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1 
Psicologia da Educação 
Coordenação: Profa. Ana Lucia Gomes 
Aula 02 – Texto 01 
 
O que é aprendizagem? 
O conceito de aprendizagem pode ser definido de forma diversa, em função das diferentes 
perspectivas teóricas que o embasam. Cada uma dessas perspectivas atribui uma compreensão 
específica sobre a relação do sujeito com o meio, ou seja, com os vários contextos que subsidiam 
as situações de aprendizagem. 
No entanto, apesar das várias teorias que explicam o processo de aprendizagem, observamos algo 
consensual entre elas, que nos permite definir, de forma geral, o que seria “aprender”. 
Para Lefrançois (2008, p. 06), a aprendizagem pode ser entendida como: 
“[...] toda mudança relativamente permanente no potencial de comportamento, que resulta 
da experiência, mas que não é causada por cansaço, maturação, drogas, lesões ou doença. 
[...] A aprendizagem é o que acontece ao organismo (humano ou não humano) como 
resultado da experiência. As mudanças comportamentais são simples evidências de que a 
aprendizagem ocorreu. ” 
Considerando a citação acima, é importante destacar dois pontos: 
a) A experiência potencializa o comportamento, ou seja, torna possível a sua ocorrência, mas 
não o determina prontamente. O papel do sujeito na experiência é fundamental. 
 Quando falamos de experiência, tratamos não apenas daquela que é exterior ao sujeito, 
como por exemplo, aprender um novo passo de dança ou aprender mais sobre psicologia, 
através de um curso. 
A aprendizagem também é sensível às experiências internas do sujeito. Através da reflexão, 
as informações existentes na memória, podem ser mobilizadas permitindo ao sujeito agir, 
compreender ou entender algo a partir de um novo ponto de vista. Nesse sentido, as 
experiências internas do sujeito podem auxiliá-lo a continuar uma tarefa, a buscar novos 
caminhos para resolvê-la, ajudar a planejar uma ação e assim, ter um resultado satisfatório 
ou diferente. 
 
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Psicologia da Educação 
Coordenação: Profa. Ana Lucia Gomes 
Aula 02 – Texto 01 
Isso posto, verificamos que a aprendizagem se mostra como um processo altamente 
complexo que rompe com o entendimento básico de aquisição de informação e de que há 
passividade do aprendiz neste processo. 
 
 
 
b) A aprendizagem quando ocorre modifica o sujeito, permitindo-o estar e agir no mundo de 
diferentes formas, a partir dos padrões comportamentais aprendidos. 
Quanto mais ele aprende, mais o sujeito se torna flexível e adaptável às múltiplas 
exigências do mundo. Por exemplo, quando uma criança aprende a ler, sua leitura é 
vagarosa e, por vezes, precisa reler a frase para compreendê-la. Quanto mais a leitura é 
praticada, mais chances surgem para desenvolver a fluência de leitura e permitir que a 
criança tenha uma compreensão textual de qualidade. 
Outro exemplo, seria o quanto é possível aprender, através de uma viagem. Conhecer 
outros lugares, não permite apenas aprender sobre a cultura e costumes de um determinado 
lugar. Viajar também propicia aprendizagens subjetivas, que sensibilizam o sujeito, 
permitindo-o ampliar a sua leitura de mundo, auxiliando-o a crescer como pessoa. 
Afinal, como podemos definir a aprendizagem? 
Poderíamos defini-la, como sendo a consequência de uma experiência vivida pelo sujeito, que o 
permite fazer algo, que antes não era possível. Essa consequência 
representa um novo padrão de comportamento que pode ser observado e 
verificado pelo outro, tais como, as ações que refletem conhecimentos e 
habilidades, como dirigir um carro, cozinhar, resolver uma equação 
matemática, falar uma nova língua ou ações que encerram atitudes e 
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Psicologia da Educação 
Coordenação: Profa. Ana Lucia Gomes 
Aula 02 – Texto 01 
 
conteúdos afetivos, como: colocar limites na relação com alguém ou expressar o que pensa com 
segurança (OLIVEIRA, 2004). 
A ocorrência da aprendizagem é sensível a fatores como: a singularidade do sujeito, a 
especificidade do objeto de conhecimento e a qualidade da experiência. Esses fatores merecem 
atenção, pois o resultado esperado da aprendizagem pode não surgir, em decorrência da influência 
individual ou integrada desses fatores. Não observar o comportamento esperado, não significa que 
a aprendizagem não tenha acontecido. Ela pode estar em sua forma latente, aguardando o melhor 
contexto para se manifestar. 
Buxton (1940, apud LEFRANÇOIS, 2008) realizou um experimento clássico onde os resultados 
obtidos indicaram que as experiências de aprendizagem são capazes de gerar um comportamento 
potencial e não, o comportamento em si. Buxton buscou treinar seus ratos para encontrarem a saída 
de um labirinto. Apesar das várias tentativas, os resultados obtidos indicaram que os ratos não 
tinham aprendido a tarefa. O pesquisador resolveu alterar o contexto do experimento e deixou 
junto à saída do labirinto, um pouco de comida. Essa modificação foi suficiente para que a maioria 
dos ratos, chegassem rapidamente e sem erro, à saída do labirinto. 
O experimento de Buxton é importante para ilustrar que a aprendizagem é sensível ao contexto, 
ao interesse, a motivação e às singularidades de cada aprendiz e aponta para a existência de ritmos 
de aprendizagens diferenciados, mesmo diante de uma experiência comum. Buxton considerou 
que os ratos não tinham aprendido a encontrar a saída, mas bastou alterar um fator do contexto 
original, que os ratos responderam de outra forma, indicando terem aprendido. 
Tal experimento, mesmo tendo ocorrido na década de 40, mostra-se atual e indica a relevância do 
contexto para a aprendizagem, principalmente, quando falamos da aprendizagem escolar. Se um 
aluno não aprende isso significa que o contexto da aprendizagem oferecido pode estar insuficiente 
ou inadequado. Logo, o professor visando a aprendizagem dos seus alunos, deve variar as 
experiências oferecidas, para que todos tenham a possibilidade de expressar o que aprenderam, 
considerando que os aprendizes possuem interesse, motivação e ritmos de aprendizagens distintos, 
que levam a respostas singulares e que merecem toda atenção e apoio do professor. 
 
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Psicologia da Educação 
Coordenação: Profa. Ana Lucia Gomes 
Aula 02 – Texto 01 
 
Isso posto, o professor deve diversificar ao máximo a maneira como deseja verificar a 
aprendizagem dos seus alunos, para que todos, dentro daquilo que sabem e podem fazer, possam 
fazer uso do melhor contexto para mostrar aquilo que aprenderam. 
 
Psicologia da Educação e o conceito de aprendizagem 
Segundo Oliveira (2004), a Psicologia dialoga com a Educação a partir de dois conjuntos teóricos 
importantes: as teorias da aprendizagem e as teorias do 
desenvolvimento humano. As teorias da aprendizagem têm como 
objetivo categorizar as perspectivas que falam sobre o 
comportamento humano e suas modificações. Assim, o acesso à 
essas perspectivas pela Educação permitiu a construção de 
diferentes modelos de ensino-aprendizagem, que embasam as 
metodologias que hoje são conhecidas. 
As teorias da aprendizagem são objetos de reflexão e pesquisa da subárea Psicologia da 
Aprendizagem. Seu corpo teórico pode ser dividido em dois grupos: as teorias introspectivas e as 
teorias não-introspectivas. As teorias introspectivas (subjetivistas) buscam explicar os 
sentimentos, emoções e comportamentos humanos, a partir de uma concepção subjetiva, que 
valorizam a mente e o pensamento como elementos importantes para explicar o comportamento. 
As teorias não-introspectivas (objetivistas e cognitivistas), por sua vez, em função de terem 
surgido quando a psicologia alçou o statusde ciência, no séc. XIX, com a criação dos Laboratórios 
de Psicologia em Leipzig, Alemanha, buscam estudar o comportamento humano de forma mais 
objetiva, sem grandes considerações aos fatores subjetivos relacionados à mente e ao pensamento 
(TONUS, 2013). A tabela 01 resume as principais características de cada grupo teórico, bem 
como, seus principais representantes. 
 
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Coordenação: Profa. Ana Lucia Gomes 
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 Tabela 01: Classificação das teorias da aprendizagem e seus autores clássicos 
 
Características da aprendizagem 
Aprender consiste em uma atividade que pode ser verificada no homem, a partir do seu nascimento 
e se encontra potencialmente presente ao longo de todo o seu ciclo vital, percorrendo todas as fases 
do desenvolvimento: infância, adolescência, fase adulta e a terceira idade. O único limite natural 
à aprendizagem é a morte do indivíduo. Logo, enquanto 
há vida, um contexto desafiador e um indivíduo 
interessado em aprender, há infinitas oportunidades de 
aprendizagem. 
A aprendizagem tende a ampliar o padrão de 
comportamento do indivíduo, permitindo-o agir de modo mais eficiente nos diferentes contextos 
que interage. O fato do homem ter aprendido a usar as novas tecnologias da informação e 
comunicação (TICs) fez com que ele pudesse realizar suas atividades diárias com muito mais 
eficiência e funcionalidade. Através dos diversos aplicativos presentes no celular, é possível fazer 
ações bancárias, verificar e enviar mensagens ou fazer consultas acessando a internet. Tal 
aprendizagem gerou uma infinidade de possibilidades e alterou qualitativamente o seu 
comportamento fazendo com que surgissem novas formas de ação no mundo contemporâneo, cuja 
essência, é o dinamismo (GOMES, 2014). 
 
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Classificação Ideia Defendida Autores Clássicos 
Introspectiva 
 Subjetivista 
(Influência Filosófica) 
A consciência seria o resultado de 
sensações subjetivas, não sendo 
determinada pelo meio. 
Dewey (1859-1952) 
Maslow (1908-1970) 
Rogers (1902 -1987) 
Não-introspectivas 
 
 Objetivista 
 
 
 
 
 Cognitivista 
 
O homem é controlado pelo meio e o seu 
comportamento consiste em um fato 
observável. 
Pavlov (1849-1936) 
Thorndike (1874-1949) 
Watson (1878-1958) 
Skinner (1904-1990) 
A construção do conhecimento é um 
processo contínuo e dependente da 
relação de interação estabelecida entre o 
sujeito e o meio. 
Piaget (1896-1980) 
Vygotsky (1896-1934) 
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Coordenação: Profa. Ana Lucia Gomes 
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Todos esses ganhos refletem algumas características da aprendizagem: 
 complexidade, considerando que é sensível aos fatores internos (pensamento, atenção, 
memória, motivação, emoção, afetividade) e/ou externos ao sujeito (valores e expectativas 
sociais, cultura, experiências); 
 continuidade, pois ocorre ao longo de todo o ciclo vital; 
 dinâmica, tendo em vista, poder agregar múltiplos fatores para a sua ocorrência; 
 pessoal, considerando que aquilo que se aprende torna-se único, pois cada sujeito tem suas 
experiências, seu próprio ritmo e forma singular de ler o mundo e interpretá-lo; 
 intransferível, o que foi aprendido é exclusivo àquele que aprendeu, não sendo possível 
transferir para o outro de modo direto. 
Ao ensinar a alguém criamos a oportunidade de aprendizagem e não o aprender em si. 
Segundo Rogers (2011, p. 318-319), 
 “[...] o único aprendizado que influencia significativamente o comportamento é o 
aprendizado autodescoberto, auto-apropriado. [...] um conhecimento autodescoberto, 
essa verdade que foi pessoalmente apropriada e assimilada na experiência, não pode ser 
comunicada diretamente a outra pessoa. [...] Por isso, nem sempre o que os resultados 
mostram indicam que o ensino foi bem sucedido”. 
Cada indivíduo aprende ao seu modo, no seu tempo, mesmo diante de uma única experiência. Os 
alunos de uma turma ao fim da explicação da professora, podem ter diferentes reações: uns podem 
estar apenas revisando, pois já aprenderam; outros estão vendo pela primeira vez, mas 
compreenderam a explicação e podem fazer os exercícios sem auxílio; outros podem solicitar a 
ajuda da professora para fazê-los. Há ainda, aqueles alunos que não aprenderam o que foi ensinado 
porque estavam distraídos; outros ficaram com dúvidas, porque o assunto é completamente novo 
e, ainda há aqueles, que possuem dificuldades específicas de aprendizagem. 
Disso, entendemos que a experiência da aprendizagem pode ser coletiva, mas o seu produto é 
único, ou seja, exclusivo a cada indivíduo. 
 
 
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Psicologia da Educação 
Coordenação: Profa. Ana Lucia Gomes 
Aula 02 – Texto 01 
 
Como saber se houve aprendizagem? 
Quando ensinamos algo a alguém é muito comum, perguntarmos: “Você entendeu? ” “Pode fazer 
sozinho? ” “Pode repetir o que foi feito? ” 
Nas instituições de ensino, a verificação da aprendizagem é algo comum e importante. Através 
dessa ação, o aprendiz é avaliado e considerando o seu resultado, é traçada uma estratégia 
pedagógica de reforço, de revisão ou de aprofundamento. 
Através das provas, testes ou trabalhos, os professores podem 
ter um diagnóstico sobre a qualidade da aprendizagem dos 
alunos. A partir dos resultados globais e individuais, eles têm 
a oportunidade de verificar o que deve ser melhor trabalhado, 
aprofundado ou revisado para que os alunos possam ter 
sucesso junto aos objetivos pedagógicos previstos. 
Mas, será que provas e testes são suficientes para avaliar com 
segurança a aprendizagem do aluno? A resposta é não! 
Levando em conta, as características da aprendizagem e a sua sensibilidade a vários fatores, provas 
e testes podem não avaliar fidedignamente a aprendizagem do aluno, pois os exames 
 exigem respostas que privilegiem apenas a memória do conteúdo estudado e não a sua 
compreensão. 
 estão mal estruturados ou apresentar questões muito complexas que estejam acima da 
preparação do aluno. 
 não acolhem as dificuldades dos alunos referentes à ansiedade, estresse, insegurança, 
problemas de saúde ou psicológicos. 
Isso posto, o que a escola deveria fazer para avaliar melhor o seu aluno? 
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Coordenação: Profa. Ana Lucia Gomes 
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Um caminho possível é diversificar ao máximo as avaliações e distribuí-las ao longo do período 
escolar, de modo a controlar os fatores que impactam a 
aprendizagem negativamente. Se um aluno não foi bem em 
um teste, ele tem outras oportunidades para recuperar a sua 
nota e, sobretudo, mostrar o que sabe sobre o assunto, através 
de uma outra abordagem. 
Assim, encontramos escolas que optaram pelo uso variado de 
avaliações. Algumas escolas empregam de forma sistemática, 
trabalhos em grupo e individual, trabalhos multidisciplinares, exercícios dirigidos, testes e provas. 
Outras priorizam o uso de avaliações qualitativas, voltadas para a relação do aluno com o seu 
processo de aprendizagem, isto é, o quanto se dedica às atividades de estudo, como participa nas 
aulas e nos grupos de trabalho. Há ainda, as escolas que optam por conjugar avaliações 
quantitativas e as qualitativas, buscando assim, ampliar os contextos em que o aluno deve mostrar 
aquilo que aprendeu. Enfim, esse processo encontra-se em franca construção,onde observamos 
uma reflexão constante dos professores sobre o assunto, 
onde buscam verificar a aprendizagem dos seus alunos 
da melhor maneira possível. 
Sendo assim, a aprendizagem dependendo do contexto 
que a promova ou a avalie, pode restar em seu estado 
latente, tal como, verificamos no experimento de Buxton, por isso, é fundamental olhar para o 
processo de aprendizado com cuidado e buscar proporcionar aos alunos diferentes perspectivas de 
aprendizagem para que possam mostrar o que sabem de formas distintas e assim, serem 
estimulados a aprenderem, através de uma prática que valoriza o processo de aprendizagem em 
toda sua essência. 
Referências Bibliográficas 
OLIVEIRA, Eloiza (2004). Conceito, características e componentes da Aprendizagem. In: 
Pesquisa Interinstitucional - Formação de Professores para a Docência Online. Módulo 3 – 
Psicologia da Aprendizagem /Unidade 1, 2008. 
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Coordenação: Profa. Ana Lucia Gomes 
Aula 02 – Texto 01 
GOMES, A. L. Tecnologia em sala de aula: a inovação do ensino através da aprendizagem 3D. Educação 
e Cultura Contemporânea, v. 11, p. 60-84, 2014. Disponível em: 
http://periodicos.estacio.br/index.php/reeduc/article/viewArticle/908 Acesso em: 04/06/2020 
LEFRANÇOIS, Guy R. (2015). Teorias da Aprendizagem. São Paulo: Cengage Learning. 
TONUS, Karla Paulino (2013).Psicologia e Educação: repercussões no trabalho educativo. 
Revista Semestral da Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional, SP. Volume 
17, Número 2, Julho/Dezembro de 2013: 271-277 
ROGERS, Carl. R. (2011). Torna-se pessoa. 6ª ed. 3ª tiragem. São Paulo: Editora WMF Martins 
Fontes. 
http://periodicos.estacio.br/index.php/reeduc/article/viewArticle/908

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