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Universidade Veiga de Almeida 1 Universidade Veiga de Almeida 2 Beatriz Pontes Fernandes da Silva Matrícula: 20221310138 Pedagogia Fundamentos de Educação - Orientação: Profª Dra. Katia Puente 11/11/2022 A INFLUÊNCIA DO POSITIVISMO PARA OS PROCESSOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM 1 INTRODUÇÃO O positivismo, uma das filosofias da ciência, é uma teoria baseada no progresso civil. Esta corrente acredita que a humanidade tende a progredir constantemente e objetiva a construção de leis gerais por meio da observação e experimentação, sendo capaz de predizer qualquer fenômeno estudado. Surge na França do século XIX com Augusto Comte que se inspirou no pensamento iluminista, que defendia que o conhecimento deveria ser universalmente estimado para levar a autonomia social, progresso da moral e aumento do intelecto. Além disso, o pensador é considerado o fundador da sociologia, uma ordem social ligada ao desenvolvimento moral e científico. No contexto positivista, a educação tinha um papel central. A escola foi considerada a instituição mais adequada para impor um processo evolutivo da sociedade. A influência desta corrente na educação continua no próximo século, mas será que é aceitável na nossa sociedade atual? Analisaremos mais a educação positivista e sua influência no próximo tópico. 2 A EDUCAÇÃO POSITIVISTA E SUA INFLUÊNCIA Com o surgimento da necessidade de pensar de forma racional para criar uma ruptura com a igreja, desenvolve-se uma maneira de entender o mundo por meio da razão. Auguste Comte e outros pensadores começaram a desenvolver a teoria positivista, que visava a ordem e o progresso contrário ao pensamento teológico. De acordo com Comte, o pensamento tinha que ser “inteiramente positivo, dever-se-ia acabar com a crítica e negatividade, isto é, com a dimensão revolucionária deste pensamento” (LÖWY, 1991, p. 38). Para ele, a humanidade havia passado por dois estágios de desenvolvimento e, a partir do século XIX, teria entrado no terceiro estágio, o positivo. No estado teológico, o espírito humano, [...] apresenta os fenômenos como produzidos pela ação direta e contínua de agentes sobrenaturais mais ou menos numerosos, cuja intervenção arbitrária explica todas as anomalias aparentes do universo. No estado metafísico, [...] os agentes sobrenaturais são substituídos por forças abstratas, verdadeiras entidades (abstrações personificadas) inerentes aos diversos seres do mundo, e concebidas como capazes de engendrar por elas próprias todos os fenômenos observados, cuja explicação consiste, então, em determinar para cada um uma entidade correspondente. Enfim, no estado positivo, o espírito humano, reconhecendo a impossibilidade de obter noções absolutas, renuncia a procurar a origem e o destino do universo, a conhecer as causas íntimas dos fenômenos, para preocupar-se unicamente em descobrir, graças ao uso bem combinado do raciocínio e da observação, suas leis efetivas, a saber, suas relações invariáveis de sucessão e de similitude (COMTE, 1978a, p. 04). Comte acreditava no progresso moral e científico da sociedade por meio da ordem social e do desenvolvimento das ciências e estabeleceu uma hierarquia das sete grandes ciências: Matemática, Astronomia, Física, Química, Moral, Biologia e Sociologia. O positivismo trouxe uma nova forma de pensar, dando origem à escola positivista, ou seja, uma maneira de compreender o mundo e suas relações por meio dessa filosofia. A corrente positivista na educação considera a observação, o altruísmo, palavra criada por Augusto Comte para compor sua teoria, a disciplina e a razão como base fundamental para seu estabelecimento. Outra característica do positivismo é a objetividade, dado que todas as coisas devem ser explicadas por meio de uma lógica clara que crie leis viáveis e previsíveis. No Brasil, Oliveira (2010) afirma ter predominado a corrente positivista em diferentes campos, com destaque para o político, o filosófico e o educacional. Como exemplo, a corrente refletiu com a Proclamação da República, comandada pelo Marechal Manuel Deodoro da Fonseca, um militar inspirado pelo positivismo. Na educação, o positivismo brasileiro é fortemente atrelado à educação já desde o início da República, sobretudo por meio da Sociologia e da Psicologia, juntamente com perspectivas do evolucionismo e do conservadorismo. Como afirma Comte (1978), o acesso à educação deve ser universal, não importando a classe social, já que “social e o respeito à hierarquia social uma vez que não importava, para ele, homem nem classe, mas a Humanidade” (FAUSTINO e GASPARIN, 2001, p. 164). Como exemplo do positivismo na pedagogia brasileira, temos a Pedagogia Tecnicista, que predomina no Brasil, principalmente, na década de 1970 na qual: A partir do pressuposto da neutralidade científica e inspirada nos princípios da racionalidade, eficiência e produtividade, essa pedagogia advoga a reordenação do processo educativo de maneira a torná-lo objetivo e operacional (SAVIANI, 1995, p. 23). Outro ponto a ser abordado era o papel da mulher na educação positivista, sendo reservado a ela a tarefa de regenerar a sociedade através da moral, com uma visão de que homens e mulheres têm papéis sociais diferentes. Cabe a mulher, portanto, a função de proporcionar o contato da criança com os valores morais e sociais. Ademais, as ideias positivistas influenciam negativamente criação de universidades em nosso país, que com um currículo voltado para a formação científica em oposição a religião “rejeitava veementemente as universidades por estas serem [...] uma instituição tipicamente medieval e tutelada pela igreja católica” (OLIVEIRA, 2010, p. 11). 3 CONCLUSÃO Conclui-se que o positivismo de Augusto Comte teve forte influência na educação e política brasileira quando esta inspirou a Proclamação da República e movimentos educacionais, como a Pedagogia Tecnicista. Portanto, o pensamento positivista defendia a liberdade de ensino, a instrução pública e gratuita, a universalidade, incluindo a mulher e o proletariado, a laicidade e o patriotismo. Até os dias atuais, as perspectivas desta corrente de pensamento retrata áreas da nossa educação como ao considerarmos o caráter progressivo da história, que professor interferir com reflexões de cunho mais subjetivo e crítico sobre a interpretação dos fatos, a disciplina e organização cobradas por parte da escola e da família e a visão de uma educação para todos, que virou obrigatoriedade na maior parte dos país. REFERÊNCIAS PERES, Fabio et al. Fundamentos da Educação. Unidade 2. Tema Pensamentopedagógico positivista e funcionalista. Rio de Janeiro: Ilumno, 2022. AMORIM, Gusmão Freitas. O Positivismo, a educação e a história ensinada. Educon, Aracaju, Volume 10, n. 01, p.1-12, set/2016. Disponível em: <https://ri.ufs.br/bitstream/riufs/8969/30/O_positivismo_a_educacao_e_a_historia_ensinada.pdf>.Acesso em: 21 out. 2022. COSTA, Antonio José Silva. Influência do positivismo no processo educacional.Fev. 2012. Disponível em: https://administradores.com.br/artigos/influencia-do-positivismo-no-processo-educacional. Acesso em: 21 out. 2022. OLIVEIRA, Leonel Gois Lima et al. Refletindo Sobre a Objetividade: uma Experiência Didática sobre o Positivismo de Comte. Revista Gestão em análise, v.7, n.2, 2018. Disponível em:<https://periodicos.unichristus.edu.br/gestao/article/view/1577/776>. Acesso em: 21 out. 2022. PORFÍRIO, Francisco. Positivismo. Mundo Educação. Disponível em: <https://mundoeducacao.uol.com.br/sociologia/positivismo.htm>. Acesso em: Novembro de 2022.