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Lis Martins - 6º Período - Medicina SÍNDROME DO OLHO VERMELHO Olho vermelho é o distúrbio ocular mais frequentemente encontrado em um serviço de pronto atendimento não oftalmológico. A causas mais comuns geralmente são benignas, mas podem ocorrer casos mais graves com risco de perda da visão. ○ Inicialmente deve-se procurar o histórico do paciente, com o objetivo de excluir situações de maior risco como: Dor ocular, diminuição da acuidade visual, trauma, exposição a substâncias químicas, cirurgia intra-ocular recente e olho cronicamente vermelho. Sinais de menor gravidade: Sensação de areia nos olhos Sinais de maior gravidade: Dor; Queda súbita de acuidade visual Em caso de trauma ocular, realizar avaliação com oftalmologista imediatamente. Exposição a substâncias químicas seguidas de dor e olho vermelho sugere queimadura química, necessitando de irrigação e lavagem copiosa com soro fisiológico, em caso de falta, água corrente em ambundância, após isso submeter a uma avaliação oftalmológica. 10 sinais de alerta na síndrome do olho vermelho: ○ Dor ocular severa ○ Perda visual súbita ○ Exposição química ○ Trauma ocular ○ Presença de corpo estranho ○ Secreção purulenta ○ Anormalidades córneas ○ Anormalidades da pupila ○ Cirurgia recente ○ Olho cronicamente vermelho Esses sinais devem ser obrigatoriamente pesquisados na primeira avaliação do paciente Diagnóstico diferencial das causas mais comuns de olho vermelho: Hiposfagma ○ Aparecimento súbito de sangramento sob conjuntiva, podendo ser localizado ou difuso, unilateral ou bilateral. ○ Pode ser causado por: Trauma com lesão conjuntival; após esforço ou manobra de Valsalva (carregar objetos pesados, tosse, espirro) ou pode ocorrer espontâneamente em idosos, em decorrência do comprometimento da estrutura vascular na arteriosclerose ○ Evolução benigna, resolução espontânea em 2 a 3 semanas ○ Assintomático ou pouco sintomático (pouca sensação de corpo estranho) ○ Não há acometimento da visão ○ Em casos de recidivas frequentes, investigar distúrbios da coagulação e alteração de níveis pressóricos Lis Martins - 6º Período - Medicina Pinguécula ○ Espessamento da conjuntiva devido à degeneração hialina do tecido colágeno subepitelial da conjuntiva decorrente do envelhecimento ou exposição solar crônica ○ Depósitos brancos-amarelados na conjultiva bulbar adjacente ao limbo temporal ou nasal ○ A maioria não precisa de tratamento, mas pode ser prescrito lágrima artificial e orientar sobre uso de óculos de proteção solar ○ Quando tem inflamação (Pingueculite) o paciente apresenta: Hiperemia conjuntival + dor ocular. Nesses casos, tratar com anti-inflamatório esteroidal de baixa potencial (uso tópico) Pterígio ○ Crescimento fibrovascular subepitelial em formato triangular que avança sobre a córnea ○ Tem como fator principal exposição solar crônica (Irradiação UV) ○ Muitas vezes está associado a quadros de irritação crônica, a distribuição irregular do filme lacrimal na superfície corneana e a quadro intermitente de inflamação e hiperemia ○ Tratamento: Lagrimas artificiais, mas em alguns casos esteroides fracos por curto tempo. Quando o eixo visual for comprometido ou deseja-se corrigir a parte estética, a abordagem cirúrgica pode ser indicada. ○ Conforme seu avanço na córnea pode induzir astigmatismo Blefarite ○ Inflamação da margem palpebral de origem infecciosa ou não ○ Hiperemia da margem palpebral e conjuntival, crostas na base dos cílios, prurido, sensação de corpo estranho, ardência, lacrimejamento, filme lacrimal de aspecto espumoso, fotofobia leve, normalmente bilateral ○ Orientar limoeza palpebral diária com xampu neutro (infantil) diluído e uso de lágrimas artificais ○ Pode ser de vários tipos: Blefarite estafilocócica, seborreica, mista; seborreia meibomiana e meibomite Lis Martins - 6º Período - Medicina Episclerite ○ Forma mais comum de inflamação escleral ○ Inflamação circunscrita, geralmente segmentar e nodular da episclera, podendo ser uni ou bilateral ○ Veias episclerais tornam-se dilatadas, com disposição radial, associada à hiperemia conjuntival nesse setor ○ Pode estar relacionada com doenças sistêmicas: Artrite reumatóide, polimiosite, dermatomiosite, sífilis ○ Investigação: Aplicar 1 gota de colírio de fenilefrina a 10% (vasoconstrição). Na episclerite os vasos conjuntivais se tornam constritos e os episclerais não, diferenciando de uma conjuntivite ○ Resolução espontânea em 1 a 2 semanas, ainda que a forma nodular persista por mais tempo ○ Em casos de sintomas mais expressivos podem ser utilizados anti-inflamatórios tópios esteroidais e AINEs leves Entrópio ○ Inversão da borda palpebral, causando atrito dos cílios contra o bulbo ocular ○ Esse atrito pode causar irritação, erosões corneanas epiteliais ponteadas, ulcerações e formação de pannus ○ Congênita e adquirida (involucional e adquirido) Congênita é rara Involucional é mais comum e afeta as pálpebras inferiores, comumente causa pelo envelhecimento (flacidez dos tecidos) ○ O tratamento do entrópio adquirido é cirúrgico Ectrópio ○ Eversão da margem palpebral ○ Pode acarretar em exposição da córnea e conjuntivas bulbar e tarsal, levando a quadros de conjuntivite crônica, inflamação da borda palpebral, ceratite, dor e epífora. ○ Congênito(deficiência relativa da lamela anterior da palpebral) e adquirido (involucional, cicatricial, mecânico e paralítico - VII facial) ○ O ectrópico involucional é mais frequente ○ Tratamento é cirúrgico Lis Martins - 6º Período - Medicina Triquíase ○ Alteração da direção do cílio, encurva-se e toca o bulbo ocular ○ É uma condição de natureza cicatricial ○ Faixa etária mais comum entre 60 e 70 anos de idade ○ Sensação de corpo estranho, fotofobia, lacrimejamento e secreção seromucosa ○ Tratamento: Destruição dos cílios alterados (eletrólise, crioterapia ou laser), em casos muito graves o procedimento é cirúrgico. Ceratites superficiais ○ Podem fazer parte de diversas afecções oftalmológicas: Síndrome do olho seco, blefarite, trauma, ceratite de exposição, queimaduras, distúrbios causdos pelo uso de lente de contato, corpo estranho, conjuntivite, etc. ○ O exame oftalmoológico e a anamnese devem ser completos para o adequado diagnóstico do fator causal da ceratite superficial e para seu tratamento adequado. Ceratites infecciosas Bacterianas ○ Causa importante de déficit visual ○ Bactérias capazes de invadir o epitélio corneano mesmo intacto: Neisseria gonorrhoeae e Haemophilus influenzae. Outras bacterias somente são capazes de produzir ceratite após comprometimento da integridade epitelial (P. spp, S.sp e S. pneumoniae) ○ Ceratite bacteriana por mau uso de lentes de contato: Pseudomonas aeroginosa ○ Quadro inicial: história de traumatismo ocular, doença corneal pré-existente, uso inadequado de lentes, uso de corticoide tópico. Dor, lacrimejamento, fotofobia, diminuição da visão, edema palpebral, secreção purulenta e hiperemia conjuntival ○ Antes de iniciar antibiótico de amplo espectro deve-se realizar coleta de material para citologia e cultura Fúngicas ○ Comumente precedida por trauma ocular envolvendo matéria orgânica como madeira e plantas ○ Candida albicans, Aspergillus spp, Fusarium spp ○ Quadro: Sensação de corpo estranho, fotofobia, diminuição da acuidade visual e secreção ○ Achados específicos de infecção fungica: Infiltrados estromais com bordas mal definidas e margens hifadas, bordas elevadas, lesões satélites digitiformes, infiltrados imunes em anel, placa endotelial subjacente à ulcera e pigmentação acastanhada ou acinzentada ○ Realizar raspado corneal antes da terapeutica - antifungico tópico por tempo prolongado 9cetoconazol, miconazol, anfotericina B, natamicina) Virais ○ Causada por Herpes simples(VHS) e herpes varicela-zoster(HVZ) ○ Acomete geralmente crianças e esta associada à sintomas de virose sistêmica ○ Há o aparecimento de vesículas ao redor do olho com cicatrização em até 2 semanas ○ Tratamento: Aciclovir Lis Martins - 6º Período - Medicina ○ Herpes zoster pode acometer o ramo oftalmicodo nervo trigêmeo em até 15% dos casos Acanthamoeba ○ Protozoário ○ Os humanos são amplamente resistentes, porém, pode se instalar após abrasão corneana mínima ○ Dor desproporcional a lesão, infiltrado em forma de anel e história de uso de lentes de contato ○ Tratamento: Amebicidas tópicos a cada 1-2 horas (propamidina, biguanida, hexamidina) Conjuntivite ○ Inflamação da conjuntiva ○ Geralmente autolimitado e a resolução não implica sequelas ○ Sintomas: Secreção, prurido, queimação, sensação de corpo estranho, hiperemia conjuntival, edema da conjuntiva (quemose), edema palpebral e pseudoptose ○ Classificações Inicio dos sintomas: Hiperaguda: menos de 12 horas Aguda: menos de 3 semanas Crônica: mais de 3 semanas Neonatal: Ate 28 dias de vida Agente causal: Infecciosa, bacteriana, viral, clamídea, alérgica, irritativa, tóxica, relacionada a alterações palpebrais, associada a doenças sistêmicas (Doença de Sjoegren, doença de Graves, síndrome de Reiter, penfigoide, psoríase) Tipo de resposta conjuntival: Papilar, folicular, membranosa, cicatricial, granulomatosa, flictenular Lateralidade: Unilateral ou bilateral ○ Investigação laboratorial não é necessária na maioria dos casos, exceto se for processo crônico ou recidivante ou se for fulminante Diferenciação das conjuntivites As conjuntivites são uma das principais causas de olho vermelho, a principal origem é o adenovirus. O afastamento do ambiente escolar ou de trabalho é necessário no caso de ceratoconjuntivite epidêmica e deve ser fornecido por oftalmologistas. Esclerite ○ Acomete mais o sexo feminino e idades mais avançadas ○ Aproximadamente 50% dos casos de esclerite anterior estão associadas a doenças sistêmicas autoimunes ou reumatológicas ○ Tratamento: Instilação de colírio AINE ou esteroidais, em casos severos, corticoide. Olho seco ○ Instabilidade do filme lacrimal com petencial lesão da superfície ocular ○ O quadro é acompanhado por aumeto da osmolaridade do filme lacrimal e inflamação da superfície ocular ○ Classifica-se em: evaporativa e deficiência aquosa ○ Ao exame ocular observa-se redução do menisco do filme lacrimal, presença de debris no filme lacrimal pré-corneano, hiperemia conjuntival intermitente e ceratopatia ponteada. ○ Tratamento é realizado com lágrimas artificiais Uveíte Lis Martins - 6º Período - Medicina ○ Inflamação do trato uveal ○ Sintomas: Fotofobia, dor ocular, hiperemia pericerática, redução da acuidade visual e lacrimejamento ○ Tratamento: Esteroides tópicos ou sistêmicos Celulite orbitária ○ Processo infeccioso dos tecidos moles posteriores ao septo orbitário ○ Risco de evolução para complicações: Meningite, abcesso cerebral, trombose do seio cavernoso Glaucoma agudo primário ○ É uma das principais emergências oftalmológicas ○ Mais prevalente em mulheres em torno de 65 anos