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ENFERMAGEM PSIQUIATRICA 
 
 
 
 
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Sumário 
 
INTRODUÇÃO ............................................................................................. 5 
PSIQUIATRIA: CONCEITO.......................................................................... 5 
A PSIQUIATRIA NO BRASIL........................................................................... 5 
OS PROBLEMAS DA ASSISTÊNCIA PSIQUIÁTRICA ................................... 6 
PAPEL DAS FUNÇÕES PSÍQUICAS .............................................................. 8 
AS FUNÇÕES PSÍQUICAS E SEUS DISTÚRBIOS ........................................ 9 
Distúrbios da Percepção .............................................................................. 9 
Tipos de Alucinações: ................................................................................ 10 
Distúrbios do Pensamento ............................................................................. 12 
Distúrbios no Conteúdo do Pensamento .................................................... 13 
Distúrbios da Memória ............................................................................... 16 
PERSONALIDADE ........................................................................................ 17 
Conceito: .................................................................................................... 17 
Conclusão .................................................................................................. 18 
CLASSIFICAÇÃO DOS TRANSTORNOS MENTAIS E COMPORTAMENTAIS 
 ................................................................................................................................. 18 
Etiologia das Perturbações Mentais: .......................................................... 18 
Tipos de esquizofrenia: .............................................................................. 26 
O HOSPITAL PSIQUIÁTRICO....................................................................... 28 
Considerações gerais ................................................................................ 28 
Estrutura Física do Hospital Psiquiátrico .................................................... 29 
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM PSIQUIÁTRICA .................................... 31 
Conceito e considerações gerais: .............................................................. 31 
Atuação de enfermagem psiquiátrica numa abordagem holística. ............. 31 
Requisitos básicos para o profissional de Enfermagem Psiquiátrica ......... 32 
Características das Anotações de Enfermagem em Psiquiatria................. 32 
 
 
 
3 
Roteiro de anotações (diárias) ................................................................... 33 
Conduta de Enfermagem nas intercorrências psiquiátricas ....................... 35 
Assistência de enfermagem ao paciente agitado ................................... 35 
Assistência de enfermagem ao Paciente Agressivo ............................... 36 
Assistência de enfermagem ao Paciente Deprimido .............................. 37 
Assistência de enfermagem na tentativa de suicídio .............................. 38 
A tentativa de evasão tem índice muito alto. .......................................... 40 
Assistência de enfermagem na alta hospitalar ....................................... 41 
É importante para permitir que o paciente se reintegre à família e à 
sociedade. ......................................................................................................... 42 
ALTERNATIVAS DE TRATAMENTO EM PSIQUIATRIA .............................. 43 
Terapia Medicamentosa ............................................................................. 43 
Atuação de Enfermagem na Psicofarmacoterapia ................................. 43 
Impregnação Medicamentosa .................................................................... 44 
Eletroconvulsoterapia (ECT) ...................................................................... 45 
Referencias ................................................................................................... 48 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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FACUMINAS 
 
A história do Instituto Facuminas, inicia com a realização do sonho de um grupo 
de empresários, em atender a crescente demanda de alunos para cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. Com isso foi criado a Facuminas, como entidade 
oferecendo serviços educacionais em nível superior. 
A Facuminas tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação 
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. 
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que 
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de 
publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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INTRODUÇÃO 
 
PSIQUIATRIA: CONCEITO 
 
É um ramo da medicina que se preocupa em diagnosticar, tratar e prevenir as 
doenças mentais e os distúrbios de comportamento. 
A psiquiatria é uma das áreas da medicina que se diferencia muito das demais. 
O paciente psiquiátrico não tem apenas um órgão doente, ele é um todo afetado 
(comportamento, emoções, etc). Seu “ser” está alterado. 
Atualmente é uma especialidade que dispõe de muitos recursos como hospital 
dia/noite, ambulatórios, oficinas terapêuticas, etc. 
Isso contribui para que o paciente não seja mais visto como meu “Peso Morto”. 
A segregação do indivíduo, da sociedade e da família, o “hospitalismo” está 
cada dia menos usado. 
“A Enfermagem tem a mais nobre oportunidade, no desempenho de suas 
atividades em Psiquiatria, o de conviver com esse ser sui-generis especial, que 
chamamos de doente mental”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
A PSIQUIATRIA NO BRASIL 
 
No Período Colonial - (1500 – 1822) inexistia assistência psiquiátrica no Brasil. 
Os médicos portugueses faziam apenas clínica geral, não tinham experiência técnica 
para tratar as doenças mentais, estes eram aprisionados em cadeias públicas tidos 
como “perigosos”. Após a Proclamação da República iniciou uma mobilização no 
sentido de cuidar dos doentes mentais. 
Em 05 de dezembro de 1852 foi criado o 1º hospital psiquiátrico no Brasil: o 
hospício D. Pedro II, no Rio de Janeiro. Inicialmente com capacidade para 140 
pacientes. É promulgada a 1ª lei brasileira em favor dos doentes mentais. 
Em 1855 sofreu ampliações para 340 pacientes. 
Em 1829, José Martins da Cruz Jobin, escreve pela 1ª vez, artigos sobre os 
doentes mentais, num seminário que circulava no Rio de Janeiro. Titulava-se “Insania 
Loguaz” o seu escrito. Ele foi também, o 1º médico de Hospício D. Pedro II, pioneiro 
em campanhas para promover a melhoria da assistência aos Doentes Mentais. 
Em 1.890, o hospício D. Pedro II é separado da Santa Casa de Misericórdia, 
passando a chamar-se Hospital Nacional dos Alienados, hoje Hospital Juliano 
Moreira. 
Em 1.903, Juliano Moreira é nomeado diretor do Hospital Alienados. Criou 
condições de terapia ocupacional e separou os pacientes por patologia, organizou 
fichários, biblioteca. Este foi quem realmente organizou a psiquiatria no Brasil. 
Ainda , no início do século XX criou-se o Hospital do Juquiri, por Francisco 
Franco da Rocha. Era um Hospital escola que promoveria congressos e cursos, 
nacionais e internacionais, reuniões para estudo de casos e aperfeiçoamento e 
intercâmbio entre os profissionaisque cuidavam dos doentes mentais. 
 
 
 
 
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OS PROBLEMAS DA ASSISTÊNCIA PSIQUIÁTRICA 
 
• Deficiência em recursos materiais 
• Despreparo dos recursos humanos 
• Política de saúde, a nível nacional, baseada apenas no enfoque 
curativo; sem condições para desenvolver preservação da doença mental. 
• Deficiência de verbas destinada à área especifica da Saúde Mental. 
• Cultura da sociedade que encara o Doente Mental como um “peso” a 
ser afastado, gerando superpopulação nos hospitais. 
Os hospitais psiquiátricos deveriam: 
• Adequar a terapia implementando terapia ocupacional, recreação, 
planta física adequada. 
• Treinar seus recursos humanos promovendo constante atualização e 
intercâmbio entre a equipe multiprofissional. 
A Política de Saúde do Governo Federal, Estadual e Municipal, deveria: 
• Integrar os serviços da Rede Básica com atenção à saúde mental. Não 
tratar os usuários por partes e seu como um todo. 
• Aumentar a quantidade e variedade dos serviços de saúde mental 
comunitária. 
• Facilitar o acesso dos usuários aos serviços de saúde mental preventiva. 
• Diminuir a hospitalização 
 
 
 
 
8 
Embora tenha em sua origem um questionamento da clínica, a reforma 
psiquiátrica não pôde se furtar a enfrentar o problema das práticas de cuidado 
dirigidas aos loucos. Para alguns autores (Leal, 1994; Bezerra Jr., 1996), isso é o 
mesmo que dizer que a reforma psiquiátrica não pôde se furtar de enfrentar o 
problema da clínica e de operar em seu interior, uma vez que a clínica é o principal 
dispositivo historicamente construído pela sociedade para se relacionar com o fato da 
loucura." p. 28 
Extraído de: A reforma psiquiátrica brasileira, da década de 1980 aos dias 
atuais: história e conceitos, autor: Fernando Tenório disponível em: 
http://www.scielo.br/pdf/hcsm/v9n1/a03v9n1.pdf 
 
 
 
PAPEL DAS FUNÇÕES PSÍQUICAS 
 
As funções psíquicas correspondem ao mundo interior, instintos, desejos, 
emoções, lembranças, juízos, raciocínios percebidos por uma consciência, e que se 
opõe ao mundo exterior, ou ao mundo dos objetos: mês, livros, árvore, carro. 
A vida interior é observável pelos outros, sob a forma de comportamento: a 
palavra, os gestos, a conduta. 
O papel das grandes funções mentais é evidentemente, o de garantir a 
adaptação do indivíduo em seu mundo. Pode-se distinguir: 
 
• As funções afetivas: 
 
 
 
9 
Os sentimentos se refletem às dores e aos prazeres físicos e morais, às 
emoções ( alegria, cólera, medo, tristeza, etc.) às paixões, aos instintos, às 
necessidades, às tendências. 
 
• As funções da consciência: 
 
A consciência do copo, a atenção, a vigília e o sono. O sentimento de existir 
são as funções da consciência. 
 
• As funções sensoriais: 
 
As sensações são indispensáveis para conhecer o mundo que nos cerca, para 
o vermos, compreendê-lo, senti-lo, degustá-lo, tocá-lo. 
 
 
• As funções do conhecimento: 
 
As percepções permitem reunir e reconhecer as sensações e ligá-las aos 
objetivos. A atenção é a concentração das faculdades intelectuais sobre um objeto ou 
aos pensamentos. 
A imaginação é o poder de reviver com intensidade os estados de consciência 
passados e de criar estados novos. A memória é a função principal que permite 
conservar os estados psicológicos passados, de os recordar, e de os reconhecer 
como passados e de localizá-los no passado. 
 
 
 
 
10 
 
• As funções de expressão, ação e de adaptação: 
 
A linguagem, a mímica, os gestos representam os meios de comunicação como 
o próximo. A motricidade voluntária permite agir. Os hábitos consistem em aquisições 
de automatismo permitindo realizar certos atos sem a intervenção contínua da 
vontade. A vontade é o meio pelo qual um indivíduo, após refletir, raciocinar e julgar, 
realiza um ato do qual se escolheu a finalidade e os meios. 
 
AS FUNÇÕES PSÍQUICAS E SEUS DISTÚRBIOS 
 
Distúrbios da Percepção 
 
A) Ilusões: 
Erro Interpretativo de uma percepção ( vê errado). O objetivo existe. Tem 
relação com as necessidades psico-afetivos, temores, etc... 
 Para apresentar uma ilusão não haverá necessidade de uma alteração mental 
obrigatória. Ex.: Na rua escura a própria sombra pode parecer uma pessoa 
perseguindo-nos. 
 
B) Alucinação: 
É uma pseudopercepção sem objeto. A alucinação é fruto da mente doentia do 
indivíduo. Ele cria uma percepção e projeta-a na realidade. Para criá-la, o indivíduo 
não precisa de estímulos extremos. É uma criação da mente doentia. 
 
 
 
11 
As imagens mentais surgem espontaneamente no cérebro, sendo projetadas 
para o mundo exterior como se fossem reais. 
A alucinação tem grande importância para o diagnóstico das doenças mentais. 
 
Tipos de Alucinações: 
 
• Alucinações Auditivas 
São as mais comuns: Os doentes mentais as denominam como “vozes”. Essas 
vozes têm as características mais diversas. Ora são claras, ora ininteligíveis. Ora dão 
bons conselhos, ora dão maus conselhos, fazem insultos, ameaças e dão ordens 
sarcásticas. 
As vozes, às vezes, podem repetir o pensamento do paciente ( sonorização do 
pensamento- comum na esquizofrenia). Provocam ansiedade, agitação e 
agressividade auto ou heterodirigida. 
Muitas vezes, os pacientes, negam a alucinação auditiva, mas esta é percebida 
pelo comportamento. Uns colocam algodão nos ouvidos, falam sozinhos ( solilóquio). 
 
• Alucinações Visuais: 
São menos frequentes que as alucinações auditivas. É como se o paciente 
estivesse vivenciando um sonho. As imagens alucinatórias podem ser de tamanho 
natural, minúsculas ou gigantescas. Podem ainda ser alucinações com animais. 
São comuns nos delírios alcóolicos e nos cocaínicos. São raros na 
esquizofrenia. Provocam, muitas vezes, pânicos e medo nos pacientes. 
 
 
 
 
 
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• Alucinações Táteis 
Originam-se no tegumento (pele). Referem-se a sensibilidade de 
formigamento, de mordeduras, de queimaduras, de frios. Ocorrem na intoxicação por 
cocaína e “delirium tremens”. 
 
• Alucinações Gustativas e Olfativas 
Estão, geralmente, associadas à ideias delirantes de perseguição e de 
influência. Exemplo: O paciente pode queixar-se que sua comida está envenenada ou 
que contem excremento. 
Os pacientes podem negar-se a comer ou beber. São comuns na esquizofrenia 
paranóia, epilepsia. 
 
• Alucinações Cinestésicas: 
Trata-se de alucinações que comprometem a sensibilidade geral interna. Às 
vezes, afetam o corpo todo do paciente, por exemplo: o paciente tem a sensação que 
o seu corpo está podre, carregado de eletricidade, que tem um de seus membros 
amputados. Às vezes, são parciais, por exemplo: o paciente sente que seu coração 
transformou-se em pedra, ou em algodão. 
 
 
• Alucinações Extracampinais: 
Ocorrem fora do campo visual do paciente. Exemplo: o paciente vê alguém 
atrás dele. 
 
 
 
 
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Distúrbios do Pensamento 
 
Pensamento é qualquer atividade mental consciente, onde as ideias são 
reunidas, surgem ideias novas e são interligadas entre si através da imaginação. 
 
Distúrbios na Progressão do Pensamento 
• Aceleração 
Ocorre devido a necessidade do indivíduo de dizer as muitas ideias que pensa. 
Ele fala imoderadamente ( verborréia, logorréia). Devido à aceleração do 
pensamento, ocorre fuga de ideias. Muitas vezes a idéia não é complementada. 
Ocorre também variações no tema do pensamento. Essa ocorrência é típica dos 
estados de excitação maníaca. (taquipsiquismo). 
 
• Retardo ou Inibição: 
Nesse caso o raciocínio é lento, as sensações mentais são lentas e há uma 
sensação de incapacidade para pensar. O paciente pode falar espaçadamente e com 
tonalidade baixa. É comum nos estados depressivos. (bradpsiquismo). 
 
• Desagregação: 
O pensamento apresenta-se desordenado, sem sequência lógica. É comum na 
Esquizofrenia. 
 
 
 
 
 
 
 
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• Perseveração: 
Consistemnuma repetição automática de frases, ideias e palavras. São 
frequentes em estados maníacos. 
 
• Prolixidade: 
O paciente faz rodeios para concluir seu pensamento, usa detalhes 
desnecessários e banais. 
É comum na Epilepsia, oligofrenias e demência orgânica. 
 
• Bloqueio: 
Consiste na privação súbita do pensamento. “Dá um branco”. 
 
Distúrbios no Conteúdo do Pensamento 
 
• Ideias Obsessivas: 
São ideias impostas ao psiquismo de modo brusco e persistente, sendo que o 
indivíduo que as sofre tem consciência do estado patológico do seu pensamento, mas 
não o controla pela sua vontade, o que lhe causa angústia. É comum nos estados 
neuróticos. 
 
 
 
 
 
 
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• Ideias supervalorizadas ou determinadas 
 
O indivíduo apresenta propensão a centralizar-se num tópico especial do 
pensamento. Quando existe uma idéia superdeterminada ela “cega”o indivíduo a tudo 
mais que o cerca. É comum nos estados psicóticos. 
 
 
• Ideias Delirantes: 
Aparecem quando o juízo crítico falha por completo ou deixa de funcionar. 
Expressam o ingresso do indivíduo à psicose ou cronificação da sua doença 
normalmente. Não há ideias delirantes em casos agudos. 
 
A) Aspectos essenciais do Delírio: 
• Convicção plena daquilo que afirma 
• Geralmente é algo fora do bom senso, absurdo e inaceitável. 
• Há uma auto-referência, ou seja, o indivíduo é sempre o centro 
do seu delírio. 
 
B) Quanto ao conteúdo o delírio pode ser: 
• Persecutório: 
 
 
 
 
16 
É a forma mais frequente. O paciente crê que é perseguido por uma ou várias 
pessoas que querem fazer-lhe mal. 
 
• Referência: 
O indivíduo diz-se alvo de infâmias e calúnias. 
• Influências (ou posse) 
O indivíduo sente-se comandado pela vontade de outro. Ex: “Eu não preciso 
dizer... você sabe...!” 
• Enormidade: 
Megalomania. É comum na Esquizofrenia. 
 
 
• Reivindicação: 
O indivíduo sente-se ótima de graves injustiças, por isso, batalha tenazmente 
pelos direitos alegados. 
 
• Invenção: 
Pretende inventar algo inédito e absurdo. 
 
• Místico: 
O indivíduo acha-se em comunhão constante com entidade religiosa ou com o 
poder de Deus que lhe fala, dá ordens etc. 
 
 
 
17 
 
• Ciúme: 
Trata-se de um ciúme patológico ( ciúme dos alcoólatras). 
 
• Auto acusação: 
O indivíduo acusa-se de faltas e crimes que não cometeu. Constante 
sentimento de culpa. 
 
• Ruína: 
O indivíduo julga-se um desgraçado, perdido, na iminência de catástrofes. 
 
• Hipocondria: 
O indivíduo crê-se vitima de doenças terríveis e incuráveis. Os exames com 
resultados normais não o convencem. 
 
Distúrbios da Memória 
 
Memória é a função através da quais informações adquiridas e apresentadas 
à consciência, através da observação, são armazenadas, sendo evocadas mais tarde 
ao plano consciente. 
 
• Hiperminésia: 
 
 
 
 
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Memória anormalmente aguçada. Nesse caso o paciente lembra detalhes 
mínimos de certos fatos de forma clara e límpida. 
 
• Amnésia: 
É a perda da memória por fatores orgânicos ou psicológicos. 
a) Orgânicos: traumatismo (TCE) 
b) Psicológicos: choques emocionais 
 
• Paramnésia: 
Falsificação da memória. Serve como proteção contra a ansiedade intolerável. 
 
PERSONALIDADE 
 
Conceito: 
 
Etimologicamente a palavra personalidade é de origem latim , Persona , nome 
dado à máscara usada pelos atores de teatro romano. 
 Comentário: 
 
Ao passar do tempo a palavra personalidade passa a significar a interioridade 
do homem e não ao fator externo ou aparência . 
 
 
 
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A psicologia trata a personalidade como conjunto de hábitos , atitudes e traços 
característicos que determina o ajustamento de uma pessoa em seu ambiente. 
A personalidade doentia, é caracterizada por pessoas que não tem uma 
maneira absolutamente normal de viver .São inflexíveis , rígidas e mal-adaptativas 
para viverem harmonicamente em sociedade . 
A personalidade acha-se totalmente submetida, desde o nascimento até a 
morte a uma grande quantidade de fatores, aos quais ela deve adaptar-se. 
Um indivíduo é uma história, uma síntese modelada por todo seu passado. Sua 
doença é uma reação, um modo de reagir às múltiplas agressões. Citaremos agora 
alguns tipos de personalidades doentias como exemplos, e para discussão: 
1 – Personalidade Borderline : 
2 – Personalidade Introvertida : 
3 – Personalidade Psicopata : 
4 – Personalidade Criminosa : 
 
Concluímos que a mente humana é um enigma ainda não decifrável , e que 
com o passar do tempo , vem sofrendo muitas influencias do meio externo , levando 
o ser humano a cometer certas atrocidades assustadoras , tornando o homem “algo 
inexplicável” e inconcebível . 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Conclusão 
 
A personalidade acha-se totalmente submetida, desde o nascimento até a 
morte a uma grande quantidade de fatores, aos quais ela deve adaptar-se. 
Um indivíduo é uma história, uma síntese modelada por todo seu passado. Sua 
doença é uma reação, um modo de reagir às múltiplas agressões. 
Assim como dois indivíduos não têm a mesma história, dois doentes não se 
parecem totalmente, sendo preciso adaptar o tratamento e reeducar essa 
personalidade. 
É justamente por isso que o tratamento das doenças mentais e a equipe que 
atua nesse trabalho devem agir de forma harmônica e integrada. 
 
CLASSIFICAÇÃO DOS TRANSTORNOS MENTAIS E 
COMPORTAMENTAIS 
 
Etiologia das Perturbações Mentais: 
 
O problema da etiologia das doenças mentais é , provavelmente , o mais difícil 
de ser pensado. Evoluindo desde os conceitos demonológicos até hoje, foi no século 
XIX, com Kraepelin e no começo do século XX com Freud, que se lançaram as bases 
do pensamento mais moderno. Kraepelin procurou etiologias específicas para os 
diversos quadros mentais, esbarrando de início no problema de que quadros 
relativamente semelhantes poderiam ser causados por agentes etiológicos diferentes, 
ou um mesmo agente poderia provocar quadros distintos. Assim, por exemplo, uma 
depressão pode ser a expressão de uma perda material ou afetiva, ser fase de uma 
 
 
 
21 
PMD ou mesmo produto de um quadro orgânico cerebral. O álcool, agente etiológico, 
pode levar a um quadro de intoxicação aguda, de embriaguez patológica , de delirium 
tremens , etc. 
Progressivamente (Freud), a noção de causa e efeito foi sendo abandonado. 
Assim, fatores constitucionais (herança), mais acontecimentos ocorridos na infância 
gerariam uma disposição à doença mental. Esta poderia ou não surgir em função a 
acontecimentos tardios. 
Com isto, uma grande revolução no conceito de DM foi atingido , concebendo 
o ser humano como uma unidade biopsicossocial. 
 
A) Psicoses Sintomáticas 
 
Conceito : as psicoses sintomáticas são quadros que surgem como um sintoma 
de afecção geral que atinge o indivíduo . No passado eram chamadas de reações 
exógenas aguda de Bonhoeffer . São, portanto, manifestações psiquiátricas de 
caráter psicótico resultante de afecções somáticas. Como características gerais têm: 
• são geralmente agudas ,irrompendo de forma brusca ; 
• são reversíveis , desaparecendo quando controlado o quadro somático 
que lhe deu origem ; 
• apresenta-se geralmente com um quadro de rebaixamento de 
consciência , podendo ocorrer fenômenos alucinatórios , predominantemente visuais 
, acompanhando um quadro basicamente confusional. 
Significado de Confusional: adjetivo masculino e feminino 
Que se caracteriza por confusão mental. 
 
 
 
 
22 
Por vezes a psicose sintomática prolonga-se por várias semanas com um 
quadro de tipo amencial, flutuações de consciência e perplexidade. Por momentos, o 
paciente pode recobrar parcialmente a consciência para depois mergulhar novamente 
em seu estado confuso onírico ( sonhos ) . 
As psicoses sintomáticas devem ser diferenciadas das psicosescérebroorgânicas que são provocadas por afecção que lesam diretamente o cérebro 
e, por isso, são crônicas e irreversíveis, tendendo psicopatologicamente para uma 
evolução de caráter demencial. 
As psicoses sintomáticas podem basicamente ser provocadas por intoxicações 
ou infecções. São classificadas como autotóxicas quando provocadas por 
enfermidades gerais internas como as tireoidopatias, diabetes, uremias, etc. As 
heterotóxicas são provocadas por intoxicações acidentais, profissionais ou com 
finalidade hedonística (prazer individua), bem como por medicamentos (álcool, LSD, 
maconha, etc.). 
O tratamento consiste em remover o quadro tóxico ou infeccioso de base e 
neuroléptico. 
 
B) Oligofrenias ou Deficiência Mental 
 
Introdução: classicamente as Deficiências Mentais, ou oligofrenias (do grego 
oligo = pouco, pheren = espírito), eram vistas como “uma condição de 
subdesenvolvimento mental” já apresentada logo ao nascer ou nos primeiros anos de 
vida . 
Durante a década de 60 , a Associação Americana de Deficiente Mental a 
definiria como “todos os graus de defeito mental devidos’ ou que levam a um 
desenvolvimento mental insuficiente , dando como resultante que o indivíduo é 
 
 
 
23 
incapaz de competir , em termos de igualdade , com os companheiros normais ou é 
incapaz de cuidar de si mesmo ou de seus negócios com a prudência normal . 
Na década de 90, a OMS tenta compreendê-la de modo mais amplo em função 
de três conceitos inter-relacionados: 
• Deficiência: no que diz respeito a uma anomalia da estrutura ou 
aparência do corpo humano e do funcionamento de um órgão ou sistema , seja qual 
for sua causa , se constituindo em princípio em uma perturbação de tipo orgânica 
• Incapacidade: reflete as consequências de uma deficiência no âmbito 
do rendimento funcional e da atividade do indivíduo; desse modo, a incapacidade 
representa uma perturbação no plano da pessoa; 
• Desvantagem: se refere às limitações experimentadas pelo indivíduo, 
em virtude da deficiência e da incapacidade; reflete, portanto as relações do indivíduo 
com o meio, bem como sua adaptação ao mesmo. 
A variabilidade intelectual dentro da população é então pesquisada de forma 
estatística, tendo nos teste de nível intelectual, com a determinação de um quociente 
intelectual, a ferramenta fundamental para padronização dos valores determinantes 
dos diversos graus. Dessa forma, obtêm-se, em função de uma média pesquisada 
populacionalmente e dos respectivos desvios padrão, as seguintes faixas de 
deficiência mental: 
 
Quadro demonstrativo sobre as variações da inteligência 
 
Inteligência 
 
Características 
 Quociente de 
Inteligência 
(QI) 
Inteligência normal 90 > QI < 110 
 
 
 
 
24 
D.M. Severa Não tem capacidade de produção, 
comunica-se com dificuldade acentuada 
20 > QI < 36 
D.M. Profunda Indivíduos incapazes de sobreviverem 
sozinhos, não se comunicam 
20 < QI 
 
A Deficiência Mental não é uma patologia específica mais sim um conjunto 
complexo de síndrome que tem como sinal comum o déficit intelectual, que apresenta 
etiologia variável, profundamente influenciável pelos fatores biológicos, psicológicos 
e sociais. Dessa forma, poderíamos, de modo simplificado, estruturar suas etiologias 
conforme abaixo : 
 
1. Causas 
Pré-Natais : 
• genéticas - alterações cromossômicas ( síndromes ) ; 
• alterações gênicas ( erros inatos de metabolismo ) 
Ambientais: 
• infecções ( toxoplasmose,rubéola,etc ) ; radiações ionizantes ; 
ingestão de drogas ; má nutrição materna . 
2. Causas 
Perinatais : 
• anóxia ou hipóxia (asfixia e prematuridade) traumatismo de parto 
Inteligência Limítrofe (variações 
normais da inteligência ) 
 70 > QI < 90 
D.M. Leve Indivíduo independente 50 > QI < 70 
D.M. Moderada Dificuldade em aprender entender 
linguagem é deficiente 
e 36 > QI < 50 
 
 
 
25 
• hiperbilirrubinemia (imaturidade hepática e sensibilização 
materno-fetal) 
3. Causas 
Pós-natais: 
• infecção do SNC (meningoencefalite); má nutrição ; 
• intoxicação exógenas (chumbo,dióxido de carbono, etc); 
traumatismos ; radiações ,etc . 
Tratamento: o uso de medicamentos é muitas vezes inevitável devido as 
alterações de conduta próprias da patologia. Basicamente é utilizado neurolépticos , 
ansiolíticos , antidepressivos ,etc. Além de uma importante psicoterapia , 
principalmente com crianças . 
C) Depressão: 
Introdução: a depressão é uma doença potencialmente incapacitante se não 
for tratada adequadamente, trazendo muitos prejuízos aos seus portadores, como 
faltas ao trabalho, licenças médicas, aposentadorias precoces e isolamentos afetivos 
e pessoais. O termo depressão abrange amplo espectro de fenômenos, incluindo 
quadros predominantemente psicogênicos, como neuroses e reações depressivas, 
quadros predominantemente somatogênico, etc... . 
Tipos de Depressão: encontramos dois tipos de depressão, com 
sintomatologias basicamente iguais, a Depressão Exógena e Depressão Endógena 
sendo esta última de tratamento mais longo, podendo se tornar crônica. 
A depressão exógena, chamada desta forma por apresentar ações externas 
como o meio em que vive, uma situação de perda afetiva ou mesmo material, um 
problema financeiro, uma mudança de cidade, etc. , que ao menor tempo passa, 
assim que a situação é contornada. 
Já a Depressão endógena possui um agravante genético e são relativamente 
independentes frente a situações ambientais ou externas. A causa dessa depressão 
 
 
 
 
26 
são várias, sendo uma delas, e a de maior peso, a diminuição de algumas substâncias 
neurotransmissoras cerebrais responsáveis pela regulação do humor como, por 
exemplo , a Serotonina e a Noradrenalina . 
 A depressão pode atingir ambos os sexos em qualquer idade, e muitas vezes 
o paciente passa a usar, sem saber, a bebida alcoólica ou outras drogas para aliviar 
temporariamente os sintomas . 
 
Sintomatologia : 
• humor deprimido 
• incapacidade de sentir prazer e desinteresse 
• alteração de sono e apetite 
• baixa auto-estima 
• sensação de inferioridade e inutilidade 
• lentificação ou agitação 
• fadiga e diminuição da energia 
• ideias de culpa constantes 
• dificuldades de raciocínio , concentração e memória 
• ideias de morte 
Tratamento: o tratamento das depressões deve se basear na ponderação de 
seus fatores etiológicos, não se descurando a psicoterapia em favor dos tratamentos 
biológicos, quando se abordarem os quadros predominantemente psicogênicos ou 
relativos. O tratamento medicamentoso tem-se atualizado dia após dia com 
 
 
 
27 
lançamento de antidepressivos de potência cada vez maior adaptando-se a cada 
indivíduo. 
 
D) Transtorno Afetivo Bipolar : 
 
Antigamente conhecida como Psicose Maníaco Depressiva (PMD). É uma 
psicose endógena, da causa orgânica , influenciada por fatores ambientais. Possui 
duas fases chamadas de distúrbio Bipolar I (fase maníaca) e distúrbio Bipolar II (fase 
depressiva). No transtorno Afetivo Bipolar o indivíduo pode intercalar fases de mania 
e/ou depressão , ou só ter mania , ou só ter depressão por longos tempos . Para 
caracterizar a doença deverá ocorrer em sequência intercalada fases de mania e de 
depressão. 
O início é caracterizado por elação ou elevação do humor e aumento da 
atividade. Com agravamento do quadro aparecem euforia ou irritabilidade, insônia, 
grandiosidade, logorreia*, hipersexualismo, gastos excessivos e , na evolução 
hostilidade e violência física ocasional em relação à imposição de limites ou conselhos 
racionais . Em casos mais extremos o maníaco se torna francamente psicótico, com 
fuga de ideias, fala desorganizada, agitação, delírios ( tipicamente de grandeza ) e 
alucinações , sendo muitas vezes diagnosticados erroneamente como esquizofrenia 
. As primeiras fases de mania começam por volta dos 25 anosde idade., embora a 
doença possa surgir mais precocemente na adolescência ou tardiamente na vida 
adulta . A fase depressiva, o indivíduo apresenta baixa autoestima, sentimentos de 
culpa infundados, ideias suicidas fixas, anorexia, adinamia . 
*Significado de Logorreia: 
Ação de expressar-se através de frases desprovidas de sentido e/ou sem 
importância. 
 
 
 
 
28 
O tratamento é basicamente o medicamentoso, alterando de acordo com as 
fases. Usa-se neurolépticos e antidepressivos associados a ansiolíticos ; faz-se 
importante a psicoterapia, principalmente na fase depressiva . 
 
E) Esquizofrenia : 
 
Descrita por Kraepelin em 1896 com o nome de “Demência Precoce”, recebeu 
o nome atual dado por Bleuluer em 1911, porque para ele o paciente apresenta “uma 
mente dividida” , considerando a divisão da personalidade como característica central 
da doença. 
A Esquizofrenia é uma doença mental caracterizada por desagregação do 
pensamento, embotamento afetivo , com prejuízo severo da crítica , além de uma 
deterioração grosseira nos parâmetros da realidade. Como critérios obrigatórios 
devem estar presentes: ideias delirantes, comportamento claramente inadequado e 
desacostumado, alucinação e transtornos psicomotor grosseiro com hipo ou 
hiperatividade e presentes em grau severo; a retirada social, transtornos do 
pensamento que não sejam delirantes, medo esmagador, transtorno do afeto, 
despersonalização e desleixo. 
 Etiologia: do ponto de vista etiológico também é difícil reconhecer–se uma 
causa única. São necessários fatores predisponentes (genéticos, constitucionais, 
bioquímicos) em concomitância com fatores desencadeantes (desestruturação 
familiar, dificuldades de desenvolvimento, instalação de uma comunicação ambígua 
através de mensagens contraditórias, “o duplo vínculo”, que se dão no núcleo 
familiar). Atualmente, do ponto de vista bioquímico , a hipótese dopaminérgica é a 
mais citada como produtora dos sintomas da esquizofrenia. 
 
 
 
 
29 
Tipos de esquizofrenia: 
classicamente descrevem-se quatro subgrupos da esquizofrenia. 
1. Esquizofrenia simples: caracteriza-se pelo autismo, pela 
superficialidade das respostas emocionais, com perda gradual e insidiosa da vontade, 
interesse e iniciativa. Afasta-se do contato com as pessoas e tende ao isolamento. 
2. Esquizofrenia catatônica: além dos sintomas anteriores estão 
presentes sintomas psicomotores. O paciente apresenta-se com acinesia tendendo à 
flexibilidade cérea ou com hipercinesia estereotipada. Ainda estão presentes o 
negativismo e a obediência automática a ordem simples. 
3. Esquizofrenia hebefrênica: caracteriza-se por grande desagregação 
do pensamento levando a uma agitação psicomotora desordenada e bizarra 
acompanhada de risos imotivados e falta de crítica ,demonstração de todo o caos 
interno vivenciado. 
4. Esquizofrenia paranóide: estão presentes as alucinações e delírios de 
auto referencia (grandeza e dominante) em geral persecutórios. 
5. Esquizofrenia residual: é a forma crônica de todas as esquizofrenias, 
caracterizada por sintomas negativos, como: apatia, indiferença, embotamento 
afetivo, passividade, etc... 
Tratamento: basicamente medicamentoso a base de neurolépticos e 
psicoterapia, em determinados tipos. 
F) Transtorno do Pânico : 
Introdução: os ataques de pânico são caracterizados pelo início súbito em que 
os pacientes se sentem tomados por um intenso medo. A duração da crise pode ser 
de alguns minutos até uma ou duas horas e são acompanhadas de intenso sentimento 
de medo de morrer, de perder o controle ou enlouquecer. 
 
 
 
 
30 
Sintomatologia: os sintomas mais comuns são: sensação de vertigem, falta 
de ar, palpitações, tremores, sudorese, náuseas e sensação de calor e frio no corpo. 
A maioria das pessoas apresentam essas crises várias vezes por semana, 
podendo desenvolver um quadro de agarofobia ( medo de sair às ruas , entrar em 
supermercados, bancos , etc.) , com evidente restrição de sua necessidade 
pragmática. 
Tratamento: o tratamento é feito utilizando antidepressivos, com isto as crises 
começam a se espaçarem, chegando a desaparecer. O quadro fóbico residual é 
tratado com psicoterapia. É utilizado também ansiolíticos no controle das crises. 
 
G) Transtorno Obsessivo-Compulsivo ( TOC ): 
Introdução: Estudos epidemiológicos, nos EUA, indicam ser o Transtorno 
Obsessivo- Compulsivo (TOC) muito mais frequentes do que se pensava. 
Caracteriza-se o TOC por obsessões ( ideias , pensamentos ou impulsos que 
se impõem à consciência da pessoa ,contra a sua vontade , e que são reconhecidas 
,em geral , com sendo absurdas e insensatas ) e compulsões ( comportamentos 
repetitivos e executados geralmente de forma ritualista e estereotipadas ). 
Frequentemente as compulsões têm a finalidade de anular ou neutralizar algum 
acontecimento terrível que a pessoa julga poder provocar com seus pensamentos. Os 
pensamentos obsessivos mais comuns são relativo a contaminações ( micróbios, 
doenças, tóxicos ) , preocupações com simetria e ordem, duvidas patológicas (“fechei 
ou não o gás ,a porta , a torneira ) e escrúpulos religiosos ou morais . 
 As compulsões mais comuns referem-se a lavar ( algumas pessoas chegam a 
consumir horas em banhos ritualísticos ) ,contar , conferir ou verificar , tocar 
compulsivamente objetos específicos, arrumar simetricamente objetos , e rituais de 
ordem e limpeza. 
 
 
 
31 
Estudam-se, no momento, as relações do TOC com certos distúrbios relativos 
ao controle dos impulsos, como a tricotilomania, a cleptomania, a bulemia, e até 
mesmo certas formas ego-distônicas de parafilias, que se exercem como “impulsos 
incontroláveis”. Estudas - se também a relação do TOC com a síndrome de Gilles de 
la Tourette, caracterizada por tiques motores e vocais. 
Tratamento: é basicamente medicamentoso utilizando clorimipramina e 
fluoxetina , uma vez que nesta patologia a um grande distúrbio a nível de 
neuroreceptores nas sinapses . 
 
O HOSPITAL PSIQUIÁTRICO 
 
Considerações gerais 
 
É a instituição que se preocupa em diagnosticar e tratar indivíduos com 
distúrbios mentais e devolvê-los reabilitados para sua família e sociedade. 
O excesso da população confinada nos hospitais psiquiátricos dificulta o 
cumprimento desse objetivo. Porém, atualmente com a Política de Saúde voltada para 
a desospitalização, muitos pacientes estão sendo tratados ambulatorialmente, ou em 
regime de hospital Dia/Noite. 
Isso possibilita que o doente mental não perca o vínculo com a família e a 
sociedade, favorecendo sua reintegração, após o tratamento; diminui o estigma sobre 
o paciente psiquiátrico; favorece a participação da família na colaboração do 
tratamento e reabilitação do paciente. 
 
 
 
 
 
 
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Estrutura Física do Hospital Psiquiátrico 
• Portaria 
• Sala de espera: sanitários 
• Ambulatório: consultórios e triagem 
• Sala de admissão: exames, entrevista da equipe multiprofissional 
(psicólogos – enfermeiros – assistente social, etc). 
• Sala de arquivo: fichário, SAME 
• Administração 
• Sala de reuniões de grupo: familiares, pacientes, profissionais da 
multi equipe 
• Setor de internações: feminino e masculino 
• Salas para tratamentos específicos (ECT, etc). 
• Salas para atendimento odontológico 
• Postos de Enfermagem 
• Sala de chefia de Enfermagem 
• Sala para higienização 
• Dependências para Terapia Ocupacional 
 
 
 
33 
• Serviço de Nutrição e Dietética (SND): refeitórios para pacientes 
e funcionários 
• Sala de zeladoria e manutenção 
• Necrotério 
• Lavanderia 
• Pátios/ jardim (área externa) 
• Áreas para recreação e lazer 
A área física do hospital psiquiátrico varia de acordo com as características da 
clientela e dos recursos materiais e humanos que o constituem. De um modo geral, 
possui característica pavilhonar. 
A parede das dependênciasonde permanecem pacientes deve ter pisos e 
paredes laváveis, de cores claras; janelas altas e teladas, fora do alcance dos 
pacientes. Não deve haver escadas, preferindo-se rampas, para evitar quedas e 
facilitar o acesso do paciente confinado à cadeira de rodas. 
Os sanitários e salas de higienização não devem possuir espelhos, chuveiros 
e descargas, devem ser acionadas por mecanismo não removível; os chuveiros 
devem ser altos. 
A mesa de cabeceira e armários para guarda de pertences, somente em alas 
de pacientes sob controle, (“crônicos/moradores”). Serão guardados sob 
responsabilidade da instituição. 
Deve-se evitar mobiliário em aço com emendas com solda para não favorecer 
quebra e acidentes. 
Os pátios com muros altos e a área externa deve ser ampla, com quadras de 
jogos e áreas de recreação, bem cercadas com muros e alambrados altos. 
 
 
 
 
34 
Nessas áreas os pacientes devem estar sempre sob vigilância. 
O horário para o atendimento dos pacientes do sexo feminino e masculino 
(refeitório, recreação, etc) são diferentes. Algumas vezes, permite-se a convivência 
mútua, sob vigilância. 
As demais características da estrutura e funcionamento são semelhantes ao 
hospital geral (enfermaria clínica, sala de curativos, etc). 
 
ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM PSIQUIÁTRICA 
 
Conceito e considerações gerais: 
 
A enfermagem psiquiátrica deve proporcionar um relacionamento terapêutico 
e um ambiente adequado, para ajudar o paciente a suprir suas necessidades e a 
corrigir os aspectos doentios do seu comportamento, preparando-o para a 
reintegração na família e na sociedade. Deve preocupar-se também, com ações de 
promoção da saúde mental e prevenção dos transtornos mentais. 
A finalidade da assistência de enfermagem na psiquiatria é conhecer, 
compreender e colaborar para a recuperação do equilíbrio mental do indivíduo na 
medida do possível. 
A atitude fundamental do profissional de enfermagem é encarar o paciente 
como um indivíduo “sui-generis” e tratá-lo de forma humana, sem estigmas (“louco”, 
“maluco”, “ruim do juízo”, etc). É preciso compreender e conhecer o paciente 
psiquiátrico e as características de sua doença para conviver bem nesta área da 
enfermagem. 
 
 
 
 
35 
Atuação de enfermagem psiquiátrica numa abordagem 
holística. 
• Aceitar o paciente como ele é; 
• Não ver no paciente a doença e sim um indivíduo doente; 
• Tratar cada paciente como um ser único. Ninguém é igual a 
ninguém 
cada ser é único, individual; 
• Ter boa habilidade nas relações humanas e boa habilidade 
técnica. O paciente precisa ver no profissional uma pessoa firme e segura. 
• Conhecer e identificar corretamente o distúrbio mental do 
paciente para saber o que e como observá-lo no dia a dia. 
 
Requisitos básicos para o profissional de Enfermagem 
Psiquiátrica 
• Ter saúde equilibrada (física e emocional); 
• Ter segurança de si e do procedimento que vai realizar com o 
paciente. 
• Ter flexibilidade, sem deixar-se manipular pelo paciente; 
• Ter abertura intelectual e interesse em atualizar-se; 
• Incentivar a independência do paciente. Evitar tratá-lo como 
“bichinho de estimação”; 
• Manter postura profissional quanto ao sigilo, aparência física, 
maturidade humana e moral; 
 
 
 
 
36 
• Ser responsável e sincero, sem hipocrisias. O doente mental é 
extremamente sensível. Não é fácil enganá-lo. Nunca prometer se não 
pretende cumprir, nem fazer “barganhas”. 
• Ter características pessoais tais como: discrição, bondade, 
paciência, domínio próprio, lealdade, humor estável e amor pelo que faz; 
• Ter boa capacidade de observação. Ser comunicativo. 
 
Características das Anotações de Enfermagem em Psiquiatria 
 
Devem conter: data, horário, condições da internação, alta ou transferência (só 
ou acompanhado, consciente ou não, lúcido ou confuso, etc). 
Devem ser: claras, legíveis, sem ambiguidades, exatas, honestas, objetivas, 
completas, sem rasuras, descritivas, (essa é a característica que difere de modo 
especial, as anotações psiquiátricas das demais, na enfermagem). 
Ser descritivo é diferente de ser interpretativo, como segue nos exemplos: As 
anotações de enfermagem são importantes por: 
• Oferecer informações sobre a história da doença do paciente e 
suas reações; 
• Colher dados para auxiliar o diagnóstico e tratamento; 
• Possuir valor legal para fins jurídicos, contábeis, etc; 
• Ser fonte de estudo e pesquisa. 
 Certo Errado 
01 Pela manhã bateu no companheiro de enfermaria, andou o tempo todo 
pelo pátio gritando, recusou alimentar-se. 
Está 
agressivo. 
 
 
 
37 
02 Rasgou a roupa do corpo, quebrou sua escova de dentes, amassou o 
prato durante o almoço. 
Está 
destrutivo. 
03 Chorou durante toda a manhã, não tomou banho, recusou alimentar-se e 
participar da recreação, permanecendo todo o tempo isolado num canto 
do pátio. 
Está 
deprimido. 
04 Não quis entrar na fila para tomar o café e almoçar, não tomou banho no 
horário e recusa-se a obedecer qualquer ordem da enfermagem. 
Está 
desobediente. 
05 Deprimido, tentou suicídio, cortando o pulso com lâmina que trouxe da 
T.O. no dia anterior. 
Apresenta-se 
deprimido 
com idéia 
suicida. 
 
Roteiro de anotações (diárias) 
 
• Hábitos higiênicos e no vestir-se: 
(Toma banho sozinho ou com ajuda, vai para o banho espontaneamente ou 
forçado; tem boa ou má higiene corporal; as vestes são limpas ou sujas alimentos, 
fezes, urina). Veste-se adequadamente. 
• Alimentação: 
Alimenta-se bem, mal, exageradamente, forçadamente. Tem alucinações com 
relação à alimentação: olfativa, gustativa e visual. Ex: refere que sua comida contém 
fezes, veneno, vidro, urina, etc, recusando-se terminantemente a comer. 
Geralmente essas alucinações estão associadas aos delírios de perseguição, ou seja, 
querem matá-lo através da comida. 
• Sono: 
- Quantas horas de sono: 
Ex: Psicose bipolar. Na fase maníaca dormem pouquíssimo. 
- Sono tranquilo ou intranquilo: 
 
 
 
 
38 
Ex: Tem pacientes que não dormem por causa de alucinações durante o sono. 
- Sonambulismo. 
• Condições físicas (exame físico) 
Geral, principalmente nos pacientes impregnados sob efeito de psicotrópicos. 
• Condições da postura e marcha: 
Se andam, cabisbaixos, lentamente; se correm, intercalam a marcha com 
pulinhos ou param subitamente como estátuas. 
• Sexo: 
Se tem ideias obsessivas sobre sexo (só pensa e fala em sexo); se apresenta 
tendências homossexuais, se tem aversão à sexo, se pratica masturbação, etc. 
• Linguagem: 
Se é rápida e desconexa (verborréia), se é lenta, entonada; se grita ou fala em 
tom baixíssimo e monótono; se fala espontaneamente ou somente quando solicitado 
(mutismo). 
• Expressão facial: 
Se tensa, abatida, angustiada com olhar ao longe, fixo num determinado ponto. 
• Atitudes e reações: 
O que gosta de fazer ou não, se faz espontaneamente ou coagido, se 
interrelaciona com os outros, etc. 
• Ideias: 
Se tem pensamentos coerentes, aceitáveis, ou não. 
 
 
 
 
39 
• Orientação: 
Se está orientado no tempo e espaço, sabe quem é, quem são as pessoas que 
o cercam, etc. 
• Afeto e humor: 
Se relaciona com os outros pacientes, funcionários; se tem modificações 
súbitas de humor; se manifesta carinho, etc. 
 
Conduta de Enfermagem nas intercorrências psiquiátricas 
 
Assistência de enfermagem ao paciente agitado 
 
A) Causas: 
• Epilepsia 
• (fase maníaca) na psicose Bipolar 
• Esquizofrenia 
• Psicoses orgânicas 
• Toxicômania (delírio cocaínico) – Síndrome de abstinência 
• Pós traumatismo crânio-encefálico – confusão mental. 
 
B) Conduta: 
• Proporcionar ambiente calmo 
 
 
 
 
40 
Canalizar a energia excessiva (atividade recreativa) 
• Manter cuidados físicos adequados 
- Alimentação (incentivar) 
- Hidratação (devido a sudorese, sialorréia)- Higienização (seborréia – efeito dos psicotrópicos) 
- Sono (ansiolíticos) 
- Peso (observar emagrecimento – evitar caquexia) 
- Eliminações 
• Manter vigilância constante e rigorosa (mudança de humor) 
• Administrar a medicação prescrita (tranquilizantes) 
• Restringir o paciente no leito somente quando for administrar 
medicações 
• Manter em isolamento somente quando estiver agitado a ponto 
de agredir outros e ele mesmo. 
 
 
Assistência de enfermagem ao Paciente Agressivo 
 
A) Causas: 
• Alcoolismo 
 
 
 
41 
• Toxicomania 
• Esquizofrenia – delírio persecutório, alucinações, manias, 
demência, epilepsia 
• Esquizofrenia catatônica – estupor (agitação psicomotora com 
agressividade). 
 
B) Conduta: 
• Idem ao paciente agitado e ainda 
• Selecionar bem o funcionário 
• Tratar o paciente com compreensão, firmeza e calma 
• Administrar tranquilizantes 
• Isolar o paciente s/n. 
 
Assistência de enfermagem ao Paciente Deprimido 
 
A) Causas: 
• Neuroses, esquizofrenia (após a crise), psicose bipolar – fase depressiva, 
epilépticos, toxicômanos (após o efeito da droga geralmente tentam o suicídio), 
alcoolismo. 
 
B) Conduta: 
• Manter vigilância rigorosa; 
 
 
 
 
42 
• Manter diálogos animadores; 
• Manter ambiente alegre; 
• Incentivar higiene corporal e boa aparência; 
• Incentivar alimentação – SNG s/n; 
• Observar eliminações; 
• Controlar peso; 
• Observar postura corporal – corrigir; 
Permitir repouso (sono); 
• Incentivar o paciente a movimentar-se; 
• Incentivar e encaminhar o paciente para atividades; 
• Observar reações durante a visita; 
• Administrar medicação prescrita; 
• Manter a porta do posto de enfermagem sempre fechada. 
Assistência de enfermagem na tentativa de suicídio 
 
A) Observações: 
O suicídio é mais frequente nos homens, mas a tentativa suicídio é maior 
nas mulheres. 
Mulheres – super dose de drogas e corte de pulso. 
Homens – tiros com arma de fogo, faca (arma branca), atiram-se sob veículos. 
 
 
 
 
43 
B) Tipos de suicídio mais frequentes em hospitais psiquiátricos 
• Enforcamento; 
• Asfixia (com travesseiros, cobertores); 
• Ferimentos cortantes (lâminas e canivetes); 
• Quedas (janelas e escadas); 
• Envenenamento (ácidos usados nas limpezas); 
• Intoxicação (medicação – super dose); 
• Menor comum – fogo, isqueiro e cigarro. 
 
C) Locais: banheiros, enfermarias (principalmente), 
cozinha, rouparia. 
 
D) Horários: o de menor vigilância, devido menor 
número de funcionários. 
Horário das refeições Horário de recreação Passagem de plantão 
 
E) Causas: 
 depressão intensa, esquizofrenia, alcoolismo (crise de abstinência), 
delírios, alucinações, pacientes terminais (cancerosos, aidéticos), 
toxicômanos, homossexualismo, solidão, isolamento, problemas 
pessoais (sentimental, profissional, financeiro). 
 
 
 
 
 
44 
F) Ações para conter o suicídio 
• Conhecer cada paciente e saber qual sua doença mental – se 
tem tendências à depressões; 
• Fazer supervisão constante; 
• Redobrar vigilância com pacientes deprimidos; 
• Observar, avaliar, anotar e comunicar comportamentos e atitudes 
suspeitas; 
• Observar objetos trazidos por familiares; 
• Aumentar a vigilância no período noturno; 
• Orientar o pessoal da zeladoria, copa, lavanderia para que não 
deixem objetos de trabalho exposto; 
• Nunca deixar paciente suspeito sozinho; 
• Não deixar que o paciente tenha acesso ao posto de 
enfermagem; 
Deixar chave de armário de medicamentos, na responsabilidade de um 
único funcionário em cada turno; 
• Vigiar se o paciente que frequenta a T.O está trazendo material 
(corte– perfurante); 
• Manter diálogo frequente com paciente a fim de detectar os seus 
problemas. 
 
 
 
 
 
45 
G) Ações quando a tentativa se realiza 
• Prestar socorro de urgência conforme a situação; 
• Comunicar imediatamente o médico do paciente ou o plantonista; 
• Não criticar a atitude do paciente; 
• Assumir atitude de compreensão afím de ajudá-lo; 
• Evitar que outros pacientes presenciem o fato; 
• Registrar no prontuário (quando, hora, data, como) medidas 
tomadas e estado atual. 
 
Assistência de enfermagem na evasão Hospitalar 
 
A tentativa de evasão tem índice muito alto. 
 
A) Causas: 
• Insatisfação com atendimento; 
• Saudades da família e dos amigos; 
• Falta de objetos de uso pessoal (sabonete, cigarro); 
• Ingestão de bebidas alcoólicas ou tóxicas (falta). 
 
B) Prevenção: 
• Detectar e solucionar causas de insatisfação (falta de objetos); 
 
 
 
 
46 
• Descobrir se alguém está maltratando o paciente; 
• Manter ambiente adequado (limpeza); 
• Verificar com o médico a possibilidade de licença; 
• Verificar com a assistência social a possibilidade da família visitar 
o paciente. 
 
C) Conduta frente à fuga efetuada: 
• Comunicar imediatamente portaria, médico, assistente social e família; 
• Apurar o que aconteceu (onde houve falha); 
• Aguardar que o paciente retorne ao hospital; 
• Quando retornar, receber com postura séria, sem criticá-lo; 
• Registrar o ocorrido no prontuário e no relatório geral. 
 
Assistência de enfermagem na alta hospitalar 
 
A) Conduta: 
• Checar se a alta foi assinada pelo médico; 
• Comunicar à assistência social para que entre em contato com a 
família; 
• Comunicar o paciente sobre a alta, prepará-lo e arrumar seus 
 
 
 
47 
pertences; 
Orientar os familiares ou responsáveis sobre como proceder com o 
paciente em casa. Orientar a família como se comportar com cada atitude do paciente; 
• Orientar familiares sobre a medicação, importância de seguir 
corretamente a prescrição e do controle médico periódico; 
• Registrar no prontuário e relatório geral o horário da saída, o 
profissional que o acompanhou, as orientações que foram dadas e em que 
condições deixou o hospital. 
Assistência de enfermagem na licença hospitalar 
 
É importante para permitir que o paciente se reintegre à família e à 
sociedade. 
 
A) Conduta: 
• Verificar no prontuário se a licença está assinada pelo médico; 
• Comunicar à assistência social para que avise os responsáveis 
pelo doente; 
• Separar a medicação necessária ao paciente durante o período 
de licença – colocar número exato de comprimidos separados; 
• Entregar por escrito o nome do medicamento, a dosagem e o 
horário 
aos familiares; 
• Orientar a família sobre efeitos colaterais do medicamento; 
 
 
 
 
48 
• Avisar o dia de retorno; 
• Dar o termo de responsabilidade para a família assinar; 
• Anotar no prontuário e no relatório geral, data, horário de saída, 
condições do paciente, com quem saiu. 
 
ALTERNATIVAS DE TRATAMENTO EM PSIQUIATRIA 
 
Terapia Medicamentosa 
 
O uso de drogas psicotrópicas é o tratamento habitual para as doenças mental 
sendo o principal suporte do tratamento. Atualmente as drogas psicotrópicas estão 
sendo produzidas com alta tecnologia, de forma que os efeitos colaterais e reações 
adversas são menores. Essas drogas atuam diretamente no sistema nervoso central, 
de modo a equilibrar atitudes, reações, pensamentos e sentimentos do paciente. 
As drogas usadas em psiquiatria se classificam como segue, com os efeitos de 
acordo com o quadro. 
Psicolépticos 
Ação sobre o psiquismo, amortecendo o seu tono: Reduzem a vigília, 
diminuem a capacidade cognitiva, diminuem as tensões e a ansiedade. 
Deprimem, globalmente, as funções sensitivas e motoras. 
 Antipsicóticos 
Hipnóticos 
Ansiolíticos 
Psicoanalépticos 
Estimulam o psiquismo:Reduzem depressão, elevam o humor, ativam a 
vigília, melhoram processos cognitivos. 
 Antidepressivos 
Psicoestimulantes 
Neuropsicotróficos 
Psicodislépticos 
Produzem alterações psicopatológicas da sensopercepção, pensamento 
e do comportamento motor. 
do Euforizantese 
Desinibidores 
Alucinógenos e 
Despersonalizantes 
Para-Psicotrópicos Medicamentos 
outros de uso freqüente em Psiquiatria 
 Anti-Epilépticos 
Antiparkinsonianos 
Anti-Alcoólicos 
Lítio 
 
 
 
49 
 
Atuação de Enfermagem na Psicofarmacoterapia 
 
• Conhecer o princípio ativo das drogas; 
• Conhecer os efeitos colaterais e reações adversas das drogas; 
Observar rigorosamente a dosagem, via, horário, nome da droga e do 
paciente ao administrar o psicotrópico .Nem sempre o paciente psiquiátrico se 
comunica. 
• Ter responsabilidade na guarda dos medicamentos psicotrópicos (com 
chave); 
• Seguir e verificar sempre a prescrição médica antes de preparar e 
administrar o medicamento. Atenção com a mudança de nomes farmacológicos e 
nome comercial das drogas; 
• Verificar após a visita de revisão médica, geralmente, semanal, as 
mudanças (acréscimos ou diminuição de doses ou de medicações na presença dos 
pacientes); 
• Ao preparar e administrar as drogas, ter sempre em mente os cuidados 
gerais de enfermagem para esses procedimentos. 
 
Impregnação Medicamentosa 
A impregnação é um processo que depende da sensibilidade de cada paciente, 
da droga e da dose a ser usada , por isso, é uma conduta muito discutida muito 
discutida. 
A finalidade da impregnação é abolir a vontade e iniciativa do indivíduo, 
tornando-o indiferente aos fatores externos. O paciente apresenta rigidez motora com 
 
 
 
 
50 
marcha atáxica (arrastada), incoordenação motora. Organicamente pode ter: 
amenorréia, inibição da ejaculação, sialorréia, insônia noturna e sonolência diurna, 
sudorese e seborréia (couro cabeludo e face), disfagia com rigidez de mandíbula. 
 
Conduta de Enfermagem na impregnação 
• Controlar os SSVV, poderá apresentar hipotensão e hipertemia; 
• Incentivar e encaminhar ao banho de aspersão (sudorese e 
seborréia); 
 
 
 
51 
Incentivar e oferecer alimentação e líquidos (é comum a inapetência 
pela abulia e pela rigidez mandibular); 
• Auxiliar deambulação S/N; 
• Proporcionar repouso; 
• Observar eliminações; 
• Encaminhar e incentivar atividades de T.O; 
• Observar; anotar e comunicar aumento excessivo da rigidez e 
tremores das extremidades. 
 Eletroconvulsoterapia (ECT) 
 
Desde meados do século XVIII a indução de crises epilépticas com cânfora foi 
usada como forma de tratamento dos distúrbios mentais. 
Cerleti e Bini introduziram a utilização de correntes de eletricidade para induzir 
convulsões terapêuticas. Antes deles, Meduna usou cardiasol para provocar 
convulsões. Atualmente a única forma é o eletrochoque. 
 
Indicações: 
• Estados depressivos; 
• Estados maníacos com taxas de recuperação variáveis e baixas; 
• Em esquizofrenia os resultados são mínimos. 
 
 
 
 
52 
O número de aplicações é variável, a melhora torna-se evidente após a 3ª 
semana, sendo usado de 10 a 20 aplicações. 
O medo e ansiedade do paciente é reduzido com uso de sedação prévia. Não 
há muito consenso a respeito da ECT, até hoje. 
 
Contra indicações 
Tumor cerebral; 
• Estados patológicos que comprometem a função cardíaca e 
pulmonar. 
 
Complicações 
São pouco frequentes. Alguns riscos para o sistema circulatório do 
parênquemia cerebral. 
Após 40 anos de existência o ECT é aceito e discutido, a compreensão parcial 
do seu modo de ação encoraja sua substituição por tratamentos com psicofármacos. 
 
Modo de uso 
• Colocação de eletrodos temporais bilateralmente; 
• Retirada de jóias e próteses bem como roupas apertadas; 
• O colchão deve ser firme e o paciente deve estar bem contido; 
• A voltagem mínima é de 70 volts, o tempo não inferior a 0,1 
segundos. Menos que essa voltagem e tempo, o paciente só ficará atordoado 
 
 
 
53 
e não ocorrerão as convulsões. A voltagem mais usada é de 80 a 120 volts em 
0,15 a 0,3 segundos. 
• O material de emergência (PCR) deverá estar à mão. 
 
Conduta de Enfermagem na ECT 
• Preparar o paciente: higiene, retirada próteses, etc; 
• Encaminhá-lo à sala de ECT de acordo com sua condição de 
deambulação. 
• Deitá-lo sobre colchão firme, restringido nas 
 articulações, 
principalmente para evitar que no período de convulsão, ele se machuque; 
Instalar eletrodos, nas têmporas; 
• Lateralizar a cabeça do paciente; 
• verificar SSVV do paciente antes, depois da terapia e durante 
o procedimento (atenção à respiração). 
Atualmente são utilizados relaxantes musculares e sedativos para evitar que o 
paciente fique muito apreensivo com o tratamento. 
O médico psiquiatra estará ao lado do paciente durante todo o tratamento e ele 
determinará a voltagem e o tempo de aplicação da ECT. 
 
Complicações e intercorrências mais comuns 
• Taquicardias, arritimias (passageiras); 
 
 
 
 
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• Amnésia temporária; 
• Parada respiratória; 
• Crises epilépticas tardias; 
• Fraturas em ossos longos; 
• Alteração na motricidade; 
• Medo e pânico do ECT. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
55 
 
Referencias 
 
F. CINTRA DO PRADO; JAIRO RAMOS; 
J. RIBEIRO DO VALLE. Atualização Terapêutica Manual Prático de 
Diagnóstico e Tratamento. Ed. Artes Medicas 16ª edição. 
CID-10 - Centro Colaborador da OMS para a Classificação de Doenças em 
Português (Centro Brasileiro de Classificação de Doenças) – 
Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo/Organização 
Mundial de Saúde/Organização Pan-Americana de Saúde 
Centro Colaborador da OMS para a Classificação de Doenças em Português 
Covinsky KE, Goldman L, Cook EF, Oye R, Desbiens N, Reding D, Fulderson 
W, Connors AF Jr, Lynn J, Phillips RS. The impact of serious illness on patients’ 
families. SUPPORT 
Investigators. Study to Understand Prognoses and Preferences for Outcomes 
and Risks of Treatment. JAMA 1994; 272: 1839-44. Available at 
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/entrez/query. 
fcgi?cmd=Retrieve&db=PubMed&list_uids=7990218&dopt=Abstract. 
Albert T, Williams G. The Economic Burden of HIV/AIDS in Canada. Ottawa, 
ON: Canadian Policy Research Networks Inc., Renouf Publishing Co. Ltd. 1998. 
Available at http://www.cprn.com/en/doc. cfm?doc=140.

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