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ACENTUAÇÃO DA DESIGUALDADE EDUCACIONAL NO BRASIL DURANTE A PANDEMIA DO COVID-19 Victória Helena Fernandes de Oliveira; Vitor Marques Siqueira Palavras-chave: Desigualdade; Regiões; Pandemia; Educação; Direito Humanos. Problema Por qual motivo o acesso à educação garantido na esfera dos Direitos Humanos se tornou ainda mais desigual no Brasil durante a pandemia? Hipótese A desigualdade da educação sempre foi evidente e, principalmente no momento de pandemia, tornou-se mais acentuada, em virtude da dificuldade de acesso à internet e a equipamentos eletrônicos para estudo. Esta infeliz realidade de desigualdade do viés educacional viola o direito à educação presente na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Metodologia O método utilizado para elaboração do resumo expandido se demonstra a partir da pesquisa explicativa, na tentativa de estabelecer relação de causa e efeito entre a pandemia do Covid-19 e o aumento da desigualdade educacional brasileira. A fonte de pesquisa utilizada foi do tipo terciária, cujas informações apresentadas foram extraídas para a criação do respectivo resumo. Como forma de abordar dados da temática do resumo é utilizada a pesquisa quali-quanti, ao passo que são apresentadas estatísticas e análises de ideias. Marco Teórico A Declaração Universal dos Direitos Humanos, em seu artigo 26, de forma geral, destaca que todos os indivíduos possuem direito a uma educação de qualidade. Todavia, este preceito exposto não coaduna com a realidade, já que existem óbices na educação brasileira. A desigualdade educacional sempre foi um impasse notório no cenário brasileiro, e um dos fatores que contribuíram para produção desta desigualdade foi a própria instituição de ensino (DUBET, 2001). Segundo dados coletados pela organização “Todos pela Educação”, a desigualdade educacional expandiu em 57,5% dos municípios brasileiros entre os anos de 2015 e 2019. No Brasil, os principais motivos que podem ser citados como fatores que contribuem para o crescimento da desigualdade educacional são, o nível socioeconômico dos alunos e questões de raça e gênero. Entretanto, a partir do ano 2020, com o advento da pandemia do Covid-19, outros fatores se tornaram essenciais para esta disparidade. Na maioria dos casos, durante o período pandêmico, o acesso deficitário à internet e a aparelhos eletrônicos se destacou como uma das principais causas para a acentuação da desigualdade educacional já existente, já que o meio digital se tornou primordial para o acesso às aulas. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE – “ao fim de 2019, 4,3 milhões de estudantes brasileiros não tinham acesso à internet, seja por falta de dinheiro para contratar o serviço ou comprar um aparelho seja por indisponibilidade do serviço nas regiões onde viviam”. Destes, 4,1 milhões são estudantes da rede pública de ensino, demonstrando assim, uma disparidade da escola privada para a escola pública, que se expandiu durante a pandemia. A razão desta realidade é o fato de que as escolas privadas foram capazes de se adaptar ao ensino remoto, fornecendo recursos digitais eficazes para uma educação de qualidade. De acordo com o professor Iago Gomes, “o que mantém essa discrepância entre o ensino público e privado é a própria existência da iniciativa privada e falta de entendimento da sociedade sobre o ensino público como universal e de qualidade”. Hodiernamente, o sistema brasileiro não oferta condições iguais de ensino para os estudantes. Grande parte das famílias brasileiras não conseguem pagar a matrícula e mensalidades de seus filhos em instituições de ensino privadas. Dessa forma, os estudantes de famílias de renda per capita mais baixa tendem a frequentar escolas públicas, já que não possuem as mesmas condições dos estudantes de alta renda. Por mais que a maioria da população brasileira tivesse acesso à internet, a cobertura acaba variando muito entre as regiões, as faixas de renda e o tipo de escola frequentada, o que acaba mostrando uma má distribuição. A principal razão para a falta de internet é o preço de serviço, seguido da falta de conhecimento de como usar o serviço e, também, a indisponibilidade do mesmo, visto que não alcança todas as regiões brasileiras de forma igualitária. A desigualdade educacional tem como grupo mais afetado a população de zona de vulnerabilidade – moradores das regiões Norte e Nordeste e moradores de zonas periféricas, em sua maioria. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, no Norte do país, apenas 38% das residências tinham acesso à internet e no Nordeste a taxa acaba sendo de 51%, o que demonstram o quão prejudicado são os estudantes destas áreas, principalmente durante a pandemia. Referente aos meios de acesso ao ensino remoto, destaca-se que a maioria dos estudantes possuem um aparelho celular, contudo, é importante ressaltar que grande maioria destes são celulares com poucos recursos, o que impossibilitar assistir aulas, realizar trabalhos e pesquisas e atividades escolares em geral. Toda esta realidade de desigualdade de ensino reflete nos dados divulgados pela Datafolha, que assevera que 4 milhões de estudantes abandonaram a escola durante a pandemia, o que deu margem para o aumento de disparidades raciais, sociais e locais. Conclusão Portanto, fica evidente que mesmo a educação sendo um direito garantido, isto não é demonstrado na prática, já que é evidente uma desigualdade educacional no Brasil, principalmente no momento pandêmico. A qualidade de ensino e recursos disponibilizados pelas redes de ensino público e privado sempre foram fatores discrepantes. Toda esta diferença de ensino acarretou em graves prejuízos aos estudantes de maior vulnerabilidade, dando destaque para o período da pandemia, quando estes tiveram mais uma vez seu direito à educação prejudicado, em virtude do acesso deficitário da internet, pelo custo e indisponibilidade deste recurso. Referências CAVALCANTE, Vitor; KOMATSU, Bruno ; FILHO, Naercio. Desigualdades Educacionais durante a Pandemia. [s.l.: s.n., s.d.]. Disponível em: <https://www.insper.edu.br/wp-content/uploads/2020/12/Policy_Paper_n51.pdf>. Acesso em: 7 Nov. 2021. DE, Tempo ; BÁRBARA PINHEIRO, Coronavírus. A DESIGUALDADE NO PROCESSO DE ENSINO -APRENDIZAGEM EM. [s.l.: s.n., s.d.]. Disponível em: <https://www.encontro2020.rj.anpuh.org/resources/anais/18/anpuh-rj-erh2020/1600724332_ARQUIVO_85629fdbed740dd76c4f808a041cab27.pdf>. Acesso em: 7 Nov. 2021. ISABELA PALHARES. Desigualdade educacional aumenta em 58% dos municípios brasileiros. Folha de S.Paulo. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2020/11/desigualdade-educacional-aumenta-em-58-dos-municipios-brasileiros.shtml>. Acesso em: 7 Nov. 2021. Martins, Camila. INSTITUTO de FILOSOFIA E CIÊNCIAS HUMANAS FACULDADE de EDUCAÇÃO TRABALHO de CONCLUSÃO de CURSO LICENCIATURA ECIÊNCIAS SOCIAIS EDUCAÇÃO E DESIGUALDADE: Implicações No Contexto Escolar. PAMPLONA, Nicola. Segundo IBGE, 4,3 milhões de estudantes brasileiros entraram na pandemia sem acesso à internet. Folha de S.Paulo. Disponível em: <https://www1.folha.uol.com.br/educacao/2021/04/segundo-ibge-43-milhoes-de-estudantes-brasileiros-entraram-na-pandemia-sem-acesso-a-internet.shtml>. Acesso em: 7 Nov. 2021. R7.COM. Brasil precisa superar desigualdade na educação, aponta OCDE. R7.com. Disponível em: <https://noticias.r7.com/educacao/brasil-precisa-superar-desigualdade-na-educacao-aponta-ocde-30062021>. Acesso em: 7 Nov. 2021.