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1 Tutorial 8 – Módulo 11 – Linfomas Josué Gabriel Linfomas não Hodgkin Definição: Neoplasias malignas de origem linfoide. Existem mais de 20 tipos diferentes de linfoma não- Hodgkin Epidemiologia: É mais comum em brancos. O tipo mais frequente de linfoma é o difuso de grandes células B (31% de todos os LNH em todo o mundo. Em segundo é o linfoma folicular Fisiopatologia: Maioria dos casos é idiopático, porém há relação com fatores genéticos, ambientais e infecciosos. → como sistema imune comprometidos (doenças autoimunes, uso de drogas imunossupressoras, portadores de HIV), portadores de vírus Epstein- Barr e HTLV1 e H. Pylori. Fatores genéticos: Polimorfismo no fator de necrose tumoral e interleucina 10 (IL-10) estão associados ao desenvolvimento de linfoma difuso de grandes células B. → Pode ser devido a imunossupressão. Hiper proliferação linfócitos B. Anormalidades no sistema imune: Doenças hereditárias pode aumentar o risco de desenvolver linfoma não-Hodgkin em até 250x. E em algumas dessas vezes, o linfoma pode estar relacionado com o vírus Epstein-Barr. Ex: pacientes portadores do distúrbio linfoproliferativo relacionado ao X possuem mutações no gene que codifica a proteína que regula a resposta imune contra células infectadas pelo Epstein-Barr. E nesse caso, como o sistema imune está comprometido, as pessoas que tiveram exposição ao E. Barr podem desenvolver mononucleose infecciosa fatal ou linfoma não Hodgkin. Risco de LNH em portadores HIV é 100x maior, e em até metade dos casos estão relacionados com o E. Barr. Podem ocorrer por distúrbios linfoproliferativos pós-transplante de órgãos sólidos → relacionados com proliferação de cél B. Agentes infecciosos: o Epsteín-Barr vírus: O EBV está associado à maioria dos distúrbios linfoproliferativos pós- transplante e a muitos linfomas associados à AIDS. Detecta-se este genoma viral em mais de 95% dos casos de linfoma de Burkitt endêmico e em aproximadamente 40% dos casos esporádicos do linfoma de Burkitt e de linfomas associados à AIDS. o Vírus linfotrópico tipo 1 de células T humanas (HTLV1): é achado em todos os casos de linfoma de células T em adultos. Até 50% de todos os linfomas não Hodgkins podem estar relacionados com esse vírus. o Herpes-vírus humano 8: está associado os linfomas primários em imunocomprometidos. Geralmente tem coinfecção por EBV. o Vírus da hepatite C: relacionado com o linfoma linfoblástico e o linfoma esplênico da zona marginal. o Helicobacter Pylori: é associado ao linfoma gástrico da zona marginal do tecido linfoide da mucosa (MALT). A gastrite mediada pelas células T, respondem à antígenos da H. Pylori, fazendo emergir clones de linfócitos B malignos. o Borrelia Burgdorferi: associada ao linfoma MALT cutâneo. o Chlamydia psittaci: MALT em anexos oculares o Campulobacter Jejuni: doença imunoproliferativa do intestino delgado. Exposição ambiental e ocupacional: Agentes químicos utilizados na agricultura estão relacionados com o risco de desenvolver linfomas não Hodgkin. Agente laranja → herbicida utilizado na guerra do Vietnã como arma química. Tabagismo também é um risco. Patologia: Os linfomas não Hodgkin derivam dos linfócitos em diferentes graus de diferenciação. E saber o tipo celular de origem pode ser útil para saber a 2 Tutorial 8 – Módulo 11 – Linfomas Josué Gabriel morfologia, imunofenótipo e comportamento clínico do linfoma. Classificação: A utilizada é a classificação da OMS de 2008 que divide os linfomas com base na origem (cél B ou T) e se os linfomas são derivados de células precursoras primitivas ou mais maduras (periféricas). Manifestação clínica: Linfadenopatia Adenopatia cervical, axilar ou inguinal Geralmente são linfonodos consistentes, indolores e não associados há uma infecção local Pode ter dor torácica, tosse, síndrome da veia cava superior, dor abdominal ou lombar, compressão da medula óssea e sintomas de IR. Em geral os LNH estão associados à sintomas sistêmicos como febre, sudorese noturna e perda de peso inexplicável. O diagnóstico diferencial nos pacientes com linfoma não Hodgkin é amplo. Qualquer causa de linfadenopatia pode ser confundida com um linfoma não Hodgkin → No entanto, resolve-se esta confusão por meio de uma biópsia apropriada. Diagnóstico: 1. Começa com biópsia excisional (preferencialmente) para diagnóstico inicial. 2. Avaliação laboratorial – hemograma completo, triagem bioquímica (com níveis de LDH). 3. Avaliação por imagem – TC de tórax, abdome e pelve, TC por emissão de prótons 4. Biópsias adicionais se necessárias da medula óssea, ou qualquer outro lugar considerado suspeito. Estadiamento dos linfomas não Hodgkin: O método mais utilizado para o estadiamento da doença é o IPI (internacional prognostic index) Ele é baseado em 5 fatores como idade superior a 60 anos; desempenho ≤2; nível de LDH sérico elevado; dois ou mais locais extranodais da doença; estágio III ou IV de Ann Arbor → esses fatores são somados e dão o IPI. Tratamento: Os linfomas pode se comportar de forma indolente ou agressivo. Então, deve-se levar muito em conta o tipo do linfoma para o tratamento. • Linfomas indolentes (+idosos) ▪ LLC (linfomas linfocítico de pequenas células) ▪ Linfomas de células do manto ▪ Linfoma da zona marginal ▪ Linfoma folicular • Linfomas agressivos (+ adultos) ▪ Linfoma T periférico ▪ Linfoma difuso de grandes células B (mais comum) 3 Tutorial 8 – Módulo 11 – Linfomas Josué Gabriel ▪ Linfoma anaplásico de grandes células ALK-positivos • Linfomas altamente agressivos (+ crianças) ▪ Linfoma de Burkit ▪ Linfoma linfoblástico (LLA) Linfomas de células T e B precursoras: Paciente com doenças nos linfonodos sem comprometimento ou comprometimento mínimo da medula óssea são classificados como linfoma linfoblástico. São mais comuns em crianças. Linfomas de células B geralmente são sólidos com comprometimento ósseo e cutâneo Linfomas de células T, aparecem mais no mediastino e em homens. São tratados com regimes esquematizados que contém citarabina e metotrexate. Linfomas de células B maduras: Tratamento para linfoma linfocítico de células pequenas (LLC): a terapia não é curativa e os pacientes em geral são idosos. Apenas a fludarabina com o rituximabe é comumente usada em pacientes idosos Tratamento de linfoma da zona marginal extranodal/ linfoma MALT: assintomáticos sem terapia, e sintomáticos com rituximabe. Linfoma folicular: Tratamento: se for localizada é radioterapia localizada, se for doença avançada quimioterapia intensiva. Esquemas de quimioterapia padrão como CVP (ciclofosfamida, vincristina e prednisona) ou CHOP (ciclofosfamida, doxorrubicina, vincristina e prednisona) Linfomas de células do manto: Tem a supreexpressão da ciclina D1 que ajudam no diagnóstico. Tratamento: radioterapia em doença localizada. Em doença avançada o CHOP-R é o tratamento padrão-ouro Linfoma de Burkit: É um linfoma agressivo de células B, sendo mais comum em crianças e imunossuprimidos. É comum ter comprometimento dos ossos da mandíbula. Na África equatorial, é endêmico em crianças. Tratamento: deve ser iniciado o quanto antes. Rituximabe, e quimioterapia do SNC com quimioterapia intratecal ou altas doses de metotrexate. Linfoma de Hodgkin Definição: É um linfoma de células B que possui uma célula neoplásica característica, a célula de Hodgikin- Reed -Sternberg(olho de coruja) que é responsável por 1-2% da massa tumoral total. Aproximadamente 15% de todos os linfomas Tem uma excelente resposta ao tratamento Epidemiologia: A incidência varia muito no mundo, tendo alta incidência nos EUA e no norte da Europa A incidência aumenta com a idade, aumentando 0,5 a cada 100.000 por ano de idade. Doença fatal → Letalidade: 90% em 2-3 anos (sem tratamento) Distribuição de idade bimodal: 1º pico: 15-35 anos, 2º pico: terceira idade Bom prognóstico - 70-90% de sobrevida global em 5 anos. Melhor prognóstico que o Linfoma Não-Hodgkin Etiologia Vírus de Epstein-Barr: ▪ 30-50% dos casos (países desenvolvidos) ▪ 90% dos casos (países tropicais) ▪ 95% dos casos (pacientes HIV) Fisiopatologia: A causa do linfoma é desconhecida. O suspeito principal é o Epstein-Barr, com muitas evidências, mas sem provas definitivas. 4 Tutorial 8 – Módulo 11 – Linfomas Josué Gabriel O EBV é um herpes-vírus com tropismo para linfócitos B. 90% da população geral adquire o vírus na juventude. Em desenvolvimento geralmente ocorre na infância. Uma síndrome de mononucleose infecciosa aumenta em cerca de 3x a probabilidade de um linfoma de Hodgkin subsequente. Há relações genéticas também, com evidências demonstrando uma probabilidade 100x maior de→ importante, questão genética de 1º grau. linfomas se desenvolverem no gêmeo monozigótico de certo indivíduo afetado do que no gêmeo dizigótico. Manifestações clínicas: o Linfadenonopatia (90%) • Indolor • Principalmente cadeias cervicais (60-70%) • Massa mediastinal (60%) - Tosse, dispneia, dor torácica, Sd da veia Cava o Sintomas B (30%) • Hepatoesplenomegalia • Prurido crônico / escoriações • Dor nos linfonodos quando consome álcool (10%) → vai cair na prova. • Medula óssea acometida em 15% dos casos • Linfadenopatia generalizada – rara Diagnóstico: Reconhecimento das células Hodgkin-Reed- Sternberg em uma biópsia excisada. Para isso é necessário o uso da imuno-histoquímica para determinar o subtipo histológico. No linfoma de Hodgkin clássico células de Hodgkin-Reed-Sternberg grandes e dispersas são ou multinucleadas ou possuem um grande núcleo poliploide As células de Hodgkin-Reed-Sternberg pouco frequentes estão em geral presentes em um contexto misto de linfócitos policlonais, eosinófilos, neutrófilos, plasmócitos, fibroblastos e histiócitos Imunofenótipo CD30+, CD15+/-, CD45-, Antígeno de membrana epitelial EMA- Antígenos associados à células B (CD19, 20, 22, 79a) e T → células mononucleares de Hodgkin coram-se com CD30 e CD15 O linfoma de Hodgkin pode ser dividido em 5 subtipos, sendo o mais comum o de esclerose nodular Diagnóstico diferencial: Dependendo do sítio de ocorrência e dos sintomas associados, o diagnóstico diferencial do linfoma de Hodgkin inclui o linfoma não Hodgkin, tumores de células germinativas, timoma, sarcoidose e tuberculose. Estadiamento: O estadiamento do linfoma de Hodgkin pode ser estabelecido pela utilização de exames por imagem e laboratoriais (Exame físico para linfadenopatia ou organomegalia, Hemograma completo Creatinina sérica, fosfatase alcalina, lactato desidrogenase, bilirrubina e eletroforese de proteínas (incluindo o nível de albumina sérica) Radiografia de tórax, incidências posteroanterior e lateral, Imagem por tomografia computadorizada de pescoço, tórax, abdome e pelve) A avaliação deve começar com uma anamnese cuidadosa para pesquisar a presença de sinais indicadores de localização, como dor óssea, ou os sintomas constitucionais de febre, perda de peso ou sudorese noturna. Tratamento: 5 Tutorial 8 – Módulo 11 – Linfomas Josué Gabriel RC = resposta completa; RTRE = radioterapia na região envolvida Dois ciclos da quimioterapia ABVD (adriamicina [doxorrubicina], bleomicina, vimblastina e dacarbazina) seguidos de irradiação de campo envolvido curam aproximadamente 95% dos pacientes com doença em estágio limitado e eliminam quase por completo o risco de infertilidade, menopausa prematura e leucemia, e minimizam a toxicidade cardiopulmonar Quimioterápicos Esses medicamentos têm como alvo as células em diferentes fases do processo de formação, ou seja, do ciclo celular. As células cancerígenas tendem a formar novas células rapidamente, mais do que as normais, e por isso são um bom alvo dos quimioterápicos. Podem ser agrupados de acordo com sua estrutura química e como agem com outros medicamentos. Agentes alquilantes: Impedem a célula de reproduzir danificando o seu DNA, e agem em todas as fases do ciclo celular. Usados para câncer de pulmão, de mama, de ovário, leucemia, linfoma, LH, mieloma múltiplo e sarcoma. Em casos raros podem levar a leucemia, pois podem afetar as células da MO, e esse risco é dose dependente. Exemplos: ciclofosfamida, altretamina, busulfan, dacarbazina, melfalano, cisplatina e etc. Antimetabólitos: Interferem no DNA e no RNA substituindo os nucleotídeos normais da estrutura, e assim provocam danos durante a fase que os cromossomos são copiados. Usados no câncer de mama, de ovários e de cânceres do TGI. Exemplos: citarabina, capecitabina, metotrexato, hidroxiureia, gemcitabina, 5-FU, 6-mercaptopurina e etc. Antibióticos antitumorais: Não são como os ATB para infecções, eles alteram os DNA dentro das células cancerígenas para evitar que elas cresçam e se multipliquem. São as antraciclinas, interferindo nas enzimas envolvidas na cópia do DNA durante o ciclo celular. Exemplos: daunorrubicina, doxorrubicina, epirrubicina, idarrubicina. Podem provocar danos permanentes ao coração se administrados em altas doses. Exemplos de não antraciclinas: bleomicina, mitoxantrona, actinomicina-D e etc. Inibidores da topoisomerase: Interferem nas enzimas topoisomerases, que separam os filamentos de DNA para que possam ser copiados, são usados para tratar leucemias, câncer de pulmão, ovário e tumores do TGI. ➢ Inibidores da topoisomerase I: Topotecano; Irinotecano. ➢ Inibidores da topoisomerase II: Etoposido; Teniposido; Mitoxantrona. Os inibidores da topo II podem aumentar o risco de leucemia mieloide aguda. Inibidores mitóticos: Compostos derivados de produtos naturais, como plantas, agem impedindo as células de se dividirem para formar novas células, mas podem danificar as células em todas as fases ao impedirem que as enzimas produzem as proteínas necessárias para reprodução celular. Usados para câncer de mama, de pulmão, mieloma múltiplo, linfomas e leucemias. Podem provocar problemas neurológicos, por isso a dose é limitada. Exemplos: docetaxel, estramustina, ixabepilona, vimblastina e etc. Corticosteróides: Hormônios úteis nos tratamentos de muitos cânceres, bem como outras doenças. Exemplos: prednisona, metilprednisolona e dexametasona. Podem ser usados também para prevenir reações alérgicas na quimioterapia, e também previnem náuseas e vômitos provocados por essa terapia.