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ÚLCERA DE CÓRNEA - Relato de caso
Autores: Ana C. Tomasi, Joana L. Raimundi, Nicolli B. Zucco, Maiara Soster e Rafaela
Romansini
Introdução
Os olhos são os órgãos responsáveis pelo sentido da visão e pela captação da luminosidade, o
olho está composto pela córnea, esclera, coróide, íris, pupila, cristalino, retina e o nervo óptico. A
túnica é responsável por proteger e sustentar os componentes internos do olho e se divide em córnea e
esclera. Lesões na córnea podem predispor a opacificação corneal e até mesmo a perda temporária ou
permanente da visão.
Dentre as afecções do olho dos animais, as de córnea se destacam como uma das grandes
causadoras de cegueira, em particular úlceras (NELSON e MacMILLAN, 1988). A úlcera de córnea
ou ceratite ulcerativa é uma afecção onde ocorre a perda total da espessura do epitélio ou perda parcial
do estroma corneal (SHERDING, 2008).
A córnea forma o segmento transparente anterior da túnica fibrosa do bulbo do olho e se
pronuncia para frente, e é composta por fibras paralelas de colágeno que estão dispostas em forma
lamelar. Seu ponto mais elevado é o ápice, sua periferia é o limbo. É avascular, recebe nutrição
através dos capilares perilimbal e humor aquoso, sua espessura é de aproximadamente 1mm. É
composta por cinco camadas: epitélio anterior, lâmina limitante anterior, substância própria, lâmina
limitante posterior e epitélio posterior. E por ser a estrutura mais externa do globo, a córnea está
sujeita constantemente a vários tipos de lesões.
A úlcera de córnea, também chamada de Ceratite Ulcerativa, é de grande incidência na clínica
de pequenos animais. É caracterizada por lesões e inflamações nas regiões da córnea, que podem ser
classificadas em superficiais ou profundas, sendo as superficiais menos agressivas se tratadas
precocemente. Essas lesões são causadas principalmente por traumas, arranhões e infecções oculares,
podendo ser detectadas através do teste de fluoresceína sódica.
As úlceras de córnea frequentemente provocam sinais clínicos clássicos traduzidos por
fotofobia, blefaroespasmo, epífora e perda da transparência pela invasão de vasos, migração de
células inflamatórias devido ao edema, desarranjo das lamelas de colágeno, resultante da
reparação cicatricial, deposição de pigmentos e de outras substâncias como lipídios e cálcio.
Úlceras corneais indolentes provocam blefarospasmo, fotofobia e epífora, que são estimulados
por meio de sensações dolorosas provenientes do epitélio danificado, bem como do espasmo do
músculo ciliar secundário. Haverá ainda uma depressão da superfície corneal se ocorrer perda de
estromatosa.
O diagnóstico tem como base os sinais clínicos na história e na semiotécnica oftálmica. As
úlceras ocorrem espontaneamente sem nenhuma história de trauma prévio, caracterizadas por seu
curso crônico, natureza superficial, falta de vascularização e de outros sinais inflamatórios. O edema
pode ser discreto a moderado e as bordas das úlceras, usualmente, encontram-se irregulares face à
perda epitelial circunjacente. O uso da fluoresceína, uma droga hidrofóbica que se conjuga com o
estroma corneal, associada com uma caneta luminosa se identifica a captação desta droga, que tem
suas moléculas excitadas, fazendo-as fluorescerem em verde, confirmando assim a úlcera de córnea
indolente. O tratamento pode ser clínico, se descoberta precocemente, ou cirúrgico, ceratotomia.
Relato de caso
No dia 29 de outubro foi atendido na clínica veterinária Silva um animal da especie canina da
raça Shih-tzu, do sexo macho, com 9 anos e 8 meses de idade que pesava 7kg, castrado. Durante a
realização da anamnese, a tutora relatou que notou um incômodo no animal, secreção ocular, com o
fechamento persistente das pálpebras e com diminuição de apetite.
No exame clínico foi realizada a inspeção de ambos os olhos, aferido a temperatura que
estava normal, ausculta cardíaca de 90 bpm e pulmonar 20 rpm, tpc normal.
Foi realizado a coloração corneana com Fluoresceína, meio de diagnóstico sugerido para
a avaliação da presença de úlcera na córnea, cujo resultado, mostrou-se positivo, confirmando
assim a presença da úlcera, e devido a não apresentação dos agentes descritos endócrinos,
anteriormente (infecciosos, anormalidades dos cílios, traumas químicos, anormalidades palpebrais,
paralisia do nervo facial, doenças do filme lacrimal e trauma) diagnosticou-se: úlcera corneal
persistente.
Tratamento
Utilizou-se o Colírios maxilerg, tobracin, optivet tears, atropina 1% , colar elizabetano,
limpeza com chá de camomila e malva. Solicitou-se, então, que a proprietária retornasse com o
animal quando completados 15 dias de tratamento.
Conclusão
As úlceras de córneas são casuísticas e elevadas em cães as quais podem ocasionar sintomas
leves como desconforto ocular até a perda da visão. São na maioria das vezes traumáticas podendo
também acontecer por problemas com conformação racial frequentemente nas raças braquicefálicas.
O diagnóstico preciso da ceratite vai direcionar a correção da doença primária e ao tratamento bem
sucedido, que pode variar entre protocolos clínicos com colírios, medicamentos de uso sistêmico e
diferentes técnicas cirúrgicas.
Referências
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LAUS, J. L; ORIA, A. P. Doenças coreanas em pequenos animais. Revista de Educação
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SLATTER, D. Manual de cirurgia de pequenos animais. 3° ed. Vol 2, Barueri – SP, editora Manole,
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