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Hérnias Definição: - A palavra é derivada do latim e significa “ruptura”. - É uma protusão anormal de um órgão ou tecido através das paredes que o cercam. - Dá pra ter hérnia de tudo e qualquer coisa desde que algum órgão vá parar onde ele não pertence. - Pode-se ter hérnia de cirstalina (olhos), de uncus (cérebro), muscular (falha na bainha que o reveste e fica querendo sair durante exercício físico intenso), etc. Hérnias de parede abdominal: - Evolução antropológica. - Um dos maiores motivos das hérnias abdominal acontecerem é o fato de os seres humanos terem assumido uma posição bípede, alterando assim seu centro de gravidade, mudando o centro de distribuição da pressão na parede abdominal, principalmente no andar inferior e na região inguinal. Tipos de Hérnias: - Hérnias de parede abdominal anterior: o Hérnia epigástrica; o Hérnia umbilical; o Hérnia de Spiegel; o Onfalocele; o Gastroesquise. - Hérnias inguinais. - Hérnias femorais. - Hérnias pélvicas (mais frequentes): o Obturadora; o Isquiática; o Perineal. Giovanna Lopes - Hérnias lombares (parede abdominal posterior - dorso): o Trígono Superior (Grynfeltt); o Trígono Inferior (Petit). A imagem mostra algumas falhas de onde podem surgir algumas hérnias. O local mais esperado é da cicatriz umbilical (os outros não são esperados). Apesar disso, a hérnia inguinal é a mais comum de todas as hérnias e tem uma incidência maior do que a hérnia de cicatriz umbilical Anatomia da parede abdominal: - Pele. - TCS (são tecidos conjuntivos organizados – não tem a finalidade de segurar e fazer tensão de nada no abdome): o Fáscia de Camper (mais externa). o Fáscia de Scarpa (mais espessa, tem coloração esbranquiçada e pode ser confundida com a aponeurose do músculo oblíquo). o Fáscia de Gallaudes (“fáscia inominada” – acaba sendo omitida de algumas literaturas). - Músculo oblíquo externo. - Músculo oblíquo interno. - Músculo transverso. - Fáscia transversalis (“fáscia endoabdominal” - abaixo do músculo transverso). - Gordura pré-peritoneal. - Peritônio. - Todos os músculos da parede anterolateral, quando vão se aproximando da borda lateral do músculo reto abdominal, vão perdendo as fibras musculares e vão se tornando aponeurose. - O músculo oblíquo externo, na porção da região inguinal, só há aponeurose, não há mais fibras musculares. - A aponeurose do músculo oblíquo externo tem uma falha no homem e na mulher e serve de abertura natural para passagens de estruturas do funículo espermático no homem e do ligamento redondo do útero na mulher. - O músculo oblíquo externo tem origem nas últimas costelas (da 5ª a 10ª costela + costelas flutuantes). Ele também possui fibras entremeadas com o músculo serrátil anterior que se divide entre a parede abdominal e tórax. Ele acaba se fundindo com as aponeuroses dos músculos oblíquo interno e transverso para formar as bainhas que vão revestir o músculo reto abdominal. Ele se insere na sínfise púbica e na espinha ilíaca anterossuperior. - Abaixo do oblíquo externo (fibras para baixo) há o músculo oblíquo interno com fibras de direção opostas (fibras para cima) as do externo, já que ele se origina da parte externa da crista ilíaca e sua parte final é basicamente aponeurose também, bem como próximo ao reto abdominal. A parte inferior do músculo oblíquo interno termina um pouco acima da região inguinal (não há fibra muscular fazendo o revestimento dessa região). Ele se insere na parte interna do gradio costal. - O músculo transverso se origina pela parte de dentro da crista ilíaca e tem fibras que se fundem com os músculos paraespinhais. Lembrando que as aponeuroses se fundem e formam as bainhas que vão revestir tanto anterior quanto posteriormente o reto abdominal. Os vetores das fibras do músculo externo e interno são opostos para que consigam estabilizar a coluna vertebral (além dos eretores da espinha e paraespinhais) A imagem mostra as intersecções tendíneas do músculo reto abdominal e transverso. No andar inferior, abaixo da cicatriz umbilical, as fibras da aponeurose fazem o revestimento só da parte anterior do reto e quem fica por trás é a fáscia transversalis. Assim, no andar inferior do músculo reto abdominal, fazendo o revestimento da parede abdominal inferiormente, não há a distribuição de posterior e anterior das aponeurose, sendo revestido nesse local apenas pela fáscia transversalis (fáscia endoabdmonial). Limites do canal inguinal. A região inguinal é desprovida de musculatura e quem reveste posteriormente é a fáscia transversalis. Essa área fica “enfraquecida” por conta disso, gerando herniações. À direita mostra a formação do ligamento inguinal, onde o músculo oblíquo externo chega até a sínfise púbica e da espinha ilíaca anterossuperior e faz uma reflexão (dobra) em cima de si próprio formando o ligamento inguinal (se insere na espinha ilíaca anterossuperior e na sínfise púbica) Mostra o envelopamento do músculo reto abdominal em razão das fibras não decussarem para a parte posterior da parede abdominal. Esse é o motivo de não se ver intersecção tendínea abaixo da cicatriz umbilical (o envelopamento esconde essas intersecções) Hérnias Inguinais – Canal Inguinal: - Espaço virtual de aproximadamente 4 cm. - Homem: funículo espermático. - Mulher: ligamento redondo do útero. - Possui um trajeto oblíquo. - Anel Oblíquo Superficial (falha no músculo oblíquo externo) e Profundo (falha dentro do músculo oblíquo interno, do músculo transverso e da fáscia transversalis) que circunda essa estrutura. - LIMITES: o Anterior (teto): aponeurose do músculo oblíquo externo. o Posterior (assoalho): fáscia transversalis. o Superior: borda inferior do músculo oblíquo interno. o Inferior: ligamento inguinal (reflexão da aponeurose) e ligamento pectíneo. Canal inguinal aberto. O anel inguinal externo (superficial) foi aberto e o desenho mostra a formação do anel inguinal profundo (fibras rosas e vermelhas) através das falhas dos músculos transverso e do oblíquo interno. De verde, o funículo espermático passando e o assoalho sendo formado pela fáscia transversalis, em azul. - O ligamento lacunar é a fusão do ligamento inguinal e do pectíneo. - Triângulo de Hesselbach – LIMITES: o Medial: borda do músculo reto abdominal. o Inferior: ligamento inguinal. o Superior: vasos epigástricos. - Triângulo de Hessert – LIMITES: o Superior: borda inferior do músculo oblíquo interno e arco do músculo transverso. Triângulo de Hesselbach - Hérnia Direta: Hérnias que estão contidas dentro do Triângulo de Hesselbach. Sai do assoalho, da parede posterior, do “chão” do canal inguinal, por isso são chamadas de diretas. - Hérnia Indireta: Hérnias que estão fora do Triângulo de Hesselbach ou lateralmente à ele. É uma hérnia que é oriunda da persistência do conduto peritoneovaginal. Protuem do anel inguinal interno. - Hérnia Mista: Começa como indireta e acaba evoluindo com um volume muito grande e destroi a parede do assoalho e não é possível distinguir se era direta ou indireta. - As hérnias do canal femoral e do canal obturador podem ser confundidas com as hérnias do canal inguinal. O conduto peritoneovaginal (onfalomesentérico) é uma comunicação entre a cavidade abdominal e a bolsa testicular com função, nos homens, para que o testículo que é formado junto ao rim migre até a bolsa testicular no período final de gestação. Algumas patologias mantêm esse conduto aberto e vísceras ali podem tentar passar. É a hérnia mais comum = indireta. Hérnias Inguinais - Inervação: - As hérnias normalmente são bastantes dolorosas, pois na região que as estruturas femininas e masculinas estão, há vários nervos passando ali, então qualquer protusão nesse local causa compressão do nervo, causando a dor. - Nervos: o Sensitivo do 12º nervo torácico e plexo lombar. oGenitofemoral (está dentro do funículo espermático no caso dos homens). o Ilioinguinal (em contato direto com o contéudo do canal inguinal) – inervação sensitiva – dor irradiada para a face interna da coxa ou para a bolsa escrotal. o Ilio-hipogástrico (em contato direto com o contéudo do canal inguinal). Hérnias Inguinais - Funículo ou Cordão Espermático: - Matriz do tecido conjuntivo (é o “cimento” que segura todas as estruturas dentro do funículo – estruma). - Ducto deferente. - Artérias: espermática, deferencial e cremastérica. - Veias correspondentes das artérias. - Plexo pampiniforme (sistema de drenagem venosa) – faz a drenagem de forma rápida e em uma temperatura otimizada, melhorando a espermatôgenese. - Nervos. - Recoberto por 3 túnicas (dartos, cremastérica e vaginal). Hérnias Inguinais - Incidência: - Estima-se: 5% da população. - 75% de todas as hérnias estão na região inguinal. - 2/3 são indiretas (protuem através da peristência do conduto peritoneovaginal – anel inguinal interno). - O lado direito é o mais acometido (a posição do sigmoide no lado esquerdo protege a região inguinal esquerda do desenvolvimento de hérnias com a persistência do conduto peritoneovaginal). - Hérnias diretas são mais raras. - Homens é 25x mais afetados do que mulheres. - Complicações pré-operatórias de 1 a 3% dos casos (encarceramento e estrangulamento ocorrem em poucos casos). Hérnias Inguinais - Etiologia: - Não obliteração do processo vaginalis (peristência do conduto peritoneovaginal). - Prematuridade. - Aumento da pressão abdominal (atividade física laborativa e recreativa). - Deficiência de colágeno (levam à fraqueza do anel e da parede posterior): o Ehrle-Danlos; o Marfan (causam hérnias diretas – bem raro). Hérnias Inguinais - Diagnóstico: - Dado pelo próprio paciente (“caroço na virilha” – de manhã, ao acordar, não tem nada, mas no decorrer do dia, conforme suas atividades do cotidiano, o caroço aumenta e doi). - Massa na região inguinal. - Dor e desconforto leves. - Pode ter outras causas de dores. - Exame Físico: o Ortostase (primeiro) e decúbito. o Manobra de Valsava. 1) Inspeção (assimetria da região inguinal comparando os 2 lados). 2) Palpação (começa no testículo – ver se o testículo está na bolsa escrotal, pois o caroço da virilha também pode ser o testículo – e vai até o canal inguinal). 3) Exploração digital (segue o canal inguinal com o dedo e palpa o anel inguinal externo). 4) Manobra de Valsava (tosse e sopro -> o paciente a executa enquanto o examinador está com o dedo no anel inguinal externo – observar se há protusão de massa no dedo – e depois sem o dedo na região – verificar abaulamentos olhando de longe). Hérnias Inguinais – Diagnóstico Diferencial: - Hidrocele (acúmulo de líquido – trauma, lesão linfática na bolsa escrotal). - Varicocele (varizes do plexo pampiniforme). - Testículo ectópico (o testículo não migrou para a bolsa escrotal – por isso a importância da palpação do testículo no exame físico). - Lipoma. - Hematoma. - Linfoma. - Aneurisma roto de artéria femoral. - As hérnias não são o único tipo de massa que aparece na região inguinal. Varicocele grau III – visível a olho nu Hérnias Inguinais – Exames Complementares: - Herniograma/Herniografia. - USG de partes moles com Doppler – o Doppler ajuda a fazer diagnóstico diferencial com lesão varicosa e aneurisma. - TC. - RNM para avaliar partes moles (padrão ouro). - O diagnóstico é clínico. - Esses exames também ajudam a fazer diagnóstico diferencial das massas na região inguinal. - A herniograma é um exame antigo e não se faz mais (puncionava-se a cavidade abdominal, jogava o contraste iodado e pedia para o paciente fazer a Manobra de Valsava – o contraste ia sendo jogado para o saco herniário). Hérnias Inguinais – Classificação de Nyhus: - É uma uniformização da termologia das hérnias, não define conduta. - É uma classificação dos tipos de hérnias. Hérnias Inguinais – Tipos de Hérnias: - Hérnia de Ritcher – só uma parte da alça é herniada, só a parede antemesentérica, e o paciente não tem alteração no trânsito intestinal, mas a alça que está herniada pode estrangular e encarcerar. - Hérnia de Amyand – o apêndice fica dentro do saco herniário. - Hérnia de Littré – um divertículo de Meckel fica dentro do saco herniário. Hérnias Inguinais – Complicações Pré-Operatórias: - Ulceração da pele – casos extremos. - Encarceramento – caso de urgência. - Estrangulamento – é uma hérnia que já estava encarcerada, mas demorou muito tempo (maior que uma média de 6 horas) e essa alça dentro do saco hernário entrou em sofrimento vascular (isquemia) – caso de emergência. - Obstrução intestinal. Caso de hérnia estrangulada. O saco herniário mostra um conteúdo vinhoso = líquido sero-hemorrágico oriundo da alça que estava estrangulada = fica transudando dentro do saco herniário = hérnia inviável. O procedimento é feito com a ressecção desse segmento de alça e uma anastomose termino- terminal para reestabelecer o trânsito intestinal Hérnias Inguinais – Tratamento: - Via de regra são de tratamento cirúrgico, com exceção da hérnia umbilical. - Existe um tratamento não cirúrgico, mas não está contido na literatura médica e existem literaturas que criticam esse tratamento. Consiste no uso das fundas cirúrgicas – “truss”. Existem as industriais e as artesanais, feito com couro, etc. Servem para “segurar” a hérnia enquanto a pessoa faz suas atividades. Risco de trombose de plexo pampiniforme e de artéria testicular, lesão nervosa, orquite e vários outros problemas, pois comprime o funículo espermático. É um uso off label. - O tratamento cirúrgico consiste em reparos teciduais, onde se usa a própria estrutura anatômica (aponeurose do músculo oblíquo externo, ligamento inguinal, fáscias...) para correção dos defeitos e em reparos com prótese e telas, que é bem recente (década de 70). - Tempos cirúrgicos comuns aos procedimentos: o Incisão da pele e subcutâneo. o Incisão da aponeurose do oblíquo externo. o Dissecção do anel inguinal superficial. o Isolamento do funículo espermático/ligamento redondo. o Dissecção e isololamento do saco herniário. o Tratamento do saco herniário. o Reforço da parede posterior. - Técnicas de reparo tecidual (problema grande de recidivas das hérnias): o Técnica de Bassini. o Shouldice I e II. o Marcy. o Nyhus. o Andrews-Ferguson. - O uso do tratamento com as próteses e telas reduziu bastante o número de recidivas das hérnias, então passou a ser o tratamento de escolha no lugar do reparo tecidual. Só se faz, hoje em dia, a técnica de reparo tecidual quando o paciente tem alergia ou complicações com a prótese. - No uso da prótese é obrigatório fazer antibioticoprofilaxia, pois a região inguinal é uma área potencialmente contaminada. - Também pode-se tratar sem precisar abrir o canal inguinal através da laparoscopia. Nesses casos, se faz um reparo pré-peritoneal com o uso de tela (reveste o canal femoral por dentro – inabsorvível – as alças fistulizam se entrarem em contato com a tela). Abordagem laparoscópica. Dissecção e abertura do espaço pré-peritoneal Técnica do reparo tecidual – Técnica de Bassini: usa só o músculo oblíquo externo e o ligamento inguinal (passa muito perto dos vasos ilíacos = não recomendado) Tempos cirúrgicos da hernioplastia – Técnica de Shouldice Reparo com tela – é o tratamento de escolha, os tempos cirúrgicos são iguais, mas na hora de usar as estruturas anatômicas para o reparo, utiliza- se a tela fixada, que faz o reparo e induz uma fibrose cicatricial, que é a responsável por ter recidiva da hérnia na região inguinal Hérnias Inguinais – Complicações Agudas: - Retenção urinária. - ITU. - Orquite ou orquite isquêmica (trombose de artéria testicular– testículo em sofrimento). - Infecção do sítio cirúrgico (comum no uso de telas). - Dor/neuralgia (a dor é menor quando se usa a prótese e a recuperação do paciente é mais rápida). - Essas complicações são relacionadas a bloqueio subaracnoide (peridural). - Algumas complicações são mais comuns a determinadas técnicas do que outras. Hérnias Inguinais – Complicações Tardias: - Seroma (mais comum em uso de prótese). - Orquite isquêmica (comum nas duas técnicas, mas vai muito da manipulação do cordão). - Infecções (comum em uso de próteses). - Dor crônica (depende da manipulação do ileoinguinal e o íleo-hipogastrio). - Recidiva (maior nos casos de reparo tecidual). Hérnias Femorais - Incidência: - É considerada uma hérnia rara. - Incidência de 4% da população. - É 4 vezes mais comum em mulheres do que nos homens (4/1) – mas a hérnia inguinal ainda ganha de ser a mais comum. - Mais comum após os 40 anos. - Risco de estrangulamento 10 vezes mais (o canal inguinal é extremamente pequeno, por isso tem mais chances de se apresentar estrangulado do que uma hérnia inguinal). - Tratamento: McWay, abordagem pré-peritoneal ou laparoscópico. - Delimitação: o Superior: Trato ileopúbico. o Inferior: Ligamento de Cooper (ligamento pectíneo). o Lateral: Veia femoral. o Medial: Inserção do trato ileopúbico no ligamento de Cooper (ligamento lacunar). - O canal femoral passa abaixo do ligamento inguinal. Alça intestinal estrangulada através do anel femoral As chances de lesões vasculares são muito maiores na hérnia femoral. Sempre que for tratar, deve-se isolar a veia O tratamento consiste em colocar a alça herniada para dentro, fecha o canal femoral, pega o ligamento inguinal e o pectíneo e faz uma bolsa de tabaco fechando ele e usando esses ligamentos como reparo Como tratamento, também pode-se colocar um chumaço de prótese e colocar dentro do canal femoral Também pode-se colocar uma gaze úmida fazendo a aproximação do ligamento pectíneo (de Cooper) e do ligamento inguinal (de Poupart) Hérnias Umbilicais: - Defeito congênito: o Fechamento espontâneo até 2 anos (é a única hérnia que consegue fechar espontaneamente). o Após 5 anos – tratamento cirúrgico. - Adultos – 3ª causa mais comum de hérnia: o Gravidez. o Obesidade. o Ascite (pacientes hepatopatas). - Tratamento: o Em crianças: é conservador (até os 5 anos só observa) ou cirúrgico (se a hérnia não obliterou sozinha até os 5 anos). o Em adultos: se o cólon for pequeno e não tiver espaço para passar nada é conservador (só observa), mas se o paciente tiver risco de complicações (paciente tabagista, paciente com tosse crônica – podem protuir a hérnia e encarcerar mais facilmente), é indicado a cirurgia não importa o tamanho. Hérnia em um bebê Hérnia umbilical volumosa em um adulto. Provavelmente, o paciente não quis tratar e o anel umbilical foi alargando Casos extremos de hérnia umbilical Uso de Funda Umbilical. É uma medida não cirúrgica e não indicada pela literatura para conter as hérnias umbilicais O tratamento cirúrgico consiste em fazer a ressecção do saco herniário e corrigir o defeito Técnica de reparo que faz a sobreposição das camadas da cicatriz umbilical. Ponto em U abaixo da borda da ressecção do anel umbilical e depois faz um chuleio simples entre essas camadas interpostas Também é possível usar prótese na hérnia umbilical, tanto por videolaparoscopia (por dentro da cavidade abdominal) quanto aberta (por fora da cavidade abdominal) Onfalocele: - Defeito da fáscia endoabdominal. - Defeitos na formação da parede abdominal do feto, a qual não se fechou completamente e causa a protusão do tecido amniótico. - O saco herniário sai do umbigo. - Saco membranoso: o Camada amniótica. o Camada peritoneal. - Maior que 4 cm. - Associada a outras patologias (como a Tetralogia de Fallot – grande defeito do septo ventricular, obstrução da via de saída do ventrículo direito, estenose da valva pulmonar, hipertrofia ventricular direita e excesso de “cavalgamento” da aorta). - O diagnóstico é feito através da USG fetal e da RNM (quando existe dúvida diagnóstica durante a realização do USG fetal). - O tratamento consiste em devolver as vísceras para a cavidade e fechar. Consiste em manter a membrana íntegra, fazer compressas úmidas (pois pode ressecar se tiver exposta ao ar ambiente), fazer antibiótico (evitar infecções), controlar a temperatura (o RN pode fazer hipotermia facilmente), aproximação primária e silagem (colocar algo ao redor do saco herniário para evitar uma desidratação e um rompimento do saco e exposição da alça). Sempre tentam reforçar a região usando gaze ou compressa para que a alça não fique pendurada e sofra isquemia - Complicações: Necrose intestinal e infecção intracavitária. Gastroesquise: - Defeito de parede à direita do umbigo. - Ausência da membrana: o Alças com edema. o Alças com espessamento. - Pouca relação com outras má-formações. Diferença entre uma onfalocele à esquerda (preservação do saco membranoso) e uma gastroesquise à direita (sem saco membranoso, alças para fora). Não pode reduzir a gastroesquise de uma vez, pois as alças intestinais podem impedir o movimento do diafragma da criança, prejudicando sua ventilação - Tratamento: o Hidratação (já que não tem nada protegendo as alças, a criança perde líquido para o meio externo). o Prevenir infecções. o Silagem / bolsa com solução salina. o Cateter nasogástrico. o Redução de 5 a 7 dias (se ficar muito tempo fora da cavidade pode levar a uma necrose de alça intestinal). o Sedação. o Nutrição parenteral. o Ressecção de alças necrosadas (se necessário). Silagem de uma gastroesquise. Na parte de cima, há um orifício que fica caindo soro na alça e impede uma maior desidratração Hérnias Incisionais: - É uma complicação cirúrgica pós-operatória na incisão que foi feita. - Incidência: o 15 a 20%. o Mulheres 2:1 Homens. o Mais comuns nas incisões medianas (em razão da distribuição da força). o Infecções com 2 vezes mais incidência. - Etiologia: o Obesidade. o Idade avançada. o Apneia do sono. o Enfisema (tabagismo). o Prostatismo. o Infecções de ferida operatória. Hérnia de incisão de McBurney (apendicite) Hérnia no local de passagem de dreno em toracotomias medianas e esternotomia para cirurgias cardíacas (hérnia epigástrica incisional) Hérnia mediana supraumbilical Hérnias Epigástricas: - São hérnias raras. - Tem uma taxa de recidiva que é considerável. - Incidência: o 3 a 5%. o 2 a 3 vezes mais frequente em homens. o 5 a 6 cm acima do umbigo. - Diagnóstico: o Quadro álgico se deve ao encarceramento de gordura pré- peritoneal. o Diferencial com lipoma. - Tratamento: o Reparo de Mayo. o Uso de tela de Marlex. Hérnia de Spiegel: - Defeito na aponeurose Spigeliana: o Linha semilunar (fica na borda lateral do músculo reto abdominal). o Abaixo da linha arqueada de Douglas. o Acima dos vasos epigástricos inferiores. o 9ª costela – espinha púbica. - Incidência: na 4ª a 7ª década de vida. - Diagnóstico: é clínico, mas pode-se fazer uso de USG e TC. - Pode conter vísceras ocas: o Cólon sigmoide ou transverso. o Apêndice. o Divertículo de Meckel. - Colo pequeno – 30% de chance de estrangulamento (pois o orifício da hérnia é pequeno). - Tratamento: o É cirúrgico. o Reparo primário. o Sutura transversa do defeito. o Uso da tela – defeitos grandes. Paciente com hérnia de Spiegel bilateral (maior na direita) Hérnias Diafragmáticas: - São hérnias congênitas e raras. - Incidência: o 1 para cada 2000 a 5000 neonatos. o Lado esquerdo: 80% dos casos (no lado direito tem o fígado, por isso não é tão comum). o Saco herniário: 20% dos casos (nas que não tem saco herniário pode formar tecido fibroso em volta davíscera). o 10% a 30% de mortalidade. - Congênitas: o Defeito de fechamento do canal pleuro-peritoneal. o Postero-lateral: Bochdalek (a mais comum). o Antero-Medial: Morgagni. o Hipoplasia pulmonar (o pulmão não se desenvolve no lado acometido pela hérnia). - Diagnóstico: o Diminuição do MV. o Desvio das bulhas cardíacas. o Roncos adventícios. o Retração do tórax no lado acometido pela hérnia (expande menos do que o lado normal). o Abdome escavado. o RHA no tórax. o Pode evoluir com Síndrome da Angústia Respiratória. o USG na 15ª semana de gestação. o Radiografia de tórax: o Alças intestinais no tórax. o Desvio do mediastino. - Diagnósticos Diferenciais: o Cisto adenomatoide. o Cisto Brongênico. o Eventração diafragmática. o Teratoma cístico. - Tratamento: o Fechamento Traqueal. - Tratamento cirúrgico: o Fechamento do defeito com sutura inabsorvível. o Uso de telas em cima do diafragma (obrigatório). Essa radiografia mostra um coração desviado, quase não tem parênquima pulmonar e também um desvio de traqueia Contraste oral mostra a víscera dentro do tórax Hérnia maciça que levou a uma hipoplasia do pulmão esquerdo (não se desenvolveu) Hérnias Lombares: - São raras. - O trígono lombar inferior e superior são os locais de herniação/protusão. - Classificação: o Congênitas. o Adquiridas. o Superior (Grynfeit) – é a mais comum. o Inferior (Petit). - Trígono lombar inferior: o Borda do músculo oblíquo externo. o Borda anterior do músculo latíssimo do dorso. o Crista ilíaca. - Trígono lombar superior: o 12º arco costal. o Músculos paraespinais. o Fáscia interna do músculo oblíquo interno. - Incidência: as do trígono lombar superior são as mais comuns. - Tratamento: Aproximação dos planos musculares e tela de Marlex.