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quarta-feira, 8 de março de 2023 Lombalgia - Manejo não farmacológico e farmacológico É estimado que até 84% dos adultos tenham dor lombar em algum momento de suas vidas, e é uma das razões mais comuns para uma consulta de atenção básica. O resultado da lombalgia à longo prazo é geralmente favorável e os episódios são autolimitados para a maioria das pessoas, podendo os sintomas persistirem além de 12 semanas. Norma no primeiro mês: rápida melhora da dor e da incapacidade, fazendo com que o paciente retorne ao trabalho. Definição: Os pacientes são categorizados em três grupos de acordo cm a duração dos sintomas: 1. Dor lombar aguda: Dor com duração de até 4 semanas; 2. Dor lombar subaguda: Dor com duração entre 4 a 12 semanas (período de transição, no qual a melhora da dor e da função geralmente é menos rápida do que na fase aguda. Além disso, os pacientes podem desenvolver dor crônica. Nesse período, os objetivos de tratamento são trabalhar para a resolução dos sintomas, e identificar, o mais cedo possível aqueles que tem maiores riscos de desenvolver dor lombar crônica, intervindo o mais cedo possível nesses pctes. 3. Dor lombar crônica: Dor com duração superior a 12 semanas. O objetivo do tratamento da dor lombar crônica não objetiva a cura e sim o controle da dor, a manutenção da função e maximização do enfrentamento e prevenção da incapacidade. Aconselhamento e exercício de auto-cuidado para todos os pacientes: Todos os pacientes com lombalgia subaguda ou crônica devem receber orientações de autocuidado e incentivados a participarem de algum tipo de exercício físico baseado em movimento. Necessário seguir os itens: 1. Manter a atividade conforme tolerado; 2. Calor: O uso de calor (almofada de aquecimento por 20 min a cada 2h) seguido de alongamento suave conforme tolerado para os pacientes com dor nas costas subaguda e durante as crises em pacientes com dor lombar crônica. 3. Terapia por exercícios: Ajuda a aliviar os sintomas da dor e melhora a função em pacientes com dor lombar. Ex: Exercícios físicos de estabilização, movimentos de flexão e extensão (Exercícios de McKenzie), condicionamento físico geral, exercícios aeróbicos, pilates e ioga. 1 quarta-feira, 8 de março de 2023 Avaliando o risco de desenvolver dor lombar crônica: O uso de outros tratamentos além de aconselhamento de autocuidado e terapias de exercício depende dos fatores de risco dos pacientes para o desenvolvimento de dor crônica e incapacidade relacionados a dor lombar crônica. Alguns desses fatores são: condições psicológicas preexistentes, somatização, outros tipos de dores crônicas, estresse, obesidade e tabagismo. Esses pacientes podem se beneficiar de diferentes abordagens de tratamento no início de sua apresentação. Manipulação da coluna vertebral: A manipulação da coluna vertebral pode ter benefícios benéficos a curto prazo no manejo da dor lombar srubaguda e crônica. É baseado em movimentos de articulações além de sua amplitude, como quiropraxia, mas também atendimento de fisioterapia. Acupuntura: No tratamento da dor, produzem resultados mistos. Massagem: promove alívio sintomático, sendo uma opção razoável de controle de dor a curto prazo para aqueles pacientes que estão interessados em buscar o tratamento de massagem. Tratamento farmacológico para sintomas de dor mais graves (Primeira linha): Em pacientes com dor lombar subaguda com sintomas de dor mais graves, usamos terapia farmacológica para controle adicional dos sintomas. É usado tanto a terapia farmacológica como a não farmacológica em união na prática clínica. O objetivo dos medicamentos é fornecer alívio dos sintomas de dor, permitindo ao paciente participar de terapias ativas, incluindo exercícios, intervenções psicológicas e/ou mente-corpo. AINES’s: Recomendado para pacientes com dor lombar subaguda, para tratamento de primeira linha, ex: Ibuprofeno (400 a 800mg via oral a cada oito horas); Naproxeno (250 a 500 mg via oral a cada 12 horas); *Os pacientes devem ser encorajados a tomar a menor dose eficaz de um AINE pelo menor período de tempo* O ideal é fazer com que o paciente tome uma dose permanente por uma a duas semanas, depois diminua a dose e a frequência de dosagem conforme tolerado. Os AINES estão associados a efeitos colaterais gastrointestinais e renais, sendo que a sua exposição prolongada está associado a um risco aumentado de infarto do miocárdio, que pode estar associado ao grau de inibição da COX-2, portanto deve-se avaliar riscos cardiovasculares e gastrointestinais antes de prescrever AINEs. Pacientes com contraindicação aos AINEs: Pacientes com alergia, intolerância, doença renal crônica, hipertensão, úlcera péptica ou doença cardiovascular uma 2 quarta-feira, 8 de março de 2023 alternativa razoável é o uso do ACETAMINOFENO (paracetamol 650mg via oral a cada 6h - máximo 3g por 24h), embora para pacientes idosos com insuficiência hepática é ideal uma dose diária total mais baixa. *Não se combina acetaminofeno com AINEs* O acetaminofeno pode levar a overdose por hepatotoxicidade grave e é a causa mais comum de insuficiência hepática aguda. Além disso, outros efeitos adversos incluem doença renal crônica, hipertensão e úlcera péptica. Terapia de segunda linha: Caso a terapia com AINEs ou paracetamol for inadequada em pacientes com dor lombar subaguda, é indicado a adição de um relaxante muscular esquelético não benzodiazepínico, caso os sintomas não forem bem controlados com AINES ou apenas com paracetamol. Exemplos: Ciclobenzaprina (5 a 10 mg via oral três vezes ao dia, com uma dose na hora de dormir para ajudar no sono) Tizanidina (4 a 8 mg via oral três vezes ao dia) *Quando um relaxante muscular esquelético é necessário, usamos a menor dose efetiva e frequência de dosagem* Dor lombar crônica: Todos os pacientes com dor lombar crônica devem receber aconselhamento de autocuidado e participar de exercícios ou terapia baseada em movimento. 1. Pacientes sem sintomas incapacitantes ou comprometimento funcional: É indicado a participação em um programa de exercícios independente. 2. Pacientes com dor incapacitante e comprometimento funcional significativo: Esses pacientes requerem estratégias de manejo mais intensivas, sendo necessário controlar a dor, aumentar a função e maximizar as habilidades de enfrentamento. Utiliza-se uma combinação de terapias de exercícios (programa de exercícios supervisionado), intervenções psicológicas (terapia ativa, focada em melhora da função e não apenas redução da dor) e terapia farmacológica. 3. Terapia cognitivo-comportamental (TCC) + Exercícios e movimentos Terapia farmacológica adjuvante para pacientes com sintomas persistentes e significativos: A terapia não farmacológica é preferida à terapia farmacológica para tratamento da dor lombar crônica, porém são usadas junto na prática clínica. O objetivo dos medicamentos é proporcionar alívio sintomático da dor, ao mesmo tempo que permite que o paciente participe de terapias ativas (exercícios e/ou tratamentos psicológicos), incentivando o aumento da função e a melhora do enfrentamento. 3 quarta-feira, 8 de março de 2023 Terapia farmacológica de primeira linha para pacientes com dor lombar crônica: Se os AINEs forem eficazes no controle dos sintomas, continuamos sem adicionar terapia farmacológica adicional. Usa-se a menor dose e frequência efetivas, conforme o necessário para cada paciente, em vez de um esquema de dosagem “permanente”, tentando diminuir, e finalmente descontinuar esses medicamentos, se possível. Não se usa AINEs para terapia crônica se eles forem ineficazes no tratamento de sintomas subagudos de dor lombar. Terapia farmacológica de segunda linha para dor lombar crônica: Para pacientes com dor lombar crônica nos quais a terapia com AINEs é ineficaz ou inadequada e que requerem terapia farmacológica de longo prazo, a duloxetina (Inibidor seletivo da recitação deserotonina-norepinefrina-antidepressivo) e o tramadol (Droga agonista opióide misto, carrega potencial de dependência), são comumente usados. *A duloxetina é preferível e único. Não utilizamos outros antidepressivos* Antidepressivos Tricíclicos São usados para tratar síndromes de dor crônica e dor lombar. Malefícios: Tem pouco benefício em estudos de dor nas costas e possui efeitos colaterais (sonolência, boca seca e tontura). Exemplos de antidepressivos tricíclicos: 1. Amitripilina; 2. Nortriptilina; 3. Desipramina; Crises agudas em pacientes com lombalgia crônica: Quando as crises de lombalgia ocorrem em pacientes com lombalgia crônica, gerenciamos esses episódios como fazemos com lombalgia subaguda, para todos os pacientes fazemos: 1. Reforçamos conselhos de autocuidado; 2. Terapia farmacológica de curto prazo; 3. Encaminhar para terapia psicológica; 4. Acupuntura, manipulação da coluna vertebral e tratamento de massagem; Outras modalidades terapêuticas: 1. Terapia a laser de baixa intensidade – A terapia a laser de baixa intensidade, utilizada por alguns fisioterapeutas, é fornecida como um único comprimento de onda de luz, entre 632 e 904 nm, direcionado à área de desconforto. Ensaios usando terapia de luz laser de baixa intensidade produziram resultados inconsistentes. 4 quarta-feira, 8 de março de 2023 Para dor lombar crônica ou dor nas costas de duração não especificada, quatro estudos encontraram a terapia a laser superior à terapia simulada para alívio da dor e melhora da função até um ano após o tratamento 2. Estimulação elétrica nervosa transcutânea – A estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS) refere-se ao uso de um pequeno dispositivo operado por bateria para fornecer impulsos elétricos contínuos por meio de eletrodos de superfície, com o objetivo de proporcionar alívio sintomático modificando a percepção da dor. Em uma meta-análise de nove estudos comparando TENS com TENS simulada, placebo ou terapia farmacológica, não houve melhora nos escores de dor lombar. 3. Estimulação elétrica nervosa percutânea – A estimulação elétrica nervosa percutânea (PENS) envolve a inserção de agulhas semelhantes à acupuntura no tecido mole e a aplicação de estimulação elétrica de baixo nível. Os pontos de inserção visam níveis dermatomais para tratamento em vez de pontos de acupuntura. 5