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AULA 6 LOGÍSTICA GLOBAL E A SUA IMPORTÂNCIA ESTRATÉGICA Prof. Aguinaldo Ferreira dos Santos 2 INTRODUÇÃO O ambiente econômico, regido por um relacionamento entre organizações de países diversos, apresenta um estreitamento devido às operações globais que passaram a atuar nesse cenário, em que os fatores que envolvem o custo final do produto e a competitividade passaram a ser essenciais nos processos produtivos de uma empresa. Esta aula aborda os fatores vantajosos que levaram as organizações a buscar a internacionalização, como também a busca pela competitividade, por meio de uma gestão integrada em seus processos, iniciando nas relações existentes entre fornecedor e produtor, abarcando os processos produtivos e logísticos, até a entrega do produto ou serviço ao usuário final. Esta aula busca também explicitar as vantagens da internacionalização, passando pelos procedimentos adotados no financiamento das atividades voltadas para exportação, abordando as principais agências voltadas a apoiar os processos em que os produtos são comercializados no mercado externo. Assim, será possível compreender as indagações empresariais quanto ao que comprar e o quanto produzir, de modo a evidenciar alguns exemplos de sucesso no uso da gestão da logística em um ambiente globalizado. TEMA 1 – VANTAGENS DA INTERNACIONALIZAÇÃO Em um contexto geral, a internacionalização de uma empresa pode ser relacionado com as estratégias adotadas para atuar no comércio internacional. Esse é um processo em que uma organização decide estabelecer relações comerciais com outros países, seja em operações voltadas para importação ou exportação de produtos, podendo ser considerada uma prática do setor privado. No decorrer dessa atividade envolve o setor público, devido aos impactos econômicos e sociais, gerados por essa atividade (Tripoli; Prates, 2016). Pensando nessa temática é preciso considerar algumas das principais vantagens propiciadas pela internacionalização, quando é possível perceber o aumento do volume de produção, a maior competitividade e o contato com novas tecnologias. 3 1.1 Aumento do volume de produção Com as organizações atuando em um mercado global, existe uma mudança organizacional, pois muitas empresas passaram por um processo de adequação para atuar no comércio internacional. Com os acordos comerciais entre diversos países atuando como uma mola propulsora, impulsando a formação de blocos econômicos, proporcionou-se a abertura de novos mercados, elevando o volume de produção das empresas, nas quais suas atividades estão voltadas para o cenário internacional. Esse aumento de volume produtivo pode ser percebido em diversos cenários, porém seus principais reflexos foram observados no setor econômico, devido à questão envolvendo o equilíbrio da balança comercial. Um fato importante que veio a contribuir com o aumento do volume de produção foram os acordos estabelecidos entre os diversos blocos econômicos, em que o Brasil passou a comercializar não só com países do Mercado Comum do Sul (Mercosul), mas com nações pertencentes ao Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta), União Europeia (UE) e países asiáticos. Essa relação com os demais mercados propiciou maior estabilidade em relação às operações feitas em um único mercado, ou seja, ao operar em diferentes economias, a organização não fica refém de crises econômicas. Um exemplo interessante visto no Brasil é sua exportação de commodities, em que é considerado um dos maiores exportadores mundiais. 1.2 Maior competitividade A competitividade de uma organização está associada a uma estratégia que busca obter uma vantagem em relação às demais empresas. Contudo, a vantagem competitiva é um processo constante, pois as demais organizações buscam sobressair-se. Assim, é preciso analisar o mercado, reduzir custos, e flexibilidade. Um dos fatores mais percebidos de vantagem competitiva é o baixo custo, principal objetivo das organizações, ou seja, atuando em vários mercados, as organizações buscam produzir em países nos quais os custos são reduzidos, fator relevante para obter lucratividade. Um exemplo são grandes corporações, como a Nike, que gerenciam apenas o capital, terceirizando a produção em países com mão de obra mais barata. 4 Outro fator relevante quando se pensa em competitividade organizacional é identificar os principais recursos de uma empresa, que se dividem em recursos financeiro, recursos físicos, humanos e organizacionais. Um outro caso de vantagem competitiva é observado em ações inovadoras, como da empresa brasileira Nubank. Em um país com várias instituições bancárias, essa organização se sobressaiu devido aos diferenciais, pois apresentou isenções de taxa e redução da burocracia. 1.3 Contato com novas tecnologias A globalização, em um contexto geral, propiciou o desenvolvimento dos avanços tecnológicos, porém essa não foi uma realidade percebida em todos os países, principalmente aqueles que ainda apresentam um processo de desenvolvimento mais moroso em relação aos demais países. Porém, as atividades comerciais estabelecidas entre os países, com as organizações atuando nas atividades em que ocorre a importação e exportação de produtos em que as empresas passaram pelo processo de internacionalização, facilitou o contato com novas tecnologias que foram implementadas nos processos produtivos. Esse contato com mecanismos tecnológicos proporcionou as empresas a redução dos erros nos processos produtivos, aumentando a produção e melhorando a qualidade dos produtos. Esse evento foi muito relevante, principalmente no ambiente interno, em que as empresas passaram aprimorar seus produtos para competir com as mercadorias que entram no país pelo processo de importação. Um caso interessante acontece na indústria automobilística, pois com as organizações atuando em um ambiente internacional, estas espalharam suas filiais para vários países onde o custo de produção e a mão de obra é menor. Assim, foi preciso investir em tecnologia, no mercado em que a fábrica será instalada. Desse modo, foi possível perceber carros com designers modernos com diversos acessórios tecnológicos, levando as fabricas brasileiras a buscar meios de se adequar, proporcionando ao consumidor final opções de escolha e produtos com mais qualidade. Entre os avanços tecnológicos, o uso da internet pode ser considerado a força propulsora que facilitou as atividades organizacionais em um ambiente 5 internacional, integrando vários procedimentos por meio de uma rede de conexões. TEMA 2 – FINANCIAMENTO À EXPORTAÇÃO Compreende o conceito que envolve o processo em que mercadorias saem de um país em direção a outro, por meio de relações comerciais acordadas entre duas empresas. Essa operação é um processo envolto em burocracia, porém é uma atividade relevante para economia de uma nação, pois ocorre entrada de divisas (Tripoli; Prates, 2016). Desse modo é relevante ressaltar alguns fatores que envolvem o financiamento à exportação, sendo eles: tipos de financiamento voltados para exportação; riscos gerados com financiamento em operações voltadas para exportação; e protecionismo X livre comércio. 2.1 Tipos de financiamento voltados para exportação Entre os diversos caminhos que uma organização pode percorrer em busca de financiamentos de suas atividades que passam a ser desenvolvidas no cenário internacional, a principal porta de acesso está relacionada ao Banco Nacional do Desenvolvimento (BNDES). Esse processo é intermediado por um agente financeiro, ficando responsável pela parte burocrática envolvida na contratação do crédito. As principais linhas de créditos concedidas pelo BNDES a empresas que buscam exportar seus produtos são: • Adiantamento do Contrato de Cambio (ACC) – esse adiantamento tem por objetivo financiara fase que envolve o pré-embarque nas operações envolvendo o comércio externo voltado para exportação, assim pode custear os eventuais custos relacionados ao translado da mercadoria. Após receber do comprador, fica o compromisso de acertar o empréstimo bancário; • Adiantamento do Contrato de Exportações (ACE) – este crédito fornecido pela instituição bancária é concedido no pós-embarque da mercadoria. Ao solicitar o empréstimo a organização precisa apresentar os documentos relativos à venda da mercadoria em uma instituição que seja autorizada a operar com câmbio. 6 Contudo, esses são alguns dos principais meios de conseguir crédito para operações voltadas para exportação, em que o caminho traçado irá passar pelo BNDES, porém existem outras agências e possibilidades de conseguir crédito para atuar no comércio internacional. Entretanto, é preciso considerar os riscos gerados nesse ambiente. 2.2 Riscos gerados com financiamento em operações voltadas para exportação A exportação de produtos é uma atividade muito relevante. Assim, o governo federal, buscando estimular essa atividade, criou o Programa de Financiamento a Exportações (PROEX), devido às dificuldades de atuar. Pensando na atividade comercial, seja no mercado interno ou externo, irá gerar um risco envolto de incertezas. Entretanto, ao operar no comércio internacional, uma organização perde a dependência do mercado interno em que atuava, reduzindo os riscos de incertezas e estabilidades geradas no ambiente. Desse modo, se faz relevante ressaltar alguns fatores de risco nas operações envolvendo o ambiente internacional, que podem refletir nos empréstimos tomados junto as instituições bancárias: • Desembaraço aduaneiro – as operações de exportação no mercado internacional envolvem vários procedimentos e documentos para que a mercadoria possa sair do Brasil e seguir ao seu destino. Porém, no processo de desembaraço, principalmente no exterior, ocorre a análise dos documentos de exportação por parte do importador. • Perda da carga – compreendendo os riscos inerentes a qualquer atividade comercial, é preciso pensar no transporte de mercadorias, em que os produtos transportados para o exterior podem sofrer algum tipo de dano. • Crises financeiras – uma crise financeira pode se originar por diversos motivos, prejudicando a saúde econômica de um país. Esse é um fator importante para organizações que atuam exportando, pois dependendo do mercado em que atua é preciso considerar suas instabilidades. Vários fatores podem gerar riscos nas atividades comerciais com o mercado externo, principalmente aquelas envolvendo empréstimos bancários para estimular a exportação, porém a gestão e o planejamento têm proporcionado uma redução dos riscos gerados nessa atividade. 7 2.3 Protecionismo X livre comércio A globalização foi um fator decisivo, que proporcionou a abertura dos mercados, em que grandes economias passaram a interagir por meio de práticas comerciais. Nessa relação que foi estabelecida por meio de acordos comerciais entre cada bloco comercial, ficaram evidenciadas duas práticas relevantes: o protecionismo e o livre comércio. O protecionismo envolve medidas aplicadas na economia, buscando restringir a entrada de mercadorias oriundas do mercado externo e também busca proteger a indústria nacional. Essas medidas podem ser observadas em tarifas que incidem sobre o preço final do produto importado ao ser comercializado no Brasil; um exemplo pode ser percebido na indústria automobilística, em que as taxas aos carros importados visam proteger a indústria brasileira. Entre as principais vantagens observadas está a proteção da economia local e a valorização da moeda, porém essas características acabam por ser negativadas pelas desvantagens apresentadas em uma economia protecionista, pois o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), quando aplicado na indústria automobilística, acaba por prejudicar, pois impõe a nacionalização do carro, obrigando o fabricante a comprar grande parte dos insumos no mercado nacional, configurando perca de competitividade devido ao fato de que o concorrente pode comprar no mercado externo, obtendo preços menores e acesso a novas tecnologias que podem ser implementadas. Já o livre comércio é a prática em que não existe a interferência do Estado nas práticas comerciais. Assim, são estabelecidos acordos nos quais ocorrem trocas comerciais, representando uma cooperação social. Nessa modalidade de comércio ambas as partes irão ganhar, seja quem fornece o produto primário ou quem compra o produto, estabelecendo uma relação comercial vantajosa. Nesse modelo econômico, uma das desvantagens é a complexidade gerada nos acordos comerciais e a dificuldade encontrada pelas micro e pequenas empresas em competir nesse cenário, principalmente com as grandes corporações que podem influenciar o preço de seus produtos. 8 TEMA 3 – AGÊNCIAS DE FOMENTO À EXPORTAÇÃO As atividades voltadas para exportação são de grande relevância para a economia nacional. Desse modo, vários órgãos públicos e privados buscam estimular essa operação. Portanto, é preciso abordar alguns eventos que estimularam os processos de exportação no Brasil, como também os benefícios da exportação nos processos logísticos e os reflexos positivos sentidos na economia. 3.1 Principais agências de fomento à exportação Na visão de Minervini (2008), sendo a exportação uma operação relevante para o desenvolvimento da economia brasileira, é relevante os principais programas voltados para o fomento das atividades que envolvem a saída de produtos do Brasil: • Agência de Promoção de Exportações (APEX) – é uma agência que busca apoiar as atividades voltadas para exportação em conjunto com o setor privado. • Sistema Rede Nacional de Agentes de Comércio Exterior (Redeagentes) – essa rede busca estimular a entrada de empresas de médio e pequeno porte nas operações que envolvem a exportação de produtos. • BrazilTradeNet (MRE) – essa rede foi criada com o objetivo de promover as exportações brasileira para trazer investimentos para o país, e é considerada uma das maiores redes de informações comerciais da América Latina. • Portal do Exportador – tem por objetivo informar os diversos mecanismos e processos necessários para a internacionalização de uma empresa, sendo uma iniciativa do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. • Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) – sistema responsável pela integração das diversas atividades voltadas para o comércio exterior, facilitando os processos para o exportador. • Seguradora Brasileira de Crédito à Exportação (SBCE) – devido ao risco de não ocorrer o pagamento de um produto exportado, essa entidade busca estimular a competitividade da exportação brasileira por meio de um seguro. 9 • Encontros de Comércio Exterior (Encomex) – são ações conjuntas com a Secretaria de Comércio Exterior, e buscam maior participação dos micro e pequenos empresários nas atividades comerciais em um cenário internacional. • Programas de Apoio à Exportação subsidiados pelo Banco do Brasil – o Banco do Brasil auxilia o exportador brasileiro em suas negociações, disponibilizando crédito, treinamento e espaço físico no exterior para fechamento de negócios entre importador e exportador. • Rede Brasileira de Trade Points – busca facilitar as operações comerciais que ocorrem internacionalmente, por meio de pesquisas do produto. • Núcleo de Informações de Comércio Exterior (Nucex) – voltado para orientação quanto às normas e legislações que envolvam o comércio exterior, atua como um setor da Secretária de Comércio Exterior. • Centros de Informações do Comércio Exterior (Cicex) – presentes em várias cidades brasileiras, orientam exportadores em relação aos caminhos que podem ser tomadosem relação às atividades do comércio internacional. • Rede Brasileira de Centros Internacionais de Negócios – é uma rede que atua em conjunto com a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) e busca apoiar a internacionalização de produtos brasileiros. • Programa de Apoio Tecnológico à Exportação – por meio de apoio tecnológico para aquelas que desejam atuar no mercado internacional e com foco nas que já estão inseridas nesse cenário. • Programa de Financiamento as Exportações (Proex) – é um programa do governo federal responsável pelo financiamento de bens e serviços voltados para o mercado internacional. • Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex) – é uma organização privada com o objetivo de apoiar empresas que atuam no comércio exterior, buscando o desenvolvimento dessa atividade. • Associação de Comércio Exterior Brasileiro (AEB) – em um contexto geral, essa associação sem fins lucrativos busca o desenvolvimento do comércio internacional brasileiro por meio de estudos que envolvem o comércio exterior. 10 3.2 Resultados obtidos no setor logístico com as operações voltadas para exportação Os processos logísticos, embora envolvam o transporte de mercadorias, vão muito além da atividade em que um produto é transportado de um ponto A para um ponto B, pois envolve planejamento e estratégias que devem ser adotadas ao longo dos diversos processos logísticos (Robles; Nobre, 2016). Com a atuação do Brasil no comércio internacional e o volume de exportação, em que o país atua em vários mercados, houve grandes impactos, refletindo nos processos logísticos. Embora sejam observadas algumas falhas em alguns modais de transporte, seja por falta de infraestrutura ou pelo alto custo gerado no transporte de mercadorias, os processos logísticos como um todo passaram por uma estruturação, buscando atender as demandas geradas na exportação de mercadorias para o exterior. Observam-se algumas mudanças: • Meio de transporte – um dos grandes problemas no Brasil são os custos gerados com o translado da mercadoria, principalmente no modal rodoviário, devido aos riscos com possíveis roubos de cargas e estradas ruins. Porém, com o volume de exportação, ficou evidente um processo de mudança. • Mecanismos tecnológicos – com as relações comerciais e o aumento da demanda, surgiu a necessidade de implantar novos mecanismos tecnológicos, principalmente no transporte e armazenagem de mercadorias. • Integração dos processos – buscando aprimorar os processos logísticos voltados para o comércio internacional, houve uma integração da cadeia de suprimentos. 3.3 Resultados econômicos obtidos com operações voltadas para exportação Segundo Minervini (2008), o processo de exportação trouxe vários benefícios que foram refletidos principalmente na economia. Embora seja uma atividade que envolva diversos procedimentos e normas em sua realização, o que exige um alto investimento com uma taxa de retorno a longo prazo, propiciou a internacionalização das empresas brasileiras e movimentou um fluxo financeiro, aquecendo a economia pela entrada de divisas. 11 Um dos principais reflexos das operações com as atividades de exportação é o equilíbrio da balança comercial. Nessa atividade, em que o Brasil envia mercadorias para o exterior, reduzindo os produtos importados, a balança passa por um processo no qual sai do negativo e entra em um saldo positivo, reduzindo o deficit público. Com isso, é preciso considerar alguns pontos importantes relacionados com o setor econômico e o processo de exportação: o desenvolvimento das empresas e de seus processos produtivos; fortalecimento das empresas brasileiras; e, com o volume de exportação e entrada de divisas, ocorre uma redução da carga tributária das operações voltadas para o comércio internacional. TEMA 4 – DECISÃO COMPRAR X PRODUZIR Organizações que atuam tanto no ambiente interno quanto no cenário internacional precisam decidir quando e como comprar, pensando nos impactos que essa decisão irá gerar em sua produção. Observando as constantes mudanças do cenário econômico, é preciso considerar suas variações e as incertezas que demandam as atividades desenvolvidas nesse ambiente. É preciso considerar alguns fatores, como oferta, demanda e o porquê de a China importar soja do Brasil para poupar seu solo. 4.1 Oferta Ao analisar a questão da oferta em um cenário internacional, é preciso compreender o significado do termo, que envolve a quantidade de bens ou serviços que as organizações estão dispostas a produzir; ou seja, se um produto é altamente rentável, com um alto valor por unidade, será de interesse da empresa realizar sua produção (Robles; Noble, 2016). Nesse contexto é preciso destacar os seguintes fatores: • Oferta de transporte – empresas que atuam no cenário internacional precisam analisar como irão movimentar suas mercadorias no ambiente interno e como será feito seu translado para o exterior. • Oferta de estoque – considerando o processo de exportação, no qual o Brasil exporta seus produtos para diversos países devido à demanda e oferta existente nessa atividade é necessário ter disponibilidade do produto. 12 • Oferta de armazenagem – buscando suprir a demanda gerada pelo mercado internacional, surgiu a oferta de armazenagem, local destinado a armazenar tudo aquilo que foi produzido, até o momento do seu transporte. • Oferta de tecnologia – com as atividades internacionais, surgiu a oferta de tecnologia, como uma necessidade vinculada à atividade de exportar mercadorias. Um fator decisivo é a integração da cadeia de abastecimento, que demanda um fluxo de informações que precisa de sistemas que possam interligar os elos dessa cadeia. 4.2 Demanda Para Robles e Nobre (2016), as variações, as incertezas e os riscos gerados no ambiente econômico demandam uma gestão estratégica em que as organizações precisam trabalhar com métodos que possam auxiliar em sua previsão das necessidades do mercado em que atuam. Nesse contexto, é relevante compreender que a demanda, assim como a oferta, é uma lei do mercado econômico relacionada à quantidade de produtos que um consumidor deseja comprar. Porém, a decisão de como e quando comprar envolve questões que precisam ser analisadas: • Mercado – ao atuar em diferentes ambientes, em que as relações são estabelecidas com países diversos, é relevante observar o mercado em que irá atuar, percebendo diversos fatores econômicos, como as possíveis crises financeiras. • Sazonalidade – a sazonalidade é um evento que ocorre em certas épocas do ano, podendo ser um evento que ocorre todos os dias, semanas, meses ou anos. • Estoques – a demanda ajuda as organizações no controle de seus estoques, em que as empresas podem analisar sua produção, de modo que consigam atender as necessidades do mercado em que atuam, sem produzir em excesso ou falta do produto. 4.3 Por que a China importa soja do Brasil para poupar seu solo? Para Tripoli e Prates (2016), as nações que atuam por meio de uma relação comercial em operações voltadas para exportação de produtos inevitavelmente irão atuar em atividades nas quais os produtos são importados. Isso ocorre devido às dificuldades encontradas em um país em produzir todos os itens necessários 13 para satisfazer as necessidades de sua população. Desse modo, são obrigados a importar mercadorias, desde insumos básicos para o setor industrial, passando por commodities, medicamentos e tecnologia. Pensando nessa necessidade de importar produtos, é possível visualizar a relação comercial entre China e Brasil, em que o Brasil é considerado um dos principais exportadores de soja para China. Em contrapartida, é importada uma grande quantidade de produtos manufaturados. Um ponto importante nessa relação é o volume de soja importado para os chineses; um fato intrigante,porém de simples explicação. O Brasil é uma região com um vasto potencial agrícola; porém, o território chinês, embora seja vasto, não possui em toda sua extensão terras adequadas para agricultura. Assim, adotaram como estratégia o sistema de importação de commodities como a soja brasileira, que utilizam como ração. Desse modo, conseguem preservar seu solo para o plantio de outros produtos que requerem uma menor extensão de terra. Considerado esse relacionamento entre os dois países, é importante destacar três fatores relevantes que proporcionaram essa relação: integração dos mercados; crescimento populacional; e a exportação como uma estratégia de competitividade. TEMA 5 – EXEMPLOS DE SUCESSO NO USO DA GESTÃO LOGÍSTICA GLOBAL As organizações adotam um conjunto de estratégias buscando melhorar sua tomada de decisão, de modo que possam alcançar o sucesso em suas operações, seja na importação ou exportação, ocorrendo em um cenário global. Seguindo essa linha de raciocínio, é preciso compreender alguns fatores que auxiliam as organizações globais em suas atividades. Nesse cenário econômico globalizado e dinâmico em que ocorrem as relações comerciais, é preciso analisar: gestão da logística em um ambiente globalizado; vantagens geradas pela gestão da logística em operações globais; e sucesso organizacional com o uso da gestão logística global. 5.1 Gestão da logística em um ambiente globalizado A gestão logística em um ambiente globalizado ocorre em um ritmo mais dinâmico, em que alguns processos são similares aos aplicados no ambiente interno e outros procedimentos são considerados mais específicos. Contudo, a 14 integração dos processos logísticos busca otimizar as operações internacionais. Nesse contexto, é preciso avaliar algumas questões: • Tipos de demanda – ao atuar em um cenário competitivo como o mercado internacional, é preciso avaliar as necessidades dos consumidores; é preciso saber em que mercado atuar e quais produtos serão aceitos. Assim, é necessário considerar a demanda indesejada, que envolve o comércio de produtos que prejudicam a saúde (cigarros e bebidas alcoólicas); demanda plena, que envolve os produtos essenciais (arroz e feijão); e demanda excessiva. • Qualidade do serviço exigido pelo cliente – as atividades realizadas no comércio internacional passam por um procedimento em que o nível de qualidade exigido pelo importador é normatizado por órgãos de certificação como a série ISO, voltadas para a qualidade. • Legislações em atividades internacionais – em um ambiente internacional, é preciso considerar as diferenças que existem entre os diversos países, em que cada um possui sua própria legislação e é preciso observar o idioma usado nas negociações, bem como os canais de comunicação. • Custos – o custo das atividades logísticas em uma rede integrada é uma das questões importantes para uma empresa, pois um dos objetivos da gestão integrada é a redução dos custos. 5.2 Vantagens geradas pela gestão da logística em operações globais Considerando as diferenças que existem entre a logística realizada em um ambiente doméstico e as operações em um nível global, é preciso pensar que o seu conceito vai além do simples transporte de mercadorias, envolvendo problemas complexos que se iniciam na produção de um produto e vão até a entrega em seu destino, requerendo planejamento (Robles; Nobre, 2016). A gestão da logística em operações globais, embora complexa, tem gerado importantes vantagens para organizações que atuam nesse ambiente internacional, sendo possível perceber: • Aumento da produção – com a possibilidade de atuar em novos mercados, o volume de produção aumenta devido à nova demanda gerada pelas atividades voltadas para o comércio internacional. 15 • Agregação de valor ao produto – considerando as diversas estratégias aplicadas no planejamento e desenvolvimento das operações logísticas, a gestão busca agregar valor ao produto, reduzindo custos com produção, transporte e seguros. • Competitividade – com a gestão nas operações logísticas que ocorrem em um nível global, a competitividade é um fator relevante, bem como o bom gerenciamento dos procedimentos necessários para realizar essa operação. A gestão dos processos logísticos envolve uma sequência de procedimentos e atividades, envolvendo o fornecimento de matéria-prima para empresa, ciclo produtivo, estoques, armazenagem, fluxo de caixa, modais de transporte, tributos e desembaraços aduaneiros, encerrando com a entrega da mercadoria em seu destino. 5.3 Sucesso organizacional com o uso da gestão logística global A gestão é uma área organizacional voltada para a administração, em que se busca, por meio de ferramentas e mecanismos tecnológicos, administrar uma organização de modo que suas metas possam ser atingidas, alcançando eficiência em sua função administrativa. Já os processos logísticos são um conjunto de ações envolvendo estratégias e planejamento ligados não somente ao transporte, mas a vários procedimentos, como a relação com fornecedores, questões fiscais, estoques e armazenagem. Vários processos que irão culminar na entrega do pedido. Porém, o maior desafio para o sucesso organizacional é a integração desses dois conceitos aplicados em uma logística global. Essa junção, em que ocorre a gestão global da logística, foi possível devido ao uso de sistemas aplicados aos diversos processos, gerando uma maior integração das atividades desenvolvidas em uma cadeia de abastecimento: • Sistema de Gestão Armazéns (WMS) – o sistema de gestão de armazéns, ou Warehouse Management System, tem foco na gestão de armazéns. • Sistemas de Localização (GPS) – esse sistema auxilia a organização na localização, tanto da mercadoria quando da sua frota. • Sistema de Gestão Empresarial (ERP) – na língua inglesa, é conhecido como Enterprise Resource Planning, ou Sistema de Gestão Empresarial. 16 Esses são alguns dos mecanismos tecnológicos que possibilitam a integração dos processos de gestão da logística em um ambiente global, proporcionando para a organização segurança em suas atividades, pois atua com foco na redução do consumo de matéria-prima, no custo envolvido nos diversos processos e no tempo das atividades em que o produto é produzido. FINALIZANDO Após analisar o conteúdo disponibilizado, é possível evidenciar a importância da gestão nos processos logísticos, buscando integrar a cadeia de abastecimento, no qual reduz as incertezas e os riscos das operações globais, proporcionando redução de custos e maior competividade para organizações que atuam no mercado internacional. 17 REFERÊNCIAS MINERVINI, N. Ferramentas para atuar com sucesso no mercado internacional. 5.ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. ROBLES, L. T.; NOBRE, M. Logística internacional: uma abordagem para integração de negócios. Curitiba: Intersaberes,2016. TRIPOLI, A. C. K.; PRATES, R. C. Comércio internacional: teoria e prática. Curitiba: Intersaberes, 2016.