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Fístula Infraorbitária em Cães

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ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.9, n.17; p. 2013 
 
1453 
 
 
FÍSTULA INFRAORBITÁRIA NA ESPÉCIE CANINA 
Fernanda Gosuen Gonçalves Dias1, Lucas de Freitas Pereira2, Ewaldo de Mattos 
Junior3, Jessé Ribeiro Rocha4, Luis Gustavo Gosuen Gonçalves Dias5 
 
 
1
 Mestre em Medicina Veterinária de Pequenos Animais e Especialista em 
Odontologia Veterinária, Universidade de Franca – UNIFRAN, Franca-SP, Brasil 
2
 Mestre em Medicina Veterinária de Pequenos Animais, Universidade de Franca – 
UNIFRAN, Franca-SP, Brasil 
3
 Prof. Dr. do Programa de Mestrado em Medicina Veterinária de Pequenos Animais, 
Universidade de Franca – UNIFRAN, Franca-SP, Brasil 
4
 Discente do Programa de Aprimoramento em Clínica Médica e Cirúrgica de 
Pequenos Animais, Universidade de Franca – UNIFRAN, Franca-SP, Brasil 
5
 Prof. Dr. do Programa de Mestrado em Medicina Veterinária de Pequenos Animais, 
Universidade de Franca – UNIFRAN, Franca-SP, Brasil 
e-mail do autor: fernandagosuen@yahoo.com.br 
 
Recebido em: 30/09/2013 – Aprovado em: 08/11/2013 – Publicado em: 01/12/2013 
 
RESUMO 
A fístula infraorbitária, também denominada de “fístula do carniceiro”, é uma afecção 
odontológica comum na espécie canina. É ocasionada pela presença de infecção ao 
redor do ápice dentário, geralmente secundária a doença periodontal e/ou 
endodôntica, a qual fistula na região infraorbitária do paciente, drenando 
quantidades variáveis de secreção serosanguinolenta. O dente mais comumente 
afetado é o quarto pré-molar superior. Os sinais clínicos incluem aumento de volume 
facial seguido de solução de continuidade na pele com presença de secreção. O 
diagnóstico é feito associando o histórico do animal com os sinais clínicos e imagens 
radiográficas intraorais, as quais são caracterizadas por lesão osteolítica na região 
periapical do dente afetado, visualizadas por halos de radioluscência. Os 
tratamentos disponíveis para a resolução desse comprometimento oral incluem a 
extração dentária ou o tratamento de canal, ambos proporcionando prognóstico 
favorável para os animais acometidos. Diante da ocorrência frequente da fístula 
infraorbitária em cães, o objetivo do presente trabalho é discorrer sobre os fatores 
etiológicos, sinais clínicos, meios de diagnóstico e diferentes opções terapêuticas 
dessa afecção oral. 
PALAVRAS-CHAVE: cão, carniceiro, fístula dentária, odontologia veterinária 
 
 
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.9, n.17; p. 2013 
 
1454 
INFRAORBITAL FISTULA IN THE CANINE SPECIE 
ABSTRACT 
The fistula infraorbital, also called “butcher´s fistula”, is a condition common dental in 
canine specie. It is caused by the presence of infection around the tooth apex, 
usually secondary to periodontal disease and / or endodontic, which fistula in 
infraorbital region of the patient, draining amounts of serous secretion. The tooth 
most commonly affected is the fourth maxillary premolar. Clinical signs include 
increased volume facial followed by a solution of continuity in the skin with secretion 
presence. The diagnosis is made associating the history of the animal with clinical 
signs and intraoral radiographic images, which are characterized by osteolytic lesion 
in the periapical region of the affected tooth, viewed by radiolucent halos. The 
treatments available for the resolution of this commitment oral include tooth 
extraction or root canal treatment, providing both favorable prognosis for affected 
animals. Given the frequent occurrence of fistula infraorbital in dogs, the aim of this 
paper is to discuss the etiologic factors, clinical signs, diagnostics and different 
treatment options for this oral disease. 
KEYWORDS: dog, butcher, dental fistula, veterinary dentistry 
 
INTRODUÇÃO 
O dente quarto pré-molar superior, também conhecido popularmente como 
“dente do carniceiro” é o maior dente maxilar permanente dos animais carnívoros 
(LACERDA et al., 2000; PIGNONE, 2009). Possui três raízes distintas 
(mesiovestibular, mesiopalatina e raiz distal) (WIGGS & LOBPRISE, 1997; 
LACERDA et al., 2000), as quais são inseridas nos alvéolos do osso maxilar, 
próximas à região infraorbitária nos cães (LACERDA et al., 2000; ROZA, 2004). 
Dentre as funções do dente quarto pré-molar superior destaca-se a de auxiliar 
na caça, na trituração dos alimentos sólidos durante a mastigação e autodefesa 
contra predadores (WIGGS & LOBPRISE, 1997; GIOSO, 2007; PIGNONE, 2009; 
RIBEIRO et al., 2011). 
A fístula infraorbitária, popularmente conhecida como “fístula do carniceiro”, é 
uma afecção odontológica comumente encontrada na espécie canina, sendo 
caracterizada por lesão osteolítica na região periapical, geralmente do elemento 
dentário quarto pré-molar superior. Pode apresentar-se de forma unilateral ou 
bilateral (SAN ROMÁN, 1998; AKIMURA et al., 2004; ROZA, 2004; GIOSO, 2007; 
SANTOS, 2007), com o comprometimento ocorrendo em uma das três raízes deste 
dente; sendo que as outras duas o mantêm parcialmente vital (SAN ROMÁN, 1998; 
PINHEIRO, 2007; RIBEIRO et al., 2011). 
Os diversos fatores etiológicos da fístula infraorbitária incluem fraturas 
(ROZA, 2004; GIOSO, 2007; PIGNONE, 2009) e traumatismos dentários (SAN 
ROMÁN, 1998; CLELAND JUNIOR, 2001), doenças periodontais severas, 
neoplasias na região maxilar, lesões no periápice, desgastes dentários excessivos, 
além das causas iatrogênicas (ROZA, 2004; GIOSO, 2007; PIGNONE, 2009). 
Em casos de fratura de coroa (Figura 1) e/ou da raiz do dente quarto pré-
molar superior, a fístula infraorbitária e o extravasamento facial externo de 
secreções piosanguinolenta (Figura 2) ocorrem pela migração bacteriana intensa 
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para a região apical, ocasionada pela exposição e contaminação pulpar (parte 
interna do dente) (DIAS et al., 2011), formando abscesso na raiz (radicular ou 
periapical), que pode romper-se no recesso maxilar como fístula (WIGGS & 
LOBPRISE, 1997; LEON-ROMAN & GIOSO, 2002; PIGNONE, 2009). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os traumatismos dentários podem não alterar a estrutura da coroa dentária 
(concussão sem fratura), mas podem causar hemorragia na região da polpa, 
ocasionando pulpite estéril secundária, com contaminação pelo fenômeno de 
anacorese (tropismo bacteriano por locais inflamados) (WIGGS & LOBPRISE, 1997; 
GIOSO, 2007; PIGNONE, 2009). Essa inflamação pulpar poderá causar 
escurecimento da estrutura dental, além de necrose pulpar, com consequente fístula 
infraorbitária (ROZA, 2004; DIAS et al., 2011). 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 1: Imagem fotográfica de cavidade oral de cão, 
demonstrando fratura na coroa do dente 
quarto pré-molar superior esquerdo com 
exposição do tecido pulpar (seta). Animal 
intubado no pré-operatório. 
Fonte: Arquivo pessoal, 2012. 
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Os tecidos do endodonto (canal pulpar) e do periodonto dos cães estão 
anatomicamente relacionados entre si, assim as afecções pulpares podem ser 
primárias ou secundárias a periodontite (LEON-ROMAN & GIOSO, 2002; ROZA, 
2004). Em casos de doença periodontal (Figura 3) severa, a fístula no quarto pré-
molar superior pode ocorrer a partir do crescimento de uma bolsa periodontal 
profunda na maxila em direção às raízes deste dente, causando destruição óssea 
entre o ápice alveolar e a cavidade nasal ou seio maxilar pelo envolvimento 
bacteriano intenso (GORREL, 2004; DIAS et al., 2011; RIBEIRO et al., 2011), 
podendo levarà formação de abscesso periapical, com consequente 
extravasamento de material purulento ou inflamatório na região facial do paciente 
(ROZA, 2004; GIOSO, 2007). 
Segundo os relatos de GIOSO (2007) e AYLON (2008), traumatismos 
periodontais como as luxações dentárias, estão frequentemente associadas com o 
comprometimento no aporte vascular na região periapical, resultando em necrose 
pulpar e fístula dentária. 
Desgastes dentários (Figura 4) são comuns em cães com más oclusões 
dentárias e nos que roem objetos e/ou mastigam alimentos muito consistentes 
(WIGGS & LOBPRISE, 1997; AYLON, 2008), podendo ocasionar desgaste 
excessivo do esmalte e dentina, expondo a porção pulpar e causando contaminação 
da mesma, com consequente abscesso periapical seguido de fístula infraorbitária 
(GIOSO, 2007; DIAS et al., 2011). 
 
 
FIGURA 2: Imagem fotográfica de cão, demonstrando presença de 
fístula facial na região infraorbitária direita, com 
extravasamento de secreção (seta). Animal intubado no 
período pré-operatório. 
Fonte: Arquivo pessoal, 2009. 
 
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As causas iatrogênicas de fístula infraorbitária em animais estão relacionadas 
com o comprometimento e exposição da dentina e polpa dentária de maneira 
acidental nos procedimentos odontológicos, como o calor intenso produzido nos 
preparos de cavidade dentária (restauração) ou pelo uso errôneo do ultrassom 
odontológico, podendo causar lesão térmica à polpa, com consequente fístula 
dentária (GIOSO, 2007; DIAS et al., 2011). Outro erro médico veterinário que pode 
ocasionar formação de fístula do carniceiro é a movimentação dentária errônea ou 
exagerada dos quartos pré-molares superiores nos tratamentos ortodônticos, os 
quais podem causar rompimento do suprimento vascular e fistulação (AYLON, 
FIGURA 3: Imagem fotográfica de cavidade oral de cão, 
demonstrando a presença de retração 
gengival no dente quarto pré-molar superior 
esquerdo secundária a periodontite na 
região da furca dentária (seta). 
Fonte: Arquivo pessoal, 2013. 
FIGURA 4: Imagem fotográfica de cavidade oral de cão, 
demonstrando a presença de desgastes 
dentários múltiplos em incisivos (setas azuis) e 
caninos superiores (setas amarelas). 
Fonte: Arquivo pessoal, 2008. 
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2008). 
Até o momento, não há relatos na literatura sobre a predisposição racial, 
etária e sexual dessa alteração odontológica em cães (DIAS et al., 2011). De acordo 
com alguns autores, o desenvolvimento fistular é lento (SAN ROMÁN, 1998; 
PINHEIRO, 2007; RIBEIRO et al., 2011), podendo se estender de meses a anos até 
o aparecimento visível dos sinais clínicos (WIGGS & LOBPRISE, 1997; PIGNONE, 
2009; DIAS et al., 2011). 
O sinal clínico patognomônico observado em cães com fístula infraorbitária é 
o aumento de volume facial com consistência variável, causando deformidade dessa 
região (Figura 5) e fistulação cutânea no mesmo local, drenando quantidades 
variáveis de sangue e secreção purulenta (SANTOS, 2007; PIGNONE, 2009; DIAS 
et al., 2011). 
 
 
 
 
Outros sinais clínicos incluem sensibilidade e dor à percussão dentária e 
maxilar, fricção do focinho no chão ou com as patas, apatia, hiporexia, fratura da 
coroa dentária, doença periodontal, escurecimento dentário, halitose, salivação 
excessiva, hiperemia e retração gengival, gengivite, exposição de furca dentária, 
presença de mobilidade dentária e febre (GORREL, 2004; GIOSO, 2007). 
Na espécie felina, a ocorrência da fístula infraorbitária é incomum (RIBEIRO 
et al., 2011) estando associada, na maioria das vezes, ao dente canino (Figura 6) e 
não aos pré-molares como frequentemente relatado em cães (AYLON, 2008; DIAS 
et al., 2011). Nos gatos, normalmente, ocorre aumento de volume e 
comprometimento na região do saco conjuntival decorrente da fístula dentária 
(AYLON, 2008). 
O diagnóstico dessa afecção oral baseia-se no histórico completo do animal e 
na inspeção minuciosa da região facial e específica da cavidade oral, com o 
paciente sedado ou anestesiado geral (LEON-ROMAN & GIOSO, 2004; DIAS et al., 
2011). Os raios-x intraorais, além de não serem invasivos e onerosos, são 
fundamentais para a confirmação do envolvimento da região apical (FECCHIO et al., 
FIGURA 5: Imagem fotográfica da face rostral do 
crânio de cão, demonstrando aumento 
de volume e deformidade facial (seta), 
sem solução de continuidade na pele. 
Fonte: Arquivo pessoal, 2008. 
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2011; RIBEIRO et al., 2011) de uma ou mais raízes do dente quarto pré-molar 
superior, podendo evidenciar lise periapical e áreas de radioluscência ao redor do 
ápice da raiz afetada (Figura 7) (SAN ROMÁN, 1998; GIOSO, 2007). 
De acordo com AYLON (2008), a radioluscência apical visibilizada 
radiograficamente é causada pela destruição óssea e resposta do organismo às 
bactérias e aos seus subprodutos. Em felinos, a imagem radiográfica é semelhante a 
dos cães (Figura 8) (RIBEIRO et al., 2011). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FIGURA 6: Imagem fotográfica de cavidade oral de 
felino, demonstrando fratura do dente 
canino superior esquerdo e fístula neste 
mesmo elemento dentário (seta). Animal 
intubado no pré-operatório. 
Fonte: Arquivo pessoal, 2009. 
IGURA 7: Imagem radiográfica intraoral de dente 
quarto pré-molar superior esquerdo de 
cão, demonstrando área radioluscente 
ao redor do ápice dentário de uma das 
raízes (seta). 
Fonte: Arquivo pessoal, 2011. 
 
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Dentre os tratamentos disponíveis para os animais acometidos com fístula do 
carniceiro aconselha-se a endodontia (tratamento de canal) (CLELAND JUNIOR, 
2001) ou exodontia (extração dentária), ambas associadas à prévia profilaxia de 
todos os elementos dentários, seguida de administração de antibióticos, anti-
inflamatórios e analgésicos no pré e pós- operatório (WIGGS & LOBPRISE, 1997; 
RIBEIRO et al., 2011). 
Os antibióticos normalmente indicados nesses casos são a clindamicina, 
metronidazol associado a espiramicina, cefalexina, amoxicilina com clavulanato, 
entre outros (WIGGS & LOBPRISE, 1997; CLELAND JUNIOR, 2001). 
O tratamento endodôntico tem como objetivo preservar o elemento dentário em 
seu alvéolo, mantendo assim a forma, função e estética da cavidade oral 
(DOMINGUES-FALQUEIRO & GIOSO, 2007; GIOSO, 2007; FECCHIO et al., 2011), 
porém requer acompanhamento clínico e radiográfico por tempo prolongado, o que 
pode aumentar significativamente os custos do procedimento (PIGNONE, 2009). 
O tratamento de canal é indicado como alternativa a exodontia quando o dente 
afetado não apresenta mobilidade e o periodonto estiver íntegro (GIOSO, 2007; 
PIGNONE, 2009; FECCHIO et al., 2011). 
 O tratamento endodôntico deve iniciar-se com a radiografia intraoral do dente 
afetado, pois após o acesso ao canal pulpar (com auxílio de brocas) é feito a 
condutometria (medida do tamanho do canal pulpar guiado pela radiografia). Em 
seguida, a polpa comprometida é totalmente removida com limas específicas e de 
diâmetros diferentes e logo após realiza-se irrigação do canal pulpar com 
antissépticos e instrumentação químico-cirúrgica de tal região (LEON-ROMAN& 
GIOSO, 2002; MACHADO et al., 2009; FECCHIO et al., 2011). Recomenda-se a 
FIGURA 8: Imagem radiográfica intraoral de felino, 
demonstrando halo radioluscente ao redor 
do ápice do dente canino superior direito 
(seta amarela) e tamanho amplo do canal 
pulpar deste dente (seta azul), quando 
comparado com o contralateral indicando 
morte deste tecido. 
Fonte: Arquivo pessoal, 2007. 
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secagem do canal radicular com pontas de papeis próprios esterilizados e obturação 
com guta-percha e cimentos à base de óxido de zinco, com a finalidade de 
preencher todo o canal tratado e impedir o crescimento bacteriano. Ato contínuo 
deve-se realizar a restauração dentária com resinas compostas ou amálgama de 
prata. Todas as etapas do procedimento são acompanhadas mediante exposições 
radiográficas intraorais do canal pulpar (WIGGS & LOBPRISE, 1997; ROZA, 2004; 
GIOSO, 2007; MACHADO et al., 2009; FECCHIO et al., 2011). 
Mesmo seguindo rigorosamente todas as etapas do procedimento 
endodôntico e utilizando as medicações indicadas, podem ocorrer falhas neste 
tratamento, principalmente pela permanência de bactérias aeróbias e anaeróbias 
resistentes no interior do canal pulpar, nos casos crônicos de lesão periapical 
(DOMINGUES-FALQUEIRO & GIOSO, 2007; GIOSO, 2007; MACHADO et al., 
2009). 
A extração dentária é indicada em casos impossíveis de se realizar outro 
procedimento conservador como o endodôntico (GIOSO, 2007; PACHALY et al., 
2010). Deve ser iniciada com a sindesmotomia (descolamento da gengiva) no intuito 
de romper as fibras gengivais do dente afetado, facilitando a manobra cirúrgica, e 
em seguida, a odontossecção (fragmentação das três raízes dentárias). 
Posteriormente, o dente deve ser luxado do ligamento periodontal com alavancas 
apropriadas e após avulsão deve ser extraído com o auxílio de fórceps odontológico, 
evitando lesões em estruturas adjacentes (PACHALY et al., 2010; FECCHIO et al., 
2011). 
Logo após a exodontia, é indicado fazer curetagem dos alvéolos dentários e 
osteoplastia dos rebordos ósseos (PACHALY et al., 2010; FECCHIO et al., 2011). 
Na sutura das mucosas orais pode-se utilizar fio absorvível com pontos simples 
separados (PACHALY et al., 2010). 
A ferida cutânea periocular deve ser amplamente tricotomizada, debridada e 
higienizada com solução fisiológica, seguida ou não de sutura do local (PINHEIRO, 
2007; AYLON, 2008). 
No pós-operatório imediato tanto da exodontia como da endodontia, o 
paciente deve permanecer de colar protetor elizabetano para evitar autolesões 
faciais e a alimentação deve ser pastosa (WIGGS & LOBPRISE, 1997). 
Se os tratamentos citados anteriormente não forem realizados, a infecção 
dentária pulpar persistirá nas raízes afetadas e a fístula cutânea infraorbitária irá 
recidivar com frequência, apresentando graus variáveis de drenagem de secreção 
(Figura 9). 
O prognóstico dessa afecção oral é favorável desde que o diagnóstico seja 
feito de maneira precisa e o tratamento adequado (AKIMURA et al., 2004; SANTOS, 
2007). 
 
 
 
 
 
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DISCUSSÃO 
A fístula infraorbitária é uma afecção de ocorrência frequente em cães, 
afetando geralmente a região periapical do dente quarto pré-molar superior (GIOSO, 
2007; SANTOS, 2007) e apesar de receber essa denominação, nem sempre se 
observa infecção externa aparente (AYLON, 2008). De acordo com GIOSO (2007), 
lesões periapicais no primeiro molar superior também podem causar fístula 
infraorbitária nessa espécie, porém essa situação é de ocorrência rara. 
Nos gatos, a ocorrência de fístula por abscesso dentário não é frequente 
(PINHEIRO, 2007; RIBEIRO et al., 2011) porém, apesar de AYLON (2008) e DIAS et 
al. (2011) citarem que os dentes caninos superiores são os mais afetados nessa 
espécie, RIBEIRO et al. (2011) relataram um caso de comprometimento no segundo 
pré-molar superior e a ocorrência secundária de fístula por alteração no terceiro pré-
molar superior. 
Ainda em relação à ocorrência em outras espécies e localizações, FECCHIO 
et al. (2011) relataram a presença de fístula dentária secundária a comprometimento 
no dente canino superior em macaco-prego de cativeiro. 
Apesar das fraturas dentárias serem causas comuns de fístula do carniceiro 
(WIGGS & LOBPRISE, 1997; LEON-ROMAN & GIOSO, 2002; DIAS et al., 2011), 
algumas podem ficar sobrepostas ao cálculo dentário, dificultando sua detecção 
durante o exame físico do animal, prejudicando assim o diagnóstico definitivo e 
prognóstico do caso (GIOSO, 2007). 
Perante a localização interna da lesão dentária, torna-se indispensável a 
realização de exame radiográfico intraoral (GIOSO, 2007; MARTINEZ et al., 2009), 
FIGURA 9: Imagem fotográfica de cão, demonstrando presença de 
fístula facial na região infraorbitária direita (seta) 
crônica, com ausência de drenagem de secreção 
piosanguinolenta. Animal intubado no período pré-
operatório. 
Fonte: Arquivo pessoal, 2009. 
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.9, n.17; p. 2013 
 
1463 
pois o fato da lesão não estar macroscopicamente perceptível, não significa que 
endodonticamente não esteja se desenvolvendo (AYLON, 2008; RIBEIRO et al., 
2011). Neste contexto, as exposições intraorais, feitas com raios-X odontológico 
específico (técnica da bissetriz) são preferíveis as extraorais convencionais, devido à 
obtenção de melhor qualidade de imagem isométrica, sem sobreposições que 
possam prejudicar o diagnóstico (GIOSO, 2007; SANTOS, 2007; MARTINEZ et al., 
2009). As imagens radiográficas também são de extrema importância durante o 
tratamento endodôntico e após o exodôntico, no acompanhamento e no prognóstico 
do caso (MARTINEZ et al., 2009). 
Alguns profissionais por desconhecerem essa afecção odontológica e por não 
solicitarem o exame radiográfico, tratam erroneamente e a longo prazo a fístula 
como lesão cutânea de outra origem, o que gera prognóstico desfavorável e 
constante recidiva (AKIMURA et al., 2004; DIAS et al., 2011), pela não remoção do 
agente desencadeante (PIGNONE, 2009). 
 Mesmo que os sinais clínicos e imagens radiográficas sejam sugestivos de 
presença de fístula infraorbitária, o diagnóstico diferencial deve ser baseado em ferida 
cutânea por traumatismos ou dermatopatias recidivantes (SANTOS, 2007). 
 Além dos sinais clínicos citados anteriormente em animais acometidos por 
fístulas orais (GORREL, 2004; GIOSO, 2007; SANTOS, 2007), deve-se considerar 
que os comprometimentos dentários também podem causar alterações sistêmicas no 
paciente (LEON-ROMAN & GIOSO, 2002; RIBEIRO et al., 2011). 
A exodontia é uma intervenção cirúrgica odontológica comumente realizada 
na clínica de pequenos animais (RIBEIRO et al., 2011), principalmente em casos 
onde o tratamento endodôntico não foi satisfatório ou por opção do proprietário, 
devido aos menores custos do procedimento (AYLON, 2008; PIGNONE, 2009). 
Durante a extração do quarto pré-molar superior, aconselha-se fazer odontosecção 
para facilitar a manobra cirúrgica (devido à divergência entre as raízes) e evitar 
possíveis fraturas radiculares, já que este é um dente trirradicular (WIGGS & 
LOBPRISE, 1997; LACERDA et al., 2000). 
PIGNONE (2009) refere que a exodontia deve ser realizada por profissional 
capacitado, pois técnicas errôneas no dente carniceiro podem causar alterações 
oftálmicas graves, além de fratura radicular, hemorragia, alveolite seca, deiscência 
de sutura e secreção nasal persistente. 
Segundo GIOSO (2007), para a realização do tratamento endodôntico sãonecessários equipamentos e instrumentais especializados, fatores estes que 
também encarecem o procedimento. 
Mesmo submetido a anestesia geral para realização de exodontia ou 
endodontia, a utilização de bloqueios anestésicos regionais no nervo infraorbitário ou 
maxilar dos pacientes é justificável (LEON-ROMAN & GIOSO, 2002) para diminuir a 
sensibilização central ao estímulo doloroso, reduzir a reação inflamatória e a 
quantidade de anestésico geral inalado pelo animal, diminuindo assim a dose e 
frequência de analgésicos necessários durante o período pós-operatório. Os 
anestésicos locais mais comumente utilizados para esse fim são a lidocaína e 
bupivacaína sem vasoconstritor (PIGNONE, 2009). 
 Após o tratamento da fístula do carniceiro, é possível que o proprietário 
consiga escovar periodicamente os dentes do animal (WIGGS & LOBPRISE, 1997; 
GIOSO, 2007), pois o mesmo não demonstrará mais sensibilidade na cavidade oral, 
permitindo o manuseio sem agressividade. 
ENCICLOPÉDIA BIOSFERA, Centro Científico Conhecer - Goiânia, v.9, n.17; p. 2013 
 
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CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Nos dias atuais, o desafio da odontologia é demonstrar aos proprietários e 
profissionais da área de medicina veterinária, os procedimentos básicos como 
exames periódicos da cavidade oral e higienização bucal regular, com o intuito de 
melhorar a qualidade de vida e aumentar a sobrevida dos animais acometidos, visto 
que algumas odontopatias, nem sempre cursam com alterações externas aparentes. 
 A fístula infraorbitária é uma afecção frequentemente encontrada em cães, 
sendo que o exame radiográfico intraoral é imprescindível para o diagnóstico; e o 
tratamento por exodontia ou endodontia proporcionam excelentes resultados, 
principalmente quando realizado corretamente por profissionais especializados e de 
maneira precoce. 
 
 
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