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Globalização da gestão logística 
internacional
Paulo Roberto Bertaglia
Introdução
O termo globalização vem sendo utilizado desde a década de 1960, 
porém atingiu enorme repercussão a partir dos anos 1980. A Organização 
das Nações Unidas define globalização como sendo a redução ou eliminação 
das barreiras entre as fronteiras com a finalidade de facilitar o fluxo de pro-
dutos, capital, serviços e mão de obra.
Thomas Friedman avaliou o impacto da globalização em seu livro O Mundo 
é Plano, e argumenta que o comércio globalizado, terceirização, cadeia de 
abastecimento e as forças políticas têm modificado o mundo de forma per-
manente, tanto para o bem como para o mal. Descreve ainda que o ritmo da 
globalização tem aumentado e continuará a ter um impacto crescente nos 
negócios e no comportamento das organizações.
O ser humano, independentemente de raça ou nação, tem se aproxima-
do muito através dos séculos, porém recentemente esse processo tem au-
mentado significativamente. A evolução no campo da comunicação e dos 
transportes – que tornou os serviços telefônicos mais acessíveis e dissemi-
nados, disponibilidade de correio eletrônico e internet, acesso mais barato 
a computadores, aviões a jato, grandes navios – aliada às ideias de merca-
do livre, tem possibilitado aos produtos, serviços e capital uma capacidade 
de mobilização e interdependência global nunca antes vista. Os países mais 
ricos buscam abrir os mercados mundiais para os seus produtos enquanto se 
utilizam de mão de obra mais barata obtida nos países mais pobres. Grandes 
corporações multinacionais produzem seus bens em vários países e vendem 
a seus clientes e consumidores em todas as partes do mundo. 
Juntamente com produtos e serviços, as ideias e as culturas se misturam 
e circulam mais livremente entre as nações. Dessa maneira, economias, leis, 
regras e movimentos sociais se tornam mais globais e se formam no âmbito 
internacional. Muitas organizações transnacionais são mais ricas e podero-
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Globalização da gestão logística internacional
sas que estados e mesmo países. Através de aquisições e fusões, as grandes 
empresas têm crescido rapidamente e se vê uma consolidação importante 
no mundo dos negócios. 
Por outro lado, no Brasil se vê um movimento importante de “multinacio-
nalização”, em que poderosas empresas adquirem concorrentes no exterior 
para expandir e proteger sua hegemonia, como é o caso de indústrias, prin-
cipalmente, nos segmentos de mineração, alimentos e construção, causando 
um impacto extremamente positivo nos investidores internacionais.
No campo logístico, as organizações enfrentam desafios importantes para 
movimentar produtos e serviços entre as nações, fazendo enormes esforços 
para vencer barreiras tarifárias, culturais, sociais, entre outras.
Acordos internacionais
Conceitualmente, os neoliberalistas argumentam que o comércio inter-
nacional é um fator fundamental para que os países pobres se desenvolvam 
e possam fazer parte da cadeia econômica globalizada. Esse ideal, quase 
sempre disseminado pelos governos notadamente mais ricos tem gerado 
uma quantidade de acordos de comércio exterior, onde alguns têm alcança-
do êxito e outros nem tanto. Esses acordos multilaterais, bilaterais e regionais 
afetam fortemente as pessoas em todas as camadas da economia, desde agri-
cultores a trabalhadores na indústria, fabricantes e consumidores, através de 
regulagem de preços, tarifas, métodos de produção e níveis de exportação.
As características dos tratados internacionais têm implicações estraté-
gicas e afetam profundamente a forma de as empresas fazerem negócios 
entre os países, criando oportunidades e desafios para a cadeia logísti-
ca. Tomando como exemplo o bloco econômico entre os EUA, Canadá e 
México – Nafta (North American Free Trade Agreement) – com mais de 350 
milhões de potenciais consumidores. Esse acordo permitiu que ocorresse 
pela primeira vez uma gestão integrada e racional da logística envolvendo 
os países em questão.
De acordo com Issac (2005), o bloco Nafta não causou uma ruptura no 
comércio, a não ser a preferência de algumas indústrias americanas pela ter-
ceirização de sua produção para o México. Embora ocorra essa afirmação, 
muitos americanos discordam das regras, pois reduzem a quantidade de em-
prego em seu país. 
Globalização da gestão logística internacional
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Mercosul
De acordo com Sabriá, eminente catedrático e estudioso das caracterís-
ticas econômicas da América Latina, principalmente o cone sul, o Mercosul 
ainda está muito distante da criação de uma proposta plausível para a infra-
estrutura logística. Comparado com a União Europeia, existem grandes dife-
renças nos termos regulatórios, operações alfandegárias e a infraestrutura de 
transporte. De acordo com os executivos, principalmente de multinacionais, 
suas empresas têm estrategicamente investido na integração regional para 
resolver problemas de produção, buscando especializar as plantas enquanto 
a estratégia de distribuição é olhada em contexto totalmente separado, o que 
leva a região a ter um mercado comum muito mais voltado para a fabricação 
do que propriamente para a distribuição e comercialização desses produtos.
Aparentemente, a geografia traz enorme complexidade para adotar polí-
ticas de distribuição e estratégias regionalizadas de marketing. As distâncias 
são grandes e há uma concentração muito grande de mercado. Por outro 
lado, a infraestrutura logística é ineficiente e também dificulta qualquer 
estratégia nesse sentido. Problemas com as operações alfandegárias, com 
excesso de restrições e burocracias atrapalham bastante as iniciativas de 
comércio exterior na região. Os altos custos logísticos provenientes de uma 
malha de transportes problemática e ineficiente são outro fator que obstrui 
qualquer iniciativa de estratégia regionalizada no contexto da distribuição, 
encarecendo demasiadamente o frete.
As péssimas condições de infraestrutura logística mencionadas são pro-
blemas intrínsecos a cada um dos países membros do Mercosul. Dessa ma-
neira, os mesmos se voltam para solucionar os seus problemas internos con-
centrando investimentos em portos, rodovias e malha ferroviária. No Brasil, 
por exemplo, a malha ferroviária permanece basicamente com os mesmos 
30 000km de trilhos que existiam nos idos do ano 1900. Há uma concentra-
ção muito alta da movimentação através do transporte rodoviário. Mais de 
60% dos produtos transportados trafegam através das rodovias, obrigando a 
investimentos imediatos e gerando impactos nas grandes capitais com con-
gestionamentos monstruosos.
O que se tem fortemente presenciado na região é a vinda de operado-
res logísticos internacionais que se juntam a operadores locais e contribuem 
principalmente com conhecimento e expertise. 
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Globalização da gestão logística internacional
Nesse contexto, na região do Mercosul, formado por Brasil, Argentina, 
Uruguai e Paraguai, há uma oportunidade significativa a ser explorada no 
segmento logístico em busca da regionalização. Se atualmente, as estraté-
gias de distribuição não têm sido praticadas de acordo com o requerido, 
obrigatoriamente deverão ser nos próximos anos e isto abre uma necessida-
de importante na preparação e qualificação de profissionais.
Efeitos da globalização
Os efeitos da globalização são inúmeros e podem ser positivos e negati-
vos, dependendo das circunstâncias. 
Econômico
Tratados e acordos de mercado livre têm sido utilizados para a troca de 
bens e capital. É importante, contudo, entender que crises num mundo 
global acabam atingindo grande parte dos países. Uma vez que há uma forte 
conexão e relacionamento entre eles, qualquer colapso pode ser sentido e 
espalhado por todo o ecossistema.
Industrial
Muitos novos mercados estão emergindo, principalmente o BRIC, forma-
do por Brasil, Rússia, Índia e China. Esses países emergentes possuem uma 
capacidade importante para produzir devido à disponibilidade de mão de 
obra e riquezas naturais. Investimentosde todas as partes do globo e princi-
palmente da Europa e dos EUA são direcionados para esses países na certeza 
de um retorno financeiro.
Ecológico
A conscientização sobre uma melhor qualidade de vida e preocupações 
com o futuro ambiental do planeta têm levado indivíduos, governantes e cor-
porações a se unirem em busca de uma solução. Cooperação internacional, 
visando enfrentar os desafios que se avizinham, como mudança climática, 
poluição do ar e das águas tem estado na pauta principalmente dos gover-
nantes. Organizações, através de conceitos e iniciativas de responsabilidade 
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ambiental também demonstram suas preocupações em como solucionar os 
problemas de resíduos e produtos inutilizados. A logística reversa tem sido 
explorada nesse sentido, e muitas empresas já vislumbram inclusive auferir 
lucros dessa iniciativa.
Competitivo
A globalização força as organizações a competir em uma escala global, e 
a sobrevivência dos negócios nesse mundo globalizado obriga as empresas 
a concentrarem seus esforços em produtividade e eficiência para melhor res-
ponder aos requerimentos de seus clientes e consumidores, não importan-
do o lugar geográfico em que se encontrem.
Cultural
A cultura corresponde aos padrões da atividade humana de um país ou 
região e está relacionada às crenças, hábitos de vestir e de comer, esporte 
favorito de uma nação, entre outras características. “Quando culturas rece-
bem influências externas, elas ignoram algumas dessas influências e adotam 
outras, e então imediatamente começa a transformá-las.”, enfatiza Zwingle 
em artigo escrito na National Geographic. A globalização tem unido cultu-
ras de vários países e se transformado em algo diferente. A influência das 
músicas e dos filmes americanos no mundo e, especialmente no Brasil, a 
comida japonesa ou italiana são exemplos de interferências culturais devido 
ao mundo globalizado. A tecnologia, através da internet, está associada à 
quebra da barreira cultural, pois permite interações com diferentes pessoas 
de diferentes países, idiomas e culturas. Considerando que aproximadamen-
te 50% do tráfego da internet é efetuado através do inglês escrito e falado se 
pode perceber a influência que esse idioma exerce, forçando que cada vez 
mais as pessoas aprimorem os seus conhecimentos.
Tecnológico
Os efeitos em tecnologia provenientes da globalização são inúmeros, uma 
vez que aumentou significativamente o fluxo de informação entre os países. 
Uma infraestrutura global com utilização de fibras óticas transoceânicas, satéli-
tes e telefones celulares permite uma comunicação global independentemente 
de geografia e com custos muito inferiores àqueles praticados no passado.
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Globalização da gestão logística internacional
O advento da internet proporcionou uma troca de informações e acesso 
a qualquer ponto do planeta, possibilitando relacionamentos em diferen-
tes níveis sejam eles individuais ou corporativos. Redes de relacionamento, 
como Facebook, Orkut e Linkedin têm permitido que pessoas se relacionem 
e se conheçam através de uma rede global.
Globalização da cadeia de abastecimento
As organizações têm experimentado desafios significativos em função da 
globalização e muitos tem sido os fatores que as levam a implantar suas es-
tratégias referentes às operações no âmbito global. 
Não restam dúvidas de que as decisões estratégicas sobre quais merca-
dos investir, que produtos vender e estrutura de preços irão estabelecer o 
êxito ou fracasso das organizações na competição por um espaço no mundo 
globalizado. A definição e a execução das estratégias da cadeia de abasteci-
mento priorizando a orientação aos aspectos corporativos irão maximizar o 
retorno no investimento.
Desta forma entende-se claramente que a globalização afeta fortemente 
a cadeia de abastecimento e nenhuma empresa é competitiva se não depo-
sitar especial atenção no desenvolvimento de suas estratégias voltadas para 
o Supply Chain.
Crescimento da demanda
A demanda crescente nos novos mercados e a melhora de vida nos 
países em desenvolvimento, como Brasil e China, possibilitam que empre-
sas passem a acreditar nas oportunidades a serem geradas pelos mesmos e 
façam investimentos importantes, tanto no contexto de exportação como 
na construção de suas fábricas.
Adicionalmente com o crescimento da demanda nestes locais, eventual-
mente materiais podem não ser supridos internamente conforme necessá-
rio, forçando as empresas a buscar alternativas independentemente de ge-
ografia. Com o rompimento de barreiras culturais, alguns mercados aceitam 
os mesmos produtos, permitindo que produtos iguais ou similares possam 
ser vendidos praticamente em todos os países.
Globalização da gestão logística internacional
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A tecnologia da informação tem desempenhado um papel importante na 
conscientização de clientes e consumidores que através de televisão e inter-
net podem acessar e conhecer diferentes produtos em todo o mundo.
Custos
As organizações avaliam frequentemente as diferenças de custos entre os 
países e movem suas operações para aquele onde o contexto local, principal-
mente de mão de obra, propicia a fabricação por um custo mais competitivo. 
Contudo, não é apenas o fator custo que deve ser levado em consideração, 
principalmente na produção de produtos que exijam uma melhor qualifi-
cação profissional. Dessa maneira, muitas empresas possuem operações 
em diversas partes do mundo, como por exemplo, plantas na China e ou no 
Brasil, serviços na Índia ou no oeste europeu, pesquisa e desenvolvimento na 
Europa ou Canadá. 
Terceirização
Com a globalização, os componentes logísticos, principalmente o trans-
porte entre países, tem sofrido importante evolução. Os contêineres são 
exemplos, pois tornaram o transporte mais rápido e barato. Com isso, a pre-
ocupação passa a ser a concentração na eficiência da organização e foco na-
quilo que a empresa sabe fazer melhor. Sua competência, enfim. Surge então 
uma tendência no mercado que é terceirizar os serviços, entregando-os para 
empresas especializadas. Na área logística tem sido muito comum a utilização 
de operadores logísticos para armazenar, movimentar e distribuir produtos.
Riscos da terceirização na cadeia global
Alguns fatores da globalização contribuíram para uma corrida generali-
zada em busca de melhores geografias para produzir bens e serviços. A pro-
messa de melhores margens e retorno rápido no investimento fez com que 
fabricantes e prestadores de serviços se movimentassem para diferentes re-
giões do globo incluindo China, América Latina, partes da Europa e Índia.
Notadamente, a cadeia de abastecimento tem um número significativo 
de riscos que precisam ser analisados para evitar impactos negativos nos re-
sultados. Os riscos podem ser considerados dentro dos seguintes tópicos:
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Globalização da gestão logística internacional
Riscos financeiros �
A flutuação de moeda pode expor os custos e afetar a competitividade 
em preços ou situações de renegociação de contratos com fornecedores 
para o equilíbrio econômico.
Por outro lado, os custos de transporte podem aumentar em função de 
demanda, de infraestrutura ou variáveis às vezes nem conhecidas.
Um sistema computacional para finanças confiável e ágil deve ser consi-
derado para auxiliar a tomada de decisões.
Riscos de gestão �
Quanto maior é a cadeia de abastecimento, mais desafios existem para 
administrá-la de forma adequada, mesmo no contexto da terceirização. A 
coordenação torna-se mais complexa. A terceirização requer contatos pe-
riódicos e constantes com fornecedores e precisam ser efetuadas práticas 
de auditoria para certificar-se de que os produtos estão sendo elaborados 
na essência com componentes sob as especificações determinadas. As ope-
rações necessitam estar integradas aos negócios principais da empresa e a 
coordenação tem que ser muito bem orquestrada. Imaginar que uma fabri-
cação terceirizada resolve todos os problemas de administraçãopode trazer 
surpresas desagradáveis em todo o processo. Outro risco existente na gestão 
pode decorrer da comunicação entre as partes e mesmo no entendimento 
do escopo do contrato e suas cláusulas.
Riscos de abastecimento �
Os riscos de suprir no escopo global são similares àqueles efetuados lo-
calmente, entretanto devido a fatores importantes como distância, cultura e 
até idioma as dificuldades para solucioná-los tornam-se maiores. Exemplos 
podem estar conectados com especificações de produtos levando a proble-
mas de qualidade.
A flexibilidade pode ser afetada devido a cláusulas contratuais que obri-
gam a uma quantidade mínima de produção e fornecimento. Portanto, em 
caso de oscilação de demanda em um processo de terceirização a empresa 
pode estar amarrada a fatores que venham a provocar uma redução nas mar-
gens em função do aumento de capital.
A análise de riscos é fundamental na cadeia de abastecimento no contex-
to da terceirização. Claramente, esse processo se inicia na decisão estratégi-
Globalização da gestão logística internacional
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ca de comprar e não produzir internamente, passando pelos critérios de es-
colha do parceiro. Os riscos precisam ser entendidos nos diferentes estágios 
para que contingências sejam consideradas em caso de falhas.
Outro risco importante a ser mencionado é o risco político. Muitos países 
apresentam oscilações nas políticas governamentais levando muitas vezes a 
modificações que afetam investimentos e formas de fazer negócios. Sendo 
assim, é importante avaliar a condição política do país em que se está tercei-
rizando. Problemas com mão de obra, greves, criação de regras e impostos 
podem afetar os planos e inviabilizar o negócio.
Fluxo de materiais
A logística é definida como sendo a movimentação de materiais e pro-
dutos. Esse fluxo normalmente corresponde ao transporte entre fornece-
dores para a produção e da produção para o cliente, com armazenamentos 
intermediários.
Nos dias atuais, o significado se amplia e passa a incluir também o fluxo 
reverso de materiais caracaterizado pela devolução de produtos e embala-
gens. Esse conceito ampliado da logística enfatiza a necessidade que as em-
presas têm de incluí-la no contexto da estratégia global de seus negócios.
Estratégia
A abordagem da estratégia global de fabricação tem impacto direto na 
forma de se administrar a logística ou a cadeia de abastecimento. As deci-
sões a serem tomadas devem estar relacionadas aos aspectos relacionados 
ao transporte e movimentação na rede interna da organização, como fluxo 
de produtos intermediários, ingredientes e componentes, que precisam 
transitar entre as subsidiárias e aos aspectos vinculados à movimentação de 
produtos para os clientes e consumidores finais.
Aquelas empresas que adotam estratégias focadas em centros de fabri-
cação concentrados em alguns países, terá o gerenciamento da cadeia no 
seu contexto logístico mais voltado à distribuição dos produtos uma vez que 
a produção está localizada em alguns mercados. A dispersão geográfica é 
atendida através de exportação de produtos para mercados onde não exis-
tem os centros produtivos. Nesse caso a logística pode se tornar bastante 
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Globalização da gestão logística internacional
complexa. Um caso bastante conhecido é a multinacional Bunge Alimentos, 
que atua no segmento de agronegócio. O centro produtivo fica localizado no 
Brasil, atendendo o mercado doméstico, mas ao mesmo tempo exporta para 
Europa e distribui os produtos para os clientes baseados em vários países da-
quele continente. É uma estratégia importante, pois aproveita os elementos 
básicos naturais e fatores de competitividade de um país emergente para 
suprir as necessidades de outros países. Essa característica de negócio exige 
um foco, coordenação e uma priorização importante da logística, pois este 
passa a ser um processo ainda mais fundamental afetando enormemente a 
satisfação dos clientes e os custos finais.
Contudo, a adoção da estratégia deve ser muito bem avaliada, pois fato-
res importantes como barreiras alfandegárias, altos custos de transportes, 
infraestrutura de transporte, documentações podem inviabilizar a iniciativa, 
ainda que a existência dos blocos econômicos de certa maneira tenha con-
tribuído para minimizar alguns dos problemas e permitido que as compa-
nhias tenham efetivamente um comportamento global.
Gestão da cadeia logística global
A gestão da logística no seu escopo doméstico já é um desafio importan-
te para as organizações. Logicamente, a complexidade aumenta a partir do 
momento que a estratégia está direcionada para operações globais, onde 
os problemas equivalentes se tornam ainda mais intensos. Embora sejam 
muitos os problemas, as empresas têm buscado técnicas para reduzir os 
prazos na cadeia e torná-la mais eficiente. Essas técnicas mais exploradas nos 
dias atuais vêm sendo utilizadas com êxito já há algum tempo e entre elas 
pode-se incluir:
desenvolver parcerias estratégicas com fornecedores de materiais e �
componentes estratégicos no âmbito local;
identificar empresas logísticas e desenvolver alianças confiáveis para a �
movimentação de materiais e produtos;
utilizar a tecnologia da informação como elemento viabilizador e que �
permita administrar e rastrear os despachos de produtos e materiais.
Globalização da gestão logística internacional
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Aquisições
A consolidação de empresas através de fusões e aquisições é outro fator 
preponderante e resultante da globalização. Indústrias no segmento farma-
cêutico, automotivo, alimentos, tecnológicos, cosméticos, telecomunicações 
têm se consolidado e transformado suas cadeias de abastecimento em ope-
rações globais com proporções gigantescas.
Essa consolidação tem acontecido devido a uma série de circunstâncias e 
essas razões podem variar de empresa para empresa de acordo com a estra-
tégia adotada. Porém, entre essas razões, pode-se enumerar as seguintes:
expansão em mercados com presença limitada; �
bloqueio de ações de concorrentes; �
uso do poder da marca existente em outras regiões geográficas; �
economia de escala; �
redes de distribuição; �
aumento na participação de mercado. �
Todas essas características levam a uma integração e coordenação de 
atividades e trazem desafios à cadeia de abastecimento. Esses desafios se 
tornam ainda maiores quando a estratégia passa por consolidação e racio-
nalização de fábricas e centros de distribuição.
Parcerias internacionais
Como administrar a cadeia de abastecimento no contexto das parcerias 
internacionais? Que processos e indicadores devem ser analisados com a fi-
nalidade de avaliar os resultados da iniciativa?
Muitas empresas se baseiam e confiam na parceria efetiva, através de 
uma administração efetiva, comunicação efetiva e melhoria contínua. E isso 
é correto.
A cadeia de abastecimento pode ser vista como uma composição de ele-
mentos que envolvem pessoas, estrutura organizacional, atividades e dados 
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Globalização da gestão logística internacional
ou informações. Cada um desses elementos deve estar inter-relacionado, 
formando, dessa maneira, os padrões de comunicação, poder, influência, va-
lores e regras que são as características da cadeia de abastecimento.
É importante destacar que, com todo o processo de fusão e aquisição, a 
internacionalização passa pelo processo de escolha dos parceiros. Portanto, 
fornecedores de componentes para as empresas que produzem ou montam 
produtos finais, estão também preocupados em fazer parte da cadeia e assim 
as estratégias de fusão e compra de concorrentes para aumentar a compe-
titividade está bastante presente na camada de fornecimento. Os fornece-
dores têm assumido um papel importante na adição de valor aos clientes, 
seja pela presença global, seja pela característica da inovação ou até mesmo 
na diluição de capital ao longo da cadeia. Antes este capital se concentrava 
na organização que possuía o produto final. Com técnicas de colaboração e 
utilização de alianças estratégicasde certa forma esta concentração passou 
a ser dividida com os fornecedores. A Dell, uma das maiores empresas de 
tecnologia do mundo, adotou esta prática com resultados bastante positivos 
no contexto da oferta, da flexibilidade e do preço final do produto, principal-
mente computadores pessoais.
As nações emergentes
O termo “nações emergentes” ou” mercados emergentes” é fundamental-
mente utilizado para descrever as atividades industriais, econômicas e so-
ciais em países que estão em franca ascensão no aspecto da industrialização 
e crescimento. No mundo, em torno de vinte países são considerados como 
que inseridos no contexto, onde sobressaem a Índia e a China. Teoricamen-
te estes países encontram-se em uma transição entre o que se denomina 
desenvolvidos e em desenvolvimento. Outros exemplos de países seriam: 
Brasil, Rússia, México e Argentina,
Recentemente novos termos têm surgido como BRIC para Brasil, Rússia, 
Índia e China com promessas de crescimento rápido e índices significativos 
de industrialização. 
Globalização da gestão logística internacional
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Ampliando seus conhecimentos
As 10 maiores tendências da cadeia 
de abastecimento no contexto da globalização
 (GEISSBAUER, 2008. Adaptado.)
Em uma pesquisa realizada pela PRTM, organização americana voltada 
para Supply Chain Management, envolvendo mais de 300 empresas dos mais 
variados segmentos e localizadas em diferentes geografias do globo, foi pos-
sível resumir as 10 maiores tendências da cadeia de abastecimento no con-
texto da globalização. Os resultados são mostrados a seguir.
1. Mudança do foco 
 A globalização acelerada tem obrigado as empresas a efetuar grandes 
mudanças na área de Supply Chain, além de apresentar novos desafios para 
efetivamente gerenciar o desempenho da cadeia de abastecimento. Anterior-
mente, as iniciativas da globalização se concentravam basicamente na fabri-
cação e na montagem dos produtos. Exemplo característico são as diversas 
fases da produção de um veículo que pode iniciar sua produção em deter-
minado lugar do mundo e posteriormente mover todas as partes para que o 
mesmo seja montado num específico país ou região. Contudo, atualmente o 
foco dessas iniciativas passa a ser o desenvolvimento de produto e também 
de tecnologia. Com o advento da tecnologia produtos podem ser desenvolvi-
dos através de colaboração e interação com fornecedores em qualquer parte 
do mundo. Na parte de tecnologia, por exemplo, sistemas podem ser desen-
volvidos na Índia ou no Brasil para serem utilizados nos EUA. 
2. Ênfase no crescimento
A pressão por redução de custo continua sendo a principal razão para a 
aceleração da globalização. Ressalte-se, contudo, que em paralelo o acesso ao 
mercado local tem sido uma prioridade para muitas empresas. 
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Globalização da gestão logística internacional
3. Maior atenção na economia projetada x real
Apesar de uma redução média dos custos próxima de 20% devido às ini-
ciativas de globalização, muitas empresas se debatem para entender essas 
economias em sua linha de custos. A falta de habilidade para administrar os 
processos internos assim como os parceiros externos tem sido a razão princi-
pal para as diferenças entre aquilo que é projetado e realmente conseguido.
4. Análise das fortalezas geográficas
Ainda que a China e a Índia sigam sendo o destino dos esforços e investi-
mentos de globalização, outras áreas geográficas despontam devido à com-
posição de capacitação interna e custos competitivos como é o caso do leste 
e oeste europeus e também do Brasil.
5. Mitigação de risco
Segurança e qualidade de produto, bem como a capacidade de resposta 
da cadeia de abastecimento têm sido as maiores preocupações das organiza-
ções, que estão expandindo a sua cadeia de forma global. As empresas estão 
buscando reduzir esses riscos através do aumento de visitas e auditorias locais 
e intensificação nos treinamentos de fornecedores.
6. Eliminando barreiras
Duas das grandes barreiras para a globalização são a falta de flexibilidade 
da cadeia de abastecimento e reduzida competência interna para administrar 
os parceiros. Maior visibilidade e gerenciamento da cadeia de abastecimento 
podem ajudar na superação desses obstáculos.
7. Sustentabilidade ambiental
A preocupação com o meio ambiente vem se tornando cada vez mais 
intensa. Ainda que não seja um agente primário para orientar a cadeia de 
Globalização da gestão logística internacional
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abastecimento e suas estratégias, irá se tornar cada vez mais importante 
no futuro.
8. Determinando maturidade 
da cadeia de abastecimento
A medição da maturidade da cadeia de abastecimento, que determina o 
quanto uma organização aplica as melhores práticas no contexto estratégico, 
organizacional, colaboração com parceiros e gestão de desempenho à admi-
nistração da cadeia difere para as várias indústrias e geografias.
9. Necessidade de maior flexibilidade
A globalização demanda maior flexibilidade da cadeia de abastecimento. 
Esse fator, aliado aos serviços ao cliente e qualidade de produto, é a maior 
razão para incrementar e melhorar as estratégias do Supply Chain. 
10. Estabelecendo as prioridades
Os executivos têm uma agenda importante e compartilham das mesmas 
prioridades, que seria o aumento na flexibilidade da cadeia de abastecimen-
to, melhoria no desempenho de entrega e resposta ao cliente e aceleração da 
globalização da cadeia de abastecimento.
Atividades de aplicação 
1. Qual a definição dada pela ONU para a globalização?
2. Quais são os fatores que afetam o êxito do Mercosul?
3. Cite os principais fatores que levam as empresas a se consolidar atra-
vés de aquisições e fusões.
4. Quais são os principais riscos da terceirização?

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