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[PIESF] Fórum 3

Caso clínico de idosa com queixa de esquecimento, contendo anamnese, exame neurológico (MEEM 18, desorientação, marcha atáxica), exames laboratoriais (Hb 8,7; VCM 113 fl; B12 100 pg/mL) e tomografia (atrofia cortical frontal), além de questões sobre investigação, tratamento (rivastigmina) e orientação a cuidadores.

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BACHARELADO EM MEDICINA
Aluna: Maria Eduarda Rocha Guedes
Professor: Raone Pedro da Silva
Disciplina: PIESF 06
FÓRUM 03
Dona Ana, sexo feminino, 65 anos, procedente e residente em Jaboatão dos
Guararapes, região metropolitana do Recife, parda, viúva, aposentada, católica, com
escolaridade até ensino fundamental completo. Vem à consulta, trazida pela irmã, devido a
queixa de que “está esquecida”.A acompanhante relata que, há um ano da consulta, a paciente
iniciou quadro de esquecimento para fatos recentes e cotidianos: esquece onde deixa objetos
e não lembra o que comeu nas refeições do dia. Contudo, lembra-se muito bem dos
acontecimentos de sua infância. Além disso, a paciente refere que sente fraqueza e astenia.
Sua irmã reclama que ela não quer mais sair de casa para ir à missa, como fazia diariamente
nos últimos 10 anos. No último mês, passou a apresentar também parestesias nos membros
inferiores, o que tem dificultado sua deambulação e se tornou mais um motivo para não sair
de casa. Inclusive apresentou 01 episódio de queda da própria altura nesse intervalo de
tempo. A paciente e a acompanhante negam outros sintomas como lipotímia ou sincope,
convulsões, movimentos involuntários, cefaleia, distúrbios do sono ou do comportamento e
incontinências esfincterianas. Relatam independência para atividades básicas de vida diária e
dependência parcial para atividades instrumentais (não consegue fazer compras sozinha, por
dificuldade de cálculo).
ANAMNESE
Medicações em uso: Losartana 50 mg (1-0-1), hidroclorotiazida 25 mg (1-0-0) e metformina
500 mg (1-1-1), omeprazol dose dobrada.
Antecedentes pessoais: hipertensa e diabética de longa data (compensadas) e refluxo
gastroesofágico em tratamento há 10 anos. Nega antecedentes de cirurgias e alergias.
Hábitos: nega etilismo e tabagismo.
Antecedentes familiares: Mãe, 80 anos, hipertensa, diabética e cardiopata. Pai falecido aos
70 anos por complicações de um AVE. Irmã, 50 anos, em tratamento para diabetes e
depressão.
EXAME FÍSICO
Exame físico geral/Ectoscopia: Bom estado geral, hipocorada (+/4+), hidratada, acianótica,
anictérica e afebril, sobrepeso, eupneica, consciente, algo desorientada.
Dados vitais: FC 70bpm, FR 20irpm, Tax 36,6°C, PA 130×80 mmHg, em decúbito e sentada,
no membro superior direito.
Exame da cabeça e do pescoço: ausência de achados relevantes.
Exame neurológico: desorientação temporo-espacial, Miniexame do estado mental (MEEM)
18 – perdeu pontos na orientação temporo-espacial, fixação e evocação de palavras e no
desenho, sem alterações de pares cranianos, massa muscular, tônus e força preservada, Sinal
de Romberg positivo, déficit de sensibilidade vibratória em membros inferiores, com
preservação da sensibilidade tátil superficial e térmica. Reflexos preservados. Marcha
atáxica.
Exame do tórax e aparelho respiratório: tórax atípico, eupneica, expansibilidade e frêmito
toracovocal normais, som claro pulmonar à percussão, murmúrio vesicular presente e
universal, sem ruídos adventícios.
Exame do sistema cardiovascular: precórdio normodinâmico, ausência de turgência jugular
patológica, ritmo cardíaco regular, bulhas normofonéticas, em dois tempos, sem sopros.
Exame abdominal (incluindo aparelhos genitais): abdome semigloboso por adiposidade,
sem abaulamentos, retrações ou cicatrizes, RHA presentes, flácido e indolor, ausência de
massas ou visceromegalias palpáveis, espaço de Traube livre.
Exame das extremidades e pulsos periféricos: extremidades bem perfundidas, pulsos
periféricos palpáveis, cheios e simétricos, sem alterações de cianose. Presença de xerose
cutânea e veias varicosas nos membros inferiores.
Exame das articulações e sistema osteomuscular: ausência de achados relevantes.
EXAMES COMPLEMENTARES
Exames laboratoriais: Hb 8,7 g/dL, Ht 26%, VCM 113 fl, leucocitos 6.800, plaquetas
300.000, creatinina 1,04 mg/dL, ureia 29 mg/dL, sódio 138 mg/dL, potássio 3,3 mg/dL,
vitamina B12 100 pg/mL, TGO 22 TGP 11 glicose 90 mg/dL, TSH 2,74 μUI/mL, sorologias
virais e VDRL negativos;
Tomografia de crânio: atrofia cortical difusa, mais acentuada em lobo frontal, sem outras
alterações.
PERGUNTAS
1. Qual seu sintoma-gua e como investigá-lo?
Quadro de esquecimento iniciado para fatos recentes e cotidianos: esquece onde
deixou objetos e não lembra o que comeu nas refeições do dia. É possível investigar através
do mini exame do estado mental (mini mental) ou teste do relógio.
2. Após confirmação diagnóstica, qual seria sua conduta terapêutica?
Uso de anticolinesterásicos, como rivastigmina.
3. Em casos de pacientes com diagnóstico de Doença de Alzheimer, quais recomendações
você daria para os familiares e/ou cuidadores visando melhor qualidade de vida do
paciente?
Explicar que é uma doença degenerativa progressiva que, até então, não tem cura, mas
é possível retardar sua progressão com o tratamento adequado. Além disso, é essencial educar
os familiares e cuidadores sobre o processo da doença e, principalmente, explicar que é
necessário que tenham paciência e empatia para lidar com o paciente.

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