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Unidade 1
Antropoceno e as crises social e ambiental
Aula 1
Antropoceno e as Crises Contemporâneas
Antropoceno e as crises contemporâneas
Antropoceno e as crises
contemporâneas
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AMBIENTAL
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Bons estudos!
Ponto de Partida
Ponto de Partida
Caro estudante, boas-vindas à nossa aula sobre uma das temáticas de
extrema relevância atualmente, que está diretamente relacionada ao
futuro do nosso planeta: o Antropoceno.
 Entretanto, esse termo é ainda bastante questionado por muitos
cientistas. De fato, nas últimas décadas a economia e o comércio mundial,
baseados em uma sociedade de consumo, tiveram um forte crescimento,
com melhorias das condições de vida de milhões de pessoas pelo mundo.
Mas isso teve um preço: o aumento da poluição, a perda da biodiversidade
e o aquecimento global.
Você pode se perguntar: como isso afetará a minha vida?
As crises do Antropoceno vão alterar e desafiar as nossas compreensões
de economia e natureza?
De acordo com o ganhador do Prêmio Nobel de química em 1995, Paul
Crutzen, o Antropoceno significa uma nova época geológica caracterizada
pelo impacto do homem na Terra, na qual a humanidade se transformou
em uma força geológica capaz de alterar as condições de sustentação da
vida.
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https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/13939c5f-1079-45bd-80f3-4a0f85e950eb/82a60e51-82ee-57aa-9487-e44da4236e7d.pdf
Portanto, você, como futuro profissional, a partir desta aula, começa a
compreender, questionar e se preparar para os desafios desse novo
tempo, ou para muitos, “era geológica”, sobre as nossas atividades
econômicas e sociais.
Vamos juntos no estudo dessa instigante e importante temática!
Um grande abraço!
Vamos Começar!
Vamos Começar!
O Holoceno é a atual época do período Quaternário da Era Cenozoica, que
se iniciou há cerca de 11,65 mil anos antes do presente, após o último
período glacial. Tal período se caracterizou por apresentar um clima
razoavelmente estável. Esse fato permitiu gradualmente a evolução das
atividades humanas, como o desenvolvimento da agricultura e a
domesticação de animais, e, consequentemente, mudou o estilo de vida
nômade para o sedentário em grande parte da população. Soma-se a isso
as migrações humanas, a constituição de sociedades complexas e a criação
dos aglomerados urbanos, como vilarejos, vilas e a cidades (Veiga, 2019;
Costa, 2022). Dessa forma, o Holoceno se constituiu no período de
desenvolvimento do homem e de seus atributos na Terra.
O surgimento do conceito de
Antropoceno
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Para um número significativo de cientistas, esse período se esgotou e
estamos vivendo o início de um novo período geológico: o Antropoceno.
Esse termo foi cunhado pelo biólogo Eugene F. Stoermer, em 1980, e
significa antropo (homem) + ceno (novo)(Veiga, 2019). Já a hipótese de um
novo tempo geológico foi levantada originalmente pelo cientista Paul
Crutzen, ganhador do Prêmio Nobel de Química, em 1995, o qual, durante
uma reunião do Programa Internacional de Geosfera-Biosfera (IGBP), no
ano de 2000, sugeriu o uso do termo para representar o atual tempo
geológico e explica: “Eu estava em uma conferência e alguém mencionou o
Holoceno. De repente, pensei que esse termo era incorreto. O mundo
tinha mudado muito. Eu disse não, estamos no Antropoceno”. 
O que identifica o Antropoceno são as profundas transformações das
atividades humanas sobre os processos de regulação biofísicos do planeta.
Isto é, o homem passou a ser uma força geológica capaz de modificar as
condições estruturantes do sistema terrestre. Portanto, Antropoceno
significa a época da dominação humana sobre o planeta (Alves, 2020).
Não há consenso sobre o início do Antropoceno. Alguns artigos abrangem
desde o início da agricultura até os eventos relacionados ao período
histórico, informalmente reconhecido como a Grande Aceleração, mas
alguns especialistas escolheram uma data simbólica como marco
temporal: o ano de 1784, data do aperfeiçoamento da máquina a vapor
por James Watt. Esse é o período que marca o início do uso intensivo de
combustíveis fósseis (no caso o carvão), o início da Revolução Industrial e
do sistema de produção capitalista.
Para ambos
os cientistas, o uso do termo Antropoceno é o mais adequado para “[...]
enfatizar o papel central da humanidade na geologia e na ecologia”
(Crutzen; Stoermer, 2000, p. 17).
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Um exemplo imediato de todo o impacto ocasionado pela população
humana no planeta é a questão demográfica: em 1800, a população
mundial era de 1 bilhão de pessoas; hoje somos 8 bilhões e as estimativas
falam em 10 bilhões no ano de 2050. Esse aumento esteve ligado à
urbanização, que se intensificou nos últimos 200 anos, ou seja, o mundo se
tornou urbano, com mais de 50% da população mundial vivendo em
cidades. No Brasil, por exemplo, esses índices são superiores a 80% da
população (Ipea, 2014). E para atender essa crescente demanda,
aumentou-se a pressão na extração de recursos naturais, na ascensão de
uma agricultura industrial, no desmatamento de florestas tropicais e na
consequente perda de biodiversidade. Da mesma forma, entre os
problemas ocasionados estão a poluição em todos os sistemas planetários
– ar, oceanos, solo etc. –, e a configuração de sociedades com
desigualdades socioeconômicas em nível global.
A expressão Antropoceno é objeto de questionamentos. O geógrafo norte-
americano Jason Moore prefere o vocábulo Capitoloceno porque, segundo
ele, não é possível atribuir à espécie humana a condição de força
geológica, mas sim ao sistema capitalista que, por seu caráter
expansionista, é o causador da mudança de era geológica (Moore, 2016).
Outros usam o termo Ocidentaloceno, porque a responsabilidade pelos
desdobramentos atuais é dos países ricos do Norte Global, e esses não
podem ser atribuídos às nações mais pobres (Unesco, 2018; Costa, 2022);
ou ainda Tecnoceno, porque as mudanças em curso e suas consequências
ocorreram a partir do desenvolvimento tecnológico e têm o poder de
alcançar todas as condições de vida para as gerações futuras (Costa, 2021).
Apesar dos questionamentos, a expressão Antropoceno se popularizou e
tornou-se não só a designação de um novo tempo geológico, mas também
uma metáfora dos novos tempos em curso. Em uma ou em outra
perspectiva, o Antropoceno traz a discussão a respeito dos limites de um
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planeta finito, tanto de espaço quanto de recursos naturais. 
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O Antropoceno e as crises
contemporâneas
Os problemas relacionados ao desequilíbrio no uso dos recursos naturais e
no aumento da poluição puderam ser facilmente observados a partir de
1950, em que um novo e perigoso estágio intensificou os efeitos
antropogênicos sobre o sistema Terra, que os cientistas têm denominado a
Grande Aceleração. Com o fim da Segunda Guerra Mundial, época de
significativa expansão das atividades econômicas, baseada em uma
sociedade de consumo, o uso de combustíveis fósseis foi responsável por
recordes sucessivos na emissão de gases antropogênicos. Para
exemplificar, nos últimos 50 (cinquenta) anos, a economia mundial
multiplicou-se por quase quatro vezes, enquanto o comércio global
aumentou em 10 (dez) vezes (IPBES, 2019). Para contemplar as demandas
desse crescimento econômico, nós, seres humanos, passamos a exercer
uma pressão excessiva sobre os ciclos de regulação do planeta com o
aumento da poluição, os desmatamentos, a perda de biodiversidade e a
acidificação de oceanos, dentre outros fatores.
Além disso, se
os sistemas econômicos e sociais continuarem na mesma sistemática,
passaremos de um cenário de crise para uma provável e desafiadora
emergência ecológica, afetandohttps://www.oxfam.org.br/blog/desigualdade-social-um-panorama-completo-da-realidade-mundial/#:~:text=A%20desigualdade%20social%20%C3%A9%20oriunda,para%20a%20qualidade%20de%20vida
PICKETT, R.; WILKINSON, K. O nível: porque uma sociedade mais igualitária
é melhor para todos. Rio: Civilização Brasileira, 2015.
Aula 4
Movimentos de Defesa do Meio Ambiente
Movimentos de defesa do meio ambiente
Movimentos de defesa do meio
ambiente
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Ponto de Partida
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Nesta aula vamos estudar a importância dos movimentos sociais na
promoção e proteção ao meio ambiente. 
Para compreendermos melhor, vamos conhecer a história de João, que
trabalha em uma empresa, e questionou, junto ao amigo Daniel, a imagem
e a responsabilidade social e ambiental dela. Daniel é o responsável por
essa área, entretanto, a empresa está alinhada apenas com os interesses
econômicos e políticos, sem atenção ao meio ambiente e a
responsabilidade social.
Assim, Daniel buscou alternativas para tentar mudar essa perspectiva na
empresa e encontrou uma ONG, que tem um forte papel de preservação
do meio ambiente e responsabilidade social ambiental empresarial, por
promover projetos empresariais sustentáveis. Daniel apresentou o projeto
criado pela ONG para a diretoria da empresa, foi questionado sobre qual
Além de conhecer a configuração
das principais entidades ambientais em nível nacional e internacional, o
conteúdo da aula vai destacar a importância das organizações não
governamentais, conhecidas pela sigla ONGs, para a agenda ambiental.
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AMBIENTAL
https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/13939c5f-1079-45bd-80f3-4a0f85e950eb/ae3abe8c-42e8-56ed-9a68-8bb2216e2e5e.pdf
seria o impacto no lucro da empresa e contra-argumentou, dizendo que o
projeto da ONG pode ser um diálogo aberto, um passo importante para o
marketing da empresa e promoção para a expansão dos negócios, além
disso pode atrair novos investimentos.
Daniel ainda trouxe o caso de uma renomada empresa de cosméticos
como exemplo, que, após ter sido acusada de danos ambientais, adotou a
causa do meio ambiente e, hoje, é uma das empresas mais respeitadas no
segmento de cosméticos por conta de sua conduta. Entretanto, mesmo
com esse exemplo a empresa que Daniel trabalha não aceitou a proposta
da ONG.
Com base nessa situação, podemos nos questionar: a empresa, pela
resistência, demonstra-se contrária às ONGs e aos organismos
internacionais em favor do seu interesse? Há, efetivamente, uma oposição
entre as ONGs, organismos internacionais e interesses econômicos e
políticos do Estado? O desenvolvimento sustentável depende do
alinhamento entre ONGs, organismos internacionais e interesses
econômicos e políticos do Estado?
Um abraço!
Vamos Começar!
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AMBIENTAL
A preocupação da sociedade com o meio
ambiente
 Sob essa perspectiva, a primeira sociedade
ambientalista privada foi criada na Inglaterra em 1863, chamada de
Commons, Foot-paths, and Open Spaces Preservation Society (Mccormick,
1992).
Já nos Estados Unidos, os primeiros grupos ambientalistas são da virada
dos séculos XIX e XX, estabelecidos com base em duas compreensões das
relações do homem com a natureza: os preservacionistas, que defendiam
a manutenção de áreas virgens, intocadas, sem a interferência de
atividades humanas; e os conservacionistas, centrados na racionalização e
compatibilização do uso dos recursos naturais com a proteção ao
ambiente (Mccormick, 1992). Essas leituras são reflexos das discussões da
época, assentadas ora na proteção da vida selvagem, ora nos efeitos da
industrialização e da urbanização.
No final da década de 1950 e início da década de 1960, começa a surgir
uma nova articulação de grupos e entidades de proteção ao meio
ambiente, influenciados pelos riscos da corrida nuclear, da explosão
demográfica e do aumento degradação ambiental, fatores esses que foram
exteriorizados por meio de denúncias formuladas através da publicação de
livros e artigos acadêmicos. Um caso emblemático é a obra Primavera
Silenciosa, de autoria da bióloga Rachel Carson, em 1962, que demonstrou
os efeitos nocivos da contaminação por pesticidas na agricultura e as
O movimento ambiental tem origem na segunda metade do século XIX,
com os grupos protecionistas criados na Europa, que estavam
preocupados com os efeitos das transformações advindas da Revolução
Industrial, como a perda de áreas selvagens e a poluição em cidades, que
se tornaram insalubres.
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consequências para o equilíbrio ecológico. Essa publicação teve enorme
repercussão nos meios acadêmicos e políticos, influenciando
decisivamente o movimento ambientalista e abrindo as discussões que
levaram o governo norte-americano a criar a sua agência de proteção ao
meio ambiente nos anos de 1970.
As décadas de 1970 e 1980 trouxeram uma nova configuração na estrutura
do movimento ambientalista. Se, em um primeiro momento, os
movimentos ambientalistas eram oriundos de pautas convergentes de
determinados setores da sociedade, o avanço das questões ecológicas no
tabuleiro político e econômico da governança global impuseram uma nova
estruturação. Eles começam a se organizar, em nível institucional, por meio
de pessoas jurídicas de caráter não governamental, ora em organizações
de âmbito internacional, que traziam em seu bojo a premissa que os
problemas ecológicos não eram somente locais, mas conjugavam aspectos
transfronteiriços e globais, ora como entidades nacionais, orientadas por
pautas regionais e locais, focados nos projetos de desenvolvimento
sustentável de acordo com a realidade em cada país. Em qualquer dessas
perspectivas, teríamos doravante a expansão de organizações de caráter
não governamental, estimuladas pelas Nações Unidas.
No início do século XXI, surgiram novas formas de atuação em face dos
problemas ambientais por meio de ativismos impulsionados pelos avanços
das novas tecnologias de informação e comunicação, especialmente a
internet e suas redes sociais. Uma das formas é o ciberativismo, em que
comunidades virtuais de pessoas com propósitos e pautas convergentes
estimulam determinadas práticas. Um exemplo é o evento anual chamado
Hora do Planeta, criado pela organização WWF, que é responsável por
conjugar centenas de cidades e quase 1 bilhão de pessoas em defesa das
pautas patrocinadas pelo movimento, como a emergência climática e a
perda da biodiversidade.
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 Um importante ativismo recente, que conjuga a atuação virtual e real, é o
movimento de jovens suecos, iniciado pela jovem Greta Thunberg, que, em
maio de 2018, iniciou um protesto escolar às sextas-feiras, em frente ao
Parlamento sueco, cobrando medidas contra a mudança climática. A
princípio, sozinha, e depois com a companhia de milhares de jovens, que
deixavam de participar das aulas para protestar. Greta inspirou um
movimento que se espalhou pelo mundo com o nome de “sextas-feiras
pelo clima”. O movimento continua e é considerado um dos principais
ativismos ambientais na contemporaneidade.
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Os principais movimentos e
organizações não governamentais
ambientais
A compreensão dos movimentos ambientalistas, como conhecemos
atualmente, está diretamente ligada às organizações não governamentais
(ONGs). O conceito de ONGs é para aquelas pessoas que não se
enquadram como governamentais ou empresariais de fins lucrativos;
portanto, em sentido amplo, estão incluídos conceitualmente os
sindicatos, as organizações profissionais e as entidades com pautas
específicas, como de consumidores, de questões identitárias e outras de
promoção social. Mas o conceito de ONGsna área ambiental é mais
restrito. Elas são definidas como pessoas privadas, não governamentais,
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sem fins lucrativos, com propósitos de intervenção acerca de questões
globais aos locais, em prol das iniciativas de proteção e promoção do meio
ambiente. Outras expressões são utilizadas como equivalentes para
caracterizar as ONGs ambientalistas, como entidade do terceiro setor, ou
ainda, organizações da sociedade civil.
As ONGs ambientalistas tiveram um forte estímulo e articulação a partir da
Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em
Estocolmo, no ano de 1972. Diante das dinâmicas dos problemas
ecológicos, que são transfronteiriços, algumas das principais entidades
ambientalistas estão organizadas em nível internacional. Vamos destacar
algumas das principais organizações globais de proteção ambiental.
A primeira delas é o WWF, que é o Fundo Mundial para a Natureza, criado
em 1961, na cidade de Gland, Suíça. Com mais de 5 milhões de associados
em todo o mundo, o WWF tem “[...] como missão global conter a
degradação do meio ambiente e construir um futuro no qual as pessoas
vivam em harmonia com a natureza” (WWF, 2020). Tem linha centrada em
projetos que atuem na conservação da biodiversidade mundial, na
garantia da sustentabilidade de recursos naturais renováveis e na redução
da poluição e do desperdício. O WWF-Brasil foi criado em 1996 e atua por
meio de projetos no contexto econômico e social brasileiro, em especial
nos biomas brasileiros, como a Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica,
Pantanal e nos ecossistemas marinhos. Suas iniciativas “[...]
buscam proteger e restaurar a biodiversidade, fortalecer a agricultura
familiar e a produção local, além de gerar estudos sobre o impacto do
desmatamento e das queimadas” (WWF, 2020).
A segunda organização é o Greenpeace, criado em Vancouver, Canadá, em
1971. Trata-se de uma das mais combativas organizações ambientalistas,
que tem atuação por meio do ativismo ambiental e de mecanismos de
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pressão sobre governos e empresas. O Greenpeace é mantido
exclusivamente por seus associados, recusando financiamento público ou
empresarial. Entre as suas principais missões e valores estão (i) proteger os
ecossistemas e a biodiversidade em todas as suas formas; (ii) promover a
paz, o desarmamento global e a não violência; (iii) enfrentar as mudanças
climáticas: (iv) promover soluções sustentáveis junto à sociedade
(Greenpeace, 2022). O Greenpeace possui escritório no Brasil desde 1992 e
desenvolve ações ativistas em defesa da Amazônia e contra o
desmatamento; na luta contra os agrotóxicos; e no combate aos efeitos
danosos da mineração; entre outras.
A terceira organização internacional é a União Internacional para a
Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais – conhecida pela sigla
em inglês IUCN –, criada na França, em 1948. Trata-se da maior rede de
sociedades ambientais em nível global, conjugando mais de 1400
membros, entre órgãos governamentais e da sociedade civil (IUCN, 2019).
No Brasil, temos algumas importantes organizações. Entre elas, destaca-se
a Fundação S.O.S Mata Atlântica, que é uma ONG brasileira criada em 1986
e atua no fomento de políticas públicas para a proteção e conservação da
Mata Atlântica, um dos principais biomas brasileiros. Sua atuação se dá por
meio de estudos e monitoramento das intervenções antrópicas sobre o
bioma, conscientização pública e o aprimoramento da legislação ambiental
(SOS Mata Atlântica, 2021). Outra organização importante é o Instituto
Socioambiental (ISA), organização criada em 1994, que atua na defesa da
diversidade socioambiental brasileira, em especial por projetos e iniciativas
em conjunto com comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas, de
modo a preservar e fortalecer a cultura e os saberes tradicionais (ISA,
2021). Por fim, o instituto O Direito Por um Planeta Verde (IDPV), pessoa
jurídica sem fins lucrativos, criada em 2005, e que reúne os principais
especialistas na área do Direito Ambiental no Brasil. O IDPV, uma das
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entidades filiadas à IUCN, é o responsável pela edição anual do Congresso
Brasileiro de Direito Ambiental, fórum de discussões com pesquisas e
debates acadêmicos dos principais desafios e proposições sobre as
demandas ecológicas em nível internacional e nacional.
A atuação das ONGs e seus efeitos na
agenda ambiental
As organizações não governamentais (ONGs) possuem um papel
fundamental nas instâncias deliberativas em nível internacional e nacional,
em contribuição direta acerca da sensibilização sobre os problemas
estruturais e no processo de formulação das políticas e estratégias de
promoção e proteção ao meio ambiente. Nesse contexto, a participação da
comunidade é de fundamental importância. Para exemplificar, a
Declaração do Rio de Janeiro, elaborada em 1992 durante a Cúpula da
Terra, destaca que “[...] o melhor modo de tratar as questões ambientais é
com a participação de todos os cidadãos interessados, em vários níveis”
(ONU, 1992). Um dos níveis de participação é, sem dúvida, por meio das
organizações ambientalistas.
No Brasil, a importância das ONGs ambientalistas está presente no seu
reconhecimento pelo poder público. No âmbito federal, temos o Cadastro
Nacional de Entidades Ambientalistas, com 673 delas inscritas e
distribuídas em todas as regiões do país (Brasil, 2019). Outro ponto de
destaque são os conselhos do meio ambiente, constituindo uma das
principais formas de participação e atuação na formulação de políticas
públicas ambientais. Esses conselhos de meio ambiente são obrigatórios
em todos os níveis federativos para aqueles que pretendem efetuar o
licenciamento ambiental de atividades efetivas ou potencialmente
poluidoras, ou seja, se um estado ou um município decidir licenciar
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atividades, além de órgão ambiental capacitado, ele deverá possuir
conselho de meio ambiente com caráter deliberativo.
O mais relevante desses órgãos no país é o Conselho Nacional de Meio
Ambiente (Conama), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, que
conjuga integrantes eleitos entre as ONGs ambientalistas brasileiras
inscritas no Cadastro Nacional de Entidades Ambientalistas. A estrutura
jurídica brasileira prevê, também, a existência de conselhos com
participação comunitária e/ou de pessoas jurídicas ambientalistas em
casos de unidades de conservação e nos órgãos responsáveis pela gestão
dos recursos hídricos no Brasil, como os comitês de bacia hidrográfica, os
conselhos estaduais e o nacional, de recursos hídricos.
Outra forma de participação das ONGs ambientalistas em conjunto com o
poder público é por meio de parcerias em projetos e programas para o
desenvolvimento sustentável. Um dos exemplos de financiamento é por
meio dos fundos de meio ambiente, com recursos financeiros destinados
para projetos de soluções sustentáveis e setores específicos, como biomas,
populações tradicionais, combate à poluição, dentre outros. O Fundo
Nacional do Meio Ambiente, criado pelo governo brasileiro por meio da Lei
7.797, em 1989, é o mais antigo da América Latina e tem apoiado uma
série de iniciativas nesse âmbito (Brasil, 1989). Há, ainda, fundos
ambientais nos estados e municípios, assim como aqueles para áreas
como a proteção da biodiversidade e das florestas públicas brasileiras.
Em geral, as entidades ambientalistas exercem mecanismos permanentes
de acompanhamento e fiscalização das intervenções e pressões que
empresas e governos realizam no meio ambiente. Duas formas podem ser
destacadas: a atuação administrativa e a judicial. Na primeira delas, a
administrativa, as ONGs costumam acionar e cobrar a fiscalização dos
órgãos governamentais de proteção ao meio ambiente – como o IBAMA, na
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esfera federal –, em caso de infrações ambientais praticadas por empresas
privadas e pelo próprio poder público. A segunda forma é a intervençãona
esfera judicial, em que as pessoas jurídicas ambientalistas criadas há mais
de um ano e com finalidades institucionais ambientais possuem
legitimidade processual para ajuizar ação civil pública para a defesa do
meio ambiente, inclusive em casos de ocorrência de danos ambientais,
conforme dispõe a Lei Federal 7.347/1985 (Brasil, 1985). Por fim, podem
acionar Ministério Público, em caso de crimes ambientais cometidos por
pessoas físicas ou jurídicas, para que ele faça a proposição da competente
ação penal de responsabilização.
Além desse contexto de atuação em face das instituições públicas e setor
empresarial, é importante destacar que muitas ONGs são criadas para
projetos na escala da proximidade, ou seja, nos lugares em que vivem
comunidades e pessoas que são beneficiadas ou atendidas pelas suas
iniciativas, além de estratégias de melhoria das condições de vida e de
preservação e conservação dos recursos naturais. Outras ONGs atuam na
produção de dados, estudos e pesquisas que irão subsidiar um conjunto
de proposições públicas e privadas em suas áreas institucionais, muitas
vezes realizado em parceria com instituições de ensino. Da mesma forma,
algumas ONGs estabelecem projetos de educação ambiental, para a
formação de uma consciência pública sobre a importância da proteção
ambiental, estimulando a participação comunitária e dos setores
organizados da sociedade civil. 
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
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Vamos retomar o projeto de Daniel e a ONG, para a empresa em que
Daniel trabalha. Visando uma mudança de perspectiva da empresa em
atuar somente considerando os lucros, sem preocupações sustentáveis,
ele propôs alterações nos processos produtivo. Daniel justificou que o
projeto seria no sentido de promover o marketing da empresa, a sua
expansão, atrair novos negócios e investimentos, a fim de modificar no
mercado a imagem da empresa pela postura antiética no contexto social-
ambiental.  
Agora, respondendo aos questionamentos da nossa situação-problema
inicial, essa empresa, pela resistência à proposta de Daniel, demonstrou
ser contrária ao projeto, pois vê a ONG em desfavor ao seu interesse.
Esse interesse pode ser considerado escuso, por parecer ter como único e
exclusivo objetivo o lucro da empresa em detrimento do meio ambiente.
Tal fato não caracteriza interesses econômicos, porque lucro não deve ser
confundido com a economia que a integra, uma vez que a economia não
despreza o respeito ao meio ambiente e tampouco à responsabilidade
social.
Por fim, é importante considerar que as ONGs, organismos internacionais
e interesses econômicos e políticos do Estado não são opostos. Assim,
para que o desenvolvimento sustentável seja alcançado, deve ocorrer,
inevitavelmente, o alinhamento entre eles.
Saiba mais
Saiba mais
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RESPONSABILIDADE SOCIAL E
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As organizações da sociedade civil desempenham um papel fundamental
na agenda de nossas sociedades, com projetos e iniciativas com impacto
social, em benefício de grupos, comunidades e cidades. Seja conhecendo,
se beneficiando ou mesmo atuando profissionalmente em uma delas, as
organizações da sociedade civil estão na linha de frente dos desafios do
nosso tempo. Portanto, como profissional, é importante conhecer os
trabalhos dessas entidades. 
Como sugestão, conheça o trabalho do Observatório do Terceiro Setor,
uma agência brasileira de conteúdo multimídia com foco nas temáticas
sociais e nos direitos humanos.
Nesta aula, abordamos questões que envolvem o conceito de
ambientalismo. Para saber mais como surgiu o ambientalismo, acesse
Raízes do ambientalismo.
As ONGs são organizações formadas pela sociedade civil sem fins
lucrativos, cuja missão é a resolução de algum problema da sociedade.
Atuam em áreas nas quais há falhas com relação à assistência por parte do
governo, como as ambientais, econômicas e sociais. Elas são chamadas de
Terceiro Setor. Para saber mais sobre o assunto, acesse a página A
importância das ONGs ambientais na luta pela conservação do meio
ambiente.
Referências
Referências
BRASIL. Lei 7.347, de 24 de julho de 1985. Disciplina a ação civil pública de
responsabilidade por danos causados ao meio ambiente, ao consumidor, a
bens e direitos de valor artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico
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RESPONSABILIDADE SOCIAL E
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https://observatorio3setor.org.br/
https://revistapesquisa.fapesp.br/raizes-do-ambientalismo/
https://dialogoshistoricos.wordpress.com/ambiente/a-importancia-das-ongs-ambientais-na-luta-pela-conservacao-do-meio-ambiente/
https://dialogoshistoricos.wordpress.com/ambiente/a-importancia-das-ongs-ambientais-na-luta-pela-conservacao-do-meio-ambiente/
https://dialogoshistoricos.wordpress.com/ambiente/a-importancia-das-ongs-ambientais-na-luta-pela-conservacao-do-meio-ambiente/
e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF. Disponível
em: https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?
tipo=LEI&numero=7347&ano=1985&ato=955oXR65keBpWTffb. Acesso em:
20 out. 2023.
BRASIL. Lei 7.797, de 11 de julho de 1989. Cria o Fundo Nacional do Meio
Ambiente. Diário Oficial da União, Brasília, DF. Disponível em:
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?
tipo=LEI&numero=7797&ano=1989&ato=e40cXR61EeFpWT814.  Acesso
em: 20 out. 2023.
BRASIL. Ministério do Meio Ambiente. Cadastro nacional de entidades
ambientalistas 2019. Disponível em: http://cnea.mma.gov.br/entidades-
cadastradas. Acesso em: 10 ago. 2023.
GREENPEACE. Quem somos. Disponível em:
https://www.greenpeace.org/brasil/quem-somos/ Acesso em: 20 out. 2023.
INSTITUTO SOCIOAMBIENTAL. Relatório anual de atividades 2021.
Disponível em: https://www.socioambiental.org/sites/default/files/2022-
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MCCORMICK, J. Rumo ao paraíso: a história do movimento ambientalista.
Rio de Janeiro: Relume-Durnarã, 1992.
SOS MATA ATLANTICA. Relatório anual 2021. Disponível em:
https://cms.sosma.org.br/wp-
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https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=7347&ano=1985&ato=955oXR65keBpWTffb
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https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=LEI&numero=7797&ano=1989&ato=e40cXR61EeFpWT814
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http://cnea.mma.gov.br/entidades-cadastradas.%20Acesso%20em:%2010%20ago.%202023
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https://www.greenpeace.org/brasil/quem-somos/
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https://cms.sosma.org.br/wp-content/uploads/2022/07/Relatorio_21_julho.pdf
https://cms.sosma.org.br/wp-content/uploads/2022/07/Relatorio_21_julho.pdf
UNIÃO INTERNACIONAL PARA A CONSERVAÇÃO DA NATUREZA E DOS
RECURSOS NATURAIS. Relatório anual 2019. Disponível em:
https://portals.iucn.org/library/sites/library/files/documents/2020-012-
Pt.pdf. Acesso em: 22 out. 2023.
WWF. Relatório de parcerias corporativas 2020. Disponível em:
https://www.wwf.org.br/?79328/Relatorio-de-Parcerias-Corporativas-do-
Brasil-
2020#:~:text=Nossa%20miss%C3%A3o%20%C3%A9%20conter%20a,da%20
polui%C3%A7%C3%A3o%20e%20do%20desperd%C3%ADcio. Acesso em:
10 ago. 2023. 
Aula 5
Antropoceno e as crises social e ambiental
Antropoceno e as crises social e ambiental
Antropoceno e as crises social e
ambiental
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https://portals.iucn.org/library/sites/library/files/documents/2020-012-Pt.pdf
https://portals.iucn.org/library/sites/library/files/documents/2020-012-Pt.pdf
https://www.wwf.org.br/?79328/Relatorio-de-Parcerias-Corporativas-do-Brasil-2020#:~:text=Nossa%20miss%C3%A3o%20%C3%A9%20conter%20a,da%20polui%C3%A7%C3%A3o%20e%20do%20desperd%C3%ADcio
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Bons estudos!
Ponto de Chegada
Ponto de Chegada
Olá, estudante!
Para desenvolver a competência desta unidade, que é conhecer e refletir
sobre os desafios sistêmicos no contexto do antropoceno, identificando os
principais problemas e articulando os valores necessários para a
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https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/13939c5f-1079-45bd-80f3-4a0f85e950eb/9690c6b9-3ac9-5ed0-95dd-f6454f3ae304.pdf
sustentabilidade, você deverá, primeiramente, conhecer os conceitos
fundamentais dos seguintes pontos: Antropoceno, mudanças climáticas,
desigualdades socioambientais e movimentos ambientais.
Primeiramente, você observou que o conceito de Antropoceno é bastante
questionado por parte da comunidade cientifica, isso porque, a época
geológica que vivemos atualmente é chamada de Holoceno, e, de acordo
com a Comissão Internacional sobre Estratigrafia (ramo da geologia que
estuda, descreve e classifica camadas rochosas, os estratos, e as
correlacionam espacialmente e temporalmente), o Holoceno começou há,
aproximadamente, 11.650 anos (Wicander; Reed; Monroe, 2017).
Na escala de tempo geológico, o Holoceno faz parte do Período
Quaternário, que começou há cerca de 12 mil anos e segue até os dias
atuais. Seu nome significa totalmente recente, e é a época mais recente da
história da Terra. Iniciou-se após o fim do último período glacial do planeta
e, por isso, ele também é chamado de período pós-glacial. Entre suas
características climáticas, destaca-se por apresentar uma razoável
estabilidade, fator que favoreceu o avanço das populações humanas em
diversas regiões do planeta (Wicander; Reed; Monroe, 2017). A estabilidade
climática propiciou o desenvolvimento econômico e social, e o ser humano
expandiu as atividades agrícolas e a domesticação dos animais, construiu
cidades e montou uma máquina de produção e consumo de bens e
serviços (Alves, 2020). Assim, a população humana pôde estruturar-se e
expandir-se, de cerca de 5 milhões, no início do Holoceno, para cerca de 8
bilhões, em 2023 (ONU, 2023).
Diante desse cenário, você pode compreender que toda essa expansão
trouxe mudança expressivas no meio ambiente, gerando uma série de
impactos ambientais, como o aumento drástico nos níveis dos GGE (gases
do efeito estufa), extinção em massa de espécies animais e vegetais,
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desenvolvimento de novas doenças e novos vírus, poluição do ar. A análise
dos dados da Angus Maddison, Historical Statistics of the World Economy e
FMI 2022 demonstram que a economia global cresceu 135 vezes em 250
anos, a renda per capita cresceu 15 vezes, enquanto a população mundial
cresceu 9,2 vezes (Global Footprint Network, 2022).
Figura 1 | Crescimento da economia, da população e da renda per capita
mundial: 1722:2022. Fonte: Angus, Maddison, Historical Statistics of the
Worl Economy e FMI 2022.
Entretanto, você pode perceber que todo esse crescimento e
enriquecimento humano ocorreu às custas do encolhimento e
empobrecimento do meio ambiente. As atividades antrópicas
ultrapassaram vários indicadores de sustentabilidade, como a capacidade
de carga da Terra e a Pegada Ecológica da humanidade, que extrapolaram
a biocapacidade do planeta. Esse panorama só parece piorar: a cada dia a
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nossa dívida com a natureza cresce e, junto com ela, também cresce o
processo de degradação ambiental, que pode destruir a base ecológica
que sustenta a economia e a sobrevivência humana (Alves, 2020). Como
exemplo disso, as análises dos resultados em 2013 demostraram que a
Pegada Ecológica global estava 68% acima da biocapacidade. Ou seja, a
população mundial está utilizando cerca de 1,7 do planeta e caminha para
o uso de dois planetas até 2030.
Figura 2 | Pegada Ecológica e biocapacidade global: 1961-2013. Fonte:
adaptado de York University, FoDaFo, Global Footprint Network, 2023.
O mundo vive um período de transformações inéditas, no que tem sido
denominado por cientistas e pensadores como a era do Antropoceno, que
significa época da dominação humana, período em que a humanidade se
tornou a força impulsionadora da degradação ambiental e o vetor de
ações que são catalisadoras de uma provável catástrofe ecológica. Se, por
um lado, as últimas décadas registraram um forte crescimento da
economia e do consumo com a globalização, por outro lado, a explosão
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demográfica, a urbanização e o aumento da poluição estão provocando
uma série de crises em nível global.
Nesse contexto, um dos principais desafios é a questão da mudança do
clima, em que os efeitos adversos do aquecimento global, potencializados
pela emissão de gases de efeito estufa, são sentidos em todo o planeta. É
importante frisar que o efeito estufa é fundamental para a manutenção da
vida no nosso planeta, responsável pela regulação da temperatura média
global. Esse aquecimento ocorre pela radiação solar. Parte dessa energia
emitida pelo Sol à Terra é refletida para o espaço, outra parte é absorvida
pela superfície terrestre e pelos oceanos. Uma parcela do calor irradiado
de volta ao espaço é retida pelos gases de efeito estufa (dióxido de
carbono (CO2), o gás metano (CH4), o óxido nitroso (N2O), o ozônio (O3) e o
vapor d’agua), de tal modo que o equilíbrio energético é mantido, fazendo
com que não haja grandes amplitudes térmicas e as temperaturas fiquem
estáveis (Xavier; Kerr, 2008).
Entretanto, as atividades humanas, como aquelas ligadas à indústria,
atividades agropecuárias, uso de transportes e desmatamento estão
potencializando o efeito estufa, pois são grandes geradores dos gases do
efeito estufa. Consequentemente, mais calor é aprisionado no sistema,
gerando o processo de aquecimento global. E, como resultado, temos a
recorrência de eventos climáticos e meteorológicos: chuvas, enchentes,
tempestades, ciclones e secas são cada vez mais intensos, afetando as
atividades agropecuárias e os ecossistemas, com a perda da
biodiversidade e a extinção de componentes da flora e da fauna.
Esse quadro é reconhecido não somente pela ciência, mas também pelo
conjunto de atores do tabuleiro institucional, como organismos
multilaterais, governos, setor empresarial e sociedade civil. Tendo como
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referência o Acordo de Paris, que é um tratado global, os Estados têm se
comprometido a reduzir a emissão dos seus gases de efeito estufa,
causadores do aquecimento global, além do compromisso com um
conjunto de medidas para reduzir as vulnerabilidades de países, regiões e
cidades em face da mudança do clima.
Enquanto o mundo se depara com as exigências da mudança do clima, um
antigo problema estrutural está de volta: o aumento da desigualdade
econômica e social no mundo. Além de impactar negativamente a
economia e as relações sociais, a desigualdade tem se manifestado em
diversas dimensões, e uma delas é a ambiental. Ou seja, temos agora a
desigualdade ambiental, que se configura ora com as disparidades no
acesso e consumo dos recursos naturais entre países, ora com a alocação
de riscos ambientais para regiões e populações mais vulneráveis, afetadas
desfavoravelmente pela poluição e danos ambientais. Além disso, mais
recentemente, em decorrência da emergência climática, temos o
surgimento dos deslocados ambientais, pessoas e grupos que são
obrigados a deixar seus lares e países por contade desastres e eventos
climáticos.
Sob essas circunstâncias, a sociedade civil, por meio das organizações não
governamentais, conhecidas pela sigla ONGs, tem se organizado e
proposto medidas de combate às principais crises na proteção do meio
ambiente, seja por atuação em nível internacional, como o enfrentamento
da mudança do clima e da perda da biodiversidade, seja por atuação
nacional e regional, diretamente em projetos e iniciativas com povos
tradicionais, pessoas e cidades.
Por tudo que se relacionou, constata-se que estamos em um período de
problemas sistêmicos, com consequências diretas nas atividades
econômicas e sociais. Portanto, a importância do conhecimento e
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compreensão dessas questões é um elemento agregador na formação
profissional, justamente para se preparar para o manejo dos instrumentos
e mecanismos de superação das crises.
É Hora de Praticar!
É Hora de Praticar!
Em uma localidade no interior do Brasil, a notícia da possível implantação
de uma fábrica potencialmente causadora de significativa degradação
ambiental está causando intensos debates entre poder público e
moradores. De um lado, o poder público, em defesa da nova atividade
econômica, argumentando, em síntese, a oferta de novos empregos para a
cidade. De outro lado, moradores mais antigos, preocupados com os
impactos da possível instalação da fábrica para o meio ambiente, em
especial porque a cidade tem sofrido com eventos climáticos, como a
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ausência de chuvas e a falta de água para as atividades produtivas. Entre
essas leituras, encontra-se uma parcela substancial da população, que está
apreensiva e não dispõe de um conjunto de informações para uma opinião
favorável ou contrária sobre a implementação do novo empreendimento.
Nesse contexto, você, consultor na área ambiental, é contratado por uma
organização não governamental (ONG) com atuação na localidade para
conferir as orientações dos processos de análise e decisão sobre a possível
instalação da fábrica. A ONG pretende solicitar uma audiência pública e
usar as informações que você, enquanto consultor, produziu para a
compreensão da dinâmica do processo de decisão para possível aprovação
ou não da fábrica.
Reflita
Você acredita que o aquecimento global esteja acontecendo no nosso
planeta em decorrência das atividades humanas ou é um apenas um
processo natural?
Na sua opinião, está correto o uso do termo Antropoceno para descrever a
época mais recente da história do planeta Terra?
Para você, o mundo, no atual momento, passa por um período com
aumento da desigualdade econômica e social?
Resolução do Estudo de Caso
Em primeiro lugar, ao ser contratado como consultor, é importante
destacar a legitimidade de todos os envolvidos – população, ONGs e poder
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público – no processo de consciência e participação sobre a possível
instalação dessa nova fábrica. Isso porque a legislação brasileira e os
instrumentos internacionais de proteção ao meio ambiente destacam a
centralidade do princípio da participação comunitária, ou seja, que todos
os afetados e interessados direta e indiretamente sejam ouvidos no
processo de tomada de decisão. No caso, de um lado há o interesse do
poder público, justificado pela possibilidade de geração de novos
empregos na cidade; de outro lado, uma parcela dos moradores
preocupados com os impactos dessa nova fábrica no ambiente e nas suas
atividades.
De forma a conferir respaldo técnico às informações de sua consultoria, é
importante enumerar alguns dos principais diplomas da participação
comunitária, como a Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e
Desenvolvimento, de 1992, que dispõe em seu art. 10 que “[...] o melhor
modo de tratar as questões ambientais é com a participação de todos os
cidadãos interessados [...]”; e isso inclui “[...] a informação sobre os
materiais e as atividades que oferecem perigo a suas comunidades, assim
como a oportunidade de participar dos processos de adoção de decisões”
(ONU, 1992). Outro importante diploma nesse sentido é o Acordo de
Escazú, que garante os “direitos de acesso”, compreendendo o direito à
informação, à participação pública nos processos de tomada de decisões
em questões ambientais e o direito de acesso à justiça (ONU, 2018).
No que se refere à legislação brasileira, ela estabelece a participação em
vários diplomas legais, prevendo a audiência e a consulta pública no
licenciamento ambiental de atividades potencialmente causadoras de
significativa degradação ou poluição, situação correspondente ao caso em
discussão (Conama, 1986; 1987; 2020). Ou seja, todas vezes que se
configurar uma obra ou atividade causadora de poluição ou degradação de
forma significativa, haverá a possibilidade de uma audiência pública para
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ouvir a população. E, nesse caso, o órgão ambiental responsável deverá
trazer as informações dos impactos positivos e negativos do
empreendimento. É pertinente destacar que nessa audiência pública a
população poderá fazer perguntas, esclarecer dúvidas e ter acesso às
informações que julgar necessárias para compreender as implicações de
uma fábrica. Portanto, esse conjunto de dados deverá ser evidenciado em
sua consultoria. Por esses elementos, ressalta-se que as políticas públicas
que afetam pessoas, populações, cidades e regiões devem ser fruto de
uma construção dialógica entre os atores envolvidos, e não a sobreposição
de uma única interpretação.
Assimile
Para fixar seu aprendizado, veja no infográfico a seguir os principais
tópicos estudados nesta unidade:
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Figura 1 | Antropoceno e as crises social e ambiental: conceitos
importantes. Fonte: elaborado pelo autor.
Referências
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de impacto ambiental. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 17 fev. 1986, p.
2548-2549. Disponível em: http://conama.mma.gov.br/?
option=com_sisconama&task=arquivo.download&id=745. Acesso em: 30
ago. 2023.
CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução Conama nº
009/1987. Dispõe sobre a questão de audiências públicas. Diário Oficial da
União, Brasília, DF, 5 jul. 1990, p. 12945. Disponível em:
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ago. 2023.
CONSELHO NACIONAL DO MEIO AMBIENTE. Resolução Conama nº
424/2020. Estabelece, em caráter excepcional e temporário, nos casos de
licenciamento ambiental, a possibilidade de realização de audiência
pública de forma remota, por meio da Rede Mundial de Computadores,
durante o período da pandemia do Novo Coronavírus (COVID-19). Diário
Oficial da União, Brasília, DF, 12 ago. 2020, seção 1, p. 154. Disponível em:
http://conama.mma.gov.br/?
option=com_sisconama&task=arquivo.download&id=793. Acesso em: 30
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COSTA, A. Antropoceno: desmandamentos gravados em rocha. In: Os mil
nomes de Gaia: do Antropoceno à idade da terra, v. 1. Rio: Machado, 2023.
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WICANDER, R.; MONROE, J. Geologia. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning
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XAVIER, M. E. R.; KERR, A. A. F. S. O efeito estufa e as mudanças climáticas
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https://data.footprintnetwork.org/#/countryTrends?cn=5001&type=BCpc,EFCpc
http://www.fap.if.usp.br/~akerr/efeito_estufa.pdfa vida como um todo.
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Alguns estudos científicos nos ajudam a compreender os desafios
impostos pela Grande Aceleração das últimas décadas. O relatório A
Avaliação Global da Natureza, lançado em 2019 pela Plataforma
Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES,
na sigla em inglês), é a mais extensa análise da perda da biodiversidade no
planeta e afirma que “[...] o ritmo das mudanças globais na natureza nos
últimos 50 (cinquenta) anos não tem precedentes na história” (IPBES, 2019,
p. 12). Além disso, o documento apresenta outros dados alarmantes,
alguns destacados na sequência: a) 75% da superfície da Terra já sofreu
alterações consideráveis e já se perdeu mais de 85% de áreas de zonas
úmidas; b) 66% da superfície dos oceanos estão experimentando efeitos
crescentes de deterioração; c) Em média, cerca de 25% das espécies em
grupos de animais e plantas estão ameaçados, o que sugere que cerca de
um milhão de espécies já estão em perigo de extinção, muitas em apenas
algumas décadas; d) Em 2016, 559 das 6.190 raças de mamíferos
domesticados usados para alimentação e agricultura (mais de 9%) foram
extintas e pelo menos 1.000 outras foram ameaçadas de extinção.
O relatório Planeta Vivo, do ano de 2020, elaborado pela entidade WWF,
traz os mesmos dados sobre a perda da biodiversidade, e indica que os
fatores responsáveis por essa perda são: o uso da terra, com a conversão
de áreas intocadas em setores agrícolas, e, no caso dos oceanos, o
aumento excessivo da pesca. O ponto fundamental do relatório é que “a
perda de biodiversidade não é apenas um problema ambiental. Ela
também afeta o desenvolvimento, a economia, a segurança global, a ética
e a moral” (WWF, 2020). Recentemente um novo relatório do IPBES (2022)
alertou que cerca de um milhão de espécies da fauna e da flora estão
ameaçadas de extinção.
Esse conjunto de dados traz uma constatação fundamental: a necessidade
de estabelecer limites planetários, em uma perspectiva que permita
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conjugar as atividades socioeconômicas de nossas sociedades com a
capacidade suporte do planeta. Para tanto, será necessário compreender
quais são os limites planetários.
Diante disso, um estudo liderado pela equipe do cientista sueco Johan
Rockström, do Centro de Resiliência de Estocolmo, caracterizou os nove
processos que regulam a estabilidade e a resiliência do planeta,
estabelecendo os limites para o que é denominado “espaço operacional
seguro para a humanidade”, isto é, em que é possível a manutenção das
atividades sem colocar em risco a vida terrestre (Veiga, 2019; Costa, 2022).
Os nove processos que precisam ser regulados para a garantia da
estabilidade planetária podem ser observados na Figura 1 (Veiga, 2019;
Costa, 2022):
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Figura 1 | Os 9 limites planetários. Fonte: BBC News Brasil.
Na Figura 1, podemos visualizar que a parte em verde são as chamadas
zonas seguras, em que temos o espaço operacional seguro; em laranja, as
zonas de risco crescente, com alto potencial de efeitos prejudiciais; e em
vermelho, as zonas de risco alto, nas quais os limites foram ultrapassados
e estamos sujeitos a consequências imprevisíveis. Percebemos que a
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humanidade já ultrapassou quatro dos limites estabelecidos: mudanças
climáticas; integridade da biosfera (perda de biodiversidade); fluxos
bioquímicos de nitrogênio e fósforo; e, mais recentemente, as mudanças
no uso da terra (solo). Esses são desafios que estão postos no tabuleiro
global, a demandar a atuação de todas as instituições internacionais e
nacionais. Nota-se, assim, que a observância dos limites planetários é uma
das exigências para que as crises provocadas pela Grande Aceleração não
conduzam o sistema Terra a uma situação de irreversibilidade.
Os principais efeitos do Antropoceno nas
dinâmicas econômica e social
Diante desse cenário, para o enfrentamento das questões que se
apresentam no Antropoceno, é imprescindível repensar os meios de
produção e os padrões de consumo em sociedade, que afetam
decisivamente os processos ambientais e, por consequência, as dinâmicas
de regulação do sistema Terra. Se, em sentido amplo, é essencial uma
conjugação de políticas e estratégias por diversos atores globais –
instituições governamentais, setores empresariais e organismos
multilaterais –, na escala da proximidade (quotidiano) é preciso destacar o
exercício de uma ética da responsabilidade, por meio da conscientização
ecológica para a compreensão da finitude dos recursos naturais e o
repensar das relações de consumo. Não há dúvidas de que dispomos de
tecnologias cada vez mais avançadas e que podem ser muito importantes
no contexto das crises. Mas as tecnologias, sem a mudança de consciência
pública e individual, e sem a percepção do próprio ser humano de que ele
e natureza constituem um todo, podem não ser suficientes para lidar com
a questão demográfica e o aumento da poluição (Odum, 2001).
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Um dos intentos que contribui no processo de tomada de consciência é
um indicador criado que nos permite conhecer os impactos das nossas
atividades sobre o planeta. Trata-se do conceito de pegada ecológica –
elaborado pela entidade Global Footprint Network – que é uma unidade
métrica que estabelece uma equação entre a demanda de recursos
utilizados por pessoas, empresas e governos e a capacidade de
regeneração biológica do planeta. A pegada ecológica mede o quanto de
área de terra (hectares) e água são requeridos para o consumo e para a
absorção dos resíduos sólidos gerados (WWF, 2020).
Muitos países estão em situação de déficit ecológico, isto é, usam mais
recursos naturais – pegada ecológica – que seus ecossistemas podem
regenerar – biocapacidade – como é o caso dos Estados Unidos, China,
Índia, Israel, Japão e a União Europeia. Com o aumento desse déficit em
nível global, temos o que é chamado de “capacidade de carga” do planeta,
que é a sobrecarga no consumo de seus recursos. Desde a década de
1970, a capacidade de carga do planeta tem sido ultrapassada com sérios
riscos para a dinâmica ambiental. Uma das representações usadas para
demonstrar o limite da capacidade de carga do planeta é determinar o dia
em que ele ocorre em cada ano. No ano de 2022, ela foi atingida no dia 28
de julho (WWF, 2022). A partir de então, estamos em déficit. Em uma
analogia, entramos no “vermelho”, consumindo mais do que o planeta
pode suportar. Por esse parâmetro, para atender aos níveis de utilização
dos recursos ambientais atuais, é demandado o equivalente a 1,75 do
planeta (WWF, 2022). No caso do Brasil, a capacidade de carga foi atingida
em 12 de agosto de 2022 (WWF, 2022). Isso se dá, em boa medida, pelo
aumento do desmatamento na Floresta Amazônica e das queimadas nesse
e em outros biomas brasileiros, como o Cerrado e o Pantanal.
De tudo que foi estudado, é necessário compreender que a era do
Antropoceno é uma realidade e que devemos estar preparados para o
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enfrentamento de seus efeitos em nossas atividades econômicas e
cotidianas. Ainda que a atuação no nível individual ou de pequenos grupos
seja restrita, isso não é um obstáculo para que possamos compreender o
imperativo do exercício da ética da responsabilidade em todos os campos
da atividade humana, tanto profissional quanto cidadã, porque não há
dissociação entre eles. Afinal, o que está em risco é a construção da
sociedade e dos predicados da vida. Esse é o desafio do nosso tempo.
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
Conforme discutido anteriormente, o termo Antropoceno, refere-se a uma
nova época geológica caracterizada pelo impacto do homem na Terra, em
que a humanidade se transformou em uma força geológica capaz de
alterar as condições de sustentação da vida.
 Para auxiliar
esse avanço, vamos elucidar algumas questões importantes sobre essa
temática:
Qual foio preço do Antropoceno e como isso afetará a minha vida?
O Antropoceno ocorre atrelado à modernidade urbano-industrial. Temos
um ponto-chave da expansão do Antropoceno, a Revolução Industrial e
energética, a qual deu início ao uso generalizado de combustíveis fósseis
E agora, você, como futuro profissional, começa a compreender,
questionar e se preparar para os desafios desse novo tempo.
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(carvão mineral) e à produção em massa de mercadorias e meios de
subsistência. Como consequência, houve uma rápida expansão das
atividades antrópicas. Todo esse processo expansionista gerou efeitos
incomparáveis: em 250 anos, a economia global cresceu 135 vezes, a
população mundial cresceu 9,2 vezes e a renda per capita cresceu 15
vezes. Esse crescimento demoeconômico foi maior do que o de todo o
período dos 200 mil anos anteriores, desde o surgimento do Homo
sapiens.
Entretanto, todo esse avanço gerou consequências extremamente
negativas ao meio ambiente. Nossas atividades ultrapassaram a
capacidade de carga da Terra, e a Pegada Ecológica da humanidade
extrapolou a biocapacidade do planeta. Tal cenário ainda não parece
mudar. A cada dia, a dívida do ser humano com a natureza continuação a
crescer e a degradação ambiental pode, no limite, destruir a base ecológica
que sustenta a economia e a sobrevivência humana. 
Saiba mais
Saiba mais
Nesta aula discutimos a hipótese do Antropoceno. Sob esse contexto, é
proposto que as atividades humanas alteraram consideravelmente a
dinâmica do planeta, configurando uma nova época geológica. Para
auxiliar na compreensão das definições do Antropoceno, leia o artigo O
que é o Antropoceno e por que esta teoria científica responsabiliza a
humanidade. 
Além disso, podemos compreender que o avanço das atividades humanas
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https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/01/o-que-e-o-antropoceno-e-por-que-esta-teoria-cientifica-responsabiliza-a-humanidade
https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/01/o-que-e-o-antropoceno-e-por-que-esta-teoria-cientifica-responsabiliza-a-humanidade
https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/01/o-que-e-o-antropoceno-e-por-que-esta-teoria-cientifica-responsabiliza-a-humanidade
está alterando drasticamente a dinâmica no planeta. Entre os pontos
destacados, está o aquecimento global, aumento da temperatura média
dos oceanos e da camada de ar próxima à superfície da Terra, que pode
ser consequência de causas naturais e atividades humanas. Para saber
mais sobre essa temática, leia a matéria As Mudanças Climáticas,  e
Antropoceno: a era do colapso ambiental, e entenda quais os principais
fatores associados às mudanças climáticas e ao aquecimento global.
Outro ponto de relevância que abordamos nesta aula é uma das principais
métricas para conhecer e compreender o impacto das nossas atividades
no planeta, a Pegada Ecológica. Mas será que você sabe qual é a sua
pegada? Para conhecê-la, acesse Pegada Ecológica e faça o teste usando a
calculadora da contabilidade ambiental, que reflete as nossas condutas
sobre o planeta. Além de interessante, o resultado nos ajudará a
compreender a nossa responsabilidade no Antropoceno. 
Referências
Referências
ALVES, J. E. D. Antropoceno: a era do colapso ambiental. Disponível em:
https://cee.fiocruz.br/?q=node/1106. Acesso em: 17 out. 2023.
COSTA, A. Antropoceno: desmandamentos gravados em rocha. In: Os mil
nomes de Gaia: do Antropoceno à idade da terra, v. 1. Rio: Machado, 2023.
COSTA, F. Tecnoceno: algoritmos, biohackers y nuevas formas de vida.
Buenos Aires: Taurus, 2021.
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https://www.wwf.org.br/natureza_brasileira/reducao_de_impactos2/clima/mudancas_climaticas2/
https://cee.fiocruz.br/?q=node/1106#:~:text=O%20aquecimento%20global%2C%20a%20extin%C3%A7%C3%A3o,um%20colapso%20ambiental%20e%20social,%20e
https://cee.fiocruz.br/?q=node/1106
CRUTZEN, P.; STOERMER, E. The “Anthropocene”. Global Change
Newsletter, v. 41, 2000, p. 17-18.
DIA de sobrecarga da terra.   WWF. Disponível em:
https://www.wwf.org.br/overshootday/. Acesso em: 17 out. 2023.
IPBES. Resumo para formuladores de políticas do relatório de avaliação
global sobre biodiversidade e serviços ecossistêmicos da plataforma
intergovernamental de políticas científicas sobre biodiversidade e serviços
ecossistêmicos. Bonn: IPBES Secretariat, 2019. Disponível em:
https://ipbes.net/assessment-reports/americas. Acesso em: 17 out. 2023.
IPEA. Um exame dos padrões de crescimento das cidades brasileiras.
Disponível em:
http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/TDs/td_1155.pdf.
Acesso em: 17 out. 2023.
GLOBAL FOOTPRINT NETWORK. Ecological footprint per person. In: 
National footprint and biocapacity accounts 2022 edition. Disponível em:
https://data.footprintnetwork.org/#/. Acesso em: 17 out. 2023.
MOORE, J. W. Anthropocene or capitalocene? Nature, History, and the Crisis
of Capitalism. Los Angeles: Kairos, 2016.
ODUM, E. P. Fundamentos de ecologia. 6. ed. Lisboa: Fundac¸a~o Calouste
Gulbenkian, 2001.
O QUE é o Antropoceno e por que esta teoria científica responsabiliza a
humanidade? National Geographic Brasil, jan. 2023. Disponível em:
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https://www.wwf.org.br/overshootday/
https://ipbes.net/assessment-reports/americas
https://data.footprintnetwork.org/#/
https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/01/o-que-e-o-
antropoceno-e-por-que-esta-teoria-cientifica-responsabiliza-a-humanidade
UNESCO. Correio da Unesco: um glossário para o antropoceno. In: Bem-
vindo ao Antropoceno, v. 2, abr.-jun., 2018. Disponível em:
https://pt.unesco.org/courier/2018- 2/um-glossario-o-antropoceno. Acesso
em: 17 out. 2023.
VEIGA, J. E. da. O Antropoceno e a ciência do sistema terra. São Paulo:
Editora 34, 2019.
WWF. Índice planeta vivo 2020: reversão da curva de perda de
biodiversidade. In: Almond, R. E.; Grooten, M.; Petersen, T. (eds.) Gland:
WWF, 2020. Disponível em:
https://f.hubspotusercontent20.net/hubfs/4783129/LPR/PDFs/Brazil%20FI
NAL%20summary.pdf. Acesso em: 17 out. 2023.
Aula 2
Mudanças Climáticas
Mudanças climáticas
Mudanças climáticas
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https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/01/o-que-e-o-antropoceno-e-por-que-esta-teoria-cientifica-responsabiliza-a-humanidade
https://www.nationalgeographicbrasil.com/historia/2023/01/o-que-e-o-antropoceno-e-por-que-esta-teoria-cientifica-responsabiliza-a-humanidade
https://f.hubspotusercontent20.net/hubfs/4783129/LPR/PDFs/Brazil%20FINAL%20summary.pdf
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Estudante, esta videoaula foi preparada especialmente para você. Nela,
você irá aprender conteúdos importantes para a sua formação
profissional. Vamos assisti-la? 
Clique aqui para acessar os slides da sua videoaula.
Bons estudos!
Ponto de Partida
Ponto de Partida
Olá, estudante!
É uma alegria tê-lo conosco em uma nova aula sobre um tema
fundamental para a sua formação profissional e social: as mudanças
climáticas.
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https://content.cogna.com.br/content/dam/cogna/cms2/13939c5f-1079-45bd-80f3-4a0f85e950eb/0e527d16-ce4d-5ef0-8f4f-d0d7c76410e6.pdf
 Agora, você, como um recém-
contratado de uma multinacional do ramo alimentício, será o responsável
pela implantação de projetos que visam diminuir o impacto da empresa na
emissão dos gases do efeito estufa (GEE). Diante do desafio, você decide
realizar uma palestra para sua equipe sobre o que é o aquecimento global,
as mudanças climáticas, seus impactos, quais são os principais GEE e o que
é o efeito estufa.
Vamos juntos no estudo desse tema fundamental para a manutenção dos
recursos do nosso planeta e para as gerações atuais e futuras!
Um grande abraço!
Vamos Começar!
Vamos Começar!
O conceito de mudanças climáticas
Nenhuma política ou perspectiva de desenvolvimento social e econômico
prescindedessa temática, e sua compreensão é fundamental e
indispensável para o futuro de nossas sociedades. A mudança do clima
amplifica a vulnerabilidade de populações e de ecossistemas frágeis.
Sabemos, hoje, que a mudança do clima é uma realidade com impactos
diretos nas relações econômicas e sociais.
A mudança do clima é o maior desafio do mundo contemporâneo.
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Há um conjunto de conceitos ligados às questões climáticas como
mudança do clima, aquecimento global, gases de efeito estufa e outros.
Conhecê-los permitirá o entendimento do contexto e dos desafios que as
alterações climáticas impõem nos sistemas naturais e humanos.
Embora possa ser de origem
natural, o fator decisivo para a mudança do clima é atribuído, direta ou
indiretamente, às atividades humanas, já que elas induzem à alteração da
composição da atmosfera. O principal efeito humano que desencadeou a
mudança do clima foi e ainda é o uso dos combustíveis fósseis, desde o
início da modernidade, com o advento da Revolução Industrial. Nesse
contexto, temos a emissão dos gases de efeito estufa (GEE), que são
aqueles “[...] constituintes gasosos, naturais ou antrópicos, que, na
atmosfera, absorvem e reemitem radiação infravermelha” (Brasil, 2009).
São exemplos desses GEE: o dióxido de carbono, o metano e o óxido
nitroso, que são utilizados ou resultantes de atividades da indústria,
transporte, agricultura, pecuária etc. Além disso, o desmatamento de
florestas tropicais, a substituição no uso do solo, agricultura, descarte de
resíduos sólidos (lixo) e outras atividades contribuem para a emissão
desses gases. Os principais emissores de dióxido de carbono são: a China,
os Estados Unidos e a União Europeia, que contribuem com 42,6% das
emissões globais.
A emissão de gases de efeito estufa é diretamente responsável pelo
aumento da temperatura planetária. Desde 1880, quando se iniciaram as
medições globais, até o ano de 2020, a temperatura da Terra aumentou
mais de 1,2º C acima do nível pré-industrial (1850-1900) e a última década
foi a mais quente da história (OMM, 2022). Temos aqui o que é chamado
de aquecimento global. Esse aumento da temperatura global afeta
Considera-se mudança do clima as transformações nos padrões de
temperatura e clima ao longo do tempo. 
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diretamente os sistemas de sustentação da vida no planeta, que são
interconectados às mais variadas atividades humanas.
Dessa forma, há estudos dos impactos do aquecimento global sobre o
Ártico, a Antártica e o permafrost (que é o material orgânico congelado).
Com o derretimento das geleiras e calotas polares, há o aumento no nível
do mar. Pesquisas indicam que, caso as emissões de gases do efeito estufa
continuem no patamar atual, o gelo do Ártico terá virado água em 2050
(IPBES, 2019). Ademais, nota-se o aumento dos extremos climáticos e
meteorológicos, com oscilações significativas de calor e frio em todo o
planeta. Chuvas, enchentes, tempestades, ciclones e secas são cada vez
mais comuns e intensos, prejudicando as atividades agropecuárias, em
especial a segurança alimentar das populações mundiais. Os ecossistemas,
por sua vez, são afetados pelo aquecimento global com a perda da
biodiversidade, com ameaças e a extinção de componentes da flora e da
fauna. Nos oceanos, os recifes de corais são atingidos com a acidificação,
que ocorre pela dissolução do dióxido de carbono atmosférico na água dos
oceanos, diminuindo o seu pH.
Todos os elementos delineados possuem impacto imediato para os seres
humanos com efeitos na saúde, na disseminação de vetores de
transmissão de doenças, e, em última análise, na própria existência da vida
como conhecemos. Para exemplificar, a pandemia da covid-19 e outras
questões epidemiológicas estão associadas às consequências da perda da
biodiversidade causada pelos desmatamentos e queimadas das florestas
tropicais em todo o mundo.
As principais iniciativas em face das
mudanças climáticas
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Por esse conjunto, nota-se que será necessário um compromisso global
para enfrentar os efeitos negativos da mudança do clima. 
 A
Organização das Nações Unidas (ONU) tem um papel central nesse
processo. Ela é uma das responsáveis pela criação do Painel
Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (em inglês IPCC), em 1988.
Formado por cientistas de todo o planeta, o IPCC é a principal autoridade
mundial no que tange ao aquecimento global e produz periodicamente
relatórios científicos sobre a mudança do clima, com a formulação de
estratégicas de enfrentamento e respostas aos impactos. Até o ano de
2022, o IPCC tinha produzido seis relatórios de avaliação e estratégias de
enfrentamento à mudança do clima.
No que se refere à arquitetura normativa internacional, o principal
documento sobre a mudança climática é a Convenção-Quadro das Nações
Unidas sobre Mudança do Clima (em inglês UNFCCC). A Convenção-Quadro
tem como principal objetivo a “[...] estabilização das concentrações de
gases de efeito estufa na atmosfera num nível que impeça uma
interferência antrópica perigosa no sistema climático” (Brasil, 1998). Ela
pretende evitar os chamados efeitos negativos da mudança do clima, que
são:
É importante
destacar que há um conjunto de negociações e proposições em nível
global – envolvendo países, entidades internacionais, cientistas e
sociedade civil – para o enfrentamento da mudança do clima.
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[...] as mudanças no meio ambiente físico ou biota resultantes da mudança
do clima que tenham efeitos deletérios significativos sobre a composição,
resiliência ou produtividade de ecossistemas naturais e administrados,
sobre o funcionamento de sistemas socioeconômicos ou sobre a saúde e o
bem-estar humanos (Brasil, 1998). 
Portanto, a Convenção-Quadro tem como foco o compromisso dos países
no processo de estabilização da emissão de gases de efeito estufa no
sistema climático decorrente de atividades antrópicas, para que não se
potencializem os efeitos do aquecimento global (Brasil, 1998).
Com a adoção da Convenção-Quadro, e como forma de manter a
discussão sobre o clima, as partes (países) se reúnem periodicamente para
discutir as questões climáticas. Essas reuniões são chamadas de COP
(conferência das partes), órgão supremo da Convenção-Quadro. A primeira
COP ocorreu no ano de 1995, em Berlim, Alemanha (Melo, 2017).
Uma das principais deliberações desse órgão ocorreu durante a COP 3, em
1997, com a aprovação do Protocolo de Kyoto, que estabeleceu metas de
redução de emissões para os países desenvolvidos. Após oito anos de
negociações, o protocolo entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005, com
a ratificação por, no mínimo, 55% do total de países-membros da
Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima. Esses deveriam ser
responsáveis por, pelo menos, 55% do total das emissões de gases de
efeito estufa, tendo como referência o ano de 1990 (Melo, 2017). Mesmo
com o Protocolo de Kyoto, as emissões de gases de efeito estufa não
cessaram. Pelo contrário, registraram sensível aumento, e um dos fatores
foi a crise econômica de 2008.  
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Para substituir o Protocolo de Kyoto durante a 21ª Conferência das Partes
(COP 21), realizada em Paris, em dezembro de 2015, celebrou-se um novo
acordo para enfrentar as ameaças da mudança climática, denominado
Acordo de Paris. Este contou com a assinatura dos representantes de 196
países da Convenção-Quadro sobre Mudança do Clima. O Acordo de Paris
entrou em vigor oficialmente em novembro de 2016 e visa reforçar a
resposta mundial à ameaça da mudança climática no contexto do
desenvolvimento sustentável, além de erradicar a pobreza (Brasil, 2017).
Após a entrada em vigor, realizou-se em Marrakesh, Marrocos, em 2016, a
22ª Conferência das Partes (COP 22), em que as discussões se centraram
no estabelecimento de um plano para implementar e monitorar o Acordo
de Paris até dezembro de 2018. A 24ª Conferência das Partes(COP 24),
ocorrida em Katowice, Polônia, em 2018, adotou um manual de instruções
(livro de regras) para os países implementarem os seus esforços nacionais
no Acordo de Paris, chamado de Contribuição Nacionalmente Determinada
(NDC), que é a contribuição voluntária de cada país para a redução de suas
emissões de gases de efeito estufa.
Siga em Frente...
Siga em Frente...
Os efeitos das mudanças climáticas nas
relações sociais e econômicas
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Para o enfrentamento do cenário da mudança do clima, é necessário um
conjunto de compromissos e obrigações por todos os atores do tabuleiro
global, governos, setor empresarial e sociedade civil.
De imediato, é preciso reconhecer que vivemos em um cenário de
vulnerabilidades, conceito que está associado ao grau de suscetibilidade
de uma sociedade, de acordo com suas capacidades para enfrentar os
efeitos adversos da mudança do clima (Bursztyn; Bursztyn, 2012). Isso
significa que todos seremos impactados pela mudança do clima.
Reconhecer as vulnerabilidades é identificar os possíveis impactos
negativos da mudança do clima sobre as atividades econômicas, a
segurança alimentar e a vida das pessoas em um país ou região. Há países
mais e outros menos vulneráveis. No nosso caso, o Brasil, com um
território de dimensão continental, as vulnerabilidades são distintas, a
depender da região. Vamos exemplificar: fenômenos meteorológicos
extremos, como secas e enchentes, podem ter efeitos distintos na região
Sul ou no Nordeste brasileiro. Por isso, conhecer as nossas
vulnerabilidades enseja a adoção de medidas para conter os efeitos
adversos da mudança climática e, com isso, fortalecer os mecanismos para
a resiliência.
Desse modo, duas estratégias são fundamentais: a mitigação e a
adaptação aos efeitos adversos da mudança do clima. Ambas devem ser
conjugadas, sendo que a mitigação se preocupa com a redução das causas
e a adaptação assenta-se em lidar com as consequências da mudança do
clima (Pfeiffer, [s. d.]). Em um primeiro momento, o objetivo é mitigação
por meio da imediata redução das emissões de gases de efeito estufa. Esse
compromisso foi assumido em documentos oficiais no âmbito
internacional e nacional.
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Em nível internacional, ao ratificar o Acordo de Paris, cada país assumiu o
que é denominado Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), que é
o compromisso internacional para a redução das emissões de gases de
efeito estufa. A NDC brasileira, revista no ano de 2020, tem os seguintes
compromissos: (i) reduzir as emissões líquidas totais de gases de efeito
estufa em 37% em 2025; (ii) assumir o compromisso de reduzir em 43% as
emissões brasileiras até 2030 (Brasil, 2020).
O compromisso internacional assumido pelo Brasil no Acordo de Paris
dialoga diretamente como a Política Nacional de Mudanças do Clima
(PNMC), aprovada pela Lei Federal 12.187/2009, que estabelece, entre
outros pontos, que “[...] todos têm o dever de atuar, em benefício das
presentes e futuras gerações, para a redução dos impactos decorrentes
das interferências antrópicas sobre o sistema climático” (Brasil, 2009).
Ademais, na execução de políticas públicas relativas à mudança do clima, a
PNMC estimula o apoio e participação “[...] dos governos federal, estadual,
distrital e municipal, assim como do setor produtivo, do meio acadêmico e
da sociedade civil organizada” (Brasil, 2009). No que se refere à mitigação,
a PNMC visa à redução das emissões antrópicas de gases de efeito estufa
em relação às suas diferentes fontes e prescreve que as ações de
mitigação devem estar em consonância com o desenvolvimento
sustentável (Brasil, 2009).
Além da mitigação das emissões de gases de efeito estufa, há a
necessidade da adaptação, que consiste em iniciativas e medidas para
reduzir os impactos adversos da mudança climática. As medidas de
adaptação são necessárias porque as mudanças já estão em curso. Nesse
ponto, é importante a adaptação das economias nacionais, isto é, ter “[...]
iniciativas e medidas para reduzir a vulnerabilidade dos sistemas naturais
e humanos frente aos efeitos atuais e esperados da mudança do clima”
(Brasil, 2009). É por meio das iniciativas de adaptação que se tem a
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proteção de vidas em face dos efeitos adversos. Entre os exemplos de
medidas de adaptação, temos: (i) reflorestamento de florestas e a
recuperação de ecossistemas afetados; (ii) desenvolvimento do cultivo de
plantas e culturas mais adaptáveis à mudança do clima; (iii) adoção de
sistemas de prevenção, monitoramento e preparação em caso de
catástrofes naturais e eventos climáticos; (iv) garantia de infraestruturas e
políticas públicas urbanas para enfrentar as dinâmicas do clima sobre as
cidades.
Em qualquer perspectiva, é preciso atentar que, tanto em nível global
quanto local, o que está subjacente a esses compromissos é reduzir a
emissão de carbono o mais próximo de zero. Uma economia de baixo
carbono permitirá o que o IPCC chama de desenvolvimento resiliente: “[...]
viabilizado quando os governos, a sociedade civil e o setor privado fazem
escolhas de desenvolvimento inclusivas que priorizam a redução de riscos,
a equidade e a justiça [...] (IPCC, 2022).
De modo mais imediato, no contexto corporativo e individual, será preciso
a tomada de consciência da nossa atuação no mundo no contexto atual.
Para tanto, um elemento que pode auxiliar é o uso de métricas que nos
auxiliam a compreender o papel de cada um de nós no contexto climático.
Uma delas é a chamada pegada de carbono, ou seja, o cálculo dos
impactos das atividades humanas sobre o ambiente. A pegada de carbono
é, hoje, um indicador que contribui no cálculo dos impactos de pessoas,
empresas e países nas emissões dos gases de efeito estufa. Por esse
cálculo, podemos conhecer e identificar quanto cada ação ou como o
nosso modo de vida impacta na emissão de gases de efeito estufa. Por
evidente, reduzir a pegada de carbono é uma medida essencial para todos,
governos, setor corporativo e sociedade civil.
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Em qualquer das perspectivas enumeradas, de governos a cada um de
nós, será preciso não só a tomada de consciência, mas o compromisso
político e ético com as estratégias para a redução das vulnerabilidades no
contexto climático.
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
Podemos citar o aquecimento global como, possivelmente, o maior desafio
da contemporaneidade. Diante desse cenário, a adoção de medidas de
combate aos fatores relacionados ao aumento da temperatura global é
fundamental. Relacionado a essa temática, você, como o responsável pela
implantação de projetos que visam atenuar os impactos de uma empresa
do ramo alimentício na emissão dos gases do efeito estufa, tem a
importante demanda de esclarecer os seguintes pontos, em uma palestra,
para os colaboradores dessa empresa:
O que é o aquecimento global, as mudanças climáticas, seus impactos
e quais são os principais gases do efeito estufa (GEE)?
O que é o efeito estufa?
As mudanças climáticas são transformações de longo prazo nos padrões
de temperatura e clima. Decorrentes dessas transformações, podemos ter
o evento do aquecimento global, que é o aumento da temperatura média
dos oceanos e da camada de ar próxima à superfície da Terra. Um dos
principais potencializadores desse aquecimento é o efeito estufa, que
corresponde a uma camada de gases que cobre a superfície da terra,
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composta, principalmente, por gás carbônico (CO²), metano (CH4), N²O
(óxido nitroso) e vapor d’água (principais GEE), é um fenômeno natural
fundamental para manutenção da vida na Terra, pois sem ela o planeta
poderia se tornar muito frio, inviabilizando a sobrevivência de diversas
espécies. Entretanto, parte da radiação solar que chega ao nosso planeta é
refletida e retorna diretamente para o espaço. Outra parte é absorvida
pelos oceanos e pela superfície terrestre, e uma parte é retida por essacamada de gases que causa o chamado efeito estufa. Mas as emissões
elevadas dos GEE espessam essa camada que, consequentemente, retém
mais calor na Terra, aumentando a temperatura da atmosfera terrestre e
dos oceanos, e ocasionando o aquecimento global.
Como consequências, podemos observar o aumento da temperatura
média do planeta, elevando o nível do mar, devido ao derretimento das
calotas polares, e ainda previsão de uma frequência maior de eventos
extremos climáticos (tempestades tropicais, inundações, ondas de calor,
seca, nevascas, furacões, tornados e tsunamis), com graves consequências
para populações humanas e ecossistemas naturais. 
Saiba mais
Saiba mais
Percebemos, com o entendimento desta unidade, que o avanço das
atividades humanas está alterando drasticamente a dinâmica no planeta.
O recorrente aumento da emissão dos gases do efeito estufa está
potencializando o processo de aquecimento do planeta, o que gera
consequências negativas para a manutenção da vida do homem e das
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RESPONSABILIDADE SOCIAL E
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processos ecológicos. Para saber mais sobre essa temática, leia a matéria
O que são as mudanças climáticas?.
Apesar dos números relacionados à emissão dos gases do efeito estufa
serem extremamente preocupantes nos dias atuais, existem uma série de
esforços visando à diminuição dessas emissões. Por exemplo, a 21ª
Conferência das Partes (COP21), da UNFCCC, em Paris, em que foi adotado
um novo acordo com o objetivo central de fortalecer a resposta global à
ameaça da mudança do clima e de reforçar a capacidade dos países para
lidar com os impactos decorrentes dessas mudanças. Para saber mais
sobre a COP21, acesse a página do Ministério do Meio Ambiente, e leia a
matéria Acordo de Paris. 
Um ponto importante abordado nesta aula é a pegada do carbono, medida
que calcula a emissão de carbono equivalente na atmosfera por uma
pessoa, atividade, evento, empresa, organização ou governo. Para saber
mais sobre o assunto e calcular a sua pegada de carbono, acesse o site
Calcule as suas emissões. 
Referências
Referências
BRASIL. Decreto 2.652, de 1 de julho de 1998. Promulga a Convenção-
Quadro das Nações Unidas sobre mudança do clima, assinada em Nova
York, em 9 de maio de 1992. Diário Oficial da União, Brasília, DF. Disponível
em:  https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?
tipo=DEC&numero=2652&ano=1998&ato=163ITTE50dNpWT810. Acesso
em: 20 ago. 2023.
Disciplina
RESPONSABILIDADE SOCIAL E
AMBIENTAL
https://brasil.un.org/pt-br/175180-o-que-s%C3%A3o-mudan%C3%A7as-clim%C3%A1ticas
https://antigo.mma.gov.br/clima/convencao-das-nacoes-unidas/acordo-de-paris.html
https://calculator.moss.earth/
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=DEC&numero=2652&ano=1998&ato=163ITTE50dNpWT810
https://legislacao.presidencia.gov.br/atos/?tipo=DEC&numero=2652&ano=1998&ato=163ITTE50dNpWT810
BRASIL. Decreto 9.173, de 07 de maio de 2017. Promulga o Acordo de Paris
sob a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre mudança do clima,
celebrado em Paris, em 12 de dezembro de 2015, e firmado em Nova
Iorque, em 22 de abril de 2016. Diário Oficial da União, Brasília, DF.
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BURSZTYN, M.; BURSZTYN, M. A. Fundamentos de política e gestão
ambiental: caminhos para a sustentabilidade. Rio: Garamond, 2013.
CALCULE as suas emissões. Moss. Disponível em:
https://calculator.moss.earth/. Acesso em: 16 out. 2023.
IPBES. Resumo para formuladores de políticas do relatório de avaliação
global sobre biodiversidade e serviços ecossistêmicos da plataforma
intergovernamental de políticas científicas sobre biodiversidade e serviços
Disciplina
RESPONSABILIDADE SOCIAL E
AMBIENTAL
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MELO, F. Direito ambiental. 2. ed. São Paulo: Método, 2017.
O QUE são as mudanças climáticas? Nações Unidas Brasil. Disponível em:
https://brasil.un.org/pt-br/175180-o-que-s%C3%A3o-mudan%C3%A7as-
clim%C3%A1ticas. Acesso em: 13 out. 2023.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE METERIOLOGIA (OMM). 2020 was one of
three warmest years on record. Disponível em:
https://public.wmo.int/en/media/press-release/2020-was-one-of-three-
warmest-years-record. Acesso em 28 ago. 2023.
PFEIFFER, C. Mitigação das mudanças climáticas. In: Enciclopédia discursiva
da cidade. Disponível em:
https://www.labeurb.unicamp.br/endici/index.php?r=verbete/view&id=231.
Acesso em: 21 ago. 2023. 
Aula 3
Desigualdades Socioambientais
Desigualdades socioambientais
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https://ipbes.net/assessment-reports/americas
https://brasil.un.org/pt-br/175180-o-que-s%C3%A3o-mudan%C3%A7as-clim%C3%A1ticas
https://brasil.un.org/pt-br/175180-o-que-s%C3%A3o-mudan%C3%A7as-clim%C3%A1ticas
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Desigualdades socioambientais
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Nesta aula vamos estudar a questão da desigualdade em nossas
sociedades, em especial a ambiental.
Hoje, organismos como o Banco Mundial e o Fundo Monetário
Internacional têm manifestado preocupação com o avanço da
desigualdade em nível global, porque ela gera impactos imediatos na
competitividade econômica e na estabilidade social. Além disso, a
desigualdade tem uma dimensão ambiental, que revela as disparidades de
consumo entre países ricos e pobres, e demonstra que os efeitos negativos
da poluição e dos danos ambientais afetam mais desfavoravelmente os
grupos e populações vulneráveis.
Para melhor compreensão, tomemos o caso de Arnaldo, o qual se opõe à
construção de um grande empreendimento em sua cidade, Santa Cruz da
Serra, local em que será construído um grande reservatório pela empresa,
para atender uma usinahidrelétrica. Diante desse cenário, a empresa
responsável, município e o estado informam que a construção gerará
inúmeros benefícios, dentre eles: energia elétrica; reservatório d´água;
prática de esportes; pesca e criação de peixes; servirá como controle de
enchentes; lazer e entretenimento, além da geração de muitos empregos.
Pergunta-se: É possível compreender a oposição de Arnaldo analisando as
justificativas do município, do governo do estado e da empresa?
Qual seriam os possíveis impactos diretos na população residente da
região afetada e por que esse fato deve ser considerado como uma fonte
de desigualdade?
Agora vamos conhecer os principais fundamentos dessa discussão e nos
preparar para o exercício ético e responsável de suas atividades
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profissionais em respeito aos processos democráticos de proteção ao meio
ambiente.
Um abraço!
Vamos Começar!
Vamos Começar!
O contexto das desigualdades na
contemporaneidade
 Isso porque estamos acompanhando a escalada da
desigualdade em todo o planeta e, como tal, reduzi-la é um pressuposto
fundamental para mitigar os impactos deletérios que ela causa em nossas
sociedades. Esse é um objetivo compartilhado por governos e por
organismos multilaterais, como o Fundo Monetário Internacional e o Banco
Mundial. Mas como compreender a desigualdade e as suas variações?
Com efeito, a desigualdade se estabelece a partir dos processos estruturais
em sociedade, em que ela “[...] condiciona, limita ou prejudica o status e a
classe social de uma pessoa ou um grupo e, consequentemente, interfere
em requisitos primários para a qualidade de vida” (Oxfam, 2021). A
desigualdade é multidimensional, mas vamos nos concentrar em duas
delas: a econômica e a social. A desigualdade econômica se dá por meio da
Nos últimos anos, a desigualdade tornou-se uma temática prioritária em
qualquer discussão de instituições governamentais, em nível global ou
nacional.
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concentração de renda em um número reduzido de pessoas em uma
sociedade, ou seja, a maior parte da riqueza produzida e acumulada
encontra-se nas mãos de poucos. A desigualdade social, por sua vez, está
diretamente ligada à estratificação de pessoas em uma sociedade por
critérios, como gênero, raça, origem social, entre outras variantes,
identificando-se, geralmente, com os grupos mais vulneráveis de uma
sociedade. Tanto a desigualdade econômica quanto a social caminham
associadas. Esse é caso do Brasil, com suas desigualdades múltiplas,
colocando o país como um dos mais desiguais do mundo e o 84º no índice
de desenvolvimento humano global, entre 189 países (ONU, 2020).
Apesar da relevância e do compromisso dos atores com a redução da
desigualdade, os estudos e as estatísticas sinalizam em sentido contrário,
tanto na concentração de renda quanto no aumento da pobreza. Segundo
o relatório da Oxfam, a questão da concentração de renda é um problema
mundial. A plutocracia, o segmento que inclui o 1% mais rico, detém a
riqueza dos outros 99% da população mundial; apenas oito bilionários
possuem a riqueza da metade mais pobre do planeta (Oxfam, 2017). Um
nível alto de desigualdade reduz a competitividade e afeta a economia de
um país, por gerar uma estagnação na dinâmica social. Os resultados
desses dados são preocupantes, porque a desigualdade “[...] aumenta a
criminalidade e a insegurança e gera mais pessoas vivendo com medo do
que com esperança” (Oxfam Brasil, 2017).
Com os níveis de concentração de renda, temos o efeito imediato do
aumento da pobreza, agora agravada pelas implicações da covid-19 em
nível global. No caso do Brasil, em especial, após ter saído do mapa da
fome em 2014, os índices de pobreza cresceram nos últimos anos (Oxfam,
2017; Oliveira, 2019). Trata-se do retorno de uma questão estrutural da
sociedade brasileira aos debates políticos e econômicos. E não podemos
nos esquecer de que o compromisso de não retroceder no combate à
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fome não é somente político, mas um objetivo expresso no art. 3º, III, da
Constituição Federal de 1988, de “[...] de erradicar a pobreza e a
marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais” (Brasil, 1988,
[s. p.]).
É por meio do combate e da superação dos altos índices de desigualdade,
em qualquer de seus enfoques, que podemos traçar um compromisso
efetivo para a construção de uma sociedade igualitária e democrática,
requisito fundamental para o enfrentamento das crises contemporâneas.
As desigualdades e os efeitos sobre a
proteção ambiental
De imediato, uma pergunta fundamental: qual a relação entre a
desigualdade – econômica e social – com as questões ambientais? A
resposta é: são faces de um mesmo problema. Isso porque, como alertou o
filósofo francês François Ost (1997, p. 390), “a injustiça das relações sociais
gera a injustiça das relações com a natureza”. Sob essa perspectiva, a
desigualdade econômica e a social resultam na desigualdade ambiental
que, por sua vez, pode se manifestar em duas dimensões: no acesso e no
uso privilegiado dos recursos naturais, a partir de um padrão de consumo
privilegiado para poucos; na ausência de participação e proteção
ambiental para os grupos mais vulneráveis, que sofrem com a distribuição
desigual dos efeitos deletérios no meio em que vivem e estão inseridos.
Os dados atuais das emissões dos gases do efeito estufa demonstram que,
em um mundo com cerca de 8 bilhões de pessoas, metade das emissões
globais provém dos 500 milhões de habitantes mais ricos do planeta
(Abramovay, 2012). Além disso, esses dados mostram que, se de um lado
os países ricos conseguiram atingir os benefícios do crescimento
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econômico, de outro lado, a maioria dos países em desenvolvimento não
conseguiu os padrões mínimos de uma existência digna.
Uma outra dimensão da desigualdade ambiental é que as políticas e os
problemas ecológicos não são democráticos. Os projetos e as iniciativas
dos processos produtivos são decididos e alocados em países e/ou em
territórios de grupos vulneráveis que, além de não participarem dos
efeitos positivos desses investimentos, estão mais sujeitos aos efeitos
nocivos da poluição e dos danos ambientais. Como exemplo, temos a
situação dos povos originários e tradicionais, que são expulsos ou têm os
seus territórios diretamente afetados pela implementação de grandes
projetos de infraestrutura – barragens, mineração etc. –, sem terem
benefícios diretos e arcando com o passivo dessas iniciativas. Esses
projetos, na maioria das vezes apoiados pelo poder público, são geradores
de externalidades negativas, tanto nos efeitos sobre os grupos afetados
quanto no meio ambiente comum, ou seja, prejudicam outras atividades
econômicas existentes. No mesmo sentido, nas cidades, essas populações
vivem em áreas frágeis ambientalmente (morros, encostas, beiras de rios
etc.) ou próximas de lixões e terrenos poluídos, e sofrem as mazelas da
segregação socioespacial, isto é, a ausência de políticas públicas que
conjuguem uma existência digna.
Além das dimensões principais, há uma nova faceta da desigualdade
ambiental, que se constitui pela intensificação dos efeitos adversos do
clima, em que milhões de pessoas deverão deixar seus lares e países e se
mudarem para outros lugares, configurando o que tem sido denominado
deslocados ambientais ou, como tem sido utilizado por alguns, refugiados
ambientais. O relatório World Disaster Report, do ano de 2018, elaborado
pela Cruz Vermelha Internacional (2018), consignou que, entre os anos de
2006-2016, mais de 771 mil mortes foram atribuídas a desastres, com
quase dois bilhões de pessoas afetadas por eventos dessa natureza, das
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quais cerca de 95% delas em ocorrências por questões climáticas. Ainda
que as questões sobre clima sejam produzidas pelos setores mais ricos da
sociedade, os seus efeitos são sentidos, sobretudo, pelos povos mais
vulneráveisno mundo. Afinal, como expõe Sergio Margulis (2020, p. 120),
são as pessoas de baixa renda as mais afetadas pela mudança do clima,
porque “[...] tendem a viver e trabalhar em locais mais expostos a riscos
climáticos, sem infraestrutura que os reduzam, em casas e bairros que
enfrentam os maiores problemas quando impactados [...]”.
Por essa conjugação de variantes da desigualdade ambiental, é possível
constatar a imbricada e correspondente relação entre desigualdade e o
futuro da vida no planeta. Afinal, a persistência da desigualdade ambiental
é um fator desagregador de toda a construção moderna de Estado e
sociedade. Lutar por uma maior igualdade, ao reverso, pode nos ajudar a
um compromisso comum dos problemas que ameaçam a todos nós
(Pickett; Wilkinson, 2015).
Siga em Frente...
Siga em Frente...
A justiça ambiental
Diante do contexto da desigualdade ambiental, uma das principais
proposições para o enfrentamento em sentido crítico é o movimento de
Justiça Ambiental. Trata-se de um movimento que surgiu originalmente nos
Estados Unidos, na década de 1980, e procura demonstrar que os efeitos
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prejudiciais recaem, sobretudo, em grupos mais vulneráveis da sociedade,
em demonstração do racismo ambiental naquele país. As pautas e os
princípios norteadores do movimento de Justiça Ambiental daquele país se
espalharam pelo mundo e chegaram ao Brasil no final da década de 1990,
conjugando as especificidades das lutas e pautas ambientais em nosso
país.
Segundo Acselrad, Mello e Bezerra (2009), o movimento de Justiça
Ambiental articula suas proposições em duas dimensões de atuação: (i) a
discussão dos processos decisórios de participação na formulação das
políticas ambientais, em especial por parte das populações afetadas; (ii) os
efeitos na distribuição dos benefícios e encargos das intervenções sobre o
ambiente.
Em primeiro lugar, os processos decisórios são, invariavelmente,
estabelecidos numa relação de verticalização imposta por empresas e
governos, de cima para baixo, sem os protocolos de consulta, ou, quando
ocorrem, são realizados com mecanismos de pressão sobre as
comunidades e os grupos do entorno, impedindo a livre manifestação pelo
peso de retaliações econômicas, sociais, físicas e políticas no âmbito local.
Isso é particularmente sensível pela conjugação de fatores ou justificativas
de que a falta de empregos e investimentos em um local justificaria a
aceitação de projetos e empreendimentos que causam danos ambientais e
sanitários, prejudicando a qualidade de vida das populações para um
objetivo imediato que, na maioria das vezes, tem uma proposição
exclusivamente econômica.
Esses processos decisórios estão em uma dinâmica dissonante dos mais
elementares princípios estruturantes do Direito Ambiental, pois os
documentos internacionais de proteção ao meio ambiente destacam a
necessidade de participação comunitária na formulação e execução de
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políticas ambientais. A Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente
e Desenvolvimento, de 1992, consigna, em seu art. 10, que “[...] o melhor
modo de tratar as questões ambientais é com a participação de todos os
cidadãos interessados [...]” (ONU, 1992). E continua deixando claro que o
acesso adequado à informação sobre o meio ambiente “[...] inclui a
informação sobre os materiais e as atividades que oferecem perigo a suas
comunidades, assim como a oportunidade de participar dos processos de
adoção de decisões” (ONU, 1992). No mesmo sentido, o Acordo de Escazú
(ONU, 2018), garante os “direitos de acesso”, compreendendo o direito à
informação, à participação pública nos processos de tomada de decisões
em questões ambientais e o direito de acesso à justiça. A legislação
brasileira estabelece essa participação, prevendo a audiência pública no
licenciamento ambiental de atividades efetiva ou potencialmente
causadoras de significativa degradação ambiental (Conama, 1986; 1987;
2020). Por esses elementos, evidencia-se que as políticas públicas que
afetam pessoas, populações, cidades e regiões devem ser fruto de uma
construção dialógica entre os atores envolvidos, e não a sobreposição de
uma única interpretação.
Uma outra dimensão da Justiça Ambiental envolve a distribuição dos
encargos das intervenções sobre o meio ambiente, que recairão
justamente nas populações, nos grupos e nas pessoas mais vulneráveis em
sociedades desiguais – como é o caso do Brasil. Portanto, são esses grupos
que ora são privados do acesso aos recursos naturais para viverem, ora
“são expulsos de seus locais de moradia para a instalação de grandes
projetos hidroviários, agropecuários ou de exploração madeireira ou
mineral” (Acselrad; Mello; Bezerra, 2009, p. 42). Esse é o caso dos projetos
de desenvolvimento que são impostos e implicam a expulsão de grupos e
populações. Dois são os exemplos: o primeiro são expulsões ligadas ao
mercado global de terras, com aquisição de grandes áreas produtivas por
corporações para a produção de biocombustíveis ou para o extrativismo,
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forçando milhares de agricultores a venderem ou deixarem suas terras; o
segundo exemplo são os projetos de infraestrutura, como o caso da Usina
de Belo Monte, no Pará, em que milhares de pessoas foram expulsas de
suas casas com o alagamento de amplas faixas de terras, com a perda dos
laços sociais e de pertencimento ancestrais, além dos impactos
ambientais, em que o mais evidente foi o a perda da biodiversidade da
região.
Nessa conjugação, nota-se que o movimento de Justiça Ambiental é
fundamentalmente uma rede que estabelece um contraponto e uma
resistência aos mecanismos de imposição e verticalização dos processos
decisórios que saem prontos de gabinetes governamentais, sem interface
ou diálogo com a realidade dos territórios e lugares. O que está em pautas
nessas reivindicações é, sobretudo, o compromisso com a participação
comunitária em uma sociedade democrática e dialógica, princípio e
condição fundamental para um combate efetivo ao crescimento da
desigualdade ambiental e suas consequências.
Vamos Exercitar?
Vamos Exercitar?
Vamos retomar o caso de oposição de Arnaldo à construção de um grande
reservatório de água para atender à demanda de uma usina hidrelétrica
em sua cidade. Para auxiliar nessa discussão, vamos trabalhar as seguintes
questões:
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É possível compreender a oposição de Arnaldo analisando as
justificativas para a construção do reservatório (atender a demanda
energética)?
Quais seriam os possíveis impactos diretos na população residente da
região afetada e por que esse fato deve ser considerado como uma
fonte de desigualdade?
Primeiramente, Arnaldo traz uma série de pontos importantes, como o
fato de que os moradores perderão uma expressiva porção de terra
produtiva. Os que residem na área de inundação perderão os seus lares,
forçando muitos ao êxodo rural, além de se perder uma importante parte
da história desse povo. Pensando no contexto ambiental, haverá
interrupção da piracema, impacto direto nos ecossistemas, que sofrerão
inundação, entre outros.
Diante disso, o estudo da desigualdade ambiental é uma importante
ferramenta que visa conhecer e reconhecer os padrões de justiça
ambiental, ou seja, o contexto, as pessoas e as dinâmicas de decisão sobre
os projetos e iniciativas que impactam o ambiente, como no caso da
construção do reservatório. Assim, é necessária a avaliação do contexto,
compreendendo como o empreendimento realmente será benéfico,
mesmo com os impactos destacados.
Na dimensão da Justiça Ambiental, nota-se que os impactos recairão
justamente nas populações, mais vulneráveis, privando do acesso aos
recursos naturais e sendo ‘expulsos’ de seus locais de moradia, gerando
perda dos laços sociais e de pertencimento ancestrais, além dos impactos
ambientais, em que o mais evidente foi o a perda da biodiversidade da
região.
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Saiba maisSaiba mais
De forma recorrente, relatórios são editados para a divulgação de estudos
e pesquisas sobre as dimensões e implicações da desigualdade no âmbito
global e brasileiro. Eles têm sido utilizados para sensibilizar e contribuir na
formulação de políticas públicas de combate à desigualdade. Um dos mais
importantes estudos foi editado pelas Nações Unidas em 2019 e trouxe um
panorama global da desigualdade econômica, social, racial e ambiental no
século XXI. Você pode acessar o Relatório do Desenvolvimento Humano
2019 diretamente no site da ONU.
Outro relatório, também das Nações Unidas, editado em 2021, trouxe os
dados da desigualdade na América Latina - Relatório de Desenvolvimento
Humano Regional 2021 | Presos: alta desigualdade e baixo crescimento na
América Latina e no Caribe. 
A Justiça Ambiental refere-se “aos princípios que asseguram que nenhum
grupo de pessoas, sejam grupos étnicos, raciais ou de classe, suporte uma
parcela desproporcional de degradação do espaço coletivo. Para saber
mais sobre Justiça Ambiental, leia o artigo Por mais Justiça Ambiental.
Referências
Referências
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RESPONSABILIDADE SOCIAL E
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https://www.undp.org/pt/brazil/publications/relatorio-do-desenvolvimento-humano-2019
https://www.undp.org/pt/brazil/publications/relatorio-do-desenvolvimento-humano-2019
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Disciplina
RESPONSABILIDADE SOCIAL E
AMBIENTAL
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https://doi.org/10.1590/S0103-40141992000200013
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https://www.oxfam.org.br/blog/desigualdade-social-um-panorama-completo-da-realidade-mundial/#:~:text=A%20desigualdade%20social%20%C3%A9%20oriunda,para%20a%20qualidade%20de%20vida
https://www.oxfam.org.br/blog/desigualdade-social-um-panorama-completo-da-realidade-mundial/#:~:text=A%20desigualdade%20social%20%C3%A9%20oriunda,para%20a%20qualidade%20de%20vida
https://www.oxfam.org.br/blog/desigualdade-social-um-panorama-completo-da-realidade-mundial/#:~:text=A%20desigualdade%20social%20%C3%A9%20oriunda,para%20a%20qualidade%20de%20vida

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