só no período vespertino, com duas turmas multisseriadas. A 
primeira turma é composta por alunos da pré-escola, do 1º ano e do 2º Ano. A 
outra turma é composta pelos alunos de 3º, 4º e 5º Ano. A escola dispõe de três 
funcionárias, duas professoras e uma merendeira, esta é responsável também 
pela limpeza. Funciona em prédio próprio, não há água encanada e tem 
energia elétrica desde 1991. O esgoto sanitário é por fossa e a destinação do 
lixo é a queima. A prefeitura de Soledade segue a Resolução nº 2, de 28 de abril 
de 2008, que estabelece diretrizes complementares, normas e princípios para 
o desenvolvimento de políticas públicas de atendimento da Educação Básica 
do Campo. (Palavras da secretária de Educação do Município de Soledade/
PB) (VER FOTOS DA ESCOLA, ATUALMENTE, NO ANEXO 1).
6 Nomes fictícios para preservar a identidade da professora.
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aceitou. Repeti a 3ª série em 1991, estava no período matutino. 
Ela pediu que ajudasse os meus colegas com as atividades de 
matemática. Então, no dia da disciplina matemática, eu tomava 
conta da classe e ensinava tudo que eu tinha aprendido com a 
professora “Tia” Norma. 
Passei de ano fui para 4ª série, em 1992. Continuei 
estudando, ou melhor fazendo cópia de texto. Mais um ano 
perdido. Final de ano, a professora foi na minha casa conversar e 
convencer meus pais de que eu não tinha idade suficiente e nem 
maturidade para estudar na zuna urbana. Segundo ela, a cidade 
era muito perigosa para uma menina de 13 anos, e mais, estudar 
à noite, não dava certo. Meus pais, mais uma vez, concordaram 
com ela. Chegaram a assinar um papel se responsabilizando 
pela minha repetência, uma vez que minhas notas eram altas e 
não tinha faltas, não sei até hoje qual foi a justificativa legal que 
me fez ficar repetindo sem necessidade. Só sei que eles tiveram 
que assinar algo importante. Tudo que lembro que aprendi com 
essa professora foi a ter raiva/paciência, um paradoxo.
1.2 LIBERDADE: RECOMEÇANDO 
A APRENDER (5ª A 8ª SÉRIE) 
Para mim, e creio que para a maioria dos alunos daquela época, 
estudar na rua, zona urbana, em Soledade-PB, e mais, na Escola 
Estadual de 1º e 2º grau Dr. Trajano Nóbrega, foi motivo de 
orgulho e liberdade, dada a excelência de seus professores, a 
integralidade de seus conteúdos e a formação laica e humanista. 
Não fazia mais cópia sem nexo, tinha explicação para todas 
as minhas dúvidas. Os professores nos estimulavam a pensar, 
argumentar entre pontos de vista divergentes, desenvolvendo 
PERCURSO DA MINHA ESCOLARIZAÇÃO: MARCOS LEGAIS
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uma “dúvida metódica”, não exatamente a cartesiana, mas já 
era alguma coisa. Passei a entender que a contraposição e a 
contradição de ideias levam a outras ideias, que contribuem 
para aniquilar preconceitos, ideologias e manipulações, muitas 
vezes, realizadas dentro do próprio espaço educacional. 
A Escola Estadual de 1º e 2º grau Dr. Trajano Nóbrega era 
uma das maiores escolas da cidade e a única que tinha ensino 
médio. Funcionava pela manhã, tarde e noite. No período matu-
tino, tinha turmas do Ensino de 1º Grau, (1ª, 2ª, 3ª, 4ª, 5ª, 6ª 7ª e 
8ª Séries); no vespertino, as turmas eram de 1º e 2º Graus (5ª, 6ª 
7ª e 8ª do 1º Grau e 1ª, 2ª e 3ª Séries do 2º Graus). À noite, horário 
em que eu estudava, funcionava com turmas de 1º e 2º Graus. No 
primeiro Grau noturno, havia duas turmas de 5ª séries, duas de 
6ª séries, duas de 7ª e duas turmas de 8ª séries; e, também tinha 
turmas de 1ª, 2ª e 3ª série do segundo Graus. Essa escola começou 
a funcionar no prédio municipal, no ano de 1975 e ficou neste 
prédio até 2002, quando foi transferida para o prédio próprio 
recém-construído7, na Gestão do Governador José Maranhão, 
mas inaugurado na gestão do governador Cassio Cunha Lima. 
A escola tinha em seu quadro de funcionários 25 professores, 
3 merendeiras, 4 auxiliares de serviços gerais, 3 pessoas que 
trabalhavam na secretaria da escola, um porteiro chamado 
Verinha, muito querido por todos os alunos, a Diretora que se 
chamava Fátima Arruda e vice-diretor Amauri. 
Nessa época, já tinha transporte escolar para os alunos 
irem para a cidade. No nosso caso, era uma caminhonete 
vermelha, pequena e velha, mas de fundamental importância, 
pois supria a nossa necessidade de deslocamento. Seu Martinho, 
7 Veja as fotos do prédio atual em anexo.
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o motorista da caminhonete, nos esperava no “lajedo”8, um 
lugar que ficava a 20 minutos da nossa casa, significa dizer,que 
andávamos a pé para pegar o transporte escolar, e depois, 
quando voltávamos para casa esse trajeto de 20 minutos fazí-
amos a pé novamente. Saíamos de casa às 16h40min para pegar 
a caminhonete de 17h00min, no “lajedo”, e chegávamos em casa 
novamente às 22h50min. 
Esse trajeto que eu fazia com meus irmãos a pé, depois 
que a caminhonete nos deixava no “lajedo”, era escuro e esqui-
sito. Era uma estrada que ficava entre duas cercas, uma delas 
era de madeira e a outra de arame farpado. Junto das cercas, 
tinha algumas árvores grandes e arbustos, os quais contribuíam 
bastante para deixar a estrada ainda mais escura e sombria 
durante a noite, quando voltávamos para casa. Foi nesse clima 
de apreensão e medo que, por algumas vezes, passamos por 
situações no mínimo inusitadas. Citarei apenas dois exemplos 
de muitos outros.
 Certa noite, estávamos conversando, como forma de nos 
distrair do barulho que o vento fazia nas árvores, quando, de 
repente, minha irmã mais velha “congelou” no caminho, ficou 
estática, imóvel, não conseguia se mexer, depois de um minuto 
ou segundo, sei lá, ela apontou a mão para o lado e nos mostrou 
algo branco embaixo de um pé de umbuzeiro e disse: “uma 
alma!”. Nossa! Meu Deus, nunca senti tanto medo assim. Nesse 
dia, meu coração quase explode no meu peito,

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