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AULA 5 AVALIAÇÃO E INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA INSTITUCIONAL Profª Ana Paula Picheth 2 CONVERSA INICIAL Estamos num momento da disciplina em que já ficou evidente a ação prática do psicopedagogo institucional. Seguimos uma ordem que privilegiou conhecer o papel e as modalidades da psicopedagogia no meio institucional, assim como nos apropriamos de conceitos-chave de uma proposta de avaliação e intervenção psicoeducacional na instituição. Dos saberes sobre a queixa, passando pelos obstáculos do aprender, enquadramento, observação dinâmica e temática e cone invertido, iniciamos na aula 4 os estudos sobre quais seriam os instrumentos que podem auxiliar na investigação diagnóstica. Teremos, nesta aula, a continuidade das referências sobre esses instrumentos, chegando até a análise dos dados e, por fim, a devolutiva, processo que permitirá detectar a causa dos sintomas apresentados e propor alternativas de melhoria dos aspectos que necessitem de intervenção. CONTEXTUALIZANDO Quando uma instituição busca apoio no trabalho do psicopedagogo, tem como expectativa encontrar respostas e possíveis soluções para as causas que estão impendido aquele grupo de obter os resultados esperados ou entender por que os estes estão aliados a processos desgastantes, morosos e sem efetividade. É uma tarefa de grande responsabilidade indicar intervenções e ainda respeitar a realidade e as possibilidades que o grupo conseguirá absorver, promovendo transformação. Um bom aliado nessa construção é o respaldo técnico de se instrumentalizar com a coleta dos dados obtidos na avaliação, realizando uma análise justa e compatível com o que revelaram os instrumentos investigativos, assim como escrever um informe que permita a clareza e a assertividade da devolutiva, sendo essa o marco que encerra uma etapa do trabalho psicopedagógico institucional e pode iniciar o seguinte, que é o da intervenção. 3 TEMA 1 – INSTRUMENTOS DE INVESTIGAÇÃO 1.1 Técnicas projetivas As técnicas projetivas são instrumentos utilizados no contexto psicopedagógico como um meio de análise do sistema de hipóteses e que devem ser aplicadas quando há suspeita de implicações emocionais ou de vínculos negativos com a aprendizagem. Por meio das técnicas projetivas, definidas como desenhos específicos que objetivam sondar aspectos vinculares do sujeito, pretende-se que haja a manifestação do inconsciente, sem medos e/ou repressões. As técnicas projetivas expressam uma realidade subjetiva relacionada com a vivência particular do indivíduo. Não se trata da realidade como ela é, e sim da realidade que o sujeito vê. As provas projetivas devem ser adaptadas ao tipo de investigação que se pretende realizar e com a especificidade do indivíduo. Segundo Visca (2008), as técnicas projetivas psicopedagógicas têm como objetivo investigar a rede de vínculos que um sujeito pode estabelecer em três grandes domínios: o escolar, o familiar e consigo mesmo. Em todos eles, o que interessa ao psicopedagogo é o vínculo com as situações de aprendizagem. Tabela 1 — Técnicas projetivas psicopedagógicas descritas por Visca: Domínio Técnica O que investiga Idade Escolar Par educativo O vínculo de aprendizagem 6/7 anos Escolar Eu com meus colegas O vínculo com os colegas de sala de aula 7/8 anos Escolar A planta da sala de aula A representação do campo geográfico da sala e suas localizações, real e desejada 8/9 anos Familiar A planta da minha casa A representação do campo geográfico do lugar em que mora e a localização real dele 8/9 anos Familiar As quatro partes de um dia Os vínculos ao longo de um dia 6/7 anos Familiar Família educativa O vínculo de aprendizagem com o grupo familiar e com cada um dos seus integrantes 6/7 anos Consigo mesmo O desenho em episódios A delimitação da continuidade da identidade psíquica em função da quantidade de afetos 4 anos 4 Domínio Técnica O que investiga Idade Consigo mesmo O dia do meu aniversário A representação que se tem de si e do contexto físico e sociodinâmico em um momento de transição de uma idade a outra - Consigo mesmo Nas minhas férias As atividades escolhidas durante o período de férias escolares 6/7 anos Consigo mesmo Fazendo o que mais gosto O tipo de atividade de que mais gosta 6/7 anos Fonte: Visca, 2008, p. 22. Numa realidade de atendimento psicopedagógico, não cabe o uso das técnicas projetivas com o intuito de avaliação individual e, sim, quando for o caso, sobre o aprender na coletividade. Da mesma forma, as três dimensões sugeridas por Visca não precisam ser aplicadas na instituição. Relembramos, então, a realidade da queixa apresentada pela escola: Uma “queixa” institucional: “Escola particular de alto nível sofre dificuldades de projeção social e crescimento potencial, pois há fama de ser facilitadora dos desejos dos pais em detrimento das regras gerais e, por conta disso, os alunos se tornam muito indisciplinados. Professores não se posicionam em favor das normas disciplinares e não resistem a eles mesmos serem punidos com advertências ao não cumprimento dos deveres, tanto com os alunos como com a parte burocrática de entrega de avaliações, notas e cronogramas gerais.” A partir da realização da Entrevista Operativa Centrada na Modalidade de Ensino-Aprendizagem (EOCMEA), é conveniente fazer uso da técnica projetiva do par educativo com os professores, grupo escolhido para amostragem da investigação do sintoma. Nas referidas três dimensões a serem analisadas nos desenhos solicitados nas técnicas projetivas, todos, além da idade do sujeito e da demanda a ser observada, precisam considerar, para efeitos de análise, o material a ser utilizado, a consigna, o relato sobre o desenho e a coerência dos detalhes desenhados com o descrito oralmente, as posições, o tamanho e as distâncias dos elementos representados. 5 TÉCNICA PROJETIVA PSICOPEDAGÓGICA – PAR EDUCATIVO 1. Objetivo: investigar o vínculo com a aprendizagem. 2. Materiais: folha sulfite, lápis preto, borracha. 3. Procedimento: a. Foi solicitado que desenhassem duas pessoas, uma que ensina e uma que aprende. b. Ao final do desenho, indicar o nome delas e a idade. c. Para finalizar foi pedido um relato do que estava acontecendo no desenho e um título ao mesmo. (Por se tratar de um trabalho em grupo, todos os desenhos foram fixados num mural na sala dos professores com o tema “Ensinar e Aprender”) Indicadores: Detalhes do desenho: tamanho total, tamanho dos personagens, tamanho dos objetos, posição e distância dos personagens, posição dos objetos, distância de ambos os personagens na representação do objeto de aprendizagem, caráter completivo dos desenhos. Nomes e idades assinalados: correspondência com o entrevistado e com o entrevistador. Título do desenho: correspondência com a situação desenhada. Relato: conteúdo do relato, correspondência entre o relato e o desenho e entre o relato e o título. (Visca, 2013) TEMA 2 – INSTRUMENTOS DE INVESTIGAÇÃO 2.1 Dinâmicas de grupo As dinâmicas de grupo já foram apresentadas na aula 1 como importantes aliadas dos processos avaliativos psicopedagógicos, principalmente no que tange aos grupos em instituições. Para o grupo de professores da referida escola, que serve de modelo investigativo para essas aulas, foi aplicada uma dinâmica de integração: DINÂMICA DE GRUPO – INTEGRAÇÃO 1. Objetivo: observar o grupo em ação organizando-se para resolver uma situação inusitada. 2. Materiais-recursos: sala de aula com cadeiras e carteiras. 3. Ambiente-clima: sala de aula grande ou auditório que tenha cadeiras soltas. 4. Tempo determinado: 1h. 5. Passos: • Preparar o ambiente antes da entrada dos professores, colocando as carteirase cadeiras fora do lugar, algumas caídas no chão, outras empilhadas, lixo virado, criando aspecto de bagunça e desordem. • Liberar a entrada da sala no horário combinado com os professores, deixando-os “agir” ao se depararem com a desordem apresentada. • Promover algumas intervenções caso não consigam decidir e tomar a iniciativa de arrumar o local. • Observar e registrar quem comanda a decisão de recolocar as carteiras no local, quem já chega e começa a fazer algo, quem se assusta, quem reage, quem paralisa, quem reclama, quem só observa, e outros comportamentos que aparecerem no grupo. 6. Número de participantes: o grupo de 50 professores da educação infantil ao ensino médio. 7. Perguntas e conclusões: momento para avaliar o que foi visto, os sentimentos demonstrados, o que foi aprendido e o momento da síntese. (Picheth, 2011) 6 TEMA 3 – INSTRUMENTOS DE INVESTIGAÇÃO 3.1 Levantamento estatístico e histórico Depois de realizada a análise dos dados coletados por meio dos instrumentos avaliativos, vem o segundo levantamento de hipóteses, que confirmará algumas suposições anteriormente observadas, além de outras que não serão respondidas e ainda novas hipóteses que surgirão. Essas novas possibilidades de investigação, seja pelo que não tinha sido percebido ou pelo que não foi ainda respondido com os instrumentos avaliativos utilizados até então, também precisam ser validadas. Buscar fatores históricos e estatísticos da instituição torna-se um caminho similar ao da anamnese, pois nessas informações se revelam dados reais e temporais que muito explicam e respondem sobre as questões que emergem no contato e trabalho grupal. Sendo assim, provavelmente os dados históricos e estatísticos entrem nesse momento, após o segundo levantamento de hipóteses. Mas nada impede que essas informações possam ser coletadas no início da avaliação diagnóstica, pois a definição dos instrumentos a serem adotados no processo investigativo estará vinculada à demanda e à realidade do grupo específico de trabalho, bem como da instituição. DADOS HISTÓRICOS O que investigar? • Tempo da instituição no mercado; o seu início, se foi comprada pronta ou construída desde a concepção de ideias e planejamento; trata-se de uma instituição familiar ou empresarial; a forma como acontecem as retiradas de dinheiro que não sejam para a escola; o rigor dos processos ; o perfil econômico e social dos proprietários, da clientela e da região onde está a escola; imagem social na comunidade; organização e importância dos eventos realizados; inspiração para a visão pedagógica da instituição, entre outros. LEVANTAMENTO ESTATÍSTICO O que investigar? • Número de alunos série a série dos últimos cinco anos; motivos elencados pelos pais no cancelamento de matrículas; quantidade de alunos que encerram o ensino médio em comparação ao número de alunos que ingressam novos na instituição; tempo de permanência dos funcionários na escola (por áreas de atuação); rendimento dos alunos por ano escolar e por disciplina; resultados de avaliações da comunidade (pesquisas de satisfação); formas de captação de novos alunos e organização da instituição para o período de matrículas; índice de reprovação, entre outros. 7 TEMA 4 – ANÁLISE DE DADOS 4.1 Cone invertido – segundo levantamento de hipóteses Depois do momento inicial em que se faz a escuta da queixa, define-se o grupo a ser analisado como amostra e aplica-se a EOCMEA. Posteriormente, são feitas a seleção e a aplicação dos instrumentos de pesquisa, processo que resultará em dados a serem analisados. Na aula 2, estudamos os elementos de um instrumento fundamental para a avaliação diagnóstica institucional, que é o cone invertido. Como ele será o instrumento utilizado para analisar esses dados, vamos relembrar que o cone apresenta seis vetores de análise: pertença, comunicação, cooperação, aprendizagem, pertinência, tele e mudança. A análise do cone — relacionando os vetores quantitativos (os três primeiros da lista) com os vetores qualitativos (os três últimos) — em relação ao grupo de professores, assim se organizou: • Pertença: é o sentimento de pertencer à dinâmica grupal, é sentir-se parte do grupo. No caso dos professores, esse sentimento é bem dividido. Muitos sentem-se pertencentes ao funcionamento e à dinâmica da instituição, tomando como referência a boa remuneração e, pela mesma razão, outros não se sentem acolhidos por esse ser o único elo com ela. O sentir-se pertencente, para alguns professores, não está necessariamente ligado a alegria e satisfação. • Cooperação: refere-se ao agir com outro e à capacidade de se colocar no lugar dele. O grupo apresentou-se de forma negativa, pela falta de colaboração e verificou-se que a execução da atividade não foi realizada por todas as pessoas do grupo. • Pertinência: tem relação com a realização e a eficácia da tarefa. O grupo realizou a consigna proposta, entretanto, sem o trabalho de todos, esse vetor também se mostrou negativo. • Comunicação: representa o intercâmbio de informações e sentimentos que são veiculados no interior do grupo. O grupo de professores apresentou uma comunicação madura entre os participantes, o mesmo não se deu na comunicação entre as coordenadoras com os professores e nem 8 da direção com as coordenações. Com os professores a direção mantém uma comunicação apenas oral. • Aprendizagem: é a apreensão instrumental da realidade. O grupo permaneceu na transição entre a pré-tarefa e a tarefa, não atingiu o objetivo proposto como grupo, apenas em equipes específicas. • Tele: significa a distância afetiva que o grupo toma para a realização da tarefa, do coordenador e do grupo. Observamos mais um vetor negativo do grupo, devido à forma de comunicação hierárquica e pela resistência em operar mudanças de ações e costumes. A análise do cone invertido mostrou que as queixas apresentadas pela instituição — dependência dos colaboradores, falta de iniciativa e comprometimento, além das questões disciplinares deles e dos alunos — são reais e foram verificadas como sintoma, em busca da causa, pelos instrumentos avaliativos que foram utilizados: EOCMEA, entrevistas, observação de alunos, observação de aulas, técnicas projetivas, dinâmica de grupo, dados históricos e levantamentos estatísticos. O resultado dessa análise permitirá traçarmos a modalidade de funcionamento do grupo e, por conseguinte, da instituição. De acordo com as dimensões analisadas numa investigação diagnóstica, obtivemos as seguintes constatações, que poderiam gerar ou não um terceiro sistema de hipóteses (e que teria de ser validado com algum outro instrumento), mas que, neste caso, já nos permite concluir o seguinte: • Dimensão estrutural: gestão centralizadora, autoritária e narcísica — hipótese levantada a partir do primeiro contato com a gestão, por meio de relatos da própria gestora, como: “a vida desses funcionários depende do que pago a eles, não podem achar ruim do que decido porque sou a dona e mando no que deve ou não ser feito”; evidencia-se também uma gestão inibidora e manipuladora — tudo está no domínio da gestão, não há autonomia por parte da equipe; relação simbiótica entre gestores e colaboradores, evidenciada por uma necessidade de aprovação, de recompensa e de dependência, como neste relato: “se não for acompanhar e cobrar todos os dias, nunca entregam as avaliações para serem xerocadas no dia, muitos só cumpriam a tarefa quando tinha algum coordenador da escola no ambiente”; falta de prooatividade dos colaboradores, como se verificou durante a execução da dinâmica, quando 9 foi necessário que uma das professoras fosse chamada, pelas colegas, para a realização da tarefa diversas vezes, pois não estava cooperando com o grupo. • Dimensão da interação:alguns profissionais têm sentimentos de gratidão pelo tempo de casa, mesmo quando são injustiçados ou cerceados de alguns direitos trabalhistas, conforme relataram nas entrevistas; é uma escola elitizada, a direção pertence ao grupo social de elite na cidade e as discussões disciplinares com os alunos sempre passam por esse crivo, isso desestimula a ação efetiva e necessária para manter os alunos respeitosos em relação aos combinados; há uma certa “vergonha” em dizer que se trabalha na instituição porque colegas da área consideram um colégio que maltrata seus professores por somente dar razão aos pais e alunos. • Dimensão do conhecimento: profissionais experientes — maioria dos colaboradores tem experiência profissional anterior; preocupação com o resultado final do trabalho pedagógico, que muitas vezes não acontece por influência de questões disciplinares, como se demonstrou na dinâmica de grupo, quando a maioria não sabia o que fazer para “arrumar” a sala, mesmo tendo capacidade e instrumentos para isso; indício de aprendizagem escondida, por um medo aparente de expor o conhecimento, o que se revelou durante a dinâmica de grupo e a técnica projetiva, momento em que alguns membros do grupo não se expuseram ou apenas concordaram com opiniões dadas pelos demais, evitando emitir uma opinião própria. • Dimensão funcional: boa organização de espaços e tempo – todo o ambiente pareceu ser limpo e organizado; bom planejamento, embora não se efetive como o esperado; qualidade na prestação de serviço no trato e zelo de limpeza e higiene para com os alunos e funcionários de um modo geral; ausência de rotina da gestão, não há horários definidos de permanência das coordenações, o que acarreta uma carga horária superior às 10 horas diárias em alguns dias, além do excessivo hábito de utilizar os sábados para reuniões administrativas nas quais se reúne toda a equipe para ouvir os recados da direção; não é clara a definição de atribuições nos setores pedagógicos. Concluindo, na dimensão da estrutura, a instituição tem uma gestão inibidora e manipuladora, devido ao autoritarismo imposto em relação aos 10 colaboradores, e também apresenta uma gestão narcísica e centralizadora, pelo fato de ser uma instituição idealizada e que ainda não discriminou os papéis de cada sujeito que a compõe. No que tange à dimensão da interação, observamos que os vínculos estabelecidos entre os sujeitos que compõem a instituição são positivos, porém há uma fragilidade no vínculo dos colaboradores com a gestão, devido ao autoritarismo demonstrado. Não há uma aceitação da comunidade em relação à instituição, exceto nos grupos que a frequentam, e há também uma necessidade de aprovação e recompensa, por parte da gestão, devido ao vínculo simbiótico estabelecido. Com relação às questões que dizem respeito à dimensão do conhecimento, constatamos uma preocupação com o resultado, o que é positivo, pois demonstra que os colaboradores são comprometidos com o seu trabalho, há também preocupação com experiência profissional e formação acadêmica, uma vez que a grande maioria dos colaboradores concluíram o curso superior ou de pós- graduação nas suas áreas, com exceção somente do grupo dos serviços gerais. Na dimensão funcional, não foi observada boa organização e estrutura funcional. Existe um bom planejamento, mas sem efetividade e acompanhamento, e falta, ainda, a devida organização da rotina. Isso faz com que a qualidade do trabalho fique comprometida. A estrutura física da instituição é satisfatória, moderna e motivo de orgulho, sendo considerada um diferencial. Desse modo, é notório que a dimensão mais fragilizada da instituição é a estrutural, pois há́ a necessidade de discriminar os papéis de cada sujeito da equipe, para que não haja centralização e sobrecarga somente em determinados membros. Essa dimensão também é a responsável pela aprendizagem do grupo, predominantemente dissociativa, ou seja, não há integração dos diversos conhecimentos que a compõem, porque nem sempre se verifica a possibilidade de efetivá-los como prática, por causa das relações de interação da proprietária e de sua clientela, normalmente divergentes dos aspectos pedagógicos adequados. TEMA 5 – DEVOLUTIVA Assim que o psicopedagogo obtém todos os dados de sua investigação institucional, é necessário verificá-los e realizar uma análise funcional com tudo o que foi coletado. Essa análise se propõe a identificar aspectos que possam ser 11 caracterizados como potencialidades ou fragilidades institucionais e perceber como acontece a dinâmica institucional no que diz respeito à aprendizagem. Segundo Oliveira (2009, p. 102): A devolutiva é um momento de extrema importância no diagnóstico, pois não se concretiza apenas pela entrega de um documento escrito, mas, principalmente, pela devolutiva verbal. Ela deve ter um caráter interventivo, na medida em que a instituição reflete e internaliza as indicações fornecidas pelo informe. As indicações preveem um prognóstico a partir de sua efetivação e da sua não efetivação. Com as informações obtidas a partir do diagnóstico, o psicopedagogo vai elaborar um plano de trabalho interventivo. Modelo INFORME PSICOPEDAGÓGICO INSTITUCIONAL 1 – DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Nome: Direção responsável: Endereço: Período da avaliação: 2 – MOTIVO (Queixa) 3 – INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO Dimensão cognitiva Observação de aulas Dimensão funcional EOCMEA Entrevistas Dimensão afetiva Técnicas projetivas psicopedagógicas Dinâmicas de grupo Dimensão social Histórico Análise de dados estatísticos Observação de alunos e do funcionamento da escola em atividade 4 – RESULTADOS OBTIDOS Neste espaço, pode-se descrever em detalhes cada ação desenvolvida (um resumo dela ou somente a análise), desde a conversa inicial, passando pela EOCMEA e os diversos instrumentos de avaliação (entrevista, observação de aula, observação de alunos, técnicas projetivas, dinâmica de grupo, dados históricos e levantamento estatístico), abordando cada resultado dentro das perspectivas das dimensões da estrutura, da interação, do conhecimento e da dimensão funcional, conforme apresentado no tema 4 desta aula. 5 – CONCLUSÃO A avaliação psicopedagógica desenvolvida nessa instituição foi proveniente de uma queixa sobre o não comprometimento dos professores com suas responsabilidades e pelos problemas disciplinares que acometem a instituição em todas as instâncias. Após o grupo de professores ser definido como a equipe de amostragem, os resultados revelaram que a modalidade de aprendizagem entre as pessoas na escola acontece de forma dissociativa, havendo um comportamento centralizador por parte da gestão, o que acarreta uma relação de dependência da parte dos colaboradores. Visando obter maior pertença, colaboração e eficácia no trabalho, é necessário um Projeto de Intervenção Psicopedagógico que privilegie rever documentos, organizar o regimento, elaborar manuais de procedimentos e orientações, planejar 12 formação continuada, organizar organograma e funções, tudo com foco na elaboração de um planejamento estratégico participativo da instituição. 6 – ORIENTAÇÕES E ENCAMINHAMENTOS A proposta de intervenção tem por objetivo elaborar o Planejamento Estratégico Institucional com a participação dos colaboradores e dos gestores, incluindo todos os aspectos citados na conclusão e os discutidos verbalmente na apresentação deste documento. Para isso, é indicada a realização de encontros quinzenais com os professores, com duração de duas horas, sendo a primeira hora voltada para o momento denominado dinâmica ,e a segunda para o grupo com Atitude Operativa. ________, _____/20___ Atenciosamente, FINALIZANDO E como no tecer de linhas que produzem peças para o encantamento dequem adquire um vestido, uma manta ou um cobertor, a construção de um processo de avaliação psicopedagógica institucional requer a sabedoria de tecer e produzir, oferecendo a quem espera o resultado desse produto algo que sintetize, faça efeito de encantamento e transformação. Após cinco aulas entendendo como avaliar na escola, conhecendo os caminhos que compõem a prática do psicopedagogo, seus instrumentos, sua observação e interpretação (queixa, observação do sintoma, EOCMEA, instrumentos avaliativos, hipóteses e devolutiva — permeados pelos conceitos de cone invertido, observação dinâmica e temática, enquadramento, grupo operativo, dinâmica de grupo, psicodrama, epistemologia convergente e teoria sistêmica — caminhamos para uma etapa tão importante quanto esta, que é a de propor a intervenção baseada no modelo de atitude operativa, conteúdo da próxima e última aula deste módulo do Curso de Psicopedagogia. LEITURA OBRIGATÓRIA DA DISCIPLINA: Texto de abordagem teórica Análise de dados ganha espaço na Gestão Escolar. Disponível em: <http://www.revistaeducacao.com.br/analise-de-dados-ganha-espaco-na-gestao- escolar/>. Acesso em: 01 set. 2018. Texto de abordagem prática O “distúrbio de atenção” dos educadores e o desenvolvimento da “sovivência” na infância e na adolescência. Disponível em: 13 <http://monteserrataprendizagem.com/o-disturbio-de-atencao-dos-educadores-e- o-desenvolvimento-da-sovivencia-na-infancia-e-na-adolescencia/>. Acesso em: 21 jul. 2018. 14 REFERÊNCIAS BARBOSA, L. M. S. A psicopedagogia no âmbito da instituição escolar. Curitiba: Expoente, 2001. _____. (Org.). Intervenção psicopedagógica no espaço da clínica. Curitiba: IBPEX, 2010. BARBOSA, L. M. S.; CARLBERG, S. O que são consignas? Contribuições para o fazer pedagógico e psicopedagógico. Curitiba: InterSaberes, 2014. BARRETO, M. F. M. Dinâmica de grupo: história, prática e vivências. 4. ed. Campinas: Alínea, 2010. BLEGER, J. Psicologia da conduta. Porto Alegre: Artes Médicas, 1984. CARLBERG, S. Psicopedagogia: uma matriz do pensamento diagnóstico no âmbito clínico. Curitiba: InterSaberes, 2012. FERNANDEZ, A. A inteligência aprisionada. 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