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44
Unidade II
Unidade II
3 MERCADO TURÍSTICO E SEUS COMPONENTES
Para compreender o mercado turístico em sua amplitude, faz‑se necessário entender o conceito de 
mercado inserido no contexto econômico. Segundo Kotler (1998, p. 31), “o mercado consiste em todos 
os consumidores potenciais que compartilham de uma necessidade ou desejo específico, dispostos e 
habilitados para fazer uma troca que satisfaça a essa necessidade ou a esse desejo”.
De uma forma geral, é o espaço onde se encontram compradores e vendedores para a realização de uma 
transação comercial. Como esse espaço não precisa ser necessariamente uma área física, a noção de mercado 
é ampla, pois engloba clientes, que irão compor a demanda, e vendedores, produtos, relações de consumo e 
práticas comerciais, que constituirão a oferta; portanto, o mercado depende da oferta e da demanda.
O mercado turístico pode ser entendido como o conjunto de turistas e empresas que ofertam bens 
e serviços que satisfazem os desejos desses turistas no ato de sua viagem (LICKORISH; JENKINS, 1997 
apud IGNARRA, 2003).
Nesse segmento, o conjunto de consumidores/turistas será denominado demanda; já o conjunto de 
produtos turísticos, que será composto dos atrativos, serviços de apoio e infraestrutura, será chamado 
de oferta; e as necessidades de consumo serão satisfeitas no mercado turístico.
Demanda Consumo turístico
Mercado turístico
Oferta
Figura 26 – Esquema
3.1 Oferta turística
É o conjunto de produtos turísticos e serviços postos à disposição do turista (consumidor do turismo) 
num determinado destino para seu desfrute e consumo (OMT, 2001).
O excerto a seguir define oferta turística como:
[...] conjunto de equipamentos, bens e serviços de alojamento, de alimentação, 
de recreação e lazer, de caráter artístico, cultural, social ou de outros tipos, 
capaz de atrair e assentar numa determinada região, durante um período 
determinado de tempo, um público visitante (BENI, 2007, p. 177).
45
FUNDAMENTOS E PLANEJAMENTO DO TURISMO
A oferta turística é formada por um conjunto de elementos que podem ser divididos em alguns grupos:
• atrativos turísticos;
• serviços turísticos;
• serviços públicos;
• infraestrutura básica;
• gestão pública.
Figura 27 – Entrada dos parques da Disney
3.1.1 Atrativos turísticos
Envolvem todo elemento material ou imaterial (com capacidade própria ou em combinação com 
outros) para atrair visitantes a uma determinada localidade. Esses elementos conferem uma característica 
essencial ao destino turístico e estão relacionados às condições naturais e aos aspectos socioculturais.
Quadro 9 – Divisão dos atrativos
Naturais Criados pelo homem sem intenção de atrair visitantes
Criados pelo homem com intenção 
de atrair visitantes Eventos especiais
Praias Catedrais Parques de diversão Festivais de arte
Grutas Igrejas Parques temáticos Encontros esportivos
Rios Casas históricas Museus Feiras
Lagos Monumentos Centros de exibição Manifestações folclóricas
Bosques Jardins históricos Cassinos Eventos religiosos
Flora Centros de lazer
46
Unidade II
Naturais Criados pelo homem sem intenção de atrair visitantes
Criados pelo homem com intenção 
de atrair visitantes Eventos especiais
Fauna Balneários Aniversários históricos
Lugares para piquenique
Parque safári
Fonte: OMT (2001, p. 122).
 Lembrete
O mercado turístico pode ser entendido como o conjunto de turistas 
e empresas que ofertam bens e serviços que satisfazem os desejos 
desses turistas no ato de sua viagem (LICKORISH; JENKINS, 1997 apud 
IGNARRA, 2003).
3.1.2 Serviços turísticos
Trata‑se de elementos fundamentais para que o turismo possa acontecer: meios de hospedagem; 
serviços de alimentação; serviços de agenciamento turístico; transportes turísticos; espaços de 
eventos; serviços de entretenimento; serviços de informações turísticas. Compõem a parte técnica 
(agregada) da oferta turística, geralmente, mas por si só não atraem a demanda para a localidade turística.
Figura 28 – Serviços turísticos
47
FUNDAMENTOS E PLANEJAMENTO DO TURISMO
Quadro 10 – Divisão
Tipos Subtipos
Meios de hospedagem Hotéis; motéis; flats; pousadas; pensões; pensionatos; lodges; hospedarias; hostel; campings; acantonamentos; colônias de férias; imóveis de aluguel
Alimentação Restaurantes; lanchonetes; bares; sorveterias; docerias; cafés; casas de chá; cervejarias; quiosques de praia
Agenciamento Agências de turismo emissivas e receptivas
Transportes turísticos Aéreo; rodoviário; ferroviário e aquático
Locação de veículos e equipamentos Carros; motos; bicicletas; embarcações; equipamentos esportivos
Eventos Organizadores de eventos; fornecedores de produtos e serviços
Espaços para eventos Centros de convenções; áreas de exposições; área de eventos culturais; bufês
Entretenimentos
Boates; clubes; estádios; ginásios; casas de espetáculo; cinemas; teatros; 
parque de diversões/aquáticos/temáticos; boliches; pista de patinação; 
bilhares; campos de golfe; hipódromos; velódromos; autódromos; marinas; 
mirantes
Informação turística Guias; mapas; postos de informações turísticas; jornais e revistas especializados
Passeios Cavalo; helicóptero; barco
Comércio turístico Souvenir; joalherias; artesanato; produtos típicos
Adaptado de: Ignarra (2003, p. 64‑66).
3.1.3 Serviços públicos
São serviços disponíveis para a população local, mas que podem ser utilizados pelos turistas; são 
essenciais para viabilizar a permanência do turista e aumentar a qualidade de sua experiência no local. 
São constituídos por:
• transportes;
• serviços bancários;
• serviços de saúde;
• serviços de segurança;
• serviços de informação;
48
Unidade II
• serviços de comunicações;
• comércio etc.
Figura 29 – Times Square, Nova York, EUA
3.1.4 Infraestrutura
Representa os elementos vitais à qualidade de vida das comunidades e que beneficiam os turistas 
ou empreendimentos turísticos, pois sua implantação viabiliza a atividade turística, tornando‑se 
uma precondição para o desenvolvimento do setor. A infraestrutura é formada por: vias de acesso; 
saneamento básico; rede de energia elétrica; comunicações; iluminação pública etc.
3.1.5 Gestão pública
Responsável pelo direcionamento da atividade, garante os interesses coletivos sobrepondo‑os aos 
interesses de um pequeno grupo ou de um indivíduo, além de ser reguladora e incentivadora das ações 
que irão permitir o desenvolvimento da atividade turística.
3.1.6 Oferta original (diferencial) e oferta técnica (agregada)
A oferta original ou diferencial é constituída pelos elementos turísticos primários de um país, isto é, 
os atrativos que provêm tanto da natureza quanto do legado histórico‑cultural. O proprietário desses 
elementos é a sociedade; quanto maior seu diferencial e sua singularidade, maior seu valor e seu 
potencial atrativo. Como exemplos de oferta diferencial, temos o carnaval de Olinda (PE), a feijoada 
e o bondinho do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro (RJ).
49
FUNDAMENTOS E PLANEJAMENTO DO TURISMO
Figura 30 – Bondinho Pão de Açúcar, Rio de Janeiro
A oferta técnica ou agregada é constituída dos demais elementos que formam a oferta turística, ou 
seja, a infraestrutura, os serviços turísticos e públicos. Eles, por si só, não podem satisfazer à demanda, 
a não ser que haja uma combinação entre os diversos fatores da oferta técnica e da oferta original, 
possibilitando o contato dos turistas com os atrativos do destino turístico.
3.2 Demanda turística
A demanda turística pode ser entendida como o conjunto de pessoas que se deslocam de seu local 
de residência habitual para outro para desfrutar seus atrativos e serviços turísticos.
Para Mathieson e Wall (1988, p. 16 apud COOPER et al., 2007, p. 87), demanda turística é “[...] o 
número total de pessoas que viajam, ou desejam viajar, para utilizar facilidades e serviços turísticos em 
lugares distantes do seu local de trabalho e residência”.
A demanda turística pode ser estudada e definida sob a abordagem:
• Econômica: analisa a quantidade de viajantesem relação aos preços de mercado praticados 
usando modelos econométricos.
• Geográfica: tenta explicar a relação do ser humano com a organização espacial dos destinos turísticos.
• Psicológica: estuda principalmente a motivação que leva o indivíduo a viajar.
50
Unidade II
 Observação
Segundo o Dicionário Michaelis (2019), econométrico representa o 
método matemático e técnicas estatísticas usados na análise de dados e 
problemas econômicos.
Como é difícil examinar o turismo sob um único aspecto, o estudo da demanda turística é bem 
variado, e as pesquisas sobre o tema geralmente encontram‑se espalhadas entre as mais diversas áreas 
dos estudos turísticos.
3.2.1 Divisão da demanda
De acordo com Cooper et al. (2007), a demanda turística pode ser dividida em:
• Demanda real ou efetiva: composta de pessoas que já consomem determinado produto turístico, 
em geral, é usada para as estatísticas do turismo.
• Demanda latente ou reprimida: é o conjunto de pessoas que, por algum motivo, não consomem 
o produto turístico. Essa demanda subdivide‑se em: potencial e futura. A primeira corresponde ao 
número de pessoas que preenchem as condições (tempo, renda disponível e vontade de conhecer), 
ou seja, é aquela que tem condições para consumir determinado produto, mas não o faz por 
alguma razão. Exemplo: desconhecimento do produto turístico. Já a demanda futura é o conjunto 
de pessoas que podem tornar‑se consumidoras de bens e serviços turísticos se forem motivadas.
• Não demanda: aqueles que não desejam viajar.
Figura 31
51
FUNDAMENTOS E PLANEJAMENTO DO TURISMO
3.2.2 Características da demanda
O quadro a seguir destaca seus pontos principais:
Quadro 11
Elástica
Relacionada à renda, dinheiro, pois quanto maior a condição 
financeira, mais as pessoas viajam; em contrapartida, quanto menor 
for essa condição, menos viagens acontecem
Sensível
Afetada por fatores externos, como epidemias e segurança. As pessoas 
não costumam viajar para locais que não proporcionam segurança ou 
que estão sendo acometidos por epidemias
Sazonal
Condições climáticas, férias e feriados afetam diretamente a decisão de 
viajar, gerando um período de maior e menor concentração de turistas 
em uma determinada localidade
Outros aspectos relevantes no estudo da demanda turística é o seu alcance e enfoque.
 Observação
O alcance é entendido pela abrangência e a procedência das pessoas 
que visitam o destino turístico. Divide‑se em demanda interna, pessoas do 
país viajando dentro do próprio país, e demanda externa, quando se recebe 
pessoas de fora do país. O enfoque é a avaliação dos visitantes sob o aspecto 
de um único estabelecimento turístico ou de uma área maior. Divide‑se em 
enfoque micro, que avalia a demanda para um empreendimento turístico, 
e enfoque macro, que analisa a demanda para todo um município, estado 
ou país.
A demanda turística ainda pode ser estudada quanto à sua forma:
• Natural: ocorre espontaneamente em razão dos atrativos do destino turístico. Exemplo: praias de 
Fernando de Noronha (PE).
• Criada: passa a existir por conta de um atrativo que se cria no destino turístico, ou ocorre devido 
a eventos ou pacotes promocionais organizados por agências. Exemplo: Oktoberfest, realizada em 
Blumenau (SC).
• Transferida: muda‑se o motivo inicial da viagem.
52
Unidade II
Figura 32 – Morro Dois Irmãos, Fernando de Noronha/PE
3.2.3 Fatores que influenciam a demanda
A demanda, como visto, é formada por pessoas que viajam ou que querem viajar, portanto, sofre influência 
de vários fatores, que podem ser positivos ou negativos. De acordo com Ignarra (2003), esses fatores são:
• Preço do produto turístico: a variação dos preços influencia diretamente na decisão de viajar, 
pois podem ser considerados caros ou baratos.
• Preço dos produtos concorrentes: relacionado aos valores cobrados nos destinos turísticos que 
concorrem entre si.
• Preço dos produtos complementares:
— Renda do consumidor: o quanto as pessoas ganham também exerce influência direta na 
decisão da viagem.
— Nível de investimento em divulgação: é o valor gasto em divulgação, propaganda e promoção 
do destino turístico.
— Modismo: é quando por algum determinado fator o destino turístico desenvolve uma tendência 
de consumo.
— Variações climáticas: mudanças no clima do destino turístico.
— Catástrofes naturais e artificiais: um acontecimento considerado fora do normal no 
destino turístico.
— Disponibilidade de tempo livre: um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento do 
turismo é a liberação das obrigações do dia a dia, que disponibilizará tempo livre para viajar.
53
FUNDAMENTOS E PLANEJAMENTO DO TURISMO
 Lembrete
A demanda turística pode ser entendida como o conjunto de pessoas 
que se deslocam de seu local de residência habitual para outro para 
desfrutar de seus atrativos e serviços turísticos.
4 MOTIVAÇÃO E TIPOS DE TURISTAS
Antes de iniciar o estudo sobre motivação turística, é necessário entender o que é motivação. Grosso 
modo, pode‑se dizer que é o motivo que leva um indivíduo a se movimentar para atingir um determinado 
objetivo; refere‑se às forças dentro de cada pessoa que a conduzem a um determinado comportamento 
(CHIAVENATO, 2009).
Conforme Maximiano (2004, p. 14), “a palavra motivação deriva do latim motivus, movere, que 
significa mover. O seu sentido original fundamenta‑se no processo no qual o comportamento é 
incentivado, estimulado ou energizado por algum motivo ou razão”.
Vejamos o que diz Chiavenato (2009, p. 66): “A satisfação de certas necessidades é temporal e 
passageira, ou seja, a motivação humana é cíclica; o comportamento é um processo contínuo de 
resolução de problemas e satisfação de necessidades à medida que vão surgindo”.
 Saiba mais
O filme a seguir trata das várias abordagens do comportamento humano 
e suas motivações.
DIVERTIDA MENTE. Direção: Pete Docter. EUA: Walt Disney Studios, 
2015. 102 min.
4.1 Motivação turística
Para compreender as causas subjetivas que interferem na decisão de viajar das pessoas, realizam‑se 
estudos de motivação. Essas pesquisas ajudam a determinar as características que um destino turístico 
deve apresentar, pois leva em consideração as necessidades dos turistas.
Ao estudar a motivação turística, é preciso fazer uma reflexão a respeito das motivações principais 
ou básicas que levam as pessoas a deixar seu cotidiano e sua residência habitual para fazer turismo.
Portanto, conhecer características motivacionais da demanda turística 
possibilita definir ações de marketing, que vão desde o desenvolvimento 
de equipamentos, serviços e produtos turísticos adequados às expectativas 
54
Unidade II
da demanda, bem como a precificação que pode explorar as necessidades 
do público, a divulgação e promoção que devem atuar sobre os desejos dos 
futuros turistas e a adoção de canais de venda que venham a aproveitar a 
impulsividade do consumidor de turismo (HIRATA; BRAGA, 2017, p. 97).
Figura 33
Vários autores classificaram as motivações turísticas, mas a mais conhecida é aquela elaborada 
a partir da Teoria da Hierarquia de Necessidades, elaborada por Abraham Maslow, psicólogo 
americano que desenvolveu um modelo representado por uma pirâmide dividida em cinco níveis 
de necessidades que uma pessoa procura satisfazer ao longo de sua vida. Posteriormente, essa 
teoria ficou conhecida como a Pirâmide das Necessidades de Maslow.
Autorrealização
Estima
Social
Segurança
Fisiológicas
Dese
nvol
vime
nto 
pess
oal
Reco
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cime
nto,
 stat
us e
 
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estim
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ieda
de 
Com
ida, 
água
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o, se
xo e
 abr
igo
Figura 34 – Esquema da pirâmide de Maslow
55
FUNDAMENTOS E PLANEJAMENTO DO TURISMO
Aplicando a Teoria de Maslow ao turismo, pode‑se dizer que os turistas buscam atender às suas 
necessidades por meio das viagens. Nesse sentido, Dias (2005) reuniu as mais diversas motivações para 
uma viagem em quatro grupos:Quadro 12 
Motivações físicas
Associadas à necessidade de repor as energias, descansar física e mentalmente, 
aliviar o estresse, cuidar da saúde etc. Na pirâmide, atenderiam às necessidades 
fisiológicas e de segurança
Motivações psicológicas
Relacionam‑se com o desenvolvimento emocional e incluem visitas a parentes 
e amigos, bem como o estabelecimento de novas relações sociais e afetivas; 
são representadas pelas necessidades sociais
Motivações sociais
Fazem com que o indivíduo alcance aspirações sociais, como o aumento de 
seu prestígio nos grupos que frequenta. Essa motivação se enquadraria na 
necessidade de autoestima
Motivações culturais Aquisição de conhecimento e evolução pessoal. No topo da pirâmide, esta motivação se encaixaria com a necessidade de autorrealização
Conforme Andrade (2002, p. 89),
[...] a intensa atividade humana e os desgastes dela decorrentes levaram a 
própria sociedade a procurar recursos capazes de fornecer aos indivíduos os 
necessários meios para o atingimento de muitas de suas aspirações, entre as 
quais a prática do lazer e do turismo.
 Saiba mais
Os filmes a seguir abordam a motivação turística sob diferentes aspectos:
COMER, rezar, amar. Direção: Ryan Murphy. EUA: Columbia Pictures. 133 min.
AS FÉRIAS da minha vida. Direção: Wayne Wang. EUA: Paramount, 
2006. 112 min.
4.1.1 Influência nas motivações turísticas e fatores determinantes
A motivação de viajar pode sofre várias influências, e um elemento importante é a imagem do destino 
turístico. Nesse contexto, os principais aspectos são: experiências próprias anteriores; relatos de amigos; 
mídia; livros documentais ou de ficção; imaginação criativa (ACERENZA, 1991 apud BARRETO, 2004).
Segundo Vaz, “a imagem que uma pessoa tem de uma localidade forma‑se pelo acúmulo de 
impressões, as mais variadas possíveis [...]” (1999, p. 96).
Além das motivações, existem fatores positivos e negativos que determinam a viagem; podem 
ser originários do turista, da infraestrutura turística ou não derivar de nenhum deles. Esses fatores se 
apresentam como:
56
Unidade II
• Fatores do turista: conhecimento (informação); saúde; dinheiro disponível; tempo disponível; 
liberdade; origem étnica, afinidades culturais e idiomáticas com o núcleo.
• Fatores do destino turístico: atrativos e infraestrutura turística; desenvolvimento tecnológico; 
segurança; promoções; distância entre o núcleo emissor e receptor; política de preços (BARRETO, 2004).
4.1.2 Circunstâncias limitativas
A vontade de viajar das pessoas é sensível a qualquer circunstância que venha limitar ou constranger 
as suas ações durante a viagem. Esses aspectos independem do turista e, muitas vezes, não podem ser 
controlados pelo destino turístico. Arrigalla deu o nome para essas circunstâncias de limitativas. Observe 
o excerto a seguir:
Formalidades administrativas excessivas (exigências de vistos, 
interrogatórios etc.).
Inflação (no país de origem e no de destino).
Controle policial rígido ou vexatório.
Excessos no controle alfandegário.
Medidas sanitárias (desinfecção de aviões de regiões contaminadas).
Epidemias.
Pobreza (que leva à violência urbana e à insegurança).
Conflitos sociais (greves, saques).
Falta de hospitalidade.
Crises políticas internacionais (rompimento das relações diplomáticas).
Desastres climatológicos (vulcões, enchentes, muito calor ou frio). 
(ARRIGALLA, 1976 apud BARRETO, 2004, p. 53).
4.2 Classificação e tipos de turistas
Turistas formam a demanda turística e, por trás desse termo, encontra‑se um grupo distinto de 
pessoas que apresentam um conjunto de personalidades e interesses com diferentes características, 
motivações e experiências.
57
FUNDAMENTOS E PLANEJAMENTO DO TURISMO
Assim, alguns autores procuraram classificar os diferentes tipos de turistas tentando promover a 
compreensão dos padrões de comportamento e suas preferências. A classificação mais conhecida é 
a de Plog (1974 apud BARRETO, 2004), que estudou o comportamento e a motivação dos turistas 
durante a viagem; para tal, separou os turistas em diferentes grupos, com base em seu estilo de vida, 
sua personalidade e seus valores:
• Alocêntricos: se caracterizam por serem pessoas que sempre estão à procura de lugares novos, 
tentando manter contato com a cultura local e interagindo com a comunidade. Não gostam de 
regiões que estão nos grandes circuitos comerciais, gostam de planejar a sua própria viagem; são 
amantes da natureza, e caso o local receba uma grande massa de turistas, eles se deslocam para 
explorar outros destinos.
• Mesocêntricos: são turistas que gostam de viajar para locais conhecidos, em pequenos grupos 
de amigos ou em família; geralmente utilizam os serviços das agências de viagem, mas incluem 
serviços específicos para atender às necessidades do grupo, e o seu contato com a comunidade 
local é mais comercial.
• Psicocêntricos: preferem viajar em grupos para locais conhecidos. Não são aventureiros, 
conhecem somente os atrativos que estão inclusos no roteiro; utilizam sempre serviços de uma 
agência de viagem e esperam ter o mesmo nível de conforto e segurança de seu cotidiano; não se 
relacionam com a cultura ou comunidade local, a não ser comercialmente.
Outros estudiosos elaboraram classificações observando os diferentes tipos de relação entre visitantes 
e comunidades receptoras. Cohen (1972) estabeleceu uma tipologia de turista, denominando‑os de:
• Mochileiros: não utilizam empresas turísticas; gostam de lugares exóticos e fora do mercado 
turístico tradicional; na maioria das vezes se hospedam em casas de famílias da população local 
para vivenciar a cultura e o cotidiano dessas pessoas.
• Exploradores: se assemelham aos mochileiros, pois também gostam de locais diferenciados, fora 
dos circuitos comerciais; planejam a própria viagem e não utilizam os serviços de uma agência; 
a grande diferença quanto aos mochileiros está nos meios de transportes e hospedagem, pois o 
explorador gosta de usá‑los com mais conforto e segurança.
• Turistas de massa individual: apreciam viajar sozinhos ou somente em família; sempre usam 
os serviços de agências de viagens; têm pouca interação com a comunidade local e gostam de 
reproduzir os mesmos hábitos rotineiros que fazem em sua residência.
• Turistas de massa organizada: são os que mais apreciam segurança e conforto, somente viajam 
em grupo, gostam de serviços turísticos conceituados e atrativos consagrados, e recorrem às 
agências de viagem para comprar roteiros programados, sem muita inovação (BARRETO, 2004).
58
Unidade II
Figura 35
A classificação e os tipos de turistas foram baseados em padrões que tentam compreender a 
complexidade do comportamento dos turistas durante a viagem; não se trata de um estudo conclusivo, 
pois esses modelos podem ser aperfeiçoados e nem sempre se enquadram a todos turistas; entretanto, 
é um ponto de partida para entender a dinâmica da atividade turística.
 Saiba mais
Os dois filmes a seguir ilustram as diferenças entre os tipos de turistas:
FALANDO GREGO. Direção: Donald Petrie. EUA: Twentieth Century Fox, 
2009. 95 min.
A PRAIA. Direção: Danny Boyle. EUA: Twentieth Century Fox, 2000. 119 min.
 Resumo
Nesta unidade, destacou‑se o mercado turístico, que é formado pela 
oferta e pela demanda, que se relacionam por meio do consumo turístico.
A oferta turística foi conceituada a partir dos elementos que a compõe: 
os atrativos, os serviços turísticos, os serviços públicos, a infraestrutura 
básica e a gestão pública.
59
FUNDAMENTOS E PLANEJAMENTO DO TURISMO
Assim como o turismo, a oferta turística também apresenta uma 
complexidade de definições e conceitos, por isso foi abordada a partir 
de suas características fundamentais, sendo objeto de estudos em 
várias áreas do conhecimento. Então, foram elencados os diversos tipos 
de turistas, com base na motivação turística, por meio do estudo da 
Hierarquia da Necessidades de Maslow, acentuando os fatores que 
influenciam em uma viagem.
 Exercícios
Questão 1. O candidatoa prefeito da cidade de Murtinalinassi defende em sua candidatura que a 
cidade deve se tornar um polo turístico para atrair negócios e desenvolvimento. O candidato da oposição 
critica a ideia e afirma que nenhuma cidade planeja ser turística, para isso ela deve ser contemplada 
com belezas e atrativos naturais, o que, infelizmente, não aconteceu com Murtinalinassi. Em debate 
prévio à eleição, o assunto é exaustivamente discutido e a população fica dividida.
Leia as afirmativas a seguir:
I – Uma cidade ou região pode se tornar turística de forma planejada, por exemplo, com a realização 
de feiras, exposições e festas com calendário fixo.
II – O planejamento turístico é voltado para o desenvolvimento de locais que já possuem potencial 
natural para isso, como cidades cujos arredores possuam cachoeiras, rios, montanhas ou locais propícios 
para prática de alguns esportes.
III – O planejamento em turismo deve levar em conta o potencial que o local já possui e 
também o que pode ser implantado com a finalidade de atrair turistas para o desenvolvimento 
dessa atividade negocial.
É correto apenas o que se afirma em:
A) I.
B) II.
C) III.
D) I e III.
E) II e III.
Resposta correta: alternativa D.
60
Unidade II
Análise das alternativas
I) Afirmativa correta.
Justificativa: qualquer cidade ou região pode desenvolver atividade turística a partir de planejamento 
e, no Brasil, existem exemplos importantes, como Blumenau, em Santa Catarina, com a Oktoberfest, e 
Barretos, em São Paulo, com a Festa do Peão. Ambas as festas são nacional e internacionalmente 
conhecidas, atraem milhares de turistas e deram àquelas cidades uma fonte econômica importante.
II) Afirmativa incorreta.
Justificativa: locais que já possuem potencial natural para turismo poderão desenvolver essa 
atividade econômica de forma mais simples, porém não há nenhum impeditivo para que locais sem 
potencial natural também desenvolvam atividades turísticas a partir da criação de calendário de festas, 
exposições, feiras, artesanato, festivais de gastronomia, entre outros.
III) Afirmativa correta.
Justificativa: potencial turístico não é suficiente para que a atividade se desenvolva porque há 
necessidade de planejamento e estímulo dos órgãos públicos. Ao mesmo tempo, locais sem potencial 
turístico natural poderão se desenvolver nessa área econômica a partir de estudo e planejamento bem 
realizados, com medidas que viabilizem atividades atrativas e de bons resultados econômicos para os 
setores envolvidos (hotéis, bares, restaurantes, pousadas, lojas, parques, casas noturnas).
Questão 2. O Brasil é um país com grande potencial para a atividade de turismo, porque possui 
várias atrações de interesse para os turistas. Existem, no entanto, circunstâncias limitativas ao turismo, 
por exemplo:
A) Excesso de controle alfandegário.
B) Conflitos sociais.
C) Medidas sanitárias.
D) Inflação.
E) Formalidades de controle excessivas.
Resolução desta questão na plataforma.

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