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Sumário 
 
TECNOLOGIA DO HEMOGRAMA ............................................................................ 5 
COLETA ........................................................................................................................ 6 
ANTICOAGULANTE ................................................................................................... 7 
EXTENSÃO SANGUÍNEA ........................................................................................... 8 
COLORAÇÃO ............................................................................................................... 9 
Técnica de May Grünwald-Giemsa ................................................................................ 9 
AUTOMAÇÃO ............................................................................................................ 10 
HEMATOPOESE ......................................................................................................... 11 
ERITROPOESE ........................................................................................................... 14 
MORFOLOGIA DA LINHAGEM ERITROIDE ........................................................ 16 
Alterações morfológicas dos eritrócitos ....................................................................... 20 
HEMOGLOBINA ........................................................................................................ 26 
Síntese de Hemoglobina ............................................................................................... 27 
Degradação da hemoglobina ........................................................................................ 28 
ANEMIAS .................................................................................................................... 29 
CLASSIFICAÇÃO DAS ANEMIAS ........................................................................... 30 
CLASSIFICAÇÃO ETIOPATOGÊNICA DAS ANEMIAS ....................................... 31 
Anemias Hemolíticas .................................................................................................... 32 
Anemias Hipoproliferativas .......................................................................................... 32 
ANEMIAS HEMOLÍTICAS POR DEFEITO DE MEMBRANA .............................. 33 
ANEMIAS HEMOLÍTICAS - ENZIMOPATIAS ....................................................... 33 
ANEMIA HEMOLÍTICA - HEMOGLOBINOPATIAS ............................................. 34 
ANEMIAS HEMOLÍTICAS IMUNOLÓGICAS ........................................................ 37 
 
 
ANEMIAS HIPOPROLIFERATIVAS CARÊNCIAIS ............................................... 38 
ANEMIA APLÁSTICA OU APLASIA MEDULAR .................................................. 40 
LEUCÓCITOS ............................................................................................................. 40 
LEUCÓCITOS POLIMORFONUCLEARES (GRANULÓCITOS) ........................... 41 
Morfologia .................................................................................................................... 41 
Cinética e função dos polimorfonucleares (granulócitos) ............................................ 44 
Neutrófilos .................................................................................................................... 44 
Eosinófilos .................................................................................................................... 46 
Basófilos ....................................................................................................................... 47 
LEUCÓCITOS MONONUCLEARES ........................................................................ 48 
Linfócitos ...................................................................................................................... 48 
Monócitos ..................................................................................................................... 49 
ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS DOS LEUCÓCITOS ......................................... 50 
REAÇÃO LEUCEMOIDE ........................................................................................... 52 
Etapas do hemograma infeccioso ................................................................................. 52 
NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS .......................................................................... 53 
SÍNDROMES MIELO-PROLIFERATIVAS .............................................................. 54 
Leucemia Mieloide Crônica ......................................................................................... 54 
Metaplasia Mieloide Agnogênica (mielofibrose) ......................................................... 54 
Trombocitemia Essencial ............................................................................................. 55 
Policitemia Vera ........................................................................................................... 55 
LEUCEMIAS AGUDAS .............................................................................................. 55 
Leucemia linfoide aguda (LLA) ................................................................................... 56 
Leucemia mieloide aguda (LMA) ................................................................................ 56 
 
 
SÍNDROMES MIELO-DISPLÁSICAS (SMD) .......................................................... 57 
SÍNDROMES LINFO-PROLIFERATIVAS ............................................................... 59 
HEMOSTASIA ............................................................................................................ 61 
HEMOSTASIA PRIMÁRIA ........................................................................................ 63 
COAGULAÇÃO .......................................................................................................... 64 
FIBRINÓLISE .............................................................................................................. 68 
OUTROS FATORES DE REGULAÇÃO DA HEMOSTASIA .................................. 69 
DISTÚRBIOS DA HEMOSTASIA ............................................................................. 69 
Distúrbios Plaquetários ................................................................................................. 69 
Distúrbios Vasculares ................................................................................................... 70 
Distúrbios da coagulação plasmática ............................................................................ 70 
Trombose (alteração no equilíbrio: hemostasia e seu controle) ................................... 70 
ESTUDO LABORATORIAL DA HEMOSTASIA ..................................................... 71 
REFERÊNCIAS ........................................................................................................... 74 
 
 
 
5 
 
TECNOLOGIA DO HEMOGRAMA 
 
O sangue pode ser definido como sendo um tecido fluído circulante, constituído 
de células diferenciadas suspensas em um líquido complexo. As células, separáveis por 
centrifugação, pertencem a três categorias: os glóbulos brancos, os glóbulos vermelhos 
e as plaquetas. A fase líquida do sangue, denominada plasma, é formada por água, sais 
minerais, moléculas orgânicas (glicídios, proteínas e lipídios) e sais inorgânicos 
(principalmente o NaCl ). Após a coagulação, o fibrinogênio plasmático transforma-se 
em fibrina e, o plasma sem a proteína da coagulação, é denominado soro. 
 
FIGURA – COMPOSIÇÃO DO SANGUE 
 
 
http://jmarcosrs.wordpress.com/ 
 
 
O estudo do sangue tornou-se comum em decorrência do seu fácil acesso por 
punção venosa. Dentre os exames laboratoriais mais comuns, está o hemograma. Trata-
se de um exame para a avaliação quantitativa e qualitativados elementos figurados do 
sangue que visa esclarecer os mecanismos fisiopatológicos envolvidos, não só nas 
diversas doenças hematológicas, como também em doenças das mais diversas 
patogenias. 
O hemograma deve incluir a avaliação da série branca (leucograma), série 
vermelha (eritrograma) e das plaquetas (plaquetograma). Com relação a esse último, 
muitos laboratórios no Brasil ainda não o incluem no hemograma, anotando apenas se, 
 
6 
 
na avaliação do esfregaço sanguíneo, o número de plaquetas pareceu-lhes normal, 
aumentado ou diminuído. Entretanto, com o emprego crescente de contadores 
eletrônicos que incluem a contagem de plaquetas, não parece lógico negar ao paciente 
esse dado relevante. 
 
COLETA 
 
 Para os exames rotineiros de patologia clínica recomenda-se a utilização de 
sangue colhido por punção venosa, feita em veias do antebraço. 
 
 
FIGURA – LOCAL DE COLETA 
 
 
O tempo de garroteamento não deve ultrapassar a um minuto para evitar 
hemoconcentração. A coleta pode ser feita por seringa e agulha ou pelo sistema a vácuo, 
cuja vantagem consiste na padronização da coleta, pois o volume de sangue a ser 
coletado é preestabelecido (vácuo) e sempre será proporcional à quantidade de 
anticoagulante contido no tubo de coleta. 
 
 
 
 
7 
 
FIGURA - GARROTEAMENTO 
 
 
 
ANTICOAGULANTE 
 
 
Por sua ação quelante ao Cálcio e impedir a agregação plaquetária, o EDTA 
(Ácido Etilendiaminotetracético) é o anticoagulante de escolha para o hemograma, 
sendo o EDTA tripotássico (EDTA K3) preferível sobre o dipotássico e sobre o 
dissódico, por ser mais solúvel no sangue. Para que todo o Cálcio presente na amostra 
seja quelado pelo anticoagulante e todo o anticoagulante seja neutralizado pelo Cálcio, 
recomenda-se utilizar 2 mg de EDTA para cada ml de sangue. No comércio, encontra-se 
EDTA a 10%. Daí, obedecendo à relação acima, temos: 
 
0,1ml ( 100µl ) de EDTA ..................................................5ml de sangue 
 ( 50µl ) de EDTA ..................................................2,5ml de sangue 
 ( 25µl ) de EDTA ..................................................1,25ml de sangue 
 
 Em caso de preparo do EDTA tripotássico, proceder: 
 EDTA tripotássico..................................................10g 
 Água destilada qsp...................................................100ml 
 
Utilizar 100µl dessa solução para cada 5 ml de sangue coletado ou conforme 
relação acima. 
Após a coleta deve-se homogeneizar o sangue por inversão, pelo menos cinco 
vezes consecutivas. 
 
8 
 
 
 
EXTENSÃO SANGUÍNEA 
 
 
O ideal é que se faça a extensão sanguínea em lâmina com sangue sem 
anticoagulante, imediatamente após a coleta. O anticoagulante pode alterar a morfologia 
leucocitária após uma hora de contato com o sangue. A lâmina a ser usada para extensão 
deve estar completamente limpa e desengordurada. A lâmina extensora deve ter uma 
borda uniforme e sem ranhura. Recomenda-se que o ângulo formado entre a lâmina e a 
lâmina extensora deve ser de 45° para que o comprimento do esfregaço sanguíneo não 
seja curto demais e nem atinja o final da lâmina. 
FIGURA – EXTENSÃO SANGUÍNEA 
 
 
 
 
9 
 
 
COLORAÇÃO 
 
 
Para que o examinador tenha plena confiança em obter um correto diagnóstico 
laboratorial, é preciso que se faça uma boa extensão sanguínea aliada a uma boa 
coloração. As colorações hematológicas usuais em laboratórios são ditas “panópticas”, 
pois o material depois de corado permite a visualização de todos os elementos do 
sangue. Os corantes hematológicos são misturas de sais ácidos e básicos que permitem a 
coloração de estruturas citoplasmáticas e nucleares das células. A grande preocupação 
em coloração de lâminas para hematologia é a variação do pH da água nos diversos 
laboratórios. Nesses casos, deve-se tamponar a água. No método de May Grünwald-
Giemsa, por exemplo, o pH deve estar em torno de 6,8 ( ± 0,2 ). Os corantes rápidos 
utilizados hoje nos laboratórios levam a vantagem de não depender do pH da água, além 
da rapidez da coloração que dura em média 60 segundos. 
 
Técnica de May Grünwald-Giemsa 
 
 
a - Preparo dos reagentes: 
 
May Grünwald (eosina-azul de metileno) = dissolver 0,3 g do sal em 100 ml de 
metanol. Guardar sete dias em frasco âmbar, homogeneizando diariamente. 
Giemsa (eusina-azul-azur de metileno) = dissolver 1 g de sal em 66 ml de 
glicerol. Deixar em banho-maria a 56ºC por duas horas. Após este período deixar 
adquirir temperatura ambiente e adicionar 66 ml de metanol. Deixar sete dias em frasco 
âmbar e no escuro homogeneizando diariamente. Filtrar. Para uso, diluir 1 gota dessa 
solução estoque para cada ml de água. 
b-Coloração da lâmina: 
1-Cobrir a lâmina com May Grünwald, deixar 4 minutos; 
2-Adicionar 10 a 20 gotas de água, pH 6,8 ( ± 0,2 ), deixar 1 minuto; 
3-Escorrer a solução; 
4-Cobrir a lâmina com o Giemsa diluído, deixar 15 minutos; 
5-Escorrer a solução e lavar a lâmina em água corrente; 6-Limpar a parte de trás 
 
10 
 
e deixar secar. 
 
 
AUTOMAÇÃO 
 
 
A contagem manual de Eritrócitos, Leucócitos e Plaquetas em câmaras 
(Neubauer) está em desuso, para não dizer abandonada. Tendo como vantagens o menor 
tempo, o menor custo, maior reprodutibilidade, maior acurácia, menor coeficiente de 
variação, a automação está generalizada hoje nos laboratórios. Até mesmo a avaliação 
microscópica da extensão sanguínea, que é de fundamental importância, perde em 
qualidade para a contagem diferencial automatizada, devido ao número de células 
contadas (100 na primeira e de 5 mil a 10 mil células na segunda ). Veja abaixo algumas 
diferenças entre o sistema automatizado e o sistema manual com relação à variação das 
contagens (WINTROBE, 1998). 
 
 Manual Automatizado 
Hemácias ±11% ±1,0% 
Leucócitos ±16% ±1,5% 
Plaquetas ±22% ±2,0% 
Reticulócitos ±34% ±5,0% 
Hemolobina 1 a 2% <1,0% 
 
Os avanços tecnológicos nas contagens hematológicas passaram pelos princípios 
da impedância, fluorescência e raio laser. Os sistemas atuais permitem medir 
simultaneamente múltiplas características físicas de uma célula, tais como o tamanho 
celular relativo, a granularidade celular relativa (complexidade celular), intensidade de 
fluorescência relativa. Estas medidas são executadas em cada célula que, sobre um fluxo 
de fluído, migra por meio de um tubo extremamente fino. 
 
 
 
 
11 
 
FIGURA – PRINCÍPIOS DE AUTOMAÇÃO 
 
 
 
Diante das opções de mercado existentes hoje, sugere-se que a escolha de um 
aparelho de automação passe por algumas avaliações como tipo de serviço que o 
laboratório atende, a quantidade de exames realizados diariamente, necessidade de 
novos parâmetros hematológicos para atender necessidades clínicas (variações 
plaquetárias, contagem de reticulócitos, p.ex. ). Uma vez implantada, a automação deve 
obedecer a rigorosos protocolos, seja para manutenção, bem como para controle de 
qualidade com a utilização de calibradores e controles diários. 
 
 
HEMATOPOESE 
 
 
A hematopoese é um processo altamente dinâmico que compreende a produção, 
diferenciação, maturação e morte celular. Inicia-se na fase uterina, nos períodos 
embrionário e fetal, em que se identificam três fases: período mesoblástico, 
hepatoesplênico e mieloide. 
O período mesoblástico inicia-se entre a 3ª e 4ª semana de gestação e, a partir da 
camada germinativa mesoderma, formam-se as célulassanguíneas primitivas - Stem 
Cell - e originam-se as células endoteliais primitivas que darão origem aos vasos 
sanguíneos. 
 
 
FONTE: SILVA, 2003. 
 
12 
 
No período hepatoesplênico o fígado torna-se o principal sítio de 
desenvolvimento das células. O baço, o timo e os linfonodos também produzem células 
sanguíneas nessa fase. Aparecem inicialmente os glóbulos vermelhos, alguns 
megacariócitos e glóbulos brancos. 
Entre o 5º e o 7º mês de gestação a medula óssea assume a produção de células. 
É o período mieloide, em que encontramos na medula glóbulos brancos, glóbulos 
vermelhos, plaquetas e seus precursores. 
Na fase extrauterina, sendo a medula o principal sítio de produção de células 
sanguíneas, o fígado e o baço perdem a função produtiva e passam a participar do 
processo de destruição celular. 
Na criança, aproximadamente 90% dos ossos apresentam medula produtiva de 
células sanguíneas (medula vermelha). A partir do 4º ano de vida começam a aparecer 
depósitos de tecido adiposo nos ossos longos (medula amarela). No adulto, 
aproximadamente 50% dos ossos são produtores de células e, no idoso, 
aproximadamente 30%. 
 
 
FIGURA – DIFERENÇA DE MEDULA ÓSSEA DURANTE AS FASES DA 
VIDA 
 
 
 
13 
 
 
Em condições normais, a medula de um adulto é capaz de produzir centenas de 
bilhões de células por dia, entre eritrócitos, leucócitos e plaquetas. Todas essas células 
são derivadas da célula tronco denominada “Stem Cell” pluri ou totipotente, com 
potencial de proliferação e diferenciação, ou seja, com capacidade de se autorrenovar, 
produzindo células “filhas” com capacidade de diferenciação sendo mediado por fatores 
de crescimento e influenciado por microambientes medulares. A interação desses 
fatores com a Stem Cell leva à produção de Unidades Formadoras de Colônias - CFU - 
que vão dar origem a duas linhagens: mieloide e linfoide. 
FIGURA – LINHAGENS CELULARES - HEMATOPOESE 
 
FONTE: SILVA, 1999. 
 
14 
 
 
 
A medula óssea é constituída de vasos sanguíneos, proteínas, células adiposas, 
células endoteliais, fibroblastos, histiócitos. O suprimento de sangue é feito 
principalmente pela artéria nutriente que penetra no córtex medular pelo canal nutriente. 
Na cavidade medular, essa se bifurca nas artérias medulares ascendentes e 
descendentes, as quais se ramificam na face interna do córtex. Após a entrada na matriz 
medular, as artérias se transformam em uma rede de capilares que abastece as células 
hematopoéticas. Esses capilares desembocam então em um vaso central em que o 
sangue penetra no sistema venoso pelas veias emissárias. Nesse ambiente são 
produzidos fatores que estimulam a proliferação e diferenciação das células 
hematopoéticas. 
 
FIGURA – ESPAÇO EXTRAVASCULAR 
 
 
 
ERITROPOESE 
 
 
Como vimos anteriormente, toda a hematopoese se origina da “Stem Cell” pluri 
ou totipotente. Segundo Silva, 1999, “para que a eritropoese se desenvolva é necessário 
que ocorra a proliferação e diferenciação das células Stem Cell. A primeira com o 
sentido de que se forme a massa eritrocitária do corpo humano (Eritron), e a segunda 
com o sentido de maturação, a formação de uma célula repleta de hemoglobina e capaz 
 
15 
 
de fazer a oxigenação dos tecidos”. 
 
 
 
FIGURA – STEM CELL 
 
FONTE: SILVA, 1999. 
 
 
Este conjunto de células eritrocitárias - eritron - deve ser mantido em número 
constante no organismo, por meio do equilíbrio entre a produção e destruição 
eritrocitária. 
O principal fator de crescimento para a linhagem eritrocitária é a Eritropoetina 
(EPO), um hormônio polipeptídico produzido pelo rim (90%) e fígado (10%), cuja 
produção é regulada pela pressão de oxigênio nos tecidos. Sua produção aumenta com a 
hipóxia tecidual e diminui com a heperventilação. Além da EPO, para uma eritropoese 
eficaz e completa são necessários fatores exógenos que participam da síntese de DNA e 
proliferação celular, como o ácido fólico e a vitamina B12, e que participam da 
 
16 
 
maturação e hemoglobinização da célula, como o Ferro e a vitamina B6. 
 
FIGURA – FATOR DE CRESCIMENTO – ERITROPOETINA - EPO 
 
 
MORFOLOGIA DA LINHAGEM ERITROIDE 
 
BFU-E → Unidade formadora de colônias burst (inglês = explosão) está 
próxima à Stem Cell e é considerada a precursora da CFU-E. 
CFU-E → Estas células estão muito próximas aos eritroblastos. A CFU-E pode 
originar, em 5 a 8 dias, colônias de eritroblastos com 8 a 50 células. 
 
Pró-eritroblasto → É uma célula grande (14 a 19 µm de diâmetro), redondo ou 
oval, com núcleo grande ocupando 80% da célula, com nucléolos e cromatina frouxa, e 
um citoplasma intensamente basófilo. Nesse estágio de maturação, pequenas 
quantidades de hemoglobina estão presentes, porém não evidenciáveis pela coloração 
normal. É uma célula que se prepara para um período de intensa síntese de hemoglobina 
e, portanto exibe grande quantidade de organelas e moléculas com esta finalidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
17 
 
FIGURA – PRÓ-ERITROBLASTO 
 
http://misodor.com/SERIE%20VERMELHA.php 
 
 
Eritroblasto basófilo → Similar, porém menor que o pró-eritroblasto (12 a 17 
µm de diâmetro), e os nucléolos nem sempre visíveis. Começa a condensação da 
cromatina nuclear. 
 
 
FIGURA – ERITROBLASTO BASÓFILO 
 
http://misodor.com/SERIE%20VERMELHA.php 
 
 
Eritroblasto policromático → A relação núcleo/citoplasma, diminui e aparecem 
as primeiras zonas de hemoglobinização na região perinuclear de cor acinzentada 
resultante da acidofilia da hemoglobina. 
 
 
 
18 
 
 
FIGURA – ERITROBLASTO POLICROMÁTICO 
 
http://misodor.com/SERIE%20VERMELHA.php>. 
. 
 
Eritroblasto ortocromático → caracteriza-se pelo núcleo picnótico, geralmente 
excêntrico em que a cromatina atinge o máximo de condensação antes de ser expulso. O 
citoplasma é quase que completamente hemoglobinizado. 
 
FIGURA – ERITROBLASTO ORTOCROMÁTICO 
 
http://misodor.com/SERIE%20VERMELHA.php 
 
19 
 
 
 
Reticulócito → A célula assume esta denominação após a expulsão do núcleo, 
mas mantém no citoplasma vestígios de RNA que precipitam nas colorações supravitais 
na forma de retículos ou grumos. Permanecem por 24 a 48 horas no sangue periférico 
até se transformarem em eritrócito. 
 
 
FIGURA- RETICULÓCITO 
 
http://misodor.com/SERIE%20VERMELHA.php 
 
Eritrócito → É a célula mais madura da linhagem eritroide. Apresenta forma de 
disco bicôncavo de coloração alaranjada, com diâmetro entre 7 a 8 µm, não possui 
núcleo e é incapaz de sintetizar hemoglobina. Seu citoplasma é constituído de uma 
solução de proteínas, eletrólitos, glicose e água, sendo que mais de 95% da proteína é 
representada pela hemoglobina. Sua membrana é composta por proteínas, lipídios e 
carboidratos. 
 
 
 
20 
 
FIGURA – ERITRÓCITO 
 
http://emecolombia.foroactivo.com/ 
 
A vida média do eritrócito é de 120 dias. Nessa jornada a obtenção de energia se 
dá principalmente pela glicólise anaeróbica, já que não possui núcleo, ribossomos ou 
mitocôndrias. Após esse período, são retirados da circulação pelo sistema mononuclear 
fagocitário (especialmente o baço). Alterações no conteúdo proteico, seja estrutural ou 
quantitativa, podem acelerar a hemólise do eritrócito. 
 
 
Alterações morfológicas dos eritrócitos 
 
 
Em uma avaliação microscópica do esfregaço sanguíneo podemos observar 
alterações de tamanho, forma, coloração e de estrutura (inclusões) nos eritrócitos. 
 
• Alterações de tamanho: 
Os eritrócitos de tamanho normal (entre 81 e 97 fentolitros) são chamados de 
normócitos. Abaixo de 81 fentolitros são chamados de micrócitos e podem ser 
observadas em crianças, nas talassemias, nas anemias ferroprivas instaladas, nas 
anemias sideroblásticas e anemias de doenças crônicas. Acima de 97 fentolitros são 
chamados de macrocíticos e podem ser observadasno alcoolismo, doenças hepáticas, 
anemias hemolíticas crônicas com aumento do número de reticulóticos ou na crise 
hemolítica. 
No hemograma, o índice que mede o tamanho médio dos eritrócitos e o VCM 
 
21 
 
(volume corpuscular médio). A variação de tamanho das diversas populações de 
eritrócitos é dada pelo RDW (amplitude da dimensão de hemácias). Quando há uma 
grande variação no tamanho dos eritrócitos chamamos de anisocitose e o RDW estará 
aumentado. 
 
• Alterações de forma: 
Quando observamos a alteração da forma discoide do eritrócito chamamos de 
poiquilocitose. 
 
 Esferócitos → São células redondas, não apresentam o halo central e são 
menores que o eritrócito normal. Aparecem na esferocitose hereditária, anemias 
hemolíticas adquiridas e transfusões. 
 
FIGURA – ESFERÓCITOS 
 
http://www.laborpad.xpg.com.br/hemato.htm 
 
Eliptócitos e ovalócitos → São hemácias de formato elíptico ou oval. Aparecem 
em grande quantidade na eliptocitose hereditária, e podem aparecer na anemia 
ferropriva e anemia megaloblástica. 
 
 
 
22 
 
FIGURA – ELIPTÓCITOS E OVALÓCITOS 
 
http://www.ciencianews.com.br 
Equinócito ou hemácias crenadas → Apresentam pequenos espículos ao redor da 
hemácia. Aparece na cirrose hepática pós-alcoolismo, estado de má absorção e 
deficiência de vitamina E, anemias hemolíticas. 
 
 FIGURA - EQUINÓCITO 
 
http://www.oocities.org/br/carolparada/hematologia/celulassangue1.htm 
 
Codócitos ou células em alvo → apresentam um halo central em forma de alvo e 
podem ser vistos em casos de talassemias, hemoglobinopatias. 
 
 
 
23 
 
FIGURA – CÉLULAS EM ALVO 
 
http://www.ciencianews.com.br/ 
 
Esquizócitos → São células pequenas e fragmentadas que podem ser vistas na 
anemia hemolítica microangiopática, nas hemólises traumáticas e queimaduras. 
 
 
FIGURA - ESQUIZÓCITOS 
 
http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Schizocyte_smear_2009-1222.JPG 
 
Drepanócitos →São células em forma de foice ou de meia-lua, decorrente da 
cristalização de hemoglobinas anormais, característica da anemia falciforme. 
 
 
 
 
24 
 
FIGURA – DREPANÓCITOS 
 
http://hemoglobinas.wordpress.com/2008/04 
 
Dacriócitos →São células em forma de gota ou de lágrima, encontradas na 
mielofibrose e em talassemias. 
 
 
FIGURA – DACRIÓCITOS 
 
http://www.hemoglobinopatias.com.br/dialab/dialab-index.htm 
 
 
Alteração de coloração: 
 
A intensidade da coloração da hemácia está relacionada à quantidade de 
hemoglobina nela contida. A hipocromia se caracteriza por um halo central maior e 
mais claro na hemácia com pouco conteúdo de hemoglobina. No hemograma, a 
 
25 
 
hipocromia está correlacionada ao índice HCM. A policromasia ou policromatofia 
refere-se aos eritrócitos de coloração azul acinzentada devido à presença de RNA e 
correspondem aos reticulócitos, (identificados pela coloração supravital azul cresil 
brilhante). 
 
FIGURA – ALTERAÇÃO NA COR 
 
 
 A - Hipocromia B - policromasia 
 
 
Alteração de estrutura: 
 
Ocorre quando se observa a presença de inclusões citoplasmáticas. 
 
Ponteado basófilo → São pequenas inclusões dispersas no citoplasma que 
correspondem a agregados de cromossomos e precipitados de mitocôndrias. Estão 
presentes nas talassemias, anemia megaloblástica, alcoolismo e intoxicação pelo 
chumbo e arsênico. 
FIGURA – PONTEADO BASÓFILO 
 
 
26 
 
 
 
Corpúsculo de Howell-Jolly → São partículas remanescentes de cromatina 
nuclear (DNA) que se apresentam como pontos redondos e densos de coloração. 
Aparecem nas anemias megaloblásticas, após esplenectomia, e em anemias hemolíticas. 
Estas inclusões podem aparecer na forma de anel simples ou duplo (em forma de oito), 
denominados de Anéis de Cabot. 
 
FIGURA – CORPÚSCULO DE HOWELL JOLLY (A) E ANEL DE CABOT 
(B). 
 
 
A B 
 
HEMOGLOBINA 
 
A hemoglobina é uma proteína contida no interior do eritrócito cuja função é de 
transportar o oxigênio para os tecidos, além de facilitar a excreção do gás carbônico. 
Sua estrutura molecular consiste em 4 cadeias de globinas (cadeias de aminoácidos 
reunidos por ligações peptídicas), e 4 grupos heme (grupo prostético ao qual está ligado 
o átomo de ferro que se liga ao oxigênio). 
Segundo Naoum (1997), “a molécula de hemoglobina é, portanto, um tetrâmero 
de cadeias de globina formada por duas cadeias de globina do tipo alfa e duas do tipo 
beta”. Daí, as combinações entre as diferentes globinas determinam os seis tipos de 
hemoglobinas humanas produzidas nas fases do desenvolvimento (embrionário, fetal e 
pós-nascimento). A síntese de determinado tipo de hemoglobina em cada uma destas 
fases visa a melhor adaptação e maior eficácia na atividade de transporte de oxigênio. 
 
27 
 
 
FIGURA – ESTRUTURA DA HEMOGLOBINA 
 
 
 
 
TABELA - HEMOGLOBINAS HUMANAS DIFERENCIADAS PELAS 
COMBINAÇÕES DE CADEIAS DE GLOBINA, CONFORME A FASE DE 
DESENVOLVIMENTO 
 
FONTE: NAOUM, 1997. 
 
 
Síntese de Hemoglobina 
 
A síntese da heme realiza-se nas mitocôndrias dos eritroblastos, em que todas as 
enzimas necessárias se encontram presentes. 
 
28 
 
 
 
FIGURA – SÍNTESE DO HEME 
 
 
 
A síntese da globina ocorre nos ribossomos e se dá segundo o esquema geral da 
síntese das proteínas. É iniciada pela expressão de genes estruturais herdados. 
 
Degradação da hemoglobina 
 
O eritrócito normal tem uma sobrevida média de 120 dias e morre por 
envelhecimento, devido ao fato da célula anucleada ser incapaz de renovar seu estoque 
de enzimas que se esgota lentamente. Após esse período, é retirado de circulação pelos 
macrófagos do sistema mononuclear fagocitário. Os estromas são decompostos no 
citoplasma dos macrófagos. A porção globina é degradada e os aminoácidos 
reaproveitados. A heme é clivada e o ferro reutilizado, sendo que os anéis pirrólicos são 
transformados em pigmentos, liberados no plasma na forma de bilirrubina, que se liga à 
 
29 
 
albumina (bilirrubina indireta). No fígado, é conjugada com ácido glicurônico 
(bilirrubina direta). Parte desta bilirrubina direta é eliminada nas fezes na forma de 
estercobilinogênio, e o restante é reabsorvido e eliminado pelos rins como 
urobilinogênio. 
 
 
ANEMIAS 
 
Podemos definir anemia como sendo a diminuição da hemoglobina circulante 
abaixo dos valores normais, levando-se em consideração a faixa etária e o sexo. Quando 
pobre em hemoglobina e eritrócitos, o sangue anêmico mostra-se descorado, com baixa 
viscosidade e incapaz de carrear oxigênio com a devida eficácia. Isso leva a uma 
deficiência de suprimento de oxigênio para os tecidos do organismo. Dessa alteração, e 
das reações homeostásicas compensadoras, decorrem sinais e sintomas de anemia tais 
como: palidez, anorexia, náuseas, irritabilidade, cefaleia, tontura, insônia, 
fadigabilidade, entre outros. 
A anemia sempre resulta de um desequilíbrio entre a produção e a destruição de 
glóbulos vermelhos. As anemias decorrentes da produção insuficiente da medula são 
denominadas arregenerativas, enquanto que as anemias decorrentes da destruição 
acelerada das hemácias são ditas regenerativas, uma vez que a medula estimulada pelo 
aumento de produção de eritropoetina devido à hipóxia sofre hiperplasia eritrocitária 
compensadora com produção aumentada de reticulócitos. 
 
 
FIGURA - ANEMIA 
 
 
30 
 
 
 
 
Para o laboratório de análises clínicas o diagnóstico baseia-se na interpretação 
dos valores das contagens corpusculares associada a alterações morfológicas dos 
eritrócitos. Assim, quando observamos no hemograma variações dos índices VCM 
(Volume Corpuscular Médio), HCM (Hemoglobina Corpuscular Média), RDW 
(Amplitude da Dimensão de Hemácias). Além do hematócrito e hemoglobina, é 
possível chegar a uma classificação morfológica da anemia. 
 
 
CLASSIFICAÇÃODAS ANEMIAS 
 
 
Morfologicamente para fins de diagnóstico laboratorial podemos classificar as 
anemias em: normocíticas e normocrômicas, microcíticas e hipocrômicas, e em 
macrocíticas. 
 
 
 
 
 
 
FIGURA – CLASSIFICAÇÃO MORFOLÓGICA DAS ANEMIAS 
 
31 
 
 
FONTE: SILVA, 1999. 
 
 
CLASSIFICAÇÃO ETIOPATOGÊNICA DAS ANEMIAS 
 
 
Levando-se em consideração aspectos fisiológicos, as anemias podem ser 
classificadas, de acordo com sua causa principal, em: 
 
1- Hemorrágicas; 
2- Hemolíticas; 
3- Hipoproliferativas. 
 
Anemias Hemorrágicas 
 
 
-Agudas → hemorragias por traumatismos, grandes cirurgias. São geralmente 
normocíticas e normocrômicas. 
-Crônicas → Perda lenta e constante de sangue, geralmente por lesões 
ulcerativas do tubo gastrointestinal e distúrbios ginecológicos. Quando não tratadas 
podem se tornar microcíticas e hipocrômicas porque se instala uma deficiência de ferro. 
 
 
32 
 
 
Anemias Hemolíticas 
 
 
A hemólise é a diminuição da sobrevida dos eritrócitos (120 dias) anormais ou 
alterados, que conduz a uma destruição diária aumentada. As anemias hemolíticas 
podem ser: 
 
-Genéticas: 
→ Defeitos de membrana = esferocitose, eliptocitose; 
→ Enzimopatias = deficiência de G-6PD e piruvatoquinase; 
→ Hemoglobinopatias = Anemia falciforme, talassemia, hemoglobinas 
instáveis. 
 
-Adquiridas: 
→ Mediada por anticorpos: 
- Doença hemolítica do recém-nascido; 
- Anemia hemolítica autoimune; - Reações transfusionais. 
→ Hemólise Mecânica = microangiopática, próteses valvares. 
→Infecções = malária, pneumonia pneumocócica, bartonela, clostridum welchii. 
→ Agentes físicos = queimaduras. 
→ Agentes químicos = intoxicação por metais pesados. 
→ Hemoglobinúria paroxística noturna. 
 
 
Anemias Hipoproliferativas 
 
 
São anemias decorrentes de uma eritropoese ineficaz, devido à: 
 
- Deficiência nutricional → deficiência de ferro, ácido fólico ou vitamina 
B12; 
- Requerimentos aumentados → gravidez (deficiência de ferro, folato ou 
 
33 
 
B12); 
- Insuficiência da medula óssea → infiltração maligna, infecções, drogas. 
 
 
ANEMIAS HEMOLÍTICAS POR DEFEITO DE MEMBRANA 
 
 
Esferocitose hereditária → É uma doença autossômica dominante em que o 
defeito está nas proteínas que participam da interação vertical: espectrina, proteína 4.1, 
anquirina e proteína de banda 3. Esse defeito, pela redução da superfície da membrana, 
leva à formação do esferócito, que é destruído precocemente no baço. O CHCM 
(Concentração de Hemoglobina Corpuscular Média) pode chegar a mais de 40. O 
reticulócito está entre 5% a 25%. Na avaliação morfológica eritrocitária podemos 
encontrar policromasia, poiquilocitose, anisocitose, esferócitos e eritroblastos. Há um 
aumento da bilirrubina indireta. O diagnóstico pode ser confirmado pelo teste de 
fragilidade osmótica (aumentada) e eletroforese de proteínas de membrana. 
Eliptocitose hereditária → O defeito está na interação horizontal da membrana 
e especificamente nos dímeros, alfa e beta da espectrina. A hemólise é discreta, levando 
a um aumento da bilirrubina indireta e da contagem de reticulócitos. Na morfologia 
eritrocitária mais de 25% dos eritrócitos estão na forma elíptica. 
 
 
ANEMIAS HEMOLÍTICAS - ENZIMOPATIAS 
 
 
Deficiência de Glicose-6-fosfatodesidrogenase (G-6PD) → É uma doença 
hereditária ligada ao sexo (cromossomo X). A hemólise ocorre porque, na deficiência de 
G-6PD, a hemoglobina de oxida, a heme se libera da globina e essa se desnatura 
formando corpos de Heinz, os quais ocasionam uma rigidez da membrana, e esses 
eritrócitos serão hemolisados na microcirculação esplênica. Os episódios de hemólise 
podem ser desencadeados por processos infecciosos, diabetes e pela exposição a agentes 
e drogas oxidantes. O diagnóstico pode ser confirmado por dosagem de G-6PD e 
pesquisa de corpos de Heinz. 
 
34 
 
Deficiência de piruvatoquinase (PK) → É uma doença hereditária autossômica 
recessiva que resulta numa deficiente produção de ATP. A hemólise é crônica, 
normocítica e normocrônica. 
 
 
ANEMIA HEMOLÍTICA - HEMOGLOBINOPATIAS 
 
 
Anemia falciforme → A hemoglobinopatia S (sickle cell disease) é resultado de 
uma mutação da cadeia beta da globina, com a troca do aminoácido ácido glutâmico 
pelo aminoácido valina, que resulta na formação de uma hemoglobina anormal HbS. 
Esta troca de aminoácido abala a estrutura da molécula favorecendo a polimerização e a 
formação de tactoides, sob condições de baixo teor de oxigênio ou baixo pH. Os 
tactoides são rígidos e cristais capazes de deformar o eritrócito, fazendo com que o 
mesmo assuma a forma de foice e consequente hemólise. Esse processo é reversível 
com a reoxigenação. Pacientes homozigotos (HbS/HbS) desenvolvem a doença 
falciforme, enquanto os pacientes heterozigotos (HbS/HbA) apresentam o estigma ou 
traço falcêmico sem alterações clínicas evidentes. Os achados laboratoriais são: 
diminuição da concentração de hemoglobina; VCM variando de microcítico a 
macrocítico; HCM e CHCM com valores baixos; reticulocitose, policromasia, 
poiquilocitose; presença de eritroblastos, ponteado basófilo e drepanócitos (hemácias 
em foice). O diagnóstico é confirmado pelo teste de falcização e pela eletroforese de 
hemoglobina. 
Hemoglobinopatia C → É resultado de uma mutação na cadeia beta da globina, 
com a troca do aminoácido ácido glutâmico pelo aminoácido lisina. A consequência 
dessa mutação é a cristalização da hemoglobina na parte central do eritrócito, 
caracterizando a célula em alvo. O diagnóstico é feito pela eletroforese de hemoglobina 
que mostrará bandas na posição de A1 e C. A anemia quando presente é geralmente 
normocítica e normocrômica e o achado característico na extensão sanguínea é o 
codócito. 
Talassemias → A talassemia é uma hemoglobinopatia devido à falta ou 
produção insuficiente de cadeias de globina. Portanto, é a quantidade que interfere na 
função da hemoglobina e não a qualidade, a qual está preservada. Quando isso ocorre 
 
35 
 
nas cadeias do tipo alfa, têm-se as alfas talassemias, e quando ocorre nas cadeias do tipo 
beta têm-se as betas talassemias. Como se vê, a classificação das talassemias se dá de 
acordo com a cadeia polipeptídica afetada. Assim, as alfas talassemias ocorrem por 
deleções que envolvem os genes alfa e mutações (não deleções) que afetam a expressão 
do gene. 
As alfas talassemias podem ter manifestações clínicas severas ou serem 
assintomáticas, e são classificadas em: 
 
- Hidropisia fetal: 
→ Hemoglobina de 4 a 10,0 g/dl 
→ Anisopoiquilocitose +++ 
→ Microcitose +++ 
→ Presença de eritroblastos 
→ Reticulocitose variável 
→ Hb Bart’s 80% 
→ Hb Portland 20% 
→ HbH não detectado 
- Doença de hemoglobina H: 
→ Hemoglobina de 7 a 10,0 g/dl 
→ Microcitose +++ → Hipocromia +++ 
→ Reticulócitos de 5% a 10% 
- Alfa talassemia minor: 
→ Anemia discreta, se presente, 
→ Anisopoiquilocitose variável 
→ Microcitose em torno de 72 fentolitros 
→ Hipocromia com HCM em torno de 22 picogramas 
→ CHCM em torno de 31 
- Portador silencioso: 
→Sem características clínicas e laboratoriais de anemia por deficiência de 
síntese de cadeia alfa. 
 
TABELA – CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E HEMATOLÓGICAS DAS 
ALFAS 
 
36 
 
TALASSEMIAS 
 
FONTE: SILVA, 1999. 
 
 As betas talassemias ocorrem pela deficiência de produção de cadeia beta, e 
podem ser: 
- Talassemia beta homozigótica (Major) 
→ A beta talassemia major é a forma mais severa com intensa microcitose e 
hipocromia. A morfologia eritrocitária apresenta ainda poiquilocitose intensa, 
anisocitose, células em alvo, policromasia, ponteado basófilo e eritroblastos. Dividese 
em: Beta+Beta+ (deficiência acentuada da produção de cadeias beta) e Beta0Beta0 
(Ausência de produção de cadeias beta) 
- Talassemia beta heterozigótica(Minor) 
→ A beta talassemia minor apresenta manifestações clínicas discretas ou são 
assintomáticas. A concentração de hemoglobina está acima de 10,0 g/dl e podem 
apresentar na extensão sanguínea hipocromia, microcitose, codócitos e ponteado 
basófilo. 
 
 
 
37 
 
TABELA – CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E HEMATOLÓGICAS DAS 
BETA TALASSEMIAS 
 
FONTE: SILVA, 1999. 
 
Hemoglobinúria paroxística noturna → É uma doença hemolítica adquirida 
causada por um defeito estrutural da membrana celular eritroide resultante de um clone 
anormal da Stem cell, onde os glóbulos vermelhos passam a ter maior sensibilidade ao 
complemento, o que leva à hemólise. Esta hemólise acontece principalmente à noite, 
quando há um decréscimo de pH sanguíneo durante o sono. Pode haver anemia severa 
com hemoglobina em torno de 6 g/dl. Ocorre hemoglobinúria, perda de ferro sob a 
forma de hemossiderina. Pode-se observar ao esfregaço sanguíneo macro ou 
microcitose, hipocromia, policromasia. Apresenta reticulocitose, leucopenia e 
trombocitopenia. O teste de HAM é utilizado para se verificar a sensibilidade das 
hemácias ao complemento em soro acidificado. 
 
 
ANEMIAS HEMOLÍTICAS IMUNOLÓGICAS 
 
Autoimunes → Ocorre quando o sistema imunológico do paciente deixa de 
reconhecer os seus próprios antígenos e passa a formar anticorpos dirigidos às suas 
próprias células ou tecidos. Cerca de 70% dessas anemias são secundárias a doenças 
 
38 
 
como: lupus, eritematoso sistêmico, leucemia linfocítica crônica, linfomas, tumores, 
infecções virais e síndromes de imunodeficiência. O teste de COOMBS direto é 
positivo. 
Isoanticorpos → Estão relacionados à doença hemolítica do recém-nascido e 
com as reações hemolíticas transfusionais. 
Provocados por drogas → Formação de microcomplexos que interagem com a 
membrana eritrocitária causando hemólise. O teste de COOMBS direto é positivo. 
 
ANEMIAS HIPOPROLIFERATIVAS CARÊNCIAIS 
 
 Anemia megaloblástica → É uma anemia macrocítica não hemolítica 
decorrente da deficiência dos fatores de reprodução da eritropoese, especificamente pela 
falta de vitamina B12 e folato. Na extensão sanguínea podem-se observar neutrófilos 
hipersegmentados. 
Deficiência de vitamina B12: 
- Dieta inadequada; 
- Deficiência do fator intrínseco – anemia perniciosa e gastrectomia; 
- Doença intestinal: linfoma, crescimento bacteriano no intestino delgado; 
- Gravidez. 
 
Deficiência de ácido fólico: 
- Alcoolismo; 
- Crescimento na infância sem dieta adequada; 
- Doença intestinal; 
- Gestação; 
- Hematopoese marcadamente aumentada (anemia hemolítica); Drogas 
que causam anemia megaloblástica: 
- AZT; 
- Hidroxiureia; 
- Fenitoína; 
- Fenobarbital; 
- Aciclovir; 
- Trimetropim; 
 
39 
 
- Anticoncepcionais orais; 
- Anticonvulsivantes. 
 
Anemia Ferropriva → É a doença hematológica mais frequente e decorre da 
deficiência de ferro no organismo causada por: 
- Perda de sangue crônica (adulto); 
- Ingestão inadequada (crianças); 
- Requerimento aumentado (gestação); 
- Deficiência de transporte e/ou absorção de ferro; 
- Verminoses. 
 
A anemia se instala após a depleção progressiva dos estoques de ferro no 
organismo. Quando inicia a deficiência de ferro, o estoque de ferro do depósito é 
utilizado e começa a diminuir. Diminui também a ferritina plasmática. Progredindo a 
ingestão deficiente de ferro ou o excesso de perda, a hemoglobinização do eritrócito é 
comprometida levando a um estado de hipóxia, que estimula a produção de 
eritropoetina. Os precursores eritroides são estimulados e há um aumento das divisões 
mitóticas (microcitose). Com o departamento de maturação deficiente ocorre uma 
hemoglobinização anormal do eritrócito, com baixo conteúdo de hemoglobina 
(hipocromia). A anemia ferropriva instalada apresenta ferro sérico diminuído, 
capacidade de transporte aumentada, índice de saturação diminuído e ferritina 
diminuída. 
Anemia sideroblástica → É causada por um defeito na utilização do átomo de 
ferro e na produção do grupo heme. Pode ser: 
- Congênita → ligada ao sexo; 
- Adquirida→ secundárias às drogas (cloranfenicol, isoniasida) e 
elementos químicos como chumbo e cobre. Esses agentes interferem na síntese da 
heme; 
A anemia sideroblástica caracteriza-se por apresentar depósitos de grânulos de 
ferro dispostos ao redor do núcleo dos eritroblastos e dos eritrócitos. São evidenciados 
pela coloração com azul da Prússia, caracterizando sideroblastos em anel (eritroblastos) 
e siderócitos (eritrócitos). No hemograma encontramos redução da concentração de 
hemoglobina, VCM < 80, HCM e CHCM diminuído, anisocitose, poiquilocitose, 
microcitose, hipocromia e ponteado basófilo. Ferro sérico, o índice de saturação e 
 
40 
 
ferretina estão aumentados. Dupla população eritrocitária, caracterizando um 
dimorfismo celular no histograma eritrocitário. 
 
Anemia de doenças crônicas → É secundária a uma doença crônica: processos 
infecciosos, inflamatórios e doenças malignas. A anemia se instala por distúrbio no 
metabolismo do ferro. É uma anemia microcítica e hipocrômica, com o nível de 
hemoglobina entre 7 a 11,0 g/dl. No hemograma encontramos VCM e HCM reduzidos, 
micrócitos, hipocromia com anisocitose e poiquilocitose. O ferro sérico está diminuído, 
a capacidade de transporte normal, o índice de saturação normal e a ferritina normal ou 
elevada. 
 
ANEMIA APLÁSTICA OU APLASIA MEDULAR 
 
Ocorre pela alteração da Stem cell ou dos fatores reguladores da hematopoese. É 
caracterizada pela pancitopenia ou diminuição nas três linhagens de células produzidas 
na medula óssea. 
 
- Aplasia de medula adquirida: induzida por agentes químicos e físicos, 
radiações, infecções e idiopáticas. 
- Aplasia de medula constitucional: anemia de Fanconi. 
 
 
LEUCÓCITOS 
 
Como vimos anteriormente, a Stem cell, por ação de fatores de crescimento, dá 
origem a todas as demais células sanguíneas, obedecendo a um sistema hierárquico de 
maturação. 
 
 
 
41 
 
FIGURA – LEUCOGÊNESE 
 
FONTE: SILVA, 2003. 
 
LEUCÓCITOS POLIMORFONUCLEARES (GRANULÓCITOS) 
 
Morfologia 
 
Os polimorfonucleares compreendem os granulócitos: neutrófilos, eosinófilos e 
basófilos. A medula produz em média 20 a 30 x 109 polimorfonucleares por dia. O que 
permite a diferenciação entre os polimorfonucleares são as granulações secundárias 
formadas a partir do estágio de mielócito. Sem elas, os granulócitos apresentam o 
mesmo padrão morfológico. As células progenitoras dos polimorfonucleares ficam no 
estroma da medula e, à medida que elas maturam, deixam o estroma e ganham os 
sinusoides. Assim, as precursoras e as células normalmente encontradas na medula e 
sangue periférico são sucessivamente: mieloblastos, promieloblastos, mielócitos, 
metamielócitos, bastonetes e polimorfonucleares (segmentado, eosinófilo, basófilo), que 
apresentam padrões similares de proliferação, diferenciação, maturação, armazenamento 
na medula óssea e liberação para o sangue periférico. 
Mieloblastos → Esse termo descreve uma célula imatura típica de medula óssea, 
 
42 
 
de forma arredondada, citoplasma escasso com uma basofilia discreta ou moderada, sem 
granulações, exceto no LMA, em que podem apresentar granulações primárias. O 
núcleo é arredondado ou oval com cromatina fina e reticulada. Os nucléolos geralmente 
estão presentes em número de até 5. 
FIGURA - MIELOBLASTO 
 
http://www.flickr.com/photos/ 
 
Promielócito → Tem como característica o aparecimento de uma granulação 
fina azurófila e inespecífica seguida de uma granulação específica mais grosseira, 
inclusive por sobre o núcleo. Os nucléolos são evidentes no início desta fase, ficando 
menos proeminentes à medida que a célula se desenvolve. 
 
FIGURA – PRÓ-MIELÓCITO 
 
http://bioinfo-aula.blogspot.com.br/ 
 
 
Mielócito → Nesse estágioé definida a característica do neutrófilo, ou seja, 
aparecem as granulações secundárias que vão caracterizar a célula como neutrófilo, 
basófilo ou eosinófilo. O núcleo é geralmente excêntrico, redondo ou ovalado, e o 
nucléolo não é mais visível. 
 
43 
 
 
 FIGURA - MIELÓCITO 
 
 
Metamielócito → Nessa fase, a célula não é mais capaz de se dividir. Os 
nucléolos não podem ser vistos indicando o fim da síntese de DNA. O núcleo apresenta-
se ovalado com uma reentrância (chanfradura). 
 
 
FIGURA – METAMIELÓCITO 
 
FONTE: http://aleksandrobio.webnode.com.br 
 
Bastonete (bastão) → A condensação da cromatina é intensa e o núcleo assume a 
forma de um bastão uniforme. 
 
 
 
44 
 
 FIGURA – BASTONETE 
 
 
Segmentado → apresenta constrições nucleares, unidas por filamentos de 
cromatina, que formam dois ou mais lóbulos nucleares. 
 
 
FIGURA - SEGMENTADOS 
 
 
As granulações citoplasmáticas secundárias presentes nestas últimas fases de 
maturação dos polimorfonucleares coram-se tanto pelo azul de metileno como pela 
eosina. O nome de cada célula corresponde ao fato das granulações serem neutras 
(neutrófilos), corar pela eosina (eosinófilos) ou azul de metileno (basófilo). 
 
 
Cinética e função dos polimorfonucleares (granulócitos) 
 
 
Neutrófilos 
 
 
A cinética dos neutrófilos diz respeito aos processos que vão desde a sua 
produção pela medula óssea, até seu consumo nos tecidos. São identificados três 
compartimentos. 
 
45 
 
 
a- Medula óssea, onde se observa 
um equilíbrio entre Stem cell, células mitóticas e células maduras, ou seja, as 
células que amadurecem e abandonam este compartimento são substituídas 
pela divisão de outras células do compartimento; 
b- Sangue periférico →Nem todos 
os neutrófilos que estão nos vasos estão circulando. Aqui temos dois 
subcompartimentos: o circulante composto de segmentados e bastonetes (que 
são os neutrófilos contados quando da realização do hemograma), e o 
marginal formado por neutrófilos aderidos às paredes vasculares, e que 
entram imediatamente em circulação em função das necessidades. O 
exercício e a adrenalina mobilizam os neutrófilos do compartimento 
marginal para o compartimento circulante alterando o leucograma. 
c- Tecidos, para onde os neutrófilos migram para exercerem suas funções. 
 
Função dos neutrófilos→ Por meio de suas propriedades de motilidade, 
quimiotaxia, ação bactericida e digestão, os neutrófilos têm como principal função a 
fagocitose de corpos estranhos e bactérias, além de participar dos processos 
inflamatórios. 
 
Destino dos neutrófilos→ Em condições normais, o tempo de maturação do 
mieloblasto até o segmentado é de 4 a 6 dias. No sangue periférico, os neutrófilos 
circulam em torno de 7 horas. Daí, ou são destruídos, ou migram para os tecidos. 
Uma vez nos tecidos estas células nunca voltam ao sangue. Efetuam suas 
funções de fagocitose e são destruídos no local ou nos gânglios pelas células reticulares. 
 
Alteração no número de neutrófilos 
 
Neutrofilias ( ) 
 
• Fisiológicas→ exercícios físicos, estresse, gravidez, recém-nascidos. 
• Não fisiológicas→ infecções bacterianas agudas, inflamações agudas 
sem infecções (cirurgias, queimaduras, infartos, artrite reumatoide, vasculite), 
hemorragias e hemólises agudas, doenças mieloproliferativas (LMC, policitemia Vera, 
 
46 
 
mielofibrose), cânceres (carcinoma, linfoma, melanoma), alterações metabólicas 
(uremia, acidose diabética). 
 
Neutropenias ( ) → processos infecciosos graves(depleção dos neutrófilos da 
medula óssea), infecções virais em geral, protozoárias e fúngicas, drogas, fatores 
nutricionais e causas imunológicas. 
 
 
Eosinófilos 
 
 Os eosinófilos são um pouco maiores que os neutrófilos e são diferenciados dos 
neutrófilos e dos basófilos pelas granulações secundárias grosseiras e alaranjadas, cuja 
produção inicia-se no estágio de mielócito. Estas granulações contêm enzimas do tipo 
peroxidases, fosfatase ácida, fosfolipases e principalmente histaminases. Estas últimas 
conferem a principal função dos eosinófilos de modulação das reações imunológicas de 
hipersensibilidade. Além disso, apresentam grande afinidade pelos anticorpos do tipo 
IgE que recobrem os parasitas. Por meio destes anticorpos eles aderem à superfície dos 
parasitas e liberam, através da degranulação, proteínas citotóxicas. 
Os eosinófilos maduros circulam no sangue por 8 horas e migram para os tecidos 
(pele, mucosas do trato respiratório e trato intestinal) onde permanecem 
aproximadamente 12 dias. 
As causas de aumento dos eosinófilos (Eosinofilia) são: parasitoses (90%), 
reações alérgicas e uso de certos medicamentos (nitrofurantoína, sulfonamidas). 
A diminuição dos eosinófilos (Eosinopenia) aparece em doenças 
mieloproliferativas, utilização de glicorticoides. A ausência de eosinófilos em infecções 
graves demonstra o estado de estresse do organismo (prognóstico ruim). 
 
 
 
 
47 
 
FIGURA – EOSINÓFILO 
 
 
Basófilos 
 
 Os basófilos são encontrados em pequena quantidade no sangue periférico (0 a 
1%) e circulam por algumas horas e migram aos tecidos. São facilmente identificados 
pelos grânulos grosseiros azuis escuros, muitas vezes, sobre o núcleo, ricos em 
histamina e heparina. São mediadores do processo inflamatório e das reações alérgicas, 
quando estão aumentados. 
 
 
 
 
FIGURA - BASÓFILOS 
 
 
 
Os mastócitos tissulares são células semelhantes aos basófilos, com a mesma 
função, porém não possuem a mesma origem. Os mastócitos se originam da linhagem 
dos monócitos e macrófagos. 
 
 
 
48 
 
LEUCÓCITOS MONONUCLEARES 
 
 
Linfócitos 
 
 
O sistema linfoide é constituído por órgãos linfoides primários e secundários que 
estão envolvidos na produção de um determinado grupo de células que desempenham a 
mesma função: o fenômeno da imunização. O timo e a medula óssea são órgãos 
linfoides primários envolvidos com a diferenciação dos linfócitos a partir de precursores 
imaturos. No timo ocorre a diferenciação dos linfócitos T (timodependente) e, na 
medula, a diferenciação dos linfócitos B (bolsa-dependente). Posteriormente, estes 
linfócitos imunocompetentes se dirigem aos órgãos linfoides secundários (linfonodos, 
baço, placas de Peyer no intestino e as amígdalas) onde passam por uma diferenciação 
final e proliferam a partir de antígenos específicos. 
Os linfócitos são células com núcleo denso e nucléolo (raramente visualizados), 
e citoplasma pouco abundante contendo poucas organelas, de coloração basófila. Os 
subtipos de linfócitos T e B não podem ser diferenciados morfologicamente pelo 
esfregaço de sangue. 
 
 
FIGURA – LINFÓCITOS 
 
 
 
 
Os linfócitos T consistem 75% dos linfócitos do sangue e estão relacionados 
com a imunidade mediada por células (rejeição de enxertos, organismos intracelulares, 
células tumorais e reações de hipersensibilidade tardia). 
 
49 
 
Os linfócitos B atuam na imunidade humoral. Quando estimulados por antígenos 
se diferenciam em plasmócitos, que são células secretoras de anticorpos específicos. Os 
linfócitos em estágio de maturação entre os linfócitos B e os plasmócitos são 
denominados linfócitos atípicos e podem ser vistos no sangue periférico de pacientes 
com mononucleose infecciosa e outras viroses. 
 
 
FIGURA – LINFÓCITO ATÍPICO 
 
http://oqueeh.com.br/linfocitos-atipicos 
 
 
A linfocitose ocorre nas infecções virais, principalmente mononucleose 
infecciosa, hepatite, citomegalovírus. 
A linfopenia está presente nas infecções agudas, stress agudo (queimaduras, 
traumas), síndromes de imunodeficiência, administração de corticoides e quimioterapia. 
 
 
Monócitos 
 
 
O monócito é a maior célula circulante. Apresenta um núcleo irregular, em 
forma de rim, com cromatina exibindo aspecto reticular.O citoplasma contém finas 
granulações azurófilas e grânulos ricos em esterase. O monócito tem origem medular e 
constitui uma série própria (monoblastos, promonócitos, monócitos e macrófagos), 
porém muito próxima da série granulocítica. Permanece no sangue cerca de 8 horas e 
sai em direção aos tecidos onde evolui dando origem ao macrófago. Como componente 
do sistema mononuclear fagocitário (anteriormente chamado de sistema retículo 
endotelial) tem como funções: a remoção de células mortas, senescentes, estranhas ou 
 
50 
 
alteradas, remoção de partículas estranhas, destruição de micro-organismos e células 
tumorais, e, principalmente, participar da imunidade humoral e celular como célula 
apresentadora de antígenos aos linfócitos T. 
A monocitose pode aparecer principalmente em estados de recuperação de 
infecções agudas (bom prognóstico), infecções crônicas, processos inflamatórios como 
lúpus eritematoso e artrite reumatoide. 
 
FIGURA - MONÓCITO 
 
http://www.medicinapreventiva.com.ve/laboratorio/globulos_blancos.htm 
 
 
ALTERAÇÕES MORFOLÓGICAS DOS LEUCÓCITOS 
 
 
Anomalia de Pelger-Huet → Caracteriza-se por uma diminuição na segmentação 
do núcleo dos granulócitos dando ao leucograma a falsa impressão de um desvio à 
esquerda. A forma congênita é benigna, autossômica dominante. A forma adquirida 
(Pseudo Pelger-Huet) está geralmente associada à quimioterapia. 
 
 
FIGURA – ANOMALIA DE PELGER-HUET 
 
 
51 
 
 
 
Anomalia de Alder-Reilly → Anomalia autossômica recessiva, encontrada em 
diversas síndromes, caracterizada pela presença de grânulos vermelho-escuros, 
semelhantes às granulações tóxicas. 
 
 
FIGURA – ANOMALIA DE ALDER-REILLY 
 
http://s532.photobucket.com 
 
 
Anomalia de Chediak-Higashi → Anomalia autossômica recessiva, pouco 
frequente, que se caracteriza pela presença de grânulos gigantescos no citoplasma, que 
alteram a quimiotaxia e ação bacteriana dos neutrófilos, aumentando a suscetibilidade às 
infecções bacterianas. 
 
 
FIGURA – ANOMALIA DE CHEDIAK-HIGASHI 
 
 
 
Anomalia de May-Hegglin → Caracteriza-se pela presença de granulações 
ribossomais grandes acinzentadas no citoplasma, um pouco maiores que o corpúsculo 
 
52 
 
de Döhle. 
 
 
FIGURA – ANOMALIA DE MAY-HEGGLIN 
 
http://www.uab.es/uabdivulga/cast/avances/2005/plaquetes0105.htm>. 
 
 
REAÇÃO LEUCEMOIDE 
 
 
É um aumento exagerado dos glóbulos brancos, reacional e consequente a um 
processo infeccioso, que se corrige com a erradicação da infecção, e não deve ser 
confundido com reações leucêmicas, típicas da leucemia mieloide crônica. 
 
Etapas do hemograma infeccioso 
 
1- Leucocitose, sem desvio à esquerda, sem granulação grosseira. 
2- Leucocitose, com desvio à esquerda até bastão, com granulação 
grosseira. 
3- Leucocitose mais intensa, com desvio à esquerda até mielócito, com 
granulação tóxica, vacúolos citoplasmáticos. 
4- Leucocitose intensa, com desvio à esquerda até promielócito, raros 
blastos, com granulação tóxica, vacúolos citoplasmáticos, degeneração nuclear, corpos 
de Döhle. 
 
53 
 
5- Leucocitose mais intensa, com desvio à esquerda até blasto, com 
granulação tóxica, vacúolos citoplasmáticos, degeneração nuclear, corpos de Döhle, 
esquizócitos, hemácias fragmentadas. 
6- Queda da leucometria, com desvio à esquerda até blasto, com corpos de 
Döhle, esquizócitos, 
7- Falência múltipla hemácias fragmentadas. 
8- Queda de leucometria, neutropenia, com desvio à esquerda até blasto, 
com granulação tóxica, vacúolos citoplasmáticos, degeneração nuclear, corpos de 
Döhle, esquizócitos, hemácias fragmentadas. 
9- Septicemiade órgãos, insuficiência renal, hemorragia. 
 
 
NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS 
 
 
Em condições normais, as células sanguíneas estão sob estrito controle do 
organismo, podendo sofrer, a qualquer momento, alterações em quantidade e qualidade, 
como forma de reação a estímulos externos e de adequação a situações adversas. 
Segundo Brum (2003), essas flutuações, motivadas por estímulos diversos, são 
chamadas alterações reacionais. Entretanto, como qualquer outra célula do organismo 
vivo, as células sanguíneas podem sofrer reações que provocam alterações malignas, e 
que são denominadas neoplasias. Portanto, as células cancerosas diferem das normais 
por não mais responderem aos mecanismos de controle do organismo. 
 
FIGURA – NEOPLASIAS HEMATOLÓGICAS 
 
 
 
 
54 
 
SÍNDROMES MIELO-PROLIFERATIVAS 
 
 
FIGURA – SÍNDROMES MIELO-PROLIFERATIVAS 
 
 
 
Leucemia Mieloide Crônica 
 
 
Leucemia caracterizada pela proliferação e diferenciação descontrolada de 
células leucêmicas, decorrente da ação de um cromossomo alterado (cromossomo 
Philadelfia) que resulta na codificação de uma proteína com atividade tirosina quinase 
aumentada. A doença apresenta uma fase crônica com hiperleucocitose que pode evoluir 
para uma fase blástica fatal (crise blástica) com fibrose medular. É rara na criança, 
acometendo adultos jovens. 
No hemograma, encontramos hiperleucocitose (entre 100 a 300.000/µl), com 
pseudodesvio à esquerda, pois aparecem células jovens sem ordem de maturação. A 
predominância é de neutrófilos e mielócitos. As plaquetas e basófilos podem estar 
aumentadas. Ocorre hiperuricemia e, ao exame clínico, observa-se esplenomegalia. Na 
fase maligna ou crise blástica ocorre pancitopenia com presença de blastos no sangue 
periférico. 
 
 
Metaplasia Mieloide Agnogênica (mielofibrose) 
 
 
Aspectos Laboratoriais: presença de precursores mieloides e eritroides, 
 
55 
 
leucocitose, anemia (Hb<10g/dl), hemácia em lágrima, policromasia, trombocitose com 
plaquetas gigantes, eosinofilia, basofilia. Pode ocorrer fibrose medular. 
 
 
Trombocitemia Essencial 
 
 
Aspectos laboratoriais: trombocitose (>1.000.000/µl) com presença de plaquetas 
grandes, anemia discreta, leucocitose, neutrofilia com desvio à esquerda, eosinofilia e 
basofilia. 
 
 
Policitemia Vera 
 
 
Aspectos laboratoriais: hemoglobina entre 18 a 24 g/dl, hemácias entre 7 a 12 
milhões/µl, hematócrito entre 70 a 92%, leucometria entre 25 a 50.000/µl, plaquetas 
entre 500 mil a 1.000.000/µl, anisocitose, poiquilocitose, presença de precursores 
eritroides, policromasia, ponteado basófilo, aumento absoluto e relativo da série 
mieloide. 
 
LEUCEMIAS AGUDAS 
 
 
As leucemias agudas resultam de uma proliferação clonal de células imaturas, 
com pouca ou nenhuma maturação na medula óssea. A presença de 30% de blastos na 
medula óssea é geralmente aceita como critério de diagnóstico de leucemia aguda. A 
classificação é baseada na linhagem predominante na qual a maturação ocorre (linfoide 
ou mieloide). 
 
 
 
 
56 
 
Leucemia linfoide aguda (LLA) 
 
 
Ocorre principalmente em crianças e caracteriza-se pela presença de 
linfoblástos, com cromatina fina e uniforme, com nucléolo bem mais marcado e 
evidente que do mieloblasto. O citoplasma é azul e sem grânulos. Pode haver anemia 
normocítica normocrômica, trombocitopenia, leucometria de 10.000 a 50.000/µl em 2/3 
dos pacientes, com granulocitopenia. Ocorre hiperuricemia e hipocalcemia e aumento 
de LDH. Em exames citoquímicos apresenta PAS positivo. 
Classificação FAB (Franco-americano-britânico) das LLA: 
L1 → Linfoblastos pequenos com núcleo irregular e pouco citoplasma. 
L2 → Linfoblastos grande com núcleo irregular, nucléolos evidentes e 
citoplasma mais abundante. 
L3 → Linfoblastos grandes com citoplasma hiperbasófilo (muito azul) e 
extremamente vacuolado. Também chamada de linfoma de Burkt. 
 
 
Leucemia mieloide aguda (LMA) 
 
 
Proliferação anormal de células leucêmicas, com parada de produção de células 
normais. Ocorre anemia normocrônica normocítica causada por falta de espaço dentro 
da medula pela proliferação do clone maligno. Trombocitopenia. Leucometriaaté 
100.000/µl em 80% dos pacientes. Presença de bastões de Auer nos blastos, que dão 
reações positivas com a peroxidase e Sudan Black. Classificação FAB das LMA 
 
 
 
57 
 
FIGURA – CLASSIFICAÇÃO FAB DAS LMA 
 
FONTE: OLIVEIRA, 2003. 
 
 
SÍNDROMES MIELO-DISPLÁSICAS (SMD) 
 
 
São causadas por um defeito adquirido no DNA de um ou, mais provavelmente, 
vários cromossomos do progenitor hematopoético (Stem cell multipotente), podendo 
evoluir para uma leucemia mieloblástica aguda. As SMD resultam da falência da 
medula óssea na produção do número adequado de células circulantes. A falência da 
 
58 
 
medula óssea é um resultado de um dano genético adquirido. As anormalidades 
citogenéticas podem ser frequentemente observadas. Nas SMD podem ser observadas 
alterações nas linhagens granulocíticas, eritrocíticas e/ou megacariocítica. 
Etiologia → Agentes químicos (benzeno), radiação/radioterapia, quimioterapia 
(agentes alquilantes). 
 
Aspectos laboratoriais: 
→ Anemia em 90% dos casos (normocítica ou macrocítica); 
→ Poiquilocitose com macro-ovalócitos, hemácias em lágrima; 
→ Ponteado basófilo e corpúsculo de Howell-Jolly; 
→ Presença de eritroblastos; 
→ Contagem de reticulócitos normal ou baixa; 
→ Trombocitopenia ou trombocitose com macroplaquetas; 
→ Linfocitopenia; 
→ Anomalia de Pelger-Huët; 
→ Medula óssea hipercelular. 
 
Classificação FAB das SMD: 
→ Anemia refratária; 
→ Anemia refratária com sideroblastos; 
→ Anemia refratária com excesso de blastos; 
→ Anemia refratária com excesso de blastos em diferenciação; → Leucemia 
mielo-monocítica crônica. 
 
 
 
 
59 
 
FIGURA – SÍNDROMES MIELODISPLÁSICAS 
 
 
SÍNDROMES LINFO-PROLIFERATIVAS 
 
FIGURA – SÍNDROME LINFOPROLIFERATIVA 
 
 
Leucemia Linfoide crônica 
 
 
Não é uma doença agressiva, é rara antes dos 40 anos (doença do idoso), e 
caracteriza-se por uma proliferação maligna de células linfoides maduras com a parada 
de maturação funcional destas células. A contagem de linfócitos varia de 
10.000 a 100.000/µl, com presença de linfócitos pequenos e de células 
degeneradas (restos nucleares) denominadas manchas de Grumpet. Pode haver anemia 
 
60 
 
normocrômica e normocítica, e o número de granulócitos geralmente é normal. 
 
Tricoleucemia (Hairy Cell Leukemia) 
 
 Os pacientes geralmente apresentam uma tríade de sintomas: pancitopenia, 
esplenomegalia e Hairy cell circulantes (linfócitos cujo citoplasma tem aspecto de 
franja). 
 
Leucemia pró-linfocítica 
 
É uma variante subaguda da LLC na qual a metade das células leucêmicas são 
linfócitos grandes denominados pró-linfócitos (apresentam nucléolo). Em 80% dos 
casos os pró-linfócitos são células B e em 20% células T. 50% dos pacientes têm mais 
de 70 anos. Apresenta leucometria maior que 100.000/µl, anemia normocrômica e 
normocítica e contagem de plaquetas abaixo de 100.000/µl. 
 
 
Mieloma Múltiplo 
 
 
Proliferação anormal de plasmócitos que sintetizam imunoglobulinas específicas 
IgG ou IgA. Acomete pessoas com idade média de 65 anos, embora possa ocorrer 
ocasionalmente na segunda década de vida. Apresenta dor óssea causada por 
compressão vertebral e fratura, causada por um aumento da atividade osteoclástica. 
 
Aspectos laboratoriais: 
→ Infiltrado medular de plasmócitos com reflexos no sangue periférico. 
→ Anemia normocrômica e normocítica. 
→ Presença de Rouleaux. 
→ Aumento do VHS. 
→ Secreção de Ig monoclonal detectável por imunoeletroforese. 
 
 
Linfoma Leucemizado 
 
61 
 
 
 
O envolvimento medular nos linfomas é pequeno. Apresenta anemia e 
reticulocitose associados à anemia hemolítica autoimune (Coombs +). A 
trombocitopenia está relacionada à infiltração medular, hiperesplenismo ou destruição 
autoimune. 
 
 HEMOSTASIA 
 
 
O termo hemostasia refere-se ao conjunto de mecanismos pelos quais se mantêm 
o sangue fluido dentro do vaso, sem coagular (trombose) nem extravasar (hemorragia). 
Didaticamente, podemos dividir a hemostasia em três etapas: 
1- Hemostasia Primária; 
2- Coagulação; 
3- Fibrinólise. 
 
A totalidade dos processos envolvidos nestas etapas depende de elementos 
independentes, porém interativos, tais como: 
- Vasos sanguíneos (particularmente o endotélio); 
- Elementos celulares sanguíneos (particularmente plaquetas); 
- Proteínas procoagulantes do plasma (fatores de coagulação); 
- Sistema fibrinolítico; 
- Proteínas inibitórias e anticoagulantes. 
 
 
62 
 
 
 
 
No caso de uma hemorragia (lesão de vaso), os mecanismos da hemostasia são 
mobilizados. Inicialmente ocorre uma vasoconstrição que reduz o fluxo sanguíneo no 
vaso lesado, minimizando a perda de sangue no local, até que a ação conjunta das 
plaquetas e dos fatores da coagulação promova o tamponamento. Este tamponamento 
perdura até que o tecido vascular lesado se regenere, ação dos fibroblastos. Em seguida 
ocorre a dissolução do tampão hemostático. 
Grosseiramente, os eventos da hemostasia podem ser esquematizados da 
seguinte forma: 
Parede vascular lesada → fator tecidual → ativação das plaquetas → 
vasoconstrição → diminuição do volume sanguíneo → aumento da concentração do 
fator tecidual → ativação dos fatores plasmáticos → formação da fibrina que se junta ao 
trombo plaquetário → tampão hemostático → regeneração vascular → fibrinólise. 
A eficiência deste sistema de eventos, que visa à preservação da massa 
sanguínea, depende de uma ação localizada (focalizada pela hemostasia primária), da 
não extensão do processo (fatores inibidores e fibrinolíticos) e da rapidez dos processos. 
Quando ocorre falha ou aberração dos mecanismos homeostáticos, temos as 
síndromes hemorrágicas ou a trombose e a coagulação intravascular disseminada. 
 
 
 
 
63 
 
HEMOSTASIA PRIMÁRIA 
 
É o conjunto de fenômenos responsáveis pela focalização inicial do processo 
pela formação do agregado plaquetário, envolvendo principalmente os vasos, às 
plaquetas, fibrinogênios e o fator de Von Willebrand. 
 
Esses fenômenos compreendem: 
 
- Vasoconstrição reflexa; 
- Adesão das plaquetas às estruturas do subendotélio; 
- Ativação das plaquetas; 
- Agregação das plaquetas. 
 
Vasos sanguíneos: 
 
O endotélio normal mantém-se como uma superfície tromborresistente em 
função, principalmente, da produção de prostaciclina PG12 (potente vasodilatador e 
antiagregante plaquetário). Também produz e estoca o fator de Von Willebrand. 
Quando ocorre uma lesão, o subendotélio, ao contrário do endotélio, é capaz de 
desencadear o mecanismo hemostático, por meio de estruturas subendoteliais que 
estimulam os elementos procoagulantes do sistema. Nesse caso, as plaquetas aderem-se 
ao subendotélio em segundos, e em alguns minutos é formada a fibrina. 
 
Plaquetas: 
São fragmentos anucleados de megacariócitos de importância central nos 
primeiros passos da ativação do sistema hemostático. 
As plaquetas além de formar o trombo plaquetário são fontes de substâncias que 
vão promover a vasoconstrição, as modificações plaquetárias com emissão de 
pseudópodes, a agregação plaquetária e a integração com as proteínas da coagulação. 
 
Ativação Plaquetária 
↓ 
Ativação da fosfalipase C 
↓ 
 
64 
 
Ativação da proteína C quinase 
↓ 
Aumento de Cálcio intracelular 
↓ 
Desenvolvimento de pseudópodes 
↓ 
Agregação plaquetária 
↓ 
Secreção de ADP → ativar a aderência 
↓ 
Contração da actinomiosina plaquetária → retração do coágulo 
 
Fator de von Willebrand – (FvW) 
 
 
Consiste em uma proteína produzida no endotélio vascular que faz a ligação 
entre a glicoproteína da membrana da plaqueta e o colágeno do subendotélio. 
 
 
COAGULAÇÃO 
 
O mecanismo da coagulação consiste em uma série de reações que culminam na 
formação de uma proteína, insolúvel em ureia, denominada fibrina. 
Este gelde fibrina se une ao trombo plaquetário formando o tampão hemostático 
ou coágulo propriamente dito, aumentando a eficiência do efeito mecânico de 
tamponamento. 
A transformação do fibrinogênio em fibrina se dá por um sistema complexo de 
reações enzimáticas que podem ser ativadas por duas vias: via extrínseca e via 
intrínseca. 
 
 
 
65 
 
FIGURA – CASCATA DA COAGULAÇÃO 
 
FONTE: TERRA, 2000. 
 
 
 Via extrínseca 
 
 
→ O agente desencadeante é o fator tissular liberado por lesão do endotélio, que 
ativa o fator VII, que vai exercer sua ação proteolítica sobre os fatores X e IX. 
 
FIGURA – FATORES DA COAGULAÇÃO DA VIA EXTRÍNSECA 
 
FONTE: TERRA, 2000. 
 
66 
 
 
 
Via Intrínseca 
 
 
→ O agente desencadeante é o contato com uma superfície eletronegativa no 
subendotélio, não havendo entrada de elemento exógeno, e por isso chamada de via 
intrínseca. Em contato com estas superfícies eletronegativas, o fator XII é ativado, que 
ativa o fator XI, que ativa o fator IX. O fator IX junto com o fator VIII ativa o fator X 
(via comum). 
 
FATORES DA VIA INTRÍNSECA DA COAGULAÇÃO 
 
FONTE: TERRA, 2000. 
 
 
 
 
67 
 
TABELA – FATORES DA COAGULAÇÃO - FINALIDADES 
 
 
 
 
68 
 
 
 
http://www.msdlatinamerica.com 
 
Os fatores envolvidos nesta fase (coagulação) são substâncias sintetizadas com 
antecedência e que circulam no plasma na forma inativa, e que serão ativadas na hora e 
local da lesão. Assim, na complexa cadeia de fatores da coagulação antecedentes da 
trombina, cada proteína ativada (produto) funciona como enzima que ativa a proteína 
seguinte (substrato), sucessivamente, até a ativação da protrombina. 
 
 
FIBRINÓLISE 
 
 
Nesta fase ocorre a digestão enzimática da malha de fibrina permitindo uma 
posterior repermeabilização do vaso. 
O sistema fibrinolítico é composto de vários ativadores e inibidores e de uma 
proteína central, o plasminogênio. Os ativadores são os fatores da fase de contato da 
coagulação, o t-PA ou ativador tissular do plasminogênio, e o SCU-PA ou prourokinase. 
O plasminogênio é o precursor inativo que se transforma em plasmina por ação de seus 
ativadores. A plasmina é uma enzima capaz de proteolizar a fibrina, o fibrinogênio, e os 
fatores Va e VIIIa. A ação proteolítica da plasmina produz os chamados produtos de 
degradação do fibrinogênio e da fibrina. O principal inibidor da plasmina é a alfa2-
antiplasmina. 
 
69 
 
 
 
FIGURA - FIBRINÓLISE 
 
FONTE: TERRA, 2000. 
 
 
OUTROS FATORES DE REGULAÇÃO DA HEMOSTASIA 
 
→ Os fatores ativados que se desprendem do coágulo são rapidamente 
neutralizados por inibidores fisiológicos da coagulação: 
 
- Antitrombina III: É uma potente enzima proteolítica capaz de inibir a 
calicreína e os fatores XII, XIa, IXa, Xa e IIa. A heparina acelera em 100 vezes a ação 
da antitrombina III; 
- Proteína C e S: são proteínas dependentes da vit. K capazes de inibir os 
fatores Va e VIIIa. 
 
 
DISTÚRBIOS DA HEMOSTASIA 
 
 
Distúrbios Plaquetários 
 
 
70 
 
 
São denominadas púrpuras plaquetárias e caracterizam-se clinicamente por 
apresentarem petéquias, sangramento espontâneo ou por traumas. Podem ser: 
 
a- Plaquetopênicas (defeito quantitativo): 
→ Hereditárias: púrpura amegacariocítica, síndrome de Fanconi. 
→ Adquiridas: anemia aplástica, inibição sobre megacariócitos por drogas, 
deficiência de vitamina B12, ácido fólico, infiltração medular por células leucêmicas. 
→ Aumento da destruição: na coagulação intravascular disseminada (CID), 
doenças autoimunes, pós-transfusão, hiperesplenismo, circulação extracorpórea. 
b- Plaquetopáticas (defeito qualitativo): 
→ Hereditárias: diminuição da adesão plaquetária no subendotélio (doença de 
Von Willebrand, síndrome de Bernard-Soulier), tromboastenia, trombocitopatias. 
→ Adquiridas: induzidas por medicamentos, distúrbios mieloproliferativos. c- 
 Trombocitose (número elevado de plaquetas): 
→ doenças mieloproliferativas. 
 
Distúrbios Vasculares 
 
→ Púrpuras vasculares hereditárias: telangectasia de Rendu-Osler-Weber, 
doença congênita do colágeno. 
→ Púrpuras vasculares adquiridas: vasculites, causas mecânicas. 
 
 
Distúrbios da coagulação plasmática 
 
 
→ Hereditários: deficiência de síntese de fatores plasmáticos (hemofilia Afator 
VIII e hemofilia B-fator IX). 
→ Adquiridas: Na coagulação intravascular disseminada (CID), doenças 
hepáticas, deficiência de vitamina K. 
 
Trombose (alteração no equilíbrio: hemostasia e seu controle) 
 
71 
 
 
→ Trombose ligada ao fator vascular; 
→ Trombose ligada à função plaquetária; 
→ Trombose ligada aos fatores plasmáticos da coagulação. 
 
 
ESTUDO LABORATORIAL DA HEMOSTASIA 
 
De modo geral, para o diagnóstico das alterações da hemostasia ou para 
avaliações pré-operatórias, os laboratórios de análises clínicas realizam em suas rotinas 
os seguintes exames: 
→ avaliação plaquetária; 
→ tempo de coagulação (TC); 
→ tempo de sangramento (TS); 
→ prova do laço ou fragilidade capilar (PL); 
→ retração do coágulo (RC); 
→ tempo de atividade de protrombina (TP ou TAP); 
→ tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA). 
 
• Avaliação plaquetária: atualmente a avaliação quantitativa das 
plaquetas é obtida por contadores eletrônicos, aliada à observação da lâmina de sangue 
periférico, para detecção de possíveis anormalidades que alteram as contagens 
automatizadas (aglomerados de plaquetas, satelitismo plaquetário, plaquetas gigantes 
contadas como leucócitos). O valor normal de plaquetas gira em torno de 150 a 400 
mil/mm3. 
 
• Tempo de coagulação: o sangue colhido é transferido para um tubo de 
ensaio e a partir daí (contato com a parede do tubo) mede-se o tempo até a formação de 
um coágulo firme. O valor normal pode ser considerado entre 6 a 12 minutos. O tempo 
de coagulação mede a via intrínseca da coagulação. Porém, é um teste bastante 
grosseiro, sujeito a muitas interferências (diâmetro do tubo, coleta traumática, 
garroteamento prolongado). Além disso, o TC não detecta pacientes hemofílicos leves e 
moderados sujeitos a sangramentos. Portanto o TC tem pouco valor clínico. 
 
72 
 
 
• Tempo de sangramento: este teste mede a eficiência do tampão 
plaquetário em estancar o sangue após incisão na pele. Avalia possíveis defeitos 
plaquetários e vasculares na hemostasia primária. É importante no diagnóstico da 
doença de Von Willebrand. O valor normal (método de Ivy) é de 1 a 7 minutos. 
 
• Prova do laço ou Fragilidade Capilar: mede a hemostasia primária e 
estabelece as condições de permeabilidade e fragilidade capilar pelo aumento da pressão 
interna dos capilares feita por garroteamento. O aparecimento de até 5 petéquias é 
considerado normal. A prova do laço tem valor duvidoso, pois em algumas púrpuras 
plaquetárias e vasculares o teste se mostra negativo. 
 
• Retração do coágulo (RC): fornece dados relativos à atividade 
plaquetária e de sua enzima trombastenina, na retração do coágulo. O sangue é colhido e 
transferido, sem anticoagulante, a um tubo de ensaio que deve permanecer em banho-
maria à 37ºC. Se após duas horas não houver retração, deixar o tubo por 24 horas e aí 
então confirmar a não retração. O resultado deve ser expresso como coágulo retrátil, 
parcialmente retrátil, e irretrátil. 
 
• Tempo de atividade protrombina (TP ou TAP): avalia o mecanismo 
extrínseco da coagulação. O plasma pobre em plaquetas (ppp) recebe o fator tecidual 
(fator extrínseco) e cálcio, e a via extrínseca é ativada, culminando na formação da 
fibrina. O laboratório deve estabelecer seus próprios valores de referência utilizando um 
controle com pool de plasma normal, que gira em torno de 12 a 15 segundos. Nesta 
prova deve-se levar em consideração também à qualidade da tromboplastina utilizada, 
indicada pelo fator ISI.Este teste (TP) também é utilizado para monitorar pacientes em 
uso de anticoagulantes orais (cumarínicos). 
 
• Tempo de tromboplastina parcial ativada (TTPA): avalia a via 
intrínseca da coagulação. Neste teste o plasma pobre em plaquetas (ppp) em contato 
com ativador de contato e o cálcio, sofre ativação dos fatores da via intrínseca formando 
a fibrina. Aqui também o tempo considerado normal depende de cada laboratório (pool 
de plasma normal), e gira em torno de até 35 segundos. O TTPA também é utilizado 
 
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para monitorar pacientes que usam anticoagulantes como heparina de alto peso 
molecular.
 
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REFERÊNCIAS 
 
 
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2003. 
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5. ed. Abbott Laboratories, 1985. 
FAILACE, Renato. Hemograma, manual de interpretação. 3. ed. Porto Alegre: 
Artmed, 1995. 
FLEURY, Marcos Kneipp. Cadernos de Hematologia: Hematopoese. Rio de 
Janeiro, 1998. 
HAYHOE, F.G.J.; FLEMANS, R.J. Um Atlas colorido de Citologia 
Hematológica. 
2. ed. Porto Alegre: Artes médicas, 1989. 
NAOUM, Paulo César. Hemoglobinopatias e Talassemias. São Paulo: Sarvier, 
1997. 
OLIVEIRA, Maria Regina A. Azevedo. Hematologia Básica. 3. ed., São Paulo: 
Luana, 2003. 
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Grande, 2003. 
SILVA, Irineu Moreira da. Hemostasia e Provas de Coagulação Sanguínea. 
Campo Grande, 2004. 
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Eritrograma. São Paulo: Lovise, 1999. 
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Leucograma. São Paulo: Robe, 2003. 
TERRA, Paulo. Coagulação: Interpretação clínica dos testes laboratoriais de 
rotina. São Paulo: Atheneu, 2000. 
WILLIAMS, et al. Hematologia. Rio de Janeiro: Guanabara Koogum, 1976. 
WINTROBE, M.M. Clinical Hematology. 8. ed. London: Mc Grow Hill, 1998. 
 
 
 
 
 
 
 
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