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ANA PAULA CASTRO – 6° PERIOD CLINICA INTEGRADA I A menstruação é o resultado da integração sinérgica de vários sistemas, o genético, o físico, o psíquico e o bioquímico. Sua ausência ou cessão anormal de modo temporário ou definitivo durante o período reprodutivo, a amenorreia, reflete o desequilíbrio desses sistemas e, portanto, deve ser investigada. •Amenorreia primária: ausência de menstruação espontânea aos 14 anos de idade em pacientes sem caracteres sexuais secundários ou aos 16 anos de idade em pacientes com desenvolvimento puberal normal •Amenorreia secundária: é o intervalo entre menstruações igual ou maior que 180 dias, após apresentar períodos pregressos de fluxos menstruais, ou ausência de três ciclos consecutivos. Períodos de tempo inferiores são considerados atraso menstrual. Sua forma fisiológica é registrada em 3 a 4% da população geral. A gestação é a causa mais comum de amenorreia secundária. Depois de excluída, as causas mais comuns são: 1. causas ovarianas (40%) 2. disfunção hipotalâmica (35%) 3. doença hipofisária (19%) 4.causas uterinas (5%) 5. outras (1%). PRINCÍPIOS BASICOS NA FUNÇÃO MENTRUAL A primeira demonstração clínica de menstruação adequada é a presença de fluxo menstrual. Para que isso ocorra, a paciente deve estar com a anatomia intacta e com a conexão contínua entre o orifício e o canal vaginal, a endocérvice e a cavidade uterina. O útero também deve conter endométrio funcional para ser capaz de responder às ações hormonais dos esteroides sexuais ovarianos, estrógeno e progestógeno, durante o ciclo ovariano do desenvolvimento folicular, a ovulação e a função do corpo lúteo. Os ovários devem conter folículos viáveis capazes de responder à estimulação das gonadotrofinas, do hormônio foliculoestimulante (FSH) e do hormônio luteinizante (LH), secretadas pela hipófise anterior. A secreção hipofisária das gonadotrofinas, por sua vez, depende da ação do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), secretado pela parte medial do hipotálamo no plexo vascular portal que banha a hipófise anterior. Por fim, o padrão pulsátil da secreção hipotalâmica de GnRH é governado pela contribuição de centros superiores que interpretam e traduzem os estímulos ambientais e modulados pelo efeito feedback dos esteroides sexuais ovarianos. O sistema inteiro é altamente regulado por um complexo mecanismo que integra informações biofísicas e bioquímicas compostas pela interação de sinais hormonais, fatores autócrinos/parácrinos e reações das células-alvo. Para função menstrual seguir normal, é necessário o funcionamento adequado de quatro componentes: útero, ovário, hipófise e hipotálamo. Dessa maneira, as causas de amenorreia podem ser classificadas de acordo com o compartimento ou o nível da disfunção ou distúrbio: •Distúrbios do sistema genital de saída do fluxo menstrual •Distúrbios ovarianos ANA PAULA CASTRO – 6° PERIOD CLINICA INTEGRADA I •Distúrbios da hipófise anterior •Distúrbios hipotalâmicos ou do sistema nervoso central HIPOGONADISMO HIPOGONADOTROFICO ∙ É caracterizado por baixas concentrações de esteroides sexuais associados a valores baixos de gonadotrofinas (LH e FSH). A amenorreia funcional, portanto, é um diagnóstico de exclusão. CAUSAS HIPOTALAMICAS Causas hereditárias ∙ A mais comum é o hipogonadismo hipogonadotrófico idiopático. Quando há associação da oligo/amenorreia à perda olfatória, tem-se a síndrome de Kallmann. Um teste olfatório simples com café e odores fortes é capaz de diferenciar as duas patologias, e é fundamental a sua realização, pois a maioria das pacientes não tem consciência da sua deficiência. A síndrome de Kallmann também está associada a anomalias na linha média da face, como fenda palatina, agenesia renal unilateral, ataxia cerebelar, epilepsia, perda auditiva neurossensorial e sincinesia (movimentos espelhados de mãos). Causas adquiridas ∙ Abrange três grandes categorias: os transtornos alimentares, os exercícios físicos e o estresse. Sob a perspectiva teleológica, a amenorreia nessas situações pode ser considerada um mecanismo de prevenção de gravidez em momentos de recursos subótimos para gestar um bebê → TRANSTORNOS ALIMENTARES ∙ A disfunção hipotalâmica é grave na anorexia e pode afetar outros eixos hipotalâmico- hipofisários além do reprodutivo. ∙ A gordura corporal é importante no desencadeamento da menarca como a manutenção dos ciclos menstruais. Para ocorrer a menarca, é necessário pelo menos 17% de gordura e, para que o ciclo menstrual se mantenha, 22% de gordura. ∙ A amenorreia pode ocorrer em virtude da perda abrupta de 10 a 15% do peso normal esperado para a mulher. Além disso, mesmo com o retorno do peso normal, nem todas as mulheres anoréxicas voltam a ter função menstrual normal. Os transtornos alimentares impactam a função ovulatória por meio de uma série de fatores hormonais: leptina, insulina e glucagon. Pacientes com anorexia nervosa apresentam baixos níveis de leptina circulante (hormônio da saciedade) e, consequentemente, têm secreção aumentada do neuropeptídio Y (NPY), reconhecido por estimular o apetite e alterar a pulsatilidade do GnRH → EXERCICIOS FISICOS ∙ Amenorreia é mais vinculada á perda significativa de gordura resultante de exercícios como balé, ginastica e corridas de longa distancia. ∙ Exercícios físicos provocam estresse físico e provocam a liberação do hormônio liberador de corticotrofina (CRH), que atua na hipófise anterior estimulando a seceção da pró- opiomelanocortina (PMO), precursora das betaendorfinas. Estas têm efeito inibitório sobre o GnRH, alterando sua pulsatilidade. Nas mulheres que continuam a menstruar, os ciclos variam com fase lútea curta. → ESTRESSE. ∙ A amenorreia pode ser causada por períodos de grande preocupação que levam ao esgotamento psíquico. Como resposta ao estresse, há aumento do CRH, que resulta na secreção de cortisol pela suprarrenal. O CRH altera a padrão de secreção do GnRH, enquanto o cortisol age direta e indiretamente para interromper a função neuronal do GnRH. DESTRUIÇÃO ANATOMICA Qualquer processo que altere o hipotálamo pode comprometer a secreção de GnRH e levar ao quadro de hipogonadismo hipogonadotrófico e amenorreia. Os tumores mais associados à amenorreia são craniofaringiomas, germinomas, tumores do seio endodérmico, granuloma eosinofílico (síndrome de Hand-Schuller-Christian) e gliomas, assim como lesões metastáticas. O mais comum desses tumores é o craniofaringioma, um tumor epitelial cujo quadro clínico inclui cefaleia e alterações visuais. Outras causas são tuberculose e sarcoidose. ANA PAULA CASTRO – 6° PERIOD CLINICA INTEGRADA I CAUSAS HIPOFISÁRIAS (MAIS COMUNS EM AMENORREIAS SECUNDARAS, RAROS CASOS DE AMENORREIA PRIMARIA) → ADENOMA HIPOFISÁRIO ∙ é causa mais comum de disfunção hipofisária adquirida. Os adenomas mais comuns secretam prolactina. Níveis aumentados de prolactina provocam aumento reflexo da secreção de dopamina (hormônio contrarregulador), a fim de reduzir a concentração de prolactina. A dopamina atua no feedback negativo sobre a secreção de GnRH → SÍNDROME DE SHEEHAN: causada por hemorragia profusa pós-parto associada a hipotensão. A diminuição do fluxo sanguíneo na hipófise causa isquemia, necrose hipofisária e até mesmo acidente vascular hipofisário. O hipofluxo pode atingir a região responsável pelas gonadotrofinas, levando a amenorreia. Nos casos mais graves, pode alcançar as demais regiões da hipófise, resultando em pampituitarismo → DOENÇAS CRÔNICAS EM ESTÁGIO FINAL: podem levar a amenorreia por mecanismos ainda não bem compreendidos →OUTRAS CAUSAS: processo inflamatório, doença infiltrativa ou lesões metastáticas. CAUSAS OVARIANAS ∙ Constituem a causa geral mais comum de amenorreia primária e incluem uma ampla gama de distúrbios que variam deuma simples anovulação crônica, como em mulheres com síndrome do ovário policístico (SOP), obesidade, tireoidopatias e hiperprolactinemia, até uma falha completa relacionada com anormalidades cromossômicas ou outros distúrbios genéticos, como mutações do X frágil e galactosemia, doença autoimune, radiação e quimioterapia → ANOVULAÇÃO CRONICA: ∙ Quando a avaliação revela claras evidencias de produção estrogênica ovariana normal e o nível serio de FSH também é normal, o diangostico de anovulação crônica crônica é estabelecidos. (HIPOGONADISMO EUGONADOTROFICO) ∙ Hipeprolactinemia é uma das causas mais comuns de anovulação e amenorreia ∙ causas comuns e prováveis de anovulação crônica incluem SOP, obesidade, estresse ou exercícios e insuficiência ovariana prematura (IOP). → DISGENESIA GONADAL. Seu diagnóstico definitivo é realizado por biopsia das gônadas. Na maioria dos casos, está associada a alterações cromossômicas, em especial à síndrome de Turner. Dessa maneira, a realização de cariótipo é essencial em todas as pacientes com amenorreia primária. Pode ser classificada como descrito a seguir: •Disgenesia gonadossomática: associada a alterações cromossômicas. A mais comum é a síndrome de Turner (cariótipo 45XO), a qual representa cerca de 50% dos casos. A síndrome de Turner é caracterizada por amenorreia primária em indivíduos fenotipicamente femininos, com presença de útero, trompas e vagina infantilizados, mas com ovários em fita. A genitália externa é feminina, com infantilismo. Os estigmas mais importantes são pescoço alado, tórax em barril (escudo), baixa estatura, cúbito valgo, afastamento de mamilos, nevos cutâneos, palato arqueado, unhas das mãos pequenas e convexas, quarto e quinto metacarpianos curtos, e implantação baixa de cabelos. O tripé diagnóstico da síndrome de Turner é constituído pela ausência de caracteres sexuais secundários, baixa estatura e presença de estigmas próprios da síndrome. ANA PAULA CASTRO – 6° PERIOD CLINICA INTEGRADA I •Disgenesia gonadal pura: correspondendo a 25% dos casos, não se associa a anormalidades cromossômicas. As pacientes apresentam 46XX e gônadas em fitas, com desenvolvimento deficiente dos caracteres sexuais secundários e folículos ovarianos aparentemente normais. •Disgenesia gonadal em indivíduos 46XY: também denominada síndrome de Swyer, é caracterizada por anéis fibrosos no lugar dos testículos, os quais são incapazes de produzir testosterona ou fator antimülleriano, o que torna a genitália interna e externa fenotipicamente feminina. Essas pacientes apresentam amenorreia primária, crescimento eunucoide, trompas e útero normais ou rudimentares, gônadas em fita, ausência de caracteres sexuais secundários e infantilismo genital → INSUFICIÊNCIA OVARIANA PREMATURA (IOP). Definida como a falência ovariana antes dos 40 anos de idade, sua causa mais comum é idiopática, no entanto, pode ser adquirida por irradiação pélvica, quimioterapia, processos infecciosos autoimunes, cirurgias, tumores. É determinada pela aceleração do processo de destruição folicular, acarretando ovários hipotróficos com folículos escassos. A causa é geralmente desconhecida, sendo atribuída a um provável distúrbio genético. → SÍNDROME DE SAVAGE. É rara e determinada pela resistência à ação das gonadotrofinas ou ausência dos receptores ovarianos. Pode ser primária ou adquirida. Na primária, a paciente não apresenta desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários. Na adquirida, o desenvolvimento é normal ou infantil. → SÍNDROME DO OVÁRIO POLICÍSTICO (SOP). É a endocrinopatia mais comum em mulheres em idade reprodutiva e acomete 5 a 15% da população mundial, sendo responsável por 20% dos casos de amenorreia. A SOP é a principal causa de anovulação crônica hiperandrogênica, acometendo quase 6% das mulheres em idade reprodutiva. A anovulação normoestrogênica decorre da ausência da fase lútea com consequente diminuição ou ausência de produção de progestógeno. Assim, o teste da progesterona pode apresentar resultado positivo, confirmando níveis séricos normais de estrogênio. A ausência de ovulação está correlacionada com elevados níveis séricos de andrógenos que, no microambiente ovariano, impedem a correta maturação folicular e a ovulação. Nesse caso, ocorre produção estrogênica pelos folículos ovarianos, mas não há produção adequada de progestógeno. As pacientes com SOP podem apresentar uma ampla variedade de quadros menstruais. Sem ovulação, não há progestógeno e, sem queda súbita de progestógeno, não há fluxo menstrual. Porém, algumas mulheres com SOP apresentam amenorreia por hiperandrogenismo que atrofia o endométrio CAUSAS CANALICULARES Também chamada de criptomenorreia, a amenorreia de causa canalicular ocorre quando o fluxo menstrual não se exterioriza devido a um obstáculo em seu escoamento. É facilmente avaliada com base na história menstrual e no exame físico da anatomia genital. Podem ser divididas em duas categorias: congênitas e adquiridas. Causas congênitas → OBSTRUÇÃO DISTAL DO SISTEMA GENITAL. O sangramento uterino é normal, mas as vias para a eliminação do sangue estão obstruídas ou ausentes. Essas pacientes apresentam características sexuais secundárias e função ovariana normal, e cariótipo 46XX. Dado o fluxo retrógrado, há fator risco aumentado para o desenvolvimento de endometriose e complicações associadas, como dor crônica e infertilidade. Nessa categoria, por ordem de prevalência, são encontradas as seguintes situações: •Septo vaginal transverso: causa relativamente rara de amenorreia primária. As manifestações clínicas são dores pélvicas cíclicas, sintomas de obstrução e urgência miccional pela falta de canalização do terço distal da vagina •Hímen imperfurado: a principal queixa costuma ser um desconforto na região vulvar e perineal por mucocolpoe/ou hematocolpo, visualizados por exame ginecológico → MALFORMAÇÕES MULLERIANAS No desenvolvimento embrionário, os ductos müllerianos dão origem à parte superior da vagina, ao colo, ao corpo uterino e às tubas uterinas. As agenesias müllerianas podem ser parciais ou totais: •Síndrome de Rokitanski-Kuster- Hauser (agenesia mülleriana total): causa relativamente comum de amenorreia primária, perde apenas para a disgenesia gonadal. Caracteriza-se pela ausência de vagina, útero ANA PAULA CASTRO – 6° PERIOD CLINICA INTEGRADA I e tubas uterinas. A função ovariana é mantida e o cariótipo é 46XX. O principal diagnóstico diferencial é com o distúrbio de insensibilidade androgênica (46XY). A dosagem de testosterona total é uma importante ferramenta para o diagnóstico. Aproximadamente 1/3 das pacientes apresenta anormalidades do trato urinário (rim ectópico, agenesia renal unilateral, rim em ferradura e duplicação ureteral) •Síndrome da insensibilidade androgênica (feminização testicular): trata-se de um pseudo-hermafroditismo masculino, descrito na literatura como a terceira causa mais frequente de amenorreia primária. A paciente apresenta cariótipo XY e testículos, produzindo testosterona, mas não responsivos a andrógenos, por defeito no receptor, de maneira que apresenta fenótipo feminino. O crescimento e o desenvolvimento são normais, embora possa ter estatura maior que a média. As mamas são grandes, porém com pouco tecido glandular; os mamilos são pequenos e as aréolas, claras. A genitália externa é feminina, porém os testículos podem ser palpáveis nos grandes lábios ou na região inguinal. As células de Sertoli produzem o hormônio antimülleriano, que inibe o desenvolvimento do útero, das tubas e do terço superior da vagina. Causas adquiridas → ESTENOSE DO COLO UTERINO. A estenose do colo uterino, na maioria dos casos, envolve o orifício interno. Acomete principalmente pacientes submetidas a procedimentos cirúrgicos como dilatação para a curetagem e excisãoeletrocirúrgica por alça diatérmica, além daquelas submetidas à radioterapia. O diagnóstico é feito a partir da impossibilidade de introduzir o dilatador na cavidade uterina. Se a obstrução for total, palpa-se um útero aumentado e de consistência macia. O manejo envolve dilatação cervical e exclusão de neoplasia. → SINEQUIAS INTRAUTERINAS (SÍNDROME DE ASHERMAN). São aderências intrauterinas e, quando sintomáticas, constituem a síndrome de Asherman. Causam amenorreia quando há extensa fibrose intrauterina. Nos casos menos graves, as mulheres apresentam hipomenorreia e perdas recorrentes de gravidez causadas por placentação anormal. Quando há suspeita de sinequias intrauterinas, a histerossalpingografia é o exame indicado. Alguns casos difíceis podem ser esclarecidos com o auxílio da histerossonografia. O tratamento consiste na lise histeroscópica dessas aderências. DIAGNOSTICO ANAMNESE O diagnóstico etiológico das amenorreias inicia-se com anamnese bem-feita e exame físico completo. Os pontos de abordagem fundamentais na anamnese são descritos a seguir: •Antecedentes menstruais: menarca, alterações de fluxo, quantidade, ciclicidade •Sexarca: as principais causas de amenorreia fisiológicas são gravidez e lactação •História obstétrica: tipo de parto, curetagens, acretismo placentário, hemorragia intra ou pós-parto necessitando de hemotransfusões •Desenvolvimento puberal: investigar se a telarca e a pubarca ocorreram no período adequado e tiveram evolução satisfatória. A ausência dos caracteres sexuais caracteriza o hipogonadismo •Dor pélvica cíclica: associada às malformações anatômicas do trato de saída, tais como septo vaginal transverso, hímen imperfurado ou agenesia cervical •Hiperandrogenismo: presença de pelos em regiões atípicas, engrossamento da voz e acne •Galactorreia: suspeita de síndrome hiperprolactinêmica •Sintomas climatéricos: traduzem deficiência de estrógeno, tendo como sintomas ondas de calor, transtornos do sono e secura vaginal •Exercícios físicos extenuantes: os principais são balé, ginástica e corridas de longa distância •Uso de medicamentos: deve-se pesquisar uso de antidepressivos tricíclicos, anticonvulsivantes, quimioterápicos e contraceptivos de depósito, como sulpirida, cimetidina, metildopa, tioridazina, metoclopramida, domperidona, haloperidol, fenotiazinas, antidepressivos tricíclicos e verapamil •Procedimentos cirúrgicos prévios: curetagens, leiomiomas e ablação endometrial podem associar-se a sinequias uterinas •Radioterapia pélvica: costuma determinar falência ovariana. EXAME FÍSICO Deve-se verificar peso, altura, índice de massa corporal, circunferência abdominal e acantose nigricans. Obesidade associada à oligomenorreia e acantose podem estar associadas a disovulias (SOP, síndrome metabólica), portanto, acantose constitui sinal indireto de resistência insulínica. Outros fatores a serem observados: ANA PAULA CASTRO – 6° PERIOD CLINICA INTEGRADA I → Ectoscopia •Presença de exoftalmia no hipertireoidismo ou bócio no hipotireoidismo •Baixa estatura com estigmas (síndrome de Turner) •Hirsutismo ou acne (SOP) → Desenvolvimento puberal: avaliar se os caracteres secundários estão adequados à idade (classificação de Tanner) →Órgãos genitais: avaliar se estão normais •Vagina em fundo cego: presente nas malformações müllerianas •Vagina com umidade e rugosidade normais sugere ação estrogênica adequada •Hipertrofia de clitóris e virilização (hiperandrogenismo) •Pelos pubianos escassos ou ausentes sugerem insensibilidade androgênica. EXAMES LABORATORIAIS NA AMANORREIA PRIMARIA Estima-se que 60% dos casos estejam associados a anomalias do desenvolvimento. A amenorreia primária pode resultar de obstrução do trato de saída ou de ausência de endométrio nos casos com agenesia uterina. Pacientes com amenorreia primária podem ser divididas didaticamente em dois grandes grupos, descritos a seguir: → Caracteres sexuais presentes e concordantes • Deve ser descartada a hipótese de criptomenorreia: septos vaginais transversos, hímen imperfurado ou atresia isolada de vagina. O principal sintoma dessas pacientes é a dor abdominal cíclica devido ao acúmulo de sangue menstrual obstruído. Os exames de imagem são fundamentais para a avaliação da genitália interna • Se o sistema genital apresentar-se normal, deve-se investigar o eixo hipotálamo-hipófise- ovariano como em casos de amenorreia secundária • Quando houver discordância do desenvolvimento puberal entre pelos, mamas e genitália, investigar síndrome da insensibilidade androgênica • O cariótipo é útil para a verificação de síndromes e para a diferenciação entre malformação mülleriana ou feminilização testicular → Caracteres sexuais ausentes, rudimentares ou discordantes • Os caracteres sexuais secundários não se desenvolveram em consequência de uma alteração gonadal ou são reflexo de uma alteração extragenital (endócrina, hipotalâmica ou hipofisária) • Os exames a serem feitos são os mesmos das pacientes com caracteres sexuais presentes e concordantes, anteriormente descritos. EXAMES DE IMAGEM Os exames de imagem indicados para o diagnóstico da amenorreia são: •Cariótipo: útil na amenorreia primária (disgenesias gonádicas) ou secundária (falência ovariana antes dos 30 anos de idade). O risco de ter cariótipo anormal é tanto maior quanto mais precoce for a instalação da IOP. O cariótipo deve ser realizado como parte da avaliação de base em pacientes com IOP, com ou sem estigmas da síndrome de Turner •RM: crânio (anormalidade encefálica), sela túrcica (adenomas hipofisários) e pélvica (malformações de genitália interna). Em qualquer paciente com hipogonadismo hipogonadotrófico deve ser considerada anormalidade anatômica até se provar o contrário por meio de TC ou RM de crânio •Ultrassonografia: fundamental na avaliação da genitália interna. Nos casos de hipo/hipertireoidismo ou hiperplasia suprarrenal congênita, pode ser solicitada para avaliar suprarrenais e tireoide •Histeroscopia e histerossalpingografia: sinequias uterinas ou estenoses cervicais. TRATAMENTO A. Manejo de pacientes que desejam a gravidez Indução da ovulação em pacientes com amenorreia-galactorreia com macroadenoma da hipófise Os fármacos agonistas da dopamina como carbegolina e bromocriptina per-manecem a primeira linha de tratamento da hiperprolactinemia de qualquer causa, incluindo macroadenomas. Estes fármacos podem diminuir a secreção de prolactina e o tamanho do tumor. A terapia cirúrgica — transesfenoidal ou remoção frontal do ade- noma hipófise ou da totalidade da glândula — pode ser necessária se o tamanho do tumor ou a secreção for resistente aos agonistas da dopamina, se a lesão estiver rapidamente aumentando ou cau-sando sintomas como mudanças visuais ou cefaleias, ou nas mu- lheres com adenomas gigantes (> 3 cm) que desejam interromper o tratamento com agonista para concepção e duração da gravidez. Aproximadamente metade das pacientes cirurgicamente tratadas irá menstruar normalmente após este procedimento. ANA PAULA CASTRO – 6° PERIOD CLINICA INTEGRADA I 2. Indução da ovulação em pacientes com amenorreia--galactorreia sem macroadenoma (incluindo pacientes com microadenomas) — Estas pacientes ovulam prontamenteem resposta ao tratamento com agonista da dopamina, com a dose titulada até que a prolactina sérica esteja normal. As pacien-tes são mantidas na mais baixa dose necessária para manter os níveis de prolactina normais. Uma vez que a gravidez tenha sido obtida, o agente pode ser interrompido. As pacientes com ma-croadenomas podem precisar continuar com a terapia durante toda a gravidez para evitar um crescimento adicional da lesão. As pacientes que estão tomando medicamentos que elevem o nível de prolactina devem interrompê-los se possível, mas o uso continuado de tais medicamentos não é uma contraindicaçãoà terapia 3. Indução da ovulação em pacientes com hipotireoidismo — As pacientes amenorreicas com hipotireoidismo frequente-mente respondem à terapia de reposição tireoidiana. 4. Indução da ovulação em pacientes com insuficiência ovariana primária — De acordo com Rebar e colaboradores, as pacientes com falência ovariana primária podem ovular ape- nas sob circunstâncias extremamente raras. As pacientes com insuficiência ovariana reversível incluem aquelas com ooforite autoimune, que podem ser tratadas com sucesso com corticos- teroides. Por outro lado, quase todas as pacientes com falência ovariana primária situam-se na categoria de falência ovariana prematura idiopática e não podem ovular. A fertilização in vitro (FIV) com oócitos de doadora é a única maneira pela qual essas pacientes podem ter filhos. Qualquer paciente com um cromossomo Y deve se submeter à ooforectomia para prevenir o desenvolvimento tumoral. 5. Indução da ovulação nas pacientes com amenorreia hipotalâmica hipoestrogênica (teste de progesterona negativo) — Nestas pacientes com baixos níveis de estrogênio, a hipófise não libera altas quantidades de LH e FSH (como seria esperado com um mecanismo de feedback negativo intacto, que funciona normalmente). Portanto, mesmo que o citrato de clo-mifeno (um antiestrogênio) provavelmente não estimule a libe-ração de gonadotrofina, muitos endocrinologistas reprodutivos tratam essas pacientes com sucesso com um curso único de citrato de clomifeno, 150 ou 250 mg diárias durante 5 dias, na expectativa de que a ovulação irá ocorrer. As injeções de gonadotrofinas exógenas (hormônio folículo-estimulante recombinante humano combinado com hormônio luteinizante recombinante humano ou gonadotrofina menopau-sal humana [hMG]) são geralmente a terapia de primeira linha. As pacientes que demonstram alguma estimulação ovariana pelo clomifeno podem ser tratadas com uma combinação de clomifeno e hMG — a vantagem sendo uma redução na quan-tidade de hMG requerida e, assim, uma economia substancia dos custos. A indução da ovulação com gonadotrofinas deve ser cuidadosamente monitorada com ultrassonografias em série e determinações de estradiol para evitar a hiperestimulação. A hiperestimulação é a estimulação de muitos folículos com au-mento ovariano e ascite associados, bem como outras anorma-lidades sistêmicas. Se uma causa específica e potencialmente reversível de ame- norreia puder ser identificada (p. ex., perda acentuada de peso), ela deve ser corrigida. 6. Indução da ovulação em pacientes que sangram em res-posta ao teste da progesterona — Praticamente todas estas pacientes respondem ao citrato de clomifeno. A dose inicial é 50 mg, via oral, diariamente durante 5 dias. Isto pode ser aumen-tado até um máximo de 250 mg, via oral, diariamente em incre-mentos de 50 mg até que a ovulação seja induzida. A eficácia do clomifeno, contudo, atinge o platô em 100 mg/dia. Esta medicação é aprovada pela US Food and Drug Administration para uso de até 150 mg/dia. A ovulação ocorre 5-10 dias após a última dose. As pacientes com androgênios elevados que não respondem ao citrato de clomifeno podem responder ao tratamento combinado com um agente hipoglicêmico oral e o clomifeno. Se a terapia com o clomifeno com ou sem os agentes hipoglicêmicos orais for ine-ficaz, a terapia com gonadotrofina pode ser tentada. Deve-se ter cuidado com o uso do FSH nestas pacientes, uma vez que elas têm a probabilidade de ficarem hiperestimuladas. A perfuração ovariana laparoscópica, “drilling”, (LOD) é um método cirúrgico de indução da ovulação em pacientes com SOP. A LOD envolve a perfuração com eletrocautério ou a laser do córtex ovariano, com o objetivo de produzir focos de laser ou de dano térmico no córtex e estroma ovariano. Em geral, pelo menos 6 locais de punção de 2-4 mm de profundidade são feitos no ová-rio distante do hilo. O mecanismo de ação é desconhecido, mas pode envolver destruição das células do estroma produtoras de androgênio, uma queda súbita ANA PAULA CASTRO – 6° PERIOD CLINICA INTEGRADA I nos níveis de androgênio ovariano, melhora do microambiente folicular ou aumento na secreção de gonadotrofina. Este procedimento pode causar aderências pélvi-cas pós- operatórias, resultando em comprometimento tubário. B. Manejo de pacientes que não desejam engravidar As pacientes que são hipoestrogênicas devem ser tratadas com uma combinação de estrogênio e progesterona para manter a densidade óssea e prevenir a atrofia genital. A dose de estrogênio varia de acordo com a idade da paciente. Os contraceptivos orais são uma boa terapia de reposição para a maioria das mulheres. Combinações de 0,625-1,25 mg de estrogênios conjugados via oral diariamente dos dias 1 até 25 do ciclo com 5-10 mg de ace- tato de medroxiprogesterona dos dias 16 até 25 são uma alterna-tiva adequada. A ingestão de cálcio deve ser ajustada para 1-1,5 g de cálcio elementar diariamente. As pacientes que respondem ao teste da progesterona neces- sitam de administração de progestogênio ocasional para preve-nir o desenvolvimento de hiperplasia e carcinoma endometrial. As pílulas contraceptivas orais podem ser utilizadas para regular o ciclo menstrual. Os contraceptivos orais também ajudam no manejo do hirsutismo. De maneira alternativa, a medicação com progestogênios em uma dose detalhada no Quadro 54-6 durante 10-13 dias a cada mês ou cada dois meses é suficiente para induzir o sangramento de privação e para prevenir o desenvolvimento de hiperplasia endometrial. As pacientes com hiperprolactinemia necessitam de medidas de prolactina periódicas e visões radio-gráficas cônicas da sela túrcica para excluir o desenvolvimento de macroadenoma ANA PAULA CASTRO – 6° PERIOD CLINICA INTEGRADA I