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SÍNDROME CORONARIANA AGUDA COM SUPRA DE ST DOR TORÁCICA ANGINOSA Moderados a grandes esforços » Angina de esforço Mínimos esforços » Angina instável Em repouso » SCA Em repouso persistente por mais de 20min » IAM. CASO CLÍNICO Homem, 66 anos procurou atendimento no hospital em razão de dor precordial intensa há 40min. O paciente sabia ser portador de HAS e tabagista. Sem sentir nada antes, apresentou dor precordial intensa súbita e, após o terceiro episódio agora persistente, associada a dispneia, sudorese, tontura, procura atendimento médico de emergência. O exame físico revelou frequência cardíaca de 95bpm e pressão arterial de 70/40mmHg. A semiologia pulmonar demonstrou creptações em bases pulmonares. O exame do coração revelou sopro sistólico em foco mitral. Enfermeira solicita seu parecer em atendimento. Qual o diagnóstico sindrômico? SÍNDROME CORONARIANA AGUDA. Dor torácica em repouso » Síndrome Coronariana Aguda - Isquemia miocárdica (angina instável ou infarto agudo). CRITÉRIOS ABSOLUTOS PARA SCA DE MUITO ALTO RISCO Com necessidade de intervenção rápida e imediata » vaga zero!. 1. Clínico: dor persistente, hipotensão, congestão, rebaixamento do nível de consciência 2. Elétrico: supra de ST ou infra difuso, arritmia ventricular grave. 3. Evolutivo: síncope, PCR: TV ou FV CHISTPW: C: Congestão H: Hipotensão I: Infra ST, Isquemia persistente por dor persistente ST: Supra de ST P: Parada cardiorrespiratória (PCR) W: Welens com dor recorrente. Placa aterosclerótica » Ruptura abrupta » Exposição de substâncias que promovem ativação e agregação plaquetária » geração de trombina e formação de trombo. O AAS impede a geração de trombina e formação de trombo. PATOGENIA • Obstrução arterial ateromatosa • Ruptura da placa ateromatosa instável em artéria epicárdica: • Ruptura ocorre na transição com o endotélio normal • Agregação plaquetária • Liberação de produtos resultantes da ativação plaquetária na circulação coronária (serotonina, tromboxane A2) • Vaso constrição coronária: • Segmento de artéria epicárdica não ateromatosa • Segmento arterial adjacente a uma placa DAC - CAUSAS NÃO ATEROSCLERÓTICAS • Anomalia congênita das artérias coronárias • Espasmo coronário • Dissecção de aorta e artéria coronária • Trauma • Embolia coronária • Doenças metabólicas • Proliferação da íntima. DIFERENTES TIPOS DE INFARTO Tipo 1: Instabilidade de placa Tipo 2: Desbalanço oferta x demanda Tipo 3: Morte súbita Tipo 4: Relacionado à ATC Tipo 5: Relacionado à cirurgia cardíaca DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO COM SUPRADESNIVELAMENTO DO SEGMENTO ST 1. A importância do diagnóstico precoce: anamnese, antecedentes e fatores de risco 2. Exame físico 3. Eletrocardiograma 4. Exames laboratoriais: marcadores de lesão miocárdica, método de imagem, tratamento 5. Tratamento da Síndrome Coronariana Aguda com Supradesnivelamento de ST no local do primeiro atendimento Pontos chave Quanto mais precoce o diagnóstico do infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento de ST, melhor será a estratégia terapêutica para redução da morbidade e da mortalidade. 1. Tanto a avaliação clínica quanto o eletrocardiograma de admissão permitem uma estratificação prognóstica e são fundamentais para a definição da estratégias terapêutica a ser adotada 2. Os marcadores de lesão miocárdica em pacientes com supradesnivelamento do segmento ST não devem retardar o tratamento de reperfusão. 3. Os principais objetivos do tratamento do infarto agudo do miocárdico com supradesnivelamento de segmento ST são aliviar os sintomas, reduzir o risco de morte e de complicações e limitar a extensão da lesão miocárdica. 4. Após a identificação de um paciente com infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento de ST, a terapia de reperfusão deve ser instituída o mais precocemente possível. 5. A dupla antiagregação plaquetária e heparinização eficaz permite melhores taxas de reperfusão e menor incidência de complicações em curto e longo prazos. CRITÉRIOS PARA O SUPRA SST » Elevação do ST a partir do ponto J em duas ou mais derivações contíguas, sendo: • ≥ a 2mm em V1-V3 em homens ou ≥ 1,5mm em mulheres em V1-V3 ou ≥ a 1mm nas demais derivações ou Bloqueio de Ramo Esquerdo novo ou presumivelmente novo • Devem ser feitas derivações adicionais V3R, V4R se IAM de parede inferior ou suspeita de acometimento do ventrículo direito • V7, V8 se infra maior que 0,5mm no ECG inicial de V1-V3. INFARTO COM SUPRA DE ST • Elevação do ST a partir do ponto J em duas ou mais derivações contíguas sendo: • ≥ 2 mm em V1-V3 em homens ou ≥ 1,5mm em V1-V3 em mulheres ou ≥ 1mm nas demais derivações. Ou bloqueio de ramo esquerdo novo ou presumivelmente novo • Devem ser feitas derivações adicionais V3R, V4R se IAM de parede inferior ou suspeita de acometimento do VD • V7, V8 se infra > 0,5mm no ECG inicial de V1-V3 • História de dor precordial pelo menos tipo C - mais intensa + duração > 30min, sem melhora com nitrato = IAM. Atenção: infra de ST, pode ser imagem em espelho de supra. Se houver imagem em espelho associada a supra de ST, este será sempre patológico, IAM com supra de segmento ST. À esquerda: infra de ST À direita: supra de ST ANGINA VARIANTE DE PRINZMETAL Modalidade clínica cujas alterações anatômicas variam entre artérias coronárias angiograficamente normais e severamente obstruídas por lesões ateroscleróticas. Crises são cíclicas, geralmente em repouso, nos mesmos horários, inclusive durante o sono. Podem ser desencadeadas por esforço físico. Espasmo coronariano: elevação transitória do segmento ST durante as crises (ECG de repouso). ECG normal entre as crises. ALTERAÇÕES ELETROCARDIOGRÁFICAS NO IAM Fases do IAM: » Superaguda: ondas T aumentadas, lembrando hipercalemia » Aguda: elevação do ST, diminuição de T e aparecimento de Q » Subaguda: T invertida, ST retorna a linha de base » Crônica: ondas Q e elevação de ST Paciente, 80 anos, dor torácica há 24h em aperto por 2h, no momento com dispneia leve e astenia IAM com supra de ST evoluído com supra residual - necrose extensa com provável aneurisma de VE. A principal manifestação clínica de um paciente com isquemia miocárdica é o desconforto torácico em região precordial ou retroesternal em repouso, de intensidade variável (geralmente forte) persistente por mais de 20min. A dor torácica pode ser caracterizada como aperto, peso, constrição, ardência ou queimação; em repouso, pode ter sido desencadeada por esforço físico ou estresse, mas sem melhora com repouso, vir acompanhada de fatores como náuseas, vômitos, sudorese ou palidez. O quadro clínico clássico de IAM apresenta: dor retroesternal, com irradiação para membros superiores, geralmente ambos os membros ou membro superior esquerdo, mandíbula, pescoço e/ou região dorsal. Muitas vezes, a irradiação para o braço esquerdo se caracteriza por dor ou formigamento no punho, na mão ou restrita à região ulnar e ao 5º dedo. Apresentação clínica é atípica, presença de desconforto, preso ou mal-estar torácica indefinido, sudorese e fraqueza sem causa aparente. Principalmente em idosos, diabéticos, mulheres e em portadores de insuficiência cardíaca. Vale lembram que algumas condições clínicas, como confusão mental, dispneia, edema agudo do pulmão, síncope, parada cardiorrespiratória, tromboembolismo arterial cerebral ou periférico podem ter o infarto agudo do miocárdio como substrato patológico mesmo na ausência de precordialgia. CASO CLÍNICO RG, 53 anos, sexo masculino QP: dor retroesternal em aperto, irradiando para o pescoço e mandíbula há 40 mins. Nega HAS, DM, obesidade pregressa. Tabagista e etilista. Elevação do ST a partir do ponto J em duas ou mais derivações contíguas sendo: ≥ 2mm em V1-V3 em homens ≥ 1,5mm em V1-V3 em mulheres ≥ 1mm nas demais derivações OU BRE novo ou presumivelmente novo. Devem ser feitas 12 derivações convencionais além de V3R, V4R, V7 e V8se IAM de parede inferior ou suspeita de acometimento do VD. + História de dor precordial pelo menos possivelmente anginosa. Mais intensa e duração > 30min, sem melhora com nitrato = INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDICO CSST Encaminhar para a reperfusão. » Angioplastia » Trombólise TRATAMENTO IAM COM SUPRA DE ST • Oclusão total do vaso » Reconhecimento rápido dos sinais e sintomas » objetivas terapia de reperfusão precoce seja com trombólise ou intervenção percutânea » terapias adjuvantes: antitrombóticos, betabloqueadores, IECAS. Medidas iniciais no atendimento da SCA: 1. MOV 2. Sala de emergência 3. História + EF direcionados 4. Características da dor / fatores de risco 5. Exame cardíaco e pulmonar 6. Pulsos periféricos 7. ECG de 12 derivações 8. RX de torax / ECO 9. Marcadores de necrose, coagulação, HB, plaquetas Tratamento medicamentoso de suporte: 1. Analgesia 2. Antiplaquetários ANALGESIA A morfina promove alívio da dor, reduz a ansiedade e promove vasodilatação arterial, diminuindo a liberação de catecolaminas e, consequentemente, reduzindo o consumo de oxigênio e da demanda metabólica. Pode reduzir a absorção dos anti-plaquetários. Evitar se hipotensão. ANTIPLAQUETÁRIOS AA: 200mg Tineoperidínicos: Clopidogrel, Plasugrel, Ticagrelor Inibidores da GIIb / IIIa Um dos principais mecanismos dessa cascata de eventos é a agregação das plaquetas. ÁCIDO ACETILSALICÍLICO • O AAS bloqueia a enzima ciclo-oxigenase derivada do ácido araquidônico, causando imediata inibição de seus derivados, tromboxano A2 (vasoconstritor e pró-agregante) e prostaglandina (vasodilatador e antiagregante plaquetário) • Esse agente continua sendo o antiplaquetário de escolha em todas as formas de coronariopatias, em função das sólidas evidências científicas que comprovam sua eficácia, segurança e excelente relação custo-efetividade • O uso precoce do AAS reduz o risco de morte em 23% (quando utilizado de forma isolada) e em 42% (quando utilizado com fibrinolítico), além de reduzir de maneira significativa o risco de reoclusão coronária e de eventos isquêmicos recorrentes. • Após a alta hospitalar, o AAS deve ser mantido indefinidamente (dose de 81 a 125mg/dia) para prevenção ou redução na incidência de novos eventos isquêmicos. NITRATO • HAS • Congestão • Dor persistente Contraindicações: infarto ventrículo direito, uso de sildenafil e derivados nas últimas 24h, hipotensão arterial e frequência cardíaca inferior a 50 ou superior a 100bpm. BETABLOQUEADORES Os BB agem reduzindo a FC, a contratilidade miocárdica, o inotropismo e a PA, levando à diminuição do consumo de O2 no miocárdio, redução do tamanho do IAM, da frequência de arritmias ventriculares e da incidência de reinfarto nos pacientes submetidos à terapia trombolítica. Atualmente, a recomendação é utilizar betabloqueadores preferencialmente por VO, iniciando nas primeiras 24h da admissão do paciente. EXCETO NO IAM ANTERIOR EXTENSO, aguardar 24h. Os efeitos colaterais mais comuns dos BB são: bradicardia excessiva, distúrbios da condução atrio-ventricular, hipotensão arterial e broncoespasmo. Contraindicações: • História de doença pulmonar obstrutiva crônica significativa e asma • FC < 60bpm, principalmente no infarto de parede inferior • Disfunção ventricular grave (porém, é uma forte indicação a introdução desse agente antes da alta hospitalar, após a estabilização do quadro); • Bloqueio atrioventricular de 2º ou 2º graus • Pressão arterial sistólica < 90mmHg ou queda de 30mmHg em relação ao nível basal. TRATAMENTO SCA BIENACH BETABLOQUEADOR: Reduz sintomas e mortalidade. Observar contraindicações e FC. Objetivo manter FC próximo de 60bpm. Atenolol 25-200mg 1-2x/dia. Pode se associar a Ivabradina. IECA: estabiliza o endotélio e reduz mortalidade. (Observar PA). Enalapril ESTATINAS: Estabiliza placas, reduz mortalidade. Manter LDL < 50. Sinvastatina, atorvastatina e rosuvastatina NITRATOS: se presença de angina. Não reduzem mortalidade. Pode ser administrado VO e SL. Propatinilnitrato e mononitrato de isossorbita. Podendo ser associado a BCC ou Trimetazidina. AAS: reduz infarto e mortalidade. Dose de 100mg, alérgicos substituir por clopidogrel 75mg. AAS: 200mg no IAM. CLOPIDOGREL (ou ticagrelor, plasugrel): 300mg sem supra de ST, 600mg com supra de ST. HEPARINA (Heparina BPM - Clexane ou fondaparinus ou NF): Clexane 1mg/kg de 12/12h. Oxigênio de saturação abaixo de 92% Heparina: 5000UI IV TRATAMENTO DE REPERFUSÃO NO IAM ANGIOPLASTIA • Vantagens sobre os trombolíticos: • Patência arterial precoce, superior a 90% • Melhor manutenção de fluxo coronariano pleno • Menor lesão de reperfusão • Melhora função ventricular • Menor risco de sangramento e AVC • Redução nas taxas de reoclusão, infarto e mortalidade hospitalar. CONTRAINDICAÇÕES AO USO DE FIBRINOLÍTICOS Absolutas: • AVCH prévio em qualquer tempo • AVCs ou outros eventos no último ano • Neoplasia intracraniana conhecida • Sangramento interno ativo (exceto menstruação) • Suspeita de dissecção aórtica Relativas: • Hipertensão não controlada no momento da chegada (PA > 180/110) • Diátese hemorrágica conhecida; uso de anticoagulante • Trauma recente (2-4 semanas) • RCP prolongada (> 10 min) • Cirurgia de grande porte (<3 semanas) • Sangramento interno recente (2-4 semanas) • Úlcera péptica ativa • Antecedente de reação alérgica (SK) CRITÉRIOS DE REPERFUSÃO » Melhora da dor » Redução do supra em 50% » Arritmias de reperfusão CLASSIFICAÇÃO CLÍNICA E HEMODINÂMICA DO IAM COM SST Killip I: sem choque, sem congestão (3-5% mortalidade) Killip II: B3, estertores crepitantes (6-10% mortalidade) Killip III: edema agudo de pulmão (20-30% mortalidade) Killipi IV: choque cardiogênico (> 80% mortalidade) INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO COMPLICAÇÕES AGUDAS Arritmias: fibrilação ventricular, BAVT, bloqueios extra sístoles Complicações mecânicas: insuficiência mitral aguda, ruptura cardíaca e de SIV Choque cardiogênico COMPLICAÇÕES CRÔNICAS » Arritmias » ICC » Trombo intramural » Aneurisma de VE A complicação da SCA mais grave e mais temida: MORTE SÚBITA! iNFARTO DE VENTRÍCULO DIREITO IAM inferior + VD Incidência: regra de 1/3 (aproximadamente 1/3 dos IAM inferiores = VD eletrocardiográfico, cerca de 1/3 destes apresentando quadro clínico de infarto de VD) » Habitualmente está relacionado com oclusão da coronária direita antes do seu terço médio, pode acompanhar o infarto da região inferior. » Parede mais fina do VD » Maior mortalidade » Observa-se mais frequentemente: hipotensão, palidez, sudorese, redução da perfusão periférica, aumento de jugular sem estertores pulmonares » Deve-se realizar as derivações direitas (V3R e V4R) no ECG » Evitar nitrato e morfina » Se hipotensão com ausculta pulmonar limpa fazer SF 250ml e reavaliar » Reperfusão rápida Pericardite: complicação relativamente comum. Formas: Aguda - 24h após início do evento / Subaguda - síndrome de Dressler (2 a 12 semanas após o IAM) CHOQUE CARDIOGÊNICO Hipotensão arterial: PAS < 90mmHg por + 30min. Hipoperfusão tecidual: extremidades frias, úmidas, oligúria ou rebaixamento do nível de consciência Evidência hemodinâmicas ou radiológicas de pressão de enchimento ventricular elevada (PCP > 15mmHg ou congestão pulmonar ao RX) Sinais e sintomas: » Quando pós IAM os sintomas geralmente aparecem nas primeiras 24h (6,2h) » Hipotensão » Confusão mental » Palidez e sudorese » Taquicardia e taquisfigmia » Oligúria » Dispneia em diferentes graus até franca IRA » Taquipneia e estertores pulmonares » Turgidez jugular » 3ª bulha » Novos sopros cardíacos » Arritmias Exames complementares: RX de tórax • Sinais de congestão pulmonar • Aumento da área cardíaca