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1 Júlia Morbeck – 2º período de medicina @jumorbeck ↠ A principal função dos rins é manter o volume e a composição química dos líquidos do organismo dentro de limites adequados ao funcionamento das células. Por isso, pode-se dizer que a função dos rins é manter a homeostasia, a constância do meio interno (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ↠ Os rins conseguem manter esse equilíbrio através de um eficiente sistema que poupa água e sais minerais nas quantidades adequadas e, ao mesmo tempo, excreta resíduos tóxicos do metabolismo normal, cuja acumulação é prejudicial à célula, tais como ureia, ácido úrico, creatinina, que são eliminados com a urina (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ↠ Os rins também participam da excreção de fármacos e seus metabólitos, secretam hormônios que participam na regulação da hemodinâmica renal e sistêmica na produção de glóbulos vermelhos, na regulação de cálcio, fósforo e no metabolismo ósseo (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ↠ Os ureteres são condutos que levam a urina dos rins à bexiga (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ↠ A bexiga é um órgão muscular arredondado, localizado na pelve, servindo de depósito temporário para a urina, continuamente formada pelos rins (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ↠ Quando a urina ultrapassa os limites fisiológicos da capacidade de armazenamento da bexiga, é eliminada através da uretra (PORTO & PORTO, 8ª ed.). Anamnese Uma boa história clínica é a principal chave para o diagnóstico das doenças do sistema urinário (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ↠ Importante ressaltar que uma parte dos pacientes com lesão renal apresenta queixas que não guardam relação direta com os rins ou com o trato urinário. É o que acontece nas afecções nas quais este órgão vai sendo lesado insidiosamente até atingir grave deterioração da função renal (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ↠ Surgem, então, as mais variadas manifestações, incluindo astenia, náuseas, vômitos, anorexia, anemia e irritabilidade neuromuscular. Em contrapartida, os pacientes costumam atribuir aos rins sintomas que não decorrem de lesões do sistema urinário, estando nesta situação a dor lombar por alterações da coluna vertebral, a poliúria por hiperglicemia e a hematúria por distúrbio na coagulação do sangue (PORTO & PORTO, 8ª ed.). SINAIS E SINTOMAS ↠ As manifestações das doenças do sistema urinário incluem alterações da micção e do volume, alterações da cor da urina, dor, edema, febre e calafrios (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ALTERAÇÕES DA MICÇÃO E DO VOLUME URINÁRIO Em condições normais de saúde e em clima ameno, uma pessoa adulta normal elimina de 700 a 2.000 ml de urina por dia (PORTO & PORTO, 8ª ed.). A capacidade da bexiga normal é de 400 a 600 ml e o indivíduo tende a esvaziá-la quando a quantidade de urina atinge 200 ml (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ↠ As alterações do volume compreendem a oligúria, a anúria, a poliúria. Enquanto a disúria, a urgência, a polaciúria, a hesitação, a noctúria, a retenção urinária, a incontinência e a piúria compreendem as alterações da micção (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ➢ Oligúria: caracteriza-se por excreção de um volume de urina inferior às necessidades de excreção de solutos. Clinicamente, convencionou-se chamar de oligúria uma diurese inferior a 400 ml/dia ou menos de 20 ml/hora, geralmente decorre de redução do fluxo sanguíneo renal (desidratação, hemorragia, insuficiência cardíaca) ou por lesões renais (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ➢ Anúria: caracteriza-se por volume urinário inferior a 100 ml /24 horas, geralmente ocorre na obstrução bilateral das artérias renais ou dos ureteres, na necrose cortical bilateral e na insuficiência renal aguda (IRA) grave (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ➢ Poliúria: corresponde a um volume urinário superior a 2.500 ml/dia. Como o volume de cada micção está limitado pela capacidade vesical, ANAMNESE E EXAME FÍSICO 2 Júlia Morbeck – 2º período de medicina @jumorbeck verifica-se maior número de micções, inclusive à noite. A medida do volume urinário de 24 horas é importante para confirmar a presença de poliúria (PORTO & PORTO, 8ª ed.). Existem dois mecanismos básicos de poliúria: por diurese osmótica, decorrente da excreção de um volume aumentado de solutos, determinando maior excreção de água (p. ex., diabetes melito descompensado), ou por incapacidade de concentração urinária (diabetes insípido, hipopotassemia) (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ➢ Disúria: nomenclatura dada à micção associada à sensação de dor, queimor ou desconforto (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ➢ Urgência: corresponde à necessidade súbita e imperiosa de urinar (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ➢ Polaciúria: caracteriza-se pelo aumento da frequência miccional, com intervalo entre as micções inferior a 2 horas e sem que haja concomitante aumento do volume urinário, traduz irritação vesical (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ➢ Hesitação: ocorre quando há um intervalo maior para que apareça o jato urinário. Indica geralmente obstrução do trato de saída da bexiga. Para conseguir urinar o paciente faz um esforço maior que em condições normais (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ➢ Nictúria ou noctúria: caracteriza-se quando o ritmo de diurese se altera, havendo necessidade de esvaziar a bexiga durante a noite. Considera-se que normalmente o indivíduo não acorda à noite para urinar ou o faz no máximo uma vez, porque o ritmo de formação de urina decresce acentuadamente no período noturno (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ➢ Retenção urinária: Incapacidade de esvaziar a bexiga, apesar de os rins estarem produzindo urina normalmente e o indivíduo apresentar desejo de esvaziá-la (PORTO & PORTO, 8ª ed.). A retenção urinária pode ser aguda ou crônica. No primeiro caso, o indivíduo, que até então urinava satisfatoriamente, passa a sentir a bexiga distendida, tensa e dolorosa. Na retenção crônica existe uma gradual dilatação da bexiga, a dor pode estar ausente e o paciente queixa-se de polaciúria, hesitação, gotejamento e não tem consciência da distensão vesical (PORTO & PORTO, 8ª ed.). Na retenção urinária, a bexiga distendida é palpável na região suprapúbica (globo vesical). A passagem de um cateter para drenagem da urina seguida de desaparecimento do globo vesical sela o diagnóstico de retenção urinária. Na anúria, a bexiga está vazia e o cateterismo comprova a inexistência de urina (PORTO & PORTO, 8ª ed.). A retenção urinária pode ser completa ou incompleta. Na forma completa, o indivíduo é incapaz de eliminar sequer quantidades mínimas de urina. A retenção urinária incompleta, quase sempre crônica, caracteriza-se pela permanência na bexiga de uma certa quantidade de urina depois de terminado o ato miccional (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ➢ Incontinência urinária: Eliminação involuntária de urina, sendo normal em crianças até 1 ano e meio de idade, ocorrendo também na bexiga neurogênica, nas cistites e aos esforços quando há alteração dos mecanismos de contenção da urina (lesões tocoginecológicas, principalmente em mulheres multíparas). Nos idosos, a hipertrofia prostática grave pode provocar incontinência paradoxal (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ALTERAÇÕES DA COR E DO ASPECTO DA URINA A urina normal é transparente e tem uma tonalidade que varia do amarelo-claro ao amarelo-escuro, conforme esteja diluída ou concentrada (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ↠ As principais alterações da cor e do aspecto da urina são a ocorrência de urina avermelhada (hematúria, hemoglobinúria, mioglobinúria e porfirinúria) e urina turva, outra condição em que a cor da urina se altera (PORTO & PORTO, 8ª ed.). URINA AVERMELHADA ➢ Hematúria: significa presença de sangue na urina, podendo ser macro ou microscópica. Quantidade de sangue um pouco maior traduz-se por “franca hematúria”. A hematúria pode ser “maçica”, inclusive com o aparecimento de coágulos, denotando sangramento de maior porte (PORTO & PORTO, 8ª ed.).Pequena quantidade de sangue tinge a urina de marrom-escuro (cor de “CocaCola”) quando o pH é ácido (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ➢ Hemoglobinúria: presença de hemoglobina livre na urina, condição que acompanha as crises de hemólise intravascular (malária, leptospirose, transfusão incompatível, icterícia hemolítica) (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ➢ Mioglobinúria: decorre da destruição muscular maciça por traumatismos e queimaduras, e após exercícios intensos e demorados como maratonas e nas crises convulsivas (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ➢ Porfirinúria: consequência da eliminação de porfirinas ou de seus precursores, os quais produzem coloração vermelho-vinhosa da urina, algumas horas depois da micção. Convém 3 Júlia Morbeck – 2º período de medicina @jumorbeck lembrar que a beterraba e alguns medicamentos podem tingir a urina de vermelho (PORTO & PORTO, 8ª ed.). URINA TURVA ↠ Relato de urina turva ocorre com frequência por causas diversas. Sendo uma solução supersaturada, algumas horas após emitida e guardada em um vaso, a urina pode apresentar precipitação de diversos tipos de cristais (cristalúria), sendo mais frequentes os de ácido úrico, oxalato de cálcio e uratos amorfos, quando a urina é ácida, e carbonatos e fosfatos de cálcio quando a urina for alcalina (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ➢ Piúria: ocorre quando há presença de quantidade anormal de leucócitos na urina, que pode conferir aspecto turvo a esta (PORTO & PORTO, 8ª ed.). URINA COM AUMENTO DA ESPUMA Decorre da eliminação aumentada de proteínas na urina, presente em glomerulopatias, nefropatia diabética, nefrites intersticiais. A hiperfosfatúria também pode determinar essa alteração. Entretanto, mais comumente é causada por uma urina muito concentrada associada a um fluxo rápido do jato urinário (PORTO & PORTO, 8ª ed.). Mau cheiro O odor característico de urina decorre da liberação de amônia. Um simples aumento da concentração de solutos na urina pode determinar cheiro desagradável. Porém, fetidez propriamente dita surge nos processos infecciosos, pela presença de pus ou por degradação de substâncias orgânicas. Alguns medicamentos (vitaminas, antibióticos) também alteram o odor da urina (PORTO & PORTO, 8ª ed.). DOR ↠ A dor originada no sistema urinário pode assumir características diversas. Os tipos principais são: dor lombar e no flanco, cólica renal, dor vesical, estrangúria e dor perineal (PORTO & PORTO, 8ª ed.). DOR LOMBAR E NO FLANCO ↠ A dor renal característica situa-se no flanco ou região lombar, entre a 12ª costela e a crista ilíaca, e às vezes ocorre irradiação anterior. O parênquima renal é insensível, não ocasionando dor. Contudo, a distensão da cápsula renal dá origem a esta dor que é percebida na região lombar e no flanco, por ser comum a inervação com esta parte do tronco (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ↠ A dor é descrita como uma sensação profunda, pesada, de intensidade variável, fixa e persistente, que piora com a posição ereta e se agrava no fim do dia. Geralmente não se associa a náuseas e/ou vômitos (PORTO & PORTO, 8ª ed.). “DOR NOS RINS”: Cumpre ressaltar que toda dor lombar ou no flanco, ou mesmo nas costas, costuma ser interpretada pelos pacientes como originária dos rins. No entanto, com muita frequência, ela é de natureza extrarrenal provocada por espasmo da musculatura lombar, alterações degenerativas das vértebras (espondiloartrose) ou comprometimento de disco intervertebral. Por isso, diante da queixa “dor nos rins”, deve- se estar atento tanto para as doenças renais como para as enfermidades da coluna vertebral (PORTO & PORTO, 8ª ed.). CÓLICA RENAL OU NEFRÉTICA E CÓLICA URETRAL ↠ Aplica-se esta denominação a um tipo especial de dor decorrente de obstrução do trato urinário, com dilatação súbita da pelve renal ou do ureter, que se acompanha de contrações da musculatura lisa destas estruturas (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ↠ Em seu início, pode haver apenas uma sensação de desconforto na região lombar ou no flanco, irradiando-se vagamente para o quadrante inferior do abdome do mesmo lado. Rapidamente esta sensação de desconforto evolui para dor lancinante, de grande intensidade, acompanhada de mal-estar geral, inquietude, sudorese, náuseas e vômito. O paciente fica inquieto no leito ou levanta-se à procura de uma posição que lhe traga algum alívio (PORTO & PORTO, 8ª ed.). DOR HIPOGÁSTRICA OU DOR VESICAL ↠ Dor originada no corpo da bexiga que geralmente é percebida na região suprapúbica. Quando ela decorre de irritação envolvendo a região do trígono e do colo vesical, a dor irradia-se para uretra e meato externo, podendo ser relatada como uma sensação de queimor (PORTO & PORTO, 8ª ed.). 4 Júlia Morbeck – 2º período de medicina @jumorbeck ESTRANGÚRIA OU TENESMO VESICAL ↠ Percebido quando há inflamação vesical intensa podendo provocar a emissão lenta e dolorosa de urina, chamada estrangúria, e que é decorrente de espasmo da musculatura do trígono e colo vesical (PORTO & PORTO, 8ª ed.). Dor perineal ↠ Decorrente normalmente da infecção aguda da próstata, causa dor perineal intensa, sendo referida no sacro ou no reto. Pode causar também estranguria (PORTO & PORTO, 8ª ed.). EDEMA ↠ O edema é definido como um aumento do volume do líquido intersticial. Quando maciço e generalizado, o excesso de fluidos é chamado anasarca (presença de ascite, edema periorbitário e edema de membros inferiores.) Quando leve a moderado, apresenta-se mais comumente como edema de membros inferiores, identificado através do sinal de Godet (ou sinal do cacifo) (PORTO & PORTO, 8ª ed.). SINAL DE CACIFO: Realiza-se uma pressão digital sobre a pele por cinco segundos. Se o edema estiver presente haverá a formação de uma pequena depressão na região pressionada que não se desfaz imediatamente após a descompressão (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ↠ O sinal é positivo quando, após a descompressão, o tecido continua apresentando uma depressão. A fisiopatologia do edema na doença renal é dividida em dois mecanismos: underfilling (ou underfill) e overflow (ou overfill) (PORTO & PORTO, 8ª ed.). Baixo enchimento (underfill): em situações fisiológicas, a membrana basal glomerular não permite a perda de grandes quantidades de proteínas. Em situações como a síndrome nefrótica, ocorre uma perda da seletividade da membrana basal glomerular a estas proteínas, o que leva a uma proteinúria maciça e perda principalmente de albumina urinária. Tal quadro leva a uma hipoalbuminemia significativa e redução da pressão oncótica plasmática (determinada principalmente pela albumina sérica), permitindo o extravasamento de líquido para o interstício. A transferência de líquidos para o interstício é a manifestação clínica do edema e promove uma contração do volume intravascular circulante. Esta redução ativa o sistema renina- angiotensina-aldosterona, promovendo retenção de sódio e água. Tal mecanismo é classicamente descrito na síndrome nefrótica em crianças (PORTO & PORTO, 8ª ed.). Superfluxo (ou overfill): há retenção primária de sódio devido ao aumento da reabsorção de sódio no ducto coletor, levando ao edema (PORTO & PORTO, 8ª ed.). FEBRE E CALAFRIOS ↠ Nas infecções agudas acometendo o trato urinário, a febre costuma ser elevada acompanhando-se de calafrios, dor lombar ou suprapúbica. As principais causas são pielonefrite e prostatite (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ↠ Nas infecções crônicas, a temperatura está discretamente aumentada ou com elevações intermitentes, às vezes acompanhadas de calafrios (PORTO & PORTO, 8ª ed.). Exame Físico ↠ O exame físico dos vários segmentos do sistema urinário tem peculiaridades marcantes, cabendo ao médico explorá-las adequadamente para obter elementos confiáveis para o raciocínio diagnóstico, mas, frequentemente, nenhuma anormalidade é detectada (PORTO &PORTO, 8ª ed.). EXAME DOS RINS ↠ O exame físico do sistema urinário deve começar pela inspeção do abdome, dos flancos e das costas, estando o paciente sentado. Em seguida, deve-se fazer a palpação e a compressão dos ângulos costovertebrais. Posteriormente, efetua-se a percussão com a face 5 Júlia Morbeck – 2º período de medicina @jumorbeck interna da mão fechada, chamada “punho-percussão”. Por fim deve ser realizada ausculta abdominal que será útil na verificação de sopros abdominais como ocorre na estenose de artérias renais (PORTO & PORTO, 8ª ed.). PALPAÇÃO DOS RINS ↠ A palpação dos rins é feita com o paciente em decúbito dorsal da seguinte maneira: enquanto uma das mãos procura explorar os quadrantes superiores do abdome, a outra mão, espalmada, “empurra” o flanco correspondente de baixo para cima, na tentativa de trazer o rim para uma posição mais anterior (palpação bimanual). Em pessoas magras, o polo inferior do rim direito (normal) pode ser palpado na inspiração, o que, geralmente, não acontece com o rim esquerdo (PORTO & PORTO, 8ª ed.). PALPAÇÃO DO RIM DIREITO O rim direito normal pode ser palpável, especialmente em pessoas magras e com bom relaxamento muscular. Para capturar o rim direito, o examinador retorna para o lado direito do paciente. Tente elevar o rim com a mão esquerda sob o dorso do paciente e com a mão direita palpe profundamente o QSE do abdome. Repita as manobras anteriores. Os rins podem ser discretamente dolorosos à palpação. O paciente costuma, em geral, sentir a captura e liberação do rim (BATES, 12ª ed.). Ocasionalmente, o rim direito está localizado mais anteriormente e precisa ser diferenciado do fígado. O polo inferior do rim é arredondado, e a borda hepática, se palpável, tende a ser mais aguda e se estende mais medial e lateralmente. O fígado em si não pode ser capturado (BATES, 12ª ed.). PERCUSSÃO - SINAL DE GIORDANO ↠ Se os rins forem dolorosos à palpação, verifique se a percussão é dolorosa nos ângulos costovertebrais. A simples compressão da região com as pontas dos dedos pode ser suficiente para desencadear dor, mas, se isso não ocorrer, recorra à punho-percussão. O examinador coloca a mão espalmada sobre o ângulo costovertebral e, a seguir, desfecha um golpe com a superfície ulnar do punho (BATES, 12ª ed.). ↠ Use apenas força suficiente para provocar abalo/vibração perceptível, porém indolor (BATES, 12ª ed.). ↠ A dor à pressão ou punho-percussão fala a favor de pielonefrite se associada a febre e disúria, mas também pode ser de natureza musculoesquelética (BATES, 12ª ed.). Exame dos ureteres ↠ Pela palpação profunda da parede abdominal anterior podem-se determinar dois pontos dolorosos quando existe infecção ou obstrução dos ureteres. O superior fica na parte média dos quadrantes superiores direito e esquerdo, e o inferior, nas fossas ilíacas direita e esquerda, próximos à região suprapúbica (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ↠ A reação dolorosa à palpação profunda destes chamados “pontos ureterais” tem significado diagnóstico, especialmente quando estão presentes outros dados sugestivos de comprometimento do trato urinário alto (PORTO & PORTO, 8ª ed.). Exame da bexiga ↠ A bexiga vazia não é palpável, porém pode haver hipersensibilidade na área suprapúbica ao se fazer a palpação. Retenção urinária aguda ou crônica levando à 6 Júlia Morbeck – 2º período de medicina @jumorbeck distensão vesical pode ser percebida pela inspeção, palpação e percussão da região suprapúbica (PORTO & PORTO, 8ª ed.). ↠ A cúpula da bexiga distendida é lisa e arredondada na palpação. Verifique se há dor à palpação (BATES, 12ª ed.). Referências PORTO, CELMO C.; PORTO, ARNALDO L.. Semiologia Médica. 8ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021. BICKLEY, L. S. Bates: Propedêutica Médica. 12. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2018.