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T002
ESCRITURAÇÃO DE OPERAÇÕES FINANCEIRAS: EMPRÉSTIMOS,
FINANCIAMENTOS E ARRENDAMENTOS
Prof. Gabriela de Bem Fonseca
Nesta unidade temática, você vai aprender
• Diferença entre financiamento, empréstimo e arrendamento;
• Diferença entre os tipos de arrendamento;
• Contabilização básica de cada uma das operações.
Operações creditícias são lugar comum na vida das empresas, seja para expandir ou para manter suas operações. Para isso
existem basicamente 3 operações que vamos estudar e que abarcam a maioria das operações de crédito que as empresas
contratam.
Empréstimos, Financiamentos e Arrendamentos
Tanto o gestor como quem executa a contabilidade deve entender a diferença e a aplicabilidade de cada um dos contratos de
crédito, alguns com finalidade, outros sem. Para isso, a contabilidade deve estar alinhada com os propósitos gerenciais da
entidade.
Vamos passar por modelos diferentes de crédito, funções e peculiaridades dos arrendamentos, bem como peculiaridades da
contabilização de cada um desses contratos, além de entender a segregação entre as taxas de juros e segregação entre curto e
longo prazo.
Bons estudos.
Escrituração de operações financeiras: empréstimos, financiamentos e
arrendamentos
Para levantar as Demonstrações Contábeis é necessário previamente que sejam escrituradas as operações das entidades e de
acordo com o método das partidas dobradas, toda aplicação de recursos deve ter uma respectiva origem. Por isso, vamos
estudar no presente capítulo a escrituração de operações financeiras, como empréstimos, financiamentos e arrendamentos.
Mas antes de escriturar cada uma dessas operações de crédito, vamos entender um pouco mais sobre a diferença entre elas.
As operações de empréstimo têm como característica fundamental o fato de que o recurso não precisa ter destinação específica.
Podemos exemplificar com o empréstimo pessoal, o empréstimo consignado, o cheque especial, o cartão de crédito, entre
outros. Por envolver menos formalidades do que um financiamento, a liberação do empréstimo costuma ter menor grau de
análise e ser mais rápida, inclusive algumas instituições financeiras podem dispensar a necessidade da apresentação de uma
garantia.
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Normalmente as taxas de juros são maiores e os prazos não tão longos quanto as operações de financiamento.
Os financiamentos são caracterizados pela destinação específica dos recursos financeiros sendo, inclusive, especificados em
contrato. Podemos ilustrar os financiamentos com os seguintes produtos creditícios: os financiamentos imobiliários, industriais
e rurais onde, inclusive, o próprio bem financiado pode servir de garantia, tornando a operação mais segura para a instituição
financeira e com uma taxa de juros menor para o tomador. As regras para sua concessão são mais rigorosas e os procedimentos
mais detalhados. Em linhas gerais, as instituições financeiras realizam a análise da capacidade financeira do tomador do
crédito, a avaliação do bem a ser adquirido e, eventualmente, de outras garantias oferecidas pelo proponente.
Nessas operações, a propriedade do bem arrendado fica com a arrendadora, que concede o direito de uso desse bem ao
arrendatário (cliente) durante o prazo do contrato. Entretanto, alguns contratos de arrendamento mercantil podem ofertar a
opção de compra do bem por parte do arrendatário ao final do contrato. Existe ainda a possibilidade de renovar o contrato por
um período adicional ou de devolver o bem ao final do contrato.
Por isso existem os arrendamentos "financeiros" e "operacionais". De forma simplificada, o contrato de arrendamento
financeiro se assemelha a uma operação de financiamento por abranger a quase totalidade do valor do bem, como consta a
opção de compra ao final do contrato. Normalmente, o arrendatário costuma optar pela aquisição do bem ao final do contrato.
No contrato de arrendamento operacional, a similaridade da operação é com um contrato de locação, e é mais utilizado quando
o cliente não pretende, pelo menos em princípio, adquirir o bem, pois só o necessita temporariamente ou deseja trocá-lo por um
modelo mais moderno assim que possível.
Como base normativa e de forma a dar mais profundidade para estudos das operações de arrendamento, recomendamos a
leitura do CPC 06 (R2), que versa sobre os Arrendamentos.
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Contabilizando Empréstimos e Financiamentos
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As operações de Empréstimos e Financiamentos podem ser em moeda nacional ou em moeda estrangeira (se for o caso, devem
observar as regras especificas de conversão de moedas) e têm por finalidade a obtenção de recursos financeiros para a
manutenção ou expansão das atividades operacionais de uma entidade.
No Balanço Patrimonial, os Empréstimos e Financiamentos são compostos pelas seguintes contas do passivo, pois tratam-se de
obrigações futuras que a entidade assume:
Passivo Circulante (Curto Prazo)
• Empréstimo e Financiamentos de Curto Prazo
• (-) Custos a amortizar de Curto Prazo
• (-) Encargos financeiros a transcorrer de curto prazo
• Juros a Pagar
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Passivo Não Circulante (Longo Prazo)
• Empréstimo e Financiamentos de Longo Prazo
• (-) Custos a amortizar de Longo Prazo
• (-) Encargos financeiros a transcorrer de Longo prazo
• Juros a Pagar
Importa destacar que como as contas do passivo têm sua natureza credora, as contas com o sinal (-) são retificadoras e,
portanto, têm sua natureza devedora.
Cabe destacar a seguinte explicação para segregação entre empréstimos de curto e longo prazo: os empréstimos e
financiamentos contratados, cujo prazo de pagamento seja superior ao encerramento do exercício social seguinte, deverão ser
contabilizados primeiramente como a longo prazo, assim, quando o período até o vencimento da dívida for inferior ao
encerramento do exercício social seguinte, a dívida deverá ser reclassificada para o Passivo Circulante.
De outra forma, quando empréstimos e financiamentos forem amortizados em parcelas mensais, é necessário, para fins de
escrituração contábil, fazer a segregação entre as parcelas e respectivos encargos que serão pagas no curto prazo e registrá-las
no Passivo Circulante, e as parcelas e respectivos encargos que serão liquidadas apenas após o encerramento do exercício social
seguinte serão contabilizadas, portanto, no Passivo Não Circulante.
Vamos agora ilustrar um determinado tipo de operação de empréstimo:
A empresa SJC Ltda contratou no dia 31/12/X0 um empréstimo junto ao Banco MBP no montante de R $100.000,00, que será
pago em parcela única em 12 meses, ou seja, a data da liquidação da dívida será 31/12/X1. A taxa de juros contratual é de 6% ao
ano mais inflação (juros pós-fixados). Dado que a taxa de inflação do período de vigência foi de 5%, vamos demonstrar os
lançamentos contábeis para aquisição do empréstimo e liquidação.
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a) Contratação do empréstimo (31/12/X0):
• Débito ‒ Caixa/Bancos
• Crédito ‒ Empréstimos e Financiamentos ‒ Curto Prazo…..R$ 100.000,00
b) Liquidação da dívida (31/12/X1):
• Débito ‒ Despesa financeira (juros e variação monetária).....R$ 11.300,00
• Crédito ‒ Juros a pagar de empréstimos e financiamentos…..R$ 11.300,00
• Neste primeiro lançamento, estamos levando a resultado os juros e o segregando na conta do passivo circulante.
• Débito ‒ Empréstimos e Financiamentos ‒ Curto Prazo.....R$100.000,00
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• Débito ‒ Juros a pagar de empréstimos e financiamentos...R$ 11.300,00
• Crédito ‒ Caixa / Bancos ……………………………………. R$ 111.300,00
Agora vamos simular o mesmo empréstimo com uma taxa prefixada onde o contratante já sabe antecipadamente qual a taxa de
juros que irá pagar, vamos colocar uma taxa de juros de 12% ao ano. Nesse caso, a empresa recebe o valor líquido, ou seja, a
empresa SJC receberia R$ 89.286,00.
a) Contratação do empréstimo (31/12/X0):
• Débito ‒ Caixa/Bancos………………………………….………..R$ 89.286,00
• Débito ‒ Encargos financeiros a transcorrer……….….…….…R$ 10.714,00
• Crédito ‒ Empréstimos e Financiamentos…………………….R$ 100.000,00
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b) Liquidação da dívida (31/12/X1):
• Débito ‒ Despesa de juros…………………………….………….R$ 10.714,00
• Crédito – Encargos financeiros a transcorrer……..………........R$ 10.714,00
• Débito – Empréstimos e Financiamentos……………………...R$ 100.000,00
• Crédito ‒ Caixa/Bancos………………………………………….R$ 100.000,00
O arrendamento mercantil assemelha-se bastante a um contrato de aluguel e, por não transferir os riscos e benefícios daquele
ativo para o arrendatário, todo o custo de manutenção é do arrendador e deve ser reconhecido mensalmente como despesa
durante o prazo do arrendamento mercantil.
Podemos contabilizar um arrendamento mercantil apenas direcionando o recurso para a despesa.
a) Provisão do arrendamento:
• Débito – Despesa de arrendamento mercantil (Conta de resultado)
• Crédito – Contas a pagar (Passivo Circulante)
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b) Pagamento do arrendamento:
• Débito – Contas a pagar (Passivo Circulante)
• Crédito – Caixa/Bancos (Ativo Circulante – disponibilidades)
Qualquer empresa arrendatária que optar por contratar um arrendamento financeiro deve ativar o bem adquirido em seu
imobilizado, visto que é de sua responsabilidade o ônus e o bônus daquele bem e também deverá reconhecer sua dívida perante
a arrendadora. Importa destacar ainda que tal ativo oriundo desse contrato deve ser depreciado pela sua vida útil,
independentemente do prazo do contrato.
Os pagamentos das prestações mensais do arrendamento mercantil financeiro se caracterizam como amortização de dívida.
Assim sendo, são uma obrigação no passivo e deve-se apropriar os encargos financeiros conforme o regime de competência.
Assim, vamos supor que a empresa SJC contratou um arrendamento financeiro de uma máquina para seu parque fabril no valor
de R$ 30.000,00 em 24 meses, com o valor da parcela de R$ 1.500,00.
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• Depreciação do Bem (Vida útil econômica)
• Débito – Depreciação (Conta de Resultado)
• Crédito – Depreciação Acumulada de Máquinas e Equipamentos – Arrendamento Mercantil
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GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de Contabilidade Societária: Aplicável a todas as sociedades: de acordo com as
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VICECONTI, Paulo Eduardo Vilchez. Contabilidade Básica. 4. ed. Revista e Atualizada. São Paulo: Saraiva, 2018.
Coordenação e Revisão Pedagógica: Claudiane Ramos Furtado
Design Instrucional: Gabriela Rossa
Diagramação: Marcelo Ferreira
Ilustrações: Marcelo Germano
Revisão ortográfica: Ane Arduim
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