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Histórico dos problemas ambientais
Profª. Juliana Velloso Durão
Descrição
O histórico dos problemas ambientais, a relação da atividade humana,
do modelo de sociedade e do desenvolvimento predominante e os
consequentes problemas ambientais.
Propósito
Compreender a forma como a ação humana tem provocado crescentes
impactos e desafios ambientais é fundamental para o profissional de
meio ambiente e sustentabilidade, que deve conhecer os principais
problemas ambientais da atualidade e sua associação com o atual
modelo de desenvolvimento para uma atuação profissional eficiente na
área.
Objetivos
Módulo 1
Histórico da relação do homem com o meio
ambiente
Reconhecer o histórico de problemas ambientais enfrentados pela
humanidade desde a industrialização.
Módulo 2
Principais marcos ambientais
Identificar os principais marcos ambientais.
Módulo 3
Modelo de desenvolvimento e urbanização da
sociedade
Descrever o modelo de desenvolvimento atual como promotor de
problemas ambientais.
Módulo 4
As nove fronteiras planetárias
Listar as nove fronteiras planetárias.
É inevitável que o ser humano cause algum impacto ambiental
como consequência de suas ações e escolhas. Entretanto, esses
impactos se tornaram expressivos a partir da industrialização, mais
especificamente, a partir do estabelecimento da sociedade de
consumo, que segue a lógica produção-consumo-descarte.
O modelo de desenvolvimento atual baseado em crescimento
contínuo, cujo indicador de progresso é medido pelo produto
interno bruto (PIB), só tem ampliado e agravado o histórico de
problemas ambientais.
Introdução
1 - Histórico da relação do homem com o meio ambiente
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer o histórico de problemas ambientais
enfrentados pela humanidade desde a industrialização.
O homem e o meio ambiente antes da
Revolução Industrial
Nós, humanos, somos moradia de outros seres vivos, nutrimo-nos de
outros organismos e, quando morremos, os micro-organismos
Diante disso, desde a metade do século XX, a humanidade vem
enfrentando desafios ambientais cada vez mais complexos, tanto
locais como globais. Com o passar do tempo, devido à falta de
priorização dessas questões, tais desafios ganharam cada vez
mais relevância e passaram a representar grande ameaça para a
vida da Terra.
Atualmente, a partir de muitos relatórios e estudos científicos,
sabe-se que a humanidade enfrenta o maior desafio ambiental de
todos os tempos: a questão climática. Além disso, sabe-se também
que ultrapassamos a maioria das nove fronteiras planetárias, que
são essenciais para a sobrevivência da espécie humana no planeta.
A partir de agora, prepare-se para a reflexão sobre um assunto que
envolve todos nós.
reaproveitam a matéria orgânica que formava nossos corpos. A história
humana diz respeito ao modo como a humanidade se relaciona entre si
e com a natureza externa a ela, que chamamos de meio ambiente
(ALBUQUERQUE, 2007).
Ao longo do tempo, a humanidade vem se relacionando de diferentes
maneiras com o meio ambiente. Desde a descoberta do fogo, da
agricultura e da pecuária, a capacidade de transformar e alterar a
natureza gradualmente se tornou cada vez mais expressiva. No início, os
humanos mais se adaptavam ao meio do que tentavam alterá-lo; no
entanto, em algum momento, começaram a alterá-lo para colocá-lo a
seu serviço e, utilizando suas potencialidades, construíram diversas
civilizações, dominaram o fogo, inventaram a roda, plantaram sementes
escolhidas e domesticaram animais (ALBUQUERQUE, 2007, p. 27).
Impactos ambientais ocorrem desde que o homem surgiu no planeta.
Recursos naturais importantes, como madeira, por exemplo, já se
tornaram elementos escassos para diferentes civilizações e em
diferentes períodos, como na Grécia, no final do século V a.C. Os
romanos, em período a.C., já reclamavam da poluição do ar,
demonstrando a ocorrência de impactos ambientais a partir da ação
humana em diferentes épocas e contextos.
A grande questão, no entanto, é a magnitude e a escala do impacto do
homem no meio ambiente. Nem sempre as interferências causadas pela
humanidade geraram tantos problemas como estes com que nos
deparamos hoje.
Como tem sido a relação da humanidade com o meio
ambiente desde a industrialização?
A Revolução Industrial pode ser considerada um marco emblemático. A
partir dela, mais precisamente do estabelecimento da sociedade de
consumo, os impactos ambientais da raça humana sobre o meio
ambiente se tornaram insustentáveis e destrutivos.
Revolução Industrial: marco da
relação do homem com o meio
ambiente
A Revolução Industrial é um símbolo relevante da mudança de trajetória
da espécie humana no planeta, pois alteram-se os padrões de produção
e consumo nos séculos XVIII e XIX, que começam a basear-se na
exploração crescente de recursos naturais e do trabalho que se tornou
predatória para obtenção de crescente capital e alterou
significativamente as relações entre o homem e o meio ambiente.
Saiba mais
A Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra em meados do século XVIII,
institucionalizou o capitalismo industrial com novas formas de
produção apoiadas no uso de máquinas, na produção em grande escala
e no consumismo como alicerce da economia (LEAL et al., 2018).
Quando as primeiras indústrias foram criadas, os problemas ambientais
eram pouco expressivos, pois ainda não havia concentração
populacional e a produção era de baixa escala. Não existiam exigências
ambientais e o símbolo do progresso era a fumaça saindo de chaminés
das fábricas sem nenhuma ou pouca associação à poluição que já era
gerada.
Ilustração de fábrica em pleno funcionamento, em 1860.
O agravamento da situação começou com a Segunda Revolução
Industrial, quando é estabelecida e consolidada a sociedade de
consumo. Empresas passam a aumentar suas escalas produtivas e
precisam escoar a produção. Os cidadãos se tornam consumidores, que
precisam consumir de forma contínua e crescente.
A Revolução Industrial é um importante marco
histórico da epistemologia ambiental. Foi naquele
momento em que as cidades ou a burguesia
ganhavam forças perante o sistema
feudal/absolutismo, que a noção de apropriação
da natureza ganhava coro, tornando o grau de
desenvolvimento e progresso de determinada
sociedade totalmente vinculados à capacidade de
dominação e emancipação do homem perante o
meio.
(NAVES; BERNARDES, 2014, p. 21)
Com a industrialização e a sociedade moderna, foram criadas novas
tecnologias e, com isso, a indústria começa a ganhar escala e
produtividade. À medida que mais produtos são fabricados, mais
recursos naturais são necessários, mais itens são consumidos e mais
resíduos são gerados, ocasionando maior poluição do ar, do solo e da
água. Assim, mais impactos ambientais são evidenciados e acirrados.
Nesse momento, consolidou-se a ideia de que uma natureza intocável é
um entrave ao desenvolvimento da economia dos países, bem como
pensou-se que não é possível ter crescimento econômico sem a
apropriação dos recursos naturais. É importante ressaltar a incoerência
existente, pois os recursos naturais, apesar de abundantes, são finitos,
em sua grande maioria.
Ilustração demonstrando despejo de poluentes industriais.
A consolidação da industrialização fez crescer a construção de fábricas,
que se concentravam e geravam mais ambientes urbanos, tornando-se
um espaço de grande circulação de recursos materiais e humanos, com
geração exacerbada de resíduos, assim como grandes quantidades de
poluentes lançados no ar, na água e no solo.
Um marco na relação homem-meio
ambiente: Antropoceno
Antropoceno é um termo cunhado por Paul Crutzen, Prêmio Nobel de
Química em 1995, e demonstra o momento que vivemos, no qual o
humano (antropo) domina a atual era geológica (ceno).
Paul Crutzen (1933-2021)
Estamos na Era dos Humanos, com uma população de mais de sete
bilhões de pessoas, que segue crescendo e dominando todas as outras
espécies do planeta. Não existe atualmenteuma região na Terra que
não seja afetada direta ou indiretamente pela espécie humana e isso é
inédito.
De acordo com Alves (2020), o Homo sapiens surgiu e se espalhou pelo
mundo no Pleistoceno e apenas no Holoceno a civilização emergiu e a
espécie humana se tornou onipresente no planeta. A população mundial
era de cerca de 5 milhões de habitantes no princípio do período
Holoceno, há 12 mil anos.
O termo antropoceno foi criado com base na dimensão
do impacto destruidor das atividades humanas sobre o
ambiente, legitimando a época da dominação humana. O
Antropoceno representa algo negativo, um período da
história da Terra em que o ser humano se tornou a grande
força por trás da degradação ambiental e o propulsor de
ações que provavelmente levarão a catástrofes
ecológicas.
A destruição de florestas através das queimadas provocadas pelo homem.
O Antropoceno simboliza uma expressiva mudança da relação do
homem com o meio ambiente, na qual a humanidade se destaca das
demais espécies animais por seu impacto crescente e negativo no
planeta. O homem se converteu em uma força geológica,
assemelhando-se a forças naturais, no que diz respeito ao impacto e à
capacidade de modificar o planeta. Assumiu, portanto, papel de
destaque na geologia e na ecologia. Considerando a perspectiva
química, biológica e das ciências ambientais, vive-se hoje o momento
em que o ser humano alterou e está alterando cada vez mais o equilíbrio
do sistema terrestre.
Comentário
Sabemos que o homem tem modificado o planeta e, em alguns casos,
de forma irreversível. Sabemos ainda que os conceitos do Holoceno não
podem mais ser usados. Logo, o futuro da humanidade no planeta
depende do estabelecimento de ações urgentes para otimizar a relação
do homem com o meio ambiente.
Pegada ecológica
A pegada ecológica é uma metodologia criada por pesquisadores da
instituição Global Footprint Network (GFN), em 1993, para mensurar os
impactos do consumo humano sobre os recursos naturais. Ela fornece
elementos para repensar nosso impacto e nossos hábitos de consumo,
bem como estabelecer atitudes para adequá-los à capacidade ecológica
do planeta.
É uma metodologia de contabilidade ambiental que avalia a pressão do
consumo da humanidade sobre os recursos naturais. Ela permite
comparar diferentes padrões de consumo e verificar se são compatíveis
com a capacidade ecológica da Terra. Permite também avaliar a
demanda humana por recursos naturais renováveis com a capacidade
regenerativa do planeta.
A pegada ecológica equivale ao tamanho da área produtiva de terra e de
mar necessária para gerar produtos, bens e serviços utilizados no
cotidiano. É um meio de interpretar, em hectares (ha), a extensão
territorial que uma pessoa ou uma sociedade utiliza, em média, para
sustentar seu consumo. O cálculo é feito somando as áreas necessárias
para fornecer os recursos naturais renováveis utilizados, com as que
são ocupadas por infraestrutura, como cidades, por exemplo, e as áreas
necessárias para a absorção de gases de efeito estufa — GEE (WWF,
2013).
A pegada ecológica do Brasil é mensurada pela instituição ambiental
WWF e, segundo a organização (WWF, 2013), estudos recentes
acenderam um alerta vermelho ao demonstrar que o consumo
exagerado e sem controle está extrapolando a capacidade ecológica do
planeta.
Desde a década de 1960, a demanda mundial por recursos naturais tem
crescido de forma expressiva a cada ano e, a partir de 1966, dobrou.
Atualmente, a humanidade demanda o equivalente a um planeta e meio
para suprir o estilo de vida da sociedade.
O cálculo da pegada ecológica envolve:
A pegada ecológica brasileira é de 2,9 hectares globais por habitante,
indicando que o consumo médio de recursos ecológicos pelo brasileiro
é bem próximo da média mundial da pegada ecológica por habitante, de
2,7 hectares globais.
Você sabe o que é biocapacidade?
Carbono Áreas de cultivo
Representa a capacidade dos ecossistemas em produzir materiais
biológicos úteis e absorver os resíduos gerados. Assim como a pegada
ecológica, a biocapacidade é expressa em uma unidade comum, o
hectare global (gha).
Dia da Sobrecarga Global
Acompanhe agora a especialista Juliana Velloso Durão apresentando o
conceito de Dia da Sobrecarga da Terra. Vamos lá!
Após apresentarmos esses conceitos, temos uma pergunta para a sua
reflexão:
Qual é o tamanho da sua pegada ecológica?
Você troca os aparelhos eletrônicos e eletrodomésticos a cada modelo
novo que surge no mercado e adora um importado? E como você se
locomove pela cidade? Usa o carro para tudo? Ou utiliza mais o
transporte público, a bicicleta? E na hora de se alimentar, o que você
escolhe? Seus alimentos são produzidos perto de casa ou você
consome apenas produtos industrializados e importados? Você come
carne, frango ou peixe todo dia ou consome mais legumes e vegetais
frescos?
As perguntas acima parecem estranhas, mas as respostas a elas
interferem na sua pegada ecológica. Embora não percebamos, todas as
decisões que tomamos no nosso dia a dia geram impactos sobre o
planeta.
Nossa passagem pela Terra deixa marcas, ou pegadas, que podem ser
maiores ou menores, só depende da escolha diária que fazemos como
cidadãos e consumidores.

Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo
que você acabou de estudar.
Módulo 1 - Vem que eu te explico!
Você já ouviu falar do antropoceno?
Módulo 1 - Vem que eu te explico!
Você já mediu sua pegada ecológica?
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?

Questão 1
A Revolução Industrial é considerada um marco na relação do homem
com o meio ambiente, quando os impactos ambientais se tornam cada
vez maiores e desafiadores. Indique a mudança provocada pela
Revolução Industrial que agravou a relação entre o ser humano e o meio
ambiente:
A
A Revolução Industrial diminuiu o consumo de
recursos naturais e legitimou uma trajetória de
crescimento contínuo na economia.
A Revolução Industrial alterou os padrões de
d ã b
B
produção e consumo, que começaram a basear-se em
exploração crescente de recursos naturais e do
trabalho, institucionalizando a busca por um
crescimento econômico contínuo.
C
Com a Revolução Industrial, a sociedade passou a se
desenvolver em termos socioeconômicos e a buscar
alternativas para diminuir os impactos ambientais,
que têm diminuído ao longo do tempo.
D
A Revolução Industrial trouxe avanços expressivos
para a sociedade; com os aprimoramentos
tecnológicos, promoveu o aumento expressivo do
consumo e, consequentemente, da qualidade de vida
da humanidade.
E
A Revolução Industrial alterou os padrões de consumo
e produção que começaram a basear em consumo
apenas de recursos renováveis, promovendo o
crescimento econômico contínuo concomitante à
diminuição das desigualdades.
Parabéns! A alternativa B está correta.
A Revolução Industrial promoveu a alteração dos padrões de produção e consumo da sociedade, que passaram
a se basear em exploração crescente de recursos naturais e do trabalho. Além disso, a revolução preconiza a
busca por um crescimento econômico contínuo pela sociedade.
Questão 2
A pegada ecológica é uma metodologia que permite mensurar o
impacto ambiental individual ou de uma sociedade ao longo de um
período definido. Os componentes utilizados para o cálculo da pegada
ecológica são
A
carbono, áreas de cultivo, pastagens, florestas, áreas
construídas e estoques pesqueiros.
B
carbono, área industrial, agricultura, florestas, área
desmatada e estoques pesqueiros.
2 - Principais marcos ambientais
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car os principais marcos ambientais.
O livro Primavera silenciosa e sua
C
emissão de oxigênio, recursos hídricos, agricultura,
área plantada, área desmatada e estoques agrícolas.
D
carbono, área urbana, área rural, transportes,
agricultura, florestas, área desmatada e estoques
pesqueiros.
E
carbono, área industrial,área rural, florestas, estoques
alimentícios e estoques pesqueiros.
Parabéns! A alternativa A está correta.
A pegada ecológica é calculada com base em: carbono, áreas de cultivo, pastagens, florestas, áreas
construídas e estoques pesqueiros.

importância na questão ambiental
Em 1962, a bióloga Rachel Louise Carson lançou o livro Primavera
silenciosa e se tornou responsável pela maior revolução ecológica dos
Estados Unidos e do mundo. Embora o título remeta a um romance ou a
uma poesia, seu objetivo foi denunciar a presença duradoura de
produtos químicos tóxicos na água e na terra, a presença de
DDT(Dicloro-difenil-tricloroetano) até no leite materno, bem como sua
ameaça a outras criaturas, especialmente pássaros canoros.
Rachel Louise Carson (1907-1964)
Carson documentou no livro a observação de quatro anos dos perigos
do uso de pesticidas e herbicidas. Seu título era uma referência ao
silêncio dos pássaros mortos pela contaminação dos agrotóxicos.
Nunca um livro havia feito tanto barulho a favor do meio ambiente.
Em seu primeiro capítulo, intitulado “Uma fábula para o amanhã”,
descreve, de forma lírica, um lugar onde as árvores não davam folhas, os
animais morriam, os rios contaminados não tinham peixes e,
principalmente, os pássaros que cantavam na primavera haviam
sumido. Você relaciona essa paisagem descrita na década de 1960 com
o que vivenciamos hoje?
O livro é considerado o ponto de partida que fez a sociedade olhar com
mais atenção para os descasos ambientais. Ele divulgou de forma clara,
em uma linguagem não científica, os problemas ambientais
ocasionados pelo uso indiscriminado de pesticidas agrícolas e o
processo de bioacumulação deles nos organismos.
Agricultor utilizando pesticidas agrícolas.
A partir da publicação do livro e ao longo dos 16 anos seguintes, Carson
explicou e denunciou o perigo dos pesticidas para o mundo. Seu livro é
emblemático na área ambiental e é um dos grandes marcos que
demonstram o agravamento da relação do homem com o meio
ambiente.
Em 1972, o uso do DDT foi proibido nos Estados Unidos, e a revista Time
incluiu a autora na lista das 100 pessoas mais influentes do século XX.
Em 1992, um grupo de escritores americanos elegeram Primavera
silenciosa como o livro mais influente dos últimos 50 anos naquele país
e no mundo.
Você sabia que os defensivos agrícolas mais utilizados no mundo são
os herbicidas à base de glifosato?
O glifosato foi descoberto pela Monsanto em 1970 e é o
agrotóxico mais popular do Brasil. O defensivo é usado para
eliminação de ervas daninhas na agricultura.
O glifosato é um herbicida não seletivo, ou seja, mata a maioria
dos vegetais. Por conta disso, seu uso na agricultura se
popularizou associado a culturas geneticamente modificadas
para resistir ao princípio ativo.
Na União Europeia, desde 2015, há um amplo debate sobre a
possibilidade de proibição do uso do glifosato, após um relatório
da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) ter
classificado a substância como "provável carcinógeno humano",
ou seja, como possível agente causador de câncer.
Na Europa, atualmente, a autorização do uso do glifosato vale
até dezembro de 2022. A Áustria se tornou o primeiro país da
região a banir o produto, em 2019, enquanto a Alemanha planeja
prescindir do herbicida a partir de 2024.
Glifosato 
A água brasileira pode ser considerada potável contendo até 500
microgramas de glifosato por litro, enquanto a água da União
Europeia pode ter no máximo 0,1 micrograma de glifosato, o que
demonstra que o limite brasileiro é 5 mil vezes maior do que o
limite da União Europeia. (CARRANÇA, 2021.)
A importância do livro Primavera
silenciosa
Neste vídeo, a especialista Juliana Velloso falará sobre a importância do
livro Primavera silenciosa, de Rachel Carson, para a sensibilização
acerca do impacto da ação humana no meio ambiente. Vamos lá!
O relatório Limites do Crescimento
Outro marco importante para demonstrar o agravamento dos problemas
ambientais foi a divulgação do relatório do Clube de Roma denominado
Limites do Crescimento em 1972. O relatório foi encomendado pelo
Clube de Roma, um grupo de cientistas liberais, economistas e políticos,
fundado em 1968.
Naquele ano, o empresário italiano Aurelio Peccei, presidente honorário
da Fiat, e o cientista escocês Alexander King se juntaram para promover
um encontro com o objetivo de discutir o futuro da humanidade na Terra
e avaliar questões de ordem política, econômica e social com relação ao
meio ambiente.
Em 1972, o grupo pediu a uma equipe de cientistas do Instituto de
Tecnologia de Massachusetts (MIT), liderada por Dennis e Donella
Meadows, para elaborar um estudo que simulasse a interação do
homem com o meio ambiente, levando em consideração o aumento
populacional e o esgotamento dos recursos naturais.

O relatório produzido sinalizou uma perspectiva sombria sobre o futuro
da humanidade na Terra, defendendo que o crescimento econômico e
populacional esgotaria os recursos do planeta e causaria o colapso
econômico antes de 2070.
Dennis Meadows.
Por meio do relatório, chegou-se à conclusão de que se
a humanidade continuasse a consumir os recursos
naturais como na época, por consequência da
industrialização, eles se esgotariam rapidamente e
levariam a problemas ambientais cada vez mais
graves.
Quase meio século após seu lançamento, as principais conclusões do
relatório continuam atuais. Recentemente, um grupo de pesquisadores
independentes atualizaram o trabalho usando ferramentas analíticas
mais sofisticadas, e as perspectivas não são nada otimistas. Segundo a
atualização do relatório, o mundo não conseguirá atingir os Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas — um conjunto
de metas sociais, ambientais e de prosperidade para 2030.
Conferência de Estocolmo
A partir da crescente preocupação científica e da sociedade sobre
questões ambientais, a Organização das Nações Unidas (ONU) elaborou
a Conferência Mundial sobre o Homem e o Meio Ambiente em 1972.
Durante essa conferência histórica, também chamada de Conferência de
Estocolmo, foi dado o primeiro grande alerta mundial sobre os graves
riscos ambientais sofridos pelo planeta. A preocupação da comunidade
internacional com os assuntos ambientais era crescente e já se refletia
em medidas de racionalização dos recursos naturais, no planejamento
industrial e urbano, e em esforços para controle da poluição, sobretudo
atmosférica e marinha.
A Conferência de Estocolmo é reconhecida como um
marco nas tentativas de melhorar a relação do homem
com o meio ambiente, e também por ter instaurado a
busca por equilíbrio entre desenvolvimento econômico
e redução da degradação ambiental, que mais tarde
evoluiria para a noção de desenvolvimento sustentável.
Essa conferência contou com a presença de chefes de 113 países e de
mais de 400 instituições governamentais e não governamentais. Uma
das maiores divergências encontradas foi entre os países em
desenvolvimento e os países desenvolvidos.
Se, por um lado, os países desenvolvidos buscavam compromissos
maiores com o meio ambiente, em detrimento do crescimento industrial,
por outro lado, os países em desenvolvimento visavam ao crescimento
industrial independentemente das questões ambientais.
Saiba mais
Embora não tenha sido possível atingir um acordo que estabelecesse
metas concretas a serem seguidas pelos países participantes, durante a
conferência foi concebido um importante documento político
denominado Declaração da Conferência das Nações Unidas sobre o
Meio Ambiente Humano, publicado em 6 de junho de 1972. Este foi o
primeiro documento do direito internacional a reconhecer o direito do
ser humano a ter um meio ambiente de qualidade que permita que ele
viva com dignidade.
Nas duas décadas seguintes à conferência, observou-se um crescente
aperfeiçoamento das legislações nacionais, acompanhado de um
cuidado gradual em estender a cooperação internacional à preservaçãoe melhoria do meio ambiente.
Relatório de Brundtland
Em 1987, foi lançado o relatório Brundtland, também conhecido pelo seu
título Nosso Futuro Comum. Esse documento foi emblemático por
cunhar o termo, muito usado até hoje, de desenvolvimento sustentável.
Gro Harlem Brundtland
Em 1983, a médica Gro Harlem Brundtland, mestre em Saúde Pública e
ex-primeira ministra da Noruega, estabeleceu e presidiu a Comissão
Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento. Brundtland foi
escolhida para essa posição por ser responsável por um trabalho
pioneiro à época, buscando enxergar a saúde relacionada ao meio
ambiente e ao desenvolvimento humano.
O relatório já abordava temáticas relevantes para a humanidade, como o
aquecimento global e a destruição da camada de ozônio, mas que ainda
eram pouco difundidas na sociedade. Além disso, ele estabeleceu uma
série de metas que deveriam ser seguidas pelos países para evitar a
trajetória de destruição ambiental e conter o aquecimento global. Foi a
primeira vez que as nações tentaram criar um consenso para buscar
uma trajetória de desenvolvimento sustentável.
O termo desenvolvimento sustentável é definido pelo
relatório como o desenvolvimento capaz de suprir as
necessidades da geração atual, sem comprometer a
capacidade de atender às necessidades das futuras
gerações. Uma trajetória que não esgote os recursos
naturais para uso futuro.
Entre as medidas apontadas pelo relatório, constam soluções, como:
Garantia de recursos básicos (água, alimentos, energia) a
longo prazo.
Protocolo de Montreal
A Terra é envolta por um gás chamado ozônio (O3). Ele filtra os raios
ultravioleta, protegendo animais, plantas e seres humanos. Sem a
camada de ozônio, os raios ultravioleta poderiam acabar com a vida no
Atendimento das necessidades básicas (saúde, escola,
moradia).
Preservação da biodiversidade e dos ecossistemas.
Limitação do crescimento populacional.
Diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de
tecnologias com uso de fontes energéticas renováveis.
Aumento da produção industrial nos países não
industrializados com base em tecnologias ecologicamente
adaptadas.
Controle da urbanização desordenada e integração entre
campo e cidades menores.
planeta. No entanto, na superfície terrestre, ela contribui para agravar a
poluição do ar das cidades e a chuva ácida.
Proteção da Terra pela camada de ozônio em relação aos raios solares.
Cientistas britânicos detectaram, em 1977, um buraco na camada de
ozônio sobre a Antártida. Desde então, há diversos registros de que a
camada está se tornando cada vez mais fina em diversas localidades do
mundo, especialmente nas áreas próximas aos polos.
O problema é que diferentes substâncias químicas destroem o ozônio
quando reagem com ele.
A lista dos produtos que impactam negativamente a camada de ozônio
inclui os óxidos nítricos e nitrosos expelidos por exaustores dos
veículos e o CO2 produzido pela queima de combustíveis fósseis, como
o carvão e o petróleo.
Os mais destrutivos, no entanto, são os clorofluorcarbonetos, CFCs, que
são geralmente usados como propelentes em aerossóis, como isolantes
em equipamentos de refrigeração e para a produção de materiais
plásticos.
O CFC presente em aerossóis é muito prejudicial à camada de ozônio.
De acordo com o Ibama (2021), o Protocolo de Montreal foi acordado
com o objetivo de proteger a camada de ozônio. Para isso, definiu a
necessidade de eliminar a produção e o consumo das substâncias que
causam sua destruição. Esse tratado é consequência da Convenção de
Viena para Proteção da Camada de Ozônio, da qual o Brasil é um dos
países signatários.
Tal protocolo destaca-se como um dos tratados ambientais mais bem-
sucedidos. Isso porque, desde sua origem, países foram estimulados a
assumir o compromisso com a eliminação gradual da produção e do
consumo das substâncias anteriormente referidas.
Curiosidade
O protocolo de Montreal é o único acordo ambiental das Nações Unidas
a ser ratificado por todos os países do mundo, onde as partes
participantes eliminaram 98% das substâncias que destroem a camada
de ozônio e com isso cerca de dois milhões de pessoas são salvas do
câncer de pele todos os anos.(PNUMA, 2019).
Rio-92
Em 1992, o Rio de Janeiro foi sede da Conferência das Nações Unidas
para o Meio Ambiente e Desenvolvimento, que ficou conhecida como
Eco-92 ou Rio-92. A conferência fez com que a conscientização
ambiental e ecológica entrasse definitivamente na agenda dos cinco
continentes do mundo (IPEA, 2009).
Delegações de 175 países, entre chefes de Estado e ministros, se
reuniram para definir medidas a fim de enfrentar os problemas
crescentes da emissão de gases causadores do efeito estufa, entre
outros desafios ambientais.
Representantes de movimentos sociais, da sociedade civil e da iniciativa
privada também estiveram presentes em peso com o objetivo de propor
e apoiar um novo modelo de desenvolvimento econômico que
contemplasse a proteção da biodiversidade e o uso sustentável dos
recursos naturais.
Entre os principais consensos da Rio-92, concluiu-se
que as nações mais desenvolvidas eram as maiores
responsáveis pela destruição do meio ambiente e que
os países em desenvolvimento, como o Brasil, ainda
necessitavam de suporte financeiro e tecnológico para
atingir um modelo sustentável de crescimento.
Como resultado da conferência, foi ratificada a Agenda 21, que
estabelecia diversas políticas e ações compromissadas com a
responsabilidade ambiental. Além disso, apontava as mudanças
necessárias dos padrões de consumo, em relação à proteção dos
recursos naturais e ao desenvolvimento de tecnologias capazes de
melhorar a gestão ambiental dos países. Também foram estabelecidos
outros importantes tratados, como as convenções da Biodiversidade,
das Mudanças Climáticas e da Desertificação, a Carta da Terra e a
Declaração sobre Florestas.
Protocolo de Quioto
O Protocolo de Quioto é um acordo que resultou da Convenção-Quadro
das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCC). Com o
objetivo de combater o aquecimento global, foi negociado e adotado no
Japão, na cidade de Quioto, em 1997, e entrou em vigor em fevereiro de
2005.
A redução da emissão de gases do efeito estufa (GEE) foi um dos compromissos discutidos no
protocolo de Quioto.
Os países signatários se comprometeram a reduzir suas emissões de
gases de efeito estufa (GEE), que são os causadores do aquecimento
global. À data do início de vigência, o acordo alcançou a meta de 50% de
ratificações dentre os 84 signatários originais.
O protocolo tem por base premissas comprovadas pela
ciência de que o aquecimento global é real e causado
pela ação antrópica. Ele foi considerado um dos
compromissos ambientais mais importantes já firmado
no mundo, visto que as mudanças climáticas,
consequência do aquecimento global, representam o
maior desafio ambiental já enfrentado pela
humanidade.
O protocolo foi ratificado por 192 países, além da União Europeia (UE) —
embora os Estados Unidos tenham assinado, se negaram a ratificá-lo.
Segundo o acordo, 37 economias industrializadas (denominadas países
do Anexo 1) se comprometeram a reduzir as emissões totais dos seis
principais gases — dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido de
nitrogênio (N20) e três fluoretos (HFC, PFC, SF6) — em pelo menos 5%
até 2012 em comparação com os níveis de 1990.
Os países em desenvolvimento (do Anexo 2) não foram associados a
um compromisso de reduzir os GEE por ainda precisarem avançar em
aspectos socioeconômicos. Eles se comprometeram somente a buscar
reduzir a poluição, sob o princípio de que os países ricos são os
responsáveis históricos pelo aquecimento global e deveriam se
comprometer mais fortemente para as mudanças necessárias.
Rio+20
Em 2012, 20 anos após a Rio-92, ocorreu a Conferência das Nações
Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, na cidade do Rio de Janeiro,
também denominada Rio+20. Essa conferência também teve ampla
participação de líderes mundiaise de representantes de diversos
setores da sociedade civil.
Participantes da Rio+20.
O objetivo da conferência foi reafirmar o compromisso dos países e
demais instituições com a busca por um desenvolvimento sustentável.
Os principais temas abordados foram: economia verde, inclusão social,
pobreza e, obviamente, desenvolvimento sustentável.
O documento final da Rio+20 estabeleceu
compromissos, como o desenvolvimento sustentável
com erradicação da pobreza, o fortalecimento do
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente
(PNUMA) e a criação de um Fórum Político de Alto
Nível Internacional, entre outros.
Infelizmente, a Rio+20 não obteve êxito em razão de seus impasses,
principalmente entre os interesses dos países desenvolvidos e em
desenvolvimento. O documento final apresentou diversas intenções e
encaminhou, para os próximos anos, a definição de medidas práticas
para garantir a proteção do meio ambiente.
Comentário
Muitos analistas defenderam que a crise econômica mundial iniciada
em 2008, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, acabou
impactando negativamente as negociações, as tomadas de decisões e o
estabelecimento de compromissos durante a conferência.
Acordo de Paris
O Acordo de Paris é um tratado mundial que possui um único objetivo:
promover a redução do aquecimento global. Ele foi discutido entre 195
países durante a COP21, no ano de 2015, em Paris. Aprovado em 12 de
dezembro de 2015, entrou em vigor oficialmente no dia 4 de novembro
de 2016, um tempo recorde para um acordo climático tão relevante para
a sociedade. No ano de 2020, passou a vigorar como substituto do
Protocolo de Quioto.
Esse tratado tem como principal objetivo a busca pela redução das
emissões de GEE para limitar o aumento médio de temperatura global a
2°C, quando comparado a níveis pré-industriais. No entanto, idealmente,
para que as consequências não sejam tão drásticas, o esforço maior
deveria ser para limitar o aumento de temperatura a 1,5°C.
Uma grave consequência do aquecimento da temperatura no planteta é o derretimento das
calotas polares.
O acordo também prevê recomendações quanto à adaptação dos países
signatários às mudanças climáticas, em especial para os países menos
desenvolvidos, com os seguintes objetivos:

Reduzir a vulnerabilidade a eventos climáticos extremos. 

Fomentar o suporte financeiro e tecnológico dos países desenvolvidos
para os países em desenvolvimento e mais vulneráveis.

Promover o desenvolvimento tecnológico e transferência de tecnologia
e capacitação para adaptação às mudanças climáticas. 

Estimular a cooperação entre a sociedade civil, o setor privado,
instituições financeiras, cidades, comunidades e povos indígenas para
ampliar e fortalecer ações urgentes de mitigação e adaptação do
aquecimento global.
Em relatório publicado em agosto de 2021, o Painel Intergovernamental
de Mudanças Climáticas (IPCC) evidenciou que não é inequívoco a ação
humana como causador do aquecimento global e, caso ações drásticas
não sejam colocadas em prática e o uso de combustíveis fósseis não
diminua de forma expressiva, as consequências climáticas serão
desastrosas e poderão tornar o planeta um lugar inóspito para
sobrevivência humana e de outras espécies.
O relatório do IPCC deixa claro que não estamos
lidando com uma crise climática, e sim com uma
emergência climática.
A partir de todos os marcos apresentados, salienta-se o agravamento
dos problemas ambientais: hoje a sociedade se encontra em um
momento crucial para sua sobrevivência no planeta. Além da questão
climática, a ação humana tem provocado diversos outros impactos
ambientais que trazem consequências desastrosas para a vida no
planeta.
Devastação provocada pelas chuvas em cidade da Bélgica em julho de 2021.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo
que você acabou de estudar.
Módulo 2 - Vem que eu te explico!
Rio+20 – A Agenda 21
Módulo 2 - Vem que eu te explico!
Mudanças climáticas – a COP26
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?

Questão 1
Desde a década de 60, quando a questão ambiental começou a ter
relevância na sociedade, a humanidade iniciou a tomada de consciência
sobre seu impacto ambiental. Um dos livros que legitimaram a
necessidade de se olhar para esse tema foi escrito por Rachel Carson.
Qual era o assunto abordado?
A Destruição da floresta amazônica
B Uso indiscriminado de herbicidas
C Extinção de animais silvestres
D Acidificação dos oceanos
E Mudanças climáticas
Parabéns! A alternativa B está correta.
O livro Primavera silenciosa trouxe à tona o resultado do uso de herbicidas nos Estados Unidos, que estava
provocando o desaparecimento de diversas espécies da fauna e da flora.
Questão 2
As mudanças climáticas representam o grande desafio ambiental
enfrentado hoje pela humanidade. Caso o aquecimento global não seja
contido, trará consequências desastrosas para a vida no planeta. Qual
opção abaixo representa marcos importantes na agenda climática?
A Protocolo de Quioto e Acordo de Paris.
B Eco-92 e Rio+20.
C Conferência de Estocolmo e relatório Brundtland.
D Primavera silenciosa e Limites do Crescimento.
E Desenvolvimento sustentável e relatório Brundtland.
Parabéns! A alternativa A está correta.
O Protocolo de Quioto e o Acordo de Paris representam os acordos globais em prol da contenção do
aquecimento global, o maior desafio que a humanidade já enfrentou em termos ambientais.
3 - Modelo de desenvolvimento e urbanização da sociedade
Ao �nal deste módulo, você será capaz de descrever o modelo de desenvolvimento atual como
promotor de problemas ambientais.
Modelo de desenvolvimento da
sociedade atual
O modelo de desenvolvimento atual se baseia na produção e consumo
crescentes de bens e serviços, com leis do mercado que ditam as regras
na perspectiva do individualismo e da competitividade. Nesse sentido,
nossa sociedade se fundamenta em um modelo industrial/tecnológico
de globalização da economia, no qual os interesses econômicos são
sempre colocados na frente de questões sociais e ambientais.
Um dos principais indicadores que mensura o progresso da sociedade
atual é o produto interno bruto (PIB). Ele é a soma de todos os bens e
serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade, geralmente
em um ano. Todos os países calculam o seu PIB nas suas respectivas
moedas e mensuram o desenvolvimento de suas economias a partir
dele.

O modelo contemporâneo preconiza o crescimento constante do PIB a
partir da utilização crescente de recursos naturais e de uma maior
produção, maior consumo e, consequentemente, maior descarte. Ele
propõe que a mão invisível do mercado consegue resolver todas as
questões mediante a lei da oferta e demanda, no entanto, isso não
acontece na prática.
O crescimento econômico pode ajudar na promoção de melhorias em
aspectos sociais, quando os recursos financeiros são bem alocados
com esse objetivo. Contudo, a sociedade atual enfrenta níveis de
desigualdade exorbitantes e outras inúmeras mazelas. Enquanto poucos
concentram a maior parte da riqueza, a grande maioria vive na pobreza e
sem acesso a bens e serviços necessários para uma vida digna. É
importante ressaltar que há regiões do mundo menos desiguais,
entretanto, na América Latina, onde fica o Brasil, a desigualdade é
gritante.
A desigualdade social é um dos grandes problemas de muitos países.
Embora o processo de globalização tenha alguns aspectos positivos,
como a promoção de maior riqueza e bem-estar social e o acesso a
diferentes bens e serviços, isso não ocorreu de forma homogênea no
mundo. Iniciada na década de 90, a globalização possibilitou o aumento
das relações comerciais entre os países, que começaram a produzir
mais para exportar e, ao mesmo tempo, a demandar mais produtos de
outras nações. Nesse sentido, trouxe consigo muitas consequências
negativas: acirrou desigualdades e problemas sociais e descaracterizoumuitas culturas, tornando hegemônico o viés em prol do consumo.
Assim, configurou e disseminou o modelo seguido pela sociedade
atualmente.
Os descartáveis, principalmente os plásticos, causam grande impacto ambiental.
O que antes era produzido localmente, em menor escala e velocidade,
passou a ser produzido em diferentes partes do mundo e transacionado
por meio de longas distâncias. Além disso, com os avanços
tecnológicos e com o crescimento do uso de combustíveis fósseis e de
plástico, se estabeleceu também a sociedade do descartável: antes os
itens eram produzidos para durar e serem consumidos em menor
velocidade, com embalagens retornáveis. Com o estabelecimento do
modelo atual de desenvolvimento, instituiu-se a sociedade do consumo
excessivo e contínuo, e os cidadãos se tornaram consumidores.
Anteriormente em um contexto rural, muitas vezes baseado no setor
agrícola e na economia de subsistência, as cidades, principalmente as
grandes, começaram a ser polos de produção e a atrair novos
habitantes, promovendo uma mudança expressiva na população rural e
urbana no mundo.
Com a urbanização, agravou-se ainda mais a problemática ambiental:
cidades começaram a crescer e a se tornar polos de produção,
consumo, poluição, degradação, pobreza, violência e desigualdade. É
importante mencionar que há exceções, mas, de forma geral, a
urbanização trouxe consigo mais mazelas do que benefícios para a
maior parte da população.
Urbanização como vetor de
problemas ambientais
Nem sempre a humanidade viveu em cidades. Os primeiros habitantes
eram nômades e, por isso, não tinham residência fixa e viviam da caça,
pesca e coleta. Nessa fase, o impacto ambiental associado ao ser
humano era muito inexpressivo.
Com o passar do tempo, a maioria das comunidades nômades deixou
essa condição para se tornarem produtores. Esse foi o início do
processo de aglomeração em localidades, que se transformaram em
cidades. O ser humano, com o desenvolvimento de atividades
econômicas, foi se concentrando em centros urbanos.
A urbanização é caracterizada pelo deslocamento de
pessoas das zonas rurais para as cidades, formando
aglomerações de pessoas em áreas delimitadas. Na
maioria das vezes, essas pessoas estão buscando
empregos nas diversas atividades produtivas e no
setor de serviços. Essas áreas deixam de ser agrícolas
para se tornarem áreas industriais, onde o comércio e
a prestação de serviços também predominam.
O processo de urbanização pode ser dividido em duas fases marcantes:
Primeira fase
Ocorreu no período da Revolução Industrial, no fim do século XVIII, com
a enorme migração de pessoas das áreas rurais rumo às cidades. Nesse
período, entretanto, a urbanização concentrava-se apenas nos países
envolvidos na revolução.
Segunda fase
Aconteceu após a Segunda Guerra Mundial. Essa urbanização não foi
motivada pela industrialização, mas sim pela crença de que as cidades
seriam melhores para se viver e ofereceriam melhores condições de
vida, oportunidades de estudo e trabalho.
Conforme vimos, a urbanização não ocorreu simultaneamente no
mundo, iniciou-se nos países industrializados. No caso dos países em
desenvolvimento e de industrialização tardia, como é o caso do Brasil, o
crescimento urbano aconteceu mais tarde, de forma acelerada e muito
desordenada. A falta de planejamento dessa migração rural-urbana tem
promovido a proliferação de graves problemas, como favelização, falta
de infraestrutura, violência, poluição de todos os tipos, desemprego e
pobreza.
Com o crescimento acelerado e desordenado das áreas urbanas, a
maior parte do contingente que migra da área rural para as cidades
acaba em favelas, onde os serviços de água, luz e esgotamento
geralmente são precários ou inexistentes. Isso acontece porque, muitas
vezes, o Estado não consegue acessar tais locais para oferecer serviços
básicos, como esgotamento sanitário, devido à violência, que institui um
estado paralelo. Com isso, acabam-se acirrando os impactos
ambientais.
Durante as décadas de 1970 e 1980, o Brasil sofreu um intenso
processo de êxodo rural, resultado da mecanização da produção
agrícola, que expulsou trabalhadores do campo para as cidades
em busca de oportunidades de trabalho e sobrevivência.
Atualmente, o deslocamento do campo para a cidade é bem
menor (IBGE, 2021).
De acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de
Domicílios (PNAD) de 2015, a maior parte da população
brasileira, 84,72%, vive em áreas urbanas, enquanto 15,28% da
população vive em áreas rurais (IBGE, 2021).
Esse intenso processo de urbanização vivido no Brasil gerou o
fenômeno chamado de metropolização, que define a ocupação
urbana que ultrapassa os limites das cidades. Com isso, foram
desenvolvidos grandes centros metropolitanos, como São Paulo,
Rio de Janeiro, Porto Alegre, Salvador, Goiânia, Manaus, entre
outros, que enfrentam diversos problemas sociais e ambientais.
E como ocorreu o processo de urbanização no Brasil? 
Os problemas ambientais urbanos impactam de maneira significativa o
meio ambiente das cidades e podem se originar de causas naturais,
mas geralmente ocorrem pela ação antrópica. Dentre eles, destacamos
os principais:
No Brasil, esses transtornos estão relacionados à expansão
desordenada dos centros urbanos, o que tem ocorrido nas últimas
décadas. Eles geram consequências econômicas e ambientais graves,
impactando a disponibilidade e a qualidade dos recursos ambientais,
bem como resultam em inúmeras vidas perdidas devido aos grandes
desastres naturais.
Com a geração de resíduos pelo consumo crescente, cria-se um modelo
de sociedade insustentável. É bom lembrar que nosso planeta possui
recursos finitos e que a humanidade convive com diversas outras
espécies e formas de vida.
Indicadores de Desenvolvimento
Sustentável instituídos pelo IBGE
Está na hora de falarmos sobre a sociedade de consumo e seus
impactos negativos na saúde humana e do planeta. Com a palavra a
especialista Juliana Velloso.
Poluição Ilhas de calor

Sociedade de consumo
Consumir é um ato necessário para a manutenção da vida, seja um
insumo, um alimento, um vestuário, um produto qualquer, ou algum
serviço. No entanto, nunca se viu uma oferta de produtos e serviços tão
expressiva quanto se observa nos dias de hoje, nem tanta demanda para
produtos descartáveis, feitos para durar pouco (BASSI e LOPES, 2017).
O consumo é importante para suprir as necessidades do ser humano,
entretanto, após a Revolução Industrial, a produção de bens de consumo
passou a ser acelerada e em escala. Assim, o ato de consumir
extrapolou o necessário, chegando a um consumismo desenfreado e
muitas vezes irracional, cultural, fomentado para sustentar o modelo
capitalista que vigora na sociedade.
Somado à crescente produção de bens de consumo, a televisão e, bem
mais recentemente, a internet, com elaboradas estratégias de marketing
e muitas propagandas, estimulam o consumo descontrolado. Além
disso, os produtos são feitos para durar determinado período, quando,
na verdade, poderiam durar muito mais, fenômeno chamado de
obsolescência programada. Desse modo, as empresas induzem os
consumidores a sempre comprarem novos itens de consumo.
Ocorre quando um produto vem de fábrica com a predisposição
a se tornar obsoleto ou parar de funcionar após um período
específico de uso — geralmente um tempo curto. Dessa forma,
as empresas lançam produtos no mercado para que sejam
rapidamente descartados e substituídos por outros.
Por exemplo: apesar do avanço tecnológico, hoje nossos
eletrodomésticos duram muito menos do que há 50 anos. Os
produtos são fáceis de comprar, mas são desenhados para não
durar. Como efeito, os consumidores são obrigados a descartar
os produtos adquiridos em um prazo consideravelmente menor e
Você sabe o que é obsolescência programada? 
substituí-los por novos, que provavelmente também tiveram sua
durabilidade alterada. Além do prejuízo ao consumidor, essa
ação causa um impacto ao meioambiente, pelo uso de recursos
naturais e de energia e pela geração de resíduos.
A máquina de lavar roupas, por exemplo, tem sido um grande
alvo da obsolescência programada. Quando criada, ela durava
muitos anos, mas as fabricantes notaram que venderiam apenas
um número limitado de unidades. Por isso, passaram a
disponibilizar no mercado modelos menos duradouros e com
uma eficiência menor, embora o objetivo do eletrodoméstico
continuasse o mesmo.
Na área tecnológica, a obsolescência programada pode ser vista
com maior frequência. Geralmente, durante o período de
garantia, smartphones, desktops e notebooks de alguns
fabricantes funcionam normalmente. No entanto, após o fim
desse prazo, passam a apresentar defeitos. Na quase totalidade
dos casos, o preço do conserto é tão alto que não vale a pena, e
os consumidores são impelidos a adquirir um produto novo.
(IDEC, 2018)
Resumidamente, nossa sociedade é moldada pelo consumismo,
caracterizado pelo desperdício e pelo excesso. O resultado disso é uma
sociedade que não vivencia o bem-estar associado ao consumo,
apresenta inúmeros problemas ambientais e sociais, além de ser
formada por muitos cidadãos com crescentes problemas psicológicos
sérios. O modo de vida é orientado por uma busca crescente pelo
consumo de bens ou serviços, em sua relação simbólica com prazer,
sucesso, felicidade, que acabam não ocorrendo na prática. Isso
demonstra que a sociedade de consumo falhou em diversos aspectos e
é necessário mudar radicalmente essa trajetória.
Bauman traz uma boa reflexão sobre essa condição:
A sociedade de consumidores representa o tipo de
sociedade que promove, encoraja ou reforça a
escolha de um estilo de vida e uma estratégia
existencial consumistas, e rejeita todas as opções
culturais alternativas. Uma sociedade em que se
adaptar aos preceitos da cultura de consumo e
segui-los estritamente é, para todos os fins e
propósitos práticos, a única escolha aprovada de
maneira incondicional. Uma escolha viável e,
portanto, plausível — e uma condição de afiliação.
(BAUMAN, 2008, p. 54)
O ato de consumir acabou estabelecendo relações de poder: é mais
poderoso aquele que mais consome. A sociedade se submeteu à lógica
do mercado e segue os padrões e diretrizes ditados pela indústria do
marketing, da publicidade e da propaganda.
A lógica consumista se baseia na ganância, buscando sempre consumir
mais, mesmo sem nenhuma necessidade. Com esse modo de vida,
exaurimos nossos recursos naturais, que são finitos e muitas vezes
escassos, além de gerarmos crescente poluição e inúmeros outros
problemas ambientais que, segundo muitos cientistas, estão levando a
humanidade ao colapso de sua espécie.
De acordo com Bassi e Lopes (2017), o consumismo é o lado perverso
do consumo e trouxe malefícios para a sociedade em termos
econômicos, sociais e ambientais, tais como a condição de
massificação na relação com as pessoas; a publicidade exagerada e
enganosa; a ausência de civismo; a crescente e acelerada exaustão dos
recursos naturais; a descartabilidade como conduta padrão; e a
exclusão social crescente e insustentável.
Mazelas ambientais associadas ao
modelo de sociedade atual
Como já vimos, o modelo de desenvolvimento atual, baseado no
consumismo desenfreado, trouxe consequências ambientais sérias e
irreversíveis. Dentre os inúmeros problemas, podemos citar:
extinção crescente de espécies;
buracos na camada de ozônio;
desertificações;
alteração da acidez dos mares;
degelo das calotas polares;
poluição plástica nos oceanos;
alterações climáticas;
alterações das correntes marítimas;
improdutividade das terras;
contaminação por uso de agrotóxicos.
Com o estabelecimento da sociedade do consumo e o crescente
aumento da velocidade da compra e do descarte, caminhamos para o
esgotamento dos recursos naturais e para o atingimento de índices
insustentáveis de poluição da atmosfera, da água e dos solos.
Perdemos, dia após dia, nossa biodiversidade e a água potável, já
escassa para tantos, se torna cada vez mais rara e preciosa.
O consumo desenfreado pode ser causador do esgotamento de nossos recursos naturais, como
a água.
Há uma relação destrutiva entre o consumismo e o meio ambiente. O
modelo de desenvolvimento insustentável em que vivemos tem feito a
sociedade caminhar para pontos irreversíveis, o que pode tornar a terra
inabitável para a espécie humana e para outras espécies. Nunca a
humanidade gerou tamanho impacto ambiental e atingiu níveis tão
alarmantes, que poderão, em breve, se tornar inalteráveis, caso a rota de
desenvolvimento e o modelo baseado em consumo irracional e
excessivo não sejam alterados.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo
que você acabou de estudar.
Módulo 3 - Vem que eu te explico!
A sociedade de consumo
Módulo 3 - Vem que eu te explico!
Mazelas ambientais associadas ao modelo de sociedade
atual
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?

Questão 1
O modelo de desenvolvimento atual, baseado no consumismo
desenfreado, trouxe consequências ambientais sérias e irreversíveis.
Dentre as opções a seguir, indique a aquela não representa uma
consequência ambiental negativa do modelo de desenvolvimento
predominante no mundo:
A Acidificação dos oceanos
B Aquecimento global
C Escassez hídrica
D Aumento da produção de alimentos
E Poluição plástica nos oceanos
Parabéns! A alternativa D está correta.
O aumento da produção de alimentos, mesmo trazendo consigo impactos ambientais expressivos, não pode
ser considerado uma consequência ambiental negativa do modelo de desenvolvimento predominante na nossa
sociedade.
Questão 2
A obsolescência programada pode ser caracterizada como:
A
uma forma de as empresas aumentarem sua
produtividade e lucratividade.
B
um produto que vem de fábrica com a predisposição a
se tornar obsoleto ou parar de funcionar após um
curto período de uso.
C
uma forma de produzir minimizando os impactos
ambientais associados.
D
um produto que é produzido para durar um longo
período e que pode ser facilmente reparado quando
quebrado.
E
um produto fabricado de forma ecoeficiente e que não
gera impactos ambientais durante seu uso.
Parabéns! A alternativa B está correta.
4 - As nove fronteiras planetárias
Ao �nal deste módulo, você será capaz de listar as nove fronteiras planetárias.
Introdução às nove fronteiras
planetárias
Em 2009, o ex-diretor do Stockholm Resilience Centre (SRC), Johan
Rockström coordenou um grupo de 28 cientistas de renome
internacional para identificar os nove processos que regulam a
estabilidade e a resiliência do sistema terrestre.
Os cientistas propuseram limites quantitativos planetários dentro dos
quais a humanidade pode continuar a se desenvolver e prosperar pelas
próximas gerações. Atravessar essas fronteiras aumenta o risco de
gerar mudanças ambientais abruptas ou irreversíveis em larga escala,
podendo impedir a vida humana na Terra.
As fronteiras planetárias e as interações complexas entre elas podem
ser difíceis de entender em um primeiro momento, mas precisam ser
tomadas como prioridade na agenda de toda sociedade para que
possamos pensar em um futuro viável para a raça humana no planeta.
Nos tópicos seguintes, apresentaremos as linhas gerais das fronteiras
planetárias.
A obsolescência programada ocorre quando um produto vem de fábrica com a predisposição a se tornar
obsoleto ou parar de funcionar após um curto período de uso, para que sejam rapidamente descartados e
substituídos por outros.

Por que de�nir as fronteiras
planetárias e seus limites?
Os limiares definem-se como transições não lineares no funcionamento
de sistemas humanos-ambientais, por exemplo, o recuo do gelo marinho
do Ártico causado pelo aquecimento global antropogênico. São
características intrínsecas desses sistemas e são frequentemente
definidos por uma posição ao longo de uma ou mais variáveis de
controle, como temperaturae feedback gelo-albedo no caso do gelo
marinho.
Alguns processos do sistema terrestre, como a mudança no uso da
terra, não estão associados a limites conhecidos na escala continental e
global, mas podem, por meio do declínio contínuo das principais
funções ecológicas (como sequestro de carbono), causar colapsos
funcionais, gerando feedbacks que desencadeiam e aumentam a
probabilidade de um limiar global em outros processos (como
mudanças climáticas).
Tais processos podem, no entanto, desencadear dinâmicas não lineares
em escalas mais baixas, por exemplo, cruzamento de limiares em lagos,
florestas e savanas, como resultado da mudança no uso da terra e da
água e de alterações no carregamento de nutrientes. Essas mudanças
não lineares, de um estado desejado para um indesejável, podem se
tornar uma preocupação global para a humanidade, se ocorrerem em
todo o planeta.
Os limites, por outro lado, são valores, determinados pelo homem, da
variável de controle definida a uma distância segura de um nível
perigoso (para processos sem limites conhecidos nas escalas
continental e global) ou de seu limite global. Determinar uma distância
segura envolve julgamentos normativos de como as sociedades
escolhem lidar com o risco e a incerteza. A escolha da variável de
controle para cada limite planetário foi baseada em uma avaliação da
variável que, em equilíbrio, pode fornecer o parâmetro mais abrangente,
agregado e mensurável para limites individuais. Cada posição limite,
proposta para cada fronteira, assume que nenhuma outra fronteira foi
transgredida e foi baseada no conhecimento existente hoje sobre cada
tema.
O conceito proposto de fronteiras planetárias estabelece as bases para
mudar as abordagens usuais que se baseiam essencialmente em
análises setoriais dos limites do crescimento, visando minimizar apenas
as externalidades negativas.
Saiba mais
Com a definição das fronteiras planetárias, objetivou-se definir uma
estimativa do espaço seguro para o desenvolvimento humano. As
fronteiras planetárias determinam, por assim dizer, as fronteiras do
“campo de jogo planetário” para a humanidade, se o objetivo for evitar
grandes mudanças ambientais induzidas pelo homem em uma escala
global.
Quais são as fronteiras planetárias?
Os cientistas identificaram nove processos e sistemas da Terra, bem
como suas fronteiras que marcam a zona segura para o planeta, como
fatores fundamentais para o desenvolvimento sustentável e para a
manutenção da humanidade no planeta.
Com o rápido crescimento do uso de combustíveis fósseis e da
sociedade industrial de consumo, as atividades antrópicas alcançaram
níveis considerados irreversíveis e que podem causar mudanças
ambientais abruptas, criando condições desfavoráveis para a vida
humana no planeta.
As pressões antropogênicas no sistema terrestre alcançaram uma
escala em que mudanças ambientais globais abruptas não podem mais
ser descartadas. Ao definir as fronteiras planetárias, foram definidos os
limites planetários dentro dos quais espera-se que a humanidade possa
operar com segurança. Transgredir uma ou mais fronteiras planetárias
pode ser catastrófico devido ao risco de cruzar limiares que
desencadearão mudanças ambientais abruptas e não lineares em
sistemas de escala continental a planetária.
As nove fronteiras planetárias são:
1. Mudanças climáticas
2. Perda da integridade da biosfera (perda de biodiversidade e
extinção de espécies)
3. Destruição do ozônio estratosférico
4. Acidificação dos oceanos
5. Fluxos biogeoquímicos (ciclos do fósforo e do nitrogênio)
�. Mudança do sistema terrestre (por exemplo, o desmatamento)
7. Utilização da água doce
�. Carga atmosférica de aerossóis (partículas microscópicas na
atmosfera que afetam o clima e os organismos vivos)
9. Introdução de novas entidades (por exemplo, poluentes orgânicos,
materiais radioativos, nanomateriais e microplásticos)
As nove fronteiras planetárias.
Duas dessas fronteiras, mudança climática e integridade da biosfera,
são o que os cientistas chamam de limites centrais e fundamentais para
a sobrevivência humana na Terra. A alteração significativa de qualquer
um desses limites levaria o Sistema Terra a um novo estado, que nem
os cientistas conseguem ainda saber qual seria.
Saiba mais
O estudo atualizado das fronteiras planetárias, publicado na revista
Science em janeiro de 2015, revelou que já foram ultrapassadas as
fronteiras de mudanças climáticas, de perda de integridade da biosfera,
de mudança do sistema terrestre e de alteração de ciclos
biogeoquímicos (fósforo e nitrogênio).
Limites das fronteiras planetárias
Das nove fronteiras planetárias identificadas, foram propostas
quantificações para sete delas.
Mudanças climáticas
A concentração de CO2 na atmosfera precisa ser menor que
350ppm.
Acidi�cação oceânica
O estado de saturação média da água do mar superficial em
relação à aragonita precisa ser maior ou igual a 80% dos
níveis pré-industriais.
Ozônio estratosférico
É preciso haver redução menor que 5% na concentração de
O3 do nível pré-industrial de 290 unidades Dobson.
Ciclos biogeoquímicos
Em relação ao ciclo biogeoquímico de nitrogênio (N), é
preciso limitar a fixação industrial e agrícola de N2 a 35Tg N
ano-1 e o ciclo de fósforo (P) não deve exceder 10 vezes o
intemperismo natural de fundo de P, que é enviado para os
oceanos.
Utilização da água doce
Os dois limites planetários adicionais, poluição química e o
carregamento de aerossóis atmosféricos, ainda não tiveram seus limites
calculados por dificuldades científicas para tal. As fronteiras planetárias
são interdependentes, porque transgredir uma pode mudar a posição de
outras fronteiras ou fazer com que sejam transgredidas. Os impactos
sociais da transgressão de fronteiras serão uma função da resiliência
socioecológica das sociedades afetadas.
Importância da de�nição das
fronteiras planetárias
As atividades humanas influenciam cada vez mais o clima da Terra e os
ecossistemas. O planeta entrou em uma nova época, o Antropoceno, na
qual os humanos constituem o condutor dominante da mudança do
sistema terrestre. O crescimento exponencial das atividades humanas
está aumentando a pressão sobre o sistema, o que poderia
desestabilizar sistemas biofísicos críticos e desencadear mudanças
ambientais abruptas ou irreversíveis. Esse é um dilema profundo porque
o paradigma predominante de desenvolvimento social e econômico
permanece amplamente alheio ao risco de desastres ambientais
induzidos pelo homem em escalas continentais a planetárias.
É preciso ser menor que 4.000km3 ano-1 de uso
consumptivo de recursos de escoamento.
Mudança do sistema terrestre
É preciso ter menos que 15% da superfície da Terra como
áreas cultiváveis.
Perda de integridade da biosfera
Acerca da taxa na qual a diversidade biológica é perdida, é
fundamental que a taxa anual de extinção por milhão de
espécies seja menor do que 10.
As fronteiras planetárias apresentaram um novo conceito para estimar
um espaço operacional seguro para a humanidade no que diz respeito
ao funcionamento do sistema terrestre. Primeiramente, identificaram-se
os principais processos do sistema terrestre e depois se quantificou,
para cada processo, o limite que não deve ser transgredido para
evitarmos mudanças ambientais globais inaceitáveis.
O ambiente relativamente estável do Holoceno, o atual período
interglacial que começou há cerca de 10 mil anos, permitiu que a
agricultura e as sociedades complexas, incluindo a atual, se
desenvolvessem e florescessem.
Essa estabilidade induziu os humanos, pela primeira vez, a investir de
forma importante em seu ambiente natural, em vez de meramente
explorá-lo.
Apesar de algumas flutuações ambientais naturais nos últimos 10 mil
anos (por exemplo, padrões de chuva, distribuição da vegetação, ciclo
de nitrogênio), a Terra permaneceu dentro do domínio de estabilidade do
Holoceno. A resiliência do planeta o manteve dentro da faixa de
variaçãoassociada ao estado do Holoceno, com os principais
parâmetros biogeoquímicos e atmosféricos flutuando dentro de uma
faixa relativamente estreita.
Ao mesmo tempo, ocorreram mudanças marcantes na dinâmica do
sistema regional durante esse período. Embora a marca das primeiras
atividades humanas seja vista em escala regional (por exemplo, regimes
de fogo alterados, extinções de megafauna), não há evidências claras de
que os humanos tenham afetado o funcionamento do sistema terrestre
em escala global até muito recentemente. No entanto, desde a
Revolução Industrial (o advento do Antropoceno), os humanos estão
efetivamente empurrando o planeta para fora da faixa de variabilidade
do Holoceno em muitos processos-chave do sistema terrestre. Sem
essas pressões, o estado do Holoceno poderia ser mantido por mais
milhares de anos futuros.
Até recentemente, a ciência havia fornecido avisos sobre os riscos
planetários de ultrapassar os limiares nas áreas de mudança climática e
ozônio estratosférico. No entanto, a crescente pressão humana no
planeta requer atenção a outros processos biofísicos que são
importantes para a resiliência dos subsistemas da Terra e do sistema
terrestre como um todo.
A resiliência dos subsistemas do planeta está
ameaçada quando longos períodos de condições
aparentemente estáveis são seguidos por períodos de
mudança abrupta e não linear, refletida em transições
críticas de um domínio de estabilidade para outro
quando os limiares são ultrapassados.
O Antropoceno levanta uma nova questão: quais são as precondições
planetárias inegociáveis que a humanidade precisa respeitar para evitar
o risco de mudanças ambientais deletérias ou mesmo catastróficas em
escalas continentais a globais?
O estabelecimento das fronteiras planetárias é uma primeira tentativa
de identificar os limites planetários para os principais processos do
sistema terrestre associados a limiares perigosos, cujo cruzamento
poderia empurrar o planeta para fora do estado Holoceno desejado.
Comentário
Esse esforço científico foi extremamente relevante para dar ciência à
humanidade dos grandes desafios ambientais que enfrentamos e que
podem provocar a extinção da raça humana neste planeta.
A economia donut e os limites
planetários
Kate Raworth.
A economista Kate Raworth, da Universidade de Oxford, propôs um
modelo econômico simples, ambicioso, revolucionário e original: a
economia donut. Ela defende a ideia de que devemos incluir os limites
planetários na concepção de um novo modelo de desenvolvimento
socioeconômico. A economista propõe expandir os horizontes do
pensamento econômico, que ainda é bastante retrógrado ao não
incorporar a questão ambiental como central em seus modelos,
premissas e propostas.
Na proposta da economia donut, a autora afirma que o modelo
econômico vigente é ultrapassado e não contempla os grandes desafios
contemporâneos. Ressalta a necessidade de transformarmos o
capitalismo, que sustenta a sociedade de consumo, em um sistema
sustentável do ponto de vista social e ambiental.
Na economia donut, o bem-estar da humanidade estaria em primeiro
lugar, ou seja, à frente de sistemas e modelos de desenvolvimento que
perseguem o crescimento econômico infinito e desumano a qualquer
custo. Nesse modelo, a economia é associada ao formato de uma
rosquinha (daí o nome donut), na qual o círculo interno representa a
base social — serviços e produtos como alimentos, saúde e habitação —
enquanto o externo está associado às fronteiras planetárias. No espaço
entre um e outro, vemos um ambiente seguro e justo para a humanidade
viver e devemos compreender e aceitar que temos que estar dentro
desse espaço.
Diagrama da economia donut.
A sociedade, nesse sistema econômico, é considerada próspera quando
todas as bases sociais são atendidas sem ultrapassarmos nenhum dos
limites planetários, tais como mudanças climáticas, acidificação dos
oceanos, poluição química, poluição por nitrogênio e fósforo, excesso
de uso de água doce, danos à Terra, perda de biodiversidade, poluição
do ar, destruição da camada de ozônio, entre outros. O grande desafio
da humanidade para o século atual é atender e incluir todos dentro das
possibilidades do planeta, ou seja, as fronteiras sociais e planetárias
devem nortear o modelo de desenvolvimento da sociedade.
Amsterdã: cidade que está seguindo
as diretrizes da economia donut

Acompanhe agora o caso da cidade de Amsterdã, que tem buscado
incorporar, desde 2020, as diretrizes da economia donut. Com a palavra
a especialista Juliana Velloso.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo
que você acabou de estudar.
Módulo 4 - Vem que eu te explico!
As Nove Fronteiras Planetárias
Módulo 4 - Vem que eu te explico!
A economia donut e os limites planetários
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?

Questão 1
As fronteiras planetárias foram divulgadas em 2009, após ampla
pesquisa científica. Entre as opções abaixo, sinalize aquela que
representa uma das fronteiras planetárias.
A Fluxos climáticos
B Queima de combustíveis fósseis
C Degradação ambiental
D Acidificação dos rios
E Utilização da água doce
Parabéns! A alternativa E está correta.
As fronteiras planetárias são: mudanças climáticas, perda da integridade da biosfera, destruição do ozônio
estratosférico, acidificação dos oceanos, fluxos biogeoquímicos, mudança do sistema terrestre, utilização da
água doce, carga atmosférica de aerossóis e introdução de novas entidades.
Questão 2
Sobre a economia donut, que incorpora em seu modelo as fronteiras
planetárias, podemos afirmar que ela
A
defende um modelo de desenvolvimento baseado no
crescimento econômico, no qual o PIB é o principal
indicador de bem-estar econômico, social e
ambiental.
B
defende que os aspectos ambientais são mais
relevantes do que questões sociais e que o bem-estar
da humanidade não é relevante.
C
defende uma mudança de paradigma, pois considera
que o modelo econômico vigente é ultrapassado e
não contempla os grandes desafios contemporâneos.
Considerações �nais
O sistema político e a indústria frequentemente tentaram negar
previsões climáticas, que eram consideradas catastróficas e
exageradas. Contudo, hoje enfrentamos cada vez mais desastres
naturais relacionados a questões ambientais causadas pela ação
humana e temos inúmeras e incontestáveis evidências científicas do
impacto da humanidade no planeta. Logo, fica claro que mudar a
trajetória do impacto ambiental antrópico é fundamental para a
sobrevivência do ser humano na Terra.
O que a humanidade viveu a partir de 2020, com a pandemia global do
novo coronavírus, talvez já seja reflexo da ação humana. Embora
mudanças estruturais e de paradigma sejam necessárias para que a
humanidade possa, quem sabe, mudar sua trajetória, é fundamental que
cada indivíduo se sensibilize e faça sua parte.
Um dos primeiros passos para começarmos a agir é mensurar a pegada
ecológica e montar um plano de ação para diminui-la em um espaço de
tempo definido. Não adianta, infelizmente, esperar a ação de governos e
empresas apenas. O papel dos cidadãos, seja cobrando os seus
D
defende que a sociedade de consumo é importante
para promover o bem-estar da população que precisa
aferir sempre bens de consumo.
E
defende o modelo de desenvolvimento baseado no
capitalismo, sem mudanças relevantes, mas
incorporando a variável ambiental nas tomadas de
decisão.
Parabéns! A alternativa C está correta.
A proposta da economia donut defende uma mudança de paradigma, pois defende que o modelo econômico
vigente é ultrapassado e não contempla os grandes desafios contemporâneos. Ressalta a necessidade de
transformarmos o capitalismo, que sustenta a sociedade de consumo, em um sistema sustentável do ponto de
vista social e ambiental.

representantes e as empresas das quais consomem — ou parando de
consumir delas — é fundamental! Afinal, as instituições,sejam elas
governos ou empresas, são formadas por pessoas.
Pudemos perceber claramente o impacto da ação humana no planeta e
a necessidade urgente de mudança de rumo. Diante disso, esperamos
sensibilizar e movimentar cada indivíduo em prol de um planeta mais
próspero, justo e sustentável.
Podcast
Antes de finalizarmos, a especialista Juliana Velloso apresenta alguns
casos de iniciativas sustentáveis e que minimizam os impactos
ambientais em cidades brasileiras e europeias.

Referências
ALBUQUERQUE, B. P. As relações entre o homem e a natureza e a crise
sócio-ambiental. Rio de Janeiro: EPSJV, 2007.
ALVES, J. E. D. Antropoceno: a era do colapso ambiental. Centro de
Estudos Estratégicos da Fiocruz, 16 jan. 2020.
BASSI, M. C. P. C.; LOPES, C. C. A sociedade do consumo e suas
consequências socioambientais. Caderno PAIC, v. 18, n. 1, p. 100-125,
2017.
BAUMAN. Z. Vida para consumo: a transformação das pessoas em
mercadoria. Rio de Janeiro: Zahar, 2008.
CARRANÇA, T. Agrotóxico mais usado do Brasil está associado a 503
mortes infantis por ano, revela estudo. BBC News Brasil, 25 maio 2021.
CIDREIRA-NETO, I. R. G.; RODRIGUES, G. G. Relação homem-natureza e
os limites para o desenvolvimento sustentável. Revista Movimentos
Sociais e Dinâmicas Espaciais, v. 6, n. 2, p.142-156, 2017.
INSTITUTO BRASILEIRO DO MEIO AMBIENTE E DOS RECURSOS
NATURAIS RENOVÁVEIS. IBAMA. Protocolo de Montreal. Brasil, 2021.
INSTITUTO BRASILEIRO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. IDEF. Entenda o
que é obsolescência programada. 18 jun. 2012.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. IBGE.
População urbana e rural. IBGEeduca. Brasil, 2021.
INSTITUTO DE PESQUISA ECONÔMICA APLICADA. IPEA. História Rio-
92. Ano 7, 56. ed. 10 de dez. 2009.
LEAL, G. C. de G. et al. O processo de industrialização e seus impactos
no meio ambiente urbano. QUALIT@S Revista Eletrônica, v. 7, n. 1, 2008.
MENDONÇA, R. Conservar e criar: natureza, cultura e complexidade.
São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2005.
NAVES, J. G.; BERNARDES, M. B. J. A relação histórica homem/natureza
e sua importância no enfrentamento da questão ambiental. Geosul, v.
29, n. 57, p. 7-26, jan./jun. 2014.
PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O MEIO AMBIENTE. PNUMA.
Protocolo de Montreal mira novos desafios após 30 anos de sucesso.
15 nov. 2019.
STOCKHOLM RESILIENCE CENTRE. Planetary Boundaries. set. 2021.
WWF. Pegada ecológica: nosso estilo de vida deixa marcas no planeta.
Brasília, jun. 2013.
Explore +
Para aprofundar seus conhecimentos sobre o tema:
Acesse a página da Pegada Ecológica para realizar sua medição.
Pesquise o artigo intitulado Kate Raworth e a economia donut: uma
alternativa ao crescimento a qualquer custo, publicado no portal da
Firjan, e veja como é estruturada a economia donut.
Acesse a página de Stockholm Resilience Centre e, em Planetary
Boundaries, aprofunde os conhecimentos sobre limites planetários.
Assista ao documentário A História das Coisas, disponível no
YouTube, que trata dos impactos gerados pelo consumismo.
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Transformações nas organizações e novas tecnologias de
gestão
Profª. Juliana Velloso
Descrição
Transformações recentes nas organizações e novas estratégias de
gestão socioambiental.
Propósito
As novas estratégias de gestão da agenda socioambiental empresarial
têm adquirido cada vez mais espaço e pressupõem que as empresas
atuem além do que a legislação estabelece. Esse conhecimento
permitirá que você esteja preparado para lidar com as mudanças e
atualizações sobre os novos conceitos de gestão socioambiental.
Objetivos
Módulo 1
Desa�os sociais e ambientais
Reconhecer os principais desafios sociais e ambientais das
corporações.
Módulo 2
Gestão socioambiental das empresas
Identificar as principais ferramentas de gestão socioambiental das
empresas.
Módulo 3
Sistemas de gestão socioambiental
Descrever os instrumentos de monitoramento de sistemas de gestão
socioambiental.
Módulo 4
Gestão ambiental compartilhada
Identificar as características da gestão ambiental compartilhada.
A teoria econômica tradicional baseia-se na premissa de que os
homens são racionais e agem egoisticamente para maximizar a
satisfação de seus interesses. Por essa razão, coube a uma
instituição supostamente independente, o mercado, a
responsabilidade pelo fluxo de todos os bens e serviços gerados
por indivíduos e organizações.
Por meio do livre jogo da oferta e da procura, o mercado seria
capaz de garantir a distribuição dos bens entre a totalidade dos
membros da sociedade, com a consequente satisfação de cada
um. Contudo, para seu bom desempenho, o mercado precisa de
Introdução
1 - Desa�os sociais e ambientais
grande margem de liberdade, não devendo o Estado interferir ou
regular seu funcionamento.
Sabe-se que, no mundo real, economia e sociedade não estão
dissociadas e que o mercado não é uma instituição perfeita. Assim,
convidamos você a estudar as transformações nas organizações e
as novas estratégias de gestão socioambiental que vêm sendo
incorporadas pelas empresas. Inicialmente, abordaremos a
importância do gerenciamento dos aspectos sociais e ambientais
nas organizações e como é fundamental e crescente o
comprometimento dessas instituições, muito além do pagamento
dos impostos. Em seguida, apresentaremos as ferramentas de
gestão das agendas socioambientais das empresas e as mudanças
recentes. Também discutiremos os instrumentos de
monitoramento de sistemas de gestão socioambiental e, para
finalizar, possibilidades de gestão ambiental compartilhada,
explorando a economia circular, mais especificamente o conceito
de simbiose industrial.
Conhecendo e compreendendo as novas estratégias e ferramentas
de gestão socioambiental das empresas, podemos refrear e mitigar
os impactos sociais e ambientais, e consequentemente evitar
perdas financeiras, reputacionais e de mercado para as
corporações, assim como utilizar a força dos negócios para
promover soluções para problemas enfrentados pela sociedade
contemporânea.
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os principais desa�os sociais e
ambientais das corporações.
Motivadores da agenda
socioambiental empresarial
Durante a Conferência de Estocolmo (1972), o representante do governo
brasileiro defendeu que o controle da poluição era um entrave ao
progresso e articulou a vinda para a cidade de Cubatão, em São Paulo,
de indústrias altamente poluidoras, que estavam sendo expulsas dos
países desenvolvidos. Naquela época, poluição ainda era sinal de
progresso.
Conferência de Estocolmo
Evento que representou o primeiro alerta de grande repercussão sobre os graves riscos ambientais sofridos pelo planeta.
Vista do interior do prédio de Sveriges Riksdag, onde foi realizada a Conferência de Estocolmo.
Desde então, muita coisa mudou. Legislações foram instituídas, acordos
foram estabelecidos e, com a difusão da tecnologia da informação, a
visibilidade das ações do setor privado se tornou muito maior, dando
espaço para crescente fiscalização e cobrança por parte da mídia e da
sociedade. Além disso, como já demonstrado por meio de diversos
estudos sobre as consequências das mudanças climáticas, o custo da
inação é geralmente muito maior do que o de agir da forma correta.
Assim, e por experiências práticas, o setor privado vem se
conscientizando de que o custo financeiro de reduzir o passivo
ambiental e de administrar conflitos sociais pode ser mais oneroso do
que o custo de "fazer a coisa certa", isto é, de respeitar os direitos
humanos e o meio ambiente de todos os povos.
Inicialmente, essa mudança de comportamento foi motivada por
restrições impostas pela legislação e por pressão da sociedade civil,
mas terminou por influenciar o mercado, alterando as bases tradicionais
da concorrência.
Atenção
Se as normas ambientais mais rigorosas representam um custo alto em
pagamento de multas e mitigação dos danos ambientais, os acidentes e
crimes ambientais provocamescândalos corporativos que abalam a
confiança dos consumidores e acionistas, resultando em queda de
vendas e, consequentemente, em prejuízos financeiros muito maiores.
Tsunami no Japão.
Outro fator de pressão, cuja influência cresceu significativamente nos
últimos anos, devido aos inúmeros e sucessivos desastres ambientais
atribuídos a ações antrópicas (entre eles, queimadas, chuvas intensas,
tsunamis e furacões), relaciona-se ao risco real de uma crise ambiental
de grandes proporções capaz de gerar escassez das matérias-primas e
das fontes energéticas, que suportam o atual padrão de produção e
consumo.
Além disso, a crise climática atual impactará toda a sociedade, que
precisará mudar a trajetória baseada em combustíveis fósseis, para
conseguir limitar o aquecimento do planeta.
Saiba mais
Conforme o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (ONU,
2021), o aquecimento induzido pelo homem atingiu aproximadamente
1°C acima dos níveis pré-industriais em 2017 e irá aumentar em torno de
0,2°C por década. Diante disso, ações de mitigação são indispensáveis
para limitar o aquecimento a 1,5°C e as empresas têm papel
fundamental nesse processo.
É importante ressaltar que o compromisso com a agenda climática
engloba, concomitantemente, outras questões ambientais — de gestão
de resíduos e água à proteção da biodiversidade e de meios de
subsistência —, todas essenciais para uma abordagem holística da
mudança climática, com as quais muitas empresas globais têm se
preocupado de forma crescente.
De fato, esse cenário vem preocupando alguns segmentos industriais,
particularmente as indústrias do setor de petróleo e derivados,
responsáveis pelo consumo de fontes não renováveis e por elevadas
taxas de emissão de poluentes, além de incontáveis acidentes de
grandes proporções. Um caso emblemático:
Um dos piores desastres ambientais da história
dos Estados Unidos, o vazamento de petróleo no
Golfo do México, em 2010, já custou à petroleira
britânica BP, principal empresa envolvida, mais de
US$ 65 bilhões (R$ 238,5 bilhões), e a conta
continua a aumentar.
(CORRÊA, 2019)
Atualmente, as gigantes do petróleo disputam a primazia de possuir as
melhores tecnologias de energia renovável e de superar as metas na
redução de emissões, em uma tentativa de mudar sua imagem pública
desgastada por décadas na liderança da emissão de gases de efeito
estufa (GEE). Empresas dos mais variados setores vêm assumindo
compromissos públicos com as questões climáticas e questões
ambientais, sociais e de governança (ASG).
Ao menos no plano da retórica, representantes dos mais diversos
setores encaram os custos ambientais como um investimento inerente
ao negócio. Ao reconhecer que não tem autonomia para decidir como
explorar os recursos de uma determinada região, a empresa demonstra
maturidade para o diálogo e abre caminho para a obtenção do que se
convencionou chamar “licença social para operar”.
Finalmente, na era da globalização e na chamada sociedade da
informação, os ativos intangíveis —isto é, o conjunto de recursos não
materiais, como o conhecimento e a reputação — também possuem
importância estratégica na condução dos negócios. Perder reputação
pode representar um prejuízo financeiro incalculável.
Assim, as empresas possuem inúmeros motivos para se
comprometerem com agendas socioambientais, incorporando-as como
parte da estratégia de negócio e buscando estratégias modernas de
gestão socioambiental.
A seguir, vamos abordar conceitos relevantes nessa agenda
empresarial.
Filantropia, responsabilidade social
corporativa, sustentabilidade,
empresa B e estratégia ASG
Primeiro vamos conhecer a diferença entre filantropia e
responsabilidade social corporativa.
Filantropia
Durante muitos anos, empresários e empresas praticavam ações
filantrópicas como forma de retribuir à sociedade parte dos ganhos
adquiridos. Embora sejam relevantes para ajudar a sociedade a
mitigar desafios, principalmente sociais, esses tipos de iniciativa
não podem ser consideradas ações estratégicas e vinculadas a
uma gestão socioambiental.
Responsabilidade social corporativa
A responsabilidade social corporativa (RSC) ganhou espaço nas
corporações em meados da década de 1990 e foi adotada à época
por diversas instituições. É definida pela relação que a empresa
estabelece com todos os seus públicos (stakeholders) no curto e
no longo prazo e de forma estratégica e não pontual. Ela está além
do que a empresa deve fazer por obrigação legal, pois cumprir a lei
não faz uma empresa ser socialmente responsável.
Ao se relacionar estrategicamente com seus públicos, a empresa
precisa considerar inúmeras organizações de interesse
civil/social/ambiental, além do público interno, acionistas,
consumidores/clientes e fornecedores. Ela abrange uma ampla
variedade de temas.
Exemplo

Os códigos de ética, as práticas de boa governança corporativa, os
compromissos públicos assumidos pela empresa, a gestão e prevenção
de riscos, as questões ambientais e a diversidade são alguns dos temas
abrangidos.
O ideal é que as empresas busquem compartilhar seus compromissos
com essa agenda por toda sua cadeia produtiva.
De acordo com o Instituto Ethos (2007, p. 5), a RSC é organizada em
sete tópicos a serem explorados:
1. Valores, transparência e governança.
2. Público interno.
3. Meio ambiente.
4. Fornecedores e parceiros.
5. Consumidores/clientes.
�. Comunidade.
7. Governo e sociedade.
Ações sociais praticadas pelas empresas são relevantes para a
sociedade, mas elas não são suficientes para afirmar que uma
corporação é ou não socialmente responsável.
Atenção
É importante ressaltar a diferença entre filantropia e responsabilidade
social. As duas podem trazer benefícios à sociedade, no entanto, a
primeira tem caráter pontual, assistencialista e voluntário, enquanto a
segunda explicita maior comprometimento com uma gestão
socioambiental. Ao incorporar a responsabilidade social como
estratégia, as empresas estão perseguindo a própria perenidade.
No Brasil, o conceito de sustentabilidade começou a ser usado no final
da década de 2010. As ações e estratégias de responsabilidade social
corporativa passam a ser denominadas como ações, estratégias e área
de sustentabilidade.
Um conceito importante norteou estratégias de sustentabilidade:
Triple bottom line ou, em português, tripé da sustentabilidade, que
preconiza que as empresas precisam focar não apenas em questões
financeiras, mas também ambientais e sociais. A busca passa a ser por
prosperidade econômica, qualidade ambiental e justiça social.
Tripé da Sustentabilidade.
De acordo com Elkington (1998), há sete dimensões da
sustentabilidade:
Mercados
Valores
Transparência
Tecnologias focadas no ciclo de vida
Parcerias
No início do século XXI, o conceito de empresa B começou a ganhar
força. As empresas B fazem parte de um movimento que tem como
objetivo redefinir o conceito de sucesso nos negócios ao usar a sua
inovação, velocidade e capacidade de crescimento não apenas para
ganhar dinheiro, mas também para ajudar a mitigar a pobreza, a
construir comunidades mais fortes, a recuperar o meio ambiente e a nos
inspirar a trabalhar por um propósito maior.
O “B” significa benefício e as empresas B querem
construir um novo setor da economia no qual a corrida
até o topo não quer dizer ser o melhor no mundo, mas
sim o melhor para o mundo. A empresa, para ser
considerada B, precisa passar por um processo de
certificação.
Para finalizar, falaremos do conceito atualmente em voga no mercado:
ambiental, social e governança (ASG). Esse termo, que vem sendo cada
vez mais utilizado pelas empresas e no mercado financeiro, preconiza o
enfoque em uma estratégia corporativa que priorize os três aspectos
além da geração de lucro.
Pelo lado dos investimentos ASG, as finanças sustentáveis passam a
integrar aspectos ambientais, sociais e de governança nas tomadas de
decisão de investimento pelos atores do mercado financeiro,e acabam
Tempo
Governança corporativa
gerando um círculo virtuoso, porque esses investimentos estimulam as
empresas a investir em agendas ASG.
Atualmente, é crescente o incentivo às boas práticas ASG.
Consumidores sinalizam disposição a pagar mais por um produto de
uma empresa que prioriza essas práticas. Além disso, com a internet, o
consumidor e as organizações não governamentais atuam de forma
mais enfática na vigilância permanente contra más práticas
corporativas socioambientais.
A importância e os princípios da
gestão socioambiental nas
corporações
Até aqui ficou claro como questões socioambientais são vitais para a
sustentabilidade das corporações.
Um sistema de gestão ambiental é um conjunto inter‐relacionado de
políticas, práticas e procedimentos organizacionais, técnicos e
administrativos de uma empresa, que tem como objetivo a obtenção de
um melhor desempenho ambiental, bem como o controle e a redução
dos impactos ambientais.
Empresas que adotam a gestão socioambiental e levam a sério, acabam
não apenas se beneficiando em termos institucionais e reputacionais,
mas também em termos financeiros.
Atenção
É cada vez maior a atenção dos consumidores ao impacto social e
ambiental das empresas, assim como às restrições e obrigações, por
meio de legislações, da vigilância de organizações não governamentais,
da mídia e das redes sociais. Quando uma empresa coloca em prática
estratégias e ferramentas de gestão socioambiental, ela consegue
mensurar seus impactos e estabelecer medidas para diminuí-los ou
zerá-los.
Com o tempo, as empresas começaram a verificar que os recursos
alocados na área ambiental se tornavam investimentos e
proporcionavam vantagem competitiva (DONAIRE, 1999, p. 57). Diante
disso, a partir da década de 1980, países desenvolvidos, como a
Alemanha, começaram a incorporar a dimensão ambiental em suas
estratégias de negócio. Inicialmente, isso foi introduzido de forma
pontual até serem desenvolvidos e implementados sistemas de gestão
ambiental e social.
Desde então, diversas metodologias de gestão socioambiental foram
desenvolvidas e vêm sendo aplicadas e aprimoradas.
Benefícios da gestão socioambiental
Ao incorporar questões socioambientais à sua estratégia e implementar
a gestão desses temas, a empresa acaba encontrando muitas
oportunidades de melhoria e economia de recursos financeiros e
materiais em seus processos. Além disso, fica mais bem preparada para
lidar com desafios de diferentes naturezas.
As empresas provavelmente serão mais resilientes diante de choques
inesperados e adversidades se forem administradas com objetivos de
longo prazo e em linha com megatendências socioambientais, como
inclusão e mudança climática.
Entre os principais benefícios, podemos destacar:
Redução de riscos de acidentes ambientais.
No quadro a seguir, são apresentados benefícios da gestão
socioambiental:
Benefícios econômicos
Benefícios
estratégicos
Economia devido à redução do
consumo de água, energia e outros
insumos.
Melhoria da imagem
institucional.
Economia devido à reciclagem, à
venda e ao aproveitamento de
resíduos, bem como devido à
diminuição de efluentes.
Renovação e
ampliação do
portfólio de
produtos/serviços.
Redução de multas e penalidades
por poluição.
Aumento da
eficiência nos
processos.
Melhor utilização dos recursos naturais disponíveis, evitando
desperdício e estimulando o reuso.
Redução nas contas de água e luz.
Adoção do descarte adequado de resíduos e da reutilização
e melhor uso de materiais.
Fortalecimento da imagem da empresa junto a fornecedores,
clientes, autoridades, bem como toda a sociedade.
Melhoria significativa na administração de recursos
energéticos, humanos e materiais.
Benefícios econômicos
Benefícios
estratégicos
Aumento da contribuição marginal
de “produtos verdes” a partir da
agregação de valor.
Aumento da
produtividade.
Linhas de novos produtos para
novos mercados.
Possibilidades de
aumento no
comprometimento
dos atores
envolvidos.
Aumento da demanda para produtos
que contribuam para a diminuição da
poluição.
Expansão da
criatividade e
consequente preparo
para novos desafios.
Melhoria das
relações com órgãos
governamentais,
comunidade e ONGs.
Melhoria das
relações com demais
stakeholders.
Aumento de
oportunidades de
acesso ao mercado
externo.
Melhor adequação
aos padrões
ambientais.
Quadro: Benefícios da gestão socioambiental. 
Elaborador por: Juliana Velloso.
A implantação de sistemas de gestão ambiental nas empresas diminui
os impactos ambientais causados pelas suas atividades, com o uso
sistemático de ferramentas.
Os aspectos ambientais significativos devem ser medidos
periodicamente e ter seus resultados comparados aos padrões legais
aplicáveis. Temas que sempre precisam ser medidos pelas empresas
são as emissões atmosféricas, os efluentes líquidos e os ruídos,
seguindo as legislações ambientais.
De forma geral, as empresas que realizam a gestão
socioambiental se mostram mais preparadas para lidar
com desafios e acabam performando melhor.
Case : Interface�or
Neste vídeo, a especialista apresentará o case de uma empresa
considerada referência em sustentabilidade no mundo e que leva a
gestão socioambiental a sério.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do
conteúdo que você acabou de estudar.
Módulo 1 - Vem que eu te explico!
Objetivos de desenvolvimento sustentável


Módulo 1 - Vem que eu te explico!
Mudanças climáticas: o grande desa�o ambiental
atual da humanidade
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Um dos principais desafios da atualidade é o aquecimento global e ele
vem gerando mudanças climáticas que são e serão sentidas, de
diferentes formas, por todo o planeta. Um dos principais causadores do
aquecimento global é a emissão de gases de efeito estufa. Indique
como um sistema de gestão socioambiental poderia ajudar as
corporações a lidarem melhor com esse desafio.
A
As empresas entenderiam melhor os impactos do
aquecimento global em seus modelos de negócio,
implementariam mudanças e metas para diminuir
suas emissões, assim como ferramentas de
monitoramento.
B
As empresas buscariam migrar suas fábricas para
locais menos afetados pelas mudanças climáticas,
mantendo seu padrão de impacto socioambiental.
C
As empresas buscariam conscientizar seus
funcionários sobre a questão e estimulariam
mudanças no dia a dia deles não alterando seus
processos e produtos.
D
As empresas seguiriam a legislação ambiental e
continuariam emitindo poluentes e gases de efeito
estufa, causadores do aquecimento global, até a
mudança da legislação.
E
As empresas buscariam apenas copiar o que suas
concorrentes estavam fazendo alterando
marginalmente seus processos e tecnologias
utilizadas.
Parabéns! A alternativa A está correta.
Muitas empresas começaram a verificar que as despesas realizadas com a proteção ambiental podem se
transformar em vantagem competitiva. Ter uma estratégia e investir em um sistema de gestão ambiental pode
ser fundamental para escolher a melhor forma de lidar com um desafio socioambiental como as mudanças
climáticas.
Questão 2
Ao incorporar a gestão socioambiental, a empresa precisa se relacionar
com diferentes stakeholders e passar a tratar uma ampla variedade de
temas que incluem, por exemplo, códigos de ética, práticas de boa
governança corporativa, compromissos públicos assumidos pela
empresa, gestão e prevenção de riscos, questões ambientais e
diversidade. De acordo com o Instituto Ethos, referência no tema no
país, há sete tópicos a serem explorados em uma estratégia de
responsabilidade social corporativa. Identifique a alternativa a seguir
que demonstra uma empresa que incorpora todas as temáticas na sua
gestão.
A
A empresa Rouxinol possui uma estratégia
socioambiental focada em projetos sociais no entorno
da sua sede. A empresa não realiza a coleta seletivade seus resíduos. Tem um programa que estimula
ações sociais entre seus parceiros e fornecedores.
Paga todos os impostos. Estimula seus funcionários a
realizarem projetos sociais no tempo livre.
B
A empresa Tiê publica anualmente seu relatório de
sustentabilidade, tem programas de valorização de
seu corpo funcional e promove a qualidade de vida no
ambiente de trabalho, segue todas as normas
ambientais e faz a gestão ambiental de toda sua
operação. Busca incentivar o mesmo comportamento
entre seus fornecedores, é muito bem avaliada pelo
relacionamento com os clientes, tem um programa
regular de diálogo com as comunidades que são
afetadas em suas operações e sempre dialoga com o
governo sobre questões críticas ao seu negócio.
C
A empresa Sabiá tem ótimo relacionamento com seus
cliente e acionistas. Tem alto índice de resolução de
reclamações. Segue as normas ambientais que regem
seu negócio. Realizam trabalhos sociais nas
comunidades de seu entorno. O corpo funcional faz
hora extra e segue uma política competitiva, que,
muitas vezes, leva a problemas relacionais entre os
funcionários.
D
A empresa Bemtevi ganhou o prêmio de melhor
relatório de sustentabilidade por cinco anos
consecutivos. Auxilia o governo como empresa piloto
para o estabelecimento de aprimoramentos
regulatórios. Realiza encontros semestrais com
acionistas e representantes dos principais grupos de
stakeholders. Recentemente, causou a poluição de um
rio próximo à sua sede, impactando o consumo da
comunidade do entorno.
E
A empresa Kea é referência em monitorar sua gestão
socioambiental. Tem uma política de relacionamento
com a comunidade e com diversos grupos com os
quais se relaciona. Tem programas em prol de seu
corpo funcional. Recentemente, recebeu multas por
atraso no pagamento de impostos.
Parabéns! A alternativa B está correta.
Muitas empresas acabam focando apenas em alguns aspectos da gestão socioambiental, não incorporando
uma estratégia de sustentabilidade de forma integral. A empresa Rouxinol não realiza a coleta seletiva dos
seus resíduos, enviando a totalidade para aterros sanitários, sendo que parte do resíduo poderia se tornar
matéria-prima para sua produção ou para outras empresas. A empresa Sabiá estimula a competitividade entre
seus funcionários, o que leva a conflitos dentro da organização. A empresa Bemtevi polui um rio em seu
entorno, impactando o modo de vida da comunidade e a empresa Kea recebeu multas por atraso no
pagamento de impostos representando falha administrativa considerável.
2 - Gestão socioambiental das empresas
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as principais ferramentas de gestão
socioambiental das empresas.
Ferramentas de gestão
socioambiental
Relatórios de sustentabilidade
Quando se fala em sustentabilidade empresarial, um primeiro passo
importante é elaborar um relatório de sustentabilidade, o qual permitirá
entender em que ponto a empresa se encontra, estabelecer como a
empresa pretende avançar e definir metas claras para tal.
Além da importância da relatoria para o diálogo com as partes
interessadas internas e externas, ela também se torna um instrumento
de gestão de desempenho para a organização.

O processo de elaboração dos relatórios de sustentabilidade envolve a
identificação, a avaliação e a mensuração do desempenho em relação à
sustentabilidade, ajudando na sua gestão. Esse processo, por si só,
permite à organização desenvolver ou até mesmo aprimorar as suas
estratégias de sustentabilidade e promover a integração entre diferentes
áreas da empresa.
A grande dificuldade em relação ao tema costuma estar na estruturação
dos pontos a serem abordados no relatório, no levantamento e na
análise de resultados de medidas sustentáveis, e na mensuração do
impacto social e ambiental das operações no dia a dia da empresa.
Nesse sentido, existem alguns modelos para apoiar as empresas na
elaboração dos relatórios e um dos utilizados pelas grandes empresas e
reconhecido internacionalmente é o estabelecido pelo Global Reporting
Initiative (GRI).
Indicadores Ethos
O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social é uma
instituição que tem como objetivo mobilizar, sensibilizar e ajudar
empresas a implementarem a responsabilidade social corporativa em
seus negócios.
Ela é uma instituição que congrega e compartilha conhecimento, troca
de experiências e desenvolvimento de ferramentas para auxiliar as
empresas a analisar suas práticas de gestão e aprofundar seu
compromisso com a responsabilidade social e o desenvolvimento
sustentável.
O instituto possui um conjunto de indicadores que podem ser utilizados
por empresas que querem incorporar questões socioambientais em sua
estratégia. Os indicadores representam uma ferramenta de gestão
socioambiental e se baseiam em um questionário, que permite à
empresa mapear seu atual contexto na gestão socioambiental e
estabelecer metas e compromissos para evoluir no tema.
Atenção
Esses indicadores apoiam as empresas de todos os segmentos e portes
na definição de estratégias, políticas e processos de uma agenda
socioambiental, além de ajudá-las a definir objetivos e ações de gestão
responsável para a sustentabilidade.
Programas de gestão ambiental
Há inúmeras proposições de modelos de gestão socioambiental e
mencionaremos alguns.
O Modelo Winter
A empresa Ernst Winter & Sohn, fabricante de ferramentas em
diamantes, comprometeu-se publicamente com a proteção do meio
ambiente em 1992. Desde essa data, a empresa iniciou diversas ações
até desenvolver um sistema integrado de gestão ambiental e que foi
denominado modelo Winter. O modelo incorporava questões ambientais
em todos os setores da companhia.
De acordo com o modelo Winter, uma gestão ambiental sistemática não
é algo que possa ser introduzido de forma imediata em uma empresa.
Ela exige planejamento, o estabelecimento de etapas a serem seguidas
e dedicação em sua implementação.
Os módulos do modelo incorporam os seguintes temas:
1. Motivação da alta administração.
2. Objetivos e estratégias da empresa.
3. Marketing.
4. Disposições internas em defesa do ambiente.
5. Motivação e formação do pessoal.
�. Condições do trabalho.
7. Alimentação dos funcionários.
�. Aconselhamento ambiental familiar.
9. Economia de energia e água.
10. Desenvolvimento do produto.
11. Gestão de materiais.
12. Tecnologia de produção.
13. Tratamento e valorização de resíduos.
14. Veículos da empresa.
15. Construção das instalações.
1�. Finanças.
17. Direito.
1�. Seguros.
19. Relações internacionais.
20. Relações públicas.
Os planos de ação e a estratégia ecológica
Os chamados planos de ação da gestão ambiental começam a partir da
realização de um diagnóstico ecológico da empresa e da construção de
uma estratégia ecológica.
Segundo Backer (1995), idealizador desse sistema de gestão ambiental,
é necessária a realização de um diagnóstico inicial para entender como
a variável ambiental é compreendida dentro da empresa. A partir disso,
o esforço necessário para implementação de uma gestão que incorpore
essa variável é estabelecido.
A estratégia ecológica que será utilizada pela empresa incorpora
diversas áreas e planos diferentes conforme apresenta a figura a seguir.
Os planos de ação que forma a estratégia ecológica.
O programa de atuação responsável da
Abiquim
O Programa de Atuação Responsável da Abiquim foi adaptado do
Responsible Care Program, desenvolvido pela Chemistry Industry
Association of Canada (CIAC), implantado em diversos países e, de
acordo com Donaire e Oliveira (2018), utilizado em mais de 40 países
com indústrias químicas em operação.
O Responsible Care Program se propôs a ser um instrumento eficaz para
o direcionamento do gerenciamento ambiental. Além de se preocupar
com a questão ambiental de cada empresa, inclui recomendações para
a segurança das instalações, processos e produtos e questões relativas
à saúde e segurança dos trabalhadores, bemcomo relativas ao diálogo
com a comunidade.
Saiba mais
No Brasil, a Abiquim adaptou o programa ao contexto brasileiro, e ele
começou a ser utilizado pelas empresas químicas na década de 1990.
Em 1998, o programa passou a ser obrigatório para todas as empresas
associadas à Abiquim.
Normas ISO
Diante da crescente relevância das questões socioambientais, a partir
da década de 90, começaram a ser definidas as diretrizes para a
implementação de um sistema de gestão ambiental por corporações. A
ISO 14001, que estabeleceu essas diretrizes acabou sendo estruturada
após o estabelecimento da ISO 9001, que definiu os parâmetros para
implementação de sistemas de gestão da qualidade.
Em 1999
Foi instituída a OHSAS 18001, que estabeleceu o
direcionamento para a formação de Sistemas de Gestão da
Segurança e Saúde do Trabalho (SGSST).
Em 2004
Um marco importante na agenda socioambiental
empresarial foi o lançamento, da ISO 16001 para apoiar a
implantação de um sistema de gestão de responsabilidade
social.
Em 2010
Foi lançada a ISO 26000, que estabeleceu as diretrizes da
responsabilidade social corporativa.
As normas são importantes, pois se espera que facilitem a
implementação de ações concretas que respondam à crescente
preocupação e pressão da sociedade em relação aos direitos humanos
em seu sentido mais amplo, englobando os direitos trabalhistas e
políticos, a par do direito dos consumidores, além da preservação
ambiental.
As normas ISO 9000 e ISO 14000 estão entre as mais conhecidas
certificações no mundo em relação à gestão da qualidade e à gestão do
meio ambiente. São séries que beneficiam empresários na busca por
soluções de problemas de produção e melhoria de produtividade, além
de tornar o negócio mais transparente, mais eficiente e gerar mínimo
impacto na natureza.
Vamos conhecer sobre elas a seguir.
A primeira versão da norma ISO 9001, publicada em 1987,
passou por quatro revisões, nos anos 1994, 2000, 2008 e 2015. A
norma ISO 9001 estabelece requisitos de gestão da qualidade
com base em um modelo de sistema de gestão. O modelo
baseia-se nos princípios da gestão da qualidade total, que
envolvem: foco no cliente, liderança, envolvimento das pessoas,
abordagem de processo, abordagem sistêmica para a gestão,
melhoria contínua, tomada de decisão baseada em fatos, além
de benefícios mútuos nas relações com os fornecedores.
É uma norma que institui as diretrizes de um Sistema de Gestão
Ambiental (SGA) permitindo que as organizações construam
uma estrutura que proteja o meio ambiente. A norma define as
diretrizes para uso da especificação e tem por objetivo oferecer
às empresas direcionamentos para uma efetiva gestão
ambiental que seja conectada aos demais objetivos da
organização.
Ela define um SGA como parte de um sistema de gestão de uma
organização, constituído de um conjunto de elementos inter-
relacionados, utilizado para desenvolver e implementar sua
política ambiental, além de gerenciar seus aspectos ambientais.
ISO 9001 
ISO 14001 
Considera-se nesse arcabouço teórico-conceitual a estrutura
organizacional, as atividades de planejamento, organização,
direção e controle, a amplitude de atuação gerencial, os níveis de
responsabilidades práticas, os procedimentos, os processos e os
recursos.
Além disso, ela preconiza a instituição de uma política ambiental
corporativa, que compreende o conjunto de intenções e
princípios gerais de uma organização em relação ao seu
desempenho ambiental, em conformidade com o que é
formalmente expresso pela alta administração. A política
ambiental estabelece uma estrutura para ação e definição dos
seus objetivos e metas ambientais.
Um ponto fundamental para o estabelecimento de um SGA é o
comprometimento de todos os colaboradores, principalmente da
alta administração.
O objetivo da OHSAS 18001:2007 é estabelecer um sistema de
gestão da segurança e saúde do trabalho (SST) destinado a
eliminar ou minimizar o risco para trabalhadores e outras partes
interessadas, que possam ser expostas a riscos para a SST
associados às suas atividades.
A NBR 16001 é uma norma brasileira que teve sua primeira
versão lançada em 2004 e revisada em 2012. Essa norma
estabelece requisitos para a implementação de um sistema de
gestão da responsabilidade social (SGRS).
A ISO 26000 fornece diretrizes de responsabilidade social para
corporações de modo a facilitar o trabalho na construção de
uma gestão socioambiental. Ela estabelece orientações para
corporações de diferentes portes e trata sobre conceitos, termos
e definições de responsabilidade social e diversos outros temas
relacionados à questão.
OHSAS 18001 
ISO 16001 
ISO 26000 
Os temas centrais que regem o desenvolvimento a ISO 26000
são os seguintes: direitos humanos, práticas trabalhistas, meio
ambiente, práticas operacionais justas, questão dos
consumidores, desenvolvimento e participação da comunidade e
governança organizacional.
Outras iniciativas
É importante mencionar também outras iniciativas, como a gestão da
qualidade ambiental total (TQEM), ecologia industrial (EI) e produção
mais limpa (P+L). Os três são ferramentas de gestão socioambiental
que buscam aumentar a eficiência das empresas.
Vamos conhecer a seguir.
Gestão da qualidade ambiental total (TQEM)
Na década de 1990, o gerenciamento da qualidade total (TQM) começou
a ser desenvolvido e adotado no Japão. O sistema envolve três
processos baseados em planejamento, controle e melhoria. Além disso,
ele é baseado em pontos que abordam a satisfação do cliente, a
liderança para a qualidade, a melhoria contínua, a participação dos
funcionários, a constância de propósitos e o desenvolvimento de
treinamentos.
Para essa metodologia, não adianta uma empresa ter ótimos produtos
se seu processo produtivo promover impactos ambientais. A empresa
precisa incorporar a gestão ambiental à sua estratégia e a todas as suas
decisões.
Atenção
Com a gestão da qualidade ambiental total, objetiva-se promover
melhorias em todo processo produtivo, gerando mais eficiência nos
processos e economia de recursos materiais, energéticos e financeiros.
Ecologia industrial
A ecologia industrial preconiza a mudança de processos
que seguem uma lógica linear para modelos que têm uma
lógica circular e virtuosa. O objetivo é otimizar a utilização
de recursos e desenvolver formas mais eficientes e
menos impactantes de produzir.
A ecologia industrial possui sua origem vinculada à metáfora entre os
ecossistemas naturais e industriais. Ela foi definida por Robert White
(1994) como uma proposta de avaliar os fluxos materiais e de energia
em atividades produtivas e consumidoras e seus efeitos no ambiente.
Ela pode ser compreendida, em termos gerais, por meio de cinco
características:
Basear-se na natureza como modelo.
Promover a harmonia, o equilíbrio e a integração entre os
sistemas ecológico e industriais.
Ser uma ciência da sustentabilidade.
Focar produtos, processos, serviços e resíduos.
A ecologia industrial possui três diferentes escalas de atuação. Ela pode
ocorrer internamente à organização, isto é, intraorganizacional, entre
organizações, o que comporia relações interorganizacionais e, no fim,
em uma perspectiva macro, no âmbito regional ou global. Observe os
diferentes níveis e os conceitos associados.
Escalas de atuação da ecologia industrial.
Podução mais limpa (P+L)
O modelo de produção mais limpa (P+L) vem sendo desenvolvido pelo
Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) e pela
Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial
(Unido), desde a década de 1980. Ele objetiva levar para as corporações
uma gestão ambiental preventiva que contemple processos, produtos e
serviços e que integre a variável ambiental de forma estratégica.
A ideia é buscar o aumento da eficiência e minimizar e evitar impactos
ambientais. A P+L, nesta sequência, prioriza a prevenção, a redução, o
reuso e a reciclagem, o tratamento com recuperaçãode materiais e
energia, o tratamento e a disposição final.
Buscar a integração de diferentes sistemas.
Segundo o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento
Sustentável (CEBDS), os maiores obstáculos à implementação das
práticas de P+L ocorrem em função de:
1. Resistência à mudança, da concepção errônea (falta de
informação sobre a técnica e a importância dada ao ambiente
natural).
2. Inexistência de políticas nacionais que deem suporte às
atividades de P+L.
3. Barreiras econômicas (alocação incorreta dos custos ambientais
e investimentos).
4. Barreiras técnicas (novas tecnologias).
Produção mais limpa
Neste vídeo, o especialista irá explorar mais o modelo produção mais
limpa e apresentar dois casos de empresas que aplicaram o programa.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do
conteúdo que você acabou de estudar.
Módulo 2 - Vem que eu te explico!
Explorando outras ferramentas de gestão
socioambiental: Global Reporting Initiative
Módulo 2 - Vem que eu te explico!
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Explorando outras ferramentas de gestão
socioambiental: Carbon Disclosure Project
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
As empresas precisam, antes de tudo, mapear seus processos e
monitorar suas atividades para implementar uma gestão
socioambiental. Qual opção ilustra ferramentas que possibilitam realizar
esse processo?
A Código de ética e quadro de missão e valores.
B Relatório de sustentabilidade e indicadores Ethos.
C Plano de relacionamento com stakeholders.
D Plano de comunicação interno e externo.
E Plano de carreiras.
Parabéns! A alternativa B está correta.
O relatório de sustentabilidade pode ser um ótimo primeiro passo para as empresas mapearem e monitorarem
seus processos. Os indicadores Ethos são uma excelente ferramenta para as empresas iniciarem a gestão
socioambiental.
Questão 2
A ecologia industrial busca alterar a lógica de processos lineares para
processos circulares, otimizando o uso de energia e de recursos, e
eliminando perdas desnecessárias. Ela estuda os fluxos de materiais e
de energia em atividades industriais e de consumo, bem como os seus
efeitos no meio ambiente. Qual opção a seguir retrata características da
ecologia industrial?
A Buscar usar os recursos naturais ao máximo.
B
Produzir de forma a não pensar em reutilizar os
materiais descartados durante o processo produtivo.
C
Buscar promover o consumo irracional dos produtos e
a venda contínua de peças de reposição.
D
Gerar resíduos crescentes e não buscar soluções para
a questão.
E
Buscar a harmonia, o equilíbrio e a integração entre os
sistemas ecológico e industriais.
Parabéns! A alternativa E está correta.
A ecologia industrial busca integrar os sistemas ecológicos e industriais, incorporando aprendizados da
natureza no processo produtivo.

3 - Sistemas de gestão socioambiental
Ao �nal deste módulo, você será capaz de descrever os instrumentos de monitoramento de
sistemas de gestão socioambiental.
A importância dos indicadores para o
monitoramento dos sistemas de
gestão
As iniciativas de gestão socioambiental só serão efetivas se as
empresas, além de implementarem os sistemas, monitorarem suas
respectivas performances. É necessário o estabelecimento de
indicadores que monitorem as metas e os resultados instituídos e, por
conseguinte, promovam a melhoria contínua dos sistemas.
Devido à sua relevância, há inúmeros indicadores que avaliam o
desempenho de sistemas de gestão socioambiental e que suprem a
necessidade de medição e verificação da eficiência das estratégias
empresariais. Eles possibilitam conhecer a situação real das
corporações e estabelecer planos de ação para implementação de
melhorias.
Os indicadores são relevantes, pois geram informações relevantes sobre
a gestão socioambiental implementada e ajudam na obtenção de
resultados cada vez melhores. São associados a informações
qualitativas ou quantitativas e podem representar as condições de um
momento ou funcionar como instrumento constante de monitoramento.
Observe, a seguir, as características de indicadores de um sistema de
gestão ambiental. Eles podem ser aplicados em qualquer ramo de
atividade, por serem indicadores de fácil implementação e controle.
Características de indicadores de um
sistema de gestão ambiental
São requisitos que os indicadores do sistema de gestão ambiental
devem apresentar:
1. Simplicidade.
2. Representatividade.
3. Disponibilidade de dados.
4. Estabilidade.
5. Rastreabilidade.
A escolha dos indicadores depende do que objetiva monitorar, e eles
podem ser medidos em campo, em laboratório ou em escritório. A
medição de alguns é bem simples, mas de outros pode apresentar
elevado grau de complexidade.
Os principais indicadores são do:
Meio ambiente natural
Desenvolvimento sustentável
Impacto na saúde humana
Impacto na saúde humana
Monitorando níveis de saúde física e mental, segurança, ruído e educação ambiental.
Exemplos de indicadores de um sistema de
gestão ambiental
Há uma série de indicadores que podem ser monitorados em um
sistema de gestão socioambiental. Desde a elaboração de um relatório
de sustentabilidade, do GRI, dos indicadores Ethos, das normas ISO, até
a elaboração de inventário de carbono, tudo isso pode auxiliar as
empresas a elencarem seus principais indicadores.
A seguir, apresentamos exemplos de temas que podem ser monitorados
por indicadores ambientais:
Exemplos de indicadores de aspectos ambientais relativos a:
Materiais (uso e reciclagem)
Energia (consumo de energia direta ou indireta)
Água (retirada por fonte)
Biodiversidade (índice de biodiversidade e impactos nas áreas
pertencentes ou administradas pela organização)
Exemplos de indicadores de aspectos ambientais relativos a:
Emissões, efluentes e resíduos
Produtos e serviços (mitigação de impactos ambientais e
recuperação de embalagens)
Conformidade ambiental (multas e sanções por não
conformidades ambientais)
Transporte (impactos de transporte de mercadorias e de
trabalhadores)
Aspectos ambientais gerais (investimento em proteção
ambiental)
Quadro: Exemplos de indicadores de aspectos ambientais. 
Elaborador por Juliana Velloso, adaptado de GRI, 2008.
A auditoria ambiental
A auditoria ambiental é um fator importante para uma efetiva política de
minimização dos impactos ambientais das empresas e de melhoria de
seus indicadores. Sua execução constitui-se em um critério essencial
para que investidores e acionistas possam avaliar o passivo ambiental
da empresa e fazer a projeção para sua situação no longo prazo, de
modo mais transparente e confiável.
Ela simboliza um processo formal e periódico de verificação, por parte
de um agente externo, da atuação ambiental de uma instituição. Seus
princípios mais relevantes são conduta ética, apresentação justa, devido
cuidado profissional e independência, e abordagem baseada em
evidências.
Saiba mais
A auditoria pode ser usada como uma estratégia em busca de melhoria
contínua, pois acaba exigindo aprimoramentos constantes por parte das
empresas.
Na prática, observa-se que muitas empresas controlam e monitoram
aspectos socioambientais por meio da realização periódica de
auditorias (interna e externa) e elas se tornam muito importantes no
caso de obtenção e renovação de certificações. Por meio de auditorias
socioambientais, pode-se prevenir acidentes ambientais, identificar
conformidades e não conformidades, aprimorar a gestão da empresa,
ajudar na mitigação de impactos ambientais e, consequentemente,
melhorar a imagem da empresa.
Resumindo
As auditorias são importantes instrumentos de verificação da
efetividade de sistemas de gestão socioambiental e acabam
estimulando a melhoria contínua da empresa em relação à questão.
Tipos de auditoria ambiental
As auditorias ambientais realizam uma avaliação da organização com
base em critérios ambientais, tais como: normas técnicas, requisitos
legais,requisitos definidos por clientes ou pela própria empresa.
Existem diferentes tipos de auditorias ambientais, vejamos sobre cada
uma delas a seguir.
Auditoria de conformidade legal
Avalia se a empresa está atendendo às normas legislativa.
Auditoria de descomissionamento
É realizada quando as empresas estão fechando.
Auditoria pós-acidente
Tem como objetivo investigar os motivos que levaram ao ocorrido.
Auditoria de sistema de gestão
Visa adaptar, certificar ou avaliar o atendimento da empresa ao que é
definido em um sistema de gestão ambiental.
Metodologia da auditoria ambiental
A auditoria contempla uma sistemática e documentada avaliação de
como a empresa se encontra em relação à sua gestão socioambiental.
Ela deve ser realizada periodicamente, visa facilitar a atuação e o
controle da gestão ambiental da empresa e assegurar que a planta
industrial esteja dentro dos padrões exigidos pela legislação.
De acordo com Donaire (1999), entre as atividades que são usualmente
auditadas, incluem-se as seguintes:
1. Políticas, responsabilidades e organização das tarefas.
2. Planejamento, acompanhamento e relatório das ações.
3. Treinamento e conscientização do pessoal.
4. Relações externas com órgãos públicos e comunidade.
5. Adequação aos padrões legais.
�. Planejamento de emergências e funcionalidade.
7. Fontes de poluição e sua minimização.
�. Tratamento da poluição e acompanhamento das descargas.
9. Economia de recursos.
10. Manutenção adequada.
11. Uso do solo.
Embora possa haver procedimentos diferentes de empresa para
empresa, usualmente são adotados alguns passos básicos para
executar auditoria ambiental em empresas, dividindo o trabalho em três
partes:
Atividades pré-auditoria.
Atividades de campo.
Atividades pós-auditoria.
Na maioria das empresas, as auditorias ambientais são de competência
de uma equipe que está sob a responsabilidade da área ambiental da
empresa. A auditoria necessita do apoio e do envolvimento da alta
administração, pois caso contrário seus resultados não serão
satisfatórios.
Assim, a atividade de auditoria deve ser claramente comunicada na
organização junto aos demais escalões da empresa, especificando seus
objetivos, a metodologia e os procedimentos, bem como a política de
incentivos que será adotada.
A equipe de auditoria deve ganhar a confiança das unidades auditadas e
deixar claro que seu trabalho está muito mais voltado para melhorar a
eficácia global da organização, identificando formas de progresso, do
que para identificar e punir os responsáveis pelos problemas
encontrados.
As atividades de pré-auditoria são:
1. Selecionar e programar as condições da auditoria.
2. Selecionar os integrantes da equipe de auditoria fixando suas
responsabilidades no processo.
3. Discutir com a equipe o plano de auditoria e mecanismos que
facilitem seu desenvolvimento.
Na etapa de atividades de campo, a equipe de auditoria pode usar vários
instrumentos que permitirão avaliar o comportamento da unidade
auditada, como: visitas às plantas das fábricas, inspeção de processos
e materiais, questionários, entrevistas e revisão de documentos.
As atividades de campo incluem cinco fases, que são as seguintes:
Entendimento dos controles internos e critérios
Avaliação dos controles internos
Coleta dos dados
Avaliação dos resultados da auditoria
Relatórios preliminares dos resultados
O relatório final da auditoria ambiental deve ser elaborado como
resultado da discussão entre a equipe de auditoria, os gerentes e os
representantes dos trabalhadores da unidade auditada, a fim de que
possa ser delineado um plano comum de ação com base nos resultados
encontrados.
As atividades de pós-auditoria devem atender os seguintes aspectos:
Con�abilidade dos instrumentos de
monitoramento
Um sistema de monitoramento se torna essencial para que as
corporações possam monitorar, medir, analisar e avaliar o desempenho
Apresentar o relatório explicado no encontro fechado,
especificando prazo para a correção e lista de destinatários
que devem ser informados por meio do relatório final e do
plano de ação.
Elaborar o relatório final.
Estabelecer o plano de ação, especificando metodologia,
estratégia, cronograma, execução e controle.
Acompanhar a execução do plano de ação e de seus
resultados junto às unidades envolvidas, certificando-se de
que todos os procedimentos foram seguidos e executados.
de sistemas de gestão socioambiental. É importante ter diversos
indicadores que possam avaliar os processos operacionais, os aspectos
ambientais relevantes e o atendimento de obrigações legais e
compromissos da empresa e do setor.
Atenção
O monitoramento é importante como uma forma de garantir a qualidade
dos dados e a obtenção de resultados frente aos padrões legais e
objetivos e metas organizacionais.
Empresas que colocaram a gestão
socioambiental em prática
Neste vídeo, a especialista irá explorar a importância da gestão
socioambiental e apresentar cinco casos de sucesso.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do
conteúdo que você acabou de estudar.
Módulo 3 - Vem que eu te explico!
A importância dos indicadores de gestão
socioambiental para as empresas

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Módulo 3 - Vem que eu te explico!
Auditoria ambiental ISO19011
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
A escolha dos indicadores depende dos objetivos de monitoramento e
ação de uma empresa. Eles são importantes para as empresas
analisarem como estão e estabelecerem aonde querem chegar em
termos socioambientais. A seguir, selecione a opção que apresenta
indicadores relevantes para a gestão ambiental de uma empresa.
A
Indicadores relativos ao número de acidentes de
trabalho.
B Indicadores relativos à retenção de talentos.
C Indicadores relativos à escolaridade de funcionários.
D Indicadores relativos à economia de energia elétrica.
E Indicadores relativos ao recall de produtos.
Parabéns! A alternativa D está correta.
O controle dos gastos de energia é um tema de grande importância dentro de uma estratégia de gestão
ambiental de uma empresa e precisa ter seus dados levantados e monitorados, buscando a melhoria contínua
de seus números. Os demais indicadores apresentados se referem a questões sociais e produtivas da
organização.
Questão 2
A auditoria socioambiental é uma atividade administrativa que
compreende uma sistemática e documentada avaliação de como a
organização se encontra em relação à questão socioambiental. Ela deve
ser realizada periodicamente para permitir o controle da gestão
ambiental da empresa e assegurar que ela esteja dentro dos padrões
exigidos pela legislação e dentro das metas estabelecidas. A atividade
de auditoria consiste em
A
replanejar todo o processo produtivo da empresa para
gerar mudanças com objetivo apenas de aumentar a
lucratividade.
B
controlar e monitorar aspectos socioambientais
periodicamente.
C
levantar todos os indicadores da empresa apenas
para armazená-los em um banco de dados.
D
mapear os principais impactos socioambientais da
empresa e informá-los à diretoria.
E
levantar todas as pendências financeiras da empresa
advindas de questões socioambientais.
Parabéns! A alternativa B está correta.
A auditoria é uma importante ferramenta de controle e monitoramento da estratégia socioambiental da
empresa. Ela permite que a empresa avalie, periodicamente, o desempenho de seu sistema de gestão
ambiental e, caso necessário, ajuste seus objetivos e se esforce para melhores resultados.

4 - Gestão ambiental compartilhada
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as características da gestão ambiental
compartilhada.
Case de gestão ambiental
compartilhada
Neste vídeo, a especialista irá apresentar o caso de Kalundborg.
Gestão ambiental compartilhada
A gestão ambiental compartilhada depende, antes de tudo, do
comprometimento da empresa com uma melhor gestão ambiental.
Quando ela começa a entendero impacto ambiental de seu processo

produtivo e de todos os demais processos associados, ela pode
identificar, como já apresentado, diversos pontos de aperfeiçoamento,
que podem gerar economia de recursos financeiros e materiais.
Geralmente, isso acontece dentro de cada empresa ou, em caso de
empresas multinacionais, em todas as suas unidades. Quando a
empresa avança ainda mais em sua gestão ambiental e consegue
estabelecer parcerias com outras empresas, ela pode alcançar ganhos
ainda maiores de economia.
Muitas vezes, o resíduo de uma empresa pode ser um recurso valioso
para outra e, quando se estabelecem parcerias, consegue-se alterar
processos que funcionam em ciclos lineares, baseados na extração,
produção e no descarte, para ciclos circulares, em que o objetivo é não
ter a geração de resíduo, sempre considerado um recurso.
No tópico seguinte, apresentaremos o conceito de economia circular.
Economia circular
O modelo circular compreende a natureza e seu funcionamento como
grande inspiração e busca replicar os processos nas corporações.
A economia circular preconiza que o fluxo de materiais pode ocorrer de
duas maneiras:
Os que compreendem os nutrientes biológicos e que podem
retornar ao ambiente de forma segura.
Os que compreendem nutrientes técnicos e que precisam circular o
máximo possível e com qualidade antes de retornar para o
ambiente.

A economia circular orienta o abandono da lógica dominante, baseada
na linearidade “extrair, produzir, desperdiçar” e defende que esse
sistema está atingindo seu limite físico. A lógica baseada na
circularidade busca dissociar a atividade econômica do consumo de
recursos finitos. Além disso, ela defende o uso de fontes renováveis de
energia e se baseia em três princípios:
Eliminar resíduos e poluição desde o princípio.
Manter produtos e materiais em uso.
Regenerar sistemas naturais.
A partir da lógica circular, empresas vêm reinventando processos e
implementando mudanças positivas para seus negócios e para o
planeta.
Atenção
Além de mudanças em suas estruturas internas, as empresas podem
buscar parcerias com outras instituições, aprimorando ainda mais sua
gestão ambiental.
No tópico seguinte, apresentaremos o conceito de simbiose industrial,
que busca promover essas parcerias e otimizações.
Simbiose industrial
A simbiose industrial engloba a troca de recursos, tecnologias e
conhecimento entre empresas, tendo como premissa o estabelecimento
de parcerias que resultam em ganhos, não apenas financeiros, para
todas as partes envolvidas.
O termo simbiose industrial é inspirado de um termo da Biologia, que
indica que organismos de diferentes espécies realizam trocas, com
objetivo de gerar benefícios para todos os envolvidos. De forma análoga,
as empresas que estabelecem uma relação simbiótica, buscam
estabelecer trocas que gerem vantagens para todos os participantes
dessa relação.
As palavras colaboração e parceria se tornam
estratégicas para o estabelecimento da simbiose
industrial.
A simbiose industrial também pode ser definida como um conjunto de
empresas que atuam de forma cooperativa em prol da ecoinovação e
buscam uma mudança cultural, em favor da colaboração, no longo
prazo.
Atenção
É importante ressaltar que, apesar de a proximidade geográfica ser um
fator geralmente mencionado nos casos de simbiose industrial, ele não
é determinante. A simbiose industrial busca reduzir o desperdício e a
poluição, por meio de uma gestão compartilhada entre diferentes
empresas. Para isso, é de extrema relevância um ambiente corporativo
de confiança.
De acordo com Trevisan et al. (2016, p. 209-210), são exemplos de
práticas que podem ser beneficiadas pela simbiose industrial:
Reaproveitamento energético.
Reciclagem de materiais.
A f i t i t ã d d ti
Saiba mais
Um dos casos de referência no mundo de simbiose industrial se refere
ao ecoparque industrial de Kalundborg, na Dinamarca. Ele surgiu na
década de 1970 e enfoca a otimização de energia, água, fluxos de
materiais e fluxos de informações.
Principais desa�os para estabelecer
parcerias de gestão ambiental como
a simbiose industrial
São inúmeros os desafios para manter um projeto de simbiose
industrial. Incentivos financeiros e fiscais, políticas públicas de suporte
e um pacto duradouro entre os atores envolvidos são necessários e
quase sempre dificilmente encontrados, principalmente no contexto
brasileiro.
Para manter o fluxo contínuo de materiais e energia, a produção deve
ser constante. Quando um dos atores perde o interesse no modelo, o
Aperfeiçoamento e integração de processos produtivos.
Desenvolvimento de produtos sustentáveis.
Aprendizagem coletiva.
Potencialização de projetos conjuntos para o alcance de
objetivos comuns.
colapso do projeto pode acontecer, por isso, é importante que as
parcerias sejam estabelecidas por meio de acordos e contratos.
Atenção
Um ambiente institucional seguro, com contratos bem definidos e
respeitados, onde a confiança predomina, são considerados os
requisitos mais importantes.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do
conteúdo que você acabou de estudar.
Módulo 4 - Vem que eu te explico!
Os princípios da economia circular
Módulo 4 - Vem que eu te explico!
Caso de simbiose industrial no Brasil
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?

Questão 1
A economia circular defende abandonarmos a lógica linear, que é
predominante no mundo atualmente, para uma lógica circular, na qual os
resíduos passem a ser vistos como recursos desde a concepção e o
design de um novo produto. A ideia é postergar a vida útil do que
consumimos e permitir que ele ou seus componentes sejam reinseridos
no ciclo produtivo. Quando uma empresa realiza a gestão
socioambiental, fica mais fácil identificar oportunidades de transformar
processos para a lógica circular. Diante disso, assinale a afirmação que
exemplifica um caso de empresa que segue a lógica circular.
A
A empresa X produz alimentos e, em seu processo
produtivo, acaba gerando muitos resíduos orgânicos,
que são descartados e enviados para o aterro
sanitário mais próximo de sua planta.
B
A empresa Y utiliza apenas energia a partir de fontes
renováveis e possui um sistema de logística reversa
que recebe de volta suas embalagens para reuso.
Seus produtos têm longa vida útil e possuem
componentes modulares, que permitem o reparo de
forma mais fácil sem necessitar a troca do produto.
Ao final de sua vida útil, o produto é totalmente
reutilizado para gerar novos produtos.
C
A empresa Z realiza a reciclagem em sua fábrica e
composta os resíduos orgânicos. Seus produtos
possuem alta taxa de troca, por não terem vida útil
longa, gerando constante compra de novas matérias-
primas.
D
A empresa W possui um sistema de gestão
socioambiental consolidado, que envolve toda a
empresa. Ela possui programa de eficiência
energética e investe em fontes renováveis de energia.
Ela gera quantidade expressiva de resíduos tóxicos
que são tratados e incinerados.
E
A empresa K é líder em vendas e possui excelente
avaliação de seus consumidores, que aprovam a
qualidade e a durabilidade de seus produtos. Em seu
processo produtivo, ela busca otimizar a utilização de
recursos naturais, mas levou uma multa por poluir o
rio que passa ao lado de sua fábrica.
Parabéns! A alternativa B está correta.
A economia circular defende que a produção busque transformar todos os resíduos em recursos e respeitar o
meio ambiente em todos os aspectos. Apenas a empresa Y ilustra esse caso. A empresa Y segue todos os
preceitos da economia circular, utiliza fontes renováveis de energia, realiza a logística reversa de suas
embalagens, busca a modularidade e seus produtos podem ser totalmente reutilizados para gerar novos
produtos. A empresa X gera resíduos orgânicos, que são descartados e enviados para o aterro sanitário e que
poderiam ser compostados ou virar energia renovável(biogás). A empresa Z apresenta alta taxa de troca,
gerando constante utilização de novas matérias-primas. A empresa W gera quantidade expressiva de resíduos
tóxicos, que são tratados e incinerados. A empresa K levou uma multa por poluir o rio que passa na beira de
sua fábrica.
Questão 2
A simbiose industrial é um conceito que busca estimular parcerias entre
empresas para otimizar a utilização de recursos naturais, tecnológicos e
humanos. Ela depende da cooperação de quem está envolvido e pode
gerar ótimos resultados e economia de recursos e financeira. Qual a
opção que apresenta características da simbiose industrial?
A
Aumentar a margem de lucro por meio da venda de
produtos feitos a partir de resíduos.
B
Gerar economia de escala ao utilizar apenas uma
planta industrial para produzir produtos de diferentes
empresas.
C
Estabelecer acordos com empresas vizinhas para que
haja uso de recursos entre elas, que possam levar a
uma otimização para todas as envolvidas.
D
Levantar as características de empresas que se
encontram em uma determinada região e identificar
potenciais complementações que poderiam ser
estabelecidas.
E
Efetuar a troca de tecnologias mais poluentes para
tecnologias mais limpas e menos energointensivas.
Parabéns! A alternativa C está correta.
A simbiose industrial preconiza o estabelecimento de parcerias, instituídas a partir de acordos de cooperação,
que geram benefícios mútuos, podendo ser de diferentes naturezas, para todos os envolvidos.
Considerações �nais
Começamos nosso estudo apresentando a agenda socioambiental
empresarial, que motiva o crescente engajamento das empresas, e as
diferentes abordagens colocadas em prática no mundo corporativo.
Além disso, também destacamos os principais desafios
socioambientais da atualidade, que reforçam a importância do tema.
Nesse sentido, apresentamos a gestão socioambiental, destacamos sua
relevância e seus princípios, assim como os benefícios para a empresa
ao incorporar o tema à sua estratégia. Mostramos também,
apresentando o caso de sucesso da empresa Interfaceflor, como pode
ser lucrativo para a organização ter uma gestão socioambiental séria,
comprometida e robusta.
Exploramos as principais ferramentas de gestão socioambiental,
destacando que esse universo não é exaustivo e cada empresa pode
criar seu próprio instrumento, com diretrizes, planos, metas e
indicadores para avançar na gestão de aspectos sociais e ambientais. É
importante ressaltar que o mundo empresarial é muito dinâmico e novas
ferramentas e soluções surgem a todo momento.
Um ponto importante destacado diz respeito à importância de
instrumentos de monitoramento de sistemas de gestão, fundamentais
para avaliar e (re)conduzir a estratégia de gestão socioambiental das
empresas. Discutimos o papel dos indicadores e das auditorias nesse
processo.
Por fim, foram apresentados dois conceitos que preconizam a lógica de
parceria e compartilhamento, a economia circular e a simbiose
industrial. Em um contexto de recursos escassos como o que vivemos e
de crises socioambientais crescentes, essas soluções se tornam cada
vez mais relevantes e ganham espaço nas agendas empresariais.
Podcast
Neste podcast, a especialista irá apresentar o caso da empresa


brasileira Native, que é referência na área socioambiental e obtém
grande sucesso e reconhecimento a partir disso nacional e
internacionalmente.
Referências
ALVES, I. J. B. R.; FREITAS, L. S. de. Análise comparativa das
ferramentas de gestão ambiental: produção mais limpa x Ecodesign.
Campina Grande, PB: EDUEPB, 2013.
BACKER, P. Gestão ambiental: a administração verde. Rio de Janeiro:
Qualitymark, 1995.
CORRÊA, A. Meio ambiente: o que aconteceu com os responsáveis por
um dos maiores desastres dos EUA. BBC News Brasil, 2019. Consultado
na internet em: 23 ago. 2021.
DONAIRE, D. Gestão ambiental na empresa. 2. ed. São Paulo: Atlas,
1999.
DONAIRE, D.; OLIVEIRA, E. C. Gestão ambiental na empresa. São Paulo:
Atlas, 2018.
ELKINGTON, J. Cannibals with Forks. Gabriola, Canada: New Society
Publishers, 1998.
GLOBAL REPORTING INITIATIVE. GRI. Sustainability Reporting
Guidelines. GRI, 2008.
INSTITUTO ETHOS. Conceitos básicos e indicadores de
responsabilidade social empresarial. São Paulo: Rede Ethos de
Jornalistas, 2007.
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. ONU. Intergovernmental Panel
on Climate Change (IPCC). Global Warming of 1.5°C, 2018. Consultado
na internet em: 30 ago. 2021.
TREVISAN, M. et al. Ecologia industrial, simbiose industrial e ecoparque
industrial: conhecer para aplicar. Sistemas & Gestão, v. 11, n. 2, p. 204-
15, 2016.
WHITE, R. M. P. The Greening of Industrial Ecosystems. Washington, DC,
USA: National Academy Press, 1994.
Explore +
Para saber mais sobre a empresa InterfaceFlor, busque o vídeo Is It
Profitable to Use a Circular Business Model? | Interface Flor Study,
disponível no YouTube.
Pesquise também o vídeo Indicadores Ethos para Negócios
Sustentáveis e Responsáveis para saber mais sobre esses indicadores.
Para saber sobre a crise climática, assista à reportagem do Fantástico,
exibida em 12 de maio de 2019: Derretimento da Antártica já está seis
vezes mais rápido do que há 40 anos.
Saiba mais sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)
na página da Pacto Global Rede Brasil.
Além disso, leia o livro A História das Coisas: da natureza ao lixo, o que
acontece com tudo que consumimos, de Annie Leonard, da editora
Zahar, 2011.
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Sistema de Gestão Ambiental
Profª. Vanessa Riccioppo de Moraes
Descrição
O Sistema de Gestão Ambiental (SGA) a partir do entendimento da
estrutura, aplicabilidade, e integração com outros sistemas
relacionados.
Propósito
Reconhecer o Sistema de Gestão Ambiental (SGA) como um dos
instrumentos de gestão ambiental organizacional para atendimento aos
requisitos legais e melhoria contínua do desempenho ambiental das
organizações é de suma importância para uma eficiente atuação
profissional, a melhoria dos processos tecnológicos e,
consequentemente, a prevenção de impactos, a proteção ao meio
ambiente e a qualidade de vida da sociedade como um todo.
Objetivos
Módulo 1
A estrutura básica do Sistema de Gestão
Ambiental (SGA)
Descrever a estrutura do Sistema de Gestão Ambiental.
Módulo 2
A aplicação prática do Sistema de Gestão
Ambiental (SGA)
Reconhecer a aplicação do Sistema de Gestão Ambiental.
Módulo 3
Sistema de Gestão Integrada (SGI)
Reconhecer o Sistema de Gestão Integrada.
A sustentabilidade deixou de ser uma função de mera proteção
para tornar-se também uma função da administração e
responsabilidade socioambiental. Diante disso, novas exigências
surgem e uma nova atuação e estruturação administrativa das
organizações começa a se fazer necessária. Assim, a gestão
ambiental requer um sistema gerencial especializado e,
consequentemente, uma nova maneira de administrar.
Nesse contexto, temos um instrumento de gestão ambiental
chamado de Sistema de Gestão Ambiental (SGA), composto por
procedimentos que ajudam a organização a entender, controlar e
mitigar os impactos ambientais de suas atividades, produtos ou
serviços. Está baseado no cumprimento dos requisitos legais
ambientais e na melhoria contínua do desempenho ambiental da
organização como um todo. Nesse cenário, entende-se
organização como empresa privada, empresa pública, ONG ou
Introdução
1 - A estrutura básica do Sistema de Gestão Ambiental (SGA)
Ao �nal deste módulo, você será capaz de descrever a estrutura do Sistema de Gestão
Ambiental.
prefeitura que tenha necessidades de identificar suas
vulnerabilidades e adotar medidas preventivas e corretivas.
O SGA leva as organizações a uma melhor condição de
gerenciamento de seus aspectos e impactos ambientais (ver
esquema abaixo), além de propiciar uma mudança de atitude e de
cultura organizacional. Os aspectos ambientais referem-se aos
elementos das atividades, produtos e serviços que realizamosno
dia a dia (perigos) que podem interagir com o ambiente, causando
ou podendo causar impactos ambientais positivos ou negativos
(riscos). Por fim, atuando em busca da melhoria contínua de seus
processos e serviços, tende a alavancar seus resultados
financeiros.
Normas que dão suporte ao SGA
Para proporcionar uma melhor condição de gerenciamento dos
aspectos e impactos ambientais, foi criada uma série de normas, a ISO
14000, lançada internacionalmente em 1996, que tem como objetivo a
criação de um SGA que auxilie as organizações a cumprirem os
compromissos assumidos com o meio ambiente.
Dentro dessa série de normas, a ISO 14001 é a única que certifica
ambientalmente uma organização e, embora isso não signifique que ela
esteja realmente atingindo seu melhor desempenho ambiental, e nem
que esteja utilizando as melhores tecnologias, o processo de
certificação é reconhecido internacionalmente e possibilita às
organizações se distinguirem daquelas que somente atendem à
legislação ambiental e que não possuem certificação (Selo).
Principais normas da série de normas ISO 14000.
Nesse contexto, o nosso enfoque será na Norma ISO 14001 (versão
2015). As Normas ISO são revisadas e atualizadas em ciclos regulares,
tipicamente a cada 5 a 10 anos. Assim, vamos conhecer a estrutura
básica do Sistema de Gestão Ambiental (SGA), um pouco da aplicação
desse SGA com base na ISO 14001 e, por fim, o Sistema de Gestão
Integrada (SGI), que consolida a integração do SGA com outros dois
sistemas de gestão que se relacionam, sendo estes com base na Norma
ISO 45001 (Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho -
SGSSO) e ISO 9001 (Sistema de Gestão da Qualidade - SGQ).
Saiba mais
Caso uma organização queira implantar um SGA, mas não se certificar,
ela pode usar como referência a ISO 14004 (uso interno), servindo
apenas como um guia. De toda forma, mesmo que não queira se
certificar, pode-se também utilizar a ISO 14001 como base para quem
sabe, no futuro, mudar de ideia e já possuir os meios para tal
certificação.
Instrumentos de gestão ambiental
Alcançar um equilíbrio entre meio ambiente, sociedade e economia é
considerado fundamental, para que seja possível satisfazer as
necessidades do presente sem comprometer a capacidade das
gerações futuras de satisfazer suas necessidades: isso é o conceito de
desenvolvimento sustentável! E o objetivo desse desenvolvimento
sustentável somente é alcançado com o equilíbrio dos três pilares da
sustentabilidade (ambiental, social e econômico).
Mas antes de prosseguirmos, você conhece o conceito de meio
ambiente?
Meio ambiente: contexto físico, biológico e
socioeconômico no qual a empresa se instala e opera,
incluindo o ar, as águas, o solo, os recursos naturais, a
fauna e a flora, a sociedade e suas interações.
As expectativas da sociedade em relação ao desenvolvimento
sustentável vêm exigindo maiores transparência e responsabilidade por
prestar contas pelas empresas e têm evoluído com a legislação cada
vez mais rigorosa, além das crescentes e contínuas pressões antrópicas
sobre o meio ambiente.
Com isso, as organizações têm adotado uma abordagem sistemática na
gestão ambiental, com a implementação de SGA que visa contribuir com
o pilar ambiental da sustentabilidade.
A adoção de qualquer modelo de gestão, tanto pública quanto privada,
requer o uso de instrumentos, que são meios ou ferramentas que
ajudam no alcance dos objetivos de prevenção e correção de impactos
ambientais decorrentes dessas pressões supracitadas.
A auditoria ambiental, a avaliação do ciclo de vida, os estudos de
impactos ambientais, o Sistema de Gestão Ambiental (SGA), a
rotulagem ambiental, o gerenciamento de riscos ambientais e a
educação ambiental são alguns entre muitos instrumentos de que as
organizações podem se valer para alcançar objetivos de melhor
desempenho ambiental e minimização de seus impactos ambientais,
que nunca são zero. Não existe atividade humana de impacto zero!
No esquema abaixo, podemos ver instrumentos de gestão ambiental
organizacional com destaque em vermelho para o foco deste conteúdo:
o SGA.
Exemplos de instrumentos de gestão ambiental.
Alguns exemplos de instrumentos de gestão ambiental representados
acima podem ser ampliados com a inclusão dos instrumentos
convencionais utilizados principalmente pelas empresas privadas para
fins de qualidade e produtividade, tais como listas de verificação,
diagrama de causa e efeito, ciclo PDCA (sigla para Plan-Do-Check-Act),
análise de falhas, manutenção preventiva, gestão eficiente de materiais
etc.
Ciclo PDCA.
Resumindo
O SGA é um dos instrumentos de gestão ambiental organizacional e
pode ser constituído com base numa série de normas (série ISO 14000),
as quais possuem um conjunto de requisitos, ações e procedimentos,
além do atendimento básico e obrigatório a requisitos legais que é
reforçado pelo SGA.
O Sistema de Gestão Ambiental
Um SGA é parte do sistema administrativo geral de uma organização.
Ele inclui estrutura organizacional, atividades de planejamento,
responsabilidades, treinamentos, procedimentos, processos e recursos
para a implementação e manutenção da gestão ambiental.
Também inclui aqueles aspectos de administração que planejam,
desenvolvem, implementam, atingem, revisam, mantêm e melhoram a
política ambiental, os objetivos e as metas da organização. Assim,
entende-se a política ambiental de uma organização como as suas
intenções e a direção relacionadas ao seu desempenho ambiental
formalmente expresso pela sua alta direção. Os objetivos definidos pela
organização, devem ser coerentes com a sua política ambiental.
Ser apropriada à natureza e à escala dos impactos
ambientais de seus produtos, atividades ou serviços.
Prover estrutura para o estabelecimento dos objetivos
ambientais.
Incluir comprometimento com a proteção do meio
ambiente, incluindo a prevenção da poluição e outros
compromissos específicos pertinentes ao contexto da
organização.
Incluir comprometimento com o atendimento de requisitos
legais e outros requisitos.
Política ambiental 
Incluir comprometimento com a melhoria contínua do
desempenho ambiental.
Estabelecer e manter documentados os objetivos e as
metas ambientais em todos os níveis e funções da
organização.
Objetivos e metas devem ser consistentes com a política
ambiental e considerar comprometimento com a
prevenção à poluição.
No estabelecimento ou na revisão, considerar aspectos
ambientais significativos, opções tecnológicas, financeiras,
comerciais e opiniões das partes interessadas.
Dentre as suas características, um SGA ajuda a organização a:
1. Identificar e controlar aspectos, impactos e riscos ambientais
relevantes para a organização.
2. Atingir sua política ambiental, seus objetivos e metas, incluindo o
cumprimento dos requisitos legais.
3. Definir uma série básica de princípios que guiem a abordagem da
organização em relação a responsabilidades ambientais.
4. Estabelecer metas para o desempenho.
5. Determinar que recursos são necessários para atingir tais metas.
�. Definir e documentar tarefas, responsabilidades, autoridades e
procedimentos específicos para assegurar que cada colaborador
esteja ciente e capaz de ajudar a minimizar ou eliminar o impacto
negativo de suas tarefas no meio ambiente.
7. Comunicar e treinar os colaboradores de forma a cumprir seus
compromissos.
�. Medir e monitorar o desempenho em relação a padrões e metas
ambientais e modificar processos, se necessário, para corrigir não
conformidades.
Partindo para o que mais interessa ao mercado e, assim, para as
organizações, chegamos na ISO 14001, a norma que traz os requisitos
com orientações para uso e implementação do SGA.
Objetivos ambientais 
Primeiramente, temos que ter em mente que o sucesso de um SGA
depende do comprometimento de todos os níveis e funções da
organização, começando pela alta direção (presidência, diretoria, por
exemplo).
A alta direção pode efetivamente abordarseus riscos e oportunidades,
integrando a gestão ambiental aos processos dos negócios da
organização, ao direcionamento estratégico e à tomada de decisão,
alinhando-os com outras prioridades de negócios e incorporando a
governança ambiental em seu Sistema de Gestão Global.
A demonstração de uma implementação bem-sucedida da Norma ISO
14001 pode ser utilizada para assegurar às partes interessadas que a
organização possui um SGA eficaz em operação.
As partes interessadas podem ser pessoa ou organização que
pode afetar, ser afetada ou se perceber afetada por uma decisão
ou atividade. Exemplos: clientes, consumidores, comunidade
local, organizações não governamentais, fornecedores, órgãos
regulamentadores, investidores (bancos, acionistas),
companhias seguradoras, funcionários etc.
No entanto, a adoção dessa norma por si só não garante os melhores
resultados. A aplicação da ISO 14001 pode diferir de uma organização
para outra devido ao seu contexto, tamanho, atividade etc. Mas duas
organizações distintas também podem executar atividades semelhantes
e ao mesmo tempo possuírem diferentes requisitos legais e outros
requisitos, comprometimento em suas políticas ambientais, tecnologias
ambientais e metas de desempenho ambiental, ainda que ambas
atendam aos requisitos da ISO 14001.
O nível de detalhe e complexidade do SGA vai variar, dependendo do
contexto da organização, do escopo do seu SGA, de seus requisitos
legais aplicáveis entre outros requisitos, produtos e serviços, incluindo
seus aspectos ambientais e impactos ambientais associados.
Mas quem seriam as partes interessadas? 
Em seu item 0.4, a ISO 14001 apresenta a base para a abordagem que
sustenta um SGA, que é fundamentada no conceito PDCA (Plan-Do-
Check-Act). O ciclo PDCA fornece um processo interativo, utilizado pelas
organizações para alcançar a melhoria contínua. Ele pode ser aplicado a
um sistema de gestão ambiental e a cada um dos seus elementos
individuais, como a seguir:
A imagem a seguir mostra como a estrutura apresentada na ISO 14001
poderia ser integrada ao ciclo PDCA, o qual pode ajudar usuários novos
ou existentes a entender a importância de uma abordagem de sistemas.
Relação entre o ciclo PDCA e a estrutura da ISO 14001.
E quais os benefícios desse tipo de sistema?
Os principais benefícios desse tipo de sistema estão relacionados a
fatores internos e externos da organização. Internamente, tais fatores
serão chamados de melhoria organizacional e se relacionam à melhoria
dos processos da empresa. Externamente, tais fatores estão
Plan (planejar)
Estabelecer os objetivos
ambientais e os processos
necessários para entregar
resultados de acordo com a
política ambiental da
organização.
Do (fazer)
Implementar os processos
conforme planejado.
relacionados à maior competitividade no mercado. Vejamos mais
detalhadamente:
Gestão ambiental sistematizada - padronização da
produção/produtos.
Integração da qualidade ambiental e negócios.
Conscientização dos funcionários.
Relacionamento e parceria com a comunidade e outras
partes interessadas.
Redução de custos com autuações, passivos ambientais.
Eliminação de desperdícios.
Conformidade legal ambiental.
Controle nas falhas.
Minimização de impactos ambientais.
Melhoria na imagem da organização.
Aumento da produtividade (produção com menor custo).
Evolução, estratégias e abordagens
da gestão ambiental nas empresas
Para finalizar este módulo, vamos assistir ao vídeo, no qual a
especialista apresenta aspectos sobre a evolução, estratégias e
abordagens da gestão ambiental nas empresas.
Melhoria organizacional 
Diferencial competitivo 

Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo
que você acabou de estudar.
Módulo 1 - Vem que eu te explico!
Normas que dão suporte ao SGA
Módulo 1 - Vem que eu te explico!
Instrumentos de gestão ambiental
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?

Questão 1
(2010 - CESGRANRIO - Petrobras - Petróleo Brasileiro S.A - Engenheiro de
Segurança Júnior). As tarefas de planejamento, implementação,
operação, verificação, ações corretivas e análise crítica de aspectos e
impactos ambientais das atividades de uma organização identificam a
estrutura organizacional reconhecida como .
A medida mitigadora.
B gestão ambiental.
C gestão de SMS.
D sistema de gestão ambiental.
E sistema de gestão de SMS.
Parabéns! A alternativa D está correta.
Em seu item 0.4, a ISO 14001 apresenta a base para a abordagem que sustenta um Sistema de Gestão
Ambiental (SGA) que é fundamentada no conceito PDCA (Plan-Do-Check-Act). O PDCA envolve o planejamento,
a implementação, a operação, a verificação, as ações corretivas e a análise crítica de aspectos e impactos
ambientais das atividades de uma organização.
Questão 2
Na atualidade, as organizações se veem obrigadas a demonstrar um
ótimo desempenho ambiental, em um contexto de uma legislação cada
vez mais exigente e de preocupação das partes interessadas em relação
aos impactos ambientais e desenvolvimento sustentável. Assim,
A
ao estabelecer e manter procedimentos para
investigar e corrigir não conformidades, a organização
deverá sempre identificar os responsáveis pela falha
para a correta punição.
B
a organização deverá estabelecer metas ambientais
que sejam exequíveis em face da tecnologia de
produção e controle de que já dispõe.
C
a empresa deverá instituir um Sistema de Gestão
Ambiental independente das demais atividades
gerenciais do estabelecimento, sem articulação com
os processos das demais áreas técnicas.
D
a organização deve estabelecer e manter
procedimentos para identificar os aspectos
ambientais de suas atividades, produtos ou serviços
que possam por ela ser controlados e sobre os quais
se presume que ela tenha influência, a fim de
determinar aqueles que tenham ou possam ter
2 - A aplicação prática do Sistema de Gestão Ambiental (SGA)
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer a aplicação do Sistema de Gestão
Ambiental.
A prática de implantação de um SGA
determinar aqueles que tenham ou possam ter
impacto significativo sobre o meio ambiente para
mitigá-los e controlá-los.
E
é producente que as organizações realizem
periodicamente, a cargo da própria equipe de meio
ambiente, análises críticas do desempenho de seu
SGA, considerando os relatórios das auditorias
internas.
Parabéns! A alternativa D está correta.
As expectativas da sociedade em relação ao desenvolvimento sustentável vêm exigindo maior transparência e
responsabilidade em prestar contas pelas empresas e têm evoluído com a legislação cada vez mais rigorosa,
além das crescentes e contínuas pressões/impactos sobre o meio ambiente. Com isso, as organizações têm
adotado uma abordagem sistemática na gestão ambiental, com a implementação de SGA, que visa contribuir
com o pilar ambiental da sustentabilidade.

Antes de focar a implantação de um SGA, cabe uma pergunta:
Você sabe o que é um sistema de gestão?
De acordo com o item 3.1.1 da Norma ISO 14001, sistema de gestão é o
conjunto de elementos inter-relacionados ou interativos de uma
organização, para estabelecer políticas, objetivos e processos para
alcançar esses objetivos. Um sistema de gestão pode abordar uma
única disciplina ou várias disciplinas (por exemplo, gestão da qualidade,
gestão ambiental, gestão da saúde e segurança ocupacional, gestão da
energia, gestão financeira). Por outro lado, os elementos do sistema
incluem a estrutura da organização, os papéis e as responsabilidades, o
planejamento e a operação, a avaliação de desempenho e a melhoria.
Já o SGA é parte do sistema de gestão usado para gerenciar aspectos
ambientais, cumprir requisitos legais e outros requisitos ambientais,
além de abordar riscos e oportunidades com foco no meio ambiente.
Agora vamos começar a prática da implantação de um SGA!
Implantação
Como em todo projeto, um planejamento se faz necessário.No caso de
um sistema de gestão ambiental, algumas etapas devem ser seguidas:
a) Prazo inicial
Antes de iniciar o planejamento, é necessário levantar os recursos
existentes, principalmente quem poderá auxiliar no levantamento inicial
das informações, com base em um prazo pretendido.
b) Levantamento inicial (diagnóstico)
Com base no diagnóstico, será possível o planejamento de ações e seu
posterior monitoramento. Esse levantamento pode ser realizado por
empresa terceirizada: normalmente uma consultoria especializada ou
internamente com recursos próprios, sempre considerando os itens
abaixo:
Questões internas e externas
Trata-se de levantar as questões que sejam pertinentes para o propósito
da organização e que afetem sua capacidade de alcançar os resultados
pretendidos do seu sistema de gestão ambiental.
Exemplos de questões internas e externas que podem ser pertinentes
para o contexto da organização incluem:
Condições ambientais relacionadas a meteorologia, uso do solo,
contaminação pré ou existente, disponibilidade de recursos
naturais e biodiversidade, que podem afetar o propósito da
organização ou ser afetada por seus aspectos ambientais.
As circunstâncias externas, culturais, sociais, políticas, legais,
regulamentares, financeiras, tecnológicas, econômicas, naturais e
competitivas em todos os âmbitos geográficos (dos locais ao
global).
As características ou condições internas da organização, como
atividades, produtos e serviços, direcionamento estratégico,
cultura e capacidades (por exemplo, pessoas).
Necessidades e expectativas de partes interessadas
Determinar as partes interessadas que sejam pertinentes para o SGA,
suas necessidades e expectativas, bem como definir quais se
relacionam aos requisitos legais e outros requisitos aplicáveis ao
negócio.
Além dos requisitos legais, a organização pode decidir de forma
voluntária aceitar ou adotar outros requisitos de partes interessadas
(por exemplo, por convênios e projetos de iniciativas voluntárias). Uma
vez adotados pela organização, eles se tornam requisitos
organizacionais (ou seja, requisitos legais e outros requisitos) e são
levados em consideração no planejamento do SGA.
Ações para abordar riscos e oportunidades
Determinar seus riscos e oportunidades relacionados aos aspectos
ambientais, requisitos legais e outros requisitos, outras questões ou
outras necessidades e expectativas das partes interessadas.
Aspectos ambientais podem criar riscos e oportunidades associados
com impactos ambientais adversos, impactos ambientais benéficos e
outros efeitos na organização. Requisitos legais e outros requisitos
podem criar riscos e oportunidades, como falha no atendimento (que
pode prejudicar a reputação da organização ou resultar em ação
judicial), ou ir além de seus requisitos legais e outros requisitos (que
pode aumentar a reputação da organização).
A organização pode também ter riscos e oportunidades relacionados a
outras questões, incluindo condições ambientais ou necessidades e
expectativas das partes interessadas, as quais podem afetar a
capacidade da organização em alcançar os resultados pretendidos de
seu SGA, por exemplo:
I t bi t l I d õ d id à d
c) Recursos
A partir do levantamento inicial realizado, a organização tem
instrumentos para determinar os recursos necessários à implantação e
ao funcionamento eficaz do SGA e para aumentar o desempenho
ambiental de forma contínua.
Convém que a alta direção assegure que aqueles com
responsabilidades no SGA sejam apoiados com os recursos
necessários (isso inclui não só orçamento financeiro, mas também
pessoas e materiais, por exemplo). Lembrando que os recursos internos
podem sempre ser complementados por recursos externos, como
consultorias, subcontratados etc.
d) Cronograma
Com base nos recursos levantados e nos existentes, a organização deve
estabelecer um cronograma para que seja possível o acompanhamento
das diferentes etapas estabelecidas para a efetiva implementação do
SGA.
Impacto ambiental que gere
poluição devido a falhas de
alfabetização ou idioma entre os
trabalhadores que não estão
aptos a entender os
procedimentos de trabalho local.
Inundações devido à mudança
climática que poderia afetar as
instalações da organização.
Auditoria
A auditoria consiste num processo sistêmico e documentado para obter
evidência e avaliá-la de forma objetiva, para determinar como os
critérios de auditoria são atendidos.
Uma auditoria interna é conduzida pela própria organização ou por uma
parte externa em seu nome. Ela também pode ser uma auditoria
combinada, combinando dois ou mais sistemas/temas.
Ou seja, a auditoria pode servir simplesmente para a verificação do
atendimento dos requisitos da norma e/ou legais e para a melhoria
contínua do desempenho, assim como pode servir para se obter a
certificação da norma.
Atenção!
Ressalta-se que a auditoria de certificação deve ser realizada por parte
externa credenciada como certificadora independente.
Auditoria ambiental
Vamos conhecer um pouco mais sobre a auditoria como instrumento de
SGA? Neste vídeo, a especialista fala sobre a importância em se
conhecer esse processo como instrumento da gestão ambiental e como
norteador do Sistema de Gestão Ambiental (SGA).

Certi�cação ISO 14000
Vamos conhecer a interligação entre o SGA e a certificação ISO. Para
alcançar a certificação ambiental, uma organização deve cumprir três
exigências básicas expressas na Norma ISO 14001:
Ter implantado um SGA.
Cumprir a legislação ambiental aplicável ao local da instalação.
Assumir um compromisso com a melhoria contínua de seu
desempenho ambiental.
Para se obter a certificação, é necessário que a organização interessada
cumpra algumas etapas importantes, conforme listamos abaixo:
Primeira fase
Explicitar os compromissos e princípios gerenciais baseados na
política ambiental da organização. A partir do estabelecimento
dessa política, serão definidos os objetivos, as metas e os
procedimentos que devem ser de conhecimento de toda a
organização. Deverão ser criados procedimentos de controle da
documentação e ter início o treinamento do pessoal, o que pode
ser chamado de fase preparatória.
Segunda fase
Diagnóstico ou pré-auditoria que permitirá identificar os pontos
vulneráveis existentes nos procedimentos ambientais da
organização, possibilitando sua adequação prévia.
Terceira fase
Certificação propriamente dita que deverá ser contratada com
uma entidade credenciada, chamada de terceira parte, para emitir
o certificado de conformidade na Norma ISO 14001.
Nesta última fase, a organização passará por uma auditoria
ambiental em que deverá comprovar sua conformidade com os
padrões de qualidade exigidos pela legislação ambiental, e pelos
manuais e procedimentos instituídos e utilizados pela própria
organização.
Antes de partir para o próximo módulo que vai comparar as três normas
que compõem o Sistema de Gestão Integrada (SGI), vamos elencar de
forma resumida os principais itens da ISO 14001 (2015):
ISO 14001 - Sistemas de Gestão
Ambiental — Requisitos com
orientações para uso
A) Escopo
Especificar os requisitos para um sistema de gestão ambiental,
possibilitando a uma organização desenvolver e implementar uma
política e objetivos que levem em conta os requisitos legais e as
informações sobre os aspectos ambientais significativos.
É destinado tanto para a obtenção de certificação/registro do seu SGA
por parte de uma organização externa como para fins de autoavaliação
e autodeclaração etc.
B) Requisitos gerais
Apropriada com natureza, escala e impactos ambientais de
suas atividades, produtos ou serviços.
Política ambiental (definida pela alta administração) 
Contendo compromisso de melhoria contínua e prevenção
da poluição.
Contendo compromisso de atendimento à legislação
ambiental aplicável e a outros requisitos aceitos pela
organização.
Fornecendo a estrutura de definição e revisão dos objetivos
e metas.
Documentada,implementada, mantida e comunicada a
todos os empregados.
Disponível para o público.
Aspectos ambientais.
Requisitos legais e outros.
Objetivos, metas e programa(s) de gestão ambiental.
Recursos, funções, responsabilidades e autoridades.
Treinamento, conscientização e competência do pessoal.
Comunicação (interna e externa).
Documentação do SGA.
Controle dos documentos.
Controle operacional.
Preparação e atendimento a emergências.
Monitoramento e medição.
Avaliação do atendimento a requisitos legais e outros.
Não conformidades e ações corretivas e preventivas.
Planejamento 
Implementação e operação 
Verificação e ações corretivas 
Controle de registros.
Auditoria interna.
C) Anexos
Anexo A: Orientações para uso da norma.
Anexo B: Correspondência entre a ABNT NBR ISO 14001:2015 e a
ABNT NBR ISO 14001:2004.
Dica
Para conhecer os demais itens e maiores detalhes do processo e
requisitos para certificação, não deixe de ler a norma ABNT ISO 14001
(2015) na íntegra.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo
que você acabou de estudar.
Módulo 2 - Vem que eu te explico!
Implantação
Módulo 2 - Vem que eu te explico!
Certi�cação ISO 14000
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?

Questão 1
(2021 - SELECON - EMGEPRON - Empresa Gerencial de Projetos Navais -
Analista de Projetos Navais - Engenheiro de Segurança do Trabalho). A
modificação no meio ambiente tanto adversa como benéfica, total ou
parcialmente resultante dos aspectos ambientais de uma organização,
segundo a Norma ABNT NBR ISO 14001: 2015 Sistemas de Gestão
Ambiental – Requisitos com orientações para uso, é denominada
A ciclo de vida ambiental.
B impacto ambiental.
C perigo ambiental.
D risco ambiental.
E oportunidades ambientais.
Parabéns! A alternativa B está correta.
Aspectos ambientais podem criar riscos e oportunidades associados com impactos ambientais adversos,
impactos ambientais benéficos e outros efeitos/modificações no meio ambiente e na organização.
Questão 2
(2010 - CESGRANRIO - EPE - Empresa de Pesquisa Energética - Analista
de Pesquisa Energética - Meio Ambiente – adaptada). A Usina
Hidrelétrica de Campos Novos procurou atender, por meio do
treinamento do pessoal, ao(s) seguinte(s) item(ns) dentro do processo
de implantação de um SGA:
A Implementação e operação.
B Planejamento.
C Comprometimento e política ambiental.
D Medição e avaliação.
3 - Sistema de Gestão Integrada (SGI)
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer o Sistema de Gestão Integrada.
Razões para implementar um SGI e
não apenas um SGA
A ISO 14001, norma sobre SGA, não inclui requisitos específicos para
outros sistemas de gestão, como aqueles para gestão da qualidade,
gestão da saúde e segurança ocupacional, gestão da energia ou gestão
financeira. No entanto, ela permite que uma organização use uma
abordagem comum e baseada na mentalidade de risco para integrar seu
SGA com os requisitos de outros sistemas de gestão.
Assim, vamos conhecer um pouco sobre o Sistema de Gestão Integrada
(SGI).
E Análise crítica e melhoria.
Parabéns! A alternativa A está correta.
Treinamento, conscientização e competência do pessoal é parte da implementação e operação do SGA.

O SGI consolida a integração do SGA com outros dois sistemas de
gestão que se relacionam, sendo estes com base nas normas ISO
45001 (Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho -
SGS&ST) e ISO 9001 (Sistema de Gestão da Qualidade - SGQ).
Representação da abrangência do SGI.
Em longo prazo, a adoção de um sistema de gestão integrado melhora
toda a cadeia operacional de um empreendimento. O fluxo de trabalho
de todos os profissionais será mais integrado, o que diminui erros e
facilita as rotinas.
A integração pode ser parcial, entre duas normas combinadas, ou total,
entre as três normas. O atendimento aos requisitos é unificado, porém
os temas e sistemas não perdem suas características individuais ou
requisitos exclusivos.
Já conhecemos, em parte a Norma ISO 14001. Vejamos agora, de forma
resumida, as outras normas que compõem o SGI:
ISO 9001
A Norma ISO 9001 define os critérios para o Sistema de Gestão da
Qualidade (SGQ), enfatizando o atendimento das necessidades do
cliente.
A principal diferença entre a ISO 9001 e a ISO 14001 é
que a primeira atua principalmente na qualidade dos
processos e operações do negócio, enquanto a
segunda atua na garantia da qualidade ambiental.
As duas normas são muito parecidas, com muitos itens em comum,
sendo facilmente implantadas em conjunto.
ISO 45001
A ISO 45001 surgiu somente em 2018 (antes era utilizada a Norma
OHSAS 18001) e foi desenvolvida para auxiliar as organizações nas
práticas de Saúde e Segurança Ocupacional (SSO). Assim, todas as
instituições que já possuíam a certificação OHSAS 18001 precisaram
fazer a migração para a ISO 45001.
O objetivo da organização de normatização ao revisar a OHSAS 18001
era desenvolver uma norma ISO compatível com a nova versão da ISO
9001 e da ISO 14001 (ambas de 2015), em uma estrutura que permitisse
a integração da gestão e dos resultados em saúde e segurança do
trabalho.
Atenção!
Observe que, mesmo sendo diferentes os focos das três normas,
existem entre elas muitos pontos e abordagens comuns.
O Anexo SL
A ISO (International Standards Organization) desenvolveu uma estrutura
comum para as novas versões das Normas ISO 9001, 14001 e 45001.
Essa estrutura de alto nível (HLS – Higher Level Structure) na verdade é
comum a todas as normas de sistemas de gestão, emitida por uma
Diretiva ISO. Tal diretiva contém uma série de anexos, entre os quais
destacamos o Anexo SL – Propostas para normas de sistemas de
gestão.
Qual o objetivo desse documento?
O Anexo SL estabelece que todas as normas de sistemas de gestão
utilizarão uma estrutura consistente, texto central e terminologia
idênticos, conforme o “Apêndice 2 – Estrutura de alto nível, terminologia,
texto central e definições idênticas”.
Com essa estrutura, percebe-se que há menor confusão e maior
consistência, uma vez que os pontos comuns têm a mesma definição e
existem requisitos comuns ao longo das três normas. Assim, as novas
versões da ISO 9001, ISO 14001 (ambas 2015) e ISO 45001 (2018)
apresentam a seguinte estrutura:
Escopo
Referências normativas
Termos e definições
Contexto da organização
Liderança
Planejamento
Suporte
Operação
Avaliação de desempenho
Melhoria
Tal estrutura não pode ser alterada, porém por serem normas
específicas é possível acrescentar subitens.
Saiba mais
As revisões das normas seguem o Anexo SL, que é padronizado pela
ABNT, com a finalidade de facilitar a integração desses sistemas de
gestão e a leitura e interpretação dos requisitos normativos.
Matriz de correspondência entre os
requisitos das Normas ABNT NBR ISO
do SGI
Vamos descrever agora a correspondência consolidada entre as
secções e requisitos das normas que compõem o SGI. Observe que, de
forma resumida, temos como correspondência, na estrutura da ISO
9001:2015, 10 seções e 62 requisitos; na ISO 14001:2015, 10 seções e
39 requisitos; e na ISO 45001:2018, 10 seções e 39 requisitos para a
integração dos requisitos comuns e específicos no SGI.
Seção 4 – Contexto da organização
NBR ISO 9001:2015
NBR ISO
14001:2015
NBR ISO
45001:2018
4.1 Entendendo a
organização e seu
contexto
4.1 Entendendo a
organização e seu
contexto
4.1 Entendendo 
organização e s
contexto
4.2 Entendendo as
necessidades e
expectativas de
partes interessadas
4.2 Entendendo as
necessidades e
expectativas de
partes interessadas
4.2 Entendendo 
necessidades e
expectativas de
partes interessa
4.3 Determinando o
escopo do sistema
de gestão da
qualidade
4.3 Determinando o
escopo do sistema
de gestão
ambiental
4.3 Determinand
escopo do siste
de gestão da
segurança e da
saúde
4.4 Sistema de
gestão da
qualidade e seus
processos
4.4 Sistema de
gestãoambiental
4.4 Sistema de
gestão da
segurança e da
saúde
Quadro comparativo da Seção 4 – Contexto da organização.
Repare no quadro acima que, nos itens 4.3 e 4.4, cada norma terá a sua
especificidade, mas abrangendo os mesmos requisitos.
Seção 5 - Liderança
NBR ISO 9001:2015
NBR ISO
14001:2015
NBR ISO
45001:2018
NBR ISO 9001:2015
NBR ISO
14001:2015
NBR ISO
45001:2018
5.1 Liderança e
comprometimento 
5.1.1
Generalidades 
5.1.2 Foco no
cliente
5.1 Liderança e
comprometimento
5.1 Liderança e
comprometimen
5.2 Política 
5.2.1
Desenvolvendo a
política da
qualidade 
5.2.2 Comunicando
a política da
qualidade
5.2 Política
ambiental
5.2 Política da
segurança e da
saúde
5.3 Papéis,
responsabilidades
e autoridades
organizacionais
5.3 Papéis,
responsabilidades
e autoridades
organizacionais
5.3 Papéis,
responsabilidad
e autoridades
organizacionais
Quadro comparativo da Seção 5 – Liderança.
Repare no quadro acima que, nos itens 5.1 e 5.2, a ISO 9001:2015
discrimina subitens que não estão especificados nas demais normas.
Seção 6 – Planejamento
NBR ISO 9001:2015
NBR ISO
14001:2015
NBR ISO
45001:2018
NBR ISO 9001:2015
NBR ISO
14001:2015
NBR ISO
45001:2018
6.1 Ações para
abordar riscos e
oportunidades
6.1 Ações para
abordar riscos e
oportunidades 
6.1.1
Generalidades 
6.1.2 Aspectos
ambientais 
6.1.3 Requisitos
legais e outros
requisitos 
6.1.4 Planejamento
de ações
6.1 Ações para
abordar riscos e
oportunidades 
6.1.1
Generalidades 
6.1.2 Perigos e
riscos 
6.1.3 Requisitos
legais e outros
requisitos 
6.1.4 Planejame
de ações
6.2 Objetivos da
qualidade e
planejamento para
alcançá-los
6.2 Objetivos
ambientais e
planejamento para
alcançá-los 
6.2.1 Objetivos
ambientais 
6.2.2 Planejamento
de ações para
atingir os objetivos
ambientais
6.2 Objetivos da
segurança e da
saúde e
planejamento pa
alcançá-los 
6.2.1 Objetivos d
segurança e da
saúde 
6.2.2 Planejame
de ações para
atingir os objetiv
da segurança e 
saúde
6.3 Planejamento
de mudanças
6.3 Planejamento
de mudanças
6.3 Planejament
de mudanças
Quadro comparativo da Seção 6 – Planejamento.
Repare no quadro acima que, nos itens 6.1 e 6.2, a ISO 14001:2015 e a
ISO 45001:2018 discriminam subitens que não estão especificados na
ISO 9001:2015, mas cada uma mantém a sua especificidade.
Seção 7 – Apoio
NBR ISO 9001:2015
NBR ISO
14001:2015
NBR ISO
45001:2018
NBR ISO 9001:2015
NBR ISO
14001:2015
NBR ISO
45001:2018
7.1 Recursos 
7.1.1
Generalidades 
7.1.2 Pessoas 
7.1.3 Infraestrutura 
7.1.4 Ambiente
para a operação
dos processos 
7.1.5 Recursos de
monitoramento e
medição 
7.1.6
Conhecimento
organizacional
7.1 Recursos 7.1 Recursos
7.2 Competência 7.2 Competência 7.2 Competênci
7.3
Conscientização
7.3
Conscientização
7.3
Conscientização
7.4 Comunicação
7.4 Comunicação 
7.4.1
Generalidades 
7.4.2 Comunicação
interna 
7.4.3 Comunicação
externa
7.4 Comunicaçã
7.4.1
Generalidades 
7.4.2 Comunica
interna 
7.4.3 Comunica
externa
7.5 Informação
documentada 
7.5.1
Generalidades 
7.5.2 Criando e
atualizando 
7.5.3 Controle de
informação
documentada
7.5 Informação
documentada 
7.5.1
Generalidades 
7.5.2 Criando e
atualizando 
7.5.3 Controle de
informação
documentada
7.5 Informação
documentada 
7.5.1
Generalidades 
7.5.2 Criando e
atualizando 
7.5.3 Controle d
informação
documentada
Quadro comparativo da Seção 7 – Apoio.
Repare que as normas ISO 14001:2015 e ISO 45001:2018 se
assemelham na discriminação dos itens e requisitos.
Seção 8 – Operação
NBR ISO 9001:2015
NBR ISO
14001:2015
NBR ISO
45001:2018
8.1 Planejamento e
controle
operacional
8.1 Planejamento e
controle
operacional
8.1 Planejament
controle
operacional
8.2 Requisitos para
produtos e serviços 
8.2.1 Comunicação
com o cliente 
8.2.2 Determinação
de requisitos
relativos a produtos
e serviços 
8.2.3 Análise crítica
de requisitos
relativos a produtos
e serviços 
8.2.4 Mudanças
nos requisitos para
produtos e serviços
8.2 Preparação e
respostas a
emergências
8.2 Preparação 
respostas a
emergências
NBR ISO 9001:2015
NBR ISO
14001:2015
NBR ISO
45001:2018
8.3 Projeto e
desenvolvimento
de produtos e
serviços 
8.3.1
Generalidades 
8.3.2 Planejamento
de projeto e
desenvolvimento 
8.3.3 Entradas de
projeto e
desenvolvimento 
8.3.4 Controle de
projeto e
desenvolvimento 
8.3.5 Saídas de
projeto e
desenvolvimento 
8.3.6 Mudanças de
projeto e
desenvolvimento
Quadro comparativo 1 da Seção 8 – Operação.
NBR ISO 9001:2015
NBR ISO
14001:2015
NBR ISO
45001:2018
8.4 Controle de
processos,
produtos e serviços
externamente 
8.4.1
Generalidades 
8.4.2 Tipo e
extensão de
controle
NBR ISO 9001:2015
NBR ISO
14001:2015
NBR ISO
45001:2018
8.5 Produção e
provisão de serviço 
8.5.1 Controle de
produção e de
provisão de serviço 
8.5.2 Identificação
e rastreabilidade 
8.5.3 Propriedade
pertencente a
clientes e
provedores
externos 
8.5.4 Preservação 
8.5.5 Atividades
pós-entrega 
8.5.6 Controle de
mudanças
8.6 Liberação de
produtos e serviços
8.7 Controle de
saídas não
conformes
Quadro comparativo 2 da Seção 8 – Operação.
Na Seção 8, a ISO 9001:2015 possui mais itens e requisitos do que as
normas ISO 14001:2015 e ISO 45001:2018, e apenas o item 8.1 é
contemplado igualmente nas 3 normas.
Seção 9 – Avaliação de desempenho
NBR ISO 9001:2015
NBR ISO
14001:2015
NBR ISO
45001:2018
NBR ISO 9001:2015
NBR ISO
14001:2015
NBR ISO
45001:2018
9.1 Monitoramento,
medição, análise e
avaliação 
9.1.1
Generalidades 
9.1.2 Satisfação do
cliente 
9.1.3 Análise e
avaliação
9.1 Monitoramento,
medição, análise e
avaliação 
9.1.1
Generalidades 
9.1.2 Avaliação dos
requisitos legais e
outros requisitos
9.1 Monitorame
medição, anális
avaliação 
9.1.1
Generalidades 
9.1.2 Avaliação 
requisitos legais
outros requisito
9.2 Auditoria
interna
9.2 Auditoria
interna 
9.2.1
Generalidades 
9.2.2 Programa de
auditoria interna
9.2 Auditoria
interna 
9.2.1
Generalidades 
9.2.2 Programa 
auditoria interna
9.3 Análise crítica
pela direção
9.3 Análise crítica
pela direção
9.3 Análise crític
pela direção
No quadro acima, perceba que as normas se assemelham e que a ISO
14001:2015 e a ISO 45001:2018 apresentam os mesmos itens.
Seção 10 – Melhoria
NBR ISO 9001:2015
NBR ISO
14001:2015
NBR ISO
45001:2018
10.1 Generalidades 10.1 Generalidades 10.1 Generalida
10.2 Não
conformidade e
ação corretiva
10.2 Não
conformidade e
ação corretiva
10.2 Não
conformidade e
ação corretiva
10.3 Melhoria
contínua
10.3 Melhoria
contínua
10.3 Melhoria
contínua
Quadro comparativo da Seção 10 – Melhoria.
Repare que para a seção das melhorias, os itens se assemelham nas
três normas.
A integração das normas ISO 9001,
ISO 14001 e ISO 45001 na formação do
SGI
Neste vídeo, a especialista apresenta uma revisão sobre as três normas
que compõem o SGI, sobre o processo de integração dessas normas e
as certificações como forma alternativa para atingir as novas exigências
de mercado, visando à competitividade e à sustentabilidade do negócio.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo
que você acabou de estudar.
Módulo 3 - Vem que eu te explico!
Razões para implementar um SGI e não apenas um SGA
Módulo 3 - Vem que eu te explico!
Avaliação do desempenho
Falta pouco para atingir seus objetivos.


Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
(2016 - Prefeitura Municipal de Teresina - Técnico - Saneamento –
adaptada). As normas ISO 14001 e ISO 45001 tratam, respectivamente
A
de estabelecer os requisitos mínimos relativos a um
sistema de gestão da responsabilidade social,
permitindo à organização formular uma política com
base em compromissos éticos, na cidadania e no
desenvolvimento sustentável, e de melhorar as
condições de trabalho ao redor do mundo,
demonstrando ações deResponsabilidade Social
Corporativa − CRS em relação aos direitos básicos.
B
de requisitos para um sistema de gestão da qualidade
de produtos ou serviços de uma organização de forma
a aumentar a satisfação do cliente, e de definir
requerimentos para estabelecer, implementar,
monitorar e rever, além de manter e provisionar um
sistema de gerenciamento completo de um sistema
de gestão de segurança da informação.
C
de uma ferramenta criada para auxiliar empresas a
identificar, priorizar e gerenciar seus riscos ambientais
como parte de suas práticas usuais, e de fornecer às
organizações elementos de um sistema de gestão da
segurança e saúde no trabalho eficaz, que possa ser
integrado a outros requisitos de gestão.
D
do dimensionamento dos Serviços Especializados em
Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho,
definindo a gradação do risco da atividade principal
do estabelecimento, e de estabelecer parâmetros que
permitam a adaptação das condições de trabalho às
características psicofisiológicas dos trabalhadores, de
modo a proporcionar conforto, segurança e
desempenho eficiente.
E
da obrigatoriedade da elaboração e implementação do
Programa de Prevenção de Riscos Ambientais − PPRA,
visando à preservação da saúde e da integridade dos
trabalhadores, e de normas para adotar medidas de
prevenção de incêndios, em conformidade com a
legislação estadual e as normas técnicas aplicáveis.
Parabéns! A alternativa C está correta.
A ISO 14001 tem o foco nas questões ambientais e foi desenvolvida para auxiliar as organizações nas práticas
de Saúde e Segurança Ocupacional (SSO). A questão da Qualidade é relativa à ISO 9001, a Responsabilidade
Social refere-se a Norma ISO 26000. Então, apenas pela temática da norma é possível identificar a alternativa
correta.
Questão 2
A respeito do Sistema de Gestão Integrada, assinale a afirmativa
correta.
A
A gestão integrada apresenta a sistemática e as
diretrizes do Sistema de Gestão de Qualidade,
Segurança e do Sistema de Gestão Jurídico-
ambiental.
B
Não é eficiente na consecução dos objetivos oriundos
das políticas de gestão visto que há diversos sistemas
individuais se sobrepondo.
C
Com o SGI, o conceito de qualidade se perde, pois o
cliente leva somente em conta as características do
produto.
D
De acordo com o gerenciamento SMS (Saúde, Meio
Ambiente e Segurança), todas as informações sobre
os controles e as condições ambientais e trabalhistas
da unidade não deverão estar disponíveis e abertas ao
público e aos clientes da unidade.
E
No processo de implantação do SGI, os recursos
Considerações �nais
O que acabamos de estudar sobre ISO 14001 nos mostra que a
implantação de um sistema de gestão se refere a um processo pelo qual
as organizações deverão estabelecer políticas e objetivos que cumpram
as leis e regulamentações ambientais e que evitem a poluição.
Mas há de se observar que a Norma ISO 14001 também pode ser
utilizada somente como um mecanismo de vantagem competitiva
comercial, uma vez que as normas não ditam como a organização deva
alcançar suas metas, não descrevem o tipo de desempenho exigido e
nem determinam quais os resultados a serem atingidos nos processos,
focando-se somente nos processos necessários para alcançar os
resultados.
Mesmo assim, é notório e correto afirmar que as organizações que
implementam a ISO 14001 e outras normas da série 14000 terão
maiores condições para atender à legislação de seu país e terão
também uma visão mais apurada de seus impactos ambientais e de
como preveni-los e controlá-los.
Assim, essas empresas e toda a sociedade ganham benefícios, como:
redução de custos no gerenciamento de resíduos e na distribuição;
economia no consumo de água, energia, matérias-primas e insumos;
melhoria na imagem de forma geral; e melhoria contínua como um todo.
Isso significa dizer que a organização deve melhorar o seu desempenho
ambiental a cada ano, mas ela mesma estabelecerá quanto e como
fazer para melhorar.
humanos são tão importantes quanto os financeiros.
Parabéns! A alternativa E está correta.
No processo de implantação do SGI, os recursos humanos são conectados ao financeiro no mesmo propósito
e, assim, passam a ter mesma importância. O objetivo do SGA é implementar padrões, provendo recursos
necessários, sejam eles financeiros, humanos ou tecnológicos, por exemplo. Os recursos financeiros e
humanos também têm grande influência no SGI e estão conectados. Sistema de Gestão Jurídico-ambiental não
existe. Um SGI sempre será mais eficiente que a implementação dos sistemas em separado. Com o SGI, o
conceito de qualidade nunca se perde, e sim se amplia. Todas as informações ambientais e trabalhistas devem
ter transparência.

Também existem demonstrações de como a ISO 14001, ao integrar a
qualidade, a proteção ambiental, a saúde ocupacional e a segurança,
pode contribuir não só para a melhoria ambiental como do desempenho
financeiro das empresas, não devendo perder de vista que a obtenção
do certificado não representa o fim do processo, mas, ao contrário, é o
início de um compromisso contínuo.
Portanto, é fato que uma organização que tenha o seu SGA certificado
pela ISO 14001 terá um melhor controle sobre os seus aspectos
ambientais, como resíduos, efluentes líquidos e emissões atmosféricas,
dando-lhes o destino e tratamento adequados e atendendo à legislação
local. Ressalta-se, entretanto, que a certificação não significa que essa
empresa, organização ou instituição não esteja causando impactos no
meio ambiente.
Podcast
Para encerrar, ouça um resumo em que a especialista apresenta os
principais pontos de cada módulo.
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Referências
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR ISO
14001: Sistema de gestão ambiental - Requisitos com orientações para
uso. Rio de Janeiro, 2015a.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR ISO
14004: Sistemas de gestão ambiental - Diretrizes gerais para a
implementação. Rio de Janeiro, 2016.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR ISO
45001: Sistema de gestão da segurança e saúde ocupacional -
Requisitos com orientações para uso. Rio de Janeiro, 2018.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR ISO
9001: Sistema de gestão da qualidade – Requisitos. Rio de Janeiro,
2015b.
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