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OFTALMOLOGIA
Anatomia ocular:
Órbita: cavidade óssea que separa o globo ocular da cavidade craniana
Pálpebras e conjuntivas: superior e inferior, convergem formando ângulo medial e lateral. O espaço entre as pálpebras é chamado de rima palpebral. A conjuntiva é a membrana mucosa ocular que reveste as porções internas das pálpebras
Terceira pálpebra: estrutura triangular com origem na porção ventromedial oral da órbita, uma cartilagem em forma de “T” a sustentação ao conjunto. Protege o globo, secreta e distribui a lágrima.
Aparelho lacrimal: produz e remove as lágrimas
Bulbo do olho: formado por 3 camadas, a mais externa é a fibrosa e compreende a córnea e a esclera. A média é a túnica vascular e a mais interna é a túnica nervosa.
Córnea e esclera: A córnea possui 5 camadas- a película lacrimal (pré-corneal), epitélio anterior, estroma, membrana de Descemet e o endotélio.
Íris, corpo ciliar e coróide: a íris é formada por rede de vasos sanguíneos, tecido conjuntivo, fibras musculares e nervos. Juntamente com a luz controla a passagem da luz através da pupila. O corpo ciliar é onde ocorre maior produção de humor aquoso
Retina: camada mais interna do bulbo do olho, formada por células nervosas.
Instrumentos necessários para exame oftálmico:
Lanterna, oftalmoscópico, tonômetro, testes lacrimal de Schirmer, Corante de fluoresceína, anestesia ocular tópica, sedativos, midriáticos tópicos.
Exame oftálmico: segue uma ordem cronológica pois alguns procedimentos pode interferir no resultado de outros seguindo a ordem: Teste lacrimal de Schirmer (normal de 15-25 mm/ min em cães e de 10-20 mm/min em gatos) → Obtenção de amostras para citologia e cultura → exame dos reflexos (teste da bolinha de algodão, reação da pupila a luminosidade, pálpebras) → anestesia tópica e tonometria → instilação de midriáticos e oftalmoscopia (tropicamida 5% → corantes.
Exame dos componentes oftálmicos: 
1.Deambulação- observar reação do paciente perante o ambiente, para avaliar comprometimento visual.
2. Inspeção de simetria- observar simetria da face, dos músculos da mastigação, se tem pêlos faciais irritando a córnea.
3. Órbita, músculos extra-oculares, pálpebras e cílios: palpar borda óssea, avaliar a retropulsão do globo ocular, aumentos de volume e dor.
4. Sistema de drenagem e terceira pálpebra: avaliado principalmente pelo teste lacrimal de Schirmer.
5. Conjuntiva: avaliar quanto a congestão capilar, quemose, trauma e/ou hemorragias, presença de corpos estranhos, secreções e alteração folicular.
6. Córnea: avaliar a perda de transparência, neoformações, falha de integridade corneal (úlceras).
7.Câmara anterior, humor aquoso e íris: a câmara é avaliada quanto a profundidade, qualidade do humor aquoso (límpido e claro), inflamações e perfurações.
8.Lente: a alteração mais comum é a catarata, deve avaliar a perda de transparência, presença de sinéquias e mudanças posicionais.
9. Retina: avaliada mediante oftalmoscopia, quanto a presença de atrofias, transudato/ exsudato, edema, hemorragias e descolamentos
TESTES E PROCEDIMENTOS DE DIAGNÓSTICO
1.Teste lacrimal de Schirmer: avalia produção lacrimal, coloca tira no fórnix conjuntival, deixando durante um minuto. Cães produzem de 15-25 mm/min e gatos 10-20 mm/min.
2. Amostras para citologia e cultura: sempre antes de instilação de colírios e corantes para não alterar o resultado. Indicado na presença de nódulos ou massas.
3.Exames dos reflexos: ameaça do teste da bolinha, luminoso pupilar, palpebral.
5. Corantes: fluoresceína é meio de cultura após aberto, deve ser mantido na geladeira. Serve para detecção de úlceras, avaliar a patência do ducto nasolacrimal. A fluoresceína cora a estroma (quando houver lesão) e a conjuntiva bulbar. Com o epitélio ligado, a fluoresceína se liga ao estroma. Após a aplicação espera 15 segundos, remove o excesso com solução fisiológica e observa em sala com pouca luminosidade com luz azul cobalto ou ultravioleta (lâmpada de Wood).
6.Coloração com rosa bengala: é aplicado sobre a córnea e em seguida lavado intensamente. Quando o corante impregna na córnea é porque existe lesão. Ele cora tecidos epiteliais necróticos ou em degeneração.
7. Gonioscopia: avaliação direta e indireta do ângulo iridocorneal.
CERATITE CONJUNTIVITE SECA (CCS)
É a inflamação da córnea e conjuntivas causada pela baixa produção da fase aquosa da lágrima. A deficiência da fase aquosa provoca irritação mecânica contínua e predispõe a infecção bacteriana secundária. A coróide é a parte da camada vascular compreendida entre o corpo ciliar e a retina. 
A causa mais comum é a imunomediada (cinomose, leishmaniose), representando 80% dos casos, seguido de causas iatrogênicas por remoção de terceira pálpebra ou aplicações de medicamentos (sulfas por longo período). Raças, chihuahua pinscher, Shih Tzu, Bulldog, Cocker são as mais predispostas. A velhice causa perda de viscosidade da lágrima.
A lágrima é composta por 3 fases, a mais externa é a lipídica (produzida pelas glândulas tarsais) tem como função impedir a evaporação da fase aquosa. A fase média é a mucosa (produzida por células caliciformes) tem como objetivo promover a aderência entre as duas outras fases. E a fase aquosa, que está em contato direto com a córnea e é produzida pelas glândulas lacrimais principais e a glândula da terceira pálpebra.
Sinais clínicos: em casos agudos- fotossensibilidade, hiperemia conjuntival, falta de brilho na córnea, secreção, blefaroespasmos (c/s úlcera), ceratomalácia (amolecimento da córnea), endoftalmite (infecção da parte interna do olho). Nos casos crônicos- opacidade, pigmentação neovascularização, superfície corneal irregular, secreção (espessa), quemose (edema de conjuntiva) e úlcera de córnea.
Diagnóstico: é baseado no histórico e sinais clínicos, realizando o teste de Schirmer- 15-25 mm (normal); 11-14 mm (suspeito ou fase inicial), com 5 mm (grave). O teste qualitativo pode ser realizado com teste de ruptura lacrimal, precisa de fluoresceína, luz com filtro azul cobalto, piscar, contenção das pálpebras, marcar tempo até quebra da camada corada- > 20 segundos está estável. < 5 segundos CCS qualitativa.
Tratamento: o difícil é encontrar a causa. Imunomodulador e lacrimo mimético- ciclosporina (OPTIMMUNE), pomada ou colírio 2-3x por dia. Tacrolimus é mais potente, manipula 0,03% em óleo de oliva, de linhaça ou amêndoas. colírio glicocorticóide na ausência de úlceras de córnea pode ser usado em associação a ciclosporina na função imunossupressora. Antibióticos colírio a cada 6 horas (gentamicina, cloranfenicol-tem maior penetração-, tobramicina-funciona bem em infecções superficiais- ou ciprofloxacina. 
Enquanto o tacrolimus não aumenta a produção de lágrima, pode utilizar demulcentes para hidratação dos olhos como a acetilcisteína 5-10% (porém tem efeito de irritação ocular), utilizar Lácrima plus + acetilcisteína (fluimucil ampola 20%), na proporção de 3:1. Demulcentes ácido poliacrílico a cada 8 horas, ácido hialurônico, carboximetilcelulose, carboximetil-HA tiolado, as duas últimas são melhores.
Em casos de CCS neurogênico (provocado por trauma) pode utilizar pilocarpina oftálmica 1-2% VO 1 gota/ 10 kg/ BID. Deve continuar monitorando o animal e se após 3 meses de tratamento pode realizar tratamento cirúrgico que é a transposição da glândula salivar ou realizar plug de silicone no ducto naso-lacrimal.
EPÍFORA
Afecção comum principalmente em cães braquicefálicos. Ocorre por deficiência na drenagem do filme lacrimal e extravasamento de lágrima pelo canto nasal. Observa-se secreção lacrimal e coloração marrom dos pêlos da região. Dentre as causas mais comuns relacionam-se o lago lacrimal falso, entropio inferior de canto medial e triquíase. O teste de Jones (diagnóstico de obstrução dos ductos nasolacrimais, em um animal normal o corante deve drenar pelas narinas) tem valor excludente. O tratamento está relacionado à correção da causa. Para a agenesia de ducto, cria um trajeto óculo-nasal usando uma sonda tipo Tom cat para gatos e uretral número 6 para cães (ARRISCADO). Emambas as situações deverão ser usados colírios de antibióticos e antiinflamatórios no pós-operatório. O uso de ácido acetilsalicílico (10-20 mg/kg a cada 8h para cães e 10 mg/kg a cada 48 horas para gatos) por um período de 21 dias, reduz a estenose cicatricial e mantém a patência do neoducto. 
DACRIOCISTITE
Inflamação do saco lacrimal e do ducto nasolacrimal. As principais causas são corpo estranho, infecções e ductos tortuosos.
Cílio ectópico: cílio adicional emergindo através da conjuntiva a partir das glândulas de meibômio. Geralmente é de difícil diagnóstico, não conseguindo fechar sem anestesiar o animal. O histórico é de lesão persistente que nada justifica essa lesão.
Distiquíase: cílios adicionais emergindo das aberturas das glândulas de meibômio.
Triquíase: cílios e/ ou pêlos faciais com localização normal direcionados a córnea e conjuntiva.
Sintomas: desconforto visual, vermelhidão e prurido. Epífora e blefarospasmo, secreção, edema, vascularização, pigmentação e úlcera córnea.
Tratamento: em cílios ectópicos remove cirurgicamente junto com o folículo piloso (CORTAR SÓ O PELO NÃO ADIANTA). Na distiquíase: micro epilação (óxido nitroso)/ eletro epilação e ressecção parcial da placa tarsal pode provocar entropio. Na triquíase: micro depilação ou remoção do pelo.
BLEFARITES
Inflamação das pálpebras. Podem estar associadas a doenças infecciosas, parasitárias, seborreicas, alérgicas e imunomediadas. Geralmente ocorre concomitante a demodicose. São infecções caracterizadas por prurido, secreção ocular, desconforto, hiperemia e até edema. O tratamento baseia tratar a causa primária. É utilizada pomadas oftálmicas (neomicina, bacitracina e polimixina B, cloranfenicol). Xampus neutros infantis diluídos (5-10 vezes em NaCl 0,9%), antibióticos e antiinflamatórios se necessário.
Blefarite alérgica: geralmente em animais com atopia. Tratamento com compressas frias, anti-histamínicos (difenidramina 2-4 mg/kg, VO, BID-QID) e tópicos como prednisona (1 gota/TID)
Blefarite bacteriana: Staphylococcus e Streptococcus são os mais envolvidos. Pode iniciar tratamento com cefalexina, por no mínimo 21 dias. Realizar limpeza e remoção de exsudatos. Casos agudos podem ser tratados com antibióticos tópicos (ciprofloxacina ou tobramicina).
Blefarite micótica: infecção por Microsporum e Trichophyton. O diagnóstico é baseado em fluorescência por lâmpada de wood e/ ou cultura. Tratamento feito com pomadas de miconazol ou clotrimazol (evitando contato com a córnea). Sistêmicos: griseofulvina ou cetoconazol.
Blefarite parasitária: demodicose ou escabiose, pode ocorrer remoção espontânea, mas retenona tópica e unguento oftálmico de isofluorano podem ser usados. O peróxido de benzoíla em gel pode ser friccionado nas pálpebras a cada 12 horas evitando contato com a córnea. Em casos generalizados pode associar banhos com amitraz a cada 3 dias ou moxidectin (Cydectin 1%) na dose de 0,5 mg/kg/VO a cada 72 horas até a obtenção de dois raspados cutâneos negativos.
CALÁZIO
A afecção resultante da inflamação das glândulas tarsais. É uma secreção tarsal retida na glândula de meibomius. Massa amarelo-acinzentada, firme e não dolorosa à palpação. O tratamento é cirúrgico, pratica-se a imobilização da área com pinça de calázio. Recomendam-se antibióticos e antinflamatórios tópicos como gentamicina e dexametasona por 7-10 dias.
HORDÉOLO
Inflamação/infecção ou abscesso das glândulas de Zeis ou de Moll ou das glândulas Tarsais. Existe sensibilidade dolorosa à palpação e não forma uma massa tão evidente como aquela no calázio. O tratamento envolve o uso de compressas quentes, drenagem do abscesso e possível pressão manual das lesões sob anestesia tópica de antibióticos tópicos.
CONJUNTIVITE
A conjuntiva é a membrana mucosa móvel que recobre as superfícies internas das pálpebras, superfícies interna e externa da terceira pálpebra e a porção anterior do globo ocular, adjacente ao limbo.
A conjuntivite em cães é a inflamação inespecífica da conjuntiva bulbar e/ou palpebral. Os principais sinais observados são hiperemia conjuntival, quemose, lacrimejamento e presença de exsudato. Presença de folículos linfóides hiperplásicos e espessamento de conjuntiva são sinais mais comuns nas conjuntivites crônicas.
Conj. por substâncias químicas irritantes: produtos de limpeza geralmente. O tratamento é baseado em limpeza exaustiva com Nacl 0,9%, colírios anti inflamatórios esteroidais por 7-10 dias e antibiótico (colírio ou pomada). 
Conj. por reação de hipersensibilidade: o tratamento consiste em administrar corticosteróides tópicos e sistêmicos, anti-histamínicos tópicos, antibióticos para infecções secundárias. Evitar contato com o alérgeno. A longo prazo, pode ser utilizado colírio de ciclosporina de 0,2 a 1%.
Conj. Irritação mecânica: Para o tratamento das conjuntivites bacterianas recomenda-se antibióticos de amplo espectro, bacitracina, neomicina e polimixina B (para as bactérias Gram-positivas), e cloranfenicol, gentamicina e tobramicina (para as bactérias Gram-negativas), deve-se também remover as crostas e exsudatos com algodão úmido embebido em solução salina ou com materiais comerciais para a limpeza do olho.
Conjuntivite folicular: geralmente quando é caso de cronicidade, tendo que prescrever corticoide.
NÃO É INDICADO UTILIZAR ÁGUA BORICADA POIS ESSA SUBSTÂNCIA PODE CRISTALIZAR E CAUSAR LESÕES OCULARES.
CONJUNTIVITE EM GATOS
Geralmente ocorre por causas primárias (vírus ou bactérias). Uso de glicocorticóides geralmente é contraindicado (a não ser que o animal esteja auto traumatizando).
Chlamydia psittaci: bactéria que causa conjuntivite em gatos e tem potencial zoonótico. Doença unilateral que pode atingir o olho contralateral em até 7 dias, a quemose é marcante e pode estar associada à rinite. Os principais sinais oculares dessa doença são conjuntiva rosa-acinzentada, epífora purulenta, hiperplasia conjuntival e formação dos folículos linfóides. A doença responde bem ao tratamento com cloranfenicol e tetraciclina (colírio ou pomada a cada 8h por 21 a 30 dias) e em casos severos ou para eliminar o estado de portador, deve-se associar a doxiciclina na dose de 5 mg/Kg a cada 12 h por 30 dias.
Herpes Vírus felino 1: Causa mais comum de conjuntivite em gatos. Em gatos jovens geralmente se manifesta bilateralmente. É possível o desenvolvimento de úlceras dendríticas que são observadas com o colirio rosa bengala. Em adultos é mais comum a infecção unilateral. O tratamento consiste na administração de pomadas de antivirais como idoxuridina, trifluridina ou aciclovir (a cada 12h por 21 dias) e tratamento convencional para úlcera de córnea (de preferência para antibióticos a base de cloranfenicol e tetraciclina). Estudos demonstram bons resultados com interferon alfa 10.000 UI/mL, a cada 8h tópico e L-lisina, 230 a 500 mg, por via oral, a cada 12h por 30 dias. 
Mycoplasma felis: pode ocorrer de forma oportunista ou secundária. O diagnóstico depende de cultura e o tratamento consiste em pomadas ou colírios de tetraciclina, cloranfenicol e gentamicina a cada 6 horas por 21-30 dias.
CERATITES ULCERATIVAS
Classificação das ceratites
As úlceras corneais superficiais geralmente ocorrem de forma secundária a um trauma menor. Já as que cicatrizam mais lentamente são chamadas de indolentes ou persistentes, tendendo a recidivar. São reconhecidas por bordas elevadas circundando o epitélio que não está aderido ao estroma. As estromais podem ser divididas em progressivas e não progressivas. Sendo que a intervenção cirúrgica é indicada nas progressivas e descemetoceles. A córnea normal é avascular, a penetração de neovasos e de imunoglobulinas na córnea é impedida pelo compacto tecido estromal, estes aspectos tornam as reações patológicas corneais lentas, crônicas e de difícil tratamento. 
O estroma cicatriza mais lentamente por estar em um estado relativo de inatividade metabólica. Raças braquicefálicas são mais predispostas a úlceras corneais pela maior exposição ocular, presença de pregas cutâneas nasais e pela lagoftalmia. A primeiramanifestação clínica do animal é dor e fotofobia, seguidas de blefarospasmo, lacrimejamento, opacidades branco-azuladas (edemas), secreção mucosa a mucopurulenta, hiperemia onjuntival, uveíta reflexa, miose e neovascularização. Durante a repitelização pode ocorrer deposição de pigmentos de melanina em resposta não específica da córnea a uma reação inflamatória. Na realização do teste de fluoresceína, o corante, com propriedade hidrofílica, não adere ao epitélio que é lipofílico. Desta forma, qualquer solução de descontinuidade do epitélio que exponha o estroma naturalmente hidrofílico, vai promover a fixação do corante nesta camada (FIGURA 1).
Se a úlcera ultrapassar os limites do estroma e atingir as camadas mais profundas como a membrana de Descemet ou o endotélio, a lesão aparecerá como um halo, contornando todo o diâmetro da lesão, pois as camadas inferiores ao estroma também são lipofílicas, não fixando o corante a exemplo do epitélio (FIGURA 2). 
Se a lesão não corar o centro, uma descemetocele se estabeleceu. O estroma foi totalmente danificado e a lesão apresenta a membrana de Descemet ao centro. Observa-se então uma área edematosa na córnea com centro claro. Se a membrana se tornar afilada ou aumentar a pressão intra-ocular pode formar uma “hérnia”, condição denominada descemetocele (FIGURA 3).
DISTROFIA CORNEAL E PERFURAÇÃO CORNEAL 
Confundidas com ceratite ulcerativa ou descemetocele. Porém a distrofia é causada por distúrbio metabólico onde são precipitados cálcio, lipídios e colesterol que se depositam na córnea. Esta patogênese não cora com fluoresceína e não é tratável. A perfuração corneal geralmente é diagnosticada erroneamente como descemetocele, pois o humor aquoso tende a coagular e tamponar a perfuração, gerando uma aparência esbranquiçada e abaulada característica da membrana de Descemet. O tratamento é dividido em 3 etapas: descobrir etiologia, prevenir progressão ( inibidores de proteases- acetilcisteína tópica, EDTA, soro e heparina), e promover cicatrização (medicamentos ou procedimentos cirúrgicos). Se faz necessário uso de analgesia corneal, geralmente é utilizado atropina tópica a cada 6 ou 12 horas, relaxa a musculatura e alivia a dor. Vitaminas A e C têm papéis importantes no crescimento de ceratócitos, auxiliando no processo de cicatrização e remodelação da ferida. O sulfato de condroitina (Dunason colírio® - FH) a cada 8 horas fornece substrato para regeneração corneal e é medicamento apropriado para úlceras mais graves. Os inibidores de proteases são bons pois eliminam enzimas que retardam o processo de cicatrização (a 5% de acetilcisteína, para isso, pode-se usar substitutos da lágrima (Lacrima® ) e aceticilsteína (Fluimucil® - 10 ou 20 % - solução para inalação).
A antibioticoterapia deve ser realizada com antibióticos de largo espectro como tobramicina ou ciprofloxacina, 3-4 vezes ao dia, porém quando a úlcera for progressiva, a terapia deve ser agressiva, com aplicações a cada 1-2 horas.
A Terapia cirúrgica consiste basicamente em recobrir a úlcera fornecendo boa proteção mecânica, subsídios tróficos e elementos de defesa para a córnea injuriada. A aplicação de membranas biológicas (cápsula renal) conferem apenas proteção mecânica. Já os adesivos cirúrgicos, se forem de origem biológica, como as colas de fibrina que possuem afinidade pelo colágeno, estimulam a migração de fibroblastos para o local da ferida. Os adesivos sintéticos como o cianoacrilato, possuem ação bactericida, porém são irritantes aos tecidos.
ÚLCERA REFRATÁRIA (INDOLENTE)
Doença de predisposição racial, que acomete cães da raça boxer, Corgi, Poodle, Samoieda e Golden. A lesão é decorrente da separação do epitélio corneano do estroma e está associada a hemidesmossomos defeituosos que provocam proliferação anormal de estroma, causando edema das células basais. Geralmente a área afetada é de 3-4 mm e tem contorno irregular, causa dor e se coram com fluoresceína. O olho deve ser medicado com colírio antibiótico de amplo espectro, quatro vezes ao dia, por dois dias antes da cirurgia e dez dias após, combinando seu uso com colírio de atropina 1% três vezes ao dia pelo mesmo período. O tratamento clínico isolado não confere bons resultados, é recomendado cirurgia conforme técnica de ceratotomia em grade, o epitélio corneano é removido até que o epitélio normalmente aderente seja alcançado na borda da lesão. O recobrimento de terceira pálpebra é recomendado logo após a ceratotomia em grade, como forma de reduzir vascularização posterior e eventual fibrose corneana, devendo ser mantida por 21 dias juntamente com a medicação tópica.
Úlceras por álcali: comuns em filhotes, os agentes envolvidos são produtos de limpeza. Observa-se córnea azulada, blefaroespasmos e fotofobia. A córnea quando submetida ao teste de fluoresceína, cora-se completamente. Queimaduras químicas na córnea provocam destruição limbal e impedem a reepitelização. Nestas situações ocorre perfuração ou conjuntivalização e perda permanente da visão.
Para úlcera é melhor colírio que pomada, pois a pomada é mais traumatizante.
Nos casos de não ter úlcera pode passar a pomada pois ela confere um tempo maior, ao invés do tutor ter que passar colírio de 2 em 2 horas, pode passar de 6 em 6 horas.
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GLAUCOMA
Caso o animal tenha glaucoma, perca a visão mas não queira retirar o globo ocular, faz cauterização do corpo ciliar com gentamicina 4% provocando degeneração do corpo ciliar, diminuindo produção de humor aquoso e consequentemente diminuindo pressão intraocular. Sempre é melhor realizar enucleação, menos riscos e mais eficaz.
UVEÍTE
O termo úvea se refere a íris, corpo ciliar e coróide. Estruturas altamente irrigadas, sensíveis, imuno sensíveis que estão relacionadas com doenças sistêmicas A uveíte refere-se a inflamação da úvea, sendo denominada uveíte anterior ou iridociclite a inflamação da íris e corpo ciliar. Uveíte posterior ou coroidite é a inflamação da coróide. Panuveíte é a inflamação das 3 estruturas. 
As causas exógenas comuns são traumas e úlceras, enquanto as endógenas envolvem neoplasia, infecções metabólicas e autoimune. A uveíte se inicia com destruição tecidual secundária à ruptura da barreira aquosa, ocorre aumento de permeabilidade vascular gerando extravasamento de fluídos, proteínas plasmáticas e células. Logo ocorre infiltração celular, congestão iridiana, turbidez de humor aquoso, hipópío, precipitados ceráticos e edema corneal.
Na anamnese, relata-se a ocorrência de dor (caracterizada pela fotofobia), blefaroespasmo e epífora; vermelhidão, córnea azul ou branca e déficit visual, miose (mas caso ele tenha glaucoma secundário, o animal apresentará midríase). Ao exame físico observa-se desconforto, hiperemia, edema corneal, congestão ciliar, edema iridiano, pressão intra-ocular baixa, miose, turbidez do humor aquoso, exsudação fibrinosa, hifema, hipópio e precipitados ceráticos. Podem ocorrer sinéquias. Os sinais crônicos mais comuns são catarata e glaucoma secundários e hiperpigmentação da íris. A pressão intraocular abaixo de 10 mmHg ou diferença de pressão entre os olhos igual ou maior que 5mmHg são indicativos de uveíte. Este fato está relacionado a diminuição da produção e aumento na drenagem do humor aquoso. 
O tratamento baseia-se em achados de anamnese e exame físico. Alterações bilaterais sugerem doenças sistêmicas e nesses casos deve-se investigar a causa. Pode-se utilizar técnicas citológicas em casos de neoplasias, culturas para bactérias e dosagens dos níveis de imunoglobulinas (na suspeita de leptospirose ou toxoplasmose). Dentre os diagnósticos diferenciais temos: conjuntivite, episclerite, glaucoma, ceratite não ulcerativa e 
Síndrome de Horner.
O tratamento para a uveíte propriamente dita, recomenda-se o uso de antiinflamatórios esteróides. A prednisona na dose de 1-2 mg/kg por via sistêmica a cada 12h, por 7 dias, diminuindo a dose gradativamente é medicamento eficaz. Associa-se ao tratamento sistêmico a prednisolona ou dexametasona 0,1% tópica a cada 4 ou 6 horas. Os AINES só serãoutilizados se os corticosteróides forem contra indicados para a situação (se tiver presença de úlcera por exemplo). Mas os AINES são contra-indicados em casos de uveíte com tendência a sangramento ou hifema, sendo recomendado agentes antiprostaglandina de ação tópica, como o diclofenaco sódico 0,1% (DICLOFENACO SISTÊMICO NÃO PODE SER UTILIZADO), 4 vezes ao dia, ou o flurbiprofeno 0,03%, uma gota em intervalos de 6 horas. Porém, estes fármacos podem atrasar a cicatrização de feridas corneais, mas não potencializam a ação da colagenase como os corticosteróides. Os fármacos midriáticos são eficientes para ocasionar midríase e diminuir a permeabilidade dos vasos inflamados da barreira aquo-sanguínea, reduzindo o extravasamento de humor aquoso. Utiliza-se atropina a 1% em intervalos de 2 a 3 horas até a pupila dilatar, seguindo administrações BID a TID. Drogas adrenérgicas são indicadas quando houver risco de glaucoma secundário, e prioriza-se o uso da epinefrina 1-2% ou fenilefrina 2,5-10%. Quando houver significativa formação de coágulos ou fibrina na câmara anterior utiliza-se agentes fibrinolíticos, como o Ativador do Plasminogênio Tecidual – Activase (tPA), na dose de 25µg intracâmara.
Antibióticos são utilizados para infecções secundárias, o cloranfenicol é eficiente na penetração da córnea. Outros cuidados, como manter o animal em sala escura, usar compressas mornas, realizar exame ocular completo a cada 5-7 dias e avaliar pressão intra-ocular periodicamente fazem parte do tratamento.
CATARATA
Opacidade da estrutura do cristalino. A transparência normal da lente é resultante de uma alta organização protéica das células fibrosas lenticulares e da organização das próprias células lenticulares. A embebição por água causa um desarranjo arquitetônico dessas células fibrosas, o que leva a opacificação, caracterizando a catarata. 
Causas primárias, hereditárias ou congênitas: persistência da artéria hialóidea, persistência da membrana pupilar.
Causas secundárias: nutrição, agentes químicos, radiação, eletricidade, trauma, hipocalcemia, diabetes mellitus (geralmente a quantidade de glicose no humor aquoso e cristalino aumentam, retendo água na região que irá causar danos), uveítes, luxação de lente, displasia de retina, dermodespigmentação e atrofia progressiva da retina.
A localização pode ser nuclear, cortical, equatorial, subcapsular, capsular, zonular, axial e nas linhas de sutura.
Estágio de desenvolvimento (maturação): 
Incipiente - opacidade focal, boa acuidade visual e reflexo de fundo de olho visível à oftalmoscopia; 
Imatura - opacidade mais difusa, áreas de densidade variável, reflexo de fundo presente e algum comprometimento visual; 
Matura – opacidade densa e total da lente, reflexo de fundo ausente e nenhuma acuidade visual; 
Hipermatura - em estágio de reabsorção, com irregularidades na lente, onde a proteína da lente sofre liquefação e extravasa através da cápsula, induzindo a uveíte.
*Classificação geralmente é o oftalmologista que realiza, já que precisa de equipamentos específicos.
Seu tratamento é cirúrgico. Para fazer a cirurgia, o animal tem que estar com retina funcional (eletrorretinografia é o exame para avaliação).

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