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Família na Perspectiva da Psicologia Sócio- Histórica Maria Irene Ferreira Lima Neta CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO PARA A PSICOLOGIA SÓCIO-HISTÓRICA Histórico Cultural Social Ativo Singularidade Linguagem historicidade u Homem: u Ser histórico e de relações, sendo estas realizadas por meio dos grupos dos quais participa. u Também é por meio dos grupos que o homem se constitui. u Família: u Grupo social, o primeiro local de crescimento do indivíduo. u Responsável não apenas pela formação inicial do ser humano, oferecendo referências de afeto, valores e comportamentos privados e públicos, mas também influencia os aspectos da vida social, profissional, amorosa e os cuidados de saúde e doença. As relações dialógicas e vinculares Por si só não têm uma única qualidade e direção São construções dinâmicas que sofrem as mais diversas influências. Contraditoriamente, estas mesmas relações podem gerar distanciamentos afetivos, descontruir potências e gerar sofrimento físico e psíquico, anular o protagonismo. Assumiremos família Tem relações dialógicas e contraditórias entre seus membros Podem desenvolver intimidade, educação, respeito, apoio e protagonismo. u Entendemos que os grupos vão formando as suas próprias regras, formas de agir, de conviver e assim vão formando os estilos de cada grupo, de cada famílias. Fa m íli as Construtivas Destrutivas Mescladas •Auxiliam o indivíduo na busca de protagonismo; •Oferecem ou buscam as condições materiais necessárias para este processo; •Apoio e afeto Construtivas •Não proporcionam protagonismo; •Não possibilita autonomia e criatividadeDestrutivas •Tem ambas as configurações; •Sendo no mesmo núcleo ou diferentes entre nuclear e extensaMescladas Linguagem u Verbal u Não-verbal à Corpo à Preconceito u O preconceito partindo dos familiares pode ter uma implicação familiar negativa de forma que se a pessoa não conseguir romper com esta negatividade familiar e criar outros vínculos mais construtivos nas relações familiares, obtendo assim essa corporalização, ela estará sempre se destruindo independentemente de onde estiver. u Contudo, o rompimento familiar nunca é total, uma vez que não é possível mudar de família, mas sim reconstruir de forma construtiva e positiva as relações que geram sofrimento. u Na perspectiva sócio-histórica, afirma-se que em uma relação entre pai e filho nenhum ocupa as suas funções se não a significar como tal: “...a posição de pai é função do reconhecimento do pai por parte do filho e a de filho é função do reconhecimento do filho por parte do pai, pois ninguém é pai sem o reconhecimento do filho, nem filho sem o reconhecimento do pai” (SIRGADO, 2000, p. 72). categoria de interiorização da significação do outro no mundo interno do indivíduo u a mesma configuração é cabível para os demais tipos de relações familiares, como irmãos, tios, primos, avós e demais. Pois a interiorização se dá nas relações vinculares, onde cada pessoa envolvida relaciona-se contraditoriamente com o outro, pelo reconhecimento mútuo. É o primeiro grupo afiliativo, ou seja, o primeiro espaço de pertencimento e de referências. Como dispositivo social, é responsável pela reprodução sexual, pelo trabalho, pelo cuidado e educação das novas gerações, pelo processo de humanização, socialização. Em princípio, deve permitir o crescimento e o protagonismo de cada indivíduo/membro respeitando suas singularidades e particularidades. A família também sofre modificações por processos internos decorrentes das relações entre seus membros, e externos decorrentes das condições sociais e históricas em que se insere. Desde o seu surgimento até a atualidade, a família tem passado por inúmeras mudanças estruturais, funcionais, econômicas e sociais. Na atualidade, há uma diversidade de configurações familiares, tais como monoparental, homoafetiva, sem filhos, famílias de segunda união em que se agregam filhos do primeiro relacionamento de ambos ou de apenas um dos membros do casal. Todas essas mudanças fizeram aumentar os relacionamentos que antes era apenas de pai, mãe, filho para padrasto, madrasta, meio-irmão(ã) e assim por diante. Esta diversidade levou Castells (1999) a se questionar se seria o fim da família. u Concordamos com Negreiros e Féres-Carneiro (2004, p.43) quando afirmam que “o que se dissolveu foi a família idealizada” e que nessas novas configurações, cada um tem de se reinventar em seus diversos papéis familiares, sem de seguir um modelo “ideal”, ou podemos dizer verdadeiro. u Essas novas configurações familiares podem levar a pensar que houve uma substituição de modelos antigos por novos, quando, na realidade, o que há, é uma vivência conjunta desses diferentes modelos. Qualidade das relações estabelecidas entre seus membros Relação que auxilie a pessoa em seu processo de subjetivação, e que proporcione protagonismo. u A família se refere a esses processos complexos e contraditórios de formação, do nascimento até a morte do ser humano, oferecendo referências de afeto, valores, comportamentos privados e públicos, vida social, profissional, amorosa e cuidados de saúde e doença. u O sujeito pode reconhecer como família as pessoas com as quais mantém qualidades vinculares, sendo estas de laços consanguíneos, conjugais ou demais vínculos. u É a práxis humana que vai configurando o que hoje chamamos de família na sua diversidade. u O homem, ao instaurar novas necessidades e potencialidades, pode se permitir vivenciar relações mais qualificadas e pertencentes. u A partir de sua criatividade é possível potencializar o estabelecimento de novas formas de comunicação e interação social a fim de tornar construtivos os seus vínculos familiares, sociais, profissionais e afetivo- sexuais. u Não negamos os vínculos consanguíneos, parentais, conjugais, extensos como familiares, apenas os ampliamos de forma a serem relações qualificadas e construtivas para todos os envolvidos. u E que possibilitem uma construção subjetiva de forma a permitir ao sujeito apropriar- -se de sua história pessoal e social, pois ambas constituem o ser humano, e assim permitir-lhe fazer diferente e criativamente. Considerações finais u As relações familiares sob a ótica da psicologia sócio-histórica pode ser vista como relações construtivas, destrutivas, como também com vivências dialéticas entre ambas as configurações. u Padrões de construtividade à cumprem com a responsabilidade deste dispositivo social, que é a reprodução, o cuidado e a educação implicados na socialização das novas gerações, nas três dimensões do ser humano: consciência, afeto e atividade. u Padrões de destrutividade à são as que, em geral, mostram- se com padrões de isolamento, preconceito e discriminação, de forma que não proporcionam protagonismo para o individuo. Família Construtiva Destrutiva Padrões familiares Construtivas Padrão e estilo familiar de cuidado, acolhimento e união, pois nestas há escuta, apoio e companheirismo. Destrutivas Apresentam-se como isoladas, preconceituosas e discriminatórias, pois nestas há mágoas, angústias entre os familiares, dificultando as relações entre os mesmos.