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DEPENDÊNCIA QUÍMICA E COMPORTAMENTAL: manual para profissionais de saúde e-book índice Introdução ............................................................................ 3 O uso indiscriminado de substâncias ................................... 4 Classificação da dependência química, substâncias comuns e seus efeitos .................................. 4 Problemas de saúde pública ................................................ 5 Benzodiazepínicos e saúde pública ................................. 12 Dependências comportamentais ....................................... 7 Ciclo da dependência comportamental .......................... 7 Tecnologia e dependência ................................................ 8 Manejo dos profissionais de saúde ................................ 10 Conclusão ...................................................................... 11 A Artmed ......................................................................... 12 Referências ..................................................................... 13 3 A dependência química e comportamental é um desafio significativo e complexo para os profis- sionais de saúde em todo o mundo. Este material visa fornecer uma compreensão aprofundada das diversas facetas da dependência, abordando tanto as substâncias químicas quanto as de- pendências comportamentais. Nosso objetivo é equipar os profissionais de saúde com informa- ções e estratégias necessárias para identificar, tratar e apoiar os indivíduos afetados por essas condições, promovendo uma abordagem integrada e multidisciplinar. O uso de substâncias psicoativas e a dependência comportamental são fenômenos interligados por fatores biopsicossociais que requerem uma análise cuidadosa e tratamentos especializa- dos. Desde os transtornos psiquiátricos associados ao uso de drogas até a compulsão por com- portamentos como jogos de azar e uso de tecnologia, é imperativo que os profissionais de saúde compreendam a complexidade desses problemas e suas repercussões na vida dos pacientes. Este e-book está estruturado para oferecer uma visão abrangente sobre a dependência. Cada capítulo oferece insights teóricos e práticos, baseados em pesquisas e na experiência clínica, para apoiar os profissionais de saúde na sua prática diária. INTRODUÇÃO 4 O tratamento dos transtornos relacionados ao uso de substâncias psicoativas é um trabalho que demanda dedicação e esforço permanentes por parte dos profissionais envolvidos. O usuário de substâncias psicoativas possui todo tipo de necessidade. Geralmente, além dos problemas diretamente relacionados às características farmacológicas da substância, o usuário traz consigo um histórico de questões psicossociais que antecedem ou são decorrentes da dependência. São essas questões que particularizam e influenciam direta- mente na gravidade do quadro. Esse sistema patológico é altamente complexo e multifacetado, com repercussões biológicas, psicológicas e sociais. Uma característica essencial dessa condição é o seu funcionamento au- tônomo: uma vez estabelecida nos circuitos cerebrais, a dependência adquire “vida própria”, ope- rando independentemente da vontade do usuário – o desejo se transforma em necessidade. Por isso, a dedicação e o esforço no tratamento devem ser constantes. O indivíduo com depen- dência química torna-se um refém das oportunidades de uso. Até que ele possa recusar essas oportunidades, é necessário estruturar um trabalho de equipe que inclua a família, os profissio- nais de saúde e toda a rede de apoio disponível. A dependência química está classificada entre os transtornos psiquiátricos, sendo considerada uma doença crônica que pode ser tratada e controlada simultaneamente como doença e como problema social. O termo “uso indiscriminado de substâncias” refere-se ao uso de drogas lícitas e ilícitas, como maconha, cocaína, álcool, benzodiazepínicos, sintéticos e tantas outras substâncias passíveis de dependência. A escolha da substância depende de faixa etária, contexto social, facilidade de acesso, entre outros fatores. Já o que define a dependência é o uso descontrolado, com prejuí- zos para a vida. As drogas são substâncias que provocam modificações no funcionamento e nas sensações do organismo, como alteração da consciência, e nas emoções do indivíduo. Essas mudanças po- dem variar de acordo com a pessoa e suas características, o tipo da droga, a quantidade ingerida, a frequência e a circunstância. CLASSIFICAÇÃO DA DEPENDÊNCIA QUÍMICA, SUBSTÂNCIAS COMUNS E SEUS EFEITOS O USO INDISCRIMINADO DE SUBSTÂNCIAS 5 Em todas as sociedades, a presença de drogas é um fenômeno constante, pois o início do uso de substâncias capazes de alterar o estado de consciência não pode ser atribuído a um período es- pecífico da história. Atualmente, o uso de drogas constitui um problema de saúde pública global. No século passado, já se reconhecia que o uso de drogas era um problema social significativo, ressaltando que seu consumo se tornou uma parte importante dos diagnósticos mais comuns, envolvendo distúrbios crônicos, recorrentes e multifatoriais. Há muitos motivos que levam uma pessoa a fazer uso de drogas: curiosidade, fuga de deter- minadas situações ou da realidade, desejo de pertencer a um grupo, busca por relaxamento ou estimulação, entre outros. A imediata e intensa sensação de prazer ou ausência de desprazer ge- ralmente provoca um novo uso. Isso não seria um problema se, em muitos casos, não surgissem consequências negativas desse uso e da dependência. Na contemporaneidade, a dependência química é considerada um transtorno psiquiátrico e pode ser tratada como uma “doença biopsicossocial”. Não se trata apenas de uma simples depen- dência; diversas questões (sociais, psicológicas, biológicas e fisiológicas, dentre outras) estão envolvidas desde o início da utilização da droga. Tudo que rodeia o indivíduo deve ser levado em conta, pois ele está em constante transformação e adaptação às suas questões. PROBLEMAS DE SAÚDE PÚBLICA 6 No contexto do uso indiscriminado e excessivo de medicamentos, os benzodiazepínicos (BZD) destacam-se como os mais consumidos pela população. A comercialização desses medicamen- tos frequentemente não segue critérios rígidos de fiscalização e é, muitas vezes, incentivada por programas governamentais. Os BZDs são indicados como ansiolíticos, hipnóticos, anticonvulsivantes e indutores anestési- cos. Dentre esses, são mais comumente prescritos para reduzir a ansiedade e a insônia, acar- retando maiores problemas. Diversos estudos criticam a prescrição inadequada desses medi- camentos, destacando os efeitos prejudiciais que podem surgir devido ao tempo de consumo prolongado e à falta de cuidado com a faixa etária e o histórico médico do paciente. O uso prolongado de benzodiazepínicos é considerado um problema de saúde pública, configu- rando-se como uma modalidade de dependência química. O indivíduo só alcança respostas or- gânicas funcionais compatíveis com um estado de “normalidade” mediante a utilização contínua desses psicotrópicos. Além disso, como ocorre com outras substâncias químicas, após a interrupção do uso prolonga- do do benzodiazepínico, muitos pacientes sofrem com a síndrome de abstinência. O consumo descontrolado desses medicamentos provoca efeitos similares aos de outras subs- tâncias químicas, podendo levar a reações adversas típicas dos benzodiazepínicos. A interrup- ção abrupta pode desencadear quadros de abstinência, manifestando-se como respostas físi- cas, psicológicas e fisiológicas à ausência dessas substâncias no organismo. É crucial a psicoeducação sobre o uso de medicamentos, abrangendo não apenas seus efei- tos benéficos, mas também alertando para suas consequências. É igualmente necessário implementar uma fiscalização rigorosa na distribuição desses medicamentos, promovendo um controle mais efetivo. A campanha voltada para essa causa deve ser incentivada pelo Ministério da Saúde.BENZODIAZEPÍNICOS E SAÚDE PÚBLICA 7 DEPENDÊNCIAS COMPORTAMENTAIS A dependência comportamental, também conhecida como dependência não química, é definida como uma condição de impulsos recorrentes na qual a pessoa afetada engaja em atividades específicas apesar de consequências danosas à sua saúde física, mental ou social. Entre os comportamentos comumente associados a este tipo de dependência destacam-se a compulsão por jogos de azar, sexo, pornografia, computadores, videogames, internet, trabalho (workaholics), exercícios físicos (vigorexia), compras (oniomania), entre outros. Em geral, as dependências comportamentais seguem um padrão cíclico semelhante ao do uso de substâncias. Esse ciclo inicia-se com a sensação de prazer associada ao comportamento em questão. Inicialmente, o indivíduo busca o comportamento para sentir prazer, mas com o tempo, passa a utilizá-lo como uma forma de lidar com o estresse. A frequência com que o comportamento é buscado aumenta, tornando-se frequente, ritualizado e uma parte significativa da vida diária do indivíduo. CICLO DA DEPENDÊNCIA COMPORTAMENTAL 8 Pessoas com dependências comportamentais passam a experimentar desejos intensos ou ur- gências para buscar o comportamento, que se intensificam até que ele seja executado, propor- cionando um sentimento de alívio ou exaltação. Apesar das consequências negativas para sua vida, a pessoa afetada continua a praticar o comportamento, enfrentando grandes dificuldades para resistir a ele. As dependências comportamentais apresentam aspectos físicos e psicológicos que surgem quando o indivíduo para ou diminui bruscamente seu uso. O sistema de recompensa é ativa- do juntamente com a inclusão dos comportamentos reforçadores, mesmo que estes venham a causar prejuízos. Quando o indivíduo experiencia a abstinência, surgem sintomas de depressão, ansiedade, irritabilidade, insônia, fissura, entre outros. A presença crescente da internet e das tecnologias tem se tornado central como agentes de socialização desde a infância, remodelando as formas de interação social e desempenhando um papel fundamental na absorção e compreensão de diferentes aspectos do mundo. As redes sociais tornaram-se parte integrante da vida cotidiana das pessoas, que passam cada vez mais tempo conectadas, não apenas para comunicação, mas também como ferramentas de trabalho, fontes de informação rápida e espaços de interação social. Estudos evidenciam que o cotidiano das novas gerações está profundamente marcado pelo processo de midiatização, no qual a internet, em suas diversas formas, desempenha um papel essencial na forma como essas gerações percebem e constroem sua realidade e identidade. As- sim, a internet atua como uma rede mediadora crucial na busca pelo conhecimento da realidade, contribuindo significativamente para o crescimento pessoal, social e aprendizagem. Entretanto, o uso inadequado da internet tem impactado negativamente a sociedade, especial- mente aqueles sem uma rotina estruturada. As redes sociais e os jogos eletrônicos, impulsiona- dos pelos avanços tecnológicos, têm se destacado como formas populares de entretenimento. No entanto, esse uso descontrolado pode resultar em sérios problemas de saúde mental e social, como a dependência. TECNOLOGIA E DEPENDÊNCIA 9 Esses problemas têm implicações significativas na dinâmica familiar, com características de dependência tecnológica refletidas em comportamentos compulsivos. Os dependentes tendem a se isolar em seus próprios mundos, conectados a dispositivos eletrônicos, reduzindo o diálogo com familiares e intensificando os relacionamentos virtuais. A dependência física se manifesta quando o corpo se torna fisicamente dependente da internet, resultando em sintomas de abstinência ao interromper o uso. Já a dependência psicológica se caracteriza por sintomas como depressão, ansiedade e irritabilidade quando privado do acesso à internet. Os jogos eletrônicos, que têm ganhado popularidade nas últimas décadas, apresentam um risco adicional de dependência. A interação online entre jogadores pode levar a mudanças compor- tamentais, como irritabilidade e ansiedade. O transtorno de jogo, comparado à dependência de substâncias, é caracterizado por sintomas que refletem os dos transtornos por uso de substân- cias. De acordo com o DSM-5 (2014), o diagnóstico de Transtorno do Jogo pela Internet requer a presença de cinco ou mais sintomas específicos ao longo de um período de 12 meses. Isso in- clui preocupação excessiva com jogos online, sintomas de abstinência na ausência de acesso, tolerância crescente ao tempo de jogo, falha em controlar o tempo gasto jogando e prejuízos significativos em outras áreas da vida devido ao uso excessivo de jogos. Em resumo, o uso descontrolado da internet e dos jogos eletrônicos pode levar a uma depen- dência que afeta negativamente diversas áreas da vida, incluindo relacionamentos familiares, saúde mental e desempenho acadêmico ou profissional. É essencial reconhecer esses padrões de comportamento para mitigar os impactos negativos dessa dependência. 10 MANEJO DOS PROFISSIONAIS DE SAÚDE Após identificar que o uso da substância ou o comportamento está prejudicando a vida do indi- víduo, o profissional de saúde deve elaborar um plano de cuidados abrangente, envolvendo uma equipe multiprofissional, a família e atividades que promovam bem-estar ao paciente. É crucial que haja uma avaliação e acompanhamento psiquiátrico, pois certos medicamentos podem ajudar a reduzir o desejo pelo uso e controlar os sintomas de abstinência, especialmente quando outros transtornos estão envolvidos, exacerbando a dependência. Além disso, o suporte terapêutico é fundamental para identificar a compulsão e os gatilhos de recompensa, desenvolvendo estratégias para reduzir ou cessar o comportamento dependente. As abordagens cognitivas têm demonstrado eficácia, especialmente no tratamento das depen- dências comportamentais. Técnicas como reestruturação cognitiva, registro de pensamentos e psicoeducação ajudam a identificar os padrões de comportamento relacionados ao uso da substância ou comportamento viciante, promovendo uma melhor gestão do tempo e atividades saudáveis. Durante o tratamento, são trabalhadas a aceitação e a identificação dos pensamentos que jus- tificam o uso abusivo, com foco na compreensão dos sentimentos, pensamentos e comporta- mentos subjacentes. O terapeuta pode colaborar com o paciente na elaboração de estratégias para gerenciar o tempo e promover a participação em outras atividades que proporcionem bem-estar, além de expandir sua rede de apoio e interações sociais presenciais. O tratamento de dependências é um desafio contínuo para os profissionais de saúde, exigindo um cuidado de longo prazo e compreensão das respostas individuais de cada paciente. É essencial acolher o dependente, identificar os prejuízos causados pela dependência e oferecer suporte sem julgamento ou constrangimento. O ambiente de atendimento deve ser um espa- ço seguro e confiável, onde o paciente se sinta apoiado e compreendido pelos profissionais de saúde. 11 CONCLUSÃO Tratar a dependência química e comportamental exige uma abordagem holística e dedicada, centrada no indivíduo e em suas necessidades. Este material pretende ser um recurso para profissionais de saúde, fornecendo orientações prá- ticas e teóricas para enfrentar esse desafio contínuo. Ao entender a complexidade das dependências e aplicar estratégias eficazes, podemos melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes e suas famílias. 12 Este conteúdo foi útil para você? No nosso site, você encontra soluções para continuar se atualizando quando e onde quiser. Acesse o site e confira as opções de livros, cursos e programas de atualização para se aprimorar profissionalmente: www.artmed.com.br http://www.artmed.com.br 13 REFERÊNCIAS BOSSO, Rogério Adriano; DOS SANTOS, Juliano Pereira. 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