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SUMÁRIO 1. Introdução .................................................................................... 3 2. Hemostasia ................................................................................. 4 3. Técnica manual .......................................................................... 9 4. Triagem de defeitos da hemostasia primária .............. 10 5. Triagem de defeitos da hemostasia secundária ........ 12 6. Teste de mistura ..................................................................... 15 7. Uso da avaliação laboratorial da hemostasia ............. 16 8. Outros fatores ......................................................................... 21 9. Tromboelastograma ou tromboelastografia ................ 22 3COAGULOGRAMA 1. INTRODUÇÃO A hemostase é o equilíbrio entre as proteínas pró-coagulantes e antico- agulantes, que mantém a fl uidez do sangue pelos vasos, incluindo o con- trole da hemorragia e dissolução de coágulos. Alterações neste equilíbrio caracterizam algumas patologias, en- tre elas a hemofi lia e a trombofi lia. Tromboplastinas: As fontes mais im- portantes de tromboplastinas são os tecidos orgânicos em geral, mas tam- bém são advindas das plaquetas. A tromboplastina tecidual extrínseca é uma substância lipoproteica inativa, que para ser ativada é necessário que sua cadeia molecular seja aumentada por mais três componentes do plas- ma que são cofatores da atividade tromboplástica. A tromboplastina in- trínseca é formada pela união de uma substância lipoproteica da plaqueta com outros fatores, mas ainda é inati- va, e para ser ativada na coagulação, sua cadeia precisa ser aumentada por outros cofatores do plasma (fator V e X). Ao fi nal de ambos os processos, se formam protrombinases que, atu- ando sobre a protrombina, converte-a em trombina. A trombina então tem ação sobre as moléculas de fi brino- gênio, dessa ação resultam produtos que se polimerizam num novo arranjo molecular formando a fi brina. Fibrinólise: A fragmentação da fi - brina resulta da ação proteolítica da plasmina que existe no organismo sob a forma de um precursor inativo, o plasminogênio. Por ação de ativa- dores endógenos ou exógenos ocor- re alteração na estrutura molecular do plasminogênio que se converte em plasmina, cuja a ação é maior no subs- trato da fi brina e menor no fi brinogê- nio. A estreptoquinase e a uroquinase são ativadores do plasminogênio e o ácido epsilonaminocapróico e os ini- bidores das proteases inativam a for- mação de plasmina ou, simplesmen- te bloqueiam sua ação, funcionando como anti-plasminas. Supõe-se atualmente que coagula- ção e fi brinólise são dois mecanismos que se desenvolvem concomitante- mente existindo um equilíbrio dinâ- mico contínuo entre ambos. 4COAGULOGRAMA Figura 1: Sistema de coagulação Logo, para monitorização de trata- mentos visando o controle da hemos- tasia, algumas medidas laboratoriais são utilizadas, chamadas corriquei- ramente de coagulograma, onde os resultados serão utilizados para de- terminar o estado clínico de pacientes em tratamento com anticoagulantes orais. 2. HEMOSTASIA CONCEITO: A hemostasia é um proces- so fi siológico encarregado de minimizar as perdas sanguíneas corporais. Este fe- nômeno é constituído por duas clássicas etapas: primária e secundária – as quais acontecem, simultaneamente, no orga- nismo. Para que ocorra a hemostasia, é ne- cessária uma perfeita harmonia entre as duas etapas de formação. SISTEMA DE COAGULAÇÃO Equilíbrio entre Agentes anticoagulantes Agentes fi brinolíticos Agentes pró coagulantes SISTEMA DE COAGULAÇÃO O sangue é composto por várias substâncias, onde cada uma delas tem uma função. Algumas dessas substâncias são as proteínas deno- minadas fatores de coagulação, que ajudam a estancar as hemorragias quando ocorre o rompimento de va- sos sanguíneos. Existem 13 tipos di- ferentes de fatores de coagulação e os seus nomes são expressos em algarismos romanos. Assim, existe desde o Fator I até o Fator XIII. Es- ses fatores são ativados por exem- plo, quando ocorre o rompimento do vaso sanguíneo, onde a ativação do primeiro leva à ativação do seguinte até que ocorra a formação do coágulo pela ação dos 13 fatores. 5COAGULOGRAMA Figura 2: Hemostasia Fonte: retirado de www. kasvi.com.br A hemostasia primária atua regre- dindo o sangramento por meio da formação de um trombo ou tampão plaquetário. A formação do tampão de plaquetas em um sítio de injúria vascular requer a integridade de três componentes da função plaquetária: adesão, ativação e agregação. Alte- rações que decorram em uma destas etapas condicionam a formação dos distúrbios plaquetários. A hemostasia secundária subdivi- dida em via intrínseca (fatores VIII, IX e XI), extrínseca (fator VII) e comum (X, V, protrombina e fibrinogênio), atua evitando o ressangramento, na formação de uma rede adesiva de fibrina que consolida o trombo. Alte- rações que ocorram em uma destas vias, no que concerne a deficiência de determinado fator, constituem as co- agulopatias hereditárias. 6COAGULOGRAMA HEMOSTASIA SECUNDÁRIA Via intrínseca Via extrínseca Sistema de contato Sistema de lesão endotelial Contato do sangue com superfícies de carga negativa (colágeno) Contato do sangue com o fator tecidual, liberado pelas células subendoteliais após a lesão XIIa XIa IXa VIIIa VIIa XII XIII IX XI VIII VII Ativação por contato Fator tecidual TTPa TP PDFs VIA COMUM Tempo de trombina VIT K VIT K VIT K VIT K Cálcio FP3 X Xa Protrombina (II) Fibrinogênio (I) Trombina (IIa) Plasmina Plasminogênio Fibrina polimerizada Fibrina (Ia) Fluxograma Casca- ta de coagulação Fonte: retirado de www.medicplus. com.br 7COAGULOGRAMA • Na identifi cação de pacientes com tendências a hemorragias ou a for- mação de coágulos; • No monitoramento da resposta a medicação anticoagulante; • No prognóstico de pacientes com falência hepática; • No rastreamento de coagulação intravascular disseminada (cid) em pacientes com sepse; • No rastreamento de sangramento oculto previamente à cirurgia ou outro procedimento invasivo. Os eventos comuns da coagulação (via fi nal comum), quer sejam iniciados pela via extrínseca ou intrínseca, são a ativação do fator X(Xa), a conversão de trombina a partir da protrombina pela ação do fator Xa, formação de fi - brina estimulada pela trombina e es- tabilização da fi brina pelo fator XIIIa. Todos os fatores de coagulação são sintetizados no fígado, exceto o fator VIII. Hoje sabemos que este último é sintetizado no endotélio. SE LIGA! Doenças relacionadas à he- mostasia primária serão diagnosticadas principalmente nas alterações referentes ao tempo de sangramento e a contagem de plaquetas. São exemplos: a púrpura trombocitopênica idiopática (PTI), a púr- pura trombocitopênica trombótica (PTT) e doença de Von Willebrand. Doenças relacionadas à hemostasia se- cundária, como as hemofi lias e a defi ci- ência de vitamina K, podem ser diagnos- ticadas a partir da análise do TTPa (para via intrínseca) e TP (via extrínseca). Nesse sentido, associado a uma boa anamnese e a um exame físico com- pleto, avaliação laboratorial do coa- gulograma torna-se, também, de fun- damental importância: 8COAGULOGRAMA SE LIGA! Avaliação clínica da hemostasia. O interrogatório dirigido é indispensável. Devem-se buscar informações sobre sangramentos anormais, tais como: epistaxe, hematomas espontâneos, sangramento gengival freqüente, ex- tração dentária com hemorragia incoercível, hematúria e sangramentos anormais durante a menstruação. Informações sobre o uso de drogas anticoagulantes ou antiagregantes plaquetá- rias (tabela abaixo) devem ser anotadas com destaque nos registros do paciente, assim como a dose diária, o tempo de uso e a última administração. No caso de o paciente possuir antece- dentes cirúrgicos, o relato do comportamento da hemostasia naqueles eventos é o melhor guia para identificaros eventuais portadores de coagulopatia e, assim, evitar complicações. EXEMPLOS DE DROGAS QUE ATUAM SOBRE AS PLAQUE- TAS REFLETINDO ALARGA- MENTO DO TEMPO DE SAN- GRAMENTO Aspirina Etanol Dipiridamol Indometacina Penicilinas Dextran Clorpromazina Hidroxicloroquina Fenilbultazona Ác. mecoflenâmico Nitrofurantoína Antidepressivos tricíclicos Tabela 1. Medicamentos que alargam o Tempo de Sangramento. Fonte dis- ponível em: www.sites.usp.br] SINAL OU SINTOMA DISTÚRBIO DA HEMOSTASIA PRIMÁRIA (VASO E PLAQUETA) DISTÚRBIOS DA HEMOSTASIA SECUNDÁRIA (FATORES DA COAGULAÇÃO) Início do sangramento Espontâneo ou imediatamente após o trauma Tardio após o trauma Sangramento a pequenos traumas Persistente e/ou em grande quantidade Mínimo Equimoses superficiais Característico: usu- almente pequenas e numerosas Raro Petéquias Comum Raro Hematomas superficiais Raro Comum Hematomas profundos Raro Característico Hamartrose Raro Característico Sexo Predomínio feminino Predomínio masculino História familiar Rara exceto na Doen- ça de von Willebrand Comum Tabela 2. Manifestações clínicas de distúrbios hemorrágicos Fonte: RIZZATTI EG & FRANCO RF. Investigação diagnóstica dos distúrbios hemorrágicos. Medicina, Ribeirão Preto, 34: 238-247, jul./dez. 2001 9COAGULOGRAMA 3. TÉCNICA MANUAL A técnica manual, embora utilizada por poucos laboratórios de hemos- tasia, pode fornecer resultados con- fi áveis, quando realizada adequada- mente. Além disso, é didática para o treinamento do pessoal técnico do laboratório. A utilização de tubos de vidro silico- nizado, ou de plástico, permite melhor desempenho da técnica manual. O tamanho conveniente é de 75 x 10 mm; diferentes tipos de tubo podem ser utilizados, porém estas diferenças podem infl uenciar no tempo de coa- gulação obtido, particularmente para testes de triagem como: tempo par- cial de tromboplastina ativada (TTPA). Diferenças sistemáticas entre as téc- nicas manual e automatizada neces- sitam de novo intervalo de referência do laboratório. CURIOSIDADE: A presença de hemólise na amostra talvez seja uma das principais fontes de erros, não só no laboratório de hemostasia, mas em laboratórios de maneira geral. A princípio a amostra com hemólise deve ser descartada a menos quando for inerente ao paciente. Por exemplo, casos em que o paciente foi submetido à circulação extracorpórea uma nova coleta não eliminará a hemólise. A hemólise dilui os fatores de coagulação, por liberação de líquido intracelular para o meio extracelular, e ocorre a exposição de componentes intracelular e de membrana que ativam a coagulação sanguínea. Como resultado, a presença de hemólise pode tanto encurtar como prolongar os testes de coagulação. Além disso, dependendo do grau da hemólise, pode haver interferência na detecção do coágulo por sistema óptico. As causas de hemólise durante a obtenção da amostra de sangue são diversas, mas podem-se destacar algumas: • Garroteamento prolongado e tapinhas no vaso durante a coleta. • Agitação do tubo • Inserção da agulha da seringa na tampa do tubo • Transporte inadequado, com agitação da amostra e/ou extremos de temperatura • Contado direto do sangue com o gelo • Coletas traumáticas • Uso de agulhas de baixo calibre 10COAGULOGRAMA 4. TRIAGEM DE DEFEITOS DA HEMOSTASIA PRIMÁRIA Contagem de plaquetas A plaquetometria normalmente varia entre 150.000 – 450.000/mm³. Este exame pode ser realizado por auto- mação (aparelho Coulter) ou pela con- tagem manual no esfregaço periférico. TROMBOCITOSE TROMBOCITOPENIA Reativo Deficiência de produção • Infecção • Doença da medula óssea • Pós-cirurgia • Deficiência nutricional • Pós- esplenectomia Aumento da destruição • Malignidade • Medicações, álcool • Hemorragia • Doença autoimune Doença mieloproliferativa • CIVD Hiperesplenismo Tabela 3. Etiologias de anormalidade na quantidade de plaquetas SE LIGA! Apesar de prático, o método do Coulter pode falhar, revelando baixas contagens plaquetárias em pacientes com plaquetometria normal – pseudo- trombocitopenia. São dois os principais mecanismos: (1) o anticoagulante – especialmente o EDTA – pode formar clumps plaquetários, que podem ser contados como hemácias ou leucócitos; (2) satelitismo plaquetário – o arranjo de plaquetas em volta dos neutrófilos. Sempre que a plaquetometria for des- proporcional à clínica do paciente ou to- talmente inexplicada, deve-se confirmá- -la pela contagem manual. Índices plaquetários Os índices plaquetários principais são o VPM (Volume Plaquetário Médio) e o PDW (índice de anisocitose plaque- tário). O aumento de VPM (normal: 3-12 fL) sugere destruição periférica de plaquetas, como na PTI (Púrpura Trombocitopênica Imune) e na PTT (Púrpura Trombocitopênica Trombóti- ca). O estímulo aos megacariócitos da medula leva à liberação de plaquetas maiores (megatrombócitos). Tempo de sangramento (TS) O tempo de sangramento é o tem- po necessário para que um peque- no corte superficial na pele pare de sangrar. Geralmente é feito por uma lanceta padronizada no lobo auricular (Teste de Duke), com uma incisão em torno de 1 mm de profundidade, ou na pele do antebraço (teste de Ivy). O TS depende da hemostasia primá- ria (plaquetas, fator de von Wille- brand), mas também da integridade vascular cutânea. O valor normal é de 3-7min. O método, apesar de simples e bara- to, não é muito fidedigno e apresenta variações diárias e interexaminador, não sendo um bom parâmetro pré- -operatório em pacientes sem his- tória de sangramento. Este exame deve ser valorizado apenas se hou- ver forte suspeita de um distúrbio da hemostasia primária. Nesta situação, um TS significativamente alargado 11COAGULOGRAMA (> 10min), diante de plaquetometria normal, sugere: doença de von Willebrand; ou um distúrbio genético da fun- ção plaquetária (trombastenia de Glanzmann, síndrome de Ber- nard-Soulier); ou adquirido (uremia, circulação ex- tracorpórea, paraproteinemia). RESUMO: O tempo de sangramento é um teste qualitativo e um exame de ava- liação secundário. A avaliação das pla- quetas, vasos e fator de Von Willebrand é realizado in vivo pelo tempo de san- gramento. No TS, a avaliação da hemos- tasia primária se encerra quando ocorre a interrupção do sangramento e não a formação de coágulo. 1 2 3 Interromper e repetir TS Uso de AAS ou anti-inflamatório Contagem de plaquetas Anormais Normais Investigar: doença de von Willebrand, plaquetopenia hereditária, anormalidade vascular, doenças mieloproliferativas Normal Causa do auemento do TS Investigar plaquetopenia Avaliar função hepática e renal SISTEMA DE COAGULAÇÃO Diminuída SIMNÃO PRINCIPAIS CAUSAS DE TEMPO DE SANGRAMENTO PROLONGADO Fonte: RIZZATTI EG & FRANCO RF. Investigação diagnóstica dos distúrbios hemorrágicos. Medicina, Ribeirão Preto, 34: 238-247, jul./dez. 2001 12COAGULOGRAMA procedimento laboratorial que avalia os fatores de coagulação II, V, VII e X (via extrínseca), sendo que, des- tes, os fatores II, VII e X são vitamina K-dependentes. A determinação de TP é imprescin- dível na avaliação, no acompanha- mento e na evolução de pacientes portadores de patologias variadas e no monitoramento de pacientes que estão em terapia com anticoagulan- tes orais. Logo, resultados expressos erronea- mente irão levar à condutas clínicas inadequadas, que podem levar o pa- ciente a distúrbios hemorrágicos de graves dimensões. Figura 6: Tempo de protrombina Fonte: retirado de https://youtu.be/q548IZGbt28 O TP pode se apresentar aumentado e diminuído em algumas situações, entre elas: 5. TRIAGEM DE DEFEITOS DA HEMOSTASIA SECUNDÁRIA Em relação aos testes da atividade dos fatores de coagulação, devido ao fato de que a seleção da via ex- trínseca ou intrínseca é determinada pelo tipo de superfície fosfolipídica, pode-se escolher a via a ser avalia- da acrescentando determinados fos- folipídios à amostra de sangue a ser analisada.Tempo de protrombina (TP ou TAP) É feito no plasma descalcificado pelo uso de citrato (“tubo de tampa azul”). A diferença em relação ao PTT é a adição de um extrato de tecido ani- mal que contém, além do fosfolipídio plaquetário, o próprio fator tecidual. Tal extrato é denominado “trombo- plastina completa”. Diversas são as “tromboplastinas” utilizadas, varian- do conforme o lote do produto, por exemplo: tromboplastina derivada do extrato de cérebro bovino. Ao se adi- cionar o cálcio ionizado, a coagulação é prontamente iniciada pela via ex- trínseca (fator tecidual-fator VII), por- tanto, procede de forma mais rápida. O valor normal é 10-13s. O TP é o tempo em segundos para formação do coágulo de fibrina. É um 13COAGULOGRAMA TP TP Deficiência de fibrinogênio Terapia de reposição hormonal Deficiência de protrombina Uso de contraceptivos orais Deficiência de um dos fatores de coagulação (II, V, VII ou X) Terapia com barbitúricos Deficiência associada de vários fatores, por insuficiência hepática, deficiência de vitamina K Administração de mul- tivitamínicos ou suple- mentos alimentares contendo vitamina K Tabela 3. Etiologias de anormalidade no tempo de protrombina Índice de normalização internacional (INR) Os pacientes em terapia com antico- agulantes orais necessitam de moni- torização rigorosa, envolvendo tanto fatores inerentes a ele quanto a fato- res relacionados à determinação do teste, tais como a coleta, a separação, o acondicionamento da amostra, o re- agente e a realização do ensaio. Por avaliar a via extrínseca da coagu- lação (relacionado à lesão vascular), o TP foi muito utilizado para moni- torização da terapia com antiacoa- gulantes orais, no entanto a adoção universal do TP com esta finalidade, não trouxe uma uniformidade nesta monitorização. Os reagentes utilizados (tromboplas- tinas) inicialmente eram produzidos a partir de um tecido humano, e foram posteriormente sendo substituídos por reagentes de tecido animal, o que gerou enorme variação intra e inter- laboratorial, ou seja, a sensibilidade dos reagentes variava de acordo com a origem da tromboplastina. Fato que ocasionou sérios problemas para os pacientes, visto que os resultados ob- tidos por laboratórios que utilizavam reagentes menos sensíveis, ocasio- navam erroneamente em uso de do- ses mais altas de anticoagulantes. Diante deste problema foi instituído pela Organização Mundial de Saúde (OMS) a RNI (Relação Normatizada Internacional), que expressa a unifor- mização dos resultados, pois leva em consideração a sensibilidade do re- agente utilizado. Os fabricantes dos reagentes foram orientados a com- parar as tromboplastinas produzidas com a tromboplastina de referência mundial da OMS, através da constru- ção de uma curva de calibração, onde será verificada a atividade enzimáti- ca a partir da diluição seriada de um plasma calibrador, e calcular o Índice de Sensibilidade Internacional (ISI), diminuindo assim, as discrepâncias entre os resultados do tempo de pro- trombina, dando mais confiabilidade ao teste. 14COAGULOGRAMA O ISI é considerado 1,00 quando a tromboplastina utilizada é a padrão (OMS). A cada mudança de lote o fa- bricante realiza uma curva de calibra- ção, para se calcular a atividade enzi- mática a partir de uma diluição seriada de um plasma calibrador. Essa curva é relacionada com a tromboplastina padrão e se é obtido o valor de ISI para aquele lote. O cálculo do RNI só é necessário para pacientes com tempo de protrombina alterada pelo uso de anticoagulan- tes orais. Atualmente o RNI é utiliza- do mundialmente pelos laboratórios que monitoram a anticoagulação oral e isto melhorou substancialmente a qualidade da monitorização. SE LIGA! Vantagens do uso do RNI no controle da anticoagulação oral: • Permite melhor padronização, maior reprodutibilidade e menor variação interlaboratorial do TP em relação aos resultados expressos em segundos. • Redução de custos, devido a menor necessidade de solicitação de exames. • Indica a condição clínica do paciente, de maneira mais efi caz, reduzindo os possíveis efeitos colaterais da super ou subdosagem, ajustando a dose sempre que necessário. Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (TTPA) O TTPA é um procedimento labora- torial que avalia a via intrínseca (fa- tores VIII, IX, XI e XII) e comum (fi - brinogênio, protrombina, fatores V e X) da cascata da coagulação. O TTPA é relativamente mais sensível às defi ciências dos fatores VIII e IX do que às defi ciências dos fatores XI e XII ou fatores da via comum, mas, na maioria das técnicas, níveis de fatores entre 15% e 30% do normal prolon- gam o TTPA. Distúrbios da via intrínseca da cas- cata da coagulação são caracteriza- dos pelo TTPA prolongado e o tem- po de protrombina (TP) normal. Formas hereditárias incluem a defi ci- ência dos fatores VIII ou IX (hemofi lias A ou B respectivamente), fator XI pré- -calicreína, cininogênio de alto peso molecular e fator XII. A defi ciência 15COAGULOGRAMA dos três últimos fatores não está as- sociada com quadro de manifestação hemorrágica, constituindo-se ape- nas uma anormalidade laboratorial. A Distúrbios adquiridos que cursam com TP normal e TTPA prolongado incluem o inibidor lúpico ou inibidores dos fatores VIII,IX e XI, além do uso da heparina. Normalmente este tempo é menor que 35 segundos, podendo variar entre 25 e 39 segundos. É particu- larmente útil no acompanhamento dos efeitos da heparina e na determi- nação de deficiências dos fatores IX e VIII. Tempo de Trombina (TT) e Dosagem de Fibrinogênio O Tempo de Trombina (TT) é medido adicionando-se trombina humana a uma amostra de plasma. A trombina converte o fibrinogênio solúvel em fibrina, formando o coágulo. O tempo normal é de 5-15s, sendo que, após 60 segundos, o coágulo encontra- -se sólido, firme e aderente à parede do tubo quando este é invertido. Um tempo de trombina alargado ou a for- mação de um coágulo sem as carac- terísticas citadas significa que existe afibrinogenemia, hipofibrinogenemia (fibrinogênio plasmático < 100 mg/dl) ou disfibrinogenemia. A Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD) é o principal exemplo de hipofibrinoge- nemia grave adquirida. O TT também está alargado na presença de fatores antitrombínicos, como a heparina e o veneno botrópico. Neste caso, usa- -se o Teste de Reptilase, um teste baseado no efeito trombina-símile da reptilase (um veneno de cobra). Este só estará alargado nos distúrbios do fibrinogênio, não no uso de heparina ou envenenamento botrópico. Atualmente, utiliza-se com mais fre- quência a dosagem direta do fibrino- gênio plasmático para o diagnóstico da hipofibrinogenemia. O valor normal é acima de 100 mg/dl. A hipofibrino- genemia hereditária e a CIVD são as principais entidades que alteram esses valores. Na disfibrinogenemia heredi- tária o tempo de trombina pode estar alargado, mas a dosagem do fibrino- gênio plasmático pode estar normal. TESTE DE MISTURA O teste de mistura é muito utilizado para investigação inicial de exames de triagem de hemostasia com resul- tados anormais: TP ou TTPA “prolon- gados”. O teste de mistura consiste na repetição do teste (TP e/ou TTPA) em uma mistura, em iguais propor- ções, do plasma do paciente com “pool” de plasmas normais. Um TP ou TTPA prolongados podem indicar duas possibilidades: a) deficiência de um ou mais fatores de coagulação necessários para a normalidade do teste; 16COAGULOGRAMA b) presença de inibidor(es) que im- pede a formação do coágulo medida pelo teste. Em cada uma destas situ- ações o teste de mistura mostrará um comportamento diferente. No caso das deficiências de fatores, o teste de mistura revelará “normali- zação do resultado”. O fator que está deficiente será suprido pelo “pool” de plasmas normais e desta forma have- rá correção do teste (TP ou TTPA). Na presença de inibidores da coagu- lação, o teste de mistura revelará ma- nutenção doprolongamento do teste. Isto se dá, pois os inibidores (em geral anticorpos) presentes no plasma do paciente também interferem com o “pool” de plasmas normais e o teste permanece prolongado. USO DA AVALIAÇÃO LABORATORIAL DA HEMOSTASIA Usualmente, utiliza-se, de início, as quatro principais “Provas da Hemos- tasia” como screening: (1) Contagem plaquetária; (2) Tempo de Sangra- mento; (3) TP e (4) TTPA. As duas primeiras medem a hemostasia pri- mária, e as duas últimas, a hemosta- sia secundária. Nos pacientes que apresentam san- gramento com padrão clássico de distúrbio da hemostasia primária (sangramento imediato após procedi- mentos cirúrgicos, sangramento mu- cocutâneo), os primeiros testes a se- rem pedidos devem ser a contagem plaquetária e o Tempo de Sangra- mento (TS). Se a suspeita inicial for de distúrbio da hemostasia secundária (hemartrose, hematoma profundo), o TP e o TTPA são os exames mais importantes. Nas diáteses hemor- rágicas não características, todos os testes devem ser analisados. Se houver trombocitopenia sig- nificativa (< 50.000/mm3), com TTPA e TP normais (sem coa- gulopatia),devemos procurar as causas de trombocitopenia – Púr- pura Trombocitopênica Idiopática (PTI), Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT), Síndrome He- molítico-Urêmica (SHU), anemia aplásica, leucemia, hiperesple- nismo etc. Só para lembrar: a trombocitopenia justifica o pro- longamento do TS e do tempo de retração do coágulo. Se houver trombocitopenia asso- ciada a coagulopatia (alargamen- to do TTPA e/ou do TP), devemos pensar em insuficiência hepática com hiperesplenismo, CIVD ou uso de heparina (a heparina, além de alargar o TTPA, pode induzir trombocitopenia imunomediada). Para a pesquisa de CIVD deve- mos solicitar o tempo de trombi- na ou a dosagem do fibrinogênio plasmático e dosar os Produtos 1 2 17COAGULOGRAMA de Degradação de Fibrina (PDF). Se fi brinogênio baixo e PDF al- tos, confi rma-se CIVD. Se o valor de plaquetas for normal, mas o Tempo de Sangramen- to (TS) for anormal (> 10min), a suspeita recai sobre a doença de von Willebrand ou os distúrbios hereditários da função plaquetá- ria (raros) ou adquiridos (uremia 3 etc.). A presença da combinação TS alargado + TTPA alargado, com o restante das provas he- mostáticas normais, indica doen- ça de von Willebrand. Neste dis- túrbio hereditário relativamente comum a defi ciência parcial do fator VIII explica o alargamento do TTPA. Doença de von Willebrand ou os distúrbios hereditários da função plaquetária (raros) ou adquiridos (uremia etc.). Púrpura Trombocitopênica Idiopática (PTI), Púrpura Trombocitopênica Trombótica (PTT), Síndrome Hemolítico-urêmica (SHU), anemia aplásica, leucemia, hiperesplenismo etc Insufi ciência hepática com hiperesplenismo, CIVD ou uso de heparina NÃO SIM SIMNÃO NÃO SIM Trombocitopenia Coagulopatia TS anormal (> 10 min)(TP e/ou TTPA anormais) (< 50.000/mm³) 18COAGULOGRAMA Se as provas da hemostasia pri- mária forem normais, mas as da hemostasia secundária (TTPA e TP) estiveram alteradas, teremos as possibilidades abaixo: • TTPA alterado e TP normal (o problema se encontra na Via In- trínseca): Uso de heparina, deficiências he- reditárias da via intrínseca, como fator VIII (hemofilia A), fator IX (he- mofilia B), fator XI, doença de von Willebrand (redução de fator VIII), anticorpos antifator VIII, IX ou XI. As deficiências de fator XII, pré-ca- licreína ou cininogênio de alto peso molecular alargam o TTPA mas não se associam a sangramento. Desordem provavelmente adquirida: pensar em uso de heparina ou anti- corpo antifator VIII. Desordem provavelmente hereditária: pensar em hemofilia e quantificar fa- tores da via intrínseca cuja deficiência pode levar ao sangramento (VIII, IX, XI). • TTPA normal e TP alterado (o problema se encontra na Via Ex- trínseca): Insuficiência hepática, deficiência de vitamina K (por exemplo: coles- tase), uso de cumarínicos (nesses 3 casos a deficiência predominan- te é do fator VII), alguns casos de CIVD, anticorpo antifator VII, defi- ciência hereditária da via extrínse- ca (fator VII). Desordem provavelmente adquiri- da: pensar em insuficiência hepática, deficiência de vitamina K ou uso de cumarínicos. Desordem provavelmente hereditá- ria: quantificar o fator VII. • TTPA e TP alterados (o problema se encontra na Via Comum): Insuficiência hepática, deficiência de vitamina K, uso de cumarínicos, uso de heparina, CIVD e deficiên- cias hereditárias da via comum (fi- brinogênio, protrombina, fator X ou fator V). Desordem provavelmente adquirida: medir o Tempo de Trombina (TT) ou dosagem diretamente o fibrinogênio plasmático, dosar os PDF. Se anor- mais, praticamente confirma CIVD; se normais, pensar em insuficiência hepática, deficiência de vitamina K ou uso de cumarínicos. Desordem provavelmente hereditá- ria: quantificar os fatores da via co- mum (fibrinogênio, protrombina, fator X ou fator V). O TT está alterado nos distúrbios do fibrinogênio (pedir tes- tes especiais para disfibrinogenemia). 4 19COAGULOGRAMA • TTPA e TP normais: se todos os testes convencionais da hemos- tasia estiverem normais, incluindo aqueles da hemostasia primária, as hipóteses passam a ser: ◊ (1) doença de von Willebrand (alguns casos podem ter TS e TTPA normais); ◊ (2) hiperfibrinólise; ◊ (3) deficiência de fator XIII; ◊ (4) disfibrinogenemia. Desordem provavelmente adquiri- da: pensar em distúrbios relaciona- dos à hiperfibrinólise. O teste da lise da euglobulina e o aumento dos PDF (Produto de Degradação da Fibrina) confirmam o diagnóstico. Desordem provavelmente hereditá- ria: considerar deficiência de fator XIII, deficiência de alfa-2-antiplasmina e disfibrinogenemia. O exame mais im- portante nesse momento é o Teste da Solubilidade do Coágulo a Ureia 5M (molar). Este teste é feito adicionan- do-se ureia na concentração 5M ao coágulo formado. Normalmente, não há dissolução – se houver, há forte suspeita da deficiência de fator XIII. Na deficiência de alfa-2-antiplasmi- na, o Teste da Lise da Euglobulina pode sugerir o diagnóstico. Quadro adquirido Uso de cumarínicos Doença hepática Deficiência de vitamina K Inibidor adquirido de fator VII (raro) TP PROLONGADO Quadro hereditário Deficiência de fator VII CAUSAS DE PROLONGAMENTO ISOLADO DE TP 20COAGULOGRAMA CAUSAS DE PROLONGAMENTO ISOLADO DE TTPA Com manifestação hemorrágica: Deficiência de fator VIII Deficiência de fator IX Deficiência de fator XI Doença de von Willebrand Sem manifestação hemorrágica: Deficiência de fator XII Deficiência de pré-calicreína Deficiência de cininogênio de alto PM Uso de heparina Anticoagulante lúpico Inibidor adquirido do fator VIII, IX ou XI Quadros hereditários Quadros adquiridos TTPa prolongado TP e TTPa prolongados Quadros hereditários Deficiência de fator V Deficiência de fator X Deficiência de fator II Hipofibrinogenemia Afibrinogenemia Disfibrinogenemia Quadros adquiridos CIVD Doença hepática Deficiência de vitamina K Uso de anticoagulante oral Uso de heparina Inibidor adquirido de fator II, V ou X Anticoagulante lúpico CAUSAS DE PROLONGAMENTO COMBINADO DO TP E TTPA Fonte: RIZZATTI EG & FRANCO RF. Investigação diagnóstica dos distúrbios hemor- rágicos. Medicina, Ribeirão Preto, 34: 238-247, jul./dez. 2001 21COAGULOGRAMA Fonte: retirado de www.medicplus.com.br USO DOS EXAMES DE HEMOSTASIA Avaliação pré operatória TP, TTPa, contagem de plaquetas Investigação clínica Coagulograma completo Estados pré-trombóticos Caso a caso Acompanhamento de medicações Acompanhamento de medicações Varfarina TP Heparina TTPa 8. OUTROS FATORES O sistema fibrinolítico é composto por várias proteínas (proteases e ini- bidores), que regulam a geração de plasmina, produzida com o plasmino- gênio, que tem por função degradar a fibrina. Existem vários métodos de avaliar a atividade fibrinolítica, como técnicas globaisda atividade basal e do potencial fibrinolítico após estí- mulo adequado, dosagem funcional e imunológica das moléculas livres e em complexo. O tempo da lise da euglobulina é um teste de avaliação da fibrinólise e atu- almente vem sendo substituída pela medição de proteínas do sistema, que indiretamente demonstram altera- ções de atividade fibrinolítica. São dosados componentes isolados do sistema fibrinolítico como o plas- minogênio, ativador tecidual do plas- minogênio, inibidor 1 do ativador do plasminogênio (PAI-1) e alfa 2 -an- tiplasmina, através de métodos fun- cionais. A medida da concentração de pro- dutos de degradação da fibrina é um marcador excelente da atividade fibri- nolítico, sendo útil em situações como a CIVD e a trombose venosa. O D-dímero é o produto que deriva da fibrina e não do fibrinogênio, sen- do específico para evidenciar fibrinó- lise secundária à formação de fibri- na. O aumento do D-dímero ocorre em condições em que há formação e degradação da fibrina, como trom- boembolismo venoso, infecções, cân- cer, cirurgias, traumas, angina e in- farto agudo do miocárdio, os níveis plasmáticos aumentam considera- 22COAGULOGRAMA velmente. Assim, ele não é específi - co, mas considerado um teste de ex- clusão, principalmente, de doenças tromboembólicas. 9. TROMBOELASTOGRAMA OU TROMBOELASTOGRAFIA Esse exame possui como princípio do método o monitoramento da tensão da rede de fi brina que se forma em sangue total à medida que a coagula- ção se processa. A tromboelastogra- fi a descrita por Hartert em 1948 na Alemanha, é um método laboratorial que demonstra as alterações visco- elásticas do sangue por meio de uma representação gráfi ca durante o pro- cesso global de formação do coágulo, desde a fase de iniciação, formação, estabilização até sua lise. As variáveis analisadas são: tempo de coagula- ção, tempo de formação de coágulo, fi rmeza máxima do coágulo, lise má- xima do coágulo e ângulo alfa (quan- to menor o ângulo = hipocoagulação / quanto maior o ângulo = hipercoagu- labilidade). SE LIGA! Utilidade do tromboelasto- grama: A hemorragia maciça e trans- fusão de sangue estão associadas ao aumento da morbidade, da mortalidade e dos custos. Testes viscoelásticos do sangue podem racionalizar hemotrans- fusões e otimizar o tratamento de pa- cientes graves com sangramento ativo, por guiar e individualizar a terapêutica, justifi cando o investimento desta tecno- logia custo efetiva. Figura: Parâmetros do tromboelastometria rotacional, a expressão gráfi ca do processo de polimerização de fi brina. 23COAGULOGRAMA SAIBA MAIS: Variáveis presentes para analisar a tromboelastometria rotacional: Clotting time (CT) ou tempo de coagulação, de zero 0 a 2mm: corresponde ao início da análise do teste até o começo da formação do coágulo. É o início da ativação da tromboplas- tina, com a formação das primeiras fi brinas, que atingem a amplitude de 2mm. Trata-se da iniciação do coágulo, e da formação inicial de trombina e da polimerização do coágulo. Nesta fase, avaliam-se os fatores de coagulação, assim como o efeito da heparina. - Clot formation time (CFT) ou tempo de formação de coágulo de 2 a 20mm: é o perí- odo subsequente ao CT, e representa a cinética da formação de trombina, polimerização da fi brina e estabilização do coágulo por meio do envolvimento das plaquetas, fi brinogênio e fator XIII. - Ângulo alfa: é a angulação descrita pelo estado de coagulabilidade do paciente. Quanto mais agudo, mais hipocoagulável; quanto mais obtuso, maior a tendência a hipercoagulabilidade. - Maximum clot fi rmness (MCF) ou fi rmeza máxima do coágulo de 20 a 30mm: perío- do subsequente ao CFT, consiste na amplitude máxima do gráfi co. Maior estabilização do coágulo pela polimerização da fi brina. Envolve a interação entre as plaquetas, o fi brinogênio e o fator XIII. Indica a consistência ou a qualidade do coágulo, caracterizando o estado de coagulabilidade do paciente. - A5 a A30: é a fi rmeza do coágulo, pela amplitude entre os tempos 5 e 30 minutos. - Maximum lysis (ML) ou lise máxima do coágulo: é a redução da fi rmeza do coágulo após o MCF. O coágulo é estável se a ML for menor que 15% ou hiperfi brinólise quando maior que 15%. Caso você queira dar uma aprofundada no assunto, confi ra o artigo “A nova era da trom- boelastometria”, disponível para visualização no site http://www.scielo.br/pdf/eins/v15n3/pt_ 1679-4508-eins-S1679-45082017MD3130.pdf] As indicações para realização do tromboelastograma são: coagulopa- tia associada ao trauma e à hemor- ragia maciça, transplante hepático, cirurgia cardíaca, cirurgias de grande porte, ortopédicas e neurocirúrgicas, hipotermia, hemorragia pós-parto/ neonatologia, estados de hipercoa- gulabilidade, terapia pró-coagulan- te, anticoagulação com heparina não fracionada. 24COAGULOGRAMA REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS FRANCO, Rendrik. Fisiologia da coagulação, anticoagulação e fibrinólise. Medicina, Ribeirão Preto, v.34, p.229-237, jul/dez 2001. LANGER, B; WOLOSKER, M. Coagulação e fibrinólise: ideias atuais e suas aplicações clíni- cas. Ver Med, São Paulo, ed.15764, p.157-264, out/dez 2006. Manual de diagnóstico laboratorial das Coagulopatias Hereditárias e Plaquetopatias [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Especializada e Temática. – Brasília: Ministério da Saúde, 2016 RIZZATTI EG & FRANCO RF. Investigação diagnóstica dos distúrbios hemorrágicos. Medici- na, Ribeirão Preto, 34: 238-247, jul./dez. 2001. Chao LW et al. Clínica Médica – Medicina USP/ HC-FMUSP. Editora Manole. Volume (3) 319-338, 2009 Crochemore T., Piza F.M.T. Rodrigues R.D.R.,Guerra J.C.C.. Ferraz L.J.R., Correa T.D. A new era of thromboelastometry. Einstein (Sao Paulo, Brazil). 2017; 15: 380-385 25COAGULOGRAMA 25COAGULOGRAMA