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<p>SUMÁRIO</p><p>1 O QUE É MEIO AMBIENTE? ...................................................................... 2</p><p>2 Alguns Paradigmas da Ciência Ambiental ................................................... 3</p><p>3 Participação Social ...................................................................................... 5</p><p>4 A POPULAÇÃO E O CONSUMO EXAGERADO ......................................... 6</p><p>5 O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL .................................................. 9</p><p>6 A Ética e o Consumo................................................................................. 11</p><p>7 O PAPEL DA EDUCAÇÃO NA MUDANÇA DE PARADIGMA DA</p><p>SOCIEDADE ATUAL .................................................................................................. 13</p><p>8 COMO EVITAR O DESPERDÍCIO E SER UM CONSUMIDOR</p><p>CONSCIENTE ............................................................................................................ 14</p><p>8.1 Consumo da água .............................................................................. 14</p><p>8.2 Geração de resíduos sólidos .............................................................. 15</p><p>8.3 Energia .............................................................................................. 18</p><p>9 BIODIVERSIDADE E SEU POTENCIAL ECONÔMICO ............................ 22</p><p>9.1 Biodiversidade e Seu Potencial Econômico para o Desenvolvimento</p><p>Local e Regional ..................................................................................................... 24</p><p>9.2 Situação e Tendências do Papel das Comunidades .......................... 26</p><p>10 SITUAÇÃO E TENDÊNCIAS DE P&D ................................................... 27</p><p>10.1 Situação e Tendências do Papel dos Empreendimentos Industriais e</p><p>Comerciais 29</p><p>10.2 Políticas Públicas para a Conservação e o Aproveitamento</p><p>Sustentável da Biodiversidade ................................................................................ 31</p><p>11 APRESENTAÇÃO DO PROBEM ........................................................... 33</p><p>12 Artigos para reflexão .............................................................................. 35</p><p>BIBLIOGRAFIA ............................................................................................... 47</p><p>1 O QUE É MEIO AMBIENTE?</p><p>Para esta pergunta poderemos obter as mais diferentes e variadas</p><p>respostas, que indicam as representações sociais, o conhecimento científico, as</p><p>experiências vividas histórica e individualmente com o meio natural. Para a</p><p>realização da educação ambiental popular, é importante termos um conceito que</p><p>oriente as diferentes práticas. Assim, definimos meio ambiente como o lugar</p><p>determinado ou percebido onde os elementos naturais e sociais estão em</p><p>relações dinâmicas e em interação. Essas relações implicam processos de</p><p>criação cultural e tecnológica e processos históricos e sociais de transformação</p><p>do meio natural e construído.</p><p>Nesta definição de meio ambiente fica implícito que:</p><p>1 - Ele é "determinado": - quando se trata de delimitar as fronteiras e os</p><p>momentos específicos que permitem um conhecimento mais aprofundado. Ele é</p><p>"percebido" quando cada indivíduo o limita em função de suas representações</p><p>sociais, conhecimento e experiências cotidianas.</p><p>2 - As relações dinâmicas e interativas indicam que o meio ambiente está</p><p>em constante mutação, como resultado da dialética entre o homem e o meio</p><p>natural.</p><p>3 - Isto implica um processo de criação que estabelece e indica os sinais</p><p>de uma cultura que se manifesta na arquitetura, nas expressões artísticas e</p><p>literárias, na tecnologia, etc.</p><p>4 - Em transformando o meio, o homem é transformado por ele. Todo</p><p>processo de transformação implica uma história e reflete as necessidades, a</p><p>distribuição, a exploração e o acesso aos recursos de uma sociedade.</p><p>A definição de meio ambiente acima exige um aprofundamento teórico</p><p>que conta com a contribuição de diferentes ciências que se aglutinam no que se</p><p>convencionou chamar de Ciência Ambiental. Tem se tornado cada vez mais claro</p><p>e consensual que a Ciência Ambiental só se realizará através da perspectiva</p><p>interdisciplinar.</p><p>A problemática ambiental não pode se reduzir só aos aspectos</p><p>geográficos e biológicos, de um lado, ou só aos aspectos econômicos e sociais,</p><p>de outro. Nenhum deles, isolado, possibilitará o aprofundamento do</p><p>conhecimento sobre essa problemática. À Ciência Ambiental cabe o privilégio de</p><p>realizar a síntese entre as ciências naturais e as ciências humanas, lançando</p><p>novos paradigmas de estudo onde não se "naturalizarão" os fatores sociais e</p><p>nem se "socializarão" os fatores naturais. Diferentes áreas de estudo de</p><p>disciplinas diversas podem contribuir para o desenvolvimento da Ciência</p><p>Ambiental dentro da ideia de interdisciplinaridade.</p><p>No entanto, esta ideia enfrenta algumas dificuldades para se concretizar,</p><p>tanto em nível teórico como em nível prático. Se, atualmente, temos cada vez</p><p>mais trabalhos teóricos que se baseiam no conhecimento acumulado nas</p><p>diferentes ciências (incluindo as exatas), podemos ainda notar a dificuldade para</p><p>muitos autores se lançarem nas ciências que não dominam com a mesma</p><p>profundidade atingida nas suas especialidades. Esses autores não ousam trilhar</p><p>por ciências onde não terão o mesmo reconhecimento de seus pares e ainda</p><p>serem alvos fáceis de críticas dos especialistas dessas outras ciências.</p><p>Devemos também considerar o extremo corporativismo ainda presente nos</p><p>meios acadêmicos e científicos, que impede a troca de experiências e</p><p>informações entre cientistas de especialidades diferentes e supostamente</p><p>antagônicas.</p><p>A Ciência Ambiental exige dos atores envolvidos conhecimento</p><p>aprofundado, espírito curioso e modéstia diante do desconhecido. Na sua fase</p><p>atual, que é de busca da síntese e da perspectiva interdisciplinar, é fundamental</p><p>a troca de conhecimentos de origens científicas diversas, possibilitando dar</p><p>algumas respostas às complexas questões que fazem parte do seu quadro</p><p>teórico.</p><p>2 Alguns Paradigmas da Ciência Ambiental</p><p>Observamos que nos últimos anos o conceito de desenvolvimento</p><p>sustentado tem substituído na literatura especializada os conceitos de</p><p>desenvolvimento alternativo e ecodesenvolvimento. Porém, esses conceitos são</p><p>originados da Conferência de Estocolmo de 1972, sendo que o de</p><p>desenvolvimento alternativo lhe é anterior. A partir dessa Conferência, o</p><p>ecodesenvolvimento foi o conceito mais fundido na literatura especializada, até,</p><p>principalmente, a publicação do Report Brundtland em 1987.</p><p>Pearce et al (1989) observam que existem diferentes definições de</p><p>desenvolvimento sustentado que ilustram as diferentes perspectivas</p><p>apresentadas, sobretudo na segunda metade da década de 80, na literatura</p><p>anglo-saxônica. À parte esta questão de conceitualização, o que nos parece</p><p>importante enfatizar é que atualmente as propostas de desenvolvimento</p><p>econômico que não levam em consideração os fatores ambientais estão</p><p>condenadas ao esquecimento.</p><p>As recentes mudanças no cenário político internacional têm mostrado que</p><p>tanto sob o capitalismo como sob o socialismo a questão ambiental tem um peso</p><p>político muito grande que interessa tanto a uns quanto a outros. Motivo pelo qual</p><p>a ideia de desenvolvimento sustentado tem estado presente nos debates e</p><p>acordos internacionais. Porém, ela não se apresenta de forma homogênea,</p><p>como já foi assinalado por Pearce et al (1989).</p><p>Nas sociedades capitalistas periféricas, a ideia de desenvolvimento</p><p>sustentado não pode se restringir à preservação de recursos naturais, visando o</p><p>abastecimento de matérias primas às gerações futuras, como tem sido</p><p>enfatizado nos países de capitalismo avançado. Elementos básicos das</p><p>necessidades humanas e intimamente dependentes da problemática ambiental,</p><p>como transportes, saúde, moradia, alimentação e educação, estão longe de</p><p>terem sido resolvidos.</p><p>Nos pontos comuns</p><p>instalação das indústrias poluidoras que tanto incomodavam a população dos</p><p>países do Norte. Deixava clara a ideia de que o Brasil preferia promover o</p><p>crescimento econômico a qualquer custo a se dedicar a políticas ambientais.</p><p>Na verdade, o grande avanço de Estocolmo foi o de sensibilizar a</p><p>sociedade mundial para os graves problemas ambientais que podiam e ainda</p><p>podem colocar em risco a sobrevivência da humanidade. A criação do PNUMA -</p><p>Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente - foi um de seus resultados</p><p>concretos. O PNUMA passou a ser a agência da ONU responsável pela</p><p>promoção de ações internacionais e nacionais relacionadas à proteção do meio</p><p>ambiente.</p><p>Visões de meio ambiente</p><p>Pelo menos três concepções sobre a relação da sociedade humana com</p><p>o meio ambiente, foram bem estabelecidas nessa primeira grande discussão</p><p>internacional. Para começar, podemos citar o desenvolvimentismo, que defende</p><p>o crescimento econômico a qualquer custo e não considera os danos ambientais</p><p>nem a possibilidade de esgotamento dos recursos naturais. Essa concepção</p><p>confunde crescimento econômico com desenvolvimento e estimula o consumo</p><p>crescente de energia e de recursos naturais.</p><p>Em um lado totalmente oposto, encontra-se o preservacionismo,</p><p>amparado na ideia de que -no atual estágio do desenvolvimento da produção -</p><p>é necessária uma postura radical de preservação ambiental. Essa corrente teve</p><p>origem nos Estados Unidos, na verdade, ainda no século 19. Ela foi responsável</p><p>pela criação de importantes parques nacionais destinados à salvação da</p><p>natureza original, como são os casos do Parque Nacional de Yellowstone (1872),</p><p>do Sequoia Park (1890) e muitos outros. Em outras palavras, o preservacionismo</p><p>defende a proteção integral de determinado ecossistema com o objetivo de</p><p>garantir a sua intocabilidade.</p><p>Já o conservacionismo é um meio termo entre as duas correntes</p><p>anteriores. Admite a exploração dos recursos naturais, de forma racional e</p><p>eficiente. Conservar significa, portanto, utilizar a natureza, mas garantindo a sua</p><p>sustentabilidade. Não significa guardar os recursos naturais e sim consumir</p><p>adequadamente: atender às necessidades do presente, levando em</p><p>consideração a necessidade do uso desses recursos no futuro. A visão</p><p>conservacionista tem caracterizado a maioria dos movimentos ambientalistas e</p><p>tornou-se consenso entre a maioria dos países, sendo o princípio que norteia a</p><p>política de desenvolvimento sustentável.</p><p>Recursos renováveis e não-renováveis</p><p>Tanto preservacionistas quanto conservacionistas consideram que a</p><p>questão ambiental não está restrita aos tipos de recursos utilizados - renováveis</p><p>ou não-renováveis - e sim aos recursos naturais em geral. Recursos renováveis</p><p>são aqueles que, uma vez utilizados, podem ser recuperados, como a</p><p>vegetação, a água, o ar e o solo. Os recursos não-renováveis são aqueles que</p><p>se esgotam, ou seja, que não podem ser repostos, como os minérios: o petróleo,</p><p>o carvão, o ferro, o manganês, o alumínio e outros.</p><p>De fato, essa classificação encontra limitações, pois a exploração intensa</p><p>de uma floresta, a utilização de extensas áreas para produção agropecuária ou</p><p>a poluição de um rio pode levar à destruição irreversível de um ecossistema. É</p><p>também o caso do ar, cuja qualidade tem sido comprometida com a emissão de</p><p>gases que alteram a sua composição natural e tem provocado alterações</p><p>climáticas em todo o planeta. Portanto, apesar de serem classificados como</p><p>renováveis, alguns recursos não podem ser utilizados de forma inadequada sem</p><p>uma atitude que vise a sua conservação em longo prazo.</p><p>DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL</p><p>Em 1973, um ano após a Conferência de Estocolmo foi elaborado o</p><p>conceito de ecodesenvolvimento, mencionado pela primeira vez por Maurice</p><p>Strong, Secretário Geral da Estocolmo/72. O ecodesenvolvimento - cujos</p><p>princípios básicos foram formulados posteriormente por Ignacy Sachs - valoriza</p><p>as possibilidades de um desenvolvimento capaz de criar um bem-estar social, a</p><p>partir das particularidades e anseios das populações locais. É contra a</p><p>padronização do modelo de desenvolvimento dos países ricos ocidentais,</p><p>baseado na sociedade de consumo. Propõe também a necessidade de um</p><p>modelo de desenvolvimento apoiado na preservação dos recursos naturais.</p><p>Em 1983 a ONU criou a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e</p><p>Desenvolvimento, presidida pela primeira-ministra norueguesa, Gro Harlem</p><p>Brundtland. Essa comissão realizou uma ampla avaliação dos problemas</p><p>ambientais relacionadas ao desenvolvimento econômico. Seu trabalho resultou</p><p>na publicação de um extenso relatório intitulado "Nosso Futuro Comum",</p><p>publicado em 1987 (Relatório Brundtland). Nele, ficou consolidado o conceito</p><p>de desenvolvimento sustentável, apoiado em políticas conservacionistas</p><p>capazes de promover o desenvolvimento, sem a dilapidação dos recursos do</p><p>planeta. Enfim, um modelo de desenvolvimento que garanta a qualidade de vida</p><p>hoje, mas que não destrua os recursos necessários às gerações futuras.</p><p>Algumas de suas recomendações propunham a redução do uso de</p><p>matérias-primas e energia, uso de fontes de energia renováveis, limitação do</p><p>crescimento populacional, combate à fome, preservação dos ecossistemas,</p><p>industrialização ecologicamente equilibrada, satisfação de necessidades</p><p>básicas para toda a humanidade, modificação dos valores e padrões da</p><p>sociedade de consumo e a responsabilidade do Estado na implementação de</p><p>políticas baseadas na justiça e equidade social. A sua viabilização depende da</p><p>inclusão de políticas ambientais no processo de tomada de decisões</p><p>econômicas.</p><p>O conceito de desenvolvimento sustentável, apoiado numa visão ética</p><p>indiscutível, comprometida em preservar a natureza para as gerações futuras,</p><p>tornou-se consensual em quase todo o mundo. No entanto, a sua viabilidade</p><p>prática ainda precisa ser avaliada, pois é difícil definir até que ponto a exploração</p><p>econômica é compatível com a manutenção de um ambiente saudável.</p><p>Na tentativa de chegar ao DS, sabemos que a Educação Ambiental é</p><p>parte vital e indispensável, pois é a maneira mais direta e funcional de se atingir</p><p>pelo menos uma de suas metas: a participação da população.</p><p>A preocupação da comunidade internacional com os limites do</p><p>desenvolvimento do planeta data da década de 60, quando começaram as</p><p>discussões sobre os riscos da degradação do meio ambiente. Tais discussões</p><p>ganharam tanta intensidade que levaram a ONU a promover uma Conferência</p><p>sobre o Meio Ambiente em Estocolmo (1972).</p><p>No mesmo ano, Dennis Meadows e os pesquisadores do "Clube de</p><p>Roma" publicaram o estudo Limites do Crescimento. O estudo concluía que,</p><p>mantidos os níveis de industrialização, poluição, produção de alimentos e</p><p>exploração dos recursos naturais, o limite de desenvolvimento do planeta seria</p><p>atingido, no máximo, em 100 anos, provocando uma repentina diminuição da</p><p>população mundial e da capacidade industrial.</p><p>O estudo recorria ao neo-malthusianismo como solução para a iminente</p><p>"catástrofe". As reações vieram de intelectuais do Primeiro Mundo (para quem a</p><p>tese de Meadows representaria o fim do crescimento da sociedade industrial) e</p><p>dos países subdesenvolvidos (já que os países desenvolvidos queriam "fechar a</p><p>porta" do desenvolvimento aos países pobres, com uma justificativa ecológica).</p><p>Em 1973, o canadense Maurice Strong lançou o conceito de</p><p>ecodesenvolvimento, cujos princípios foram formulados por Ignacy Sachs. Os</p><p>caminhos do desenvolvimento seriam seis: satisfação das necessidades</p><p>básicas; solidariedade com as gerações futuras; participação da população</p><p>envolvida; preservação dos recursos naturais e do meio ambiente; elaboração</p><p>de um sistema social que garanta emprego, segurança social e respeito a outras</p><p>culturas; programas de educação. Esta teoria referia-se principalmente às</p><p>regiões subdesenvolvidas, envolvendo uma crítica à sociedade</p><p>industrial. Foram</p><p>os debates em torno do ecodesenvolvimento que abriram espaço ao conceito de</p><p>desenvolvimento sustentável.</p><p>Outra contribuição à discussão veio com a Declaração de Cocoyok, das</p><p>Nações Unidas. A declaração afirmava que a causa da explosão demográfica</p><p>era a pobreza, que também gerava a destruição desenfreada dos recursos</p><p>naturais. Os países industrializados contribuíam para esse quadro com altos</p><p>índices de consumo. Para a ONU, não há apenas um limite mínimo de recursos</p><p>para proporcionar bem-estar ao indivíduo; há também um máximo.</p><p>A ONU voltou a participar na elaboração de um outro relatório, o Dag-</p><p>Hammarskjöld, preparado pela fundação de mesmo nome, em 1975, com</p><p>colaboração de políticos e pesquisadores de 48 países. O Relatório Dag-</p><p>Hammarskjöld completa o de Cocoyok, afirmando que as potências coloniais</p><p>concentraram as melhores terras das colônias nas mãos de uma minoria,</p><p>forçando a população pobre a usar outros solos, promovendo a devastação</p><p>ambiental. Os dois relatórios têm em comum a exigência de mudanças nas</p><p>estruturas de propriedade do campo e a rejeição pelos governos dos países</p><p>industrializados.</p><p>No ano de 1987, a Comissão Mundial da ONU sobre o Meio Ambiente e</p><p>Desenvolvimento (UNCED), presidida por Gro Harlem Brundtland e Mansour</p><p>Khalid, apresentou um documento chamado Our Common Future, mais</p><p>conhecido por relatório Brundtland. O relatório diz que "Desenvolvimento</p><p>sustentável é desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem</p><p>comprometer a capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias</p><p>necessidades". O relatório não apresenta as críticas à sociedade industrial que</p><p>caracterizaram os documentos anteriores; demanda crescimento tanto em</p><p>países industrializados como em subdesenvolvidos, inclusive ligando a</p><p>superação da pobreza nestes últimos ao crescimento contínuo dos primeiros.</p><p>Assim, foi bem aceito pela comunidade internacional.</p><p>A Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e</p><p>Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro, em 1992, mostrou um</p><p>crescimento do interesse mundial pelo futuro do planeta; muitos países deixaram</p><p>de ignorar as relações entre desenvolvimento socioeconômico e modificações</p><p>no meio ambiente. Entretanto, as discussões foram ofuscadas pela delegação</p><p>dos Estados Unidos, que forçou a retirada dos cronogramas para a eliminação</p><p>da emissão de CO2 (que constavam do acordo sobre o clima) e não assinou a</p><p>convenção sobre a biodiversidade.</p><p>O termo desenvolvimento sustentável define as práticas de</p><p>desenvolvimento que atendem às necessidades presentes sem comprometer as</p><p>condições de sustentabilidade das gerações futuras. Seus princípios</p><p>consideram:</p><p>Os princípios do desenvolvimento sustentável são baseados nas</p><p>necessidades, sobretudo as necessidades essenciais e, prioritariamente,</p><p>aquelas das populações mais pobres; e limitações que a tecnologia e a</p><p>organização social impõem ao meio ambiente, restringindo a capacidade de</p><p>atender às necessidades presentes e futuras.</p><p>Em sentido amplo, a estratégia de desenvolvimento sustentável visa a</p><p>promover a harmonia entre os seres humanos e entre esses e a natureza. Para</p><p>tanto, são necessários:</p><p> Sistema político com efetiva participação dos cidadãos no processo de</p><p>decisão;</p><p> Sistema econômico competente para gerar excedentes e</p><p>conhecimentos técnicos em bases confiável e constante;</p><p> Sistema social capaz de resolver as diferenças causadas por um</p><p>desenvolvimento desigual;</p><p> Sistema de produção que preserve a base ecológica do</p><p>desenvolvimento;</p><p> Sistema tecnológico que busque novas soluções;</p><p> Sistema internacional com padrões sustentáveis de comércio e</p><p>financiamento;</p><p> Sistema administrativo flexível e capaz de autocorrigir-se.</p><p>O desenvolvimento sustentável não trata somente da redução do impacto</p><p>da atividade econômica no meio ambiente, mas principalmente das</p><p>consequências dessa relação na qualidade de vida e no bem-estar da sociedade,</p><p>tanto presente quanto futuro.</p><p> Segundo o Relatório da Comissão Brundtland, elaborado em 1987,</p><p>uma série de medidas devem ser tomadas pelos países para promover</p><p>o desenvolvimento sustentável. Entre elas:</p><p> Limitação do crescimento populacional;</p><p> Garantia de recursos básicos (água, alimentos, energia) a longo prazo;</p><p> Preservação da biodiversidade e dos ecossistemas;</p><p> Diminuição do consumo de energia e desenvolvimento de tecnologias</p><p>com uso de fontes energéticas renováveis;</p><p> Aumento da produção industrial nos países não-industrializados com</p><p>base em tecnologias ecologicamente adaptadas;</p><p> Controle da urbanização desordenada e integração entre campo e</p><p>cidades menores;</p><p> Atendimento das necessidades básicas (saúde, escola, moradia).</p><p>Em âmbito internacional, as metas propostas são:</p><p> Adoção da estratégia de desenvolvimento sustentável pelas</p><p>organizações de desenvolvimento (órgãos e instituições internacionais</p><p>de financiamento);</p><p> Proteção dos ecossistemas supranacionais como a Antártica, oceanos,</p><p>etc., pela comunidade internacional;</p><p> Banimento das guerras;</p><p> Implantação de um programa de desenvolvimento sustentável pela</p><p>Organização das Nações Unidas (ONU).</p><p>O conceito de desenvolvimento sustentável deve ser assimilado pelas</p><p>lideranças de uma empresa como uma nova forma de produzir sem degradar o</p><p>meio ambiente, estendendo essa cultura a todos os níveis da organização, para</p><p>que seja formalizado um processo de identificação do impacto da produção da</p><p>empresa no meio ambiente e resulte na execução de um projeto que alie</p><p>produção e preservação ambiental, com uso de tecnologia adaptada a esse</p><p>preceito. Entre as empresas que aplicaram um projeto de desenvolvimento</p><p>sustentável são citadas 3M, McDonalds, Dow, DuPont, Pepsi, Coca-Cola e</p><p>Anheuser-Busch.</p><p>Algumas outras medidas para a implantação de um programa</p><p>minimamente adequado de desenvolvimento sustentável são:</p><p> Uso de novos materiais na construção;</p><p> Reestruturação da distribuição de zonas residenciais e industriais;</p><p> Aproveitamento e consumo de fontes alternativas de energia, como a</p><p>solar, a eólica e a geotérmica;</p><p> Reciclagem de materiais reaproveitáveis;</p><p> Consumo racional de água e de alimentos;</p><p> Redução do uso de produtos químicos prejudiciais à saúde na</p><p>produção de alimentos.</p><p>O atual modelo de crescimento econômico gerou enormes desequilíbrios;</p><p>se, por um lado, nunca houve tanta riqueza e fartura no mundo, por outro lado,</p><p>a miséria, a degradação ambiental e a poluição aumentam dia-a-dia. Diante</p><p>desta constatação, surge a ideia do Desenvolvimento Sustentável (DS),</p><p>buscando conciliar o desenvolvimento econômico com a preservação ambiental</p><p>e, ainda, ao fim da pobreza no mundo.</p><p>As pessoas que trabalharam na Agenda 21 escreveram a seguinte frase:</p><p>"A humanidade de hoje tem a habilidade de desenvolver-se de uma forma</p><p>sustentável, entretanto é preciso garantir as necessidades do presente sem</p><p>comprometer as habilidades das futuras gerações em encontrar suas próprias</p><p>necessidades". Essa frase toda pode ser resumida em poucas e simples</p><p>palavras: desenvolver em harmonia com as limitações ecológicas do planeta, ou</p><p>seja, sem destruir o ambiente, para que as gerações futuras tenham a chance</p><p>de existir e viver bem, de acordo com as suas necessidades (melhoria da</p><p>qualidade de vida e das condições de sobrevivência). Será que é possível</p><p>conciliar tanto progresso e tecnologia com um ambiente saudável?</p><p>Acredita-se que isso tudo seja possível, e é exatamente o que propõem</p><p>os estudiosos em Desenvolvimento Sustentável (DS), que pode ser definido</p><p>como: "equilíbrio entre tecnologia e ambiente, relevando-se os diversos grupos</p><p>sociais de uma nação e também dos diferentes países na busca da equidade e</p><p>justiça social".</p><p>Para alcançarmos o DS, a proteção do ambiente tem que ser entendida</p><p>como parte integrante do processo de desenvolvimento e não pode</p><p>ser</p><p>considerada isoladamente; é aqui que entra uma questão sobre a qual talvez</p><p>você nunca tenha pensado: qual a diferença entre crescimento e</p><p>desenvolvimento? A diferença é que o crescimento não conduz</p><p>automaticamente à igualdade nem à justiça sociais, pois não leva em</p><p>consideração nenhum outro aspecto da qualidade de vida a não ser o acúmulo</p><p>de riquezas, que se faz nas mãos apenas de alguns indivíduos da população. O</p><p>desenvolvimento, por sua vez, preocupa-se com a geração de riquezas sim, mas</p><p>tem o objetivo de distribuí-las, de melhorar a qualidade de vida de toda a</p><p>população, levando em consideração, portanto, a qualidade ambiental do</p><p>planeta.</p><p>O DS tem seis aspectos prioritários que devem ser entendidos como</p><p>metas:</p><p> A satisfação das necessidades básicas da população (educação,</p><p>alimentação, saúde, lazer, etc);</p><p> A solidariedade para com as gerações futuras (preservar o ambiente</p><p>de modo que elas tenham chance de viver);</p><p> A participação da população envolvida (todos devem se conscientizar</p><p>da necessidade de conservar o ambiente e fazer cada um a parte que</p><p>lhe cabe para tal);</p><p> A preservação dos recursos naturais (água, oxigênio, etc);</p><p> A elaboração de um sistema social garantindo emprego, segurança</p><p>social e respeito a outras culturas (erradicação da miséria, do</p><p>preconceito e do massacre de populações oprimidas, como por</p><p>exemplo os índios);</p><p> A efetivação dos programas educativos.</p><p>Na tentativa de chegar ao DS, sabemos que a Educação Ambiental é</p><p>parte vital e indispensável, pois é a maneira mais direta e funcional de se atingir</p><p>pelo menos uma de suas metas: a participação da população.</p><p>BIBLIOGRAFIA</p><p>ASSOCIAÇÃO CIVIL ALTERNATIVA TERRA AZUL. O que é consumo</p><p>sustentável? Fortaleza: TERRA AZUL, 2005.</p><p>BRANCO, Samuel Murgel. O meio ambiente em debate. 26 ed. São Paulo:</p><p>Editora Moderna. Coleção Polêmica, São Paulo,1997.</p><p>BURGOS,Pedro. Tecnologia, a pílula que salva. Superinteressante, São Paulo,</p><p>p.48-56, dez/2007.</p><p>CARARO, Aryane. Eco sim, chato não. Superinteressante, São Paulo, p.59-63,</p><p>dez/2007.</p><p>GOMES, Daniela Vasconcellos. Educação para o consumo ético e sustentável.</p><p>Rev. Eletrônica. Mest. Educ. Ambient., Porto Alegre, v.16, p.18-31, jan/jun 2006.</p><p>INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, NORMALIZAÇÃO E QUALIDADE</p><p>INDUSTRIAL e INSTITUTO BRASILEIRO DE DEFESA DO CONSUMIDOR –</p><p>IDEC. Meio ambiente e consumo. Brasília: INMETRO/IDEC, 2002. (Coleção</p><p>educação para o consumo sustentável).</p><p>INSTITUTO NACIONAL DE METROLOGIA, NORMALIZAÇÃO E QUALIDADE</p><p>INDUSTRIAL e INSTITUTO BRASILEIRO DE DEFESA DO CONSUMIDOR –</p><p>IDEC. Direitos do Consumidor/Ética no Consumo. Brasília: INMETRO/IDEC,</p><p>2002. (Coleção educação para o consumo sustentável).</p><p>SAUVÈ, Lucie. L'éducation relative à l'environnement. Educ. Pesqui., São Paulo,</p><p>n.2, v.31, p. 317-322, may/aug 2005.</p><p>SCHIBUOLA, Tatiana; RAQUEL, N. 20 Maneiras de ajudar o planeta. Veja</p><p>Especial Mulher, São Paulo, p.56-70, jun/2007.</p><p>e divergentes entre sociedades capitalistas</p><p>desenvolvidas e periféricas, podemos considerar que, para a realização do</p><p>desenvolvimento sustentado em nível global, é de fundamental importância o</p><p>estabelecimento de uma nova ordem econômica e ecológica, onde países dos</p><p>hemisférios Norte e Sul possam dialogar em igualdade de condições. Porém,</p><p>esse diálogo (se ocorrer) não será sem dificuldades, pois a falta de</p><p>homogeneidade dos países do Terceiro Mundo e a passividade frente ao poderio</p><p>econômico (e militar) dos países do Norte são duas dificuldades evidentes.</p><p>Em face disso, qualquer que seja o conceito de desenvolvimento,</p><p>dificilmente podemos garantir, pacificamente, às gerações futuras de qualquer</p><p>parte do globo, o patrimônio natural e cultural comum da humanidade.</p><p>3 Participação Social</p><p>Os movimentos ecológicos surgidos nas sociedades capitalistas</p><p>desenvolvidas nos anos 70 se caracterizam inicialmente por uma crítica ao</p><p>modelo de sociedade industrial. A esse início "contracultura", foram se</p><p>aglutinando tanto os movimentos preservacionistas de espécies animais e</p><p>vegetais, como movimentos pacifistas e anti-nucleares.</p><p>O surgimento e a evolução desses movimentos devem ser vistos dentro</p><p>do contexto da participação civil em sociedades democráticas. A organização de</p><p>grupos e a posterior constituição de "partidos verdes" só se tornaram possíveis</p><p>graças à crescente mobilização da população frente a decisões do Estado. Nos</p><p>países onde a democracia é incipiente, a organização da população se faz com</p><p>resultados menos satisfatórios, mas não menos combativos. É importante</p><p>assinalar que a visão de Estado e da participação da sociedade civil nas</p><p>diferentes ideologias políticas, que se posicionam nos países da América Latina,</p><p>influi na prática de organizações civis frente à questão ambiental. Se o que</p><p>aparece com mais frequência é a ideia de autonomia frente ao Estado, no</p><p>entanto ela apresenta conotações ideológicas muito diferentes. Num primeiro</p><p>momento, tivemos a influência das ideias autonomistas surgidas nos anos 60,</p><p>onde se caracteriza a perspectiva crítica ao Estado centralizador e autoritário, às</p><p>suas opções de desenvolvimento e de saque ao meio ambiente com as suas</p><p>consequências sociais.</p><p>No entanto, esta posição mais crítica foi perdendo terreno nos últimos</p><p>anos a favor de tendências que, embora contrárias à interferência do Estado, se</p><p>posicionam e atuam no terreno das ideias neo-liberalizantes. A participação da</p><p>população nas questões ambientais tem basicamente se destacado nos grandes</p><p>centros urbanos, mas também fora deles, aglutinando diferentes camadas</p><p>sociais em torno de questões específicas.</p><p>Inúmeras entidades ecológicas e/ou ambientalistas surgiram no</p><p>continente nos últimos anos, porém com penetração mais localizada, e muitas</p><p>delas atreladas a interesses econômicos e políticos nem sempre muito claros.</p><p>Podemos considerar que essa quantidade de novas organizações ocorre</p><p>devido ao processo de democratização. A atuação de cada um desses</p><p>movimentos e a sua continuidade ficará por conta daqueles que: apresentarem</p><p>respostas aos graves problemas ambientais puderem discuti-las</p><p>democraticamente e tiverem meios econômicos e técnicos para viabilizá-las.</p><p>Várias propostas de participação têm sido colocadas à sociedade, porém</p><p>só a autonomia dos movimentos sociais frente ao Estado, aos partidos políticos,</p><p>meios de comunicação de massa, monopólios econômicos e seitas religiosas</p><p>poderá garantir o seu potencial crítico ao modelo de desenvolvimento,</p><p>favorecendo a consolidação da democracia no continente. Isso não ocorrerá, no</p><p>entanto, sem o desenvolvimento da consciência de cidadania, possível através</p><p>da educação popular ambiental.</p><p>4 A POPULAÇÃO E O CONSUMO EXAGERADO</p><p>Fonte: www.mamaeeukero.com.br</p><p>Pode-se afirmar que o rápido crescimento populacional em todo o mundo</p><p>causa uma necessidade muito grande de bens de consumo. A cada momento,</p><p>surgem novos modelos, novas tecnologias, novos produtos, sempre</p><p>aumentando o consumismo.</p><p>O consumo excessivo, por sua vez, gera desperdício. Existe uma</p><p>diferença entre o consumo por necessidade e aquele de significado simbólico. O</p><p>consumo de significado simbólico é aquele pelo qual o cidadão tende a desejar</p><p>sempre um novo modelo de aparelho ou produto sem ter em vista a sua real</p><p>finalidade. Cita-se como exemplo, um telefone celular que tem como fim, efetuar</p><p>e receber ligações. No entanto, existem diversos modelos, cada vez mais</p><p>modernos, mais avançados e que desempenham não só a sua função principal,</p><p>mas também inúmeras outras. Juntamente com a mídia e a publicidade, as</p><p>empresas “criam necessidade” destes bens, induzindo o cidadão ao consumo,</p><p>muitas vezes, desnecessário. De acordo com Branco (2002): O consumismo é</p><p>um processo eticamente condenável, pois faz com que as pessoas comprem</p><p>mais do que realmente necessitam. Por meio de complexos sistemas de</p><p>propaganda, que envolvem sutilezas psicológicas e recursos espetaculares,</p><p>industriais e produtores induzem a população a adquirir sempre os novos</p><p>modelos de carros, geladeiras, relógios, calculadoras e outras utilidades,</p><p>lançando fora o que já possuem.</p><p>Organizações internacionais não governamentais calcularam que a</p><p>extrapolação das taxas de consumo em países desenvolvidos alcançaram</p><p>índices, que serão necessários três planetas Terra para satisfazer o</p><p>consumismo. O consumismo exagerado, somado ao aumento populacional no</p><p>globo terrestre, faz com que existam cada vez maiores indústrias. Estas, por sua</p><p>vez, consomem grande quantidade de energia elétrica e matérias prima, gerando</p><p>grandes quantidades de lixo, causando enormes impactos ambientais. Além</p><p>disto, ocorre um esgotamento de recursos não-renováveis, aqueles que uma vez</p><p>consumidos não podem ser repostos, como o petróleo e os minérios.</p><p>O crescimento populacional leva a um grande crescimento industrial e</p><p>consequentemente a um crescimento das cidades, acarretando poluição. É</p><p>inegável que a sociedade contemporânea vê o processo de industrialização</p><p>como um processo positivo, uma vez que gera desenvolvimento econômico e</p><p>social, e neste contexto pode ser realmente vista como tal. A grande</p><p>problemática diz respeito aos recursos naturais que são utilizados como se</p><p>fossem infinitos e a falta de preocupação com os impactos ambientais que são</p><p>gerados. Uma ótima solução para este problema pode ser encontrada na</p><p>educação, que diante desta concepção pode mudar o atual paradigma da</p><p>sociedade atual com o conceito de desenvolvimento sustentável, que será</p><p>descrito posteriormente.</p><p>Existe uma informação popular de que as cidades são ecossistemas</p><p>urbanos. Entretanto, para ser um ecossistema é necessário que ele seja</p><p>autossuficiente. Isto quer dizer que deve possuir uma fonte primária – ou</p><p>produtores - representada pelas plantas que tem a função de produzir energia.</p><p>Deve possuir também uma fonte secundária, representada pelos animais - os</p><p>consumidores - que consomem a energia produzida pelas plantas, gerando</p><p>excrementos. Por fim, estes excrementos são decompostos por bactérias e</p><p>outros microrganismos - os decompositores - que geram componentes</p><p>essenciais para a vida das plantas.</p><p>Conforme texto escrito por Branco (2002), a cidade corresponde</p><p>simplesmente à etapa consumidora do sistema. Ela não canaliza o fluxo de</p><p>energia, pois recebe elementos químicos, organizados de forma orgânica, de</p><p>fora. Da lavoura vem os vegetais, e da pecuária, a carne, o leite e outros produtos</p><p>para o consumo alimentício, das florestas, a madeira; das áreas de mineração</p><p>toda a fonte de matérias primas. Sobretudo, não há reciclagem, não há retorno</p><p>desses componentes químicos, uma vez que os resíduos da cidade são</p><p>soterrados em aterros sanitários de lixo ou simplesmente lançados ao solo, aos</p><p>rios na forma de esgoto, e na atmosfera, na forma de gases, fumaças e poeiras.</p><p>Pode-se constatar, diante desta problemática, que o consumo exagerado</p><p>causa poluição dos rios, do solo e do ar. Afirmar que um ecossistema está</p><p>poluído é o mesmo que dizer que ele está alterado em sua composição e</p><p>estrutura por materiais que o ambiente não é capaz de assimilar. Diante de tal</p><p>situação, o grande desafio é que todo cidadão passe a pensar seriamente na</p><p>necessidade de reciclar, adotar um novo estilo de vida e de padrões de consumo.</p><p>Esta missão é um dever de todos: do cidadão, do governo e das empresas.</p><p>Surge então, o conceito de desenvolvimento sustentável que apareceu pela</p><p>primeira vez durante a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e</p><p>Desenvolvimento em 1992 no Rio de Janeiro.</p><p>5 O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL</p><p>Fonte: revistadominus.com.br</p><p>Uma das questões mais abordadas relacionadas ao meio-ambiente é a</p><p>do desenvolvimento sustentável, uma forma de desenvolvimento econômico que</p><p>prega que se deve atender às necessidades do presente sem comprometer as</p><p>gerações futuras. O desenvolvimento sustentável não diz respeito a abandonar</p><p>o consumo para preservar os recursos naturais, o que seria totalmente inviável</p><p>na sociedade atual, mas sim de mudar hábitos e padrões de consumo e</p><p>produção para suprir as necessidades da população, como moradia, educação,</p><p>saúde e alimentação, mas também diminuir o desperdício e o consumismo</p><p>desenfreado.</p><p>A educação para o consumo sustentável tem papel fundamental na</p><p>mudança do paradigma antropocêntrico que prega que o desenvolvimento</p><p>econômico é mais importante. O grande desafio deste tipo de desenvolvimento</p><p>é a busca do equilíbrio entre a preservação ambiental e a economia de um país.</p><p>A dominação e extrapolação devem dar espaço ao zelo, o cuidado e a</p><p>responsabilidade.</p><p>Gomes (2006)17, relata em seu artigo: O paradigma antropocêntrico faz</p><p>com que o crescimento econômico seja visto como a solução de todos os</p><p>problemas. A questão é que a economia está interligada aos demais</p><p>subsistemas e é dependente da biosfera finita que lhe dá suporte. Assim, a</p><p>economia não é um sistema fechado, e todo o crescimento econômico afeta o</p><p>meio ambiente e é por ele afetado, já que economia e meio ambiente são um</p><p>sistema único e consequentemente interagem. Deste modo, é preciso mudar a</p><p>trajetória do progresso e fazer uma transição para a economia sustentável, para</p><p>que o futuro do planeta não reste comprometido.</p><p>A sustentabilidade existe para garantir uma melhor qualidade de vida para</p><p>todas as gerações futuras, combinando interesses ecológicos, sociais</p><p>oferecendo oportunidades de negócios para empresas que possam melhorar a</p><p>vida das pessoas e do mundo.</p><p>Branco (2002)18, relata que: (...) desenvolvimento sustentável, ou</p><p>desenvolvimento autossustentado, é obtido de forma compatível com a</p><p>preservação dos recursos naturais de um determinado país. Em outras palavras,</p><p>trata-se de um desenvolvimento não-predatório. Aconselha-se o planejamento</p><p>de um país ou região, baseado em um levantamento de todas as suas</p><p>necessidades, comparando-as com todas as suas potencialidades, isto é, com</p><p>sua capacidade de fornecimento dessas necessidades, de forma sustentável,</p><p>sem desgastes, obedecendo à sua capacidade e velocidade de renovação ou</p><p>reciclagem natural.</p><p>Outra grande importância do desenvolvimento sustentável é a questão</p><p>preventiva. Se assim ocorresse, não ocorreriam tantos gastos com medidas</p><p>corretivas ambientais que são um tanto onerosas. Estima-se que nos Estados</p><p>Unidos são investidos cerca de 400 dólares per capita, por ano, com a</p><p>preservação ambiental. Neste contexto, pode-se levantar a questão do consumo</p><p>sustentável, que segue a mesma linha de pensamento citada anteriormente</p><p>quando se conceituou o desenvolvimento.</p><p>O consumo sustentável tem como objetivo a preservação do meio</p><p>ambiente de modo que o consumidor também é responsável, repensando as</p><p>atitudes da empresas que fabricam os produtos, as reais necessidades de</p><p>consumo, evitando o desperdício e a produção excessiva de resíduos sólidos.</p><p>Além das questões ambientais o consumo sustentável também leva em</p><p>consideração a questão das desigualdades sociais, a publicidade que cria</p><p>necessidade com relação a produtos nem tão essenciais assim, além da saúde</p><p>e segurança do consumidor.</p><p>O consumidor deve ser incentivado a fazer com que seu ato de consumo</p><p>seja, também, um ato de cidadania. Cada cidadão deve analisar o que consome</p><p>e fazê-lo de modo que a coletividade atual ou futura não seja prejudicada. Neste</p><p>caso deve haver uma maior conscientização através da informação e da</p><p>educação. Deste modo, a sociedade não mais compactuará com empresas não</p><p>éticas, que não tem preocupação clara com o meio ambiente, que explorem o</p><p>trabalho infantil e escravo e que respeitem as leis trabalhistas e ambientais.</p><p>6 A Ética e o Consumo</p><p>Os hábitos de consumo refletem diretamente na atitude das empresas. O</p><p>consumo consciente faz com que a responsabilidade social e empresarial</p><p>aumentem significativamente. Para a empresa conquistar e manter uma boa</p><p>imagem no mercado, não basta apenas prestar bons produtos ou serviços e</p><p>pagar seus tributos. Necessita também ter consciência ética e ambiental.</p><p>Em países onde as desigualdades sociais são evidentes, como no Brasil,</p><p>a questão da ética no consumo é bastante abordada. Ética é uma palavra difícil</p><p>de conceituar. No entanto a sua etimologia grega diz respeito a fazer o bem. Por</p><p>isto, pode-se relacionar ética com o bem coletivo em detrimento ao bem próprio.</p><p>Uma empresa considerada ética, na sociedade atual, é aquela que, além</p><p>de prestar bom serviços, fornecer bons produtos e pagar seus impostos, também</p><p>leva em consideração às questões sociais e o respeito à legislação. Cita-se como</p><p>questões sociais que devem ser respeitadas, a exploração do trabalho infantil e</p><p>escravo, boas condições de trabalho para seus funcionários, respeito ao meio</p><p>ambiente, condições adequadas de segurança, entre outras.</p><p>No que diz respeito ao consumo, o INMETRO (2002)25, afirma que:</p><p>Comprar eticamente significa que o consumidor faz suas escolhas de compra de</p><p>forma consciente, recusando produtos e serviços produzidos que não atuam de</p><p>forma ética na sociedade – ou seja, não respeitam leis de proteção ao</p><p>consumidor, ao meio ambiente, trabalhistas, entre outras. Para consumir com</p><p>ética é necessário que o consumidor procure informação a respeito do produto</p><p>que está comprando. Estas informações podem ser obtidas no Serviço de</p><p>Atendimento ao Consumidor (SAC) da própria empresa, nos Órgãos de Defesa</p><p>do Consumidor e em outras associações de consumidores.</p><p>Outra questão fundamental para que a empresa seja ética é o</p><p>cumprimento do Código de Defesa do Consumidor (CDC). Este assegura todos</p><p>os direitos básicos do consumidor em seu art. 6O, como a saúde e segurança</p><p>do consumidor, a informação e educação, a proteção contra publicidade abusiva</p><p>e enganosa, entre outros. O CDC também protege o consumidor contra práticas</p><p>e cláusulas contratuais abusivas, além de assegurar que os produtos viciados</p><p>sejam substituídos ou ressarcidos. Segundo o INMETRO (2002) (...) empresas</p><p>que desrespeitam a lei, adulterando instrumentos de medição – balanças,</p><p>bombas de combustível, taxímetro, ou falseando as informações de peso,</p><p>metragem e quantidades anunciadas na embalagem dos produtos nunca</p><p>poderão ter a pretensão de se denominar socialmente responsáveis ou éticas.</p><p>A preservação do meio ambiente e o cumprimento da legislação</p><p>direcionada a este assunto também é levada em conta. Neste contexto, as</p><p>empresas que minimizam as agressões ambientais, economizam energia e</p><p>água, desenvolvem produtos ou embalagens recicláveis, retornáveis ou</p><p>biodegradáveis, são consideradas éticas. Infelizmente, ainda existem cidadãos</p><p>que acreditam que o cuidado de não poluir o ambiente é da empresa. Além disso,</p><p>nem sempre esta questão é vista como</p><p>um diferencial na hora de optar por outro</p><p>fabricante. O consumidor deve dar preferência às empresas que não explorem</p><p>o trabalho infantil e escravo, e também que tenham preocupação com o meio</p><p>ambiente, que desenvolvam e apoiem campanhas e projetos educativos</p><p>voltados para os seus empregados e para a comunidade.</p><p>O consumidor deve também reclamar seus direitos sempre que se sentir</p><p>lesados ou ameaçado em seus direitos, não compactuar com a ilegalidade, não</p><p>consumindo produtos ilícitos ou piratas, entre outras ações.</p><p>7 O PAPEL DA EDUCAÇÃO NA MUDANÇA DE PARADIGMA DA</p><p>SOCIEDADE ATUAL</p><p>Segundo Gomes (2006), existe uma grande crise na educação, que tem</p><p>suas causas no modelo capitalista atual. Dá-se mais valor ao “ter” do que ao</p><p>“ser”. O consumismo desenfreado, a falta de preocupação como o ser humano</p><p>e a falta de análise crítica são problemas evidentes entre os jovens. Além disso</p><p>a mídia e a publicidade incitam o consumidor a ter sempre um produto novo,</p><p>jogando fora o anterior e assim aumentando a produção de lixo. Esta crise impõe</p><p>a necessidade de novos modelos que possam substituir as antigas estruturas</p><p>vigentes que hoje, encontram-se defasadas. Visa-se atualmente, uma educação</p><p>que enfatize a ética, a preocupação com o meio ambiente e a responsabilidade.</p><p>As novas dimensões educativas colocam ênfase no componente ético e</p><p>são orientadas à transformação do indivíduo: educação para a paz, para a</p><p>saúde, para o consumo e para educação ambiental. A educação ambiental é</p><p>necessária na formação de indivíduos com uma nova racionalidade ambiental,</p><p>capaz de superar a crise global presenciada atualmente.</p><p>A educação ambiental também entra como grande aliada na</p><p>conscientização do consumo responsável. Ela tem como objetivo fazer com que</p><p>o ser humano se sinta parte da natureza, utilize o consumo sustentável como</p><p>recurso, compreenda o meio ambiente como problema e também como o</p><p>sistema em que se vive e consequentemente, depende-se dele. Tem-se a</p><p>importância de buscar uma nova ética na educação, focada na ideia do consumo</p><p>sustentável e da preservação ambiental, uma vez que a saúde e a qualidade de</p><p>vida da espécie humana estão fortemente ligadas a estas questões.</p><p>8 COMO EVITAR O DESPERDÍCIO E SER UM CONSUMIDOR</p><p>CONSCIENTE</p><p>8.1 Consumo da água</p><p>A água é um elemento essencial a vida do ser humano e de todas as</p><p>espécies. Com relação ao corpo humano, cerca de 70% dele é formado por este</p><p>elemento. A superfície terrestre também apresenta esta proporção. No entanto</p><p>97,2% corresponde aos oceanos que possuem apenas água salgada, não</p><p>podendo ser utilizada como água potável. Sendo assim, apenas 2,8% da água</p><p>do planeta está disponível para uso do ser humano.</p><p>Como evidenciado anteriormente, o crescimento populacional vertiginoso</p><p>levou a um consumo excessivo deste elemento tão importante, essencial para a</p><p>vida no planeta. Estima-se que em 2010, cerca de 70% da população mundial</p><p>terá falta de água potável, que é a água própria para ser bebida, geralmente,</p><p>submetida a processos de tratamento.</p><p>A maior parte da água consumida é dada pelas indústrias. Somente 10%</p><p>do consumo é feito pela população em suas residências. Mesmo assim, a</p><p>economia de água nos domicílios domésticos pode fazer diferença significativa</p><p>segundo o Instituto Nacional de Metrologia – INMETRO (2002), uma vez que</p><p>uma pessoa pode chegar ao consumo absurdo de 300 mil litros de água por dia</p><p>em banho, cuidados com a higiene, comida, lavagem de louça e roupa, etc.</p><p>Ainda existe o grande problema que diz respeito às águas contaminadas.</p><p>Segundo o Instituto Nacional de Metrologia – INMETRO (2002): ...“a crescente</p><p>urbanização provoca a concentração de geração de dejetos humanos, que</p><p>normalmente, não são coletados para tratamento ou são despejados nos rios in</p><p>natura. Os rios são vítimas de conceito muito antigo que são elementos de</p><p>dispersão do esgoto... Há quantidade de lixo, esgoto e produtos químicos, que</p><p>tornam suas águas contaminadas. Os esgotos domésticos também são uma</p><p>grande ameaça à saúde pública, e a falta de tratamento adequado é a causa da</p><p>alta mortalidade infantil nos países subdesenvolvidos.”</p><p>Pequenas atitudes podem reverter esse quadro. Apoiar e divulgar</p><p>algumas atitudes e incentivar a população a consumir com responsabilidade este</p><p>recurso podendo fazer grande diferença. Sugere-se: evitar vazamentos e</p><p>torneiras pingando; limitar o tempo do banho; não escovar os dentes com a</p><p>torneira aberta, usar a máquina de lavar com a carga máxima, economizando</p><p>assim, não só a água, mas também energia elétrica; usar balde em vez de</p><p>mangueira para lavar carros; exigir que os órgãos de controle ambiental e</p><p>indústrias se responsabilizem pelos resíduos tóxicos que produzem, entre</p><p>outros.</p><p>8.2 Geração de resíduos sólidos</p><p>Fonte: areal.rj.gov.br</p><p>Como relatado anteriormente, a crescente industrialização e</p><p>concentração de populações nos grandes centros urbanos, o lixo passou a ser</p><p>um problema, uma vez que não consideramos o lixo com material reutilizável.</p><p>Como exemplo, podemos citar os metais, que utilizam grande quantidade de</p><p>matéria-prima e energia, e logo após o uso são jogados no lixo, poluindo, assim</p><p>o meio ambiente. O lixo orgânico também apresenta uma séria problemática,</p><p>pois ocorre muito desperdício. Por isso, existe a necessidade de mudar a cultura</p><p>do cidadão atual. Deve-se considerar a premissa de que o lixo é um recurso</p><p>natural a ser novamente utilizado pela natureza, e não como algo que será</p><p>simplesmente jogado fora.</p><p>Segundo o Instituto Nacional de Metrologia – INMETRO (2002), a</p><p>produção de lixo é diretamente proporcional ao nosso consumo. Quanto mais</p><p>uma população consome, mais recursos naturais são utilizados e muito mais lixo</p><p>é gerado. O lixo produzido nos grandes centros urbanos tem como destino, os</p><p>aterros sanitários e os lixões. O lixão é um lugar onde se concentra, a céu aberto,</p><p>grande parte de resíduos, sem controle ambiental e sanitário algum. Isso gera</p><p>contaminação do solo, da água, dos animais e da população em geral. O aterro</p><p>sanitário é onde são depositados os resíduos sólidos e orgânicos em solo</p><p>impermeabilizado, possibilitando um melhor controle de proteção ambiental e a</p><p>saúde. Ainda assim os aterros não dão conta de receber tamanha quantidade de</p><p>lixo e, além disso, as áreas que foram ou estão sendo utilizadas como aterros</p><p>não podem ser reutilizadas, sendo totalmente perdidas.</p><p>O lixo hospitalar e resíduos industriais perigosos, em regra, são</p><p>mandados para os incineradores, que é a queima do lixo. Na atualidade, uma</p><p>alternativa para estes métodos, e que hoje em dia é considerada a melhor forma</p><p>de reaproveitar o lixo é a reciclagem. Segundo INMETRO (2002): A reciclagem</p><p>reduz o consumo dos recursos naturais, o consumo de energia, o volume de lixo</p><p>e a poluição do globo terrestre. Além disso, a reciclagem pode ser tornar uma</p><p>poderosa fonte de lucro.</p><p>Os resíduos orgânicos podem ser reutilizados na forma de adubos e</p><p>rações animais pela técnica de compostagem, ou mesmo no uso doméstico. A</p><p>técnica de compostagem consiste em fazer um composto para adubação com</p><p>material orgânico, com solo e dimensões apropriadas. Os resíduos sólidos que</p><p>podem ser reciclados são:</p><p> As latas de aço;</p><p> Embalagens PET, ou seja, as garrafas de plástico utilizadas em</p><p>refrigerantes, entre outros produtos;</p><p> Vidro, material 100% reciclável. Uma tonelada de vidro reciclado gera uma</p><p>tonelada de vidro, economizando 1300 quilos de matéria-prima em</p><p>minérios;</p><p> Latas de alumínio, também 100% reciclável. Poupa-se 95% de energia</p><p>que necessária para produzi-la;</p><p> Embalagens multicamada conhecidas como “longa vida” ou tetra Pack.</p><p>Uma tecnologia já desenvolvida permite que esses embalagens possam</p><p>ser reutilizadas com um substituto da madeira, entre outros materiais:</p><p> Papel, material que utiliza 2.385 quilos de madeira</p><p>para sua confecção,</p><p>além de 44 mil litros de água e 7.600 quilowatts de energia. Sem</p><p>considerar os poluentes atmosféricos e detritos produzidos. Com sua</p><p>reciclagem economiza-se 60% da água e 20% de energia utilizada em</p><p>sua fabricação;</p><p> Pneus. O Conselho Nacional do Meio Ambiente atribui aos fabricantes de</p><p>pneus e importadores a responsabilidade pelo destino dos que não</p><p>tiverem mais condições de uso. A reutilização de pneus pode ser</p><p>evidenciada no próprio setor automotivo, na construção civil, em parques,</p><p>entre outros;</p><p> Pilhas e baterias. A resolução do Conama de julho de 2000 estabelece</p><p>que as baterias de telefone devem ser destinadas aos postos de coleta</p><p>dos fabricantes.</p><p>8.3 Energia</p><p>Fonte: baianafm.com.br</p><p>Grande parte da energia elétrica utilizada nas cidades provém das Usinas</p><p>Hidrelétricas. A geração de energia pelas usinas hidrelétricas consiste em</p><p>aproveitar as quedas de água, que por sua vez, é convertida em tal energia</p><p>através de turbinas.</p><p>O aumento do consumo de energia e a falta de investimentos do governo</p><p>gera crises desde o ano de 2001, os chamados apagões. Nestes casos,</p><p>drásticas medidas devem ser tomadas. Os reservatórios das hidrelétricas de</p><p>certas regiões praticamente se esgotaram em épocas de estiagem.</p><p>Outro fato marcante foi à crise do petróleo ocorrida na década de 70 do</p><p>século passado. Este acontecimento pôs em alerta os países consumidores</p><p>devido ao embargo deste produto pelos países produtores. Neste contexto, tanto</p><p>por causa da crise do petróleo como também por causa dos apagões, toda a</p><p>mídia e veículos de comunicação iniciaram uma intensa campanha para a</p><p>redução do consumo de energia elétrica. As lâmpadas comuns foram</p><p>substituídas pelas fluorescentes, os sistemas elétricos de aquecimento foram</p><p>substituídos pelos sistemas a gás ou coletores de energia solar, além do</p><p>consumo consciente de chuveiros elétricos e eletrodomésticos.</p><p>Outra alternativa é a utilização de fontes de energia renováveis.</p><p>Pesquisadores brasileiros tem estudado a produção de energia a partir de</p><p>biomassa de combustíveis, como a energia advinda do bagaço de cana-de-</p><p>açúcar, gerando álcool. Outras fontes de energia renováveis são o sol, o vento,</p><p>a água, o carvão vegetal, o álcool e o biogás. É importante que o consumidor de</p><p>energia elétrica tome pequenas medidas como reduzir o consumo durante os</p><p>horário de pico que se dá entre as 18h00min e 21h00min, observar o selo de</p><p>energia Procel dos eletrodomésticos, aproveitar o máximo da luz do sol durante</p><p>o dia, entre outros.</p><p>Consumir produtos que contribuam para a conservação das florestas.</p><p>Deve-se sempre verificar a procedência dos produtos consumidos,</p><p>verificando se estão de acordo com a legislação ambiental. A ISSO 14000 são</p><p>regras que tratam da gestão ambiental. A certificação ISSO 14000 significa que</p><p>a Instituição possui um sistema de gestão documentado.</p><p>Utilizar a máquina de lavar roupa com sua capacidade máxima.</p><p>Verificar o consumo de energia pelos eletrodomésticos através do selo de</p><p>energia Procel, que classifica estes produtos do menos eficientes até o mais</p><p>eficiente.</p><p>Procure andar a pé, principalmente quando for a algum lugar que se</p><p>localize perto da sua casa. Este hábito é saudável e ajuda a conservação de</p><p>meio ambiente.</p><p>Procure oferecer carona aos seus colegas, familiares ou amigos. Muitas</p><p>vezes, não há necessidade de sair de casa com mais de um carro.</p><p>Imprima suas minutas em rascunhos ou revise-as na tela do computador.</p><p>A indústria de papel é a que mais degrada o meio ambiente com o corte de</p><p>árvores, sem falar no consumo excessivo de água e energia.</p><p>Utilize as folhas frente e verso.</p><p>Separe o lixo seco do lixo orgânico.</p><p>Reutilize materiais, plásticos, vidros, papéis e etc.</p><p>Troque as sacolas plásticas doadas no mercado por uma sacola de pano</p><p>ou de palha que possam ser utilizadas diversas vezes.</p><p>Evite desperdícios de comida e de qualquer espécie. Restos de comida</p><p>representam 60% do lixo que vem dos lares brasileiros.</p><p>Regule o termostato da geladeira.</p><p>Prefira lâmpadas led (light emitting diode). Elas conjugam a alta tecnologia</p><p>de consumo de energia.</p><p>Lave a seco quando possível.</p><p>Prefira pilhas recarregáveis.</p><p>A maioria dos blackouts, no Brasil, ocorre entre 18h30min e 21h30min,</p><p>por isso, deve-se reduzir o consumo, especialmente nesses horários.</p><p>Janelas fechadas e paredes pintadas com cores escuras aumentam a</p><p>necessidade de luz artificial no quarto. Além disso, uma janela grande e aberta</p><p>faz com que o ar circule mais, propiciando bem-estar e contribuindo com o meio</p><p>ambiente.</p><p>Caso necessário deixar o computador ligado todo o tempo (downloads de</p><p>músicas, vídeos, etc.), lembre-se de deixar o monitor desligado. Esta peça é a</p><p>responsável por até 70% do consumo de energia.</p><p>Reutilize. Antes de jogar fora, pergunte a alguém se está interessado,</p><p>compre coisas usadas quando possível, reaproveite sacos plásticos e materiais</p><p>de vidro.</p><p>Mude a dieta. Ao menos uma vez por semana, procure não consumir</p><p>carne vermelha. A produção deste alimento é responsável por 18% das</p><p>emissões de gases no planeta e para processar 1 kg de carne vermelha são</p><p>gastos 200 litros de água.</p><p>BURGOS (2007) em seu artigo, ressalta a importância da utilização de</p><p>novas tecnologias, como a utilização de álcool como combustível, uma vez que</p><p>um motor a álcool chega a emitir menos da metade (56%) de poluentes na</p><p>atmosfera em comparação com a gasolina. Além disso, cita-se também a</p><p>utilização da energia eólica em larga escala e energia solar em casos mais</p><p>imediatos, como o uso de eletrodoméstico. Porém BURGOS enfatiza: A nova</p><p>receita para salvar o mundo é investir com vontade em novas tecnologias.</p><p>Algumas foram inventadas, mas precisam de ajustes para se tornarem</p><p>economicamente atraentes. Já outros desafios para diminuir o impacto negativo</p><p>do homem no ambiente demandam de pequenas revoluções tecnológicas. De</p><p>uma forma ou de outra, é preciso muito dinheiro para obter grandes avanços no</p><p>curto espaço de tempo que temos. A solução apontada pelo autor da matéria</p><p>está no investimento em pesquisas e oportunidades econômicas que estão</p><p>gerando lucro para grandes empresas. Tecnologias limpas e “energia verde”</p><p>prosperarão e serão transformadas em grandes cifras.</p><p>Além disso, a o comportamento sustentável utilizados por algumas</p><p>empresas, não só é bom para a publicidade, podendo também minimizar custos.</p><p>Uma gigante do ramo de higiene pessoal mudou o formato das embalagens de</p><p>um xampu, economizando o equivalente a 15 milhões de recipientes por ano;</p><p>várias empresas de coleta de lixo no mundo estão não só reciclando com</p><p>também transformando dejetos orgânicos em combustível por meio de mini</p><p>usinas; shoppings estão trocando seus vasos sanitários por novos modelos que</p><p>consomem 6 litros de água por descarga (cerca de cinco vezes menos que os</p><p>modelos domésticos).</p><p>BURGOS (2007), no entanto, não isenta o consumidor de mudar seus</p><p>hábitos, uma vez que deixar a responsabilidade ambiental apenas nas mãos do</p><p>governo e das grandes empresas, esperando uma solução milagrosa para a</p><p>salvação do planeta, até agora, não gerou resultados positivos.</p><p>9 BIODIVERSIDADE E SEU POTENCIAL ECONÔMICO</p><p>Fonte: www.jornaldebrasilia.com.br</p><p>O Brasil é considerado o primeiro país em biodiversidade do globo. Ainda</p><p>assim, de acordo com estimativas do Ibama, nem 1% das espécies brasileiras</p><p>são conhecidas pela ciência. Boa parte dessas espécies podem vir a ser extintas</p><p>antes mesmo de serem descritas por pesquisadores. A bioprospecção e o</p><p>desenvolvimento de bioprodutos são alternativas de desenvolvimento</p><p>socioeconômico que justificam a preservação dos biomas nativos,</p><p>impulsionando ainda o conhecimento sobre a biodiversidade.</p><p>No século XXI, o mercado mundial abre perspectivas totalmente inovadoras,</p><p>nas quais direciona-se grande esforço na busca de</p><p>novos produtos para fins</p><p>medicinais, cosméticos, suplementos nutricionais, produtos agrícolas, entre</p><p>outros, voltados ao prolongamento da vida com qualidade. Exemplos dessas</p><p>inovações não faltam. Só em 1998, os medicamentos movimentaram 300 bilhões</p><p>de dólares em todo o mundo, sendo que 40% dos produtos têm origem direta ou</p><p>indiretamente de fontes naturais. No Brasil, as vendas atingiram a marca de 11</p><p>bilhões de dólares, havendo ainda um espaço enorme para ampliação desse</p><p>mercado. O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) estimou em pelo</p><p>menos 2 trilhões de dólares o valor potencial do banco genético brasileiro.</p><p>Só na floresta tropical, pesquisas recentes apontam para um potencial de</p><p>mais de trezentos novos bioprodutos, derivados de produtos naturais</p><p>disponíveis. Dados da Organização Mundial de Saúde apontam para a utilização</p><p>de plantas na cura de enfermidades por parte de 85% da população mundial</p><p>(cerca de 4 bilhões de pessoas). Cerca de 20% de todo o faturamento das</p><p>empresas de produtos farmacêuticos é empregado na descoberta de novas</p><p>drogas. Dentre estas, o mercado de produtos de higiene pessoal, perfumaria,</p><p>cosméticos, principalmente no que se refere às lifestyles drugs, drogas que</p><p>reúnem saúde e rejuvenescimento, vem apostando alto nas inovações,</p><p>especialmente na diversificação de insumos naturais provenientes das florestas</p><p>tropicais. O faturamento nacional desse setor atingiu, em 1999, a marca dos 12</p><p>milhões de dólares. Dentro desse processo, os produtos farmacêuticos de</p><p>origem natural ganham terreno e já representam 17% do mercado mundial.</p><p>As florestas tropicais úmidas são, também, ricas fontes de</p><p>microrganismos, fontes potenciais de novos compostos de ação antibiótica e de</p><p>drogas imunodepressoras, as quais, entre outros importantes resultados,</p><p>aumentam consideravelmente o grau de sucesso de transplantes de órgãos.</p><p>Outra área de interesse é a pesquisa de toxinas encontradas em venenos e</p><p>peçonhas de animais. No escritório de Patentes do Governo dos Estados Unidos,</p><p>foram registradas, recentemente diversas patentes de toxinas de aranhas e</p><p>escorpiões, sendo algumas de bioinseticidas seletivos, princípios</p><p>neurobloqueadores e substâncias terápicas para doenças cardíacas; além de</p><p>registros de patente de toxinas de serpentes, sendo a maioria voltada para o uso</p><p>em terapias de controle de pressão arterial.</p><p>9.1 Biodiversidade e Seu Potencial Econômico para o Desenvolvimento</p><p>Local e Regional</p><p>O futuro do desenvolvimento do país depende da forma como serão</p><p>administradas suas potencialidades. Pouco vale o desenvolvimento de novos</p><p>produtos que gerem bilhões de dólares em lucros no mercado internacional se</p><p>esses lucros não se refletirem em benefícios sociais, principalmente às</p><p>comunidades locais, e em especial, aquelas que detém o conhecimento</p><p>tradicional sobre a biodiversidade.</p><p>Uma política de indução e fomento ao uso sustentável dos componentes</p><p>da biodiversidade, com o apoio da biotecnologia, deve ser concretizada como</p><p>um novo norteador de estratégias produtivas, que não favoreçam novas</p><p>economias de enclave, mas permitam o estabelecimento de cadeias produtivas</p><p>que unam o interior aos centros urbanos que forem abrigar as atividades finais</p><p>das cadeias. Nesse sentido, é preciso vencer a distância que separa grande</p><p>parte das iniciativas extrativistas de hoje, pouco vinculadas ao restante da cadeia</p><p>produtiva, e a bioindústria emergente, em geral pouco comprometida com as</p><p>populações da floresta. Para isso, torna-se fundamental vencer o desafio, não</p><p>solucionado nos ciclos econômicos regionais anteriores, de orquestrar o</p><p>funcionamento conjunto da ciência com a produção, acoplando às cadeias</p><p>produtivas as cadeias de conhecimento correspondentes.</p><p>Apesar do modelo econômico vigente ser predatório, algumas iniciativas</p><p>contemplam o desenvolvimento econômico de forma sustentável, com o manejo</p><p>de produtos florestais, principalmente nos estados do Acre, Amapá e Amazonas.</p><p>No Acre, foram atendidas mais de quatro mil famílias de seringueiros, índios e</p><p>ribeirinhos, no fortalecimento dos segmentos de cadeias produtivas de produtos</p><p>da floresta. O processo foi iniciado pela borracha e castanha, e já ampliou o</p><p>leque de produtos explorados com os estudos de mais treze cadeias produtivas,</p><p>com o apoio do Probem. Os estímulos do governo levaram mais de três mil</p><p>famílias a retornarem para essa atividade produtiva, sendo que destas, cerca de</p><p>mil famílias voltaram a morar na floresta, deixando a periferia de cidades.</p><p>Aproximadamente 500 famílias manejam hoje a copaíba para extração</p><p>sustentável de óleo. Outras quinhentas se beneficiam da coleta da castanha de</p><p>andiroba, que é comercializada para a usina de óleos florestais dos índios</p><p>Yawanawá.</p><p>Na Floresta Nacional de Tapajós, a produção de couro ecológico e a</p><p>extração de óleo de andiroba vêm crescendo a cada ano, possibilitando o</p><p>aumento da renda familiar em atividades compatíveis com o manejo daquela</p><p>unidade de conservação. Em parceria com o MMA, a Ong Amigos da Terra</p><p>montou um banco de dados na internet, onde coloca o produtor amazônico em</p><p>contato com o comprador. São 20 empreendimentos comunitários e 400</p><p>produtos.</p><p>Para que esta nova política pública seja ampliada para toda a região e</p><p>alcance resultados até então atingidos por programas em escala demonstrativa,</p><p>visualizam-se as seguintes demandas, a serem atendidas:</p><p>Necessidade de fomento ao desenvolvimento de instrumentos que</p><p>permitam a implantação de novos modelos econômicos, estabelecidos com base</p><p>na utilização sustentável dos recursos da biodiversidade regional;</p><p>Direcionamento da atual tendência de crescente uso econômico da</p><p>biodiversidade, atendendo à necessidade de fomentar o ramo/setor e disciplinar</p><p>suas atividades, com base em prioridades estabelecidas a partir de políticas</p><p>públicas direcionadas à equidade social e à sustentabilidade ambiental;</p><p>Zelo pela geração e repartição de benefícios socioeconômicos e</p><p>ambientais aos atores sociais participantes;</p><p>Necessidade de capacitação para o aprimoramento socioeconômico e</p><p>tecnológico das comunidades e demais atores econômicos que efetiva e</p><p>potencialmente vivem deste ramo/setor de atividades, para que suas atividades</p><p>ganhem escala;</p><p>Importância de se estabelecer estudos e conhecimento sobre as cadeias</p><p>produtivas de bioprodutos, como base para se estruturar as ações de</p><p>intervenção das políticas públicas;</p><p>Atender à necessidade de alavancar a competência e capacitação</p><p>regional para atender ao atual crescimento da biotecnologia e da bioindústria,</p><p>principalmente no que se refere a:</p><p> Manejo e utilização sustentável dos componentes da biodiversidade;</p><p> Pesquisa e desenvolvimento direcionados à obtenção de bioprodutos;</p><p> Formação e desenvolvimento de novos empreendimentos</p><p>(bioempreendimentos).</p><p>9.2 Situação e Tendências do Papel das Comunidades</p><p>Sem dúvida, a utilização sustentável de componentes da biodiversidade</p><p>constitui o novo desafio a encarar, condição essencial para o progresso na</p><p>apropriação dos meios de produção, atualmente limitados pela pequena</p><p>variedade de espécies da floresta manejados e comercializados, o que vem</p><p>colocando a chamada “economia da floresta em pé” ainda em condições de</p><p>desvantagem em relação às práticas agrícolas e agroflorestais baseadas na</p><p>substituição da floresta.</p><p>Duas dinâmicas econômicas em crescimento, cujos atores são,</p><p>predominantemente, pequenos produtores, os sistemas extrativistas e a</p><p>chamada colonização agrícola, necessitam urgentemente de novas alternativas</p><p>de geração de renda a partir da floresta, de forma a valorizar cada vez mais a</p><p>biodiversidade ainda presente, ao mesmo tempo em que possibilitem a</p><p>recuperação econômica de grandes extensões de áreas degradadas, criadas a</p><p>partir de tecnologias inadequadas às condições naturais existentes.</p><p>Tal desafio vem esbarrando</p><p>no despreparo dessas organizações</p><p>populares para tratar o tema da biodiversidade, cujas nuances envolvem</p><p>princípios legais e padrões tecnológicos relativamente novos, cujo</p><p>desenvolvimento e definições ainda não estão completas. Alguns temas, como</p><p>o acesso ao conhecimento tradicional e a repartição de benefícios derivados,</p><p>contêm indefinições legais com frentes de discussão ainda abertas no nível</p><p>internacional. Além disso, a atual legislação de regularização de novos produtos,</p><p>cujo ordenamento é de responsabilidade da Agência Nacional de Vigilância</p><p>Sanitária – Anvisa, torna este processo proibitivo para pequenos</p><p>empreendedores, dados os custos, que alcançam, em média, cerca de dez mil</p><p>dólares para validação de um novo produto.</p><p>Para inserir de forma plena estas comunidades no processo de</p><p>apropriação dos componentes da biodiversidade, constituindo o controle social</p><p>necessário para evitar a formação de novos enclaves econômicos na região, e</p><p>garantir a repartição dos benefícios oriundos dessa nova dinâmica, faz-se</p><p>necessário um amplo processo de capacitação desse segmento social, com</p><p>base na resolução dos obstáculos à construção de novas cadeias produtivas,</p><p>sob os aspectos legais, tecnológicos, institucionais e organizacionais. Tal</p><p>processo precisa ser construído de forma participativa, onde as demandas sejam</p><p>identificadas pelos próprios atores, com apoio dos especialistas nas diversas</p><p>áreas a serem abordadas.</p><p>10 SITUAÇÃO E TENDÊNCIAS DE P&D</p><p>O Brasil pertence a uma minoria de países que se distingue pelo nível de</p><p>desenvolvimento da pesquisa científica, que inclui um sistema acadêmico</p><p>complexo e instituições de pesquisa consolidadas. Para se ter uma ideia da</p><p>capacidade técnico-científica do país, a publicação de artigos na imprensa</p><p>especializada internacional cresceu a uma taxa 57% superior à média mundial e</p><p>o número de doutores no Brasil dobrou, nos últimos anos.</p><p>No entanto, é importante ressaltar que os rumos do desenvolvimento</p><p>científico e tecnológico adotados nas últimas décadas não foram suficientemente</p><p>convergentes para produzir o necessário conhecimento demandado para mudar</p><p>com agilidade o panorama da ocupação das regiões rurais, sobretudo as</p><p>amazônicas. O conhecimento da composição da biodiversidade e do</p><p>funcionamento dos ecossistemas ainda é deficiente, e as informações</p><p>levantadas encontram-se de forma fragmentada e dispersa.</p><p>Na atual conjuntura, em que o mundo começa a sofrer uma mudança de</p><p>paradigma tecnológico de grandes proporções (de commodity para speciality), o</p><p>país, e sobretudo a Amazônia, ainda sem conseguir resolver os problemas</p><p>causados pelos antigos paradigmas, vê-se à frente de um grande desafio:</p><p>adequar suas estruturas de produção econômica, científica e tecnológica às</p><p>novas estratégias de transformação de recursos naturais.</p><p>Alguns fracassos ocorreram em tentativas passadas de encontro entre</p><p>ciência e desenvolvimento regional, como no caso da implantação do Plano de</p><p>Valorização Econômica da Amazônia - PVEA, que começou a ser implantado no</p><p>início da década de 50. Tais fracassos foram ocasionados principalmente pela</p><p>disritmia entre uma estratégia de desenvolvimento mal desenhada e os prazos</p><p>necessários para geração dos conhecimentos requeridos, que extrapolavam em</p><p>muito a própria duração prevista do Plano. Assim, um sistema regional de C&T</p><p>ainda em formação foi desestruturado, cristalizando um divórcio entre as</p><p>necessidades locais e as prioridades científicas, cujo entendimento é necessário</p><p>e a reversão, difícil.</p><p>Em quadros como esse, de pouca sintonia entre produção científica e</p><p>estratégia de desenvolvimento, a ciência regional desenvolveu-se de forma</p><p>difusa e no dia-a-dia, foi deixando de lado a concentração e a objetividade que</p><p>caracterizam os grandes progressos tecnológicos em países do primeiro mundo,</p><p>onde a ciência sempre andou lado a lado e integrada ao desenvolvimento</p><p>econômico e sociocultural.</p><p>Especialmente no campo da biotecnologia, o país já entra, inicialmente,</p><p>na condição de vagão atrelado a uma locomotiva. Este atrelamento, que agora</p><p>parece inevitável, abre também um interessante e importante espaço para o país</p><p>construir caminhos que lhe sejam próprios e peculiares. Este caminho de dupla</p><p>influência só vai funcionar, entretanto, se dentro de um determinado espaço</p><p>existir diálogo entre os dois empreendimentos do binômio C&T, ou seja, pode-</p><p>se estar novamente frente a uma situação recorrente: a inexistência de</p><p>conhecimentos suficientes nas regiões, e de difícil produção nos prazos</p><p>requeridos, para sustentação das estratégias de desenvolvimento.</p><p>Essa pauta de trabalho deve ter a capacidade de mobilizar a ciência</p><p>regional para um processo de desfragmentação, ou seja, de mobilização e</p><p>convergência em torno de uma ação de resgate dos fragmentos de</p><p>conhecimento existentes e sua complementação. Essa ação deve ocorrer no</p><p>sentido de responder às demandas do processo tecnológico pretendido pela</p><p>sociedade, em consonância com os princípios da justiça ambiental,</p><p>contemplando inclusão social. Trata-se de ação complexa e gradual, onde o</p><p>empreendimento biotecnológico não pretende substituir a estrutura de pesquisa</p><p>existente no País e, mais especificamente, na região amazônica, mas interligar</p><p>as diversas competências nacionais. Os resultados desse esforço não se</p><p>apresentarão imediatamente, o que obrigará a estabelecer alternativas de</p><p>transição, que atendam às demandas de mais curto prazo.</p><p>Sem dúvida, alguns avanços ocorridos recentemente precisam ser</p><p>consolidados e fortalecidos, como a criação de fundos setoriais, uma grande</p><p>conquista na modernização e fortalecimento do sistema de financiamento da</p><p>ciência, tecnologia e inovação brasileiras, crescendo a sinergia entre as diversas</p><p>instâncias de governo, e destas com a sociedade, a partir da proliferação de</p><p>novas instituições executivas, novos fundos e novos fóruns.</p><p>Nesse sentido, é preciso fortalecer, cada vez mais, as práticas de projetos</p><p>cooperados, organizados em redes interdisciplinares, envolvendo empresas e</p><p>instituições de P&D, capacitando localmente e replicando experiências bem</p><p>sucedidas. Tais projetos podem ser fortalecidos a partir de sua discussão em</p><p>fóruns locais que integrem as diversas demandas, estabelecendo instâncias que</p><p>possibilitem a decisão transparente sobre as prioridades e a viabilização de</p><p>recursos por meio de ampla participação dos diversos setores envolvidos.</p><p>O empreendimento biotecnológico carrega em si a necessidade de</p><p>articular produção, ciência, desenvolvimento tecnológico e ocupação sustentável</p><p>do espaço, além da necessidade de consolidar-se como uma alternativa</p><p>concreta às soluções atualmente existentes. Conjugar a construção do espaço</p><p>regional com o caminhar da ciência é, neste sentido, o principal desafio histórico</p><p>a ser superado.</p><p>10.1 Situação e Tendências do Papel dos Empreendimentos Industriais e</p><p>Comerciais</p><p>Existem entraves reais à locação de bioindústrias em algumas regiões do</p><p>Brasil, especialmente na Amazônia, cuja superação, embora não seja</p><p>impossível, necessita enfrentar sérias dificuldades, quais sejam:</p><p>Ausência de uma rede de centros de pesquisa de excelência, considerada</p><p>a principal condição para a intensa geração de inovações que esta indústria</p><p>depende;</p><p>Ausência de complexa estrutura de serviços à produção, cruciais para a</p><p>trajetória entre a pesquisa básica e produto, tais como: indústrias de</p><p>equipamento para desenvolvimento conjunto de processos produtivos;</p><p>distribuidores, que têm papel decisivo nas relações produtor/usuário; firmas de</p><p>advocacia especializada em direitos de propriedade intelectual, repartição de</p><p>benefícios e bioparcerias; firmas especializadas na captação e alocação de</p><p>capital de risco; rede de hospitais e centros de pesquisa capazes de realizar</p><p>testes controlados de fármacos e outros produtos; etc.</p><p> Distância de aglomerados de outras atividades industriais cujos</p><p>produtos ou processos de produção integram ou são parcialmente</p><p>paralelos às cadeias produtivas da bioindústria;</p><p> Baixíssima oferta de capital humano com o espectro de qualificações</p><p>necessário ao preenchimento dos requisitos da indústria, de</p><p>pesquisadores de ponta e pessoal de nível médio;</p><p> Distância dos centros de decisão, matrizes, e mesmo de filiais, das</p><p>empresas existentes nos diversos ramos da bioindústria atuantes no território</p><p>brasileiro.</p><p>Para enfrentar tais disparidades e dar partida em um processo</p><p>considerado de fundamental importância na correção de rumos do</p><p>desenvolvimento regional, há que se trabalhar com atividades cujos padrões</p><p>tecnológicos podem resultar, com maior grau de sucesso, em geração</p><p>significativa de renda em empregos em bem mais curto prazo. Tal direção</p><p>recomenda priorizar, inicialmente, o desenvolvimento de fitoterápicos,</p><p>cosméticos, bebidas, alimentos e suplementos alimentares, considerando todo</p><p>o espectro de subsetores, produtos e processos associados a estas cadeias</p><p>produtivas. Tal estratégia compreende diversas vantagens:</p><p> A rede de instituições de pesquisa atual tem condições de atuar nas</p><p>áreas;</p><p> Trata-se de nichos de mercado adequados às empresas nacionais</p><p>de pequeno e médio porte, muitas já atuantes na região e no país;</p><p> Os benefícios em termos de emprego, distribuição e multiplicação</p><p>da renda por unidade investida são maiores;</p><p> O potencial de geração de inovações competitivas é elevado;</p><p> A disseminação ampla de tecnologias permite a elevação posterior</p><p>dos patamares tecnológicos dos sistemas, por meio de políticas ativas de</p><p>benchmarking, entre outros fatores.</p><p>Esse esforço pode ser executado sem, necessariamente, abandonar-se</p><p>as hipóteses concretas de utilização de tecnologias intensivas em conhecimento,</p><p>mas em uma etapa intermediária, voltar-se à adaptação ou mesmo imitação de</p><p>tecnologias bem sucedidas, buscando a compreensão, o uso e a modificação</p><p>destas tecnologias, promovendo soluções que possam imediatamente ser</p><p>transferidas para a extensão, inclusive porque as pesquisas destas soluções já</p><p>partem de problemas concretos. Estes padrões tecnológicos, ao mesmo tempo</p><p>em que são facilmente assimiláveis pelos produtores, demandam e contribuem</p><p>para a formação de grande número de técnicos de nível médio.</p><p>10.2 Políticas Públicas para a Conservação e o Aproveitamento</p><p>Sustentável da Biodiversidade</p><p>O Ministério do Meio Ambiente (MMA) desenvolve diversas ações</p><p>voltadas para a prevenção dos danos e riscos ambientais causados, de uma</p><p>maneira geral, pelo crescimento socioeconômico predatório, e uma má utilização</p><p>dos recursos naturais, dentre outros fatores. Dentre as principais metas deste</p><p>Ministério estão a conservação dos recursos naturais e dos ecossistemas, que</p><p>tem sido concretizada em ações que garantam o controle e a redução das taxas</p><p>de desmatamento e do extrativismo predatório, poluição dos ecossistemas</p><p>naturais, entre outros danos ao meio ambiente, assim como a valorização do</p><p>conhecimento tradicional, no uso e manejo da biodiversidade, realizado pelos</p><p>povos autóctones brasileiros.</p><p>Por esses motivos, tradicionalmente, as ações de natureza ambientalista,</p><p>sejam do governo ou de organizações da sociedade civil se concentram em</p><p>controlar ou impedir as atividades que causem danos relevantes ao meio</p><p>ambiente. Atualmente, o MMA tem assumido uma postura mais ativa em ações</p><p>diretamente relacionadas ao desenvolvimento social e econômico do país, por</p><p>meio de uma série de políticas transversais voltadas para o desenvolvimento</p><p>sustentável. Essas ações são baseados em princípios de inclusão social e de</p><p>justiça ambiental, sendo fomentada a substituição de práticas predatórias ao</p><p>meio ambiente por práticas de consumo e produção sustentável, e de</p><p>desenvolvimento social e econômico por meio do aproveitamento sustentável</p><p>dos recursos naturais, o que pode ser caracterizado como sendo a garantia da</p><p>manutenção das “florestas em pé”.</p><p>De uma maneira geral, pode-se dizer que o movimento ambientalista e os</p><p>órgãos governamentais de meio ambiente estão desenvolvendo uma</p><p>compreensão, nas últimas décadas, que a melhor estratégia de se evitar a</p><p>degradação ambiental é a promoção do aproveitamento social e econômico da</p><p>biodiversidade. Diversos trabalhos nas áreas ambientais têm demonstrado que</p><p>o manejo sustentável dos recursos da biodiversidade dos biomas, preservados</p><p>ao longo do tempo geológico e ecológico, traz mais retorno sob diversos pontos</p><p>de vista, tais como: social, econômico, cultural e ambiental. Constata-se, cada</p><p>vez mais, que o uso predatório da natureza tem trazido benefícios apenas a curto</p><p>prazo, não sendo garantidas as condições de sustentabilidade para as gerações</p><p>futuras. Além disso, os benefícios do uso predatório da natureza, de uma</p><p>maneira geral, são socialmente excludentes, contribuindo para perpetuação das</p><p>desigualdades.</p><p>A ação de governo federal, no âmbito do Ministério do Meio Ambiente, no</p><p>que toca a política de utilização do patrimônio genético, deve se constituir por</p><p>dois componentes:</p><p>A normatização e regulamentação;</p><p>O fomento e a indução.</p><p>O componente normalização e regulamentação é competência do CGEN,</p><p>Conselho de gestão do Patrimônio Genético, órgão colegiado ao MMA, que tem</p><p>sua Secretaria Executiva inserida no DPG, Departamento do Patrimônio</p><p>Genético, vinculada à Secretaria de Biodiversidade e Florestas (MMA). O</p><p>principal programa no componente do fomento e indução é o Probem, vinculado</p><p>à Secretaria de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável (MMA)</p><p>11 APRESENTAÇÃO DO PROBEM</p><p>O PROBEM - Programa Brasileiro de Bioprospecção e Desenvolvimento</p><p>Sustentável de Produtos da Biodiversidade é voltado para inserção de projetos</p><p>e ações relacionados ao aproveitamento sustentável dos recursos da</p><p>biodiversidade brasileira. Os projetos e ações de desenvolvimento sustentável</p><p>nessa linha dependem de pesquisas básicas e da articulação com organizações</p><p>governamentais, organizações sociais e populares, instituições de pesquisa,</p><p>comunidades, organizações não governamentais e outros segmentos envolvidos</p><p>nos processos.</p><p>O Programa visa fomentar e induzir o desenvolvimento econômico e</p><p>socioambiental no país a partir do acesso e utilização sustentável dos recursos</p><p>genéticos da biodiversidade. Portanto, deve ser concebido e estruturado com</p><p>base nas cadeias produtivas, buscando integrar de modo transversal, todas as</p><p>etapas econômicas, sociais e ambientais que movimentam e direcionam o uso</p><p>dos recursos da biodiversidade. A concepção de Programa faz com que este</p><p>seja de natureza fundamentalmente transversal, interagindo com todo um amplo</p><p>conjunto de atores (governamentais e não-governamentais) envolvidos na</p><p>cadeia produtiva de bioprodutos – desde o acesso para sua identificação e</p><p>extração na natureza, passando pela organização social da produção</p><p>econômica, até a realização econômica de seu valor no mercado, assim como o</p><p>conjunto de atores envolvidos na cadeia do conhecimento, que é empregado a</p><p>cada etapa da cadeia produtiva, promovendo a transformação dos recursos em</p><p>produtos de maior valor agregado.</p><p>As atividades prioritárias do Probem são voltadas para a articulação de</p><p>projetos-piloto nos biomas brasileiros, com a priorização do desenvolvimento das</p><p>cadeias produtivas de recursos estratégicos da biodiversidade. Nesses</p><p>processos são priorizadas as inovações técnicas, tecnológicas e culturais no</p><p>aproveitamento da biodiversidade, e do conhecimento tradicional associado.</p><p>As diretrizes dessas ações incluem um modelo de uso múltiplo e integrado</p><p>da biodiversidade, com agregação de valor e conhecimento das suas</p><p>potencialidades, inclusão social, justa repartição dos benefícios e justiça</p><p>ambiental. Assim, as ações do Programa são adaptadas aos biomas</p><p>e as</p><p>comunidades locais de cada polo.</p><p>Todas as etapas das cadeias produtivas devem se realizar de forma</p><p>ambientalmente sustentável e socialmente justa, em conformidade com os</p><p>princípios e diretrizes estabelecidos pela Convenção da Diversidade Biológica e</p><p>da Agenda 21 Brasileira. Assim, as ações do programa devem contribuir para a</p><p>conservação dos ecossistemas, com a preservação das espécies e da</p><p>variabilidade genética.</p><p>O Programa desenvolve ações e projetos em polos de Bioprospecção e</p><p>desenvolvimento Sustentável de Produtos da Biodiversidade, onde são</p><p>implementadas as cadeias produtivas da biodiversidade eleitas como</p><p>estratégicas com a participação das comunidades e instituições parceiras. Dessa</p><p>forma os Polos Probem se baseiam em 3 redes interligadas, a fim de se</p><p>desenvolver integralmente as cadeias produtivas:</p><p>1- Rede de Coleta, Inventário e Cultivo;</p><p>2 – Rede de Pesquisa e Desenvolvimento;</p><p>3 – Rede de Marketing e Comercialização.</p><p>Diretrizes gerais para o Manejo: deve ser fomentando o</p><p>desenvolvimento de conhecimento e a implementação de técnicas de manejo</p><p>que minimizem o impacto e maximizem a produção e o aproveitamento desses</p><p>recursos. Para tanto, serão estabelecidos sistemas de aproveitamento múltiplo</p><p>e integrado da biodiversidade, priorizando bioprodutos estratégicos</p><p>(especialmente os endêmicos), por meio da associação de técnicas de sistemas</p><p>agroflorestais, agroecologia, permacultura, etc.</p><p>Diretrizes gerais para o Beneficiamento: o beneficiamento deve ser</p><p>realizado, numa primeira etapa preferencialmente por cooperativas de</p><p>produtores para que estes tenham o máximo de autonomia possível, ampliando</p><p>a renda das comunidades, e evitando a concentração dos lucros pelos</p><p>atravessadores. Na etapa de beneficiamento biotecnológico (se presente) serão</p><p>priorizadas as instituições de P&D nacionais, sobretudo aquelas credenciadas</p><p>nas redes Probem.</p><p>Diretrizes gerais para o Comércio: os produtos devem ser devidamente</p><p>certificados pelos órgãos responsáveis, e registrados e autorizados pelo CGEN,</p><p>quando necessário. Deve ser promovida a educação ambiental e o marketing</p><p>ecológico. No caso de conhecimento tradicional associado ao bioproduto deve</p><p>ser implementadas as normas de repartição de benefícios previstas na</p><p>legislação.</p><p>O diferencial do Probem, em relação a outras políticas públicas de uso</p><p>sustentável dos recursos genéticos, é a agregação de valor e conhecimento a</p><p>biodiversidade. Para tanto, devem estar associadas as etapas das cadeias</p><p>produtiva e do conhecimento.</p><p>Deste modo, este Programa deve ter como Objetivos (Macro Objetivos):</p><p> Promover uma estrutura permanente de análise e promoção de</p><p>cadeias produtivas de recursos derivados da biodiversidade dos</p><p>biomas brasileiros, com vistas à sua ampliação e diversificação,</p><p>com ênfase na sustentabilidade ambiental e na inclusão social;</p><p> Promover o desenvolvimento das cadeias do conhecimento acerca</p><p>dos potenciais produtos da biodiversidade brasileira e da</p><p>tecnologia agregada para a utilização dos recursos genéticos de</p><p>forma sustentável;</p><p> Articular projetos-piloto de desenvolvimento de bioprodutos, em</p><p>especial voltados à inserção das populações tradicionais em processos</p><p>produtivos derivados da bioprospecção e ao zelo pela justa repartição dos</p><p>benefícios;</p><p>Gerar subsídios para a formulação de políticas públicas para a</p><p>bioprospecção e o uso sustentável do patrimônio genético.</p><p>12 ARTIGOS PARA REFLEXÃO</p><p>DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: COMO ALIAR MEIO</p><p>AMBIENTE E ECONOMIA</p><p>Cláudio Mendonça</p><p>O desenvolvimento da ciência e da tecnologia, no século 20, serviu tanto</p><p>para promover a melhoria da qualidade da vida do ser humano, quanto para</p><p>ampliar a sua capacidade de autodestruição. Entre as heranças nefastas do</p><p>último século, encontram-se o desgaste sem precedentes dos recursos naturais,</p><p>os efeitos lesivos da poluição do ar e das águas, a destruição das matas e da</p><p>biodiversidade do planeta.</p><p>No início da década de 1960, os movimentos ecológicos já advertiam</p><p>sobre as graves ameaças que estavam impostas à biosfera. As manifestações e</p><p>discussões naquela década apontavam, também, para a insustentabilidade do</p><p>modelo de desenvolvimento baseado no ideal de consumo e crescimento</p><p>econômico acelerado. Assim, aos poucos, os temas ambientais foram sendo</p><p>incorporados aos programas de governo das nações, aos partidos políticos e à</p><p>agenda dos organismos internacionais.</p><p>Movimentos ambientalistas</p><p>As Organizações Não-Governamentais (ONGs) começaram a surgir a</p><p>partir da década de 1960. O WWF ("World Wildlife Fund"), a primeira ONG</p><p>ambientalista de espectro mundial, foi criada em 1961. Está voltada para a</p><p>defesa de espécies ameaçadas de extinção, de áreas virgens e ao apoio a</p><p>educação ambiental. Em 1971, o Greenpeace - criado para impedir um teste</p><p>nuclear na costa do Alasca, nos Estados - passou a ser o movimento</p><p>ambientalista de maior projeção internacional.</p><p>Desse modo, a discussão ambiental ganhou amplitude e adeptos em todo</p><p>o mundo ao colocar em pauta a questão da própria sobrevivência humana e</p><p>assinalar a necessidade de mudanças nos nossos valores sociais e culturais,</p><p>bem como no modelo econômico das nações de um modo geral.</p><p>Conferência de Estocolmo</p><p>O primeiro grande debate mundial sobre os temas ambientais tem como</p><p>referência a Conferência de Estocolmo, promovida pela ONU, na Suécia, em</p><p>http://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/alasca-estado-norte-americano.htm</p><p>http://educacao.uol.com.br/disciplinas/geografia/reino-da-suecia-pais-da-europa.htm</p><p>1972 (1ª Conferência Internacional para o Meio Ambiente Humano). Até então,</p><p>esse foi o maior evento de dimensão internacional dedicado exclusivamente à</p><p>avaliação das relações sociedade e natureza. O dia 5 de junho, que marcou o</p><p>início dos trabalhos da Conferência, foi oficializado pela ONU como o "Dia</p><p>Mundial do Meio Ambiente".</p><p>Na década de 1970, o mundo vivia no auge da Guerra fria. Os</p><p>países socialistas ligados à hoje extinta União Soviética não compareceram ao</p><p>evento de Estocolmo. Esses países boicotaram a conferência, em solidariedade</p><p>à Alemanha Oriental, cuja participação foi vetada pela ONU.</p><p>Sem a presença dos países socialistas, o principal embate do encontro de</p><p>Estocolmo ocorreu entre os países desenvolvidos do hemisfério Norte e os</p><p>países subdesenvolvidos do Sul. Enquanto os países do Norte, de modo geral,</p><p>defendiam a necessidade de implementar políticas ambientais rigorosas, os</p><p>países do Sul reclamavam o direito de perseguir o desenvolvimento econômico</p><p>e investir na industrialização.</p><p>O mundo subdesenvolvido não demonstrou nenhum interesse em adotar</p><p>mecanismos de proteção ambiental que bloqueassem as suas metas de</p><p>crescimento econômico. Os representantes desses países argumentavam que o</p><p>crescimento econômico era prioritário e necessário para modificar a condição</p><p>social precária em que vivia boa parte dos povos do mundo.</p><p>Uma conclusão contraditória</p><p>Essas divergências levaram a resultados práticos pouco promissores.</p><p>Para contemplar as diversas posições, a "Declaração de Estocolmo"</p><p>estabeleceu uma carta de princípios em que os países desenvolvidos</p><p>concordavam com a necessidade de transferir tecnologia e dar apoio financeiro</p><p>aos países dispostos a adotarem medidas ambientais corretas. Contudo, em</p><p>contradição com o próprio princípio e objetivo da conferência, considerava que</p><p>a conquista do desenvolvimento econômico era uma meta tão prioritária quanto</p><p>a preservação do meio ambiente.</p><p>Nesse sentido, a posição brasileira na Conferência de Estocolmo foi</p><p>tristemente exemplar, ao declarar que o país abria as suas portas para a</p><p>http://educacao.uol.com.br/disciplinas/historia/guerra-fria---inicio-da-segunda-guerra-mundial-as-primeiras-hostilidades.htm</p><p>http://vestibular.uol.com.br/resumo-das-disciplinas/atualidades/urss---o-fim-boris-ieltsin-e-o-fim-do-regime-socialista-na-russia.htm</p>