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AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO 
PSICOPEDAGÓGICA 
INSTITUCIONAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Ana Paula Picheth 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Estamos num momento da disciplina em que já ficou evidente a ação 
prática do psicopedagogo institucional. Seguimos uma ordem que privilegiou 
conhecer o papel e as modalidades da psicopedagogia no meio institucional, 
assim como nos apropriamos de conceitos-chave de uma proposta de avaliação 
e intervenção psicoeducacional na instituição. Dos saberes sobre a queixa, 
passando pelos obstáculos do aprender, enquadramento, observação dinâmica e 
temática e cone invertido, iniciamos na aula 4 os estudos sobre quais seriam os 
instrumentos que podem auxiliar na investigação diagnóstica. 
Teremos, nesta aula, a continuidade das referências sobre esses 
instrumentos, chegando até a análise dos dados e, por fim, a devolutiva, processo 
que permitirá detectar a causa dos sintomas apresentados e propor alternativas 
de melhoria dos aspectos que necessitem de intervenção. 
CONTEXTUALIZANDO 
Quando uma instituição busca apoio no trabalho do psicopedagogo, tem 
como expectativa encontrar respostas e possíveis soluções para as causas que 
estão impendido aquele grupo de obter os resultados esperados ou entender por 
que os estes estão aliados a processos desgastantes, morosos e sem efetividade. 
É uma tarefa de grande responsabilidade indicar intervenções e ainda 
respeitar a realidade e as possibilidades que o grupo conseguirá absorver, 
promovendo transformação. Um bom aliado nessa construção é o respaldo 
técnico de se instrumentalizar com a coleta dos dados obtidos na avaliação, 
realizando uma análise justa e compatível com o que revelaram os instrumentos 
investigativos, assim como escrever um informe que permita a clareza e a 
assertividade da devolutiva, sendo essa o marco que encerra uma etapa do 
trabalho psicopedagógico institucional e pode iniciar o seguinte, que é o da 
intervenção. 
 
 
 
3 
TEMA 1 – INSTRUMENTOS DE INVESTIGAÇÃO 
1.1 Técnicas projetivas 
As técnicas projetivas são instrumentos utilizados no contexto 
psicopedagógico como um meio de análise do sistema de hipóteses e que devem 
ser aplicadas quando há suspeita de implicações emocionais ou de vínculos 
negativos com a aprendizagem. 
Por meio das técnicas projetivas, definidas como desenhos específicos que 
objetivam sondar aspectos vinculares do sujeito, pretende-se que haja a 
manifestação do inconsciente, sem medos e/ou repressões. 
As técnicas projetivas expressam uma realidade subjetiva relacionada com 
a vivência particular do indivíduo. Não se trata da realidade como ela é, e sim da 
realidade que o sujeito vê. As provas projetivas devem ser adaptadas ao tipo de 
investigação que se pretende realizar e com a especificidade do indivíduo. 
Segundo Visca (2008), as técnicas projetivas psicopedagógicas têm como 
objetivo investigar a rede de vínculos que um sujeito pode estabelecer em três 
grandes domínios: o escolar, o familiar e consigo mesmo. Em todos eles, o que 
interessa ao psicopedagogo é o vínculo com as situações de aprendizagem. 
Tabela 1 — Técnicas projetivas psicopedagógicas descritas por Visca: 
Domínio Técnica O que investiga Idade 
Escolar Par educativo O vínculo de aprendizagem 6/7 anos 
Escolar 
Eu com meus 
colegas 
O vínculo com os colegas de sala de 
aula 
7/8 anos 
Escolar 
A planta da sala 
de aula 
A representação do campo geográfico 
da sala e suas localizações, real e 
desejada 
8/9 anos 
Familiar 
A planta da 
minha casa 
A representação do campo geográfico 
do lugar em que mora e a localização 
real dele 
8/9 anos 
Familiar 
As quatro partes 
de um dia 
Os vínculos ao longo de um dia 6/7 anos 
Familiar 
Família 
educativa 
O vínculo de aprendizagem com o 
grupo familiar e com cada um dos seus 
integrantes 
6/7 anos 
Consigo 
mesmo 
O desenho em 
episódios 
A delimitação da continuidade da 
identidade psíquica em função da 
quantidade de afetos 
4 anos 
 
 
4 
Domínio Técnica O que investiga Idade 
Consigo 
mesmo 
O dia do meu 
aniversário 
A representação que se tem de si e do 
contexto físico e sociodinâmico em um 
momento de transição de uma idade a 
outra 
- 
Consigo 
mesmo 
Nas minhas 
férias 
As atividades escolhidas durante o 
período de férias escolares 
6/7 anos 
Consigo 
mesmo 
Fazendo o que 
mais gosto 
O tipo de atividade de que mais gosta 6/7 anos 
Fonte: Visca, 2008, p. 22. 
Numa realidade de atendimento psicopedagógico, não cabe o uso das 
técnicas projetivas com o intuito de avaliação individual e, sim, quando for o caso, 
sobre o aprender na coletividade. Da mesma forma, as três dimensões sugeridas 
por Visca não precisam ser aplicadas na instituição. 
Relembramos, então, a realidade da queixa apresentada pela escola: 
Uma “queixa” institucional: 
“Escola particular de alto nível sofre dificuldades de projeção social e 
crescimento potencial, pois há fama de ser facilitadora dos desejos dos pais 
em detrimento das regras gerais e, por conta disso, os alunos se tornam 
muito indisciplinados. Professores não se posicionam em favor das normas 
disciplinares e não resistem a eles mesmos serem punidos com advertências ao 
não cumprimento dos deveres, tanto com os alunos como com a parte burocrática 
de entrega de avaliações, notas e cronogramas gerais.” 
A partir da realização da Entrevista Operativa Centrada na Modalidade de 
Ensino-Aprendizagem (EOCMEA), é conveniente fazer uso da técnica projetiva 
do par educativo com os professores, grupo escolhido para amostragem da 
investigação do sintoma. 
Nas referidas três dimensões a serem analisadas nos desenhos solicitados 
nas técnicas projetivas, todos, além da idade do sujeito e da demanda a ser 
observada, precisam considerar, para efeitos de análise, o material a ser utilizado, 
a consigna, o relato sobre o desenho e a coerência dos detalhes desenhados com 
o descrito oralmente, as posições, o tamanho e as distâncias dos elementos 
representados. 
 
 
 
5 
TÉCNICA PROJETIVA PSICOPEDAGÓGICA – PAR EDUCATIVO 
1. Objetivo: investigar o vínculo com a aprendizagem. 
2. Materiais: folha sulfite, lápis preto, borracha. 
3. Procedimento: 
a. Foi solicitado que desenhassem duas pessoas, uma que ensina e uma que aprende. 
b. Ao final do desenho, indicar o nome delas e a idade. 
c. Para finalizar foi pedido um relato do que estava acontecendo no desenho e um título ao mesmo. 
(Por se tratar de um trabalho em grupo, todos os desenhos foram fixados num mural na sala dos 
professores com o tema “Ensinar e Aprender”) 
Indicadores: 
Detalhes do desenho: tamanho total, tamanho dos personagens, tamanho dos objetos, posição e 
distância dos personagens, posição dos objetos, distância de ambos os personagens na 
representação do objeto de aprendizagem, caráter completivo dos desenhos. 
Nomes e idades assinalados: correspondência com o entrevistado e com o entrevistador. 
Título do desenho: correspondência com a situação desenhada. 
Relato: conteúdo do relato, correspondência entre o relato e o desenho e entre o relato e o título. 
(Visca, 2013) 
TEMA 2 – INSTRUMENTOS DE INVESTIGAÇÃO 
2.1 Dinâmicas de grupo 
As dinâmicas de grupo já foram apresentadas na aula 1 como importantes 
aliadas dos processos avaliativos psicopedagógicos, principalmente no que tange 
aos grupos em instituições. 
Para o grupo de professores da referida escola, que serve de modelo 
investigativo para essas aulas, foi aplicada uma dinâmica de integração: 
DINÂMICA DE GRUPO – INTEGRAÇÃO 
1. Objetivo: observar o grupo em ação organizando-se para resolver uma situação inusitada. 
2. Materiais-recursos: sala de aula com cadeiras e carteiras. 
3. Ambiente-clima: sala de aula grande ou auditório que tenha cadeiras soltas. 
4. Tempo determinado: 1h. 
5. Passos: 
• Preparar o ambiente antes da entrada dos professores, colocando as carteirase cadeiras fora 
do lugar, algumas caídas no chão, outras empilhadas, lixo virado, criando aspecto de bagunça 
e desordem. 
• Liberar a entrada da sala no horário combinado com os professores, deixando-os “agir” ao se 
depararem com a desordem apresentada. 
• Promover algumas intervenções caso não consigam decidir e tomar a iniciativa de arrumar o 
local. 
• Observar e registrar quem comanda a decisão de recolocar as carteiras no local, quem já chega 
e começa a fazer algo, quem se assusta, quem reage, quem paralisa, quem reclama, quem só 
observa, e outros comportamentos que aparecerem no grupo. 
6. Número de participantes: o grupo de 50 professores da educação infantil ao ensino médio. 
7. Perguntas e conclusões: momento para avaliar o que foi visto, os sentimentos demonstrados, 
o que foi aprendido e o momento da síntese. (Picheth, 2011) 
 
 
6 
TEMA 3 – INSTRUMENTOS DE INVESTIGAÇÃO 
3.1 Levantamento estatístico e histórico 
Depois de realizada a análise dos dados coletados por meio dos 
instrumentos avaliativos, vem o segundo levantamento de hipóteses, que 
confirmará algumas suposições anteriormente observadas, além de outras que 
não serão respondidas e ainda novas hipóteses que surgirão. Essas novas 
possibilidades de investigação, seja pelo que não tinha sido percebido ou pelo que 
não foi ainda respondido com os instrumentos avaliativos utilizados até então, 
também precisam ser validadas. 
Buscar fatores históricos e estatísticos da instituição torna-se um caminho 
similar ao da anamnese, pois nessas informações se revelam dados reais e 
temporais que muito explicam e respondem sobre as questões que emergem no 
contato e trabalho grupal. 
Sendo assim, provavelmente os dados históricos e estatísticos entrem 
nesse momento, após o segundo levantamento de hipóteses. Mas nada impede 
que essas informações possam ser coletadas no início da avaliação diagnóstica, 
pois a definição dos instrumentos a serem adotados no processo investigativo 
estará vinculada à demanda e à realidade do grupo específico de trabalho, bem 
como da instituição. 
DADOS HISTÓRICOS 
O que investigar? 
• Tempo da instituição no mercado; o seu início, se foi comprada pronta ou construída 
desde a concepção de ideias e planejamento; trata-se de uma instituição familiar ou 
empresarial; a forma como acontecem as retiradas de dinheiro que não sejam para a 
escola; o rigor dos processos ; o perfil econômico e social dos proprietários, da clientela 
e da região onde está a escola; imagem social na comunidade; organização e 
importância dos eventos realizados; inspiração para a visão pedagógica da instituição, 
entre outros. 
LEVANTAMENTO ESTATÍSTICO 
O que investigar? 
• Número de alunos série a série dos últimos cinco anos; motivos elencados pelos pais 
no cancelamento de matrículas; quantidade de alunos que encerram o ensino médio 
em comparação ao número de alunos que ingressam novos na instituição; tempo de 
permanência dos funcionários na escola (por áreas de atuação); rendimento dos 
alunos por ano escolar e por disciplina; resultados de avaliações da comunidade 
(pesquisas de satisfação); formas de captação de novos alunos e organização da 
instituição para o período de matrículas; índice de reprovação, entre outros. 
 
 
7 
TEMA 4 – ANÁLISE DE DADOS 
4.1 Cone invertido – segundo levantamento de hipóteses 
Depois do momento inicial em que se faz a escuta da queixa, define-se o 
grupo a ser analisado como amostra e aplica-se a EOCMEA. Posteriormente, são 
feitas a seleção e a aplicação dos instrumentos de pesquisa, processo que 
resultará em dados a serem analisados. 
Na aula 2, estudamos os elementos de um instrumento fundamental para 
a avaliação diagnóstica institucional, que é o cone invertido. Como ele será o 
instrumento utilizado para analisar esses dados, vamos relembrar que o cone 
apresenta seis vetores de análise: pertença, comunicação, cooperação, 
aprendizagem, pertinência, tele e mudança. 
A análise do cone — relacionando os vetores quantitativos (os três 
primeiros da lista) com os vetores qualitativos (os três últimos) — em relação ao 
grupo de professores, assim se organizou: 
• Pertença: é o sentimento de pertencer à dinâmica grupal, é sentir-se parte 
do grupo. No caso dos professores, esse sentimento é bem dividido. Muitos 
sentem-se pertencentes ao funcionamento e à dinâmica da instituição, 
tomando como referência a boa remuneração e, pela mesma razão, outros 
não se sentem acolhidos por esse ser o único elo com ela. O sentir-se 
pertencente, para alguns professores, não está necessariamente ligado a 
alegria e satisfação. 
• Cooperação: refere-se ao agir com outro e à capacidade de se colocar no 
lugar dele. O grupo apresentou-se de forma negativa, pela falta de 
colaboração e verificou-se que a execução da atividade não foi realizada 
por todas as pessoas do grupo. 
• Pertinência: tem relação com a realização e a eficácia da tarefa. O grupo 
realizou a consigna proposta, entretanto, sem o trabalho de todos, esse 
vetor também se mostrou negativo. 
• Comunicação: representa o intercâmbio de informações e sentimentos 
que são veiculados no interior do grupo. O grupo de professores 
apresentou uma comunicação madura entre os participantes, o mesmo não 
se deu na comunicação entre as coordenadoras com os professores e nem 
 
 
8 
da direção com as coordenações. Com os professores a direção mantém 
uma comunicação apenas oral. 
• Aprendizagem: é a apreensão instrumental da realidade. O grupo 
permaneceu na transição entre a pré-tarefa e a tarefa, não atingiu o objetivo 
proposto como grupo, apenas em equipes específicas. 
• Tele: significa a distância afetiva que o grupo toma para a realização da 
tarefa, do coordenador e do grupo. Observamos mais um vetor negativo do 
grupo, devido à forma de comunicação hierárquica e pela resistência em 
operar mudanças de ações e costumes. 
A análise do cone invertido mostrou que as queixas apresentadas pela 
instituição — dependência dos colaboradores, falta de iniciativa e 
comprometimento, além das questões disciplinares deles e dos alunos — são 
reais e foram verificadas como sintoma, em busca da causa, pelos instrumentos 
avaliativos que foram utilizados: EOCMEA, entrevistas, observação de alunos, 
observação de aulas, técnicas projetivas, dinâmica de grupo, dados históricos e 
levantamentos estatísticos. 
O resultado dessa análise permitirá traçarmos a modalidade de 
funcionamento do grupo e, por conseguinte, da instituição. 
De acordo com as dimensões analisadas numa investigação diagnóstica, 
obtivemos as seguintes constatações, que poderiam gerar ou não um terceiro 
sistema de hipóteses (e que teria de ser validado com algum outro instrumento), 
mas que, neste caso, já nos permite concluir o seguinte: 
• Dimensão estrutural: gestão centralizadora, autoritária e narcísica — 
hipótese levantada a partir do primeiro contato com a gestão, por meio de 
relatos da própria gestora, como: “a vida desses funcionários depende do 
que pago a eles, não podem achar ruim do que decido porque sou a dona 
e mando no que deve ou não ser feito”; evidencia-se também uma gestão 
inibidora e manipuladora — tudo está no domínio da gestão, não há 
autonomia por parte da equipe; relação simbiótica entre gestores e 
colaboradores, evidenciada por uma necessidade de aprovação, de 
recompensa e de dependência, como neste relato: “se não for acompanhar 
e cobrar todos os dias, nunca entregam as avaliações para serem 
xerocadas no dia, muitos só cumpriam a tarefa quando tinha algum 
coordenador da escola no ambiente”; falta de prooatividade dos 
colaboradores, como se verificou durante a execução da dinâmica, quando 
 
 
9 
foi necessário que uma das professoras fosse chamada, pelas colegas, 
para a realização da tarefa diversas vezes, pois não estava cooperando 
com o grupo. 
• Dimensão da interação:alguns profissionais têm sentimentos de gratidão 
pelo tempo de casa, mesmo quando são injustiçados ou cerceados de 
alguns direitos trabalhistas, conforme relataram nas entrevistas; é uma 
escola elitizada, a direção pertence ao grupo social de elite na cidade e as 
discussões disciplinares com os alunos sempre passam por esse crivo, isso 
desestimula a ação efetiva e necessária para manter os alunos respeitosos 
em relação aos combinados; há uma certa “vergonha” em dizer que se 
trabalha na instituição porque colegas da área consideram um colégio que 
maltrata seus professores por somente dar razão aos pais e alunos. 
• Dimensão do conhecimento: profissionais experientes — maioria dos 
colaboradores tem experiência profissional anterior; preocupação com o 
resultado final do trabalho pedagógico, que muitas vezes não acontece por 
influência de questões disciplinares, como se demonstrou na dinâmica de 
grupo, quando a maioria não sabia o que fazer para “arrumar” a sala, 
mesmo tendo capacidade e instrumentos para isso; indício de 
aprendizagem escondida, por um medo aparente de expor o conhecimento, 
o que se revelou durante a dinâmica de grupo e a técnica projetiva, 
momento em que alguns membros do grupo não se expuseram ou apenas 
concordaram com opiniões dadas pelos demais, evitando emitir uma 
opinião própria. 
• Dimensão funcional: boa organização de espaços e tempo – todo o 
ambiente pareceu ser limpo e organizado; bom planejamento, embora não 
se efetive como o esperado; qualidade na prestação de serviço no trato e 
zelo de limpeza e higiene para com os alunos e funcionários de um modo 
geral; ausência de rotina da gestão, não há horários definidos de 
permanência das coordenações, o que acarreta uma carga horária superior 
às 10 horas diárias em alguns dias, além do excessivo hábito de utilizar os 
sábados para reuniões administrativas nas quais se reúne toda a equipe 
para ouvir os recados da direção; não é clara a definição de atribuições nos 
setores pedagógicos. 
Concluindo, na dimensão da estrutura, a instituição tem uma gestão 
inibidora e manipuladora, devido ao autoritarismo imposto em relação aos 
 
 
10 
colaboradores, e também apresenta uma gestão narcísica e centralizadora, pelo 
fato de ser uma instituição idealizada e que ainda não discriminou os papéis de 
cada sujeito que a compõe. 
No que tange à dimensão da interação, observamos que os vínculos 
estabelecidos entre os sujeitos que compõem a instituição são positivos, porém 
há uma fragilidade no vínculo dos colaboradores com a gestão, devido ao 
autoritarismo demonstrado. Não há uma aceitação da comunidade em relação à 
instituição, exceto nos grupos que a frequentam, e há também uma necessidade 
de aprovação e recompensa, por parte da gestão, devido ao vínculo simbiótico 
estabelecido. 
Com relação às questões que dizem respeito à dimensão do conhecimento, 
constatamos uma preocupação com o resultado, o que é positivo, pois demonstra 
que os colaboradores são comprometidos com o seu trabalho, há também 
preocupação com experiência profissional e formação acadêmica, uma vez que a 
grande maioria dos colaboradores concluíram o curso superior ou de pós-
graduação nas suas áreas, com exceção somente do grupo dos serviços gerais. 
Na dimensão funcional, não foi observada boa organização e estrutura 
funcional. Existe um bom planejamento, mas sem efetividade e acompanhamento, 
e falta, ainda, a devida organização da rotina. Isso faz com que a qualidade do 
trabalho fique comprometida. A estrutura física da instituição é satisfatória, 
moderna e motivo de orgulho, sendo considerada um diferencial. 
Desse modo, é notório que a dimensão mais fragilizada da instituição é a 
estrutural, pois há́ a necessidade de discriminar os papéis de cada sujeito da 
equipe, para que não haja centralização e sobrecarga somente em determinados 
membros. Essa dimensão também é a responsável pela aprendizagem do grupo, 
predominantemente dissociativa, ou seja, não há integração dos diversos 
conhecimentos que a compõem, porque nem sempre se verifica a possibilidade 
de efetivá-los como prática, por causa das relações de interação da proprietária e 
de sua clientela, normalmente divergentes dos aspectos pedagógicos adequados. 
TEMA 5 – DEVOLUTIVA 
Assim que o psicopedagogo obtém todos os dados de sua investigação 
institucional, é necessário verificá-los e realizar uma análise funcional com tudo o 
que foi coletado. Essa análise se propõe a identificar aspectos que possam ser 
 
 
11 
caracterizados como potencialidades ou fragilidades institucionais e perceber 
como acontece a dinâmica institucional no que diz respeito à aprendizagem. 
Segundo Oliveira (2009, p. 102): 
A devolutiva é um momento de extrema importância no diagnóstico, pois 
não se concretiza apenas pela entrega de um documento escrito, mas, 
principalmente, pela devolutiva verbal. Ela deve ter um caráter 
interventivo, na medida em que a instituição reflete e internaliza as 
indicações fornecidas pelo informe. As indicações preveem um 
prognóstico a partir de sua efetivação e da sua não efetivação. 
Com as informações obtidas a partir do diagnóstico, o psicopedagogo vai 
elaborar um plano de trabalho interventivo. 
Modelo INFORME PSICOPEDAGÓGICO INSTITUCIONAL 
1 – DADOS DE IDENTIFICAÇÃO 
Nome: 
Direção responsável: 
Endereço: 
Período da avaliação: 
2 – MOTIVO (Queixa) 
3 – INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO 
Dimensão cognitiva 
Observação de aulas 
Dimensão funcional 
EOCMEA 
Entrevistas 
Dimensão afetiva 
Técnicas projetivas psicopedagógicas 
Dinâmicas de grupo 
 
Dimensão social 
Histórico 
Análise de dados estatísticos 
Observação de alunos e do funcionamento da escola em atividade 
4 – RESULTADOS OBTIDOS 
Neste espaço, pode-se descrever em detalhes cada ação desenvolvida (um resumo dela ou 
somente a análise), desde a conversa inicial, passando pela EOCMEA e os diversos instrumentos 
de avaliação (entrevista, observação de aula, observação de alunos, técnicas projetivas, dinâmica 
de grupo, dados históricos e levantamento estatístico), abordando cada resultado dentro das 
perspectivas das dimensões da estrutura, da interação, do conhecimento e da dimensão funcional, 
conforme apresentado no tema 4 desta aula. 
5 – CONCLUSÃO 
A avaliação psicopedagógica desenvolvida nessa instituição foi proveniente de uma queixa sobre 
o não comprometimento dos professores com suas responsabilidades e pelos problemas 
disciplinares que acometem a instituição em todas as instâncias. 
Após o grupo de professores ser definido como a equipe de amostragem, os resultados revelaram 
que a modalidade de aprendizagem entre as pessoas na escola acontece de forma dissociativa, 
havendo um comportamento centralizador por parte da gestão, o que acarreta uma relação de 
dependência da parte dos colaboradores. Visando obter maior pertença, colaboração e eficácia 
no trabalho, é necessário um Projeto de Intervenção Psicopedagógico que privilegie rever 
documentos, organizar o regimento, elaborar manuais de procedimentos e orientações, planejar 
 
 
12 
formação continuada, organizar organograma e funções, tudo com foco na elaboração de um 
planejamento estratégico participativo da instituição. 
6 – ORIENTAÇÕES E ENCAMINHAMENTOS 
A proposta de intervenção tem por objetivo elaborar o Planejamento Estratégico Institucional com 
a participação dos colaboradores e dos gestores, incluindo todos os aspectos citados na conclusão 
e os discutidos verbalmente na apresentação deste documento. Para isso, é indicada a realização 
de encontros quinzenais com os professores, com duração de duas horas, sendo a primeira hora 
voltada para o momento denominado dinâmica ,e a segunda para o grupo com Atitude Operativa. 
 
________, _____/20___ 
 
Atenciosamente, 
FINALIZANDO 
E como no tecer de linhas que produzem peças para o encantamento dequem adquire um vestido, uma manta ou um cobertor, a construção de um 
processo de avaliação psicopedagógica institucional requer a sabedoria de tecer 
e produzir, oferecendo a quem espera o resultado desse produto algo que 
sintetize, faça efeito de encantamento e transformação. 
Após cinco aulas entendendo como avaliar na escola, conhecendo os 
caminhos que compõem a prática do psicopedagogo, seus instrumentos, sua 
observação e interpretação (queixa, observação do sintoma, EOCMEA, 
instrumentos avaliativos, hipóteses e devolutiva — permeados pelos conceitos de 
cone invertido, observação dinâmica e temática, enquadramento, grupo operativo, 
dinâmica de grupo, psicodrama, epistemologia convergente e teoria sistêmica — 
caminhamos para uma etapa tão importante quanto esta, que é a de propor a 
intervenção baseada no modelo de atitude operativa, conteúdo da próxima e 
última aula deste módulo do Curso de Psicopedagogia. 
LEITURA OBRIGATÓRIA DA DISCIPLINA: 
Texto de abordagem teórica 
Análise de dados ganha espaço na Gestão Escolar. Disponível em: 
<http://www.revistaeducacao.com.br/analise-de-dados-ganha-espaco-na-gestao-
escolar/>. Acesso em: 01 set. 2018. 
Texto de abordagem prática 
O “distúrbio de atenção” dos educadores e o desenvolvimento da “sovivência” na 
infância e na adolescência. Disponível em: 
 
 
13 
<http://monteserrataprendizagem.com/o-disturbio-de-atencao-dos-educadores-e-
o-desenvolvimento-da-sovivencia-na-infancia-e-na-adolescencia/>. Acesso em: 
21 jul. 2018. 
 
 
 
14 
REFERÊNCIAS 
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Curitiba: Expoente, 2001. 
_____. (Org.). Intervenção psicopedagógica no espaço da clínica. Curitiba: 
IBPEX, 2010. 
BARBOSA, L. M. S.; CARLBERG, S. O que são consignas? Contribuições para 
o fazer pedagógico e psicopedagógico. Curitiba: InterSaberes, 2014. 
BARRETO, M. F. M. Dinâmica de grupo: história, prática e vivências. 4. ed. 
Campinas: Alínea, 2010. 
BLEGER, J. Psicologia da conduta. Porto Alegre: Artes Médicas, 1984. 
CARLBERG, S. Psicopedagogia: uma matriz do pensamento diagnóstico no 
âmbito clínico. Curitiba: InterSaberes, 2012. 
FERNANDEZ, A. A inteligência aprisionada. Porto Alegre: Artes Médicas, 1990. 
FREIRE, M. Observação, registro e reflexão. Instrumentos metodológicos I. 2. 
ed. São Paulo: Espaço Pedagógico, 1996. 
GASPARIAN, M. C. A psicopedagogia institucional sistêmica. In: POLITY, E. 
(Org.). Psicopedagogia: um enfoque sistêmico. São Paulo: Empório do Livro, 
1998. 
GONÇALVES, C. S. Lições de psicodrama: introdução ao pensamento de J. L. 
Moreno/Camila Salles Gonçalves, José Roberto Wolff, Wilson Castello de 
Almeida. São Paulo: Ágora, 1988 
HALL, C; LINDZEY, G; CAMPBELL. Teorias da personalidade. Porto Alegre: 
Artmed, 2006. 
MAYER, C. O poder da transformação: dinâmica de grupo. Campinas: Papirus, 
2007. 
MORENO, J.L. Psicoterapia de grupo e psicodrama. São Paulo: Mestre Jou, 
1999. 
OLIVEIRA, M. A. C. Intervenção psicopedagógica na escola. 2. ed. Curitiba: 
Iesde, 2009. 
PIAGET, J.; INHELDER, B. A psicologia da criança. São Paulo: Difusão, 1986. 
 
 
15 
RIVIERE, H. P. O processo grupal. Tradução Marco Aurélio Fernandes Velloso 
e Maria Stela Gonçalves. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2009. 
VISCA, J. Clínica psicopedagógica: a epistemologia convergente. Porto Alegre: 
Artes Médicas, 1987. 
VYGOTSKY, L. S. A construção do pensamento e da linguagem. São Paulo: 
Martins Fontes, 2001.

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