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Hérnias 
 
 Definição: 
- A palavra é derivada do latim e significa “ruptura”. 
- É uma protusão anormal de um órgão ou tecido através das paredes 
que o cercam. 
- Dá pra ter hérnia de tudo e qualquer coisa desde que algum órgão vá parar 
onde ele não pertence. 
- Pode-se ter hérnia de cirstalina (olhos), de uncus (cérebro), muscular 
(falha na bainha que o reveste e fica querendo sair durante exercício físico 
intenso), etc. 
 
 
 Hérnias de parede abdominal: 
- Evolução antropológica. 
- Um dos maiores motivos das hérnias abdominal acontecerem é o fato de os 
seres humanos terem assumido uma posição bípede, alterando assim seu 
centro de gravidade, mudando o centro de distribuição da pressão na 
parede abdominal, principalmente no andar inferior e na região inguinal. 
 
 
 Tipos de Hérnias: 
- Hérnias de parede abdominal anterior: 
o Hérnia epigástrica; 
o Hérnia umbilical; 
o Hérnia de Spiegel; 
o Onfalocele; 
o Gastroesquise. 
- Hérnias inguinais. 
- Hérnias femorais. 
- Hérnias pélvicas (mais frequentes): 
o Obturadora; 
o Isquiática; 
o Perineal. 
Giovanna Lopes 
- Hérnias lombares (parede abdominal posterior - dorso): 
o Trígono Superior (Grynfeltt); 
o Trígono Inferior (Petit). 
 
A imagem mostra algumas falhas de onde podem surgir algumas hérnias. O 
local mais esperado é da cicatriz umbilical (os outros não são esperados). 
Apesar disso, a hérnia inguinal é a mais comum de todas as hérnias e tem 
uma incidência maior do que a hérnia de cicatriz umbilical 
 
 Anatomia da parede abdominal: 
- Pele. 
- TCS (são tecidos conjuntivos organizados – não tem a finalidade de 
segurar e fazer tensão de nada no abdome): 
o Fáscia de Camper (mais externa). 
o Fáscia de Scarpa (mais espessa, tem coloração esbranquiçada e pode 
ser confundida com a aponeurose do músculo oblíquo). 
o Fáscia de Gallaudes (“fáscia inominada” – acaba sendo omitida de 
algumas literaturas). 
- Músculo oblíquo externo. 
- Músculo oblíquo interno. 
- Músculo transverso. 
- Fáscia transversalis (“fáscia endoabdominal” - abaixo do músculo 
transverso). 
- Gordura pré-peritoneal. 
- Peritônio. 
 
- Todos os músculos da parede anterolateral, quando vão se aproximando da 
borda lateral do músculo reto abdominal, vão perdendo as fibras musculares 
e vão se tornando aponeurose. 
- O músculo oblíquo externo, na porção da região inguinal, só há aponeurose, 
não há mais fibras musculares. 
- A aponeurose do músculo oblíquo externo tem uma falha no homem e 
na mulher e serve de abertura natural para passagens de estruturas do 
funículo espermático no homem e do ligamento redondo do útero na 
mulher. 
- O músculo oblíquo externo tem origem nas últimas costelas (da 5ª a 10ª 
costela + costelas flutuantes). Ele também possui fibras entremeadas com o 
músculo serrátil anterior que se divide entre a parede abdominal e tórax. 
Ele acaba se fundindo com as aponeuroses dos músculos oblíquo interno e 
transverso para formar as bainhas que vão revestir o músculo reto 
abdominal. Ele se insere na sínfise púbica e na espinha ilíaca 
anterossuperior. 
- Abaixo do oblíquo externo (fibras para baixo) há o músculo oblíquo 
interno com fibras de direção opostas (fibras para cima) as do externo, já 
que ele se origina da parte externa da crista ilíaca e sua parte final é 
basicamente aponeurose também, bem como próximo ao reto abdominal. A 
parte inferior do músculo oblíquo interno termina um pouco acima da região 
inguinal (não há fibra muscular fazendo o revestimento dessa região). Ele se 
insere na parte interna do gradio costal. 
- O músculo transverso se origina pela parte de dentro da crista ilíaca e 
tem fibras que se fundem com os músculos paraespinhais. Lembrando que as 
aponeuroses se fundem e formam as bainhas que vão revestir tanto anterior 
quanto posteriormente o reto abdominal. 
Os vetores das fibras do músculo externo e interno são opostos para que 
consigam estabilizar a coluna vertebral (além dos eretores da espinha e 
paraespinhais) 
 
 
 
 
 
 
A imagem mostra as intersecções tendíneas do músculo reto abdominal e 
transverso. No andar inferior, abaixo da cicatriz umbilical, as fibras da 
aponeurose fazem o revestimento só da parte anterior do reto e quem fica 
por trás é a fáscia transversalis. Assim, no andar inferior do músculo reto 
abdominal, fazendo o revestimento da parede abdominal inferiormente, não 
há a distribuição de posterior e anterior das aponeurose, sendo revestido 
nesse local apenas pela fáscia transversalis (fáscia endoabdmonial). 
Limites do canal inguinal. A região inguinal é desprovida de musculatura e 
quem reveste posteriormente é a fáscia transversalis. Essa área fica 
“enfraquecida” por conta disso, gerando herniações. À direita mostra a 
formação do ligamento inguinal, onde o músculo oblíquo externo chega até a 
sínfise púbica e da espinha ilíaca anterossuperior e faz uma reflexão 
(dobra) em cima de si próprio formando o ligamento inguinal (se insere na 
espinha ilíaca anterossuperior e na sínfise púbica) 
 
 
 
 Mostra o envelopamento do músculo reto abdominal em razão das fibras 
não decussarem para a parte posterior da parede abdominal. Esse é o 
motivo de não se ver intersecção tendínea abaixo da cicatriz umbilical (o 
envelopamento esconde essas intersecções) 
 
 Hérnias Inguinais – Canal Inguinal: 
- Espaço virtual de aproximadamente 4 cm. 
- Homem: funículo espermático. 
- Mulher: ligamento redondo do útero. 
- Possui um trajeto oblíquo. 
- Anel Oblíquo Superficial (falha no músculo oblíquo externo) e Profundo 
(falha dentro do músculo oblíquo interno, do músculo transverso e da fáscia 
transversalis) que circunda essa estrutura. 
- LIMITES: 
o Anterior (teto): aponeurose do músculo oblíquo externo. 
o Posterior (assoalho): fáscia transversalis. 
o Superior: borda inferior do músculo oblíquo interno. 
o Inferior: ligamento inguinal (reflexão da aponeurose) e ligamento 
pectíneo. 
Canal inguinal aberto. O anel inguinal externo (superficial) foi aberto e o 
desenho mostra a formação do anel inguinal profundo (fibras rosas e 
vermelhas) através das falhas dos músculos transverso e do oblíquo interno. 
De verde, o funículo espermático passando e o assoalho sendo formado pela 
fáscia transversalis, em azul. 
- O ligamento lacunar é a fusão do ligamento inguinal e do pectíneo. 
- Triângulo de Hesselbach – LIMITES: 
o Medial: borda do músculo reto abdominal. 
o Inferior: ligamento inguinal. 
o Superior: vasos epigástricos. 
- Triângulo de Hessert – LIMITES: 
o Superior: borda inferior do músculo oblíquo interno e arco do 
músculo transverso. 
Triângulo de Hesselbach 
- Hérnia Direta: Hérnias que estão contidas dentro do Triângulo de 
Hesselbach. Sai do assoalho, da parede posterior, do “chão” do canal 
inguinal, por isso são chamadas de diretas. 
- Hérnia Indireta: Hérnias que estão fora do Triângulo de Hesselbach ou 
lateralmente à ele. É uma hérnia que é oriunda da persistência do conduto 
peritoneovaginal. Protuem do anel inguinal interno. 
- Hérnia Mista: Começa como indireta e acaba evoluindo com um volume 
muito grande e destroi a parede do assoalho e não é possível distinguir se 
era direta ou indireta. 
- As hérnias do canal femoral e do canal obturador podem ser confundidas 
com as hérnias do canal inguinal. 
O conduto peritoneovaginal (onfalomesentérico) é uma comunicação entre a 
cavidade abdominal e a bolsa testicular com função, nos homens, para que o 
testículo que é formado junto ao rim migre até a bolsa testicular no período 
final de gestação. Algumas patologias mantêm esse conduto aberto e 
vísceras ali podem tentar passar. É a hérnia mais comum = indireta. 
 
 
 Hérnias Inguinais - Inervação: 
- As hérnias normalmente são bastantes dolorosas, pois na região que as 
estruturas femininas e masculinas estão, há vários nervos passando ali, 
então qualquer protusão nesse local causa compressão do nervo, causando a 
dor. 
- Nervos: 
o Sensitivo do 12º nervo torácico e plexo lombar. 
oGenitofemoral (está dentro do funículo espermático no caso dos 
homens). 
o Ilioinguinal (em contato direto com o contéudo do canal inguinal) – 
inervação sensitiva – dor irradiada para a face interna da coxa ou para 
a bolsa escrotal. 
o Ilio-hipogástrico (em contato direto com o contéudo do canal 
inguinal). 
 
 Hérnias Inguinais - Funículo ou Cordão Espermático: 
- Matriz do tecido conjuntivo (é o “cimento” que segura todas as estruturas 
dentro do funículo – estruma). 
- Ducto deferente. 
- Artérias: espermática, deferencial e cremastérica. 
- Veias correspondentes das artérias. 
- Plexo pampiniforme (sistema de drenagem venosa) – faz a drenagem de 
forma rápida e em uma temperatura otimizada, melhorando a 
espermatôgenese. 
- Nervos. 
- Recoberto por 3 túnicas (dartos, cremastérica e vaginal). 
 
 Hérnias Inguinais - Incidência: 
- Estima-se: 5% da população. 
- 75% de todas as hérnias estão na região inguinal. 
- 2/3 são indiretas (protuem através da peristência do conduto 
peritoneovaginal – anel inguinal interno). 
- O lado direito é o mais acometido (a posição do sigmoide no lado esquerdo 
protege a região inguinal esquerda do desenvolvimento de hérnias com a 
persistência do conduto peritoneovaginal). 
- Hérnias diretas são mais raras. 
- Homens é 25x mais afetados do que mulheres. 
- Complicações pré-operatórias de 1 a 3% dos casos (encarceramento e 
estrangulamento ocorrem em poucos casos). 
 
 Hérnias Inguinais - Etiologia: 
- Não obliteração do processo vaginalis (peristência do conduto 
peritoneovaginal). 
- Prematuridade. 
- Aumento da pressão abdominal (atividade física laborativa e recreativa). 
- Deficiência de colágeno (levam à fraqueza do anel e da parede posterior): 
o Ehrle-Danlos; 
o Marfan (causam hérnias diretas – bem raro). 
 
 
 Hérnias Inguinais - Diagnóstico: 
- Dado pelo próprio paciente (“caroço na virilha” – de manhã, ao acordar, não 
tem nada, mas no decorrer do dia, conforme suas atividades do cotidiano, o 
caroço aumenta e doi). 
- Massa na região inguinal. 
- Dor e desconforto leves. 
- Pode ter outras causas de dores. 
- Exame Físico: 
o Ortostase (primeiro) e decúbito. 
o Manobra de Valsava. 
1) Inspeção (assimetria da região inguinal comparando os 2 lados). 
2) Palpação (começa no testículo – ver se o testículo está na bolsa 
escrotal, pois o caroço da virilha também pode ser o testículo – e vai 
até o canal inguinal). 
3) Exploração digital (segue o canal inguinal com o dedo e palpa o anel 
inguinal externo). 
4) Manobra de Valsava (tosse e sopro -> o paciente a executa enquanto 
o examinador está com o dedo no anel inguinal externo – observar se há 
protusão de massa no dedo – e depois sem o dedo na região – verificar 
abaulamentos olhando de longe). 
 
 
 Hérnias Inguinais – Diagnóstico Diferencial: 
- Hidrocele (acúmulo de líquido – trauma, lesão linfática na bolsa 
escrotal). 
- Varicocele (varizes do plexo pampiniforme). 
- Testículo ectópico (o testículo não migrou para a bolsa escrotal – por 
isso a importância da palpação do testículo no exame físico). 
- Lipoma. 
- Hematoma. 
- Linfoma. 
- Aneurisma roto de artéria femoral. 
- As hérnias não são o único tipo de massa que aparece na região inguinal. 
 
Varicocele grau III – visível a olho nu 
 
 Hérnias Inguinais – Exames Complementares: 
- Herniograma/Herniografia. 
- USG de partes moles com Doppler – o Doppler ajuda a fazer 
diagnóstico diferencial com lesão varicosa e aneurisma. 
- TC. 
- RNM para avaliar partes moles (padrão ouro). 
- O diagnóstico é clínico. 
- Esses exames também ajudam a fazer diagnóstico diferencial das massas 
na região inguinal. 
- A herniograma é um exame antigo e não se faz mais (puncionava-se a 
cavidade abdominal, jogava o contraste iodado e pedia para o paciente fazer 
a Manobra de Valsava – o contraste ia sendo jogado para o saco herniário). 
 
 Hérnias Inguinais – Classificação de Nyhus: 
 
 
 
- É uma uniformização da termologia das hérnias, não define conduta. 
- É uma classificação dos tipos de hérnias. 
 
 Hérnias Inguinais – Tipos de Hérnias: 
- Hérnia de Ritcher – só uma parte da alça é herniada, só a parede 
antemesentérica, e o paciente não tem alteração no trânsito intestinal, mas 
a alça que está herniada pode estrangular e encarcerar. 
- Hérnia de Amyand – o apêndice fica dentro do saco herniário. 
- Hérnia de Littré – um divertículo de Meckel fica dentro do saco 
herniário. 
 
 Hérnias Inguinais – Complicações Pré-Operatórias: 
- Ulceração da pele – casos extremos. 
- Encarceramento – caso de urgência. 
- Estrangulamento – é uma hérnia que já estava encarcerada, mas demorou 
muito tempo (maior que uma média de 6 horas) e essa alça dentro do saco 
hernário entrou em sofrimento vascular (isquemia) – caso de emergência. 
- Obstrução intestinal. 
Caso de hérnia estrangulada. O saco herniário mostra um conteúdo vinhoso = 
líquido sero-hemorrágico oriundo da alça que estava estrangulada = fica 
transudando dentro do saco herniário = hérnia inviável. O procedimento é 
feito com a ressecção desse segmento de alça e uma anastomose termino-
terminal para reestabelecer o trânsito intestinal 
 
 
 Hérnias Inguinais – Tratamento: 
- Via de regra são de tratamento cirúrgico, com exceção da hérnia 
umbilical. 
- Existe um tratamento não cirúrgico, mas não está contido na literatura 
médica e existem literaturas que criticam esse tratamento. Consiste no uso 
das fundas cirúrgicas – “truss”. Existem as industriais e as artesanais, 
feito com couro, etc. Servem para “segurar” a hérnia enquanto a pessoa faz 
suas atividades. Risco de trombose de plexo pampiniforme e de artéria 
testicular, lesão nervosa, orquite e vários outros problemas, pois comprime 
o funículo espermático. É um uso off label. 
 
 
 
 
- O tratamento cirúrgico consiste em reparos teciduais, onde se usa a 
própria estrutura anatômica (aponeurose do músculo oblíquo externo, 
ligamento inguinal, fáscias...) para correção dos defeitos e em reparos com 
prótese e telas, que é bem recente (década de 70). 
- Tempos cirúrgicos comuns aos procedimentos: 
o Incisão da pele e subcutâneo. 
o Incisão da aponeurose do oblíquo externo. 
o Dissecção do anel inguinal superficial. 
o Isolamento do funículo espermático/ligamento redondo. 
o Dissecção e isololamento do saco herniário. 
o Tratamento do saco herniário. 
o Reforço da parede posterior. 
- Técnicas de reparo tecidual (problema grande de recidivas das hérnias): 
o Técnica de Bassini. 
o Shouldice I e II. 
o Marcy. 
o Nyhus. 
o Andrews-Ferguson. 
- O uso do tratamento com as próteses e telas reduziu bastante o número 
de recidivas das hérnias, então passou a ser o tratamento de escolha no 
lugar do reparo tecidual. Só se faz, hoje em dia, a técnica de reparo 
tecidual quando o paciente tem alergia ou complicações com a prótese. 
- No uso da prótese é obrigatório fazer antibioticoprofilaxia, pois a região 
inguinal é uma área potencialmente contaminada. 
- Também pode-se tratar sem precisar abrir o canal inguinal através da 
laparoscopia. Nesses casos, se faz um reparo pré-peritoneal com o uso de 
tela (reveste o canal femoral por dentro – inabsorvível – as alças fistulizam 
se entrarem em contato com a tela). 
Abordagem laparoscópica. Dissecção e abertura do espaço pré-peritoneal 
 
Técnica do reparo tecidual – Técnica de Bassini: usa só o músculo oblíquo 
externo e o ligamento inguinal (passa muito perto dos vasos ilíacos = não 
recomendado) 
Tempos cirúrgicos da hernioplastia – Técnica de Shouldice 
 
 
 
 
Reparo com tela – é o tratamento de escolha, os tempos cirúrgicos são 
iguais, mas na hora de usar as estruturas anatômicas para o reparo, utiliza-
se a tela fixada, que faz o reparo e induz uma fibrose cicatricial, que é a 
responsável por ter recidiva da hérnia na região inguinal 
 
 
 Hérnias Inguinais – Complicações Agudas: 
- Retenção urinária. 
- ITU. 
- Orquite ou orquite isquêmica (trombose de artéria testicular– 
testículo em sofrimento). 
- Infecção do sítio cirúrgico (comum no uso de telas). 
- Dor/neuralgia (a dor é menor quando se usa a prótese e a recuperação do 
paciente é mais rápida). 
- Essas complicações são relacionadas a bloqueio subaracnoide (peridural). 
- Algumas complicações são mais comuns a determinadas técnicas do que 
outras. 
 
 Hérnias Inguinais – Complicações Tardias: 
- Seroma (mais comum em uso de prótese). 
- Orquite isquêmica (comum nas duas técnicas, mas vai muito da 
manipulação do cordão). 
- Infecções (comum em uso de próteses). 
- Dor crônica (depende da manipulação do ileoinguinal e o íleo-hipogastrio). 
- Recidiva (maior nos casos de reparo tecidual). 
 
 Hérnias Femorais - Incidência: 
- É considerada uma hérnia rara. 
- Incidência de 4% da população. 
- É 4 vezes mais comum em mulheres do que nos homens (4/1) – mas a hérnia 
inguinal ainda ganha de ser a mais comum. 
- Mais comum após os 40 anos. 
- Risco de estrangulamento 10 vezes mais (o canal inguinal é extremamente 
pequeno, por isso tem mais chances de se apresentar estrangulado do que 
uma hérnia inguinal). 
- Tratamento: McWay, abordagem pré-peritoneal ou laparoscópico. 
- Delimitação: 
o Superior: Trato ileopúbico. 
o Inferior: Ligamento de Cooper (ligamento pectíneo). 
o Lateral: Veia femoral. 
o Medial: Inserção do trato ileopúbico no ligamento de Cooper 
(ligamento lacunar). 
- O canal femoral passa abaixo do ligamento inguinal. 
 
 
Alça intestinal estrangulada através do anel femoral 
As chances de lesões vasculares são muito maiores na hérnia femoral. 
Sempre que for tratar, deve-se isolar a veia 
O tratamento consiste em colocar a alça herniada para dentro, fecha o 
canal femoral, pega o ligamento inguinal e o pectíneo e faz uma bolsa de 
tabaco fechando ele e usando esses ligamentos como reparo 
 
Como tratamento, também pode-se colocar um chumaço de prótese e 
colocar dentro do canal femoral 
Também pode-se colocar uma gaze úmida fazendo a aproximação do 
ligamento pectíneo (de Cooper) e do ligamento inguinal (de Poupart) 
 
 
 Hérnias Umbilicais: 
- Defeito congênito: 
o Fechamento espontâneo até 2 anos (é a única hérnia que consegue 
fechar espontaneamente). 
o Após 5 anos – tratamento cirúrgico. 
- Adultos – 3ª causa mais comum de hérnia: 
o Gravidez. 
o Obesidade. 
o Ascite (pacientes hepatopatas). 
- Tratamento: 
o Em crianças: é conservador (até os 5 anos só observa) ou cirúrgico 
(se a hérnia não obliterou sozinha até os 5 anos). 
o Em adultos: se o cólon for pequeno e não tiver espaço para passar 
nada é conservador (só observa), mas se o paciente tiver risco de 
complicações (paciente tabagista, paciente com tosse crônica – podem 
protuir a hérnia e encarcerar mais facilmente), é indicado a cirurgia 
não importa o tamanho. 
Hérnia em um bebê 
Hérnia umbilical volumosa em um adulto. Provavelmente, o paciente não quis 
tratar e o anel umbilical foi alargando 
Casos extremos de hérnia umbilical 
 
Uso de Funda Umbilical. É uma medida não cirúrgica e não indicada pela 
literatura para conter as hérnias umbilicais 
O tratamento cirúrgico consiste em fazer a ressecção do saco herniário e 
corrigir o defeito 
Técnica de reparo que faz a sobreposição das camadas da cicatriz umbilical. 
Ponto em U abaixo da borda da ressecção do anel umbilical e depois faz um 
chuleio simples entre essas camadas interpostas 
 
 
 
Também é possível usar prótese na hérnia umbilical, tanto por 
videolaparoscopia (por dentro da cavidade abdominal) quanto aberta (por 
fora da cavidade abdominal) 
 
 
 
 Onfalocele: 
- Defeito da fáscia endoabdominal. 
- Defeitos na formação da parede abdominal do feto, a qual não se fechou 
completamente e causa a protusão do tecido amniótico. 
- O saco herniário sai do umbigo. 
- Saco membranoso: 
o Camada amniótica. 
o Camada peritoneal. 
- Maior que 4 cm. 
- Associada a outras patologias (como a Tetralogia de Fallot – grande 
defeito do septo ventricular, obstrução da via de saída do ventrículo 
direito, estenose da valva pulmonar, hipertrofia ventricular direita e 
excesso de “cavalgamento” da aorta). 
- O diagnóstico é feito através da USG fetal e da RNM (quando existe 
dúvida diagnóstica durante a realização do USG fetal). 
- O tratamento consiste em devolver as vísceras para a cavidade e fechar. 
Consiste em manter a membrana íntegra, fazer compressas úmidas (pois 
pode ressecar se tiver exposta ao ar ambiente), fazer antibiótico (evitar 
infecções), controlar a temperatura (o RN pode fazer hipotermia 
facilmente), aproximação primária e silagem (colocar algo ao redor do saco 
herniário para evitar uma desidratação e um rompimento do saco e 
exposição da alça). 
Sempre tentam reforçar a região usando gaze ou compressa para que a alça 
não fique pendurada e sofra isquemia 
 
 
 
- Complicações: Necrose intestinal e infecção intracavitária. 
 
 Gastroesquise: 
- Defeito de parede à direita do umbigo. 
- Ausência da membrana: 
o Alças com edema. 
o Alças com espessamento. 
- Pouca relação com outras má-formações. 
Diferença entre uma onfalocele à esquerda (preservação do saco 
membranoso) e uma gastroesquise à direita (sem saco membranoso, alças 
para fora). Não pode reduzir a gastroesquise de uma vez, pois as alças 
intestinais podem impedir o movimento do diafragma da criança, 
prejudicando sua ventilação 
 
- Tratamento: 
o Hidratação (já que não tem nada protegendo as alças, a criança 
perde líquido para o meio externo). 
o Prevenir infecções. 
o Silagem / bolsa com solução salina. 
o Cateter nasogástrico. 
o Redução de 5 a 7 dias (se ficar muito tempo fora da cavidade pode 
levar a uma necrose de alça intestinal). 
o Sedação. 
o Nutrição parenteral. 
o Ressecção de alças necrosadas (se necessário). 
Silagem de uma gastroesquise. Na parte de cima, há um orifício que fica 
caindo soro na alça e impede uma maior desidratração 
 
 Hérnias Incisionais: 
- É uma complicação cirúrgica pós-operatória na incisão que foi feita. 
- Incidência: 
o 15 a 20%. 
o Mulheres 2:1 Homens. 
o Mais comuns nas incisões medianas (em razão da distribuição da 
força). 
o Infecções com 2 vezes mais incidência. 
- Etiologia: 
o Obesidade. 
o Idade avançada. 
o Apneia do sono. 
o Enfisema (tabagismo). 
o Prostatismo. 
o Infecções de ferida operatória. 
Hérnia de incisão de McBurney (apendicite) 
Hérnia no local de passagem de dreno em toracotomias medianas e 
esternotomia para cirurgias cardíacas (hérnia epigástrica incisional) 
Hérnia mediana supraumbilical 
 
 Hérnias Epigástricas: 
- São hérnias raras. 
- Tem uma taxa de recidiva que é considerável. 
- Incidência: 
o 3 a 5%. 
o 2 a 3 vezes mais frequente em homens. 
o 5 a 6 cm acima do umbigo. 
- Diagnóstico: 
o Quadro álgico se deve ao encarceramento de gordura pré-
peritoneal. 
o Diferencial com lipoma. 
- Tratamento: 
o Reparo de Mayo. 
o Uso de tela de Marlex. 
 
 Hérnia de Spiegel: 
- Defeito na aponeurose Spigeliana: 
o Linha semilunar (fica na borda lateral do músculo reto abdominal). 
o Abaixo da linha arqueada de Douglas. 
o Acima dos vasos epigástricos inferiores. 
o 9ª costela – espinha púbica. 
- Incidência: na 4ª a 7ª década de vida. 
- Diagnóstico: é clínico, mas pode-se fazer uso de USG e TC. 
- Pode conter vísceras ocas: 
o Cólon sigmoide ou transverso. 
o Apêndice. 
o Divertículo de Meckel. 
- Colo pequeno – 30% de chance de estrangulamento (pois o orifício da 
hérnia é pequeno). 
- Tratamento: 
o É cirúrgico. 
o Reparo primário. 
o Sutura transversa do defeito. 
o Uso da tela – defeitos grandes. 
 
 
Paciente com hérnia de Spiegel bilateral (maior na direita) 
 
 
 Hérnias Diafragmáticas: 
- São hérnias congênitas e raras. 
- Incidência: 
o 1 para cada 2000 a 5000 neonatos. 
o Lado esquerdo: 80% dos casos (no lado direito tem o fígado, por isso 
não é tão comum). 
o Saco herniário: 20% dos casos (nas que não tem saco herniário pode 
formar tecido fibroso em volta davíscera). 
o 10% a 30% de mortalidade. 
- Congênitas: 
o Defeito de fechamento do canal pleuro-peritoneal. 
o Postero-lateral: Bochdalek (a mais comum). 
o Antero-Medial: Morgagni. 
o Hipoplasia pulmonar (o pulmão não se desenvolve no lado acometido 
pela hérnia). 
- Diagnóstico: 
o Diminuição do MV. 
o Desvio das bulhas cardíacas. 
o Roncos adventícios. 
o Retração do tórax no lado acometido pela hérnia (expande menos do 
que o lado normal). 
o Abdome escavado. 
o RHA no tórax. 
o Pode evoluir com Síndrome da Angústia Respiratória. 
o USG na 15ª semana de gestação. 
o Radiografia de tórax: 
o Alças intestinais no tórax. 
o Desvio do mediastino. 
- Diagnósticos Diferenciais: 
o Cisto adenomatoide. 
o Cisto Brongênico. 
o Eventração diafragmática. 
o Teratoma cístico. 
- Tratamento: 
o Fechamento Traqueal. 
- Tratamento cirúrgico: 
o Fechamento do defeito com sutura inabsorvível. 
o Uso de telas em cima do diafragma (obrigatório). 
 
 
Essa radiografia mostra um coração desviado, quase não tem parênquima 
pulmonar e também um desvio de traqueia 
Contraste oral mostra a víscera dentro do tórax 
Hérnia maciça que levou a uma hipoplasia do pulmão esquerdo (não se 
desenvolveu) 
 
 
 
 Hérnias Lombares: 
- São raras. 
- O trígono lombar inferior e superior são os locais de herniação/protusão. 
- Classificação: 
o Congênitas. 
o Adquiridas. 
o Superior (Grynfeit) – é a mais comum. 
o Inferior (Petit). 
 
- Trígono lombar inferior: 
o Borda do músculo oblíquo externo. 
o Borda anterior do músculo latíssimo do dorso. 
o Crista ilíaca. 
- Trígono lombar superior: 
o 12º arco costal. 
o Músculos paraespinais. 
o Fáscia interna do músculo oblíquo interno. 
 
 
- Incidência: as do trígono lombar superior são as mais comuns. 
- Tratamento: Aproximação dos planos musculares e tela de Marlex.

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