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AULA 04 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TERAPIA COGNITIVO-
COMPORTAMENTAL PARA 
DEPENDÊNCIA QUÍMICA E 
ADICÇÕES CONTEMPORÂNEAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Silvia Helena Brandt 
 
 
2 
TEMA 1 – PRINCÍPIOS DA TCC 
De acordo com Beck (2014), a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) 
tem sido a escolha preferencial para muitos tratamentos, porque reduz 
rapidamente o sofrimento, encaminha as pessoas para a remissão e auxilia a 
manutenção dos resultados positivos. É uma técnica estruturada, focada na 
solução dos problemas por meio da modificação de pensamentos e 
comportamentos. 
A TCC pode ser aplicada aos mais diversos públicos, com diferentes 
níveis de educação, renda, cultura, idades e vindos de grupos de 
representações sociais distintos. É uma técnica de curta duração que pode ser 
realizada de forma individual, em grupo, com o casal ou a família. 
Beck (2014, p. 27-33) estabelece que a TCC se baseia em 10 princípios: 
1. Baseia-se em uma formulação em desenvolvimento contínuo do problema 
e na conceituação individual 
As crenças não são estáticas, elas podem se alterar com o tempo, bem 
como se fortalecer ou não, de acordo com as vivências atuais da pessoa. 
Cada pessoa tem um modo único de compreender o mundo e associá-lo 
às suas crenças, as quais foram criadas a partir de seu olhar e de sua 
vivência única. 
O terapeuta deve auxiliar o paciente a identificar os pensamentos 
associados ao afeto desencadeados pelo problema atual, a avaliar e 
formular respostas mais funcionais para a situação que se apresenta. 
2. Aliança terapêutica 
O terapeuta deve primar por uma relação de empatia com o paciente, pois o 
vínculo é muito importante para o bom desenvolvimento do processo 
terapêutico. 
Assim, é importante que o profissional ouça atentamente e resuma os 
pensamentos e sentimentos do paciente, agindo com afeto, empatia, 
atenção, interesse genuíno e competência. 
3. Colaboração e participação ativa 
A TCC prioriza a autonomia do paciente, por isso, embora o processo 
terapêutico se inicie com a condução do terapeuta, à medida que o 
paciente se desenvolve, ele passa a ser incentivado a ter um papel ativo 
 
 
3 
na definição da estrutura das sessões, indicando, por exemplo, o que 
trabalhar em cada sessão, a frequência dos encontros e as tarefas de 
casa. 
4. Orientação para objetivos e foco no problema 
É preciso enumerar os problemas e estabelecer os objetivos e, para isso, o 
terapeuta pode usar as técnicas do exame de evidências e dos 
experimentos comportamentais. 
5. Foco no presente 
O foco deve ser nos problemas que se apresentam no momento atual e em 
situações específicas que são angustiantes. 
6. Educativa 
Ensinar o paciente a ser seu próprio terapeuta e enfatizar a prevenção à 
recaída. Para tanto, o profissional explica como funciona o modelo 
cognitivo, e como ele influencia o comportamento. O terapeuta também 
auxilia o paciente a identificar e avaliar pensamentos e crenças, planejar 
mudanças e definir objetivos. 
7. Tempo determinado 
É preciso pensar em conjunto com o paciente qual será o tempo necessário 
para que seja atingido o objetivo de modificação das crenças 
disfuncionais e dos padrões de comportamento que contribuem para o 
sofrimento crônico. 
8. Sessões estruturadas 
É preciso seguir uma estrutura em cada sessão, pois isso maximiza a 
eficiência e a eficácia. Pode-se dividir cada uma em três partes: 
• Introdutória: verifica-se o humor do paciente, recapitula-se de modo rápido 
a semana e define-se, em conjunto, qual problema será trabalhado na 
sessão. 
• Intermediária: avalia-se a tarefa de casa, discute-se o problema da tarefa 
de casa e todo o elencado na parte introdutória e ainda são feitos 
resumos. 
• Final: feedback. 
 
 
4 
9. Ensinar o paciente a identificar, avaliar e responder aos pensamentos e 
às crenças disfuncionais 
Cada dia pode ser inundado com pensamentos disfuncionais que afetam o 
humor, o que, por sua vez, impacta o comportamento e/ou a fisiologia. 
Além de auxiliar a identificar e avaliar, o terapeuta ensina o paciente a fazer 
isso. 
10. Variadas técnicas para mudar pensamento, humor e comportamento 
Podem ser utilizadas técnicas de outras abordagens que serão escolhidas a 
partir do perfil e da necessidade do paciente. 
TEMA 2 – MODELO COGNITIVO 
Para Beck (2014), esse modelo tem como base o pensamento 
disfuncional, o qual influencia o humor e demais pensamentos do paciente. 
Ensina-se o paciente a avaliar seus pensamentos de forma mais realista e 
adaptativa, a fim de se obter uma melhora em seu estado emocional e no 
comportamento. 
Podem ser utilizadas técnicas de outras abordagens, como role play, 
dramatizações do psicodrama, análise comportamental, entre outras, que serão 
escolhidas a partir do perfil e das necessidades do paciente. 
O que determina a característica e a qualidade dos sentimentos é a forma 
como a pessoa compreende os fatos vistos ou experenciados. Um pensamento 
automático é criado a partir de crenças que vão sendo enraizadas na 
constituição do repertório das pessoas desde tenra idade, por meio dos grupos 
dos quais fez parte, e vão sendo mantidas ou ressignificadas, a partir das 
experiências atuais, com os grupos com que se relaciona na atualidade. 
Figura 1 — Formação e impacto dos pensamentos automáticos 
Situação/evento 
↓ 
Pensamentos automáticos 
↓ 
Reação (emocional, comportamental, fisiológica) 
Fonte: Beck (2014, p. 67). 
O que a pessoa sentirá, em determinado evento ou situação, não é 
definido pelo fato em si, mas pela forma como a pessoa faz a leitura do que viu 
ou viveu. Essa interpretação se dá de forma individual e única, pois é feita a 
 
 
5 
partir do “filtro” de cada um, ou seja, da maneira como ela compreende o mundo, 
o que passa tanto pelas reações fisiológicas próprias quanto pelas crenças 
pessoais que carrega consigo desde tenra infância. 
Judith Beck (2014) exemplifica solicitando que o leitor perceba que, 
enquanto está lendo (esta apostila, por exemplo), há dois níveis de pensamento. 
Ela afirma que parte da mente do leitor fica no que está lendo, a fim de entender 
e processar as informações. No outro nível, podem estar acontecendo 
pensamentos automáticos, que são rápidos e breves e aparecem de maneira 
espontânea, sem a necessidade do raciocínio; é como se já estivessem lá e 
simplesmente aparecessem agora em flashs que talvez nem se transformem em 
palavras e se façam intelectíveis, mas que motivam emoções, que por sua vez 
geram comportamentos. Mesmo que a pessoa esteja consciente do pensamento 
que “apareceu”, é muito mais provável que o aceite como verdade, porque de 
alguma forma se sente familiar a ele. 
De forma geral, as pessoas não costumam identificar os pensamentos 
automáticos, mas sim as alterações de humor ou no corpo. No entanto, em um 
momento de reflexão, podem contornar o pensamento automático e retornar à 
atividade de forma produtiva. Porém, aquelas que se encontram em sofrimento 
podem não conseguir fazer essa pausa para reflexão e “embarcar” no 
pensamento, tornando seu sentimento e seu comportamento disfuncionais. 
A TCC auxilia a pessoa a identificar e a avaliar seus pensamentos 
automáticos, de forma estruturada e consciente para que possa, então, utilizar 
pensamentos mais adaptados ou racionais. 
O pensamento automático pode aparecer em diversos momentos: durante 
o evento; em uma reflexão sobre eventos passados; quando está pensando 
sobre eventos futuros ou ainda em um julgamento do modelo cognitivo (quando 
por ex uma raiva gera outra emoção – “nossa eu não posso me sentir assim”, 
“eu não posso pensar isso”). Esses pensamentos automáticos simplesmente 
aparecem na cabeça, são rápidos e involuntários. Podendo surgir em forma de 
frases ou imagens. 
 
 
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Quadro 1 — Resumo de técnicas para identificar pensamentos automáticos 
TÉCNICAS PARA EVOCAR PENSAMENTOS AUTOMÁTICOSPergunta básica: 
 
O que estava passando pela minha cabeça naquele 
momento? 
 
 
Para identificar pensamentos automáticos: 
1. Faça essa pergunta quando você notar uma alteração no (ou intensificação do) afeto do 
paciente durante uma sessão. 
2. Peça para o paciente descrever uma situação problemática ou um momento durante o 
qual ele vivenciou uma alteração no afeto e então faça a pergunta básica. 
3. Se necessário, faça o paciente usar imagens mentais para descrever em detalhes a 
situação ou o momento específico (como se estivesse acontecendo agora) e depois 
faça a pergunta básica. 
4. Se for preciso ou indicado, peça ao paciente para dramatizar uma interação específica 
com você e depois faça a pergunta básica. 
 
Outras perguntas para evocar pensamentos automáticos: 
1. Em que você acha que estava pensando? 
2. Você acha que poderia ter pensado sobre ______ ou ______? (O terapeuta apresenta 
duas possibilidades plausíveis.) 
3. Você estava imaginando alguma coisa que poderia acontecer ou lembrando de alguma 
coisa que aconteceu? 
4. O que essa situação significou para você? (Ou sobre você.) 
5. Você estava pensando ______? (O terapeuta apresenta um pensamento oposto à 
resposta esperada.) 
Fonte: Beck (2014). 
Figura 2 — Pensamentos e emoções 
 
Pensamentos são IDEIAS: 
 
 
 
Emoções são SENTIMENTOS: 
 
 
 
Fonte: elaborada pelo autor. 
Às vezes perguntamos ao paciente: “como você se sentiu? ”, e ele 
responde com um pensamento em vez de uma emoção: “senti que foi injusto”. 
“sem a droga não consigo fazer amigos” 
“as pessoas podem ou vão me julgar” 
“estou triste, chateado” 
“ansioso, preocupado” 
“raivoso, irritado” 
“enciumado, invejoso” 
“culpado, envergonhado” 
 
 
7 
É baseado nesse pensamento que se investiga a emoção. Sobre isso, Beck 
(2014, p. 214) afirma que: 
Embora pareça que os pensamentos automáticos surjam 
espontaneamente, eles se tornam bem previsíveis depois que as 
crenças subjacentes do paciente são identificadas. Você está 
interessado em identificar esses pensamentos que são disfuncionais – 
isto é, aqueles que distorcem a realidade, são emocionalmente 
angustiantes e/ou interferem na capacidade do paciente de atingir seus 
objetivos. Os pensamentos automáticos disfuncionais são quase 
sempre negativos, a menos que o paciente seja maníaco ou 
hipomaníaco, tenha personalidade narcisista ou abuse de substâncias 
químicas. 
TEMA 3 – CRENÇAS NUCLEARES 
Esse é o entendimento mais básico que as pessoas têm sobre o EU, 
sobre o mundo, sobre o futuro. As crenças nucleares são construídas a partir 
das relações que a pessoa tem desde seu nascimento. 
As crenças que não atuam de forma positiva e funcional geram os 
pensamentos automáticos disfuncionais, que levam a reações disfuncionais, ou 
seja, reações exageradas, fora de contexto. Essas situações geralmente pioram 
ou mantêm o transtorno ou a dificuldade da pessoa. 
A princípio, o foco da terapia será nos pensamentos automáticos e, aos 
poucos, devem ser identificadas as crenças nucleares para que possam ser 
avaliadas e ressignificadas. 
Beck (2014, p. 73) nos informa que as crenças nucleares influenciam o 
aparecimento da categoria de crenças intermediárias, “que são as atitudes, as 
regras e os pressupostos”. 
 
Essas crenças influenciam a sua visão, que, por sua vez, influencia 
como ele pensa, sente e se comporta. A relação entre essas crenças 
intermediárias e os pensamentos automáticos é descrita abaixo: 
 
Crenças nucleares 
 
 
Crenças intermediárias 
(regras, atitudes, pressupostos) 
 
 
Pensamentos automáticos 
(Beck, 2014, p. 73) 
As crenças surgem de diferentes fontes: 
 
 
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• Grupos primários: família (linguagem e ações), escola, grupos dos quais o 
indivíduo fez parte na infância etc. 
• Fatores de aprendizagem: filmes, livros, música, anúncios, padrões 
estabelecidos socialmente etc. 
• Fatores externos: cultura e sociedade na qual se está inserido. 
condicionamento social (em média, as cinco pessoas mais próximas, além 
do meio à sua volta, sem que haja escolha consciente), alinhamento 
social (as pessoas com as quais se convive por escolha). 
• Vivências: experiências ao longo da vida, tanto positivas quanto 
negativas, as que foram vividas e as que se deixou de viver. 
São essas fontes que geram os pensamentos automáticos e que fazem 
com que cada pessoa tenha sua maneira particular de agir frente às situações. E 
isso acontece porque a história de vida de cada pessoa é única. 
As crenças mais significativas são normalmente disfuncionais, negativas, 
rígidas e generalizantes. Quando elas são muito disfuncionais, causam 
sofrimento e, por isso, se desenvolvem suposições e regras que justificam essas 
crenças e estratégias compensatórias que visam diminuir o encontro com essas 
crenças. 
Um exemplo disso é o seguinte pensamento: “sou fracassado”, que se 
relaciona com a suposição: “se eu falhar, minha mãe vai achar que sou 
fracassado”. Assim, a pessoa desenvolve uma estratégia compensatória de fuga 
com o uso de substância psicoativa e, se antecipo, pois, dessa forma, não 
precisa provar que pode ser melhor do que ela pensa. 
Quadro 2 — Tipos de crenças comuns 
Esquema de crenças: 
Desamparo: incapaz de fazer as coisas, de ser frágil, vulnerável, de se proteger física ou 
psicologicamente: sou incapaz, não tenho jeito, não tenho controle... 
Desamor: acredita que há algo com ela que dificulta receber amor dos outros: não me encaixo, 
sou desinteressante, não sou amável, os outros não gostam de mim, não vão gostar de mim. 
Desvalor: pensa que é moralmente ruim, como se algo dentro dela fosse inaceitável: sou má, 
não presto, sou ruim, sou tóxica, sou um perigo para os outros, sou um animal 
Também podem ser sobre o mundo e as outras pessoas: os homens são todos ruins, são 
todos safados, o mundo é um lugar perigoso, o futuro será muito ruim. 
Fonte: elaborado pelo autor. 
 
 
9 
A crença deve ser definida pela utilidade: se for útil, ela é mantida, mas se 
for limitante, deve ser ressignificada. 
Há dois tipos de crenças: limitantes e fortalecedoras. Não existe certo ou 
errado, há o que funciona para a pessoa ou não. 
Para mudar as crenças, é necessário identificar quais são elas, escrevê-
las, pensar em novas crenças para colocar no lugar, modificar o comportamento, 
escrever como será a nova realidade com a nova crença e eliminar as 
anteriores. Nesse processo, é importante cuidar para não generalizar. Assim, 
evite termos como: nunca, sempre, odeio, não posso, não consigo, impossível. 
TEMA 4 – COMO QUEBRAR O PADRÃO AUTOMÁTICO DE PENSAR 
Como vimos até aqui, as crenças geram alguns padrões comportamentais 
que se repetem todos os dias, sem que se reflita a respeito – são os padrões 
automáticos: a pessoa age como se as coisas acontecessem para ela, não como 
se ela fosse parte autora dos fatos. 
Por isso, então, é importante reconhecer tais crenças que movem o dia a 
dia da pessoa e passar a refletir sobre elas, descobrindo o que é realmente 
importante para que os comportamentos sejam funcionais. 
Passos: 
1. Reconhecer as crenças pessoais. 
2. Entender como elas motivam e influenciam os comportamentos. 
3. Ressignificá-las. 
Alguns questionamentos podem ser úteis para identificar o padrão 
automático de pensamento, como os seguintes, elaborados por Beck (2014, 
p. 65): 
• Qual o diagnóstico do paciente? 
• Quais são seus problemas atuais? Como esses problemas se 
desenvolveram e como são mantidos? 
• Que pensamentos disfuncionais e crenças estão associados aos 
problemas? Que reações (emocionais, fisiológicas e 
comportamentais) estão associadas a esses pensamentos? 
• Como o paciente vê a si mesmo, os outros, seu mundo pessoal e 
seu futuro? 
• Quais são as crenças subjacentes do paciente (incluindo atitudes, 
expectativas e regras) e pensamentos? 
• Como o paciente está enfrentando suas cognições disfuncionais? 
• Que estressores (precipitantes) contribuíram parao 
desenvolvimento dos seus problemas psicológicos atuais ou 
interferem na resolução desses problemas? 
 
 
10 
• Se relevante, que experiências anteriores podem ter contribuído 
para os problemas atuais do paciente? Que significado o paciente 
extraiu dessas experiências e que crenças se originaram delas ou 
foram fortalecidas por essas experiências? 
• Se relevante, que mecanismos cognitivos, afetivos e 
comportamentais (adaptativos ou desaptativos) o paciente 
desenvolveu para enfrentar essas crenças disfuncionais? 
Ainda de acordo com Beck (2014, p. 219), 
a habilidade para aprender a identificar os pensamentos automáticos é 
análoga a aprender qualquer outra habilidade. Alguns pacientes (e 
terapeutas) conseguem fazer com facilidade e rapidez; outros precisam 
de muito mais orientação e prática para identificar pensamentos e 
imagens automáticas. A pergunta básica que você deve fazer é: O que 
estava passando pela sua cabeça? 
Por fim, trazemos um exemplo de situação que pode desencadear um 
pensamento automático que leva a uma emoção negativa. 
Situação: Um conhecido conta que ganhou uma promoção 
 
Pensamento automático: Nunca serei reconhecido profissionalmente 
 
Emoção: Revolta 
 
O despertar cognitivo ocorre, então, mediante os seguintes passos: 
1. Veja 
2. Ouça 
3. Sinta 
4. Prove 
5. Toque 
6. Conexão com a natureza 
7. Imersão total 
TEMA 5 – CONTROLANDO EMOÇÕES 
Para a TCC, o principal objetivo é o alívio dos sintomas. Por isso, no 
tratamento da dependência química, busca-se conquistar e manter o estado de 
abstinência. 
As emoções, em especial as negativas, interferem na capacidade de 
raciocínio da pessoa. Pacientes psiquiátricos, de acordo com Beck (2014), 
 
 
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podem vivenciar emoções de forma tão intensa que podem parecer, aos olhos 
de quem acompanha externamente, que tanto essas emoções quanto as 
demonstrações são exageradas e inadequadas. 
Ao avaliar as emoções junto ao paciente, é necessário que o terapeuta as 
acolha sem julgamento, sendo empático, colocando o foco nos pensamentos e 
nas crenças que geram tais emoções. 
As emoções são estados emocionais passageiros e transitórios, nada 
mais do que reações bioquímicas geradas a partir de pensamentos automáticos 
e crenças. E é importante que o paciente possa chegar ao ponto de reconhecê-
las. Para isso, muitas vezes, é preciso aprender a nomeá-las, depois 
compreender a diferença entre o ser e o estar: “eu SOU ansiosa” ou “eu ESTOU 
ansiosa”? 
Existem algumas técnicas para mudar os estados emocionais: 
Modelagem 
Pedir para o paciente escolher uma pessoa que admire e que tenha o 
estado emocional que gostaria de ter para ser seu modelo de comportamento. 
Essa técnica auxilia de forma prática o aprendizado de um novo modelo 
comportamental, que gerará novas respostas do meio em que o paciente vive, 
as quais, podem ser positivas, o que reforça o novo comportamento, tornando-
se, a médio e longo prazo, parte integrante do repertório do paciente. 
 
-> fingir até que seja 
Associação emocional 
Estabelecer âncoras (um movimento, uma imagem ou um som, por 
exemplo) e associá-las a emoções a fim de que, quando necessário, use desse 
recurso para lembrar do estado emocional que deseja alcançar. 
Engenharia reversa emocional 
Uma técnica que, assim como a modelagem, busca alterar as emoções 
de fora para dentro. Consiste em treinar o paciente para ter uma 
ação/comportamento contrária ao que teria no momento que algo lhe despertar 
uma emoção negativa: Teve vontade de brigar ou chorar, force o sorriso. Assim, 
 
 
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o cérebro entenderá o movimento do sorriso e passará a liberar substâncias 
bioquímicas que o farão sentir-se bem. 
Solicitar ao paciente que pense em uma linguagem corporal específica 
para usar de âncora: criar uma linguagem corporal que o leve a lembrar de um 
estado de empoderamento do Eu, que garantirá manter-se atuando a partir de 
comportamentos funcionais. 
Movimento 
• Atividades físicas – acelera o metabolismo, libera substâncias bioquímicas 
de prazer. 
• Atividades Sociais – interação, socialização. 
A participação social é um processo organizado, coletivo, livre, 
inclusivo, no qual há uma variedade de atores, de atividades e de graus 
de compromisso, que está orientado por valores e objetivos 
compartilhados, em cuja realização se produzem transformações 
comunitárias e individuais. (Montero, 2004, p. 109) 
O dependente químico que busca estabilizar-se na abstinência pode 
encontrar na participação em atividades sociais motivação para sua mudança de 
comportamento, isso porque ele passa por um processo de ressignificação de 
crenças nucleares. 
Lista pessoal 
Listar músicas, livros, filmes, passeios, atividades físicas, entre outros 
elementos que disparam emoções de poder, controle, bem-estar, 
felicidade influencia as emoções e pode ser fonte de reflexão, gerando novas 
formas de pensar sobre si e o mundo, ressignificando crenças, bem como serve 
de âncoras em momentos de estresse. 
Passado gera nostalgia 
Futuro gera ansiedade 
Viva no presente! 
 
 
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REFERÊNCIAS 
BECK, J. S. Terapia cognitivo-comportamental: teoria e prática. 2. ed. Porto 
Alegre: Artmed, 2014. 
MONTERO, M. (2004). Introducción a la psicología comunitaria: desarollo, 
conceptos y processos. Buenos Aires: Paidós.

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