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1 MANUAL TEÓRICO DE HEMATOLOGIA CLÍNICA PROFESSOR MSc EDIBERTO NUNES BELÉM - PARÁ AGOSTO - 2018 2 ÍNDICE 1 - SANGUE E HEMATOPOESE 03 2 - ERITROPOESE 07 3 - ESTUDO DA HEMOGLOBINA 11 4 - DIAGNÓSTICO DE ANEMIA 14 5 - ANEMIAS CARENCIAIS 18 6 - ANEMIAS HEMOLÍTICAS 30 7 - DISTÚRBIOS GENÉTICOS DA HEMOGLOBINA 33 8 - INTERPRETAÇÃO DE EXAMES LABORATORIAIS NAS ANEMIAS 46 9 - GRANULOCITOPOESE 53 10 - AGRANULOCITOPOESE 59 11 - ESTUDO DOS LEUCÓCITOS 62 12 - ESTUDO DA HEMOSTASIA 69 13 - ESTUDO DA COAGULAÇÃO SANGUÍNEA 74 14 - HEMOGRAMA 78 15 - INTERPRETAÇÃO DO HEMOGRAMA 86 16 - CONSIDERAÇÕES GERAIS DE NEOPLASIAS 97 17 - LEUCEMIA MIELÓIDE CRÔNICA 103 18 - LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA 110 19 - DISTÚRBIOS MIELOPROLIFERATIVOS 124 20 - LEUCEMIA LINFÓIDE CRÔNICA 130 21 - LEUCEMIA LINFÓIDE AGUDA 136 22 - LINFOMA DE HODGKIN 143 23 - LINFOMA NÃO HODGKIN 148 24 - MIELOMA MÚLTIPLO E DOENÇAS RELACIONADAS 154 25 - DISTÚRBIOS DA HEMOSTASIA 161 26 - DISTÚRBIOS DA COAGULAÇÃO 168 27 - INTERPRETAÇÃO DE EXAMES LABORATORIAIS EM P. BENIGNO E MAL. 175 LITERATURA CONSULTADA E MATERIAL BIBLIOGRÁFICO UTILIZADO 183 3 1 - SANGUE E HEMATOPOESE O sangue é um tecido fluido, formado por uma porção celular que circula em suspensão num meio líquido, o plasma. A porção celular representa 45% de um volume determinado de sangue, enquanto o plasma representa os 55% restantes. A parte celular é denominada hematócrito. A porção acelular ou plasma é constituído por 92% de água, os restantes 8% são formados por proteínas, sais minerais e outros constituintes orgânicos em dissolução. SANGUE Plasma: 55%. Água: 92%. Proteínas Plasmáticas: 7%. Outros Solutos: 1%. Elementos Figurados: 45%. Eritrócitos: 99%. Plaquetas: <1%. Leucócitos: <1%. SANGUE E SEUS COMPONENTES CONCENTRAÇÕES DAS CÉLULAS NO SANGUE PERIFÉRICO 4 PROTEÍNAS DO PLASMA VOLUME SANGUÍNEO Num homem adulto e normal, com peso corpóreo de 75 Kg, o volume total de sangue é de aproximadamente, 5.000 mL (62,4 mL/Kg de peso, ou seja, 4.680 mL). O volume total dos eritrócitos corresponde a 28,2 mL/Kg de peso, ou 2.120 mL. Nas mulheres, esses valores são um pouco menores: 61,9 mL/Kg de peso corpóreo, ou seja, 3.404 mL de volume sanguíneo total, considerando-se um peso médio de 55 Kg. Os eritrócitos compreendem um volume de 1.390 mL ou 25,3 mL/Kg de peso. FLUXO SANGUÍNEO O fluxo sanguíneo é mantido normal pelos batimentos cardíacos. As células sanguíneas em suspensão são impulsionadas, constantemente, por esses impulsos cardíacos. Forma-se dentro dos vasos arteriais uma turbulência que leva a certa organização das células no seu interior. Os eritrócitos, em número maior do que as demais células situam-se em posição central no fluxo sanguíneo. Os leucócitos e as plaquetas circulam ocupando a posição lateral em relação à coluna de eritrócitos, próximos à parede vascular. FUNÇÕES DO SANGUE Transporte de gases dissolvidos, nutrientes, hormônios, escórias do metabolismo. Papel regulador na distribuição de calor. Equilíbrio ácido-básico e do equilíbrio osmótico. Defesa contra toxinas e patógenos por intermédio dos leucócitos. Hemostasia do sangue. Manutenção da homeostase orgânica. PERÍODOS DA HEMATOPOESE EMBRIONÁRIO: as primeiras células sanguíneas do homem surgem por volta da 7ª ou 8ª semana de vida, no saco vitelino e esse período encerra no 4º mês de gestação. 5 HEPATOESPLÊNICO: a partir do 2º ao 7º mês de vida fetal as células sanguíneas começam a ser produzidas pelo baço e fígado. MIELÓIDE: a partir do 6º mês de vida fetal a porção esponjosa dos ossos assume a produção das células sanguíneas e mantém por toda a vida. MEDULA ÓSSEA A medula óssea do adulto situa-se nos ossos esponjosos: esterno, ossos ilíacos e costelas. Em conjunto, forma um órgão de grande porte, maior do que o fígado, com peso aproximadamente de 1.500 g. A medula óssea produtora de células é muito vascularizada (cor vermelho-escura). À medida que deixa de ser ativa, vai se tornando rica em células gordurosas (amarela). MICRO AMBIENTE DA MEDULA ÓSSEA A medula óssea constitui-se em ambiente adequado para sobrevida, autorrenovação e formação das células progenitoras diferenciadas. Esse meio é composto por células do estroma e uma rede microvascular. As células do estroma incluem: macrófagos, fibroblastos, adipócitos e células endoteliais, e secretam moléculas extracelulares, como: colágeno, glicoproteínas (fibronectina e trombospondina) e glicosaminoglicanos (elementos de matriz extracelular). Além de secretarem vários fatores de crescimento necessários à sobrevivência da célula tronco. HEMATOPOESE Também conhecido como hemocitopoese ou hematopoiese é o processo de renovação celular do sangue por meio de processos mitóticos, pois estas células possuem vida muito curta. Esse processo ocorre nos órgão hemocitopoéticos. Célula pluripotente, totipotente, stem cell ou célula-tronco (CT) é uma célula indiferenciada capaz de proliferar e de originar outras células-tronco e células com capacidade de se diferenciar em células com capacidade funcional normal. Toda célula-tronco tem capacidade de auto-renovação e pluripotencialidade, ou seja, tem plasticidade. A plasticidade diminui à medida que a célula-tronco se diferencia, ou seja, se compromete com uma linhagem celular específica. Elas são divididas teoricamente em CT embrionárias que têm a capacidade de dar origem desde as células do sangue até os neurônios. Fonte: Livro Fundamentos de Hematologia de A. V Hoffbrand. 6 Fonte: Livro Fundamentos de Hematologia de A. V. Hoffbrand. FATORES DE CRESCIMENTO HEMATOPOÉTICOS São hormônios glicoprotéicos que regulam a proliferação e a diferenciação das células progenitoras hematopoéticas e a função das células sanguíneas maduras. Podem agir no local em que são produzidos por contato célula ou podem circular no plasma. Podem causar proliferação e também diferenciação celular. Os principais fatores de crescimento são: AÇÕES NAS CÉLULAS DO ESTROMA IL - 1 (Interleuquina - 1). TNT (Fator de Necrose Tumoral). AÇÕES NAS CÉLULAS-TRONCO PLURIPOTENTES SCF (Fator de Estimulante de Colônia). FLT3-L. VEGF (Fator de Crescimento do Endotélio Vascular). AÇÕES NAS CÉLULAS PROGENITORAS MULTIPOTENTES IL - 3 (Interleuquina – 3). IL - 6 (Interleuquina – 6). GM-CSF (Fator Estimulante de Colônias Granulocíticas e Macrofágicas). G-CSF (Fator Estimulante de Colônias Granulocíticas). Trombopoetina. AÇÕES NAS CÉLULAS PROGENITORAS COMPROMETIDAS G-CSF (Fator Estimulante de Colônias Granulocíticas). M-CSF (Fator Estimulante de Colônias Macrofágicas). IL - 5 (Interleuquina - 5) e CSF (Fator Estimulante para Eosinófilo). Eritropoetina. Trombopoetina. 7 ESTUDO DO SANGUE DA MEDULA ÓSSEA MIELOGRAMA É o exame utilizado para estudar os elementos figurados do sangue no ambiente da medula óssea. A obtenção da amostra de sangue é pela punção de agulha em ossos longos do tipo: fêmur, tíbia e às vezes no esterno e quadril. ESTUDO DO SANGUE PERIFÉRICO HEMOGRAMA É o exame utilizado para estudar os elementos figurados do sangue no ambiente periférico. A obtenção da amostra de sangue é por punção venosa ou arterial. As células do sangue periférico são estudadas em esfregaços. Os esfregaços são preparados sobre uma lâmina de vidro, onde as células ficam distendidas e espalhadas. Após coloração com corantes específicos como: Wright e Giemsa e outros são observadas ao microscópio ótico comum. As células dosangue periférico são: eritrócitos, plaquetas, neutrófilos, eosinófilos, basófilos, monócitos e linfócitos. 2 - ERITROPOESE A eritropoese é regulada pelo hormônio ERITROPOETINA. Eritropoetina é um polipetídio pesadamente glicosilado de 165 aminoácidos, com peso molecular de 34 Kda. Em geral, 90% do hormônio é produzido nas células intersticiais peritubulares renais, e 10% no fígado e em outros locais. Não há reservas pré-formadas, e o estímulo para a produção de eritropoetina é a tensão de oxigênio nos tecidos dos rins. A hipóxia induz fatores (HIF 2 α e β) que estimula a produção de eritropoetina. A eritropoeitina estimula a eritropoese, aumentando o número de células progenitoras Fonte: Livro Fundamentos de Hematologia de A. V. Hoffbrand. 8 CÉLULAS DA SÉRIE ERITROCÍTICA Fonte: Livro Fundamentos de Hematologia de A. V. Hoffbrand. CARACTERÍSTICAS CELULARES DA SÉRIE ERITROCÍTICA PRÓ-ERITROBLASTO Célula grande: entorno de 20 micras de diâmetro. Núcleo: grande e cromatina jovem. Nucléolo: um ou dois. Citoplasma: basófilo. Atividade na síntese de proteínas: ainda não sintetiza hemoglobina. OBS: cada pró-eritroblasto, após 20 horas de vida, sofre o processo de mitose e origina dois eritroblastos basófilos e no final da eritropoese 16 eritrócitos. Legenda: A) Pró-eritroblasto; B) Eritroblasto Policromático; C) Eritroblasto Ortocromático e D) Eritrócito (SETA). A C B B D 9 ERITROBLASTO BASÓFILO Característica da célula: circular com o núcleo ocupando 2/3 do volume total. Núcleo: com cromatina jovem não visualiza nucléolo. Citoplasma: basófilo menos intenso. Atividade na síntese de proteínas: começa a sintetizar hemoglobina. OBS: o Eritroblasto Basófilo tem vida média de 40 horas e por mitose, origina o Eritroblasto Policromático. ERITROBLASTO POLICROMÁTICO Característica da célula: menor que o Eritroblasto Basófilo e se destaca pela gradativa incorporação da acidofilia no citoplasma promovida pelo aumento da concentração de hemogrobina. Núcleo: diminui proporcional ao seu envelhecimento. Tempo de vida: próximo de 24 horas. Atividade na síntese de hemoglobina: é entre 10 – 25 mmg. ERITROBLASTO ORTOCROMÁTICO Legenda: 1) Eritroblasto Basófilo; 2) Eritroblasto Policromático e 3) Eritrócito (SETA). 3 Legenda: 1) Eritroblasto Policromático; 2) Eritroblasto Ortocromático e 3) Eritrócito (SETA). 3 10 Característica da célula: ao envelhecer o núcleo desloca-se para a periferia e é expulso ou sofre lise. Núcleo: inicialmente localizado no centro da célula e ocupa ¼ do volume celular. Tempo de vida: próximo de 30 horas. Atividade na síntese de hemoglobina: entre 13 – 25 mmg. Legenda: A) Eritroblasto Ortocromático e B) Eritrócito (SETA). RETICULÓCIKTO Característica da célula: caracteriza-se pela presença de estruturas filamentosas reticulares ou granulares (RNA) em aproximadamente 0,5 a 2% do total dos eritrócitos. Estas estruturas são distinguidas apenas com coloração supra vital (azul de metileno novo ou azul de cresil brilhante). Circulação 24 - 48h (perda de organelas): transforma em eritrócitos. Legenda: A) Reticulócito corado pelo método de azul crezil brilhante e B) Eritrócito (SETA). ERITRÓCITO OU HEMÁCIA A A B B A B A B Antônio Raphael eritroblasto ortocromatico 11 O eritrócito assemelha-se a um disco bicôncavo, com um diâmetro de 7,5 – 9,0 micras de espessura. Eritrócito maior de 9 micras é denominado de macrócito e o menor de 6 micras é denominado de micrócito. Os eritrócitos são preenchidos por uma grande molécula protéica chamada de hemoglobina, que consiste de duas partes: uma protéica (globina) e a outra o heme que contém ferro. FUNÇÕES: transporte de gases. ANEMIAS: talassemia, ferropriva, falciforme, etc. HEMATÓCRITO: 45 – 55%. VALORES NORMAIS: - HOMEM: 4.500.000 – 5.000.000/mm3 de sangue. - MULHER: 4.200.000 – 4.500.000/mm3 de sangue. SISTEMA ABO DO GRUPO SANGUÍNEO: A, B, AB e O. VIDA MÉDIA: 120 dias (baço, medula óssea e fígado). FATORES ESSENCIAIS PARA FORMAÇÃO: hormônios (eritropoietina, andrógenos e tiroxina), ferro, cobalto, vitaminas (C, E, B6 e B12) e ácido fólico. 3 - ESTUDO DA HEMOGLOBINA ESTRUTURA DA HEMOGLOBINA Substância de 64.500 daltons. 2 partes: heme e globina (protéica). Função: promover absorção, transporte e liberação de oxigênio nos tecidos. 1 molécula de hemoglobina fixa 4 o2 ao ferro (oxihemoglobina). Ferro (heme) chega ao eritroblasto ligado à ferritina. GLOBINA Maior porção da molécula de hemoglobina. Síntese no ribossoma citoplasmático. 4 cadeias polipeptídicas. Hb A (hemoglobina do adulto), as cadeias são chamadas de globina α e globina β. Cadeias similares: sequência de 141 aminoácidos (cadeia α) ou 146 aminoácidos (cadeia β). OBS: cada eritrócito contém aproximadamente 640 milhões de moléculas de hemoglobina. HEME Molécula planar: condensação de quatro núcleos pirrólicos (átomo de Fe++). Anel Tetrapirrólico (pontes meteno): protoporfirina ponto em que o ferro é incorporado à molécula = HEME. Cada cadeia de globina tem uma bolsa onde se fixa o heme. Esta cavidade é forrada por aminoácidos hidrófobos, que impedem a entrada de água, protegendo o ferro contra a oxidação. SÍNTESE DA HEMOGLOBINA 12 PRODUÇÃO DURANTE A ERITROPOESE: acumulando-se em eritroblastos basófilos, policromatófilos e ortocromáticos. SÍNTESE DO HEME: ocorre principalmente nas mitocôndrias por uma série de reações bioquímicas que começa na condensação de glicina e succinil-coezima A (Succinil CoA) por ação do ácido δ-aminolevulínico sintetase. O fosfato de piridoxina (vitamina B6) é uma coenzima dessa reação que é estimulada por eritropoetina. AO FINAL: a protoporfirina combina-se com o FERRO no estado ferroso (Fe2+) para formar o HEME: cada molécula de heme combina-se com uma cadeia de globina feita nos polirribossomos. SÍNTESE DE GLOBINAS: retículo endoplasmático. A SÍNTESE DE CADEIAS α E DE CADEIAS β: são controladas de maneira independente, mas coordenadas. HEME: a quantidade disponível também exerce um controle parcial sobre a síntese de globinas. Na anemia ferropriva, onde há uma deficiência na síntese do heme, há uma concomitante redução da produção de globina. OS DEFEITOS HEREDITÁRIOS DA SÍNTESE DE HEMOGLOBINAS Alterações dos genes da globina. Mutações comuns e variadas. DEFEITOS HEREDITÁRIOS DAS HEMOGLOBINAS Alterações estruturais das hemoglobinas: Hemoglobina com estrutura da cadeia de globina anormal (HbS, HbC, HbD). Defeitos do ritmo de síntese: nas talassemias (desequilíbrio da síntese das cadeias α e β). Persistência hereditária da hemoglobina fetal: quadro assintomático em que persiste a síntese de quantidades apreciáveis de HbF na vida adulta. MEMBRANA DO ERITRÓCITO São altamente deformáveis. Capacidade de deformação: estrutura anatômica da membrana. Lipídeos (parte externa): fosfolipídeos e colesterol livre. - Dupla camada: - Porção externa: fosfatidilcolina e esfingomielina. - Porção interna: fosfatidileterolamina e fosfatidilserina. - Parte hidrofóbica da membrana: (colesterol) flexibilidade e deformabilidade celular. Proteínas (citoesqueleto): - Transmembranosas: glicoforinas ”A” e “B”. - Periféricas: citoesqueleto eritrocitário (espectrina e actina). Alterações nas proteínas membranosas: instabilidade da camada lipídica (modificações dos eritrócitos esféricos). Alterações componentesda membrana: mudanças na forma e diminuição da resistência aos traumatismos na circulação (destruição eritrocitária). Para que a hemoglobina esteja em contato estreito com os tecidos e para que ocorra sucesso das trocas gasosas, o eritrócito, com 8 micras de diâmetro, deve ser capaz de passar repetidamente através da microcirculação, cujo o diâmetro mínimo é de 3,5 micras, 13 manter a hemoglobina em forma reduzida (ferrosa) e manter o equilíbrio osmótico, apesar da alta concentração de proteína (hemoglobina) na célula. A viagem completa de um eritrócito, ao longo de seus 120 dias de sobrevida, foi calculada em 480 Km para executar essas funções. METABOLISMO ENERGÉTICO DOS ERITRÓCITOS Sem núcleo e mitocôndrias no citoplasma os eritrócitos normais se mantêm por 120 dias, metabolizando a glicose através das vias glicolíticas (Embden-Meyerhof) e de pentose fosfato (desvio hexose-monofosfato). Desse modo os eritrócitos são capazes de gerar energia como ATP que é necessário para manter a forma e a flexibilidade da célula bem como o conteúdo em cations e água através da ação de bombas de sódio e cálcio. Via Rapoport-Luebering: produção de 2,3 difosfoglicerato (2,3-DPG), regula a liberação do oxigênio pela hemoglobina no tecido. Quanto maior o conteúdo em 2,3-DPG do eritrócito, mais facilmente o oxigênio é liberado. VIA DE META-HEMOGLOBINA-REDUTASE Meta-hemoglobina: Fe++ (ferroso) em Fe+++ (férrico). Sistemas redutores: equilíbrio entre oxidação e redução. Meta-hemoglobina redutase: principal via redutor da célula. Sistema redutor eritrócito deficiente: precipitação da hemoglobina (agregados no citoplasma - corpúsculo de Heinz). Deficiência de enzimas: glicose - 6 - fosfato: conseqüência (anemia hemolítica). DESTRUIÇÃO DOS ERITRÓCITOS 100 - 120 dias na circulação (grandes a pequenos capilares): agressões. Atravessar a poupa vermelha do baço: permanecem nos capilares (estrutura sinusoidal, revestida por macrófagos). Eritrócitos envelhecidos: membrana rígida e menos deformável (retidos nos sinusóides esplênicos, fagocitados - destruição extravascular). Ação de enzimas (citoplasma das células): rompimento. Hemoglobina: heme e globina. Globina: separada em aminoácidos/reutilização no plasma. Heme: liberação do ferro (transferrina plasmática) levados à medula óssea (reaproventandos pelos eritroblastos) e converte em bilirrubina. BILIRRUBINA É um pigmento verde amarelado, insolúvel em água. Os eritrócitos após 120 dias são desintegrados no Sistema Retículo Endotelial (baço e medula óssea), liberando hemoglobina, que por sua vez, é decomposta em 3 componentes: ferro, protoporfirina e globina. O ferro vai ser armazenado e será reutilizado na síntese da hemoglobina. A globina é degradada e volta ao reservatório de aminoácidos e a protoporfirina é convertida em bilirrubina indireta (insolúvel) e vai ao sangue. A bilirrubina indireta chegando ao fígado é conjugada com ácido glicurônico, transformando em bilirrubina direta (solúvel). A bilirrubina direta é excretada pelas vias biliares. Chegando ao intestino é convertida em estercobilinogênio pelas bactérias da flora intestinal. Parte deste estercobilinogênio (10 - 14 20%) é reabsorvido e eliminado na urina na forma de urobilinogênio e o restante (80 - 90%) como estercobilinogênio nas fezes. O aumento da bilirrubina torna-se clinicamente evidente na forma da coloração amarelada da pele e das escleróticas (icterícia). Exames utilizados para dosar as bilirrubinas: - No soro ou plasma quimicamente dosa-se a BILIRRUBINA DIRETA, INDIRETA e a soma das duas teremos a BILIRRUBINA TOTAL. 4 - DIAGNÓSTICO DE ANEMIA INTRODUÇÃO Anemia não é um diagnóstico, mas sim um sinal de doença. Como a febre, ela significa que existe uma doença de base e requer explicação, não apenas um tratamento. História de pacientes anêmicos deve fornecer dados sobre: Quando a anemia começou: anemia contínua ou surtos de anemia durante muitos anos. A gravidade dos sintomas circulatórios cerebrais relacionados à severidade da anemia. A possibilidade de perda sanguínea crônica: o paciente pode perder uma grande quantidade de sangue pelo trato gastrointestinal lentamente e não notar o sangramento. A possibilidade de episódios de hemólise: icterícia leve, urina escura e fezes normais a escuras. A presença de sintomas neurológicos: dormência ou queimação nas mãos. Tratamento prévio para anemia: saber a deficiência específica ou causa. ASPECTOS CLÍNICOS DA ANEMIA As principais adaptações à anemia ocorrem no sistema cardiovascular (com aumento do volume sistólico e taquicardia). Alguns pacientes com anemia severa podem não ter sinais nem sintomas, enquanto outros, com anemia leve, podem ter severa incapacidade. A presença ou a ausência de sinais clínicos podem ser consideradas de acordo com quatro fatores principais: 1) VELOCIDADE DE INSTALAÇÃO DA ANEMIA: anemia rapidamente progressiva causa mais sintomas que anemia de instalação lenta. 2) INTENSIDADE DA ANEMIA: uma anemia leve geralmente não causa sinais e sintomas, mas eles estão presentes quando a hemoglobina está abaixo de 9 a 10 g/dL. Mesmo uma anemia severa (hemoglobina da ordem de 6 g/dL) pode causar sintomas discretos quando a instalação for gradual e acometer um indivíduo jovem sem outra doença. 3) IDADE: o idoso tolera menos a anemia do que o jovem, devido ao efeito da falta de oxigênio nos órgãos quando a compensação cardiovascular está diminuída. 4) CURVA DE DISSOCIAÇÃO DE OXIGÊNIO DA HEMOGLOBINA: em geral, a anemia é acompanhada de aumento de 2,3-DGP nos eritrócitos, de forma que o oxigênio é liberado de forma imediata para os tecidos. EXAME FÍSICO PELE: palidez isolada sugere uma anemia ferropriva, palidez associada a icterícia leve sugere uma anemia com componente hemolítico, palidez com petéquias ou púrpura sugere associar com leucemias ou insuficiência global da medula. Úlcera de perna sugere anemia falciforme. A palidez das mucosas pode ser notada se o nível de hemoglobina for menor que 9 a 10 g/dL. 15 FUNDO DE OLHO: podem ser vistas hemorragias importantes em qualquer anemia severa de qualquer etiologia. BOCA: uma língua lisa sugere a possibilidade de anemia perniciosa ou por deficiência severa de ferro. ABDOME: esplenomegalia moderada sugere anemias hemolíticas. SISTEMA NERVOSO: os achados de degeneração subaguda associada significam anemia perniciosa. AVALIAÇÃO LABORATORIAL INICIAL A AVALIAÇÃO LABORATORIAL DE UMA ANEMIA DEVE COMEÇAR POR PROCEDIMENTOS SIMPLES HEMOGRAMA: que inclui a determinação da contagem de eritrócitos, dosagem da hemoglobina, hematócrito e os índices hematimétricos (VCM, HCM e CHCM), contagem de plaquetas e contagem de leucócitos e avaliação morfológica. CONTAGEM DE RETICULÓCITOS AS FINALIDADES DESTES EXAMES INICIAIS SÃO: Classificar a anemia com base no tamanho dos eritrócitos. Estabelecer a presença ou ausência de anormalidades morfológicas dos eritrócitos. Procurar indicadores morfológicos para o diagnóstico a partir dos leucócitos e plaquetas. Identificar as bases cinéticas para a anemia, como uma produção insuficiente de eritrócitos, perda rápida ou ambos. VALORES DE REFERÊNCIA HOMEM MULHER - ERITRÓCITOS: 4.500.00/mm3 4.200.00/mm3. - HEMOGLOBINA: 15 - 17 g/dL 15 - 17 g/dL. - HEMATÓCRITO: 45 – 55% 42 - 45%. - VCM: 80 - 100 fL. - HCM: 26 - 32 pg. - CHCM: 32 - 36%. - RDW: 12 - 16%. AO NÍVEL DO MAR, DEVE SUPEITAR DE ANEMIA EM UM ADULTO QUANDO: HOMEM MULHER - ERITRÓCITOS: <4.500.00/mm3<4.000.00/mm3. - HEMOGLOBINA: <14,0 g/dL <12 g/dL. - HEMATÓCRITO: <41% <37%. ÍNDICES HEMATIMÉTRICOS VOLUME CORPUSCULAR MÉDIO (VCM) CÁLCULO: divide-se o hematócrito pelo número de eritrócitos. VALOR DE REFERÊNCIA: 80 a 100 fento litro (fL), usa-se para classificar a anemia quanto ao tamanho. Normocítica, microcítica ou macrocítica. HEMOGLOBINA CORPUSCULAR MÉDIA (HCM): é o peso de hemoglobina no eritrócito. CÁLCULO: divide-se a hemoglobina pelo número de eritrócitos. VALOR DE REFERÊNCIA: 26 a 32 pg. CONCENTRAÇÃO DE HEMOGLOBINA CORPUSCULAR MÉDIA (CHCM) 16 CÁLCULO: divide-se a hemoglobina pelo hematócrito, isto é, pelo volume de sangue total ocupado por eritrócitos. VALOR DE REFERÊNCIA: 32 a 36%. Usa-se para classificar a anemia quanto à cor. Normocrômica e hipocrômica. AMPLITUDE DE DISTRIBUIÇÃO DOS ERITRÓCITOS (ADE ou RDW): mede o índice de anisocitose. VALOR DE REFERÊNCIA: 12 a 16%. Legenda: ANEMIA MICROCÍTICA E HIPOCRÔMICA. A) Eritrócito microcítico e B) Eritrócito hipocrômico (SETA). Legenda: A) Anemia Macrocítica e Normocrômica e B) Anemia Normocítica e Normocrômica (SETA). MORFOLOGIA DOS ERITRÓCITOS ESTUDO DO ESFREGAÇO SANGUÍNEO Ao estudar o esfregaço sanguíneo e observar a presença de macrócitos policromáticos, geralmente significa que a eritropoese foi estimulada por quantidades aumentadas de eritropoetina, por outro lado uma pequena quantidade de macrócitos e presença de eritroblastos ortocromáticos no esfregaço significam diminuição de estímulo da medula óssea. A A A B B A B A A 17 Alterações morfológicas são sugestivas de distúrbios na produção de eritrócitos ou de uma hemoglobinopatia, por exemplo: Células ovais ou forma de lágrima são vistas na anemia megaloblástica. Siderócitos, que são células contendo ferro não ligados a hg na forma de grânulos de ferritina podem indicar síntese de hg prejudicada, não devido a falta de ferro. Eritrócitos em alvo: são encontrados em pacientes com doença hepática, nas talassemias, anemias hemolíticas, etc. Pontilhado basófilo: resulta da precipitação de RNA dos ribossomos, observa-se nas talassemias e envenenamento por chumbo. Legenda: A) Policromasia; B) Eritroblasto Ortocromático; C) Esferócito e D) Condócito (SETA). AVALIAÇÃO DA DESTRUIÇÃO DOS ERITRÓCITOS MORFOLOGIA DOS ERITRÓCITOS A hemólise está frequentemente associada à evidência de eritrócitos danificados ou, de alguma forma, anormais no esfregaço de sangue periférico, procuram-se o seguinte: ESFERÓCITOS: são eritrócitos redondos ao invés de bicôncavos, porque perderam partes de sua membrana celular. ERITRÓCITOS FRAGMENTADOS: a lesão mecânica aos eritrócitos leva à hemólise caracteriza por células fragmentadas. CÉLULAS FANTASMAS: são células que perderam sua hg e podem ser encontradas no esfregaço. CÉLULAS AGLUTINADAS: quando a hemólise é causada por um anticorpo contra eritrócitos, visualizamos as figuras de “rouleaux”, onde os eritrócitos se empilham. CÉLULAS FALCIZADAS: os eritrócitos não conseguem readquirir uma forma normal quando o sangue é exposto ao oxigênio do ar ambiente. CÉLULAS MORDIDAS: ação do Sistema Monocítico Fagocitário. DOSAGEM DE DESIDROGENASE LÁTICA (DHL): aumentada. DOSAGEM DAS BILIRRUBIBAS: aumentadas. CARACTERÍSTICAS OU SINAIS DE HEMÓLISE Policromasia. B B A A C C D D 18 Reticulocitose. Hemoglobinúria. Macrocitose. Esferócitos. Esquizócitos. Codócitos. Inclusões eritrocitárias. Drepanócitos. Bilirrubina indireta aumentada. Desidrogenase Lática (DHL): aumentada. Legenda: A) Drepanócito (eritrócito em forma de foice) e B) Esquizócitos (eritrócitos fragmentados) (SETA). 5 - ANEMIAS CARENCIAIS 5.1 - ANEMIA FERROPRIVA Ocorre quando há diminuição e/ou esgotamento das reservas de ferro nas células do Sistema Mononuclear Fagocitário (SMF), em macrófagos, na forma de ferritina. É a anemia mais frequente no mundo inteiro atingindo principalmente lactentes, mulheres grávidas, crianças em crescimento e idosos. A absorção de Fe, que ocorre no duodeno e no jejuno, depende da quantidade de ferro nos depósitos e das células da mucosa intestinal, sendo a forma ferrosa a mais solúvel e de mais fácil absorção. Os fatores que favorecem a absorção incluem o ácido clorídrico, ácido ascórbico (vitamina C), ácido cítrico e ácido lático, enquanto substâncias alcalinas, fosfatos, fitatos, café, chá, leite e açúcar podem dificultar a absorção. O transporte e o armazenamento de ferro ocorrem à custa de três proteínas, a saber, a transferrina, o receptor de transferrina e a ferritina. A transferrina transporta o ferro (até 2 átomos) aos eritroblastos na medula óssea, os quais possuem receptores de transferrina que incorporam o ferro à hemoglobina. Após cumprir sua vida média, os eritrócitos são destruídos nos macrófagos do sistema reticuloendotelial. O ferro da hemoglobina vai para o plasma onde se liga à transferrina como B B B A A 19 também pode ir para a reserva de ferro do organismo nos casos onde não se tem carência do elemento. Portanto, o ferro ligado à transferrina vem do reaproveitamento do mesmo e da dieta. A ferritina é formada por uma concha protéica externa denominada apoferritina, na qual podem ser encontrados de 4000 a 5000 átomos de ferro na forma férrica. A vitamina C está implicada na conversão do ferro da forma férrica para a forma ferrosa. Os níveis de ferritina e do receptor de transferrina refletem a quantidade de ferro disponível nas reservas do organismo. O ferro atravessa a membrana do enterócito graças às integrinas e, dependendo das necessidades, se deposita como ferritina ou passa para o sangue, onde é transportado pela transferrina. A anemia ferropriva pode ter como causas a baixa ingestão de ferro, a diminuição da absorção de ferro, o aumento das necessidades de ferro e o aumento das perdas de ferro. CICLO DIÁRIO DO FERRO Fonte: Livro Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. A MANUTENÇÃO DA HOMEOSTASE DO FERRO É extremamente importante para que não ocorra falta ou excesso deste metal, uma vez que ambas as situações são prejudiciais ao funcionamento do organismo. A eritropoese está intimamente ligada à homeostase do ferro, uma vez que constitui o principal destino do ferro no homem e em vários vertebrados. A efetividade deste processo depende diretamente da manutenção do fornecimento adequado de ferro, mecanismo este regulado principalmente pela HEPCIDINA. Sendo assim os avanços na compreensão do metabolismo do ferro e das suas interações com a eritropoese podem resultar em avanços no tratamento das doenças que envolvem estes processos, desde a anemia ferropriva até as hemoglobinopatias. CAUSAS DA DEFICIÊNCIA DE FERRO HEMORRAGIA: gastrointestinal (varizes esofagianas, úlcera péptica, ingestão de aspirina, colite ulcerativa e neoplasias) e uterina. INFESTAÇÃO POR HELMINTOS: Áscaris lumbricóides, Ancilostomídeos, etc. HEMORROIDAS: aguda e crônica. UTERINAS: menorragia antes e pós-parto. VIAS RENAIS: hematúria e diálise crônica. 20 GRAVIDEZ: transferência para o feto. MÁ ABSORÇÃO: gastrite crônica, gastrectomia parcial ou total e enteropatia induzida pelo glúten. DIETA DEFICIENTE: raramente é a causa única ou predominante, especialmente quando a maioria é de vegetais. AVALIAÇÃO DA DEFICIÊNCIA DE FERRO A DEFICIÊNCIA DE FERRO PODE SER DIVIDIDA EM TRÊS ESTÁGIOS: 1º) UTILIZAÇÃO DO DEPÓSITO DE FERRO: Ausência de ferro nos macrófagos na medulaóssea. Nível baixo de ferritina sérica. Capacidade total de fixação do ferro elevada. 2º) ERITROPOESE DEFICIENTE EM FERRO: neste estágio, é fornecido ferro insuficiente aos precursores dos eritrócitos em desenvolvimento para síntese normal da hemoglobina. Microcitose e Hipocromia inicial. 3º) ANEMIA FERROPRIVA: neste estágio todos os achados acima estão presentes. Avaliação da presença de ferro: em macrófagos e nos eritroblastos (sideroblastos) na Medula Óssea (reação de Pearl). Ferritina sérica: reduzida. Transferrina: aumentada. Ferro sérico: reduzido. Capacidade Total de Ligação ao Ferro: aumentada. Índice de Saturação da Transferrina: reduzido. Legenda: A) Coloração positiva, depósitos normais de ferro, notado pela coloração da Prússia nos macrófagos. No destaque, grânulo siderótico em eritroblasto e B) Ausência de coloração azul na deficiência de ferro (SETA). Fonte: Livro Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. A B 21 DIAGNÓSTICO LABORATORIAL HEMOGRAMA: anemia hipocrômica e microcítica. VCM: reduzido. HCM: reduzido. CHCM: reduzido. RDW: aumentado. RETICULÓCITOS: reduzidos (anemia arregenerativa). MEDULA ÓSSEA: não responde com incremento da eritropoese. PLAQUETAS: trombocitose nos casos de hemorragia crônica. Legenda: Anemia Microcítica e Hipocrômica. A) Eritrócito hipocrômico; B) Eritrócito na forma de lápis, típico de anemia ferropriva; C) Micrócito e D) Dacriócito (SETA). TRATAMENTO DA ANEMIA FERROPRIVA B D A C A 22 Para o adulto, a regra terapêutica mais importante é corrigir a causa da perda crônica de sangue. Tratar a anemia com ferro sem descobrir a razão para a perda de sangue poderia prejudicar o paciente, retardando, por exemplo, a descoberta de outra causa. TERAPÊUTICA COM FERRO VIA ORAL Somente o ferro ferroso deve ser usado, porque é muito melhor absorvido do que o ferro férrico. Aproximadamente 180 mg de ferro por dia. Deve ser ingerido com estômago vazio. Resposta: aumento da hemoglobina de 2g/dL em 4 semanas é uma resposta aceitável. Duração do tratamento: até as reservas de ferro voltar ao normal. TERAPÊUTICA PARENTERAL COM FERRO Não é indicado com frequência, mas pode ajudar nas seguintes situações: Quando o paciente precisa receber 100 a 250 mg de ferro por dia. Quando o paciente tem uma doença gastrointestinal. Quando o paciente mostrou-se não confiável para tomar o medicamento. OBS: a resposta hematológica ao ferro por via parenteral não é mais rápida que a resposta à dosagem adequada de ferro por via oral, mas os depósitos são refeitos com mais rapidez. CONTAGEM DE RETICULÓCITOS 23 5.2 - ANEMIAS MEGALOBLÁSTICAS As anemias megaloblásticas caracterizam-se pela deficiência de dois fatores maturativos da eritropoese (deficiência de vitamina B12 e/ou ácido fólico), resultando em anomalias na síntese de DNA. Alterações megaloblásticas (eritroblastos grandes e assincronismo de maturação) são típicas. Estas anemias apresentam eritrócitos com tamanho maior consequente à alteração na maturação dos precursores da série vermelha a qual se deve a uma anomalia na síntese de DNA, afetando também outras séries hematopoéticas. As consequências da alteração na síntese de DNA compreendem a eritropoese ineficaz por degeneração intramedular dos precursores da série vermelha, bem como o assincronismo de maturação núcleo-citoplasmática, resultando em megaloblastos. Legenda: Anemia Megaloblástica. A) Eritroblasto ortocromático gigante; B) Pró-eritroblasto gigante (medula óssea) e C) Neutrófilo multisegmentado gigante (sangue periférico) (SETA). AS ANEMIAS MEGALOBLÁSTICAS PODEM OCORRER EM CONSEQUÊNCIA DE: DEFICIÊNCIA DE VITAMINA B12. DEFICIÊNCIA DE ÁCIDO FÓLICO. OUTRAS CAUSAS: alteração do metabolismo da vitamina B12 e/ou do ácido fólico (deficiência congênita de alguma enzima) e outras alterações da síntese de DNA (uso de citostáticos e óxido nitroso). DEFICIÊNCIAS ENZIMÁTICAS ADQUIRIDAS: abuso de álcool, tratamento com hidroxicarbamida e citarabina. O homem não pode sintetizar a vitamina B12, apenas os microrganismos. Porém esta pode ser adquirida através da ingestão de carne, leite, ovos e pescados. A maioria dos depósitos de vitamina B12 está nos rins e fígado. PROCESSO DE ABSORÇÃO DE VITAMINA B12 A vitamina B12 proveniente do alimento combina-se com uma glicoproteína denominada de fator intrínseco (FI), produzida pelas células parietais da mucosa gástrica, formando um B A A C 24 complexo. Este complexo vitamina B12-FI passa pelo duodeno e chega ao íleo, onde é absorvido. No enterócito há separação da vitamina B12 do FI e a vitamina B12 passa à circulação portal, onde se liga à transcobalamina II, a qual é responsável pelo transporte da vitamina B12 à medula óssea e a outros tecidos. 5.2.1 - ANEMIA PERNICIOSA É causada por agressão autoimune à mucosa gástrica, levando a atrofia do estômago. A produção de fator intrínseco torna-se ausente ou quase ausente. Esta anemia, também chamada anemia de Addison-Biermer, consiste na deficiência de vitamina B12. PODE TER COMO CAUSAS: INGESTÃO DEFICIENTE (VEGETARIANOS RESTRITOS). ALTERAÇÕES NA ABSORÇÃO: Deficiência de fator intrínseco. Gastrectomia radical. Gastrite atrófica. Deficiência de enzimas pancreáticas. Alterações do intestino delgado. Síndrome de alça cega. Enfermidade infiltrativa intestinal. AUMENTO DAS NECESSIDADES FISIOLÓGICAS: Gravidez. Lactação. MAIOR NECESSIDADE EM DECORRÊNCIA DE DOENÇAS: Hipertireoidismo. Leucemias. Anemias hemolíticas. A VITAMINA B12 POSSUI VÁRIAS FUNÇÕES IMPORTANTES TAIS COMO É cofator da metionina sintase, enzima responsável pela metilação da homocisteína em metionina usando metiltetraidrofolato como doador de radical metil, como também participa na transformação de metilmalonilcoenzima A em succinil CoA. Níveis elevados de homocisteína no plasma podem estar refletindo níveis baixos de vitamina B12. Analogamente, a dosagem de ácido metilmalônico na urina com resultados elevados pode também refletir deficiência de B12. AS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS INCLUEM Alterações epiteliais (glossite com língua depapilada, lisa e roxa), subicterícia, alterações neurológicas e psiquiátricas (quadros depressivos ou neuróticos e loucura megaloblástica). TRÊS CARACTERÍSTICAS IMPORTANTES OCORREM NA ANEMIA PERNICIOSA, A SABER: Ausência ou marcada redução de fator intrínseco (FI). Atrofia gástrica (origem auto-imune que afeta as células parietais que secretam HCl e FI) e acloridria. 25 A origem auto-imune pode ser confirmada pela presença de anticorpos anti-células parietais e/ou anticorpos anti-FI. O pico de ocorrência é em torno dos 60 anos, com maior predominância em mulheres. 5.2.2 - ANEMIA POR DEFICIÊNCIA DE ÁCIDO FÓLICO Os folatos são encontrados na maioria dos alimentos (principalmente em verduras frescas, legumes e fígado). Estes se encontram em diferentes estados de oxidação, carboxilação e conjugação. São ingeridos como poliglutamatos, se convertem em monoglutamatos pela ação de enzimas intestinais e são absorvidos no duodeno, transformando-se em metiltetrahidrofolato no enterócito. No sangue periférico, 2/3 dos folatos circulam unidos à albumina e 1/3 na forma livre. A deficiência de ácido fólico costuma ser mais comum do que a de vitamina B12, pois as necessidades de ácido fólico são maiores. Esta anemia pode ter como principais causas: Dieta pobre em vegetais e legumes. Alcoolismo. Alteraçõesna absorção: por grandes ressecções intestinais, má absorção, esteatorréia, medicamentos (barbitúricos, anticoncepcionais, metotrexato). Aumento das necessidades de ácido fólico: gravidez, puberdade, hipertireoidismo, hemólises, leucemias. OBS: a resposta ao tratamento das anemias carenciais pode ser precocemente avaliada no laboratório de Análises Clínicas, mediante a contagem de reticulócitos. 5.2.3 - OUTRAS ANEMIAS MACROCÍTICAS São mais raras e podem ser consequentes a anomalias no metabolismo da cobalamina (Vitamina B12) e do ácido fólico (déficit congênito da enzima transcobalamina II), como também ao uso de drogas antifólicas (metotrexato). Outros defeitos na síntese de DNA podem ocorrer como deficiência congênita de enzimas que participam da síntese de purinas e pirimidinas (por exemplo, a oroticoacidúria que consiste em uma deficiência no metabolismo das pirimidinas). O uso de fármacos que inibem as purinas (GMP, GTG) ou as pirimidinas (5-FU) pode também alterar a síntese de DNA. Alcoolismo, hipotireoidismo, enfermidade hepática, alguns casos de aplasia medular, algumas neoplasias, fármacos citotóxicos, tabagismo, gravidez e hipercolesterolemia. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA DEFICIÊNCIA DE VITAMINA B12 HEMOGRAMA Hemoglobina reduzida. VCM: elevado. HCM e CHCM: podem estar normais. NEUTRÓFILOS: hipersegmentados e megaloblastos. PLAQUETAS: tendência à plaquetopenia. LEUCÓCITOS: tendência à leucopenia. INCLUSÕES CELULARES NOS ERITRÓCITOS: corpúsculo de Jolly; pontilhado basófilo, etc. 26 CONTAGEM DE RETICULÓCITOS: geralmente diminuídos (a alteração está exatamente na maturação dos precursores da medula óssea). ANÁLISES BIOQUÍMICAS VITAMINA B12: reduzida. BILIRRUBINA INDIRETA: discretamente elevada. DESIDROGENASE LÁTICA (DHL): aumentada. ÁCIDO METILMALÔNICO: elevado. ESTUDO DA MEDULA ÓSSEA ERITROPOESE INEFICAZ: aborto intramedular dos precursores e alterações megaloblásticas e hiperplasia da série vermelha, com predomínio de formas imaturas e com relação mielóide-eritróide 1:1 (normal 3:1). OUTROS: Pesquisa de anticorpos anti-células parietais. Pesquisa de Anticorpo anti-FI (fator intrínseco). Teste de Schilling. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA DEFICIÊNCIA DE ÁCIDO FÓLICO O diagnóstico diferencial entre deficiência de vitamina B12 e de ácido fólico faz-se através das dosagens de vitamina B12 e ácido fólico. 27 28 QUESTÕES DE AVALIAÇÕES CLÍNICAS 1) Mulher com 48 anos de idade procurou assistência médica devido à sua palidez e fadiga aos menores esforços. O exame clínico revelou anemia e o médico solicitou os seguintes exames laboratoriais: Parâmetros Resultados Normalidade Unidade Hemoglobina: 8,7 12 - 16 g/dL HCM: 20,2 26 - 32 pg VCM: 64,5 80 - 100 fL Leucócitos: 7.700 5.000 - 10.000 mm 3 Plaquetas: 556.000 150.000 - 400.000 mm 3 Ferritina: 10 12 - 200 mg/L Ferro Sérico: 6 11 - 32 mmol/L CTLFe (TIBC): 90 42 - 80 mmol/L Vit. B12: 221 > 150 ng/L Folatos: 8,2 > 2 mg/L Perguntas: a) Como você faria a interpretação dos resultados laboratoriais? b) Como você explicaria as causas da anemia? 2) Homem com 35 anos de idade e há 15 anos diagnosticado como portador de Doença de Crohn foi submetido a várias cirurgias nos últimos dez anos. Sua mais recente cirurgia envolveu a ressecção e anastomose do intestino delgado. Os exames realizados recentemente mostraram os seguintes resultados: Parâmetros Resultados Normalidade Unidade Hemoglobina: 8,9 12 - 16 g/dL HCM: 27 26 - 32 pg VCM: 92 80 - 100 fL RDW: 20 12 - 16 % Leucócitos: 9.700 5.000 - 10.000 mm 3 Plaquetas: 398.000 150.000 - 400.000 mm 3 Ferro Sérico: 9 11 - 32 mmol/L Ferritina: 10 12 - 200 mg/L CTLFe (TIBC): 80 42 - 80 mmol/L Vt.amina B12: 12 > 150 ng/L Folatos: 1,8 > 2 mg/L Perguntas: a) Como você faria a interpretação dos resultados laboratoriais? b) Como você explicaria as causas da anemia? 3) Mulher com 55 anos de idade é portadora de hipertensão essencial, com pressão arterial constantemente elevada apesar do uso de quatro drogas diferentes para o tratamento. Há poucas semanas o médico iniciou o tratamento com metildopa, porém ontem ela teve que procurar a emergência, pois não estava se sentindo bem. Foram solicitados vários exames laboratoriais, cujos resultados foram os seguintes: 29 Parâmetros Resultados Normalidade Unidade Hemoglobina: 9,2 12 - 16 g/dL HCM: 28 26 - 32 Pg VCM: 91,8 80 - 100 Fl Leucócitos: 7.200 5.000 - 10.000 mm 3 Plaquetas: 376.000 150.000 - 400.000 mm 3 Ferro Sérico: 25 11 - 32 mmol/L Ferritina: 154 12 - 200 mg/L CTLFe – TIBC: 65 42 - 80 mmol/L Vit. B12: 198 > 150 ng/L Folatos: 6,5 > 2 mg/L Bilirrubina Total: 45 Até 1,5 mg/dL AST: 25 Até 35 IU/L ALT: 22 Até 35 IU/L GGT: 15 7 - 33 IU/L Fosfatase alcalina: 98 30 - 150 U/L Urobilinogênio *: Reator Não Reator - Reticulócitos *: 12 0,5 - 2,5 % Coombs direto *: Reator Não Reator - Perguntas: a) Interprete os resultados. b) Qual é o diagnóstico referendado pelos resultados dos exames e história da paciente? 4) M.L.V., 58 anos de idade, morena, solteira, aposentada, residente em Castanhal - PA, há aproximadamente 30 dias, apresentando dor e desconforto nas pernas, tonteira e canseira para caminhadas. Usou sulfato ferroso 300 mg/dia por vinte dias sem melhora. Nega sangramentos, tosse, dispneia paroxística noturna, febre ou emagrecimento. Menopausa há 10 anos. Faz uso de Puran T4 há cerca de 2 anos. Tabagista (três cigarros/dia), etilismo social. Exame Físico: estado geral preservado; mucosas hipocoradas; obesidade significativa; sem linfadenomegalias; sem equimoses ou petéquias. Tireóide palpável, aumentada de volume principalmente em lobo esquerdo. PA: 190/100 mmHg; taquicardias, pulmões limpos, abdome obeso, baço e fígado não palpáveis. O hemograma evidencia: - Eritrócitos: 1.300.000/mm3. - Hemoglobina: 4,8 g/dL. - Hematócrito: 15%. - RDW: 19% (VR: 12 – 16). - Leucometria: 2.300/mm3 (VR: 5.000 – 10.000). - Contagem Diferencial: Neutrófilo segmentado: 43% (VR: 55 – 65); Neutrófilo bastão: 3% (VR: 0 - 5), Eosinófilo: 2% (VR: 2 – 4), Linfócito: 42% (VR: 20 – 30) e Monócito: 10% (VR: 4 – 8). - Plaquetas: 100.000/mm3 (VR: 150.000 – 400.000). OBS: - Série Vermelha: presença de esquizócitos, eliptócitos, dacriócitos e policromasia (acentuada). Perguntas: a) Com base nos dados clínicos e no hemograma o médico concluiu como hipótese diagnóstica anemia ferropriva. Você concorda? Por quê? 30 b) Com a necessidade de aprofundar a investigação diagnóstica o médico solicitou os seguintes exames: - Dosagem de Vitamina B12 (resultado esperado e por quê?): - Dosagem de Ácido Fólico (resultado esperado e por quê?): - Dosagem de Ferro Sérico (resultado esperado e por quê?): - Contagem de Reticulócitos (resultado esperado e por quê?): - Dosagem de Desidrogenase Lática (DHL) (resultado esperado e por quê?): - Mielograma (resultado esperado e por quê?): - Hipótese diagnóstica: Anemia megaloblástica. 6 - ANEMIA HEMOLÍTICA INTRODUÇÃO Quando os eritrócitos são destruídos rapidamente, a eritropoietina e fatores desconhecidos estimulam a medula óssea a aumentar a produção de eritrócitos. A eritropoietina pode aumentar aproximadamente 5 vezes acima dos níveis basais dentro de uma semana. Destruição aumentada de eritrócitos acima da capacidade da medula óssea em produzir novos eritrócitos (crise hemolítica). Medula óssea para subitamente de produzir novos eritrócitos (crise aplásica). Eritropoese efetiva: resultando na formação de eritrócitos circulantes. Eritropoeseinefetiva: resultando na formação de eritrócitos tão defeituosos que são destruídos dentro da medula óssea (hemólise intramedular) ou imediatamente após entrarem em circulação. CLASSIFICAÇÃO DOS DISTÚRBIOS HEMOLÍTICOS Os estados hemolíticos podem ser divididos em 2 grupos: ANEMIAS HEMOLÍTICAS INTRÍNSECAS, EM QUE A HEMÓLISE SE ORIGINA DE UM DEFEITO DOS ERITRÓCITOS: Hemoglobinas anormais, como: Hb S, Hb H, etc. Anormalidades enzimáticas: deficiência em enzimas da via glicolítica principal. Anormalidades de membrana: esferocitose hereditária, eliptocitose hereditária e hemoglobinúria paroxística noturna. ANEMIAS HEMOLÍTICAS EXTRÍNSECAS: fatores externos. Lesão por anticorpos. Lesão mecânica. Agentes infecciosos. 6.1- ESFEROCITOSE HEREDITÁRIA Consiste em uma anemia hemolítica consequente a defeitos genéticos quali ou quantitativos nas proteínas estruturais envolvidas nas interações verticais entre o esqueleto e a camada lipídica dos eritrócitos da membrana. Estas proteínas da membrana do eritrócito compreendem a glicoforina alfa e glicoforina beta, espectrina (responsáveis pela flexibilidade do eritrócito), a actina banda 4.1 e a actina banda 4.2. 31 Esta anemia, a mais comum entre os defeitos de membrana hereditários, caracteriza-se por graus variáveis de esferócitos no sangue periférico, com diferentes graus de hemólise. A esplenomegalia é um achado frequente. O glóbulo vermelho na medula óssea possui forma de disco bicôncavo, porém, ao circular adquire forma esférica. Devido ao defeito estrutural de membrana no eritrócito, ocorre perda de partes da membrana consequente à liberação de partes da dupla camada lipídica, provocando a alteração da forma e sendo retida e destruída pelo baço. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL O EXAME LABORATORIAL REVELA HEMOGRAMA: anemia em decorrência da hemólise, VCM e HCM frequentemente normais, CHCM com tendência ao aumento; hematoscopia com graus variáveis de esferócitos, policromatofilia, inclusões e eritroblastos. Curva de fragilidade osmótica imediata e, se necessário, após 24 horas (à 37°C), com perfil característico (deslocada para a direita). Diagnóstico diferencial com incompatibilidade ABO e anemia hemolítica auto-imune (AHAI): nestes dois casos o teste de Coombs Direto é frequentemente positivo. Reticulócitos e bilirrubina indireta: aumentados. A eletroforese de proteínas de membrana e o estudo genético (Biologia Molecular) constituem úteis ferramentas diagnósticas, todavia, estão restritas a laboratórios especializados. 6.2 - ELIPTOCITOSE HEREDITÁRIA Consiste em uma anemia hemolítica consequente a defeitos genéticos da proteína de citoesqueleto espectrina, levando a uma interação defeituosa. Os portadores heterozigotos (traços de eliptocitose) geralmente são assintomáticos. Os homozigotos desenvolvem uma anemia grave com acentuada hemólise e esplenomegalia. A esplenectomia produz uma melhoria considerável na sobrevida dos eritrócitos. O EXAME LABORATORIAL REVELA HEMOGRAMA: geralmente normal com mais de 25% de eliptócitos (ovalócitos). RETICULÓCITOS E BILIRRUBINA INDIRETA: normais ou discretamente elevados. Legenda: Esferocitose Hereditária. A) Esferócito e B) Macrócito Policromático (SETA). A A B B 32 6.3 - ANEMIA HEMOLÍTICA AUTO-IMUNE Estas anemias ocorrem quando há produção de anticorpos contra as próprias hemácias. A ligação destes anticorpos à superfície dos eritrócitos resulta em hemólise. As anemias auto- imunes são classificadas em tipo "frio" e tipo "quente“. ANEMIA PROVOCADA POR ANTICORPOS TIPO “FRIO" - PODE SER: Os anticorpos tipo "frio" (crioaglutininas) são IgM e fixam complemento em temperatura baixa (5 a 25°C). Podem interferir na contagem dos eritrócitos e outros parâmetros do hemograma. O aquecimento a 37°C corrige a contagem e, em muitos casos, os grumos formados devido à presença de crioaglutininas podem ser visíveis a olho nu. A anemia hemolítica pode ocorrer em doenças malignas (por exemplo, em doenças linfoproliferativas), em doenças infecciosas (por exemplo: na mononucleose infecciosa e infecção por Mycoplasma pneumoniae) ou pelo uso de determinados medicamentos. Os anticorpos se ligam aos eritrócitos principalmente na circulação periférica, onde a temperatura é mais baixa, fixam complemento, e provocam hemólises intra e extravascular. O fenômeno da acrocianose pode estar presente na ponta do nariz, nas orelhas e nas extremidades em geral. Isto ocorre devido ao efeito de crioaglutininas nas regiões onde ocorre uma queda da temperatura corporal. Os anticorpos tipo "quente" são, em geral, IgG, fixam-se aos eritrócitos, que podem ser sequestrados pelo baço, fígado e medula óssea ou destruídos na circulação. Legenda: Eliptocitose Hereditária. A) Eliptócito e B) Eritrócito Normal (SETA). A A B Legenda: Anemia Hemolítica por crioaglutininas. A) Aglomerado Eritrocitário (SETA). A A 33 ANEMIA PROVOCADA POR ANTICORPOS TIPO "QUENTE" PODE SER: IDIOPÁTICA. IATROGÊNICA: a metildopa, penicilina, cefalosporinas, etc. SECUNDÁRIA: Lúpus Eritromatoso Sistêmico, reumatismo crônico, Leucemia Linfocítica Crônica, AIDS. MISCELÂNEA: pode ocorrer em alguns idosos, em doenças do colágeno, neoplasias e infecções crônicas. 6.4 - ANEMIA HEMOLÍTICA DO RECÉM-NASCIDO Esta anemia ocorre quando há ligação de anticorpos de origem materna, à superfície dos eritrócitos do filho com posterior hemólise. Estes anticorpos são produzidos pela mãe em resposta a um antígeno presente nas hemácias do filho e herdados do pai, que a mãe não possui. Constitui um tipo de anemia isoimune, ou seja, ocorre quando o anticorpo produzido por uma pessoa reage com os eritrócitos de outra resultando em hemólise precoce. Outro exemplo de anemia hemolítica isoimune consiste na hemólise consequente a transfusões incompatíveis. 6.5 - OUTRAS ANEMIAS HEMOLÍTICAS ANEMIAS HEMOLÍTICAS PODEM OCORRER TAMBÉM DEVIDO A: Infecções (principalmente malária). Agentes tóxicos como: chumbo e cobre. Venenos de serpentes. Queimaduras. Hiperesplenismo. Compressão mecânica (hemoglobinúria de marcha). Síndrome hemolítica urêmica (SHU): ocorrem em crianças, insuficiência renal, fragmentação eritrocítica e plaquetopenia. Próteses cardíacas. 7 - DISTÚRBIOS GENÉTICOS DA HEMOGLOBINA INTRODUÇÃO São os distúrbios genéticos de maior prevalência, afetando 7% da população mundial. De uma forma resumida, os distúrbios genéticos da hemoglobina podem ser causados por: Hemoglobinas variantes (resultante de defeitos nos genes estruturais). Incluem, sucintamente, substituição de aminoácidos, fusão de cadeias, deleção de aminoácidos e adição de aminoácidos. Redução ou mesmo supressão da síntese de cadeias polipeptídicas (globina): talassemias (resultante de defeitos nos genes reguladores). Abaixo pode ser vista a composição dos 3 diferentes tipos de hemoglobinas normais de acordo com a idade: Tipos de Hb normais Concentração (idade > 6 meses) Hb A: Heme + (2a + 2b) 96 - 98%. Hb A2: Heme + (2a + 2d) 2 - 3,5%. Hb F: Heme + (2a + 2g) < 1,5%. 34 SINTESE DA HEMOGLOBINA Síntese de globina depende de dois agrupamentos de genes situados nos cromossomas 11 e 16. As moléculas de globina são sintetizadas de genes adequados através de uma transcrição de RNA. Após a transcrição, o RNA é processado para remover o RNA redundante derivado de íntrons situados dentro da parte codificadora de cada gen. 7.1 - TALASSEMIAS As talassemias são hemoglobinopatias quantitativas, hereditárias, genéticas, decorrente de mutações, na maioria dos casos nos genes das globinas αou β, que promovem a redução ou a ausência de síntese de uma ou mais cadeias de globina formadoras da hemoglobina. O resultado dessas alterações moleculares ocasiona desequilíbrio na produção das cadeias de globina, tendo como maior consequência a eritropoese ineficaz (hemólise). Apresentam enorme variedade e manifestações clínicas e laboratoriais. As mutações genéticas para talassemia são oriundas do Oriente Médio, da Índia, da Ásia Central, do Sul da China, do Extremo Oriente e do Norte da África, tendo chegado ao Brasil devido aos movimentos imigratórios, principalmente dos italianos e dos gregos. 7.1.1 - TALASSEMIA ALFA As Talassemias alfa são classificadas de acordo com o número de genes α afetados. A maioria das talassemias alfa resulta de deleções de genes α. A deleção de um único gene α não produz nenhuma manifestação clínica. A deleção de todos os 4 genes α produz um natimorto com síndrome de hidropisia fetal (α0 talassemia). AS DUAS FORMAS DE TALASSEMIA ALFA RECONHECIDAS EM PACIENTES VIVOS SÃO: a) TRAÇO TALASSEMIA ALFA (HETEROZIGOTO) Resulta da deleção de dois genes, produzem os seguintes achados, que são: Um nível de Hb reduzido minimamente e um número de eritrócitos normal a discretamente elevado. VCM: entre 60 - 75fL (microcitose). Nenhuma elevação de: Hb A2, Hb F ou Hb E. Pequenas quantidades de Hb H são produzidas, mas são insuficientes para serem reconhecidas na eletroforese de hemoglobina. Por estas razões o diagnóstico clínico de traço talassemia α é, em grande parte, um diagnóstico de exclusão. b) DOENÇA DE HEMOGLOBINA H (HOMOZIGOTO) Resulta da deleção de três genes α, produzindo os seguintes achados: O HEMOGRAMA REVELA: Hemoglobina: entre 8 a 10 g/dL. VCM: entre 60 a 70 fL (microcitose). HCM e CHCM: diminuídos (hipocromia). RDW: elevado. Morfologia Eritrocitária: condócito, eliptócitos e eritrócitos com pontilhado basófilo. 35 ELETROFORESE DE HEMOGLOBINA: 5 a 40% Hb H. PERFIL DO FERRO: anormal. CONTAGEM DE RETICULÓCITOS: 5 - 12%. BILIRRUBINA INDIRETA E DHL: aumentadas. CORPOS DE HEINZ: frequentes inclusões são observadas quando coradas com azul de crezil brilhante. Legenda: A) Corpos de Heinz e B) Eritroblasto ortocromático; condócitos; esquizócitos e eliptócitos (SETA). FISIOPATOLOGIA DA HEMOGLOBINA H A hemoglobina “H” embora solúvel nos eritrócitos jovens, é menos estável do que a Hb A e começa a precipitar à medida que os eritrócitos circulantes envelhece. Eritrócitos contendo precipitado perdem sua deformidade, com resultante lesão na microcirculação e serão removidos pelos macrófagos. Sendo a principal causa de anemia hemolítica e esplenomegalia. A hemoglobina “H” tem afinidade aumentada pelo oxigênio, sendo assim não funciona com eficiência como proteína de transporte de oxigênio. PERFIS ELETROFORÉTICOS DE HEMOGLOBINA A B Legenda: Hb A: Hemoglobina A; Hb A2: Hemoglobina A2; Hb F: Hemoglobina F; Hb S: Hermoglobina S e Hb Bart: Hemoglobina H. 36 7.1.2 - TALASSEMIA BETA A Talassemia beta pode resultar de diferentes tipos de mutações. Poucas envolvem deleção de gene β sozinho. O gene β mais o gene δ (talassemia δβ), ou o gene β, o gene δ e o gene AƳ (talassemia AƳ δβ). A maioria das talassemias beta, no entanto, resulta de mutações pontuais: substituições isoladas de nucleotídeos ou deleções no gene β do RNAm. Uma mutação pode tanto suprimir completamente a síntese de cadeia β (talassemia β0) quanto prejudicar, mas não evitar totalmente a síntese de cadeia β (talassemia β+). a) TALASSEMIA BETA MENOR - TRAÇO TALASSÊMICO (HETEROZIGOTO) O HEMOGRAMA REVELA: Hemoglobina: entre 10 a 13 g/dL. VCM: entre 60 a 70 fL (microcitose). HCM e CHCM: diminuídos (hipocromia). RDW: normal ou discretamente elevado. Morfologia Eritrocitária: dacriócitos, condócito, eliptócitos e eritrócitos com pontilhado basófilo. ELETROFORESE DE HEMOGLOBINA: o excesso de produção de cadeias α sobre as cadeias β é associado a um aumento de “Hb A2” entorno de 4 - 6%. Já os níveis de “Hb F” podem ser normais ou discretamente elevados. PERFIL DO FERRO: normal. CONTAGEM DE RETICULÓCITOS: 2 a 5%. b) TALASSEMIA BETA MAIOR (HOMOZIGOTO) Conhecida também como anemia de Cooley. É uma anemia severa que se apresenta a partir da infância e caracteriza por hepatoesplenomegalia crescente, icterícia discreta e alterações óssea acentuada devido a uma cavidade medular ampliada pela hiperplasia eritróide maciça. Resulta uma facies típico, com proeminência da testa, queixo e maxilar 37 superior. O crescimento e o desenvolvimento físicos podem ser prejudicados. O adelgaçamento do córtex ósseo pode resultar em fraturas patológicas. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DE TALASSEMIA β MAIOR O HEMOGRAMA REVELA: Hemoglobina: entre 4 a 8 g/dL. VCM: entre 60 a 70 fL (microcitose). HCM e CHCM: diminuídos (hipocromia). RDW: elevado. Morfologia Eritrocitária: dacriócitos, esquizócitos, condócitos, eliptócitos, corpúsculo de Howell Jolly, eritrócitos com pontilhado basófilo, policromasia e numerosos eritroblastos. PERFIL DO FERRO: elevação do ferro sérico, da saturação de transferrina e da ferritina sérica. CONTAGEM DE RETICULÓCITOS: 5 a 15%. BILIRRUBINA INDIRETA: aumentada. DESIDROGENASE LÁTICA (DHL): aumentada. CORPOS DE HEINZ: frequentes inclusões são observadas quando coradas com azul de crezil brilhante. HAPTOGLOBINA: diminuída. VITAMINAS B12, B1 E ÁCIDO FÓLICO: normais. ELETROFORESE DE HEMOGLOBINA: as hemoglobinas diferenciam-se entre si por possuírem características físico-químicas e mobilidades eletroforéticas distintas. Podem ser em pH alcalino (pH 8,6) ou em pH ácido. PERFIL ELETROFORÉTICO DE HEMOGLOBINA: mostra ausência ou grande diminuição de Hb A1, sendo a Hb F quase toda a hemoglobina circulante (60 - 90%). O percentual de Hb A2 é normal, baixa ou levemente alta. CROMATOGRAFIA LÍQUIDA DE ALTA PERFORMACE (HPLC): método de escolha pela sensibilidade e modo de separação. BIOLOGIA MOLECULAR: realizado por meio de reação em cadeia de polimerase (PCR) e sequenciamento de DNA. Está indicado quando a supeita de hemoglobinopatias não for confirmada pelos testes específicos. Legenda: A) Microcitose, hipocromia, anisocitose, esquizocitose, eliptocitose e dacriocitose e B) Anisocitose, hipocromia, eritroblasto ortocromático, condocitose; esquizocitose e eliptocitose (SETA). A B 38 PERFIS ELETROFORÉTICOS DE HEMOGLOBINA Legenda: 1) Perfil compatível com hemoglobina AA (normal); 2) Perfil compatível com hemoglobina AF (Dosagem de Hb F: 35%; paciente portador de beta talassemia intermediária) e 3) Perfil compatível com hemoglobina AA (normal). ASPECTOS CLÍNICOS DA TALASSEMIA β MAIOR Os pacientes frequentemente morrem na adolescência ou início da vida adulta por insuficiência cardíaca secundária a grandes depósitos de ferro no miocárdio. Anemia grave que se nota 3 a 6 meses após o nascimento. Aumento do fígado e do baço ocorre como resultado da destruição excessiva de eritrócitos. Há necessidade de transfusão sanguínea por toda a vida. Transfusões regulares de glóbulos vermelhos para manter a hemoglobina sempre acima de 10 g/dL. Em geral, são necessárias de 2 - 3 unidades a cada 4 a 6 semanas. Alto risco de infecções bacterianas. Ácido fólico: 5 mg/dia (eritropoese maciça). Terapia quelante de ferro: infusões subcutânea de desferrioxiamina durante 8 a 12 horas, 5 a 6 noites por semana. Esplenectomia: pode ser necessário para diminuir as necessidades de transfusão sanguínea. Tratamento endócrino. Imunizaçõesdiversas. Transplante de células-tronco alogênicas: oferece uma perspectiva de cura permanente. O índice de cura é 80 - 90% em pacientes jovens. 7.2 - ANEMIA FALCIFORME É o resultado da substituição do ácido glutâmico pela valina na sexta posição da cadeia β. A Hb S é insolúvel em baixas tensões de oxigênio e tende a se cristalizar, fazendo com que os eritrócitos assumam um aspecto afoiçado. A insolubilidade faz com que os eritrócitos tornem rígidos e deformados, diminuído sua sobrevida acentuadamente e são incapazes de passar normalmente pela microcirculação, a consequência é uma anemia crônica severa e crises de oclusão vascular dolorosas. Hb A Hb F Hb A2 39 Aproximadamente 8% dos negros americanos portam um gene para Hb S, o que significa que a chance estatística dos portadores casarem entre si e darem origem a um bebê homozigoto para Hb S é de aproximadamente 1:650. O homozigoto apresenta uma doença severa. São resistentes a infecção por malária. O termo anemia falciforme se refere apenas ao estado homozigoto. OS PRINCIPAIS ESTADOS FALCIFORMES SÃO: a) TRAÇO FALCIFORME (HETEROZIGOTO) Os indivíduos com traço falciforme têm um gene βS e um gene βA e virtualmente nenhuma doença clínica resultante, embora uma queda acentuada da oxigenação provoque falcização dos eritrócitos in vivo. Deve evitar exercícios extenuantes em altas altitudes. Não existe nenhuma contra-indicação para viagens em aeronaves pressurizadas. O exame físico é normal. b) ANEMIA FALCIFORME (HOMOZIGOTO) Os eritrócitos do paciente homozigoto para o gene da Hb S sofrem falcização contínua in vivo, portanto o paciente apresenta uma anemia hemolítica severa que começa dentro de semanas após o nascimento (à medida que a Hb S substitui a Hb F) e dura toda a vida. Massas de eritrócitos faciformes entopem repetidamente os vasos da microcirculação, levando a crises de oclusão vascular dolorosas. Episódios repetidos de necrose isquêmica levam a lesão orgânica progressiva, começando pelo baço. As infecções são frequentes nos lactentes e crianças. De 5 – 10% das crianças ou adultos jovens apresentam acidente vascular cerebral importante. À medida que os pacientes evoluem no início da vida adulta, as lesões orgânicas se tornam cada vez mais evidentes, havendo falência cardíaca, insuficiência renal, necrose tegumentar, osteomielite, etc. Vários pacientes vivem mais de 40 anos, mas pacientes idosos com anemia falciforme raramente são encontrados. EXAME FÍSICO Alguns, mas nem todos, pacientes são altos e magros com membros e dígitos longos e delgados. Icterícia importante. Exame do fundo do olho pode revelar vasos retinianos tortuosos. O coração é aumentado. Úlceras tegumentares. 40 Fonte: Livro Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. Legenda: Úlceras em membros inferiores em consequência de insuficiência circulatória (crise oclusiva). DIAGNÓSTICO LABORATORIAL DA ANEMIA FALCIFORME Teste do Pezinho. Hemograma. Contagem de Reticulócito. Falcização de Eritrócitos. Pesquisa de Corpos de Heinz. Eletroforese de Hemoglobina. Dosagens Bioquímicas: - Bilirrubinas. - Desidrogenase Lática (DHL). Exames de Biologia Molecular. HEMOGRAMA TRAÇO FALCIFORME: hemograma é normal, e não são vistas células falciformes em esfregaço de sangue de rotina. ANEMIA FALCIFORME Hemoglobina: no intervalo de 6 - 9 g/Dl. VCM: normal. HCM: normal. RDW: elevado. Leucocitose: 12.000 - 15.000 (leucocitose leve a moderada). Numero de plaquetas: aumentado (trombocitose). Morfologia Eritrocitária: drepanócitos, condócitos, eliptócitos, esquizócitos, policromasia, eritroblastos e inclusões (corpúsculos de Howell-Jolly, pontilhados basófilos e anel de Cabot). 41 Legenda: A e B) Esfregaço corado pela coloração panótica mostrando drepanocitose, eliptocitose, condocitose, normocromia, normocitose e eritroblasto ortocromático (SETA). TESTE DE FALCIZAÇÃO DE ERITRÓCITOS Metabissulfito de sódio a 2% por 3; 6 e 24 horas, onde os eritrócitos modificarão sua morfologia bicôncava em falciforme. Legenda: A) Teste de Falcização com metabissulfito de sódio a 2% NEGATIVO e B) Teste de Falcização com metabissulfito de sódio a 2% POSITIVO (SETA). ELETROFORESE DE HEMOGLOBINA TRAÇO FALCIFORME: Revela uma banda de Hb S, que constitui de 30% - 40% da hemoglobina total e o restante é Hb A (60 - 70%). B A A B 42 ANEMIA FALCIFORME: Revela uma única banda de Hb S, que constitui de 75 - 95% da hemoglobina total e às vezes associada a Hb F (5 - 25%). Legenda: AA) Perfil compatível com hemoglobina A1 (normal); AC) Perfil compatível com hemoglobina AC (doença da hemoglobina “C”); AGC) Perfil compatível com hemoglobina AGC (doença da hemoglobina “C”); SF) Perfil compatível com hemoglobina SF (anemia falciforme) e AS) Perfil compatível com hemoglobina AS (anemia falciforme). DOSAGENS BIOQUÍMICAS BILIRRUBINA SÉRICA: Os níveis de bilirrubina podem ser normais, mas geralmente estão ligeiramente elevados, resultante da hemólise. A bilirrubina direta pode estar elevada resultante da disfunção hepática. DESIDROGENASE LÁTICA: excelente marcador para crise hemolítica. RADIOGRAFIAS DOS OSSOS Legenda: 1) Perfil compatível com hemoglobina AS (traço falciforme); 2) Perfil compatível com hemoglobina AA (normal); 3) Perfil compatível com hemoglobina AS (traço falciforme) e 4) Perfil compatível com hemoglobina AA (normal). 43 REFLETEM DOIS PROCESSOS: Hiperplasia eritróide acentuada da medula óssea, que causa alargamento dos espaços medulares, adelgamento do córtex e trabécular. Necrose isquêmica do osso, que produz espessamento do periósteo e esclerose óssea. TIPOS DE CRISE FALCÊMICA Crises de Oclusão Vascular. Crises de Sequestração Esplênica. Crises Aplásticas. TRATAMENTO DE ANEMIA FALCIFORME Profilaxia das crises: evitar desidratação, anoxia, infecções, estase da circulação e resfriamento da pele. Ácido fólico: 5 mg uma vez ao dia. Boas condições gerais: nutrição e de higiene. Vacinação: contra pneumococo, Haemophilus e meningococo ou uso regular de penicilina via oral. Crises: tratar com repouso, aquecimento, hidratação por via oral e ou intravenosa. Transfusão sanguínea somente é feita se houver sintomas sérios de anemia. Há necessidade de cuidados especiais na gravidez e durante anestesia. Hidroxicarbamida (Hidrea): 15 – 20 mg/Kg por dia, pode aumentar os níveis de Hb F. O transplante de células-tronco: pode curar a doença, e muitos pacientes atualmente têm sido tratados com sucesso. 7.3 - DOENÇA DA HEMOGLOBINA SC A frequência é de aproximadamente 2% em negros americanos. A pessoa com um gene para Hb S e um gene para Hb A, que tem um traço falciforme assintomático, o duplo heterozigoto para Hb S e Hb C apresenta doença clínica. Há duas razões para isto: 1) Enquanto os eritrócitos no traço falciforme contêm mais Hb A do que Hb S, os eritrócitos na doença de Hb C contém quantidades aproximadamente iguais de Hb S e Hb C, portanto tem maior propensão a se tornarem falciformes. 2) Eritrócitos que contém Hb C, por razões desconhecidas, perdem água e desenvolvem uma concentração anormalmente elevada de hemoglobina intracelular (CHCM), aumentando a tendência de polimerização. 7.4 - DOENÇA DA HEMOGLOBINA C O HETEROZIGOTO PARA O GENE DA HEMOGLOBINA C Não apresenta doença clínica. São vistos eritrócitos em alvo e Hb A e Hb C. O HOMOZIGOTO PARA O GENE DA HEMOGLOBINA C Apresentauma doença hemolítica crônica leve. Esplenomegalia. Anemia: leve para moderada. Icterícia: leve para moderada. 44 Morfologia Eritrocitária: acentuadamente distorcida, com uma associação de condócitos e uma população de célula pequena e deformada. 7.5 - DOENÇA DA HEMOGLOBINA E É comum na população asiática. A microcitose origina de uma síntese diminuída de cadeias de globina β, presumivemente por causa da mutação Hb E, que envolve um nucleotídeo perto de um sítio de união, interfere no processamento normal do RNA. O HETEROZIGOTO PARA O GENE DA HEMOGLOBINA E O nível de Hemoglobina maior que 12 g/dL. VCM no intervalo de 70 a 80fL ou as vezes normal. Eletroforese de hemoglobina: aproximadamente 70% de Hb A e 30% de Hb E. Hipocromia leve e eritrócitos em alvo frequentes. O HOMOZIGOTO PARA O GENE DA HEMOGLOBINA E O nível de Hemoglobina entre que 11 e 13 g/dL. VCM no intervalo de 60 a 70fL. Eletroforese de hemoglobina: sem Hb A, somente Hb E. Um nível normal de Hb F (<5%). Hipocromia acentuada e condócitos frequentes. PERFIS ELETROFORÉTICOS DE HEMOGLOBINA Legenda: 1) Perfil compatível com hemoglobina AS; 2) Perfil compatível com hemoglobina AS; 3) Perfil compatível com hemoglobina AS; 4) Perfil compatível com hemoglobina AA (normal); 5) Perfil compatível com hemoglobina AA (normal); 6) Perfil compatível com hemoglobina AC; 7) Nenhum perfil; 8) Perfil compatível com hemoglobina SS; 9) Perfil compatível com hemoglobina AS; 10) Perfil compatível com hemoglobina AA (normal); 11) Perfil compatível com hemoglobina AS e 12) Perfil compatível com hemoglobina SC. 45 QUESTÕES DE AVALIAÇÕES CLÍNICAS 1) A mãe da criança refere que, desde o nascimento, a criança apresenta anemia grave, necessitando de transfusões esporádicas Ao longo dos anos. Refere que a causa dessa anemia nunca foi descoberta e que sua filha também possui baixa estatura e alterações na face. Alem disso, não consegue brincar e fazer exercícios como as outras crianças, pois se cansa rapidamente. Quando fica cansada no repouso, procura assistência medica e recebe transfusão sanguinea. A Mãe também refere que ultimamente a criança vem necessitando de transfusões mais freqüentes E notou aumento gradual de uma massa em hipocôndrio esquerdo nos últimos meses. 3 dias após O ultimo episodio transfusional, a criança se queixou de dor nessa região que piora com a palpação, Segundo a mãe. Como a criança permanecia sem diagnostico em sua cidade, procurou o pronto Atendimento da Pediatria do HCFMRPUSP. Negou outras queixas, como febre, perda de peso, alteração do habito intestinal ou ma alimentação. Exames laboratoriais: Hemograma: Leucócito Total: 3.200/mm3; Eritrócitos: 2.400.00/mm3; Hb: 5,6 g/dL; Ht: 18,3%; Contagem de reticulocitos: 17% (VR: 0,5 - 2); Plaquetas: 80.000/mm3; Bilirrubinas totais: 4,5 mg/dL (VR: Até 1,2) e Bilirrubina Direta: 1,7 mg/dL (VR: 0,8). OBS: Série Vermelha: presença de eritoblastos ortocromáticos (6/100 leucócitos), esquizócitos e condócitos. Perguntas: a) Qual a principal hipótese diagnóstica? b) Quais outros exames serão necessários para o diagnóstico e por quê? c) Explique as principais opções terapêuticas. 2) Homem, 19 anos, mulato, natural do interior da Bahia e procedente de Barrinha - SP, desempregado. QD: dor em membros inferiores há 3 dias. HMA: O paciente refere que, há cerca de 3 dias, começou a sentir dores em membros inferiores. As dores nas pernas se iniciam de forma abrupta e progressiva. No inicio, cediam com uso de analgésicos simples, como paracetamol e dipirona, porém há um dia, como as dores haviam piorado, procurou o Pronto Socorro de sua cidade para receber analgésicos mais potentes e de forma endovenosa. Hoje, pela manha, fez um hemograma em sua cidade e foi constatada anemia grave. Foi encaminhado a este serviço para investigar a causa da anemia e da dor em membros inferiores. No momento da admissão na Unidade de Emergência, referia dores em membros inferiores de forte intensidade. Negava outros sintomas, como: tosse, febre, cefaléia, dor abdominal ou mudança do habito intestinal. Referia que desde criança sentia dores pelo corpo esporadicamente, semelhante ao quadro atual. Pele e anexos: refere palidez cutânea e presença de ulcera na perna esquerda de longa data. Olhos: refere os olhos ficam amarelos constantemente. Ouvido, narinas e orofaringe: negou alterações. Exames laboratoriais: Hemograma: Leucócito Total: 18.800/mm3; Eritrócitos: 2.100.000/mm3; Hb: 6,2 g/dL; Ht: 18,4%; plaquetas: 545.000/mm3; Reticulócitos: 11% (N: 0,5 - 2,0); Bilirrubinas totais: 4,0 mg/dL (VR: Até 1,2) e Bilirrubina Direta: 1,8 mg/dL (VR: Até 0,8). OBS: Série Vermelha: presença de eritoblastos ortocromáticos (5/100 leucócitos), esquizócitos e condócitos. Perguntas: a) Qual a principal hipótese diagnóstica? b) Quais outros exames serão necessários para o diagnóstico e por quê? c) Explique as principais opções terapêuticas. 46 3) J.W.T., 4 anos e 6 meses de idade, negro, masculino, residente em Santa Rita de Minas, e encaminhado ao HC devido à anemia persistente. Aos onze meses apresentou palidez, prostração e febre sendo internado com diagnóstico de anemia, pneumonia e esplenomegalia a esclarecer. Ficou internado oito dias tendo recebido transfusão. Alta hospitalar em uso de sulfato ferroso sem esclarecimento diagnóstico. Dois meses após ficou novamente pálido, com edema das articulações. Internado, houve melhora dos sintomas articulares, mas não da anemia. Feito nesta época o diagnóstico de artrite reumatóide. Aos 2 anos nova internação para tratamento de pneumonia estando ainda em uso de sulfato ferroso e sem melhora da anemia. Há 3 meses detectou-se icterícia, hepatomegalia e febre baixa. Há 15 dias foi internado com infecção pulmonar, tendo recebido transfusões. Pais e 2 irmãos sadios. Tio paterno faleceu com "hepatite e anemia". Exame Físico: Hipocorado, ictérico, ausência de linfadenomegalias e sem edemas, fígado de consistência aumentada e baço não palpável. Exames laboratoriais: Hemograma: Eritrócitos: 2.690.000/mm3; Hb: 7,3 g/dL; Ht: 23,4%; RDW: 21%; Leucócito Total: 21.600/mm3; Neutrófilos Bastões: 08%; Neutrófilos Segmentados: 79%; Eosinófilos: 1%; Linfócitos: 10%; Monócitos: 2%; Basófilos: 0%; Plaquetas: 375.000/mm3; OBS: Série Vermelha: presença moderada de policromatofilia, condócitos, eliptócitos, corpúsculo de Jolly e eritoblastos ortocromáticos (5/100 leucócitos). Reticulócitos: 3,3% (VR: 0,5 - 2); Bilirrubinas: BT: 4,0 mg/dL (VR: Até 1,2); BD: 0,3 mg/dL (VR: até 0,4) e Fosfatase Alcalina: 78 U/L (VR: 50 - 136). Perguntas: a) Qual (is) hipótese(s) diagnóstica e por quê? b) Quais outros exames serão necessários para o diagnóstico e por quê? c) O que está faltando no hemograma para melhor elucidação do caso e por quê? d) Explique as principais opções terapêuticas. 8 - INTERPRETAÇÃO DE EXAMES LABORATORIAIS NAS ANEMIAS HEMOGRAMA - Nome do Paciente: E. S. P. - Idade: 77 anos - Sexo: Masculino ERITROGRAMA Valor Encontrado Valor de Referência - Hematócrito: 23% 42 a 52% - Eritrócitos: 2.000.000/mm 3 4.500.000 a 5.000.000/mm 3 - Hemoglobina: 7,3 g/dL 13,5 a 17 g/dL - VCM: 115 fL 80 a 100 fL - HCM: 36,5 pg 26 a 32 pg - CHCM: 31,73% 32 a 36% - RDW: 14,9% 12 a 16% PLAQUETOGRAMA - Plaquetas: 108.000/mm 3 150.000 a 400.000/mm 3 - VPM: 9,5 fL 9,8 a 11 fL - PDW: 10,8 fL 11,5 a 14 fL LEUCOGRAMA - Leucócito Total: 3.030/mm 3 5.000 a 10.000/mm 3 - Basófilo: 0% 0 a 1% - Eosinófilo: 4% 2 a 4% - Mielócito Neutrófilo: 0% 0% - Metamielócito Neutrófilo: 0% 0% - Bastão Neutrófilo: 0% 0 a 5% - Segmentado Neutrófilo: 61% 55 a 65% - Linfócito: 34% 20 a 30% - Monócito: 1% 4 a 8% 47 - OBS: - SérieBranca: presença de neutrófilos multisegmentados. OUTROS EXAMES EXAME VALOR ENCONTRADO VALOR DE REFERÊNCIA EXAME VALOR ENCONTRADO VALOR DE REFERÊNCIA - FERRO SÉRICO 86 ug/dL 50 - 175 ug/dL - FERRITINA 148 ng/dL 20 - 320 ng/dL - TRASNFERRINA 218 mg/dL 202 - 364 mg/dL - VIT B12 41 pg/mL 187 - 883 pg/mL - FOLATO 1,2 ng/mL 3 - 20 ng/mL - RETICULÓCITO 0,2% 0,5 - 2% - DHL 1.250 U/L 100 - 190 U/L - GLICOSE 94 mg/dL 70 - 99 mg/dL DISCUSSÃO FUNDAMENTADA (E.S.P.) 1) HEMOGRAMA SÉRIE VERMELHA: anemia macrocítica/normocrômica. SÉRIE BRANCA: leucopenia com neutrófilos multisegmentados. SÉRIE TROMBOCÍTICA: trombocitopenia leve. 2) FERFIL FÉRRICO FERRO SÉRICO: normal. FERRITINA: normal. TRANSFERRINA: normal. 3) OUTROS EXAMES FOLATO: diminuído. VITAMINA B12: diminída. CONTAGEM DE RETICULÓCITO: diminuída. LDH: aumentada (HEMÓLISE). HIPÓTESE DIAGNÓSTICA: anemia macrocítica e normocrômica por deficiência de ácido fólico e vitamina B12 em paciente alcoólatra há mais de 30 anos. HEMOGRAMA - Nome do Paciente: M. A. S. - Idade: 17 anos - Sexo: Feminino ERITROGRAMA Valor Encontrado Valor de Referência - Hematócrito: 25% 42 a 52% - Eritrócitos: 2.180.000/mm 3 4.500.000 a 5.000.000/mm 3 - Hemoglobina: 8,3 g/dL 13,5 a 17 g/dL - VCM: 119,04 fL 80 a 100 fL - HCM: 38,07 pg 26 a 32 pg - CHCM: 33,2% 32 a 36% - RDW: 13,2% 12 a 16% PLAQUETOGRAMA - Plaquetas: 92.000/mm 3 150.000 a 400.000/mm 3 - VPM: 9,7 fL 9,8 a 11 fL - PDW: 11,8 fL 11,5 a 14 fL LEUCOGRAMA - Leucócito Total: 2.030/mm 3 5.000 a 10.000/mm 3 - Basófilo: 1% 0 a 1% - Eosinófilo: 2% 2 a 4% - Mielócito Neutrófilo: 0% 0% - Metamielócito Neutrófilo: 0% 0% - Bastão Neutrófilo: 0% 0 a 5% - Segmentado Neutrófilo: 58% 55 a 65% - Linfócito: 35% 20 a 30% - Monócito: 4% 4 a 8% - OBS: - Série Branca: presença de neutrófilos multisegmentados. OUTROS EXAMES EXAME VALOR ENCONTRADO VALOR DE REFERÊNCIA EXAME VALOR ENCONTRADO VALOR DE REFERÊNCIA 48 - FERRO SÉRICO 106 ug/dL 50 - 175 ug/dL - FERRITINA 94 ng/dL 20 - 320 ng/dL - TRASNFERRINA 221 mg/dL 202 - 364 mg/dL - VIT B12 108 pg/mL 187 - 883 pg/mL - FOLATO 0,2 ng/mL 3 - 20 ng/mL - RETICULÓCITO 0,4% 0,5 - 2% - DHL 840 U/L 100 - 190 U/L - GLICOSE 92 mg/dL 70 - 99 mg/dL DISCUSSÃO FUNDAMENTADA (M.A.S.) 1) HEMOGRAMA SÉRIE VERMELHA: anemia macrocítica/normocrômica. SÉRIE BRANCA: leucopenia com neutrófilos multisegmentados. SÉRIE TROMBOCÍTICA: trombocitopenia leve. 2) FERFIL FÉRRICO FERRO SÉRICO: normal. FERRITINA: normal. TRANSFERRINA: normal. 3) OUTROS EXAMES FOLATO: diminuído. VITAMINA B12: diminída. CONTAGEM DE RETICULÓCITO: diminuída. LDH: aumentada (HEMÓLISE). HIPÓTESE DIAGNÓSTICA: anemia macrocítica e normocrômica por deficiência de ácido fólico e vitamina B12 em paciente desnutrida após gestação. HEMOGRAMA - Nome do Paciente: V. A. A. - Idade: 78 anos - Sexo: Masculino ERITROGRAMA Valor Encontrado Valor de Referência - Hematócrito: 23% 42 a 52% - Eritrócitos: 2.940.000/mm 3 4.500.000 a 5.000.000/mm 3 - Hemoglobina: 7,1 g/dL 13,5 a 17 g/dL - VCM: 78 fL 80 a 100 fL - HCM: 24 pg 26 a 32 pg - CHCM: 31% 32 a 36% - RDW: 23,4% 12 a 16% PLAQUETOGRAMA - Plaquetas: 529.000/mm 3 150.000 a 400.000/mm 3 - VPM: 12,7 fL 9,8 a 11 fL - PDW: 15,8 fL 11,5 a 14 fL LEUCOGRAMA - Leucócito Total: 25.080/mm 3 5.000 a 10.000/mm 3 - Basófilo: 0% 0 a 1% - Eosinófilo: 2% 2 a 4% - Mielócito Neutrófilo: 0% 0% - Metamielócito Neutrófilo: 0% 0% - Bastão Neutrófilo: 1% 0 a 5% - Segmentado Neutrófilo: 87% 55 a 65% - Linfócito: 4% 20 a 30% - Monócito: 8% 4 a 8% - OBS:- Série Vermelha: presença de eritroblastos ortocromáticos (4/100 leucócitos). OUTROS EXAMES EXAME VALOR ENCONTRADO VALOR DE REFERÊNCIA EXAME VALOR ENCONTRADO VALOR DE REFERÊNCIA - FERRO SÉRICO 12 ug/dL 50 - 175 ug/dL - FERRITINA 1,1 ng/dL 20 - 320 ng/dL - TRASNFERRINA 384 mg/dL 202-364 mg/dL - VIT B12 398 pg/mL 187 - 883 pg/mL - FOLATO 12 ng/mL 3 - 20 ng/mL - RETICULÓCITO 4,5% 0,5 - 2% - DHL 110 U/L 100 - 190 U/L - CEA 199,7 ng/mL Até 10 ng/mL 49 DISCUSSÃO FUNDAMENTADA (V.A.A.) 1) HEMOGRAMA SÉRIE VERMELHA: anemia microcítica/hipocrômica. SÉRIE BRANCA: leucocitose com neutrofilia. SÉRIE TROMBOCÍTICA: trombocitose moderada. 2) FERFIL FÉRRICO FERRO SÉRICO: diminuído. FERRITINA: diminuída. TRANSFERRINA: aumentada. 3) OUTROS EXAMES FOLATO: normal. VITAMINA B12: normal. CONTAGEM DE RETICULÓCITO: aumentada. LDH: normal. CEA: aumentado. HIPÓTESE DIAGNÓSTICA: anemia microcítica e hipocrômica por sangramento em paciente com câncer do trato digestivo. HEMOGRAMA - Nome do Paciente: A. G. L. A. - Idade: 38 anos - Sexo: Feminino ERITROGRAMA Valor Encontrado Valor de Referência - Hematócrito: 26% 42 a 52% - Eritrócitos: 4.280.000/mm 3 4.500.000 a 5.000.000/mm 3 - Hemoglobina: 7,8 g/dL 13,5 a 17 g/dL - VCM: 61 fL 80 a 100 fL - HCM: 18 pg 26 a 32 pg - CHCM: 30% 32 a 36% - RDW: 18,8% 12 a 16% PLAQUETOGRAMA - Plaquetas: 532.000/mm 3 150.000 a 400.000/mm 3 - VPM: 12,8 fL 9,8 a 11 fL - PDW: 15,4 fL 11,5 a 14 fL LEUCOGRAMA - Leucócito Total: 5.150/mm 3 5.000 a 10.000/mm 3 - Basófilo: 0% 0 a 1% - Eosinófilo: 3% 2 a 4% - Mielócito Neutrófilo: 0% 0% - Metamielócito Neutrófilo: 0% 0% - Bastão Neutrófilo: 0% 0 a 5% - Segmentado Neutrófilo: 54% 55 a 65% - Linfócito: 39% 20 a 30% - Monócito: 4% 4 a 8% - OBS: - Série Vermelha: presença moderada de dacriócitos e eliptócitos. OUTROS EXAMES EXAME VALOR ENCONTRADO VALOR DE REFERÊNCIA EXAME VALOR ENCONTRADO VALOR DE REFERÊNCI A - FERRO SÉRICO 16 ug/dL 50 - 175 ug/dL - FERRITINA <1 ng/dL 20 - 320 ng/dL - TRASNFERRINA 390 mg/dL 202 - 364 mg/dL - VIT B12 412 pg/mL 187-883 pg/mL - FOLATO 12 ng/mL 3 - 20 ng/mL - RETICULÓCITO 3,1% 0,5 - 2% - DHL 114 U/L 100 - 190 U/L - GLICOSE 98 mg/dL 70 - 99 mg/dL DISCUSSÃO FUNDAMENTADA (A.G.L.A.) 50 1) HEMOGRAMA SÉRIE VERMELHA: anemia microcítica/hipocrômica. SÉRIE BRANCA: normal. SÉRIE TROMBOCÍTICA: trombocitose leve. 2) FERFIL FÉRRICO FERRO SÉRICO: diminuído. FERRITINA: diminuída. TRANSFERRINA: aumentada. 3) OUTROS EXAMES FOLATO: normal. VITAMINA B12: normal. CONTAGEM DE RETICULÓCITO: aumentada. LDH: normal. HIPÓTESE DIAGNÓSTICA: anemia microcítica e hipocrômica por sangramento em paciente com leiomioma uterino há 6 anos. HEMOGRAMA - Nome do Paciente: R. D. S. - Idade: 6 anos - Sexo: Feminino ERITROGRAMA Valor Encontrado Valor de Referência - Hematócrito: 24,1% 42 a 52% - Eritrócitos: 3.750.000/mm 3 4.500.000 a 5.000.000/mm 3 - Hemoglobina: 7,4 g/dL 13,5 a 17 g/dL - VCM: 64 fL 80 a 100 fL - HCM: 20 pg 26 a 32 pg - CHCM: 31% 32 a 36% - RDW: 19,8% 12 a 16% PLAQUETOGRAMA - Plaquetas: 232.000/mm 3 150.000 a 400.000/mm 3 - VPM: 10,8 fL 9,8 a 11 fL - PDW: 12,4 fL 11,5 a 14 fL LEUCOGRAMA - Leucócito Total: 6.000/mm 3 5.000 a 10.000/mm 3 - Basófilo: 1% 0 a 1% - Eosinófilo: 22% 2 a 4% - Mielócito Neutrófilo: 0% 0% - Metamielócito Neutrófilo: 0% 0% - Bastão Neutrófilo: 0% 0 a 5% - Segmentado Neutrófilo: 41% 55 a 65% - Linfócito: 32% 20 a 30% - Monócito: 4% 4 a 8% - OBS: - Série Vermelha: presença acentuada de dacriócitos e eliptócitos. OUTROS EXAMES - Nome do Paciente: E. S. P. - Idade: 77 anos - Sexo: Masculino EXAME VALOR ENCONTRADO VALOR DE REFERÊNCIA EXAME VALOR ENCONTRADO VALOR DE REFERÊNCIA - FERRO SÉRICO 10 ug/dL 50 - 175 ug/dL - FERRITINA <1 ng/dL 20 - 320 ng/dL - TRASNFERRINA 412 mg/dL 202 - 364 mg/dL - VITB12 287 pg/mL 187 - 883 pg/mL - FOLATO 8,4 ng/mL 3 - 20 ng/mL - RETICULÓCITO 3,4% 0,5 - 2% - DHL 132 U/L 100 - 190 U/L - FEZES Ovos de Ancilostomídeos Ausência DISCUSSÃO FUNDAMENTADA (R.D.S.) 1) HEMOGRAMA SÉRIE VERMELHA: anemia microcítica/hipocrômica. 51 SÉRIE BRANCA: eosinofilia moderada. SÉRIE TROMBOCÍTICA: normal. 2) FERFIL FÉRRICO FERRO SÉRICO: diminuído. FERRITINA: diminuída. TRANSFERRINA: aumentada. 3) OUTROS EXAMES FOLATO: normal. VITAMINA B12: normal. CONTAGEM DE RETICULÓCITO: aumentada. LDH: normal. HIPÓTESE DIAGNÓSTICA: anemia microcítica e hipocrômica por esfoliação em paciente com ancilostomídeo. HEMOGRAMA - Nome do Paciente: R. D. S. - Idade: 9 anos - Sexo: Feminino ERITROGRAMA Valor Encontrado Valor de Referência - Hematócrito: 28% 42 a 52% - Eritrócitos: 3.650.000/mm 3 4.500.000 a 5.000.000/mm 3 - Hemoglobina: 7,8 g/dL 13,5 a 17 g/dL - VCM: 77 fL 80 a 100 fL - HCM: 21 pg 26 a 32 pg - CHCM: 28% 32 a 36% - RDW: 20,1% 12 a 16% PLAQUETOGRAMA - Plaquetas: 205.000/mm 3 150.000 a 400.000/mm 3 - VPM: 9,8 fL 9,8 a 11 fL - PDW: 10,4 fL 11,5 a 14 fL LEUCOGRAMA - Leucócito Total: 5.950/mm 3 5.000 a 10.000/mm 3 - Basófilo: 0% 0 a 1% - Eosinófilo: 4% 2 a 4% - Mielócito Neutrófilo: 0% 0% - Metamielócito Neutrófilo: 0% 0% - Bastão Neutrófilo: 0% 0 a 5% - Segmentado Neutrófilo: 55% 55 a 65% - Linfócito: 36% 20 a 30% - Monócito: 5% 4 a 8% - OBS: - Série Vermelha: presença acentuada de dacriócitos, eliptócitos, esquizócitos, condócitos e corpúsculo de Jolly. OUTROS EXAMES EXAME VALOR ENCONTRADO VALOR DE REFERÊNCIA EXAME VALOR ENCONTRADO VALOR DE REFERÊNCIA - FERRO SÉRICO 106 ug/dL 50 - 175 ug/dL - FERRITINA 101 ng/dL 20 - 320 ng/dL - TRASNFERRINA 220 mg/dL 202 - 364 mg/dL - VIT B12 492 pg/mL 187 - 883 pg/mL - FOLATO 10 ng/mL 3 - 20 ng/mL - RETICULÓCITO 3,8% 0,5 - 2% - DHL 774 U/L 100 - 190 U/L - Eletroforese Hemoglobina 25% de Hb H Ausência DISCUSSÃO FUNDAMENTADA (R.D.S.) 1) HEMOGRAMA SÉRIE VERMELHA: anemia microcítica/hipocrômica. SÉRIE BRANCA: normal. SÉRIE TROMBOCÍTICA: normal. 52 2) FERFIL FÉRRICO FERRO SÉRICO: normal. FERRITINA: normal. TRANSFERRINA: normal. 3) OUTROS EXAMES FOLATO: normal. VITAMINA B12: normal. CONTAGEM DE RETICULÓCITO: aumentada. LDH: aumentada (HEMÓLISE). ELETROFORESE DE HEMOGLOBINA: 25% de Hb H. HIPÓTESE DIAGNÓSTICA: Talassemia Alfa (doença de Hemoglobina H). HEMOGRAMA - Nome do Paciente: E. F. B. - Idade: 4 anos - Sexo: Masculino ERITROGRAMA Valor Encontrado Valor de Referência - Hematócrito: 23% 42 a 52% - Eritrócitos: 2.650.000/mm 3 4.500.000 a 5.000.000/mm 3 - Hemoglobina: 7,8 g/dL 13,5 a 17 g/dL - VCM: 86,8 fL 80 a 100 fL - HCM: 29,43 pg 26 a 32 pg - CHCM: 33,91% 32 a 36% - RDW: 23,1% 12 a 16% PLAQUETOGRAMA - Plaquetas: 255.000/mm 3 150.000 a 400.000/mm 3 - VPM: 9,9 fL 9,8 a 11 fL - PDW: 11,8 fL 11,5 a 14 fL LEUCOGRAMA - Leucócito Total: 17.950/mm 3 5.000 a 10.000/mm 3 - Basófilo: 0% 0 a 1% - Eosinófilo: 0% 2 a 4% - Mielócito Neutrófilo: 0% 0% - Metamielócito Neutrófilo: 4% 0% - Bastão Neutrófilo: 12% 0 a 5% - Segmentado Neutrófilo: 74% 55 a 65% - Linfócito: 8% 20 a 30% - Monócito: 2% 4 a 8% - OBS: - Série Vermelha: presença acentuada de esquizócitos, condócitos e moderada de drepanócitos e corpúsculo de Jolly. - Série Branca: presença moderada de granulações grosseira nos neutrófilos. OUTROS EXAMES EXAME VALOR ENCONTRADO VALOR DE REFERÊNCIA EXAME VALOR ENCONTRADO VALOR DE REFERÊNCIA - FERRO SÉRICO 98 ug/dL 50 - 175 ug/dL - FERRITINA 118 ng/dL 20 - 320 ng/dL - TRASNFERRINA 254 mg/dL 202 - 364 mg/dL - VIT B12 242 pg/mL 187 - 883 pg/mL - FOLATO 9,4 ng/mL 3 - 20 ng/mL - RETICULÓCITO 4,4% 0,5 - 2% - DHL 694 U/L 100 - 190 U/L - Eletroforese Hemoglobina 85% de Hb S Ausência DISCUSSÃO FUNDAMENTADA (E.F.B.) 1) HEMOGRAMA SÉRIE VERMELHA: anemia normocítica/normocrômica. SÉRIE BRANCA: leucocitose com neutrofilia. SÉRIE TROMBOCÍTICA: normal. 2) FERFIL FÉRRICO FERRO SÉRICO: normal. 53 FERRITINA: normal. TRANSFERRINA: normal. 3) OUTROS EXAMES FOLATO: normal. VITAMINA B12: normal. CONTAGEM DE RETICULÓCITO: aumentada. LDH: aumentada (HEMÓLISE). ELETROFORESE DE HEMOGLOBINA: 85% de Hb S. HIPÓTESE DIAGNÓSTICA: anemia falciforme. 9 - GRANULOCITOPOESE FATORES ESTIMULADORES DA GRANULOCITOPOESE AÇÕES NAS CÉLULAS DO ESTROMA IL - 1 (Interleuquina -1). FNT (Fator de Necrose Tumoral). AÇÕES NAS CÉLULAS-TRONCO PLURIPOTENTES SCF (Fator de Estimulante de Colônia). FLT3-L. VEGF (Fator de Crescimento do Endotélio Vascular). AÇÕES NAS CÉLULAS PROGENITORAS MULTIPOTENTES IL - 3 (Interleuquina – 3). IL - 6 (Interleuquina – 6). GM-CSF (Fator Estimulante de Colônias Granulocíticas e Macrofágicas). G-CSF (Fator Estimulante de Colônias Granulocíticas). AÇÕES NAS CÉLULAS PROGENITORAS COMPROMETIDAS G-CSF (Fator Estimulante de Colônias Granulocíticas). M-CSF (Fator Estimulante de Colônias Macrofágicas). IL - 5 (Interleuquina – 5): fator estimulante para eosinófilos. FATORES INIBIDORES DA GRANULOCITOPOESE Produzidos por células. Fonte: Livro de Fundamentos em Hematologia de A. V. Hofbrand. 54 Prostaglandinas E (1,2) e Lactoferrinas (efeito modulador sobre precursores granulocíticos). Inter-relacionamento entre precursores celulares e elementos estromais. Corticoides em geral. SÉRIE GRANULOCÍTICA Fonte: Livro de Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. GRANULAÇÕES DOS GRANULÓCITOS GRANULAÇÕES PRIMÁRIAS (AZURÓFILAS) Arredondadas, coram vermelho-escuro. Conteúdo enzimático: mieloperoxidase, fosfatase ácida, enzimas hidrolíticas, proteinases etc. Neutrofílica, eosinofílica e basofílica. Granulações tóxicas nas células maduras. Heterogêneas (metacromáticos avermelhadas a violáceas) amadurecimento celular. GRANULAÇÕES SECUNDÁRIAS (ESPECÍFICAS) São menores e arredondadas. EOSINÓFILAS: coram de laranja (corantes ácidos). BASÓFILAS: corantes básicos (mucopolissacarídeos), escuras, grandes e menos numerosas. NEUTRÓFILAS: sem afinidade específica. CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS DOS GRANULÓCITOS 55 Após confecção do esfregaço sanguíneo, secagem e coloração utilizando os métodos panópticos é possível pelas características tintoriais e morfológicas identificar os precursores da linhagem granulocítica e os três tipos de granulócitos: basófilos, eosinófilos e neutrófilos. CÉLULAS DA SÉRIE GRANULOCÍTICA MIELOBLASTO: célula medindo entre 12 a 14 micras de diâmetro, forma arredondada, núcleo ocupando cerca de 3/4 a 2/3 do volume celular, de cromatina frouxa, apresentando de 2 a 3 nucléolos. Citoplasma basófilo e sem grânulos. Legenda: A) Mieloblasto (SETA). PROMIELÓCITO: célula medindo entre 16 a 24 micras de diâmetro, forma arredondada, de cromatina frouxa, apresentando de 1 - 2 nucléolos. Citoplasma menos basófilo que o mieloblasto, apresentando granulações grosseiras de coloração avermelhada (azurófilas). A A A A Legenda: A) Promielócito. 56 MIELÓCITO NEUTRÓFILO: célula medindo entre 10 a 12 micras de diâmetro, núcleo de cromatina condensada, ocupando 1/2 do volume celular, sem nucléolo visível e aspecto levemente ovalado ou arredondado. Citoplasma mais diferenciado (acidófilo), granulações menores e múltiplas, características da linhagem neutrofílica, predominando granulações azurófilas.Legenda: A) Mielócito Neutrófilo e B) Promielócito (SETA). METAMIELÓCITO NEUTRÓFILO: célula medindo entre 10 a 12 micras de diâmetro, núcleo de cromatina condensada, ocupando 1/2 do volume celular, sem nucléolo visível e aspecto reniforme. Citoplasma apresentando granulações múltiplas, puntiformes, do tipo neutrofílica. Legenda: A) Metamielócito neutrófilo; B) Promielócito e C) Neutrófilo Segmentado (SETA). B A B A A B A A C C C 57 BASTONETE OU BASTÃO NEUTRÓFILO: célula medindo entre 10 a 12 micras de diâmetro. Núcleo de cromatina condensada e forma alongada ou de ferradura. Citoplasma neutrófilo com granulações pequenas, múltiplas, características da linhagem neutrofílica. SEGMENTADO NEUTRÓFILO: célula medindo entre 10 a 12 micras de diâmetro. Núcleo de cromatina condensada, multilobulado. Citoplasma neutrófilo, com granulações finas, múltiplas, características da linhagem neutrofílica. Legenda: A) Mieloblasto; B) Promielócito; C) Mielócito Neutrófilo; D) Metamielócito neutrófilo; E) Neutrófilo Bastão e F) Neutrófilo Segmentado (SETA). MIELÓCITO EOSINÓFILO: célula medindo entre 10 a 12 micras de diâmetro. Núcleo de cromatina condensada, ocupando cerca de 1/2 do volume celular, sem nucléolos e de aspecto levemente reniforme. Citoplasma menos basófilo do que na fase anterior. Presença de granulações arredondadas, de tamanho médio, algumas de coloração castanha (inespecíficas) e outras de coloração amarela alaranjada (específicas), que preenchem todo o citoplasma. METAMIELÓCITO EOSINÓFILO: célula medindo entre 10 a 12 micras de diâmetro. Núcleo de cromatina condensada, ocupando menos de 1/2 do volume celular, sem nucléolos e de aspecto alongado ou reniforme. Citoplasma mais diferenciado, apresentando granulações médianas, arredondadas, de coloração amarela alaranjada. Legenda: A) Promielócito; B) Eosinófilo Mielócito; C) Eosinófilo Metamielócito e D) Neutrófilo Segmentado (SETA). E F F F E D B A E C F D B D A C D C 58 BASTONETE OU BASTÃO EOSINÓFILO: célula medindo entre 10 a 12 micras de diâmetro. Núcleo de cromatina condensada e forma alongada ou de ferradura. O citoplasma é acidófilo com granulações arredondadas de cor amarelo-alaranjada. SEGMENTADO EOSINÓFILO: célula medindo entre 10 a 12 micras de diâmetro. Núcleo de cromatina condensada e segmentado (mais frequentemente 2 lóbulos). O citoplasma é acidófilo com granulações arredondadas de cor amarelo-alaranjada. Legenda: A) Eosinófilo Bastão e B) Eosinófilo Segmentado (SETA). MIELÓCITO BASÓFILO: célula medindo entre 10 a 12 micras de diâmetro. Núcleo de cromatina condensada, ocupando cerca de 1/2 do volume celular, sem nucléolos e de aspecto irregular. Citoplasma menos basófilo do que na fase anterior. Presença de granulações arredondadas, de tamanho grande, de coloração escura, que se distribuem pelo citoplasma e sobre o núcleo. METAMIELÓCITO BASÓFILO: célula medindo entre 10 a 12 micras de diâmetro. Núcleo de cromatina condensada, ocupando menos de 1/2 do volume celular, sem nucléolos e de aspecto irregular. Citoplasma apresentando granulações grandes, arredondadas, de coloração escura. Estas são observadas também sobre o material nuclear. BASTONETE OU BASTÃO BASÓFILO: célula medindo entre 10 a 12 micras de diâmetro. Núcleo de cromatina condensada e de aspecto irregular. Citoplasma apresentando granulações grandes, arredondadas, de coloração escura. Estas são observadas também sobre o material nuclear. SEGMENTADO BASÓFILO: célula medindo entre 10 a 12 micras de diâmetro. Núcleo de cromatina condensada e de aspecto irregular. Citoplasma apresentando granulações grandes, arredondadas, de coloração escura. Estas são observadas também sobre o material nuclear. A B Legenda: A) Promielócito; B) Neutrófilo Segmentado e C) Basófilo Segmentado (SETA). B C A B A 59 10 - AGRANULOCITOPOESE ESTUDO DA LINHAGEM LINFOCÍTICA LINFOBLASTO PROLINFÓCITO LINFÓCITO MEDULA ÓSSEA SANGUE PERIFÉRICO LINFOBLASTO: célula de tamanho grande, cerca de 15 a 20 micras de diâmetro. Núcleo ocupando cerca de 3/4 a 2/3 do volume celular. Cromatina nuclear pouco condensada, podendo-se observar 2 a 5 nucléolos. Citoplasma basófilo, sem granulações. PROLINFÓCITO: célula de tamanho intermediário, com 10 a 15 micras de diâmetro, apresentando cromatina ainda pouco condensada e frequentemente 1 nucléolo central, com membrana nuclear bem visível, núcleo arredondado e normalmente de localização central. Legenda: A) Linfoblasto; B) Prolinfócito e C) Nucléolo (SETA). LINFÓCITO: células normalmente de tamanho pequeno, de cerca de 7 a 10 micras de diâmetro e cromatina condensada. Núcleo arredondado ou reniforme ocupando mais de 2/3 do volume celular. Citoplasma escasso e basófilo. Outras formas maiores podem ser observadas como médios e grandes linfócitos e alguns podem apresentar granulações azurófilas (avermelhadas) em seu citoplasma. Legenda: A) Linfoblasto; B) Prolinfócito e C) Linfócito (SETA). A C B A C A B C B A 60 PLASMÓCITO: célula de 12 a 20 micras de diâmetro, apresentando um núcleo de cromatina bastante condensada, de forma arredondada, excêntrico, ocupando menos de 1/2 do volume celular. Citoplasma de coloração azulada intensa (basofilia) e sem granulações. Legenda: A) Plasmócito; B) Eritroblasto Policromático; C) Eritroblasto Ortocromático; D) Promielócito; E) Metamielócito Neutrófilo e F) Bastão Neutrófilo (SETA). ÓRGÃOS LINFÓIDES ÓRGÃOS LINFÓIDES PRIMÁRIOS: medula óssea e timo. ÓRGÃOS LINFÓIDES SECUNDÁRIOS: linfonodos, baço e outros. AGRUPAMENTOS LINFÓIDES: amigdalas, placas de Peyer. CARACTERÍSTICAS DOS LINFÓCITOS VIDA MÉDIA DOS LINFÓCITOS: meses até muitos anos. CIRCULAÇÃO DOS LINFÓCITOS: do sangue para o tecido e tecido para o sangue. MARCADORES CITOQUÍMICOS DOS LINFÓCITOS LINFÓCITO B: imunofluorescência para TdT. LINFÓCITOS T: fosfatase ácida. TIPOS DE LINFÓCITOS 1) LINFÓCITOS B: todos os linfócitos “B” originam-se de uma célula-tronco, na medula óssea, incapaz de produzir imunoglobulinas, mas destinada a originar o linfócito “B”. ATIVAÇÃO DOS LINFÓCITOS B Antígenos protéicos não induzem a produção de anticorpos na ausência de linfócitos “T”. Por esta razão, proteínas são consideradas antígenos “T-dependentes”. Por sua vez, antígenos não-protéicos, como lipídios e polissacarídeos, induzem a produção de anticorpos na ausência de linfócitos “T”, sendo denominados de antígenos “T- independentes”. Após a ligação cruzada do antígeno às imunoglobulinas de superfície, o linfócito “B” apresenta as seguintes respostas: progressão da fase de repouso para a fase G1 do ciclo celular, com consequente aumento do tamanho da célula e no número de ribossomos; aumento da expressão de moléculas de MHC classe II e de co- estimuladores, como B7, adquirindo a capacidade de ativar linfócitos TH; aumento da A F B A B C D E 61 expressão de receptores para citocinas produzidas pelos linfócitos TH, aumentando, assim, a capacidade de resposta a estas células. 2) LINFÓCITOS T: existem basicamente quatro tipos de linfócitos “T”: 2.1) LINFÓCITOS T AUXILIARES OU HELPER – TH: CD4+ (Cluster Differentiation) que também reconhecem peptídeos associados às moléculas de MHC classe II, mas que exercem um papel importante na ativaçãoe diferenciação de linfócitos “B” em resposta a um antígeno protéico. São os verdadeiros linfócitos T helper (auxiliares), pois auxiliam na síntese de anticorpos. Na verdade, são componentes de uma resposta imune humoral. 2.2) LINFÓCITOS T SUPRESSORES: ao contrário dos auxiliares, esses linfócitos suprimem a resposta dos linfócitos “B” aos antígenos. Geralmente são marcados pelo anticorpo monoclonal CD8+. 2.3) LINFÓCITOS T CITOTÓXICOS OU CITOLÍTICOS: são células capazes de se ligar a partículas virais ou outras células, matando-as. Geralmente são marcados pelo anticorpo monoclonal CD8+. 2.4) LINFÓCITOS “T” NATURAL KILLER: tem grande poder citotóxico contra células tumorais ou outras células que contenham partículas virais. ASPECTOS FUNCIONAIS DOS LINFOCITOS T e B Fonte: Livro de Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. ESTUDO DA LINHAGEM MONOCÍTICA MONOBLASTO PROMONÓCITO MONÓCITO MEDULA ÓSSEA SANGUE PERIFÉRICO MONOBLASTO: célula de tamanho grande de cerca de 16 a 20 micras de diâmetro. Núcleo de cromatina pouco condensada, com 2 a 5 nucléolos, ocupando cerca de 3/4 a 2/3 do volume celular. Citoplasma discretamente basófilo, sem granulações. PROMONÓCITO: célula de cerca de 18 a 20 micras de diâmetro. Núcleo ocupando cerca de 2/3 do volume celular, de cromatina mais condensada e forma irregular, podendo-se observar formas de aspecto clivado. Presença de 1 a 3 nucléolos, citoplasma acinzentado, sem granulações. MONÓCITO: célula medindo aproximadamente 16 a 20 micras de diâmetro, com núcleo irregular apresentando chanfraduras e citoplasma abundante levemente basófilo com 62 contorno irregular. Apesar de a cromatina ser delicada, os nucléolos não são visíveis. Os monócitos apresentam um polimorfismo consideravelmente acentuado. Legenda: A) Monoblasto; B) Promonócito e C) Monócito (SETA). 11 - ESTUDO DOS LEUCÓCITOS CONTAGEM GLOBAL DE LEUCÓCITOS (LEUCOMETRIA) MÉTODOS: MANUAL: câmara de Neubauer. AUTOMATIZADO: auto-analisador hematológico. VALOR DE REFERÊNCIA: 5.000 a 10.000/mm3 de sangue. CONTAGEM DIFERENCIAL DE LEUCÓCITOS MÉTODOS: B A C C 63 MANUAL: esfregaço sanguíneo. CONFECÇÃO DO ESFREGAÇO SANGUÍNEO Sangue sem anti-coagulante. Constituído de cabeça, corpo, calda e bordas livres. Fino e homogêneo. COLORAÇÃO PANÓTICA DOS ESFREGAÇOS SANGUÍNEOS Método de May-Grünwald Giemsa, Leishman, Giemsa, Wright e Rápido. MODO DE LEITURA DO ESFREGÇO Começando pelo corpo do esfregaço no sentido da calda. Deslizar a lâmina na forma de zig zag. Contar no mínimo 100 células, porém em caso de leucocitose contar 200 a 500 células. AUTOMATIZADO: auto-analisador hematológico de 5 partes. VALOR DE REFERÊNCIA: MIELÓCITO NEUTRÓFILO: 0%. METAMIELÓCITO NEUTRÓFILO: 0%. BASTÃO NEUTRÓFILO: até 5%. SEGMENTADO NEUTRÓFILO: 55 a 65%. EOSINÓFILO: 2 a 4%. BASÓFILO: 0 a 1%. LINFÓCILO: 20 a 30%. MONÓCILO: 4 a 8%. CINÉTICA DE PRODUÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DOS GRANULÓCITOS COMPARTIMENTOS CMI: Compartimento Mitótico. CA: Compartimento de Armazenamento. CC: Compartimento Circulante. CMa: Compartimento Marginal. CE: Compartimento Extravascular. OS ELEMENTOS GRANULOCÍTICOS DA MEDULA ÓSSEA PODEM SER DIVIDIDOS EM: Fonte: Tratado de Medicina Interna de Cecil. 64 UM POOL MITÓTICO: formado por mieloblastos, promielócitos e mielócitos. UM POOL PÓS-MITÓTICO OU DE MATURAÇÃO: formado por metamielócitos, bastonetes e segmentados. TEMPO TOTAL DE MATURAÇÃO: mieloblasto até segmentado (6 a 10 dias). Os precursores granulocíticos sofrem 1 divisão no estágio de mieloblasto, 1 ou 2 divisões no estágio de promielócito e 2 no estágio mielócito. QUANTIDADE DE CÉLULAS: para 1 mieloblasto há aproximadamente 3 promielócitos e 13 mielócitos. O pool pós-mitótico contém aproximadamente 2 vezes o número de células do pool mitótico. CARACTERÍSTICAS BIOQUÍMICAS DOS GRANULÓCITOS RESPIRAÇÃO: mitocôndria. COMPOSIÇÃO QUÍMICA: CARBOIDRATOS: fontes de energia. LÍPIDES: 5% do peso dos leucócitos, fonte de energia. Neutros colesterol/triglicerídeos, fosfolípides e enfingolípideos. PROTEÍNAS: núcleo e citoplasma (enzimas). ENZIMAS OXIDATIVAS: morte de microorganismo e hidrolíticas (digestão, fosfolipase e colagenases). PROTEÍNAS BÁSICAS: defesa. LACTOFERRINA (GRANULAÇÕES NEUTRÓFILAS): capacidade bacteriostática. HISTAMINA (GRANULAÇÕES BASÓFILAS): ativação dos processos inflamatórios. DEFENSIVAS: antimicrobianas. QUIMIOTAXIA Propriedades dos leucócitos se sentirem atraídos ou repelidos por determinados estímulos. AGENTES QUIMIOTÁTICOS OU QUIMIOATRAENTES Produtos derivados de bactérias (toxinas). Produtos originados de células e tecidos necrosados, inclusive outros leucócitos. Componentes do sistema de complemento: fragmentos C3, C4, C5, C6 e C7. Proteínas estranhas (caseina, glúten) ou desnaturadas. FAGOCITOSE INGESTÃO DA PARTÍCULA POR UMA CÉLULA (CONTATO C/ MEMBRANA CELULAR). AÇÃO DE RECEPTORES (OPSONINAS, IGG E IGM): vacúolo intracelular (fagossoma), despejados grânulos leucocitários, morte ou digestão e finalizando com a exocitose. Fonte: Livro de Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. 65 ESTUDO DOS NEUTRÓFILOS NEUTROFILIA: aumento de neutrófilos no sangue periférico. NEUTROPENIA: diminuição dos neutrófilos no sangue periférico. VALOR DE REFERÊNCIA: 55 a 65% como valor relativo (varia com a idade) 1.500 a 7.500 p/mm3 como valor absoluto dos neutrófilos, 3 a 5% são bastonetes e os restantes são segmentados. OBS: desvio à esquerda/desvio à direita. PROCESSOS QUE PRODUZEM NEUTROFILIA Infecções agudas, local ou generalizada: especialmente por cocos, mas também por bacilos e fungos. Outras inflamações: lesão tecidual resultante de queimaduras ou após operações, necrose isquêmica decorrente de infarto do miocárdio, gota, doença vascular do colágeno. Intoxicação: envenenamento por agentes químicos e medicamentos. Hemorragia aguda: interna e externa. Hemólise aguda. Neoplasias em geral. Leucemia mielocítica crônica, policitemia Vera e mielofibrose. ESTUDO DOS EOSINÓFILOS EOSINOFILIA: aumento dos eosinófilos no sangue periférico. EOSINOPENIA: diminuição dos eosinófilos no sangue periférico. VALOR DE REFERÊNCIA: 2 a 4% como valor relativo e 150 a 400 p/mm3 como valor absoluto. FUNÇÕES: Através da proteína básica principal e da mieloperoxidase podem lesar larvas de parasitas helmintos. Inativação da histamina. Inativação da 5-hidroxitriptamina e bradicilina. Participação na reação antígeno-anticorpo. Atividade fibrinolítica. PROCESSOS QUE PRODUZEM EOSINOFILIA Transtornos alérgicos: asma brônquica, urticária, edema angioneurótico e alguns casos de sensibilidade a medicamentos, tabagismo. Doenças cutâneas: especialmente o pefigo e a dermatite hipetiforme. Infestações parasitárias: especialmente parasitos que invadem o tecido; ex: triquinose, equinococose e menos regularmente, no parasitismo intestinal. Infiltração pulmonar. Eosinofilia tropical: basicamente filariose. Neoplasias em geral: principalmente com metástase ou necrose. Idiopática. ESTUDO DOS BASÓFILOS BASOFILIA: aumento dos basófilos no sangue periférico. BASOPENIA: diminuição dos basófilos no sangue periférico. 66 VALOR DE REFERÊNCIA: 0 a 0,5% como valor relativo e 0 a 50 p/mm3 como valor absoluto. PROCESSOSQUE PRODUZEM BASOFILIA Infecções virais como varíola e influenza. Infecções crônicas como tuberculose. Artrite reumatóide. Colite ulcerativa. Câncer. Doenças mieloproliferativas. ESTUDO DOS LINFÓCITOS VALOR DE REFERÊNCIA: depende da idade. Existem normalmente, no sangue periférico no adulto de 20 a 30% (relativa) e 1.500 a 3.000/mm3 (absoluta). Na criança até 6 anos de idade, varia entre 30 a 60%. LINFOCITOSE: aumento dos linfócitos no sangue periférico. LINFOPENIA: diminuição dos linfócitos no sangue periférico. OBS: a maioria dos linfócitos presente na circulação é do tipo “T” (70%) e são células de longa vida. Já os linfócitos “B” são aproximadamente 30%. PROCESSOS QUE PRODUZEM LINFOCITOSE Certas infecções agudas: gripes, fase aguda da doença de Chagas, coqueluche, viroses, toxoplasmose. Exantemas, depois do estágio inicial, especialmente parotidite, mononucleose infecciosa e rubéola. Infecções crônicas: tuberculose, sífilis. Na fase de cura de processo infeccioso agudo, constituindo a linfocitose chamada pós- infecciosa. Bócio exoftálmico. Crianças e jovens especialmente na presença de raquitismo e má nutrição. Leucemias linfocíticas. Linfocitose infecciosa. Processos que comprometem o sistema linfático: amidalites, processos ganglionares, etc. Processos produzidos por germes com cápsula lipoídica. CAUSAS DE LINFONODOPATIAS Fonte: Livro Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. 67 ESTUDO DOS MONÓCITOS FUNÇÕES Função de defesa contra microrganismos. Interação com linfócitos na resposta imune. Eliminação de restos celulares. Função secretora dos macrófagos: várias substâncias são secretadas por macrófagos, tais como: 1) Enzimas: são de vários tipos. Algumas ficam contidas nas células, como as enzimas dos lisossomas. Outras são lançadas ao meio extracelular (lisozima, ativador do plasminogênio, colagenase e elastase). 2) De linfócitos. 3) De células formadoras de colônias. 4) De substâncias com atividade lítica ou inibidora da multiplicação de células tumorais ou leucêmicas (TNF). 5) Secreção de proteínas do sistema do complemento. 6) Secreção de radicais tóxicos: os macrófagos ativados produzem radicais tóxicos derivados do metabolismo do nitrogênio e do oxigênio que atuam no ataque a microrganismos e parasitas. 7) Secreção de outros produtos: pirogênio, PCR, alfa-macroglobulina, prostaglandinas e leucotrienos. Com grandes influências na reação inflamatória. VALOR DE REFERÊNCIA: existem normalmente, no sangue periférico, aproximadamente 4 a 8% (relativa) e 180 a 600/mm3 (absoluta). MONOCITOSE: aumento dos monócitos no sangue periférico. MONOCITOPENIA: diminuição dos monócitos no sangue periférico. PROCESSOS QUE PRODUZEM MONOCITOSE Certas infecções bacterianas: tuberculose, endocardite bacteriana subaguda, brucelose, tifo exantemático, raramente na febre tifóide. Durante a fase de cura da infecção. Muitas infecções por protozoários: malária, febre maculosa das montanhas rochosas, calazar, tripanosomíase e leishmaniose. Linfoma de Hodgkin e doença de Gaucher. Leucemia monocítica. Envenenamento pela tetracloretana. Em alguns casos de tumores cerebrais. PROCESSOS QUE PRODUZEM MONOCITOPENIA: Fase aguda de processos infecciosos. Falta de reação por parte do sistema monocítico fagocitário: caquexia, desnutrição, etc. QUESTÕES DE AVALIAÇÕES CLÍNICAS 1) L.L.P., sexo feminino, 37 anos, vem ao pronto socorro com febre há uma semana. Paciente refere que há três semanas começou a apresentar astenia, tosse seca, dispnéia aos esforços e dor óssea intensa. Há uma semana apresenta edema peri orbitário, edema de mmii e artrite em punho e tornozelos. Cite febre intermitente, disúria e fotofobia. Ao exame apresenta-se hipocorada, febril, desidratada, com artrite em punho e tornozelos. Os 68 exames iniciais evidenciam HB 8.0, VCM 95, HCM 29, Leucócitos: 2.500/mm3 com 34% de Neutrófilos Segmentados e Plaquetas: 50.000/mm3. Perguntas: a) Qual a principal hipótese diagnóstica? b) Quais outros exames serão necessários para o diagnóstico e por quê? c) Explique as principais opções terapêuticas. 2) A.V.T., 67 anos de idade, sexo masculino, proveniente de Castanhal – PA, deu entrada no serviço de emergência do HGeBe com febre de 40ºC, calafrios, secreção purulenta nas vias aéreas, anorexia e vómito. Antecedentes: servidor público aposentado do Banco do Brasil há 7 anos. Os exames iniciais revelam: Ht 30,8%; eritrócitos: 3.360.00 mm3; Hb 10,0g/dL; VCM 89,28; HCM 29,76; CHCM 32,46; RDW 13.5%; Leucócito: 18.200 mm3; Neutrófilo Segmentado: 80%; Neutrófilo Bastão: 08%; Eosinófilo: 0%; Basófilo: 0%; linfócito: 10%; monócito: 02%; plaquetas: 155.000 mm3; VHS: 28 mm/h (VR: até 20 mm/h). Com a anamnésia e os dados laboratoriais o médico concluiu o diagnóstico como VIROSE, você concorda? Por quê? 3) João e Maria, 40 anos de idade, são casados há 15 anos, um casal de filhos, residem na periferia de Salvados – BA, João trabalha de servente de pedreiro e Maria de doméstica. Estavam internados em um hospital público da cidade há 2 meses com pneumonia. Os exames de cultura e antibiograma constataram no casal: Klebsiella sp, sensível para cefepime e ceftriaxona. O infecctologista, após criteriosa amnésia no casal optou pelo uso de cefepime na dosagem de 1 grama/12 horas/14 dias. Os dados de leucometria/número de neutrófilos segmentados/bastões/metamielócitos/mielócitos a partir do uso de antibioticoterapia são os seguintes: Após analisar os dados dos quadros acima explique com fundamentação as respostas apresentadas pelos leucogramas de João e Maria. 4) Com relação ao o uso do LEUCOGEN, explique sua aplicação, vantagens, desvantagens e posologia. JOÃO Dia Leucócitos/mm 3 Neutrófilos Segmentados (%) Neutrófilos Bastões (%) Neutrófilos Metamielócitos (%) Neutrófilos Mielócitos (%) 0 26.000 70 15 8 2 2 29.000 65 13 10 5 4 16.000 68 15 6 0 6 12.000 70 6 0 0 10 8.800 60 2 0 0 14 5.600 58 0 0 0 MARIA 0 32.000 72 16 6 2 2 38.000 65 15 12 4 4 33.000 60 20 10 4 6 8.000 56 18 14 3 10 3.800 55 18 14 5 14 2.600 58 20 15 10 69 12 - ESTUDO DA HEMOSTASIA É o processo pelo qual o organismo procura controlar a perda sanguínea através de um vaso lesado, evitando que ela se prolongue por um tempo maior, exceto nos casos em que há secção de artérias ou veias de grande calibre, que requer intervenção. São vários os fatores que permitem a circulação do sangue em seu estado fluido e impedem a formação de coágulos ou trombos, exceto como mecanismo de defesa contra as hemorragias. Deste modo, o sistema hemostático é um equilíbrio entre mecanismos pró-coagulantes e anti-coagulantes, aliado a um processo de fibrinólise. Os cinco principais componentes envolvidos são: 1) PLAQUETAS. 2) VASOS SANGUÍNEOS. 3) FATORES DE COAGULAÇÃO. 4) INIBIDORES DA COAGULAÇÃO. 5) COMPONENTES DO MECANISMO FIBRINOLÍTICO. O MECANISMO DA HEMOSTASIA PODE SER DIVIDIDO EM DUAS FASES: HEMOSTASIA PRIMÁRIA Ocorre logo após a lesão do vaso sanguíneo. Há imediata constrição deste com a finalidade de diminuir o fluxo sanguíneo local e de permitir maior contato entre as plaquetas circulantes e o ponto onde o endotélio sofreu o corte. O simples contato da plaqueta com o endotélio lesado é suficiente para ativar as plaquetas que ficam aderidas ao local lesado. À adesão plaquetária, segue-se a agregação plaquetária, e logo a ativação do mecanismo da coagulação. As plaquetas ativadas e aderidas ao endotélio liberam uma série de substâncias que tem outras funções, a saber: a) Substâncias que promovem agregação das plaquetas. b) Substâncias que ativam o mecanismo da Coagulação. c) Substâncias que diminuem apermeabilidade vascular. d) Substâncias que mantém o tônus da rede vascular. HEMOSTASIA SECUNDÁRIA Compreende os fenômenos que se destinam à formação de um coágulo consistente, capaz de obliterar a lesão vascular, que se forma numa etapa posterior, graças à deposição de uma rede de fibrina entre as plaquetas agregadas. Fonte: Livro Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. 70 ENDOTÉLIO VASCULAR Na estrutura anatômica de um vaso sanguíneo, são reconhecidas as seguintes camadas: a) Camada de células endoteliais ou revestimento interno. b) Camada Basal. c) Subendotélio. d) Fibras conjuntivas colágenas. e) Fibras musculares. As células endoteliais ou do revestimento interno dos vasos constituem uma camada única de células achatadas, fusiformes e justapostas, de tal forma que seu eixo maior se dispõe paralelamente ao sentido do fluxo sanguíneo. PAPEL DO ENDOTÉLIO VASCULAR NA HEMOSTASIA AGENTES ANTICOAGULANTES O endotélio vascular tem papel ativo na manutenção das condições normais da hemostasia. As substâncias de efeito anticoagulante sintetizadas pelas células endoteliais são reconhecidas como de grande importância. Através delas o organismo procura evitar a propagação da formação de coágulo na rede vascular, localizando os fenômenos trombóticos. a) PROSTACICLINA (PGI2) É o principal produto derivado do metabolismo do ácido aracdônico na célula endotelial. Potente vasodilatador e inibidor da agregação plaquetária. Inibi a atividade do fator plaquetário 3 (Fp3). Bloqueia os receptores para o fibrinogênio e o FvW. As lipoproteínas de baixa densidade (LDL) inibem a produção de PGI2. O HDL aumenta a produção de PGI2. b) HEPARAN SULFATO Exerce a função de cofator da antitrombina III, que inativa a trombina e outras serinoproteases. c) TROMBOMODULINA Proteína de peso molecular da ordem de 74.000 daltons, presente no endotélio vascular e que tem afinidade pela trombina, formando com esta o complexo trombomodulina-trombina. d) PROTEÍNA C É um fator vitamina K-dependente com propriedade anticoagulante e seu papel na coagulação se manifesta após a formação do complexo trombina-trombomodulina. É encontrada na forma inativa no plasma, passando a forma ativa sob a influência da trombomodulina. Causa inativação dos fatores Va e VIIIa. Estimula a fibrinólise. e) FATOR DE VON WILLEBRAND (vWF) Circula no plasma unido ao fator VIII da coagulação, por isso é considerada uma proteína transportadora do fator VIII. É sintetizado pelas células endoteliais da rede vascular comum e dos sinusóides hepáticos. As células endoteliais sintetizam, polimerizam e armazenam em estrutura denominadas corpos de Weibel-Palade. 71 Fator de Von Willebrand (vWF) também é produzido pelas plaquetas que os armazenam nos grânulos . É encontrado no plasma na forma de grandes multímeros, com peso molecular da ordem de 800.000 a 20.000.000, que representa a forma mais ativa ou eficiente deste fator. Fonte: Livro Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. AGENTES PROCOAGULANTES a) FIBRONECTINA Trata-se de uma glicoproteína presente no plasma e na membrana basal da parede vascular. É sintetizada pelas células endoteliais, por fibroblastos e vários outros tipos de células. É encontrada nos grânulos das plaquetas facilitando a adesão das plaquetas ao endotélio lesado colaborando na formação do coágulo. É importante na restauração das lesões da parede vascular. b) FATOR TISSULAR É denominado Fator III da coagulação ou tromboplastina tecidual. É sintetizado em vários órgãos (cérebro, placenta, pulmão) e pelas células presentes nas camadas mais profundas da parede vascular. ESTUDO DAS PLAQUETAS 72 A figura ilustra sequencialmente, o processo maturativo da linhagem plaquetária a partir da primeira célula comissionada para a formação da respectiva linhagem. A partir do megacarioblasto, vários outros estágios maturativos se interpõem com divisão do núcleo e sem a correspondente divisão citoplasmática. Finalmente, a fragmentação do citoplasma do megacariócito acidófilo resulta na produção das plaquetas. As plaquetas apresentam-se como células incompletas formadas apenas por porções do citoplasma das células que lhes dão origem, os megacariócitos. Tem forma discóide ou elipsóide, com 2 a 4 micras de diâmetro e seu valor de referência e: 250.000 a 400.000/mm3 e Limite de 150.00 a 400.000/mm3. A plaqueta morfologicamente e estruturalmente está constituída de 3 zonas: ZONA EXTERNA OU PERIFÉRICA É formado por uma porção mais externa, onde se encontram antígenos, glicoproteínas e vários tipos de enzimas. Através dela a plaqueta interage com outras células e com a parede dos vasos. Proteínas plasmáticas e fatores da coagulação (V, XI, e fibrinogênio) ficam firmemente ligados a essa superfície; Mais internamente existe a membrana plaquetária, formada por proteínas, lipídios e carboidratos (57%, 35% e 8% respectivamente). Quase que em sua totalidade, as proteínas da membrana são glicoproteínas denominadas GPI, II, III e IV. Algumas glicoproteínas têm função de receptores específicos para determinados fatores da coagulação, como GPIb, que atua como receptor para trombina, e o fator de von Willebrand (vWF). ZONA SOL-GEL OU CITOSOL Região rica em microtúbulos que conectam com os microfilamentos formando o esqueleto da plaqueta, que serve para orientar os movimentos da célula, para a eliminação de produtos secretados e para a retração do coágulo. Os microtúbulos são compostos por tubulina e os microfilamentos são formados pela actina. ZONA DE ORGANELAS Nesta zona são encontrados diversos tipos de estruturas: Fonte: Livro Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. Legenda: Aderência das plaquetas ao endotélio vascular. 73 CORPOS DENSOS: são estruturas densas graças ao seu conteúdo em cálcio. Contém 65% do total de ADP e ATP das plaquetas. GRÂNULOS ALFA: contém vários tipos de substâncias: fator plaquetário 4, PDGF, trombospondina, fibronectina, fatores de coagulação (fator V, fator VIII) e albumina. Lisossomas: contém fosfatase ácida; glucosaminidase e galactosidase. Mitocôdrias: atuam na síntese de ATP. Glicogênio: material de reserva energética. Aparelho de Golgi. Sistema de membranas internas: compreende o sistema tubular denso e o sistema de canalículos abertos. È o local de síntese da prostaglandina e do tromboxane. CONSTITUIÇÃO QUÍMICA DAS PLAQUETAS Lipídeos: constituição da membrana citoplasmática. Carboidratos: glicosaminoglicanos. Glicoproteínas: situam-se na membrana externa. Atuam, na adesão e agregação plaquetária. Proteínas: miosina, tropomiosina, profilina, filamina e calmodulina. Fazendo parte do aparelho contrátil das plaquetas. MECANISMO DE ATIVAÇÃO DAS PLAQUETAS As plaquetas são liberadas do citoplasma dos megacariócitos medulares e passam à circulação, onde têm vida média de 7 a 10 dias. ETAPAS DA ATIVAÇÃO PLAQUETÁRIA 1) O primeiro sinal de ativação plaquetária é a alteração da sua forma, que passa de discóide a irregular. 2) Após a ativação as plaquetas se agregam umas às outras. 3) Secreção: liberação das substâncias contidas nos grânulos densos, como: ADP, cálcio, serotonina e fator plaquetário 3. PAPEL DAS PLAQUETAS NA COAGULAÇÃO As plaquetas atuam na hemostasia primária e na coagulação. Fonte: Livro Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. 74 FATORES PLAQUETÁRIOS FATOR PLAQUETÁRIO 1: tem atividade do fator V, encontrando-se adsorvido à superfície na membranae nos grânulos alfa. FATOR PLAQUETÁRIO 2: fator ativador do fibrinogênio. Acelera a reação entre a trombina e o fibrinogênio e induz a agregação plaquetária. FATOR PLAQUETÁRIO 3: acelera o consumo da protrombina, a formação da trombina e a formação de fibrina. Tem papel importante na coagulação. FATOR PLAQUETÁRIO 4: também chamado de fator anti-heparina. Encontrado nos grânulos alfa. FATOR PLAQUETÁRIO 5: tem atividade de fibrinogênio. Encontrado nos grânulos alfa e na membrana. FATOR PLAQUETÁRIO 6: é também chamado de antiplasmina plaquetária. FATOR PLAQUETÁRIO 7: co-tromboplastina plaquetária. 13 - ESTUDO DA COAGULAÇÃO SANGUÍNEA A coagulação consiste numa cadeia de reações que têm por finalidade a transformação do FIBRINOGÊNIO em FIBRINA. NESTA CONVERSÃO INTERVÉM: 1) Enzimas ativas ou fatores da coagulação, que formam a partir de fatores inativos. 2) Os íons cálcio. 3) Os fosfolipídes presentes nas membranas plaquetária e nos tecidos. Os fatores da coagulação são designados por algarismos romanos de I a XIII. São sintetizados no fígado. Quanto ao aspecto fisiológico, são divididos em duas categorias: proteínas pró-coagulantes e proteínas anticoagulantes ou inibidores naturais da coagulação. FASES DA COAGULAÇÃO SANGUÍNEA: 1ª FASE: reações que produzem a TROBOPLASTINA PLASMÁTICA. 2ª FASE: a TROBOPLASTINA PLASMÁTICA converte a PROTROMBINA em TROMBINA. 3ª FASE: a trombina quebra o FIBRINOPEPTÍDEOS a partir do FIBRINOGÊNIO e ativa o Fator XIII, com resultante depósito e ligação cruzada de FIBRINA. NOMECLATURA E ALGUMAS PROPRIEDADES DOS FATORES DA COAGULAÇÃO Fator Nomeclatura Vida Média/h Concentração mg/L Comentários I Fibrinogênio 90 3.000 - II Protrombina 65 100 Dependente de Vit K III FT (Tromboplastina) - - - IV Cálcio (Ca ++ ) - - - V Proacelerina 15 10 - VI - - - - VII Proconvertina 5 10 Dependente de Vit K VIII Anti-hemofílico “A” 10 0,1 - IX Anti-hemofílico “B” 25 5 Dependente de Vit K X Stuart ou Prower 40 10 Dependente de Vit K XI Anti-hemofílico “C” 45 5 - XII Hageman - - - XIII Estabilizante de Fibrina 200 30 - 75 FATORES DE ATIVAÇÃO DE CONTATO Fator XII. Cininogênio APM. Pre-calicreína. Fator XI. PROENZIMAS DEPENDENTES DE VITAMINA K Protrombina. Fator VII. Fator IX. Fator X. Proteína “C”. Proteína “S”. CO-FATORES Fator Tecidual. Fosfolípideo Procoagulante. Fator Plaquetário 3. Fator VIII. Fator V. Proteína “S”. FATORES DE DEPÓSITO DE FIBRINA Fibrinogênio. Fator XIII. A COAGULAÇÃO SANGUÍNEA PROCESSA-SE EM TRÊS FASES: 1ª FASE (FORMAÇÃO DA TROMBOPLASTINA PLASMÁTICA): a tromboplastina ou Fator III, ausente normalmente do sangue, pode ser produzido por dois processos diferentes, constituídos pelos sistemas: EXTRÍNSECO e INTRÍNSECO. SISTEMA EXTRÍNSECO: o mecanismo da coagulação é ativado por sustâncias procedentes dos tecidos (tromboplastina tecidual). Estas substâncias formam um complexo com o Fator VII, íons cálcio e fosfolipideos (fator plaquetário), transformando o Fator Inativo X no Fator Ativo Xa. SISTEMA INTRÍNSECO: os fatores da coagulação encontram-se presentes no sangue, prontos para serem utilizados, desde que ativados. Assim, o Fator XII é ativado, in vivo, por lesão vascular ou por contato com o colágeno, para transformar-se na forma ativa XIIa. O Fator XIIa atua, então transformando o Fator XI em forma ativa, XIa. O Fator IX é depois ativado pela ação do Fator XIa e íons cálcio, para formar o Fator IXa. Depois de ativado o Fator IXa transforma o Fator VIII em forma ativa, VIIIa, a qual forma um complexo com o íons cálcio e fosfolipídeos. Este complexo converte o Fator X á sua forma ativa, Xa. Em seguida, o Fator Xa, por qualquer via, forma um complexo com o Fator V + íons cálcio + Fator plaquetário 3, dando origem a TROMBOPLASTINA PLASMÁTICA. 76 2ª FASE: conversão da PROTROMBINA em TROMBINA. Ocorre pela ação da TROMBOPLASTINA PLASMÁTICA, que na presença de íons de cálcio e do Fator Plaquetário 3, promove a conversão da Protrombina em Trombina. 3ª FASE: transformação do Fibrinogênio em Fibrina. Consistindo da fase final da coagulação do sangue, hemostaticamente eficaz. A insolubilidade da fibrina resulta da ação enzimática do Fator XIII que, ativado pela trombina e na presença de íons cálcio, exerce a sua ação, estabilizando a fibrina. REGULAÇÃO DA COAGULAÇÃO ANTICOAGULANTES NATURAIS ANTITROMBINA III INIBE: trombina; Fator Xa e Fator IXa. ALFA 2 MACROGLOBULINA: trombina e plasmina. PROTEÍNA “C”: Fator Va e Fator VIIIa. ATIVAÇÃO DA PROTEÍNA “C” PELA TROMBINA LIGADA À TROMBOMODULINA Fonte: Livro Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. 77 COAGULAÇÃO (TP e TTPA) FIBRINÓLISE Consiste no mecanismo de dissolução enzimática do coágulo que se forma após a lesão do endotélio vascular sobre a qual se deposita a rede de fibrina. A fibrinólise permite a recanalização do vaso lesado e tamponado, a fim de que o fluxo sanguíneo seja restabelecido. A enzima responsável pela lise do coágulo é a PLASMINA, que se forma a partir de um precursor o PLASMINOGÊNIO. O plasminogênio é uma glicoproteína produzida pelo fígado. Existem substâncias que são ativadoras do plasminogênio e ainda outras que são inibidoras. Substâncias usadas clinicamente para ativar o plasminogênio: estreptoquinase e uroquinase. HEMOSTASIA NORMAL Tempo de Protrombina (TP) Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPA) Tromboplastina Plasmática Fonte: Livro Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. 78 QUESTÕES DE AVALIAÇÕES CLÍNICAS 1) MFS, 48 anos de idade, sexo feminino, internada no CTI do hospital da Unimed. Informações Pertinentes: febre alta de 40ºc, escaras profundas na região intercostal, secreção pulmonar purulenta, fazendo uso de respirador há uma semana, AAS 500 mg a cada 8 horas e de vancomicina 500 mg (2 gramas/por dia). ERITROGRAMA: - Eritrócitos: 2.470.000/mm3; Hb: 6,9 g/dL; Ht: 21%; PLAQUETOGRAMA: - Plaquetas: 42.000/mm3 e LEUCOGRAMA: - Leucócito global: 27.900/mm3. Perguntas: a) Trabalhos científicos descrevem que a vancomicina pode destruir plaquetas circulantes. Baseado desta informação a conduta do uso antibacteriano foi acertada diante de um paciente com trombocitopenia? Justifique sua resposta. b) O uso de AAS de 500 mg a cada 8 horas foi uma conduta acertada? Por quê? 2) E.N., 47 anos de idade, coletou 5 mL de sangue para levar ao laboratório, porém houve uma demora na retirada do sangue da seringa e o sangue coagulou no interior da mesma. Explique como ocorreu a coagulação. 3) J. A. S., 68 anos de idade, sexo masculino, fumante há 30 anos, sedentário e obeso. Sofreu nos últimos 3 anos um AVC isquêmico e uma trombose venosa profunda. Faz acompanhamento cardiológico a cada 60 dias e usa diariamente medicamentos antidepressivo, anti-hipertensivo e AAS/100 mg ao dia. Na última semana sentiu fortes dores na perna esquerda e foi internado com suspeita de outra trombose venosa profunda. Segundo sua esposa o médico aplicou uma droga denominada estreptoquinase de 1.500 UI. Perguntas: a) Qual o objetivo do uso de 100 mg de AAS diariamente neste paciente e por quê? b) Qual o objetivo do uso de estreptoquinase 1.500 UI neste paciente e por quê? 14 - HEMOGRAMA INTRODUÇÃO O hemograma é um dos exames mais solicitados pelo clínico para avaliação geral do paciente. Isto se deve, em parte, pelos numerosos mecanismos fisiológicos para a manutenção no sangue que envolve um equilíbrio entre a produção e a destruição das células. Em diversas doenças, os processos patológicos interferem com os mecanismos fisiológicos, acarretando um desequilíbrio identificadono hemograma. Citamos as anemias por carência de nutrientes, anemias associadas às doenças crônicas, e as leucocitoses infecciosas que com frequência são diagnosticadas pelo clínico geral. No passado, o hemograma era realizado por técnicas manuais trabalhosas e demoradas praticadas por laboratoristas experientes que utilizavam vários equipamentos de bancada, como: câmara de Neubauer, pipetas diluidoras de Thoma, o espectofotômetro, a microcentrífuga, colorações hematológicas e microscópio. HEMOGRAMA MANUAL 79 O hemograma manual demorava em média 30 minutos, o que determinou o surgimento de hemogramas “parciais”, como: ERITROGRAMA: contagem de eritrócitos, dosagem de hemoglobina, determinação do hematócrito, índices hematimétricos e avaliação da morfologia eritrocitária. LEUCOGRAMA: contagem de leucócito global (leucometria), contagem de leucócito diferencial (fórmula leucocitária) e avaliação morfológica dos leucócitos. PLAQUETOGRAMA: contagem de plaquetas e avaliação morfológica. AUTOMAÇÃO DO HEMOGRAMA A automação progressivamente substituiu as técnicas manuais por técnicas automatizadas mais rápidas e menos trabalhosas, até os analisadores hematológicos multicanais atuais que executam o hemograma completo automatizado em menos de 1 minuto, caracterizado por: Contagem e volumetria de eritrócitos e plaquetas. Contagem total e diferencial de leucócitos. Dosagem de hemoglobina. AS TÉCNICAS AUTOMATIZADAS SE DESENVOLVERAM EM ETAPAS: 1) Contagem de leucócitos e eritrócitos + dosagem de hemoglobina. Técnicas manuais: microhematócrito, diferencial de leucócitos e contagem de plaquetas. 2) Determinação do VCM, cálculo do hematócrito, da hemoglobina, HCM e CHCM. 3) Determinação do RDW e do volume das plaquetas (VPM), contagem diferencial dos leucócitos em três partes: linfócitos, neutrófilo e misto (basófilo, eosinófilos e monócito). 4) Contagem diferencial dos leucócitos em cinco partes: linfócitos, monócitos, neutrófilos, eosinófilos e basófilos. 5) Contagem diferencial dos leucócitos estendida: neutrófilos jovens, eritroblastos e reticulócitos. PARÂMETROS DO HEMOGRAMA O hemograma é composto por 10 parâmetros mais a contagem diferencial de leucócitos e a citologia morfológica. Com a automação, podem-se separar os 10 parâmetros em diretos, obtidos pela análise, e indiretos, obtidos por cálculos: OS PARÂMETROS DIRETOS SÃO: as contagens de eritrócitos, leucócitos e plaquetas, a determinação do volume dos eritrócitos (VCM) e a dosagem da hemoglobina do sangue. OS PARÂMETROS INDIRETOS SÃO: hematócrito, a massa e a concentração de hemoglobina dos eritrócitos (HCM/CHCM), RDW, VPM e PDW. ESTUDO DE TRÊS LINHAGENS CELULARES SÉRIE VERMELHA (ERITROGRAMA) SÉRIE BRANCA (LEUCOGRAMA) SÉRIE TROMBOCÍTICA (PLAQUETOGRAMA) OBS: análise citomorfológica das células sanguíneas (avaliação quantitativa e qualitativa dos elementos figurados do sangue). SÉRIE VERMELHA (ERITROGRAMA) NÚMERO DE ERITRÓCITOS (HEMATIMETRIA): contagem do número de eritrócitos em determinado volume de sangue. 80 Valor de Referência: - Sexo Feminino: 4.000.000 a 5.000.000/mm3 - Sexo Masculino: 4.500.000 a 5.500.000/mm3 CONCENTRAÇÃO DE HEMOGLOBINA: é a quantificação da massa de hemoglobina presente nos eritrócitos em determinado volume de sangue. Isoladamente, a dosagem de hemoglobina é o valor hematológico mais útil, pois define a condição de anemia e avalia a sua intensidade. Valor de Referência: - Sexo Feminino: 14 a 16 g/dL - Sexo Masculino: 15 a 18 g/dL PORCENTAGEM DE HEMATÓCRITO: é a determinação do volume de eritrócitos em relação a um volume de sangue. Valor de Referência: - Sexo Feminino: 40 a 45 %. - Sexo Masculino: 45 a 55 %. - Recém-nascido: 50 a 55%. ÍNDICES HEMATIMÉTRICOS: são relações entre a hemoglobina, o hematócrito e a hematimetria. Avaliam indiretamente as características dos eritrócitos quanto ao volume e conteúdo de hemoglobina, permitindo a classificação morfológica das anemias. - CHCM: Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média. Cálculo: HbX100/Ht. Valor de Referência: 32 a 36%. - VCM: Volume Corpuscular Médio. Cálculo: HtX10/Nº Eritrócitos. Valor de Referência: 80 a 100 fL. - HCM: Hemoglobina Corpuscular Média. Cálculo: HbX10/Nº Eritrócitos. Valor de Referência: 26 a 32pg. RDW (RED CELL DISTRIBUTION WIDTH): variação do tamanho dos eritrócitos. É um indicador de anisocitose. Representa a porcentagem de variação dos volumes de eritrócitos obtidos. Valor de Referência: 12 a 16%. AVALIAÇÃO MORFOLÓGICA DOS ERITRÓCITOS. A C E A D 81 Legenda: A) Eliptócito; B) Esferócito; C) Drepanócito; D) Condócito; E) Policromasia, F) Pontilhado basófilo e G) Eritroblasto ortocromático (SETA). UTILIDADE DOS ÍNDICES HEMATIMÉTRICOS Classificação das anemias em relação ao tamanho dos eritrócitos e quantidade de hemoglobina em: - Normocítica Normocrômica: quando o VCM estiver entre 80 a 100 fL, o CHCM 32 a 36% e o HCM 26 a 32pg. - Microcítica Hipocrômica: quando o VCM estiver <80 fL, o CHCM <31% e o HCM <26pg. - Macrocítica Normocrômica: quando o VCM estiver > 110 fL, o CHCM 32 a 36% e o HCM > 32%. - Normocítica Hipercrômica: quando o VCM estiver entre 80 a 100 fL, o CHCM > 36% e o HCM 26 a 32pg. Legenda: A) Anemia Microcítica Hipocrômica e B) Anemia Macrocítica Normocrômica. PRESENÇA DE ERITROBLASTOS NO ERITROGRAMA Recém nascidos: única condição que visualizamos eritroblastos normalidade. Patologicamente: anemias acentuadas, processos infecciosos agudos pelo alto nível de stress inflamatório e aceleração de produção: hipóxia. Interferentes: contagem global de leucócitos e na diferencial de linfócitos. B B D D F B A G 82 CONTAGEM DE RETICULÓCITOS Reflete a atividade eritropoética da medula óssea. Valor de Referência: 0,5 a 2% (relativo) e 20.000 - 80.000/mm3 (absoluto) no sangue periférico. SÉRIE BRANCA (LEUCOGRAMA) ESTUDO DE DIVERSAS DOENÇAS DOENÇAS CLONAIS: Hemoglobinúria paroxística noturna (NPH). Linfomas. Leucemia miolocítica crônica. Leucemia mieloblástica aguda. Leucemia linfocítica crônica. Leucemia linfoblástica aguda. Distúrbios mieloproliferativos. Mieloma múltiplo. DOENÇAS INFECCIOSAS: Infecções bacterianas. Infecções virais. Infecções fúngicas. Infestações por helmintos e protozoários. LEUCOGRAMA LEUCOMETRIA: contagem de leucócitos em determinado volume de sangue. VALOR DE REFERÊNCIA - 5.000 a 10.000/mm3 - Leucopenia: < 5.000 leucócitos/mm3. - Leucocitose: > 10.000 leucócitos/mm3. MÉTODO DE OBTENÇÃO - Impedância. - Lise específica. - Dispersão de luz. - Radiofrequência. INTERFERENTES NESTAS DETERMINAÇÕES - Agregados plaquetários. - Eritrócitos resistentes a lise. - Eritroblastos. - Leucoagregação. FÓRMULA LEUCOCITÁRIA: contagem diferencial de cada tipo de leucócitos. Fornece os valores relativos (%) e absolutos (mm3) de neutrófilos, linfócitos, eosinófilos, monócitos e basófilos. VALOR DE REFERÊNCIA: 83 CONTAGEM DIFERENCIAL MANUAL (PROBLEMAS DIVERSOS) Quantidade de exame. Tempo consumido. Treinamento e prática. Qualidade do esfregaço. Baixa reprodutibilidade em contagem de 100 células. CONTAGEM DIFERENCIAL DE 5 PARTES Citometria de fluxo. Impedância. Condutividade. Citoquímica. Laser. CITOMORFOLOGIA DOS LEUCÓCITOS a) GRANULAÇÕES TÓXICAS ORIGEM: maturação incompleta do neutrófilo associada à liberação na corrente sanguínea. OCORRÊNCIA: infecções, inflamações, gravidez e anemia aplástica. CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS: presença de grânulos imaturosde mucopolissacarídeos com coloração azurófila no citoplasma. CÉLULA AFETADA: neutrófilos. b) GRANULAÇÕES GROSSEIRAS: são granulações às vezes escuras observadas nos neutrófilos que podem estar associadas à vacuolização citoplasmática e ou nuclear. c) VACUOLIZAÇÕES ORIGEM: resultante da fusão de grânulos com vacúolo fagocitário. OCORRÊNCIA: infecções, terapia com G-CSF e GM-SF, intoxicação alcoólica, anomalia de Jordan (deficiência de carnitina), intoxicação por benzeno, etc. CARACTERÍSTICAS MORFOLÓGICAS: estruturas circulares sem fixação de coloração distribuída unitariamente ou em número variável. CÉLULA AFETADA: neutrófilos e monócitos. Tipo de Leucócitos Relativo (%) Absoluto (mm3) Neutrófilos Bastões 1 a 5 50 a 500 Neutrófilos Segmentados 55 a 65 2.750 a 6.500 Eosinófilos 1 a 4 50 a 400 Basófilos 0 a 1 0 a 50 Linfócitos 20 a 30 1.000 a 3.000 Monócitos 4 a 8 200 a 800 84 d) CORPÚSCULO DE DOHLE ORIGEM: Inclusões basofílicas de RNA desnaturada no citoplasma. Formado pelo empilhamento de retículo endoplasmático e grânulos de glicogênio. OCORRÊNCIA: Infecções, inflamações, queimaduras, gravidez, agentes citotóxicos (quimioterápicos), etc. CARACTERÍSTICAS ASSOCIADAS: alterações tóxicas e elevação reativa dos neutrófilos. e) ABERRAÇÕES CITOPLASMÁTICAS E NUCLEARES: degeneração celular. f) ALTERAÇÕES TOXICODEGENERATIVAS: são degenerações ou lise da membrana citoplasmática e ou nuclear, às vezes associadas à vacuolização, levando a morte celular. Observada em processo infeccioso agudo grave e septicemia. g) PRESENÇA DE NUCLÉOLOS, ETC: doenças neoplásicas. SÉRIE TROMBOCÍTICA (PLAQUETOGRAMA) Contagem de plaquetas em determinado volume de sangue. VALOR DE REFERÊNCIA - Normal: 150.000 a 400.000/mm3. - Trombocitopenia: <150.000/mm3. - Trombocitose: >400.000/mm3. CITOMORFOLOGIA DAS PLAQUETAS - Normal: 1 a 4. - Macrotrombócitos: > 6. - Megatrombócitos: > 8. INTERDERÊNCIA NA CONTAGEM DE PLAQUETAS PELO MÉTODO DE IMPEDÂNCIA - Presença de micrócitos. - Presença de esquizócitos. - Presença de megatrombócitos. - Presença de macrotrombócitos. - Presença de agregados plaquetários. CONSIDERAÇÕES GERAIS EM AUTOMAÇÃO HEMATOLÓGICA 1) Rapidez: ≥ 90 a 150 hemogramas/hora. 2) Parâmetros hematológicos: 25 a 38. 3) Tubos de coleta: primários. 4) Volume de amostra: 40 a 300 μL (média = 120 μL). 5) Autolavagem contínua e programável. 6) Exatidão/Precisão/Linearidade/Sensibilidade/Epecificidade. 7) Sistema aberto/Sistema fechado. 8) Robustez: 500 amostras consecutivas, de uma só vez. 9) Reagentes utilizados: 4 a 6. 85 10) Em geral, com pelo menos 2 tecnologias de contagem e análise celular: Impedância, Citoquímica, Óptica, Laser, Citometria de Fluxo e Radiofrequência. 11) Histogramas: distribuição de RBC, WBC, PLT, Basofilo, Eosinófilo, Reticulócitos, Viabilidade Celular, etc. ERROS MAIS COMUNS NA REALIZAÇÃO DO HEMOGRAMA Sangue coagulado. Perda de plasma por derramamento. Sangue hemolisado. EDTA em excesso. Sangue velho. Sangue mal conservado. Transporte irregular. Falta de homogeneização adequada. Crioaglutinação. Punção digital. Coleta do cateter. 86 15 - INTERPRETAÇÃO DO HEMOGRAMA Hemograma nos processos de anemias e policitemias. Hemograma nos processos infecciosos agudos. Hemograma nos processos infecciosos crônicos. Hemograma nos processos alérgicos. Hemograma nos processos leucopênicos. HEMOGRAMA NOS PROCESSOS DE ANEMIAS Anemia é a diminuição do número de eritrócitos (oligocitemia) e/ou da taxa de hemoglobina. Hematimetria: diminuída. Taxa de Hemoglobina: diminuída. VCM <80 fL: anemia microcítica. VCM 80 a 100 fL: anemia normocítica. VCM > 110: anemia macrocítica. CHCM < 31%: anemia hipocrômica. CHCM 32 a 36%: anemia normocrômica. RDW > 16%: anisocitose. ANEMIA MICROCÍTICA HIPOCRÔMICA VCM<80 fL, HCM<26 pg e CHCM<31%. 87 a) Anemia Ferropriva X Talassemias Aumentado RDW Aumentado Diminuído FERRO Normal ou aumentado b) Anemia das Doenças Crônicas (ACD): resultam de alteração no metabolismo do ferro e supressão da produção de eritropoetina (EPO) pelas células renais. c) Anemia Sideroblástica: RDW aumentado. Legenda: A) Anemia Microcítica Hipocrômica Ferropriva e B) Anemia Microcítica Hipocrômica (Talassemia). ANEMIA MACROCÍTICA: VCM>110 fL, HCM>36 pg e CHCM: 32 a 32%. Deficiência de ácido fólico. Deficiência de Vitamina B12. Quimioterapia. Mielodisplasia. Eritroleucemia. Hipotireoidismo. OBS: macrocitose, policromasia, corpúsculo de Howell Jolly, anel de Cabot, pontilhado basófilo e neutrófilo multisegmentação (com mais de 5 segmentos). Legenda: Anemia Macrocítica Normocrômica (deficiência de Vitamina B12). A) Macrócito; B) Neutrófilo multisegmentado; C) Corpúsculo de Jolly; D) Eritroblasto Ortocromático; E) Pontilhado Basófilo e F) Anel de Cabot (SETA). A B A A D E B F G C C 88 ANEMIA NORMOCÍTICA NORMOCRÔMICA VCM, HCM e CHCM normais. REGENERATIVAS: anemias hemolíticas. Esferocitose Hereditária. Eliptocitose Hereditária. Anemia Falciforme. • Dados Importantes: LDH elevada e presença no esfregaço de esquizócitos. ARREGENERATIVAS: aplasia / infiltração da medula óssea. Legenda: A) Anemia Normocítica Normocrômica; B) Esferocitose Hereditária (anemia hemolítica); C) Eliptocitose Hereditária (anemia hemolítica); D) Esquizocitose em anemia hemolítica; E e F) Anemia Falciforme (SETA). A B C D E F C D 89 HEMOGRAMA NOS PROCESSOS INFECCIOSOS AGUDOS São processos que se instalam de maneira repentina. Ex: pneumonia, apendicite aguda, peritonite, enfarte pulmonar, broncopneumonia, meningite bacteriana, úlcera perfurada, etc. MODIFICAÇÕES NA SÉRIE BRANCA NEUTRÓFILOS: quando o organismo necessita de grandes quantidades de células para defesa de uma infecção, a medula óssea se hiperplasia e envia os neutrófilos de modo a suprir essa necessidade: leucocitose por neutrofilia. DESVIO À ESQUERDA ESCALONADO: denominação empregada para definir o encontro de células da linhagem neutrofílica em estágios MATURATIVOS MAIS JOVENS NO SANGUE PERIFÉRICO, sendo que algumas destas são normalmente observáveis apenas em distensões de medula óssea. Esta situação é frequente em quadros reacionais relacionados a processos infecciosos, geralmente de natureza bacteriana. O desvio à esquerda é considerado mais acentuado quando mais jovens os tipos celulares presentes no sangue periférico e mostra certa correlação com a gravidade do processo. Legenda: A) Desvio à esquerda até neutrófilo bastão (3 neutrófilos bastões e um neutrófilo segmentado) e B) Desvio à esquerda até neutrófilo metamielócito (1 linfócito; um neutrófilo bastão e um neutrófilo metamielócito). DESVIO À DIREITA: caracteriza quando aparece no sangue periférico, em número significativo, neutrófilos com hipersegmentação nuclear (mais de 5 segmentos). Esta hipersegmentação nuclear pode ser secundária à deficiência de vitamina B12 e/ou ácido fólico. Nestas circunstâncias os neutrófilos se apresentam, também, aumentados em tamanho (anisocitose neutrofílica). Esta situação é frequente na anemia megaloblástica. Em raras situações a hipersegmentação neutrofílica é de natureza constitucional. A B90 ALTERAÇÕES QUALITATIVAS NOS LEUCÓCITOS GRANULAÇÕES TÓXICAS: são granulações presentes nos neutrófilos sendo maiores em tamanho e mais basófilas que as granulações normais. Correspondem à persistência, em células maduras, de granulações azurófilas ou grânulos primários em quantidade maior do que o esperado. O aparecimento de neutrófilos com granulações tóxicas, embora frequente em processos infecciosos não é específico, podendo ocorrer em outras situações em que ocorrem destruição tecidual, processos inflamatórios e em situações como na gestação normal, mesmo na ausência de infecção. GRANULAÇÕES GROSSEIRAS: são granulações às vezes escuras observadas nos neutrófilos que podem estar associadas à vacuolização citoplasmática e ou nuclear. VACUOLIZAÇÃO: caracteriza pela presença de pequenas vesículas, de cor branca, no citoplasma e, menos frequentemente, no núcleo dos leucócitos. Estas ocorrem pela perda de estabilidade da membrana lisossomal, consequente à morte celular e liberação do seu conteúdo (proteases). Desta forma, se inicia um processo fermentativo pela presença de proteases livres no citoplasma em contato com material citoplasmático, ocorrendo então liberação de gás, com consequente aparecimento de vacúolos nas células (bolhas de putrefação). A presença de neutrófilos vacuolizados se correlaciona de forma mais específica com processos infecciosos do que outros indicadores de infecção como granulações tóxicas, leucocitoses, desvio para a esquerda, principalmente nos quadros septicêmicos. ALTERAÇÕES TOXICODEGENERATIVAS: são degenerações ou lise da membrana citoplasmática e ou nuclear, às vezes associadas à vacuolização, levando a morte celular. Observada em processo infeccioso agudo grave e septicemia. Legenda: Neutrófilo com 6 segmentos em Desvio à Direita. 91 INCLUSÕES INTRACELULARES: bactérias, etc. CORPÚSCULOS DE INCLUSÃO DE DÖHLE: área basófila em neutrófilo que corresponde ao retículo endoplasmático dilatado, observado em processo infeccioso agudo. Legenda: A) Vacuolização citoplasmática e granulações tóxicas em neutrófilos; B) Granulações tóxicas; C) Granulações Grosseiras e D) Alterações toxicodegenerativas (SETA). EOSINÓFILOS: na maioria dos casos, os eosinófilos tendem a desaparecer (ANAEOSINOFILIA) do sangue periférico, nos processos infecciosos agudos. BASÓFILOS: estas células têm pouco valor no hemograma para o diagnóstico dos processos infecciosos agudos. MONÓCITOS: geralmente observamos diminuição do número destas células quer em valores absolutos e/ou em valores relativos. LINFÓCITOS: linfocitopenia relativa e às vezes, também, uma linfocitopenia absoluta. AS TRÊS FASES DE SCHILLING OU FASES DA INFECÇÃO A B C D 92 1ª) FASE DE LUTA OU NEUTRÓFILA – PERÍODO INICIAL E CULMINANTE DA INFECÇÃO: Leucocitose + neutrofilia + desvio à esquerda + anaeosinofilia + linfocitopenia e monocitopenia relativa. OBS: reflete a hiperatividade da medula óssea. Estimulada pelas toxinas bacterianas (formação de pús). 2ª) FASE DE DEFESA OU MONOCÍTICA – PERÍODO DE VENCIMENTO DA INFECÇÃO: Leucocitose menos acentuada, diminuição da neutrofilia, diminuição do desvio à esquerda, reaparecimento dos eosinófilos, linfócipenia ou linfócitos normais, monocitose. OBS: fase monocítica, muito curta, corresponde à formação de células emigrantes nos tecidos e da macrofagocitose. 3ª) FASE DE CURA OU LINFOCITÁRIA – PERÍODO DE CONVALESCÊNCIA: leucócitos normais ou ligeiramente aumentados, neutropenia, desaparecimento do desvio à esquerda, linfocitose, eosinofilia e monócitos normais ou aumentados. OBS: fase linfócito-eosinófilo. Restaura o equiulíbrio funcional da medula óssea e o sistema linfático aumenta a sua atividade. QUADRO LEUCEMÓIDE a) É uma resposta a um processo violento, gravíssimo e como tal desaparece o eosinófilo do sangue circulante. b) Quanto mais jovem a célula menor porcentagem no sangue circulante, e, de uma célula há todas as fases de maturação, a partir da célula mais jovem encontrada até a adulta. Quer dizer, se o mais jovem dos neutrófilos for mielócito, temos também o metamielócito, bastão e o segmentado. c) Em geral, os elementos imaturos ou não, apresentam-se citologicamente normais, quanto à sua evolução. d) Não existe perturbações graves na série vermelha quanto à resposta medular. e) Em todas as infecções piogênicas, os leucócitos mostram a atividade da fosfatase alcalina grandemente aumentada. OBS: principal diferença no diagnóstico da reação leucemóide e da LMC, nesta a fosfatase alcalina está ausente ou diminuída. QUADRO LEUCÊMICO a) É consequente a uma moléstia própria do órgão hematopoético que perdendo todo o domínio sobre o lançamento das células que nele são formadas, envia elementos imaturos, desordenadamente, e daí existirem variações percentuais que não seguem a ordem de maturação e, além disso, o eosinófilo está presente no sangue periférico. b) Devido à perda do controle sobre o lançamento dessas células aparece o que se chama “Hiatus Leucemicus” no caso de uma leucemia aguda, isto é, ausência de formas evolutivas, intermediárias entre um elemento jovem e os posteriores. Serve de exemplo, um número grande de um elemento muito jovem e porcentagem mínima ou quase nula do elemento imediatamente superior na ordem de evolução. c) Elementos imaturos podem apresentar sinais de assincronismo de evolução entre núcleo e o citoplasma. d) Há perturbação acentuada da série vermelha, encontrando-se frequentemente 2.000.000 a 3.000.000/mm³ no início da doença, já com eritroblastos ortocromáticos ou policromáticos, que com esses valores ainda não são encontrados. Observa-se geralmente trombocitopenia, especialmente na leucemia aguda. 93 e) Fosfatase alcalina está ausente ou diminuída nos leucócitos. HEMOGRAMA NOS PROCESSOS INFECCIOSOS CRÔNICOS São processos de evolução mais lenta. Ex: Colecistites, colites crônicas, sinusites, abscessos, etc. Há tempo para aumento da produção e maturação das células na medula óssea, que embora envie um maior número de células para a corrente sanguínea não lança as mais jovens. MODIFICAÇÕES NA SÉRIE BRANCA LEUCOCITOSE: presente em qualquer processo crônico. Pode ser por neutrófilos e linfócitos ou só por linfócitos. NEUTRÓFILOS: NEUTROFILIA RELATIVA E ABSOLUTA OU SÓ ABSOLUTA: dependendo do curso do processo e da atividade do germe invasor. DESVIO À ESQUERDA: geralmente não é observado. Quando ocorre indica processo crônico de evolução muito rápida ou agudização de um processo crônico. DESVIO À DIREITA: geralmente é observado num processo crônico, de evolução lenta de longa duração. EOSINÓFILOS: geralmente presente no hemograma dos processos crônicos. Nos casos graves pode ocorrer ausência de eosinófilos. BASÓFILOS: devido à raridade dessas células no sangue periférico, não se observa alterações significativas dessa série celular. LINFÓCITOS: linfocitose relativa e/ou absoluta. MONÓCITOS: pode observa-se monocitopenia relativa, número normal de monócitos ou monocitose absoluta. HEMOGRAMA NOS PROCESSOS ALÉRGICOS NOS CASOS ALÉRGICOS CRÔNICOS: asma brônquica, renite alérgica, etc. Pode ser observado leucopenia, número normal de leucócitos e leucocitose, Porém, via de regra, associados a uma Eosinofilia. HEMOGRAMA NOS PROCESSOS LEUCOPÊNICOS São os processos que na sua fase aguda ou não estão associados com uma leucopenia, no sangue periférico. Todos os processos infecciosos, na sua fase inicial, podem cursar com uma leucopenia, mas os considerados nesta abordagem serão aqueles que conservam por tempo muito maior e às vezes, durante todo o seu curso evolutivo, essa condição leucopênica. CAUSAS MAIS COMUM: gripe;mononucleose infecciosa; malária; febre tifóide; moléstias exantemáticas e Infecções de evolução lenta. MODIFICAÇÕES NA SÉRIE BRANCA 94 NEUTRÓFILOS NEUTROPENIA: relativa e absoluta. DESVIO À ESQUERDA: está presente em quase todos os casos citados. Em geral, quanto mais grave o processo maior é o desvio à esquerda. A febre tifóide é a que produz maior desvio à esquerda. EOSINÓFILOS: eosinopenia acentuada. Estes costumam desaparecer. LINFÓCITOS: LINFOCITOSE: apenas relativa em decorrência da queda percentual dos neutrófilos. LINFOCITOSE ABSOLUTA: quando presente e associada com modificações citológicas dos linfócitos devem-se suspeitar da existência de um processo de comprometimento linfóide ou um processo viral (rubéola, mononucleose, citomegalovirus, hepatite, etc). LINFÓCITO ATÍPICO REACIONAL: são alterações morfológicas relacionadas à linhagem linfóide, caracterizando-se por um significativo pleomorfismo. Normalmente as células se apresentam aumentadas em tamanho (15 - 30 micra) e um citoplasma frequentemente basófilo. Esta basofilia pode-se mostrar difusa ou mais evidente na periferia da célula. A cromatina nuclear se apresenta desde compacta, com blocos de condensação visíveis, até de aspecto frouxo, podendo se observar nucléolos. Os linfócitos atípicos reacionais são classificados como: linfocitóide, monocitóide e plasmocitóide. MONÓCITOS: em geral, há monocitopenia relativa e absoluta. DICAS IMPORTANTES 1) Quadro leucocitário com desvio à esquerda, alterações degenerativas na maioria dos neutrófilos e ausência de eosinófilos = infecções muito graves. 2) Degeneração acentuada de neutrófilos + granulações tóxicas abundantes = processo supurativo. 3) Neutrófilos multisegmentados (desvio à direita) = benignidade e cronicidade do processo, especialmente quando há eosinófilos. 4) Permanência de desvio à esquerda por vários dias = infecção grave com destruição de muitos neutrófilos. 5) Ausência de monocitose e linfocitose após muitos dias de evolução = falta de reação defensiva do organismo. 6) Leucocitose moderada (12.000/mm³), ausência de desvio à esquerda e presença de escassos neutrófilos degenerados ou exibindo granulações tóxicas sugere, num quadro abdominal agudo, que não se trata de um caso cirúrgico urgente, havendo possibilidade de uma observação clínica mais prolongada. 7) Presença de monocitose absoluta pode indicar reação inflamatória local. 95 96 QUESTÕES DE AVALIAÇÕES CLÍNICAS 1) E.B.N., 20 anos de idade, sexo masculino, vem ao pronto socorro Municipal de Belém, onde refere que há uma semana começou a apresentar quadro de febre alta, astenia, taquicardia, calafrios, secreção purulenta ao tossir e cansaço. Cita ser lavrador em Mosqueiro. Ao exame apresenta-se hipocorado, febril e desnutrido. O hemograma evidencia: eritrócitos: 2.670.000 mm3; Hb: 8.0 g/dL, Ht: 24%; Leucócito Total: 36.000 mm3; Contagem Diferencial: Neutrófilo Segmentado: 54%; Neutrófilo Bastão: 18%; Neutrófilo Metamielócito: 10%; Neutrófilo Mielócito: 8%; Eosinófilo: 0%; Basófilo: 0%; Linfócito: 6% e Monócito: 4%; Plaquetas: 115.000 mm3. Baseado no texto acima, responda: Perguntas: a) Qual a principal hipótese diagnóstica e por quê? b) Quais outros exames serão necessários para o diagnóstico e por quê? c) Explique as principais opções terapêuticas e prognósticas. 2) O exame hemograma quando bem elaborado e interpretado fornece dados importantes para o diagnóstico e o prognóstico de diversas doenças. Com base nestes aspectos analise o caso clínico em questão. Paciente do sexo feminino, 24 anos de idade, doméstica, com queixas de astenia, fadiga, palidez e febre há duas semanas. Procurou atendimento médico em sua cidade Santarém - PA, onde após realizar hemograma foi encaminhada para Belém – PA, para tratar de uma “febre a esclarecer e anemia severa”. Sem dados significativos na história pregressa. Pais vivos e saudáveis, 4 irmãos vivos e saudáveis. Morbidades da família: diabetes, hipertensão e neoplasia de mama (avó e tia materna). Ao exame Físico: palidez cutâneo-mucosa, equimoses e petéquias disseminadas em braços e tronco. Orofaringe limpa, sem linfonodomegalias palpáveis e auscultas normais (cardíaca e pulmonar). Sem visceromegalias palpáveis. Hemograma: Eritrócitos: 2.090.000/mm3; Hb: 7,6g/dL; Ht: 25%; VCM: 86fL; CHCM: 30%; Leucócito Total: 37.000/mm3; Neutrófilo Segmentado: 60%; Neutrófilo Metamielócito: 12%; Neutrófilo Bastão: 18%; Eosinófilo: 0%; Linfócito: 8%; Monócito: 2%; Basófilos: 0%; Blasto: 0%; Plaquetas: 133.000/mm3. OBS: Série Branca: presença de granulações grosseiras e vacuolização citoplasmática nos neutrófilos. Baseado no texto acima, responda: Perguntas: a) Qual a principal hipótese diagnóstica e por quê? b) Quais outros exames serão necessários para o diagnóstico e por quê? c) Explique as principais opções terapêuticas e prognósticas. 3) LLP, sexo feminino, 37 anos, vem ao pronto socorro com febre há dois dias. Paciente refere que há três semanas começou a apresentar astenia, tosse seca, dispnéia aos esforços e dor óssea intensa. Há uma semana apresenta edema peri orbitário, edema de MMII e artrite em punho e tornozelos. Cite febre intermitente, disúria, petéquias espalhadas pelo corpo e fotofobia. Ao exame apresenta-se hipocorada, febril, desidratada, com artrite em punho e tornozelos. Os exames iniciais evidenciam: Hb: 8.0 g/dL, VCM: 95 fL, HCM: 29 pg, Leucócito Toal: 2.500/mm3 com 14% de Neutrófilos Segmentados e Plaquetas: 50.000/mm3. Perguntas: a) Qual a principal hipótese diagnóstica e por quê? b) Quais outros exames serão necessários para o diagnóstico e por quê? c) Explique as principais opções terapêuticas e prognósticas. 97 4) Explique a evolução tecnológica da contagem diferencial de leucócitos nos últimos 40 anos. 16 - CONSIDERAÇÕES GERAIS DE NEOPLASIAS CONCEITO: significa crescimento novo. NOMENCLATURAS Oncologia: é o estudo dos tumores ou neoplasma. Tumores benignos: sufixo (oma). Tumores malignos: sufixo (noma). CARACTERÍSTICAS DAS NEOPLASIAS Benignas: são bem diferenciadas. Malignas: geralmente anaplásicas e com formação de metástases. Diferenciação: refere-se ao grau de semelhança entre as células neoplásicas e as células normais comparáveis tanto morfologica quanto funcionalmente. Taxa de crescimento: geralmente os tumores malignos crescem mais rapidamente do que os benignos. Invasão local: infiltração progressiva. Metástases: são implantes descontínuos em relação ao tumor primário. Vias de dispersão: sanguínea, linfática e implantação em cavidades corpóreas. EPIDEMIOLOGIA Influências ambientais, raciais (hereditárias) e culturais são os principais fatores que merecem atenção. Fatores geográficos e ambientais: Japão alta incidência de câncer de estômago e fígado; Nova Zelândia é de melanocarcionomas. Idade: acima de 55 anos maior incidência. Origem étnica. Tabagismo. Nível sócio – econômico. Hábitos de higiene. Dieta e hábitos alimentares. Estilo de vida. Ocupação e local de trabalho. Sexo. Hereditariedade: herança de um gene mutante aumenta muito o risco de desenvolver um tumor. Distúrbios pré-neoplasicos adquiridos: o único modo garantido de evitar o câncer é não ter nascido. Viver é correr risco constante. ETIOLOGIA DAS NEOPLASIAS Na maioria dos casos, a etiologia é desconhecida. Sabe-se, no entanto, da existência de vários fatores que se não determinam, pelo menos predispõem à oncogêneses. Tais fatores são chamados carcinogênicos (quando determinantes) e co-carcinogênicos (quando predisponentes). Os principais fatores são: 98 Fatores genéticos: mulherescujas mães tiveram câncer de mama apresentam 3 vezes mais risco de terem a mesma patologia que outras mulheres. Fatores imunológicos: parece aumentar a incidência de neoplasma, principalmente quando diminui o número de linfócito T Killer, ocorrendo à diminuição da vigilância imunológica e facilitando a sobrevida de células com neo-antígenos. AIDS X Sarcoma de KAPSI. Stress e Corticoidoterapia X disseminação de uma neoplasia. Fatores físicos Radiações ionizantes: sobrevivente de Nagasaki e de Hiroshima. Radiação Ultravioleta X neoplasias cutâneas: as radiações seriam carcinogênicas pelos seguintes mecanismos: a) Indução de alterações genéticas que ocasionem perda do controle da reprodução celular; b) Aceleração do envelhecimento celular com o aumento de mutações espontâneas e predisposição à transformação maligna e c) Ativação de vírus oncogênicos latentes. Traumatismos: próteses mal adaptadas. Fatores químicos: o principal carcinogênico químico é a fumaça do cigarro, estando associado a ela 40 – 50% do total das neoplasias das vias aéreas superiores. Fuligem de chaminés: câncer de escroto. Asbestos: câncer pulmonar. Aminas aromáticas: câncer vias urinárias. Metais Cr, Br, Ni e U: câncer pulmonar. Hormônios: câncer endometrial e de mama. O PAPEL DOS CANCERÍGENOS QUÍMICOS NA ONCOGÊNESE SE BASEIA NAS SEGUINTES TEORIAS: a) Ajuda na seleção de clones de células iniciadas. b) Supressão de enzimas chaves no controle do crescimento celular. c) Danos diretos ao DNA. d) Ativação de vírus oncogênicos latentes. Fatores biológicos: Viroses: Herpes e Papilomavirus humano. ONCOGENESES E CÂNCER Produtos proteícos de oncogeneses são chamados oncoproteínas, que assemelham a produtos normais de proto-oncogeneses, à exceção de que as oncoproteínas são destituídas de elementos reguladores. MECANISMOS QUE PODEM DESENCADEAR O CÂNCER MUTAÇÃO DE GENES RAS: os genes RAS são responsáveis pelas sínteses de proteínas transdutoras de sinal (GTP). Os genes RAS alteram entre um estado ativo e inativo. TRANSLOCAÇÕES CROMOSSÔMICAS: resulta em hiperexpressão de proto-oncogenes. Linfoma de Burkitt: a translocação consiste na movimentação do segmento contendo c- myc do cromossoma 8 para o cromossoma 14q banda 32: tornando o gene c-myc sujeito a uma descontrolada estimulação pelo elemento acentuador (imunoglobulina monoclonal). 99 O cromossoma Philadelphia: resulta da translocação entre os cromossomas 9 (c-abl) e 22 (bcr). O gene híbrido (c-abl-bcr) codifica uma proteína quimera que tem uma atividade tirosinaquinase. Relação do HPV com o câncer do colo uterino. Ação de p53 normal e mutante. CONSIDERAÇÕES DE NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS Estas doenças preenchem todos os critérios para uma proliferação maligna de células hematopoéticas, que são: MONOCLONALIDADE: este critério fundamental foi reconhecido pela primeira vez em estudos de pacientes do sexo feminino, heterozigotos para o marcador enzimático G6PD. Nestes heterozigotos, os tecidos normais são formados por uma mistura de células contendo G6PD codificado por um alelo e células contendo G6PD codificado pelo outro alelo. As células de uma neoplasia hematológica, ao contrário, contem G6PD codificada por apenas um alelo, o que significa que todas as células se originam de um único clone. PROGRESSÃO CLONAL: uma vez iniciada, a proliferação não cessa. Embora, às vezes, apenas lentamente, o clone maligno continua a se expandir. DOMINÂNCIA CLONAL: onde quer que o clone maligno cresça, na medula óssea, nos tecidos linfóides ou em ambas, uma vantagem proliferativa permite que o clone maligno substitua as linhagens de células normais. EXTINÇÃO DOS CLONES NORMAIS: precocemente na doença, os clones normais são suprimidos, mas ainda estão presentes. Mais tarde, eles podem ser destruídos e ficam apenas os descendentes do clone maligno. INSTABILIDADE GENÉTICA: à medida que prolifera o clone maligno, aparecem subclones com propriedades cada vez menos parecidas com as de células normais. Uma proliferação de células diferenciadas frequentemente se transforma em uma proliferação de formas menos diferenciadas. LEUCEMIAS A característica comum a todas as leucemias é uma proliferação desregulada, na medula óssea, de uma célula hematopoética. A célula leucêmica também prolifera em locais extramedulares de antiga hematopoese. As leucemias são divididas, com base no grau de diferenciação celular: Leucemias Agudas. Leucemias Crônicas. LINFOMAS São geralmente neoplasias dos linfócitos B ou T dos tecidos linfóides periféricos. As células malignas podem ter características morfológicas de linfócitos pequenos, normais e dormentes, mas, frequentemente, tem características morfológicas e outras características fenotípicas de um dos diferentes estágios de ativação ou transformação que as células B ou T sofrem depois da exposição ao antígeno. 100 GAMOPATIAS MONOCLONAIS Nas gamopatias monoclonais, um único clone de linfócitos “B” ativados ou plasmócitos secretam grandes quantidades de uma molécula completa de imunoglobulina, de uma molécula de cadeia leve de uma imunoglobulina ou ambas. FATORES PATOGENÉTICOS E ETIOLÓGICOS Expressão anormal de oncogenes celulares. Infecção viral. Função imune aberrante. Agentes ambientais que lesam o DNA. PATOGÊNESES DAS MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Insuficiência da medula óssea. Infiltração de órgãos e tecidos. Anormalidades imunológicas. Efeitos de produtos das células tumorais. EXAMES LABORATORIAIS INICIAIS E ABORDAGENS MAIS RECENTES PARA INVESTIGAÇÃO DIAGNÓSTICA HEMOGRAMA. MIELOGRAMA. CITOQUÍMICA: as reações citoquímicas são colorações específicas em lâminas de sangue periférico ou medula óssea para interpretação em microscopia ótica comum. As colorações podem corar diretamente substâncias citoplasmáticas, como glicogênio e lipídeos, ou detectar a presença de enzimas citoplasmáticas, como mieloperoxidase, esterase e fosfatases, pela adição de substrato específico para formação de um produto colorido (cromógeno). PEROXIDASES: nos grânulos citoplasmáticos está presente uma enzima, a mieloperoxidase, que age sobre o peróxido de hidrogênio (H2O2), produto do metabolismo celular, liberando oxigênio que oxida a benzidina, formando um composto corado. As células possuidoras da enzima peroxidase terão seus grânulos corados de verde ou verde- azulado e estas células serão peroxidase positivas. Esta coloração citoquímica é utilizada na distinção entre as células de origem mielóide e linfóide. As células da linhagem mielóide são peroxidase positivas, enquanto que as linfóides são peroxidase negativas. Na leucemia mieloblástica, 25% dos leucócitos são peroxidase positivos, enquanto que na leucemia linfoblástica, 95% dos leucócitos são peroxidase negativos. Nas leucemias agudas, quando presente um grande número de blastos, a peroxidase torna-se uma técnica segura para a diferenciação entre mieloblastos e linfoblastos. COLORAÇÃO PARA FOSFATASE ALCALINA LEUCOCITÁRIA (LAP): há nos tecidos hematopoiéticos, principalmente no citoplasma dos neutrófilos, atividade da fosfatase alcalina. Este procedimento envolve o uso de naftol e violeta B, produzindo um precipitado vermelho brilhante. O estudo da LAP tem uma grande utilidade prática, nos auxiliando no diagnóstico diferencial das doenças hematopoiéticas. Seu principal interesse se aplica nas síndromes mieloproliferativas (SMP), especialmente na diferenciação da leucemia mielóide 101 crônica (LMC) e reações leucemóides, onde nas reações leucemóides a atividade da LAP é alta. COLORAÇÃO DO SUDAN BLACK B: O SUDAN BLACK: revela lipídeos, especialmente os fosfolipídeos intracelulares, resulta na cor preta. O padrão de coloração corresponde ao dasperoxidases, sendo positivo para as séries neutrofílicas e eosinofílicas, negativo para os linfócitos e fracamente positivo para os monócitos. Utilizada para diferenciar leucemia mielóide aguda (LMA) de leucemia linfóide aguda (LLA). COLORAÇÃO PARA MIELOPEROXIDASE: a mieloperoxidase (MPO) é uma enzima lisossômica específica da linhagem mielóide associada à presença de grânulos primários. A presença da MPO é definida pela formação de cor marron no citoplasma das células, resultando da reação de oxidação: MPO + H2O2 + O + cromógeno = MARRON. A reação é positiva nos neutrófilos, eosinófilos, blastos mielóides e negativa para os blastos linfóides. COLORAÇÃO PARA ESTERASES: as esterases são enzimas diferenciadas pelo substrato em que atuam. A esterase específica ou cloro-acetato esterase (CAE) é positiva nas células granulocíticas. A esterase inespecífica ou alfa natitil acetato esterase (ANAE) é positiva nas células granulocíticas e monocíticas. A diferenciação é feita pela reação na presença do fluoreto de sódio (NaF): as células granulocíticas são positivas e as células monocíticas são negativas, ou seja, ocorre inibição pelo fluoreto. COLORAÇÃO DO ÁCIDO PERIÓDICO DE SCHIFF: a coloração do gicogênio realizada pelo ácido periódico de Schiff (PAS) resulta na cor rosa. A reação é positiva nos BLASTOS LINFÓIDES e podem ser positiva em eritroblastos leucêmicos e em megacarioblastos. IMUNOFENOTIPAGEM: a imunofenotipagem é a caracterização do fenótipo celular, ou seja, a identificação de proteínas celulares que servem como antígenos (Ag) para a ligação de anticorpos monoclonais (AcMo). As proteínas celulares podem estar na membrana, no citoplasma ou no núcleo. Os AcMo que reagem contra o mesmo Ag são agrupados e numerados em CD (cluster of designation). A ligação do AcMo-Ag é revelada pela fluorescência emitida por fluorocromo conjugado ao AcMo, quando as células isoladas em um fluxo são estimuladas por um feixe de laser (CITOMETRIA DE FLUXO). A presença de antígenos de superfície nas células hematopoéticas tem um papel importante na identificação e classificação da linhagem e estado maturativo destas células. A imunofenotipagem foi um grande avanço como auxílio diagnóstico e prognóstico e também no tratamento de inúmeras doenças hematológicas. Um painel inicial para identificação da linhagem de blastos em leucemias agudas inclui os seguintes CDs: Para células progenitoras: CD34; TdT, HLA-Dr. Para linhagem mielóide: MPO; CD117; CD13 e CD33. Para linhagem linfóide B: CD79; CD22; CD19 e CD10. Para linhagem linfóide T: CD3; CD2 e CD7. CITOGENÉTICA: anormalidades genéticas associadas à hemopatias malignas: TRANSLOCAÇÕES CROMOSSÔMICAS: são características das hemopatias malignas; há dois mecanismos principais pelos quais as translações podem contribuir para alteração maligna: 1) Fusão de partes de dois genes para formar um gene 102 quimérico de fusão, que codifica uma nova proteína de fusão. Ex: BCR-ABL1 em t(9;22) na LMC. 2) Superexpresão de um gene celular normal, por exemplo, superexpressão de BCL-2 na translocação t(14;18) do Linfoma Folicular ou de MYC no Linfoma de Burkitt. Aneuploidias. MULTAÇÕES PONTUAIS: é ilustrada pela mutação Val617Phe no gene JAK2, que provoca uma ativação constitutiva da proteína JAK2 na maioria dos casos de neoplasias mieloproliferativas. DELEÇÕES: podem envolver pequena parte de um cromossomo, o braço curto ou longo (Ex: 5q-) ou o cromossomo inteiro (Ex: monossomia 7). Perda de múltiplos cromossomos denomina-se hipodiploidia e é vista frequentemente em LLA. DUPLICAÇÃO OU AMPLIAÇÃO: na duplicação cromossômica (Ex: trissomia 12 na LLC) ou ampliação de genes, são comuns os ganhos nos cromossomos: 8, 12, 19, 21 e Y. ALTERAÇÕES EPIGENÉTICAS: no câncer, a expressão gênica pode ser desregulada, não apenas por alterações estruturais nos próprios genes, mas também por alterações no mecanismo pelo qual os genes são transcritos. CITOMETRIA DE FLUXO. BIOLOGIA MOLECULAR. TRATAMENTOS DAS HEMOPATIAS MALIGNAS O tratamento das hemopatias malignas foi muito aprimorado nos últimos 45 anos. O progresso decorreu de desenvolvimento tanto no tratamento de suporte como no tratamento específico. TRATAMENTO DE SUPORTE INSERÇÃO DE UM CATETER VENOSO. SUPORTE HEMOTERÁPICO: plaquetas<10.000/mm3; Hg< 8g/dL, etc. SUPORTE HEMOSTÁTICO. TRATAMENTO ANTIEMÉTICO. SUPORTE PSICOLÓGICO. EFEITOS SOBRE A FERTILIDADE. SUPORTE NUTRICIONAL. ALÍVIO DA DOR. PROFILAXIA E TRATAMENTO DE INFECÇÃO: bacteriana, viral e fúngica. TRATAMENTOS ESPECÍFICOS PARA AS HEMOPATIAS MALIGNAS 1) AGENTES ALQUILANTES: podem substituir um grupo alquil por um átomo de hidrogênio em moléculas orgânicas, inclusive as bases do DNA. Disto resulta uma ligação cruzada das fitas de DNA que interfere na sua replicação e a transcrição de RNA. Os agentes alquilantes agem em células que estão em ciclo e nas que estão em repouso. Os principais agentes alquilantes são: CICLOFOSFAMIDA (CYTOXAN), CLORAMBUCIL (LEUKERAN), MELFALAN (ALKERAN), BUSSULFAN (MYLERAN) e BENDAMUSTINE. 103 2) ANTIMETABÓLICOS: são compostos que podem bloquear a síntese do DNA inibindo a função de enzimas necessárias para o metabolismo normal da purina ou pirimidina. Os mais utilizados são: a) ANTAGONISTAS DO ÁCIDO FÓLICO: metotrexano, um composto que compete com diidrofolato pela enzima diidrofolato redutase. Esta enzima catalisa a formação de tetraidrofolato, que é uma reação essencial para síntese de DNA. b) ANÁLOGOS DA PIRIMIDINA: citosina arabnosídeo (ARA-C) inibe a síntese de DNA inibindo a enzima DNA polimerase. c) ANÁLAGOS DA PURINA: MERCAPTOPURINA, FLUDARABINA, AZATIOPRINA, BENDAMUSTINA, CLOFARABINA e DESOXICOFORMICINA que inibem a síntese nova de purina e as interconversões do nucleotídeo purina e d) HIDROXIURÉIA: inibe a enzima ribonucleosídeo redutase, e evita, desta forma, a conversão de ribonucleotídeos em desoxirribonucleotídeos. 3) INIBIDORES MITÓTICOS: estes incluem dois derivados estreitamente relacionados da planta pervinca, a VINCRISTINA e a VINBLASTINA. Ligam-se à tubulina e impedem sua polimerização em microtúbulos. Esse dano ao fuso mitótico bloqueia a divisão celular em metáfase. 4) ANTIBIÓTICOS CITOTÓXICOS: incluem as antracinas, como: HIDROXIDAUNORRUBICINA, DOXORRUBICINA (ADRIAMICINA), EPIRRUBICINA e MITOXANTRONA. São fármacos capazes de intercalar-se dentro do DNA e ligar-se firmemente a topoisomerases críticas para aliviar o estresse de torção na replicação do DNA. A BLEOMICINA é um antibiótico quelante que degrada o DNA. Derivados de plantas como: VINCRISTINA. 5) OUTROS AGENTES: a) IMATINIBE, DASATINIBE E NILOTINIBE: ligam-se à proteína de fusão BCR-ABL1. Os fármacos bloqueiam a ligação de trifosfato de adenosina (ATP) e assim previnem que a tirosinoquinase cause a fosforilação das proteínas substrato, causando apoptose da célula. b) CORTICOSTERÓIDES: têm um efeito linfotóxico potente e um papel importante em muitos regimes de quimioterapia utilizados no tratamento de neoplasias linfóides e do mieloma. c) ASPARAGINASE: uma enzima de bactérias que deamina a arginina e assim torna este aminoácido não disponível para as células tumorais. d) INTERFERON: mostrou-se útil no tratamento da LMC, mieloma e neoplasias mieloproliferativas e e) ANTICORPOS MONOCLONAIS: agentes altamente eficazes contra neoplasias de células “B” (RITUXIMABE). 17 - LEUCEMIA MIELÓIDE CRÔNICA HISTORIA DA DOENÇA Em 1845 Bennett na Escocia e Virchow na Alemanha descreveram os primeros casos da doença. Em 1847 foi introduzido o termo “leukämie” (Leucemia) por Virchow. Em 1878 Neumann propõe o termo “myelogene” (mielogena). Em 1960 Nowell y Hungerford, relatam a perda do braço longo do cromosoma 21 ou 22 observada nos pacientes que apresentavam a doença, anormalidadeesta que foi denominada cromosoma Philadelphia. Rowley descobriu que não ocorria somente a perda do braço longo do cromosoma 22, mas sim uma translocação recíproca entre os cromosomas 9 e 22 - t(9;22). 104 INTRODUÇÃO É uma doença mieloproliferativa clonal resultante da transformação maligna de uma célula-tronco hematopoética pluripotente, que envolve as linhagens mielóide, eritróide, megacariocítica e às vezes linfóide. Acúmulo desordenado de elementos da série granulocítica que invadem os órgãos hematopoiéticos. Apresenta em geral uma alteração cromossômica característica: a presença do cromossoma philadelphia nos granulócitos e nos precursores das células das séries vermelha e megacariocítica, o que caracteriza um distúrbio na célula-tronco comum a estas séries. Proliferação de células mielóides granulocíticas, que mantêm a sua capacidade de diferenciação. EPIDEMIOLOGIA DAS LEUCEMIAS Aproximadamente 31.500 casos/ano (EUA). Relação homem/mulher: 1.28:1. LMA: 32% dos casos. LLC: 26% dos casos. LMC: 20% dos casos. LLA: 11% dos casos. Não classificadas: o restante. A incidência da LMC: é de 1,6 casos por 100.000 habitantes. A LMC corresponde: cerca de 25% dos casos de leucemias do adulto, sendo mais prevalente em pacientes na faixa de 40 a 60 anos de idade e aumenta rápidamente a incidência com o aumento da idade. Raramente incide antes dos 20 anos de idade. É mais frequente nos homens (1,4:1). ETIOPATOGENIA 105 Radiação ionizante. Intoxicação por drogas (benzeno). Infecções virais. Fatores hereditário (pouco provável). Cromosoma Philadelphia (cromosoma Ph). Gen híbrido BCR-ABL1. Proteína de fusão P210. Ativação dos oncogenes c-myc e ras (pelo gene hibrido CBR-ABL1); mutações de outros genes (p53, RB). Isocromossomo 17. Trissomia do cromossomo 8. Outras translocações. CROMOSOMA FILADELFIA (CROMOSOMA Ph) - t (9,22) O proto-oncogene abl no cromossoma 9 (que codifica uma tirosina quinase) é colocado junto a um gene de função desconhecida (bcr, no cromossomo 22) e fica ativado, formando uma proteína quimérica BCR/ABL1. Embora não se saiba ao certo a função completa de nenhuma das duas proteínas, a produção da quimera é o evento determinante da leucemia mielóide. O cromossomo Philadelphia é o cromossomo derivativo 22 que trocou parte de seu braço longo por um segmento do cromossomo 9q que contem o gene abl. CAUSAS DE LEUCOCITOSES E CÉLULAS JOVENS NO SANGUE Aumento no número de precursores na medula óssea. Aumento de mitoses. Aumento da sobrevida das células (imortalidade celular). Amadurecimento mais rápido das células malignas. Apoptose (morte celular) interrompida pelo gene cr (pH1). DIFERENÇAS ENTRE LEUCEMIA AGUDA E LEUCEMIA CRÔNICA Fonte: Livro Fundamentos de Hematologia de A. V. Hoffbrand. 106 DIAGNÓSTICO CLÍNICO Evolução lenta e progressiva. Diagnóstico geralmente é feito 01 ano após a instalação da doença. Em até 50% o diagnóstico é feito por acaso em hemograma de rotina. Fraqueza progressiva e perda de peso. Esplenomegalia (raramente aumento de gânglios) Hepatomegalia em grau variável. Dor ligada ao priapismo (nas leucocitoses elevadas). Nos casos de leucocitose discreta o diagnóstico é um achado de laboratorio. Alguns casos cursam com trombocitose exagerada, com fenômenos trombóticos. Raramente há hemorragias por trombocitopenias. Sintomas de anemia podem incluir palidez, dispneia e taquicardia. FASES DA LEUCEMIA MIELÓIDE CRÔNICA FASE CRÔNICA Duração da doença: entre 3 a 5 anos. Esplenomegalia: maciça. Número de plaquetas: aumentado (trombocitose). Número de blasto no sangue periférico: mieloblasto + promielócito < 10%. Basofilia: variável. FASE DE ACELERAÇÃO OU ACELERADA Duração da doença: mais ou menos 1 ano. Número de blasto no sangue periférico: mieloblasto + promielócito (10 a 20%). Resistência à terapêutica: a doença não responde ao tratamento convencional. Basofilia: >20% (quanto maior a basofilia pior o prognóstico). Trombocitopenia. FASE BLÁSTICA OU AGUDIZAÇÃO (CRISE BLÁSTICA) Duração da doença: entre 2 - 10 meses. Quadro anêmico: intensifica. Número de blasto no sangue periférico: > 30%. Trombocitopenia. Hemorragia. Queda do estado geral. Infiltrado: SNC, pele e linfonodos. Evolução: rápida e fatal. Transformação blástica: LMA (75%) e LLA (25%). DIAGNÓSTICO LABORATORIAL Aspectos morfológicos. Aspectos citoquímicos. Imunofenotipagem. Citogenética. HEMOGRAMA Leucocitose variável: 50.000 a 500.000/mm3 com maior % de granulócitos maduros (bastões e segmentados). 107 Geralmente a proporção de células mais jovens como: mieloblastos e promielócitos não ultrapassam 10% das células, sendo assim, menor do que as mesmas proporções destas nos processos leucêmicos agudos. Desvio à esquerda, não escalonado, até mieloblasto. Anemia discreta ou acentuada (dependência do tempo de evolução da doença). Plaquetas em número normal ou trombocitose. Basofilia e eosinofilia (dado importante). Legenda: LEUCEMIA MIELÓIDE CRÔNICA. A) Mieloblasto; B) Promielócito; C) Mielócito Neutrófilo; D) Metamielócito Neutrófilo; E) Neutrófilo Segmentado e F) Neutrófilo Bastão (SETA). Legenda: Amostra de sangue periférico, mostrando vasto aumento no creme leucocitário. Nº de leucócitos: 532.000/mm 3 . Fonte: Livro Fundamentos de Hematologia de A. V. Hoffbrand. A B E B B B D D D C D C A F D 108 MIELOGRAMA Hipercelularidade acentuada, com aumento do precursores granulocíticos. Precursores eritroblásticos relativamente diminuído. Aumento da série megacariocítica com plaquetogênese marcada. Na fase acelerada, nota-se parada de maturação na série branca e, na fase blástica, há infiltração maior ou menor por blastos muito atípicos, de tipo mielóide, raramente do tipo linfóide. OUTROS PARÂMETROS LABORATORIAIS Reação de Citoquímica da Fosfatase Alcalina nos neutrófilos: a fosfatase alcalina presente no citoplasma dos granulócitos maduros é reduzida ou desaparece, o que diferencia LMC da Reação Leucemóide. Ácido Úrico: hiperuricemia por excesso de metabolismo proteico. Dosagem da Desidrogenase Lática (LDH): elevada no soro. Dosagem da Transcobalamina I e Vitamina B12: elevadas no soro. BIOPSIA DA MEDULA ÓSSEA Hipercelularidade e fibrose medular: 10 a 15%. LMC forma Granulocítica: tendência a agudização. LMC forma mista (granulocítica/megacariocítica): tendência a mielofibrose. A hiperplasia megacariocítica estaria relacionada com a produção de um fator de crescimento para fibroblastos, por isso a maior frequência de evolução para mielofibrose. CITOGENÉTICA Cromossomo Ph1: na fase crônica (95%). Trissomia 8, 9, 19 ou 21, Isocromossomo 17, duplo Ph1 e deleção do y: nas fases de aceleração e blástica. Ph1 em 5% dos casos de LMC: a translocação críptica só é detectável por FISH ou PCR. O Ph1 não é patognomônico da LMC: 25 - 50% das LLA de adulto; 5% dos casos de LLA infantil e 2% das LMA de adulto. 2 - 10% dos casos têm uma translocação variante: envolvendo o 9q34 e o 22q11 com um terceiro ou mais cromossomos. OBS: pacientes com a translocação clássica e variante são clínica e hematologicamente semelhantes. FORMAS ATÍPICAS DE LEUCEMIA MIELÓIDE CRÔNICA LMC com células bem diferenciadas (leucemia neutrofílica, eosinofílica e basofílica), em que existe menor número de precursores granulocíticos e de blastos. Leucemia monocítica crônica: muito rara. Leucemia mielóidecrônica da infância: rara. LMC Ph1 negativa: raro. LMC + Mielofibrose. TRATAMENTO DA FASE CRÔNICA INIBIDORES DA TIROSINOQUINASE 109 Nome comercial: glivec (novartis). È o fármaco de primeira linha no tratamento da fase crônica. Forma de apresentação: embalagem com 60 comprimidos de 100 mg e embalagem com 30 comprimidos de 400 mg. Mecanismo de ação: inibidor específico da proteína de fusão BCR-ABL1 e bloqueia a atividade da tirosinoquinase por competir com a ligação com ATP. Posologia: 400 mg/dia por 3 a 6 meses de tratamento. Reações adversas: pouca. RESPOSTA AO TRATAMENTO COM IMATINIBE: sobrevida global foi boa, com 84% dos pacientes ainda vivos ao fim do sétimo ano. INIBIDORES DE SEGUNDA GERAÇÃO DA TIROSINOQUINASE Dasatinibe: é um inibidor amplo, de múltiplas quinases, eficaz em muitos casos em que o gene BCR-ABL1 sofre mutações que o tornaram resistente ao IMATINIBE. Nilotinibe: tem ação similar ao imatinibe, mas com maior afinidade pela quinase BCR- ABL1. Pode ser eficaz em caso de mutações resistentes ao IMATINIBE. QUIMIOTERÁPICO: mielossupressão (redução da leucocitose e da hepatoesplenomegalia). DROGAS: BUSSULFAN (queda dos leucócitos e diminuição do baço) e HIDROXICARBAMIDA (HIDROXIURÉIA), redução dos leucócitos e das plaquetas com correção da anemia. INTERFERONS (alfa e gama): atuam como inibidores da proliferação e da diferenciação das células granulocíticas normais e dos precursores da LMC. Tem tido algum sucesso na supressão do cromossomo Ph1. EFEITOS TÓXICOS DOS AGENTES QUIMIOTERAPÊUTICOS: todos os agentes quioterapêuticos, com raras exceções, deprimem a função da medula óssea. Este é o efeito tóxico que frequentemente limita sua utilização ideal. PRINCIPAIS TOXICIDADE: Náuseas e vómitos. Queda de cabelo. Esterilidade nos homens e menopausa prematura nas mulheres. Hepatotoxidade. TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO (TCT) O TCT alogênico é um tratamento curativo da LMC estabelecido, mas, devido ao risco, é reservado para o fracasso do IMATINIBE. A sobrevida de cinco anos está em 50 a 70%, embora essa estimativa baixe para aproximadamente 10% se o transplante for adiado para além de um ano do diagnóstico. Os resultados são melhores quando o procedimento é feito na fase crônica, em vez de realizado nas fases aguda e acelerada. TRATAMENTO DA FASE ACELERADA E TRANSFORMAÇÃO BLÁSTICA A transformação aguda (>20% de blasto na medula óssea) pode ocorrer rapidamente em dias ou semanas, mas é comum o paciente ter antes uma fase acelerada com anemia, trombocitopenia e aumento de basófilos, eosinófilos e blastos no sangue e na medula. 110 Em cerca de 1/5 dos casos, a transformação aguda é linfoblástica, e o paciente pode ser tratado como LLA. Na maioria deles, a transformação é em LMA ou tipos mistos. Estes são mais difíceis de tratar, e a sobrevida raramente ULTRAPASSA ALGUNS MESES. O IMATINIBE é últil no tratamento da transformação blástica, mas surge resistência ao tratamento em algumas semanas. O DASATINIBE e NILOTINIBE estão sendo testados com algum sucesso. EXAMES REALIZADOS DURANTE O TRATAMENTO DA LEUCEMIA MIELÓIDE CRÔNICA LEUCEMIA MIELÓIDE CRÔNICA EM TODAS AS FASES: semanalmente, até a estabilização dos índices hematológicos: exame físico, hemograma completo, DHL, ácido úrico, uréia, creatinina e provas funcionais hepáticas. LEUCEMIA MIELÓIDE CRÔNICA NA FASE CRÔNICA: hemograma de 1/1 mês e mielograma de 6/6 meses ou a suspeita de recaída pós-remissão, com exame de citogenética (inclusive com % de células com o cromossoma Philadelphia). LEUCEMIA MIELÓIDE CRÔNICA NA FASE ACELERADA: hemograma de 1/1 mês e mielograma de 3/3 meses ou a suspeita de recaída pós-remissão, com exame de citogenética (inclusive com % de células com o cromossoma Philadelphia). LEUCEMIA MIELÓIDE CRÔNICA NA FASE AGUDIZADA OU CRISE BLÁSTICA: hemograma semanal até a remissão hematológica; depois, mensal. Mielograma de 3/3 meses ou a suspeita de recaída pós-remissão, com exame de citogenética (inclusive com % de células com o cromossoma Philadelphia), se mantiver remissão hematológica. FATORES PROGNÓSTICOS DA LEUCEMIA MIELÓIDE CRÔNICA Os fatores prognósticos, que determinam os grupos de risco são baseados nos seguintes critérios de mau prognóstico: Idade: ≥ 60 anos de idade. Esplenomegalia: ≥ 10 cm abaixo do rebordo costal. Número de Plaqueta: ≥ 700.000/mm3. Blastos: ≥ 3% de blastos na medula óssea ou no sangue periférico. Basofilia: ≥ 7% de basófilos no sangue periférico ou ≥ 3%, na medula óssea. OBS: o risco 1 corresponde a 0 ou 1 desses critérios; o risco 2, a 2 deles; o risco 3, a ≥ 3 deles. 18 - LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA INTRODUÇÃO Uma célula hematopoética mutante da lugar a uma população monoclonal de células mielóides, cuja capacidade para diferenciar em formas progenitoras está marcadamente alterada. Acomete individuos de todas as idades, porém um número maior que 50% dos casos até o fim da segunda década de vida. Na infância 15 - 20% das leucemias agudas são LMA e no adulto 80%. 111 Quanto à cor, verifica-se predomínio na raça branca. Sua incidência não tem variado nos últimos 20 anos: 2.3/100.000 habitantes/ano. Relação homem/mulher: 60/40%. ETIOPATOGENIA HERANÇA Síndromes com aneuploidía nos cromosomas de células somáticas. Down (trissomía 21). Klinefelter (XXY e seus variantes). Patau (trissomía 13). Anemia de Fanconi. Síndrome de Bloom. Ataxia telangiectasia. Síndrome de Kostman. RADIAÇÃO Japão: II Guerra Mundial (5 - 7 anos depois). Radioterapia: aumenta um pouco o risco, mas este é maior se usar agentes alquilantes. Substâncias químicas: benzeno, derivados do petróleo, solventes utilizados em pinturas de modo geral e componentes dos cigarros. Herbicidas e praguicidas. Óxido de etileno. FÁRMACOS Agentes alquilantes: alteracões nos cromosomas 5 e 7, 48 a 72 meses depois da exposição. Inibidores da topoisomerase II: anomalías 11q23, 1 a 3 anos depois. Cloranfenicol. Fenilbutazona. Cloroquina. Metoxipsoraleno. DIAGNÓSTICO CLÍNICO PACIENTES DEMONSTRAM CANSAÇO, FADIGA, DEBILIDADE: anemia (palidez). FEBRE: infeccões por leucopenia/leucocitoses com alterações funcionais, geralmente bacteriana e afetam mais a pele, faringe e região perianal. HEMORRAGIAS: hemostasia anormal, trombocitopenia (petéquias e equimoses). DORES ÓSSEAS: esternal principalmente. PODEM ESTAR PRESENTES: adenomegalia, hepatomegalia e esplenomegalia. CEFALÉIA, TONTURAS, NÁUSEAS E PERTUBAÇÕES VISUAIS: infiltração no SNC. 112 Legenda: A) Infecção orbital em paciente com neutropenia severa e 96% de blastos e B) Infecção por Candida albicans. Fonte: Livro Fundamentos de Hematologia de A. V. Hoffbrand. COMPLICAÇÕES Baço. Fígado. Linfonodos. Sistema Nervoso Central. Pele. Gengiva, etc. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL HEMOGRAMA: número variável de blastos. LEUCOCITOSE: 50.000/mm³. ANEMIA: normocrômica / normocítica. TROMBOCITOPENIA: na maioria dos casos. BASTONETES DE AUER. MEDULA ÓSSEA: > 20% mieloblastos. PROVAS CITOQUIMICAS ESPECÍFICAS. IMUNOFENOTIPAGEM. CITOGENÉTICA E BIOLOGIA MOLECULAR. CLASSIFICAÇÃO DAS LEUCEMIAS MIELÓIDES AGUDAS (FAB) MORFOLÓGICA: uso de coloração panóptica e experiência profissional. CITOQUÍMICA: atualmente pouco utilizada. IMUNOFENOTIPAGEM: uso da citometria de fluxo, método padrão ouro no diagnóstico e na diferenciação das leucemias. ANÁLISE CITOGENÉTICA E MOLECULAR: são críticas para determinar o prognóstico e desenvolver o plano de tratamento. A B 113 ANÁLISE CITOGENÉTICAE MOLECULAR Leucemogênese é um processo evolucionário que envolve vários eventos genéticos e epigenéticos independentes. O fenótipo maligno da célula transformada é caracterizado por proliferação descontrolada, progressiva parada de maturação e diminuição da apoptose. O estudo das alterações cromossômicas nas leucemias é fundamental para se DEFINIR CONDUTAS TERAPÊUTICAS e AVALIAÇÕES PROGNÓSTICAS DA DOENÇA. Fonte: Livro Fundamentos de Hematologia de A. V. Hoffbrand. CARACTERÍSTICA LABORATORIAL GERAL DE LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA HEMOGRAMA Anemia normocrômica/normocítica. Reticulocitopenia. 114 Leucocitoses/leucopenia. Trombocitopenia. MIELOGRAMA Hipercelularidade: > 20% mieloblastos. Hipocelularidade: em alguns pacientes de idade avançada, se assemelha a anemia aplástica, mas a maioria das células são blastos. Valores de normalidade do mielograma humano. a) LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA DO TIPO M1 (SEM MATURAÇÃO) Nível de maturação celular: esta leucemia é caracterizada pela alta percentagem de blastos na medula óssea, representando 90% das células nucleadas e com maturação inferior a 10%. Incidência: entorno de 20% entre as leucemias mielóides agudas. Morfologia: mieloblasto entorno de 90% no sangue periférico. Bastonete de auer: presente. Citoquímica: mais de 3% dos blastos são marcados pelo Sudan Black e mieloperoxidase. Esterase: negativa. Imunofenotipagem (citometria de fluxo): positivo para CD 4, CD 7, CD 11b, CD 13, CD 33, CD 34, CD 117 e HLA - Dr. Citogenética: t(9;22) e Inv (3). 115 Legenda: LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA DO TIPO M1. A) Mieloblasto e B) Nucléolo (SETA). b) LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA DO TIPO M2 (COM MATURAÇÃO) Nível de maturação celular: superior a 10%. Na medula óssea tem em média 20% de mieloblastos. Incidência: crianças e adultos jovens. Entorno de 15% entre as leucemias mielóides agudas. Morfologia: mieloblasto entorno de 30 - 80% e promielócito maior que 10% no sangue periférico. Bastonete de auer: presente. Citoquímica: mais de 3% dos blastos são marcados pelo Sudan Black e mieloperoxidase. Esterase: negativa. Imunofenotipagem (citometria de fluxo): positivo para CD 13, CD 14, CD 15, CD 33, CD w65 e CD 117. Citogenética: t(8;21). Legenda: LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA DO TIPO M2. A) Mieloblasto; B) Promielócito; C) Nucléolo e D) Bastonete de Auer (SETA). A B A B B C A D A 116 c) LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA DO TIPO M3 (PROMIELOBLÁSTICA) Nível de maturação celular: promielócitos estão em predomínio na medula óssea e no sangue periférico. Incidência: faixa etára de 30 - 35 anos. Entorno de 7 a 10% entre as leucemias mielóides agudas. Morfologia: promielócito maior que 60% no sangue periférico. Bastonete de auer: presente (numerosos e às vezes em feixes). Citoquímica: mais de 3% dos blastos são marcados pelo Sudan Black e mieloperoxidase. Esterase: negativa. Imunofenotipagem (citometria de fluxo): positivo para CD 13, CD 15, CD 33 e CD 34. Citogenética: t(15;17). Tendência a hemorragias: fortes sangramentos. Trombocitopenia e défícit de fatores da coagulacção: hipofibrinogenemia. Níveis baixos de: factor V e VIII. Níveis de alfa-antiplasmina: diminuídos em comparação com os de antitrombina III. Coagulação intravascular disseminada: frequente. Legenda:LEUCEMIA PROMIELOBLÁSTICA TIPO M3. A) Promielócito e B) Bastonete de Auer (SETA). d) LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA DO TIPO M4 (MIELOMONOBLÁSTICA) Nível de maturação celular: precursores monocíticos constituem de 20 - 80% das células da medula óssea. Incidência: entorno de 20% entre as leucemias mielóides agudas. Morfologia: 30% são blastos granulocíticos no sangue periférico. Bastonete de auer: ausente. Citoquímica: mais de 3% dos blastos são marcados pelo Ácido Periótico Schiff (PAS) e ANAE. Imunofenotipagem (citometria de fluxo): positivo para CD 4, CD 11b, CD 13, CD 14, CD 15, CD 33 e CD 34. B A A B A B 117 Citogenética: inv 16. Legenda: LEUCEMIA MIELOMONOBLÁSTICA TIPO M4. A) Monoblasto; B) Mieloblasto e C) Linfócito (SETA). e) LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA DO TIPO M5 (MONOBLÁSTICA) - M5a Nível de maturação celular: caracteriza pela presença de monoblastos, promonócitos e monócitos em mais de 80% das células da medula óssea. Incidência: acomentem pacientes jovens. Entorno de 6% entre as leucemias mielóides agudas. Morfologia: mais de 80% são monoblastos no sangue periférico. Bastonete de auer: ausente. Citoquímica: mais de 3% dos blastos são marcados pela esterase. Imunofenotipagem (citometria de fluxo): positivo para CD 14, CD 33 e CD 64. Citogenética: deleção (11q23). Hipertrofia: das gengivas e úlceras bucais. Infiltrados: cutáneos e sistema nervoso central. Esplenomegalia: moderada a maciça. Ulcerações: anorretais e pele. Tumoração: intestinal. Lesão nos túbulos renais: provocado pelo aumento da lisozima sérica muramidase. A A B B C A A Legenda: LEUCEMIA MONOBLÁSTICA TIPO M5a. A) Monoblasto, B) Mieloblasto e C) Linfócito (SETA). A A 118 f) LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA DO TIPO M5 (MONOBLÁSTICA) - M5b Nível de maturação celular: caracteriza pela presença de células monocíticas anômalas (monoblastos, promonócitos e monócitos). Incidência: acomentem pacientes jovens. Entorno de 6% entre as leucemias mielóides agudas. Morfologia: mais de 80% são monócitos no sangue periférico. Bastonete de auer: ausente. Citoquímica: mais de 3% dos blastos são marcados pela Alfa - NAE e Alfa NBE. Imunofenotipagem (citometria de fluxo): positivo para CD 33, fracamente positivo para CD 4 e negativo para CD 13 e CD 34. Citogenética: deleção (11q23). g) LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA DO TIPO M6 (ERITROLEUCEMIA) Nível de maturação celular: é caracterizada pela presença de mais de 50% de eritroblastos entre as células nucleadas da medula óssea, sendo que 30% ou mais das células não eritróides são mieloblastos. Legenda: LEUCEMIA MONOBLÁSTICA TIPO M5a: Monoblasto (SETA). Legenda: LEUCEMIA MONOBLÁSTICA TIPO M5b: A) Monoblasto e B) Monócito (SETA). A A B 119 Incidência: acomentem pacientes com mais de 50 anos de idade. Entorno de 4% entre as leucemias mielóides agudas. Morfologia: mais de 50% são eritroblastos no sangue periférico. Bastonete de auer: ausente. Citoquímica: os mieloblastos são marcados pela Sudan Black e Ácido Periótico Schiff (PAS). Os elementos eritróides são marcados pela Glicofortina. Imunofenotipagem (citometria de fluxo): positivo para CD 13, CD 33 e CD 71. Citogenética: 5, 5q-, 7q-. h) LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA DO TIPO M7 (MEGALOBLÁSTICA) Nível de maturação celular: somente em 1985 está leucemia integrou a classificação da FAB. É caracterizada pela presença de blastos da linhagem megacariocítica e também da linhagem mielóide. Incidência: entorno de 3% entre as leucemias mielóides agudas. Morfologia: os blastos podem confundir morfologicamente com LLA do tipo L1 e L2, e LMA do tipo M1. No sangue periférico mais de 30% dos blastos são megacarioblastos. Bastonete de auer: ausente. Citoquímica: os mieloblastos são marcados pela Sudan Black e Ácido Periótico Schiff. Imunofenotipagem (citometria de fluxo): as células da linhagemmielóide são positivas para CD 13 e CD 33 e as células da linhagem megacariocítica são positivas para CD 41, CD 42 ou CD 61. Citogenética: t(1;22). Legenda: LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA (ERITROLEUCEMIA) TIPO M6. A) Proeritroblasto e B) Eritroblasto Basófilo (SETA). A A B Legenda: LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA (MEGACARIOBLÁSTICA) TIPO M7: Megacarioblastco (SETA). 120 TRATAMENTO DA LEUCEMIA MIELÓIDE AGUDA Pode ser convenientemente dividido em tratamento de suporte e específico. TRATAMENTO DE SUPORTE Inserção de um cateter venoso. Suporte hemoterápico: plaquetas<10.000/mm3; Hg< 8g/dL, etc. Suporte hemostático. Tratamento antiemético. Suporte psicológico. Efeitos sobre a fertilidade. Suporte nutricional. Alívio da dor. Profilaxia e tratamento de infecção: bacteriana, viral e fúngica. TRATAMENTO ESPECÍFICO Objetivo é a INDUÇÃO de REMISSÃO completa (<5% de blastos na medula óssea, ausência de blastos no hemograma e estado clínico normal) e, então, cosolidá-la com QUIMIOTERAPIA INTENSIVA na esperança de eliminar a doença. Transplante de células-tronco é considerado em casos de MAU PROGNÓSTICO ou RECIDIVAS. É determinado pela idade e o estado físico do paciente, mas também pelas alterações genéticas das células leucêmicas. Em pacientes jovens, o tratamento consiste em quimioterapia intensiva. Costuma ser feito em 4 blocos de aproximadamente uma semana cada. Os fármacos usuais são: CITARABINA e DAUNORRUBICINA. A IDARRUBICINA, MITOXANTRONA e ETOPOSIDE também são usados em vários protocolos. Quimioterápicos em combinação atuam nas fases de síntese do DNA e do RNA. As drogas CITARABINA, DAUNORRUBICINA são aplicadas por via endovenosa e a e TIOGUANINA é administrada por via oral. O TRATAMENTO CONSISTE EM DUAS FASES 1ª) TRATAMENTO DE INDUÇÃO DA REMISSÃO: nesta fase procura levar à remissão total da leucemia. 2ª) TRATAMENTO CONSOLIDAÇÃO: procura-se manter a remissão completa com terapia menos agressiva ou não. Consiste na consolidação da remissão e no tratamento de manutenção. Fonte: Livro Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. 121 TRANSPLANTE DE CELULAS-TRONCO Pode levar a remissão em cerca de 40 – 50% dos casos. Preferencialmente em crianças e jovens. É recomendável para os pacientes que possam suportar a mielodepressão violenta, obtida com quimiterapia (CICLOSFOSFAMIDA) em altas doses e irradiação corpórea total. Falhas na pega no transplante de células-tronco: na LMA é comum, pois o uso de drogas tóxicas, é capaz de lesar o microambiente medular, e as células tranplantadas não encontram condições favoráveis para se aninhar e proliferar neste microambiente alterado. EXAMES REALIZADOS DURANTE O TRATAMENTO DE INDUÇÃO Hemograma: a cada 1 - 2 dias. Eletrólitos: a cada 1 - 2 dias. Glicose: a cada 2 - 3 dias. Coagulograma: a cada 2 - 3 dias até normalizar. Creatinina: a cada 2 - 3 dias. Hepatograma: semanal. Ácido Úrico: 2 vezes por semana até normalizar. Proteínas: semanal. EXAMES REALIZADOS DURANTE O TRATAMENTO DE CONSOLIDAÇÃO Hemograma: a cada 2 - 3 dias. Eletrólitos: 2 - 3 vezes por semana. Glicose: semanal. Coagulograma: por indicação clínica. Creatinina: a cada 2 - 3 dias. Hepatograma: semanal. Ácido Úrico: semanal. Proteínas: semanal. AVALIAÇÃO DE RESPOSTA AO TRATAMENTO MIELOGRAMA: deverá ser feito no D15 do tratamento e na recuperação hematológica para avaliar resposta ao tratamento. EXAMES BIOQUÍMICOS: devem ser repetidos inicialmente os alterados. ESTUDO CITOGENÉTICO OU MOLECULAR: se houver algum marcador inicial. AVALIAÇÃO DURANTE O ACOMPANHAMENTO 1ª ANO: Hemograma, Hepatograma, DHL e Ácido Úrico a cada 3 meses, assim como o marcador molecular (se presente no diagnóstico). 2º ANO: Hemograma, Hepatograma, DHL e Ácido Úrico a cada 6 meses, assim como o marcador molecular (se presente no diagnóstico). PROGNÓSTICO O prognóstico de pacientes com LMA tem melhorado continuamente, sobretudo em pacientes abaixo de 60 anos de idade; cerca de 1/3 deste grupo pode esperar longa remissão ou cura. As anormalidades genéticas e a resposta inicial ao tratamento são os principais sinais de prognóstico. 122 Pacientes acima de 60 anos de idade com LMA tem prognóstico desfavorável, menos de 10% sobrevivem. FATORES QUE INFLUENCIAM NO BOM PROGNÓSTICO PARA O OBTENÇÃO DA REMISSÃO COMPLETA Menor idade. Sexo feminino. Menor quantidade de blastos no sangue periférico e na medula óssea. Número normal de plaquetas. Tipos de LMA: M2, M3 e M4. Ausência de anomalias cromossômicas nas células hematopoéticas. Ausência de infiltração no SNC. Ausência de hepato e esplenomegalia. QUESTÕES DE AVALIAÇÕES CLÍNICAS 1) Refere que, há três semanas, notou surgimento de manchas roxas em membros inferiores, planas, sem relação com trauma ou inicio de medicações. Evoluiu com piora das lesões que passaram a acometer, também, membro superior e tronco. Há uma semana passou a apresentar gengivorragia e epistaxe espontâneas. Procurou auxilio medico em Unidade Básica de Saúde onde lhe foi prescrito ácido ε-aminocaproico, 500 mg uma vez ao dia e liberada para casa. Permaneceu com os sintomas até procurar novamente o serviço de saúde, onde foi realizado hemograma que evidenciou pancitopenia. Foi, então, encaminhada a Unidade de Emergência do Hospital das Clinicas de Ribeirão Preto. Pai falecido por trauma aos 55 anos; Mãe falecida por AVC aos 63 anos; 6 irmãos sadios; filhos sadios; desconhece casos de coagulopatia na família. Pele: presença de diversas equimoses, com ate 12 cm de diâmetro, em membros superiores, inferiores e tronco. Ausência de outras lesões típicas. Exames iniciais: HEMOGRAMA: Hb: 8,0 g/dL VCM: 85 fL; HCM: 27 pg; RDW: 17%; Leucócito Total: 2.600/mm3; Leucócito Diferencial: Blastos: 68%; Promielócitos: 8%; Neutrófilos Mielócitos: 8%; Neutrófilos Metamielócitos: 2%; Neutrófillos Bastões: 2%; Neutrófilos Segmentados: 6%; Monócitos: 4% e Linfócito: 2%; Plaquetas: 18.000/mm3; TP: 14 segundos (N: 14 – 16”) e TTPA: 38 segundos (N: 30 a 45”). Perguntas: a) Qual a principal hipótese diagnóstica e por quê? b) Quais outros exames serão necessários para o diagnóstico e por quê? c) Explique as principais opções terapêuticas. 2) PAS, 24 anos, branco, sexo masculino, estudante universitário, natural de Salvador -BA, residente em Jaboticabal. Há cerca de 4 meses, vem tendo uma sensação de peso no abdômen, e mais recentemente observou que a barriga parece que cresceu. Palpando o abdômen, percebeu uma “massa” na região esquerda. Há 2 meses procurou um médico que o examinou e disse que o baço esta aumentado. O médico disse que ele provavelmente tem uma “infecção no baço. Solicitou alguns exames e, após observar os resultados, orientou que procurasse um hematologista. Desde o inicio da doença, vem apresentando astenia e cansaço, especialmente no final da tarde. Perdeu cerca de 3 kg, sem estar fazendo dieta para emagrecer. Exame Fisico: bom estado geral, ativo, caminhando sem dificuldades. Peso 71 kg, altura 1,74 m. Pele e mucosas sem alterações. 123 Especificamente, ausência de icterícia, e de petéquias, equimoses e outras manifestações hemorrágicas. EXAME HEMATOLÓGICO: Hb: 10,7 g/dL; Ht: 30%; Eritrócitos: 3.600.000/mm3; Leucócito Total: 130.000/mm3; Leucócito Diferencial: Blastos: 3%; Promielócitos: 8%; Neutrófilos Mielócitos: 19%; Neutrófilos Metamielócitos: 9%; Neutrófilos Bastões: 10%; Neutrófilos Segmentados: 30%; Eosinófilos: 5%; Basófilos: 8%; Monócitos: 5%; Linfócitos: 3%; Plaquetas: 750.000/mm3. OBS: Série Vermelha: sem alterações e Série Branca: ausência de alterações tóxicas nos neutrófilos. Parasitológicode fezes: negativo (3 amostras). Radiologia de tórax: Pulmões normais, coração sem alterações. Exame de urina: sem anormalidades. Fosfatase alcalina e Alanino Amino-Transferase (ALT): levemente aumentados. Perguntas: a) Qual a principal hipótese diagnóstica e por quê? b) Quais outros exames serão necessários para o diagnóstico e por quê? c) Explique as principais opções terapêuticas. 3) Homem com 53 anos de idade procurou o clínico geral devido ao cansaço, mal-estar geral, manchas hemorrágicas e crescimento do abdômen. Relatou também falta de apetite e perda de peso. O exame clínico revelou palidez, hepato-esplenomegalia, além de febre. Solicitou o hemograma e provas hepáticas. O resultado do HEMOGRAMA foi o seguinte: Eritrócitos: 3,990.000/mm3; Ht: 32%; Hb: 10,8 g/dL; VCM: 80 fL; HCM: 27 pg; CHCM: 32 % e RDW: 22%; Leucócito Total: 587.000/mm3; Leucócito Diferencial: Blastos: 5%; Promielócitos: 2%; Mielócitos Neutrófilos: 5%; Metamielócitos Neutrófilos: 4%; Bastões Neutrófilos: 24%; Neutrófilos Segmentados: 38%; Eosinófilos: 13%; Basófilos: 6%; Linfócitos: 2% e Monócitos: 1%. Plaquetas: 842.000/mm3; TGO: 45 U/L (N: 8 a 40); TGP: 32 U/L (N: 5 a 32) e Bilirrubina Total: 1,6 mg/dL (N: até 1.2). Perguntas: a) Qual é a principal hipótese diagnóstica e por quê? b) Qual é a característica citogenética mais comum desta patologia? Explique a relação da característica genética e o desenvolvimento da doença em questão. c) Qual é o exame conclusivo para fechar o diagnóstico bem como para avaliar a intensidade desta doença? 4) Paciente do sexo masculino, 12 anos de idade, estudante, com história de astenia, fadiga, palidez e febre há duas semanas. A mãe procurou atendimento médico em emergência pediátrica onde, depois de realizado o hemograma foi encaminhado para uma consulta urgente com hematologista. Sem dados significativos na história pregressa. Pais vivos e saudáveis, 2 irmãos vivos e saudáveis. Morbidades da família: diabetes, hipertensão, cardiopatia, sem histórico de câncer na família. Ao Exame Físico: palidez cutânea, equimoses e petequeias disseminada nos braços e tronco. Orofaringe com placas purulentas. Linfonodomegalias móveis, < 1,0 cm na região cervical posterior. Auscultas normais (cardíaca e pulmonar), sem visceromegalias palpáveis. HEMOGRAMA: Eritrócitos: 2.230.000/mm3; Hb: 8,2g/dL; Ht: 26%; VCM: 86fL; CHCM: 30%; Leucócito Total: 67.000/mm3; Neutrófilos Segmentados: 2%; Neutrófilos Bastões: 0%; Eosinófilos: 0%; Linfócitos: 12%; Monócitos: 1%; Basófilos: 0%; Blastos: 85%; Plaquetas: 69.000/mm3. Perguntas: a) Qual a principal hipótese diagnóstica e por quê? b) Quais outros exames serão necessários para o diagnóstico e por quê? c) Explique as formas de tratamento detalhadamente da doença em questão. 124 19 - DISTÚRBIOS MIELOPROLIFERATIVO INTRODUÇÃO As Policitemias, a Mielofibrose e a Trombocitemia Essencial são processos proliferativos não leucêmicos. Considera-se que um defeito da célula primitiva clonal seja o responsável pela expansão superposta de componentes eritropoéticos, granulopoéticos e megacariocíticos na medula óssea. Os aspectos etiológicos ainda estão obscuros. 1 - POLICITEMIAS O termo Policitemia geralmente se refere a um aumento na concentração de eritrócitos no sangue. Um paciente merece um estudo para Policitemia quando os seguintes valores são obtidos: HEMATÓCRITO: >54 para mulher e >60 para homem. ERITRÓCITOS: >5.8 para mulher e >6.0 para homem. HEMOGLOBINA: >18 para mulher e >20 para homem. TIPOS DE POLICITEMIA Podem ser divididas em três tipos: a) POLICITEMIA VERA OU PRIMÁRIA Uma doença de origem clonal caracterizada por aumento de produção não apenas de eritrócitos, mas também de granulócitos e plaquetas. b) POLICITEMIA SECUNDÁRIA Uma complicação de diversas afecções em que o aumento de produção de eritropoietina leva a um aumento da massa de eritrócitos. c) POLICITEMIA RELATIVA (POLICITEMIA DE ESTRESSE, FALSA POLICITEMIA) Uma síndrome comum provalmente com mais de uma patogênese, em que uma policitemia leve, crônica, pode se originar de um volume plasmático diminuído ou limite inferior da normalidade. 1.1 - POLICITEMIA VERA A mutação Val617Phe JAK2 está presente nas células hematopoéticas em mais de 95% dos pacientes. O clone anormal aparentemente necessita apenas de quantidade mínimas de eritropoietina para diferenciação eritróide. DIAGNÓSTICO CLÍNICO paciente se queixa de sintomas referentes a um aumento do volume sanguíneo: tontura, sensação de cabeça cheia, cefaléia, dispnéia, letargia, fraqueza, prurido na pele (após o banho), visão turva, sudurese noturna, adormecimento e queimação proveniente da insuficiência vascular periférica. 125 Acometem pacientes na faixa etária dos 60 anos, porém pode acometer adultos jovéns e raramente crianças. Distenção das veias ao exame de fundo de olho. Esplenomegalia em 75% dos pacientes. Hepatomegalia em 50% dos pacientes. Gota: produção de ácido úrico aumentada. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL HEMOGRAMA ERITRÓCITOS: >5.800.000, Hb >20g/dL e Ht >60%. LEUCOCITOSE MODERADA: 11.000 a 20.000 com basofilia e neutrofilia. TROMBOCITOSE: está presente em cerca de metade dos pacientes (450.000 a 800.000). MIELOGRAMA Hipercelularidade das 3 linhagens (panmielose). Aumento do número e agrupamento de megacariócitos, uma achado frequentemente útil para diferenciar a Policitemia Vera de outras policitemias. Ausência de ferro corável, o que reflete a utilização dos depósitos de ferro para a síntese aumentada de hemoglobina. OUTROS TESTES FOSFATASE ALCALINA DOS LEUCÓCITOS: alta. VITAMINA B12: elevada. ÁCIDO ÚRICO: alto em um terço dos pacientes. ERITROPOETINA SÉRICA: baixa. DESIDROGENASE LÁTICA (LDH): normal. ANORMALIDADES CROMOSSÔMICA: deleções de 9p ou 20q são encontradas em uma minoria dos casos; mutações em TET-2 ocorrem em 10 – 20%. COMPLICAÇÕES Paradoxalmente o paciente tem um aumento de risco de trombose e de sangramento anormal. Padrões anormais de fluxo do sangue espesso e viscoso. Trombocitose acentuada encontrada em alguns paciente. OBS: as causas para a tendência a sagramento não são bem compreendidas. Possivelmente, o aumento da proporção de eritrócitos para fibrina no trombo de sangue total afeta a sua estabilidade. EVOLUÇÃO Anemia devido a uma insuficiência crescente de eritropoese, LMA, mielofribose e trombocitemia essencial. Leucocitose crescente com aumento de granúlócitos imaturos no esfregaço de sangue periférico. Esplenomegalia crescente. TRATAMENTO Visa à manutenção de um hematócrito em torno de 45% e contagem de plaquetas abaixo de 400.000/mm3. Sem tratamento, os pacientes apresentam uma sobrevida média 126 menor que 2 anos, principalmente por causa de trombose ou hemorragia fatal. Tipos de tratamento: VENISSECÇÃO: iniciais a intervalos de 2 a 3 dias pode reduzir o hematócrito a 45%. Indicada para pacientes mais jovens e com doença leve. MIELOSSUPRESSÃO CITOTÓXICA: deve ser considerada se houver baixa tolerância à venessecção repetida, esplenomegalia progressiva, trombocitose elevada e perda de peso. O uso diário de HIDROXICARBAMIDA (HIDROXIURÉIA) é importante no controle dos valores hematimétricos e pode ser necessário mantê-lo durante muitos anos. O BUSSULFAN pode ser administrado de modo intermitente em pacientes idosos. TRATAMENTO COM FÓSFORO-32: usado somente em pacientes muito idosos com doença grave. Concentra-se nos ossos e é um agente mielossupressor muito eficaz. INTERDERON: a administração subcutânea suprime a proliferação na medula óssea e produz boas respostas hematológicas. É usado em paciente com menos de 40 anos de idade para evitar exposição precoce a fármaco quimioterápicos. AAS: uso diário em baixas doses reduz as complicaçõestromóticas sem aumentar o risco de hemorragias sérias. 2 - MIELOFIBROSE Pode ser denominada também de metaplasia mielóide, mielofibrose primária ou idiopática. Caracteriza-se por proliferação de fibroblastos na medula óssea e depósito de fibras do tipo colágenas e reticulínicas, de modo que se tem um material muito hipocelular à punção com agulha. ETIOPATOGENIA Supõe-se que fibroblastos sejam estimulados por fator de crescimento derivado de plaqueta e por outras citoquinas secretadas por megacariócitos e plaquetas. A mutação JAK2 ocorre em cerca de 50% dos pacientes, enquanto 15% tem uma mutação de TET-2 e alguns, mutação no gene MPL. DIAGNÓSTICO CLÍNICO Mais frequente em homens com idade média de 60 anos. Tem início insidioso, com queda progressiva do estado geral, palidez, dores musculares e ósseas, hepatoesplenomegalia é o principal achado clínico e pode haver quadro hemorrágico. Emagrecimento. Dores abdominais, pela presença de baço volumoso. Icterícia discreta. Anemia DIAGNÓSTICO LABORATORIAL HEMOGRAMA Mostra anemia acentuada, reticulócitos normais ou aumentados. Pecilocitose acentuada: esferócitos, dacriócitos, etc. Presença de eritroblastos. Leucotocitose discreta, com pequena percentagem de blastos, tipo mieloblastos, assim carateriza-se o quadro denominado anemia LEUCOERITROBLÁSTICA, típica da mielofibrose. 127 DOSAGEM DE FERRO SÉRICO Pode estar normal ou reduzida, quando ocorrem hemorragias. No caso de hiper-hemólise pode estar aumentado. REAÇÃO DE FOSFATASE ALCALINA Costuma estar presente nos leucócitos em níveis acima do normal. MIELOGRAMA Punção esternal pode ser de difícil realização, em virtude da fibrose medular. Descrevem-se três fases do quadro anatômico medular: 1ª FASE: há hipercelularidade medular, enquanto que o sangue periférico os leucócitos costumam estar aumentados. 2ª FASE: a medula óssea mostra áreas de fibrose e áreas com precursores hematopoéticos, no sangue periférico, os leucócitos podem estar em número normal ou diminuído. 3ª FASE: é a de mielofibrose franca, com resíduos de tecido hematopoético escassos, de permeio a fibras colágenas. No sangue periférico, os leucócitos estão em pequeno número, existindo anemia profunda. Havendo a necessidade de tranfusão sanguínea frequente. TRATAMENTO Paliativo e dirigido para redução dos efeitos da anemia e da esplenomegalia. Transfusões de sangue é essencial para estabilizar o paciente e tratamento regular com ÁCIDO FÓLICO são usados em pacientes intensamente anêmicos. A quimioterapia com BUSULFAN e FÓSFORO RADIOATIVO não costumam surtir grandes benefícios. Estão sendo experimentado tratamento com TALIDOMIDA, AZACITIDINA e INIBIDORES DA HISTONA-DESACETILASE. Transplante de células-tronco alogênicas pode ser curativo em pacientes mais jovens. PROGNÓSTICO A sobrevida mediana está abaixo de cinco anos, e as causas de morte incluem: insuficiência cardíaca, infecção e transformação leucêmica. Tem evolução fatal. Hemoglobina abaixo de 6 g/dL, hematocrito menor que 18%, leucócitos menor que 1.000/mm3 e plaquetas menor que 20.000/mm3 (PANCITOPENIA) e a presença de cromossomos anormais são associados a um pior prognóstico. 3 - TROMBOCITEMIA ESSENCIAL É uma doença mieloproliferativa que se caracteriza pela presença de trombocitose exagerada, de 1.000.000/mm3 ou mais. Acomete indivíduos idosos, acima de 60 anos de idade de ambos os sexos. ETIOPATOGENIA A doença é de natureza clonal, derivada da proliferação exagerada da linhagem megacariocitária medular. Metade dos pacientes mostra a mutação JAK2 (Val617Phe). São notadas mutações no gene MPL em 4% dos casos. DIAGNÓSTICO CLÍNICO 128 Costuma ser feito com base na exclusão de outras causas de trombocitose crônica, mas atualmente, com a identificação de lesões genéticas específica, um diagnóstico positivo pode ser feito em cerca de 50% dos casos. Os sintomas mais frequentes são: fraqueza, hemorragias, tonturas, cefaléias, plurido e vários tipos de pertubações neurológicas. As manifestações clínicas ocorrem por conta, principalmente, dos fenômenos tromboebólicos ligados à trombocitose. A hepatoesplenomegalia é discreta. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL HEMOGRAMA: pode mostrar anemia, leucocitose discreta, sem blastos e trombocitose de 1.000.000 a 10.000.000/mm3. Plaquetas grandes anormais e fragmentos de megacariócitos podem ser vistos no sangue periférico. MIELOGRAMA: aumento dos precursores da linhagem trombocíticas e levemente aumentado os precursores da linhagem mielóide. TRATAMENTO Quase sempre é paliativo. No indivíduo mais jovem com número mais baixo de plaquetas, o uso de drogas capazes de prevenir contra o aparecimento de tromboses está indicado, sempre que houver alguma sintomatologia neste sentido, como tonturas e cefaléias. Entre essas drogas está o AAS, capaz de inibir a agregação plaquetária. Quando há hemorragia não deve ser usada esse tipo de droga. Drogas mielossupressoras como busulfan e hidroxiuréia podem ser usadas em pacientes mais idosos. ANAGRELIDA (AGRYLIN): é um bom fármaco como 2ª escolha. PROGNÓSTICO A doença, muitas vezes, é estacionária por 10 – 20 anos ou mais, mais pode, após certo tempo, transformar-se em MIELOFIBROSE. O risco de transformação em LMA existe, mas é relativamente baixo (<5%). Fonte: Livro Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. 129 QUESTÕES DE AVALIAÇÕES CLÍNICAS 1) M.B.J.C., 2l anos de idade, sexo feminino, branca, natural e procedente de Altamira - PA. Paciente hígida quando, após parto cesáreo, desenvolveu icterícia tendo sido feito diagnóstico clínico de hepatite aguda. Fez uso de cloranfenicol no pós-parto imediato. Dois meses após o parto iniciou com metrorragia diária, de moderada intensidade. Concomitantemente, apareceram petequeias e equimoses nos membros e tronco. Desde esta época vem apresentando fraqueza intensa, palpitações e falta de ar. Há 25 dias foi internada no HUBB onde recebeu várias hemotranfusões. Foi transferida para o Hospital Metropolitano há seis dias. Relata febre desde a internação em sua cidade. Há uma semana iniciou com dor de garganta intensa. Apresenta também cefaleia holocraniana e otalgia (principalmente à direita, sem secreção local). Sem outras queixas. Está em uso de Ceftazidime (cefalosporina de 3ª geração com ação anti-pseudomonas) e amicacina há 3 dias. Exame Físico: paciente hipocorada, hidratada no limiar, lábios ressecados com ulcerações. PA: 130/70 mmHg, cavidade oral com amígdalas hiperemiadas e presença de várias placas esbranquiçadas, raras petequeias no palato, língua saburrosa. Otoscopia: coágulo no conduto auditivo direito. Exames complementares: HEMOGRAMA: Eritrócitos: 1.420.000/mm3; Hb: 4,6 g/dL; Ht: 14%; Leucócito Total: 900/mm3; Contagem Diferencial: Neutrófilos Segmentados: 4%; Neutrófilos Bastões: 0%; Eosinófilos: 0%; Basófilos: 0%; Linfócitos: 88%; Linfócitos Atípicos: 6%; Monócitos: 2%; Plaquetas: 8.000/mm3; Reticulócitos: 0,1% (N: 0,5 a 2); Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado: 28” (N: 30 – 45); Atividade de Protrombina: 86% (N: 70 a 100); MIELOGRAMA: Células Reticulares: 14,4%; Células Plasmáticas: 13%; Série Eritrocítica: 1,8%; Série Granulocítica: 1,4%; Linfócitos: 69,4%; medula óssea acentuadamente hipocelular. Séries Eritrocítica, Granulocítica e Megacariocítica extremamente hipocelulares. Série Linfoplasmocitária sem alterações. Ausência de fungos, parasitos e atipias. Perguntas: a) Qual a principal hipótese diagnóstica e por quê? b) Quais outros exames serão necessários para melhor elucidar o diagnóstico e por quê? c) Explique as principais opções terapêuticas. d) Qual o prognóstico da doença e por quê? 2) Mulher com77 anos apresentou coceiras nos olhos e procurou o oftalmologista que recomendou tratamento para alergia. Como não houve melhora, que inclusive piorou o incômodo, foi encaminhada ao clínico geral que solicitou o hemograma. O Hemograma apresentou o seguinte resultado: HEMOGRAMA: Eritrócitos: 9.000.000/mm3; Ht: 64%; Hg: 20 g/dL; VCM: 71fL; CHC: 22pg; Leucócito Total: 18.000/mm3; Plaquetas: 806.000/mm3. Diante dos resultados apresentados responda as seguintes perguntas: a) Qual a principal hipótese diagnóstica e por quê? b) Quais outros exames serão necessários para o diagnóstico e por quê? c) Explique as principais opções terapêuticas. d) Qual o prognóstico da doença e por quê? 3) Com relação à Policitemias, pergunta-se: a) Como se origina a policitemia Vera? b) Quais as diferenças entre Policitemia Vera e Policitemia Secundária (ou eritrocitose) c) Qual o provável desenvolvimento da Policitemia Vera como doença medular? 130 4) Explique os aspectos genéticos que desenvolvem os distúrbios mieloproliferativos. 20 - LEUCEMIA LINFÓIDE CRÔNICA INTRODUÇÃO Predominantemente uma doença do idoso (acima de 60 anos), entorno de 85% e 15% antes de 50 anos de idade, a proporção de homens para mulheres é 2 para 1. Caracteriza por grande número de linfócitos maduros que acumulam no sangue periférico, baço, fígado e linfonodos. Na maioria dos casos as células são uma população monoclonal de linfócitos “B” maturos. Também se observam prolinfócitos em proporções variáveis no sangue periférico. Encontra-se uma hipertrofia simétrica de linfonodos na maioria dos pacientes. Na doença avançada existe esplenomegalia e hepatomegalia. Os pacientes podem apresentar trombocitopenia, desenvolvendo equimoses e púrpura cutânea. As infecções são frequentes devido a deficiência de imunglobulina, neutropenia e disfunção linfóide. ETIOPATOGENIA Proliferação neoplásica: célula indiferenciada = clone leucêmico. Anomalias cromossômicas mais comuns: deleções 13q14, 11q23, 6q21, trissomia 12, translocação t(11;14) e anormalias estruturais de 17p envolvendo o gene p53. Estas anormalias têm valor prognóstico. Agentes ambientais: solventes e substâncias químicas, agentes físicos. Prédisposição: doenças hereditárias com alterações cromossômicas. LLC familial: trissomia do 12 X fatores ambientais. Alterações imunológicas: elevada atividades supressoras dos linfócitos, elevada concentração de anticorpos antieritrocitário, antileucocitários ou antipla-quetários. Linfócitos: baixo índice de proliferação (sobrevida aumentada). DIAGNÓSTICO CLÍNICO A maioria dos casos de LLC é diagnosticada em um hemograma de rotina. Com o aumento de check-ups médicos, essa proporção com diagnóstico casual é crescente e já ultrapassa 80%. Aumento simétrico de linfonodos cervicais, axilares ou inguinais é o sinal clínico mais frequente. Anemias, manifestações purpúricas por trombocitopenia são pouco frequente no início da doença. Esplenomegalia é menos comumente, hepatomegalia são usuais em estágios tardios. Imunossupresão, resultante de hipogamaglobulinemia e disfunção da imunidade celular, é um problema significativo. No início do curso da doença predominam infecções bacterianas; na doença avançada, surgem infecções fúngicas e virais como herpes-zoster. Sobrevida maior que linfócitos normais (linfócitos dormentes). 131 Legenda: A) Infecção por Herpes-zóster em pacientes com LLC de 68 anos de idade e B) Linfonodopatia axilar em pacientes de 67 anos de idade com LLC. Fonte: Livro Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL HEMOGRAMA Trombocitopenia, anemia normocrômica/normocítica. Linfocitose absoluta entre 20.000 – 300.000, sendo 70 – 95% linfócitos pequenos e de aparência madura e os linfócitos tem uma morfologia características, com fragilidade na membrana citoplasmática, formando sombras nos esfregaços (manchas de Gumprecht). 10% dos pacientes apresentam uma anemia hemolítica autoimune, na maioria das vezes severa. Podem apresentar trombocitopenia autoimune. MIELOGRAMA O mielograma mostra uma ampla substituição de elementos mielóides normais por linfócitos, alcançando 25 a 95% do total das células da medula. LEUCEMIA LINFÓIDE CRÔNICA PODE DIVIDIR EM 3 GRUPOS LEUCEMIA LINFÓIDE CRÔNICA TÍPICA OU CLÁSSICA: os linfócitos maduros são a maioria, presença de raros ou nenhum prolinfócitos ou linfócitos atípicos. LEUCEMIA LINFÓIDE CRÔNICA MISTA: caracteriza pela presença de até 10% de prolinfócitos e frequentes linfócitos atípicos. LEUCEMIA LINFÓIDE CRÔNICA COM TRANSFORMAÇÃO PROLINFOCÍTICA: caracteriza pela presença de 11 - 54% de prolínfócitos no sangue periférico. A B 132 Legenda: LEUCEMIA LINFÓIDE CRÔNICA TÍPICA OU CLÁSSICA. A) Manchas de Gumprecht; B) Linfoblasto e C) Linfócito pequeno e hipercorado (SETA). Legenda: LEUCEMIA LINFÓIDE CRÔNICA TÍPICA OU CLÁSSICA. A) Manchas de Gumprecht; B) Linfoblasto e C) Linfócito pequeno e hipercorado (SETA). A B C A C A B C A B C Legenda: LEUCEMIA LINFÓIDE CRÔNICA MISTA. A) Manchas de Gumprecht; B) Linfoblasto e C) Linfócitos Atípicos Reacionais (SETA). A C A B A 133 OUTROS PARÂMETROS Biópsia gânglio linfático. Imunofenotipagem: T ou B. Citogenética : anormalidades cromossômicas. Reações citoquímicas: fosfatase alcalina e fosfatase ácida. Dosagem de imunoglobulinas: gamaglobulinas. Marcadores imunológicos: positivo para os CD5 e CD23. Não confundir: linfócitos pequenos de aparência imatura (LLA) do tipo 1 com linfócitos pequenos de aparência madura da LLC. Reação Leucemóide linfocitária X LLC. IMUNOFENÓTIPO DE LEUCEMIA LINFÓIDE CRÔNICA Fonte: Livro Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. 20.1 - LEUCEMIA LINFÓIDE CRÔNICA PROLINFOCÍTICA Legenda: LEUCEMIA LINFÓIDE CRÔNICA COM TRASNFORMAÇÃO PROLINFOCÍTICA. A) Manchas de Gumprecht; B) Linfoblasto; C) Prolinfócito e D) Linfócitos pequenos e hipercorados (SETA). A B D C 134 Essa variante da leucemia linfocítica crônica ocorre geralmente no idoso e está associada com acentuada esplenomegalia, linfocitose absoluta geralmente acima de 100.000 e uma hipertrofia linfonodular mínima. O esfregaço de sangue periférico mostra mais de 55% de prolinfócitos. Na maioria dos pacientes os estudos de marcadores de superfície indicam uma origem de células “B” de pró-linfócitos, mas observam-se pacientes eventuais com uma variante de células “T” dessa doença e que tem um prognóstico menos previsível. Linfócitos com morfologia características são maiores, com mais citoplasma, cromatina nuclear menos densa e um único nucléolo proeminente. Legenda: LEUCEMIA LINFÓIDE CRÔNICA PROLINFOCÍTICA. A) Linfoblasto; B) Prolinfócito e C) Linfócito (SETA). 20.2 - LEUCEMIA LINFÓIDE CRÔNICA DE CÉLULAS CABELUDAS OU PILOSAS (TRICOLEUCEMIA) O nome tricoleucemia ou leucemia de células cabeludas vem da morfologia dos linfócitos leucêmicos que apresentam projeções citoplasmáticas finas semelhantes a cabelos. Os pacientes com essa leucemia apresentam geralmente pancitopenia e esplenomegalia evidente, sem linfadenopatia. Comprometimento ósseo é visto só em alguns pacientes. A incidência é baixa (<2% entre as leucemias) e acometem pacientes acima de 60 anos. As células características de origem do linfócito “B” são vistas no sangue periférico e na medula óssea. As células cabeludas (pilosas) apresentam reaçõescitoquímicas características para fosfatase ácida. Na maioria das vezes para fazer o seu diagnóstico é necessário biopsia de medula óssea. As células se coram fortemente para imunoglobulinas de superfície. As células leucêmicas da leucemia linfóide crônica cabeluda tem tamanho 2 vezes maior que os linfócitos normais, exibindo citoplasma irregular característico e núcleo excêntrico e sem visualização dos nucléolos. Foram encontrados raros pacientes com leucemia de células pilosas de células “T”. c A B B B A 135 Legenda: LEUCEMIA LINFÓIDE CRÔNICA DE CÉLULAS CABELUDAS (PILOSA). A) Linfoblasto com projeções citoplasmáticas e B) Linfócito com projeções citoplasmáticas (SETA). ESTADIAMENTO DE LEUCEMIA LINFÓIDE CRÔNICA É útil estadiar os pacientes por ocasião do diagnóstico, tanto para estimativa prognóstica como para a escolha do tratamento. CLASSIFICAÇÃO DE RAI (1987) ESTÁGIO 0: linfocitose absoluta (maior ou igual 15.000 mm3). ESTÁGIO 1: Linfocitose e aumento de linfonodos. ESTÁGIO 2: Linfocitose, hepato e esplenomegalia. ESTÁGIO 3: Linfocitose e anemia (Hg<10g/dL), linfonodos, baço e fígado podem estar aumentados. ESTÁGIO 4: linfocitose, plaquetas < 100.000 mm3, linfonodopatia e organomegalia. TRATAMENTO Curas são raras na LLC, portanto, é preferível um tratamento conservador com o objetivo de controlar os sintomas, e não de normalizar o hemograma. De fato, quimioterapia feita precocemente pode diminuir em vez de aumentar a expectativa de vida. Muitos pacientes nunca requerem tratamento. Este é indicado no caso de organomegalias incomodativas, complicações autoimunes (como hemólise) e supressão da medula óssea pela infiltração linfóide. BAIXO RISCO: SEM SINTOMAS = SEM TRATAMENTO = OBSERVAÇÃO. NECESSIDADE DE TRATAMENTO O tratamento ótimo é um protocolo de quimioterapia denominado R-FC, que combina o anticorpo RITUXIMABE (anti-CD20) com FLUDARABINA e CICLOFOSFAMIDA. Os agentes, administrados juntos a cada 4 semanas, na maioria dos casos controlam a contagem de leucócitos e reduzem as organomegalias. Em geral, são feitos 4 a 6 cursos e, então, o tratamento é suspenso, uma vez que seja obtida uma resposta satisfatória. O resultado favorável do R-FC dura em média 36 meses, até a necessidade de novas sessões pelo progresso da doença. A B 136 Há resultados colaterais indesejáveis, como mielossupressão e imunossupressão. A FLUDARABINA, como os demais análagos da purina, causa deplessão prolongada de linfócitos T CD4 (helpes). Deve-se usar COTRIMOXAZOL durante a sessão e por mais 6 meses após o tratamento para prevenção de infecções por Pneumocystis jiroveci e ACICLOVIR, para prevenção de infecção herpética. CLORAMBUCIL: este agente alquilante é usado com frequência em pacientes idosos, tanto em tratamento diário como em ciclos mensais. O fármaco precisa ser administrado durante alguns meses, após os quais se obtém uma remissão de duração variável. CORTICOSTERÓIDES: pacientes com insuficiência da medula óssea podem ser tratados no início só com PREDNISOLONA até que ocorra recuperação significativa dos níveis de plaquetas, neutrófilos e hemoglobina. RADIOTERAPIA: é útil na diminuição do volume de grupos de linfonodos que não respondem à quimioterapia. Radioterapia sobre o baço pode ser útil nas últimas etapas da doença. TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO: atualmente é um tratamento experimental tentado em pacientes mais jovens. O TCT alogênico pode ser curativo, mas tem alto índice de mortalidade. PROGNÓSTICO Muitos pacientes nos estágios RAI 0 ou 1 nunca necessitam de tratamento; isso é bastante provável em pacientes com marcadores prognósticos favoráveis. Nos pacientes que realmente necessitam de tratamento, o padrão típico é o de doença que responde a vários ciclos de quimioterapia antes do estabelecimento gradual de infiltração extensa da medula óssea, massas linfóides volumosas e de infecções recidivantes. A doença pode transforma-se em LINFOMA LOCALIZADO de alto grau ou pode haver aparecimento de um número crescente de PROLINFÓCITOS resistente ao tratamento. 21 - LEUCEMIA LINFÓIDE AGUDA INTRODUÇÃO É o resultado do acúmulo de precursores linfóides primitivos na medula óssea, sangue e outros tecidos, sendo considerados como originando-se pela mutação somática de uma única célula dentro de uma população menor de células progenitoras primitivas na medula óssea ou timo. Incidência é máxima entre 3 - 7 anos, com 75% dos casos ocorrendo antes dos 6 anos. Há uma elevação secundária de incidência após os 40 anos. 85% são de linhagem “B” (LLA - B). Característica: multiplicação, sem diferenciação (linfoblastos) do tipo “B” e “T”. Distúrbios pre-existentes: policitemia Vera, leucemia mielóide crônica e distúrbios mielodisplásicos. ETIOPATOGENIA Alteração cromossômica: translocações (4;11); (8;22); t(12;21) = estimula a ação de oncogenes = neoplasia. Radiações ionizantes, agentes quimioterápicos, benzeno = agentes leucemogênicos. Mutações de genes secundárias a uma virose (HTLV) ou à ação de agentes físicos ou químicos (fator individual). 137 Fatores herdados ou induzidos. DIAGNÓSTICO CLÍNICO Os aspectos clínicos decorrem das duas consequências principais da proliferação leucêmicas: INSUFICIÊNCIA DA MEDULA ÓSSEA ANEMIA: palidez, letargia e dispnéia. NEUTROPENIA: febre, mal-estar, infecções da boca, da garganta, da pele, das vias aéreas, da região perianal, ou outras. TROMBOCITOPENIA: equimoses espontâneas, púrpura, sangramento gengival e menorragia. INFILTRAÇÃO DE ÓRGÃOS Dor óssea, linfonodopatia, esplenomegalia moderada, hepatomegalia, síndrome meníngea (cefaléia, náuseas, vômitos e visão turva). Legenda: A) Linfonodopatia acentuada em um menino e B) Petéquias e equimoses em pacientes com trombocitopenia acentuada. Fonte: Livro Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL Hemograma (aspectos morfológicos). Mielograma (punção ou aspirado de medula óssea). Provas citoquímicas. Imunofenotipagem. Citogenética. Dosagens bioquímicas. Biópsia de medula óssea. Punção de tecido linfático. HEMOGRAMA (aspecto morfológico) Anemia normocrômica/normocítica e trombocitopenia. O número de leucócitos pode ser baixo, normal ou alto, atingindo 200.000/mm3 com prepoderância de linfócitos com aparência imatura (linfoblastos). A B 138 FAB: 3 tipos morfológicos de LLA: LLA TIPO1: blastos pequenos com cromatina homogênea regular, nucléolo incospícuo e citoplasma muito escasso (relação núcleo citoplasma alta). LLA TIPO 2: blastos de tamanho maior. O núcleo pode ser irregular, e sua cromatina é agrupada. O nucléolo é proeminente e o citoplasma é moderadamente abundante (relação núcleo citoplasma pequena). LLA TIPO 3: blastos grandes. A cromatina nuclear é fina e homogênea. O nucléolo é proeminente, profundamente basofílico e frequentemente contém múltiplos vacúolos. CRIANÇAS ADULTOS LLA-L1: 85% 35% LLA-L2: 14% 60% LLA-L3: 1% 5% Legenda: LEUCEMIA LINFÓIDE AGUDA DO TIPO L1. A) Linfoblasto com citoplasma muito escasso e nucléolo incospícuo e B) Linfócito (SETA). Legenda: LEUCEMIA LINFÓIDE AGUDA DO TIPO L2. A) Linfoblasto com citoplasma moderadamente abundante, núcleo irregular, cromatina é agrupada e nucléolo proeminente e B) Linfócito (SETA). A A B A A B A A A A A 139 Legenda: LEUCEMIA LINFÓIDE AGUDA DO TIPO L3. Linfoblasto com citoplasma profundamente basofílicoe contém múltiplos vacúolos, cromatina nuclear fina, homogênea e nucléolo proeminente (SETA). MIELOGRAMA Apirado da medula óssea: mostra uma hipercelularidade acentuada, no mínimo com 30% de células blásticas linfóides. Citoquímica: Mieloperosidade: negativo. Sudan Black: negativo. Esterase não Específica: negativo. Ácido Periódico de Schiff (PAS): positivo. VALORES DE UM MIELOGRAMA NORMAL EM HUMANO: 140 IMUNOFENOTIPAGEM A presença de antígenos de superfície nas células hematopoéticas tem um papel importante na identificação e classificação da linhagem e estado maturativo destas células. A imunofenotipagem foi um grande avanço como auxílio diagnóstico e prognóstico e também no tratamento de inúmeras doenças hematológicas. LINHAGEM B HLA-DR; CD10; CD19; CD22 e CD79. LLA-B precursoras: sem marcadores de imunoglobulina. LLA-B pré-B: imunoglobulina de cadeia pesada IgM. LLA-B maduras: imunoglobulina de superfície. LINHAGEM T MARCADORES: TdT; CD1; CD2; CD3; CD4; CD5; CD7 e CD8. CD2 é o mais sensível. CD3 e CD7 são os mais específicos. CITOGENÉTICA Quase 60% dos pacientes com LLA têm aberrações citogenéticas detectadas microscopicamente. Esta percentagem é muito maior quando são consideradas as translocações crípticas, como a t(12;21)(p13;q22). Translocações envolvendo os locos do receptor de antígeno (justaposição): t(8;14)(q24;q32). t(2;8)(p12;q24). t(8;22)(q24;q11). Translocações que criam genes fusionados: t(4;11)(q21;q23). t(1;19)(q23;p13). t(9;22)(q34;q11). ABERRAÇÕES CROMOSSÔMICAS NUMÉRICAS Hiperdiploidia (>50 cromossomos): geralmente implicam de bom prognóstico. 25% na LLA infantil. 6% na LLA de adulto. Hipodiploidia (<46 cromossomos): geralmente implicam de mau prognóstico. 5% tanto na LLA infantil como no adulto. DOSAGENS BIOQUÍMICAS Hiperfosfatemia e Hipocalcemia: devido a alta destruição celular na medula óssea e sangue periférico. Ácido Úrico: aumentado, devido aumento do metabolismo celular. Desidrogenase Láctica (DHL): aumentado, devido a destruição celular e aumento proliferativo. TRATAMENTO Pode ser convenientemente dividido em tratamento de suporte e específico. TRATAMENTO DE SUPORTE Inserção de um cateter venoso. 141 Suporte hemoterápico: plaquetas<10.000/mm3; Hg< 8g/dL, etc. Suporte hemostático. Tratamento antiemético. Suporte psicológico. Efeitos sobre a fertilidade. Suporte nutricional. Alívio da dor. Profilaxia e tratamento de infecção: bacteriana, viral e fúngica. TRATAMENTO ESPECÍFICO O tratamento específico da LLA faz-se com quimioterapia, às vezes radioterapia, e os protocolos são bastante complexos. Há várias fases em um ciclo de tratamento que, em geral, tem 4 componentes. Os protocolos são risco-ajustados para reduzir à intensidade do tratamento dado a pacientes de melhor prognóstico. Os fatores que guiam o tratamento incluem: idade, sexo e contagem de blastos. A resposta inicial ao tratamento também é importante, pois a eliminação lenta dos blastos do sangue e da medula após uma ou duas semanas de tratamento de indução, ou persistência de doença residual mínima, associam- se a risco relativamente alto de recidiva. A LLA em lactentes (<1 ano) tem prognóstico pior, com curabilidade de apenas 20 – 50% e é tratada com protocolo específico. INDUÇÃO DE REMISSÃO Paciente de leucemia aguda, à apresentação, em geral têm alta carga tumoral e estão sob alto risco de complicações da insuficiência da medula óssea e da infiltração leucêmica. O objetivo da INDUÇÃO DE REMISSÃO é destruir rapidamente a maioria das células tumorais e levar o pacientes ao estado de remissão, em que há menos de 5% de blastos na medula óssea, contagens normais no hemograma e nenhum sinal ou sintoma da doença. DEXAMETASONA, VINCRISTINA e ASPARAGINASE são os fármacos habitualmente usados e são muito eficazes, induzindo remissão em mais de 90% das crianças e em 80 a 90% dos adultos (nos quais geralmente acrescenta-se DAUNORRUBICINA). No entanto, deve ser lembrado que remissão não é o mesmo que cura. INTENSIFICAÇÃO (CONSOLIDAÇÃO) Pacientes que não entram em REMISSÃO têm de trocar seu protocolo de tratamento para outro mais intenso. Estes ciclos usam altas doses de quimioterapia com múltiplos fármacos para diminuir a carga tumoral a nível muito baixo, ou eliminá-la. As doses de quimioterápicos são próximas ao limite de tolerância, daí a necessidade de suporte intenso durante os blocos de intensificação. Protocolos típicos incluem: VINCRISTINA, CICLOFOSFAMIDA, CITARABINA, DAUNORRUBICINA, ETOPOSIDE ou MERCAPTOPURINA, administradas como blocos em diferentes combinações. Em crianças costumam ser feitos 3 blocos de intensificação e em adulto administra-se um número maior. MANUTENÇÃO É instituído tratamento de manutenção durante 2 ANOS em meninas e adultos e durante 3 ANOS em meninos, com doses diárias de mercaptopurina e metotrexato 142 uma vez por semana, ambos por via oral. Acrescenta-se uma dose de vincristina intravenosa e 5 dias de dexametasona oral, uma vez por mês ou a cada 3 meses. TRATAMENTO DE RECIDIVA: se houver recidiva durante ou logo após o término do tratamento de manutenção, o prognóstico é reservado. Reindução com quimioterapia combinada, pode ser útil, porém o tratamento com células–tronco alogênicas é indicado. PROGNÓSTICO Cerca de 25% das crianças têm recidiva após o tratamento de primeira linha e necessita de tratamento ulterior, mas pode-se esperar uma curabilidade global de cerca de 85%. IDADE: a leucemia que incide em criança entre 02 – 10 anos tem melhor prognóstico do que aquela que aparece antes dos 12 meses de vida. Já a curabilidade em adultos cai significativamente, chegando a menos de 5% após os 70 anos de idade. TIPO CELULAR: LLA tipo 1 tem melhor prognóstico e a LLA tipo 3 tem pior prognóstico. NÚMERO DE BLASTOS: quanto maior a massa de células leucêmicas, pior o prognóstico. LOCAL DAS INFILTRAÇÕES: SNC, pior prognóstico. Extensão e distribuição da doença no momento do diagnóstico. QUESTÕES DE AVALIAÇÕES CLÍNICAS 1) A.O.M.J., 16 anos de idade, sexo masculino, branco, solteiro, estudante do ensino médio, natural de Fortaleza - CE e procedente de Ribeirão Preto - SP. Há 20 dias iniciou quadro de febre e mialgia generalizada. Procurou auxilio médico onde foi lhe diagnosticado virose inespecífica e prescrito antiinflamatório não esteroidal e paracetamol. Apresentou melhora sintomática durante o uso das medicações, porém mantinha as queixas entre as doses. Há 1 Semana evoluiu com adenomegalia generalizada, não dolorosa, com aumento progressivo. Novamente foi ao médico que suspeitou de mononucleose infecciosa, pedindo-lhe exames confirmatórios. O hemograma realizado evidenciava leucocitose e bicitopenia. Foi, então, encaminhado a este Hospital para diagnóstico e tratamento. Refere perda ponderal de 10 Kg em 10 meses. Antecedentes: pai, mãe e irmãos hígidos. Vacinação completa. Refere ter apresentado as viroses comuns da infância. Nega episódios de sangramento. Nega hemotransfusões previa. Nega comportamento de risco. Exames Iniciais: HEMOGRAMA: Hb: 10,8 g/dL; VCM: 89 fL; HCM: 32 pg; RDW: 14%; Leucócito Total: 21.900/mm3; Contagem Diferencial: Blasto: 90%; Neutrófilo Bastão: 2%; Linfócito: 8%; Plaquetas: 108.000/mm3. Perguntas: a) Qual a principal hipótese diagnóstica e por quê? b) Quais outros exames serão necessários para o diagnóstico e por quê? c) Explique as principais opções terapêuticas e prognósticas. 2) Homem com 72 anos de idade foi examinado clinicamente devido a extremo cansaço, perda de peso e febre recorrente. Tinha pequenos nódulos palpáveis bilaterais na área cervical, bem com nódulosmaiores (±3 cm) nas axilas, e múltiplos nódulos inguinais. O fígado estava com 3 cm abaixo da margem costal direita, e o baço com 8 cm abaixo da margem costal esquerda. Na boca observou-se candidíase oral. Foi solicitado o hemograma que apresentou: Eritrócitos: 3.600.000/mm3; Hb: 9 g/dL; Ht: 30%; VCM: 83 fL; HCM: 25 pg; Leucócito Total: 30.800/mm3; Leucócito Diferencial: Neutrófilos Segmentados: 4%; Linfócitos: 90% e Blastos: 6%; Plaquetas: 115.000/mm3. Outros testes laboratoriais 143 realizados: Reticulócitos: 9% (N: 0,5 – 2,0); Bilirrubina total: 2,1 mg/dL; (N: até 1,2) e Coombs Direto: positivo. Perguntas: a) Qual a principal hipótese diagnóstica e por quê? b) Quais outros exames serão necessários para o diagnóstico e por quê? c) Explique as principais opções terapêuticas. d) Que complicações estão presentes? Justifique sua resposta. e) Porque ocorreu anemia hemolítica e deficiência imunológica no presente caso? f) Qual o prognóstico e por quê? 3) F.C.A., 8 anos de idade, branco, sexo masculino, natural e residente em Santarém- PA. Criança hígida até duas semanas atrás, quando iniciou com quadro de manchas roxas disseminadas pelo corpo. Há dois dias buscou assistência médica em sua cidade, sendo realizado hemograma, que mostrou leucocitose com predomínio de linfócitos e trombocitopenia. Nesta ocasião foi medicada com corticóide (informante desconhece adroga e dose) e encaminhada ao Serviço de Hematologia do Hospital das Clínicas. Mãe nega febre, dores ósseas ou outro tipo de hemorragia. Exame Físico: peso: 24 Kg, estatura: l,25 m, temperatura axilar: 36,3°C, criança corada, hidratada, anictérica,acianótica, presença de petéquias e equimoses no tronco e membros inferiores, ausência de edemas, linfonodos cervicais palpáveis bilateralmente medindo cerca de 1,0 x 0,5 cm, amígdalas e otoscopia sem alterações.Abdômen flácido, indolor à palpação superficial e profunda, fígadoe baço palpável. Exames Laboratoriais: HEMOGRAMA: Eritrócitos: 4.050.000/mm3; Hb: 12,0 g/dL; Ht: 36,6%; Leucócito Total: 260.000/mm3; Contagem Diferencial: Blastos: 80%; Neutrófilos Segmentados: 9%;Linfócitos: 11%; Plaquetas: 26.000/mm3; Reticulócitos: 0,2% (N: 0,5 – 2); Mielograma: medula óssea hipercelular, infiltrada por 94% de blastos com características de linfoblastos. Séries: Eritrocítica, Granulocítica e Megacariocítica acentuadamente hipocelulares. Perguntas: a) Qual a principal hipótese diagnóstica e por quê? b) Quais outros exames serão necessários para o diagnóstico e por quê? c) Explique as principais opções terapêuticas. d) Qual o prognóstico e por quê? 22 - LINFOMA DE HODGKIN INTRODUÇÃO Os linfonodos são dividido em 2 partes: centro germinativo e tecido linforeticular. Existem três (3) tipos celulares nos linfonodos e em outros tecidos linfóides: linfoblastos, linfócitos e células reticulares. Os linfomas ocorrem a partir de qualquer uma dessas linhagens. Linfomas é um grupo de doenças causadas por linfócitos malignos que se acumulam nos linfonodos e produzem o quadro clínico característico de LINFONOPATIAS. Os linfomas são divididos em Linfoma de Hodgkin e Linfoma não Hodgkin, com base na presença histológica de células de Reed-Sternberg no Linfoma de Hodgkin. Nos outros existem coleções difusas ou foliculares (nodulares) de células linfóides “B” ou “T” anormais em diferentes estágios de desenvolvimento. 144 É o tumor maligno mais comum do tecido linfóide e está intimamente relacionado com outros linfomas malignos. Localização mais frequente na região acima do diafragma, principalmente nos linfonodos cervicais e supraclaviculares. Incidência: em qualquer idade, mas é maior em adultos jovens do sexo masculino. ETIOPATOGENIA Permanece duvidosa, embora vários fatores sejam lembrandos como possíveis causas da doença ou, pelo menos, como fatores desencadeantes, entre esses citamos: Infecção pelo vírus Epstein-Barr (detectado em mais de 50% dos casos). Perturbação da imunidade celular (imunodeficiência). Fatores hereditários e ambientais. Estudo do rearranjo do gene de imunoglobulina sugere que a célula de Reed-Sternberg é de linhagem linfóide “B” e deriva de uma célula “B” com um gene de imunoglobulina ”aleijado”, ocasionado pela aquisição de mutações que impedem a síntese de uma imunoglobulina completa. Outro vírus que parece desenvolver a doença é o HIV. DIAGNÓSTICO CLÍNICO A adenomegalia é a principal queixa, estando presente em mais de 60% dos casos como sintoma inicial. A adenopatia cervical é a localização mais frequente, estando envolvida em 60 a 70% dos casos, seguida de aumento de gânglios nas regiões axilar (10 a 15%) e inguinal (6 a 12%). Em alguns casos, há adenomegalia generalizada. No início a doença localiza-se, em geral, em uma única região de linfonodos periféricos. Ocorre discreta esplenomegalia durante a evolução da doença em 50% dos casos. Linfoma de Hodgkin cutâneo ocorre como complicação tardia em cerca de 10% dos casos. Sintomas sistêmicos são proeminentes em pacientes com doença disseminada. Os seguintes podem ser observados: febre, contínua ou cíclica, em cerca de 30% dos casos; prurido, quase sempre intenso, cerca de 25% dos casos; em alguns pacientes a ingestão de álcool induz dor nas regiões em que a doença está presente; perda de peso; sudorese profusa (especialmente à noite); fraqueza; fadiga; anorexia; caquexia e complicações infecciosas. A leucemia é afastada pela ausência de hemorragias, e o diagnóstico diferencial deve ser feito entre LH e os LNH. Quanto maior o tempo da doença, maior será o comprometimento do estado geral do paciente. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL HEMOGRAMA A anemia costuma estar presente em casos de doença avançada ou quando há hiper- hemólise (normocítica/normocrômica). Os leucócitos são normais, mas pode haver leucopenia ou leucocitose. Mau prognóstico: neutrofilia associada à linfocitopenia. As plaquetas raramente estão diminuídas. Não há blastos no sangue periférico. 145 As células de Reed-Sternberg muito raramente são vistas em esfregaço de sangue periférico. MIELOGRAMA Costuma ser normal, mas às vezes mostra hipercelularidade. Em caso da anemia hemolítica, ocorre hiperplasia da série vermelha. A eosinofilia é achado frequente, porém as células de Reed-Sternberg aparecem muito raramente. PUNÇÃO-BIÓPSIA DE GÂNGLIO LINFÁTICO Trata-se de método de exploração inócuo que muitas vezes fornece dados importantes para o diagnóstico diferencial. O encontro de células de Reed-Sternberg de aspecto típico faz o diagnóstico de LINFOMA DE HODGKIN. A célula de Reed-Sternberg típica pode ser uni ou binucleada e tem aspecto único. O núcleo mostra nucléolos grandes e eosinófilos. A célula de Reed-Sternberg é conhecida por olho de coruja. OUTROS EXAMES Hemossedimentação e proteína “C” reativa estão elevadas. A desidrogenase láctica (LDH) é alta inicialmente em 30 a 40% dos casos. Legenda: Células de Reed-Sternberg típicas (SETA). ESTADIAMENTO DO LINFOMA DE HODGKIN LABORATÓRIO Hemograma. VHS (velocidade de hemosedimentação). Mielograma e biópsia de medeula óssea. Provas hepáticas. Desidrogenase láctica (LDH). RADIOLOGIA Radiografia de tórax. Tomografia computadorizada de tórax, abdome e pélvis. 146 EXAMES ESPECIAIS PET (tomografia por emissão pósitrons) ou PET/TC. Ressonância magnética. TRATAMENTO O tratamento é feito com RADIOTERAPIA, QUIMIOTERAPIA ou pela combinação de ambas. A escolha depende primeiramente do estágio e do estado clínico. O armazenamento de sêmen, se apropriado, deve ser feito antes do começo do tratamento. RADIOTERAPIA Pacientes com doença de Hodgkin nos estágios Ie II podem ser curados apenas com radioterapia. A radioterapia também tem papel no tratamento de massas volumosas de tumor, como tumor mediastinal remanescente após quimioterapia, e de depósitos dolorosos esqueléticos, linfonodais ou tecidos moles. MODALIDADE COMBINADA DE TRATAMENTO A preocupação com recidivas tardias e com os efeitos a longo prazo da radioterapia propiciaram o desenvolvimento de regime mais ameno, mas com quimioterapia e radioterapia juntas. QUIMIOTERAPIA A quimioterapia cíclica é empregada nos estágios III e IV e, também, em pacientes nos estágios I e II com doença volumosa, sintomas sistêmicos ou que sofram recidivas depois da radioterapia inicial. A combinação de ADRIAMICINA, BLEOMICINA, VINBLASTINA e DACARBAZINA (ABVD) atualmente é a mais usada. Variantes desta, como: CLORAMBUCIL, VINCRISTINA, PROCARBAZINA, PREDNISOLONA (CVPP), às vezes são preferidas. É comum fazer 6 ciclos de quimioterapia, ou 4 após observar-se remissão completa. AVALIAÇÃO DE RESPOSTA AO TRATAMENTO Exame clínico e de imagem (TC e PET) são usados para avaliar a resposta ao tratamento. Fonte: Livro Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. 147 PROGNÓSTICO Com avanço da quimioterapia e radioterapia no tratamento do Linfoma de Hodgkin a partir de 1980, o prognóstico nos dias atuais é muito bom: curabilidade global ultrapassa 80%. O diagnóstico inicial nos estágios I e II a cura chega a 100%. A pesar dos avanços no tratamento do LH, pode aparecer em cerca de 50% dos casos complicações de recidiva após a remissão completa. Paciente com mais de 45 anos tem pior prognóstico. QUESTÕES DE AVALIAÇÕES CLÍNICAS 1) M.R.S., sexo masculino, 28 anos, cor parda, solteiro, bancário, natural e procedente de Ribeirão Preto - SP. Queixa Principal: “Massa no pescoço há 3 meses”. História da moléstia atual: O paciente relata o surgimento de um nódulo na região cervical anterior direita de crescimento progressivo há 3 meses e febre intermitente de até 38,50C nos últimos 20 dias. Refere ainda apresentar acessos de tosse sem expectoração, que cedem espontaneamente, principalmente na última semana. Nega dispnéia, perda de peso, inapetência, sudorese noturna, bem como outras queixas. Interrogatório sobre os diversos aparelhos: interrogado sistematicamente, nega quaisquer outros sintomas além daqueles descritos na historia da moléstia atual. Antecedentes: refere viroses próprias da infância (caxumba e sarampo). Nega tabagismo, etilismo ou uso de drogas ilícitas. Teve diagnostico de mononucleose infecciosa aos 17 anos. Nega história de doenças crônicas bem como doenças de incidência múltipla na família. Os exames iniciais mostraram: HEMOGRAMA: - Eritrócitos: 5.320.000/mm3. - Hemoglobina: 14,1g/dL. - Hematócrito: 45%. - Índices Hematimétricos: VCM: 84,58 fL (VR: 80 - 100); HCM: 26,50 pg (VR: 26 - 32); CHCM: 32,12% (VR: 32 – 36) e RDW: 12% (VR: 12 - 16). - Leucometria: 16.200 mm3 (VR: 5.000 - 10.000). - Contagem Diferencial: Neutrófilo segmentado: 82% (VR: 55 - 65) Neutrófilo bastão: 1% (VR: 0 - 5), Eosinófilo: 5% (VR: 2 - 4), Linfócito: 10% (VR: 20 - 30) e Monócito: 2% (VR 4 - 8). - Plaquetas: 519.000 mm3 (VR: 150.000 – 400.000). SÓDIO: 132 mEq/L (VR: 136 - 145). POTÁSSIO: 4.5 mEq/L (VR: 3,5 - 5,1). CÁLCIO: 9.5 mg/dL (VR: 8,5 - 10,1). URÉIA: 35 mg/dL (VR: 15 - 38). CREATININA: 1.3 mg/dL; (VR: 0,6 - 1,3). LDH: 886 g/dL (VR: 150 - 200). ALBUMINA: 3.59 g/dL (VR: 3 - 4). TGO: 45 u/L (VR: 12 - 35. TGP: 50 u/L; (VR: 12 - 38). FOSFATASE ALCALINA: 130 u/L (VR: 50 - 136). GGT: 50 u/L (VR: 10 - 46). BILIRRUBINA TOTAL: 1.2 mg/dL (VR: até 1.2). BILIRRUBINA DIRETA: 0.2 mg/dL (VR: até 0.4). ÁCIDO ÚRICO: 8.0 mg/dL (VR: 2,5 - 7). 148 Perguntas: a) Com base nos aspectos clínicos e laboratoriais explique a hipótese diagnostica. b) Quais outros exames além dos citados serão necessários para o diagnóstico e por quê? c) A partir do diagnóstico estabelecido explique como o paciente é tratado. d) Qual o prognóstico da doença e por quê? 2) Explique três (3) diferenças importantes que possibilite diferenciar linfomas de leucemias. 23 - LINFOMA NÃO HODGKIN INTRODUÇÃO Na última década, o desenvolvimento da Biologia Molecular adicionou ao diagnóstico histológico dos linfomas novos conhecimentos sobre suas diversidades genéticas e moleculares. Hoje são reconhecidos mais de 20 tipos de Linfoma Não Hodgkin. Este é um grande grupo de tumores linfóides clonais, cerca de 85% de células “B” e 15% de células “T” ou natural Killer “NK”. A apresentação clínica e a historia natural são mais variáveis do que as do linfoma de Hodgkin. A incidência tem aumentado de forma acentuada nos últimos 50 anos, com a incidência de 17 casos por 100.000 pessoas / ano. A etiologia persiste desconhecida na maioria dos casos de Linfoma Não Hodgkin, embora agentes infecciosos sejam importantes como causa de alguns subtipos. O Linfoma Não Hodgkin é a quinta causa de morte por câncer nas últimas pesquisas e ocupa a quinta posição em frequência de neoplasias. ETIOPATOGENIA A etiopatogenia persiste desconhecida na maioria dos casos, embora agentes infecciosos sejam importantes como causa de alguns subtipos. O Linfoma Não Hodgkin está associado ao HIV e são de alta malignidade. Agentes ambientais e anormalidades genéticas herdadas podem participar na produção de alterações cromossômicas irreversíveis, predispondo ao Linfoma Não Hodgkin. O Linfoma Não Hodgkin tem alta incidência entre os pacientes que utilizam drogas imunossupressoras, pós-transplante de órgãos e várias situações de imunodeficiência com forte associação com vírus Epstein-Baar. Os Linfomas Não Hodgkin agressivos perduram por meses e os altamente agressivos, apenas poucas semanas. Legenda: Infecções associadas à hemopatias malignas. Fonte: Livro Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. 149 DIAGNÓSTICO CLÍNICO Linfonodopatia superficial: a maioria dos pacientes apresenta aumento assimétrico e indolor de linfonodos em uma ou mais regiões de linfonodos periféricos. Sintomas sistêmicos: febre, sudorese noturna e perda de peso são menos frequentes na doença de Hodgkin, e a presença em geral está associada à doença disseminada. Envolvimento orofaríngeo: 5 a 10% dos pacientes há envolvimento das estruturas linfóides da orofaringe, podendo causar queixas de dor de garganta ou respiração ruidosa por obstrução. Manifestação das citopenias: sinais e sintomas de anemia, infecções devidas a neutropenia e púrpura pela trombocitopenia podem estar presentes em pacientes com acometimento difuso da medula óssea. Acometimento abdominal: o fígado e o baço estão frequentemente aumentados, e o envolvimento de linfonodos retroperitoneais e mesentêricos é comum. O trato gastrointestinal é o sítio extranodal mais envolvido depois da medula óssea. Outros órgãos: o acometimento da pele, do cérebro, dos testículos e da tireóide não é comum. A pele está primeiramente envolvida em dois linfomas de células “B”. CLASSIFICAÇÃO DA ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE PARA NEOPLASIAS DE CÉLULAS “B” e “T” Fonte: Livro Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. LINFOMA NÃO HODGKIN DE CÉLULAS “B” LINFOMA LINFOBLÁSTICO DE CÉLULAS “B” Incidência: cerca de 5 a 10% dos linfomas de células “B” são linfoblásticos. Sítios envolvidos: linfonodos, pele e osso. LINFOMA DE BURKITT É a neoplasia de crescimento rápido e corresponde a 35% dos linfomas de crianças. 150 Localiza-se com massa íleo - cecal, porém os rins, ovários e mamas são frequentemente acometidas. Em alguns pacientes a medula óssea e sangue periférico são comprometidos. É associado a HIV, podendo às vezes sero primeiro sinal da doença. LINFOMA LINFOPLASMACÍTICO Acometem pacientes adultos e corresponde a MACROGLOBULINEMIA de WALDENSTON. LINFOMA DE CÉLULAS DO MANTO É uma neoplasia incurável com alto grau de malignidade e sobrevida estimada entre 3 a 5 anos. Incidência: maior em idosos do sexo masculino. Sítios mais comuns: linfonodos, baço e medula óssea. LINFOMA FOLICULAR Mais frequente no Brasil e também nos EUA. Tem evolução indolente e é incurável. Incidência: 50 - 60 anos. É comum o envolvimento do sangue periférico com surgimento de células linfóides clivadas. LINFOMA DE CÉLULAS DE ZONA MARGINAL EXTRANODAL Apresenta em todos os sítios primários, porém mais frequente no estômago, pulmão, tireóide, glândulas salivar e lagrimal. LINFOMA DE LINFÓCITOS PEQUENOS (LLC) É mais frequente nos adultos. O paciente apresenta linfoadenopatia generalizada. É característico o envolvimento com a medula óssea e sangue periférico. É comum hepatoesplenomegalia. Pode evoluir para Linfoma Difuso de Grandes Células “B”, reconhecido como Síndrome de Richter. PLASMOCITOMA Caracteriza pela proliferação de plasmócitos. Quando disseminado é conhecido como Mieloma Múltiplo. LINFOMA ESPLÊNICO DA ZONA MARGINAL Ocorre esplenomegalia. Não ocorre linfoadenomegalia periférica. Envolve a medula óssea e sangue periférico. Incidência: mais frequente em adulto. As células linfomatosas são parecidas com as células da LLC pilosa (cabeluda). LINFOMA DIFUSO DE GRANDES CÉLULAS “B” É bastante agressivo, mas responde bem a quimioterapia, com remissão completa na maioria dos casos. É mais frequente em mulheres jovens. O Linfoma Difuso de Grandes Células “B” junto com o Linfoma Folicular respondem pela maioria de todos os casos de linfomas. LINFOMA NÃO HODGKIN DE CÉLULAS “T” Estes linfomas correspondem de 10 a 15% de todos os linfomas, porém no Japão a incidência é de aproximadamente 40% devido a associação com o HTLV-1. 151 MICOSE FUNGÓIDE/SÍNDROME DE SÉZARY Linfoma cutâneo que se apresenta com nódulos ou placas e geralmente eritrodermia generalizada. Os linfócitos têm características morfológicas cerebriformes. LINFOMA / LEUCEMIA DE CÉLULAS “T” DO ADULTO Associado ao HTLV-1. Exibindo um quadro leucêmico e linfoadenopatia generalizado. É bastante agressivo. Sobrevida: abaixo de 2 anos. Incidência: 40 - 50 anos. Morfologia: é bastante diversificada com aspecto pleomórfico. LINFOMA “T” ANGIOIMUNOBLÁSTICO É mais comum em homem adulto. Os aspectos clínicos mais frequentes são: perda de peso, hipergamaglobulinemia, erupções cutâneas. LINFOMA ANGIOCÊNTRICO Principal lesão: é a nasal, na linha média. Está geralmente associado ao vírus Epstein Baar. LINFOMA DE CÉLULAS “T” DO TIPO ENTEROPATIA É altamente agressivo e tem alto índice de mortalidade (cerca de 80% dos casos). Sobrevida: 3 anos. Sítios: intestino é a primeira manifestação. LINFOMA ANAPLÁSICO DE GRANDES CÉLULAS “T” É encontrado em todas as faixas etárias, porém é mais frequente em crianças e adultos jovens. Imunomarcação: CD30. LINFOMA HEPATOESPLÊNICO DO TIPO GAMA/DELTA É comum em jovens do sexo masculino. Característica principal: intensa hepatoesplenomegalia sem aumento de linfonodos. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL HEMOGRAMA Na doença avançada, com envolvimento da medula óssea, pode haver anemia, leucopenia ou leucocitose, neutropenia e trombocitopenia (em especial se o baço estiver aumentado) e aspectos leucoeritroblásticos. Células linfomatosas (p. ex: células da zona do manto, de linfoma folicular clivado ou blastos) podem ser encontradas no sangue periférico de alguns pacientes. As células linfomatosas, em especial as dos linfomas linfocíticos bem diferenciados difusos, podem ser muito semelhantes às LLC, no que se refere ao aspecto nos esfregaços de sangue. Nesses casos, a leucocitose não deve ser tão acentuada como na LLC. Nos linfomas disseminados de células grandes, estas são encontradas no sangue circulante em elevada porcentagem de casos. O número de células neoplásicas que circula varia e não é tão elevado como nas leucemias. 152 Legenda: A) LINFOMA DE CÉLULAS DO MANTO (blastos clivados); B) LINFOMA ESPLÊNICO DA ZONA MARGINAL; C) LINFOMA DE CÉLULAS “B” GRANDES e D) LINFOMA DE CÉLULAS CENTROFOLICULARES (células pequenas clivadas). MIELOGRAMA Pode ser normal, mas com frequência de infiltração linfomatosa que define por si só doença disseminada. Biópsia de medula óssea: valiosa para localizar células neoplásicas. Imunofenotipagem: qual o tipo de linfócitos proliferantes, “T”, ou “B” ou ainda se o tumor é da linhagem reticular; se os linfócitos presentes no sangue, medula óssea, gânglio têm os mesmos marcadores imunológicos. OUTROS TESTES LABORATORIAIS E RADIOLÓGICOS Testes de função hepática: TGO, TGP, fosfatase alcalina, amilase e bilirrubinas. Testes de função renal: ureia, creatinina e depuração da creatinina. Deve-se pesquisar anti-HIV em todos os pacientes. Determinação das proteínas plasmáticas. A B C D 153 Ácido úrico. Desidrogenase láctica (LDH): costuma estar elevada nos linfomas em atividades. Eletrocardiograma. Exames do LCR: aos pacientes que apresentam sintomas neurológicos. Radiografias contrastada ou não: abdômen, tórax ou ossos. Ultrassonografia e tomografia computadorizada. Cintilografia. Legenda: Características imunofenotípicas e citogenéticas dos Linfomas de células “B”. Fonte: Livro Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. TRATAMENTO Pacientes assintomáticos não necessitam tratamento. O tratamento deve ser indicado quando houver organomegalia significativas, anemias, trombocitopenia, neutropenia, amiloidose ou hiperviscosidade. Legenda: LINFOMA DIFUSO DE CÉLULAS “B” grandes (células neoplásicas com único nucléolo central proeminente). 154 Administra-se RITUXIMABE, um anticorpo monoclonal humanizado anti-CD20 em combinação com CICLOFOSFAMIDA, FLUDARABINA ou outro análogo purínico, BENDAMUSTINA ou BORTEZOMIBE (mas é omitido se houver hiperviscosidade). Quimioterapia combinada, como se aplica para linfoma folicular ou difuso de células “B” grandes, pode ser necessário em estágios avançados. Transplante de células-tronco autólogas ou alogênicas deverá ser considerado para doença avançada e refratária. Eritropoietina ou transfusões regulares podem ser necessárias para anemia crônica. PROGNÓSTICO DE MODO GERAL OS LINFOMAS QUE TÊM O MELHOR PROGNÓSTICO SÃO AQUELES COM: Histologia favorável. Menor volume de massa tumoral (estágios I e II). Nenhum comprometimento extranodal. Ausência de leucocitose no sangue periférico. Incidência preferencial em mulheres, jovem ou adulta com idade inferior a 60 anos. Baixa concentração de desidrogenase láctica (LDH). Ausência de sintomas gerais de emagrecimento e febre. Alguns tipos de linfomas como de Burkitt e os linfomas linfoblásticos de células “T”, apresentam mal prognóstico em função de acometimento maior do SNC. QUESTÕES DE AVALIAÇÕES CLÍNICAS 1) J.D.S., sexo masculino, 62 anos de idade foi examinado clinicamente devido sudorese noturna acentuada, cansaço, perda de peso e febre recorrente. Tinha pequenos nódulos palpáveis bilaterais na área cervical, bem com nódulos maiores (±3 cm) nas axilas, e múltiplos nódulos inguinais. O fígado estava com 3 cm abaixo da margem costal direita, e o baço com 8 cm abaixo da margem costal esquerda. Na boca observou-se candidíase oral. Foi solicitado ohemograma que apresentou: Eritrócitos: 3.110.000/mm3; Hb: 9,3 g/dL; Ht: 28%; VCM: 90fL; HCM: 29,9pg; CHCM: 33,21%; RDW: 14%; Leucócito Total: 15.800/mm3; Leucócito Diferencial: Neutrófilos Segmentados: 10%; Neutrófilos Bastões: 8%; Eosinófilos: 2% e Linfócitos: 80%. Plaquetas: 115.000/mm3. Outros testes laboratoriais realizados: Reticulócitos: 3% (N: 0,5 – 2,0); Bilirrubina Total: 1,1 mg/dL; (N: até 1,2 mg) e Coombs Direto: negativo. Perguntas: a) Com base nos aspectos clínicos e laboratoriais explique a hipótese diagnostica. b) Quais outros exames serão necessários para o diagnóstico e por quê? c) Explique as principais opções terapêuticas. 24 - MIELOMA MÚLTIPLO E DOENÇAS RELACIONADAS INTRODUÇÃO É uma doença neoplásica caracterizada por acúmulo de plasmócitos monoclonais na medula óssea, presença de proteína monoclonal no soro e ou urina e dano tecidual relacionado. 155 98% dos casos ocorrem em indivíduos acima de 40 anos de idade, com pico de incidência com mais de 60 anos. Paraproteínemia: é a presença de uma banda de imunoglobulina monoclonal no soro. Normalmente as imunoglobulinas séricas são policlonais e respresentam a produção combinada de milhões de plasmócitos diferentes. Uma banda monoclonal, proteína “M” ou paraproteína, reflete a síntese de imunoglobulina de um único clone de plasmócito. A secreção de cadeias leves (K ou ʎ) é observada como proteinúria de Bence-Jones. O quadro tende a evoluir com comprometimento dos sistemas ósseo (lesões osteolíticas) e renal (insuficiência renal). ETIOPATOGENIA A célula mielomatosa é um plasmócito do centro pós-germinal que sofreu mudança da classe de imunoglobulina e hipermutação somática, e que secreta a paraproteína presente no soro. As células tumorais mantêm a tendência natural dos plasmócitos de sediar-se na medula óssea. A etiologia da doença é desconhecida, mas é mais comum em certos grupos étnicos, como os negros. As células tumorais têm alterações genéticas complexas, mas acredita-se que uma expressão desregulada ou aumentada de ciclina “D” seja um evento unificado precoce. CARATERÍSTICAS DAS IMUNOGLOBULINAS As imunoglobulinas (também chamadas de gamaglobulinas, porque são encontradas na posição gama na eletroforese de proteínas do soro) são proteínas com atividade de anticorpo. A ligação ao antígeno altera a molécula, e ela então pode participar de funções efetoras, que incluem: Ligação e ativação do complemento. Ligação a um receptor em macrófago, com consequente fagocitose do complexo antígeno-anticorpo. Defragação da liberação do conteúdo dos glânulos dos mastócitos e possivelmente dos eosinófilos. CAUSAS DE HIPERGAMAGLOBULINEMIA POLICLONAL Infecções crônicas: endocardite infecciosa, osteomielite crônica, doença granulomatosa disseminada. Doença crônica do parênquima hepático de qualquer etiologia. Alguns pacientes com alterações auto-imunes, como: lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatóide e tireodite crônica. CAUSAS DE HIPERGAMAGLOBULINEMIA MONOCLONAL Mieloma múltiplo. Parâmetros IgG IgA IgM IgD - Peso Molecular (dáltons) 150.00 170.000 900.000 180.000 - Concentração Plasmática (mg/dL) 700 - 1.500 250 100 3 - Meia Vida Biológica (dias) 21 6 5 3 - Transferência Placentária Sim Não Não Não 156 Doença de Waldenströn. Amiloidose Primária. Portadores de gamopatias monoclonais de significado indeterminado. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DOENÇA ÓSSEA Mais de 2/3 dos pacientes tem dor óssea nas costas ou no tórax (relacionada ao movimento). A interação entre células do estroma, osteoblastos, osteoclastos e plasmócitos, por uma rede complexa de interleucinas, determina a ativação dos osteoclastos que induz a reabsorção óssea a qual pode desencadear dor óssea, osteoporose, hipercalcemia e fraturas, características dos pacientes com Mieloma Múltiplo. DOENÇA RENAL O rim do mielomatoso caracteriza-se pela obstrução dos túbulos distais, proximais e coletores provocada pela deposição de um aglomerado de proteína monoclonal, albumina, células epiteliais gigantes e mucoproteína de Tamm-Horsfall. DIAGNÓSTICO CLÍNICO São resultados da combinação de fatores: infiltração da medula óssea, complicações decorrentes da presença de paraproteína e deficiência de imunoglobulinas normais. Dor óssea: sintoma importante para diagnóstico da doença. Ocorre em 80% dos casos (especialmente nas costas). Sinais e sintomas de anemia: letargia, fraqueza, dispnéia, palidez, taquicardia, etc. Infecções recidivantes relacionadas com produção insuficiente de anticorpos, imunidade celular alterada e neutropenia. Sinais e sintomas de insuficiência renal e ou hipercalcemia: poliúria, anorexia, vômitos, constipação e transtornos mentais. Tendência anormal a sangramento: a proteína do mieloma pode interferir na função das plaquetas e dos fatores de coagulação. Ocorre trombocitopenia na doença avançada. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL HEMOGRAMA Em geral, há anemia normocítica/normocrômica ou levemente macrocítica: Hb <10 g/dL. Número de leucócitos: é frequentemente baixo. Na doença avançada, surgem neutropenia. Número de plaquetas inicialmente é normal e na doença avançada, surgem trombocitopenia. VHS: elevadíssimo. Formação de rouleaux: é intensa pelo pico protéico plasmático anormal. 157 Plasmócitos anormais podem ser vistos no sangue periférico em 15% dos pacientes. Legenda: MIELOMA MÚLTIPLO. A) Plasmócito e B) Eritrócitos na formação de rouleaux (SETA). MIELOGRAMA Aumento de plasmócitos na medula óssea (geralmente > 20%), com presença de formas anormais com nucléolos grandes e bizarros, acentuada variação de tamanho e formas multinucleadas. O imunofenótipo característico do plasmócito maligno é CD38 alto, CD138 alto e CD54 baixo. A interleuquina – 6 é um fator de crescimento potente para células mielomatosas e está, com frequência, ativada por um mecanismo autócrino, isto é, em que há secreção e atuação na mesma célula. Legenda: MIELOMA MÚLTIPLO. Plasmócitos anormais na medula óssea, mostrando células com variação de tamanho e nucléolo gigante (SETA). PARAPROTEÍNA A presença de uma paraproteína no soro e urina deve ser testada por eletroforese de proteínas. A banda de paraproteína é identificada por eletroforese com imunofixação: IgG mais de 60% dos casos, IgA mais de 20% dos casos e menos de 1% dos casos tem IgD e IgE. Apenas cadeias leves na quase totalidade dos demais casos. A A A B B A B A 158 Hipergamaglobulinemia acentuada com uma banda estreita de imunoglobulina na eletroforese de proteínas do soro. Este é o achado mais comum. Hipogamaglobulinemia, quando o plasmócito maligno sintetiza apenas cadeias leves, as quais são excretadas pela urina. Não se acumula no sangue. Legenda: Mieloma Múltiplo: eletroforese de proteína sérica mostrando uma PARAPROTEÍNA na região da globulina gama e níveis reduzidos de globulinas de fundo beta. Fonte: Livro de Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. PROTEÍNAS URINÁRIAS A proteinúria é comum no mieloma múltiplo e pode resultar de: Excreção de proteínas de Bence-Jones isoladamente, sem lesão renal. Excreção de grandes proteínas séricas (albumina, imunoglobulina completa) secundária à lesão renal. A proteína de Bence-Jones também está presente. A proteína de Bence-Jones foi identificada originalmente por suas propriedades térmicas, que fazem com que precipite em urina acidificada a 50°c e se redissolva quando a urina é fervida. 159 RADIOGRAFIA DOS OSSOS As lesões aparecem primariamente naqueles ossos que contém medula: crânio, costelas,esterno, espinha, clavícula e extremidades proximais dos ossos longos dos membros. Lesões líticas e osteoporose difusa. No início da doença as radiografias poderão ser negativas. AVALIAÇÃO RENAL E OUTROS EXAMES Insuficiência renal: pode decorrer de depósitos protéicos da paraproteína de cadeias leves (creatinina > 2mg/dL). Creatinina sérica: eleva-se em 20% dos casos Hipercalcemia: há aumento do cálcio sérico em 45% dos pacientes (cálcio sérico > 11,5 mg). Consequente à reabsorção óssea. ESTADIAMENTO E PROGNÓSTICO Permite orientar a terapêutica e prognosticar a evolução. Tem evolução lenta, devido baixo grau de divisão das células proliferantes. Fatores considerados de alto risco: Idade avançada (> 60 anos). Sexo masculino. Trombocitopenia e leucemia de células plasmáticas. Proteinúria de Bence Jones. A sobrevida mediana global, com quimioterapia não intensiva é de 3 – 4 anos. A sobrevida aumenta em 1 – 2 anos com transplantes de células-tronco autológo. ESTÁGIO I: Paraproteína em nível baixo: IgG < 5 g/dL; IgA < 3 g/dL. Bence Jones na urina: < 4 g/24 h. Lesões ósseas: ausentes. Hemoglobina: > 10 g/dL. Cálcio sérico: normal. ESTÁGIO II: Não se enquadra em: I nem em III. ESTÁGIO III: Hemoglobina: < 8,5 g/dL. Cálcio sérico: > 8,5 g/dL. Rx: lesões osteolíticas avançadas. Paraproteína em altas taxas: IgG > 7 g/dL; IgA > 5 g/dL. Bence Jones na urina: > 12 g/24 h. TRATAMENTO No presente momento, a doença persiste INCURÁVEL, salvo pelos raros pacientes mais jovens que podem ser cuidados com transplante de células-tronco alogênicas. Para todos os outros pacientes, a principal decisão a ser feita é entre a indicação de tratamento INTENSIVO (principalmente para pacientes abaixo de 65 – 70 anos) e tratamento NÃO INTENSIVO, para pacientes mais velhos. TRATAMENTO INTENSIVO 160 Envolve a combinação de 4 – 6 cursos de quimioterapia para reduzir a massa tumoral, seguida da coleta de células-tronco e transplante autólogo após a quimioterapia em alta dose. São feitos ciclos repetidos de quimioterapia oral ou intravenosa com os seguintes protocolos: CICLOFOSFAMIDA; DEXAMETASONA e TALIDOMIDA (CDT). Embora o transplante de células-tronco alogênico possa curar a doença é um procedimento associado à alta mortalidade, e a maioria dos pacientes sofre recaída após o tratamento. TRATAMENTO NÃO INTENSIVO Em pacientes idosos, cursos do agente alquilante MELFALAN, em geral em combinação com PREDNISOLONA, TALIDOMIDA ou BORTEZOMIBE são eficazes na redução da massa tumoral. O tratamento causa diminuição progressiva de paraproteína, e melhora das lesões ósseas e das contagens do hemograma. A LENALIDOMIDA é um análago da talidomida muito ativo no tratamento do mieloma. É amplamente usado para doença recidivada e esta sendo testado no tratamento de primeira linha. QUESTÕES DE AVALIAÇÕES CLÍNICAS 1) D.E.M, 33 anos de idade, masculino, natural e residente em Castanhal - PA. Mãe relata que o filho está “doente” há aproximadamente dois meses e trabalha na lavoura de tomate da família desde criança. Procurou assistência médica e fez tratamentos inespecíficos, mas ainda não tem diagnóstico. Exame Físico: dor óssea acentuada nas costelas, febril e desanimado. Palidez cutânea acentuada, anictérica e acianótica. Edema de membros inferiores. Baço palpável na altura da cicatriz umbilical. Fígado palpável, duro, liso e indolor. Exames Laboratoriais: HEMOGRAMA: Eritrócitos: 2.700.000/mm3; Hb: 8,5 g/dL; Ht: 25%; RDW: 21%; Leucócito Total: 4.000/mm3; Contagem Diferencial: Neutrófilos Segmentados: 64%; Neutrófilos Bastões: 4%; Eosinófilos: 0%; Basófilos: 0%; Linfócitos: 24%; Monócitos: 8%; Plaquetas: 190.000/mm3. OBS: - Série Vermelha: presença de eritrócitos em formação de rouleaux, condócitos e dacriócitos. VHS: 120 mm (N: até 20); Reticulócitos: 0,8% (0,5 - 2,0) e PCR - US 28 mg/dL (N: até 1,0). Perguntas: a) Qual a principal hipótese diagnóstica e por quê? b) Quais outros exames serão necessários para o diagnóstico e por quê? c) Explique as principais opções terapêuticas. 2) A.C.D., 62 anos, sexo masculino, natural e procedente de Santa Rosa de Viterbo- SP, casado, mecânico. Paciente relatava um quadro de dor progressiva, há 6 meses, com irradiação para os ombros, que piorava com a movimentação e melhorava, parcialmente, com o repouso. Conjuntamente ao quadro de dor, relatava uma dispnéia progressiva, estando no momento da avaliação aos médios esforços, astenia e uma perda ponderal de aproximadamente 12 kg. Há 1 semana apresentou piora importante do quadro doloroso anterior associado ao aparecimento de uma dor torácica ventilatorio‐dependente em hemitorax esquerdo, sendo, então, encaminhado para a Unidade de Emergência. Negava sangramentos, febre, diarréia, vômitos, tosse, dores articulares, lesões de pele e disúria. Relatava alteração do hábito intestinal com tendência a constipação nos últimos 3 meses. 161 Relatava urina espumosa há 4 meses. Antecedentes Pessoais: diabético em uso de metiformina, dislipidêmico em uso de sinvastatina, ex-tabagista, etilista social. Antecedentes Familiares: nega doenças crônicas ou de incidência múltipla na família. Estado Físico: bom estado geral, descorado cianótico, anictérico, desidratado. Gânglios: ausências de adenomegalias. Cavidade oral: sem alterações. Exame Hematologico: HEMOGRAMA: Eritrócitos: 2.310.000/mm3; Hb: 6.8 g/dL; Ht: 21,2%; Leucócito Total: 5.700/mm3; Leucócito Diferencial: Neutrófilos segmentados: 27%; Neutrófilos bastões: 10%; Neutrófilos Metamielócitos: 4%; Neutrófilos Mielócitos: 6%; Eosinófilos: 2%; Linfócitos: 31%; Monócitos: 20%. Plaquetas: 54.000/mm3. OBS: - Série Vermelha: presença de eritrócitos em formação de rouleaux intensa. Bioquímica: Uréia: 81 mg/dL (N: até 50), Creatinina: 1,9 mg/dL (N: até 1.5), Cálcio: 12,4 mg/dL (N: 8 - 10); Sódio: 14 mEq/L; Potássio: 4,17mEq/L; LDH: 496 U/L (N: 100 – 190); Ácido Úrico: 11,8 mg/dL; TGO: 32 U/L (N: até 35); TGP: 29 U/L (N: até 34); Fosfatase Alcalina: 78 U/L; Bilirrubina Direta: 0,8 mg/dL (N: até 0,8); Bilirrubina Indireta: 0,04 mg/dL (N: até 0,4); Albumina: 2.9 g/dL (N: 4 – 6) e Globulina: 8,5 g/dL (N: 2 – 4). Perguntas: a) Qual a principal hipótese diagnóstica e por quê? b) Quais outros exames serão necessários para o diagnóstico e por quê? c) Explique as principais opções terapêuticas. 25 - DISTÚRBIOS HEMORRÁGICOS CAUSADOS POR ALTERAÇÕES VASCULARES E PLAQUETÁRIAS PÚRPURAS As púrpuras se caracterizam por hemorragias na pele ou nas mucosas, de tamanho pequeno, como de uma cabeça de alfinete (petéquias), ocorrendo isoladas ou agrupadas, ou com a forma de placas (equimoses) de cor vermelho-azulada. As equimoses aparecem com maior frequência nas áreas sujeitas a traumatismos ou maior pressão venosa, como os membros inferiores. As púrpuras podem ser classificadas em: púrpuras vasculares e púrpuras plaquetárias. Legenda: A) Petéquias e B) Equimoses. Fonte: Livro de Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. A B 162 PODEM DECORRER DE: Distúrbios vasculares. Trombocitopenia. Função plaquetária defeituosa. Defeito da coagulação. 25.1- DISTÚRBIOS HEMORRÁGICOS VASCULARES AVALIAÇÃO LABORATORIAL TIPOS DE COAGULOGRAMA Coagulograma Tipo I: Tempo de Sangria. Tempo de Coagulação. Retração do Coágulo. Prova do Laço ou Resistência Capilar. Contagem de Plaquetas. Coagulograma Tipo II: Tempo de Sangria. Tempo de Coagulação. Retração do Coágulo. Prova do Laço ou Resistência Capilar. Contagem de Plaquetas. TAP ou TP (tempo de protrombina). TTPA (tempo de tromboplastina parcial ativada). Coagulograma Completo Tempo de Sangria ou Sangramento. Retração do Coágulo. Prova do Laço ou de Resistência Capilar. Contagem de Plaquetas. TAP ou TP (tempo de protrombina). - Atividade de Protrombina. TTPA (tempo de tromboplastina parcial ativado). TEMPO DE SANGRIA OU SANGRAMENTO a) INDICAÇÃO CLÍNICA: avalia a hemostasia primária com relação à quantidade e qualidade das plaquetas. b) PREPARO DO PACIENTE: sem indicativo de nota. c) AMOSTRA: punção capilar. d) VALOR DE REFERÊNCIA: 1 a 3 minutos. RETRAÇÃO DO COÁGULO a) INDICAÇÃO CLÍNICA: avalia a hemostasia primária com relação à quantidade e qualidade das plaquetas. b) PREPARO DO PACIENTE: sem indicativo de nota. c) VALOR DE REFERÊNCIA: normoretrátil. 163 PROVA DO LAÇO OU DE RESISTÊNCIA CAPILAR a) INDICAÇÃO CLÍNICA: avalia a hemostasia primária com relação à quantidade, qualidade das plaquetas e integridade dos vasos sanguíneos. b) PREPARO DO PACIENTE: sem indicativo de nota. c) VALOR DE REFERÊNCIA: negativo. CONTAGEM DE PLAQUETAS a) INDICAÇÃO CLÍNICA: avalia apenas a quantidade de plaqueta na amostra. b) PREPARO DO PACIENTE: jejum mínimo de 4 horas (recomendável). c) AMOSTRA: plasma citratato. d) VALOR DE REFERÊNCIA: 150.000 a 400.000/mm3. TEMPO DE PROTROMBINA - TAP OU TP a) INDICAÇÃO CLÍNICA: avalia a via extrínseca da coagulação a partir do fator III (tromboplastina tecidual). Está alterado nas deficiências de fatores I, II, V, VII e X. Como são fatores sintetizados no fígado e três são dependentes de vitamina K (II, VII e X), o TP é usado para o diagnóstico de coagulopatias secundárias às doenças hepatobiliares, durante o tratamento com dicumarínicos (anticoagulantes orais) e quando há suspeita de carência de vitamina K. b) PREPARO DO PACIENTE: jejum mínimo de 4 horas (recomendável). c) AMOSTRA: plasma citratato. d) VALOR DE REFERÊNCIA: 12 a 16 segundos. TEMPO DE TROMBOPLASTINA PARCIAL ATIVADO - TTPA a) INDICAÇÃO CLÍNICA: avalia a via intrínseca da coagulação. É usado na triagem pré- operatória de pacientes com suspeita de hemofilia, no controle da terapêutica com heparina e na avaliação da presença de anticoagulantes inespecíficos da coagulação, como os portadores de anticoagulante lúpico. Altera-se na insuficiência hepática, nas disfibrinogenemias e na CIVD. b) PREPARO DO PACIENTE: Jejum mínimo de 4 horas (recomendável). c) AMOSTRA: Plasma citratato. Os distúrbios vasculares formam um grupo heterogênico, caracterizando por equimoses fáceis e sangramento espontâneo de pequenos vasos. As anormalidades de base estão-nos próprios vasos ou nos tecidos conectivos perivasculares. A maioria do sangramento ocorre na pele, provocando petéquias, equimoses ou ambas. OS PRINCIPAIS TIPOS DE DISTÚRBIOS VASCULARES SÃO: 1) HEREDITÁRIOS: teleangiectasia hemorrágica, doença do tecido conjuntivo e hemangioma carvernoso gigante. 2) ADQUIRIDOS: Vasculite: infecções, proliferação maligna, doença do soro, drogas ou agentes químicos. Mecânica: senil, ortostática e escorbuto. Obstrutiva: paraproteínemias (doença de Waldenstrom). 164 25.2 - TROMBOCITOPENIA O sangramento anormal associado à trombocitopenia ou função anormal das plaquetas é caracterizado por púrpura cutânea espontânea, hemorragia das mucosas e sangramento prolongado após traumatismo. AS PRINCIPAIS CAUSAS DE TROMBOCITOPENIA SÃO: Insuficiência na produção de plaquetas. Aumento de destruição de plaquetas. INSUFICIÊNCIA NA PRODUÇÃO DE PLAQUETAS É a causa mais comum de trombocitopenia, em geral como parte de insuficiência global da medula óssea. Uma depressão seletiva de megacariócitos pode resultar de toxicidade a fármaco ou de infecção viral. Em raros casos é congênita. AUMENTO DE DESTRUIÇÃO DE PLAQUETAS Púrpura trombocitopênica autoimune (idiopática): pode apresentar-se como uma forma crônica ou uma forma aguda. PÚRPURA TROMBOCITOPÊNICA CRÔNICA: é uma doença relativamente comum. A maior incidência em mulheres com idade entre 15 – 50 anos e pode ser vista associada ao lupus eritromatoso sistêmico, infecção por vírus (HIV, HCV) leucemia linfocítica crônica, linfoma de Hodgkin e anemia hemolítica autoimune. PATOGÊNESE: autoanticorpos antiplaquetas (em geral IgG) causam remoção prematura das plaquetas da circulação pelos macrófagos do sistema reticuloendotelial sobretudo no baço. Legenda: Púrpura da senilidade. Fonte: Livro de Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. Legenda: Patogênese da trombocitopenia na púrpura trombocitopênica autoimune. Fonte: Livro de Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. 165 DIAGNÓSTICO CLÍNICO: no início quase sempre é insidioso, com petéquias, equimoses fáceis e, em mulheres, menorragia. Sangramento das mucosas, como epistaxe ou sangramento gengival, ocorre em casos severos. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL A contagem de plaquetas geralmente está em 10.000 – 100.000/mm3 e o volume plaquetário médio (VPM) um pouco aumentado. A medula óssea mostra número normal ou aumentado de megacariócitos. TRATAMENTO: como é uma doença crônica, o objetivo do tratamento deve ser a manutenção da contagem de plaquetas acima do nível no qual ocorrem equimoses ou sangramento espontâneo com um mínimo de intervenção. Em geral, com uma contagem de plaquetas acima de 50.000/mm3. 1) Corticosteróides: 80% dos pacientes entram em remissão com uso de corticóides em altas doses. Prednisolona ou prednisona, 1mg/Kg/dia, é o tratamento inicial em adultos, diminuindo-se a dose de maneira gradual depois de 10 a 14 dias. 2) Altas doses de imunoglobulina por via intravenosa: causa rápido aumento na contagem de plaquetas na maioria dos pacientes. É recomendado 400 mg/Kg/dia durante 5 dias ou 1 g/Kg/dia durante 2 dias. 3) Fármacos imunossupressores: vincristina, ciclofosfamida, azotioprina, micofenolato de mofetil ou ciclosporina isoladamente ou combinado. Em geral são reservados aos pacientes que não respondem satisfatoriamente ao tratamento com corticóides ou esplenectomia. 4) Esplenectomia: essa cirurgia era recomendada em pacientes com sintomas e que mantém contagem de plaquetas < 30.000/mm3 após 3 meses de tratamento com corticóides. 5) Transfusão de plaquetas: concentrados de plaquetas são infundidos para pacientes com sangramento agudo que coloque a vida em risco. Seu efeito benéfico dura apenas algumas horas. 6) Transplante de células-tronco: cura alguns casos especialmente graves. PÚRPURA TROMBOCITOPÊNICA AGUDA: é mais comum em crianças. Em cerca de 75% dos pacientes, o episódio ocorre após vacinação ou infecção como: HIV, dengue, varicela e mononucleose infecciosa. Diagnóstico: é de exclusão e há controvérsias quanto à necessidade de exames da medula óssea. Tratamento: se a contagem de plaquetas for > de 30.000/mm3, não há necessidade de tratamento, salvo se houver sangramento relevante. Pacientes com contagem de plaquetas < de 30.000/mm3 são tratados com esteróides e ou imunoglobulina intravenosa especialmente se houver sangramento significativo. PÚRPURA PÓS-TRANSFUSIONAL: trombocitopenia súbita e severa que ocorre 10 dias após transfusão de sangue é atribuída a anticorpos do receptor contra o antígeno plaquetário humano, ausente nas plaquetas do paciente e presente nas plaquetas transfundidas. TROMBOCITOPENIA INDUZIDA POR FÁRMACOS: podem provocar depressão funcional dos megacariócitos alguns fármacos como: quinino, quinidina, heparina, antibióticos 166 (vancomicina e clorafenicol), quimioterápicos, diuréticos (clorotiazida), hormônios e corticóides. TRATAMENTO: imediata suspensão do fármaco suspeito, mas deve ser administrado concentrado de plaquetas em pacientes com sangramento perigoso. COAGULAÇÃO INTRAVASCULAR DISSEMINADA: a trombocitopenia pode resultar de aumento do rítimo de destruição de plaquetas por consumona participação da coagulação intravascular disseminada (CIVS) por lesão endotelial em infecções generalizadas como: SEPTICEMIAS e NEOPLASIAS. AUMENTO DA RETENÇAO ESPLÊNICA: o principal fator responsável pela trombocitopenia na esplenomegalia é a retenção ou “represamento”, de plaquetas no baço. Na esplenomegalia, até 90% das plaquetas podem estar sequestradas no baço, que normalmente contém cerca de 30% da massa total de plaquetas. PATOLOGIAS: esquistossomose, malária, leishmaniose visceral, etc. 25.3 - DISTÚRBIOS DA FUNÇÃO PLAQUETÁRIA Deve-se suspeitar de distúrbios da função plaquetária em pacientes que apresentam sangramento de pele e mucosas, apesar de terem contagem normal de plaquetas e nível normal de VWF. DISTÚRBIOS HEREDITÁRIOS: doenças hereditárias raras podem produzir defeitos em cada uma das diferentes fases das reações plaquetárias que levam à formação do tampão hemostático. As principais são: TROMBASTENIA DE GLANZMANN: nessa doença autossômica recessiva, há falta de agregação das plaquetas por uma deficiência das glicoproteínas da membrana IIb/IIIa que, juntas, formam o receptor do VWF e do fibrinogênio. Em geral, é notada já no período neonatal, e caracteristicamente as plaquetas não se agregam in vivo com nenhum agonista, salvo a ristocetina. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL Legenda: Trombocitopenia por esplenomegalia. Fonte: Livro de Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. 167 Retração do coágulo: diminuida. Tempo de sangramento: muito prolongado. Fibrinogênio plasmático: diminuído. Fibrinogênio plaquetário: diminuído. Agregação plaquetária: não há agregação plaquetária. SINDROME DE BERNARD-SOULIER: nesse distúrbio, as plaquetas são maiores do que o tamanho normal e há deficiência de glicoproteína da membrana Ib. Há ligação defeituosa com o VWF, aderência também defeituosa aos tecidos conectivos subendoteliais, e as plaquetas não se agregam com ristocetina. Há um grau variável de trombocitopenia. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL Tempo de Sangramento: muito prolongado. Contagem de plaquetas: diminuída ou normal com alterações morfológicas do tipo megatrombócitos. Agregação plaquetária: não há agregação plaquetária. Legenda: Perfil de agregação plaquetária com plaquetas normais (VERMELHO) e de paciente com TROMBASTENIA DE GLANZMANN (AZUL). Observe que as plaquetas do paciente não são agregadas por agentes agregantes fisiológicos como ADP e ADRENALINA. Legenda: Adesão de plaquetas. Fonte: Livro de Fundamentos em Hematologia de A. V. Hoffbrand. 168 DOENÇA DAS PLAQUETAS CINZENTAS Doença hereditária. Hemorragias são discretas. Tempo de sangramento: discretamente aumentado. Trombocitopenia moderada. Ausência de grânulos alfa nas plaquetas, fato que determina sua aparência cinzenta nos esfregaço. Agregação plaquetária é discretamente diminuída. São encontrados os seguintes defeitos: grânulos alfa defeituosos e ou anormais; alterações nos constituintes como: fibrinogênio, fator von Willebrand, fibronectina, trombospondina e fator plaquetário 4. 26 - DISTÚRBIOS DA COAGULAÇÃO 26.1 - COAGULOPATIAS HEREDITÁRIAS São doenças bem mais frequentes que as coagulopatias adquiridas e se caracterizam, com raras exceções, pela deficiência isolada de um fator da coagulação. A deficiência de vários fatores, em geral, indica presença de doença adquirida. De acordo com o fator que está diminuído ou ausente, essas coagulopatias são denominadas: Deficiência do Fator I ou Fibrinogênio: hipofibrinogenemia, afibrinogenemia ou disfibrinogenemia. Deficiência do Fator II ou Protrombina: hipoprotrombinemia. Deficiência do Fator V ou Proacelerina. Deficiência do Fator VII ou Proconvertina. Deficiência do Fator VIII ou Anti-hemofílico “A”. Deficiência do Fator IX ou Hemofilia “B”. Deficiência do Fator X ou Fator Stuart. Deficiência do Fator XI ou Anti-hemofílico “C”. Deficiência do Fator XII. Legenda: Esfregaço apresentando presença de macrotrombócitos em paciente portador de doença de BERNARD-SOULIER. 169 Deficiência do Fator XIII. Deficiência da Precalicreína ou Fator de Fletcher. Deficiência do Cininogênio. Deficiências combinadas dos Fatores V e VIII ou dos Fatores VII e X. 26.1.1 - HEMOFILIA É uma coagulopatia hereditária ligada ao sexo masculino. A transmissão se faz através do cromossoma X, manifestando-se somente nos homens, as mulheres atuam como portadora. O termo hemofilia é usado para indicar deficiência do Fator VIII (Hemofilia A); do Fator IX (Hemofilia B) e do Fator XI (Hemofilia C). A hemofilia do tipo A é muito mais frequente (85%). A prevalência na população é de 30 a 100 por 1 milhão. Estatística das Coagulopatias Hereditárias no Brasil: Hemofilia do tipo A: 56%. Hemofilia tipo B: 11%. Doença de Von Willebrand: 26%. Outros transtornos: 7% ETIOPATOGENIA Tanto a Hemofilia “A”, “B” e “C” estão ligadas à presença de um gene anormal localizado no cromossoma sexual X. A mutação sofrida pelo gene responsável pela síntese do Fator VIII; IX ou XI costuma ocorrer em muitas gerações anteriores à do paciente ou recentemente. DIAGNÓSTICO CLÍNICO Baseia na história clínica pregressa do paciente e seus familiares. De acordo com os níveis de Fator VIII; IX ou XI, o quadro hemorrágico pode ser grave, moderado ou leve. GRAVE: os sintomas aparecem precocemente, já nos primeiros meses de idade, são espontâneos e frequentes. Aparecem hematomas musculares, hemorragias digestivas ou urinárias. Legenda: Hemofilias. Fonte: Livro de Citogenética Geral. Marcelo Guerra. 170 MODERADO: há níveis de 1 – 5% de atividade de Fator VIII; IX ou XI no plasma. Nesses pacientes não ocorrem hemorragias espontâneas, mas aos pequenos ou mínimos traumatismos há grande sangramento. LEVE: os níveis plasmáticos Fator VIII; IX ou XI oscilam de 5 – 25%. Há hemorragias após traumatismos ou intervenções cirúrgicas. Entretanto, há indivíduos que passam assintomáticos boa parte da vida, vindo a ser diagnosticada a deficiência somente após uma cirurgia. Legenda: A) Hemofilia B. Extensa hemorragia subcutânea ao redor da articulação e B) Extensa hemorragia nos tecidos moles do pescoço após trauma de pressão. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL Diante de um paciente do sexo masculino que sangra e que, geralmente, refere outros membros da família com quadro semelhante, deve-se solicitar os seguintes exames laboratoriais, que darão resultados anormais: Tempo de Coagulação: aumentado. Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado (TTPA): aumentado ou indeterminado. Dosagem dos Fatores VIII; IX e XI: taxas variáveis. Tempo de Protrombina (TP): normal. Tempo de Sangramento (TS): normal. TRATAMENTO Acompanhamento médico. Terapêutica de substituição: feita com produtos derivados do sangue. Esses produtos devem conter o fator deficiente, VIII; IX ou XI, conforme o caso. Considere-se que a média do nível de fator VIII; IX ou XI no plasma normal corresponda aos 100%. Terapêutica auxiliar: Antifibrinolíticos. Cola de fibrina. Gelo. Abordagem multidisciplinar: Centro de referência. A B 171 Equipe multiprofissional. Programas educativos: participação em grupos ou clubes de hemofílicos. 26.1.2 - DOENÇA DE VON WILLEBRAND Nesta doença, há diminuição do nível plasmático ou função anormal do VWF por causa de mutação de sentido ou mutação nula. O VWF é produzido em células endoteliais e megacariócitos. É uma proteína com dois papéis:promove adesão de plaquetas ao subendotélio e é a molécula portadora do Fator VIII, protegendo-o de destruição prematura. Esta última propriedade explica a diminuição ocasional de Fator VIII na doença de Von Willebrand. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL Os níveis de Fator VIII: muitas vezes estão baixos. Se isso ocorrer, fazer dosagem da ligação VIII / VWF. O TTPA: pode estar prolongado. Os níveis de VWF: em geral são baixos. A agregação plaquetária pelo plasma do paciente com ristocetina é defeituosa. Tempo de Sangramento: aumentado. Contagem de plaqueta: normal. TRATAMENTO Medidas locais e agentes antifrinolíticos, como ácido tranexâmico, para sangramento leve. Infusão: isso faz liberar VWF de células endoteliais 30 minutos após a infusão. Concentrados de VWF de alta pureza para pacientes com níveis muito baixos de VWF. 26.2 - COAGULOPATIAS ADQUIRIDAS Formam um grupo heterogêneo de enfermidades. Enquanto as coagulopatias hereditárias há comprometimento de um único fator da coagulação, nas adquiridas o defeito é múltiplo, associando-se alterações vasculares, plaquetárias e deficiências de um ou mais fatores de coagulação. As coagulopatias adquiridas são divididas em quatro grupos, com etiopatogenia diversa: 1) Há destruição e consumo acelerado dos fatores da coagulação: coagulação intravascular disseminada (infecções do tipo septicemia, neoplasias, cirurgias extensas) e fibrinólise (ocorre um excesso de plasmina). 2) Há deficiência causada por doenças do fígado: nas lesões do parênquima hepático, a síntese dos fatores II; VII; IX e X (vitamina “K” dependente), assim como dos fatores I; V; XII e XIII (não dependentes de vitamina “K”), podem estar muito prejudicada. 3) Há presença de inibidores patológicos da coagulação: antitrombina, antifator VIII, IX, X e XI. De 5 a 10% dos pacientes com lúpus eritematoso disseminado apresentam um anticoagulante circulante denominado anticoagulante lúpico, sendo encontrado em outras doenças autoimunes e neoplasias. 4) Cirurgias com circulação extracorpórea: uso de drogas pré-cirúrgicas ou durante a cirurgia, como heparina, etc. TROMBOSE 172 Trombose significa a formação de trombo na luz de um vaso arterial ou venoso. Resulta de alteração no equilíbrio normal que existe entre o mecanismo da hemostasia e os seus controles. São três os fatores que intervém no aparecimento de trombos: 1) Integridade da parede vascular. 2) Função plaquetária. 3) Fatores da coagulação. TROMBOSE ARTERIAL: lesão do endotélio vascular. Sobre essa lesão as plaquetas depositam, formando um coágulo branco, podendo trazer consequências sérias, dependendo da localização. TROMBOSE VENOSA: os fatores predisponentes da trombose venosas são: fluxo sanguíneo lento; ativação local dos fatores de coagulação e lesão do endotélio. FATORES QUE PREDISPOEM ÀS TROMBOSES Aterosclerose. Hipertensão arterial. Idade e sexo. Hábito de fumar. Anticoncepcionais orais e TRH (pelo aumento plasmático dos fatores: II; VII; VIII; IX e X e os níveis baixos de antitrombina e ativador tecidual do plasminogênio na parede vascular). Outros fatores: doenças malignas, infecções, síndrome nefrótica e hiperviscosidade sanguínea em geral. DIAGNÓSTICO. TRATAMENTO. PREVENÇÃO. TRATAMENTO DA TROMBOSE HEPARINA Inibe a coagulação potencializando a atividade da antitrombina e diminui a função plaquetária. Não é absorvida pelo trato gastrointestinal, deve ser administrada por via parenteral. É muito usada na profilaxia de trombose venosa, sendo o fármaco de escolha em mulheres que necessitam de anticoagulação na gravidez, pois não atravessa a placenta. Monitoramento pelo: Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado (TTPA) entre 1,5 - 2,5 vezes o valor limite de referência. Valor de Referência: 30 - 45”. ANTICOAGULANTES ORAIS DERIVADOS DA CUMARINA (VARFARINA): antagonista da vitamina “K”, desse modo o tratamento resulta na diminuição dos fatores: II; VII; IX e X. A varfarina atravessa a placenta e é teratogênica. Monitoramento pelo: Tempo de Protrombina (TP) e o INR. RIVAROXABAN (XARELTO): é um inibidor irreversível de fator Xa. Administração via oral em dose fixa e não necessita de monitoramento. AGENTES FIBRINOLÍTICOS 173 Estreptoquinase: ativador tecidual do plasminogênio. É administrado via sistêmica. Diagnóstico da trombose: dosagem de D-dímero no plasma. FÁRMACOS ANTIPLAQUETÁRIOS AAS: inibe irreversivelmente a cicloxigenase da plaqueta, diminuindo a produção de tromboxano A2. CLOPIDOGREL: antagonista do receptor plaquetário de disfofato de adenosina (ADP). É usado para diminuir eventos isquêmicos em pacientes com AVC e infarto do miocárdio. DIPIRIDAMOL (PERSANTIN): inibidor da fosfodiesterase plaquetária, diminuindo a sua sensibilidade aos estímulos de ativação. INIBIDORES DAS GLICOPROTEÍNAS IIb/IIIa: Abciximabe, Eptifibatide e Tirofiban. QUESTÕES DE AVALIAÇÕES CLÍNICAS 1) Uma paciente teve seu primeiro filho aos 42 anos de idade. Dois dias após o parto, sofreu uma trombose. Nas avaliações laboratoriais, o Tempo de Atividade da Protrombina (TP) teve como resultado 60% do máximo possível e o Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPA) estava normal, evidenciando o papel da via extrínseca no distúrbio de coagulação apresentado pela paciente. Antes da trombose ela vem utilizando a warfarina sob monitoramento terapêutico com o TP. Foi identificado que esta paciente está grávida há 45 dias. Entre os fármacos aplicáveis a esse caso estão disponíveis o AAS, a WARFARINA e as HEPARINAS de alta e baixa massa molecular. Perguntas: i) Nesse caso qual a conduta terapêutica correta durante a gravidez e por quê? j) Quais exames são necessários para o monitoramento e por quê? 2) PAGS, 6 meses de idade, sexo masculino, branco, natural e residente em Belém - PA. Mãe relata aparecimento de manchas arroxeadas pelo corpo há cerca de 24 horas. Há duas semanas apresentou quadro gripal caracterizado por febre, coriza hialina, irritação e hiporexia, tendo sido medicado, por orientação médica, com AAS infantil. Informante nega contato com produtos químicos, nega uso de medicamentos além do citado, nega outros sinais e sintomas associados. Parto cesariano, a termo, sem intercorrências. PN: 2.780 Kg. Estatura: 51 cm. Vacinação em dia. Alimentação: leite de vaca. Exame Físico:criança normocorada, hidratada, anictérica, acianótica, sem linfadenomegalias; presença de petéquias no lábio superior, tronco e membros inferiores; hematoma prepucial. hiperemia de orofaringe, abdômen globoso, normotenso; fígado palpável e baço não palpável. Testículos na bolsa. Exames Laboratoriais: HEMOGRAMA: Eritrócitos: 3.750.000/mm3; Hb: 10,6 g/dL; Ht: 33%; Leucócito Total: 10.400/mm3; Contagem Diferencial: Neutrófilos Bastões: 1%; Neutrófilos Segmentados: 28%; Eosinófilos: 3%; Basófilos: 0%; Linfócitos: 58%; Monócitos: 10%; Plaquetas: 30.000/mm3; Atividade de Protrombina: 80% (N: 70 – 100); Tempo de Sangramento: 11 minutos (N: 2 – 3); Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado: 40” (N: 30 – 45); Fibrinogênio: 200 mg/dL (N: 2.000 – 2.500); ELISA para HIV1 e HIV2: não reator; ELISA IgG e IgM para Citomegalovírus: não reator; Mononucleose: reator; Mielograma: medula óssea hipercelular. Indice G/E: 4,5. Série Eritrocítica: normocelular com maturação normoblástica.Série Granulocítica: hipercelular com maturação predominantemente normoblástica. Série Linfoplasmocitária: sem alterações. 174 Série Megacariocítica: hipercelular com predomínio de elementos imaturos. Produção plaquetária evidente. Perguntas: a) Qual a principal hipótese diagnóstica e por quê? b) Quais outros exames serão necessários para o diagnóstico e por quê? c) Explique as principais opções terapêuticas. 3) J.M.S., 66 anos de idade, sexo masculino, faz uso de WARFARINApara tratamento de problemas trombolíticos. Após uma forte gripe, resolve ir à farmácia do seu bairro para adquirir um medicamento antitérmico e antipirético da classe dos antiinflamatórios não- esteroidais (AINES), com a finalidade de combater sintomas de febre e de dor no corpo. Perguntas: a) Ao passar pelo atendimento de Atenção Farmacêutica qual a conduta correta do farmacêutico e por quê? b) Quais exames são necessários para o monitoramento do paciente e por quê? 4) A.G.S., 2 anos de idade, sexo masculino, branco, natural e residente em Belém - PA. Mãe relata aparecimento de manchas arroxeadas pelo corpo há cerca de 24 horas. Há duas semanas apresentou quadro gripal caracterizado por febre, coriza hialina, irritação e hiporexia, tendo sido medicado, por orientação médica, com AAS infantil. Informante nega contato com produtos químicos, nega uso de medicamentos além do citado, nega outros sinais e sintomas associados. Parto cesariano, a termo, sem intercorrências. PN: 2.780 Kg. Estatura: 51 Cm. Vacinação em dia. Alimentação: leite de vaca. Exame Físico: criança normocorada, hidratada, anictérica, acianótica, sem linfadenomegalias; presença de petéquias no lábio superior, tronco e membros inferiores; hematoma prepucial. hiperemia de orofaringe, abdômen globoso, normotenso; fígado palpável e baço não palpável. Testículos na bolsa. Exames Laboratoriais: HEMOGRAMA: Eritrócitos: 3.750.000/mm3; Hb: 10,6 g/dL; Ht: 33%; Leucócito Total: 10.400/mm3; Contagem Diferencial: Neutrófilos Bastões: 5%; Neutrófilos Segmentados: 10%; Eosinófilos: 2%; Basófilos: 0%; Linfócitos: 78%; Monócitos: 5%; Plaquetas: 30.000/mm3; Atividade de Protrombina: 80% (70 – 100%); Tempo de Sangramento: 11` (N: 1 - 3); Tempo de Tromboplastina Parcial Ativado: 40” (N: 30 – 45); Fibrinogênio: 2.000 µg/mL (N: 2.000 – 2.500); Teste de HIV1/2: Não Reator; Citomegalovírus IgG/IgM: Reator e Mononucleose IgG/IgM: Reator. Perguntas: a) Com a anamnésia e os dados laboratoriais o médico concluiu o diagnóstico como VIROSE; liberando a paciente para receber medicação na sua residência. Você concorda com o quadro clínico e a conduta do médico? Por quê? b) Quais outros exames serão necessários para melhor elucidar o diagnóstico e por quê? 5) Mãe de um menino de 10 anos de idade procura o hematologista para avaliação pré- operatória. Será submetida a uma amigdalectomia eletiva e como tem história anterior de discreta tendência hemorrágica (epistaxes frequentes e um episódio de sangramento anormal após um procedimento odontológico) foi encaminhada para avaliação. Relatava ainda tendência hemorrágica na família (1 tio e 2 primos). Ao exame físico nada importante de nota. Dados laboratoriais: Hb 11,8 g/dL, Ht 34%, leucócitos 8.700/mm3, com diferencial normal, plaquetas 300.000/mm3 e Tempo de Sangramento: 2’ e 30” (N: 1 - 3). 175 Perguntas: a) Qual a principal hipótese diagnóstica e por quê? b) Quais outros exames serão necessários para melhor elucidar o diagnóstico, qual o provável resultado e por quê? 27 - INTERPRETAÇÃO DE EXAMES LABORATORIAIS NOS PROCESSOS BENIGNO E MALIGNO CASO CLÍNICO Nº 1 176 DISCUSSÃO FUNDAMENTADA DO PACIENTE J. P.A DE 4 ANOS DE IDADE: 1) HEMOGRAMA DO DIA 10/10/15 Série Vermelha: anemia normocítica/normocrômica leve. Série Branca: normal. Série Trombocítica: normal. 2) HEMOGRAMA DO DIA 14/01/16 Série Vermelha: anemia normocítica/normocrômica moderada com presença de eritroblastos. Série Branca: leucocitose acentuada, linfocitose relativa e absoluta e presença de 76% de blastos. Série Trombocítica: trombocitopenia leve. 3) HEMOGRAMA DO DIA 20/05/16 Série Vermelha: anemia normocítica/normocrômica acentuada com presença de eritroblastos. Série Branca: sem leucocitose, linfocitose relativa e absoluta e presença de 88% de blastos. Série Trombocítica: trombocitopenia acentuada. HIPÓTESE DIAGNÓSTICA: Leucemia Linfoblástica Aguda sem resposta ao tratamento. CASO CLÍNICO Nº 2 177 178 DISCUSSÃO FUNDAMENTADA DO PACIENTE E. N. DE 51 ANOS DE IDADE: 1) HEMOGRAMA DO DIA 10/02/15 Série Vermelha: normal. Série Branca: normal. Série Trombocítica: normal. 2) HEMOGRAMA DO DIA 18/04/15 Série Vermelha: anemia normocítica/normocrômica leve. Série Branca: leucocitose acentuada, neutrofilia de 88%, desvio à esquerda até neutrófilo bastão e presença de alterações qualitativas nos neutrófilos do tipo granulações grosseiras. Série Trombocítica: normal. 3) HEMOGRAMA DO DIA 21/04/15 Série Vermelha: anemia normocítica/normocrômica moderada. Série Branca: leucopenia, neutrofilia de 93%, desvio à esquerda até neutrófilo mielócito e presença de alterações qualitativas nos neutrófilos do tipo granulações grosseiras e vacuolização citoplasmática. Série Trombocítica: trombocitopenia moderada. HIPÓTESE DIAGNÓSTICA: septicemia com esgotamento da MEDULA ÓSSEA na linhagem granulocítica. 179 CASO CLÍNICO Nº 3 180 DISCUSSÃO FUNDAMENTADA DO PACIENTE J. N.S. DE 2 ANOS DE IDADE: 1) HEMOGRAMA DO DIA 21/04/15 Série Vermelha: normal. Série Branca: leucopenia, linfocitose, sem desvio à esquerda e presença de Linfócito Atípico Reacional (LAR) do tipo linfocitóide. Série Trombocítica: trombocitopenia moderada. 2) HEMOGRAMA DO DIA 26/04/15 Série Vermelha: normal. Série Branca: leucocitose leve, neutrofilia de 90%, desvio à esquerda até neutrófilo bastão e presença de alterações qualitativas nos neutrófilos do tipo granulações grosseiras. Série Trombocítica: normal. 3) HEMOGRAMA DO DIA 02/05/15 Série Vermelha: normal. Série Branca: normal. Série Trombocítica: normal. HIPÓTESE DIAGNÓSTICA: infecção viral com evolução para infecção bacteriana. 181 CASO CLÍNICO Nº 4 182 DISCUSSÃO FUNDAMENTADA DO PACIENTE A.S.A. DE 64 ANOS DE IDADE: 1) HEMOGRAMA DO DIA 11/01/16 Série Vermelha: anemia normocítica/normocrômica leve. Série Branca: normal. Série Trombocítica: normal. 2) HEMOGRAMA DO DIA 18/05/16 Série Vermelha: anemia normocítica/normocrômica moderada com presença de eritroblastos. Série Branca: leucocitose elevadíssima, neutrofilia, basofilia e presença de 6% de blastos. Série Trombocítica: trombocitose. 3) HEMOGRAMA DO DIA 22/10/16 Série Vermelha: anemia normocítica/normocrômica acentuada com presença de eritroblastos. Série Branca: sem leucocitose, neutrofilia, basofilia e presença de 26% de blastos. Série Trombocítica: trombocitopenia leve. 183 HIPÓTESE DIAGNÓSTICA: Leucemia Mielocítica Crônica em fase de agudização. LITERATURA CONSULTADA E MATERIAL BIBLIOGRÁFICO UTILIZADO 1) BEUTLER, Ernest, Williams. Hematology. 6ª ed. São Paulo: McGraw-Hill, 2001. 2) CARVALHO, William de Freitas. Técnicas médicas de hematologia e imuno-hematologia 7ª ed. Belo Horizonte: COOPMED. 3) FLEMANS, R.J.; HAYHOE, F.G.J. Um Atlas colorido de citologia hematológica.3ª ed. São Paulo: Artes Médicas, 1995. 4) JAMRA, Michel; LORENZI, Therezinha Ferreira. Leucócitos, leucemias, linfomas. Rio de aneiro: Guanabara Koogan, 1983. 5) LIMA, A. Oliveira; CANÇADO, J. Romeu. Métodos de laboratório aplicados a clinica: técnica e interpretação. 7ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2012. 6) OLIVEIRA, Halley Pacheco. Hematologia clínica. 3ª ed. São Paulo: Atheneu,1990. 7) SILVEIRA JUNIOR, A.O. Índice de atividade leucocítica. São Paulo: Santos, 1998. 8) VALLADA, Edgard Pinto. Manual de técnicas hematológicas. São Paulo: Atheneu, 2002. 9) JANNINI, Pedro. Interpretação Clínica do Hemograma. 14ª ed. São Paulo: Sarvier, 2010. 10) Manual de Técnicas Hematológicas. Professor José Olinto Miranda Vasconcelos - UFPA 11) Ilustrações e Texto do Infoblood 2. 12) HOFFBRAND, A.V. Fundamentos de Hematologia. 6ª ed. Porto Alegre: Editora Artmed, 2013. 13) LORENZI, Therezinha Ferreira. Manual de hematologia: propedêutica e clínica. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. 14) LORENZI, Therezinha Ferreira. Atlas de hematologia: clínica hematológica ilustrada. Rio de Janeiro: MEDSI, 2006. 15) RAPAPORT, Samuel I. Hematologia: introducão. 2. ed. São Paulo: Roca, 1990. 16) ENGEL, Cassio (Ed.). Medcurso 2012: hematologia: anemias parte 1. Rio de Janeiro: Medwriters, 2012.