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Histórico dos problemas ambientais Profª. Juliana Velloso Durão Descrição O histórico dos problemas ambientais, a relação da atividade humana, do modelo de sociedade e do desenvolvimento predominante e os consequentes problemas ambientais. Propósito Compreender a forma como a ação humana tem provocado crescentes impactos e desafios ambientais é fundamental para o profissional de meio ambiente e sustentabilidade, que deve conhecer os principais problemas ambientais da atualidade e sua associação com o atual modelo de desenvolvimento para uma atuação profissional eficiente na área. Objetivos Módulo 1 Histórico da relação do homem com o meio ambiente Reconhecer o histórico de problemas ambientais enfrentados pela humanidade desde a industrialização. Módulo 2 Principais marcos ambientais Identificar os principais marcos ambientais. Módulo 3 Modelo de desenvolvimento e urbanização da sociedade Descrever o modelo de desenvolvimento atual como promotor de problemas ambientais. Módulo 4 As nove fronteiras planetárias Listar as nove fronteiras planetárias. É inevitável que o ser humano cause algum impacto ambiental como consequência de suas ações e escolhas. Entretanto, esses impactos se tornaram expressivos a partir da industrialização, mais especificamente, a partir do estabelecimento da sociedade de consumo, que segue a lógica produção-consumo-descarte. O modelo de desenvolvimento atual baseado em crescimento contínuo, cujo indicador de progresso é medido pelo produto interno bruto (PIB), só tem ampliado e agravado o histórico de problemas ambientais. Introdução 1 - Histórico da relação do homem com o meio ambiente Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer o histórico de problemas ambientais enfrentados pela humanidade desde a industrialização. O homem e o meio ambiente antes da Revolução Industrial Nós, humanos, somos moradia de outros seres vivos, nutrimo-nos de outros organismos e, quando morremos, os micro-organismos Diante disso, desde a metade do século XX, a humanidade vem enfrentando desafios ambientais cada vez mais complexos, tanto locais como globais. Com o passar do tempo, devido à falta de priorização dessas questões, tais desafios ganharam cada vez mais relevância e passaram a representar grande ameaça para a vida da Terra. Atualmente, a partir de muitos relatórios e estudos científicos, sabe-se que a humanidade enfrenta o maior desafio ambiental de todos os tempos: a questão climática. Além disso, sabe-se também que ultrapassamos a maioria das nove fronteiras planetárias, que são essenciais para a sobrevivência da espécie humana no planeta. A partir de agora, prepare-se para a reflexão sobre um assunto que envolve todos nós. reaproveitam a matéria orgânica que formava nossos corpos. A história humana diz respeito ao modo como a humanidade se relaciona entre si e com a natureza externa a ela, que chamamos de meio ambiente (ALBUQUERQUE, 2007). Ao longo do tempo, a humanidade vem se relacionando de diferentes maneiras com o meio ambiente. Desde a descoberta do fogo, da agricultura e da pecuária, a capacidade de transformar e alterar a natureza gradualmente se tornou cada vez mais expressiva. No início, os humanos mais se adaptavam ao meio do que tentavam alterá-lo; no entanto, em algum momento, começaram a alterá-lo para colocá-lo a seu serviço e, utilizando suas potencialidades, construíram diversas civilizações, dominaram o fogo, inventaram a roda, plantaram sementes escolhidas e domesticaram animais (ALBUQUERQUE, 2007, p. 27). Impactos ambientais ocorrem desde que o homem surgiu no planeta. Recursos naturais importantes, como madeira, por exemplo, já se tornaram elementos escassos para diferentes civilizações e em diferentes períodos, como na Grécia, no final do século V a.C. Os romanos, em período a.C., já reclamavam da poluição do ar, demonstrando a ocorrência de impactos ambientais a partir da ação humana em diferentes épocas e contextos. A grande questão, no entanto, é a magnitude e a escala do impacto do homem no meio ambiente. Nem sempre as interferências causadas pela humanidade geraram tantos problemas como estes com que nos deparamos hoje. Como tem sido a relação da humanidade com o meio ambiente desde a industrialização? A Revolução Industrial pode ser considerada um marco emblemático. A partir dela, mais precisamente do estabelecimento da sociedade de consumo, os impactos ambientais da raça humana sobre o meio ambiente se tornaram insustentáveis e destrutivos. Revolução Industrial: marco da relação do homem com o meio ambiente A Revolução Industrial é um símbolo relevante da mudança de trajetória da espécie humana no planeta, pois alteram-se os padrões de produção e consumo nos séculos XVIII e XIX, que começam a basear-se na exploração crescente de recursos naturais e do trabalho que se tornou predatória para obtenção de crescente capital e alterou significativamente as relações entre o homem e o meio ambiente. Saiba mais A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra em meados do século XVIII, institucionalizou o capitalismo industrial com novas formas de produção apoiadas no uso de máquinas, na produção em grande escala e no consumismo como alicerce da economia (LEAL et al., 2018). Quando as primeiras indústrias foram criadas, os problemas ambientais eram pouco expressivos, pois ainda não havia concentração populacional e a produção era de baixa escala. Não existiam exigências ambientais e o símbolo do progresso era a fumaça saindo de chaminés das fábricas sem nenhuma ou pouca associação à poluição que já era gerada. Ilustração de fábrica em pleno funcionamento, em 1860. O agravamento da situação começou com a Segunda Revolução Industrial, quando é estabelecida e consolidada a sociedade de consumo. Empresas passam a aumentar suas escalas produtivas e precisam escoar a produção. Os cidadãos se tornam consumidores, que precisam consumir de forma contínua e crescente. A Revolução Industrial é um importante marco histórico da epistemologia ambiental. Foi naquele momento em que as cidades ou a burguesia ganhavam forças perante o sistema feudal/absolutismo, que a noção de apropriação da natureza ganhava coro, tornando o grau de desenvolvimento e progresso de determinada sociedade totalmente vinculados à capacidade de dominação e emancipação do homem perante o meio. (NAVES; BERNARDES, 2014, p. 21) Com a industrialização e a sociedade moderna, foram criadas novas tecnologias e, com isso, a indústria começa a ganhar escala e produtividade. À medida que mais produtos são fabricados, mais recursos naturais são necessários, mais itens são consumidos e mais resíduos são gerados, ocasionando maior poluição do ar, do solo e da água. Assim, mais impactos ambientais são evidenciados e acirrados. Nesse momento, consolidou-se a ideia de que uma natureza intocável é um entrave ao desenvolvimento da economia dos países, bem como pensou-se que não é possível ter crescimento econômico sem a apropriação dos recursos naturais. É importante ressaltar a incoerência existente, pois os recursos naturais, apesar de abundantes, são finitos, em sua grande maioria. Ilustração demonstrando despejo de poluentes industriais. A consolidação da industrialização fez crescer a construção de fábricas, que se concentravam e geravam mais ambientes urbanos, tornando-se um espaço de grande circulação de recursos materiais e humanos, com geração exacerbada de resíduos, assim como grandes quantidades de poluentes lançados no ar, na água e no solo. Um marco na relação homem-meio ambiente: Antropoceno Antropoceno é um termo cunhado por Paul Crutzen, Prêmio Nobel de Química em 1995, e demonstra o momento que vivemos, no qual o humano (antropo) domina a atual era geológica (ceno). Paul Crutzen (1933-2021) Estamos na Era dos Humanos, com uma população de mais de sete bilhões de pessoas, que segue crescendo e dominando todas as outras espécies do planeta. Não existe atualmenteuma região na Terra que não seja afetada direta ou indiretamente pela espécie humana e isso é inédito. De acordo com Alves (2020), o Homo sapiens surgiu e se espalhou pelo mundo no Pleistoceno e apenas no Holoceno a civilização emergiu e a espécie humana se tornou onipresente no planeta. A população mundial era de cerca de 5 milhões de habitantes no princípio do período Holoceno, há 12 mil anos. O termo antropoceno foi criado com base na dimensão do impacto destruidor das atividades humanas sobre o ambiente, legitimando a época da dominação humana. O Antropoceno representa algo negativo, um período da história da Terra em que o ser humano se tornou a grande força por trás da degradação ambiental e o propulsor de ações que provavelmente levarão a catástrofes ecológicas. A destruição de florestas através das queimadas provocadas pelo homem. O Antropoceno simboliza uma expressiva mudança da relação do homem com o meio ambiente, na qual a humanidade se destaca das demais espécies animais por seu impacto crescente e negativo no planeta. O homem se converteu em uma força geológica, assemelhando-se a forças naturais, no que diz respeito ao impacto e à capacidade de modificar o planeta. Assumiu, portanto, papel de destaque na geologia e na ecologia. Considerando a perspectiva química, biológica e das ciências ambientais, vive-se hoje o momento em que o ser humano alterou e está alterando cada vez mais o equilíbrio do sistema terrestre. Comentário Sabemos que o homem tem modificado o planeta e, em alguns casos, de forma irreversível. Sabemos ainda que os conceitos do Holoceno não podem mais ser usados. Logo, o futuro da humanidade no planeta depende do estabelecimento de ações urgentes para otimizar a relação do homem com o meio ambiente. Pegada ecológica A pegada ecológica é uma metodologia criada por pesquisadores da instituição Global Footprint Network (GFN), em 1993, para mensurar os impactos do consumo humano sobre os recursos naturais. Ela fornece elementos para repensar nosso impacto e nossos hábitos de consumo, bem como estabelecer atitudes para adequá-los à capacidade ecológica do planeta. É uma metodologia de contabilidade ambiental que avalia a pressão do consumo da humanidade sobre os recursos naturais. Ela permite comparar diferentes padrões de consumo e verificar se são compatíveis com a capacidade ecológica da Terra. Permite também avaliar a demanda humana por recursos naturais renováveis com a capacidade regenerativa do planeta. A pegada ecológica equivale ao tamanho da área produtiva de terra e de mar necessária para gerar produtos, bens e serviços utilizados no cotidiano. É um meio de interpretar, em hectares (ha), a extensão territorial que uma pessoa ou uma sociedade utiliza, em média, para sustentar seu consumo. O cálculo é feito somando as áreas necessárias para fornecer os recursos naturais renováveis utilizados, com as que são ocupadas por infraestrutura, como cidades, por exemplo, e as áreas necessárias para a absorção de gases de efeito estufa — GEE (WWF, 2013). A pegada ecológica do Brasil é mensurada pela instituição ambiental WWF e, segundo a organização (WWF, 2013), estudos recentes acenderam um alerta vermelho ao demonstrar que o consumo exagerado e sem controle está extrapolando a capacidade ecológica do planeta. Desde a década de 1960, a demanda mundial por recursos naturais tem crescido de forma expressiva a cada ano e, a partir de 1966, dobrou. Atualmente, a humanidade demanda o equivalente a um planeta e meio para suprir o estilo de vida da sociedade. O cálculo da pegada ecológica envolve: A pegada ecológica brasileira é de 2,9 hectares globais por habitante, indicando que o consumo médio de recursos ecológicos pelo brasileiro é bem próximo da média mundial da pegada ecológica por habitante, de 2,7 hectares globais. Você sabe o que é biocapacidade? Carbono Áreas de cultivo Representa a capacidade dos ecossistemas em produzir materiais biológicos úteis e absorver os resíduos gerados. Assim como a pegada ecológica, a biocapacidade é expressa em uma unidade comum, o hectare global (gha). Dia da Sobrecarga Global Acompanhe agora a especialista Juliana Velloso Durão apresentando o conceito de Dia da Sobrecarga da Terra. Vamos lá! Após apresentarmos esses conceitos, temos uma pergunta para a sua reflexão: Qual é o tamanho da sua pegada ecológica? Você troca os aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos a cada modelo novo que surge no mercado e adora um importado? E como você se locomove pela cidade? Usa o carro para tudo? Ou utiliza mais o transporte público, a bicicleta? E na hora de se alimentar, o que você escolhe? Seus alimentos são produzidos perto de casa ou você consome apenas produtos industrializados e importados? Você come carne, frango ou peixe todo dia ou consome mais legumes e vegetais frescos? As perguntas acima parecem estranhas, mas as respostas a elas interferem na sua pegada ecológica. Embora não percebamos, todas as decisões que tomamos no nosso dia a dia geram impactos sobre o planeta. Nossa passagem pela Terra deixa marcas, ou pegadas, que podem ser maiores ou menores, só depende da escolha diária que fazemos como cidadãos e consumidores. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 1 - Vem que eu te explico! Você já ouviu falar do antropoceno? Módulo 1 - Vem que eu te explico! Você já mediu sua pegada ecológica? Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 A Revolução Industrial é considerada um marco na relação do homem com o meio ambiente, quando os impactos ambientais se tornam cada vez maiores e desafiadores. Indique a mudança provocada pela Revolução Industrial que agravou a relação entre o ser humano e o meio ambiente: A A Revolução Industrial diminuiu o consumo de recursos naturais e legitimou uma trajetória de crescimento contínuo na economia. A Revolução Industrial alterou os padrões de d ã b B produção e consumo, que começaram a basear-se em exploração crescente de recursos naturais e do trabalho, institucionalizando a busca por um crescimento econômico contínuo. C Com a Revolução Industrial, a sociedade passou a se desenvolver em termos socioeconômicos e a buscar alternativas para diminuir os impactos ambientais, que têm diminuído ao longo do tempo. D A Revolução Industrial trouxe avanços expressivos para a sociedade; com os aprimoramentos tecnológicos, promoveu o aumento expressivo do consumo e, consequentemente, da qualidade de vida da humanidade. E A Revolução Industrial alterou os padrões de consumo e produção que começaram a basear em consumo apenas de recursos renováveis, promovendo o crescimento econômico contínuo concomitante à diminuição das desigualdades. Parabéns! A alternativa B está correta. A Revolução Industrial promoveu a alteração dos padrões de produção e consumo da sociedade, que passaram a se basear em exploração crescente de recursos naturais e do trabalho. Além disso, a revolução preconiza a busca por um crescimento econômico contínuo pela sociedade. Questão 2 A pegada ecológica é uma metodologia que permite mensurar o impacto ambiental individual ou de uma sociedade ao longo de um período definido. Os componentes utilizados para o cálculo da pegada ecológica são A carbono, áreas de cultivo, pastagens, florestas, áreas construídas e estoques pesqueiros. B carbono, área industrial, agricultura, florestas, área desmatada e estoques pesqueiros. 2 - Principais marcos ambientais Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car os principais marcos ambientais. O livro Primavera silenciosa e sua C emissão de oxigênio, recursos hídricos, agricultura, área plantada, área desmatada e estoques agrícolas. D carbono, área urbana, área rural, transportes, agricultura, florestas, área desmatada e estoques pesqueiros. E carbono, área industrial,área rural, florestas, estoques alimentícios e estoques pesqueiros. Parabéns! A alternativa A está correta. A pegada ecológica é calculada com base em: carbono, áreas de cultivo, pastagens, florestas, áreas construídas e estoques pesqueiros. importância na questão ambiental Em 1962, a bióloga Rachel Louise Carson lançou o livro Primavera silenciosa e se tornou responsável pela maior revolução ecológica dos Estados Unidos e do mundo. Embora o título remeta a um romance ou a uma poesia, seu objetivo foi denunciar a presença duradoura de produtos químicos tóxicos na água e na terra, a presença de DDT(Dicloro-difenil-tricloroetano) até no leite materno, bem como sua ameaça a outras criaturas, especialmente pássaros canoros. Rachel Louise Carson (1907-1964) Carson documentou no livro a observação de quatro anos dos perigos do uso de pesticidas e herbicidas. Seu título era uma referência ao silêncio dos pássaros mortos pela contaminação dos agrotóxicos. Nunca um livro havia feito tanto barulho a favor do meio ambiente. Em seu primeiro capítulo, intitulado “Uma fábula para o amanhã”, descreve, de forma lírica, um lugar onde as árvores não davam folhas, os animais morriam, os rios contaminados não tinham peixes e, principalmente, os pássaros que cantavam na primavera haviam sumido. Você relaciona essa paisagem descrita na década de 1960 com o que vivenciamos hoje? O livro é considerado o ponto de partida que fez a sociedade olhar com mais atenção para os descasos ambientais. Ele divulgou de forma clara, em uma linguagem não científica, os problemas ambientais ocasionados pelo uso indiscriminado de pesticidas agrícolas e o processo de bioacumulação deles nos organismos. Agricultor utilizando pesticidas agrícolas. A partir da publicação do livro e ao longo dos 16 anos seguintes, Carson explicou e denunciou o perigo dos pesticidas para o mundo. Seu livro é emblemático na área ambiental e é um dos grandes marcos que demonstram o agravamento da relação do homem com o meio ambiente. Em 1972, o uso do DDT foi proibido nos Estados Unidos, e a revista Time incluiu a autora na lista das 100 pessoas mais influentes do século XX. Em 1992, um grupo de escritores americanos elegeram Primavera silenciosa como o livro mais influente dos últimos 50 anos naquele país e no mundo. Você sabia que os defensivos agrícolas mais utilizados no mundo são os herbicidas à base de glifosato? O glifosato foi descoberto pela Monsanto em 1970 e é o agrotóxico mais popular do Brasil. O defensivo é usado para eliminação de ervas daninhas na agricultura. O glifosato é um herbicida não seletivo, ou seja, mata a maioria dos vegetais. Por conta disso, seu uso na agricultura se popularizou associado a culturas geneticamente modificadas para resistir ao princípio ativo. Na União Europeia, desde 2015, há um amplo debate sobre a possibilidade de proibição do uso do glifosato, após um relatório da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) ter classificado a substância como "provável carcinógeno humano", ou seja, como possível agente causador de câncer. Na Europa, atualmente, a autorização do uso do glifosato vale até dezembro de 2022. A Áustria se tornou o primeiro país da região a banir o produto, em 2019, enquanto a Alemanha planeja prescindir do herbicida a partir de 2024. Glifosato A água brasileira pode ser considerada potável contendo até 500 microgramas de glifosato por litro, enquanto a água da União Europeia pode ter no máximo 0,1 micrograma de glifosato, o que demonstra que o limite brasileiro é 5 mil vezes maior do que o limite da União Europeia. (CARRANÇA, 2021.) A importância do livro Primavera silenciosa Neste vídeo, a especialista Juliana Velloso falará sobre a importância do livro Primavera silenciosa, de Rachel Carson, para a sensibilização acerca do impacto da ação humana no meio ambiente. Vamos lá! O relatório Limites do Crescimento Outro marco importante para demonstrar o agravamento dos problemas ambientais foi a divulgação do relatório do Clube de Roma denominado Limites do Crescimento em 1972. O relatório foi encomendado pelo Clube de Roma, um grupo de cientistas liberais, economistas e políticos, fundado em 1968. Naquele ano, o empresário italiano Aurelio Peccei, presidente honorário da Fiat, e o cientista escocês Alexander King se juntaram para promover um encontro com o objetivo de discutir o futuro da humanidade na Terra e avaliar questões de ordem política, econômica e social com relação ao meio ambiente. Em 1972, o grupo pediu a uma equipe de cientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), liderada por Dennis e Donella Meadows, para elaborar um estudo que simulasse a interação do homem com o meio ambiente, levando em consideração o aumento populacional e o esgotamento dos recursos naturais. O relatório produzido sinalizou uma perspectiva sombria sobre o futuro da humanidade na Terra, defendendo que o crescimento econômico e populacional esgotaria os recursos do planeta e causaria o colapso econômico antes de 2070. Dennis Meadows. Por meio do relatório, chegou-se à conclusão de que se a humanidade continuasse a consumir os recursos naturais como na época, por consequência da industrialização, eles se esgotariam rapidamente e levariam a problemas ambientais cada vez mais graves. Quase meio século após seu lançamento, as principais conclusões do relatório continuam atuais. Recentemente, um grupo de pesquisadores independentes atualizaram o trabalho usando ferramentas analíticas mais sofisticadas, e as perspectivas não são nada otimistas. Segundo a atualização do relatório, o mundo não conseguirá atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas — um conjunto de metas sociais, ambientais e de prosperidade para 2030. Conferência de Estocolmo A partir da crescente preocupação científica e da sociedade sobre questões ambientais, a Organização das Nações Unidas (ONU) elaborou a Conferência Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente em 1972. Durante essa conferência histórica, também chamada de Conferência de Estocolmo, foi dado o primeiro grande alerta mundial sobre os graves riscos ambientais sofridos pelo planeta. A preocupação da comunidade internacional com os assuntos ambientais era crescente e já se refletia em medidas de racionalização dos recursos naturais, no planejamento industrial e urbano, e em esforços para controle da poluição, sobretudo atmosférica e marinha. A Conferência de Estocolmo é reconhecida como um marco nas tentativas de melhorar a relação do homem com o meio ambiente, e também por ter instaurado a busca por equilíbrio entre desenvolvimento econômico e redução da degradação ambiental, que mais tarde evoluiria para a noção de desenvolvimento sustentável. Essa conferência contou com a presença de chefes de 113 países e de mais de 400 instituições governamentais e não governamentais. Uma das maiores divergências encontradas foi entre os países em desenvolvimento e os países desenvolvidos. Se, por um lado, os países desenvolvidos buscavam compromissos maiores com o meio ambiente, em detrimento do crescimento industrial, por outro lado, os países em desenvolvimento visavam ao crescimento industrial independentemente das questões ambientais. Saiba mais Embora não tenha sido possível atingir um acordo que estabelecesse metas concretas a serem seguidas pelos países participantes, durante a conferência foi concebido um importante documento político denominado Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, publicado em 6 de junho de 1972. Este foi o primeiro documento do direito internacional a reconhecer o direito do ser humano a ter um meio ambiente de qualidade que permita que ele viva com dignidade. Nas duas décadas seguintes à conferência, observou-se um crescente aperfeiçoamento das legislações nacionais, acompanhado de um cuidado gradual em estender a cooperação internacional à preservaçãoe melhoria do meio ambiente. Relatório de Brundtland Em 1987, foi lançado o relatório Brundtland, também conhecido pelo seu título Nosso Futuro Comum. Esse documento foi emblemático por cunhar o termo, muito usado até hoje, de desenvolvimento sustentável. Gro Harlem Brundtland Em 1983, a médica Gro Harlem Brundtland, mestre em Saúde Pública e ex-primeira ministra da Noruega, estabeleceu e presidiu a Comissão Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Brundtland foi escolhida para essa posição por ser responsável por um trabalho pioneiro à época, buscando enxergar a saúde relacionada ao meio ambiente e ao desenvolvimento humano. O relatório já abordava temáticas relevantes para a humanidade, como o aquecimento global e a destruição da camada de ozônio, mas que ainda eram pouco difundidas na sociedade. Além disso, ele estabeleceu uma série de metas que deveriam ser seguidas pelos países para evitar a trajetória de destruição ambiental e conter o aquecimento global. Foi a primeira vez que as nações tentaram criar um consenso para buscar uma trajetória de desenvolvimento sustentável. O termo desenvolvimento sustentável é definido pelo relatório como o desenvolvimento capaz de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender às necessidades das futuras gerações. Uma trajetória que não esgote os recursos naturais para uso futuro. Entre as medidas apontadas pelo relatório, constam soluções, como: Garantia de recursos básicos (água, alimentos, energia) a longo prazo. Protocolo de Montreal A Terra é envolta por um gás chamado ozônio (O3). Ele filtra os raios ultravioleta, protegendo animais, plantas e seres humanos. Sem a camada de ozônio, os raios ultravioleta poderiam acabar com a vida no Atendimento das necessidades básicas (saúde, escola, moradia). Preservação da biodiversidade e dos ecossistemas. Limitação do crescimento populacional. Diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias com uso de fontes energéticas renováveis. Aumento da produção industrial nos países não industrializados com base em tecnologias ecologicamente adaptadas. Controle da urbanização desordenada e integração entre campo e cidades menores. planeta. No entanto, na superfície terrestre, ela contribui para agravar a poluição do ar das cidades e a chuva ácida. Proteção da Terra pela camada de ozônio em relação aos raios solares. Cientistas britânicos detectaram, em 1977, um buraco na camada de ozônio sobre a Antártida. Desde então, há diversos registros de que a camada está se tornando cada vez mais fina em diversas localidades do mundo, especialmente nas áreas próximas aos polos. O problema é que diferentes substâncias químicas destroem o ozônio quando reagem com ele. A lista dos produtos que impactam negativamente a camada de ozônio inclui os óxidos nítricos e nitrosos expelidos por exaustores dos veículos e o CO2 produzido pela queima de combustíveis fósseis, como o carvão e o petróleo. Os mais destrutivos, no entanto, são os clorofluorcarbonetos, CFCs, que são geralmente usados como propelentes em aerossóis, como isolantes em equipamentos de refrigeração e para a produção de materiais plásticos. O CFC presente em aerossóis é muito prejudicial à camada de ozônio. De acordo com o Ibama (2021), o Protocolo de Montreal foi acordado com o objetivo de proteger a camada de ozônio. Para isso, definiu a necessidade de eliminar a produção e o consumo das substâncias que causam sua destruição. Esse tratado é consequência da Convenção de Viena para Proteção da Camada de Ozônio, da qual o Brasil é um dos países signatários. Tal protocolo destaca-se como um dos tratados ambientais mais bem- sucedidos. Isso porque, desde sua origem, países foram estimulados a assumir o compromisso com a eliminação gradual da produção e do consumo das substâncias anteriormente referidas. Curiosidade O protocolo de Montreal é o único acordo ambiental das Nações Unidas a ser ratificado por todos os países do mundo, onde as partes participantes eliminaram 98% das substâncias que destroem a camada de ozônio e com isso cerca de dois milhões de pessoas são salvas do câncer de pele todos os anos.(PNUMA, 2019). Rio-92 Em 1992, o Rio de Janeiro foi sede da Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, que ficou conhecida como Eco-92 ou Rio-92. A conferência fez com que a conscientização ambiental e ecológica entrasse definitivamente na agenda dos cinco continentes do mundo (IPEA, 2009). Delegações de 175 países, entre chefes de Estado e ministros, se reuniram para definir medidas a fim de enfrentar os problemas crescentes da emissão de gases causadores do efeito estufa, entre outros desafios ambientais. Representantes de movimentos sociais, da sociedade civil e da iniciativa privada também estiveram presentes em peso com o objetivo de propor e apoiar um novo modelo de desenvolvimento econômico que contemplasse a proteção da biodiversidade e o uso sustentável dos recursos naturais. Entre os principais consensos da Rio-92, concluiu-se que as nações mais desenvolvidas eram as maiores responsáveis pela destruição do meio ambiente e que os países em desenvolvimento, como o Brasil, ainda necessitavam de suporte financeiro e tecnológico para atingir um modelo sustentável de crescimento. Como resultado da conferência, foi ratificada a Agenda 21, que estabelecia diversas políticas e ações compromissadas com a responsabilidade ambiental. Além disso, apontava as mudanças necessárias dos padrões de consumo, em relação à proteção dos recursos naturais e ao desenvolvimento de tecnologias capazes de melhorar a gestão ambiental dos países. Também foram estabelecidos outros importantes tratados, como as convenções da Biodiversidade, das Mudanças Climáticas e da Desertificação, a Carta da Terra e a Declaração sobre Florestas. Protocolo de Quioto O Protocolo de Quioto é um acordo que resultou da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCC). Com o objetivo de combater o aquecimento global, foi negociado e adotado no Japão, na cidade de Quioto, em 1997, e entrou em vigor em fevereiro de 2005. A redução da emissão de gases do efeito estufa (GEE) foi um dos compromissos discutidos no protocolo de Quioto. Os países signatários se comprometeram a reduzir suas emissões de gases de efeito estufa (GEE), que são os causadores do aquecimento global. À data do início de vigência, o acordo alcançou a meta de 50% de ratificações dentre os 84 signatários originais. O protocolo tem por base premissas comprovadas pela ciência de que o aquecimento global é real e causado pela ação antrópica. Ele foi considerado um dos compromissos ambientais mais importantes já firmado no mundo, visto que as mudanças climáticas, consequência do aquecimento global, representam o maior desafio ambiental já enfrentado pela humanidade. O protocolo foi ratificado por 192 países, além da União Europeia (UE) — embora os Estados Unidos tenham assinado, se negaram a ratificá-lo. Segundo o acordo, 37 economias industrializadas (denominadas países do Anexo 1) se comprometeram a reduzir as emissões totais dos seis principais gases — dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido de nitrogênio (N20) e três fluoretos (HFC, PFC, SF6) — em pelo menos 5% até 2012 em comparação com os níveis de 1990. Os países em desenvolvimento (do Anexo 2) não foram associados a um compromisso de reduzir os GEE por ainda precisarem avançar em aspectos socioeconômicos. Eles se comprometeram somente a buscar reduzir a poluição, sob o princípio de que os países ricos são os responsáveis históricos pelo aquecimento global e deveriam se comprometer mais fortemente para as mudanças necessárias. Rio+20 Em 2012, 20 anos após a Rio-92, ocorreu a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, na cidade do Rio de Janeiro, também denominada Rio+20. Essa conferência também teve ampla participação de líderes mundiaise de representantes de diversos setores da sociedade civil. Participantes da Rio+20. O objetivo da conferência foi reafirmar o compromisso dos países e demais instituições com a busca por um desenvolvimento sustentável. Os principais temas abordados foram: economia verde, inclusão social, pobreza e, obviamente, desenvolvimento sustentável. O documento final da Rio+20 estabeleceu compromissos, como o desenvolvimento sustentável com erradicação da pobreza, o fortalecimento do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e a criação de um Fórum Político de Alto Nível Internacional, entre outros. Infelizmente, a Rio+20 não obteve êxito em razão de seus impasses, principalmente entre os interesses dos países desenvolvidos e em desenvolvimento. O documento final apresentou diversas intenções e encaminhou, para os próximos anos, a definição de medidas práticas para garantir a proteção do meio ambiente. Comentário Muitos analistas defenderam que a crise econômica mundial iniciada em 2008, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, acabou impactando negativamente as negociações, as tomadas de decisões e o estabelecimento de compromissos durante a conferência. Acordo de Paris O Acordo de Paris é um tratado mundial que possui um único objetivo: promover a redução do aquecimento global. Ele foi discutido entre 195 países durante a COP21, no ano de 2015, em Paris. Aprovado em 12 de dezembro de 2015, entrou em vigor oficialmente no dia 4 de novembro de 2016, um tempo recorde para um acordo climático tão relevante para a sociedade. No ano de 2020, passou a vigorar como substituto do Protocolo de Quioto. Esse tratado tem como principal objetivo a busca pela redução das emissões de GEE para limitar o aumento médio de temperatura global a 2°C, quando comparado a níveis pré-industriais. No entanto, idealmente, para que as consequências não sejam tão drásticas, o esforço maior deveria ser para limitar o aumento de temperatura a 1,5°C. Uma grave consequência do aquecimento da temperatura no planteta é o derretimento das calotas polares. O acordo também prevê recomendações quanto à adaptação dos países signatários às mudanças climáticas, em especial para os países menos desenvolvidos, com os seguintes objetivos: Reduzir a vulnerabilidade a eventos climáticos extremos. Fomentar o suporte financeiro e tecnológico dos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento e mais vulneráveis. Promover o desenvolvimento tecnológico e transferência de tecnologia e capacitação para adaptação às mudanças climáticas. Estimular a cooperação entre a sociedade civil, o setor privado, instituições financeiras, cidades, comunidades e povos indígenas para ampliar e fortalecer ações urgentes de mitigação e adaptação do aquecimento global. Em relatório publicado em agosto de 2021, o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) evidenciou que não é inequívoco a ação humana como causador do aquecimento global e, caso ações drásticas não sejam colocadas em prática e o uso de combustíveis fósseis não diminua de forma expressiva, as consequências climáticas serão desastrosas e poderão tornar o planeta um lugar inóspito para sobrevivência humana e de outras espécies. O relatório do IPCC deixa claro que não estamos lidando com uma crise climática, e sim com uma emergência climática. A partir de todos os marcos apresentados, salienta-se o agravamento dos problemas ambientais: hoje a sociedade se encontra em um momento crucial para sua sobrevivência no planeta. Além da questão climática, a ação humana tem provocado diversos outros impactos ambientais que trazem consequências desastrosas para a vida no planeta. Devastação provocada pelas chuvas em cidade da Bélgica em julho de 2021. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 2 - Vem que eu te explico! Rio+20 – A Agenda 21 Módulo 2 - Vem que eu te explico! Mudanças climáticas – a COP26 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Desde a década de 60, quando a questão ambiental começou a ter relevância na sociedade, a humanidade iniciou a tomada de consciência sobre seu impacto ambiental. Um dos livros que legitimaram a necessidade de se olhar para esse tema foi escrito por Rachel Carson. Qual era o assunto abordado? A Destruição da floresta amazônica B Uso indiscriminado de herbicidas C Extinção de animais silvestres D Acidificação dos oceanos E Mudanças climáticas Parabéns! A alternativa B está correta. O livro Primavera silenciosa trouxe à tona o resultado do uso de herbicidas nos Estados Unidos, que estava provocando o desaparecimento de diversas espécies da fauna e da flora. Questão 2 As mudanças climáticas representam o grande desafio ambiental enfrentado hoje pela humanidade. Caso o aquecimento global não seja contido, trará consequências desastrosas para a vida no planeta. Qual opção abaixo representa marcos importantes na agenda climática? A Protocolo de Quioto e Acordo de Paris. B Eco-92 e Rio+20. C Conferência de Estocolmo e relatório Brundtland. D Primavera silenciosa e Limites do Crescimento. E Desenvolvimento sustentável e relatório Brundtland. Parabéns! A alternativa A está correta. O Protocolo de Quioto e o Acordo de Paris representam os acordos globais em prol da contenção do aquecimento global, o maior desafio que a humanidade já enfrentou em termos ambientais. 3 - Modelo de desenvolvimento e urbanização da sociedade Ao �nal deste módulo, você será capaz de descrever o modelo de desenvolvimento atual como promotor de problemas ambientais. Modelo de desenvolvimento da sociedade atual O modelo de desenvolvimento atual se baseia na produção e consumo crescentes de bens e serviços, com leis do mercado que ditam as regras na perspectiva do individualismo e da competitividade. Nesse sentido, nossa sociedade se fundamenta em um modelo industrial/tecnológico de globalização da economia, no qual os interesses econômicos são sempre colocados na frente de questões sociais e ambientais. Um dos principais indicadores que mensura o progresso da sociedade atual é o produto interno bruto (PIB). Ele é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade, geralmente em um ano. Todos os países calculam o seu PIB nas suas respectivas moedas e mensuram o desenvolvimento de suas economias a partir dele. O modelo contemporâneo preconiza o crescimento constante do PIB a partir da utilização crescente de recursos naturais e de uma maior produção, maior consumo e, consequentemente, maior descarte. Ele propõe que a mão invisível do mercado consegue resolver todas as questões mediante a lei da oferta e demanda, no entanto, isso não acontece na prática. O crescimento econômico pode ajudar na promoção de melhorias em aspectos sociais, quando os recursos financeiros são bem alocados com esse objetivo. Contudo, a sociedade atual enfrenta níveis de desigualdade exorbitantes e outras inúmeras mazelas. Enquanto poucos concentram a maior parte da riqueza, a grande maioria vive na pobreza e sem acesso a bens e serviços necessários para uma vida digna. É importante ressaltar que há regiões do mundo menos desiguais, entretanto, na América Latina, onde fica o Brasil, a desigualdade é gritante. A desigualdade social é um dos grandes problemas de muitos países. Embora o processo de globalização tenha alguns aspectos positivos, como a promoção de maior riqueza e bem-estar social e o acesso a diferentes bens e serviços, isso não ocorreu de forma homogênea no mundo. Iniciada na década de 90, a globalização possibilitou o aumento das relações comerciais entre os países, que começaram a produzir mais para exportar e, ao mesmo tempo, a demandar mais produtos de outras nações. Nesse sentido, trouxe consigo muitas consequências negativas: acirrou desigualdades e problemas sociais e descaracterizoumuitas culturas, tornando hegemônico o viés em prol do consumo. Assim, configurou e disseminou o modelo seguido pela sociedade atualmente. Os descartáveis, principalmente os plásticos, causam grande impacto ambiental. O que antes era produzido localmente, em menor escala e velocidade, passou a ser produzido em diferentes partes do mundo e transacionado por meio de longas distâncias. Além disso, com os avanços tecnológicos e com o crescimento do uso de combustíveis fósseis e de plástico, se estabeleceu também a sociedade do descartável: antes os itens eram produzidos para durar e serem consumidos em menor velocidade, com embalagens retornáveis. Com o estabelecimento do modelo atual de desenvolvimento, instituiu-se a sociedade do consumo excessivo e contínuo, e os cidadãos se tornaram consumidores. Anteriormente em um contexto rural, muitas vezes baseado no setor agrícola e na economia de subsistência, as cidades, principalmente as grandes, começaram a ser polos de produção e a atrair novos habitantes, promovendo uma mudança expressiva na população rural e urbana no mundo. Com a urbanização, agravou-se ainda mais a problemática ambiental: cidades começaram a crescer e a se tornar polos de produção, consumo, poluição, degradação, pobreza, violência e desigualdade. É importante mencionar que há exceções, mas, de forma geral, a urbanização trouxe consigo mais mazelas do que benefícios para a maior parte da população. Urbanização como vetor de problemas ambientais Nem sempre a humanidade viveu em cidades. Os primeiros habitantes eram nômades e, por isso, não tinham residência fixa e viviam da caça, pesca e coleta. Nessa fase, o impacto ambiental associado ao ser humano era muito inexpressivo. Com o passar do tempo, a maioria das comunidades nômades deixou essa condição para se tornarem produtores. Esse foi o início do processo de aglomeração em localidades, que se transformaram em cidades. O ser humano, com o desenvolvimento de atividades econômicas, foi se concentrando em centros urbanos. A urbanização é caracterizada pelo deslocamento de pessoas das zonas rurais para as cidades, formando aglomerações de pessoas em áreas delimitadas. Na maioria das vezes, essas pessoas estão buscando empregos nas diversas atividades produtivas e no setor de serviços. Essas áreas deixam de ser agrícolas para se tornarem áreas industriais, onde o comércio e a prestação de serviços também predominam. O processo de urbanização pode ser dividido em duas fases marcantes: Primeira fase Ocorreu no período da Revolução Industrial, no fim do século XVIII, com a enorme migração de pessoas das áreas rurais rumo às cidades. Nesse período, entretanto, a urbanização concentrava-se apenas nos países envolvidos na revolução. Segunda fase Aconteceu após a Segunda Guerra Mundial. Essa urbanização não foi motivada pela industrialização, mas sim pela crença de que as cidades seriam melhores para se viver e ofereceriam melhores condições de vida, oportunidades de estudo e trabalho. Conforme vimos, a urbanização não ocorreu simultaneamente no mundo, iniciou-se nos países industrializados. No caso dos países em desenvolvimento e de industrialização tardia, como é o caso do Brasil, o crescimento urbano aconteceu mais tarde, de forma acelerada e muito desordenada. A falta de planejamento dessa migração rural-urbana tem promovido a proliferação de graves problemas, como favelização, falta de infraestrutura, violência, poluição de todos os tipos, desemprego e pobreza. Com o crescimento acelerado e desordenado das áreas urbanas, a maior parte do contingente que migra da área rural para as cidades acaba em favelas, onde os serviços de água, luz e esgotamento geralmente são precários ou inexistentes. Isso acontece porque, muitas vezes, o Estado não consegue acessar tais locais para oferecer serviços básicos, como esgotamento sanitário, devido à violência, que institui um estado paralelo. Com isso, acabam-se acirrando os impactos ambientais. Durante as décadas de 1970 e 1980, o Brasil sofreu um intenso processo de êxodo rural, resultado da mecanização da produção agrícola, que expulsou trabalhadores do campo para as cidades em busca de oportunidades de trabalho e sobrevivência. Atualmente, o deslocamento do campo para a cidade é bem menor (IBGE, 2021). De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2015, a maior parte da população brasileira, 84,72%, vive em áreas urbanas, enquanto 15,28% da população vive em áreas rurais (IBGE, 2021). Esse intenso processo de urbanização vivido no Brasil gerou o fenômeno chamado de metropolização, que define a ocupação urbana que ultrapassa os limites das cidades. Com isso, foram desenvolvidos grandes centros metropolitanos, como São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Goiânia, Manaus, entre outros, que enfrentam diversos problemas sociais e ambientais. E como ocorreu o processo de urbanização no Brasil? Os problemas ambientais urbanos impactam de maneira significativa o meio ambiente das cidades e podem se originar de causas naturais, mas geralmente ocorrem pela ação antrópica. Dentre eles, destacamos os principais: No Brasil, esses transtornos estão relacionados à expansão desordenada dos centros urbanos, o que tem ocorrido nas últimas décadas. Eles geram consequências econômicas e ambientais graves, impactando a disponibilidade e a qualidade dos recursos ambientais, bem como resultam em inúmeras vidas perdidas devido aos grandes desastres naturais. Com a geração de resíduos pelo consumo crescente, cria-se um modelo de sociedade insustentável. É bom lembrar que nosso planeta possui recursos finitos e que a humanidade convive com diversas outras espécies e formas de vida. Indicadores de Desenvolvimento Sustentável instituídos pelo IBGE Está na hora de falarmos sobre a sociedade de consumo e seus impactos negativos na saúde humana e do planeta. Com a palavra a especialista Juliana Velloso. Poluição Ilhas de calor Sociedade de consumo Consumir é um ato necessário para a manutenção da vida, seja um insumo, um alimento, um vestuário, um produto qualquer, ou algum serviço. No entanto, nunca se viu uma oferta de produtos e serviços tão expressiva quanto se observa nos dias de hoje, nem tanta demanda para produtos descartáveis, feitos para durar pouco (BASSI e LOPES, 2017). O consumo é importante para suprir as necessidades do ser humano, entretanto, após a Revolução Industrial, a produção de bens de consumo passou a ser acelerada e em escala. Assim, o ato de consumir extrapolou o necessário, chegando a um consumismo desenfreado e muitas vezes irracional, cultural, fomentado para sustentar o modelo capitalista que vigora na sociedade. Somado à crescente produção de bens de consumo, a televisão e, bem mais recentemente, a internet, com elaboradas estratégias de marketing e muitas propagandas, estimulam o consumo descontrolado. Além disso, os produtos são feitos para durar determinado período, quando, na verdade, poderiam durar muito mais, fenômeno chamado de obsolescência programada. Desse modo, as empresas induzem os consumidores a sempre comprarem novos itens de consumo. Ocorre quando um produto vem de fábrica com a predisposição a se tornar obsoleto ou parar de funcionar após um período específico de uso — geralmente um tempo curto. Dessa forma, as empresas lançam produtos no mercado para que sejam rapidamente descartados e substituídos por outros. Por exemplo: apesar do avanço tecnológico, hoje nossos eletrodomésticos duram muito menos do que há 50 anos. Os produtos são fáceis de comprar, mas são desenhados para não durar. Como efeito, os consumidores são obrigados a descartar os produtos adquiridos em um prazo consideravelmente menor e Você sabe o que é obsolescência programada? substituí-los por novos, que provavelmente também tiveram sua durabilidade alterada. Além do prejuízo ao consumidor, essa ação causa um impacto ao meioambiente, pelo uso de recursos naturais e de energia e pela geração de resíduos. A máquina de lavar roupas, por exemplo, tem sido um grande alvo da obsolescência programada. Quando criada, ela durava muitos anos, mas as fabricantes notaram que venderiam apenas um número limitado de unidades. Por isso, passaram a disponibilizar no mercado modelos menos duradouros e com uma eficiência menor, embora o objetivo do eletrodoméstico continuasse o mesmo. Na área tecnológica, a obsolescência programada pode ser vista com maior frequência. Geralmente, durante o período de garantia, smartphones, desktops e notebooks de alguns fabricantes funcionam normalmente. No entanto, após o fim desse prazo, passam a apresentar defeitos. Na quase totalidade dos casos, o preço do conserto é tão alto que não vale a pena, e os consumidores são impelidos a adquirir um produto novo. (IDEC, 2018) Resumidamente, nossa sociedade é moldada pelo consumismo, caracterizado pelo desperdício e pelo excesso. O resultado disso é uma sociedade que não vivencia o bem-estar associado ao consumo, apresenta inúmeros problemas ambientais e sociais, além de ser formada por muitos cidadãos com crescentes problemas psicológicos sérios. O modo de vida é orientado por uma busca crescente pelo consumo de bens ou serviços, em sua relação simbólica com prazer, sucesso, felicidade, que acabam não ocorrendo na prática. Isso demonstra que a sociedade de consumo falhou em diversos aspectos e é necessário mudar radicalmente essa trajetória. Bauman traz uma boa reflexão sobre essa condição: A sociedade de consumidores representa o tipo de sociedade que promove, encoraja ou reforça a escolha de um estilo de vida e uma estratégia existencial consumistas, e rejeita todas as opções culturais alternativas. Uma sociedade em que se adaptar aos preceitos da cultura de consumo e segui-los estritamente é, para todos os fins e propósitos práticos, a única escolha aprovada de maneira incondicional. Uma escolha viável e, portanto, plausível — e uma condição de afiliação. (BAUMAN, 2008, p. 54) O ato de consumir acabou estabelecendo relações de poder: é mais poderoso aquele que mais consome. A sociedade se submeteu à lógica do mercado e segue os padrões e diretrizes ditados pela indústria do marketing, da publicidade e da propaganda. A lógica consumista se baseia na ganância, buscando sempre consumir mais, mesmo sem nenhuma necessidade. Com esse modo de vida, exaurimos nossos recursos naturais, que são finitos e muitas vezes escassos, além de gerarmos crescente poluição e inúmeros outros problemas ambientais que, segundo muitos cientistas, estão levando a humanidade ao colapso de sua espécie. De acordo com Bassi e Lopes (2017), o consumismo é o lado perverso do consumo e trouxe malefícios para a sociedade em termos econômicos, sociais e ambientais, tais como a condição de massificação na relação com as pessoas; a publicidade exagerada e enganosa; a ausência de civismo; a crescente e acelerada exaustão dos recursos naturais; a descartabilidade como conduta padrão; e a exclusão social crescente e insustentável. Mazelas ambientais associadas ao modelo de sociedade atual Como já vimos, o modelo de desenvolvimento atual, baseado no consumismo desenfreado, trouxe consequências ambientais sérias e irreversíveis. Dentre os inúmeros problemas, podemos citar: extinção crescente de espécies; buracos na camada de ozônio; desertificações; alteração da acidez dos mares; degelo das calotas polares; poluição plástica nos oceanos; alterações climáticas; alterações das correntes marítimas; improdutividade das terras; contaminação por uso de agrotóxicos. Com o estabelecimento da sociedade do consumo e o crescente aumento da velocidade da compra e do descarte, caminhamos para o esgotamento dos recursos naturais e para o atingimento de índices insustentáveis de poluição da atmosfera, da água e dos solos. Perdemos, dia após dia, nossa biodiversidade e a água potável, já escassa para tantos, se torna cada vez mais rara e preciosa. O consumo desenfreado pode ser causador do esgotamento de nossos recursos naturais, como a água. Há uma relação destrutiva entre o consumismo e o meio ambiente. O modelo de desenvolvimento insustentável em que vivemos tem feito a sociedade caminhar para pontos irreversíveis, o que pode tornar a terra inabitável para a espécie humana e para outras espécies. Nunca a humanidade gerou tamanho impacto ambiental e atingiu níveis tão alarmantes, que poderão, em breve, se tornar inalteráveis, caso a rota de desenvolvimento e o modelo baseado em consumo irracional e excessivo não sejam alterados. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 3 - Vem que eu te explico! A sociedade de consumo Módulo 3 - Vem que eu te explico! Mazelas ambientais associadas ao modelo de sociedade atual Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 O modelo de desenvolvimento atual, baseado no consumismo desenfreado, trouxe consequências ambientais sérias e irreversíveis. Dentre as opções a seguir, indique a aquela não representa uma consequência ambiental negativa do modelo de desenvolvimento predominante no mundo: A Acidificação dos oceanos B Aquecimento global C Escassez hídrica D Aumento da produção de alimentos E Poluição plástica nos oceanos Parabéns! A alternativa D está correta. O aumento da produção de alimentos, mesmo trazendo consigo impactos ambientais expressivos, não pode ser considerado uma consequência ambiental negativa do modelo de desenvolvimento predominante na nossa sociedade. Questão 2 A obsolescência programada pode ser caracterizada como: A uma forma de as empresas aumentarem sua produtividade e lucratividade. B um produto que vem de fábrica com a predisposição a se tornar obsoleto ou parar de funcionar após um curto período de uso. C uma forma de produzir minimizando os impactos ambientais associados. D um produto que é produzido para durar um longo período e que pode ser facilmente reparado quando quebrado. E um produto fabricado de forma ecoeficiente e que não gera impactos ambientais durante seu uso. Parabéns! A alternativa B está correta. 4 - As nove fronteiras planetárias Ao �nal deste módulo, você será capaz de listar as nove fronteiras planetárias. Introdução às nove fronteiras planetárias Em 2009, o ex-diretor do Stockholm Resilience Centre (SRC), Johan Rockström coordenou um grupo de 28 cientistas de renome internacional para identificar os nove processos que regulam a estabilidade e a resiliência do sistema terrestre. Os cientistas propuseram limites quantitativos planetários dentro dos quais a humanidade pode continuar a se desenvolver e prosperar pelas próximas gerações. Atravessar essas fronteiras aumenta o risco de gerar mudanças ambientais abruptas ou irreversíveis em larga escala, podendo impedir a vida humana na Terra. As fronteiras planetárias e as interações complexas entre elas podem ser difíceis de entender em um primeiro momento, mas precisam ser tomadas como prioridade na agenda de toda sociedade para que possamos pensar em um futuro viável para a raça humana no planeta. Nos tópicos seguintes, apresentaremos as linhas gerais das fronteiras planetárias. A obsolescência programada ocorre quando um produto vem de fábrica com a predisposição a se tornar obsoleto ou parar de funcionar após um curto período de uso, para que sejam rapidamente descartados e substituídos por outros. Por que de�nir as fronteiras planetárias e seus limites? Os limiares definem-se como transições não lineares no funcionamento de sistemas humanos-ambientais, por exemplo, o recuo do gelo marinho do Ártico causado pelo aquecimento global antropogênico. São características intrínsecas desses sistemas e são frequentemente definidos por uma posição ao longo de uma ou mais variáveis de controle, como temperaturae feedback gelo-albedo no caso do gelo marinho. Alguns processos do sistema terrestre, como a mudança no uso da terra, não estão associados a limites conhecidos na escala continental e global, mas podem, por meio do declínio contínuo das principais funções ecológicas (como sequestro de carbono), causar colapsos funcionais, gerando feedbacks que desencadeiam e aumentam a probabilidade de um limiar global em outros processos (como mudanças climáticas). Tais processos podem, no entanto, desencadear dinâmicas não lineares em escalas mais baixas, por exemplo, cruzamento de limiares em lagos, florestas e savanas, como resultado da mudança no uso da terra e da água e de alterações no carregamento de nutrientes. Essas mudanças não lineares, de um estado desejado para um indesejável, podem se tornar uma preocupação global para a humanidade, se ocorrerem em todo o planeta. Os limites, por outro lado, são valores, determinados pelo homem, da variável de controle definida a uma distância segura de um nível perigoso (para processos sem limites conhecidos nas escalas continental e global) ou de seu limite global. Determinar uma distância segura envolve julgamentos normativos de como as sociedades escolhem lidar com o risco e a incerteza. A escolha da variável de controle para cada limite planetário foi baseada em uma avaliação da variável que, em equilíbrio, pode fornecer o parâmetro mais abrangente, agregado e mensurável para limites individuais. Cada posição limite, proposta para cada fronteira, assume que nenhuma outra fronteira foi transgredida e foi baseada no conhecimento existente hoje sobre cada tema. O conceito proposto de fronteiras planetárias estabelece as bases para mudar as abordagens usuais que se baseiam essencialmente em análises setoriais dos limites do crescimento, visando minimizar apenas as externalidades negativas. Saiba mais Com a definição das fronteiras planetárias, objetivou-se definir uma estimativa do espaço seguro para o desenvolvimento humano. As fronteiras planetárias determinam, por assim dizer, as fronteiras do “campo de jogo planetário” para a humanidade, se o objetivo for evitar grandes mudanças ambientais induzidas pelo homem em uma escala global. Quais são as fronteiras planetárias? Os cientistas identificaram nove processos e sistemas da Terra, bem como suas fronteiras que marcam a zona segura para o planeta, como fatores fundamentais para o desenvolvimento sustentável e para a manutenção da humanidade no planeta. Com o rápido crescimento do uso de combustíveis fósseis e da sociedade industrial de consumo, as atividades antrópicas alcançaram níveis considerados irreversíveis e que podem causar mudanças ambientais abruptas, criando condições desfavoráveis para a vida humana no planeta. As pressões antropogênicas no sistema terrestre alcançaram uma escala em que mudanças ambientais globais abruptas não podem mais ser descartadas. Ao definir as fronteiras planetárias, foram definidos os limites planetários dentro dos quais espera-se que a humanidade possa operar com segurança. Transgredir uma ou mais fronteiras planetárias pode ser catastrófico devido ao risco de cruzar limiares que desencadearão mudanças ambientais abruptas e não lineares em sistemas de escala continental a planetária. As nove fronteiras planetárias são: 1. Mudanças climáticas 2. Perda da integridade da biosfera (perda de biodiversidade e extinção de espécies) 3. Destruição do ozônio estratosférico 4. Acidificação dos oceanos 5. Fluxos biogeoquímicos (ciclos do fósforo e do nitrogênio) �. Mudança do sistema terrestre (por exemplo, o desmatamento) 7. Utilização da água doce �. Carga atmosférica de aerossóis (partículas microscópicas na atmosfera que afetam o clima e os organismos vivos) 9. Introdução de novas entidades (por exemplo, poluentes orgânicos, materiais radioativos, nanomateriais e microplásticos) As nove fronteiras planetárias. Duas dessas fronteiras, mudança climática e integridade da biosfera, são o que os cientistas chamam de limites centrais e fundamentais para a sobrevivência humana na Terra. A alteração significativa de qualquer um desses limites levaria o Sistema Terra a um novo estado, que nem os cientistas conseguem ainda saber qual seria. Saiba mais O estudo atualizado das fronteiras planetárias, publicado na revista Science em janeiro de 2015, revelou que já foram ultrapassadas as fronteiras de mudanças climáticas, de perda de integridade da biosfera, de mudança do sistema terrestre e de alteração de ciclos biogeoquímicos (fósforo e nitrogênio). Limites das fronteiras planetárias Das nove fronteiras planetárias identificadas, foram propostas quantificações para sete delas. Mudanças climáticas A concentração de CO2 na atmosfera precisa ser menor que 350ppm. Acidi�cação oceânica O estado de saturação média da água do mar superficial em relação à aragonita precisa ser maior ou igual a 80% dos níveis pré-industriais. Ozônio estratosférico É preciso haver redução menor que 5% na concentração de O3 do nível pré-industrial de 290 unidades Dobson. Ciclos biogeoquímicos Em relação ao ciclo biogeoquímico de nitrogênio (N), é preciso limitar a fixação industrial e agrícola de N2 a 35Tg N ano-1 e o ciclo de fósforo (P) não deve exceder 10 vezes o intemperismo natural de fundo de P, que é enviado para os oceanos. Utilização da água doce Os dois limites planetários adicionais, poluição química e o carregamento de aerossóis atmosféricos, ainda não tiveram seus limites calculados por dificuldades científicas para tal. As fronteiras planetárias são interdependentes, porque transgredir uma pode mudar a posição de outras fronteiras ou fazer com que sejam transgredidas. Os impactos sociais da transgressão de fronteiras serão uma função da resiliência socioecológica das sociedades afetadas. Importância da de�nição das fronteiras planetárias As atividades humanas influenciam cada vez mais o clima da Terra e os ecossistemas. O planeta entrou em uma nova época, o Antropoceno, na qual os humanos constituem o condutor dominante da mudança do sistema terrestre. O crescimento exponencial das atividades humanas está aumentando a pressão sobre o sistema, o que poderia desestabilizar sistemas biofísicos críticos e desencadear mudanças ambientais abruptas ou irreversíveis. Esse é um dilema profundo porque o paradigma predominante de desenvolvimento social e econômico permanece amplamente alheio ao risco de desastres ambientais induzidos pelo homem em escalas continentais a planetárias. É preciso ser menor que 4.000km3 ano-1 de uso consumptivo de recursos de escoamento. Mudança do sistema terrestre É preciso ter menos que 15% da superfície da Terra como áreas cultiváveis. Perda de integridade da biosfera Acerca da taxa na qual a diversidade biológica é perdida, é fundamental que a taxa anual de extinção por milhão de espécies seja menor do que 10. As fronteiras planetárias apresentaram um novo conceito para estimar um espaço operacional seguro para a humanidade no que diz respeito ao funcionamento do sistema terrestre. Primeiramente, identificaram-se os principais processos do sistema terrestre e depois se quantificou, para cada processo, o limite que não deve ser transgredido para evitarmos mudanças ambientais globais inaceitáveis. O ambiente relativamente estável do Holoceno, o atual período interglacial que começou há cerca de 10 mil anos, permitiu que a agricultura e as sociedades complexas, incluindo a atual, se desenvolvessem e florescessem. Essa estabilidade induziu os humanos, pela primeira vez, a investir de forma importante em seu ambiente natural, em vez de meramente explorá-lo. Apesar de algumas flutuações ambientais naturais nos últimos 10 mil anos (por exemplo, padrões de chuva, distribuição da vegetação, ciclo de nitrogênio), a Terra permaneceu dentro do domínio de estabilidade do Holoceno. A resiliência do planeta o manteve dentro da faixa de variaçãoassociada ao estado do Holoceno, com os principais parâmetros biogeoquímicos e atmosféricos flutuando dentro de uma faixa relativamente estreita. Ao mesmo tempo, ocorreram mudanças marcantes na dinâmica do sistema regional durante esse período. Embora a marca das primeiras atividades humanas seja vista em escala regional (por exemplo, regimes de fogo alterados, extinções de megafauna), não há evidências claras de que os humanos tenham afetado o funcionamento do sistema terrestre em escala global até muito recentemente. No entanto, desde a Revolução Industrial (o advento do Antropoceno), os humanos estão efetivamente empurrando o planeta para fora da faixa de variabilidade do Holoceno em muitos processos-chave do sistema terrestre. Sem essas pressões, o estado do Holoceno poderia ser mantido por mais milhares de anos futuros. Até recentemente, a ciência havia fornecido avisos sobre os riscos planetários de ultrapassar os limiares nas áreas de mudança climática e ozônio estratosférico. No entanto, a crescente pressão humana no planeta requer atenção a outros processos biofísicos que são importantes para a resiliência dos subsistemas da Terra e do sistema terrestre como um todo. A resiliência dos subsistemas do planeta está ameaçada quando longos períodos de condições aparentemente estáveis são seguidos por períodos de mudança abrupta e não linear, refletida em transições críticas de um domínio de estabilidade para outro quando os limiares são ultrapassados. O Antropoceno levanta uma nova questão: quais são as precondições planetárias inegociáveis que a humanidade precisa respeitar para evitar o risco de mudanças ambientais deletérias ou mesmo catastróficas em escalas continentais a globais? O estabelecimento das fronteiras planetárias é uma primeira tentativa de identificar os limites planetários para os principais processos do sistema terrestre associados a limiares perigosos, cujo cruzamento poderia empurrar o planeta para fora do estado Holoceno desejado. Comentário Esse esforço científico foi extremamente relevante para dar ciência à humanidade dos grandes desafios ambientais que enfrentamos e que podem provocar a extinção da raça humana neste planeta. A economia donut e os limites planetários Kate Raworth. A economista Kate Raworth, da Universidade de Oxford, propôs um modelo econômico simples, ambicioso, revolucionário e original: a economia donut. Ela defende a ideia de que devemos incluir os limites planetários na concepção de um novo modelo de desenvolvimento socioeconômico. A economista propõe expandir os horizontes do pensamento econômico, que ainda é bastante retrógrado ao não incorporar a questão ambiental como central em seus modelos, premissas e propostas. Na proposta da economia donut, a autora afirma que o modelo econômico vigente é ultrapassado e não contempla os grandes desafios contemporâneos. Ressalta a necessidade de transformarmos o capitalismo, que sustenta a sociedade de consumo, em um sistema sustentável do ponto de vista social e ambiental. Na economia donut, o bem-estar da humanidade estaria em primeiro lugar, ou seja, à frente de sistemas e modelos de desenvolvimento que perseguem o crescimento econômico infinito e desumano a qualquer custo. Nesse modelo, a economia é associada ao formato de uma rosquinha (daí o nome donut), na qual o círculo interno representa a base social — serviços e produtos como alimentos, saúde e habitação — enquanto o externo está associado às fronteiras planetárias. No espaço entre um e outro, vemos um ambiente seguro e justo para a humanidade viver e devemos compreender e aceitar que temos que estar dentro desse espaço. Diagrama da economia donut. A sociedade, nesse sistema econômico, é considerada próspera quando todas as bases sociais são atendidas sem ultrapassarmos nenhum dos limites planetários, tais como mudanças climáticas, acidificação dos oceanos, poluição química, poluição por nitrogênio e fósforo, excesso de uso de água doce, danos à Terra, perda de biodiversidade, poluição do ar, destruição da camada de ozônio, entre outros. O grande desafio da humanidade para o século atual é atender e incluir todos dentro das possibilidades do planeta, ou seja, as fronteiras sociais e planetárias devem nortear o modelo de desenvolvimento da sociedade. Amsterdã: cidade que está seguindo as diretrizes da economia donut Acompanhe agora o caso da cidade de Amsterdã, que tem buscado incorporar, desde 2020, as diretrizes da economia donut. Com a palavra a especialista Juliana Velloso. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 4 - Vem que eu te explico! As Nove Fronteiras Planetárias Módulo 4 - Vem que eu te explico! A economia donut e os limites planetários Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 As fronteiras planetárias foram divulgadas em 2009, após ampla pesquisa científica. Entre as opções abaixo, sinalize aquela que representa uma das fronteiras planetárias. A Fluxos climáticos B Queima de combustíveis fósseis C Degradação ambiental D Acidificação dos rios E Utilização da água doce Parabéns! A alternativa E está correta. As fronteiras planetárias são: mudanças climáticas, perda da integridade da biosfera, destruição do ozônio estratosférico, acidificação dos oceanos, fluxos biogeoquímicos, mudança do sistema terrestre, utilização da água doce, carga atmosférica de aerossóis e introdução de novas entidades. Questão 2 Sobre a economia donut, que incorpora em seu modelo as fronteiras planetárias, podemos afirmar que ela A defende um modelo de desenvolvimento baseado no crescimento econômico, no qual o PIB é o principal indicador de bem-estar econômico, social e ambiental. B defende que os aspectos ambientais são mais relevantes do que questões sociais e que o bem-estar da humanidade não é relevante. C defende uma mudança de paradigma, pois considera que o modelo econômico vigente é ultrapassado e não contempla os grandes desafios contemporâneos. Considerações �nais O sistema político e a indústria frequentemente tentaram negar previsões climáticas, que eram consideradas catastróficas e exageradas. Contudo, hoje enfrentamos cada vez mais desastres naturais relacionados a questões ambientais causadas pela ação humana e temos inúmeras e incontestáveis evidências científicas do impacto da humanidade no planeta. Logo, fica claro que mudar a trajetória do impacto ambiental antrópico é fundamental para a sobrevivência do ser humano na Terra. O que a humanidade viveu a partir de 2020, com a pandemia global do novo coronavírus, talvez já seja reflexo da ação humana. Embora mudanças estruturais e de paradigma sejam necessárias para que a humanidade possa, quem sabe, mudar sua trajetória, é fundamental que cada indivíduo se sensibilize e faça sua parte. Um dos primeiros passos para começarmos a agir é mensurar a pegada ecológica e montar um plano de ação para diminui-la em um espaço de tempo definido. Não adianta, infelizmente, esperar a ação de governos e empresas apenas. O papel dos cidadãos, seja cobrando os seus D defende que a sociedade de consumo é importante para promover o bem-estar da população que precisa aferir sempre bens de consumo. E defende o modelo de desenvolvimento baseado no capitalismo, sem mudanças relevantes, mas incorporando a variável ambiental nas tomadas de decisão. Parabéns! A alternativa C está correta. A proposta da economia donut defende uma mudança de paradigma, pois defende que o modelo econômico vigente é ultrapassado e não contempla os grandes desafios contemporâneos. Ressalta a necessidade de transformarmos o capitalismo, que sustenta a sociedade de consumo, em um sistema sustentável do ponto de vista social e ambiental. representantes e as empresas das quais consomem — ou parando de consumir delas — é fundamental! Afinal, as instituições,sejam elas governos ou empresas, são formadas por pessoas. Pudemos perceber claramente o impacto da ação humana no planeta e a necessidade urgente de mudança de rumo. Diante disso, esperamos sensibilizar e movimentar cada indivíduo em prol de um planeta mais próspero, justo e sustentável. Podcast Antes de finalizarmos, a especialista Juliana Velloso apresenta alguns casos de iniciativas sustentáveis e que minimizam os impactos ambientais em cidades brasileiras e europeias. Referências ALBUQUERQUE, B. P. As relações entre o homem e a natureza e a crise sócio-ambiental. Rio de Janeiro: EPSJV, 2007. ALVES, J. E. D. Antropoceno: a era do colapso ambiental. Centro de Estudos Estratégicos da Fiocruz, 16 jan. 2020. BASSI, M. C. P. C.; LOPES, C. C. A sociedade do consumo e suas consequências socioambientais. Caderno PAIC, v. 18, n. 1, p. 100-125, 2017. BAUMAN. Z. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Zahar, 2008. CARRANÇA, T. Agrotóxico mais usado do Brasil está associado a 503 mortes infantis por ano, revela estudo. BBC News Brasil, 25 maio 2021. CIDREIRA-NETO, I. R. G.; RODRIGUES, G. G. Relação homem-natureza e os limites para o desenvolvimento sustentável. Revista Movimentos Sociais e Dinâmicas Espaciais, v. 6, n. 2, p.142-156, 2017. INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS NATURAIS RENOVÁVEIS. IBAMA. Protocolo de Montreal. Brasil, 2021. INSTITUTO BRASILEIRO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. IDEF. Entenda o que é obsolescência programada. 18 jun. 2012. INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. IBGE. População urbana e rural. IBGEeduca. Brasil, 2021. INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. IPEA. História Rio- 92. Ano 7, 56. ed. 10 de dez. 2009. LEAL, G. C. de G. et al. O processo de industrialização e seus impactos no meio ambiente urbano. QUALIT@S Revista Eletrônica, v. 7, n. 1, 2008. MENDONÇA, R. Conservar e criar: natureza, cultura e complexidade. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2005. NAVES, J. G.; BERNARDES, M. B. J. A relação histórica homem/natureza e sua importância no enfrentamento da questão ambiental. Geosul, v. 29, n. 57, p. 7-26, jan./jun. 2014. PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O MEIO AMBIENTE. PNUMA. Protocolo de Montreal mira novos desafios após 30 anos de sucesso. 15 nov. 2019. STOCKHOLM RESILIENCE CENTRE. Planetary Boundaries. set. 2021. WWF. Pegada ecológica: nosso estilo de vida deixa marcas no planeta. Brasília, jun. 2013. Explore + Para aprofundar seus conhecimentos sobre o tema: Acesse a página da Pegada Ecológica para realizar sua medição. Pesquise o artigo intitulado Kate Raworth e a economia donut: uma alternativa ao crescimento a qualquer custo, publicado no portal da Firjan, e veja como é estruturada a economia donut. Acesse a página de Stockholm Resilience Centre e, em Planetary Boundaries, aprofunde os conhecimentos sobre limites planetários. Assista ao documentário A História das Coisas, disponível no YouTube, que trata dos impactos gerados pelo consumismo. Baixar conteúdo javascript:CriaPDF() Transformações nas organizações e novas tecnologias de gestão Profª. Juliana Velloso Descrição Transformações recentes nas organizações e novas estratégias de gestão socioambiental. Propósito As novas estratégias de gestão da agenda socioambiental empresarial têm adquirido cada vez mais espaço e pressupõem que as empresas atuem além do que a legislação estabelece. Esse conhecimento permitirá que você esteja preparado para lidar com as mudanças e atualizações sobre os novos conceitos de gestão socioambiental. Objetivos Módulo 1 Desa�os sociais e ambientais Reconhecer os principais desafios sociais e ambientais das corporações. Módulo 2 Gestão socioambiental das empresas Identificar as principais ferramentas de gestão socioambiental das empresas. Módulo 3 Sistemas de gestão socioambiental Descrever os instrumentos de monitoramento de sistemas de gestão socioambiental. Módulo 4 Gestão ambiental compartilhada Identificar as características da gestão ambiental compartilhada. A teoria econômica tradicional baseia-se na premissa de que os homens são racionais e agem egoisticamente para maximizar a satisfação de seus interesses. Por essa razão, coube a uma instituição supostamente independente, o mercado, a responsabilidade pelo fluxo de todos os bens e serviços gerados por indivíduos e organizações. Por meio do livre jogo da oferta e da procura, o mercado seria capaz de garantir a distribuição dos bens entre a totalidade dos membros da sociedade, com a consequente satisfação de cada um. Contudo, para seu bom desempenho, o mercado precisa de Introdução 1 - Desa�os sociais e ambientais grande margem de liberdade, não devendo o Estado interferir ou regular seu funcionamento. Sabe-se que, no mundo real, economia e sociedade não estão dissociadas e que o mercado não é uma instituição perfeita. Assim, convidamos você a estudar as transformações nas organizações e as novas estratégias de gestão socioambiental que vêm sendo incorporadas pelas empresas. Inicialmente, abordaremos a importância do gerenciamento dos aspectos sociais e ambientais nas organizações e como é fundamental e crescente o comprometimento dessas instituições, muito além do pagamento dos impostos. Em seguida, apresentaremos as ferramentas de gestão das agendas socioambientais das empresas e as mudanças recentes. Também discutiremos os instrumentos de monitoramento de sistemas de gestão socioambiental e, para finalizar, possibilidades de gestão ambiental compartilhada, explorando a economia circular, mais especificamente o conceito de simbiose industrial. Conhecendo e compreendendo as novas estratégias e ferramentas de gestão socioambiental das empresas, podemos refrear e mitigar os impactos sociais e ambientais, e consequentemente evitar perdas financeiras, reputacionais e de mercado para as corporações, assim como utilizar a força dos negócios para promover soluções para problemas enfrentados pela sociedade contemporânea. Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os principais desa�os sociais e ambientais das corporações. Motivadores da agenda socioambiental empresarial Durante a Conferência de Estocolmo (1972), o representante do governo brasileiro defendeu que o controle da poluição era um entrave ao progresso e articulou a vinda para a cidade de Cubatão, em São Paulo, de indústrias altamente poluidoras, que estavam sendo expulsas dos países desenvolvidos. Naquela época, poluição ainda era sinal de progresso. Conferência de Estocolmo Evento que representou o primeiro alerta de grande repercussão sobre os graves riscos ambientais sofridos pelo planeta. Vista do interior do prédio de Sveriges Riksdag, onde foi realizada a Conferência de Estocolmo. Desde então, muita coisa mudou. Legislações foram instituídas, acordos foram estabelecidos e, com a difusão da tecnologia da informação, a visibilidade das ações do setor privado se tornou muito maior, dando espaço para crescente fiscalização e cobrança por parte da mídia e da sociedade. Além disso, como já demonstrado por meio de diversos estudos sobre as consequências das mudanças climáticas, o custo da inação é geralmente muito maior do que o de agir da forma correta. Assim, e por experiências práticas, o setor privado vem se conscientizando de que o custo financeiro de reduzir o passivo ambiental e de administrar conflitos sociais pode ser mais oneroso do que o custo de "fazer a coisa certa", isto é, de respeitar os direitos humanos e o meio ambiente de todos os povos. Inicialmente, essa mudança de comportamento foi motivada por restrições impostas pela legislação e por pressão da sociedade civil, mas terminou por influenciar o mercado, alterando as bases tradicionais da concorrência. Atenção Se as normas ambientais mais rigorosas representam um custo alto em pagamento de multas e mitigação dos danos ambientais, os acidentes e crimes ambientais provocamescândalos corporativos que abalam a confiança dos consumidores e acionistas, resultando em queda de vendas e, consequentemente, em prejuízos financeiros muito maiores. Tsunami no Japão. Outro fator de pressão, cuja influência cresceu significativamente nos últimos anos, devido aos inúmeros e sucessivos desastres ambientais atribuídos a ações antrópicas (entre eles, queimadas, chuvas intensas, tsunamis e furacões), relaciona-se ao risco real de uma crise ambiental de grandes proporções capaz de gerar escassez das matérias-primas e das fontes energéticas, que suportam o atual padrão de produção e consumo. Além disso, a crise climática atual impactará toda a sociedade, que precisará mudar a trajetória baseada em combustíveis fósseis, para conseguir limitar o aquecimento do planeta. Saiba mais Conforme o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (ONU, 2021), o aquecimento induzido pelo homem atingiu aproximadamente 1°C acima dos níveis pré-industriais em 2017 e irá aumentar em torno de 0,2°C por década. Diante disso, ações de mitigação são indispensáveis para limitar o aquecimento a 1,5°C e as empresas têm papel fundamental nesse processo. É importante ressaltar que o compromisso com a agenda climática engloba, concomitantemente, outras questões ambientais — de gestão de resíduos e água à proteção da biodiversidade e de meios de subsistência —, todas essenciais para uma abordagem holística da mudança climática, com as quais muitas empresas globais têm se preocupado de forma crescente. De fato, esse cenário vem preocupando alguns segmentos industriais, particularmente as indústrias do setor de petróleo e derivados, responsáveis pelo consumo de fontes não renováveis e por elevadas taxas de emissão de poluentes, além de incontáveis acidentes de grandes proporções. Um caso emblemático: Um dos piores desastres ambientais da história dos Estados Unidos, o vazamento de petróleo no Golfo do México, em 2010, já custou à petroleira britânica BP, principal empresa envolvida, mais de US$ 65 bilhões (R$ 238,5 bilhões), e a conta continua a aumentar. (CORRÊA, 2019) Atualmente, as gigantes do petróleo disputam a primazia de possuir as melhores tecnologias de energia renovável e de superar as metas na redução de emissões, em uma tentativa de mudar sua imagem pública desgastada por décadas na liderança da emissão de gases de efeito estufa (GEE). Empresas dos mais variados setores vêm assumindo compromissos públicos com as questões climáticas e questões ambientais, sociais e de governança (ASG). Ao menos no plano da retórica, representantes dos mais diversos setores encaram os custos ambientais como um investimento inerente ao negócio. Ao reconhecer que não tem autonomia para decidir como explorar os recursos de uma determinada região, a empresa demonstra maturidade para o diálogo e abre caminho para a obtenção do que se convencionou chamar “licença social para operar”. Finalmente, na era da globalização e na chamada sociedade da informação, os ativos intangíveis —isto é, o conjunto de recursos não materiais, como o conhecimento e a reputação — também possuem importância estratégica na condução dos negócios. Perder reputação pode representar um prejuízo financeiro incalculável. Assim, as empresas possuem inúmeros motivos para se comprometerem com agendas socioambientais, incorporando-as como parte da estratégia de negócio e buscando estratégias modernas de gestão socioambiental. A seguir, vamos abordar conceitos relevantes nessa agenda empresarial. Filantropia, responsabilidade social corporativa, sustentabilidade, empresa B e estratégia ASG Primeiro vamos conhecer a diferença entre filantropia e responsabilidade social corporativa. Filantropia Durante muitos anos, empresários e empresas praticavam ações filantrópicas como forma de retribuir à sociedade parte dos ganhos adquiridos. Embora sejam relevantes para ajudar a sociedade a mitigar desafios, principalmente sociais, esses tipos de iniciativa não podem ser consideradas ações estratégicas e vinculadas a uma gestão socioambiental. Responsabilidade social corporativa A responsabilidade social corporativa (RSC) ganhou espaço nas corporações em meados da década de 1990 e foi adotada à época por diversas instituições. É definida pela relação que a empresa estabelece com todos os seus públicos (stakeholders) no curto e no longo prazo e de forma estratégica e não pontual. Ela está além do que a empresa deve fazer por obrigação legal, pois cumprir a lei não faz uma empresa ser socialmente responsável. Ao se relacionar estrategicamente com seus públicos, a empresa precisa considerar inúmeras organizações de interesse civil/social/ambiental, além do público interno, acionistas, consumidores/clientes e fornecedores. Ela abrange uma ampla variedade de temas. Exemplo Os códigos de ética, as práticas de boa governança corporativa, os compromissos públicos assumidos pela empresa, a gestão e prevenção de riscos, as questões ambientais e a diversidade são alguns dos temas abrangidos. O ideal é que as empresas busquem compartilhar seus compromissos com essa agenda por toda sua cadeia produtiva. De acordo com o Instituto Ethos (2007, p. 5), a RSC é organizada em sete tópicos a serem explorados: 1. Valores, transparência e governança. 2. Público interno. 3. Meio ambiente. 4. Fornecedores e parceiros. 5. Consumidores/clientes. �. Comunidade. 7. Governo e sociedade. Ações sociais praticadas pelas empresas são relevantes para a sociedade, mas elas não são suficientes para afirmar que uma corporação é ou não socialmente responsável. Atenção É importante ressaltar a diferença entre filantropia e responsabilidade social. As duas podem trazer benefícios à sociedade, no entanto, a primeira tem caráter pontual, assistencialista e voluntário, enquanto a segunda explicita maior comprometimento com uma gestão socioambiental. Ao incorporar a responsabilidade social como estratégia, as empresas estão perseguindo a própria perenidade. No Brasil, o conceito de sustentabilidade começou a ser usado no final da década de 2010. As ações e estratégias de responsabilidade social corporativa passam a ser denominadas como ações, estratégias e área de sustentabilidade. Um conceito importante norteou estratégias de sustentabilidade: Triple bottom line ou, em português, tripé da sustentabilidade, que preconiza que as empresas precisam focar não apenas em questões financeiras, mas também ambientais e sociais. A busca passa a ser por prosperidade econômica, qualidade ambiental e justiça social. Tripé da Sustentabilidade. De acordo com Elkington (1998), há sete dimensões da sustentabilidade: Mercados Valores Transparência Tecnologias focadas no ciclo de vida Parcerias No início do século XXI, o conceito de empresa B começou a ganhar força. As empresas B fazem parte de um movimento que tem como objetivo redefinir o conceito de sucesso nos negócios ao usar a sua inovação, velocidade e capacidade de crescimento não apenas para ganhar dinheiro, mas também para ajudar a mitigar a pobreza, a construir comunidades mais fortes, a recuperar o meio ambiente e a nos inspirar a trabalhar por um propósito maior. O “B” significa benefício e as empresas B querem construir um novo setor da economia no qual a corrida até o topo não quer dizer ser o melhor no mundo, mas sim o melhor para o mundo. A empresa, para ser considerada B, precisa passar por um processo de certificação. Para finalizar, falaremos do conceito atualmente em voga no mercado: ambiental, social e governança (ASG). Esse termo, que vem sendo cada vez mais utilizado pelas empresas e no mercado financeiro, preconiza o enfoque em uma estratégia corporativa que priorize os três aspectos além da geração de lucro. Pelo lado dos investimentos ASG, as finanças sustentáveis passam a integrar aspectos ambientais, sociais e de governança nas tomadas de decisão de investimento pelos atores do mercado financeiro,e acabam Tempo Governança corporativa gerando um círculo virtuoso, porque esses investimentos estimulam as empresas a investir em agendas ASG. Atualmente, é crescente o incentivo às boas práticas ASG. Consumidores sinalizam disposição a pagar mais por um produto de uma empresa que prioriza essas práticas. Além disso, com a internet, o consumidor e as organizações não governamentais atuam de forma mais enfática na vigilância permanente contra más práticas corporativas socioambientais. A importância e os princípios da gestão socioambiental nas corporações Até aqui ficou claro como questões socioambientais são vitais para a sustentabilidade das corporações. Um sistema de gestão ambiental é um conjunto inter‐relacionado de políticas, práticas e procedimentos organizacionais, técnicos e administrativos de uma empresa, que tem como objetivo a obtenção de um melhor desempenho ambiental, bem como o controle e a redução dos impactos ambientais. Empresas que adotam a gestão socioambiental e levam a sério, acabam não apenas se beneficiando em termos institucionais e reputacionais, mas também em termos financeiros. Atenção É cada vez maior a atenção dos consumidores ao impacto social e ambiental das empresas, assim como às restrições e obrigações, por meio de legislações, da vigilância de organizações não governamentais, da mídia e das redes sociais. Quando uma empresa coloca em prática estratégias e ferramentas de gestão socioambiental, ela consegue mensurar seus impactos e estabelecer medidas para diminuí-los ou zerá-los. Com o tempo, as empresas começaram a verificar que os recursos alocados na área ambiental se tornavam investimentos e proporcionavam vantagem competitiva (DONAIRE, 1999, p. 57). Diante disso, a partir da década de 1980, países desenvolvidos, como a Alemanha, começaram a incorporar a dimensão ambiental em suas estratégias de negócio. Inicialmente, isso foi introduzido de forma pontual até serem desenvolvidos e implementados sistemas de gestão ambiental e social. Desde então, diversas metodologias de gestão socioambiental foram desenvolvidas e vêm sendo aplicadas e aprimoradas. Benefícios da gestão socioambiental Ao incorporar questões socioambientais à sua estratégia e implementar a gestão desses temas, a empresa acaba encontrando muitas oportunidades de melhoria e economia de recursos financeiros e materiais em seus processos. Além disso, fica mais bem preparada para lidar com desafios de diferentes naturezas. As empresas provavelmente serão mais resilientes diante de choques inesperados e adversidades se forem administradas com objetivos de longo prazo e em linha com megatendências socioambientais, como inclusão e mudança climática. Entre os principais benefícios, podemos destacar: Redução de riscos de acidentes ambientais. No quadro a seguir, são apresentados benefícios da gestão socioambiental: Benefícios econômicos Benefícios estratégicos Economia devido à redução do consumo de água, energia e outros insumos. Melhoria da imagem institucional. Economia devido à reciclagem, à venda e ao aproveitamento de resíduos, bem como devido à diminuição de efluentes. Renovação e ampliação do portfólio de produtos/serviços. Redução de multas e penalidades por poluição. Aumento da eficiência nos processos. Melhor utilização dos recursos naturais disponíveis, evitando desperdício e estimulando o reuso. Redução nas contas de água e luz. Adoção do descarte adequado de resíduos e da reutilização e melhor uso de materiais. Fortalecimento da imagem da empresa junto a fornecedores, clientes, autoridades, bem como toda a sociedade. Melhoria significativa na administração de recursos energéticos, humanos e materiais. Benefícios econômicos Benefícios estratégicos Aumento da contribuição marginal de “produtos verdes” a partir da agregação de valor. Aumento da produtividade. Linhas de novos produtos para novos mercados. Possibilidades de aumento no comprometimento dos atores envolvidos. Aumento da demanda para produtos que contribuam para a diminuição da poluição. Expansão da criatividade e consequente preparo para novos desafios. Melhoria das relações com órgãos governamentais, comunidade e ONGs. Melhoria das relações com demais stakeholders. Aumento de oportunidades de acesso ao mercado externo. Melhor adequação aos padrões ambientais. Quadro: Benefícios da gestão socioambiental. Elaborador por: Juliana Velloso. A implantação de sistemas de gestão ambiental nas empresas diminui os impactos ambientais causados pelas suas atividades, com o uso sistemático de ferramentas. Os aspectos ambientais significativos devem ser medidos periodicamente e ter seus resultados comparados aos padrões legais aplicáveis. Temas que sempre precisam ser medidos pelas empresas são as emissões atmosféricas, os efluentes líquidos e os ruídos, seguindo as legislações ambientais. De forma geral, as empresas que realizam a gestão socioambiental se mostram mais preparadas para lidar com desafios e acabam performando melhor. Case : Interface�or Neste vídeo, a especialista apresentará o case de uma empresa considerada referência em sustentabilidade no mundo e que leva a gestão socioambiental a sério. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 1 - Vem que eu te explico! Objetivos de desenvolvimento sustentável Módulo 1 - Vem que eu te explico! Mudanças climáticas: o grande desa�o ambiental atual da humanidade Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 Um dos principais desafios da atualidade é o aquecimento global e ele vem gerando mudanças climáticas que são e serão sentidas, de diferentes formas, por todo o planeta. Um dos principais causadores do aquecimento global é a emissão de gases de efeito estufa. Indique como um sistema de gestão socioambiental poderia ajudar as corporações a lidarem melhor com esse desafio. A As empresas entenderiam melhor os impactos do aquecimento global em seus modelos de negócio, implementariam mudanças e metas para diminuir suas emissões, assim como ferramentas de monitoramento. B As empresas buscariam migrar suas fábricas para locais menos afetados pelas mudanças climáticas, mantendo seu padrão de impacto socioambiental. C As empresas buscariam conscientizar seus funcionários sobre a questão e estimulariam mudanças no dia a dia deles não alterando seus processos e produtos. D As empresas seguiriam a legislação ambiental e continuariam emitindo poluentes e gases de efeito estufa, causadores do aquecimento global, até a mudança da legislação. E As empresas buscariam apenas copiar o que suas concorrentes estavam fazendo alterando marginalmente seus processos e tecnologias utilizadas. Parabéns! A alternativa A está correta. Muitas empresas começaram a verificar que as despesas realizadas com a proteção ambiental podem se transformar em vantagem competitiva. Ter uma estratégia e investir em um sistema de gestão ambiental pode ser fundamental para escolher a melhor forma de lidar com um desafio socioambiental como as mudanças climáticas. Questão 2 Ao incorporar a gestão socioambiental, a empresa precisa se relacionar com diferentes stakeholders e passar a tratar uma ampla variedade de temas que incluem, por exemplo, códigos de ética, práticas de boa governança corporativa, compromissos públicos assumidos pela empresa, gestão e prevenção de riscos, questões ambientais e diversidade. De acordo com o Instituto Ethos, referência no tema no país, há sete tópicos a serem explorados em uma estratégia de responsabilidade social corporativa. Identifique a alternativa a seguir que demonstra uma empresa que incorpora todas as temáticas na sua gestão. A A empresa Rouxinol possui uma estratégia socioambiental focada em projetos sociais no entorno da sua sede. A empresa não realiza a coleta seletivade seus resíduos. Tem um programa que estimula ações sociais entre seus parceiros e fornecedores. Paga todos os impostos. Estimula seus funcionários a realizarem projetos sociais no tempo livre. B A empresa Tiê publica anualmente seu relatório de sustentabilidade, tem programas de valorização de seu corpo funcional e promove a qualidade de vida no ambiente de trabalho, segue todas as normas ambientais e faz a gestão ambiental de toda sua operação. Busca incentivar o mesmo comportamento entre seus fornecedores, é muito bem avaliada pelo relacionamento com os clientes, tem um programa regular de diálogo com as comunidades que são afetadas em suas operações e sempre dialoga com o governo sobre questões críticas ao seu negócio. C A empresa Sabiá tem ótimo relacionamento com seus cliente e acionistas. Tem alto índice de resolução de reclamações. Segue as normas ambientais que regem seu negócio. Realizam trabalhos sociais nas comunidades de seu entorno. O corpo funcional faz hora extra e segue uma política competitiva, que, muitas vezes, leva a problemas relacionais entre os funcionários. D A empresa Bemtevi ganhou o prêmio de melhor relatório de sustentabilidade por cinco anos consecutivos. Auxilia o governo como empresa piloto para o estabelecimento de aprimoramentos regulatórios. Realiza encontros semestrais com acionistas e representantes dos principais grupos de stakeholders. Recentemente, causou a poluição de um rio próximo à sua sede, impactando o consumo da comunidade do entorno. E A empresa Kea é referência em monitorar sua gestão socioambiental. Tem uma política de relacionamento com a comunidade e com diversos grupos com os quais se relaciona. Tem programas em prol de seu corpo funcional. Recentemente, recebeu multas por atraso no pagamento de impostos. Parabéns! A alternativa B está correta. Muitas empresas acabam focando apenas em alguns aspectos da gestão socioambiental, não incorporando uma estratégia de sustentabilidade de forma integral. A empresa Rouxinol não realiza a coleta seletiva dos seus resíduos, enviando a totalidade para aterros sanitários, sendo que parte do resíduo poderia se tornar matéria-prima para sua produção ou para outras empresas. A empresa Sabiá estimula a competitividade entre seus funcionários, o que leva a conflitos dentro da organização. A empresa Bemtevi polui um rio em seu entorno, impactando o modo de vida da comunidade e a empresa Kea recebeu multas por atraso no pagamento de impostos representando falha administrativa considerável. 2 - Gestão socioambiental das empresas Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as principais ferramentas de gestão socioambiental das empresas. Ferramentas de gestão socioambiental Relatórios de sustentabilidade Quando se fala em sustentabilidade empresarial, um primeiro passo importante é elaborar um relatório de sustentabilidade, o qual permitirá entender em que ponto a empresa se encontra, estabelecer como a empresa pretende avançar e definir metas claras para tal. Além da importância da relatoria para o diálogo com as partes interessadas internas e externas, ela também se torna um instrumento de gestão de desempenho para a organização. O processo de elaboração dos relatórios de sustentabilidade envolve a identificação, a avaliação e a mensuração do desempenho em relação à sustentabilidade, ajudando na sua gestão. Esse processo, por si só, permite à organização desenvolver ou até mesmo aprimorar as suas estratégias de sustentabilidade e promover a integração entre diferentes áreas da empresa. A grande dificuldade em relação ao tema costuma estar na estruturação dos pontos a serem abordados no relatório, no levantamento e na análise de resultados de medidas sustentáveis, e na mensuração do impacto social e ambiental das operações no dia a dia da empresa. Nesse sentido, existem alguns modelos para apoiar as empresas na elaboração dos relatórios e um dos utilizados pelas grandes empresas e reconhecido internacionalmente é o estabelecido pelo Global Reporting Initiative (GRI). Indicadores Ethos O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social é uma instituição que tem como objetivo mobilizar, sensibilizar e ajudar empresas a implementarem a responsabilidade social corporativa em seus negócios. Ela é uma instituição que congrega e compartilha conhecimento, troca de experiências e desenvolvimento de ferramentas para auxiliar as empresas a analisar suas práticas de gestão e aprofundar seu compromisso com a responsabilidade social e o desenvolvimento sustentável. O instituto possui um conjunto de indicadores que podem ser utilizados por empresas que querem incorporar questões socioambientais em sua estratégia. Os indicadores representam uma ferramenta de gestão socioambiental e se baseiam em um questionário, que permite à empresa mapear seu atual contexto na gestão socioambiental e estabelecer metas e compromissos para evoluir no tema. Atenção Esses indicadores apoiam as empresas de todos os segmentos e portes na definição de estratégias, políticas e processos de uma agenda socioambiental, além de ajudá-las a definir objetivos e ações de gestão responsável para a sustentabilidade. Programas de gestão ambiental Há inúmeras proposições de modelos de gestão socioambiental e mencionaremos alguns. O Modelo Winter A empresa Ernst Winter & Sohn, fabricante de ferramentas em diamantes, comprometeu-se publicamente com a proteção do meio ambiente em 1992. Desde essa data, a empresa iniciou diversas ações até desenvolver um sistema integrado de gestão ambiental e que foi denominado modelo Winter. O modelo incorporava questões ambientais em todos os setores da companhia. De acordo com o modelo Winter, uma gestão ambiental sistemática não é algo que possa ser introduzido de forma imediata em uma empresa. Ela exige planejamento, o estabelecimento de etapas a serem seguidas e dedicação em sua implementação. Os módulos do modelo incorporam os seguintes temas: 1. Motivação da alta administração. 2. Objetivos e estratégias da empresa. 3. Marketing. 4. Disposições internas em defesa do ambiente. 5. Motivação e formação do pessoal. �. Condições do trabalho. 7. Alimentação dos funcionários. �. Aconselhamento ambiental familiar. 9. Economia de energia e água. 10. Desenvolvimento do produto. 11. Gestão de materiais. 12. Tecnologia de produção. 13. Tratamento e valorização de resíduos. 14. Veículos da empresa. 15. Construção das instalações. 1�. Finanças. 17. Direito. 1�. Seguros. 19. Relações internacionais. 20. Relações públicas. Os planos de ação e a estratégia ecológica Os chamados planos de ação da gestão ambiental começam a partir da realização de um diagnóstico ecológico da empresa e da construção de uma estratégia ecológica. Segundo Backer (1995), idealizador desse sistema de gestão ambiental, é necessária a realização de um diagnóstico inicial para entender como a variável ambiental é compreendida dentro da empresa. A partir disso, o esforço necessário para implementação de uma gestão que incorpore essa variável é estabelecido. A estratégia ecológica que será utilizada pela empresa incorpora diversas áreas e planos diferentes conforme apresenta a figura a seguir. Os planos de ação que forma a estratégia ecológica. O programa de atuação responsável da Abiquim O Programa de Atuação Responsável da Abiquim foi adaptado do Responsible Care Program, desenvolvido pela Chemistry Industry Association of Canada (CIAC), implantado em diversos países e, de acordo com Donaire e Oliveira (2018), utilizado em mais de 40 países com indústrias químicas em operação. O Responsible Care Program se propôs a ser um instrumento eficaz para o direcionamento do gerenciamento ambiental. Além de se preocupar com a questão ambiental de cada empresa, inclui recomendações para a segurança das instalações, processos e produtos e questões relativas à saúde e segurança dos trabalhadores, bemcomo relativas ao diálogo com a comunidade. Saiba mais No Brasil, a Abiquim adaptou o programa ao contexto brasileiro, e ele começou a ser utilizado pelas empresas químicas na década de 1990. Em 1998, o programa passou a ser obrigatório para todas as empresas associadas à Abiquim. Normas ISO Diante da crescente relevância das questões socioambientais, a partir da década de 90, começaram a ser definidas as diretrizes para a implementação de um sistema de gestão ambiental por corporações. A ISO 14001, que estabeleceu essas diretrizes acabou sendo estruturada após o estabelecimento da ISO 9001, que definiu os parâmetros para implementação de sistemas de gestão da qualidade. Em 1999 Foi instituída a OHSAS 18001, que estabeleceu o direcionamento para a formação de Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde do Trabalho (SGSST). Em 2004 Um marco importante na agenda socioambiental empresarial foi o lançamento, da ISO 16001 para apoiar a implantação de um sistema de gestão de responsabilidade social. Em 2010 Foi lançada a ISO 26000, que estabeleceu as diretrizes da responsabilidade social corporativa. As normas são importantes, pois se espera que facilitem a implementação de ações concretas que respondam à crescente preocupação e pressão da sociedade em relação aos direitos humanos em seu sentido mais amplo, englobando os direitos trabalhistas e políticos, a par do direito dos consumidores, além da preservação ambiental. As normas ISO 9000 e ISO 14000 estão entre as mais conhecidas certificações no mundo em relação à gestão da qualidade e à gestão do meio ambiente. São séries que beneficiam empresários na busca por soluções de problemas de produção e melhoria de produtividade, além de tornar o negócio mais transparente, mais eficiente e gerar mínimo impacto na natureza. Vamos conhecer sobre elas a seguir. A primeira versão da norma ISO 9001, publicada em 1987, passou por quatro revisões, nos anos 1994, 2000, 2008 e 2015. A norma ISO 9001 estabelece requisitos de gestão da qualidade com base em um modelo de sistema de gestão. O modelo baseia-se nos princípios da gestão da qualidade total, que envolvem: foco no cliente, liderança, envolvimento das pessoas, abordagem de processo, abordagem sistêmica para a gestão, melhoria contínua, tomada de decisão baseada em fatos, além de benefícios mútuos nas relações com os fornecedores. É uma norma que institui as diretrizes de um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) permitindo que as organizações construam uma estrutura que proteja o meio ambiente. A norma define as diretrizes para uso da especificação e tem por objetivo oferecer às empresas direcionamentos para uma efetiva gestão ambiental que seja conectada aos demais objetivos da organização. Ela define um SGA como parte de um sistema de gestão de uma organização, constituído de um conjunto de elementos inter- relacionados, utilizado para desenvolver e implementar sua política ambiental, além de gerenciar seus aspectos ambientais. ISO 9001 ISO 14001 Considera-se nesse arcabouço teórico-conceitual a estrutura organizacional, as atividades de planejamento, organização, direção e controle, a amplitude de atuação gerencial, os níveis de responsabilidades práticas, os procedimentos, os processos e os recursos. Além disso, ela preconiza a instituição de uma política ambiental corporativa, que compreende o conjunto de intenções e princípios gerais de uma organização em relação ao seu desempenho ambiental, em conformidade com o que é formalmente expresso pela alta administração. A política ambiental estabelece uma estrutura para ação e definição dos seus objetivos e metas ambientais. Um ponto fundamental para o estabelecimento de um SGA é o comprometimento de todos os colaboradores, principalmente da alta administração. O objetivo da OHSAS 18001:2007 é estabelecer um sistema de gestão da segurança e saúde do trabalho (SST) destinado a eliminar ou minimizar o risco para trabalhadores e outras partes interessadas, que possam ser expostas a riscos para a SST associados às suas atividades. A NBR 16001 é uma norma brasileira que teve sua primeira versão lançada em 2004 e revisada em 2012. Essa norma estabelece requisitos para a implementação de um sistema de gestão da responsabilidade social (SGRS). A ISO 26000 fornece diretrizes de responsabilidade social para corporações de modo a facilitar o trabalho na construção de uma gestão socioambiental. Ela estabelece orientações para corporações de diferentes portes e trata sobre conceitos, termos e definições de responsabilidade social e diversos outros temas relacionados à questão. OHSAS 18001 ISO 16001 ISO 26000 Os temas centrais que regem o desenvolvimento a ISO 26000 são os seguintes: direitos humanos, práticas trabalhistas, meio ambiente, práticas operacionais justas, questão dos consumidores, desenvolvimento e participação da comunidade e governança organizacional. Outras iniciativas É importante mencionar também outras iniciativas, como a gestão da qualidade ambiental total (TQEM), ecologia industrial (EI) e produção mais limpa (P+L). Os três são ferramentas de gestão socioambiental que buscam aumentar a eficiência das empresas. Vamos conhecer a seguir. Gestão da qualidade ambiental total (TQEM) Na década de 1990, o gerenciamento da qualidade total (TQM) começou a ser desenvolvido e adotado no Japão. O sistema envolve três processos baseados em planejamento, controle e melhoria. Além disso, ele é baseado em pontos que abordam a satisfação do cliente, a liderança para a qualidade, a melhoria contínua, a participação dos funcionários, a constância de propósitos e o desenvolvimento de treinamentos. Para essa metodologia, não adianta uma empresa ter ótimos produtos se seu processo produtivo promover impactos ambientais. A empresa precisa incorporar a gestão ambiental à sua estratégia e a todas as suas decisões. Atenção Com a gestão da qualidade ambiental total, objetiva-se promover melhorias em todo processo produtivo, gerando mais eficiência nos processos e economia de recursos materiais, energéticos e financeiros. Ecologia industrial A ecologia industrial preconiza a mudança de processos que seguem uma lógica linear para modelos que têm uma lógica circular e virtuosa. O objetivo é otimizar a utilização de recursos e desenvolver formas mais eficientes e menos impactantes de produzir. A ecologia industrial possui sua origem vinculada à metáfora entre os ecossistemas naturais e industriais. Ela foi definida por Robert White (1994) como uma proposta de avaliar os fluxos materiais e de energia em atividades produtivas e consumidoras e seus efeitos no ambiente. Ela pode ser compreendida, em termos gerais, por meio de cinco características: Basear-se na natureza como modelo. Promover a harmonia, o equilíbrio e a integração entre os sistemas ecológico e industriais. Ser uma ciência da sustentabilidade. Focar produtos, processos, serviços e resíduos. A ecologia industrial possui três diferentes escalas de atuação. Ela pode ocorrer internamente à organização, isto é, intraorganizacional, entre organizações, o que comporia relações interorganizacionais e, no fim, em uma perspectiva macro, no âmbito regional ou global. Observe os diferentes níveis e os conceitos associados. Escalas de atuação da ecologia industrial. Podução mais limpa (P+L) O modelo de produção mais limpa (P+L) vem sendo desenvolvido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), desde a década de 1980. Ele objetiva levar para as corporações uma gestão ambiental preventiva que contemple processos, produtos e serviços e que integre a variável ambiental de forma estratégica. A ideia é buscar o aumento da eficiência e minimizar e evitar impactos ambientais. A P+L, nesta sequência, prioriza a prevenção, a redução, o reuso e a reciclagem, o tratamento com recuperaçãode materiais e energia, o tratamento e a disposição final. Buscar a integração de diferentes sistemas. Segundo o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), os maiores obstáculos à implementação das práticas de P+L ocorrem em função de: 1. Resistência à mudança, da concepção errônea (falta de informação sobre a técnica e a importância dada ao ambiente natural). 2. Inexistência de políticas nacionais que deem suporte às atividades de P+L. 3. Barreiras econômicas (alocação incorreta dos custos ambientais e investimentos). 4. Barreiras técnicas (novas tecnologias). Produção mais limpa Neste vídeo, o especialista irá explorar mais o modelo produção mais limpa e apresentar dois casos de empresas que aplicaram o programa. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 2 - Vem que eu te explico! Explorando outras ferramentas de gestão socioambiental: Global Reporting Initiative Módulo 2 - Vem que eu te explico! Explorando outras ferramentas de gestão socioambiental: Carbon Disclosure Project Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 As empresas precisam, antes de tudo, mapear seus processos e monitorar suas atividades para implementar uma gestão socioambiental. Qual opção ilustra ferramentas que possibilitam realizar esse processo? A Código de ética e quadro de missão e valores. B Relatório de sustentabilidade e indicadores Ethos. C Plano de relacionamento com stakeholders. D Plano de comunicação interno e externo. E Plano de carreiras. Parabéns! A alternativa B está correta. O relatório de sustentabilidade pode ser um ótimo primeiro passo para as empresas mapearem e monitorarem seus processos. Os indicadores Ethos são uma excelente ferramenta para as empresas iniciarem a gestão socioambiental. Questão 2 A ecologia industrial busca alterar a lógica de processos lineares para processos circulares, otimizando o uso de energia e de recursos, e eliminando perdas desnecessárias. Ela estuda os fluxos de materiais e de energia em atividades industriais e de consumo, bem como os seus efeitos no meio ambiente. Qual opção a seguir retrata características da ecologia industrial? A Buscar usar os recursos naturais ao máximo. B Produzir de forma a não pensar em reutilizar os materiais descartados durante o processo produtivo. C Buscar promover o consumo irracional dos produtos e a venda contínua de peças de reposição. D Gerar resíduos crescentes e não buscar soluções para a questão. E Buscar a harmonia, o equilíbrio e a integração entre os sistemas ecológico e industriais. Parabéns! A alternativa E está correta. A ecologia industrial busca integrar os sistemas ecológicos e industriais, incorporando aprendizados da natureza no processo produtivo. 3 - Sistemas de gestão socioambiental Ao �nal deste módulo, você será capaz de descrever os instrumentos de monitoramento de sistemas de gestão socioambiental. A importância dos indicadores para o monitoramento dos sistemas de gestão As iniciativas de gestão socioambiental só serão efetivas se as empresas, além de implementarem os sistemas, monitorarem suas respectivas performances. É necessário o estabelecimento de indicadores que monitorem as metas e os resultados instituídos e, por conseguinte, promovam a melhoria contínua dos sistemas. Devido à sua relevância, há inúmeros indicadores que avaliam o desempenho de sistemas de gestão socioambiental e que suprem a necessidade de medição e verificação da eficiência das estratégias empresariais. Eles possibilitam conhecer a situação real das corporações e estabelecer planos de ação para implementação de melhorias. Os indicadores são relevantes, pois geram informações relevantes sobre a gestão socioambiental implementada e ajudam na obtenção de resultados cada vez melhores. São associados a informações qualitativas ou quantitativas e podem representar as condições de um momento ou funcionar como instrumento constante de monitoramento. Observe, a seguir, as características de indicadores de um sistema de gestão ambiental. Eles podem ser aplicados em qualquer ramo de atividade, por serem indicadores de fácil implementação e controle. Características de indicadores de um sistema de gestão ambiental São requisitos que os indicadores do sistema de gestão ambiental devem apresentar: 1. Simplicidade. 2. Representatividade. 3. Disponibilidade de dados. 4. Estabilidade. 5. Rastreabilidade. A escolha dos indicadores depende do que objetiva monitorar, e eles podem ser medidos em campo, em laboratório ou em escritório. A medição de alguns é bem simples, mas de outros pode apresentar elevado grau de complexidade. Os principais indicadores são do: Meio ambiente natural Desenvolvimento sustentável Impacto na saúde humana Impacto na saúde humana Monitorando níveis de saúde física e mental, segurança, ruído e educação ambiental. Exemplos de indicadores de um sistema de gestão ambiental Há uma série de indicadores que podem ser monitorados em um sistema de gestão socioambiental. Desde a elaboração de um relatório de sustentabilidade, do GRI, dos indicadores Ethos, das normas ISO, até a elaboração de inventário de carbono, tudo isso pode auxiliar as empresas a elencarem seus principais indicadores. A seguir, apresentamos exemplos de temas que podem ser monitorados por indicadores ambientais: Exemplos de indicadores de aspectos ambientais relativos a: Materiais (uso e reciclagem) Energia (consumo de energia direta ou indireta) Água (retirada por fonte) Biodiversidade (índice de biodiversidade e impactos nas áreas pertencentes ou administradas pela organização) Exemplos de indicadores de aspectos ambientais relativos a: Emissões, efluentes e resíduos Produtos e serviços (mitigação de impactos ambientais e recuperação de embalagens) Conformidade ambiental (multas e sanções por não conformidades ambientais) Transporte (impactos de transporte de mercadorias e de trabalhadores) Aspectos ambientais gerais (investimento em proteção ambiental) Quadro: Exemplos de indicadores de aspectos ambientais. Elaborador por Juliana Velloso, adaptado de GRI, 2008. A auditoria ambiental A auditoria ambiental é um fator importante para uma efetiva política de minimização dos impactos ambientais das empresas e de melhoria de seus indicadores. Sua execução constitui-se em um critério essencial para que investidores e acionistas possam avaliar o passivo ambiental da empresa e fazer a projeção para sua situação no longo prazo, de modo mais transparente e confiável. Ela simboliza um processo formal e periódico de verificação, por parte de um agente externo, da atuação ambiental de uma instituição. Seus princípios mais relevantes são conduta ética, apresentação justa, devido cuidado profissional e independência, e abordagem baseada em evidências. Saiba mais A auditoria pode ser usada como uma estratégia em busca de melhoria contínua, pois acaba exigindo aprimoramentos constantes por parte das empresas. Na prática, observa-se que muitas empresas controlam e monitoram aspectos socioambientais por meio da realização periódica de auditorias (interna e externa) e elas se tornam muito importantes no caso de obtenção e renovação de certificações. Por meio de auditorias socioambientais, pode-se prevenir acidentes ambientais, identificar conformidades e não conformidades, aprimorar a gestão da empresa, ajudar na mitigação de impactos ambientais e, consequentemente, melhorar a imagem da empresa. Resumindo As auditorias são importantes instrumentos de verificação da efetividade de sistemas de gestão socioambiental e acabam estimulando a melhoria contínua da empresa em relação à questão. Tipos de auditoria ambiental As auditorias ambientais realizam uma avaliação da organização com base em critérios ambientais, tais como: normas técnicas, requisitos legais,requisitos definidos por clientes ou pela própria empresa. Existem diferentes tipos de auditorias ambientais, vejamos sobre cada uma delas a seguir. Auditoria de conformidade legal Avalia se a empresa está atendendo às normas legislativa. Auditoria de descomissionamento É realizada quando as empresas estão fechando. Auditoria pós-acidente Tem como objetivo investigar os motivos que levaram ao ocorrido. Auditoria de sistema de gestão Visa adaptar, certificar ou avaliar o atendimento da empresa ao que é definido em um sistema de gestão ambiental. Metodologia da auditoria ambiental A auditoria contempla uma sistemática e documentada avaliação de como a empresa se encontra em relação à sua gestão socioambiental. Ela deve ser realizada periodicamente, visa facilitar a atuação e o controle da gestão ambiental da empresa e assegurar que a planta industrial esteja dentro dos padrões exigidos pela legislação. De acordo com Donaire (1999), entre as atividades que são usualmente auditadas, incluem-se as seguintes: 1. Políticas, responsabilidades e organização das tarefas. 2. Planejamento, acompanhamento e relatório das ações. 3. Treinamento e conscientização do pessoal. 4. Relações externas com órgãos públicos e comunidade. 5. Adequação aos padrões legais. �. Planejamento de emergências e funcionalidade. 7. Fontes de poluição e sua minimização. �. Tratamento da poluição e acompanhamento das descargas. 9. Economia de recursos. 10. Manutenção adequada. 11. Uso do solo. Embora possa haver procedimentos diferentes de empresa para empresa, usualmente são adotados alguns passos básicos para executar auditoria ambiental em empresas, dividindo o trabalho em três partes: Atividades pré-auditoria. Atividades de campo. Atividades pós-auditoria. Na maioria das empresas, as auditorias ambientais são de competência de uma equipe que está sob a responsabilidade da área ambiental da empresa. A auditoria necessita do apoio e do envolvimento da alta administração, pois caso contrário seus resultados não serão satisfatórios. Assim, a atividade de auditoria deve ser claramente comunicada na organização junto aos demais escalões da empresa, especificando seus objetivos, a metodologia e os procedimentos, bem como a política de incentivos que será adotada. A equipe de auditoria deve ganhar a confiança das unidades auditadas e deixar claro que seu trabalho está muito mais voltado para melhorar a eficácia global da organização, identificando formas de progresso, do que para identificar e punir os responsáveis pelos problemas encontrados. As atividades de pré-auditoria são: 1. Selecionar e programar as condições da auditoria. 2. Selecionar os integrantes da equipe de auditoria fixando suas responsabilidades no processo. 3. Discutir com a equipe o plano de auditoria e mecanismos que facilitem seu desenvolvimento. Na etapa de atividades de campo, a equipe de auditoria pode usar vários instrumentos que permitirão avaliar o comportamento da unidade auditada, como: visitas às plantas das fábricas, inspeção de processos e materiais, questionários, entrevistas e revisão de documentos. As atividades de campo incluem cinco fases, que são as seguintes: Entendimento dos controles internos e critérios Avaliação dos controles internos Coleta dos dados Avaliação dos resultados da auditoria Relatórios preliminares dos resultados O relatório final da auditoria ambiental deve ser elaborado como resultado da discussão entre a equipe de auditoria, os gerentes e os representantes dos trabalhadores da unidade auditada, a fim de que possa ser delineado um plano comum de ação com base nos resultados encontrados. As atividades de pós-auditoria devem atender os seguintes aspectos: Con�abilidade dos instrumentos de monitoramento Um sistema de monitoramento se torna essencial para que as corporações possam monitorar, medir, analisar e avaliar o desempenho Apresentar o relatório explicado no encontro fechado, especificando prazo para a correção e lista de destinatários que devem ser informados por meio do relatório final e do plano de ação. Elaborar o relatório final. Estabelecer o plano de ação, especificando metodologia, estratégia, cronograma, execução e controle. Acompanhar a execução do plano de ação e de seus resultados junto às unidades envolvidas, certificando-se de que todos os procedimentos foram seguidos e executados. de sistemas de gestão socioambiental. É importante ter diversos indicadores que possam avaliar os processos operacionais, os aspectos ambientais relevantes e o atendimento de obrigações legais e compromissos da empresa e do setor. Atenção O monitoramento é importante como uma forma de garantir a qualidade dos dados e a obtenção de resultados frente aos padrões legais e objetivos e metas organizacionais. Empresas que colocaram a gestão socioambiental em prática Neste vídeo, a especialista irá explorar a importância da gestão socioambiental e apresentar cinco casos de sucesso. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 3 - Vem que eu te explico! A importância dos indicadores de gestão socioambiental para as empresas Módulo 3 - Vem que eu te explico! Auditoria ambiental ISO19011 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 A escolha dos indicadores depende dos objetivos de monitoramento e ação de uma empresa. Eles são importantes para as empresas analisarem como estão e estabelecerem aonde querem chegar em termos socioambientais. A seguir, selecione a opção que apresenta indicadores relevantes para a gestão ambiental de uma empresa. A Indicadores relativos ao número de acidentes de trabalho. B Indicadores relativos à retenção de talentos. C Indicadores relativos à escolaridade de funcionários. D Indicadores relativos à economia de energia elétrica. E Indicadores relativos ao recall de produtos. Parabéns! A alternativa D está correta. O controle dos gastos de energia é um tema de grande importância dentro de uma estratégia de gestão ambiental de uma empresa e precisa ter seus dados levantados e monitorados, buscando a melhoria contínua de seus números. Os demais indicadores apresentados se referem a questões sociais e produtivas da organização. Questão 2 A auditoria socioambiental é uma atividade administrativa que compreende uma sistemática e documentada avaliação de como a organização se encontra em relação à questão socioambiental. Ela deve ser realizada periodicamente para permitir o controle da gestão ambiental da empresa e assegurar que ela esteja dentro dos padrões exigidos pela legislação e dentro das metas estabelecidas. A atividade de auditoria consiste em A replanejar todo o processo produtivo da empresa para gerar mudanças com objetivo apenas de aumentar a lucratividade. B controlar e monitorar aspectos socioambientais periodicamente. C levantar todos os indicadores da empresa apenas para armazená-los em um banco de dados. D mapear os principais impactos socioambientais da empresa e informá-los à diretoria. E levantar todas as pendências financeiras da empresa advindas de questões socioambientais. Parabéns! A alternativa B está correta. A auditoria é uma importante ferramenta de controle e monitoramento da estratégia socioambiental da empresa. Ela permite que a empresa avalie, periodicamente, o desempenho de seu sistema de gestão ambiental e, caso necessário, ajuste seus objetivos e se esforce para melhores resultados. 4 - Gestão ambiental compartilhada Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as características da gestão ambiental compartilhada. Case de gestão ambiental compartilhada Neste vídeo, a especialista irá apresentar o caso de Kalundborg. Gestão ambiental compartilhada A gestão ambiental compartilhada depende, antes de tudo, do comprometimento da empresa com uma melhor gestão ambiental. Quando ela começa a entendero impacto ambiental de seu processo produtivo e de todos os demais processos associados, ela pode identificar, como já apresentado, diversos pontos de aperfeiçoamento, que podem gerar economia de recursos financeiros e materiais. Geralmente, isso acontece dentro de cada empresa ou, em caso de empresas multinacionais, em todas as suas unidades. Quando a empresa avança ainda mais em sua gestão ambiental e consegue estabelecer parcerias com outras empresas, ela pode alcançar ganhos ainda maiores de economia. Muitas vezes, o resíduo de uma empresa pode ser um recurso valioso para outra e, quando se estabelecem parcerias, consegue-se alterar processos que funcionam em ciclos lineares, baseados na extração, produção e no descarte, para ciclos circulares, em que o objetivo é não ter a geração de resíduo, sempre considerado um recurso. No tópico seguinte, apresentaremos o conceito de economia circular. Economia circular O modelo circular compreende a natureza e seu funcionamento como grande inspiração e busca replicar os processos nas corporações. A economia circular preconiza que o fluxo de materiais pode ocorrer de duas maneiras: Os que compreendem os nutrientes biológicos e que podem retornar ao ambiente de forma segura. Os que compreendem nutrientes técnicos e que precisam circular o máximo possível e com qualidade antes de retornar para o ambiente. A economia circular orienta o abandono da lógica dominante, baseada na linearidade “extrair, produzir, desperdiçar” e defende que esse sistema está atingindo seu limite físico. A lógica baseada na circularidade busca dissociar a atividade econômica do consumo de recursos finitos. Além disso, ela defende o uso de fontes renováveis de energia e se baseia em três princípios: Eliminar resíduos e poluição desde o princípio. Manter produtos e materiais em uso. Regenerar sistemas naturais. A partir da lógica circular, empresas vêm reinventando processos e implementando mudanças positivas para seus negócios e para o planeta. Atenção Além de mudanças em suas estruturas internas, as empresas podem buscar parcerias com outras instituições, aprimorando ainda mais sua gestão ambiental. No tópico seguinte, apresentaremos o conceito de simbiose industrial, que busca promover essas parcerias e otimizações. Simbiose industrial A simbiose industrial engloba a troca de recursos, tecnologias e conhecimento entre empresas, tendo como premissa o estabelecimento de parcerias que resultam em ganhos, não apenas financeiros, para todas as partes envolvidas. O termo simbiose industrial é inspirado de um termo da Biologia, que indica que organismos de diferentes espécies realizam trocas, com objetivo de gerar benefícios para todos os envolvidos. De forma análoga, as empresas que estabelecem uma relação simbiótica, buscam estabelecer trocas que gerem vantagens para todos os participantes dessa relação. As palavras colaboração e parceria se tornam estratégicas para o estabelecimento da simbiose industrial. A simbiose industrial também pode ser definida como um conjunto de empresas que atuam de forma cooperativa em prol da ecoinovação e buscam uma mudança cultural, em favor da colaboração, no longo prazo. Atenção É importante ressaltar que, apesar de a proximidade geográfica ser um fator geralmente mencionado nos casos de simbiose industrial, ele não é determinante. A simbiose industrial busca reduzir o desperdício e a poluição, por meio de uma gestão compartilhada entre diferentes empresas. Para isso, é de extrema relevância um ambiente corporativo de confiança. De acordo com Trevisan et al. (2016, p. 209-210), são exemplos de práticas que podem ser beneficiadas pela simbiose industrial: Reaproveitamento energético. Reciclagem de materiais. A f i t i t ã d d ti Saiba mais Um dos casos de referência no mundo de simbiose industrial se refere ao ecoparque industrial de Kalundborg, na Dinamarca. Ele surgiu na década de 1970 e enfoca a otimização de energia, água, fluxos de materiais e fluxos de informações. Principais desa�os para estabelecer parcerias de gestão ambiental como a simbiose industrial São inúmeros os desafios para manter um projeto de simbiose industrial. Incentivos financeiros e fiscais, políticas públicas de suporte e um pacto duradouro entre os atores envolvidos são necessários e quase sempre dificilmente encontrados, principalmente no contexto brasileiro. Para manter o fluxo contínuo de materiais e energia, a produção deve ser constante. Quando um dos atores perde o interesse no modelo, o Aperfeiçoamento e integração de processos produtivos. Desenvolvimento de produtos sustentáveis. Aprendizagem coletiva. Potencialização de projetos conjuntos para o alcance de objetivos comuns. colapso do projeto pode acontecer, por isso, é importante que as parcerias sejam estabelecidas por meio de acordos e contratos. Atenção Um ambiente institucional seguro, com contratos bem definidos e respeitados, onde a confiança predomina, são considerados os requisitos mais importantes. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 4 - Vem que eu te explico! Os princípios da economia circular Módulo 4 - Vem que eu te explico! Caso de simbiose industrial no Brasil Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 A economia circular defende abandonarmos a lógica linear, que é predominante no mundo atualmente, para uma lógica circular, na qual os resíduos passem a ser vistos como recursos desde a concepção e o design de um novo produto. A ideia é postergar a vida útil do que consumimos e permitir que ele ou seus componentes sejam reinseridos no ciclo produtivo. Quando uma empresa realiza a gestão socioambiental, fica mais fácil identificar oportunidades de transformar processos para a lógica circular. Diante disso, assinale a afirmação que exemplifica um caso de empresa que segue a lógica circular. A A empresa X produz alimentos e, em seu processo produtivo, acaba gerando muitos resíduos orgânicos, que são descartados e enviados para o aterro sanitário mais próximo de sua planta. B A empresa Y utiliza apenas energia a partir de fontes renováveis e possui um sistema de logística reversa que recebe de volta suas embalagens para reuso. Seus produtos têm longa vida útil e possuem componentes modulares, que permitem o reparo de forma mais fácil sem necessitar a troca do produto. Ao final de sua vida útil, o produto é totalmente reutilizado para gerar novos produtos. C A empresa Z realiza a reciclagem em sua fábrica e composta os resíduos orgânicos. Seus produtos possuem alta taxa de troca, por não terem vida útil longa, gerando constante compra de novas matérias- primas. D A empresa W possui um sistema de gestão socioambiental consolidado, que envolve toda a empresa. Ela possui programa de eficiência energética e investe em fontes renováveis de energia. Ela gera quantidade expressiva de resíduos tóxicos que são tratados e incinerados. E A empresa K é líder em vendas e possui excelente avaliação de seus consumidores, que aprovam a qualidade e a durabilidade de seus produtos. Em seu processo produtivo, ela busca otimizar a utilização de recursos naturais, mas levou uma multa por poluir o rio que passa ao lado de sua fábrica. Parabéns! A alternativa B está correta. A economia circular defende que a produção busque transformar todos os resíduos em recursos e respeitar o meio ambiente em todos os aspectos. Apenas a empresa Y ilustra esse caso. A empresa Y segue todos os preceitos da economia circular, utiliza fontes renováveis de energia, realiza a logística reversa de suas embalagens, busca a modularidade e seus produtos podem ser totalmente reutilizados para gerar novos produtos. A empresa X gera resíduos orgânicos, que são descartados e enviados para o aterro sanitário e que poderiam ser compostados ou virar energia renovável(biogás). A empresa Z apresenta alta taxa de troca, gerando constante utilização de novas matérias-primas. A empresa W gera quantidade expressiva de resíduos tóxicos, que são tratados e incinerados. A empresa K levou uma multa por poluir o rio que passa na beira de sua fábrica. Questão 2 A simbiose industrial é um conceito que busca estimular parcerias entre empresas para otimizar a utilização de recursos naturais, tecnológicos e humanos. Ela depende da cooperação de quem está envolvido e pode gerar ótimos resultados e economia de recursos e financeira. Qual a opção que apresenta características da simbiose industrial? A Aumentar a margem de lucro por meio da venda de produtos feitos a partir de resíduos. B Gerar economia de escala ao utilizar apenas uma planta industrial para produzir produtos de diferentes empresas. C Estabelecer acordos com empresas vizinhas para que haja uso de recursos entre elas, que possam levar a uma otimização para todas as envolvidas. D Levantar as características de empresas que se encontram em uma determinada região e identificar potenciais complementações que poderiam ser estabelecidas. E Efetuar a troca de tecnologias mais poluentes para tecnologias mais limpas e menos energointensivas. Parabéns! A alternativa C está correta. A simbiose industrial preconiza o estabelecimento de parcerias, instituídas a partir de acordos de cooperação, que geram benefícios mútuos, podendo ser de diferentes naturezas, para todos os envolvidos. Considerações �nais Começamos nosso estudo apresentando a agenda socioambiental empresarial, que motiva o crescente engajamento das empresas, e as diferentes abordagens colocadas em prática no mundo corporativo. Além disso, também destacamos os principais desafios socioambientais da atualidade, que reforçam a importância do tema. Nesse sentido, apresentamos a gestão socioambiental, destacamos sua relevância e seus princípios, assim como os benefícios para a empresa ao incorporar o tema à sua estratégia. Mostramos também, apresentando o caso de sucesso da empresa Interfaceflor, como pode ser lucrativo para a organização ter uma gestão socioambiental séria, comprometida e robusta. Exploramos as principais ferramentas de gestão socioambiental, destacando que esse universo não é exaustivo e cada empresa pode criar seu próprio instrumento, com diretrizes, planos, metas e indicadores para avançar na gestão de aspectos sociais e ambientais. É importante ressaltar que o mundo empresarial é muito dinâmico e novas ferramentas e soluções surgem a todo momento. Um ponto importante destacado diz respeito à importância de instrumentos de monitoramento de sistemas de gestão, fundamentais para avaliar e (re)conduzir a estratégia de gestão socioambiental das empresas. Discutimos o papel dos indicadores e das auditorias nesse processo. Por fim, foram apresentados dois conceitos que preconizam a lógica de parceria e compartilhamento, a economia circular e a simbiose industrial. Em um contexto de recursos escassos como o que vivemos e de crises socioambientais crescentes, essas soluções se tornam cada vez mais relevantes e ganham espaço nas agendas empresariais. Podcast Neste podcast, a especialista irá apresentar o caso da empresa brasileira Native, que é referência na área socioambiental e obtém grande sucesso e reconhecimento a partir disso nacional e internacionalmente. Referências ALVES, I. J. B. R.; FREITAS, L. S. de. 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TREVISAN, M. et al. Ecologia industrial, simbiose industrial e ecoparque industrial: conhecer para aplicar. Sistemas & Gestão, v. 11, n. 2, p. 204- 15, 2016. WHITE, R. M. P. The Greening of Industrial Ecosystems. Washington, DC, USA: National Academy Press, 1994. Explore + Para saber mais sobre a empresa InterfaceFlor, busque o vídeo Is It Profitable to Use a Circular Business Model? | Interface Flor Study, disponível no YouTube. Pesquise também o vídeo Indicadores Ethos para Negócios Sustentáveis e Responsáveis para saber mais sobre esses indicadores. Para saber sobre a crise climática, assista à reportagem do Fantástico, exibida em 12 de maio de 2019: Derretimento da Antártica já está seis vezes mais rápido do que há 40 anos. Saiba mais sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na página da Pacto Global Rede Brasil. Além disso, leia o livro A História das Coisas: da natureza ao lixo, o que acontece com tudo que consumimos, de Annie Leonard, da editora Zahar, 2011. Baixar conteúdo javascript:CriaPDF() Sistema de Gestão Ambiental Profª. Vanessa Riccioppo de Moraes Descrição O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) a partir do entendimento da estrutura, aplicabilidade, e integração com outros sistemas relacionados. Propósito Reconhecer o Sistema de Gestão Ambiental (SGA) como um dos instrumentos de gestão ambiental organizacional para atendimento aos requisitos legais e melhoria contínua do desempenho ambiental das organizações é de suma importância para uma eficiente atuação profissional, a melhoria dos processos tecnológicos e, consequentemente, a prevenção de impactos, a proteção ao meio ambiente e a qualidade de vida da sociedade como um todo. Objetivos Módulo 1 A estrutura básica do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) Descrever a estrutura do Sistema de Gestão Ambiental. Módulo 2 A aplicação prática do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) Reconhecer a aplicação do Sistema de Gestão Ambiental. Módulo 3 Sistema de Gestão Integrada (SGI) Reconhecer o Sistema de Gestão Integrada. A sustentabilidade deixou de ser uma função de mera proteção para tornar-se também uma função da administração e responsabilidade socioambiental. Diante disso, novas exigências surgem e uma nova atuação e estruturação administrativa das organizações começa a se fazer necessária. Assim, a gestão ambiental requer um sistema gerencial especializado e, consequentemente, uma nova maneira de administrar. Nesse contexto, temos um instrumento de gestão ambiental chamado de Sistema de Gestão Ambiental (SGA), composto por procedimentos que ajudam a organização a entender, controlar e mitigar os impactos ambientais de suas atividades, produtos ou serviços. Está baseado no cumprimento dos requisitos legais ambientais e na melhoria contínua do desempenho ambiental da organização como um todo. Nesse cenário, entende-se organização como empresa privada, empresa pública, ONG ou Introdução 1 - A estrutura básica do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) Ao �nal deste módulo, você será capaz de descrever a estrutura do Sistema de Gestão Ambiental. prefeitura que tenha necessidades de identificar suas vulnerabilidades e adotar medidas preventivas e corretivas. O SGA leva as organizações a uma melhor condição de gerenciamento de seus aspectos e impactos ambientais (ver esquema abaixo), além de propiciar uma mudança de atitude e de cultura organizacional. Os aspectos ambientais referem-se aos elementos das atividades, produtos e serviços que realizamosno dia a dia (perigos) que podem interagir com o ambiente, causando ou podendo causar impactos ambientais positivos ou negativos (riscos). Por fim, atuando em busca da melhoria contínua de seus processos e serviços, tende a alavancar seus resultados financeiros. Normas que dão suporte ao SGA Para proporcionar uma melhor condição de gerenciamento dos aspectos e impactos ambientais, foi criada uma série de normas, a ISO 14000, lançada internacionalmente em 1996, que tem como objetivo a criação de um SGA que auxilie as organizações a cumprirem os compromissos assumidos com o meio ambiente. Dentro dessa série de normas, a ISO 14001 é a única que certifica ambientalmente uma organização e, embora isso não signifique que ela esteja realmente atingindo seu melhor desempenho ambiental, e nem que esteja utilizando as melhores tecnologias, o processo de certificação é reconhecido internacionalmente e possibilita às organizações se distinguirem daquelas que somente atendem à legislação ambiental e que não possuem certificação (Selo). Principais normas da série de normas ISO 14000. Nesse contexto, o nosso enfoque será na Norma ISO 14001 (versão 2015). As Normas ISO são revisadas e atualizadas em ciclos regulares, tipicamente a cada 5 a 10 anos. Assim, vamos conhecer a estrutura básica do Sistema de Gestão Ambiental (SGA), um pouco da aplicação desse SGA com base na ISO 14001 e, por fim, o Sistema de Gestão Integrada (SGI), que consolida a integração do SGA com outros dois sistemas de gestão que se relacionam, sendo estes com base na Norma ISO 45001 (Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho - SGSSO) e ISO 9001 (Sistema de Gestão da Qualidade - SGQ). Saiba mais Caso uma organização queira implantar um SGA, mas não se certificar, ela pode usar como referência a ISO 14004 (uso interno), servindo apenas como um guia. De toda forma, mesmo que não queira se certificar, pode-se também utilizar a ISO 14001 como base para quem sabe, no futuro, mudar de ideia e já possuir os meios para tal certificação. Instrumentos de gestão ambiental Alcançar um equilíbrio entre meio ambiente, sociedade e economia é considerado fundamental, para que seja possível satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazer suas necessidades: isso é o conceito de desenvolvimento sustentável! E o objetivo desse desenvolvimento sustentável somente é alcançado com o equilíbrio dos três pilares da sustentabilidade (ambiental, social e econômico). Mas antes de prosseguirmos, você conhece o conceito de meio ambiente? Meio ambiente: contexto físico, biológico e socioeconômico no qual a empresa se instala e opera, incluindo o ar, as águas, o solo, os recursos naturais, a fauna e a flora, a sociedade e suas interações. As expectativas da sociedade em relação ao desenvolvimento sustentável vêm exigindo maiores transparência e responsabilidade por prestar contas pelas empresas e têm evoluído com a legislação cada vez mais rigorosa, além das crescentes e contínuas pressões antrópicas sobre o meio ambiente. Com isso, as organizações têm adotado uma abordagem sistemática na gestão ambiental, com a implementação de SGA que visa contribuir com o pilar ambiental da sustentabilidade. A adoção de qualquer modelo de gestão, tanto pública quanto privada, requer o uso de instrumentos, que são meios ou ferramentas que ajudam no alcance dos objetivos de prevenção e correção de impactos ambientais decorrentes dessas pressões supracitadas. A auditoria ambiental, a avaliação do ciclo de vida, os estudos de impactos ambientais, o Sistema de Gestão Ambiental (SGA), a rotulagem ambiental, o gerenciamento de riscos ambientais e a educação ambiental são alguns entre muitos instrumentos de que as organizações podem se valer para alcançar objetivos de melhor desempenho ambiental e minimização de seus impactos ambientais, que nunca são zero. Não existe atividade humana de impacto zero! No esquema abaixo, podemos ver instrumentos de gestão ambiental organizacional com destaque em vermelho para o foco deste conteúdo: o SGA. Exemplos de instrumentos de gestão ambiental. Alguns exemplos de instrumentos de gestão ambiental representados acima podem ser ampliados com a inclusão dos instrumentos convencionais utilizados principalmente pelas empresas privadas para fins de qualidade e produtividade, tais como listas de verificação, diagrama de causa e efeito, ciclo PDCA (sigla para Plan-Do-Check-Act), análise de falhas, manutenção preventiva, gestão eficiente de materiais etc. Ciclo PDCA. Resumindo O SGA é um dos instrumentos de gestão ambiental organizacional e pode ser constituído com base numa série de normas (série ISO 14000), as quais possuem um conjunto de requisitos, ações e procedimentos, além do atendimento básico e obrigatório a requisitos legais que é reforçado pelo SGA. O Sistema de Gestão Ambiental Um SGA é parte do sistema administrativo geral de uma organização. Ele inclui estrutura organizacional, atividades de planejamento, responsabilidades, treinamentos, procedimentos, processos e recursos para a implementação e manutenção da gestão ambiental. Também inclui aqueles aspectos de administração que planejam, desenvolvem, implementam, atingem, revisam, mantêm e melhoram a política ambiental, os objetivos e as metas da organização. Assim, entende-se a política ambiental de uma organização como as suas intenções e a direção relacionadas ao seu desempenho ambiental formalmente expresso pela sua alta direção. Os objetivos definidos pela organização, devem ser coerentes com a sua política ambiental. Ser apropriada à natureza e à escala dos impactos ambientais de seus produtos, atividades ou serviços. Prover estrutura para o estabelecimento dos objetivos ambientais. Incluir comprometimento com a proteção do meio ambiente, incluindo a prevenção da poluição e outros compromissos específicos pertinentes ao contexto da organização. Incluir comprometimento com o atendimento de requisitos legais e outros requisitos. Política ambiental Incluir comprometimento com a melhoria contínua do desempenho ambiental. Estabelecer e manter documentados os objetivos e as metas ambientais em todos os níveis e funções da organização. Objetivos e metas devem ser consistentes com a política ambiental e considerar comprometimento com a prevenção à poluição. No estabelecimento ou na revisão, considerar aspectos ambientais significativos, opções tecnológicas, financeiras, comerciais e opiniões das partes interessadas. Dentre as suas características, um SGA ajuda a organização a: 1. Identificar e controlar aspectos, impactos e riscos ambientais relevantes para a organização. 2. Atingir sua política ambiental, seus objetivos e metas, incluindo o cumprimento dos requisitos legais. 3. Definir uma série básica de princípios que guiem a abordagem da organização em relação a responsabilidades ambientais. 4. Estabelecer metas para o desempenho. 5. Determinar que recursos são necessários para atingir tais metas. �. Definir e documentar tarefas, responsabilidades, autoridades e procedimentos específicos para assegurar que cada colaborador esteja ciente e capaz de ajudar a minimizar ou eliminar o impacto negativo de suas tarefas no meio ambiente. 7. Comunicar e treinar os colaboradores de forma a cumprir seus compromissos. �. Medir e monitorar o desempenho em relação a padrões e metas ambientais e modificar processos, se necessário, para corrigir não conformidades. Partindo para o que mais interessa ao mercado e, assim, para as organizações, chegamos na ISO 14001, a norma que traz os requisitos com orientações para uso e implementação do SGA. Objetivos ambientais Primeiramente, temos que ter em mente que o sucesso de um SGA depende do comprometimento de todos os níveis e funções da organização, começando pela alta direção (presidência, diretoria, por exemplo). A alta direção pode efetivamente abordarseus riscos e oportunidades, integrando a gestão ambiental aos processos dos negócios da organização, ao direcionamento estratégico e à tomada de decisão, alinhando-os com outras prioridades de negócios e incorporando a governança ambiental em seu Sistema de Gestão Global. A demonstração de uma implementação bem-sucedida da Norma ISO 14001 pode ser utilizada para assegurar às partes interessadas que a organização possui um SGA eficaz em operação. As partes interessadas podem ser pessoa ou organização que pode afetar, ser afetada ou se perceber afetada por uma decisão ou atividade. Exemplos: clientes, consumidores, comunidade local, organizações não governamentais, fornecedores, órgãos regulamentadores, investidores (bancos, acionistas), companhias seguradoras, funcionários etc. No entanto, a adoção dessa norma por si só não garante os melhores resultados. A aplicação da ISO 14001 pode diferir de uma organização para outra devido ao seu contexto, tamanho, atividade etc. Mas duas organizações distintas também podem executar atividades semelhantes e ao mesmo tempo possuírem diferentes requisitos legais e outros requisitos, comprometimento em suas políticas ambientais, tecnologias ambientais e metas de desempenho ambiental, ainda que ambas atendam aos requisitos da ISO 14001. O nível de detalhe e complexidade do SGA vai variar, dependendo do contexto da organização, do escopo do seu SGA, de seus requisitos legais aplicáveis entre outros requisitos, produtos e serviços, incluindo seus aspectos ambientais e impactos ambientais associados. Mas quem seriam as partes interessadas? Em seu item 0.4, a ISO 14001 apresenta a base para a abordagem que sustenta um SGA, que é fundamentada no conceito PDCA (Plan-Do- Check-Act). O ciclo PDCA fornece um processo interativo, utilizado pelas organizações para alcançar a melhoria contínua. Ele pode ser aplicado a um sistema de gestão ambiental e a cada um dos seus elementos individuais, como a seguir: A imagem a seguir mostra como a estrutura apresentada na ISO 14001 poderia ser integrada ao ciclo PDCA, o qual pode ajudar usuários novos ou existentes a entender a importância de uma abordagem de sistemas. Relação entre o ciclo PDCA e a estrutura da ISO 14001. E quais os benefícios desse tipo de sistema? Os principais benefícios desse tipo de sistema estão relacionados a fatores internos e externos da organização. Internamente, tais fatores serão chamados de melhoria organizacional e se relacionam à melhoria dos processos da empresa. Externamente, tais fatores estão Plan (planejar) Estabelecer os objetivos ambientais e os processos necessários para entregar resultados de acordo com a política ambiental da organização. Do (fazer) Implementar os processos conforme planejado. relacionados à maior competitividade no mercado. Vejamos mais detalhadamente: Gestão ambiental sistematizada - padronização da produção/produtos. Integração da qualidade ambiental e negócios. Conscientização dos funcionários. Relacionamento e parceria com a comunidade e outras partes interessadas. Redução de custos com autuações, passivos ambientais. Eliminação de desperdícios. Conformidade legal ambiental. Controle nas falhas. Minimização de impactos ambientais. Melhoria na imagem da organização. Aumento da produtividade (produção com menor custo). Evolução, estratégias e abordagens da gestão ambiental nas empresas Para finalizar este módulo, vamos assistir ao vídeo, no qual a especialista apresenta aspectos sobre a evolução, estratégias e abordagens da gestão ambiental nas empresas. Melhoria organizacional Diferencial competitivo Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 1 - Vem que eu te explico! Normas que dão suporte ao SGA Módulo 1 - Vem que eu te explico! Instrumentos de gestão ambiental Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 (2010 - CESGRANRIO - Petrobras - Petróleo Brasileiro S.A - Engenheiro de Segurança Júnior). As tarefas de planejamento, implementação, operação, verificação, ações corretivas e análise crítica de aspectos e impactos ambientais das atividades de uma organização identificam a estrutura organizacional reconhecida como . A medida mitigadora. B gestão ambiental. C gestão de SMS. D sistema de gestão ambiental. E sistema de gestão de SMS. Parabéns! A alternativa D está correta. Em seu item 0.4, a ISO 14001 apresenta a base para a abordagem que sustenta um Sistema de Gestão Ambiental (SGA) que é fundamentada no conceito PDCA (Plan-Do-Check-Act). O PDCA envolve o planejamento, a implementação, a operação, a verificação, as ações corretivas e a análise crítica de aspectos e impactos ambientais das atividades de uma organização. Questão 2 Na atualidade, as organizações se veem obrigadas a demonstrar um ótimo desempenho ambiental, em um contexto de uma legislação cada vez mais exigente e de preocupação das partes interessadas em relação aos impactos ambientais e desenvolvimento sustentável. Assim, A ao estabelecer e manter procedimentos para investigar e corrigir não conformidades, a organização deverá sempre identificar os responsáveis pela falha para a correta punição. B a organização deverá estabelecer metas ambientais que sejam exequíveis em face da tecnologia de produção e controle de que já dispõe. C a empresa deverá instituir um Sistema de Gestão Ambiental independente das demais atividades gerenciais do estabelecimento, sem articulação com os processos das demais áreas técnicas. D a organização deve estabelecer e manter procedimentos para identificar os aspectos ambientais de suas atividades, produtos ou serviços que possam por ela ser controlados e sobre os quais se presume que ela tenha influência, a fim de determinar aqueles que tenham ou possam ter 2 - A aplicação prática do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer a aplicação do Sistema de Gestão Ambiental. A prática de implantação de um SGA determinar aqueles que tenham ou possam ter impacto significativo sobre o meio ambiente para mitigá-los e controlá-los. E é producente que as organizações realizem periodicamente, a cargo da própria equipe de meio ambiente, análises críticas do desempenho de seu SGA, considerando os relatórios das auditorias internas. Parabéns! A alternativa D está correta. As expectativas da sociedade em relação ao desenvolvimento sustentável vêm exigindo maior transparência e responsabilidade em prestar contas pelas empresas e têm evoluído com a legislação cada vez mais rigorosa, além das crescentes e contínuas pressões/impactos sobre o meio ambiente. Com isso, as organizações têm adotado uma abordagem sistemática na gestão ambiental, com a implementação de SGA, que visa contribuir com o pilar ambiental da sustentabilidade. Antes de focar a implantação de um SGA, cabe uma pergunta: Você sabe o que é um sistema de gestão? De acordo com o item 3.1.1 da Norma ISO 14001, sistema de gestão é o conjunto de elementos inter-relacionados ou interativos de uma organização, para estabelecer políticas, objetivos e processos para alcançar esses objetivos. Um sistema de gestão pode abordar uma única disciplina ou várias disciplinas (por exemplo, gestão da qualidade, gestão ambiental, gestão da saúde e segurança ocupacional, gestão da energia, gestão financeira). Por outro lado, os elementos do sistema incluem a estrutura da organização, os papéis e as responsabilidades, o planejamento e a operação, a avaliação de desempenho e a melhoria. Já o SGA é parte do sistema de gestão usado para gerenciar aspectos ambientais, cumprir requisitos legais e outros requisitos ambientais, além de abordar riscos e oportunidades com foco no meio ambiente. Agora vamos começar a prática da implantação de um SGA! Implantação Como em todo projeto, um planejamento se faz necessário.No caso de um sistema de gestão ambiental, algumas etapas devem ser seguidas: a) Prazo inicial Antes de iniciar o planejamento, é necessário levantar os recursos existentes, principalmente quem poderá auxiliar no levantamento inicial das informações, com base em um prazo pretendido. b) Levantamento inicial (diagnóstico) Com base no diagnóstico, será possível o planejamento de ações e seu posterior monitoramento. Esse levantamento pode ser realizado por empresa terceirizada: normalmente uma consultoria especializada ou internamente com recursos próprios, sempre considerando os itens abaixo: Questões internas e externas Trata-se de levantar as questões que sejam pertinentes para o propósito da organização e que afetem sua capacidade de alcançar os resultados pretendidos do seu sistema de gestão ambiental. Exemplos de questões internas e externas que podem ser pertinentes para o contexto da organização incluem: Condições ambientais relacionadas a meteorologia, uso do solo, contaminação pré ou existente, disponibilidade de recursos naturais e biodiversidade, que podem afetar o propósito da organização ou ser afetada por seus aspectos ambientais. As circunstâncias externas, culturais, sociais, políticas, legais, regulamentares, financeiras, tecnológicas, econômicas, naturais e competitivas em todos os âmbitos geográficos (dos locais ao global). As características ou condições internas da organização, como atividades, produtos e serviços, direcionamento estratégico, cultura e capacidades (por exemplo, pessoas). Necessidades e expectativas de partes interessadas Determinar as partes interessadas que sejam pertinentes para o SGA, suas necessidades e expectativas, bem como definir quais se relacionam aos requisitos legais e outros requisitos aplicáveis ao negócio. Além dos requisitos legais, a organização pode decidir de forma voluntária aceitar ou adotar outros requisitos de partes interessadas (por exemplo, por convênios e projetos de iniciativas voluntárias). Uma vez adotados pela organização, eles se tornam requisitos organizacionais (ou seja, requisitos legais e outros requisitos) e são levados em consideração no planejamento do SGA. Ações para abordar riscos e oportunidades Determinar seus riscos e oportunidades relacionados aos aspectos ambientais, requisitos legais e outros requisitos, outras questões ou outras necessidades e expectativas das partes interessadas. Aspectos ambientais podem criar riscos e oportunidades associados com impactos ambientais adversos, impactos ambientais benéficos e outros efeitos na organização. Requisitos legais e outros requisitos podem criar riscos e oportunidades, como falha no atendimento (que pode prejudicar a reputação da organização ou resultar em ação judicial), ou ir além de seus requisitos legais e outros requisitos (que pode aumentar a reputação da organização). A organização pode também ter riscos e oportunidades relacionados a outras questões, incluindo condições ambientais ou necessidades e expectativas das partes interessadas, as quais podem afetar a capacidade da organização em alcançar os resultados pretendidos de seu SGA, por exemplo: I t bi t l I d õ d id à d c) Recursos A partir do levantamento inicial realizado, a organização tem instrumentos para determinar os recursos necessários à implantação e ao funcionamento eficaz do SGA e para aumentar o desempenho ambiental de forma contínua. Convém que a alta direção assegure que aqueles com responsabilidades no SGA sejam apoiados com os recursos necessários (isso inclui não só orçamento financeiro, mas também pessoas e materiais, por exemplo). Lembrando que os recursos internos podem sempre ser complementados por recursos externos, como consultorias, subcontratados etc. d) Cronograma Com base nos recursos levantados e nos existentes, a organização deve estabelecer um cronograma para que seja possível o acompanhamento das diferentes etapas estabelecidas para a efetiva implementação do SGA. Impacto ambiental que gere poluição devido a falhas de alfabetização ou idioma entre os trabalhadores que não estão aptos a entender os procedimentos de trabalho local. Inundações devido à mudança climática que poderia afetar as instalações da organização. Auditoria A auditoria consiste num processo sistêmico e documentado para obter evidência e avaliá-la de forma objetiva, para determinar como os critérios de auditoria são atendidos. Uma auditoria interna é conduzida pela própria organização ou por uma parte externa em seu nome. Ela também pode ser uma auditoria combinada, combinando dois ou mais sistemas/temas. Ou seja, a auditoria pode servir simplesmente para a verificação do atendimento dos requisitos da norma e/ou legais e para a melhoria contínua do desempenho, assim como pode servir para se obter a certificação da norma. Atenção! Ressalta-se que a auditoria de certificação deve ser realizada por parte externa credenciada como certificadora independente. Auditoria ambiental Vamos conhecer um pouco mais sobre a auditoria como instrumento de SGA? Neste vídeo, a especialista fala sobre a importância em se conhecer esse processo como instrumento da gestão ambiental e como norteador do Sistema de Gestão Ambiental (SGA). Certi�cação ISO 14000 Vamos conhecer a interligação entre o SGA e a certificação ISO. Para alcançar a certificação ambiental, uma organização deve cumprir três exigências básicas expressas na Norma ISO 14001: Ter implantado um SGA. Cumprir a legislação ambiental aplicável ao local da instalação. Assumir um compromisso com a melhoria contínua de seu desempenho ambiental. Para se obter a certificação, é necessário que a organização interessada cumpra algumas etapas importantes, conforme listamos abaixo: Primeira fase Explicitar os compromissos e princípios gerenciais baseados na política ambiental da organização. A partir do estabelecimento dessa política, serão definidos os objetivos, as metas e os procedimentos que devem ser de conhecimento de toda a organização. Deverão ser criados procedimentos de controle da documentação e ter início o treinamento do pessoal, o que pode ser chamado de fase preparatória. Segunda fase Diagnóstico ou pré-auditoria que permitirá identificar os pontos vulneráveis existentes nos procedimentos ambientais da organização, possibilitando sua adequação prévia. Terceira fase Certificação propriamente dita que deverá ser contratada com uma entidade credenciada, chamada de terceira parte, para emitir o certificado de conformidade na Norma ISO 14001. Nesta última fase, a organização passará por uma auditoria ambiental em que deverá comprovar sua conformidade com os padrões de qualidade exigidos pela legislação ambiental, e pelos manuais e procedimentos instituídos e utilizados pela própria organização. Antes de partir para o próximo módulo que vai comparar as três normas que compõem o Sistema de Gestão Integrada (SGI), vamos elencar de forma resumida os principais itens da ISO 14001 (2015): ISO 14001 - Sistemas de Gestão Ambiental — Requisitos com orientações para uso A) Escopo Especificar os requisitos para um sistema de gestão ambiental, possibilitando a uma organização desenvolver e implementar uma política e objetivos que levem em conta os requisitos legais e as informações sobre os aspectos ambientais significativos. É destinado tanto para a obtenção de certificação/registro do seu SGA por parte de uma organização externa como para fins de autoavaliação e autodeclaração etc. B) Requisitos gerais Apropriada com natureza, escala e impactos ambientais de suas atividades, produtos ou serviços. Política ambiental (definida pela alta administração) Contendo compromisso de melhoria contínua e prevenção da poluição. Contendo compromisso de atendimento à legislação ambiental aplicável e a outros requisitos aceitos pela organização. Fornecendo a estrutura de definição e revisão dos objetivos e metas. Documentada,implementada, mantida e comunicada a todos os empregados. Disponível para o público. Aspectos ambientais. Requisitos legais e outros. Objetivos, metas e programa(s) de gestão ambiental. Recursos, funções, responsabilidades e autoridades. Treinamento, conscientização e competência do pessoal. Comunicação (interna e externa). Documentação do SGA. Controle dos documentos. Controle operacional. Preparação e atendimento a emergências. Monitoramento e medição. Avaliação do atendimento a requisitos legais e outros. Não conformidades e ações corretivas e preventivas. Planejamento Implementação e operação Verificação e ações corretivas Controle de registros. Auditoria interna. C) Anexos Anexo A: Orientações para uso da norma. Anexo B: Correspondência entre a ABNT NBR ISO 14001:2015 e a ABNT NBR ISO 14001:2004. Dica Para conhecer os demais itens e maiores detalhes do processo e requisitos para certificação, não deixe de ler a norma ABNT ISO 14001 (2015) na íntegra. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 2 - Vem que eu te explico! Implantação Módulo 2 - Vem que eu te explico! Certi�cação ISO 14000 Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 (2021 - SELECON - EMGEPRON - Empresa Gerencial de Projetos Navais - Analista de Projetos Navais - Engenheiro de Segurança do Trabalho). A modificação no meio ambiente tanto adversa como benéfica, total ou parcialmente resultante dos aspectos ambientais de uma organização, segundo a Norma ABNT NBR ISO 14001: 2015 Sistemas de Gestão Ambiental – Requisitos com orientações para uso, é denominada A ciclo de vida ambiental. B impacto ambiental. C perigo ambiental. D risco ambiental. E oportunidades ambientais. Parabéns! A alternativa B está correta. Aspectos ambientais podem criar riscos e oportunidades associados com impactos ambientais adversos, impactos ambientais benéficos e outros efeitos/modificações no meio ambiente e na organização. Questão 2 (2010 - CESGRANRIO - EPE - Empresa de Pesquisa Energética - Analista de Pesquisa Energética - Meio Ambiente – adaptada). A Usina Hidrelétrica de Campos Novos procurou atender, por meio do treinamento do pessoal, ao(s) seguinte(s) item(ns) dentro do processo de implantação de um SGA: A Implementação e operação. B Planejamento. C Comprometimento e política ambiental. D Medição e avaliação. 3 - Sistema de Gestão Integrada (SGI) Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer o Sistema de Gestão Integrada. Razões para implementar um SGI e não apenas um SGA A ISO 14001, norma sobre SGA, não inclui requisitos específicos para outros sistemas de gestão, como aqueles para gestão da qualidade, gestão da saúde e segurança ocupacional, gestão da energia ou gestão financeira. No entanto, ela permite que uma organização use uma abordagem comum e baseada na mentalidade de risco para integrar seu SGA com os requisitos de outros sistemas de gestão. Assim, vamos conhecer um pouco sobre o Sistema de Gestão Integrada (SGI). E Análise crítica e melhoria. Parabéns! A alternativa A está correta. Treinamento, conscientização e competência do pessoal é parte da implementação e operação do SGA. O SGI consolida a integração do SGA com outros dois sistemas de gestão que se relacionam, sendo estes com base nas normas ISO 45001 (Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho - SGS&ST) e ISO 9001 (Sistema de Gestão da Qualidade - SGQ). Representação da abrangência do SGI. Em longo prazo, a adoção de um sistema de gestão integrado melhora toda a cadeia operacional de um empreendimento. O fluxo de trabalho de todos os profissionais será mais integrado, o que diminui erros e facilita as rotinas. A integração pode ser parcial, entre duas normas combinadas, ou total, entre as três normas. O atendimento aos requisitos é unificado, porém os temas e sistemas não perdem suas características individuais ou requisitos exclusivos. Já conhecemos, em parte a Norma ISO 14001. Vejamos agora, de forma resumida, as outras normas que compõem o SGI: ISO 9001 A Norma ISO 9001 define os critérios para o Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ), enfatizando o atendimento das necessidades do cliente. A principal diferença entre a ISO 9001 e a ISO 14001 é que a primeira atua principalmente na qualidade dos processos e operações do negócio, enquanto a segunda atua na garantia da qualidade ambiental. As duas normas são muito parecidas, com muitos itens em comum, sendo facilmente implantadas em conjunto. ISO 45001 A ISO 45001 surgiu somente em 2018 (antes era utilizada a Norma OHSAS 18001) e foi desenvolvida para auxiliar as organizações nas práticas de Saúde e Segurança Ocupacional (SSO). Assim, todas as instituições que já possuíam a certificação OHSAS 18001 precisaram fazer a migração para a ISO 45001. O objetivo da organização de normatização ao revisar a OHSAS 18001 era desenvolver uma norma ISO compatível com a nova versão da ISO 9001 e da ISO 14001 (ambas de 2015), em uma estrutura que permitisse a integração da gestão e dos resultados em saúde e segurança do trabalho. Atenção! Observe que, mesmo sendo diferentes os focos das três normas, existem entre elas muitos pontos e abordagens comuns. O Anexo SL A ISO (International Standards Organization) desenvolveu uma estrutura comum para as novas versões das Normas ISO 9001, 14001 e 45001. Essa estrutura de alto nível (HLS – Higher Level Structure) na verdade é comum a todas as normas de sistemas de gestão, emitida por uma Diretiva ISO. Tal diretiva contém uma série de anexos, entre os quais destacamos o Anexo SL – Propostas para normas de sistemas de gestão. Qual o objetivo desse documento? O Anexo SL estabelece que todas as normas de sistemas de gestão utilizarão uma estrutura consistente, texto central e terminologia idênticos, conforme o “Apêndice 2 – Estrutura de alto nível, terminologia, texto central e definições idênticas”. Com essa estrutura, percebe-se que há menor confusão e maior consistência, uma vez que os pontos comuns têm a mesma definição e existem requisitos comuns ao longo das três normas. Assim, as novas versões da ISO 9001, ISO 14001 (ambas 2015) e ISO 45001 (2018) apresentam a seguinte estrutura: Escopo Referências normativas Termos e definições Contexto da organização Liderança Planejamento Suporte Operação Avaliação de desempenho Melhoria Tal estrutura não pode ser alterada, porém por serem normas específicas é possível acrescentar subitens. Saiba mais As revisões das normas seguem o Anexo SL, que é padronizado pela ABNT, com a finalidade de facilitar a integração desses sistemas de gestão e a leitura e interpretação dos requisitos normativos. Matriz de correspondência entre os requisitos das Normas ABNT NBR ISO do SGI Vamos descrever agora a correspondência consolidada entre as secções e requisitos das normas que compõem o SGI. Observe que, de forma resumida, temos como correspondência, na estrutura da ISO 9001:2015, 10 seções e 62 requisitos; na ISO 14001:2015, 10 seções e 39 requisitos; e na ISO 45001:2018, 10 seções e 39 requisitos para a integração dos requisitos comuns e específicos no SGI. Seção 4 – Contexto da organização NBR ISO 9001:2015 NBR ISO 14001:2015 NBR ISO 45001:2018 4.1 Entendendo a organização e seu contexto 4.1 Entendendo a organização e seu contexto 4.1 Entendendo organização e s contexto 4.2 Entendendo as necessidades e expectativas de partes interessadas 4.2 Entendendo as necessidades e expectativas de partes interessadas 4.2 Entendendo necessidades e expectativas de partes interessa 4.3 Determinando o escopo do sistema de gestão da qualidade 4.3 Determinando o escopo do sistema de gestão ambiental 4.3 Determinand escopo do siste de gestão da segurança e da saúde 4.4 Sistema de gestão da qualidade e seus processos 4.4 Sistema de gestãoambiental 4.4 Sistema de gestão da segurança e da saúde Quadro comparativo da Seção 4 – Contexto da organização. Repare no quadro acima que, nos itens 4.3 e 4.4, cada norma terá a sua especificidade, mas abrangendo os mesmos requisitos. Seção 5 - Liderança NBR ISO 9001:2015 NBR ISO 14001:2015 NBR ISO 45001:2018 NBR ISO 9001:2015 NBR ISO 14001:2015 NBR ISO 45001:2018 5.1 Liderança e comprometimento 5.1.1 Generalidades 5.1.2 Foco no cliente 5.1 Liderança e comprometimento 5.1 Liderança e comprometimen 5.2 Política 5.2.1 Desenvolvendo a política da qualidade 5.2.2 Comunicando a política da qualidade 5.2 Política ambiental 5.2 Política da segurança e da saúde 5.3 Papéis, responsabilidades e autoridades organizacionais 5.3 Papéis, responsabilidades e autoridades organizacionais 5.3 Papéis, responsabilidad e autoridades organizacionais Quadro comparativo da Seção 5 – Liderança. Repare no quadro acima que, nos itens 5.1 e 5.2, a ISO 9001:2015 discrimina subitens que não estão especificados nas demais normas. Seção 6 – Planejamento NBR ISO 9001:2015 NBR ISO 14001:2015 NBR ISO 45001:2018 NBR ISO 9001:2015 NBR ISO 14001:2015 NBR ISO 45001:2018 6.1 Ações para abordar riscos e oportunidades 6.1 Ações para abordar riscos e oportunidades 6.1.1 Generalidades 6.1.2 Aspectos ambientais 6.1.3 Requisitos legais e outros requisitos 6.1.4 Planejamento de ações 6.1 Ações para abordar riscos e oportunidades 6.1.1 Generalidades 6.1.2 Perigos e riscos 6.1.3 Requisitos legais e outros requisitos 6.1.4 Planejame de ações 6.2 Objetivos da qualidade e planejamento para alcançá-los 6.2 Objetivos ambientais e planejamento para alcançá-los 6.2.1 Objetivos ambientais 6.2.2 Planejamento de ações para atingir os objetivos ambientais 6.2 Objetivos da segurança e da saúde e planejamento pa alcançá-los 6.2.1 Objetivos d segurança e da saúde 6.2.2 Planejame de ações para atingir os objetiv da segurança e saúde 6.3 Planejamento de mudanças 6.3 Planejamento de mudanças 6.3 Planejament de mudanças Quadro comparativo da Seção 6 – Planejamento. Repare no quadro acima que, nos itens 6.1 e 6.2, a ISO 14001:2015 e a ISO 45001:2018 discriminam subitens que não estão especificados na ISO 9001:2015, mas cada uma mantém a sua especificidade. Seção 7 – Apoio NBR ISO 9001:2015 NBR ISO 14001:2015 NBR ISO 45001:2018 NBR ISO 9001:2015 NBR ISO 14001:2015 NBR ISO 45001:2018 7.1 Recursos 7.1.1 Generalidades 7.1.2 Pessoas 7.1.3 Infraestrutura 7.1.4 Ambiente para a operação dos processos 7.1.5 Recursos de monitoramento e medição 7.1.6 Conhecimento organizacional 7.1 Recursos 7.1 Recursos 7.2 Competência 7.2 Competência 7.2 Competênci 7.3 Conscientização 7.3 Conscientização 7.3 Conscientização 7.4 Comunicação 7.4 Comunicação 7.4.1 Generalidades 7.4.2 Comunicação interna 7.4.3 Comunicação externa 7.4 Comunicaçã 7.4.1 Generalidades 7.4.2 Comunica interna 7.4.3 Comunica externa 7.5 Informação documentada 7.5.1 Generalidades 7.5.2 Criando e atualizando 7.5.3 Controle de informação documentada 7.5 Informação documentada 7.5.1 Generalidades 7.5.2 Criando e atualizando 7.5.3 Controle de informação documentada 7.5 Informação documentada 7.5.1 Generalidades 7.5.2 Criando e atualizando 7.5.3 Controle d informação documentada Quadro comparativo da Seção 7 – Apoio. Repare que as normas ISO 14001:2015 e ISO 45001:2018 se assemelham na discriminação dos itens e requisitos. Seção 8 – Operação NBR ISO 9001:2015 NBR ISO 14001:2015 NBR ISO 45001:2018 8.1 Planejamento e controle operacional 8.1 Planejamento e controle operacional 8.1 Planejament controle operacional 8.2 Requisitos para produtos e serviços 8.2.1 Comunicação com o cliente 8.2.2 Determinação de requisitos relativos a produtos e serviços 8.2.3 Análise crítica de requisitos relativos a produtos e serviços 8.2.4 Mudanças nos requisitos para produtos e serviços 8.2 Preparação e respostas a emergências 8.2 Preparação respostas a emergências NBR ISO 9001:2015 NBR ISO 14001:2015 NBR ISO 45001:2018 8.3 Projeto e desenvolvimento de produtos e serviços 8.3.1 Generalidades 8.3.2 Planejamento de projeto e desenvolvimento 8.3.3 Entradas de projeto e desenvolvimento 8.3.4 Controle de projeto e desenvolvimento 8.3.5 Saídas de projeto e desenvolvimento 8.3.6 Mudanças de projeto e desenvolvimento Quadro comparativo 1 da Seção 8 – Operação. NBR ISO 9001:2015 NBR ISO 14001:2015 NBR ISO 45001:2018 8.4 Controle de processos, produtos e serviços externamente 8.4.1 Generalidades 8.4.2 Tipo e extensão de controle NBR ISO 9001:2015 NBR ISO 14001:2015 NBR ISO 45001:2018 8.5 Produção e provisão de serviço 8.5.1 Controle de produção e de provisão de serviço 8.5.2 Identificação e rastreabilidade 8.5.3 Propriedade pertencente a clientes e provedores externos 8.5.4 Preservação 8.5.5 Atividades pós-entrega 8.5.6 Controle de mudanças 8.6 Liberação de produtos e serviços 8.7 Controle de saídas não conformes Quadro comparativo 2 da Seção 8 – Operação. Na Seção 8, a ISO 9001:2015 possui mais itens e requisitos do que as normas ISO 14001:2015 e ISO 45001:2018, e apenas o item 8.1 é contemplado igualmente nas 3 normas. Seção 9 – Avaliação de desempenho NBR ISO 9001:2015 NBR ISO 14001:2015 NBR ISO 45001:2018 NBR ISO 9001:2015 NBR ISO 14001:2015 NBR ISO 45001:2018 9.1 Monitoramento, medição, análise e avaliação 9.1.1 Generalidades 9.1.2 Satisfação do cliente 9.1.3 Análise e avaliação 9.1 Monitoramento, medição, análise e avaliação 9.1.1 Generalidades 9.1.2 Avaliação dos requisitos legais e outros requisitos 9.1 Monitorame medição, anális avaliação 9.1.1 Generalidades 9.1.2 Avaliação requisitos legais outros requisito 9.2 Auditoria interna 9.2 Auditoria interna 9.2.1 Generalidades 9.2.2 Programa de auditoria interna 9.2 Auditoria interna 9.2.1 Generalidades 9.2.2 Programa auditoria interna 9.3 Análise crítica pela direção 9.3 Análise crítica pela direção 9.3 Análise crític pela direção No quadro acima, perceba que as normas se assemelham e que a ISO 14001:2015 e a ISO 45001:2018 apresentam os mesmos itens. Seção 10 – Melhoria NBR ISO 9001:2015 NBR ISO 14001:2015 NBR ISO 45001:2018 10.1 Generalidades 10.1 Generalidades 10.1 Generalida 10.2 Não conformidade e ação corretiva 10.2 Não conformidade e ação corretiva 10.2 Não conformidade e ação corretiva 10.3 Melhoria contínua 10.3 Melhoria contínua 10.3 Melhoria contínua Quadro comparativo da Seção 10 – Melhoria. Repare que para a seção das melhorias, os itens se assemelham nas três normas. A integração das normas ISO 9001, ISO 14001 e ISO 45001 na formação do SGI Neste vídeo, a especialista apresenta uma revisão sobre as três normas que compõem o SGI, sobre o processo de integração dessas normas e as certificações como forma alternativa para atingir as novas exigências de mercado, visando à competitividade e à sustentabilidade do negócio. Vem que eu te explico! Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar. Módulo 3 - Vem que eu te explico! Razões para implementar um SGI e não apenas um SGA Módulo 3 - Vem que eu te explico! Avaliação do desempenho Falta pouco para atingir seus objetivos. Vamos praticar alguns conceitos? Questão 1 (2016 - Prefeitura Municipal de Teresina - Técnico - Saneamento – adaptada). As normas ISO 14001 e ISO 45001 tratam, respectivamente A de estabelecer os requisitos mínimos relativos a um sistema de gestão da responsabilidade social, permitindo à organização formular uma política com base em compromissos éticos, na cidadania e no desenvolvimento sustentável, e de melhorar as condições de trabalho ao redor do mundo, demonstrando ações deResponsabilidade Social Corporativa − CRS em relação aos direitos básicos. B de requisitos para um sistema de gestão da qualidade de produtos ou serviços de uma organização de forma a aumentar a satisfação do cliente, e de definir requerimentos para estabelecer, implementar, monitorar e rever, além de manter e provisionar um sistema de gerenciamento completo de um sistema de gestão de segurança da informação. C de uma ferramenta criada para auxiliar empresas a identificar, priorizar e gerenciar seus riscos ambientais como parte de suas práticas usuais, e de fornecer às organizações elementos de um sistema de gestão da segurança e saúde no trabalho eficaz, que possa ser integrado a outros requisitos de gestão. D do dimensionamento dos Serviços Especializados em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho, definindo a gradação do risco da atividade principal do estabelecimento, e de estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar conforto, segurança e desempenho eficiente. E da obrigatoriedade da elaboração e implementação do Programa de Prevenção de Riscos Ambientais − PPRA, visando à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores, e de normas para adotar medidas de prevenção de incêndios, em conformidade com a legislação estadual e as normas técnicas aplicáveis. Parabéns! A alternativa C está correta. A ISO 14001 tem o foco nas questões ambientais e foi desenvolvida para auxiliar as organizações nas práticas de Saúde e Segurança Ocupacional (SSO). A questão da Qualidade é relativa à ISO 9001, a Responsabilidade Social refere-se a Norma ISO 26000. Então, apenas pela temática da norma é possível identificar a alternativa correta. Questão 2 A respeito do Sistema de Gestão Integrada, assinale a afirmativa correta. A A gestão integrada apresenta a sistemática e as diretrizes do Sistema de Gestão de Qualidade, Segurança e do Sistema de Gestão Jurídico- ambiental. B Não é eficiente na consecução dos objetivos oriundos das políticas de gestão visto que há diversos sistemas individuais se sobrepondo. C Com o SGI, o conceito de qualidade se perde, pois o cliente leva somente em conta as características do produto. D De acordo com o gerenciamento SMS (Saúde, Meio Ambiente e Segurança), todas as informações sobre os controles e as condições ambientais e trabalhistas da unidade não deverão estar disponíveis e abertas ao público e aos clientes da unidade. E No processo de implantação do SGI, os recursos Considerações �nais O que acabamos de estudar sobre ISO 14001 nos mostra que a implantação de um sistema de gestão se refere a um processo pelo qual as organizações deverão estabelecer políticas e objetivos que cumpram as leis e regulamentações ambientais e que evitem a poluição. Mas há de se observar que a Norma ISO 14001 também pode ser utilizada somente como um mecanismo de vantagem competitiva comercial, uma vez que as normas não ditam como a organização deva alcançar suas metas, não descrevem o tipo de desempenho exigido e nem determinam quais os resultados a serem atingidos nos processos, focando-se somente nos processos necessários para alcançar os resultados. Mesmo assim, é notório e correto afirmar que as organizações que implementam a ISO 14001 e outras normas da série 14000 terão maiores condições para atender à legislação de seu país e terão também uma visão mais apurada de seus impactos ambientais e de como preveni-los e controlá-los. Assim, essas empresas e toda a sociedade ganham benefícios, como: redução de custos no gerenciamento de resíduos e na distribuição; economia no consumo de água, energia, matérias-primas e insumos; melhoria na imagem de forma geral; e melhoria contínua como um todo. Isso significa dizer que a organização deve melhorar o seu desempenho ambiental a cada ano, mas ela mesma estabelecerá quanto e como fazer para melhorar. humanos são tão importantes quanto os financeiros. Parabéns! A alternativa E está correta. No processo de implantação do SGI, os recursos humanos são conectados ao financeiro no mesmo propósito e, assim, passam a ter mesma importância. O objetivo do SGA é implementar padrões, provendo recursos necessários, sejam eles financeiros, humanos ou tecnológicos, por exemplo. Os recursos financeiros e humanos também têm grande influência no SGI e estão conectados. Sistema de Gestão Jurídico-ambiental não existe. Um SGI sempre será mais eficiente que a implementação dos sistemas em separado. Com o SGI, o conceito de qualidade nunca se perde, e sim se amplia. Todas as informações ambientais e trabalhistas devem ter transparência. Também existem demonstrações de como a ISO 14001, ao integrar a qualidade, a proteção ambiental, a saúde ocupacional e a segurança, pode contribuir não só para a melhoria ambiental como do desempenho financeiro das empresas, não devendo perder de vista que a obtenção do certificado não representa o fim do processo, mas, ao contrário, é o início de um compromisso contínuo. Portanto, é fato que uma organização que tenha o seu SGA certificado pela ISO 14001 terá um melhor controle sobre os seus aspectos ambientais, como resíduos, efluentes líquidos e emissões atmosféricas, dando-lhes o destino e tratamento adequados e atendendo à legislação local. Ressalta-se, entretanto, que a certificação não significa que essa empresa, organização ou instituição não esteja causando impactos no meio ambiente. Podcast Para encerrar, ouça um resumo em que a especialista apresenta os principais pontos de cada módulo. Referências ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR ISO 14001: Sistema de gestão ambiental - Requisitos com orientações para uso. Rio de Janeiro, 2015a. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR ISO 14004: Sistemas de gestão ambiental - Diretrizes gerais para a implementação. Rio de Janeiro, 2016. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR ISO 45001: Sistema de gestão da segurança e saúde ocupacional - Requisitos com orientações para uso. Rio de Janeiro, 2018. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR ISO 9001: Sistema de gestão da qualidade – Requisitos. Rio de Janeiro, 2015b. Explore + Pesquise as seguintes normas ABNT/NBR ISO 9001, 14001 e 45001 como forma de complementar este conteúdo. Baixar conteúdo javascript:CriaPDF()