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Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano 185 Lê o seguinte poema e responde às questões. 5 10 Bucólica A vida é feita de nadas: De grandes serras paradas À espera de movimento; De searas onduladas Pelo vento; De casas de moradia Caídas e com sinais De ninhos que outrora havia Nos beirais De poeira; De sombra duma figueira; De ver esta maravilha: Meu pai a erguer uma videira Como uma mãe que faz a trança à filha. Miguel Torga, Diário I, in Poesia Completa, Vol. I, Lisboa, Dom Quixote, 2007, pp. 96-97. . 1. «A vida é feita de nadas» 1.1 Procede a um levantamento dos «nadas» a que se refere o sujeito poético. 1.2 Esclarece o sentido do verso acima transcrito. 2. Explica a importância que os «sinais / De ninhos que outrora havia / Nos beirais» (vv. 7-9) assumem no poema. 3. Explicita o sentimento expresso pelo «eu» poético ao ver o pai «a erguer uma videira» (v. 13). 4. Refere o valor expressivo da comparação «Como uma mãe que faz a trança à filha» (v. 14), considerando o contexto em que se integra. 5. Justifica o título do poema, tendo em atenção o respetivo conteúdo. Nome ____________________________________________ Ano ___________ Turma __________ N.o _________ Unidade 3 – Poetas contemporâneos: Miguel Torga Ficha de trabalho 16 Educação Literária Camille Pissarro, Estrada de Saint-Germain, 1871. 186 Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano Lê o seguinte poema de Miguel Torga e responde às questões. 5 10 15 Viagem Aparelhei o barco da ilusão E reforcei a fé de marinheiro. Era longe o meu sonho, e traiçoeiro O mar… (Só nos é concedida Esta vida Que temos; E é nela que é preciso procurar O velho paraíso Que perdemos.) Prestes, larguei a vela E disse adeus ao cais, à paz tolhida. Desmedida, A revolta imensidão Transforma dia a dia a embarcação Numa errante e alada sepultura… Mas corto as ondas sem desanimar. Em qualquer aventura, O que importa é partir, não é chegar. Miguel Torga, Antologia Poética, 5.ª ed., Lisboa, D. Quixote, 1999. . 1. Explicita a adequação do título ao poema. 2. Identifica os diferentes momentos da «Viagem» a que o título se reporta. 3. Relê a primeira estrofe. 3.1 Explica o valor simbólico que os elementos «barco» e «marinheiro» adquirem no contexto deste poema. 3.2 Esclarece a possível intenção da utilização das reticências e dos parênteses nesta estrofe. 4. Relê a segunda estrofe. 4.1 Aponta os traços caracterizadores do sujeito poético. 4.2 Indica um recurso expressivo presente nesta estrofe, explicitando o respetivo valor contextual. Nome ____________________________________________ Ano ___________ Turma __________ N.o _________ Unidade 3 – Poetas contemporâneos: Miguel Torga Ficha de trabalho 17 Educação Literária Henri Le Sidaner, Casas do Porto sob o Luar, 1923. Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano 187 Lê o seguinte poema de Eugénio de Andrade e responde às questões. 5 10 15 Os amantes sem dinheiro Tinham o rosto aberto a quem passava. Tinham lendas e mitos e frio no coração. Tinham jardins onde a lua passeava de mãos dadas com a água e um anjo de pedra por irmão. Tinham como toda a gente o milagre de cada dia escorrendo pelos telhados, e olhos de oiro onde ardiam os sonhos mais tresmalhados. Tinham fome e sede como os bichos, e silêncio à roda dos seus passos. Mas a cada gesto que faziam um pássaro nascia dos seus dedos e deslumbrado penetrava nos espaços. Eugénio de Andrade, Antologia Breve, Lisboa, Editorial Inova Limitada, 1980. . 1. Explica de que forma se estabelece um contraste aparente entre a repetição anafórica presente no poema e o título. 2. Indica a função sintática que o título desempenha em relação a todas as frases que se iniciam pela referida referida repetição. 3. Comenta o valor do tempo verbal reiterado ao longo do poema. 4. Identifica, no poema, uma personificação e uma metáfora, esclarecendo os respetivos valores expressivos. 5. Explicita o sentido dos três últimos versos e o valor do conector que os introduz. Nome ____________________________________________ Ano ___________ Turma __________ N.o _________ Unidade 3 – Poetas contemporâneos: Eugénio de Andrade Ficha de trabalho 18 Educação Literária Edvard Munch, O Beijo, 1892. 188 Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano 5 10 15 20 25 30 Poema à Mãe No mais fundo de ti, eu sei que traí, mãe Tudo porque já não sou o retrato adormecido no fundo dos teus olhos. Tudo porque perdi as rosas brancas que apertava junto ao coração no retrato da moldura. Se soubesses como ainda amo as rosas, talvez não enchesses as horas de pesadelos. Mas tu esqueceste muita coisa; esqueceste que as minhas pernas cresceram, que todo o meu corpo cresceu, e até o meu coração ficou enorme, mãe! Olha – queres ouvir-me? – às vezes ainda sou o menino que adormeceu nos teus olhos; ainda aperto contra o coração rosas tão brancas como as que tens na moldura; ainda oiço a tua voz: Era uma vez uma princesa no meio de um laranjal... Mas – tu sabes – a noite é enorme, e todo o meu corpo cresceu. Eu saí da moldura, dei às aves os meus olhos a beber, Não me esqueci de nada, mãe. Guardo a tua voz dentro de mim. E deixo-te as rosas. Boa noite. Eu vou com as aves. Eugénio de Andrade, in Primeiros Poemas / As Mãos e os Frutos / Os Amantes sem Dinheiro, Quasi Edições, 2006. . Nome ____________________________________________ Ano ___________ Turma __________ N.o _________ Unidade 3 – Poetas contemporâneos: Eugénio de Andrade Ficha de trabalho 19 Educação Literária Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano 189 1. Indica o tema do poema e explicita a forma como ele é desenvolvido. 2. Explicita as causas do atual desencontro afetivo do sujeito poético e da sua mãe. 3. Interpreta as metáforas que expressam essas causas, centrando a tua atenção nas palavras «retrato»/«moldura», «rosas brancas» e «aves». 4. O último verso parece anunciar uma escolha definitiva. Comenta-a. 5. Faz a análise da estrutura externa do poema. 190 Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano Lê o seguinte poema de Ana Luísa Amaral e responde às questões. 5 10 15 20 25 Aniversário Sentei-me com um copo em restos de champanhe a olhar o nada. Entre crianças e adultos sérios Tive trinta em casa. Será comovedor os quatro anos e a festa colorida as velas mal sopradas entre um rissol no chão e os parabéns: quatro anos de vida. Serão comovedores os sumos de laranja concentrados (proporções por defeito) e os gostos tão diversos, o bolo de ananás, os pés inchados. Será soberbamente comovente toda a gente cantando, o mau comportamento dos adultos conversas-gelatinas e os anos só pretexto. Mas eu gostei. E contra mim gostei mesmo no resto: este prazer pequeno do silêncio um sapato apertando descalçado guardanapo e rissol por arrumar no chão e um copo olhando o nada em restos de champanhe. Ana Luísa Amaral, Poesia Reunida: 1990-2005, Vila Nova de Famalicão, Quasi Edições, 2005. . Nome ____________________________________________ Ano ___________ Turma __________ N.o _________ Unidade 3 – Poetas contemporâneos: Ana Luísa Amaral Ficha de trabalho 20 Educação Literária Paul Sérusier, Natureza Morta com Garrafa e Fruta, 1909. Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano191 1. Explicita o tema do poema e a forma como o conteúdo é desenvolvido. 2. Divide o poema em partes lógicas, explicitando o sentido de cada uma. 3. Evidencia e comenta a expressividade da dupla referência ao rissol dentro do que conheces das temáticas de Ana Luísa Amaral. 4. Identifica os recursos expressivos evidentes nos três últimos versos e explicita o seu valor e sentido. 5. Comenta a estrutura formal da composição poética. 192 Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano Lê o seguinte poema de Ana Luísa Amaral e responde às questões. 5 10 15 20 25 30 35 Mais fácil é «a poet – it is that –», que a gramática nossa o não permite e precisa dois gumes do estilete – o que implicará sempre mais limite. Mas, caso a regra for bem aplicada (invertendo-se os termos da exceção), porque não ler «poeta», feminino, e masculino: ... vide conclusão? Mas se poeta for quem mais repete as quadras já ouvidas, recusando- -as depois e repetidas, lembrando utilidade imensa do estilete: ou seja, a de espetar tais mil palavras em cima de mil sílabas de mais, sabendo que depois, uma palavra é o que sobrará; e que das tais mil e catorze sílabas só uma lá caberá (no verso, quero dizer), que de tanto esforçar e se perder, acaba por às vezes ser nenhuma. E se poeta for nem paciente nem ausente de tal, que a paciência em demasia: coisa de serpente, como é do seu contrário a sua ausência. E se poeta for... inútil mais, que de ridículo este definir se perderá por versos mais e tais que o verso às tantas poderá partir. Mas quando se partir, aí o verso. E quando se partir, aí o lume: avançar muito além do definir, não distinguir essência de perfume. E na ausência de final dourado, tal como na ausência de terceto, a conclusão: nem homem, nem mulher, ou então: a «poeta» e o «poeto» Ana Luísa Amaral, Poesia Reunida: 1990-2005, Vila Nova de Famalicão, Quasi Edições, 2005. . Nome ____________________________________________ Ano ___________ Turma __________ N.o _________ Unidade 3 – Poetas contemporâneos: Ana Luísa Amaral Ficha de trabalho 21 Educação Literária António Carneiro, Sinfonia Azul, 1920. Editável e fotocopiável © Texto | Mensagens 12.o ano 193 1. Indica o tema do poema e explicita a forma como ele é desenvolvido. 2. Explicita a expressividade dos sinais gráficos utilizados no texto. 3. Esclarece de que modo o sujeito poético usa de uma certa ironia para desenvolver o tema do formalismo literário associado ao significado da palavra «poeta». 4. Explica a importância da última quadra para a conclusão da temática desenvolvida ao longo do poema, tendo em atenção as subtilezas do humor e da ironia. 5. Comenta a estrutura formal do poema.